Uma homenagem aos barbeiros
Ao contrário do que alguns podem estar pensando, não vou começar a nomear fulanos e beltranos que colocam o visual dos pilotos em dia. Vão, aqui, minhas saudações aos cabeleireiros e barbeiros de todo país.
Por falar em barbeiros, peço licença para fazer uma brincadeira com a nossa língua. No automobilismo, o termo existe para rotular aqueles que, digamos, se enrolam um pouco com volante, pedais e tudo mais. E, obviamente, a Fórmula 1 já teve dos seus!

É claro que não conseguirei citar todos em um único post, visto que a quantidade desta ‘espécie’ é grande. Lembro-me, agora, de um que, se fosse organizado um campeonato da modalidade, certamente teria sido campeão. O italiano Andrea de Cesaris era... Bem, para resumir, ele conseguiu destruir 16 McLaren em 14 Grandes Prêmios na temporada de 1981. Não é estranho nunca ter vencido na F1. Subiu, sabe-se lá como, cinco vezes ao pódio, sendo duas vezes em segundo lugar: a primeira no GP da Alemanha de 1983 e a outra no GP da África do Sul do mesmo ano, corrida que consagrou Nélson Piquet como bicampeão mundial. Milagrosamente, De Cesaris participou de 208 GPs.
Tão ruim quanto o italiano, Satoru Nakajima ainda carregava a fama de barbeiro. A imagem catastrófica do japonês foi formada não só com suas peripécias nas pistas. Após anos instalando de vez em quando câmeras onboard, a FIA decidiu que o recurso televisivo seria permanentemente adotado durante toda temporada de 1987 em um único carro: a Lotus número 11. Piloto do carro, Nakajima fazia sua estreia na categoria naquele mesmo ano, sendo companheiro de equipe de Ayrton Senna. A ‘sorte’ do japonês é que tudo que ele fazia ao volante da Lotus amarela era exibido para dezenas de países.

Citei dois, mas certamente o leitor se lembrará de outros muitos. A lista não é pequena, não é mesmo? Teve, também, Deve Walker, que foi companheiro de Emerson Fittipaldi na Lotus. O inglês conseguiu a proeza de ficar sem combustível a seis voltas do final do GP da Bélgica, em 1972. Melhor para Emerson, que com a mesma estratégia e quantidade de combustível, venceu a corrida.
Agora, minha memória me obriga a escrever sobre Vittorio Brambilla. O italiano, que competiu na categoria entre 1974 e 1980, parecia ter um imã quando se aproximava de guard-rails. Sua única vitória foi no Grande Prêmio da Áustria de 1975, que foi interrompido por causa da chuva na 29ª volta das 54 previstas. Depois de receber a quadriculada, Brambilla sacudiu tanto seus braços para comemorar que perdeu o controle de seu March e bateu no guard-rail. Se eu não estiver sendo traído por minha memória, é o único caso na F1 em que o vencedor bateu estupidamente com o carro na volta de desaceleração.

Na minha lista coloco, ainda, Yannick Dalmas, Héctor Rebaque, Christian Danner e Eliseo Salazar. Será que esqueci alguém? Não coloco nomes de pilotos que participaram das duas primeiras décadas da F1 porque poderia ser injusto com algum deles. E na sua lista? Incluiria algum piloto?
Para finalizar, não dá para deixar a outra data comemorativa de hoje em branco. No Dia do Sexo, o COCKPIT publica uma foto daquele que mais se dedicou ao ‘esporte’: James Hunt, que teve suas histórias, inclusive as íntimas, contadas no livro Shunt. Segundo a biografia do ex-piloto inglês, escrita por Tom Rubython, Hunt ‘pegou’ 33 aeromoças da British Airways durante as duas semanas de 1976 em que esteve no Japão, local onde foi campeão mundial de F1. O britânico Hunt morreu em decorrência de um ataque cardíaco em 1993.
