Arquivo de August 2007

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1982: Maior que a coragem só o talento

Jornal do Brasil - Terça-feira, 31 de agosto de 1982 - Caderno B
Ingrid Bergman foi uma mulher que nunca desistiu. Morreu no mesmo dia que comemorava 67 anos de vida. Em sua autobiografia editada no Brasil com o título de ‘A História de uma Vida’ – referiu-se com nobreza a tudo que fez, nos deixando um admirável exemplo de coragem, perseverança e amor a vida. Enfrentou o câncer por seis anos, trabalhando até o último ano de vida em uma superprodução para a televisão representando o papel do Golda Meir.

Alfred Hitchcock dizia que era capaz de se superar a cada filme pois vivia caminhando para a perfeição. Seu primeiro filme nos EUA em 1939 foi uma nova versão de ‘Intermezzo’ com Leslie Howard. Conquistou definitivamente a América e todo o mundo com a história de amor ‘Casablanca’, hoje um clássico dos anos 40, que a transformou em uma campeã de bilheteria.

Em 1949 estava na Itália para filmar ‘Stromoli’ sob direção de Rosselini quando apaixonou-se por ele; uma união que causou muita polêmica. Ambos eram casados e abandonaram as respectivas famílias para ficarem juntos. Ingrid foi acusada de adúltera e de mau exemplo para as mulheres americanas pelo Senador do Colorado, Edwin C. Johnson, que subiu à tribuna para denunciar que “Ingrid Bergman cometeu uma afronta à instituição do casamento”, segundo ele era uma ‘cultivadora do amor livre’.

Passaram-se 15 anos em que ficou praticamente esquecida. Em 1956 estrelou ‘Anastasia’, uma superprodução da Fox que lhe rendeu um segundo Oscar e suas portas foram reabertas. Já estava separada de Rosselini quando seu nome foi levada à tribuna novamente em 1972, agora com o pedido de desculpas. O Senador Charles H. Percy falou: “Sr. Presidente, uma das mulheres mais encantadoras, graciosas e talentosas do mundo foi vítima de um duro ataque nesta casa há 22 anos. Gostaria, hoje, de render um tributo há muito devido a Ingrid Bergman, uma verdadeira estrela em todos os sentidos da palavra.”

Ingrid filmava com freqüência inclusive chegando a ganhar outro Oscar em Assassinato no ‘Orient Express’, também se descobriu no teatro e televisão.O câncer a surpreendeu em 1973 tendo um seio amputado em 1974 e outro em 1980.

Quarenta e cinco filmes, oito peças de teatro, quatro especiais para a televisão. Três Oscar, uma autobiografia. E a certeza de que não desistiria nunca.

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1984: O escritor Truman Capote é encontrado morto

Jornal do Brasil - Domingo, 26 de agosto de 1984
O escritor americano, Truman Capote morreu aos 59 anos. Nascido em Nova Orleans em 30 de setembro de 1924, Capote tornou-se conhecido nos Estados Unidos ao publicar seu primeiro romance (Other Voices, Other Rooms) aos 24 anos de idade. Seu estilo influenciou muitos jovens escritores americanos.
Seu verdadeiro nome era Truman Streokfus Person e adotou o sobrenome Capote do segundo marido de sua mãe, um empresário cubano que admirava muito.

Capote - filme
Seus trabalhos mais conhecidos foram: ‘A Sangue Frio’ e ‘Bonequinha de Luxo’, ambos transformados em filme.
Bonequinha de luxo - filme

Escreveu contos e romances, ficção e não ficção e tornou-se em pouco tempo um dos escritores mais bem pagos dos Estados Unidos.

Capote, vaidoso ao extremo, se declarava homossexual, padecia de ataques epilépticos e tomava grande doses de tranqüilizantes que o levaram a submeter-se a desintoxicação de emergência nos hospitais. Em um entrevista lhe perguntaram se ele era feliz, a que respondeu: “- Direi apenas que não sou uma pessoa infeliz. Apenas imbecis e doces idiotas são felizes”.

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1961: 1ª Exposição Nacional de Fotojornalismo

Jornal do Brasil: 23 de agosto de 1961


Cerca de 80 imagens, feitas pelos repórteres fotográficos do JB - selecionadas entre as mais expressivas do material colhido na atividade diária do jornalismo impresso - foram apresentadas ao público na "I Exposição Nacional de Fotojornalismo", inaugurada no saguão do Aeroporto Santos Dumont. A mostra reuniu trabalhos publicados, em sua maioria, na primeira página do JB no período de 1960 e 1961. Confira alguns trabalhos dos fotógrafos participantes:




Erno Scheneider: "Qual o rumo?"
O registro único captado pela lente do fotógrafo Erno revelando um presidente de pernas trançadas motivava o espectador à reflexão das incertezas políticas daquela época. Esta foi uma das principais atrações da exposição.
Imagem ampliada.






Faria de Azevedo: "Louis Armstrong."
A foto foi feita pelo paraense durante a visita do pistonista americano ao Brasil, após ser publicada com destaque na primeira página do JB, foi parar na Holanda, onde os dirigentes da Philips resolveram aproveitá-la na capa de um dos discos do músico.
Imagem ampliada.




Dilson Martins: "Sammy Davis Jr."
Um flagra de transformação. Durante a performance do artista, o fotógrafo fez com que a figura simplória do homem de baixa estatura ganhasse a imponência e soberania no palco, trazendo para um registro a magnitude que o dançarino alcançava durante suas apresentações.
Imagem ampliada.



Ronaldo Theobaldo: "O mergulho."
Era apenas o cadáver de um assaltante, morto a tiros durante um confronto com a polícia. Mas, para ser publicado, era preciso driblar o impacto chocante da presença da morte. E o que era para ser um mero e corriqueiro registro policial, foi transformado, através da incessante busca do ângulo perfeito, numa sugestiva e definitiva prova do crime, absorvendo todos os detalhes da cena.
Imagem ampliada.




Sebastião Pinheiro: "A caça e o caçador."
O fotógrafo registra o exato momento em que um tigre de Bengala projeta-se contra pedaços de carne, arremessados pelo tratador do Jardim Zoológico. A imagem destaca a estética do felino e sua sagacidade no instinto de sobrevivência.
Imagem ampliada.




Alberto Ferreira: "O mergulho."
A intenção era fazer todos os atletas antes do salto de largada da última prova de um campeonato de natação, mas o fotógrafo atrasou um pouco no apertar do botão, e o resultado foi um flagra pouco habitual naquela época.
Imagem ampliada.


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Odir Amorim: "O mergulho."
O registro ocorreu durante uma rebelião popular em Niterói. Como o episódio envolvendo manifestantes furiosos seria flagrado por lentes diversas e publicados em todos os jornais, quis fazer um material inusitado. Ao perceber que o povo, quebrando tudo o que via pela frente, partiu na direção de um ônibus que aguardava a hora do embarque para atravessar a baia, somente aguardou para flagar o exato momento que o veículo foi arremessado para dentro da água.
Imagem ampliada.


A Mostra contou, ainda, com a participação de trabalhos de Válter Firmo, Hélio Pontes, Fernando Pimentel e Luigi Mamprin. A idéia da exposição foi uma iniciativa da própria equipe de fotógrafos com o apoio da Associação Brasileira de Arte Fotográfica. Por intermédio do Superintendente do JB, Nascimento Brito, a Diretoria da Aeronáutica Civil cedeu, além do espaço no Santos Dumont, o saguão dos aeroportos das principais capitais do país. Esta colaboração permitiu transformar a ação pioneira em mais uma inovação: uma exposição intinerante. Ficou ainda sobre responsabilidade da Aeronáutica Civil o transporte (através de aviões da FAB) e a guarda do material durante toda a temporada da exposição.

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1989: Morre o maluco beleza do rock

Rio de Janeiro, Terça-feria, 22 de agosto de 1989
Raul Seixas morreu por parada cardíaca, ocorrida durante o sono no Flat Service Residence Aliança, zona central de São Paulo, onde morava.

Cerca de dois mil fãs do cantor se despediram atirando flores e cigarros sobre a sepultura ao som de antigos sucessos do roqueiro cantados pela multidão e intercalados por gritos de “Raul não morreu”.
Entre os altos e baixos de sua carreira, foi cultuado como lenda por seus admiradores catalogados em seu Fã-clube, Raul Rock Club - www.raulrockclub.com.br , organizado por Sylvio Passos até hoje.

O cantor e compositor baiano foi formado em Filosofia e Direito e além de ter amplos conhecimentos em latim. Aos doze anos ele formou o conjunto de rock ‘Os Panteras’ na capital baiana. Os Panteras chegaram a gravar um compacto e um LP, no Rio, em 1969. Foram na contramão da tropicália e o grupo de Raul não se destacou.

Em 1972, durante o 7º Festival Internacional da Canção, o público ouviu ‘Let me sing, let me sing de parceria dele com Nadine, uma mistura de rock com baião. Em 1973 saiu o compacto ‘Ouro de Tolo’ com 60 mil cópias vendidas e o LP ‘Krig Há Bandolo’. A partir daí, Raul Seixas e seu parceiro Paulo Coelho, atraíram multidões de fãs. Entre um LP e outro Raul Seixas escreveu um livro infantil e pensou em candidatar-se a um cargo político. Os anos entre 78 a 82 não foram muito produtivo para Raulzito. Em 83 voltou com o disco ‘Raul’ e um livro e no ano seguinte ‘Metrô linha 743’. E 1986 lança ‘Uah bap lu lap béin bum” e em 88, ‘A pedra do Gênesis’. Seu último show foi no Canecão em 21 de abril de 1988 em parceria com Marcelo Nova. Raul Seixas e Marcelo Nova fizeram uma série de 50 shows por todo o país e inúmeras apresentações em emissoras de rádio. “Há muito atrás na velha Bahia / eu imitava Little Richard e me contorcia / as pessoas se afastavam / pensando que eu estava tendo um ataque de epilepsia. (Raul Seixas e Marcelo Nova no Manifesto Rock‘n‘roll)

Jornal do Brasil - Rio de Janeiro, 22 de agosto de 1989
“O prato mais caro do melhor banquete é o que se come cabeça de gente que pensa, os canibais de cabeça descobrem aqueles que pensam porque quem pensa, pensa melhor parado. Mas o negócio está muito bandeira, tá bandeira demais, meu Deus. Cuidado, brother, cuidado sábio senhor, eu aconselho a vocês: Morri nem seu qual foi o mês, Metrô linha 743”. (Metrô linha 743)

“eu sou ego, sou ista, eu sou egoísta – Egoísta é dar oportunidade a você de ser o que você é. Fazer uma coisa que você não gosta, não pode, é proibido, o homem nasceu para ser livre, danem-se os fracos, viva os fortes, os fracos nasceram para carregar pedra e fazer pirâmide para os faraós.” (declaração em entrevista 24/07/84)

“Eu devia agradecer ao Senhor/ por Ter tido sucesso na vida como artista / eu devia estar feliz / porque consegui comprar um Corcel 73” (Ouro de Tolo)

Clique na data abaixo para ler a matéria publicada por Tárik de Souza em 1989
Jornal do Brasil, 22 de agosto de 1989

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1987: A luz apagou

Rio de Janeiro, 18 de agosto de 1987
O maior poeta brasileiro morreu aos 84 anos de insuficiência respiratória. Sua morte não surpreendeu seus amigos mais íntimos, que o viram muito abatido depois da morte de sua filha, doze dias antes. O câncer ósseo levou Maria Julieta e tirou do poeta a vontade de viver.

Carlos Drummond de Andrade, o escritor mais amado e respeitado de seu tempo em seu país, o poeta que um
dia escreveu: “E agora José? / A festa acabou,/ A luz apagou, O povo sumiu, / A noite esfriou”.
Um homem desiludido com o mundo. Injustamente rigoroso no julgamento da obra que produziu. Sentia descrença e desilusão. Lamentava que as novas gerações não tenham mais os estímulos intelectuais que havia até trinta ou quarenta anos passados.
“Os tempos estão ruins. É um fenômeno universal, uma espécie de deterioração dos conceitos e do sentimento estético. Em qualquer país do mundo é a mesma porcaria. É a massificação dos meios de comunicação, tudo ficou igual no mundo inteiro”

Ao ser o considerado o maior poeta do mundo, dizia que foi por julgamento, que a maioria das pessoas que o consideravam não o haviam lido e sim escutado falar.
“Não me julguei nem julgo, e digo mais: não sei qual é o maior poeta brasileiro de hoje nem de ontem. Para mim, não há maiores poetas. Há poetas. E cada poeta é diferente dos outros.”

Carlos Drummond de Andrade
Em uma entrevista publicada dezessete dias antes de dar adeus ao mundo, Carlos Drummond de Andrade confessava que tinha um único e prosaico medo: o de escorregar, levar uma queda boba e quebrar o fêmur.
“Sou uma pessoa terrivelmente corajosa, porque não espero nada de coisa nenhuma. Não tenho religião, não tenho partido político. Vivo em paz com meu critério moral. Vivo em paz com minha consciência”.

Sua obra narra a trajetória de um homem, de uma geração e de um país. Um homem que saiu do interior de Minas Gerais, da cidade de Itabira do Mato Dentro para a cidade grande. Envolveu-se nos conflitos de seu tempo e se quedava metafísico e retirado quando as coisas do mundo o aborreciam. Sua primeira publicação foi em 1918, com um poema em prosa “Onda” no jornalzinho Maio.

Seus versos transmitem a emoção que sentia no momento em que escrevia, momento que poderia ser um parodoxo do que havia escrito antes. Tratam de temas metafísicos a fatos jornalísticos. Ele foi diametralmente oposto e talvez complementar. O cronista e o poeta. Foi politicamente comprometido, mas nunca aderiu a um partido. Certos poemas são profundamente religiosos, mas não acreditava em Deus. Gostava de ser amado mas abominava a celebridade.

Durante 15 anos, todas as terças, quintas e Sábado, Carlos Drummond de Andrade publicou suas crônicas no Caderno B. De sua estreia, em 2 de outubro de 1969, falando sobre o leilão que liquidava a Panair do Brasil, até o ‘ciao’ de despedida em 29 de setembro de 1984, quando faz um balanço de sua atividade na imprensa, foram 780 semanas da história do país e do poeta refletidas com agudeza e lirismo em mais de 2 mil e 300 crônicas. Nos deixando entre outras lembranças um poema, Rotativo do acontecimento...

"...E é por admitir esta noção de velho, consciente e alegremente, que ele hoje se despede da crônica, sem se despedir do gosto de manejar a palavra escrita, sob outras modalidades, pois escrever é a sua doença vital, já agora sem periodicidade e com suave preguiça. Cede espaço aos mais novos e vai cultiva o seu jardim, pelo menos imaginário.
Aos leitores, gratidão, essa palavra tudo.”

(trechos de CIAO de Carlos Drummond de Andrade)

Sentimento do Mundo - Clique para ler

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1969: Festival de Woodstock - uma maratona cultural pelo amor e pela paz

Jornal do Brasil: 15 de agosto de 1989

Reprodução

O Festival de Woodstock foi o mais importante festival de rock and roll de sua época. Realizado em uma fazenda em Bethel, Nova Iorque, reuniu num final-de-semana mais de 400 mil pessoas, num espaço originalmente montado para receber 50 mil.

Marco do movimento da contracultura, naquela ocasião, promoveu grande polêmica, pelos propósitos levantados: os ideais paz e amor, defendendo o sexo livre e condenando a Guerra do Vietnã. Um protesto contra uma sociedade americana infestada pelo desejo de controle.

Foi o auge da era hippy.

A abertura do festival foi ao som de "High Flyin' Bird", pelas 12 cordas do violão de Richie Havens, que criou naquele palco "Freedom". Participaram, entre outros, Santana, Janis Joplin, The Who, Joe Cocker e Jimi Hendrix, finalizando com "Hey Joe".

Confira o resumo do Festival, pela cobertura do JB: Hippies encerram festival. e Continuação.

Em 1989, duas décadas após o Festival, uma segunda versão de Woodstock chegou a ser planejada por Joel Rosenman e John Roberts. Contudo, disputas por direitos autorais acabaram inviabilizando o evento. Somente em 1994, para comemorar 25 anos do superevento, 250 mil pessoas se reuniram no Woodstock 94, em Saugerties, a 135 km de Nova York. Pagaram 135 dólares para ouvir quarenta grupos de rock. A terceira edição ocorreu em 1999, registrando altos índices de violência. Foi última tentativa, fracassada, de reviver o mito de "paz e amor" do Woodstock original. Os ideais originais foram vencidos pelo vil metal.
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1997: Morre Betinho, a voz da cidadania

Jornal do Brasil - Domingo, 10 de agosto de 1997


O Sociólogo Herbert José de Souza, o Betinho, morreu em sua casa vitimado pela Aids com 60 anos. Como seus dois irmãos, o cartunista Henfil e o músico Chico Mário, Betinho era hemofílico e tornou-se portador do vírus da Aids após uma transfusão de sangue.
Ameaçado pela morte desde que nasceu, foi o maior defensor da vida no Brasil. O sociólogo gostava de dizer que sua condição de soropositivo o forçava a “comemorar a vida todas as manhãs”.

Betinho começou a fazer politica os 18 anos, influenciado pelos padres dominicanos da Ação Católica. Em 1962 fez parte do grupo de jovens católicos a fundar a Ação Popular, a AP, que militava por um socialismo humanista. Durante o governo de João Goulart, Betinho trabalhou como assessor do ministro da Educação, Paulo de Tarso, dedicando-se especialmente ao ambicioso Programa Nacional de Alfabetização, o PNA, inspirados nas idéias do educador Paulo Freire e que se propunha acabar com o analfabetismo no país num espaço curto de tempo.
Com o golpe militar de 1964, Betinho foi obrigado a passar para a clandestinidade e depois a viajar para o exílio: A AP foi uma das organizações mais visadas e perseguidas pelos militares. Ao longo de seus anos de exílio, sempre procurou incentivar a ajudar a formação de grupos de estudos e de formulação teórica sobre as questões e os impasses brasileiros.Voltou ao Brasil em 79, já conhecido como o “irmão de Henfil”, da música O bêbado e o equilibrista.

Na tarde de 11 de fevereiro de 1993, o presidente Itamar Franco anunciava o programa de combate à fome, e o convidava para coordenar o Conselho Nacional de Segurança Alimentar. Alegando limitações físicas, Betinho recusava o convite, mas aceitou participar como consultor para o conselho. Betinho se tornaria, em menos de quatro meses, a grande mola propulsora de uma das maiores mobilizações populares contra a fome jamais vistas no Brasil. A ação da Cidadania contra a Fome e a Miséria e pela Vida teve seu auge entre junho de 93 e junho de 94. Neste período, o Brasil viveu um dos movimentos mais solidários de sua história: 25 milhões de pessoas contribuíram de alguma forma – com doação de dinheiro, de alimentos e roupas – e outras 2,8 milhões se engajaram diretamente na campanha, metendo a mão na massa em um dos 4 mil comitês da Ação da Cidadania que foram criados em todo o país.

É impossível contabilizar o número real de doações que foram feitas nos quatro anos de campanha. A cada beco de favela havia um comitê da campanha criado pelos próprios moradores. Os atos de solidariedade se multiplicaram.

A Ação da Cidadania se transformou em mais uma ONG. As contribuições diminuíram, mas o sentimento de que o brasileiro não é capaz de atos de solidariedade não passa de mais um equívoco da nossa história.

Na luta pela campanha pela fiscalização dos bancos de sangue

Betinho é um exemplo de vida, de alguém que superou com dignidade seu terrível drama pessoal e se engajou na luta de um Brasil melhor. Deixou uma coleção de livros importantes para se compreender melhor o Brasil, centenas de artigos e uma das mais atuantes organizações não-governamentais do país, o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas, o Ibase. Mas o obstinado trabalho em favor dos 32 milhões de brasileiros totalmente desamparados, é certamente o seu grande legado.

“A realidade não choca, o que impressiona é haver um massacre e você não querer saber”.
“Temos que produzir um vendaval de cidadania neste país, para que o Brasil se reencontre.”
“Nos acostumamos a achar natural as desigualdades que existem, mas isso não é natural.”
“Para o Brasil sair da situação de indignidade social, é preciso que todos, governo federal, governadores, prefeitos e empresários decidam investir maciçamente na criação imediata de empregos”.
“Lutar contra a violência é uma forma de lutar contra a miséria, com a indiferença, com a solidão e com um país rico e um povo pobre”.
“O grande erro da esquerda no passado foi achar que as mudanças ocorreriam e depois a cultura vinha a reboque. Agora se sabe que a cultura é o motor que vai impulsionar todo o resto”.
“Se eu for representante para o Prêmio Nobel da Paz tem uma só vantagem: me obriga a estar vivo em dezembro de 94. Sob estas condições eu aceito”.
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1977: Rachel de Queiroz é eleita para a Academia Brasileira de Letras

Jornal do Brasil - sexta feira, 05 de agosto de 1977
Eleita no dia 4 de agosto de 1977, a escritora causou uma revolução na Academia Brasileira de Letras. Com 66 anos, 11 livros foi eleita a primeira mulher a entrar na casa de Machado de Assis. Depois de alguns agradecimentos e louvores, o presidente Austregésilo de Athayde anuncia que Rachel de Queiroz foi eleita “por unanimidade” , disse athayde, enquanto queimava as cédulas e anunciava “um novo capítulo na história da Academia”.
A escritora recebeu felicitações do então Presidente Geisel que dissera estar entre os leitores de Rachel de Queiroz. Diz a escritora na carta manuscrita que agradece ao Presidente: “Vossa Excelência avaliará, decerto, quanto me honrou o seu telegrama de cumprimentos, recebido logo após minha eleição para Academia Brasileira de Letras. E deixou-me especialmente feliz a sua declaração de que se inclui entre os meus leitores: Que pode realmente desejar um escritor, além desse leitor especialíssimo, o seu Presidente? Vossa Excelência diz-me esperar que novos livros surjam ainda; decerto surgirão – afinal é o meu ofício escrevê-los. Ofício, aliás, bem ameno, se o compararmos com o seu, senhor Presidente, que o vem cumprindo com tanta bravura, sabedoria e equilíbrio, além do exemplar patriotismo; timoneiro de mão segura, nestas águas difíceis pelas quais navega o mundo, na nossa era. Com os melhores cumprimentos à D Lucy e lembranças especiais à querida Amália, sou, senhor Presidente, sua patrícia realmente muito grata” , publicada dia 11 de agosto de 1977 no JB.



Rachel de Queiroz na Academia Brasileira de Letras


Um pouco de Rachel de Queiroz:
Autor Brasileiro: “ Machado de Assis”
Personagem inesquecível da literatura: “Talvez o que esteja mais próximo de mim seja o príncipe Hamlet de Shakespeare , Mitia de Os irmãos Karmazov e a Kathy de O morro dos ventos uivantes”
Melhor começo de livro: “Quando era adolescente adorava o ‘Além, muito além daquela serra’ do romance Iracema"
Frase inesquecível da literatura: “Par delicatesse j’ai perdu ma vie do poeta Arthur Rimbaud”
Frase: “de Lampião, quando entrava numa cidade - Não tenham medo. É Lampião que entra, amando, gozando e querendo o bem”

Rachel de Queiroz morreu aos 92 anos no dia 04 de novembro de 2003, dormindo em sua casa, nos deixando inúmeros romances, obras de teatro, literatura Infanto-Juvenil, crônicas, antologias, livros em parcerias, além da tradução de inúmeras obras.

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1977 - 75 anos de Carlos Cachaça, o poeta do samba mais nobre

26/07/1991: Carlos Cachaça.Carlos Mesquita/AJB



"O samba Alvorada foi feito em uma madrugada quando eu e Cartola descíamos o morro do Pindura Saia".
Carlos Cachaça na última faixa de sua única obra discográfica.




Jornal do Brasil: 3 de agosto de 1977



Uma lição de vida a ser recordada e revivida: Carlos Moreira de Castro, no registro civil, Carlos Cachaça, nas rodas de samba e no coração da Mangueira, compositor e poeta. Se vivo fosse, completaria hoje 105 anos.

Nascido em Mangueira, perto da linha de trem e ferroviário por profissão, muito cedo percorreu a cidade para descobrir o que os primeiros compositores negros faziam por lá. Viu o samba nascer. Acompanhou carnavais. Fugiu da polícia quando perseguiam sambistas por achar que eram vagabundos. Ajudou a fundar blocos, fez samba para eles, até que, muito por sua iniciativa, a Mangueira nasceu. Além de ter sido um de seus fundadores, foi uma de suas maiores representatividades. É dele a autoria de "Homenagem", samba com que a verde-e-rosa desfilou pela primeira vez, em 1934.



08/02/1999: Carlos Cachaça.Carlos Magno/AJB


Foi casado com Dona Menininha, irmã de Dona Zica. Teve na parceria com Cartola um de seus maiores legados. Seu único disco solo é de 1976 e inclui pérolas como "Quem Me Vê Sorrindo" e "Juramento Falso". Foi o primeiro a inserir elementos históricos nos sambas de enredo, o que é uma norma até hoje.

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1989: O Adeus à Luiz Gonzaga

23/03/1981: Luiz Gonzaga. Delfim Vieira/AJB
"Meu nome é Luiz Gonzaga, não sei se sou fraco ou forte, só sei que graças a Deus té pra nascê tive sorte, apôs nasci im Pernambuco, o famoso Leão do Norte. Nas terras do Novo Exu, da Fazenda Caiçara, im novencentos e doze, viu o mundo a minha cara. Dia de Santa Luzia, purisso é qui sô Luiz, no mês qui Cristo nasceu, purisso é que sô feliz"
Luiz Gonzaga.



Jornal do Brasil: 03 de agosto de 1989
O Brasil conheceria menos o Nordeste sem ele. Com seu chapéu de couro e a bandoleira de cangaceiro cruzada no peito, ele espalhou os ritmos e o jeito de sua terra mundo afora. Mas o próprio Nordeste talvez conhecesse menos o Nordeste sem o gênio que resumia naquela figura celebérrima de sanfoneiro. Autor de sucesso como Asa branca, Juazeiro, Assum preto e Último pau-de-arara, Luiz Gonzaga, o Gonzagão, não foi apenas a voz que fez falar o sertão silencioso. Assim como o Brasil conheceria menos o Nordeste e o Nordeste conheceria menos a si mesmo, também o Brasil, sem ele, conheceria menos o Brasil.

Breve Biografia
Cantor e compositor, Luiz Gonzaga do Nascimento nasceu na Fazenda Caiçara, no município de Exu, sertão pernambucano, filho de Ana Batista de Jesus e do sanfoneiro Januário José Santos, com quem aprendeu a tocar sanfona. Deixou sua cidade natal em 1930, em busca de emprego, e acabou entrando para o Exército, morando em vários lugares no Nordeste.

A carreira musical só começou em 1939, no Rio de Janeiro, tocando em um conjunto que se apresentava nos cafés da zona de prostituição. Participou de programas de calouros, como os de Almirante e Ary Barroso e, em 1941, gravou o seu primeiro disco - apenas como solista; a primeira música cantada, Dança Mariquinha, seria gravada em 1945. A partir de então passou a percorrer o Brasil, fazendo shows, iniciando sua longa carreira de sucesso. Influenciou vários compositores da chamada moderna música nordestina, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Raimundo Fagner, Elba Ramalho e outros.

Foi Luiz Gonzaga quem levou para o disco os ritmos e as batidas do xote e do baião - já conhecidos entre os cantadores de viola do Nordeste: ele pegou a batida e criou o jogo melódico, daí ser considerado o criador do baião. Gravou 56 discos e compôs mais de 500 canções.

Morreu após uma internação de mais de 40 dias, vítima de osteosporose. Seu velório e enterro foram acompanhados por mais de 50 mil pessoas em Juazeiro do Norte.

"Minha vida é andar por esse país pra ver se um dia descanso feliz
Guardando as recordações das terras onde passei
Andando pelos sertões e dos amigos que lá deixei"
Luiz Gonzaga


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