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1964: Brigitte Bardot em Búzios

Jornal do Brasil: Domingo, 27 de dezembro de 1964
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Na Praia de Búzios, 26 km distante de Cabo Frio, Brigitte Bardot e seu noivo, Bob Zaguri encontravam-se hospedada na casa do Secretário da Embaixada da França, onde comemoraram o Natal.

Novamente em guerra com a imprensa, Brigitte passou seu Natal sem permitir qualquer aproximação com os repórteres. Nem mesmo quando o prefeito de Cabo Frio solicitou-lhe permissão para realizar um ato simples, a fim de entregar-lhe o título de cidadã honorária e um terreno a ela doado.

Os pescadores tinham uma singular imagem de Brigitte. Alheios ao mito, consideravam-na "uma criança bonita, parecida com uma boneca de olhos verdes, que tem medo de ser encarada e se irrita com a aglomeração". A criançada porém, a tinha conquistado. Os filhos dos pescadores eram aliados e informantes de Brigitte. Exercendo uma atividade de contra-espionagem, informavam qualquer estranho que rodeasse as cercanias. Uma relação baseada na amizade e carinho mútuos.

Com a missão de conseguir alguma notícia sobre o natal da bela, inúmeros repórteres e fotógrafos de revistas e jornais nacionais e franceses se empreenderam uma autêntica batalha. Depois de horas de prontidão, os profissionais realizaram a operação despiste. Simulando a desistência, esconderam os veículos no mato e cada um escolheu um lugar estratégico.

Brigitte acreditou que estava livre saiu para andar na praia. De biquíni amarelo e a pele bronzeada foi em direção exata ao local onde estava o fotógrafo do Jornal do Brasil. Avisada pela gurizada, correu para casa, mas já era tarde. Apesar de tudo, disse que o prefeito foi um "bom Papai Noel", com a doação do terreno 20x40 metros. Porém, não voltou mais.

Uma velha colônia de Pescadores



Búzios na época, ainda era distrito de Cabo Frio e apresentava a tranquilidade e a beleza primitiva da colônia de pescadores. Com apenas algumas casas separadas por uma rua poeirenta e mal iluminada, dois botequins eram o ponto de reunião da comunidade.



Seus personagens, os caiçaras, pescadores que viviam da pesca e se lançavam ao mar com o nascer do sol só voltando ao entardecer.




Eles entenderam-se e facilmente com Brigitte e, num pacto silencioso, procuram não aborrecê-la. Ela passeava à vontade entre eles, curiosa, ajudava-os a encostar suas canoas e a enrolar suas redes.






24 de dezembro de 1964 -  fotos de Walter Firmo 24 de dezembro de 1964 -  fotos de Walter Firmo

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17 de dezembro de 1961 - O incêndio do Gran Circus em Niterói

O que era para ser uma inesquecível tarde de domingo com a estréia do Gran Circus norte-americano em Niterói, tornou-se o dia mais triste da história da cidade.
Primeira página do Jornal do Brasil: 19 de dezembro de 1961

Num gesto de vingança decorrente de um desentendimento com a administração, um ex-empregado ateou fogo à lona do picadeiro durante o espetáculo, dando início a um incêndio que logo atingiu dimensões incontroláveis. O tecido de cobertura, altamente inflamável, foi rapidamente tomado pelas chamas, caindo em gotas incandescentes sobre a platéia, onde se encontrava um público superior a três mil espectadores, crianças em sua grande maioria.

O pânico foi imediato. Chamas, fumaça, calor, gritos. Pessoas desesperadas buscavam as saídas, esbarrando-se umas nas outras e atropelando as que caiam no chão. O fogo, ao alcançar a cúpula da arena fez com que a lona desabasse. Quando chegou ao local o primeiro contingente do Corpo de Bombeiros, nada mais havia a fazer senão resgatar os sobreviventes, pois em pouco mais de 50 minutos, só restavam, além de destroços, corpos carbonizados e pisoteados.



Mas nem mesmo a dor da perda de parentes, conhecidos e mesmo anônimos, impediu que Niterói se mobilizasse num movimento de solidariedade.

Os feridos foram socorridos no Hospital Antônio Pedro, que recebeu inúmeros voluntários para doação de sangue, alimentos e medicamentos, arrecadados também em postos de coleta espalhados por vários pontos da cidade.

Além das quase 400 mortes registradas no local do incêndio, mais uma centena de vítimas não resistiu aos ferimentos, e morreu nos dias subseqüentes. Além do mentor do crime, réu confesso, dois outros cúmplices foram condenados.

Tragédia Grand Circus de Niterói


Profeta que nasceu das cinzas
Entre as tantas pessoas que se comoveram com a tragédia de Niterói havia José Datrino, um empresário do setor de transportes de cargas no Rio. Interpretando a queima do circo como um metáfora do incêndio do mundo, sentiu-se chamado para abandonar o mundo material e se dedicar apenas ao espiritual. Assim, deixou tudo para trás e seguiu para Niterói, passando a viver como o profeta Gentileza. E foi no próprio terreno do incêndio que começou a reconstruir o mundo, transformando o local num belíssimo jardim, e levando ao próximo seus ideais de gentileza e paz.

Tragédia Grand Circus de Niterói - Imagem CPDoc JB

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