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1962 - Palma de Ouro para o cinema brasileiro

Primeira página do Jornal do Brasil: Quarta-feira, 24 de maio de 1962



O filme brasileiro
O Pagador de Promessas,
baseado na peça homônima
de Dias Gomes,
conquistou a Palma de Ouro
no Festival Internacional
de Cinema de Cannes,
na França,
sagrando-se o melhor longametragem
entre 70 concorrentes de 36 países.

Sob direção de Anselmo Duarte,
reuniu em seu elenco
Leonardo Villar, Glória Menezes,
Dionísio Azevedo, Norma Bengel
e Geraldo Del Rey.

O escritor Dias Gomes declarou
que o resultado representava
uma vitória do cinema
e do teatro brasileiros.


O Pagador de Promessas retrata a fé de um sertanejo nordestino ao fazer uma promessa a Santa Bárbara num terreiro de candomblé no interior da Bahia, pela recuperação da saúde de seu burro de estimação. Pedido concedido, inicia a saga do protagonista: na companhia de sua esposa, deixa a sua realidade humilde, carregando uma imponente cruz nas costas a ser depositada na igreja da capital. Lá, enfrenta a intransigência do padre que o impede de entrar e concluir a promessa. O gesto repercute prontamente. Oportunistas se aglomeram à porta da igreja, tomando partido do casal que, revelando a inocência do sertanejo brasileiro, permanecesse alheio a tudo. O drama se encerra com o recrudescimento das manifestações de protesto que culminam na morte do pagador da promessa.


Jornal do Brasil: Quarta-feira, 24 de maio de 1962 - página 5

O Pagador de Promessas é brasileiríssimo

Houve um triste e desolado abanar de cabeça entre os cineastas brasileiros quando O Pagador de Promessas foi escolhido entre as produções nacionais para representar o Brasil em Cannes. Afinal de contas, havia Os Cafajestes e não se compreendia como preterir um filme igualzinho àqueles que a Europa fazia. Mas O Pagador de Promessas, tão do povo brasileiro, seguiu para o festival com aquela fé também tão brasileira, sem a qual não se atravessa uma rua (a frase é de Nelson Rodrigues) e... venceu.

Um constrangimento aos pessimistas de plantão.


Amanhã: 1974 - O grande maestro do Jazz


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1935 - 50 anos sem Victor Hugo

Jornal do Brasil: Terça-feira, 21 de maio de 1935
O meio centenário da morte de Victor Hugo foi lembrado no Jornal do Brasil em 1935 quando, a 22 de maio de 1885, a França toda cobriu-se de luto. Cerca de 90 mil pessoas acompanharam o cortejo até o Panthéon. Entre as inúmeras coroas estavam a da Colônia Francesa do Rio de Janeiro e a da República Federativa do Brasil.

Vitor Hugo tinha veneração por pombos. A pedido de Leopoldo Hugo, sobrinho do escritor, soltaram-se 150 pombos na passagem do cortejo.

Victor-Marie Hugo nasceu em 26 de fevereiro de 1802. Poeta, novelista e dramaturgo francês cujas volumosas obras o constituíram como expoente da escola romântica. Foi um menino precoce e ainda criança decidiu ser escritor. Chateaubriand chamava-o de L'Enfat Sublime. Em 1819 fundou com seus irmãos uma revista e, neste mesmo ano, ganha o concurso da Academia de Jogos Florais de Toulouse.

Em 1822 publicou seu primeiro volume de poemas, "Odes", admiráveis pela riqueza, variedade e novidade do ritmo, beleza do estilo e poder de inspiração. Em 1823 publicou "Orientales". A partir de 1827 publicou um grande número de dramas em verso e em prosa. Suas obras mais famosas são Les Misérables e de Notre-Dame de Paris.

Apesar de criado no espírito da monarquia, Hugo se entusiasma com os valores revolucionários das camadas miseráveis. Torna-se deputado e assume uma radical oposição a Luís Napoleão Bonaparte.

Exilado por Napoleão III em 1952 para Bruxelas, Guernsey e Jersey. Retorna à França quando a guerra explode e o Império desmorona, em 1870. A França e todo o mundo perderam um dos grandes gênios da literatura, Vitor Hugo deixou sua marca.



Amanhã: 1962 - Palma de Ouro para o cinema brasileiro

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1926 - Marinetti para o leitor do JB

Jornal do Brasil: Terça-feira, 18 de maio de 1926 - página 7





"Eu, que sou
um futurista italiano,
nascido em Alexandria do Egito,
concluo:
A pintura caminha
para uma expressão
sempre mais essencial
e abstrata
da maravilhosa modernidade,
geométrica, mecânica, veloz
.

Esta expressão plástica
realizará obras-primas,
se guardar,
no seu esforço de abstração,
o calor lírico indispensável
a cada obra de arte,
como a cada corpo vivo
".
Tommaso Marinetti




Defendendo a renovação
de valores estéticos
e condenando o academicismo,
o poeta futurista
Fillipo Tommaso Marinetti
escreveu um artigo exclusivo
para o Jornal do Brasil
sobre o panorama
da pintura no mundo,
suas motivações e tendências.



O depoimento fez parte da série de compromissos que Marinetti cumpriu por ocasião de sua polêmica vinda ao Rio de Janeiro para ministrar conferências à cerca das dissenções e rupturas ocorridas no campo artístico italiano em resposta ao futurismo. A controvertida aventura cultural promoveu as mais adversas reações públicas.

Respeitado e encorajado por um ávido público jovem, menosprezado e hostilizado pelas linhas tradicionais, o movimento estético futurista, através de seu símbolo maior, Marinetti, despertou admiração e repúdio nas mesmas proporções. Elogiando a renovação dos valores estéticos, condenava as regras acadêmicas e o estilo colonial. Exigia a destruição das grandes obras artísticas e literárias do passado, alardeava a sistemática glorificação do futuro: multidões, fábricas, arsenais, motores. Desejava atribuir um novo ritmo às artes, transmitir tensão e constante mutação. Desenvolvido em todas as artes, seu espírito irrequieto refletiu no dadaísmo, no concretismo, na tipografia moderna e no design gráfico pós-moderno.

A dinâmica como centro do futurismo
O movimento estético Futurismo eclodiu na Itália em 1909, ano em que teve suas bases lançadas com a publicação do Manifesto Futurista de Marinetti no jornal Le Figaro. Tratado como uma das primeiras vanguardas do século XX, trouxe para as artes a dinâmica emergente na sociedade européia: o furor da vida moderna decorrente da revolução industrial. Logo ganharia proeminência nas artes plásticas que exaltaria o fascínio pelas máquinas. Ecoou no Brasil, na Semana de Arte Moderna de 1922, mas já não tinha as forças originais, esvaziadas com o decurso da Primeira Guerra (1914-1919).


Amanhã: 1973 - Araceli, vítima da crueldade


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1975 - A saga teatral de Abajur Lilás

Jornal do Brasil: Segunda-feira, 28 de abril de 1975 - Caderno B, página 4
"Há muito tempo
que o teatro brasileiro
vem sofrendo
toda a sorte de pressões
e de cerceamento
à sua liberdade de expressão.
Os critérios utilizados
pelos poderes constituídos
escapam à nossa compreensão,
e o rigor que se utiliza contra nós,
impede freqüentemente
que possamos apresentar
um trabalho de maior profundidade
e de que sejamos
o espelho do nosso tempo,
como é função
da arte teatral
".
Manifesto da Classe Teatral


Os teatros paulistas suspenderam seus espetáculos em solidariedade ao autor Plínio Marcos, que teve sua peça Abajur Lilás novamente proibida pela Censura federal às vésperas de sua estréia. Em protesto, um manifesto da classe passou a circular no palco de várias companhias teatrais durante as semanas seguintes, antes das apresentações.



Abajur Lilás foi escrita em 1969. Naquela ocasião foram dados os passos iniciais para a montagem do espetáculo: seleção de elenco, produção, ensaios; prevendo-se a estréia para o ano seguinte. Mas chegou 1970 e veio o primeiro golpe: Numa das levas de textos teatrais vetados pelo Governo estava Abajur Lilás. A Censura sentenciou a proibição da obra por cinco anos para todo o território nacional. Em 1975, expirada a sentença, Abajur Lilás estava de volta. A montagem foi retomada. Realizado o ensaio final, tudo estava pronto. Ou quase: faltava a aprovação dos censores que avaliariam a encenação a portas fechadas tal como seria exibida ao público. E novamente Abajur Lilás sucumbia ao crivo da Censura. O Ministro da Justiça, Armando Falcão, reiterou a proibição, alegando ferir a moral e os bons costumes. Abajur Lilás, de simples obra de dramaturgia se preconizou como símbolo da persistência da classe teatral. A peça só foi liberada pela Censura em 1980.

Torturas, confissões e a redenção

De linguagem livre, Abajur Lilás polemiza em torno da disputa travada entre os personagens para descobrir o verdadeiro culpado pela destruição do objeto de desejo do protagonista, um abajur. A trama retrata a degradação humana nas relações entre personagens que sobrevivem à beira da marginalidade: Giro, um homossexual sádico; Dilma, prostituta moralista e apegada a valores; Heleninha, prostituta alienada e individualista; Célia, uma prostituta revoltada e firme; e Oswaldo, um gigolô. Um jogo de torturas e confissões, onde o conflito interno de cada personagem é a busca da redenção.


Amanhã: 1989 - China inicia uma nova era


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1998 - A América perde a Voz

Jornal do Brasil: Sábado, 16 de maio de 1998
Frank Sinatra, o cantor mais famoso e imitado do século 20, morreu de ataque cardíaco aos 82 anos. O cantor esteve ativo até 1996, quando ganhou um Grammy pelo disco Duets II, e não aparecia em público desde janeiro de 1997, quando sofreu um ataque cardíaco.

Fãs e amigos começaram a se reunir em frente à casa do cantor assim que circularam as primeiras notícias sobre sua morte. Rádios em todo o mundo começaram a tocar suas músicas.

Sinatra, conhecido como The Voice, ou Blues Eyes, influenciou e ainda irá influenciar muitas gerações. Seus duros olhos azuis comandaram a massa pop que começava a se formar com a globalização da música americana, no após-guerra.

Frank Sinatra foi marinheiro, padre, jornalista, guerrilheiro, cômico e militar ao longo da sua carreira no cinema. Deixou registradas cenas inesquecíveis nos filmes Night and Day, de 1943, Old Man River, de 1946, New York, New York de 1949 e All the Way, de 1957. Sinatra se inscreve na história do cinema como excelente ator por seu desempenho em A um Passo da Eternidade e Meu Ofício é Matar, nos quais não canta uma só canção.
Jornal do Brasil: Sábado, 16 de maio de 1998


Sinatra também era um mestre na arte da sedução. Foram muitos os seus casos amorosos e as incontáveis as suas conquistas.

Máfia, mulheres, presidentes e jornalistas foram suas ligações perigosas. Filho de italianos, Sinatra, desde moleque nas rua de Hoboken, desenvolveu contatos com a máfia. Tinha amizades incômodas dentro das grandes famílias mafiosas. Odiava a imprensa, jornalistas e fotógrafos. Brigou com as mulheres, rompeu com presidentes e espancou jornalistas. Mas com a máfia, Sinatra não brigou.




Caminhos cruzados no Brasil

Jornal do Brasil: Sábado, 16 de maio de 1998
Na década de 40, exportado pelas alianças da guerra mundial, a área de influência de Frank Sinatra já invadia os países periféricos como o Brasil. Em 1949, nascia no Rio o Sinatra-Farney Fã Clube.

Em 1967 Francis Albert Sinatra grava com Antônio Carlos Jobim, com arranjos de Claus Ogerman, versões em inglês das canções de Tom (The Girl From Ipanema, How Insensitive, Dindi, Quiet Night of Quiet Stars) e composições americanas, como I Concentrate On You, de Cole Porter.

Veio ao Brasil em 1980 para fazer alguns shows e o do Maracanã entraria para o Guiness pela superlotação.

Para saber mais, clique aqui.

Amanhã: Em 1975 - Censura proíbe Abajus Lilás

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1981 - Reggae perde Bob Marley

Jornal do Brasil: Terça-feira, 12 de maio de 1981 - página 4 do Caderno B


Bob Marley, 36 anos, o astro jamaicano da música reggae morreu vítima de câncer no cérebro, conforme noticiou o porta-voz do Hospital americano Cedros do Líbano em Miami, na Flórida, onde estava internado.

No dia 6 de abril de 1945, nascia no vilarejo de Nine Mile na Jamaica, de um súbito relacionamento entre um oficial do exército inglês e uma jovem nativa, Robert Nesta Marley, que se tornaria o principal difusor da música reggae e do rastafarianismo: Bob Marley.

Com apenas 21 anos, uniu-se aos amigos Peter Tosh e Bunny Wailer e fez surgir na favela onde moravam, na capital jamaicana o grupo The Wailing Wailers. Em meio à pobreza, criavam música aprimorando o reggae que começava a ganhar contornos. O sucesso veio com sucessivos discos lançados, motivando o rebatizamento do grupo como The Wailers, que ganhou novos integrantes, entre eles a futura mulher de Bob, Rita, com quem se casaria também em 66. Foi nesta época que Bob conheceu o rastafarianismo e, seguindo a filosofia da doutrina à risca, deixou de cortar os cabelos, passando a cultivar seus famosos dreadlocks. A projeção internacional chegou em 1975, quando Eric Clapton regravou um de seus maiores sucessos, I shot the sheriff. A versão do guitarrista inglês foi um marco na carreira de Bob, que a partir daí passou a excursionar por diversos países. Em 1977, a doença deu os primeiros sinais. Em respeito à sua religião, o cantor não cumpriu o tratamento médico recomendado. A doença progrediu a uma mestátase que interrompeu precocemente sua carreira quatro anos mais tarde. Passados 27 anos, a genialidade de Bob Marley se mantém influente através da crítica social de suas músicas entoadas como hinos em todo o mundo.

Festa na Urca e pelada de futebol

Embora o sonho de uma apresentação de Bob Marley no Brasil nunca tenha se concretizado, ele passou pelo país em 1980, convidado para uma festa da gravadora alemã Ariola, no Morro da Urca. Em sua breve estadia, participou do famoso evento esportivo do sítio de Chico Buarque: a pelada de futebol. Além do ilustre anfitrião, Marley, vestindo a camisa do Santos Futebol Club, compartilhou da companhia de famosos como os artistas Moraes Moreira e Toquinho, e o jogador Paulo Cesar Caju. Confira imagens acessando aqui!


Amanhã: 1937 - A coroação do Rei Jorge VI


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1990 - O silência da Divina brasileira

Primeira página do Caderno B:  8 de maio de 1990
"Até as deusas podem morrer. A ausência de Elizeth Cardoso silencia uma das mais belas vozes de nossa música popular, um oceano pacífico que por mais de 50 anos encharcou seus fãs de poesia e majestade. Foi única, não por se esforçar numa frenética busca de originalidade, vício de muita cantora atual, mas simplesmente porque imprimia em sua voz de contralto, arranhada de prussianos erres, a mesma fibra do caráter com que encarou a juventude pobre e os amores falidos". Jornal do Brasil

A cantora Elizeth Cardoso, 69 anos, morreu numa clínica em Botafogo, no Rio, onde estava em tratamento de um câncer de estômago, doença contra a qual lutou nos últimos três anos. Velada no Teatro João Caetano, a portelense e flamenguista pediu que sobre seu caixão repousasse uma bandeira rubro-negra e outra do Cordão do Bola Preta. Assim se fez.

Uma das mais belas vozes da MPB, nasceu no Rio em 1920. Os fãs da boa música devem eterna gratidão a Jacob do Bandolin, que a descobriu 16 anos depois. O sucesso chegou com a gravação de Canção de Amor (1949). Em 54 anos de carreira, a dama que esbanjava classe nos palcos, gravou mais de 60 LPs, imortalizando composições de grandes nomes da MPB, como Ary Barroso, Cartola, Lamartine Babo, Noel Rosa e Paulinho da Viola.

Precursora da invenção da Bossa Nova
Foi em uma de suas fases românticas que Elizeth contribuiu para deflagrar o movimento musical que sairia das salas dos apartamentos da Zona Sul carioca para ganhar o mundo: a Bossa Nova. Misturando sua interpretação com a poesia delirantemente apaixonada de Vinicius de Moraes, as melodias e os arranjos de Tom Jobim, e a batida diferente de João Gilberto, lançou Canção do amor demais. Estranha a princípio, a combinação insólita se transformou num clássico. Era o anúncio da chegada de um samba diferente que encantaria com sua harmonia sintetizada na voz e no violão.

Confira, clicando sobre os respectivos nomes abaixo, depoimentos sobre a Divina.
Herivelton Martins | Dorival Caymmi | Ademilde Fonseca | Hermínio Bello de Carvalho
Dona Ivone Lara | Marlene | Noca da Portela



Amanhã:Em 1945 - O Dia da Vitória


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1992 - A inesquecível Lola

Jornal do Brasil: Quinta-feira, 7 de maio de 1992
O longo retiro da atriz Marlene Dietrich, iniciado em 1978, quando foi lançado o seu último filme, O Gigolô, terminou aos 90 anos.

Marlene Dietrich marcou o cinema dos anos 30, com o personagem Lola, do filme O Anjo Azul, dirigido pelo alemão Joseph von Sternberg.

Dali em diante, suas pernas longas se tornariam um novo símbolo da sensualidade do cinema.

Marlene se iniciou no mundo dos espetáculos como violinista, mas logo entrou para a companhia de teatro do diretor expressionista alemão Max Reinhardt, com quem excursionou durante sete longos anos, atravessando momentos difíceis por falta de recursos.

Foi num desses momentos de profundo desânimo que, em 1930, o diretor Josef von Sternberg lhe ofereceu o papel que marcaria toda a sua carreira, a Lola de O Anjo Azul. Marlene, então uma semidesconhecida atriz de vanguarda, arrebatou o papel ambicionado por muitas concorrentes famosas. E conquistou a tal ponto Stenberg que o diretor a levou para Hollywood onde filmaram uma série de filmes como Marrocos (1930), O Expresso de Shangai (1932), A Vênus Loura (1932) e Mulher Satânica (1935).

Marlene Dietrich não se limitou aos filmes de Sternberg. Entre 1933 e 1939 ela conseguiu manter uma carreira paralela de comediante em filmes como Desiree (1936) e Destry Rides Again (1939).

A Segunda Guerra Mundial transformou a atriz numa militante pelas forças aliadas. Participou como cantora de mais de 500 shows organizados pelos Estados Unidos e chegou a ser mundialmente conhecida com sua gravação personalíssima da canção Lili Marlene, a preferida dos soldados alemães nos campos de batalha.



O mito do cinema nos anos 30

Jornal do Brasil: Quinta-feira, 7 de maio de 1992
Marlene Dietrich publicou suas memórias em 1976, desde então, encerrou-se no mais absoluto silêncio, só interrompido em 1990, quando fez um apelo pela sobrevivência dos estúdios DEFA, em Berlim Oriental, onde havia filmado O anjo azul. Neste mesmo ano foi condecorada com Legião de Honra na França.

Informada sobre a morte de Marlene, Sophia Loren declarou: "A palavra mito, apesar de muito desgastada hoje em dia é a única capaz de definir a personalidade de Marlene Dietrich. Para mim ela é inesquecível, apesar de tê-la encontrado uma única vez num camarim, em Londres".


Amanhã: 1990, O silêncio da Divina brasileira

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1937 - Adeus ao poeta da vila

Jornal do Brasil: reprodução
"Lá no morro uma luz somente havia. Era Sol quando o samba acabou. De noite não houve lua, ninguém cantou." (Noel Rosa)

O morro está de luto. Morreu Noel Rosa, o sambista de Vila Isabel. Para a música popular, o querido compositor representava uma personalidade e tanto.

Noel de Medeiros Rosa nasceu no dia 11 de dezembro de 1910, no Rio de Janeiro, em parto difícil. Os médicos usaram o fórceps, que acabou afundando seu maxilar, causando-lhe uma paralisia parcial no lado direito do rosto.

Foi responsável pela união do samba do morro com o do asfalto. Criado em Vila Isabel, aprendeu a tocar bandolim de ouvido e tomou gosto pela música. Suas composições nasceram aos pés da Baía de Guanabara.

Entrou para a faculdade de medicina, mas logo abandonou o curso para ingressar na vida artística, em meio ao samba e às noitadas regadas a cerveja.

Noel, sem diploma, catava ritmos nas ruas, vasculhava cadencias nos morros da cidade e com essa materia prima tecia a sua música, que constituía a delícia da cidade, o embalo da população.

Jornal do Brasil: reprodução


Em 1929 nasceu o seu primeiro samba, Com que Roupa?, que se transformou no grande sucesso do carnaval de 1931. Noel revelou-se um talentoso cronista do cotidiano, com uma sequencia de canções que primam pelo humor.

Noel morreu com apenas 26 anos, em conseqüência da tuberculose que o perseguia em sua vida de boemia.

Caricatura de Ique em maio de 1987
Deixou mais de 100 músicas nas quais exaltava seus amores e a vadiagem, fazendo da Vila Isabel um reduto do samba.

A Vila desceu para conduzir Noel para o repouso eterno. Ele foi o seu intérprete e morreu como um sambista deve morrer: cantando com o ritmo na boca, abafando o seu último suspiro.


Amanhã: 1928, o progresso na Rio-São Paulo

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