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18 de março de 1990 – ´Os Trapalhões’ perdem Zacarias




Aos 57 anos de idade, o mineiro Mauro Faccio Gonçalves, mais conhecido como Zacarias, por seu papel no programa humorístico de TV “Os Trapalhões”, morreu na manhã do dia 18, vítima de uma infecção respiratória. O humorista estava doente desde fevereiro desse ano, e o seu quadro veio a piorar em meados de março, quando precisou ser internado doze quilos mais magro. A última pessoa a ver o ator com vida foi sua mãe, que esteve em seu quarto cinco minutos antes dele morrer. Seu corpo foi embalsamado e transportado para sua cidade natal, Sete Lagoas - Minas Gerais, onde foi enterrado.

Renato Aragão e Dedé Santana, seus companheiros no programa, correram ao hospital assim que souberam da notícia da morte do parceiro. “É difícil acreditar nisso; tenho certeza de que lá onde ele está, não quer ver tristeza; quer que a gente passe uma mensagem de alegria para as crianças; nada de tristeza”, disse Dedé, que, na hora da entrevista, lembrou de um comentário de Renato Aragão: “Os Trapalhões são como uma mesa de quatro pernas. Sem uma delas fica difícil”.

O humorista Castrinho, amigo de Zacarias por mais de 25 anos, relembrou momentos com o amigo nos tempos em que a TV Tupi faliu: “Eu e um grupo de amigos ficamos desempregados, sem ter onde morar. O Mauro (Zacarias) nos levou para seu apartamento e formamos uma república. Ele era nosso conselheiro”.

Wilton Franco, diretor dos Trapalhões, falou da ingenuidade daquele que considerava o mais doce do quarteto. “Ele era tão puro quanto parecia na TV”, disse o diretor, avaliando que essa ingenuidade devia ser “coisa de mineiro”.

Zacarias era meio ermitão: gostava de viver sozinho em sua casa em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, onde cuidava de plantas e pássaros. Dentro da casa tinha um elefante com o bumbum virado para a porta, uma figa e um Buda. Tinha ainda uma ferradura com sete furos. Era espírita e muito religioso. Começou sua carreira de ator em Sete Lagoas, em um programa da Rádio Cultura. Em 1963, veio para o Rio trabalhar na TV Excelsior. Na TV Tupi, interpretou um garçom engraçado no programa “Café sem concerto”. Renato Aragão viu, gostou dele e o transformou em um trapalhão, em 1974. Seu sonho era montar um musical humorístico e sua maior preocupação era com a educação das crianças brasileiras e também com a preservação da natureza.

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17 de março de 1976 – Morre o cineasta Luchino Visconti




Contraditório, discutido, rotulado de marxista em alguns momentos de sua carreira assim como de nostálgico da decadência aristocrática em outros, mas indiscutivelmente um dos mestres do cinema europeu, Luchino Visconti morreu no dia 17, em Roma, aos 69 anos de idade. Doente desde 1972, quando sofreu um ataque cardíaco, Visconti tinha acabado de filmar seu último trabalho, L’Inoccente, baseado no romance homônimo de Gabrielle D’Annuzio. E não pretendia parar. Cerca de um ano antes da sua morte, o diretor italiano dissera: “Sou um ser cinematográfico, que vai ao estúdio todos os dias, mesmo agora que a doença me humilhou, me feriu”.

Em uma cadeira de rodas, necessitando da ajuda alheia para se locomover dentro do estúdio, Visconti seguira filmando seu último trabalho, alguns meses antes de falecer. “Carregam-me como se eu fosse o Papa”, disse ele uma vez durante a filmagem de L’Innocente, na qual técnicos precisaram erguer sua cadeira, aproximando sua cabeça ao olho da câmara para que pudesse dirigir as cenas do filme.

Nostálgico, Visconti às vezes confessava sua solidão: “Eu gostaria de transmitir meu conhecimento a pessoas mais jovens. Ajudar pessoas. Todas as minhas tentativas acabaram em desastre. Não somos compreendidos. Eu desejava laços intelectuais profundos, e o que me ofereciam eram relações sentimentais sem sentido. Também gostaria de ter adotado um pequeno vietnamita. Legalmente, não é possível fazer isso sem ser casado. Os amores sempre terminam mal; é por isso que não revejo meus filmes”.

A juventude da década de 70 causava-lhe decepções: “Os jovens têm a cabeça vazia, drogam-se, bebem. Não aguentaria ser dominado outra coisa além de mim mesmo. Não preciso me evadir. Se estou deprimido, leio algumas páginas de Marcel Proust e esqueço todas as minhas preocupações”.

Do teatro às telas de cinema

Luchino Visconti nasceu em Milão, em 1906, em uma família aristocrática que dominou esta cidade italiana no século XV, e cujos membros foram mecenas de Leonardo Da Vinci e de outros artistas da época. Estudou música, se envolveu com o teatro, mas, aos 30 anos foi para Paris dedicar-se ao cinema e lá foi acolhido por Jean Renoir, que faria dele um de seus assistentes em três filmes (Les Bas-Fonds, de 1936; Une Partie de Campagne, de 1937; e La Tosca, de 1938). De volta à Itália, na Segunda Guerra estreou como diretor com o longa Ossessione (1942). Por participar da resistência ao fascismo italiano, Visconti foi preso e condenado ao fuzilamento, conseguindo fugir posteriormente. Entre seus trabalhos mais marcantes estão Um Rosto na Noite (1957), Rocco e seus Irmãos (1960), II Lavoro (episódio de Boccaccio 70, 1962) e O Leopardo (1963).

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16 de março de 1998 – Vaticano pede perdão ao povo hebraico




No dia 16 de março de 1998, o Vaticano apresentou à mídia internacional o texto Nós recordamos: uma reflexão sobre o ‘Shoah’. Com pouco mais de 14 páginas, o texto era dirigido aos fiéis católicos de todo o mundo, e tinha como intuito ser um pedido de desculpas ao povo hebraico pelos terríveis sofrimentos que lhe foram impostos na Segunda Guerra Mundial, ao tempo em que tentava defender as atitudes do papa Pio XII, acusado por muitos historiadores de não ter denunciado com maior energia as perseguições aos judeus por parte do nazismo alemão e do fascismo italiano, que culminaram no Holocausto. O texto levou mais de onze anos para ficar pronto, tendo sido encomendado pelo papa João Paulo II, que era o pontifície na data de publicação do documento.

Muitos vaticanistas italianos reconheceram que o documento era de grande importância para o futuro, embora aguado e tímido quanto ao passado. “A relação da Igreja com o povo judeu é diferente da que ela compartilha com qualquer outra religião. Não é somente uma questão de retornar ao passado. O futuro comum de judeus e cristãos exige que nós recordemos, porque não existe futuro sem memória. A própria história é memória futuri ”, vinha escrito em uma parte da reflexão.

Embora admita a existência entre os católicos de preconceitos antijudaicos, nascidos de uma interpretação errônea do Novo Testamento, o texto distingue esse tipo de sentimento do anti-semitismo. Assim, o documento expõe que o nazismo não foi contrário apenas ao judaísmo, mas também ao cristianismo, sendo que uma corrente significativa do mesmo rejeitava Deus e queria submeter a religião ao Estado nazista. Insistindo nessa tese, a autocrítica da Igreja absolveu o Papa Pio XII das graves acusações de não ter tido maiores esforços para impedir o Holocausto.

“Pio XII também condenou o racismo nazista de modo solene, em 1937, iniciativa que provocou ataques e sanções contra membros do clero alemão. Em 1938, dirigindo-se a um grupo de peregrinos belgas, o papa falou: ‘O anti-semitismo é inaceitável. Espiritualmente somos todos semitas’”. A Reflexão sobre o Shoah, porém, preferiu ignorar os silêncios e as omissões do mesmo papa diante dos insistentes apelos que recebeu – entre 1942 e 1944 – dos governos da Polônia, França e Bélgica sobre as perseguições ao judeus praticadas na Alemanha e na Itália.

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