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17 de maio de 2008: Era uma vez Zelia Gattai, graças a deus

"Zélia Gattai não tem falsos pudores. Sempre admitiu que escreve porque vive o privilégio de compartilhar seus dias com o maior best-seller da literatura brasileira,o baiano Jorge Amado. Mas do que este poderoso estímulo, porém, Zélia sempre foi excelente contadora de histórias. Dessas que interpreta cada personagem com entonações diferentes e muitas gesticulações. Entre seus ouvintes, estiveram gente famosa, como o poeta chileno Pablo Neruda, e críticos severos, como o neto Bruno, que ficava zangado quando a avó não reproduzia as histórias que inventava para ele com o mesmo enredo". Jornal do Brasil

Outras efemérides de 17 de maio
1926: Marinetti para o leitor do JB
1973: Começa o julgamento do Caso Watergate
1974: O marco da construção de Itaipu

Filha de anarquistas italianos pobres (caçula de uma prole de cinco), Zelia Gattai nasceu numa próspera São Paulo no dia 2 de julho no ano de 1916. Foi na infância, na casa da Alameda Santos, sem fechaduras nem trancas, que assistiu os primeiros automóveis entrarem em circulação e a cidade se encantar com as películas do cinema mudo. Memórias que ela mesma revelaria anos mais tarde ao publicar seu primeiro livro, Anarquistas graças a Deus (1979), escrito sem qualquer pretensão literária.

Na juventude, dando continuidade ao engajamento familiar, viveu a experiência política e cultural da paulicéia, e fez amizade com diversos intelectuais da época. Aos 20 anos, casaria-se com um deles, Aldo Veiga, militante do Partido Comunista, com que conviveu por oito anos, e teve seu primeiro filho: Luiz Carlos.

Zélia e Jorge se conheceram quando ele, então um experiente líder comunista chegou a São Paulo, logo depois do fim da Segunda Guerra (1939-1945) e da ditadura do Estado Novo (1937-1945), para fazer a campanha pela libertação dos presos políticos. O encontro foi durante um congresso de literatura. Não demoraria para que, diante de tantos interesses em comum, se descobrissem também apaixonados, dando início a um relacionamento que perduraria para sempre, até a morte do escritor em 6 de agosto de 2001.

Com Jorge, Zélia teve mais dois filhos. João Jorge nasceu em 1946. Paloma, cinco anos mais tarde, em Praga, quando a família já tinha deixado o Brasil, por questões políticas. Exilado, o casal tem uma intensa experiência cultural convivendo no meio intelectual europeu.

De volta ao Brasil em 1952, a família passa a morar na casa dos pais de Zélia, até decidir fixar residência no número 33 da Rua Alagoinhas, em Salvador. É nesse endereço em começa a fase literária de Zélia, então com 63 anos. "Eu aprendi a gostar de escrever. Quando escrevo me realizo e sinto emoções como nunca. Tenho um prazer infinito em escrever".

Depois de Anarquistas..., a idéia do segundo livro, Um Chapéu para Viagem (1982) também dedicado às suas memórias, surge a partir da proximidade dos 50 anos de lançamento do primeiro romance de Jorge Amado, como uma forma de participar das homenagens prestadas ao marido. A obra é um retrato de Zélia sobre a infância de Jorge Amado e da família do escritor.

Aliás, as aventuras no endereço baiano também se tornaria uma obra de Zélia. O livro A casa do Rio Vermelho (1999) é um gesto de amor para Jorge Amado e o relato do agitado e apaixonante cotidiano dos dois em Salvador.
Zelia Gattai e Jorge Amado. Adriana Lorette


Imortal, é a sexta ocupante da Cadeira nº 23, eleita em 7 de dezembro de 2001, na sucessão de Jorge Amado e recebida em 21 de maio de 2002 pelo Acadêmico Eduardo Portella. Zélia Gattai morreu no dia 17 de maio de 2008, aos 91 anos, na tarde de um sábado, no Hospital Bahia, após ficar internada por um mês. Seu corpo foi cremado e suas cinzas foram depositadas na casa do Rio Vermelho, da mesma forma como aconteceu com Jorge Amado.

Deixou um legado de 14 livros publicados e muitas histórias para contar.

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16 de maio de 1943: O fim do Gueto de Varsóvia

Vítimas no Gueto de Varsóvia. Reprodução de Internet

O Gueto de Varsóvia não existe mais. Das construções da porção judaica da cidade polonesa, só restaram escombros. Dos judeus que lá estavam confinados, sem direito a trabalho, higiene ou alimentação, só restaram pilhas de cadáveres. Estima-se que foram 56 mil mortos. Assim terminou a revolta do Gueto de Varsóvia, na qual judeus mal-armados e famintos enfrentaram as forças alemãs durante quatro semanas. A opção pelo confronto, mesmo sabendo da desigualdade entre as forças, foi consciente. Era melhor morrer lutando com dignidade do que ser aprisionado em campos de concentração onde chegariam como animais em abatedouros. Já havia o conhecimento do destino traçado aos demais 300 mil habitantes que foram levados para Sobibor ou Treblinka. Portanto, era melhor enfrentar tanques com coquetéis molotov; era melhor morrer queimado vivo dentro da própria casa do que deixar-se arrastar pelos alemães, que entraram no gueto no dia 19 de abril com a missão de evacuar a área e embarcar toda a população para os campos de concentração.

As poucas fugas que se tem conhecimento foram através das saídas de esgoto.

outras efemérides de 16 de maio
1989: China inicia uma nova era
1997: Mobutu Sese Seko abandona o poder
1990: Morre o eclético talento de Sammy Davis Jr

O Gueto de Varsóvia foi a concentração forçada de um grupo judaico da cidade polonesa, isolado pelos nazistas a partir de 1939, quando da invasão alemã aquele país, durante a Segunda Guerra Mundial. Cercado por um muro, arames e cacos de vidros, tornou-se o destino obrigatório de todos os judeus de Varsóvia evidenciando ainda mais a segregação. Sua população chegou a atingir 380.000 pessoas, sob condições desumanas, expostas a doenças, ao frio e à fome. Em julho de 1942, como estratégia principalmente de minimizar o contágio de epidemias, iniciou-se a transferência forçada dos judeus mais fragilizados, os que não tinham disposição como força de trabalho, entre eles idosos, mulheres e crianças, para campo de extermínio. Restaram cerca de 60 mil habitantes no gueto, promovendo uma qualificação de espaço e alimentação. Os judeus que permaneceram trabalhavam como escravos para as fábricas alemãs. Esses remanescentes passaram a compor organizações pela Luta Judaica. Esses grupos de resistências muniram-se com armas e bombas, numa tentativa de enfraquecer a presença do exército alemão. Formaram também instituições culturais e de auxílio de alimentação e educação aos judeus.

Mas o clima de medo nunca deixou de existir. Da mesma, também não os impediu de lutar pela libertação até o fim.

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15 de maio de 1975: A saga teatral de Abajur Lilás


Jornal do Brasil: Segunda-feira, 28 de abril de 1975 - Caderno B, página 4
"Há muito tempo
que o teatro brasileiro
vem sofrendo
toda a sorte de pressões
e de cerceamento
à sua liberdade de expressão.
Os critérios utilizados
pelos poderes constituídos
escapam à nossa compreensão,
e o rigor que se utiliza contra nós,
impede freqüentemente
que possamos apresentar
um trabalho de maior profundidade
e de que sejamos
o espelho do nosso tempo,
como é função
da arte teatral
".
Manifesto da Classe Teatral


Os teatros paulistas suspenderam seus espetáculos em solidariedade ao autor Plínio Marcos, que teve sua peça Abajur Lilás novamente proibida pela Censura federal às vésperas de sua estréia. Em protesto, um manifesto da classe passou a circular no palco de várias companhias teatrais durante as semanas seguintes, antes das apresentações.

Outras efemérides de 15 de maio
1966: Morre o ex-Presidente Venceslau Brás
1994: O genocídio em Ruanda

Abajur Lilás foi escrita em 1969. Naquela ocasião foram dados os passos iniciais para a montagem do espetáculo: seleção de elenco, produção, ensaios; prevendo-se a estréia para o ano seguinte. Mas chegou 1970 e veio o primeiro golpe: Numa das levas de textos teatrais vetados pelo Governo estava Abajur Lilás. A Censura sentenciou a proibição da obra por cinco anos para todo o território nacional. Em 1975, expirada a sentença, Abajur Lilás estava de volta. A montagem foi retomada. Realizado o ensaio final, tudo estava pronto. Ou quase: faltava a aprovação dos censores que avaliariam a encenação a portas fechadas tal como seria exibida ao público. E novamente Abajur Lilás sucumbia ao crivo da Censura. O Ministro da Justiça, Armando Falcão, reiterou a proibição, alegando ferir a moral e os bons costumes. Abajur Lilás, de simples obra de dramaturgia se preconizou como símbolo da persistência da classe teatral. A peça só foi liberada pela Censura em 1980.

Torturas, confissões e a redenção

De linguagem livre, Abajur Lilás polemiza em torno da disputa travada entre os personagens para descobrir o verdadeiro culpado pela destruição do objeto de desejo do protagonista, um abajur. A trama retrata a degradação humana nas relações entre personagens que sobrevivem à beira da marginalidade: Giro, um homossexual sádico; Dilma, prostituta moralista e apegada a valores; Heleninha, prostituta alienada e individualista; Célia, uma prostituta revoltada e firme; e Oswaldo, um gigolô. Um jogo de torturas e confissões, onde o conflito interno de cada personagem é a busca da redenção.

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