Arquivo de May 2008

RSS Feeds

1968 - O futuro do Corpo Humano

Jornal do Brasil: Terça-feira, 28 de maio de 1968
Havia qualquer coisa de estranho na madrugada do Hospital das Clínicas em São Paulo. Grupos de médicos e enfermeiras encontravam-se para trocar idéias ao longo dos intermináveis corredores. No hall, na entrada da sala cirúrgica o clima de agitação era particularmente acentuado: não havia médico ou enfermeira que não colocasse o nariz contra o vidro da janelinha da porta de acesso.

O primeiro transplante de coração foi feito pelo médico Dr. Euríclides de Jesus Zerbini, que logo após sair da mesa de operação, ainda afrouxando os cordões da máscara e recompondo os cabelos espremidos sob a touca branca, responde com o polegar levantado e um sorriso aberto.

No isolamento, ao lado da cirurgia, o coração de um doador anônimo, morto naquela mesma madrugada por atropelamento, palpita no peito de um boiadeiro mato-grossense, portador de uma incurável moléstia de Chagas.

O Presidente Costa e Silva transmitiu através do Gabinete Civil as "mais calorosas felicitações do Governo e do povo brasileiro". Em sua mensagem, Costa e Silva ressaltou que o sucesso da intervenção cirúrgica enchia de orgulho a Nação e elevava a medicina brasileira. Em Paris, Bruxelas e Lisboa o êxito da cirurgia brasileira foi noticiada.
Jornal do Brasil: Terça-feira, 28 de maio de 1968


Uma trajetória salvando vidas


Euclydes de Jesus Zerbini nasceu em Guaratinguetá - São Paulo em 1912, tornando-se um importante cirurgião. Pioneiro da cirurgia cardíaca, o Dr. Zerbini já era um conceituado cirurgião mesmo antes do transplante. Em 1942 havia salvo a vida de um menino de 7 anos ao abrir seu coração e religar a artéria coronária. Além do pioneirismo nesse tipo de cirurgia, Zerbini foi responsável por tornar o Brasil um dos mais avançados centros de cirurgia cardiológica do mundo, com a criação do Instituto do Coração (Incor) em São Paulo. Dr. Zerbini morreu em 1993 aos 81 anos.




Amanhã: Em 1977 - Golpe de Angola



 Comentar

1974 - O grande maestro do Jazz

Jornal do Brasil: Sábado, 25 de maio de 1974
Um dos artistas musicais mais completo Duke Ellington morre aos 75 anos.

Edward Kennedy Ellington foi um maestro invejável, um pianista fabuloso e compositor criativo. O apelido de Duke (duque) vinha pela sua elegância em se vestir.

Já tinha intimidade com o piano aos 7 anos de idade. Com 17 anos, o garoto Edward aceitava um emprego de pianista de ragtime no Poodle Dog Café. Foi nesta época que escreveu sua primeira composição "Soda Fountain Rag". Em 1918, Ellington formou um conjunto,os Washingtonians foram para Nova Iorque em 1922. A banda conseguiu um emprego no Clube Hollywood, na Broadway. Este contrato deu fama e prestígio ao jovem bandleader de Washington. Permaneceu até 1927, quando foi substituir um dos pais do Jazz, King Oliver no Cotton Club. Foi lá que Ellington estabeleceu sua reputação de chefe de orquestra e produziu as suas primeiras composições importantes, nos quatro estilos que caracterizariam sua obra.

Comprovando a teoria de maestro, a futura Duke Ellington Orchestra absorveria os melhores músicos, sempre em busca de novos e eficientes nomes para os instrumentistas. As gravações da orquestra começaram em 1925 e, em 1933 parte para sua tournée européia. Em 1943 faria sua apresentação no Carnegie Hall.


Já foi dito que Duke Ellington e sua obra formam um universo dentro do universo do jazz. Sempre foi difícil separar o bandleader e o compositor. Edward Kennedy Ellington foi um arquiteto musical, um artista que usou sua sensibilidade, sua inteligência e o seu humor para dizer, na sua linguagem e tom o que tinha necessidade de dizer, seja sobre gente, sobre coisas ou sobre estados de espírito.


Os quatro estilos ellingotniano

O primeiro estilo de Ellington é o estilo jungle: temas jazzísiticos, fortemente marcados pelo blues e tratados como pequenos poemas sinfônicos, que procuram evocar a atmosfera densa e misteriosa da selva africana (Black and Tan Fantasy).
O segundo estilo típico da obra de Duke é o mood, composições de peças tipo standard, com uma densa atmosfera harmônica (Solitude, Mood Indigo). O estilo menos importante é o Standard (Moonglow). Já o estilo Concerto é o das obras mais cuidadas, trabalhadas e destinadas inicialmente a destacar um dos muitos grandes solistas da orquestra.

Amanhã: Em 1963 - O melhor basquete do mundo

 Comentar

Hoje na História - Siga no Twitter!