Arquivo de August 2007

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1961: Jornal do Brasil não circulou

No dia 30 de agosto, o Jornal do Brasil saiu à rua apenas simbolicamente, numa edição reduzida, composta exclusivamente de matéria paga depois da pressão sofrida e a decisão entre fazer um jornal emasculado ou não fazer jornal. Foi uma maneira de protestar contra a censura que começara no dia antes com várias matérias sem poderem ser publicadas.

No dia seguinte, os jornais voltaram a cumprir seu papel sem intervenção da censura. Os diretores de doze periódicos da Guanabara pediram à Sociedade Interamericana de Imprensa o desligamento de seus quadros do Sr. Carlos Lacerda, que “impôs, durante vários dias, aos jornais do Rio de Janeiro, ilegal e intolerante censura, além de apreender edições e determinar a interdição de oficinas”. Assinado por João Calmon, Diário Associados; João Dantas, Diário de Notícias; Nascimento Brito, JB; Luís Alberto Bahia, Correio da Manhã; Paulo Silveira, Última Hora; Nélson Alves, Manchete; Óton Paulino, A Notícia e O Dia; Dilermano Pereira, Gazeta de Notícias; Genival Rabelo, PN; Antônio Ibrahim Hadad, Vida Doméstica; Carlos Viriato Sabóia, A Noite; Sinval Montalvão, Diário Carioca; José Velasques Portinho, Correio da Manhã.

Esta decisão foi tomada depois de uma reunião no SPJRRJ, em que não compareceram representantes de O Globo e da Tribuna da Imprensa que pertencia a Carlos Lacerda. Também foi pedido a expulsão, pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais, do Sr. Ascendino Leite, Chefe da Censura.

Jornal do Brasil, 31 de agosto de 1961
O editorial do Jornal do Brasil do dia 31 de julho, que pode se expressar livremente, termina com “A imprensa carioca venceu importante batalha. A vitória pouco nos ensinou, a nós jornalistas, além do que sempre soubemos: que só se pode fazer jornal de cabeça erguida. Esperamos, todavia, que a derrota ensine algo aos ativos e aos omissos que promoveram a censura. É muito simples a moral a extrair desta fábula. A imprensa brasileira, a que vale a pena, a que tem influência, a que é acatada, essa não precisa de censura, em nenhum ocasião, por mais grave que seja. Temos os nossos próprios mecanismos internos de auto-retificação, movidos que somos por sentido de responsabilidade pessoal, profissional, nacional e histórica. Sempre estivermos, os genuínos jornais brasileiro, grandes e pequenos, à altura de nossa missão de informar e orientar os nossos leitores dentro dos limites do interesse do País. Nesse particular rejeitamos lições de quem quer que seja, ativos, omissos e passivos. O mais é silêncio – ou muito barulho por coisa nenhuma.”

Apesar da crise não ter terminado e na verdade ser só o começo, ainda existia a certeza de que o conflito poderia ser evitado com disciplina e uma constituição mais forte do que as concepções individuais ou de grupos.

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1992: ABI e OAB recebem pedido de Impeachment de Collor

Jornal do Brasil: 29 de agosto de 1992






O jornalista Barbosa Lima Sobrinho, presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e o advogado Marcello Lavenère, presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) receberam a minuta do texto de petição de impeachment do Presidente da República Fernando Collor de Mello.

A denúncia era de crime de responsabilidade, baseada na Lei 1079, de 10 de abril de 1950, que legisla sobre o decoro do cargo. O pedido oficial foi redigido por um grupo de juristas reivindicando a responsabilidade da Câmara de Deputados pelo interrogatório do presidente durante o processo.

O texto sugeriu também as testemunhas que deveriam ser intimadas: Paulo César Farias, Pedro Collor, Cláudio Vieira, Ana Maria Acioli, José Goldemberg, Zélia Cardoso de Mello, Eriberto França, Sandra de Oliveira e Motta Veiga.





Além de declarar sobre a falta de decoro, a ligação com pessoas desonestas, o recebimento de vantagens indevidas, traição e abuso de confiança, a minuta chega em um dos seus pontos mais fortes na seguinte parte: "O clamor público, a passeata dos jovens de nosso País, as praças públicas tomadas de cidadãos indignados são a demonstração da perda de dignidade de Fernando Affonso Collor de Mello para o exercício do cargo de primeiro mandatário da Nação".

O documento foi entregue ao deputado Ibsen Pinheiro, presidente da Câmara dos Deputados. O pedido de abertura do processo de impeachment foi aprovado em 29 de setembro por 441 votos a favor e 38 votos contra, com uma abstensão e 23 ausências.

Afastado da presidência da República em 2 de outubro, o julgamento de Collor pelo Senado Federal foi marcado para 29 de dezembro de 1992. Como último recurso para preservar seus direitos políticos, ele renunciou ao mandato antes do início do julgamento, mas a sessão teve continuidade. Condenando, perdeu o cargo e foi sujeito a uma inabilitação política de oito anos pelo placar de 76 votos a 5 numa sessão presidida pelo ministro Sidney Sanches, presidente do Supremo Tribunal Federal.

De volta à política em 2000, Collor tentou, sem sucesso, se lançar à prefeitura de São Paulo naquele ano. Em 2002, candidatou-se a governador de Alagoas, mas foi derrotado por Ronaldo Lessa. Atualmente é senador pelo estado de Alagoas, eleito ano passado com 44,04% dos votos válidos, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral. Confira aqui!


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1954: A madrugada trágica - um tiro no coração

“Saio da vida para entrar na História”.
Getúlio Vargas

Jornal do Brasil: 25 de agosto de 1954





Pressionado por uma série de episódios decorrentes da crise político-militar, que culminou na exigência imposta pelo Alto Comando das Forças Armadas de seu afastamento da Presidência da República, Getúlio Vargas renunciou à vida com um tiro no coração.

Sua morte refletiu imediatamente seu prestígio junto aos brasileiros, promovendo uma comoção popular de ordem jamais vista no país. Manifestações populares eclodiram Brasil afora, sobretudo nas grandes cidades.

O novo presidente, Café Filho, assumiu o poder ainda na manhã de 24 de agosto prestando juramento no Palácio das Laranjeiras, praticamente vazio.

Sendo a figura do Getúlio o alvo direto da ostensiva campanha da oposição, seu ato final de sacrifício neutralizou as vantagens políticas e psicológicas que os antigetulistas haviam acumulado.



A Carta-Testamento
A Carta-Testamento deixada por Getúlio momentos antes de sua morte, e endereçada ao povo brasileiro, promoveu grande impacto junto à opinião pública. Naquela mesma manhã foi divulgada pela Rádio Nacional e irradiada para todo o país. Nela, Vargas acusou a oposição e também o poder americano de coibir as iniciativas de seu governo. Tornou-se uma referência de valores e ideais para seus herdeiros políticos e seguidores. Confira aqui o documento na íntegra!

Anos mais tarde, a família de Vargas encontraria uma outra carta-testamento, esta manuscrita, entre seus pertences.

"Deixo à sanha dos meus inimigos, o legado da minha morte.
Levo o pesar de não ter podido fazer, por este bom e generoso povo brasileiro
e principalmente pelos mais necessitados, todo o bem que pretendia".

Trecho da carta manuscrita de Getúlio Vargas.




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1961: Jânio Quadros presta homenagem a Che Guevara

"A posição adotada pelo Brasil foi, sem dúvida, o maior fator para que Cuba fosse tratada na Conferência de Punta Del Este como país americano."
Che Guevara durante a cerimômia de condecoração


Jornaol do Brasil: 19 de agosto de 1961


Jornal do Brasil: 19 de agosto de 1961

Envergando a tradicional farda de brim verde-oliva da Revolução Cubana, o Ministro Ernesto Che Guevara recebeu a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, que lhe foi conferida pelo Presidente Jânio Quadros. A cerimônia aconteceu no salão de recepções do Palácio do Planalto. Durante o seu discurso, o Presidente Jânio expôs o desejo do governo brasileiro em estreitar laços econômicos e culturais com Cuba.

O momento era propício, principalmente pela proximidade recentemente promovida entre os dois países durante a Conferência de Punta Del Este, quando o Brasil defendeu a idéia de neutralidade em relação à Cuba, enfrentando a oposição dos Estados Unidos, que procuravam impor suas pretensões aos países da América Latina.

A iniciativa do presidente brasileiro, também interessado em implementar uma nova política de relações internacionais, suscitou críticas, principalmente dos militares, promovendo até mesmo a devolução de condecorações da grande maioria deles.

A Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul
A Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul é uma comenda que o presidente do Brasil atribui a personalidades estrangeiras. Criada como Ordem Imperial do Cruzeiro do Sul em de dezembro de 1822 por Dom Pedro I, menos de três meses após a independência como símbolo do poder imperial. A comenda foi abolida com a primeira constituição republicana em 1891 e reestabelecida com sua atual denominação em 5 de dezembro de 1932 pelo presidente Getúlio Vargas. Além de Che Guevara, personalidades como a Rainha Elisabete II e o ex-piloto de automobilismo Alain Prost já foram condecorados com a comenda. É a mais alta condecoração brasileira atribuída a cidadãos estrangeiros como forma de reverenciar sua importância para o país.

Para saber mais sobre a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, clique aqui!

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1968: "Estudante" é tema central de Pesquisa do JB

1º de abril de 1968: Conflito entre a Polícia e estudantes nas Avenidas 13 de Maio e Rio Branco. França/AJB
Num ano de delicada relação entre a classe estudantil e o Governo brasileiro, o tema principal da pesquisa de opinião encomendada pelo JB ao Instituto Marplan, realizada entre 9 e 12 de agosto, não poderia ser outro: estudante.

Cinco das oitos perguntas da pesquisa feitas ao público carioca estavam associadas ou às atitudes dos jovens ou às suas reivindicações junto ao poder público.


1º de abril de 1968: Conflito entre a Polícia e estudantes na Cinelândia. Evandro Teixeira/AJB

As respostas dadas revelaram que 65% dos cariocas entrevistados achavam que o maior esforço pelo diálogo Governo-estudantes era iniciativa dos universitários. 57% apoiavam o o aumento da representação estudantil nos conselhos das universidades. 48% defendiam o ensino gratuito no nível superior. 39% consideravam boa a tarefa do Grupo de Trabalho da Reforma Universitária. E 33% eram favoráveis às passeatas.


1º de abril de 1968: Conflito entre a Polícia e estudantes nas escadarias do Theatro Municipal, na Cinelândia. Gonzales/AJB


Confira a opinião pública de cada questão, clicando sobre o respectivo assunto abaixo:

Representação estudantil.
Ensino Superior gratuito.
Passeatas.
Diálogo estudades x Governo.
Reforma universitária.

Fale conosco!


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1992: Capitais saem às ruas em protesto

Jornal do Brasil - segunda feira, 17 de agosto de 1992
O Domingo negro ficou marcado como a data do ingresso definitivo do povo na guerra do impeachment do então Presidente Fernando Collor.

Os trabalhos de investigações da CPI a respeito das falcatruas do governo colocou em cena os estudantes que em 11 de agosto foram para o centro de São Paulo exigir o afastamento do Presidente.

Collor não gostou e convocou os brasileiros para no Domingo seguinte, ostentarem o verde e amarelo. A população foi a rua, mas vestida de negro em repúdio a Collor. Os estudantes desencadearam o movimento caras-pintadas.

Em pelo menos dez capitais houve manifestações de rua contra o governo.
Milhares de pessoas desfilaram em carro ou a pé, em sinal de luto e de indignação.

Em Brasília, numa das maiores manifestações populares da história, mais de 50 mil pessoas acompanharam uma carreata vestidas de vermelho e preto com faixas e cartazes pedindo a renúncia de Collor. Passeata esta que há muito não se via, desde de o badernaço ocorrido em 1986 contra o Plano Cruzado II.

No Rio, as manifestações começaram com uma carreata pelas ruas do Centro, Praça da Bandeira, São Cristóvão e Aterro do Flamengo até a passeata de luto na orla carioca.
Contando com presença de artistas, intelectuais, crianças e idosos, o movimento se caracterizou pelas paródias e o bom humor dos cartazes e das palavras de ordem. Até o grito de guerra da torcida de vôlei foi parodiado: “Ai, ai, ai, empurra o Collor que ele cai”.
De acordo com os organizadores, o número de participantes na orla marítima chegou a mais de 100 mil, durante toda o dia.

Em São Paulo, a Avenida Paulista ficou totalmente congestionada por manifestantes que usaram além de roupas, guarda-chuvas e até sapatos pretos pendurados nos carros.

Dali para frente as manifestações populares se tornaram cada vez maiores e freqüentes até a decisão do congresso final aprovar o veredicto final do impeachment.
Militantes mineiros de vários partidos se uniram ao preto A manifestação que reunião 50 mil pessoas em Brasília

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1954: O atentado da Rua Toneleros

Jornal do Brasil: 06 de agosto de 1954
Era madrugada. Carlos Lacerda chegava de carro à sua residência na Rua Toneleros, na companhia do filho Sergio e do major Florentino Vaz, quando foi surpreendido por uma emboscada. Dois homens dispararam contra eles e fugiram num táxi. Lacerda foi atingido no pé, e o major, gravemente ferido nas costas, morreu a caminho do hospital.

Ferrenho opositor do Governo Vargas, o jornalista e político conservador publicaria, na manhã seguinte, em seu editorial: "A visão de Rubens Vaz, na rua, impede-me de analisar a frio, neste momento, a hedionda emboscada desta noite. Mas, perante Deus, acuso um só homem como responsável por esse crime. É o protetor dos ladrões, cuja impunidade lhes dá audácia para atos como os desta noite. Este homem chama-se Getúlio Vargas."

Essa declaração, que prontamente fortaleceu a versão de atentado, agigantou a onda anti-getulista, que já reivindicava a renúncia do presidente Getúlio em diversos setores da sociedade.
Jornal do Brasil: 08 de agosto de 1954

Durante a investigação que se seguiu, demonstrou-se que a bala que atingiu o major era de calibre 45, arma de uso privativo das Forças Armadas. Em poucos dias chegava-se a dois suspeitos: Alcino João Nascimento e Climério Euribes de Almeida, homens da guarda pessoal do presidente, e ao mandante do crime, Gregório Fortunato, chefe da guarda e guarda-costas de Getúlio desde a época do Estado Novo.
Jornal do Brasil: 10 de agosto de 1954

Jornal do Brasil: 17 de agosto de 1954


O triunfo de Lacerda aconteceria 19 dias depois do crime, com a derrocada final do presidente Getúlio: o seu suicídio, em 24 de agosto.
Jornal do Brasil: 25 de agosto de 1954

Alcino foi condenado a 33 anos de prisão, pena depois reduzida. Cumpriu 23 anos e sobreviveu a duas tentativas de assassinato. Gregório foi condenado a 25 anos, vindo a ser assassinado na prisão, assim como Climério, condenado a 33 anos. José Antônio Soares foi condenado a 26 anos. Nelson Raimundo, a 11 anos.

Muitos questionam até hoje o atentado, afirmando tratar-se de uma conspiração das Forças Armadas, justamente com o propósito de derrubar Getúlio. O próprio Alcino sustentou, depois de preso, e ao longo dos anos, a mesma versão para o fato. Já Lacerda, apresentou contradições nas sucessivas vezes em que relembrou o episódio.

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