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1981 - Atentado no Riocentro

Jornal do Brasil: Sexta-feira, 1 de maio de 1981

Duas bombas explodiram no Riocentro quando era realizado um show em homenagem ao 1º de Maio, com a participação de vários cantores de música popular brasileira.
A primeira bomba explodiu no interior do automóvel Puma cinza metálico RJ - 0297 que manobrava na pista do estacionamento enquanto, a 120 metros de distância, a cantora Elba Ramalho abria o show promovido pelo Centro Brasil Democrático. Uma segunda bomba explodiu 10 minutos depois, na casa de força do Riocentro. Uma terceira bomba que não explodiu foi recolhida pela polícia no automóvel destruído.

Os passageiros do Puma eram o Sargento Guilherme Pereira do Rosário, que morreu na hora, e o capitão Wilson Luis Chaves Machado, que ficou gravemente ferido. O carro estava cheio de explosivos e ficou parcialmente destruído. Os policiais encontram e recolheram partes dos corpos dos seus ocupantes em pontos distantes mais de 50 metros do carro.

A área teve sua faixa de isolamento ampliada e o policiamento foi duplicado, tendo sido proibido fotografar a qualquer distância do local. A intenção dos policiais era evitor que os fotógrafos e as câmeras de televisão documentassem o ocorrido. O Exército assumiu a responsabilidade de investigar o atentado.
Jornal do Brasil: Sábado, 2 de maio de 1981



Em 1974, Ernesto Geisel havia sinalizado, através de discursos e declarações, que iniciaria a abertura política de forma lenta, gradual e segura. Os civis e militares contrários à redemocratização iniciaram então um processo violento contra os grupos que faziam oposição ao regime militar. Foram vários os casos de tortura, assassinatos, bombas, e execuções por esquadrões da morte.


A bomba explodiu no governo

A bomba arrebentou com a credibilidade do governo. O Exército assumiu as investigações e, contra os laudos periciais que indicaram que uma das bombas explodira no colo do sargento, concluiu que os dois militares, em vez de autores do atentado, teriam sido vítimas de um ato terrorista.

Foi realizada uma nova investigação, que não respondeu à principal pergunta: quem mandou explodir a bomba no Riocentro e até que ponto o conhecimento desse atentado subiu a escala hierárquica das Forças Armadas.

Até hoje o atentado não foi totalmente esclarecido.



Amanhã: Em 1940, a festa do proletariado


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1980 - Chega ao fim uma Era de suspenses

Alfred Hitchcock. Reprodução/CPDoc JB

"Sempre adorei a história: um homem anda pela rua lendo o jornal. Há, logo à frente, um buraco de esgoto. Os espectadores olham: será que ele vai cair? O homem cai. Todos estouram de rir. A câmara se aproxima: o sangue corre de sua cabeça. Polícia, ambulância, hospital. Sua mulher e seus filhos chegam. Ele morre. Uma tragédia parte de um ponto cômico, mas o público riu, e agora está furioso e se sente ridículo. Não vejo uma linha real de demarcação entre a tragédia e a comédia". Hitchcock

O cineasta britânico Alfred Joseph Hitchcock, 80 anos, morreu em Bel Air, na Califórnia. Era o fim da história do mestre do suspense que impressionou gerações brincando com o medo e a morte.

Primeira página do Caderno B do Jornal do Brasil: quarta-feira, 30 de abril de 1980
Hitchcock ingressou no cinema europeu nos anos 20, como roteirista e criador de legendas para filmes mudos. Dirigiu seu primeiro filme em 1925 e depois seguiu para a América.
Experimentou diferentes recursos dramáticos em suas tramas, onde o humor e o suspense eram sempre ingredientes inseparáveis. Deixou um legado com mais de 60 títulos. Embora indicado seis vezes ao Oscar, jamais foi contemplado com a cobiçada estatueta Melhor Diretor da Academia de Cinema. Entre suas excentricidades, fazia aparições fugazes em seus filmes, quase sempre em circunstâncias inusitadas.

Popularidade de Hitchcock nas telas da tv

A partir da década de 50, Hitchcock aproximou-se do grande público apresentando um seriado na tv: Alfred Hitchcock Presents.

Com histórias criativas, cheias de humor negro e de suspense, o diretor trazia para os severos padrões da televisão americana a perversão dos princípios éticos da sociedade. Nunca a sua imagem e as suas idiossincrasias foram tão difundidas. A série atravessaria também a década seguinte. E com a popularidade alcançada, Hitchcock ganharia mais fôlego para a criação de novos trabalhos, garantido sucesso absoluto no mundo inteiro.


Amanhã: 1981 - Atentado no Riocentro


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1945 - A execução de Mussolini

Jornal do Brasil: Terça-feira, 1 de maio de 1945
A luta prosseguiu durante toda a noite e morreram de 150 a 200 guerrilheiros. Ao amanhecer a cidade estava dominada pelo comitê nacional de libertação. A Itália se achava quase completamente ocupada pelos aliados, e poucos dias depois terminaria a Segunda Guerra Mundial.

Uma multidão amarrou com arames os cadáveres de Mussolini e da sua amante Clara Petacci pelos joelhos, pendurando-os numa viga num posto de gasolina.

A população tomada de fúria indescritível, pisoteou repetidamente a face do ex-Duce, até que se tornou impossível reconhecer à primeira vista as feições características do antigo ditador, que governou o pais durante duas décadas. Todos os dentes foram arrancados em conseqüência de pontapés. A saia de Clara Petacci foi arrancada e a multidão cuspiu sobre ambos os cadáveres. Junto aos corpos haviam sido colocados os de outros quatro fascistas.

Os cadáveres foram removidos por um caminhão para o necrotério público, onde foram colocados em local onde pudessem ser vistos por toda a gente. Já então, a cabeça de Mussolini se havia convertido numa massa amorfa, irreconhecível. Em contraste com o horrível aspectos do seu amante, Clara Petacci permanecia formosa mesmo na morte. Embora com a dentadura desfalcada e ensangüentada, e o cabelo a revolta, continuava bonita. Seu corpo, que a multidão desnudara parcialmente, foi coberto com uma calça velha de homem.

Ricardo Lombardi, novo prefeito da Província de Milão, disse que o fuzilamento de Mussolini foi perfeitamente legal, posto que o Comitê Nacional de Libertação havia proclamado que todos os fascistas armados se encontravam fora da lei.

Dulce foi vingado à Italiana

Benito Amilcare Andrea Mussolini nasceu em Dovia di Predappio, na província de Forli, em 29 de julho de 1883, filho de um ferreiro. Começou a trabalhar como professor, mas logo seu interesse se voltou para a revolução. Seu prestígio aumentava e em 1911, Mussolini já era um dos principais dirigentes da Itália fascista. Governou a Itália com poderes ditatoriais entre 1922 e 1943, autodeterminando-se Duce, que significa em italiano "o condutor". Mussolini fugia para Suíça com a amante quando foi preso ao ser identificado numa barreira dos guerrilheiros antifacistas.


Amanhã: Em 1980, chega ao fim uma Era de suspenses

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1925 - Palácio Monroe abriga Senado

Jornal do Brasil: Terça-feira, 28 de abril de 1925.







O Pavilhão Monroe foi entregue à Mesa do Senado Federal na presença do Vice-Presidente da República Estácio Coimbra, do Senador Mendonça Martins, e do Sr. Mozart Lago, representante do Ministro da Justiça Antônio Azeredo.

A proposta era servir à casa, como abrigou provisoriamente a Câmara de Deputados durante a construção da sede oficial (Palácio Tiradentes), inaugurada durante as comemorações do centenário da Independência em 1922.

Para tanto, passou por obras de expansão e alteração em sua infra-estrututa.





O Palácio Monroe foi projetado originalmente para ser o Pavilhão do Brasil, e funcionar como vitrine para produtos nacionais na Exposição Internacional de Saint Louis, no estado americano do Missouri, em 1904. Contudo, havia a obrigatoriedade da sua posterior transferência para da Capital do Brasil. Dessa forma, o idealizador do projeto, Coronel Francisco Marcelino de Sousa Aguiar, concebeu uma estrutura metálica desmontável, capaz de ser remanejada quando do encerramento do evento. Sua notabilidade arquitetônica teve reconhecimento internacional com a conquista da medalha de ouro no Prêmio Mundial de Arquitetura, o mais concorrido emblema do gênero à época.

Encerrado o evento, o pavilhão foi transportado para o Rio de Janeiro, sendo a primeira edificação erguida na Avenida Central após sua inauguração no ano anterior, e sediou a Terceira Conferência Pan-Americana. Por esse mérito, a construção, com nome original Palácio de Saint-Louis, recebeu em 1906 o título Palácio Monroe, por sugestão do Barão do Rio Branco, Ministro das Relações Exteriores, em homenagem ao Presidente norte-americano, James Monroe, fundador do Pan-Americanismo.

História de glórias fadada a escombros

Após abrigar o Senado, fechado durante o Estado Novo, o Palácio Monroe foi endereço interino do Tribunal Superior Eleitoral. Com a transferência da capital para Brasília, exerceu a função de escritório de representação do Senado no Rio de Janeiro. Durante o Regime Militar, sediou o Estado-Maior das Forças-Armadas. Ainda nos anos 70 acabou vencido por uma campanha que, alegando questões estéticas e de engenharia de trânsito, prescreveu seus últimos dias, consumados com uma ordem federal de demolição. O desmonte, quase artesanal, durou meses, chegando ao fim no inverno de 1976.


Amanhã: 1945 - A execução de Mussolini


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1986 - O terrível acidente nuclear

Jornal do Brasil: Quarta-feira, 30 de abril de 1986
Um acidente na usina nuclear soviética de Chernobyl, localizada perto de Kiev, propagou radioatividade por mais de 1 mil 500 quilômetros de distância, atingindo até os países escandinavos. Índices anormais de radioatividade começaram a ser observados na Noruega, Dinamarca, Suécia e Finlândia antes do anúncio oficial do governo de Mikhail Gorbatchov.

O sinal de alarme foi dado quando um empregado da central nuclear sueca de Forsmark passou pela manhã no controle de entrada e foi constatada radioatividade em sua roupa. Chegou-se a decretar estado de alarme ante a suspeita de que houvera algum vazamento na própria central. A esta altura já estava estabelecido, pelos teores de iodo e cobalto na radiação, que só poderia se tratar de um acidente em central nuclear.

As autoridades soviéticas foram obrigadas a pedir ajuda técnica a países ocidentais como Alemanha e Suécia. Formou-se uma nuvem radioativa invisível, liberada com a destruição do núcleo do reator, que afetou sobretudo a Polônia, a Escandinávia e o Reino Unido.

Jornal do Brasil: Quarta-feira, 30 de abril de 1986

Jornal do Brasil: Quarta-feira, 30 de abril de 1986

As causas do acidente foram falhas humanas, e de projeto do reator, o qual explodiu quando eram realizados testes de eficiência. A ausência de um vaso de contenção de aço ou concreto ao redor do coração do reator foi apontada por técnicos e cientistas ocidentais como a principal responsável pelos danos causados às populações e ao meio ambiente.

No reator soviético, a reação em cadeia era moderada por grafite, a qual se incendiou ao entrar em contato, em altas emperaturas, com o oxigênio do ar. Segundo informações vinda de Kiev, 80 pessoas morreram imediatamente e 2 mil faleceram a caminho do hospital Oktober, que estava superlotado. Os mortos foram jogados num depósito de dejetos radioativos.


O número de mortos jamais será definido

Os efeitos da radiação sobre o organismo dependem fundamentalmente da dosagem e do tempo de exposição. Para uma pessoa exposta a uma dose maciça de radioatividade a conseqüência mais provável é a morte imediata. Uma exposição prolongada a uma pequena dose de radiação pode acarretar a morte por câncer anos depois.

O total de mortes resultantes do acidente de Chernobyl será sempre uma incógnita. Os sobreviventes do acidente enfrentam graves doenças, entre as quais a mais frequente é o cânçer de tireoide, causada pela grande quantidade de iodo 131 liberado na explosão, e que ao ser ingerido ou inalado fica concentrado na glândula tireóide.


Amanhã: Em 1925, Palácio Monroe é entregue ao Senado


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1984 - A emenda Dante de Oliveira

Primeira página do Jornal do Brasil: Quinta-feira, 26 de abril de 1984







"Que país é este? - era a indagação que se fazia à sociedade quando o Brasil se preparava para o reencontro com as liberdades públicas. O Estado concedia quotas de liberdades mas se prevalecia do autoritarismo institucionalizado.

Levantou gradualmente a censura à imprensa, mas se reservava o arbítrio até para impor sua vontade ao Congresso. Soube-se que país era aquele.

Mas que país, afinal de contas é este? Uma democracia certamente não é e nem será enquanto o Estado pretender que a vontade nacional continue a ser ditada pelos instrumentos de coação da sociedade
".
Editorial JB








Chegou ao plenário do Congresso, alavancada pela Campanha das "Diretas Já" em incansável peregrinação pelo país, a Emenda Constitucional Dante de Oliveira, proposta pelo deputado federal homônimo, com objetivo de instaurar eleições diretas para a presidência da República.

A sessão era o triunfo do movimento civil reivindicatório de eleições presidenciais diretas no Brasil, iniciado oficialmente durante um discurso no interior pernambucano no ano anterior, e orquestrado com sucessivas adesões de importantes lideranças da vida pública nacional. Por todo o país o povo acompanhou a contagem de votos em painéis instalados em praças públicas. No Rio, a concentração foi na Cinelândia. No ABC Paulista, houve manifestações de trabalhadores em empresas metalúrgicas e, na Capital, o povo reuniu-se na Praça da Sé. Em Brasília, universitários e secundaristas escreveram com seus corpos a frase Diretas Já, nos gramados do Congresso. Algumas emissoras de rádio e televisão sofreram censura e tiveram a transmissão suspensa durante horas, voltando a funcionar somente à noite.

Adiado sonho de votar para presidente

Com galerias tomadas, o plenário votou a emenda Dante de Oliveira sob tensão, até as primeiras horas da madrugada do dia seguinte, numa das mais exaustivas sessões da história do Congresso Nacional. Ao final de mais de 60 discursos, era adiado mais uma vez o sonho nacional de escolher o presidente do país através do voto direto. Com 298 votos favoráveis, 65 contrários, 3 abstenções e a ausência de 113 deputados - estratégia adotada pelo Partido Democrático Social (PDS), o Congresso rejeitou, por falta de quórum constitucional, a emenda em questão, retardando o processo de redemocratização do País.


Amanhã: 1986 - O terrível acidente nuclear


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1967 - Komarov morre no espaço

Jornal do Brasil: Terça-feira, 25 de abril de 1967
O cosmonauta Vladimir Komarov morreu emaranhado em seu próprio pára-quedas, após ter abandonado a nave União-1 (Soyuz).

O centro Espacial de Houston divulgou transmissões da Rádio de Moscou, segundo as quais Komarov, com problemas de controle, comunicações e consumo demasiado de combustível, lutou durante três órbitas para fazer a União-1 reingressar na atmosfera, mas o pára-quedas da nave não se abriu e precipitou-se ao solo, a uma altura superior de 6 mil metros.

Experimentava a primeira de uma nova geração de cápsulas espaciais, as Soyuz, maiores, mais pesadas e aperfeiçoadas que suas antecessoras. Os projetos soviéticos previam o abandono da cápsula pelos astronautas e a descida em pára-quedas. A morte de Komarov causou impacto tão grande em toda a União Soviética que homens e mulheres choravam abertamente nas ruas.

O Coronel-Engenheiro Vladimir Komarov, primeiro a pilotar uma nave Soyuz, herói da União Soviética, tornou-se o primeiro astronauta a morrer no regresso de uma missão espacial.

Komarov, filho de operários, cursou a primeira Escola das Forças Aéreas de Moscou, terminando em 1945. Segundo os seus chefes Vladimir Komarov possuía qualidades de segurança e reações rápidas, profundo conhecimento técnico e grande valentia. Depois de terminado o curso de Engenharia Militar Aérea, foi convidado a fazer parte do destacamento de cosmonautas.

Recebeu postumamente a Medalha da Estrela de Ouro. Com honras de Estado, seus restos, traslados do Centro de Vôos Espaciais para Moscou, foram cremados antes de baixar à sepultura no Kremlin, onde repousam os heróis do país.


Os caminho sem volta do céu

Jornal do Brasil: Terça-feira, 25 de abril de 1967

Nem todos podem sentir-se felizes como Gagárin ao ver que a Terra é azul, ou compensar a terrível solidão das alturas na festa do desembarque. No caso dos heróis do espaço, o imprevisível resiste à exatidão dos cálculos, à perfeição dos instrumentos, e, de certa forma, até à capacidade humana de imaginar uma tragédia além dos limites do mundo.

Quando Vladimir Komarov faz cair o silêncio sobre o que seria a notícia de um novo recorde soviético, não há quem não veja na figura dos cosmonautas um halo quase grave, pela certeza de que eles se preparam também para o pior.


Amanhã: Em 1984, É votada a Emenda Dante de Oliveira


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1964 - Salve o Cavaleiro Jorge!

Primeira página do Caderno B do Jornal do Brasil: 23 de abril de 1964




São Jorge, o cavaleiro da armadura reluzente atingindo do seu cavalo o dragão com a lança, é um santo popular em todo o mundo.

Lenda ou realidade, tem presença significativa na história de grandes instituições, nas artes e na vida militar de numerosos países.

Foi o que resgatou a edição do Jornal do Brasil em 23 de abril de 1964, apontando o equívoco de considerá-lo apenas como patrono de seitas exóticas, atribuindo-lhe denominações e interferências conflitantes com o espírito da Igreja Católica, desconsiderando o que consta sobre a sua história.



Oficial de alta patente do exército romano, sofreu o martírio com outros cristãos nas perseguições do Imperador Diocleciano no século III. Contudo, o que consta das atas foi declarado sem autenticidade pelo Papa Gelásio, duzentos anos depois. Mas é certo que o militar foi martirizado e, o seu culto, nascido na Igreja Oriental chegou até a Igreja do Ocidente.

Foi feito patrono dos exércitos de várias nações, sobretudo cavalarias. Os gregos o denominaram mártir e puseram-se sob o seu patrocínio. A Inglaterra o tomou por padroeiro. Entre esses dois povos europeus o culto de São Jorge é tão popular como no Brasil. Em Portugal, a sua veneração começou no século XIV, quando D. João, após a batalha de Aljubarrota contra os castelhanos, reedificou o Castelo de Lisboa com o nome de Castelo de São Jorge, e ordenou que a sua imagem figurasse na procissão de Corpus Christi.

O culto de São Jorge chegou até nós ainda na fase da colonização. Reverbera por todo o país, mantido com grande respeito pelo povo. As corporações militares o consagram como patrono da cavalaria, e participam das comemorações que se celebram por seu nome.


Amanhã: 1967 - Komarov morre no espaço


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1972 - Médici saúda despojos de Pedro I

Jornal do Brasil: Domingo, 23 de abril de 1972
Como parte das comemorações do Sesquicentenário da Independência, os restos mortais de Dom Pedro I foram transladados do Convento de São Vicente de Fora, na cidade do Porto, Portugal para o Brasil.

O Presidente Garrastazu Médici agradeceu ao Presidente Américo Tomás a entrega dos despojos de Dom Pedro I, declarando que "pelo vigor e audácia de seus filhos, como intimorato protagonista da História, Portugal infunde na alma brasileiro a energia de sua capacidade criadora". O navio português Funchal entrou na baia de Guanabara e emparelhou-se com o navio Piraquê para transferir o esquife de Dom Pedro I. O Funchal havia partido de Lisboa no dia 10 de abril para chegar pontualmente neste dia 22.


Jornal do Brasil: Domingo, 23 de abril de 1972
Numa breve cerimônia, o comandante do navio brasileiro recebeu a urna com os despojos no cais do Morro da Viúva. Em seguida os Presidentes Garrastazu Médici e Américo Tomás dirigiram-se para o Monumento aos Mortos da II Guerra Mundial, passando pela Avenida Rio Branco, onde foram aplaudidos por umamultidão. Dom Pedro I voltou temporariamente a morar na Quinta da Boa Vista, até seguir em peregrinação pelas capitais de todos os Estados brasileiros. Ao final a urna foi depositada no Monumento do Ipiranga em São Paulo.

Jamais deixarei de ser brasileiro


O Duque de Bragança, Pedro I do Brasil e Pedro IV de Portugal, deixou o Rio com destino a Europa mas nunca deixou de ser brasileiro. Português de Queluz, emigrou em companhia da família para o Brasil com 10 anos de idade e se fez homem no Rio de Janeiro, entre São Cristóvão e Santa Cruz. Fazia alarde da sua condição: "Foi inexplicável o prazer que minha alma sentiu, porque então conheci que a vontade dos povos não era só útil, mas necessária para sustentar a integridade da Monarquia em geral, e mui principalmente do grande brasil, de quem sou filho".


Amanhã: Em 1964, o santo vencedor do dragão


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1976 - Tiradentes, herói ou construção social?

Jornal do Brasil: 21 de abril de 1976

"Condenam ao réu Joaquim José da Silva Xavier, por alcunha Tiradentes, alferes que foi da tropa paga da Capitania de Minas, a que com baraço e pregão, seja conduzido pelas ruas públicas ao lugar da forca, e nela morra morte natural para sempre, e que depois de morto lhe seja cortada a cabeça e levada a Vila Rica, onde no lugar mais público será pregada em um poste, até que o tempo a consuma e o seu corpo será divido em quatro quartos e pregado em postes, pelo caminho de Minas...." Trecho da sentença de condenação de Tiradentes que três dias após proferida, se cumpriu em 21 de abril de 1792.

Primeiro grande movimento libertário a eclodir no Brasil ou incidente conspiratório sem maior significação? A Inconfidência Mineira sempre dividiu historiadores, sobretudo quando coloca-se em xeque Joaquim José da Silva Xavier. Pagando suas convicções com a própria vida, teria sido ele o primeiro real democrata e republicano da História do país? Se o curso natural da história defendia esta condição, outra corrente, sem negar-lhe reconhecimento de vulto histórico, sustenta não ter o protomártir da Independência alçado ao status de herói nacional.

No aniversário da sua morte, o Jornal do Brasil reacendia a polêmica em torno da sua importância. O desfecho estava longe do fim.

Cinco maneiras de ver o alferes

Alto o baixo, gordo ou magro? Arquetipia de mártir, profeta ou traidor? Em julho de 1976, o Presidente Geisel (1974-1979) revogou um decreto restritivo de 1966 que impunha um modelo oficial da imagem de Tiradentes.

Restabelecida a liberdade artística na reprodução da figura de Tiradentes, o Jornal do Brasil deu continuidade a uma fantasia interrompida. Pediu a cinco artistas plásticos que retratassem o alferes: Reynaldo Fonseca, Guiaguido Bonfani, Sandro Donatello, Poty e Wilma Pasqualine. Para conferir os trabalhos, clique sobre o nome de seu autor.


Amanhã: 1972 - Médici sauda despojos de Pedro I


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1969 - Morreu Ataulfo, fica a sua obra

Jornal do Brasil: Terça-feira, 22 de abril de 1969
Ataulfo Alves de Sousa; mineiro de Miraí, ia fazer 60 anos. Desde pequeno cantava e lia os folhetos populares que apareciam em sua terra, muitas vezes modificando as letras para o seu estilo. Foi engraxate, marmiteiro, leiteiro, menino de recado, condutor de boi e plantador de café, arroz e milho.

Seu pai, o velho Severino foi um grande violeiro e repentista. Ataulfo tinha 10 anos quando ele morreu em 1919. Em 1927 decidiu vir para o Rio com um médico que fora amigo de seu pai. No Rio, emprega-se em uma farmácia na Rua São José. Conhece então uma 'mocinha irrequieta', amiga das filhas do patrão, e voltou a vê-la nos estúdios da RCA no dia da gravação de Tempo Perdido, sua primeira música em disco. A moça também ficaria famosa: Carmem Miranda.

Seu primeiro sucesso foi Saudade do Meu Barracão, em 1935 , gravado por Floriano Belham. Suas músicas logo começaram a fazer sucesso de crítica e de público.

Em 1942, Mário Lago entrega a Ataulfo uma letra para serem musicadas, resultando em grande sucesso popular a música Amélia, "que não me fez rico, apenas me deu fama". Juntos fizeram ainda Atire a primeira pedra, para o Carnaval de 1944, e em 1945 lançaram Capacho e Pra que mais Felicidade.

Criou seu primeiro grupo de pastoras, que não demorou em se dissolver. Um outro seria formado 10 anos mais tarde, para acabar em 1961. A partir daí, Ataulfo seguiu sozinho. Depois de realizar em 1964 uma temporada no Top Club, do Rio de Janeiro, decidiu em 1965 passar o titulo de General do Samba para seu filho, Ataulfo Alves Júnior.

Em decorrência do agravamento da úlcera, morreu após uma intervenção cirúrgica.

Ai que saudade da Amelia


Casado, pai de cinco filhos, Ataulfo vestia-se de uma maneira impecável, estando sempre na lista dos 10 mais elegantes. Jamais abandonou a noite, e dela fazia seu campo de luta pelo melhor samba.

Sua musicografia ultrapassa 320 canções, sendo uma das maiores da música popular brasileira. Para dar o último adeus a Ataulfo, numerosos artistas do Rio e de São Paulo foram ao cemitério, que se tornou pequeno demais para conter a multidão. Um choque da Polícia Militar e mais três viaturas da Polícia de Vigilância foram chamados para proteger os artistas e salvar o patrimônio do cemitério.

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1980 - Líderes presos, greve continua

Primeira página do Jornal do Brasil: Domingo, 20 de abril de 1980

"Espero que a organização de vocês persista, porque ela é a única arma que lhes dará a vitória; permaneçam unidos em torno de suas lideranças; a única voz que deve ser ouvida é a voz das lideranças, de Lula e das pessoas por ele indicadas". D. Cláudio Hummes

Após uma negociação fracassada por melhorias trabalhistas para a classe metalúrgica, que resultou numa greve geral no início de abril, vários líderes sindicais foram detidos pelo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS). Entre eles estava Luis Inácio da Silva, o Lula, enquadrado na Lei de Segurança Nacional.

No mesmo dia das prisões, uma assembléia reunindo 40 mil metalúrgicos na cidade paulista de São Bernardo, decidiu pela continuidade da greve.
Jornal do Brasil: Domingo, 20 de abril de 1980 - página 20


Declarando abertamente o apoio da Igreja, o Bispo Dom Cláudio Hummes anunciou aos trabalhadores presentes que a Igreja assumiria toda a responsabilidade pela arrecadação e manutenção do fundo de greve, pedindo a união da classe.


À noite, após depoimento, alguns presos foram liberados, entre eles, Frei Chico, irmão de Lula. Dele partiu a informação de que seu irmão fora posto em regime de incomunicabilidade, mas que mandara uma mensagem pedindo que os metalúrgicos mantivessem a calma e não aceitassem provocações.

No 1º de maio, a força sindical foi demonstrada nas manifestações populares pelo dia do trabalhador em todo o Grande ABC paulista.

A greve durou 41 dias. No mesmo dia em que o parque industrial do Grande ABC retomou as atividades, Lula foi conduzido, escoltado, para presenciar o velório de sua mãe. A cena se repetiu no dia seguinte, para que ele acompanhasse também o enterro. Lula e demais detidos foram libertados no dia 20 de maio.

A nova luta das lideranças sindicais

Durante o regime militar, entre 1964 e 1985, as greves foram proibidas no Brasil. Ditas subversivas, quem a elas aderisse ficava sujeito aos rigores da Lei de Segurança Nacional. Com o crescimento econômico e os anseios políticos generalizados na virada dos anos 80, as paralisações coletivas voltaram à cena. A greve do ABC marcou a retomada dessas manifestações de massa, quando delineou-se uma nova estratégia, mais abrangente, para a ação sindical no país. As lideranças sindicais partiram para uma luta política que ia além das reivindicações salariais. Dentre elas, destacava-se Luis Inácio da Silva.


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1955 - O mais ilustre físico

Jornal do Brasil: Terça-feira, 19 de abril de 1955

Albert Einstein, o mais ilustre físico da era moderna e um dos mais brilhantes cérebros de toda a história do mundo científico, deixou de existir aos 76 anos de idade.

Nasceu na cidade de Ulm, Alemanha, a 14 de março de 1879. No ano seguinte a família de Einstein mudou-se para Munique, onde seu pai abriu uma pequena fábrica de artefatos elétricos.

Na escola não revelou interesse por disciplina alguma, exceto matemática. Ao concluir o ensino superior na Escola Técnica de Zurique tentou tornar-se professor, mas não conseguiu e empregou-se como funcionário do Escritório de Patentes de Berna, em 1901.

No ano de 1905 Einstein, então com 26 anos e técnico em patentes, lançou a idéia da Relatividade Especial, rompendo com as idéias clássicas de espaço e tempo absolutos. Na nova formulação essas grandezas dependem do observador, o que leva a resultados surpreendentes, como a invariância da velocidade da luz e a equivalência de massa e energia, fundamento das usinas nucleares e da bomba atômica.

Em 1916 Einstein, agora professor em Berlim, publicou uma extensão da Relatividade Especial para envolver a gravitação universal, o que constituiu a Relatividade Geral. Esta teoria generaliza a Lei de Newton e constitui a base para se compreender a origem, a estrutura e a evolução do Universo, incluindo o Big Bang e os buracos negros. Conquistou o Premio Nobel em 1921, com a teoria sobre o efeito fotoelétrico, que mais tarde contribuiu para a invenção das fotocélulas e da televisão.

Em 1932 emigrou para os Estados Unidos e tornou-se cidadão americano. Após a Guerra fez-se paladino do sionismo e denunciou as perseguições do nazismo contra os judeus.


Deus não joga dados com o universo


Durante toda a vida Einstein mostrou-se desconfortável com a Física Quântica que, irônicamente, ele próprio ajudara a criar com a sua interpretação do efeito fotoelétrico. Ele rejeitava o uso de probabilidades na descrição última da natureza, e esperava que esta noção fosse apenas provisória.

Conta-se que em um debate com Niels Bohr, um dos pioneiros da Física Quântica, Einstein, agnóstico por natureza, teria argumentado que "Deus não joga dados com o Universo", ao que Bohr teria retrucado com "Pare de dizer a Deus o que Ele deve fazer". Einstein era profundamente pacifista.

Amanhã: Em 1980, Líderes presos, greve continua


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1996 - Crime e impunidade no Pará

Primeira página do Jornal do Brasil: Sexta-feira, 19 de abril de 1996

O país das chacinas de Carandiru (1992), Candelária (1993), Vigário Geral (1993), e Corumbiara (1995), viu-se diante de um novo massacre. Determinados a desobstruir a rodovia PA-150, que liga Belém ao sul do Pará, ocupada por um manifesto dos sem-terra em Eldorado dos Carajás, a 650 km da capital do estado, cerca de 150 policiais militares, liderados pelo coronel Pantoja de Oliveira, mataram 19 pessoas, em 20 minutos de ação.

Trabalhadores rurais protestavam contra o atraso na desapropriação de terras para fins de reforma agrária, quando foram surpreendidos pelo cerco policial. Um grupo veio pelo lado de Marabá e outro pelo lado de Parauapebas. Segundo testemunhas, policiais teriam chegado atirando, dando início ao confronto. A versão policial alegou que a operação começou com bombas de efeito moral, e somente após serem rechaçados com armas de fogo os militares responderam disparando contra os manifestantes. A tentativa fracassada de resistir à investida policial, deu lugar à barbárie com sucessivas execuções.

Tiros na testa e marcas de pólvora no rosto indicavam que as mortes foram à queima-roupa. Entre os mortos havia uma criança de três anos. Pelo menos 50 pessoas foram feridas. Nenhum policial.

Na noite do massacre o governador do Pará, Almir Gabriel, afastou o coronel Pantoja. O ministro da Agricultura, Andrade Vieira, pediu demissão da pasta. Na semana seguinte, o Governo Federal confirmou a criação do Ministério da Reforma Agrária. Foi indicado Raul Jungmann, então presidente do Instituto Brasileiro de Agricultura e Meio Ambiente, para o cargo de ministro.

Passados doze anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, o crime continua impune.

Um território de tensão e insegurança
Os impasses sobre a questão da reforma agrária na região se mantém até os dias de hoje. Parauapebas, vizinha a Eldorado dos Carajás, vive clima de insegurança e tensão. Garimpeiros e integrantes do Movimento dos Sem-Terra estão de prontidão em acampamentos, e ameaçam invadir a Estrada de Ferro Carajás, usada pela Vale para transportar minério de ferro, combustíveis e passageiros.

Eles marcaram para hoje uma manifestação em protesto em memória às vítimas do Massacre de Eldorado do Carajás. O governo do Pará direcionou 500 policiais para garantir a ordem no local.

Amanhã: 1955 - O ilustre físico


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1973 - Censura reexamina revistas

Jornal do Brasil: terça-feira, 17 de abril de 1973
O General Nilo Canepa, diretor do Departamento de Polícia Federal, baixou a Portaria número 209 que determinava o reexame de todas as publicações periódicas e o registro das mesmas no Departamento de Censura.

O objetivo da portaria era verificar a existência de matérias potencialmente ofensivas à moral e aos bons costumes, e que não deveriam ser expostas à venda nem distribuídas a seus assinantes.

O Ato Institucional no. 1, de 9 de abril de 1964, foi o documento pioneiro da censura. Em agosto de 1966 o governo promulgou a Lei no. 5089 proibindo a impressão e a circulação de publicações que trouxessem crimes, terror ou violências como temas dirigidos a crianças e adolescentes. Com o AI-5 em dezembro de 1968, o Decreto-lei foi instituído um novo Código Penal, que fazia referências aos meios de comunicação.

Todas as revistas que circulam no país, nacionais ou estrangeiras, deveriam ser registradas na Divisão de Censura e Diversões Públicas do DPF. Com esta nova portaria, ficou abolido o uso da embalagem em material opaco, resistente e fechado, que era destinada a evitar o acesso de menores às publicações a eles proibidas.

Os órgãos descentralizados do Departamento de Polícia Federal deveriam recolher as publicações em que fossem encontradas circulando sem registro e enviar ao Departamento de Censura um exemplar de cada número arrecadado, para averiguação das matérias nele contida.

A portaria baseou-se no Decreto-Lei de 26 de janeiro de 1970, assinado pelo Presidente Médici. "Não serão toleradas as publicações e exteriorizações contrárias à moral e aos bons costumes, quaisquer que sejam os meios de comunicação".




Revistas deixam de circular

Como resultado das averiguações foram proibidas 46 revistas estrangeiras e 14 nacionais, inclusive as de humor do gênero de Garotas e Piadas, Evas e o Bom Humor.

Como repressão à divulgação de temas eróticos, revistas estrangeiras de atualidades, como Der Spiegel e Stern, e de entretenimento, como Penthouse, Lui, Playboy e Playmen - que havia publicado as fotografias de Jacqueline Onassis nua, deixaram de circular no pais por determinação do Sr. Rogério Nunes, diretor da Divisão de Censura de Diversões Públicas, do Departamento de Polícia Federal.


Amanhã: 1996 - Crime e impunidade no Pará


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1912 - A viagem sem fim doTitanic

Jornal do Brasil: Quinta-feira, 18 de abril de 1912. Página 7






"Titanic,
cidade flutuante
que se submerge.
O perigo estava
sob o mistério negro
da névoa:
o iceberg.

Netuno,
tomado de
féro ciúme,
abalroa
um colosso
contra
outro colosso
".
Jornal do Brasil



Na madrugada fria de uma segunda-feira, o Titanic, maior e mais luxuoso transatlântico até então construído, naufragou nas águas geladas do Atlântico Norte, na sua viagem inaugural iniciada cinco dias antes, quando partira do Porto inglês de Southampton.

O drama dos 2.208 passageiros começou instantes antes da meia-noite, quando o navio colidiu com um gigantesco iceberg. Após receber o pedido de socorro expedido pelo imponente Titanic, o navio Carpanthia, único a chegar a tempo de prestar socorro às vítimas, resgatou pouco mais de 700 pessoas com vida. Os demais passageiros e tripulantes, ou morreram durante a tentativa de abandonar o navio, ou foram sugados juntamente com o mesmo, engolido pelo mar, após formar um ângulo de 90º com a superfície da água e partir-se ao meio.

Peritos em acidentes marítimos apontaram falha humana e responsabilizaram o capitão Smith pelo desastre. Ambicionando encurtar o trajeto e quebrar o recorde de tempo da travessia do Atlântico Norte, o comandante fez o barco navegar em velocidade acima da recomendada numa região repleta de icebergs. A chegada do navio em Nova York estava prevista para o dia seguinte ao da catástrofe. A tragédia ocupou as páginas dos jornais de todo o mundo. Circularam as mais fantasiosas versões dos acontecimentos, uma vez que a apuração dos fatos ficou restrita aos relatos dos sobreviventes. Somente a partir dos anos 80, após uma primeira equipe mergulhar até os destroços do Titanic, foi possível apurar detalhes técnicos do naufrágio.

Titanic. Rerpodução/CPDoc JB


As lições da sinistra experiência

Durante a lenta agonia, o desespero dos passageiros foi agravado ao se constatar que o mais ousado projeto da engenharia naval da época menosprezara as questões de segurança: não havia equipamentos salva-vidas nem botes suficientes para todos a bordo.


A partir desta tragédia, e para evitar a retração na indústria do transporte marítimo as normas de segurança foram reforçadas com a obrigatoriedade de os navios manterem os sistemas de comunicação funcionamento contínuo, e comportarem equipamentos de resgate suficientes para todos os passageiros e tripulantes.


Amanhã: 1973 - Censura reexamina revistas


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1976 - A legitimidade como marca

Jornal do Brasil: Quinta-feira, 15 de abril de 1976


"Libertei-me da inquietação de não saber quem sou e de não saber até onde posso chegar. Agora, conheço melhor as pessoas e reconheço também a minha força". Zuleika Angel Jones

Zuzu Angel morreu em um acidente com o seu Karman-Guia, aos 55 anos, no Rio de Janeiro. Seu nome figurava na relação exclusiva dos grandes criadores. Sabia até onde poderia chegar em termos profissionais, mas havia também tomado uma decisão inabalável: mais do que qualquer coisa, era e seria sempre a mãe de um jovem filho único desaparecido. Viveria sempre para honrar a sua memória, e lutar para que outros jovens não tivessem o mesmo destino.

Pela causa de Stuart Edgar Angel Jones, Zuzu havia entregue em mãos ao Secretário de Estado dos Estados Unidos, Henry Kissinger, durante a sua visita ao Brasil, um minucioso relato dos acontecimentos. Seu último ato de coragem que, como alguns outros, a ela própria causava perplexidade: "Sempre fui muito medrosa, mas não sei explicar... é como se uma força interior comandasse os meus atos".

Dona Zuleica era uma mineira que costurava muito bem. E não gostava de copiar figurinos. Veio para o Rio e montou um ateliê de alta costura em Ipanema, frequentado por clientes elegantes que já encontravam as roupas prontas, sem precisar encomendar. Pode-se dizer que ela criou para a alta costura um prêt-à-porter sem repetição de modelos. Com ele, rompeu as barreiras do mercado internacional.

Zuzu Angel mostrou sua moda, caracterizada principalmente pela originalidade, destacando-se por uma linha inspirada em coisas nossas. Em 1970, furou a barreira do mercado internacional, vendendo uma coleção de 55 modelos para o magazine Bergdorf & Goodman.


O Anjo como símbolo da pureza


A partir de 1971, Zuzu alterou as características de sua produção, mudando-se da alta costura para a boutique. Engajada e decidida a protestar pelo desaparecimento de Stuart Angel, em 1971 apresentou em um desfile em Nova Iorque pássaros engaiolados, balas de canhão disparadas contra anjos, figuras de quepes militares e crianças macilentas segurando pombas negras. Foi a metáfora que ela encontrou para simbolizar, no seu trabalho, a história de seu filho.
O anjo, como símbolo de pureza e imagem do filho perdido, iria se multiplicar pelas roupas e acessórios.



Amanhã: Em 1912, A viagem sem fim do Titanic


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1968 - Irmãos denunciam tortura

Jornal do Brasil: Domingo, 14 de abril de 1968 - página 3


Um dia após serem libertados, com vários hematomas e queimaduras de choques elétricos por todo o corpo, os irmãos Ronaldo e Rogério Duarte denunciaram as torturas que sofreram num quartel do Exército da Vila Militar onde foram advertidos que correriam risco de vida se revelassem o episódio publicamente, embora servissem de exemplo para intelectuais, padres, jornalistas e artistas.

No dia 4 de abril, Ronaldo, cineasta, e Rogério, artista plástico seguiram até a Candelária, para acompanhar a missa de 7º dia do estudante Edson Luis. Contudo, em virtude do clima de tensão evidente, acabaram desistindo e foram interceptados por agentes não identificados ao tentarem voltar para casa. Levados por uma viatura, em poucas horas, davam entrada num local soturno, que pressupunham ser, no subúrbio da cidade. Prontamente, seriam iniciados na primeira sessão de tortura das inúmeras que se repetiriam durante dias seguidos. Além de diversas formas de agressão física, foram ridicularizados sob palavras de intimidação e interrogados sobre seu envolvimento no movimento estudantil. Para cada resposta não satisfatória, os recursos de terror se intensificavam, até que exauridos os torturados e satisfeitos os torturadores, a sessão era interrompida. Nos dois últimos dias de clausura receberam tratamento dos ferimentos e hematomas. E viveram um outro tipo de experiência: a tortura psicológica. Das celas em que estavam, ouviam os gritos lancinantes de pessoas em desespero sem saber se passariam pelo processo novamente.

Na última noite, após preencherem um questionário, foram conduzidos a um matagal e deixados onde encontrava-se o carro do próprio Ronaldo. Já em liberdade, seguiram para casa.

Exército nega, mas regime recrudesce
As revelações dos irmãos Duarte causaram imediata indignação nos círculos do Exército. O relato dos dois irmãos foi apontado como contraditório. Mas, diante das marcas de hematomas e queimaduras, nas circunstâncias em que invadiram seus corpos e mentes, a confusão se justificava.

Rogério e Ronaldo foram umas das primeiras vítimas a denunciarem publicamente a tortura no regime militar. O episódio mobilizou várias lideranças. Outros crimes de torturas vieram à tona. Mas, não rechaçaram a incidência de casos que estariam por vir nem coibiram a promulgação do AI-5.


Amanhã: 1976 - A legitimidade como marca


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1961 - A Terra é azul

Jornal do Brasil: Quarta-feira, 13 de abril de 1961
O cosmonauta Major Yuri Alekseyevich Gagarin foi o primeiro ser humano a tripular um veículo em órbita em torno da Terra. Foi um dos avanços mais extraordinários para a nossa civilização no século XX. Em uma nave espacial chamada Vostofz, pesando 5 toneladas e lançada por meio de um foguete, manteve o controle total do vôo por 1 hora e 48 minutos. A trajetória foi uma volta completa à Terra, de Leste a Oeste, sobrevoando a Asia Central e o Sul da África e da América.

A Vostok nasceu do trabalho de uma equipe liderada pelo pioneiro engenheiro aerospacial, Sergei P. Korolev. A espaconave já esteve em órbita cinco vezes, para testar a segurança do empreendimento.

Organizada de forma sigilosa, a sua confirmação só aconteceu horas antes da partida. A inédita experiência, segundo os cientistas soviéticos, abriria caminho pelo qual um astronauta poderia, em breve, chegar a outros planetas.

Com apenas 27 anos, o jovem major transformou-se em ídolo em seu país. O feito de Gagarin, mecânico metalúrgico, foi acompanhado em boletins da Rádio de Moscou. Quando se anunciou o regresso, a multidão saiu às ruas para saudá-lo como herói nacional. Depois de efetuar o histórico vôo, contou emocionado: "O céu é escuro, muito escuro, a Terra é de um azul muito claro" .

O presidente Jânio Quadros, declarou: "Em nome do Governo do Brasil, de seu povo e em nome pessoal, desejo saudar Vossa Excelência e os cientistas soviéticos pelo envio de um astronauta em órbita da Terra, feito extraordinário destinado a rasgar, para o homem e para o progresso, novos e ilimitados horizontes. Ao povo russo nossos sinceros cumprimentos e votos de felicidades".

Aberta a era dos vôos cósmicos

A preparação teórica do primeiro vôo cósmico começou em fins do século XIX. O cientista russo K. E. Tsiolkovsky, pioneiro no estudo da dinâmica dos foguetes e da cosmonáutica, predisse que o homem um dia transportaria os limites da atmosfera. Tsiolkovsky não apenas calculou com precisão assombrosa as forças que o homem teria de vencer nessa aventura, como previu os meios técnicos necessários para fazê-lo. Foram necessários 70 anos para que se tornasse realidade o sonho deste cientista, que combinava o otimismo genuino com a frieza dos cálculos matemáticos nos seus planos.
frieza dos cálculos matemáticos nos seus planos.




Amanhã: Em 1968, Irmãos denunciam tortura



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1973 - Portela, o berço do samba é lá

4 de março de 1973: Desfile da GRES Portela. CPDoc JB



"Neste meio século,
da casa modesta
da baiana festeira Ester Maria de Jesus
à suntuosa Academia
Natalino José do Nascimento;
de Paulo Benjamim de Oliveira
a Paulinho da Viola;
de Madureira à Avenida;
a Portela mostrou o samba
ao mundo inteiro
- tema do seu primeiro
desfile oficial, em 1935 -
e o transporta agora
ao território imaginário de Passárgada,
sonhado por Manoel Bandeira
".
DPD - JB


No ano do cinqüentenário da Portela, o Jornal do Brasil recontou a história do alvorecer da Azul e Branco na vanguarda do carnaval carioca numa matéria especialmente editada para presentear os integrantes da Escola. Não publicado, o material acaba de ser resgatado pelo CPDoc JB em homenagem ao seu 85º aniversário.


O berço deste gigante do samba foi um chalé em Osvaldo Cruz, na zona norte da cidade, onde Ester Maria de Jesus, no início dos anos 20, organizou o bloco Quem Fala de Nós Come Mosca, para desfilar pelo subúrbio. Mais tarde, já conhecido como Baianinhas de Osvaldo Cruz, passou a concorrer nos desfiles da Praça Onze. Integravam-no, entre outros, Paulo Benjamim de Oliveira, Antônio Caetano, Natal, Heitor dos Prazeres e Antônio Rufino dos Reis, bambas que fundaram, em 11 de abril de 1923, o Conjunto Carnavalesco Osvaldo Cruz na Estrada do Portela, na vizinha Madureira. Em 1928, a escola passou a se chamar Vai Como Pode, inaugurando o rol de títulos no primeiro desfile oficial de escolas de samba, em 1935, com o enredo O Samba Dominando o Mundo, de Paulo Benjamim de Oliveira e Antônio Caetano. A Portela, 21 vezes campeã do carnaval, contribuiu para a consolidação do samba como força popular e elemento de organização social.

O incidental nome coberto de glórias
Em março de 1935, em decorrência dos preceitos morais que o regime político vigente procurava incentivar, o chefe da polícia da Delegacia de Costumes e Diversões, Dulcídio Gonçalves recusou-se a renovar a licença da Vai Como Pode com este nome. Ele considerava a expressão ordinária e indigna às finalidades da associação. Sem conseguir dos sambistas presentes uma pronta sugestão, foi do próprio inspetor a solução, sugerindo a denominação Grêmio Recreativo e Escola de Samba Portela, em homenagem à rua de Madureira, endereço da sede onde se reunia a nata do samba da comunidade.


Amanhã: 1961 - A Terra é de azul muito claro


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1985 - Assim eu vejo a vida

Jornal do Brasil: Sexta-feira, 12 de abril de 1985
Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas ou Cora Coralina, a grande poetisa do Estado de Goiás, morreu de insuficiência respiratória aos 96 anos.

Símbolo da tradição interiorana, produziu uma obra poética rica em motivos do cotidiano. Cora Coralina escrevia com simplicidade, preocupada em entender o mundo que vivia, e compreender o real papel que devia desempenhar.

Seu primeiro livro, Poemas dos Becos de Goiás, foi publicado em 1965 quando tinha 75 anos. Onze anos mais tarde, em 1976, compôs Meu Livro de Cordel. Finalmente, em 1983 lançou Vintém de Cobre - Meias Confissões de Aninha.

Em 1979 recebeu uma carta de Carlos Drummond de Andrade, que a lança definitivamente como uma grande poeta.
Jornal do Brasil: Sexta-feira, 12 de abril de 1985
Foi a primeira mulher a receber o Troféu Juca Pato, da União Brasileira dos Escritores, escolhida a Intelectual do Ano. Na comemoração de seus 94 anos, admitia estar vivendo o melhor tempo de sua vida, "graças à coragem de contar minhas verdades". Meias verdades, como sugere o título de seu terceiro livro. Afinal, ela sempre repetia que ninguém conta verdades inteiras: - "temos três medos. Medo dos mortos, medo dos vivos e
medo de nós mesmos" - justificava.

Segundo a poetisa, eram duas as palavras-chave para se viver bem: compreensão e otimismo. Orgulhava-se de jamais ter escrito para se lamentar da vida: "Meus versos tem o cheiro de currais, da terra, tem o som livre do berrante. É água corrente, é semente, é vida" - dizia ela sempre que se deparava com uma manifestação pessimista. Não entendia a falta de otimismo dos jovens. Cora era especialista em pessoas e estava atenta a tudo que ocorresse no mundo.



Meu verso, água corrente, é semente

Cora nasceu em 1889 e começou a escrevera os 14 anos de idade. Casou em 1911 com um advogado paulista. Viveu 45 anos em São Paulo e retornou a Goiás em 1945. Doceira profissional, orgulhava-se da condição de "doceira maior da cidade", Sublinhava em rimas: "Meus doces deve comprar, meus livros você pode deixar, porque os doces se podem estragar e os livros não".
O poeta Carlos Drummond de Andrade lamentava não ter tido a sorte de conhecê-la pessoalmente. "Dá alegria na gente saber que existe bem no coração do Brasil um ser chamado Cora Coralina".


Amanhã: Em 1973 - Portela, o berço do samba é lá


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1965 - Um moço de 74 anos

"Sempre correspondendo do melhor modo à confiança do público, como prometeu no seu primeiro editorial, ao ser lançado à publicidade na quinta-feira pela manhã, 9 de abril de 1891 - o JORNAL DO BRASIL entra hoje no seu 75º ano de atividades em defesa das instituições republicanas, do regime democrático, do bem-estar do povo e do progresso do país".
Jornal do Brasil

Primeira página do Jornal do Brasil: Sexta-feira, 9 de abril de 1891




Na linha de frente
do jornalismo brasileiro,
o Jornal do Brasil
percorreu sua história
dentro do espírito
de constante renovação
gráfica e editorial,
atuando
incondicionalmente
na defesa do bem público
e das instituições nacionais.



Por ocasião da sua fundação, e mesmo apoiando o regime monárquico, afirmou no editorial de estréia que apesar de não ter participado do processo de instauração da república, se empenharia, em nome do patriotismo, em cooperar com a sua consolidação. Pouco depois, se lançou em outra campanha, combatendo com vigor o projeto de transferência da Capital do País para o Planalto Central, por considerá-lo prejudicial aos interesses do Rio de Janeiro e do seu povo. A questão, originalmente defendida pelo Marques de Pombal, voltou a ser discutida na elaboração da primeira constituição republicana, o primeiro processo político constituinte coberto pelo Jornal do Brasil.

Sem descanso, levantou a bandeira da urbanização da cidade, lançando a coluna Melhoramentos Urbanos. No plano nacional, apoiou a expansão da colonização do Brasil com a utilização de mão-de-obra estrangeira, a construção de estradas e a melhoria dos serviços de transmissão de notícias. Publicou a sua primeira edição especial, O Grande Morto - com o anúncio da morte de D. Pedro II na Europa. Assim o Jornal do Brasil escreveu o seu primeiro ano de vida, com a chefia de redação ocupada por Rui Barbosa, que afirmava: "O Governo, ou a Oposição, não tem para nós senão a cor da lei que envolve o procedimento de um, ou as pretensões da outra; fora do terreno jurídico, nossa inspiração procurará beber sempre na ciência, nos exemplos liberais, no respeito às boas praxes antigas, na simpatia pelas renovações benfazejas, conciliando, quanto possível, o gênio da tradição inteligente coma prática do progresso cautelo".

Os desafios não cessaram. Ainda no século XIX o jornal ganhou popularidade ao protagonizar uma pesquisa de opinião pública questionando as preferências políticas dos seus leitores. No alvorecer do século XX, manteve-se firme na luta por seus ideais. Liderou iniciativas de saneamento e modernização da cidade. Chamou atenção para os problemas sociais refletidos no crescimento das favelas, apontando o descaso do poder público. Instituiu concursos populares sorteando casas. Estabeleceu ações em favor da preservação das pequenas sociedades carnavalescas sem reconhecimento oficial. Promoveu a construção de coretos para animar o carnaval de rua, e realizou o Primeiro Campeonato Carnavalesco das Grandes e Pequenas Sociedades em 1920.

Primeira página do Suplemento Dominical: Sábado, 20 de março de 1959




Na década de 50 o Jornal do Brasil liderou a revolução gráfica e editorial da imprensa brasileira, tornando-se referência e inspiração para os demais jornais do país.

Nos dias da construção de Brasília, da gestação do Cinema Novo, da intimidade da Bossa Nova e da expansão industrial do país, criou o Suplemento Dominical para valorizar a criatividade em experiências gráfico-editoriais.

Esse espaço abrigou a explosão da nova cultura brasileira, abrangendo as artes visuais e a literatura, com destaque para a poesia concreta.

O suplemento floresceu apoiando decididamente a inovação, acolhendo sem reservas experimentações das mais diversas tendências artísticas e literárias.





Primeira página do Caderno B do Jornal do Brasil: Quinta-feira, 15 de setembro de1960
E em pouco tempo, a efervescência cultural em evidência no país ganhou lugar cativo e definitivo com o lançamento do Caderno B, primeiro suplemento diário de cultura do jornalismo brasileiro, o qual abrigaria os principais momentos da cultura no Brasil a partir da segunda metade do século XX.

Nos anos 60, a ousadia editorial do Jornal do Brasil atingiu o cerne da notícia, com a implementação de um novo modelo de jornalismo: mais vibrante, mais noticioso, mais reflexivo e, sobretudo, mais voltado para o cidadão. O Departamento de Pesquisa e Documentação (DPD) conquistou então o seu espaço nas páginas do jornal, tornando-se uma nova editoria. De plantão, e em edições extraordinárias, a publicação das matérias do DPD sinalizou a vanguarda do Jornal do Brasil no aprofundamento da informação jornalística, com a interpretação dos fatos e a inserção da notícia em seu contexto histórico, com o propósito de integrar e reconciliar o homem desinformado com o seu tempo, quebrando a barreira entre os acontecimentos e suas implicações.


Em 1965 o Jornal do Brasil mantinha-se em plena atividade: inovador e atuante, como ficou registrado no documentário Um Moço de 74 Anos, do cineasta Nelson Pereira dos Santos, e a própria história se incumbiu de constatar. Nos anos seguintes, o jornal testemunharia os fatos mais marcantes da segunda metade do século XX no Brasil e no mundo. Aplaudiria as lutas democráticas e de independência dos povos, apoiaria as manifestações sociais contra a opressão e pela justiça em todos os planos. Incansável, não hesitou em noticiar a verdade dos fatos, independente das circunstâncias em que se apresentassem.

Comemorações do IV Centenário da Cidade do Rio de Janeiro
Jornal do Brasil: Sexta-feira, 9 de abril de 1965


"Rio Branco desde
21 de fevereiro de 1912,
em memória do Barão,
ela volta a ter,
a partir de hoje,
por iniciativa
da gente cá de casa,
o nome simples
que o povo lhe deu em 1905,
quando foi inaugurada:
Avenida Central.
"
Jornal do Brasil

Uma placa devolvendo à Avenida Rio Branco o seu nome original de Avenida Central foi descerrada na esquina com a Avenida Presidente Vargas. Uma iniciativa do Jornal do Brasil no dia do seu 74º aniversário, compreendida entre as homenagens pelo 4º centenário da fundação do Rio de Janeiro, celebrado nesse ano. Entre as comemorações figuravam igualmente uma série de fascículos sobre a história do Rio, e o curta-metragem O Rio de Machado de Assis, de Nelson Pereira dos Santos, revisitando lugares e fatos da cidade vividos pelo grande escritor, um dos seus mais célebres filhos.


CPDoc JB - a memória viva do Jornal do Brasil

A memória dos 117 anos de história do Jornal do Brasil mantém-se viva no Centro de Pesquisa e Documentação do Jornal do Brasil (CPDoc JB), orgão responsável pela guarda e administração do acervo jornalístico do Jornal do Brasil. Este acervo compreende a coleção centenária, os arquivos fotográfico e textual, e a biblioteca de referência. O arquivo de fotos armazena mais de dois milhões de fotos em papel e 13 milhões em negativos produzidos a partir da década de 50, organizados por assunto, com ênfase em personalidades e eventos relevantes da vida política, econômica e cultural do país. O arquivo de textos guarda recortes dos principais jornais e revistas, nacionais e internacionais, catalogados por temas, reunidos desde a década de 60. A coleção centenária é formada por originais impressos do Jornal do Brasil e respectivos microfilmes, desde a sua fundação até o presente. Está acondicionada de maneira apropriada e organizada cronologicamente.

O CPDoc JB atende aos diversos veículos do Grupo CBM e a clientes externos na realização de pesquisas documentais, textuais e fotográficas, recentes e históricas.


Amanhã: 1985 - Assim eu vejo a vida


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1973 - Um gênio que criou até o fim

Jornal do Brasil: 9 de abril de 1973
Estava em plena atividade, talvez em mais uma das suas muitas fases criativas, pintando temas de paisagens e crianças que comporiam os 201 quadros e desenhos a serem mostrados em junho, no Festival de Avignon. Pablo Picasso morreu aos 91 anos, vitimado por um edema pulmonar. Em idade avançada, sem ter sido velho um instante sequer.

Na sua obra monumental se incluem-se entre 13 e 14 mil pinturas e desenhos, 100 mil gravuras, 34 mil ilustrações de livros, e 300 esculturas e cerâmicas. Obteve dois grandes prêmios: o Carnegie Award (1930) e o Prêmio Lenin (1962).

Picasso foi um grande artista, que encheu o século com suas cores e suas formas, suas pesquisas, suas audácias e sua personalidade viva. "Toda pessoa que mereça ser chamado de pintor deve produzir pelo menos um quadro e vários desenhos por dia" - repetia Picasso.
Discutido, criticado, combatido, Picasso foi o único artista vivo a entrar para o acervo do Museu do Louvre, o qual lhe abriu as portas quando completou 90 anos.

Comunista militante, apoiou os combatentes que defendiam a República Espanhola, finalmente derrotada pelas tropas do General Franco na Guerra Civil Espanhola (1936-1939). Picasso jurou que jamais pisaria o solo espanhol "enquanto lá existisse a ditadura franquista". E cumpriu o juramento, pois nunca retornou à Espanha.

O seu grande mural Guernica, elaborado para condenar o bombardeio aéreo dessa pequena e indefesa cidade do País Vasco durante a Guerra Civil, tornou-se um ícone universal contra os horrores da guerra moderna.

Um dos grandes artistas do século XX, deixou uma imagem de irreverência e de vitalidade incontida, que se confundia numa lenda: a lenda de Picasso.


Picasso: Homem feito lenda

Jornal do Brasil: Segunda-feira, 9 de abril de 1973



Picasso nasceu em Málaga, sul da Espanha, a 25 de outubro de 1881. Filho de José Ruiz Blanco, um pintor profissional e professor de História da Arte, e de Maria Picasso López, senhora de terras e vinhas herdadas do avô que emigrara para Cuba sem dar jamais qualquer sinal de vida. Picasso elegeu o nome de sua mãe como seu nome profissional em homenagem àquela que descobriu suas virtudes.

Considerado um dos artistas mais versáteis de todo o mundo, passou por vários estilos na pintura, entre eles o cubista, o surrealista e o expressionista. Produziu também esculturas e cerâmicas.


Amanhã: Em 1965 - Um moço de 74 anos


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1976 - Mostra 70 anos de Belas-Artes

Jornal do Brasil: Quarta-feira, 7 de abril de 1976

Fotos de época, documentos e recortes de jornais compuseram a exposição inaugurada no saguão principal do Museu de Belas-Artes, em comemoração aos 70 anos de lançamento da pedra fundamental do edifício sede da instituição cultural. O destaque da mostra foi a exibição da edição publicada pelo Jornal do Brasil em 8 de abril de 1906, no dia seguinte àquela solenidade, narrando o episódio e revelando a presença de pessoas ilustres como o Presidente da República Rodrigues Alves, o Prefeito Pereira Passos e o Engenheiro Paulo de Frontin.

O prédio se destinava, originalmente, a abrigar a Escola Nacional de Belas-Artes, dirigida pelo escultor Rodolfo Bernadelli, que, com seu prestígio conseguiu promover a expansão física da instituição através de um projeto assinado pelo arquiteto e professor Morales de Los Rios. Uma arquitetura influenciada pelo renascimento francês, inspirada no Louvre de Paris: abóbodas em forma de barrete; fachadas ornamentadas com medalhões e afrescos; desenhos simbolizando artistas renomados decorando as laterais do prédio. Em 13 de janeiro de 1937, mediante um decreto-lei, o prédio desvinculava-se da Escola e passava a se chamar e a funcionar como Museu Nacional de Belas Artes.

A origem do acervo do Museu prende-se à vinda da Família Real ao Brasil (1808), quando chegou aqui o conjunto de obras de arte proveniente de Portugal. Mérito de D. João VI, incentivador e promotor das artes, que poucos anos trouxe para o Brasil a Missão Artística Francesa, um grupo de hábeis artistas expulsos por Napoleão da Europa, liderados por Joaquim Lebreton. Era o começo da formação da mais importante pinacoteca da História do Brasil.


Amanhã: 1973 - Um gênio que criou até o fim



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1934 - A magia de Ismael Nery

Jornal do Brasil: Sábado, 7 de abril de 1934
Ismael Nery encerrou o ciclo de sua vida em plena mocidade. Possuia um talento estranho, crespo e desconcertante. Havia na estética de Ismael Nery, uma perturbadora mistura de poesia descomunal.

Através de sua retina, as figuras se alteravam, os planos se confundiam, os valores se transformavam. Mas sempre com uma doce e profunda magia. A arte de Ismael Nery era atormentada, dolorosa e sensual.

Há quadros seus em que vemos uma singular penetração de pessoas. O rosto do homem se reflete, fundido no rosto da mulher. O conflito amoroso dos sexos, o cotidiano das pessoas em momentos triviais eram uma constante obsessão do seu espírito. A maldição que o Senhor lançou sobre Adão e Eva, na manhã do pecado, encontrava o seu eco na arte desse pintor.

Ismael Nery deixou essa poesia e essa sensibilidade que lhe emolduravam a alma, traduzir-se em dezenas de quadros.

Poucos pintores brasileiros terão produzido com a abundância, a boa vontade, a euforia criadora que ele teve. E, entretanto, a verdade é que esse puro e exigente artista morre, sem ter tido do seu país a gratidão, as homenagens, a que fazia jus.

A obra de Ismael Nery permaneceu ignorada do público e da crítica até 1965, quando teve seu nome inscrito na 8ª Bienal de São Paulo, na Sala Especial de Surrealismo e Arte Fantástica. Suas obras também foram expostas na 10a Bienal de São Paulo. Foram feitas restrospectivas em 1966, no Rio de Janeiro e em 1984, no MAC-USP.
Muitos não terão sentido a falta de alguma coisa verdadeira, alta e bela, que rutilava na alma brasileira, enriquecendo-a e prestigiando-a . E essa alguma coisa era exatamente a luminosa e rara sensibilidade do pintor que acaba de morrer.



Amanhã: 1976 - Mostra 70 anos de Belas-Artes


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1982 - Pra Frente Brasil tropeça na Censura

Primeira página do Caderno B do Jornal do Brasil: Terça-feira, 6 de abril de 1982
"Penso que um país que caminha para a democracia, firmemente conduzido pelo Presidente Figueiredo, que reiterou diversas vezes essa intenção, não deve temer o filme. Pra Frente Brasil não é um incitamento à derrubada da ordem vigente, pelo contrário. É um filme contra a violência, e acredito que todos os brasileiros sejam contra a violência. Somente por essa razão é que se caminha para uma democracia". Roberto Faria

O filme Pra Frente Brasil, de Roberto Faria, vencedor dos prêmios de melhor filme e melhor edição do Festival de Gramado de 1982, foi vetado pela Divisão de Censura, da Polícia Federal, no momento em que se expirava, por lei, o prazo de 20 dias para que o órgão emitisse seu parecer sobre a obra. O anúncio da interdição no Brasil foi feito pelo chefe do gabinete do Ministério da Justiça e presidente do Conselho Superior de Censura, Euclides Mendonça. Os censores, baseados no Decreto 20.496, de 24 de janeiro de 1946, alegaram o poder da obra em provocar incitamento contra o regime, a ordem pública, as autoridades e seu agentes. Era a primeira grande proibição política, depois da abertura.

Pra Frente Brasil foi o primeiro filme nacional a tratar diretamente, sem alegorias, da vida política no país durante os anos 70.

Os extremos na vida de um mesmo país
Reprodução de cena do filme Pra Frente Brasil. CPDoc JB
No ano de 1970, em meio à euforia do milagre econômico, enquanto o Brasil vibra com a seleção de futebol no México, residências são violadas, famílias se fragmentam, destinos se interrompem. Prisioneiros políticos vivem as mais desumanas experiências de tortura nos porões da ditadura militar. É nesse contexto que Pra Frente Brasil retrata a peregrinação de uma família classe média que, em virtude do desaparecimento de um de seus integrantes (confundido com um ativista político) descobre uma outra realidade nacional na clandestinidade.



Amanhã: 1934 - A magia de Ismael Nery


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1968 - Luther King é assassinado

Jornal do Brasil: Sexta-feira, 5 de abril de 1968
Líder da luta pelos direitos civis, Martin Luther King foi assassinado com um tiro no pescoço. Encontrava-se sozinho na varanda do hotel em que se hospedara, em Tennessee, quando foi alvejado. Conduzido imediatamente ao hospital, morreu instantes após ser internado, sem dizer uma só palavra, nem esboçar qualquer gesto.

Assim que a população tomou conhecimento do assassinato ocorreram saques, tiroteios e incêndios. O presidente em exercício, Lindon Johnson, falando pelo rádio e televisão ao País, fez um apelo para que o povo evitasse a violência além de pediu a união de todos os americanos no luto pela morte do líder. Apóstolo da não-violência, Luther King discordava dos líderes mais radicais do Poder Negro, sem fugir ao diálogo com eles. Como uma espécie de ponte entre radicais e conservadores, conseguiu se afirmar na liderança negra de maior prestígio no país e no exterior.

Seguidor de Gandhi, Martin Luther King morreu do mesmo modo que o seu mestre, 20 anos antes: assassinado. Sua devoção pelos da não-violência se manifestou quando o futuro líder pacifista, aos 20 anos de idade, ouviu uma conferência sobre Mahatma Gandhi na Universidade de Harvard. Nasceu em 1929 em Atlanta e era filho e neto de pastores da Igreja Batista. Tornou-se um dos mais importantes líderes do ativismo pelos direitos civis através de campanhas pela não violência e de amor para com o próximo. Luther King conferenciava com Ministros de Estado e várias vezes foi chamado para discutir problemas com Kennedy e Johnson. Em 1964, recebeu das mãos do Rei Olavo, da Noruega, o Prêmio Nobel da Paz, além de ter sido galardoado em seu país mais de 40 prêmios por suas atividades em prol da democracia.

Violência toma as ruas do Rio


No Rio de Janeiro, no instante em que os últimos fiéis deixavam a missa celebrada em memória de Édson Luís, as portas da igreja foram fechadas e um esquadrão de cavalaria, a galope, imprensou o povo contra o templo. Os padres escoltaram os estudantes até a Av. Rio Branco, formando um corredor de mãos dadas. Em frente ao Jornal do Brasil na mesma Rio Branco, a violência começou.



Viu-se então na Avenida e em ruas transversais, grupos de pessoas acuadas pelas bombas de gás e pela Polícia Montada. A Rádio JB foi silenciada por divulgar a agressão. O número de prisões deste dia dia chegou a 680.



Amanhã: Em 1982 - Pra Frente Brasil tropeça na Censura


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1948 - Truman assina Lei de Auxílio

Primeira página do Jornal do Brasil: Domingo, 4 de abril de 1948

"Poucos presidentes tiveram a oportunidade de assinar uma lei de tal importância... É a resposta dos Estados Unidos ao desafio que o mundo livre hoje enfrenta. É uma medida para a reconstrução, a estabilidade e a paz do mundo. Seu objetivo maior é assistir à preservação das condições sob as quais as instituições livres podem sobreviver". Harry Truman

O Presidente Truman assinou a Lei de Auxílio, mais tarde conhecida como a Doutrina Truman, aos países estrangeiros. Entre seus propósitos estava a autorização para a execução do Plano Marshall. A ação de recuperação européia previa uma doação norte-americana na ordem de seis bilhões de dólares em investimentos, além de outros benefícios para superar o mal-estar econômico-financeiro que assolava o mundo no Pós-Guerra. Os maiores favorecidos foram a Inglaterra, a França, a Itália e a Alemanha. O aporte inicial priorizou a compra de alimentos, rações e fertilizantes. Logo depois, investiu-se em matérias-primas, semi-industrializados, combustíveis e máquinas.

Em face da devastação resultante da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o Velho Continente vivenciou contínuas manifestações de contestação aos governos constituídos. As reivindicações mais incidentes refletiam a realidade caótica instaurada no continente: as necessidades sociais gravíssimas estendiam-se a todos os setores da vida européia. Nesse panorama, os Estados Unidos perceberam uma oportunidade de garantir o futuro do capitalismo, estreitar relações com os países europeus e manter o ritmo das exportações conquistado com o fomento do conflito mundial. Tal manobra foi uma resposta à expansão da União Soviética, que conquistava partidários do comunismo em todo o continente.

A supremacia americana na Europa

Durante os quatro anos de ação do Plano Marshall, o governo norte-americano investiu aproximados 17 bilhões de dólares na reconstrução da Europa Ocidental.

A partir da entrada dos recursos, o resultado foi quase que imediato. Com a retomada de fôlego, os países beneficiados reergueram os seus meios de produção e reorganizaram o comércio interno. Por outro lado, o grande favorecido com a estratégia foi o seu próprio idealizador. Os Estados Unidos garantiram a exportação de seus excedentes, autenticaram o seu prestígio, e consolidaram sua hegemonia na Europa Ocidental.


Amanhã: 1968 - Luther King é assassinado


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1983 - O mar serenou... Clara se foi

Jornal do Brasil: Domingo, 3 de abril de 1983
Clara Nunes passou 28 dias em estado de coma profundo depois de submeter-se a uma operação de varizes. No seu último show no Portelão, em Madureira, com a velha guarda da escola do seu coração, ela prometeu voltar no 1º domingo de abril. Voltou com um dia de antecedência, para ser velada por cerca de 50 mil pessoas, num Sábado de Aleluia nublado, na quadra se apresentou. Os fãs enfrentaram sol, chuva, brigas e empurrões, e por duas vezes o caixão balançou, quase caiu.

Os fãs cantavam a Valsa do Adeus quando o caixão foi fechado. O surdo da Bateria da Portela marcou a saída de Clara Nunes pela última vez da quadra da escola. O prefeito em exercício, Jamil Haddad, decretou luto oficial por três dias.

Clara Nunes nasceu na cidadezinha mineira de Paraopeba, em 1943. Mudou-se aos 14 anos, já orfã de pai, o violeiro Mané Serrador - cantador de folias-de-rei, para Belo Horizonte, e foi cantar no coral de uma igreja. Em 1960 Clara saia do anonimato quando conquistou o terceiro lugar na finalíssima nacional do concurso A Voz do Ouro ABC, cantando a Serenata do Adeus de Vinícius de Moraes. O salto para a projeção nacional foi em 1965, já no Rio de Janeiro, quando iniciou a longa parceria de 17 anos com a gravadora Odeon.

Foi uma grande profissional do disco e uma estrela de primeira grandeza do palco. Em 1972, no Teatro Glauce Rocha, dividiu espetáculos com Vinícius e Toquinho, e com Paulo Gracindo. Como testemunho de sua coragem e de sua dedicação à vida artística, em 1977, Clara Nunes inaugurou seu teatro no Shopping da Gávea, Rio de Janeiro com o espetáculo Canto das 3 Raças. Em 1981 levou milhares de pessoas ao Teatro Clara Nunes, para vê-la no show Clara Mestiça.


Uma desbravadora iluminada

Foi a primeira voz feminina a romper a barreira dos 100 mil discos, uma regra imutável dos corredores das gravadoras que dizia que mulher não vendia discos. Lançou para o sucesso de massa nomes idolatrados do mundo do samba. Gravou Candeia, Nelson Cavaquinho, Monarca, Dona Ivone Lara, Elton Medeiros, Paulinho da Viola, João Nogueira entre muitos outros da nata dos autores do gênero. Também passeou por outras veredas da música popular brasileira, sempre com resultados brilhantes. Clara deixa um rastro de luz pelo caminho artístico que soube cavar com energia, coragem e fé.

Amanhã: Em 1948 - Truman assina Lei de Auxílio


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1964 - Jango desiste e sai de cena

Primeira página do Jornal do Brasil: 3 de abril de 1964
"Considera-se o JORNAL DO BRASIL, em condições de absoluta autoridade para pregar a estrita solução legal, depois de reiteradamente e às custas dos maiores riscos, declarar a incompatibilidade do ex-Presidente João Goulart com o regime representativo. Em nenhum momento, por mais longe que houvéssemos caracterizado na ênfase da nossa luta, pretendemos ou sequer insinuamos uma conseqüência fora da lei para remediar o imenso mal causado aos interesses do País e do povo em todo o curso do pesadelo janguista... A Nação está convicta de uma nova era". Jornal do Brasil

Com ou sem renúncia expressa, João Goulart não era mais o presidente do Brasil. Do Rio de Janeiro, deslocou-se para Brasília, e de lá para o Rio Grande do Sul, onde desistiu de organizar uma estratégia de resistência ao golpe instituído contra seu governo. Na capital federal, Auro de Moura Andrade declarou vago o cargo de presidente e seguiu a prática Constitucional, empossando Ranieri Mazzili, que era o presidente da Câmara do Deputados.

O governo norte americano foi o primeiro a reconhecer a nova situação. Consolidava-se a reação conservadora, comandada pelos militares, que eliminavam definitivamente o populismo, abalado há muito tempo por suas próprias contradições internas.

O movimento militar deflagrado na véspera foi uma clara resposta às últimas medidas tomadas pelo Presidente João Goulart, entre elas: o decreto que pretendia dar início à Reforma Agrária, previa a encampação de refinarias particulares de petróleo e o tabelamento dos aluguéis, além de sua recente participação na reunião dos marinheiros e sargentos do Automóvel Clube.

Irritada, a cúpula militar entrou em ação. Nas primeiras horas do dia 31 de março, a guarnição do Exército em Juiz de Fora (MG), sobre o comando dos generais Olímpio Mourão Filho e Carlos Luís Guedes, rebelou-se contra o governo federal, dando início a uma marcha em direção ao Rio de Janeiro. Jango enviou tropas para conter os militares mineiros, porém, ao invés de defender o governo, os soldados aderiram ao levante que chegou com força máxima ao Rio. A essa altura, sem conta com o apoio popular esperado, Jango reconheceria que lutar para manter o governo significaria desencadear uma guerra civil e retira-se de cena, consolidando o desfecho do golpe.

A vida e a morte longe do Brasil
Protagonista de uma gestão conturbada na Presidência da República (1961-1964), sempre em conflito com frentes militares, o gaúcho de São Borja João Goulart, seguiu para o Uruguai em 4 de março de 1964 em busca de asilo político. Dois anos depois tomou parte na Frente Ampla, movimento político que tinha como objetivo lutar pela pacificação política do Brasil com a plena restauração do regime democrático. Com o precoce fim da Frente, teve as atividades políticas suspensas. Em 1973 foi morar na Argentina onde morreu em 1976, sem ter conseguido regressar ao Brasil.

Confira aqui notícias sobre O último discurso de Jango em 13 de março de 1964


Amanhã: 1983 - O mar serenou... Clara se foi


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