Arquivo de September 2007

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1989 - Émerson é campeão depois de 15 anos

Jornal do Brasil - segunda-feira, 25 de setembro de 1989
Émerson Fittipaldi tornou-se o primeiro estrangeiro a garantir nos Estados Unidos o Campeonato de Fórmula Indy, ao vencer as 200 Milhas de Nazaré.

Quinze anos depois de ganhar seu último campeonato de Fórmula 1, e às vésperas de completar 43 anos, Émerson Fittipaldi retornou ao topo do automobilismo mundial. Ele garantiu o único título deste esporte que rivaliza com o da categoria onde correm Ayrton Senna e Allan Prost: o de campeão mundial de Fórmula Indy.
“Este campeonato tem um significado especial para mim. Ele prova, de uma vez por todas, que eu continuo competitivo no automobilismo”, comemorou o piloto.
Jornal do Brasil - segunda-feira, 25 de setembro de 1989


O piloto brasileiro desceu de seu Penk-Malboro visivelmente feliz e embora quisesse comemorar a vitória na corrida e o título com sua mulher Teresa, o sobrinho Christian e vários amigos, não pode fazê-lo porque ficou preso na multidão de fãs. A euforia tomava conta da família que não parava de celebrar o título.
200 Milhas de Nazaré - Clique aqui para ler


Wilson Fittipaldi - clique aqui para ler
Ao longo de meia-hora, entre o espoucar da champagne e a entrega das taças, Émerson trocou de bonés nada menos do que nove vezes. Toda a vez que ele tirava o chapéu, jogava-o para a platéia.

A corrida que Émerson fez foi perfeita para o delírio do público que compareceu ao autódromo.



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1897 - Chega ao fim a saga de Antonio Conselheiro

"Se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer e se tiver sede, dá-lhe de beber,
porque se isto fizeres, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça.
Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem".

Antonio Conselheiro


Livro de anotações de Antonio Conselheiro. Teixeira/AJB
Apontamentos dos preceitos da Divina Lei do Nosso Senhor Jesus Christo
para a salvação dos homens.
Pelo peregrino Antonio Vicente Mendes Maciel no Povoado do Bello Monte,
Província da Bahia em 24 de maio de 1895


Jornal do Brasil: Sexta-feira, 04 de outubro de 1896
O Nordeste brasileiro no final do século XIX não era muito diferente de hoje. Além de estar à mercê da seca e da fome, a população carente vivia em total abandono por parte das autoridades.

Foi nesse quadro social, ideal para a disseminação do fanatismo religioso, que entrou em cena o beato Antonio Vicente Mendes Maciel, o Antonio Conselheiro. Intitulando-se enviado por Deus para acabar com as diferenças sociais e os pecados republicanos, percorreu o sertão pregando transformações e profetizando o fim do mundo. Conseguiu conquistar uma legião de fiéis confiantes no seu poder de libertação da extrema pobreza em que se encontravam. E despertou a ira das autoridades e da igreja que, temerosos de seu poder de persuasão, acusavam-no de fonte do mal.

Para refugiar-se com seus seguidores, em 1893, Antonio Conselheiro chegou ao arraial de Canudos, no interior da Bahia, área isolada e de difícil acesso onde começou a formar uma grande comunidade de pobres e maltrapilhos, com aproximadamente 30 mil pessoas.

Sem a habilidade necessária para contornar a situação, o governo da Bahia passou a repreender as práticas do grupo com a força policial. Eclodiram inúmeros, e cada vez mais violentos, conflitos, fazendo com que, exaurido, o governo baiano pedisse a interferência da República em 1896. Essa também encontrou dificuldade para conter os fanáticos. No início de 1897, foi necessário aliar às investidas do Exército um cerco militar que impedisse o grupo de sair em busca de alimento. Com a debilidade da comunidade, o massacre de Canudos passou a ser questão de tempo.

E no dia 22 de setembro acabava a saga de Antônio Conselheiro. Fragilizado fisicamente, morreu, segundo estudiosos, por estilhaços de uma granada. Considerado por renomados intelectuais da época como um desajustado mental, Antônio Conselheiro foi decapitado, depois de morto. E sua cabeça foi utilizada em estudos científicos.

Sem a égide de seu líder, em poucos dias, a comunidade de Canudos foi dizimada. O massacre foi tamanho que não foram poupados idosos, mulheres e crianças."


Euclides da Cunha, em seu livro Os Sertões, eternizou este movimento que evidenciou a importância da luta social na história de nosso país. E simbolizou a descoberta de um mundo desconhecido para o próprio brasileiro: os sertões.

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1982 - Emoção e lágrimas marcam despedida de Sete Quedas

Jornal do Brasil - segunda-feira, 20 de setembro de 1984
Apesar do tempo nublado e do frio intenso, inesperado nesta época do ano, calcula-se que 10 mil turistas – a maioria do Paraná Mato Grosso do Sul e do Paraguai – invadiram Guairá em automóveis e, principalmente, ônibus de turismo em seu último dia de visita. No dia anterior, a fila de espera era de até 4 horas para caminhar os dois quilômetros que separam a entrada do parque do Salto 14, o maior e mais bonito de todos.

Quem mais sofreu com a destruição foram os habitantes já acostumados com a presença das cachoeiras. Houve quem enrolado em um cobertor a distancia, aonde a vista ainda as alcançava, chorou.
Poema de Carlos Drummond de Andrade
Carlos Drummond de Andrade - Clique aqui para ler

“ - Nem que Itaipu produzisse toda a energia elétrica do mundo compensaria destruir tanta beleza natural. Não há riqueza econômica capaz de comprar tanto” - Declarou a carioca Izilda de Almeida Torga.

“ - Afogar Sete no lago de Itaipu é um crime pelo qual as autoridades brasileiras terão que responder no futuro a toda humanidade. Não pode existir justificativa técnica ou econômica para o fim de um espetáculo da natureza, único no mundo, portanto, fazendo parte do patrimônio do homem” - comentou o bancário mineiro alberto Gama, que saiu de sua terra para se despedir da Sete Quedas.



Foi o velório das maravilhas naturais provocadas pelas quedas das águas do Rio Paraná num canyon estreito e profundo que as conduz, em alta velocidade, até o caudaloso rio da Prata.
Sete Quedas (também chamado Guaíra) era a maior cachoeira do rio Paraná, que desapareceu com a construção do lago da Usina hidrelétrica de Itaipu.
As cachoeiras Sete Quedas haviam sido formadas há 8 mil anos, estendiam-se por um cânion de 70 metros de largura e, em alguns pontos, possuíam 170 metros de profundidade. Sobre as gargantas de pedra, havia pontes para os visitantes.


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1984 - Amyr Klink chega de sua travessia solitária pelo Atlântico Sul

Jornal do Brasil - Quinta feira, 20 de setembro de 1984
Amyr Klink atracou sua embarcação no 2º Distrito Naval em Salvador, depois atravessar o Atlântico Sul em 99 dias, remando em um barco de apenas 5m60cm. Não contendo as lágrimas ao chegar, superando o cansaço físico, confessou que seu maior orgulho era o de ter superado sua meta ao fazer a travessia do Atlântico Sul, de mais de sete mil km de extensão.
Partiu do Porto de Luderitz, na África, ao Sul da Namíbia com péssimas condições de tempo e ondas até 16 metros.

Remador desde os 10 anos, Amyr Khan Klink realizou um estudo detalhado de todas as correntes marítimas e ventos do Atlântico Sul. Conversou com barqueiros que já haviam atravessado o Atlântico Norte e desenvolveu sistemas a fim de evitar as dificuldades passadas por eles, como um refletor e detector de radares que avisa a aproximação de um navio, evitando assim uma colisão. Acompanhou todos os detalhes do projeto e a construção do barco de madeira moldada, projetado pelo IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas, ligado à USP). Para utilização de vários rádios, foram instalados no barco painéis solares. Sua alimentação balanceada, foi dividia em rações diárias, com alimentos desidratados e pré-cozidos preparada pela indústria Nutrimental que abastece o Exército, a Marinha.
Amyr Khan Klink, 28 anos

Sua maior dificuldade foi se ver livre da África, onde seu estado psicológico não era bom. Amyr Klink teve que assinar um termo de responsabilidade onde o governo alegava que três outras pessoas que tentaram a experiência, morreram.

A solidão, para Amyr, é um estado precário: “A pior solidão é conviver isoladamente no meio das pessoas. Não senti solidão. É impossível sentir solidão com tanta gente dando apoio.” Amyr manteve contato permanente com radioamadores brasileiros.

Esta experiência pode ser lida no livro Cem Dias entre o Céu e o Mar de Amyr Klink.




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