Arquivo de June 2008

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1973 - Instalada a ditadura no Uruguai

Jornal do Brasil: Quinta-feira, 28 de julho de 1973
O Presidente do Uruguai Juan Maria Bordaberry, com o apoio das Forças Armadas, assumiu poderes absolutos no país, dissolveu o Parlamento, implantou a censura aos meios de comunicação e criou um Conselho de Estado, composto de 10 civis e 10 militares, sob a chefia do Vice-Presidente Jorge Sapelli, com o objetivo de reformar a Constituição.

Tropas foram aquarteladas no Palácio Legislativo, cercado por tanques e soldados armados de fuzis automáticos e de metralhadoras.

As emissoras de rádio particulares foram ocupadas por militares, e as escolas de nível primário e superior tiveram as férias antecipadas. A Convenção Nacional dos Trabalhadores, em represália, decretou greve geral por tempo indeterminado.

Em discurso, Bordaberry culpou o congresso pelo golpe, alegando sua recusa em atender os pedidos de suspensão das imunidades e de julgamento político do senador esquerdista Enrique Erro, acusado de manter ligações com os guerrilheiros tupamaros.
O Presidente Juan Bordaberry (C) com o Ministro de Defesa Walter Ravenna (E) e o coronel

O declínio econômico do Uruguai combinado com o clima da Guerra Fria e do impacto da Revolução Cubana levou ao surgimento do grupos de guerrilha urbana mais ativos e violentos entre os que atuaram na America Latina durante as décadas de 60 e 70.

A importãncia dos partidos políticos
O país tornou-se independente em 1828. Em 1837 nasceram os dois grandes partidos políticos uruguaios que marcaram a história do país: Blancos e Colorados. Estes partidos se alternaram pacificamente no poder por muitas décadas, mas acabaram se hostilizando, enquanto em 1971 a esquerda se unificou, e surgiu a Frente Ampla. Toda esta tensão culminou com o golpe de Estado. Bordaberry foi afastado do governo em junho de 1976, e os militares continuaram no poder até 1985, quando foi restaurada a democracia depois de 12 anos de ditadura.

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1977 - É aprovada emenda que institui o divórcio

Jornal do Brasil: Sexta-feira, 24 de junho de 1977
O Congresso aprovou a emenda constitucional de autoria do Senador Nélson Carneiro, que instituiu o divórcio no Brasil, por 226 votos a favor e 159 contra. A sessão de votação foi aberta pelo Senador José Lindoso, Vice-Presidente do Senado. Na galeria, cerca de 1 mil e 800 pessoas, divorcistas, com uma faixa no braço, tentavam influenciar a votação. Deputados a favor do divórcio defendiam que a campanha divorcista não era contra a Igreja nem contra a família, e a que mudança pretendida na legislação era natural e de acordo com a evolução dos costumes.

O Arcebispo do Rio de Janeiro, D. Eugênio Sales, disse que a "aprovação do divórcio deixa a impressão melancólica do ocaso de um movimento nascido e fortalecido com as imponentes Marchas da Família com Deus e pela Pátria.

Raimundo Faoro, então presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, declarou: "O divórcio viria fatalmente. Entendo as alegações da Igreja Católica, mas como pode ela impor seus princípios neste caso, que atinge tantas pessoas totalmente contrárias à sua pregação? O divórcio é um remédio necessário a um relacionamento que já ia mal. Claro que é uma reivindicação de um grupo pequenos de pessoas, porque o pobre não se desquita ou divorcia, ele se manda mesmo".


A igreja deve conviver com a realidade

O secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, D. Ivo Lorscheiter, afirmou que a Igreja não iria se deixar abater com as coisas injustas que acontecem. No entanto registrou os parlamentares que votaram a favor do divórcio. Sobre os divorciados declarou que não poderiam mais ser padrinhos de batismo ou casamento, e estariam impedidos de receber a comunhão, por estarem fora das condições de vida sacramental impostas pela Igreja. O filho de um divorciado poderia ser batizado porque a Igreja entende que ele não tem culpa alguma.

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1958 - Tragédia na política catarinense

Primeira página do Jornal do Brasil: Terça-feira, 17 de junho de 1958


"Nunca o ato de decretar luto nacional terá correspondido mais ao sentimento íntimo de um presidente da República do que neste momento. Sinceramente consternado é que deploro as numerosas vidas perdidas e me volto para as três figuras ilustres desaparecidas neste desastre". Juscelino Kubitschek



O Senador Nereu Ramos, 70 anos, o Governador Jorge Lacerda, 43 anos, e o Deputado Federal Leoberto Leal, 45 anos, todos de Santa Catarina, estavam entre os mortos do desastre com um Convair, da companhia aérea Cruzeiro do Sul, ocorrido a poucos quilômetros do Aeroporto Afonso Pena, na capital paranaense. Vinte e oito passageiros viajavam à bordo do avião que saiu de Florianópolis com destino ao Rio de Janeiro, e caiu numa região de difícil acesso na Grande Curitiba após colidir com um pinheiro no início da noite. Segundo sobreviventes, um forte temporal caia na hora do acidente.

A tragédia causou comoção nacional. As circunstâncias em que se deu a interrupção da mais célebre carreira política de Santa Catarina e das outras duas jovens e promissoras trajetórias da vida pública catarinense foi um duro golpe para história do estado.

Nereu Ramos foi substituído por Francisco Galoti. E o Vice-Governador Heriberto Hülse assumiu o Governo de Santa Catarina.

A trajetória pública de Nereu Ramos

Juscelino Kubitschek chorou à beira do túmulo de Nereu Ramos. Não somente ele. Muitos outros que, ao longo de meio século de vida pública, encontraram-se e conviveram com o político de Santa Catarina em todos os postos que ele ocupou, desde deputado da Assembléia Legislativa de seu estado até Presidente da República (1955-1956). Mas para Juscelino a lembrança do homem que o Brasil perdia era bem nítida. De uma nitidez capaz de arrancar lágrimas: foi de suas mãos que ele recebeu o governo do país.


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1970 - O sequestro do embaixador Alemão

Jornal do Brasil: Sexta-feira, 12 de junho de 1970
O Embaixador da Alemanha no Brasil, Sr. Ehrenfried von Holleben, 61 anos e 4 de Brasil, foi sequestrado por guerrilheiros urbanos, no Rio de Janeiro.

A operação não durou mais de dois minutos; quando o Mercedes Benz do embaixador, acompanhado por uma Variant com dois agentes de segurança, subia a Rua Cândido Mendes, na Glória, atiraram duas vezes nas lâmpadas da rua. Era o sinal para que uma pick-up, com duas pessoas, interceptasse o carro do embaixador.

Homens armados de metralhadoras apareceram e metralharam a Variant . O motorista policial caiu gravemente ferido. Outro seqüestrador chegou junto à janela do Mercedes e, antes que o agente conseguisse sacar a arma levou um tiro de revólver na cabeça.

O diplomata foi retirado de seu carro e levado ou para outro veículo que participava da operação, saindo em disparada.

O primeiro comunicado exigia: "Até o momento os critérios adotados para a liberação dos diplomatas que fizemos prisioneiros políticos eram a sua importância nas relações internacionais e o nível de ligações econômicas com a ditadura brasileira. A partir de agora esses critérios ficam abolidos, e estabeleceremos um mínimo de presos a serem trocados por qualquer diplomata de qualquer país".
Jornal do Brasil: Sexta-feira, 12 de junho de 1970
Foi solicitado a liberação de 40 presos políticos.

O Brasil vivia a era da repressão política e cultural, sem liberdade de imprensa, com os diretórios estudantis fechados, casas invadidas e pessoas desaparecidas. A esquerda se armou com a formação de vários grupos revolucionários. Assaltos a bancos, roubos de armas em quartéis, assaltos a carros fortes eram formas de angariar dinheiro para financiar a luta.


Organizações contra a ditadura

O sequestro durou 5 dias com diversas mensagens trocadas entre os governos brasileiro e alemão. No dia 15, os 40 presos chegavam na Argélia, em avião da Varig. O embaixador foi libertado no dia seguinte. O sequestro foi realizado pela VPR - Vangauarda Popular Revolucionária e pela FLN - Frente de Libertação Nacional. Teve a participação de 19 militantes, dentre os que decidiram, os que planejaram, os que executaram a ação e os que a apoiaram. Nos depoimentos à autoridades, o embaixador Holleben nada falou sobre suas conversas com os sequestradores.

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1964 - Cassado o mandato de JK

Primeira página do Jornal do Brasil: Sexta-feira, 9 de junho de 1964
Após um dia de tensão, foi à noite que o Senador Juscelino Kubitschek tomou conhecimento da cassação de seu mandato e suspensão dos seus direitos políticos por dez anos. A notícia foi divulgada no Programa A Voz do Brasil pelo Secretário de Imprensa José Vamberto no Palácio do Planalto. Considerando o panorama, configurado pelos princípios que norteavam o país desde a Revolução de 31 de março, a carismática popularidade de JK e sua proximidade a João Goulart davam indícios que a cassação era questão de tempo. Embora recebida sem surpresas, a notícia suscitou emocionada resposta na voz embargada de JK: "Este ato não marcará o fim do arbítrio. O vendaval de insânias arrastará na sua violenta arrancada mesmo os meus mais rancorosos desafetos. Um por um, eles sentirão os efeitos da tirania que ajudaram a instalar no poder". Destacou que a perda do mandato se fez em decorrência do receio das autoridades militares pelo êxito de seu desempenho nas urnas. E firme, garantiu que, diante da consumação da iniquidade, se posicionaria aguerrido e mais entusiasmado a lutar em favor da democracia, sem planos para deixar o Brasil.

Eleito para o Congresso por Goiás em 1961, JK foi expurgado isoladamente, mas logo encabeçou um encorpado rol de desafetos do Governo Castelo Branco que foram perdendo mandatos e direitos políticos. Senadores, governadores, deputados, juízes e ministros dos tribunais superiores, estaduais e federais. O furor no cenário político estremeceu o otimismo de JK, induzindo-o a repensar seus planos. No final da tarde de 13 de junho o ex-presidente embarcava para a Espanha em companhia de Dona Sarah para um exílio voluntário que o manteria fora do país até sua volta definitiva em 9 de abril de 1967.

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1961 - Governo tira Rádio JB do ar

Primeira página do Jornal do Brasil: Quarta-feira, 6 de junho de 1961

"Há poucos meses, o Diretor-Superintendente da Rádio Jornal do Brasil foi chamado, às pressas, ao Gabinete do Presidente da Comissão Técnica de Rádio, para responder por uma notícia que a emissora não divulgara. Na ocasião, diante de certas advertências que lhe foram feitas, perguntamos em editorial, quem as havia determinado. Até ontem, o nosso editorial ficou sem resposta. Hoje, porém, podemos dizer que ela nos foi dada de maneira a não deixar mais dúvidas. O Presidente Jânio Quadros, finalmente, revelou-se. Suspendendo as transmissões da Rádio JB por ela ter divulgado uma notícia sem maior importância, e ameaçando todas as outras emissoras do País, mostrou qual é a sua verdadeira opinião a respeito da liberdade de informações. E deu-nos a entender que vai usar todos os meios possíveis para calar aqueles que o criticam". Jornal do Brasil


As transmissões da Rádio Jornal do Brasil foram suspensas por três dias, na véspera do Dia Internacional da Liberdade de Imprensa - pela Comissão Técnica de Rádio, por ordem do Presidente da República, Jânio Quadros. A medida foi justificada com base na divulgação de uma notícia que afirmou ser falsa e perturbadora para as Forças Armadas. Tratava-se de um suposto acordo entre Brasil e Argentina para a redução dos efetivos militares e melhor aproveitamento comercial da fábricas de armamento e munição brasileiras. A classe jornalista pronunciou seu enérgico apoio à rádio, a qual contou igualmente com a solidariedade calorosa da opinião pública.

O episódio da suspensão das transmissões da Rádio Jornal do Brasil foi um feito inédito em período de funcionamento do regime democrático no país. Após os três dias, as operações foram normalizadas.

O começo do fim da democracia
Será que o Presidente Jânio Quadros tinha intenções de intrigar uma instituição como o Jornal do Brasil, à época já com a tradição e credibilidade de mais de 70 anos, com outra, também tradicional, mais antiga e imponente, as das Forças Armadas, deturpando o sentido e as intenções de uma notícia? A resposta não demoraria a chegar. Numa desastrosa e frustrante gestão de sete meses que culminaria em sua renúncia ao cargo de Presidente da República, Jânio acendia o pavio que culminaria, três anos depois, no golpe militar, que colocaria a democracia brasileira à beira de um longínquo retrocesso.

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