"Sempre correspondendo do melhor modo à confiança do público, como prometeu no seu primeiro editorial, ao ser lançado à publicidade na quinta-feira pela manhã, 9 de abril de 1891 - o JORNAL DO BRASIL entra hoje no seu 75º ano de atividades em defesa das instituições republicanas, do regime democrático, do bem-estar do povo e do progresso do país".
Jornal do Brasil
Na linha de frente
do jornalismo brasileiro,
o Jornal do Brasil
percorreu sua história
dentro do espírito
de constante renovação
gráfica e editorial,
atuando
incondicionalmente
na defesa do bem público
e das instituições nacionais.
Por ocasião da sua fundação, e mesmo apoiando o regime monárquico, afirmou no editorial de estréia que apesar de não ter participado do processo de instauração da república, se empenharia, em nome do patriotismo, em cooperar com a sua consolidação. Pouco depois, se lançou em outra campanha, combatendo com vigor o projeto de transferência da Capital do País para o Planalto Central, por considerá-lo prejudicial aos interesses do Rio de Janeiro e do seu povo. A questão, originalmente defendida pelo Marques de Pombal, voltou a ser discutida na elaboração da primeira constituição republicana, o primeiro processo político constituinte coberto pelo Jornal do Brasil.
Sem descanso, levantou a bandeira da urbanização da cidade, lançando a coluna
Melhoramentos Urbanos. No plano nacional, apoiou a expansão da colonização do Brasil com a utilização de mão-de-obra estrangeira, a construção de estradas e a melhoria dos serviços de transmissão de notícias. Publicou a sua primeira edição especial,
O Grande Morto - com o anúncio da morte de D. Pedro II na Europa. Assim o Jornal do Brasil escreveu o seu primeiro ano de vida, com a chefia de redação ocupada por Rui Barbosa, que afirmava: "
O Governo, ou a Oposição, não tem para nós senão a cor da lei que envolve o procedimento de um, ou as pretensões da outra; fora do terreno jurídico, nossa inspiração procurará beber sempre na ciência, nos exemplos liberais, no respeito às boas praxes antigas, na simpatia pelas renovações benfazejas, conciliando, quanto possível, o gênio da tradição inteligente coma prática do progresso cautelo".
Os desafios não cessaram. Ainda no século XIX o jornal ganhou popularidade ao protagonizar uma pesquisa de opinião pública questionando as preferências políticas dos seus leitores. No alvorecer do século XX, manteve-se firme na luta por seus ideais. Liderou iniciativas de saneamento e modernização da cidade. Chamou atenção para os problemas sociais refletidos no crescimento das favelas, apontando o descaso do poder público. Instituiu concursos populares sorteando casas. Estabeleceu ações em favor da preservação das pequenas sociedades carnavalescas sem reconhecimento oficial. Promoveu a construção de coretos para animar o carnaval de rua, e realizou o
Primeiro Campeonato Carnavalesco das Grandes e Pequenas Sociedades em 1920.
Na década de 50 o Jornal do Brasil liderou a revolução gráfica e editorial da imprensa brasileira, tornando-se referência e inspiração para os demais jornais do país.
Nos dias da construção de Brasília, da gestação do Cinema Novo, da intimidade da Bossa Nova e da expansão industrial do país, criou o Suplemento Dominical para valorizar a criatividade em experiências gráfico-editoriais.
Esse espaço abrigou a explosão da nova cultura brasileira, abrangendo as artes visuais e a literatura, com destaque para a poesia concreta.
O suplemento floresceu apoiando decididamente a inovação, acolhendo sem reservas experimentações das mais diversas tendências artísticas e literárias.

E em pouco tempo, a efervescência cultural em evidência no país ganhou lugar cativo e definitivo com o lançamento do Caderno B, primeiro suplemento diário de cultura do jornalismo brasileiro, o qual abrigaria os principais momentos da cultura no Brasil a partir da segunda metade do século XX.
Nos anos 60, a ousadia editorial do Jornal do Brasil atingiu o cerne da notícia, com a implementação de um novo modelo de jornalismo: mais vibrante, mais noticioso, mais reflexivo e, sobretudo, mais voltado para o cidadão. O Departamento de Pesquisa e Documentação (DPD) conquistou então o seu espaço nas páginas do jornal, tornando-se uma nova editoria. De plantão, e em edições extraordinárias, a publicação das matérias do DPD sinalizou a vanguarda do Jornal do Brasil no aprofundamento da informação jornalística, com a interpretação dos fatos e a inserção da notícia em seu contexto histórico, com o propósito de integrar e reconciliar o homem desinformado com o seu tempo, quebrando a barreira entre os acontecimentos e suas implicações.
Em 1965 o Jornal do Brasil mantinha-se em plena atividade: inovador e atuante, como ficou registrado no documentário
Um Moço de 74 Anos, do cineasta Nelson Pereira dos Santos, e a própria história se incumbiu de constatar. Nos anos seguintes, o jornal testemunharia os fatos mais marcantes da segunda metade do século XX no Brasil e no mundo. Aplaudiria as lutas democráticas e de independência dos povos, apoiaria as manifestações sociais contra a opressão e pela justiça em todos os planos. Incansável, não hesitou em noticiar a verdade dos fatos, independente das circunstâncias em que se apresentassem.
Comemorações do IV Centenário da Cidade do Rio de Janeiro
"Rio Branco desde
21 de fevereiro de 1912,
em memória do Barão,
ela volta a ter,
a partir de hoje,
por iniciativa
da gente cá de casa,
o nome simples
que o povo lhe deu em 1905,
quando foi inaugurada:
Avenida Central."
Jornal do Brasil
Uma placa devolvendo à Avenida Rio Branco o seu nome original de Avenida Central foi descerrada na esquina com a Avenida Presidente Vargas. Uma iniciativa do Jornal do Brasil no dia do seu 74º aniversário, compreendida entre as homenagens pelo 4º centenário da fundação do Rio de Janeiro, celebrado nesse ano. Entre as comemorações figuravam igualmente uma série de fascículos sobre a história do Rio, e o curta-metragem O Rio de Machado de Assis, de Nelson Pereira dos Santos, revisitando lugares e fatos da cidade vividos pelo grande escritor, um dos seus mais célebres filhos.
CPDoc JB - a memória viva do Jornal do Brasil
A memória dos 117 anos de história do Jornal do Brasil mantém-se viva no
Centro de Pesquisa e Documentação do Jornal do Brasil (CPDoc JB), orgão responsável pela guarda e administração do acervo jornalístico do Jornal do Brasil. Este acervo compreende a coleção centenária, os arquivos fotográfico e textual, e a biblioteca de referência. O arquivo de fotos armazena mais de dois milhões de fotos em papel e 13 milhões em negativos produzidos a partir da década de 50, organizados por assunto, com ênfase em personalidades e eventos relevantes da vida política, econômica e cultural do país. O arquivo de textos guarda recortes dos principais jornais e revistas, nacionais e internacionais, catalogados por temas, reunidos desde a década de 60. A coleção centenária é formada por originais impressos do Jornal do Brasil e respectivos microfilmes, desde a sua fundação até o presente. Está acondicionada de maneira apropriada e organizada cronologicamente.
O CPDoc JB atende aos diversos veículos do Grupo CBM e a clientes externos na realização de pesquisas documentais, textuais e fotográficas, recentes e históricas.
Amanhã: 1985 - Assim eu vejo a vida