Arquivo de April 2008

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1981 - Atentado no Riocentro

Jornal do Brasil: Sexta-feira, 1 de maio de 1981

Duas bombas explodiram no Riocentro quando era realizado um show em homenagem ao 1º de Maio, com a participação de vários cantores de música popular brasileira.
A primeira bomba explodiu no interior do automóvel Puma cinza metálico RJ - 0297 que manobrava na pista do estacionamento enquanto, a 120 metros de distância, a cantora Elba Ramalho abria o show promovido pelo Centro Brasil Democrático. Uma segunda bomba explodiu 10 minutos depois, na casa de força do Riocentro. Uma terceira bomba que não explodiu foi recolhida pela polícia no automóvel destruído.

Os passageiros do Puma eram o Sargento Guilherme Pereira do Rosário, que morreu na hora, e o capitão Wilson Luis Chaves Machado, que ficou gravemente ferido. O carro estava cheio de explosivos e ficou parcialmente destruído. Os policiais encontram e recolheram partes dos corpos dos seus ocupantes em pontos distantes mais de 50 metros do carro.

A área teve sua faixa de isolamento ampliada e o policiamento foi duplicado, tendo sido proibido fotografar a qualquer distância do local. A intenção dos policiais era evitor que os fotógrafos e as câmeras de televisão documentassem o ocorrido. O Exército assumiu a responsabilidade de investigar o atentado.
Jornal do Brasil: Sábado, 2 de maio de 1981



Em 1974, Ernesto Geisel havia sinalizado, através de discursos e declarações, que iniciaria a abertura política de forma lenta, gradual e segura. Os civis e militares contrários à redemocratização iniciaram então um processo violento contra os grupos que faziam oposição ao regime militar. Foram vários os casos de tortura, assassinatos, bombas, e execuções por esquadrões da morte.


A bomba explodiu no governo

A bomba arrebentou com a credibilidade do governo. O Exército assumiu as investigações e, contra os laudos periciais que indicaram que uma das bombas explodira no colo do sargento, concluiu que os dois militares, em vez de autores do atentado, teriam sido vítimas de um ato terrorista.

Foi realizada uma nova investigação, que não respondeu à principal pergunta: quem mandou explodir a bomba no Riocentro e até que ponto o conhecimento desse atentado subiu a escala hierárquica das Forças Armadas.

Até hoje o atentado não foi totalmente esclarecido.



Amanhã: Em 1940, a festa do proletariado


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1925 - Palácio Monroe abriga Senado

Jornal do Brasil: Terça-feira, 28 de abril de 1925.
O Pavilhão Monroe foi entregue à Mesa do Senado Federal na presença do Vice-Presidente da República Estácio Coimbra, do Senador Mendonça Martins, e do Sr. Mozart Lago, representante do Ministro da Justiça Antônio Azeredo. A proposta era servir à casa, como abrigou provisoriamente a Câmara de Deputados durante a construção da sede oficial (Palácio Tiradentes), inaugurada durante as comemorações do centenário da Independência em 1922. Para tanto, passou por obras de expansão e alteração em sua infra-estrututa.


O Palácio Monroe foi projetado originalmente para ser o Pavilhão do Brasil, e funcionar como vitrine para produtos nacionais na Exposição Internacional de Saint Louis, no estado americano do Missouri, em 1904. Contudo, havia a obrigatoriedade da sua posterior transferência para da Capital do Brasil. Dessa forma, o idealizador do projeto, Coronel Francisco Marcelino de Sousa Aguiar, concebeu uma estrutura metálica desmontável, capaz de ser remanejada quando do encerramento do evento. Sua notabilidade arquitetônica teve reconhecimento internacional com a conquista da medalha de ouro no Prêmio Mundial de Arquitetura, o mais concorrido emblema do gênero à época.

Encerrado o evento, o pavilhão foi transportado para o Rio de Janeiro, sendo a primeira edificação erguida na Avenida Central após sua inauguração no ano anterior, e sediou a Terceira Conferência Pan-Americana. Por esse mérito, a construção, com nome original Palácio de Saint-Louis, recebeu em 1906 o título Palácio Monroe, por sugestão do Barão do Rio Branco, Ministro das Relações Exteriores, em homenagem ao Presidente norte-americano, James Monroe, fundador do Pan-Americanismo.

História de glórias fadada a escombros

Após abrigar o Senado, fechado durante o Estado Novo, o Palácio Monroe foi endereço interino do Tribunal Superior Eleitoral. Com a transferência da capital para Brasília, exerceu a função de escritório de representação do Senado no Rio de Janeiro. Durante o Regime Militar, sediou o Estado-Maior das Forças-Armadas. Ainda nos anos 70 acabou vencido por uma campanha que, alegando questões estéticas e de engenharia de trânsito, prescreveu seus últimos dias, consumados com uma ordem federal de demolição. O desmonte, quase artesanal, durou meses, chegando ao fim no inverno de 1976.


Amanhã: 1945 - A execução de Mussolini


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1984 - A emenda Dante de Oliveira

Primeira página do Jornal do Brasil: Quinta-feira, 26 de abril de 1984







"Que país é este? - era a indagação que se fazia à sociedade quando o Brasil se preparava para o reencontro com as liberdades públicas. O Estado concedia quotas de liberdades mas se prevalecia do autoritarismo institucionalizado.

Levantou gradualmente a censura à imprensa, mas se reservava o arbítrio até para impor sua vontade ao Congresso. Soube-se que país era aquele.

Mas que país, afinal de contas é este? Uma democracia certamente não é e nem será enquanto o Estado pretender que a vontade nacional continue a ser ditada pelos instrumentos de coação da sociedade
".
Editorial JB








Chegou ao plenário do Congresso, alavancada pela Campanha das "Diretas Já" em incansável peregrinação pelo país, a Emenda Constitucional Dante de Oliveira, proposta pelo deputado federal homônimo, com objetivo de instaurar eleições diretas para a presidência da República.

A sessão era o triunfo do movimento civil reivindicatório de eleições presidenciais diretas no Brasil, iniciado oficialmente durante um discurso no interior pernambucano no ano anterior, e orquestrado com sucessivas adesões de importantes lideranças da vida pública nacional. Por todo o país o povo acompanhou a contagem de votos em painéis instalados em praças públicas. No Rio, a concentração foi na Cinelândia. No ABC Paulista, houve manifestações de trabalhadores em empresas metalúrgicas e, na Capital, o povo reuniu-se na Praça da Sé. Em Brasília, universitários e secundaristas escreveram com seus corpos a frase Diretas Já, nos gramados do Congresso. Algumas emissoras de rádio e televisão sofreram censura e tiveram a transmissão suspensa durante horas, voltando a funcionar somente à noite.

Adiado sonho de votar para presidente

Com galerias tomadas, o plenário votou a emenda Dante de Oliveira sob tensão, até as primeiras horas da madrugada do dia seguinte, numa das mais exaustivas sessões da história do Congresso Nacional. Ao final de mais de 60 discursos, era adiado mais uma vez o sonho nacional de escolher o presidente do país através do voto direto. Com 298 votos favoráveis, 65 contrários, 3 abstenções e a ausência de 113 deputados - estratégia adotada pelo Partido Democrático Social (PDS), o Congresso rejeitou, por falta de quórum constitucional, a emenda em questão, retardando o processo de redemocratização do País.


Amanhã: 1986 - O terrível acidente nuclear


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1980 - Líderes presos, greve continua

Primeira página do Jornal do Brasil: Domingo, 20 de abril de 1980

"Espero que a organização de vocês persista, porque ela é a única arma que lhes dará a vitória; permaneçam unidos em torno de suas lideranças; a única voz que deve ser ouvida é a voz das lideranças, de Lula e das pessoas por ele indicadas". D. Cláudio Hummes

Após uma negociação fracassada por melhorias trabalhistas para a classe metalúrgica, que resultou numa greve geral no início de abril, vários líderes sindicais foram detidos pelo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS). Entre eles estava Luis Inácio da Silva, o Lula, enquadrado na Lei de Segurança Nacional.

No mesmo dia das prisões, uma assembléia reunindo 40 mil metalúrgicos na cidade paulista de São Bernardo, decidiu pela continuidade da greve.
Jornal do Brasil: Domingo, 20 de abril de 1980 - página 20


Declarando abertamente o apoio da Igreja, o Bispo Dom Cláudio Hummes anunciou aos trabalhadores presentes que a Igreja assumiria toda a responsabilidade pela arrecadação e manutenção do fundo de greve, pedindo a união da classe.


À noite, após depoimento, alguns presos foram liberados, entre eles, Frei Chico, irmão de Lula. Dele partiu a informação de que seu irmão fora posto em regime de incomunicabilidade, mas que mandara uma mensagem pedindo que os metalúrgicos mantivessem a calma e não aceitassem provocações.

No 1º de maio, a força sindical foi demonstrada nas manifestações populares pelo dia do trabalhador em todo o Grande ABC paulista.

A greve durou 41 dias. No mesmo dia em que o parque industrial do Grande ABC retomou as atividades, Lula foi conduzido, escoltado, para presenciar o velório de sua mãe. A cena se repetiu no dia seguinte, para que ele acompanhasse também o enterro. Lula e demais detidos foram libertados no dia 20 de maio.

A nova luta das lideranças sindicais

Durante o regime militar, entre 1964 e 1985, as greves foram proibidas no Brasil. Ditas subversivas, quem a elas aderisse ficava sujeito aos rigores da Lei de Segurança Nacional. Com o crescimento econômico e os anseios políticos generalizados na virada dos anos 80, as paralisações coletivas voltaram à cena. A greve do ABC marcou a retomada dessas manifestações de massa, quando delineou-se uma nova estratégia, mais abrangente, para a ação sindical no país. As lideranças sindicais partiram para uma luta política que ia além das reivindicações salariais. Dentre elas, destacava-se Luis Inácio da Silva.


Amanhã: 1969 - Morreu Ataulfo, fica a sua obra


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1973 - Censura reexamina revistas

Jornal do Brasil: terça-feira, 17 de abril de 1973
O General Nilo Canepa, diretor do Departamento de Polícia Federal, baixou a Portaria número 209 que determinava o reexame de todas as publicações periódicas e o registro das mesmas no Departamento de Censura.

O objetivo da portaria era verificar a existência de matérias potencialmente ofensivas à moral e aos bons costumes, e que não deveriam ser expostas à venda nem distribuídas a seus assinantes.

O Ato Institucional no. 1, de 9 de abril de 1964, foi o documento pioneiro da censura. Em agosto de 1966 o governo promulgou a Lei no. 5089 proibindo a impressão e a circulação de publicações que trouxessem crimes, terror ou violências como temas dirigidos a crianças e adolescentes. Com o AI-5 em dezembro de 1968, o Decreto-lei foi instituído um novo Código Penal, que fazia referências aos meios de comunicação.

Todas as revistas que circulam no país, nacionais ou estrangeiras, deveriam ser registradas na Divisão de Censura e Diversões Públicas do DPF. Com esta nova portaria, ficou abolido o uso da embalagem em material opaco, resistente e fechado, que era destinada a evitar o acesso de menores às publicações a eles proibidas.

Os órgãos descentralizados do Departamento de Polícia Federal deveriam recolher as publicações em que fossem encontradas circulando sem registro e enviar ao Departamento de Censura um exemplar de cada número arrecadado, para averiguação das matérias nele contida.

A portaria baseou-se no Decreto-Lei de 26 de janeiro de 1970, assinado pelo Presidente Médici. "Não serão toleradas as publicações e exteriorizações contrárias à moral e aos bons costumes, quaisquer que sejam os meios de comunicação".




Revistas deixam de circular

Como resultado das averiguações foram proibidas 46 revistas estrangeiras e 14 nacionais, inclusive as de humor do gênero de Garotas e Piadas, Evas e o Bom Humor.

Como repressão à divulgação de temas eróticos, revistas estrangeiras de atualidades, como Der Spiegel e Stern, e de entretenimento, como Penthouse, Lui, Playboy e Playmen - que havia publicado as fotografias de Jacqueline Onassis nua, deixaram de circular no pais por determinação do Sr. Rogério Nunes, diretor da Divisão de Censura de Diversões Públicas, do Departamento de Polícia Federal.


Amanhã: 1996 - Crime e impunidade no Pará


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1968 - Irmãos denunciam tortura

Jornal do Brasil: Domingo, 14 de abril de 1968 - página 3


Um dia após serem libertados, com vários hematomas e queimaduras de choques elétricos por todo o corpo, os irmãos Ronaldo e Rogério Duarte denunciaram as torturas que sofreram num quartel do Exército da Vila Militar onde foram advertidos que correriam risco de vida se revelassem o episódio publicamente, embora servissem de exemplo para intelectuais, padres, jornalistas e artistas.

No dia 4 de abril, Ronaldo, cineasta, e Rogério, artista plástico seguiram até a Candelária, para acompanhar a missa de 7º dia do estudante Edson Luis. Contudo, em virtude do clima de tensão evidente, acabaram desistindo e foram interceptados por agentes não identificados ao tentarem voltar para casa. Levados por uma viatura, em poucas horas, davam entrada num local soturno, que pressupunham ser, no subúrbio da cidade. Prontamente, seriam iniciados na primeira sessão de tortura das inúmeras que se repetiriam durante dias seguidos. Além de diversas formas de agressão física, foram ridicularizados sob palavras de intimidação e interrogados sobre seu envolvimento no movimento estudantil. Para cada resposta não satisfatória, os recursos de terror se intensificavam, até que exauridos os torturados e satisfeitos os torturadores, a sessão era interrompida. Nos dois últimos dias de clausura receberam tratamento dos ferimentos e hematomas. E viveram um outro tipo de experiência: a tortura psicológica. Das celas em que estavam, ouviam os gritos lancinantes de pessoas em desespero sem saber se passariam pelo processo novamente.

Na última noite, após preencherem um questionário, foram conduzidos a um matagal e deixados onde encontrava-se o carro do próprio Ronaldo. Já em liberdade, seguiram para casa.

Exército nega, mas regime recrudesce
As revelações dos irmãos Duarte causaram imediata indignação nos círculos do Exército. O relato dos dois irmãos foi apontado como contraditório. Mas, diante das marcas de hematomas e queimaduras, nas circunstâncias em que invadiram seus corpos e mentes, a confusão se justificava.

Rogério e Ronaldo foram umas das primeiras vítimas a denunciarem publicamente a tortura no regime militar. O episódio mobilizou várias lideranças. Outros crimes de torturas vieram à tona. Mas, não rechaçaram a incidência de casos que estariam por vir nem coibiram a promulgação do AI-5.


Amanhã: 1976 - A legitimidade como marca


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1982 - Pra Frente Brasil tropeça na Censura

Primeira página do Caderno B do Jornal do Brasil: Terça-feira, 6 de abril de 1982
"Penso que um país que caminha para a democracia, firmemente conduzido pelo Presidente Figueiredo, que reiterou diversas vezes essa intenção, não deve temer o filme. Pra Frente Brasil não é um incitamento à derrubada da ordem vigente, pelo contrário. É um filme contra a violência, e acredito que todos os brasileiros sejam contra a violência. Somente por essa razão é que se caminha para uma democracia". Roberto Faria

O filme Pra Frente Brasil, de Roberto Faria, vencedor dos prêmios de melhor filme e melhor edição do Festival de Gramado de 1982, foi vetado pela Divisão de Censura, da Polícia Federal, no momento em que se expirava, por lei, o prazo de 20 dias para que o órgão emitisse seu parecer sobre a obra. O anúncio da interdição no Brasil foi feito pelo chefe do gabinete do Ministério da Justiça e presidente do Conselho Superior de Censura, Euclides Mendonça. Os censores, baseados no Decreto 20.496, de 24 de janeiro de 1946, alegaram o poder da obra em provocar incitamento contra o regime, a ordem pública, as autoridades e seu agentes. Era a primeira grande proibição política, depois da abertura.

Pra Frente Brasil foi o primeiro filme nacional a tratar diretamente, sem alegorias, da vida política no país durante os anos 70.

Os extremos na vida de um mesmo país
Reprodução de cena do filme Pra Frente Brasil. CPDoc JB
No ano de 1970, em meio à euforia do milagre econômico, enquanto o Brasil vibra com a seleção de futebol no México, residências são violadas, famílias se fragmentam, destinos se interrompem. Prisioneiros políticos vivem as mais desumanas experiências de tortura nos porões da ditadura militar. É nesse contexto que Pra Frente Brasil retrata a peregrinação de uma família classe média que, em virtude do desaparecimento de um de seus integrantes (confundido com um ativista político) descobre uma outra realidade nacional na clandestinidade.



Amanhã: 1934 - A magia de Ismael Nery


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1964 - Jango desiste e sai de cena

Primeira página do Jornal do Brasil: 3 de abril de 1964
"Considera-se o JORNAL DO BRASIL, em condições de absoluta autoridade para pregar a estrita solução legal, depois de reiteradamente e às custas dos maiores riscos, declarar a incompatibilidade do ex-Presidente João Goulart com o regime representativo. Em nenhum momento, por mais longe que houvéssemos caracterizado na ênfase da nossa luta, pretendemos ou sequer insinuamos uma conseqüência fora da lei para remediar o imenso mal causado aos interesses do País e do povo em todo o curso do pesadelo janguista... A Nação está convicta de uma nova era". Jornal do Brasil

Com ou sem renúncia expressa, João Goulart não era mais o presidente do Brasil. Do Rio de Janeiro, deslocou-se para Brasília, e de lá para o Rio Grande do Sul, onde desistiu de organizar uma estratégia de resistência ao golpe instituído contra seu governo. Na capital federal, Auro de Moura Andrade declarou vago o cargo de presidente e seguiu a prática Constitucional, empossando Ranieri Mazzili, que era o presidente da Câmara do Deputados.

O governo norte americano foi o primeiro a reconhecer a nova situação. Consolidava-se a reação conservadora, comandada pelos militares, que eliminavam definitivamente o populismo, abalado há muito tempo por suas próprias contradições internas.

O movimento militar deflagrado na véspera foi uma clara resposta às últimas medidas tomadas pelo Presidente João Goulart, entre elas: o decreto que pretendia dar início à Reforma Agrária, previa a encampação de refinarias particulares de petróleo e o tabelamento dos aluguéis, além de sua recente participação na reunião dos marinheiros e sargentos do Automóvel Clube.

Irritada, a cúpula militar entrou em ação. Nas primeiras horas do dia 31 de março, a guarnição do Exército em Juiz de Fora (MG), sobre o comando dos generais Olímpio Mourão Filho e Carlos Luís Guedes, rebelou-se contra o governo federal, dando início a uma marcha em direção ao Rio de Janeiro. Jango enviou tropas para conter os militares mineiros, porém, ao invés de defender o governo, os soldados aderiram ao levante que chegou com força máxima ao Rio. A essa altura, sem conta com o apoio popular esperado, Jango reconheceria que lutar para manter o governo significaria desencadear uma guerra civil e retira-se de cena, consolidando o desfecho do golpe.

A vida e a morte longe do Brasil
Protagonista de uma gestão conturbada na Presidência da República (1961-1964), sempre em conflito com frentes militares, o gaúcho de São Borja João Goulart, seguiu para o Uruguai em 4 de março de 1964 em busca de asilo político. Dois anos depois tomou parte na Frente Ampla, movimento político que tinha como objetivo lutar pela pacificação política do Brasil com a plena restauração do regime democrático. Com o precoce fim da Frente, teve as atividades políticas suspensas. Em 1973 foi morar na Argentina onde morreu em 1976, sem ter conseguido regressar ao Brasil.

Confira aqui notícias sobre O último discurso de Jango em 13 de março de 1964


Amanhã: 1983 - O mar serenou... Clara se foi


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