Arquivo de April 2008

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1980 - Chega ao fim uma Era de suspenses

Alfred Hitchcock. Reprodução/CPDoc JB

"Sempre adorei a história: um homem anda pela rua lendo o jornal. Há, logo à frente, um buraco de esgoto. Os espectadores olham: será que ele vai cair? O homem cai. Todos estouram de rir. A câmara se aproxima: o sangue corre de sua cabeça. Polícia, ambulância, hospital. Sua mulher e seus filhos chegam. Ele morre. Uma tragédia parte de um ponto cômico, mas o público riu, e agora está furioso e se sente ridículo. Não vejo uma linha real de demarcação entre a tragédia e a comédia". Hitchcock

O cineasta britânico Alfred Joseph Hitchcock, 80 anos, morreu em Bel Air, na Califórnia. Era o fim da história do mestre do suspense que impressionou gerações brincando com o medo e a morte.

Primeira página do Caderno B do Jornal do Brasil: quarta-feira, 30 de abril de 1980
Hitchcock ingressou no cinema europeu nos anos 20, como roteirista e criador de legendas para filmes mudos. Dirigiu seu primeiro filme em 1925 e depois seguiu para a América.
Experimentou diferentes recursos dramáticos em suas tramas, onde o humor e o suspense eram sempre ingredientes inseparáveis. Deixou um legado com mais de 60 títulos. Embora indicado seis vezes ao Oscar, jamais foi contemplado com a cobiçada estatueta Melhor Diretor da Academia de Cinema. Entre suas excentricidades, fazia aparições fugazes em seus filmes, quase sempre em circunstâncias inusitadas.

Popularidade de Hitchcock nas telas da tv

A partir da década de 50, Hitchcock aproximou-se do grande público apresentando um seriado na tv: Alfred Hitchcock Presents.

Com histórias criativas, cheias de humor negro e de suspense, o diretor trazia para os severos padrões da televisão americana a perversão dos princípios éticos da sociedade. Nunca a sua imagem e as suas idiossincrasias foram tão difundidas. A série atravessaria também a década seguinte. E com a popularidade alcançada, Hitchcock ganharia mais fôlego para a criação de novos trabalhos, garantido sucesso absoluto no mundo inteiro.


Amanhã: 1981 - Atentado no Riocentro


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1964 - Salve o Cavaleiro Jorge!

Primeira página do Caderno B do Jornal do Brasil: 23 de abril de 1964




São Jorge, o cavaleiro da armadura reluzente atingindo do seu cavalo o dragão com a lança, é um santo popular em todo o mundo.

Lenda ou realidade, tem presença significativa na história de grandes instituições, nas artes e na vida militar de numerosos países.

Foi o que resgatou a edição do Jornal do Brasil em 23 de abril de 1964, apontando o equívoco de considerá-lo apenas como patrono de seitas exóticas, atribuindo-lhe denominações e interferências conflitantes com o espírito da Igreja Católica, desconsiderando o que consta sobre a sua história.



Oficial de alta patente do exército romano, sofreu o martírio com outros cristãos nas perseguições do Imperador Diocleciano no século III. Contudo, o que consta das atas foi declarado sem autenticidade pelo Papa Gelásio, duzentos anos depois. Mas é certo que o militar foi martirizado e, o seu culto, nascido na Igreja Oriental chegou até a Igreja do Ocidente.

Foi feito patrono dos exércitos de várias nações, sobretudo cavalarias. Os gregos o denominaram mártir e puseram-se sob o seu patrocínio. A Inglaterra o tomou por padroeiro. Entre esses dois povos europeus o culto de São Jorge é tão popular como no Brasil. Em Portugal, a sua veneração começou no século XIV, quando D. João, após a batalha de Aljubarrota contra os castelhanos, reedificou o Castelo de Lisboa com o nome de Castelo de São Jorge, e ordenou que a sua imagem figurasse na procissão de Corpus Christi.

O culto de São Jorge chegou até nós ainda na fase da colonização. Reverbera por todo o país, mantido com grande respeito pelo povo. As corporações militares o consagram como patrono da cavalaria, e participam das comemorações que se celebram por seu nome.


Amanhã: 1967 - Komarov morre no espaço


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1976 - Tiradentes, herói ou construção social?

Jornal do Brasil: 21 de abril de 1976

"Condenam ao réu Joaquim José da Silva Xavier, por alcunha Tiradentes, alferes que foi da tropa paga da Capitania de Minas, a que com baraço e pregão, seja conduzido pelas ruas públicas ao lugar da forca, e nela morra morte natural para sempre, e que depois de morto lhe seja cortada a cabeça e levada a Vila Rica, onde no lugar mais público será pregada em um poste, até que o tempo a consuma e o seu corpo será divido em quatro quartos e pregado em postes, pelo caminho de Minas...." Trecho da sentença de condenação de Tiradentes que três dias após proferida, se cumpriu em 21 de abril de 1792.

Primeiro grande movimento libertário a eclodir no Brasil ou incidente conspiratório sem maior significação? A Inconfidência Mineira sempre dividiu historiadores, sobretudo quando coloca-se em xeque Joaquim José da Silva Xavier. Pagando suas convicções com a própria vida, teria sido ele o primeiro real democrata e republicano da História do país? Se o curso natural da história defendia esta condição, outra corrente, sem negar-lhe reconhecimento de vulto histórico, sustenta não ter o protomártir da Independência alçado ao status de herói nacional.

No aniversário da sua morte, o Jornal do Brasil reacendia a polêmica em torno da sua importância. O desfecho estava longe do fim.

Cinco maneiras de ver o alferes

Alto o baixo, gordo ou magro? Arquetipia de mártir, profeta ou traidor? Em julho de 1976, o Presidente Geisel (1974-1979) revogou um decreto restritivo de 1966 que impunha um modelo oficial da imagem de Tiradentes.

Restabelecida a liberdade artística na reprodução da figura de Tiradentes, o Jornal do Brasil deu continuidade a uma fantasia interrompida. Pediu a cinco artistas plásticos que retratassem o alferes: Reynaldo Fonseca, Guiaguido Bonfani, Sandro Donatello, Poty e Wilma Pasqualine. Para conferir os trabalhos, clique sobre o nome de seu autor.


Amanhã: 1972 - Médici sauda despojos de Pedro I


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1969 - Morreu Ataulfo, fica a sua obra

Jornal do Brasil: Terça-feira, 22 de abril de 1969
Ataulfo Alves de Sousa; mineiro de Miraí, ia fazer 60 anos. Desde pequeno cantava e lia os folhetos populares que apareciam em sua terra, muitas vezes modificando as letras para o seu estilo. Foi engraxate, marmiteiro, leiteiro, menino de recado, condutor de boi e plantador de café, arroz e milho.

Seu pai, o velho Severino foi um grande violeiro e repentista. Ataulfo tinha 10 anos quando ele morreu em 1919. Em 1927 decidiu vir para o Rio com um médico que fora amigo de seu pai. No Rio, emprega-se em uma farmácia na Rua São José. Conhece então uma 'mocinha irrequieta', amiga das filhas do patrão, e voltou a vê-la nos estúdios da RCA no dia da gravação de Tempo Perdido, sua primeira música em disco. A moça também ficaria famosa: Carmem Miranda.

Seu primeiro sucesso foi Saudade do Meu Barracão, em 1935 , gravado por Floriano Belham. Suas músicas logo começaram a fazer sucesso de crítica e de público.

Em 1942, Mário Lago entrega a Ataulfo uma letra para serem musicadas, resultando em grande sucesso popular a música Amélia, "que não me fez rico, apenas me deu fama". Juntos fizeram ainda Atire a primeira pedra, para o Carnaval de 1944, e em 1945 lançaram Capacho e Pra que mais Felicidade.

Criou seu primeiro grupo de pastoras, que não demorou em se dissolver. Um outro seria formado 10 anos mais tarde, para acabar em 1961. A partir daí, Ataulfo seguiu sozinho. Depois de realizar em 1964 uma temporada no Top Club, do Rio de Janeiro, decidiu em 1965 passar o titulo de General do Samba para seu filho, Ataulfo Alves Júnior.

Em decorrência do agravamento da úlcera, morreu após uma intervenção cirúrgica.

Ai que saudade da Amelia


Casado, pai de cinco filhos, Ataulfo vestia-se de uma maneira impecável, estando sempre na lista dos 10 mais elegantes. Jamais abandonou a noite, e dela fazia seu campo de luta pelo melhor samba.

Sua musicografia ultrapassa 320 canções, sendo uma das maiores da música popular brasileira. Para dar o último adeus a Ataulfo, numerosos artistas do Rio e de São Paulo foram ao cemitério, que se tornou pequeno demais para conter a multidão. Um choque da Polícia Militar e mais três viaturas da Polícia de Vigilância foram chamados para proteger os artistas e salvar o patrimônio do cemitério.

Amanhã: Em 1976 - Tiradentes, herói ou construção social?


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1973 - Portela, o berço do samba é lá

4 de março de 1973: Desfile da GRES Portela. CPDoc JB



"Neste meio século,
da casa modesta
da baiana festeira Ester Maria de Jesus
à suntuosa Academia
Natalino José do Nascimento;
de Paulo Benjamim de Oliveira
a Paulinho da Viola;
de Madureira à Avenida;
a Portela mostrou o samba
ao mundo inteiro
- tema do seu primeiro
desfile oficial, em 1935 -
e o transporta agora
ao território imaginário de Passárgada,
sonhado por Manoel Bandeira
".
DPD - JB


No ano do cinqüentenário da Portela, o Jornal do Brasil recontou a história do alvorecer da Azul e Branco na vanguarda do carnaval carioca numa matéria especialmente editada para presentear os integrantes da Escola. Não publicado, o material acaba de ser resgatado pelo CPDoc JB em homenagem ao seu 85º aniversário.


O berço deste gigante do samba foi um chalé em Osvaldo Cruz, na zona norte da cidade, onde Ester Maria de Jesus, no início dos anos 20, organizou o bloco Quem Fala de Nós Come Mosca, para desfilar pelo subúrbio. Mais tarde, já conhecido como Baianinhas de Osvaldo Cruz, passou a concorrer nos desfiles da Praça Onze. Integravam-no, entre outros, Paulo Benjamim de Oliveira, Antônio Caetano, Natal, Heitor dos Prazeres e Antônio Rufino dos Reis, bambas que fundaram, em 11 de abril de 1923, o Conjunto Carnavalesco Osvaldo Cruz na Estrada do Portela, na vizinha Madureira. Em 1928, a escola passou a se chamar Vai Como Pode, inaugurando o rol de títulos no primeiro desfile oficial de escolas de samba, em 1935, com o enredo O Samba Dominando o Mundo, de Paulo Benjamim de Oliveira e Antônio Caetano. A Portela, 21 vezes campeã do carnaval, contribuiu para a consolidação do samba como força popular e elemento de organização social.

O incidental nome coberto de glórias
Em março de 1935, em decorrência dos preceitos morais que o regime político vigente procurava incentivar, o chefe da polícia da Delegacia de Costumes e Diversões, Dulcídio Gonçalves recusou-se a renovar a licença da Vai Como Pode com este nome. Ele considerava a expressão ordinária e indigna às finalidades da associação. Sem conseguir dos sambistas presentes uma pronta sugestão, foi do próprio inspetor a solução, sugerindo a denominação Grêmio Recreativo e Escola de Samba Portela, em homenagem à rua de Madureira, endereço da sede onde se reunia a nata do samba da comunidade.


Amanhã: 1961 - A Terra é de azul muito claro


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1985 - Assim eu vejo a vida

Jornal do Brasil: Sexta-feira, 12 de abril de 1985
Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas ou Cora Coralina, a grande poetisa do Estado de Goiás, morreu de insuficiência respiratória aos 96 anos.

Símbolo da tradição interiorana, produziu uma obra poética rica em motivos do cotidiano. Cora Coralina escrevia com simplicidade, preocupada em entender o mundo que vivia, e compreender o real papel que devia desempenhar.

Seu primeiro livro, Poemas dos Becos de Goiás, foi publicado em 1965 quando tinha 75 anos. Onze anos mais tarde, em 1976, compôs Meu Livro de Cordel. Finalmente, em 1983 lançou Vintém de Cobre - Meias Confissões de Aninha.

Em 1979 recebeu uma carta de Carlos Drummond de Andrade, que a lança definitivamente como uma grande poeta.
Jornal do Brasil: Sexta-feira, 12 de abril de 1985
Foi a primeira mulher a receber o Troféu Juca Pato, da União Brasileira dos Escritores, escolhida a Intelectual do Ano. Na comemoração de seus 94 anos, admitia estar vivendo o melhor tempo de sua vida, "graças à coragem de contar minhas verdades". Meias verdades, como sugere o título de seu terceiro livro. Afinal, ela sempre repetia que ninguém conta verdades inteiras: - "temos três medos. Medo dos mortos, medo dos vivos e
medo de nós mesmos" - justificava.

Segundo a poetisa, eram duas as palavras-chave para se viver bem: compreensão e otimismo. Orgulhava-se de jamais ter escrito para se lamentar da vida: "Meus versos tem o cheiro de currais, da terra, tem o som livre do berrante. É água corrente, é semente, é vida" - dizia ela sempre que se deparava com uma manifestação pessimista. Não entendia a falta de otimismo dos jovens. Cora era especialista em pessoas e estava atenta a tudo que ocorresse no mundo.



Meu verso, água corrente, é semente

Cora nasceu em 1889 e começou a escrevera os 14 anos de idade. Casou em 1911 com um advogado paulista. Viveu 45 anos em São Paulo e retornou a Goiás em 1945. Doceira profissional, orgulhava-se da condição de "doceira maior da cidade", Sublinhava em rimas: "Meus doces deve comprar, meus livros você pode deixar, porque os doces se podem estragar e os livros não".
O poeta Carlos Drummond de Andrade lamentava não ter tido a sorte de conhecê-la pessoalmente. "Dá alegria na gente saber que existe bem no coração do Brasil um ser chamado Cora Coralina".


Amanhã: Em 1973 - Portela, o berço do samba é lá


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1973 - Um gênio que criou até o fim

Jornal do Brasil: 9 de abril de 1973
Estava em plena atividade, talvez em mais uma das suas muitas fases criativas, pintando temas de paisagens e crianças que comporiam os 201 quadros e desenhos a serem mostrados em junho, no Festival de Avignon. Pablo Picasso morreu aos 91 anos, vitimado por um edema pulmonar. Em idade avançada, sem ter sido velho um instante sequer.

Na sua obra monumental se incluem-se entre 13 e 14 mil pinturas e desenhos, 100 mil gravuras, 34 mil ilustrações de livros, e 300 esculturas e cerâmicas. Obteve dois grandes prêmios: o Carnegie Award (1930) e o Prêmio Lenin (1962).

Picasso foi um grande artista, que encheu o século com suas cores e suas formas, suas pesquisas, suas audácias e sua personalidade viva. "Toda pessoa que mereça ser chamado de pintor deve produzir pelo menos um quadro e vários desenhos por dia" - repetia Picasso.
Discutido, criticado, combatido, Picasso foi o único artista vivo a entrar para o acervo do Museu do Louvre, o qual lhe abriu as portas quando completou 90 anos.

Comunista militante, apoiou os combatentes que defendiam a República Espanhola, finalmente derrotada pelas tropas do General Franco na Guerra Civil Espanhola (1936-1939). Picasso jurou que jamais pisaria o solo espanhol "enquanto lá existisse a ditadura franquista". E cumpriu o juramento, pois nunca retornou à Espanha.

O seu grande mural Guernica, elaborado para condenar o bombardeio aéreo dessa pequena e indefesa cidade do País Vasco durante a Guerra Civil, tornou-se um ícone universal contra os horrores da guerra moderna.

Um dos grandes artistas do século XX, deixou uma imagem de irreverência e de vitalidade incontida, que se confundia numa lenda: a lenda de Picasso.


Picasso: Homem feito lenda

Jornal do Brasil: Segunda-feira, 9 de abril de 1973



Picasso nasceu em Málaga, sul da Espanha, a 25 de outubro de 1881. Filho de José Ruiz Blanco, um pintor profissional e professor de História da Arte, e de Maria Picasso López, senhora de terras e vinhas herdadas do avô que emigrara para Cuba sem dar jamais qualquer sinal de vida. Picasso elegeu o nome de sua mãe como seu nome profissional em homenagem àquela que descobriu suas virtudes.

Considerado um dos artistas mais versáteis de todo o mundo, passou por vários estilos na pintura, entre eles o cubista, o surrealista e o expressionista. Produziu também esculturas e cerâmicas.


Amanhã: Em 1965 - Um moço de 74 anos


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1976 - Mostra 70 anos de Belas-Artes

Jornal do Brasil: Quarta-feira, 7 de abril de 1976

Fotos de época, documentos e recortes de jornais compuseram a exposição inaugurada no saguão principal do Museu de Belas-Artes, em comemoração aos 70 anos de lançamento da pedra fundamental do edifício sede da instituição cultural. O destaque da mostra foi a exibição da edição publicada pelo Jornal do Brasil em 8 de abril de 1906, no dia seguinte àquela solenidade, narrando o episódio e revelando a presença de pessoas ilustres como o Presidente da República Rodrigues Alves, o Prefeito Pereira Passos e o Engenheiro Paulo de Frontin.

O prédio se destinava, originalmente, a abrigar a Escola Nacional de Belas-Artes, dirigida pelo escultor Rodolfo Bernadelli, que, com seu prestígio conseguiu promover a expansão física da instituição através de um projeto assinado pelo arquiteto e professor Morales de Los Rios. Uma arquitetura influenciada pelo renascimento francês, inspirada no Louvre de Paris: abóbodas em forma de barrete; fachadas ornamentadas com medalhões e afrescos; desenhos simbolizando artistas renomados decorando as laterais do prédio. Em 13 de janeiro de 1937, mediante um decreto-lei, o prédio desvinculava-se da Escola e passava a se chamar e a funcionar como Museu Nacional de Belas Artes.

A origem do acervo do Museu prende-se à vinda da Família Real ao Brasil (1808), quando chegou aqui o conjunto de obras de arte proveniente de Portugal. Mérito de D. João VI, incentivador e promotor das artes, que poucos anos trouxe para o Brasil a Missão Artística Francesa, um grupo de hábeis artistas expulsos por Napoleão da Europa, liderados por Joaquim Lebreton. Era o começo da formação da mais importante pinacoteca da História do Brasil.


Amanhã: 1973 - Um gênio que criou até o fim



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1934 - A magia de Ismael Nery

Jornal do Brasil: Sábado, 7 de abril de 1934
Ismael Nery encerrou o ciclo de sua vida em plena mocidade. Possuia um talento estranho, crespo e desconcertante. Havia na estética de Ismael Nery, uma perturbadora mistura de poesia descomunal.

Através de sua retina, as figuras se alteravam, os planos se confundiam, os valores se transformavam. Mas sempre com uma doce e profunda magia. A arte de Ismael Nery era atormentada, dolorosa e sensual.

Há quadros seus em que vemos uma singular penetração de pessoas. O rosto do homem se reflete, fundido no rosto da mulher. O conflito amoroso dos sexos, o cotidiano das pessoas em momentos triviais eram uma constante obsessão do seu espírito. A maldição que o Senhor lançou sobre Adão e Eva, na manhã do pecado, encontrava o seu eco na arte desse pintor.

Ismael Nery deixou essa poesia e essa sensibilidade que lhe emolduravam a alma, traduzir-se em dezenas de quadros.

Poucos pintores brasileiros terão produzido com a abundância, a boa vontade, a euforia criadora que ele teve. E, entretanto, a verdade é que esse puro e exigente artista morre, sem ter tido do seu país a gratidão, as homenagens, a que fazia jus.

A obra de Ismael Nery permaneceu ignorada do público e da crítica até 1965, quando teve seu nome inscrito na 8ª Bienal de São Paulo, na Sala Especial de Surrealismo e Arte Fantástica. Suas obras também foram expostas na 10a Bienal de São Paulo. Foram feitas restrospectivas em 1966, no Rio de Janeiro e em 1984, no MAC-USP.
Muitos não terão sentido a falta de alguma coisa verdadeira, alta e bela, que rutilava na alma brasileira, enriquecendo-a e prestigiando-a . E essa alguma coisa era exatamente a luminosa e rara sensibilidade do pintor que acaba de morrer.



Amanhã: 1976 - Mostra 70 anos de Belas-Artes


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1983 - O mar serenou... Clara se foi

Jornal do Brasil: Domingo, 3 de abril de 1983
Clara Nunes passou 28 dias em estado de coma profundo depois de submeter-se a uma operação de varizes. No seu último show no Portelão, em Madureira, com a velha guarda da escola do seu coração, ela prometeu voltar no 1º domingo de abril. Voltou com um dia de antecedência, para ser velada por cerca de 50 mil pessoas, num Sábado de Aleluia nublado, na quadra se apresentou. Os fãs enfrentaram sol, chuva, brigas e empurrões, e por duas vezes o caixão balançou, quase caiu.

Os fãs cantavam a Valsa do Adeus quando o caixão foi fechado. O surdo da Bateria da Portela marcou a saída de Clara Nunes pela última vez da quadra da escola. O prefeito em exercício, Jamil Haddad, decretou luto oficial por três dias.

Clara Nunes nasceu na cidadezinha mineira de Paraopeba, em 1943. Mudou-se aos 14 anos, já orfã de pai, o violeiro Mané Serrador - cantador de folias-de-rei, para Belo Horizonte, e foi cantar no coral de uma igreja. Em 1960 Clara saia do anonimato quando conquistou o terceiro lugar na finalíssima nacional do concurso A Voz do Ouro ABC, cantando a Serenata do Adeus de Vinícius de Moraes. O salto para a projeção nacional foi em 1965, já no Rio de Janeiro, quando iniciou a longa parceria de 17 anos com a gravadora Odeon.

Foi uma grande profissional do disco e uma estrela de primeira grandeza do palco. Em 1972, no Teatro Glauce Rocha, dividiu espetáculos com Vinícius e Toquinho, e com Paulo Gracindo. Como testemunho de sua coragem e de sua dedicação à vida artística, em 1977, Clara Nunes inaugurou seu teatro no Shopping da Gávea, Rio de Janeiro com o espetáculo Canto das 3 Raças. Em 1981 levou milhares de pessoas ao Teatro Clara Nunes, para vê-la no show Clara Mestiça.


Uma desbravadora iluminada

Foi a primeira voz feminina a romper a barreira dos 100 mil discos, uma regra imutável dos corredores das gravadoras que dizia que mulher não vendia discos. Lançou para o sucesso de massa nomes idolatrados do mundo do samba. Gravou Candeia, Nelson Cavaquinho, Monarca, Dona Ivone Lara, Elton Medeiros, Paulinho da Viola, João Nogueira entre muitos outros da nata dos autores do gênero. Também passeou por outras veredas da música popular brasileira, sempre com resultados brilhantes. Clara deixa um rastro de luz pelo caminho artístico que soube cavar com energia, coragem e fé.

Amanhã: Em 1948 - Truman assina Lei de Auxílio


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