Arquivo de November 2007

RSS Feeds

1980 - Cartola, um vazio se fez no samba

Jornal do Brasil: 1º de dezembro de 1980 - Capa do Caderno B

"Ainda é cedo, amor.
Mal começaste
a conhecer a vida.
Já anuncias
a hora da partida,
sem saber mesmo
o rumo que irás tomar..."

Cartola



O mundo do samba silenciou-se. Angenor de Oliveira, o Cartola, morreu aos 72 anos, em decorrência de um câncer, doença contra a qual lutara nos últimos anos. Ao seu lado até o fim, estava sua companheira, Dona Zica.

Carioca do Catete, torcedor do tricolor das Laranjeiras, foi no Morro da Mangueira que Cartola viveu intensamente. Nem mesmo a dura rotina, trabalhando desde cedo como pedreiro e fazendo bicos para ganhar a vida, trouxe aspereza aos seus sentimentos ou inibiu o seu poder de criação. Ainda menino entrou para o mundo da música que o revelaria, mais tarde, como compositor e intérprete de grande sensibilidade e expressão. Fundador da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, para ela escolheu o nome e as cores verde e rosa.

20/09/1977: Cartola. Cintia Brito/CPDoc JB
Em uma de suas últimas entrevistas, declarou que gostaria de ser lembrado por três composições, que julgava as mais importantes em sua obra: "As rosas não falam", "O mundo é um moinho" e "O inverno do meu tempo".

Modesto desejo para quem se apaixonou pelo samba, fazendo dele o mensageiro de sua alma delicada. A riqueza musical de Cartola foi uma constante em seu mais de meio século de carreira, como versa o seu último samba: "... tudo é belo por onde passei..."


Assista abaixo a versão em vídeo:


No moinho do mundo
Para homenagear Cartola, Carlos Drummond de Andrade escreveu, no Jornal do Brasil, a crônica "No moinho do mundo": a história do homem simples que encantou por seu jeito de lidar com as situações da vida.

Cartola leu a homenagem no hospital e pediu que fixassem o jornal na parede de seu leito. A crônica foi publicada três dias antes de sua morte.

Confira amanhã: 1988 - Abraço à solidariedade

 Comentar (4)

1975 - A morte de Érico Veríssimo

Jornal do Brasil: Sábado, 6 de dezembro de 1975 - páginas 4 e 5







"O meu amigo
mais íntimo
é o sujeito que vejo
todas as manhãs
no espelho
do quarto de banho,
à hora onírica
em que passo
pelo rosto
o aparelho de barbear.

Estabelecemos
diálogos mudos,
numa linguagem
misteriosa
feita de imagens,
ecos de vozes,
alheias ou nossas,
antigas ou recentes,
relâmpagos súbitos
que iluminam faces
e fatos remotos
ou próximos,
nos corredores
do passado
- e às vezes,
inexplicavelmente,
do futuro -
enfim,
uma conversa que,
quando analisamos
os sonhos da noite,
parece processar-se
fora do tempo
e do espaço".
Érico Veríssimo





Porto Alegre, 14 de dezembro de 1972: Érico Veríssimo. Ricardo Chaves/CPDoc JB





Vítima de enfarte, Érico Veríssimo morreu à noite, em sua residência na cidade de Porto Alegre, onde estava em companhia da esposa Mafalda, do filho Luis Fernando e da nora Lúcia. O escritor, que tratava-se para controlar uma angina, queixava-se da pouca disposição que o acometia ultimamente, em decorrência do uso excessivo de medicamentos.

Gaúcho de Cruz Alta, Érico nasceu numa família rica e tradicional de estancieiros, arruinada economicamente no início do século XX. Foi no drama dessa decadência familiar que se inspirou para escrever grande parte de sua literatura, que abrange romances, contos, novelas, narrativas, ensaios, biografias e traduções.

Morreu às vésperas de completar 70 anos, deixando a segunda parte de sua biografia, Solo de Clarineta - Memórias 2 inacabada. A obra póstuma foi concluída por Flávio Loureiro Chaves.





Porto Alegre, 14 de dezembro de 1972: Érico Veríssimo. Ricardo Chaves/CPDoc JB


A saga dos homens do Rio Grande

Rio Grande do Sul. Este foi o tema maior da obra de Érico Veríssimo, que retratou tanto o gaúcho do campo, quanto o da cidade.

Quer nos seus romances urbanos, na sua trilogia épica, ou mesmo na sua literatura política, reverberou ao mundo, em várias circunstâncias, a maneira de ser, pensar e sentir do brasileiro do Extremo Sul.


Confira amanhã: 1947 - A partilha da Palestina

 Comentar (6)

1962: Bossa Nova no Carnegie Hall

Jornal do Brasil: Quinta-feira, 22 de novembro de 1962
O ritmo brasileiro da bossa nova se apresentou no Carnegie Hall, a mais tradicional sala de concertos de Nova Iorque, para um público de cerca de três mil pessoas, que superlotou a casa com entusiásticos aplausos.

Durante o espetáculo, milhares de xícaras de café foram servidas, numa oportunidade de apresentar o cafezinho preparado à moda brasileira.

Os ingressos já se encontravam esgotados uma semana antes do concerto.

Os brasileiros João Gilberto, Bola Sete, Agostinho dos Santos, Carmem Costa, José Paulo, Luis Bonfá, Carlos Lira, Sérgio Mendes, Antonio Carlos Jobim, Miltinho Bana, C. Feitosa e Roberto Menescal comandaram o espetáculo.

Além dos artistas brasileiros, participaram do show o pianista e compositor argentino Lalo Schifrin com o sexteto de que se valeu para difundir a bossa nova, Stan Getz, amigo de João Gilberto e um de seus mais entusiastas admiradores e grande propagador da bossa nova, e o quarteto de Oscar Castro Neves.

O Itamarati recebeu despachos dos EUA informando que compareceram ao concerto 300 repórteres, fotógrafos, cinegrafistas e críticos especializados de toda a América do Norte e da imprensa mundial, o que deveria garantir grande repercussão ao show de bossa nova.

A nova música do Brasil

Este novo gênero musical deriva das estruturas típicas do samba em harmonia com o jazz americano.

A mulher do Presidente, Jacqueline Kennedy, a considerou "simplesmente maravilhosa", acentuando que "nunca houve coisa igual por aqui". Ela foi apresentada à bossa nova em um recital do sexteto de Paul Winter, que havia regressado de uma excursão pelo Brasil dois dia antes da apresentação no Carnigie Hall.

Clique aqui para ler o artigo na íntegra!


Amanhã: Em 1963, A morte de John Kennedy






 Comentar (3)

1967: De repente morreu...

Jornal do Brasil: Terça-feira, 21 de novembro de 1967
"A gente morre é para provar que viveu. As pessoas não morrem. Ficam encantadas ".

João Guimarães Rosa repousa no túmulo dos imortais.

Aprendeu as primeiras palavras em Cordisburgo (MG), onde nasceu a 27 de junho de 1908. Sempre foi um excelente aluno. Aos seis anos já lia em francês. Nos anos seguintes aprenderia inglês, russo, holandês, latim, grego, espanhol, italiano e alemão. Apesar de seu grande amor ao estudo não abandonava os esportes. Terminados os preparatórios, matriculou-se na Faculdade de Medicina. Nessa época, escreveu contos publicados na revista O Cruzeiro .
Jornal do Brasil: Terça-feira, 21 de novembro de 1967

Depois de formado, tornou-se um médico dedicado e muito respeitado. Durante a Revolução Constitucionalista de 1932, trabalhou como médico voluntário. Mesmo sem se descuidar da medicina, retorna ao estudo das línguas. Seguindo o conselho de um amigo, impressionado com sua cultura e com seu notável conhecimento de línguas estrangeiras, decidiu vir para o Rio de Janeiro, e em 1934 passou em segundo lugar no concurso do Itamarati.

Durante todo esse tempo, manteve suas ligações com a literatura. Em 1937 escreveu Sagarana. Em 1938, nomeado Consul Adjunto em Hamburgo, o escritor segue para a Europa. Em 1942, retorna à América para seguir para Bogotá. Retorna ao Brasil em 1951 como Chefe do Gabinete do Ministro João Neves. Apesar de suas constantes andanças pelo estrangeiro, o escritor não perde o contato com a sua terra natal.

Em 1956, publica sua obra-prima Grande Sertão: Veredas, ao mesmo tempo em que o livro de estréia, Sagarana, reaparece em quarta edição. Recebe o Prêmio Machado de Assis, do Instituto Nacional do Livro.

Foi eleito membro da ABL em 1963, mas só tomou posse em novembro de 1967, três dias antes de morrer.

Confirma amanhã: Em 1971, Viaduto desaba no Rio




 Comentar (2)

1959: Vila-Lobos ao Toque do Silêncio

Jornal do Brasil: Quinta-feira, 19 de novembro de 1959
Heitor Vila-Lôbos morreu aos 72 anos, deixando como legado quase duas mil peças musicais. Seu corpo saiu numa carreta do Corpo de Bombeiros para o Cemitério São João Batista, junto com pétalas de rosas e ao som de seu próprio Toque de Silêncio. Em frente ao Teatro Municipal, a Orquestra Sinfônica Brasileira se despedira tocando a Marcha Fúnebre de Beethoven.

Centenas de pessoas, entre músicos, populares e amigos de Vila-Lobos acompanharam o enterro. Entre os discursos emocionados, o Sr. Pascoal Carlos Magno saudou o seu querido Vila-Lobos: "Vila-Lobos, a tua hora é a hora do homem que chega ao céu. Faça uma estrela com sete pontas e em cada uma coloca uma nota musical para que ela ilumine com o teu gênio o nosso Brasil."

A biografia de Heitor Vila-Lobos foi publicada nos grandes jornais de todo o mundo, e as figuras mais importantes da música internacional manifestaram sentimentos de pesar.


Heitor Vila-Lobos nasceu a 5 de março de 1887, no Rio de Janeiro. Sua formação musical foi influenciada pelos grandes nomes da época que freqüentavam sua casa para cantar e tocar até a madrugada. Viajou pelo interior do Brasil entrando em contato com a moda caipira, tocadores de viola e outros que vieram a fazer parte de sua obra universal.

A música e Dona Arminda, a esposa que ocupava um lugar tão importante ao seu lado, eram sua razão de viver.

Suas obras não se enquadram nas formas tradicionais. Sua arte, tão profundamente revolucionária, venceu as desconfianças internas e externas, e conquistou, no mundo inteiro um lugar extraordinário entre os poucos mestres que personificaram a própria música.

Sua arte, tão profundamente revolucionário, venceu as desconfianças internas e conquistou no mundo inteiro um lugar extraordinário entre os poucos mestres que personificaram a música.

Através da obra de Heitor Vila-Lobos, o mundo conheceu e amou o Brasil. Para saber mais acesse o site do museu, aqui.

Amanhã: Em 1930, a criação da OAB




 Comentar (1)

1982: Castello Branco eleito imortal

Jornal do Brasil: Sexta-feira, 5 de novembro de 1982
O jornalista Carlos Castello Branco foi eleito para a ABL, conquistando a cadeira 34 da Academia, na vaga de Raimundo Magalhães Júnior.

Derrotou por 21 votos contra 17 seu concorrente, o poeta gaúcho Mário Quintana.

Castello Branco atribuiu sua vitória ao trabalho jornalístico, por considerar escassa e remota a sua obra literária. A coluna política diária no Jornal do Brasil era publicada há 20 anos e republicada por outros 25 jornais das principais cidades brasileiras.

Revelou que o "pai" de sua candidatura foi o vice-presidente executivo do Jornal do Brasil, M. F. do Nascimento Brito. "O Drummond só não é porque não quer. O JB está muito presente na Academia e a Academia muito presente no JB".
Jornal do Brasil: Sexta-feira, 5 de novembro de 1982


José Sarney e Josué Montello foram os primeiro acadêmicos a cumprimentar pessoalmente Castello Branco por sua eleição. Austregésilo de Athayde chegou perguntando: "Cadê os meninos? Já foram embora?
Apesar da idade avançada dos participantes, a festa de Castellinho não teve hora para terminar.

A atividade jornalística de Castello foi interrompida brevemente em 1961, quando assumiu o cargo de secretário de imprensa do Presidente Jânio Quadros. Voltou ao jornalismo em 1962 como chefe da sucursal do Jornal do Brasil em Brasília, quando iniciou sua Coluna do Castello.

A Coluna foi núcleo essencial de informação, análise, opinião e referência para todos aqueles que fazem ou acompanham com interesse a política brasileira contemporânea.


O jornalista íntegro, independente e extremamente bem informado, coexiste com o escritor de estilo impecável em sua elegância e sutil em seu conteúdo. A histórica Coluna do Castello, entre tantas outras informações sobre sua vida e obras, podem ser conferidas no recém lançado site www.carloscastellobranco.com.br.
Castellinho no dia da posse


Veja também o JBlog de seu aniversário clicando aqui

Castellinho no dia da posse Castellinho no dia da posse



Amanhã: Em 1897, o atentado ao Presidente Prudente de Morais
++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++

 Comentar

Hoje na História - Siga no Twitter!