Mana e Manoel Holanda
Sabe o Ceará? Então, ele é bem mais do que praias lindas, terra dos maiores humoristas brasileiros e de
Ciro Gomes, um dos presidenciáveis das próximas eleições. Hoje, o estado é o maior produtor de índigo jeans, além de ser o segundo maior pólo de lingerie e o sexto em volume de exportação. Só de janeiro a julho, foram arrecadados cerca de US$ 32 milhões com a exportação da moda
made in Ceará. “Ao contrário de São Paulo e Santa Catarina (os dois maiores concorrentes do Ceará no setor têxtil), o estado não vende para o mercado interno, mas sim exporta a maior parte de suas peças. Não produz o algodão, por exemplo, tendo de importá-lo para produzir o fio. SP e SC são produtores e possuem enorme mercado consumidor. A lingerie é a maior vedete do Ceará, já que é um produto de valor agregado, o que o transforma em
player global”, frisou
Ivan Bezerra, vice-presidente da Abit, na abertura do 25º Ceará Summer Fashion, realizado no Maraponga Mart Moda, o maior pólo atacadista do Norte-Nordeste.
Juros pagos em beijos
Os nomes por trás desse colosso plantado no subúrbio de Fortaleza são
Mana e
Manoel Holanda. “Tudo começou por acaso. Éramos especializados em comércio de móveis e tínhamos um galpão, onde fazíamos feiras do setor. Um dia, precisavam de um espaço para a exposição de uma feira têxtil e nos procuraram. Deu certo. Nos apaixonamos pelo tema e abandonamos os móveis para cair no setor de comercialização de roupas”, contou Mana que, 28 anos depois, é detentora do gigante do Nordeste. São 43 mil m², 200 mil pessoas fazendo compras por atacado por mês e muitos e muitos milhões comercializados. “Uma das lojas, quatro dias após a inauguração, bateu a marca de R$ 1 milhão em vendas. Não é bom?”, pergunta Mana. É ótimo! E vem mais por aí. Em dezembro, o casal inaugura o Shopping da Moda Íntima, ao lado do Maraponga. Os retoques estão sendo dados e o espaço é a menina dos olhos de Manoel. “Ele precisava de R$ 300 mil para terminar o projeto. E como sou eu quem comanda as finanças, pediu emprestado. Dei seis cheques de R$ 50 mil e falei que os juros ele me pagaria com beijinhos. Agora, ganho beijos furtivos”, brinca Mana, casada há 44 anos com Manoel.
Preto Rap
Arte e voz das ruas
Preto Rap é gente que faz. Faz arte, faz rap, faz o bem e faz pensar. O cearense de 36 anos, tem 20 de dedicação à arte de transformar reinvidicações sociais em música e 15 de grafite, ou aerografia, como ele se refere à própria arte. Consagrado em Fortaleza, o artista foi o responsável por emprestar seus traços coloridos e perfeitos à decoração dos 12 lounges do Ceará Summer Fashion. Cada um representando, com elementos típicos, as sedes da Copa do Mundo de 2014, a ser realizada no Brasil. “A arte salvou a minha vida e, na rua, aprendi tudo o que sei, já que só frequentei a escola até a 4ª série. Com a música e os traços artísticos percebi que poderia ser alguém na vida”, disse Preto, que, na carteira de identidade, atende pelo nome de Marcos. Aliás, ele quer que a arte salve a vida de outros garotos que, como Preto, passam dificuldades. “Faço trabalhos de ressocialização com jovens em presídios, institutos e presos em liberdade vigiada. Se a gente oferece uma outra possibilidade às pessoas e elas passam a ter ferramentas para optar pelo bem ou pelo mal, fica mais fácil escolherem o caminho correto”, provoca Preto, que está com um CD demo debaixo do braço, prontinho, esperando uma gravadora que acredite em seu talento. “Chama-se
Aplauso mudo, linguagem surda. É uma provocação aos aplausos alienados e às letras que não dizem nada, dominantes no mundo musical”, atesta.
Lúcia Lima
Caminho das pedras
Quando a gente se lembra da personagem de
Vera Fischer em
Caminho das Índias, vem à mente aqueles colares exuberantes, coloridos e brasileiríssimos. Sabe de quem eram aquelas belezuras? Da mezzo baiana, mezzo pernambucana, mezzo cidadã do mundo
Lúcia Lima. “Tudo o que Vera usa, reluz. A relação criador-criatura ficou tão bacana que ela se apaixonou por 15 peças dentre as muitas que usou e, agora, integram seu acervo pessoal”, comenta com orgulho Lúcia, uma das presenças mais celebradas do primeiro dia do Ceará Summer Fashion, anteontem. O lounge da Bahia estava todo enfeitado com as criações da designer, principalmente com as contas usadas por
Mãe Stella de Oxóssi. “Na próxima novela das sete, aliás, as personagens de
Fernanda Vasconcellos e
Regiane Alves usarão criações minhas. Estou produzindo uns cintos lindíssimos para a personagem da Regiane com muitas pedras aplicadas”, contou Lúcia, que tem ateliê em NY, Salvador e no Rio.
Jefferson Kulig
DNA do estilo
Outro que passou pelos corredores do Ceará Summer Fashion foi o estilista curitibano
Jefferson Kulig. Há seis anos e 12 temporadas desfilando na SPFW, o criador amadureceu seu estilo e abandonou, ao menos em parte, a alcunha de Professor Pardal do mundo da moda, por conta do barroquismo tecnológico que ele imprimia em suas apresentações. “No começo, eu precisava marcar meu território. Sou apaixonado por pesquisa de novos materiais, formas e texturas. Para diferenciar e deixar minha marca em um
line up repleto de grandes nomes, radicalizei na conceituação das coleções. Mas vejo tendências que sugeri à época e tomadas como maluquices sendo replicadas por aí. Como os tecidos de látex, engrenagens na roupa e os sapabotas (um híbrido entre sapatos e botas). Atualmente, limpei meu estilo, porque não dá para viver de conceito em um país que ainda não tem uma tradição de moda. Estamos no começo da criação da cultura de moda no Brasil”, comenta Jeferson que, apesar de paranaense, está com uma peça de seu arquivo enfeitando o lounge de São Paulo, no evento. “No de Curitiba, abri espaço para um vestido da minha irmã,
Karina Kulig, também designer. Aliás, a moda lá em casa, é genética. Meus pais são donos de confecção há mais de 40 anos”, explicou.