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1980 - Morre o precursor da "aldeia global"

Capa do Caderno B do Jornal de Brasil: Terça-feira, 2 de janeiro de 1981


O teórico da comunicação social Herbert Marshall McLuhan foi encontrado morto, aos 69 anos, pelo filho Eric, em sua residência em Toronto, no Canadá.

Acometido por graves problemas de saúde nos últimos anos, inclusive por uma trombose que lhe paralisou o lado direito e o fez perder a fala, foi obrigado a se aposentar após o fechamento do Centro de Cultura e Tecnologia da Universidade de Toronto, onde realizava seus estudos e pesquisas. Morreu cinco me ses depois, no ostracismo.

Uma das principais influências intelectuais dos anos 60, revolucionou os padrões de ensino das escolas de Comunicação dos Estados Unidos e Europa com conceitos em que definia uma nova ordem social e política a partir da comunicação simultânea e instantânea entre os habitantes de todos os pontos da Terra: a aldeia global. "Com isso, as guerras, as linhas de montagem industrial, os dogmas políticos e a supremacia dos homens brancos serão coisas obsoletas", profetizava.

Sua introdução no Brasil aconteceu no verão de 1969 com uma tradução da obra 'Compreendendo os Meios de Comunicação', considerado um de seus trabalhos mais importantes.

Marshall McLuhan: Reprodução/CPDoc JB
O polêmico Marshall McLuhan
Audacioso e inúmeras vezes criticado, McLuhan foi chamado de sonhador a louco, conforme o impacto que suas idéias suscitavam. Tornou-se requisitado no mundo empresarial e no meio publicitário, devido às suas teorias sobre as potencialidades da mídia, transformadas pelas então novas tecnologias e pela cultura popular.

Em suas entrevistas e nos artigos pagos a peso de ouro, ditava conceitos sobre sexo, moral, esportes, abismo das gerações, negócios e meios de comunicação. Passou a ser moda e porta-voz de uma época.



Confira amanhã: 1959 - Triunfo da Revolução Cubana






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1968: Mandatos cassados por dez anos

Jornal do Brasil: Terça-feira, 31 de dezembro de 1968

O Presidente Costa e Silva cassou os mandatos de 11 deputados federais e decretou a aposentadoria do desembargador Joaquim de Sousa Neto, presidente do Tribunal de Contas de Brasília. Os direitos políticos desses parlamentares e do ex-governador Carlos Lacerda foram suspensos por dez anos.

A punição, que se baseou no ato Institucional no. 5 (clique aqui para saber mais), foi adotada ao final de uma do Conselho de Segurança Nacional, que durou três horas.

Foram punidos os deputados federais Márcio Moreira Alves, Hermano Alves, David Lerer, Hélio Navarro, Gastone Righi, Mateus Schmidt, Henrique Henkin, Maurílio Ferreira Lima, José Lurtz Sabiá, Renato Archer e José Carlos Guerra.

Havia outros nomes na relação inicial de punições, mas Costa e Silva limitou-se às pessoas que já tinham processo de investigações concluídos.

O Presidente Marechal Costa e Silva encerrou o encontro anunciando que novas decisões revolucionárias, da mesma natureza, seriam tomadas.
No dia seguinte fez um pronunciamento à nação e em seguida viajou para Petrópolis para passar o reveillon no Palácio Rio Negro.



Jornal do Brasil: Quarta-feira, 01 de janeiro de 1969
Costa e Silva explica o porque do AI-5

Falando pela rádio e televisão, o presidente marechal Costa e Silva disse que o AI-5 concedeu a ele poderes excepcionais, transitoriamente, para praticar todos os atos necessários à manutenção da ordem, à defesa da segurança individual e coletiva. "Declarei em recesso o Congresso Nacional até que se pusesse mão nas causas imediatas ou mais ou menos remotas da crise que denunciou a falência temporária do poder político... A decretação do estado de sítio não seria remédio, mas paliativo perigoso, pois a curto prazo colocaria a crise nas mãos do próprio congresso".






Confira amanhã: Em 1980, Morre o precursor da "aldeia global"





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1966 - SIP repudia projeto da Lei de Imprensa

"A pedra fundamental de toda a liberdade
é a liberdade de imprensa.
Sem ela, todas as demais liberdades desaparecem,
porque o povo está indefeso,
sem conhecimentos, carente de informação".


Jornal do Brasil: Sexta-feira, 30 de dezembro de 1966 - página 3


A Sociedade Interamericana de Imprensa,SIP, entidade representada por mais de 750 jornais e revistas do continente americano, reagiu contra a estratégia do presidente Castello Branco de enviar ao Congresso Nacional um projeto para votação da Lei de Imprensa, durante o recesso de fim de ano da Câmara e do Senado.

Como previsto no decreto AI-4, em vigor naquela época, todo projeto encaminhado ao Congresso deveria ser votado em até 30 dias, restando muito pouco tempo para que o Legislativo examinasse, discutisse e votasse a matéria.

O manifesto da SIP, assinado por seu presidente do Comitê Executivo, Robert Brown, e pelo presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa, Tom Harris, condenou a proposta do presidente brasileiro, acusando-o de iniciar uma nova época de controle do jornalismo no país, por força de uma lei destinada a sufocar expressões, críticas e opiniões acerca dos assuntos governamentais.


A asfixia da Liberdade de Imprensa

Diversas instituições da imprensa nacional responderam ao projeto de Castello Branco que impunha restrições para a liberdade de imprensa.

O JB publicou um editorial intitulado 'Asfixia da Liberdade'em que questionava com veemência o espírito autoritário de que se revestia o projeto do governo, sem qualquer contrapartida para a imprensa, que se via submetida a um regime de camisa-de-força.



A Lei da Imprensa foi sancionada por Castelo Branco em 9 de fevereiro de 1967 com mais de 98% de seu texto original aprovados, e passou a vigorar no mês seguinte.

Confira amanhã: Em 1968, mandatos cassados por dez anos




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1992: Daniela Perez foi assassinada

Jornal do Brasil: Quarta-feira, 30 de dezembro de 1992
A mistura de ficção e realidade transformou-se em tragédia. A atriz Daniela Perez , de 22 anos, foi assassinada pelo ator Guilherme de Pádua, 23, a golpes de tesoura. Os dois viviam papéis de namorados na novela De corpo e alma, escrita pela mãe, Glória Perez.

Antes de confessar o crime, o ator havia simulado solidariedade à mãe da atriz, e ao marido de Daniela, o ator Raul Gazolla.

O corpo da atriz foi encontrado na Barra da Tijuca com perfurações no peito, barriga e pescoço, hematomas no rostos e arranhões.

A polícia chegou ao assassino graças a um advogado que anotou as placas do carros dos atores no local do crime e do depoimento do porteiro da Produtra Tycoon, onde era gravada a novela De corpo e alma. Segundo investigações, Daniela e Guilherme saíram da empresa na mesma ora, cada um em seu carro. O assassinato ocorreu logo depois.

À noite, uma nova versão da mulher do ator Guilherme de Pádua, Paula, de 18 anos e grávida de 4 meses, confessou estar presente no carro na hora do assassinato da atriz e viu tudo. Guilherme alegou que Daniela o assediava havia três meses com propostas amorosas, de acordo com a versão da mulher da Paula, ela foi para testemunhar o assédio.

A mãe de Daniela, a escritora Glória Perez, em estado de choque sintetizou sua dor: "Senti muito não ter conseguido fazer de minha filha a estrela que ela merecia ser".

Sob forte emoção, centenas de amigos e admiradores foram ao enterro de Daniela Perez. A presença de todo o elenco da novela das oito da Rede Globo atraiu cerca de 4 mil pessoas, o que transformou o sepultamento num cenário de histeria. Fãs queriam tocar em seus ídolos, pedir autógrafos e fotos.

Alterações na legislação penal

Guilherme e Paula foram presos e condenados por homicídio qualificado, a 19 anos de prisão. Os dois separaram-se oficialmente depois do nascimento do filho. Paula cumpriu pena por um ano e conseguiu liberdade condicional. Guilherme cumpriu um terço da pena e também conseguiu liberdade condicional. Ambos foram libertados em 1999. A indignação popular e a luta de Glória Perez resultou na alteração da legislação penal. Apesar da mudança da lei não ter atingido os assassinos de Daniela, o homicídio qualificado passou a ser punido com mais rigor a partir da vigência da lei.


Leia também:

Em 1994 – Senado aprova emenda contra crime hediondo







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1939 - A criação do Departamento de Imprensa e Propaganda

Jornal do Brasil: 28 de dezembro de 1939 - página

O Presidente Getúlio Vargas assinou o decreto que criou o DIP - Departamento de Imprensa e Propaganda, a ele diretamente subordinado, em substituição ao DNP - Departamento Nacional de Propaganda.

Compreendendo os setores de divulgação, radiodifusão, teatro, cinema, turismo e imprensa, cabia ao DIP, entre outras tarefas:

- centralizar, coordenar, orientar e inspecionar a propaganda nacional; administrar, organizar e fiscalizar os serviços de turismo interno e externo;

- analisar as produções artísticas do teatro, cinema, de funções recreativas e esportivas, da radio-difusão, da literatura social e política e da imprensa, fazendo censura do material ofensivo ao decoro público, contrário ao governo e aos interesses nacionais;

- proibir a entrada no Brasil ou interditar a edição de publicações estrangeiras prejudiciais ou ofensivas aos interesses do país e de suas instituições;

- promover, organizar, patrocinar e auxiliar manifestações cívicas e populares com intuito patriótico e educativo; distribuir as notícias uniformizadas pela Agência Nacional.

A atuação centralizadora do DIP permitia ao governo exercer pleno controle da informação, assegurando-lhe o domínio da vida cultural do país. Era apresentado como fator de modernidade e justificado pelos princípios de agilidade, eficiência e racionalidade.

Ao longo de sua vigência, o DIP foi incorpando suas atribuições. Coercivo, corporativo e dirigista, o órgão censor firmou-se como um dos sustentáculos do governo ditatorial de Getúlio Vargas, com o objetivo de difundir sua ideologia junto às camadas mais populares. Com a decadência do Estado Novo, em 1945, foi extinto em maio do mesmo ano. Suas atividades eram incompatíveis com o alvorecer do processo de redemocratização no país.



Confira amanhã: Em 1992, Daniela Perez foi assassinada




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1977: Sancionada a Lei do Divórcio

Jornal do Brasil: Terça-feira, 27 de dezembro de 1977

O presidente Geiseil sancionou a Lei 6.515 que regulamenta o divórcio no Brasil.
A legislação brasileira previa apenas a possibilidade de desquite para casais que desejavam se separar. Porém os desquitados não poderiam se casar novamente.

Com base em estudos preparados pelo Ministério da Justiça e por seu Gabinete Civil, o Presidente Geisel cogitava vetar o Artigo 38, mas preferiu deixar ao Congresso a correção das "imperfeições" da Lei, considerando que um dia o Congresso ou o Poder Judiciário possa vir a corrigir ou esclarecer. O Presidente julgou melhor manter sua diretriz de absoluta isenção nesse assunto, como foi notório desde o início do tramite legislativo desta lei.

O Artigo 38 diz: "O pedido de divórcio, em qualquer dos seus casos, somente poderá ser formulado uma vez". Esse dispositivo, incluído pelos deputados e senadores antidivorcistas, colidiria com a Emenda Constitucional no. 9, que institui o divórcio. A outra "imperfeição" da lei é o impedimento ao acesso do direito constitucional do divórcio à pessoa que, sendo solteira, tiver casado com uma pessoa divorciada. Se pretender o divórcio, não poderia obtê-lo, já que seu cônjugue está impedido de divorciar-se. Assim o segundo casamento torna-se indissolúvel.


Idosos lideraram as petições

Os primeiros a apresentarem a petição do divórcio foram os mais idosos com idades entre 62 e 75 anos. Casais que não viviam mais juntos desde 1951 puderam finalmente legalizar sua situação e principalmente a situação de seus filhos do segundo casamento.

Jornal do Brasil: Quarta-feira, 28 de dezembro de 1977
A aprovação da lei foi considerada oportuna para muitos que já a aguardavam há tempo. Foi intensa a movimentação em diversos Fóruns no Brasil.
Em 1988, foi abolida a restrição do Artigo 38, podendo o cidadão casar e divorciar-se quantas vezes quiser.








Confira amanhã: Em 1939 - A criação do Departamento de Imprensa e Propaganda




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1977 - O mundo órfão de Charles Chaplin

"A vida me deu o que há de melhor e um pouco do pior" Charles Chaplin

Charles Chaplin. Jornal do Brasil: Segunda-feira, 26 de dezembro de 1977.
O pensamento de Charles Spencer Chaplin foi o sentimento compartilhado entre seus fãs e admiradores ao tomarem conhecimento de seu falecimento, na noite de Natal, aos 88 anos. Morreu enquanto dormia, em sua casa na Suiça, onde estava reunido com esposa e filhos, para as celebrações natalinas. Embora confinado em uma cadeira de rodas nos últimos anos, gozava de plena atividade profissional e acabara de concluir dois roteiros para filmes.

Charles Chaplin. Reprodução/CPDoc JB
As desventuras da vida chegaram cedo para Charles Spencer Chaplin. Nascido na Londres do final do século XIX, a infância feliz foi interrompida pela crise familiar que o fez morar em um orfanato. Ainda menino iniciou na vida artística apresentando-se no teatro. Poucos anos depois, ingressou no cinema, e não parou mais. Escreveu, dirigiu e atuou intensamente na produção de filmes. E foi na pele de Carlitos que atingiu a genialidade, servindo-se quase sempre de críticas sociais, e conquistou a platéia do mundo inteiro. Perseguido pelo caça às bruxas do macarthismo americano, mudou-se em 1952 para a Suíça, onde viveu até o fim.

A excelência nas obras de Carlitos
Charles Chaplin. Reprodução/CPDoc JB
Chaplin foi um artista cômico, mas sobretudo um trágico, que soube entender a humanidade, e a fez aprender, a partir de suas próprias fraquezas, como enfrentar a realidade da vida. Reuniu um acervo cinematográfico memorável em mais de 60 obras, entre elas: Vida de cachorro, de 1918, e O Garoto, de 1921, ainda no tempo do cinema mudo; Luzes da Cidade, de 1931, em que se apaixona por uma florista cega; Tempos Modernos, de 1936, sobre a mecanização da modernidade; e O Grande Ditador, de 1940, contra Hitler e as perseguições raciais na Europa.


Confira amanhã: 1977 - Sancionada a Lei do Divórcio



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1964: Brigitte Bardot em Búzios

Jornal do Brasil: Domingo, 27 de dezembro de 1964
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Na Praia de Búzios, 26 km distante de Cabo Frio, Brigitte Bardot e seu noivo, Bob Zaguri encontravam-se hospedada na casa do Secretário da Embaixada da França, onde comemoraram o Natal.

Novamente em guerra com a imprensa, Brigitte passou seu Natal sem permitir qualquer aproximação com os repórteres. Nem mesmo quando o prefeito de Cabo Frio solicitou-lhe permissão para realizar um ato simples, a fim de entregar-lhe o título de cidadã honorária e um terreno a ela doado.

Os pescadores tinham uma singular imagem de Brigitte. Alheios ao mito, consideravam-na "uma criança bonita, parecida com uma boneca de olhos verdes, que tem medo de ser encarada e se irrita com a aglomeração". A criançada porém, a tinha conquistado. Os filhos dos pescadores eram aliados e informantes de Brigitte. Exercendo uma atividade de contra-espionagem, informavam qualquer estranho que rodeasse as cercanias. Uma relação baseada na amizade e carinho mútuos.

Com a missão de conseguir alguma notícia sobre o natal da bela, inúmeros repórteres e fotógrafos de revistas e jornais nacionais e franceses se empreenderam uma autêntica batalha. Depois de horas de prontidão, os profissionais realizaram a operação despiste. Simulando a desistência, esconderam os veículos no mato e cada um escolheu um lugar estratégico.

Brigitte acreditou que estava livre saiu para andar na praia. De biquíni amarelo e a pele bronzeada foi em direção exata ao local onde estava o fotógrafo do Jornal do Brasil. Avisada pela gurizada, correu para casa, mas já era tarde. Apesar de tudo, disse que o prefeito foi um "bom Papai Noel", com a doação do terreno 20x40 metros. Porém, não voltou mais.

Uma velha colônia de Pescadores



Búzios na época, ainda era distrito de Cabo Frio e apresentava a tranquilidade e a beleza primitiva da colônia de pescadores. Com apenas algumas casas separadas por uma rua poeirenta e mal iluminada, dois botequins eram o ponto de reunião da comunidade.



Seus personagens, os caiçaras, pescadores que viviam da pesca e se lançavam ao mar com o nascer do sol só voltando ao entardecer.




Eles entenderam-se e facilmente com Brigitte e, num pacto silencioso, procuram não aborrecê-la. Ela passeava à vontade entre eles, curiosa, ajudava-os a encostar suas canoas e a enrolar suas redes.






24 de dezembro de 1964 -  fotos de Walter Firmo 24 de dezembro de 1964 -  fotos de Walter Firmo

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Confira amanhã: Em 1977, O mundo órfão de Charles Chaplin




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1972 - Terremoto destrói Manágua

Jornal do Brasil: 24 dezembro de 1972 - página 14

Manágua, capital da Nicarágua, foi destruída por um terremoto que atingiu a região no início da madrugada, deixando a cidade de 300 mil habitantes debaixo de escombros. A fúria do tremor comprometeu grande parte das edificações, causando desabamentos e inúmeros focos de incêndio que deixaram a cidade em chamas.





O abastecimento de água e o fornecimento de luz foram interrompidos. A cidade ficou isolada em caos absoluto, com corpos espalhados pelas ruas, e pessoas circulando desesperadamente em busca de vítimas e socorro. Os registros da tragédia dantesca contabilizaram aproximadamente 10 mil mortos, 200 mil feridos e cerca de 35 mil desabrigados.



O drama dos nicaraguenses comoveu o mundo, mas serviu também um catalisador de mudanças para o país. Com a urgência de reconstruir a capital do país, o ditador Somoza percebeu a oportunidade de ampliar seu patrimônio, apropriando-se inclusive da ajuda financeira proveniente de outros países, o que evidenciou a venal postura de seu governo, na administração dos bens públicos e no tratamento do povo nicaraguense. Este processo desencadeou uma série de manifestações populares com apoio da opinião pública em oposição ao regime autoritário.

Um país de tremores e vulcões

Fenômenos sísmicos não são novidade na Nicarágua, país assentado numa região vulcânica que até hoje é alvo de constantes tremores de terra. Em 1931, Manágua foi devastada por um terremoto de mesmas proporções do de 1972. E no último dia 14 de dezembro, o Instituto Nicaragüense de Estudos Territoriais divulgou que um terremoto de 4,3 graus na escala Richter atingiu o litoral do país, voltado para o Oceano Pacífico. Dessa vez, não houve vítimas nem danos materiais.

Confira amanhã: Em 1964, Brigitte Bardot em Búzios


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1988: Assassinato de Chico Mendes

Jornal do Brasil: Sábado, 24 de dezembro de 1988
"Se descesse um enviado dos Céus e me garantisse que minha morte iria fortalecer nossa luta, até que valeria a pena. Mas a experiência nos ensina o contrário. Então eu quero viver. Ato público e enterro numeroso não salvarão a Amazônia. Quero viver."

Foi o que disse Francisco Alves Mendes, Chico Mendes, nascido nos seringais, filho de seringueiros e seringueiro ele próprio, por destino e vocação. O ecologista e presidente do Sindicato os Trabalhadores Rurais de Xapuri (AC) foi morto a tiro de espingarda na sua fazenda, a 300 quilômetros de Rio Branco, quando saía de casa para ir ao banheiro no quintal.


Chico, foi o mais importante ativista ambiental brasileiro. Sua luta pela preservação da Amazônia foi a causa do assassinato. Já vinha sendo ameaçado de morte e não tinha mais vida pessoal. Não dormia dois dias seguidos na mesma casa, além da proteção permanente de dois PMs, cortesia do governo do Acre.

Mas o desejo de rever a mulher e os três filhos falou mais forte que as preocupações de segurança. Naquele dia, antes de jantar, resolveu tomar um banho, e os PMs ficaram dentro da casa. Os assassinos Darly e Alvarinho Alves cumpriram a promessa. O líder seringueiro já circulava nos meios ligados à ecologia no exterior, sempre denunciando o desmatamento da Amazônia.

União dos Povos da Floresta

Chico Mendes ficou internacionalmente conhecido ao ser condecorado pela ONU, no dia 5 de junho de 1987, data em que se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente. Foi líder do movimento que busca unir os interesses dos índios e seringueiros em defesa da floresta graças à criação de reservas extrativistas.

Seu velório transcorreu sob tensão e perplexidade. Para que não morra sua luta em defesa da Amazônia e dos povos da floresta, foi criado o Comitê Chico Mendes, formado no Acre por 24 entidades não-governamentais, sindicais e de estudantes.

Leia também
25 de novembro de 1996: Assassino de Chico Mendes é recapturado

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1980 - A alma imortal de Nelson Rodrigues

Capa do Caderno B do Jornal do Brasil: Segunda-feira, 22 de dezembro de 1980








"A única coisa
que me mantém de pé
é a certeza
da alma imortal.

Eu me recuso
a reduzir o ser humano
à melancolia
do cachorro atropelado.

Que pulhas
seríamos
se morrêssemos
com a morte!"





Nelson Rodrigues acreditava na posteridade. E sempre desejou por ela ser avaliado. Não apenas como autor literário, mas sobretudo como personagem, já que nele o personagem freqüentemente sobrepujava o homem que viveu debruçado sobre a máquina de escrever. Vítima de insuficiência vascular cerebral, após sete paradas cardíacas e do implante de um marca-passo, saiu de cena com a vontade atendida. Admirado, temido, respeitado, aplaudido e vaiado, é um dos mais discutidos intelectuais de sua geração.

Sempre polêmico, tinha consciência de suas contradições, e acreditava que na posteridade seria lembrado por elas. Contradição, por exemplo, de ser moralista e provocar escândalos com sua aparente amoralidade. Ou de ser um puro que se encantava com o pecado.

Pernambucano de Recife, nasceu em 1912 numa família de muitos irmãos, onde todos, ou quase todos, tinham inclinação pela arte de escrever. Dono de grande capacidade de memorização, foi na reunião dessas habilidades que construiu sua obra literária, onde mostra uma fixação, partilhada com os seus personagens, por valores e costumes arcaicos.


Caricatura de Nelson Rodrigues. Chico/CPDoc JB



As inspirações no mundo particular

Os conflitos vividos ou presenciados na experiência pessoal de Nelson Rodrigues constituiam a inspiração para suas histórias, que retratam pequenos acontecimentos cotidianos sob uma ótica irônica e satírica, no contexto de uma sociedade suburbana, endógena e estagnada, oposta às transformações que movia o mundo ao redor.

Expôs mazelas e vilanias escondidas na maioria das pessoas. Fez comédia desses dramas, revelando o demônio escondido que cada um procura ocultar até de si próprio, em nome da aparência convencionada pelos padrões estabelecidos.






Confira amanhã - 1988, o assassinato de Chico Mendes


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1983: O roubo da taça Jules Rimet

Jornal do Brasil: 22 de dezembro de 1983
Quase 14 anos depois de ter sido definitivamente conquistada pelo Brasil, a taça Jules Rimet foi roubada da sede da CBF, no Rio de Janeiro. Além da taça, os ladrões levaram os troféus Jarrito de Ouro, lembrança da conquista do torneio de futebol do Pan-Americano de 1976, a Taça Independência, conquistada em 1972 por ocasião do sesquicentenário da Independência do Brasil; e a Taça Eqüitativa, que lembrava o vice-campeonato na Copa do Mundo de 1950.

Foi para maior segurança da Taça Jules Rimet que Giulite Coutinho, presidente da CBF, fez uma cópia banhada em ouro em 1981, usada em exposições - que ficava guardada junto com outros troféus, na sala do cofre. Uma parte deste cofre era aberto como vitrine que compunha a decoração da sala da reunião da diretoria.

O vigia João Batista Maia contou que ele foi rendido por dois homens, um deles armado. De posse das chaves das salas, os assaltantes tentaram quebrar o vidro que protegia a taça. Como o vidor era à prova de balas, não quebrou, mas os ladrões conseguiram retirá-lo da moldura de madeira da câmara de aço em que estava apoiado.

O que mais chamou a atenção dos policiais foi o fato dos ladrões conhecerem bem o prédio da CBF.


LEIA AQUI 1958
LEIA AQUI 1962
LEIA AQUI 1970


O técnico Zagalo ficou chocado com o roubo. Pelé culpou as autoridades e o problema social do país. O roubo sensibilizou a Itália onde foi notícia de destaque em todos os jornais, rádio e TV.

Em janeiro de 1984, todos os suspeitos e presos pelo roubo já estavam soltos. O resultado das investigações não coincidiram com as pistas levantadas pelo delegado. A taça nunca mais foi encontrada e acredita-se que tenha sido derretida.

A simbologia da Taça Jules Rimet

Com apenas 30 centímetros de altura e 1.8 kg de ouro, a Taça Jules Rimet sempre teve para a Fifa um significado especial. Disputada desde 1930, representava uma águia segurando nos braços erguidos a taça octogonal cercada de louros. A taça foi roubada 1966 na Inglaterra e mobilizou toda a Scotland Yard. Por acaso um cão vira-lata, Pickles, quando passeava com seu dono, encontrou um embrulho de jornal com a taça que toda a polícia procurava. Pickes virou herói da Inglaterra e sua fotografia foi estampada em todos os jornais. Quatro anos mais tarde, viria para Brasil, mas aqui foi roubada para sempre.


Confira amanhã: 1980 - A alma imortal de Nelson Rodrigues



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1990 - A morte planejada de Rubem Braga

Jornal do Brasil: Sexta--feira, 21 de dezembro de 1990 - página 6 do Caderno Cidade

"Sempre tenho confiança de que não serei maltratado na porta do céu, e mesmo que São Pedro tenha ordem para não me deixar entrar, ele ficará indeciso quando eu lhe disser em voz baixa:
_ Eu sou de lá de Cachoeiro..."


Rubem Braga morreu à noite, num quarto do Hospital Samaritano, no Rio, onde estava sozinho como desejara e pedira aos amigos.

A causa mortis foi uma parada respiratória em conseqüência de um tumor na laringe, que ele preferiu não operar.


Homem decidido e corajoso, sabia da gravidade de sua doença, mas segundo seu médico e amigo, o neurologista Sérgio Carneiro, preteriu todo e qualquer tipo de tratamento para combatê-la.

O último plano de Rubem, simples e perfeito como os que organizaram sua obra, seria colocado em prática dias após sua morte: a cremação em São Paulo. Certamente seus amigos lembraram-se de uma pequena crônica sua, chamada "Berço de mata-borrão", onde Rubem conta sua curiosa pesquisa atrás da melhor maneira de se fazer cremar. A bem-humorada crônica expõe o lado metódico e precavido do autor, que, dois dias antes de sua morte, reuniu os amigos na sua cobertura em Ipanema, no que todos entenderam como uma despedida.

O cronista Rubem Braga.




A crônica das coisas simples da vida

Rubem Braga escondia, por trás da aparente determinação, a alma de menino, curtidor de coisas simples. Escreveu um pouco de tudo isso: infância, mar, mulheres, amigos, saudade, esperança, solidão, morte. E também sobre "coisas humildes e vagabundas que entretanto não fiz, nem com certeza farei".

Extraia tudo do nada e transformava trivialidades em grandes temas. E mesmo fingindo não levar a sério o gênero meio amaldiçoado, orgulhava-se de cultivá-lo, porque era pelas crônica que transitava naquele terreno meio vago entre a literatura e o jornalismo, duas de suas paixões.



Confira amanhã: 1983 - O roubo da Taça Jules Rimet


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1971: Reforma Ortográfica

Jornal do Brasil: Domingo, 19 de dezembro de 1971
O presidente Médici sancionou o projeto de lei que introduz alterações na ortografia da língua portuguesa, por exemplo, ao abolir o acento circunflexo em certos casos. Este acento deixa de ser usado nas letras e e o.

Foi dado às editoras prazo quatro anos para atualizarem a nova ortografia em suas publicações.

A lei determina também que a Academia Brasileira de Letras promova a atualização do vocabulário comum, a organização do Vocabulário Onomástico. Deverá ainda udiar da publicação do Pequeno Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, de acordo com as novas normas.

O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp), que registra a forma oficial de escrever as palavras conforme o Formulário Ortográfico aprovado pela Academia Brasileira de Letras em 1943, deverá também incluir essas alterações. O Volp encontra-se no site da Academia Brasileira de Letras, à qual compete pesquisar e fixar as palavras existentes em nossa língua.

As alterações introduzidas pelo projeto elaborado na Câmara dos Deputados receberam parecer conjunto das Academias Brasileira de Letras e da Academia de Ciência de Lisboa.

A comunidade lusófona tem como objetivo criar uma ortografia unificada para o português na unanimidade das sete nações (Brasil, Portugual, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe). A língua portuguesa é a quinta mais falado em todo mundo, e a existência de duas ortografias é considerada prejudicial à unidade intercontinental do português. O primeiro acordo ortográfico entre Portugal e Brasil foi aprovado em 1931 e levado à convenção ortográfica em 1943. A íntegra desta lei aqui.



Confira amanhã:Em 1990, a morte planejada de Rubem Braga



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17 de dezembro de 1961 - O incêndio do Gran Circus em Niterói

O que era para ser uma inesquecível tarde de domingo com a estréia do Gran Circus norte-americano em Niterói, tornou-se o dia mais triste da história da cidade.
Primeira página do Jornal do Brasil: 19 de dezembro de 1961

Num gesto de vingança decorrente de um desentendimento com a administração, um ex-empregado ateou fogo à lona do picadeiro durante o espetáculo, dando início a um incêndio que logo atingiu dimensões incontroláveis. O tecido de cobertura, altamente inflamável, foi rapidamente tomado pelas chamas, caindo em gotas incandescentes sobre a platéia, onde se encontrava um público superior a três mil espectadores, crianças em sua grande maioria.

O pânico foi imediato. Chamas, fumaça, calor, gritos. Pessoas desesperadas buscavam as saídas, esbarrando-se umas nas outras e atropelando as que caiam no chão. O fogo, ao alcançar a cúpula da arena fez com que a lona desabasse. Quando chegou ao local o primeiro contingente do Corpo de Bombeiros, nada mais havia a fazer senão resgatar os sobreviventes, pois em pouco mais de 50 minutos, só restavam, além de destroços, corpos carbonizados e pisoteados.



Mas nem mesmo a dor da perda de parentes, conhecidos e mesmo anônimos, impediu que Niterói se mobilizasse num movimento de solidariedade.

Os feridos foram socorridos no Hospital Antônio Pedro, que recebeu inúmeros voluntários para doação de sangue, alimentos e medicamentos, arrecadados também em postos de coleta espalhados por vários pontos da cidade.

Além das quase 400 mortes registradas no local do incêndio, mais uma centena de vítimas não resistiu aos ferimentos, e morreu nos dias subseqüentes. Além do mentor do crime, réu confesso, dois outros cúmplices foram condenados.

Tragédia Grand Circus de Niterói


Profeta que nasceu das cinzas
Entre as tantas pessoas que se comoveram com a tragédia de Niterói havia José Datrino, um empresário do setor de transportes de cargas no Rio. Interpretando a queima do circo como um metáfora do incêndio do mundo, sentiu-se chamado para abandonar o mundo material e se dedicar apenas ao espiritual. Assim, deixou tudo para trás e seguiu para Niterói, passando a viver como o profeta Gentileza. E foi no próprio terreno do incêndio que começou a reconstruir o mundo, transformando o local num belíssimo jardim, e levando ao próximo seus ideais de gentileza e paz.

Tragédia Grand Circus de Niterói - Imagem CPDoc JB

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1976: O massacre da Lapa

Jornal do Brasil: Sexta-feira, 17 de dezembro de 1976

Três militares do Partido Comunista do Brasil morreram quando agentes do DOI do II Exército invadiram a casa onde eles promoviam reuniões clandestinas, no Bairro da Lapa, SP.
Foram mortos Pedro Pomar, João Batista Franco Drummond e Angelo Arroyo.

O Comandante do II Exército Dilermando Gomes Monteiro, justificou o fato dizendo aos repórteres que cobriam o Quartel-General do Ibirapuera que: "A luta contra a subversão só pode ter resultados positivos se contar com a cooperação da população. Sozinhos, os órgãos de segurança nada podem fazer. Peço que os cidadãos denunciem qualquer reunião ou movimento suspeito à autoridade policial mais próxima".

O cerco à casa da Rua Pio XI, 767, no Bairro da Lapa, foi resultado de três meses de investigações pelos I, II e III Exércitos (Rio, São Paulo e Porto Alegre).

Os policiais, que já sabiam da reunião, da qual participavam pessoas vindas de Porto Alegre, Paraná, Recife e do Rio, decidiram invadir a casa ao amanhecer.

Conforme presumiam as autoridades, estavam reunidos alí os dirigentes do Partido Comunista do Brasil, que pregavam a luta armada e seguiam a linha chinesa de Mao Tsé-tung, e do Partido Comunista Brasileiro, que se orientava pela linha soviética.

Os militantes no Governo Geisel


"Por ordem superior estava recomendado que as emissoras de rádio e televisão limitassem seus noticiários sobre choque entre elementos do Partido Comunista Brasileiro e Força de Segurança".

Esta foi uma nota divulgada uma nota pelo II Exército, na qual o comandante agradece a compreensão e a colaboração da imprensa para a operação realizada. A cena do massacre noticiada pela imprensa, havia sido remontada pela polícia. João Batista FrancoDrummond não teria sido atropelado ao tentar fugir, conforme divulgado, sim torturado até a morte.



Confira amanhã: Em 1961, o incêndio do Gran Circus em Niterói


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1923 - Petit Trianon, a nova sede da ABL

07/12/1973: Sede da ABL. Acervo CPDoc JB
Não se contentou, porém, a França em nos ter dado o modelo de uma imortal Academia, para a esperança ambiciosa da nossa. Heroína de ideal em todos os tempos, ela tem sido para nós a mestra de inteligência, de gesto de civilização... É nesse sentido que compreendo a nossa imortalidade acadêmica e com ela a imortalidade de nosso culto pela França e pelo seu gênio. Pelo Governo, Sr. Embaixador, e pela Academia, muito obrigado". Afrânio Peixoto


Jornal do Brasil: Domingo, 16 de dezembro de 1923 - página 6




A Academia Brasileira de Letras - ABL - ganhou uma nova sede: a réplica do neo-clássico Petit Trianon de Versailles.

O prédio foi doado à instituição literária pelo Governo francês, através de seus primeiro-ministro, Raymond Poincaré, e presidente da República, Alexandre Millerand. A cerimônia de inauguração do novo endereço foi dirigida pelo Sr. Afrânio Peixoto, presidente da ABL, e contou com a presença do embaixador da França, Alexandre Conty, além de outros ilustres acadêmicos.





Desde sua fundação, em 1897, até 1904, as sessões da ABL se realizavam nos mais variados locais da Cidade do Rio: o Colégio Pedro II, Biblioteca Fluminense, Real Gabinete Português de Leitura e Ministério do Interior. Foi o acadêmico Mário de Alencar quem conseguiu a permissão para a Academia funcionar no prédio Silogeu Brasileiro (também no Centro da Cidade), onde ficou até se fixar definitivamente no Petit Trianon carioca.

A réplica brasileira foi erguida na Avenida das Nações (atual Avenida Presidente Wilson), no coração do Rio, para abrilhantar a participação francesa na Exposição do Centenário da Independência do Brasil, em 1922. Passadas as comemorações, já em 1923, o prédio ficou sem utilização, motivando a sugestão da doação do mesmo a ABL, idéia aceita.

Confira amanhã: 1976 - O massacre da Lapa


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1954: Divórcio é aprovado na Argentina

Jornal do Brasil: Quarta-feira, 15 de dezembro de 1954

Foi uma surpresa a aprovação de divórcio na Argentina pela Câmara dos Deputados. A iniciativa tomou forma na simples modificação de um artigo do projeto sobre o regime dos filhos menores e a instituição dos bens de família:

"A declaração de ausência com presunção de morte autoriza o outro cônjuge a contrair novo matrimônio, ficando dissolvido o vínculo matrimonial ao serem contraídas as segundas núpcias."

O projeto foi aprovado por 123 votos contra 8. Os votos contrários foram os deputados radicais que desenvolveram energética oposição em meio a um debate muito tumultuado, com gritos e toques da campainha e até a retirada do recinto.


A instituição do divórcio, resultado de uma reforma parcial da lei do casamento civil, convertida em lei rapidamente pelo Congresso, constitui o passo mais avançado que a Argentina deu nessa questão nos últimos 65 anos.

Até 1889, quando foi aprovada a lei do casamento civil, o vínculo e as relações matrimoniais eram regidos exclusivamente pelas leis da Igreja Católica. E nos primeiros anos do século passado, os protestantes que viviam na Argentina viam-se obrigados a casar em navios estrangeiros que chegassem a Buenos Aires.


O regime Peronista e a Igreja Católica

A reforma peronista prometia ser ampla e dava esperança de que outras novidades em matéria de legislação no campo político.

Entre outras coisas, previa-se a proibição de campanhas eleitorais fora de época em locais públicos. Seriam permitidas só nas sedes dos partidos ou em locais fechados. E previa-se a abolição do culto religioso em lugares públicos.

Perón entrou em conflito com com a Igreja Católica quando a acusou de "imperialismo religioso" e admitiu o divórcio. Deste modo perdeu o apoio dos nacionalistas católicos que antes o apoiavam.



Confira amanhã: Em 1923, Petit Trianon, a sede da ABL



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1968 - É decretado o Ato Institucional nº5

Tempo negro. Temperatura sufocante. O ar está irrespirável.
O país está sendo varrido por fortes ventos.
Máx.: 38º em Brasília. Mín.: 5º, nas Laranjeiras.

Jornal do Brasil

Primeira página do Jornal do Brasil: Sábado, 14 de dezembro de 1968.

Na noite da sexta-feira, 13, com o objetivo de administrar a crise política, o Governo do General Arthur da Costa e Silva baixou o Ato Institucional nº 5, e com base nele, o Ato Institucional Complementar nº 38, que decretou o recesso do Congresso Nacional, por prazo indefinido.

Entre as resoluções do AI-5, suspendia-se os direitos políticos, e proibia-se atividades e manifestações sobre assuntos dessa natureza, condicionando a infração a severas penalidades, desde a liberdade vigiada ao domicílio determinado. Para garantir a ordem, os quartéis mantiveram-se em rigoroso regime de prontidão, e mobilizaram-se integralmente as Polícias Federal, Militar, Civil e a Guarda Civil.


O ano de 1968 foi de grandes protestos contra o regime militar. No início do ano, artistas de teatro mobilizaram-se contra a censura. Em março, uma manifestação universitária no restaurante Calabouço terminou na morte do estudante Edson Luís. Greves e passeatas eclodiram em todo o país, culminando com a passeata dos 100 mil, em junho, no Rio.

Atentados, expropriações, paralisações prosseguiram no segundo semestre em diversas partes do país. Um dos momentos mais tensos foi o discurso do deputado Márcio Moreira Alves, no início de setembro, conclamando a população a boicotar os eventos programados para o Dia da Independência. A declaração elevou ao máximo o descontentamento dos militares, que pediram a cassação do deputado. O pedido foi rejeitado pelo Congresso (216 votos contra, 141 a favor e 24 abstenções) na véspera da instauração do AI-5.

Anos de chumbo e a censura
Nos dez anos de vigência do mais cruel dos Atos Institucionais, sua fúria consternou a sociedade brasileira e internacional. Impondo-se como um instrumento de intolerância aos contestadores do regime militar, promoveu arbitrariamente repressão e intervenção, cassação, suspensão dos direitos, prisão preventiva, demissões perseguições e até confisco de bens.

A censura federal, recrudescida, atuou veentemente na interdição de mais de 500 filmes, 400 peças de teatro, 200 livros, e milhares de músicas. Tudo sob a égide da segurança nacional.

Confira amanhã: Em 1954 - Divórcio é aprovado na Argentina




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1994: Supremo inocenta Collor e PC

Jornal do Brasil: Terça-feira, 13 de dezembro de 1994

O ex-presidente Fernando Collor de Mello e PC Farias foram absolvidos do crime de corrupção passiva, depois de 30 horas de julgamento. Por cinco votos a três, os ministros do Supremo Tribunal Federal julgaram improcedente a denúncia do procurador-geral da República, Aristides Junqueira, alegando falta de provas.

As provas apresentadas pelo procurador Aristides Junqueira constavam de: uma gravação em que PC Farias revela ter cobrado da Mercedes-Benz uma doação para a campanha do ex-deputado Sebastião Curió, em 1990; disquetes de computador apreendidos pela Polícia Federal na Verax, uma das empresas de PC, com os registros da movimentação financeira do esquema de corrupção; e os cheques emitidos pelos fantasmas de PC e depositados na conta da secretária, Ana Acioli, entre outras.

A tese da ausência de "ato de ofício" - qualquer documento comprometedor assinado por Collor quando presidente - levantada pelo advogado de defesa, Evaristo de Moraes Filho, enfraqueceu a acusação de corrupção passiva. Derrotado, o procurador Aristides Junqueira não escondia sua indignação. Já Evaristo de Moraes, mostrava-se radiante e proclamou: "A vitória não é do acusado, mas da democracia, porque se mostrou que nem o presidente está imune a um processo".

O código penal não se modernizou

O código penal já não atende à modernização dos métodos usados pelos ladrões. Nesta data os números do censo Penitenciário Nacional divulgado pelo Ministério da Justiça era de que 95% dos presos do país são pobres e apenas 0,004% da população carcerária é composta de criminosos enquadrados em atos de corrupção.

A repercussão da absolvição do ex-presidente foi um duro golpe para a população de um país que saiu às ruas exigindo sua punição, num refrão notabilizado pelos cara-pintadas: Vai pra cadeia PC e leva o Collor com você.





Confira amanhã: Em 1968, governo decreta o AI-5



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1936 - Edward VIII renuncia ao trono

"Mas, deveis acreditar-me ao declarar-vos que julguei impossível continuar a assumir a minha pesada responsabilidade e a preencher, como desejaria, os deveres de rei, sem o auxílio e o apoio da mulher a quem amo".

Jornal do Brasil: Sábado, 12 de dezembro de 1936 - página 9


Assim Edward VIII defendeu sua renúncia ao trono do Reino Unido após 11 meses de reinado num discurso transmitido em cadeia de rádio. Para seu lugar, foi nomeado o seu irmão mais novo, o Duque de York, Rei Gheorge VI, pai da rainha Elizabeth II.

Wallis e Edward. Reprodução CPDoc JB


Ainda Príncipe de Gales, no início dos anos 30, Edward conheceu Wallis Simpson, uma americana em processo de divórcio. Com a morte repentina de seu pai, Rei George V, e sua consequente ascensão a soberano da Corte britânica em 1936, Edward manifestou a sua intenção de casar com a americana assim que o divórcio dela fosse concluído.

O pronunciamento escandalizou a conservadora sociedade inglesa, provocando uma onda de protestos da Corte, dos políticos e da Igreja Anglicana. Diante da notória rejeição à sua sugestão de oficializar seu casamento com uma plebéia, reprovada inclusive pelo primeiro-ministro Stanley Baldwin, Edward VIII tomou a decisão drástica: abdicou do trono, convertendo-se em Duque de Windsor.

A atitude de Edward VIII custou-lhe um alto preço. Perdeu o direito à sua parte dos quatro milhões de libras deixadas de herança por seu pai, ficando apenas com o patrimônio que reuniu.

O casamento de Edward e Wallis Simpson aconteceu em junho do ano seguinte, numa cerimônia privada na França sem a presença da família real britânica que jamais aceitou a união do casal.

Edward viveu com Wallis Simpson em um exílio que durou 36 anos, até sua morte em 1972 e está sepultado no Castelo de Windsor. Ela morreu em 1986. Não tiveram filhos.

Confira amanhã: Em 1994, Supremo inocenta Collor e PC






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1948: Declaração Universal dos Direitos Humanos

Jornal do Brasil: Sábado, 11 de dezembro de 1948

A Assembléia Geral das Nações Unidas aprovou a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Sem um único voto contra, porém com abstenção do bloco de nações soviéticas, da África do Sul e Saudi Arábia, o documento foi elogiado como a carta Magna dos Direitos Fundamentais de milhões de homens, mulheres e crianças no mundo inteiro.

O presidente da Assembléia, Herbert Evatt, da Austrália qualificou a decisão como o "início de uma nova era em benefício ao progresso e da paz internacionais". A declaração inclui disposições expressas contra toda e qualquer atividade que implique ou vise a eliminação física de pessaos por qualquer motivo que seja. "As convenções internacionais", acrescentou Evatt, "protegeram os direitos básicos do homem contra a pirataria, o tráfico de escravos e a exploração de mulheres e crianças. Agora estamos protegendo o mais fundamental de todos os direitos: o direito à existência de todos os grupos humanos".
Entre os países que defenderam com maior vigor a declaração dos direitos do homem destacaram-se os latino-americanos, além da Grã-Bretanha e do Canadá, cujos delegados salientaram a transcendental importância que o dcoumento tem para a humanidade.

O delegado brasileiro, Austragésilo de Athayde, proclamou ser de grande importância que os direitos humanos sejam protegidos entre todos os povos por um método de justiça e segurança internacional: "Confiamos em que o projeto de declaração será o arauto de uma nova era de liberdade e de justiça".
A declaração foi considerada um dos mais importantes documentos da história da ONU, de acordo com a qual a humanidade marchará para a adoção de um estilo de governo que beneficie o ser humano".

Confira amanhã: Em 1936 - Edward VIII, um conto de fadas às avessas


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1977 - A hora da estrela Clarice Lispector

Jornal do Brasil: Sábado, 10 de dezembro de 1977 - capa do Caderno B

"E agora - agora só me resta acender um cigarro e ir para casa. Meu Deus, só agora me lembrei que a gente morre. Mas - Mas eu também?! Não esquecer que, por enquanto, é tempo de morangos".
Clarice Lispector
em sua última obra, A hora da estrela.

Clarice Lispector. Reprodução/CPDoc JB
O meio literário brasileiro ficou mais pobre. A escritora Clarice Lispector, 57 anos, morreu em um hospital na Lagoa, Zona Sul do Rio, onde estava internada em conseqüência de uma neoplasia generalizada.





Clarice veio de longe para criar no Brasil uma literatura feminina com dimensões particulares. Nascida na Ucrânia, chegou ao país com dois meses de idade. Foi no Recife que viveu sua infância e descobriu o prazer da literatura.

Na juventude, mudou-se para o Rio de Janeiro e publicou seu primeiro conto. Não parou mais, como era seu desejo, declarado um ano antes de sua morte, ao conquistar o Prêmio Brasília pelo conjunto de obras publicadas: "Eu não me aposentarei. Espero morrer escrevendo".


Clarice Lispector. Reprodução/CPDoc JB

Clarice aprendeu a língua portuguesa como poucos, e suas obras refletem o deslumbramento pela sonoridade das palavras brasileiras.

Uma narrativa que entrelaça harmonicamente conceitos metafísicos e o trivial cotidiano, fruto de um método sempre presente no trabalho da autora. Registrava as frases, à medida que lhe viam ao pensamento, e depois costurava-as, com o seu estilo inconfundível.

Chegada a hora da estrela Clarice, ficou a saudade e um inestimável acervo para a literatura brasileira. É na releitura de seus textos que nos certificamos que jamais morrerá quem os escreveu.






Confira amanhã: Em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos




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8 de dezembro de 1994: Morre Tom Jobim. É o fim do caminho ...

Jornalo do Brasil: Sexta-feira, 9 de dezembro de 1994
O compositor carioca Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim morreu aos 67 anos em Nova Iorque, onde se recuperava de uma cirurgia. O garoto de Ipanema, nasceu na Tijuca no dia 25 de janeiro de 1927, foi aquele que desde criança teve por companhia um piano.

Tom Jobim decidira estudar arquitetura - tinha "jeito para desenho" - mas depois de um ano abandonou a faculdade pelos bares enfumaçados de Copacabana, onde começou a tocar piano para casais.

Abaixo o vídeo do Jornal do Brasil em homenagem a Tom Jobim:


Em 1952, já trabalhava na gravadora Continental, fazendo arranjos para os cantores da época e compôs com Billy Blanco Sinfonia do Rio de Janeiro. A partir daí, sua música começa a cair no gosto público. Com Vinícius de Moraes musicou a peça Orfeu da Conceição, dando início a uma das suas mais célebres parcerias. E em 1958, convidou João Gilberto para tocar violão no disco Canção do Amor Demais, em que Elizeth Cardoso interpreta músicas suas e de Vinícius. A concretização da bossa nova veio com o LP Chega de Saudade, interpretado por João Gilberto, com arranjos e direção musical de Tom, e cuja música seria apresentada em Nova York em 1962. São dessa época suas músicas mais conhecidas, mas seu repertório é imenso.

No dia da sua morte, a cidade parou e foi decretado luto por três dias. Do Galeão até o Jardim Botânico, onde seu corpo foi velado ao som de Chega de Saudade, o cortejo que o acompanhou demorou quatro horas.

Tom Jobim - CPDoc JB

Confira aqui, momentos da trajetória de Tom Jobim.






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1970 - O seqüestro do embaixador suíço

Jornal do Brasil: terça-feira, 8 de dezembro de 1970 - página 3



O embaixador Giovanni Enrico Bucher teve o seu automóvel - o Biuck CD-58 - interceptado pouco antes das 9h da manhã em frente ao nº 63 da Rua Conde de Baependi, em Laranjeiras, pelo Volkswagem GB 35-40-41. Os sequestradores saltaram de diversos carros e levaram o diplomata, que estava na companhia de seu motorista e do agente federal Hélio Carvalho de Araújo. O policial recebeu um tiro na espinha, quando tentava sacar de sua arma, e deu entrada, em estado grave no Hospital Miguel Couto.



Pouco depois do episódio, os órgãos de segurança desencadearam um amplo esquema de busca ao grupo e ao diplomata, com ostensiva vigilância. A ação policial praticamente paralisou a cidade naquele dia. A polícia bloqueou os pontos que considerou importantes e neles impôs o tráfego em fila indiana, revistando todos os veículos e seus passageiros, inclusive os transportes coletivos, cujos passageiros eram obrigados a desembarcar.

O policial baleado não resistiu aos ferimentos e faleceu três dias depois.

Embarque dos presos políticos para o Chile. Evandro Teixeira/CPDoc JB

A libertação do embaixador foi condicionada à liberação de 70 presos políticos, exigência do grupo de seqüestradores. A negociação perdurou mais de um mês. Os presos deportados seguiram para o para o Chile na madrugada de 14 de janeiro de 1971.


E, após 40 dias de cativeiro, o representante estrangeiro foi liberado no bairro da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro.


A tática de pressão para libertar presos políticos adotada por organizações da esquerda na guerrilha urbana do início dos anos 70 fez do embaixador suíço sua quarta vítima num período pouco maior que um ano.

Em resposta, o governo manteve fortíssima repreensão aos chamados terroristas, promovendo inúmeras prisões e fazendo desse um dos períodos mais truculentos da ditadura.




Confira amanhã: 1994 - É o fim do caminho.



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1951: Projeto de criação da Petrobrás

Jornal dp Brasil: Sexta-feira, 7 de dezembro de 1951


Com a finalidade de solucionar o grave problema do petróleo nacional, o Chefe do Governo, Getúlio Vargas enviou ao Congresso Nacional a proposta de criação de uma empresa mista de capital público e privado.

Foram apresentadas duas propostas de lei. Uma destinada à criação da empresa com o nome de Petróleo Brasileiro S. A. - Petrobras, que terá por obejtivo industrializar o petróleo no Brasil. A outra proposta destina-se a prover a mesma empresa de recursos financeiros necessários.

A União Federal deterá 51%, no mínimo, das ações com direito a voto em qualquer fase da integralização do capital da empresa. O controle oficial se estenderá à administração da empresa por meio do Conselho Nacional do Petróleo. O Presidente da República nomeará quatro diretores e escolherá dentre eles o presidente da sociedade.

Getúlio Vargas
Para fazer face às despesas programadas estão previstas nos projetos de lei várias fontes, entre elas: uma parte do imposto único sobre combustíveis líquidos e lubrificantes, que constituirá o Fundo Rodoviário Nacional; o imposto de 5% sobre a remessa de recursos para o exterior destinados ao pagamento de importações de veículos, suas peças e acessórios; a contribuição obrigatória dos proprietários de veículos seja terrestres, aquáticos ou aéreos.

O imposto de luxo ou supérfluo e o de importação de automóveis e embarcações para fins de recreio serão aumentados.

A nova empresa mista ficará financeiramente habilitada a empreender o programa de ação traçado, o qual abrange; a ampliação da indústria do refino de petróleo já existente, em execução ou planejada; o aumento da frota de petroleiros; e, principalmente, a pesquisa e a produção de óleo mineral natural.

O projeto foi aprovado em 3 de outubro de 1953. Para saber mais, clique aqui.

Confira amanhã: Em 1970, o seqüestro do embaixador suíço.


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1908 - A Cruz Vermelha Brasileira

Jornal do Brasil: Segunda-feira, 7 de dezembro de 1908 - página 6
Realizou-se no salão da Sociedade de Geografia, centro do Rio de Janeiro, no sábado à tarde, a assembléia geral que aprovou a proposta encaminhada pelos senhores Dr. Salles Filho e Major Belisário Pernambuco, fundando a Sociedade da Cruz Vermelha Brasileira.

Na ocasião, foi aclamado o Barão do Rio Branco seu presidente de honra, aprovado seu estatuto e eleito o seu Conselho Diretor. Tornava-se, assim, a Cruz Vermelha Brasileira uma instituição de socorro voluntário modelar, autônoma, auxiliar dos poderes públicos e dos serviços militares de saúde, conforme as determinações das Convenções de Genebra.


Com propósito maior em favor do bem-estar da comunidade, a Cruz Vermelha atua em diversos programas, divulgando e desenvolvendo seus princípios fundamentais: humanidade, imparcialidade, neutralidade, independência, voluntariado, unidade e universidade.

Essas iniciativas estendem-se ao campo da educação, da assistência social, da prevenção de doenças, do combate de epidemias, fome e muito mais. Em tempos de guerra ou paz, trabalha a serviço de feridos, prisioneiros, refugiados, enfermos, deficientes, sem discriminar etnia ou nacionalidade.

A Socidade da Cruz Vermelha Brasileira foi reconhecida pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha em 1912.


Confira amanhã: 1951 - Projeto de criação da Petrobas



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1982: China tem nova Constituição

Jornal do Brasil: Domingo, 5 de dezembro de 1982


A China adotou uma nova constituição, em que são repelidos alguns dogmas extremistas da Revolução Cultural de Mao Tse-Tung e estabelecida a reorganização do Partido Comunista Chinês.

O projeto da Carta Magna do povo chinês, redigido depois de longas e até ásperas discussões, foi aprovado pela Assembléia Nacional Popular (ANP).

Pela nova Carta, a China vai dar mais ênfase ao desenvolvimento econômico, quando abre o país para os investimentos e a participação estrangeira. E vai ser restaurado o cargo de presidente da República, abolido por Mao em 1968.

A nova Constituição se inspirou na aprovada em 1954, em que foi suprimido o papel político das comunas populares, deixando-lhes apenas funções econômicas. As diretrizes políticas foram transferidas para as assembléias e governos locais eleitos nas comunas, de acordo com um sistema já existente na Constituição de 1954. As 54 mil comunas que existiam eram peças-chave do coletivismo agrário instaurado por Mao a partir do "grande saldo adiante" de 1958, que pretendia tornar a China uma nação desenvolvida e socialmente igualitária em tempo recorde.

Pela nova Constituição, a Ilha Taiwan (antiga Formosa) é considerada "sagrado território chinês", em cuja reunificação o governo se empenhará.

Apesar de suprimido o direito de greve, o cidadão chinês pode ter maior participação política graças à ampliação dos direitos civis. É reconhecida também perante a lei a igualdade de todos, liberdade de trabalho e proteção contra as prisões arbitrárias.
É reconhecida ainda a liberdade religiosa, mas "os assuntos religiosos não deveriam ser controlados por forças estrangeiras", o que impede a influência do Vaticano sobre a Igreja Católica Chinesa. E, em um país com 1,3 bilhão de habitantes, é obrigatório para todos os casais o planejamento familiar.

Confirma amanhã: Em 1908, a Cruz Vermelha Brasileira


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1902 - Morre Prudente de Morais

Capa do Jornal do Brasil - edição da tarde: Sexta-feira, 3 de dezembro de 1902.
"Enquanto cá fora
o mundo político
turbilhonava
nas suas mutações
imprevistas
e a imoralidade
sem peias
campeava no poder,
no seu tranqüilo retiro
de Piracicaba,
cercado dos filhos,
únicos amigos
que lhe restaram fiéis,
o venerando
primeiro presidente
civil da República
extenuava-se
em uma agonia
acabrunhadora
e lenta...
Paz à sua alma!"

Jornal do Brasil


O ex-presidente Prudente de Morais morreu vítima de tuberculose. Ele estava na companhia da família, em sua casa no interior de São Paulo. Prudente José de Morais e Barros nasceu na cidade paulista de Itú, no dia 4 de outubro de 1841. Formado em Direito, começou sua carreira política em Piracicaba, como vereador. Ainda no Império, elegeu-se deputado. Declarando-se republicano, defen deu o abolicionismo e o federalismo, ascendendo politicamente após a proclamação da República. Chegou a governador de São Paulo, passando posteriormente ao Senado, onde presidiu a Constituinte de 1891.

Nesse ano, disputou a Presidência pela primeira vez, e acabou vencido por Deodoro da Fonseca. Em 1894, concorreu novamente ao poder e derrotou Floriano Peixoto.

Governou o Brasil até 1898. Já doente, entregou o cargo a Campos Salles, encerrou a carreira política, e retornou para o interior paulista, onde viveu seus últimos anos exercendo a advocacia.






O governo Prudente de Morais

A gestão de Prudente de Morais (1894-1898) não foi pacífica. Além de turbulências políticas advindas da oposição de florianistas e monarquistas, teve na Guerra de Canudos (1896-1897), no sertão da Bahia, sua fase mais tensa.

Com a vitória do exército em Canudos e uma fracassada tentativa de atentado contra sua vida dias depois, Prudente de Morais chegou com grande popularidade ao fim de seu mandato.





Amanhã: Em 1982, a nova constituição chinesa



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1975: D. Pedro II, quem era esse senhor?

Jornal do Brasil: Sábado, 29 de novembro de 1975
Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Bragança, ou simplesmente Pedro II, nasceu no Palácio de São Cristóvão (Quinta da Boa Vista), Rio de Janeiro, a 2 de dezembro de 1825.

Passados 150 anos de seu nascimento, o Jornal do Brasil tentou traçar um perfil do imperador por meio de relatos de estudiosos e pesquisas em jornais da época. Sua avaliação como homem e mais ainda como político é tão contraditória quanto a avaliação do Segundo Reinado.
.ASSUNTO // LEILAO DE FOTOS ANTIGAS -  CADERNO B/CAB 20JUN02


A figura de dom Pedro é muito controvertida. Sua aparência fidalga se perdia um pouco quando o imperador trajava o manto Papo de Tucano (meias apertadas, o que realçava as pernas finas de mais em relação ao corpo). Foi chamado de Pedro Banana, ou ditador e tirano. Mas veio ao mundo para mandar, apesar de seu cacoete "já sei, já sei" ao fim de cada frase ter sido motivo de chacota, pelo menos na Rua do Ouvidor.

Quando dom Pedro I abdicou, Pedro II tinha cinco anos. Ficou no Brasil, tendo como tutor José Bonifácio de Andrada e Silva e, depois, como mestres grandes professores da época. Foi aclamado imperador aos seis anos de idade e assumiu o trono aos 15 anos. Terminou seu reinado com proclamação da republica, 48 anos depois.

Morreu em Paris, aos 66 anos, e hoje seus restos mortais repousam em Petrópolis.

O Brasil Monárquico

".... Empenhava-se pela extinção do trabalho escravo mas achava que toda prudência era pouca nessa matéria. Gostaria que o Brasil tivesse em ordem as finanças e a moeda bem sólida, ainda que esse desejo pudesse conturbar a promoção do progresso material, da imigração, que também desejava. Ora, a meticulosa prudência deixa de ser virtude no momento em que passa a ser estorvo: lastro demais para pouca vela". Ségio Buarque de Holanda

Confirma amanhã: Em 1902, morre Prudente de Morais




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1988 - Abraço à solidariedade

"Solidariedade, amigos,
não se agradece, comemora-se"
.
Betinho


Jornal do Brasil: 2 de dezembro de 1988 - página 3 do Caderno Cidade


Mais de 200 pessoas atenderam ao chamado do "Solidariedade - abrace este sentimento", slogan da campanha pela luta contra à Aids, e se deram as mãos em torno do Cristo Redentor, no Rio, simbolizando um grande abraço. Ao som da música "O Bêbado e o Equilibrista", uma gigantesca faixa com a inscrição "Aids - Solidariedade" foi estendida aos pés do monumento, dezenas de pombas brancas foram soltas e balões lançados ao ar. Entre os presentes estava o sociólogo e ativista político Herbert de Souza, o Betinho, soro-positivo e presidente da Associação Brasileira Interdisciplinar contra a Aids - ABIA.

Pela primeira vez, o Brasil participava do Dia Mundial de Luta Contra a Aids, reconhecida pela Organização Mundial de Saúde - OMS - como um problema mundial.


A campanha teve
os objetivos
de divulgar informações
sobre a transmissão da doença
e despertar na população
e nos profissionais de saúde
o sentimento de solidariedade
aos portadores do vírus,
vítimas do preconceito
e da desinformação.

Reivindicou também
a atuação da saúde pública
no cumprimento
de um programa efetivo
para prevenir
a contaminação do vírus
e oferecer condições dignas
de atendimento ao pacientes.




Amanhã: Em 1975 - D. Pedro II, quem era este senhor?


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