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1993: Adeus Fellini, o mago do cinema

Jornal do Brasil: Terça-feira, 2 de novembro de 1999

O coração de Frederico Fellini, aos 73 anos, não pode mais suportar o esforço e parou.

Fellini nasceu em Rimini em 20 de janeiro de 1920, a cidade litorânea que seria cenário, 33 anos depois de "Os Boas-vidas". Deixou Rimini aos 17 anos para ser chargista de uma revista em Florença, demonstrando ser excelente desenhista e caracturista. Logo depois, passou a escrever pequenos roteiros e piadas para comediantes. Seus mestres no cinema foram Rossellini, para quem trabalhou em vários projetos, inclusive "Roma, Cidade Aberta", que se tornou o marco do Neo-Realismo. Fellini colaborou com vários filmes desse movimento cinematográfico.

Quando criança, fugiu de casa para seguir um circo (sendo dias depois devolvido aos pais), daí teriam nascido os exóticos personagens que povoam seu universo.

Em 24 filmes, o mago Fellini criou um universo próprio povoado por uma galeria inconfundível de personagens e deixou obras-primas como "A doce Vida" e "Oito e meio".

Um artista que simbolizava a rara união da originalidade com a popularidade, privilegiava a imaginação, o surrealismo, a fantasia e a nostalgia. Foram 40 anos dirigindo e criando filmes poéticos e inquietantes.
Apesar de consagrado e venerado em todo o mundo, a julgar pelas declarações dos seus últimos anos, Fellini morreu desiludido com a missão que abraçou com fervor religioso, o cinema.
Jornal do Brasil: Segunda-feira, 1 de novembro de 1999
Para ele este veículo andava perdendo "seu fascínio, seu prestígio, sua autoridade". E sentenciou: "A imagem perdeu sua força de sedução onírica. A TV banalizou não só essas imagens como a percepção delas."

Fellini em 1974
O universo cinematográfico de Fellini era como circo-cinema, uma vez que o cinema possuía a mesma força e coragem do circo, numa mistura de técnica, precisão e improvisação.

Clique aqui para ver a cronologia


Confira amanhã: Em 1968, Elizabeth II chega ao Brasil
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1938: Romeu e Julieta no João Caetano

Jornal do Brasil: Quinta-feira, 27 de outubro de 1938
Romeu e Julieta, no João Caetano, representada por estudantes

"Os apreciadores da arte cênica terão a agradável oportunidade de rever a Itália do coração, a Itália romanesca e sentimental, através da interpretação do Teatro do Estudante da mais delicada das tragédias de Schakespeare - Romeu e Julieta."

Sob o patrocínio da Sra. Getúlio Vargas e de um numeroso grupos de senhoras da alta sociedade, com a presença das autoridades da República, realiza-se hoje, às 21 horas no João Caetano a premiere de Romeu e Julieta. A interpretação constitui um tríplice ineditismo no Brasil: a criação, do "Teatro do Estudante" com a exigência permanente de interpretação em linguagem correta e pura da peça e o elenco exclusivamente estudantil.
Jornal do Brasil: Sexta-feira, 28 de outubro de 1938



Interpretam a tragédia os estudantes Sonia Oiticica (Julieta) e Paulo Porto (Romeu) entre outros. Sonia Oiticia nos dará uma esplêndida Julieta, fraca e bela, ingênua e lírica. Paulo Porto um ótimo Romeu, apaixonado e patético, enfrentando com o seu amor todos os obstáculos, até a morte.

A peça é sublime como tudo o que produziu o gênio inglês Shakespeare.
A idéia de se criar o teatro estudantil, pertence a Pascoal Carlos Magno e recebe de pronto a mais expontânea adesão da Sra. Ana Amélia Carneiro de Mendonça, que dirige os destinos da Casa do Estudante.
Os estudantes abraçaram a iniciativa sendo os responsáveis por toda a produção do espetáculo.

Pascoal Carlos Magno conduziu durante várias décadas o movimento teatral estudantil, promovendo festivais, realizando intercâmbio de grupos facilitando e incentivando a evolução profissional de numerosos artistas e encenadores.

É imensa sua contribuição ao desenvolvimento do teatro no Brasil.



Amanhã: Em 1945, A Queda do Estado Novo +++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++

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1976 - A morte de "Di Cavalcanti di Glauber"

Jornal do Brasil: Quarta-feira, 27 de outubro de 1976 - página 26


O velório de Di Cavalcanti no Museu de Arte Moderna. Ronaldo Theobald/CPDoc JB

A tarde nublada e o salão vazio retratavam uma tristeza sem fim ao velório de Di Cavalcanti, no Museu de Arte Moderna. Eis que surge Glauber Rocha: "Um, dois, três, ..., dez, onze, doze... Corta! Agora, dá um close na cara dele". Com seu jeito tipicamente despojado de ser, o cineasta dava ordens ao câmera, Mario Carneiro, e ambos rodeavam o corpo do pintor em busca dos melhores closes, desde o pé até a cabeça. Ninguém viu Glauber entrar. Quando perceberam, já estava agitando em torno do caixão.

Surpreendidos pela excêntrica cena, num ambiente de sofrimento, familiares e amigos, espantados, reprovaram a iniciativa de Glauber, que recebeu um compreensível pedido da filha adotiva do pintor, Elizabeth, para interromper aquele mórbido espetáculo. "Não se preocupe. Esta é a minha homenagem a um amigo que morreu. Estou aqui filmando a minha homenagem ao amigo Di Cavalcanti. Agora, dá licença que preciso trabalhar", fez pouco caso Glauber, retomando a gravação.

Glauber Rocha dirigindo a gravação em homenagem a Di Cavalcanti. Ronaldo Theobald/CPDoc JB

Pouco depois, Glauber foi novamente questionado. Dessa vez respondeu à curiosidade de um jornalista: "Acredite em mim. Você acha que eu iria fazer uma coisa que não fosse bonita? Ele era um artista e isto é bonito. É uma coisa certa. Não estou fazendo isto para ninguém. É para mim, que gostava tanto dele", garantiu. E continuou dando as coordenadas, filmando tudo até o fim do enterro.

E Glauber disse a verdade. Finalizou seu filme e, no ano seguinte, lançou o documentário "Ninguém Assistirá Ao Enterro Da Tua Última Quimera, Somente A Ingratidão, Aquela Pantera, Foi Sua Companheira Inseparável!, - Di Cavalcanti di Glauber", uma homenagem cinematográfica póstuma. A exibição do filme foi interditada pela justiça no mesmo dia, quando da concessão de uma liminar pela 7a. Vara Cível, ao mandado de segurança impetrado pela filha do pintor, Elizabeth Di Cavalcanti.

O documentário recebeu o Prêmio Especial do Júri durante o Festival de Cannes em 1977. Veja aqui o trabalho de Glauber Rocha!

Di Cavalcanti. Reprodução/CPDoc JB


"Para mim,
a principal função da arte
é a conscientização".

Di Cavalcanti


Emiliano Augusto Cavalcanti, pintor e poeta, foi um boêmio, um cidadão do mundo que trazia três capitais na alma - Rio de Janeiro, São Paulo e Paris. Uma das principais figuras da Semana de Arte Moderna, foi, apesar de sua natureza indisciplinada, um artista engajado. Ardente cantor das mulheres, fez delas o tema principal da sua pintura.



Confira amanhã: 1978 - Caso Herzog: União é culpada
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1981: Aniversário de Picasso

Jornal do Brasil: Domingo, 25 de outubro de 1981
Em 1981 Pablo Ruiz Picasso faria 100 anos. Nascido em Málaga, Espanha, em 25 de outubro de 1881, Picasso é o artista que mais se adaptou à representação que fazemos da modernidade.

Seu talento para o desenho e as artes plásticas foi observado desde sua infância. Destacou-se em diversas áreas das artes plásticas: pintura, escultura, artes gráficas e cerâmica.

A vida de Picasso e a sua obra se entrelaçam e formam uma coisa só. As suas mulheres e a sua arte estão inextrincavelmente misturadas. O surgimento de uma nova parceira freqüentemente sinalizava uma mudança de direção artística.



Tourada (1890) um dos desenho mais antigo
Suas obras podem ser divididas em fases: Na Fase Azul (1901-1904) o artista dá uma atenção toda especial aos elementos marginalizados da sociedade. Na Fase Rosa (1905-1907) suas obras ganham uma conotação lírica. O Período Africano (1907-1909) foi inspirado pelas esculturas ibérica e africanas. Pintou "Les Demoiselles d'Avignon", um dos grandes trabalhos da arte cuja característica principal é a desconstrução da realidade humana. Foi o trabalho mais importante em direção ao desenvolvimento do cubismo e da abstração.
Com a sua participação na montagem de ballets, Picasso começa a desenvolver em sua pintura temas extraídos da Commedia dell' Arte. Em 1919 assume formas realistas.
No Quadro Demoiselles d'Avignon (1907), que prenuncia o cubismo, nota-se a influência da escultura ibéricas e negras -acima-. Em 1906, traços já indicam a influência da arte primitiva em Picasso - abaixo, Busto de Mulher


Em 1937, no auge na Guerra Civil Espanhola pinta o seu mural mais conhecido: Guernica.
Na década de 1940, como no início de sua carreira, apodera-se das esculturas primitivas, temas mitológicos. E na década de 1960 recria pinturas dos grandes mestres, como Manet, Murillo ou então a famosa releitura de Las Meninas, de Velázquez.
Picasso fez absolutamente tudo o que está a nossa volta hoje, legados que por muitas décadas ainda darão espaço a explorações. Faleceu em casa, na França no dia 8 de abril de 1973.




Amanhã: Em 1976 - A morte de "Di Cavalcanti di Gláuber"
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1966 - O Festival Internacional da Canção

Jornal do Brasil: Domingo, 23 de outubro de 1966 - página 19

"Boa sorte, Maestro!". Assim, o apresentador Hilton Gomes comandava o início de cada apresentação do espetáculo musical mais concorrido da década de 60: o Festival Internacional da Canção Popular.

A história do FIC começou a ser escrita naquela noite de sábado, no Maracanãzinho, com "Guerra e Paz", na voz de Penha Maria. Outras 35 músicas foram interpretadas na primeira edição do festival, lançando o Rio de Janeiro no calendário febril dos festivais musicais, até então restrito a São Paulo: O que ficou de nós dois, Saveiros, Canto triste, O amor é chama,
Nana Caymmi. Gonzalez/CPDoc JB
Um novo sol, Maria, Festa no mar, Canção brasileira, Canção do amor negro, Vou tão sozinho, Aquele amor melhor, Nossos silêncios, Chorar e cantar, Não se morre de mal de amor, É preciso perdoar, Flor no chão, Canção de ninar a amada, Inaiá, Canção do amor que não vem, Canção do ouro e da prata, Beira-mar, Crepúsculo, O cavaleiro, Minha senhora, Se a gente grande soubesse, A morte do André, Quando dois se gostam, Dia das rosas, Canção e medo, Minha alegria é só você, Chora coração, Vai de uma vez, Apoteóse do samba, Benza Deus e Festa de cores.


Momentos do I FIC. Fotomontagem.



Reunindo uma geração de qualidade musical ímpar em composição e interpretação, exaltada, entre aplausos e vaias, por um público apaixonado e ávido por sua performance, coincidentemente ou não, essa foi sua fórmula de sucesso: Todos estavam lá, no momento certo.

O festival tinha duas etapas. Na primeira, a nacional, o vencedor era selecionado para representar o país na etapa seguinte, a internacional, onde sagrava-se o grande campeão. Em 1966, a vencedora da edição nacional foi "Saveiros", parceria de Dori Caymmi e Nélson Motta, na voz de Nana Caymmi. Mas, realizado em sete edições, de 1966 a 1972, o Brasil só conquistou duas grandes vitórias: "Sabiá" (Tom Jobim e Chico Buarque), interpretada por Cynara e Cybele, em 1968 no III FIC, e "Cantiga por Luciana" (Edmundo Souto e Paulinho Tapajós), na voz de Evinha, no ano seguinte. Transmitido pela tv para diversas partes do mundo, o FIC contribuiu com a projeção da MPB no cenário internacional.

Contextualizado num período político de repressão e censura, o festival consagrou, testemunhando o exercício da criatividade e da ousadia, um rico repertório de expressão musical. Mas a grande apresentação de todas as edições do festival aconteceu em 1968. "Prá não dizer que eu não falei das flores", uma ode à paz na interpretação do próprio compositor, Geraldo Vandré, reuniu todos os anseios de democracia e liberdade contra a ditadura vigente no país. O sucesso ficou em segundo lugar no festival. Mas foi imortalizado como o heróico hino de resistência popular.




Confira amanhã: 1956 - O histórico vôo de Santos Dumont
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1984: O cinema perde François Truffaut

Jornal do Brasil: Segunda feira, 22 de outubro de 1984
Um dos mais importantes diretores do cinema francês, morreu em Paris aos 52 anos, num momento em que seu talento era mais uma vez reconhecido com a estréia de "Vivement Dimanche!" (Finalmente Domingo!), seu último filme, que homenageia Alfred Hitichock, inspirador máximo de sua obra. Foi um dos fundadores da "nouvelle vague", movimento que renovou o cinema francês, herdeiro da tradição humanística do cinema de Jean Renoir. Os temas principais de sua obra foram as mulheres, a paixão e a infância.


Sua infância foi conturbada e solitária, restando como consolo o escuro das salas de exibição cinematográfica. Aos 15 anos já estava envolvido no trabalho cineclubista e foi convidado a trabalhar na revista Cahiers du Cinéma em itálico pelo famoso crítico André Bazin. Com seus colegas da redação, Jean-Luc Godard, Eric Rohmer e Claude Chabrol, começou a desenvolver seus filmes.

Seu primeiro filme, Os Incompreendidos, é um resumo autobiográfico da experiência vivenciada pela desagregação do lar. Enquanto exorcizava sua memória afetiva, Truffaut construiu uma sólida carreira de cineasta. Variava de vez em quando o tom de sua cinedramaturgia, mas sempre deixando, em cada filme, a marca de sua sensibilidade.

Truffaut realizou filmes geniais como Jules e Jim - Uma Mulher para Dois, Fahrenheit 451, Beijos Proibidos, Garoto Selvagem, Sereia do Mississipi, O Homem que Amava as Mulheres, Amor em Fuga, O Último Metrô e outros, virgula em que está impresso o amor por seus personagens e por seu ofício, o cinema.

Truffaut, o homem que amava o cinema, ensinou milhares de espectadores do mundo inteiro a também amar o cinema, e a conhecer Paris.

Morreu de câncer no cérebro em um dia de outono parisiense de céu cinzento.

Amanhã: Em 1966 primeiro Festival Internacional da Canção ++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++

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1949: Cem anos sem Chopin

Jornal do Brasil: 16 de outubro de 1949
O mundo inteiro comemora, com exaltação artística, a data de 17 de outubro de 1949, primeiro centenário da morte dessa figura sem par na história da música que foi Frédéric François Chopin. Romântico na mais alta acepção da palavra, pelo seu temperamento introspectivo, pelo seu físico doentio, pela sua profunda sensibilidade, criou Chopin uma música que marcou uma época na evolução musical.

A vida de Chopin divide-se em duas partes. A primeira na Polônia, com o início de seus estudos, sua formação artística; a segunda, em Paris, para onde partiu com o coração ferido pela invasão da Rússia à sua pátria. Nasceu em Varsóvia a 8 de fevereiro de 1810. Era uma criança pálida, doentia, sensível, com uma verdadeira atração pela música, que lhe provocava estranha emoção, arrancando-lhe lágrimas.

Aos 15 anos compunha o seu primeiro trabalho, o "Rondó em dó menor", iniciando a sua deslumbrante carreira de compositor. Chegou em Paris em 1831, encontrando um ambiente artístico digno de sua presença. Grandes nomes imperavam nos salões e teatros da cidade, mas Chopin se tornou soberano.

Em sua estréia em Paris a platéia aplaudiu enquanto Liszt, que estava na primeira fila, recebia as notas como se fossem centelhas de um gênio. Era uma força nova que surgia para dar à música um brilho ainda maior. Chopin era o poeta da música e sua lira era o piano. Começou, assim o triunfo de Chopin em Paris, onde permaneceu durante dezenove anos, adotando a Capital da França como sua segunda pátria.

Alguns dias antes de falecer, pediu que seu corpo pertencesse à França, e que o seu coração, como relíquia mais fulgente, ficasse para sempre em Varsóvia, na Igreja de Santa Cruz.

Chopin, mais do que da Polônia, pertence ao Mundo inteiro, maravilhosamente "tocado" pelas harmonias que ele nos legou.

Amanhã: Em 1967, à procura de vida em Vênus
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1938: Segar, o criador de Popeye

Jornal do Brasil: Sábado, 15 de outubro de 1938
Morreu Elzier Segar, o criador de Popeye, aos 43 anos. O cartunista que a partir de uma simples idéia de propaganda de espinafre em lata, no singular, chegou a um personagem mundialmente conhecido.

Popeye foi criado em 1929 para uma tira chamada Timble Theather, de um jornal nova-iorquino. O humor de Elzie Seagar caracterizou o país e a época em que viveu. Segar trouxe um personagem novo ao cenário humano – inventando traço por traço, expressão por expressão, com os seus músculos - que se distendem sob a ação do espinafre e do cachimbo preso aos lábios para toda a eternidade.
EU SOU O MARINHEIRO POPEYE!!!
Morre o criador mas fica a criatura, como escreveu Benjamin Costallat, autor do artigo do JB em 1938: "O desaparecimento de Segar não impede que Popeye continue a viver. Ele já está marcado e standartizado pelo traço original do trêfego marinheiro em todas as suas aventuras futuras com a sua noiva ossuda e o seu rival barbudo. Enquanto houver latas de espinafre, Popeye brigará para a alegria dos nossos olhos que ficarão devendo ao grande caricaturista que morreu, esse espetáculo do ridículo humano, mas um ridículo simpático e quase confortador, em contraste com o que encontramos fora da tela, diariamente, pela vida e que não tem a graça de Popeye, nem a sua coragem magnífica..." Benjamim Costallat.


Amanha: Em 1964, Martir Luter King recebe Prêmio Nobel da Paz
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1963 - O mundo se despede de Piaf

Reproduçao. Acervo CPDoc JB


Jornal do Brasil: Sábado, 12 de outubro de 1963 - página 13

Dona de uma saúde fragilizada, Édith Piaf, que tantas vezes lutou contra a morte e a venceu, desta vez saiu vencida. Com uma história de vida cheia de contradições e dúvidas, o ato final de Piaf não poderia ser diferente...

Segundo nota divulgada pela AFP, baseada em informações do seu atestado de óbito, Piaf faleceu na manhã de uma sexta-feira, 11 de outubro em sua residência, logo após chegar em Paris para submeter-se a um novo tratamento de saúde.

O marido Théo Sarapo, com a conivência de outros entes mais íntimos, deu nova versão ao fato, afirmando ter a morte acontecido um dia antes, numa casa de campo em Plascassier, onde Piaf viveu seus últimos dias. O atraso do comunicado público foi intencional, a fim de garantir as devidas providências para realizar um último desejo de Piaf. A cantora queria ser enterrada no cemitério Père-Lachaise, junto à sua filha e ao seu pai, o que poderia ser impedido diante do impacto da repercussão de sua morte.

Controvérsias à parte, a morte de Piaf causou uma comoção nacional. Além da presença dos mais próximos e de personalidades públicas, uma multidão foi prestar-lhe uma última homenagem. E mesmo não havendo um decreto de luto oficial, ele foi calorosamente popular.

Édith Piaf foi sepultada em 14 de outubro de 1963 no cemitério Père-Lachaise, conforme sua vontade.



La Môme Piaf
A grande senhora da música francesa de todos os tempos era uma mulher de corpo franzino, voz marcante e semblante triste. Foi lançada à sorte na vida artística noturna de uma Paris marginal do começo dos anos 30. Trouxe resquícios da infância miserável à margem de uma família desestruturada, agruras que procurou compensar na incansável procura do amor, um amor autêntico e único. Em todas as canções refletiu essa sua necessidade de amar e ser amada, como auto-retratos. Fez de sua arte o veículo de emoções comuns e de seus dramas particulares dramas de todo mundo: amor, solidão, pobreza, ciúme, medo.

Piaf nos deixou. E a música popular francesa perdeu não apenas a voz de uma grande intérprete, mas também sua maior legenda.

Mais de sua história e obra, pode ser conferida, a partir de amanhã, em circuito nacional, com a estréia de Piaf, um hino ao amor. Confira aqui!


Confira amanhã: 1931 - A inauguração do Cristo Redentor
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1989 - O adeus à Bette Davis

Reprodução. Acervo CPDoc JB



Foi numa sexta-feira à noite em Paris que o mundo se despediu da "Malvada" diva de Hollywood. Aos 81 anos, Bette Davis morreu de câncer num hospital na França, três dias após conquistar o prêmio Donostia durante o festival cinematográfico espanhol de San Sebastián.

"Tenho uma idade em que inveja e ciúme
já não fazem mais parte do meu repertório.
Há muito me conformei com a minha feiúra.
Assim como me conformei com a beleza dos outros.
Todos nós somos famintos de elogios".

Bette Davis





A carreira artística de Ruth Elizabeth Davis seguiu suas características pessoais. Na década de 30, quando a mulher ideal era subliminar, retratando beleza exuberante e ingenuidade, ela desbravou uma nova trajetória naquele universo de onipotência masculina. Dona de expressivos olhos azuis e exímia capacidade de interpretação, construiu papéis intensos, marcados por personagens imponentes, emancipadas, autoritárias, colocando em evidência um comportamento feminino nada convencional para a época. Amarga e malvada, dramática e heroína, colecionou uma reputação notável protagonizando mais de 80 filmes. Foi garçonete calculista, aristocrata egocêntrica, cega, louca, mãe-solteira, amante, traidora, decadente.

Jornal do Brasil: Domingo, 8 de outurbo de 1989 - página 19




Mas a revolução que promoveu não se restringiu às telas. Fora delas, Bette Davis também foi incansável. Na luta por melhores condições de trabalho para o meio artístico, enfrentou a imposição selvagem dos grandes estúdios cinematográficos, reivindicando melhores salários, contratos mais íntegros e roteiros inteligentes. Durante a guerra, participou do clube Hollywood Canteen, que oferecia assistência alimentar e entretenimento aos soldados americanos nos campos de batalha. E por seu profissionalismo, foi escolhida a primeira mulher presidente da Academy of Motion Picture Arts and Sciences.




Reconhecida pelo público, talvez não tanto pela crítica, como por vezes se queixou publicamente, conquistou o Oscar de Melhor Atriz em 1935, por Dangerous, e três anos mais tarde por Jezebel. Recebeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes, por All about Eve em 1950.

"Sabe o que vão escrever em meu túmulo?
Ela escolheu o caminho difícil".

Bette Davis


Em sua memória foi criada em Boston, no ano de 1997 The Bette David Foundation
que incentiva a descoberta de novos talentos no meio artístico.



Confira amanhã: Em 1971, Mequinho, o grande mestre
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