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1924 - A Revolta Paulista

Jornal do Brasil: Domingo, 6 de julho de 1924
A segunda revolta tenentista iniciou-se exatamente dois anos depois da Revolta do Forte de Copacabana e da heróica Marcha dos Dezoito do Forte. O ambiente de descontentamento que predominava entre a pupulação paulista com o Presidente Arthur Bernardes e as práticas politico-eleitorais da Republica Velha deram origem ao movimento.

Os combatentes envolvidos no episódio revolucionário estavam divididos entre militares fiéis ao Governo Federal - os legalistas - e os chamados rebeldes - soldados do Exército e da Força Pública Paulista, chefiados por Isidoro Dias Lopes, e com a participação de numerosos tenentes.

A estratégia consistia em assumir o controle da Cidade de São Paulo e dai marchar para o Rio de Janeiro, com a esperança de obter o apoio dos militares cariocas e derrubar o Governo Federal. O Palácio dos Campos Elíseos, sede do Governo Paulista, foi bombardado, o que levou o governador Carlos de Campos a se retirar para o interior do estado.

O movimento se alastrou com revoltas de menor vulto por diversos outros estados, o que levou o Governo Federal a decretar estado de sítio não só para a capital como para todo o Estadode São Pulo, além do Amazonas, Pará, Sergipe, Bahia, Rio de Janeiro,Paraná, Santa Catarina, Rio Grande de Sul e Mato Grosso.

Foi o maior conflito bélico já ocorrido na Cidade de São Paulo, a qual foi bombardeada por aviões do Governo Federal. Sem poderio militar equivalente para enfrentar as tropas legalistas, os rebeldes retiraram-se para Bauru, onde Isidoro Dias Lopes ouviu notícia de que o exército legalista se concentrava na cidade de Três Lagoas, no atual Mato Grosso do Sul. O ataque àquela cidade provocou a derrota das tropas revoltosas e o fim das hostilidades.

A Revolta de 1924 se enquadra no Movimento Tenenista, que combateu as práticas oligárgicas da República Velha e levou Getúlio Vargas ao poder em 1930.


Dias de guerra em São Paulo

Nos dias em que São Paulo esteve sob a direção das forças revolucionárias, as baixas militares provocadas pelos bombardeios foram pequenas. Porém as vítimas civis atingiram proporções trágicas. Dos 700 mil habitantes da capital, 300 mil a abandonaram, refugiando-se no interior do estado.

Os revoltosos ocuparam a Capital Paulista por 23 dias. Vencidos, marcharam rumo ao Sul, onde, na cidade de Foz do Iguaçu, no Paraná, uniram-se aos oficiais gaúchos revoltados, comandados por Luís Carlos Prestes, no que veio a ser o maior feito guerrilheiro da História do Brasil: a Coluna Prestes.


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