Arquivo de July 2008

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1926 - A morte de Lauro Müller

Jornal do Brasil: Sábado, 31 de julho de 1926 - página 7

"Na história
do Brasil republicano,
a figura desse homem
que desapareceu
ressalta
com um fulgor admirável.

O Sr. Lauro Müller
era um dos políticos
mais em foco
no alto cenário brasileiro...
deixará para a posteridade
a tradição de um homem
infinitamente elegante,
no terreno espiritual,
manejando,
com galhardia feliz,
a lâmina da ironia
".
Jornal do Brasil

Morreu no Rio de Janeiro, aos 62 anos, o Senador Lauro Müller.

Nascido em 1863 na cidade catarinense de Itajaí, Lauro Severiano Müller seguiu jovem para o Rio de Janeiro, onde iniciou cedo uma carreira de sucesso. Inspirado nos ideais positivistas, foi militar, engenheiro e administrador, papeis nos quais se destacou, voltado sempre aos interesse da vida pública do país.

Senador Lauro Müller. Reprodução/CPDoc JB
Ascendeu na política, assumindo sucessivos cargos até chegar ao Senado em 1899, mandato que manteve até o final da vida. Mas foi à frente da Pasta da Viação e Obras Públicas, no governo de Rodrigues Alves (1902-1906) que sua carreira atingiu o ápice. Entre suas medidas, ampliou e unificou as estradas de ferro do país, instituiu lei para a construção e o funcionamento dos portos brasileiros, e elevou a economia brasileira a uma nova dimensão, consolidando também elementos eficazes à defesa nacional. Foi membro da Academia Brasileira de Letras, herdando a cadeira de Rio Branco, a quem também substituiu na pasta de Relações Exteriores na presidência de Hermes da Fonseca (1912-1914). Afastou-se do ministério durante a Primeira Guerra (1914-1918) sentindo-se hostilizado por sua origem alemã, e voltou com a eleição de Venceslau Brás (1914-1917).

A intensa experiência pública auferiu-lhe o reconhecimento como um dos mais respeitados políticos da República Velha.


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1930 - Assassinado João Pessoa

Jornal do Brasil: Domingo, 27 de julho de 1930 - página 7
"Abalou fortemente a população desta capital a notícia do assassínio do Sr. João Pessoa, presidente da Paraíba. Conhecidos os principais lances dessa cena indigna para os foros de civilização de um povo, levanta-se um coro unânime de condenação e protesto contra esse processo bárbaro de eliminação de uma alta autoridade política e administrativa. Os telegramas do nosso correspondente no Recife detalham o lutuoso fato e dão à impressão do horror que o assassínio produziu no governo, no povo e na culta sociedade". Jornal do Brasil

O governador da Paraíba, João Pessoa, candidato derrotado à vice-presidência na chapa da Aliança Liberal de Getúlio Vargas, morreu após não resistir aos tiros disparados por seu desafeto, o fazendeiro João Dantas, enquanto passeava numa confeitaria no Recife. Foi prontamente dada a ordem de prisão ao assassino, que acabou também baleado pelo motorista de João Pessoa, agindo em sua defesa. Ainda hoje discute-se o real motivo do crime contra João Pessoa: se por questões políticas ou se de ordem passional. O episódio abalou a opinião pública, causando comoção nacional. E contribuiu com o clima emocional que desencadeou a Revolução de 30, movimento armado que culminou com a deposição do Presidente Washington Luís em 24 de outubro.

João Pessoa. Reprodução/CPDoc JB


O jurista e juiz consciencioso

Auditor da Marinha e depois ministro do Supremo Tribunal Militar. Indicado por seu partido e por correligionários para governar a Paraíba, logo se revelou exímio administrador. Populista, amado com fervor pela gente simples da Paraíba e reverenciado pela elite como um opositor sem medo do poder central, seu desempenho público, contudo, foi uma consagração póstuma. A brusca interrupção de sua carreira em plena ascensão política serviu para que os líderes da Aliança Nacional o transformassem num mártir para insuflar a propaganda do partido no âmbito nacional.


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1966 - Bomba explode no aeroporto de Recife

Jornal do Brasil: Terça-feira, 26 de julho de 1966
Uma bomba explodiu na Estação de Passageiros do Aeroporto Internacional de Guarapes, em Recife, onde cerca de 300 pessoas esperavam o Marechal Costa e Silva. Quase simultaneamente com a explosão no Aeroporto, duas outras bombas de forte poder de expansão explodiram, uma no Serviço de Filmes da Agência para o Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos (USAID) e a outra na sede da União Estadual dos Estudantes, mas sem provocar maiores danos materiais e pessoais.

A bomba que explodiu no Aeroporto estava dentro de uma maleta deixada junto ao balcão de bagagens em desembarque. Essa maleta havia sido notada pelo guarda-civil Sebastião Tomás de Aquino, e, ao retirá-la do local, a bomba explodiu. Morreram além do guarda-civil, o Almirante Nélson Fernandes, Diretor da Companhia Hidrelétrica do São Francisco e o jornalista Édson Régis, ex-secretário de Estado em Pernambuco. O ex-secretário de Segurança de Pernambuco, Coronel Sílvio Ferreira perdeu os dedos da mão esquerda e mais 15 pessoas ficaram gravemente feridas.
Jornal do Brasil: Terça-feira, 26 de julho de 1966 - Edital


A chegada do Marechal Costa e Silva ao Aeroporto estava prevista para a hora da explosão, mas uma pane no avião em que viajava obriou-o a dirigir-se de João Pessoa para Recife em automóvel.


Um movimento revolucionário

Com a eclosão do terrorismo, o movimento estudantil começou a se radicalizar em enfrentar o governo. Politizados e ideologicamente conduzidos, os estudantes foram levados a sucessivas greves e manifestações de rua até ao desencadear o enfrentamento generalizado. Nos meios políticos considerou-se que as explosões ajudaram a linha dura em seus argumentos em favor de um regime mais forte. Foi determinada a prisão de todos os suspeitos pelo General Antônio Carlos Murici: "pois depois é que se verá quem é grego e quem é troiano".


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1951 - Racismo é considerado crime

Jornal do Brasil: Quinta-feira, 5 de julho de 1951
Foi sancionada a resolução legislativa que constituiu contravenção penal a prática de atos resultantes de preconceitos de raça ou de cor. É a primeira lei brasileira a prever expressamente a incriminação de condutas relacionadas à discriminação por etnia ou por cor da pele.

A recusa por parte de estabelecimento comercial ou de ensino em atender ou receber cliente, comprador ou aluno, por preconceito de raça ou de cor, fará com que seja considerado agente de contravenção o diretor, gerente ou responsável pelo estabelecimento.

Recusar a alguém hospedagem em hotel, pensão, estalagem ou estabelecimento da mesma finalidade, por preconceito de raça ou de cor. Pena: prisão simples de três meses a um ano.

Recusar a venda de mercadorias em lojas de qualquer gênero, ou a atender clientes em restaurantes, bares, confeitarias e locais semelhantes, abertos ao público, por preconceito de raça ou de cor. Pena: prisão simples de quinze dias a três meses.

Impedir o acesso de alguém a qualquer cargo do funcionalismo público ou ao serviço em qualquer ramo das forças armadas, por preconceito de raça ou de cor. Pena: perda do cargo para o funcionário dirigente da repartição.

No caso de reincidência em estabelecimento particular poderá o juiz determinar a pena adicional de suspensão do funcionamento do estabelecimento por prazo não superior a três meses.

Conhecida como Lei Afonso Arinos (1.390/51), em homenagem ao jurista Afonso Arino de Melo Franco, que como deputado federal pelo Estado de Minas Gerais, apresentou o projeto de lei. Afonso Arinos foi um intelectual brilhante e um dos parlamentares mais importantes da nossa história republicana.


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1923 - Centenário da liberdade baiana

Primeira página do Jornal do Brasil: Domingo, 1º de julho de 1923






"E eis que a data
de que hoje se comemora
o centenário da integração
de nossa independência.

Ela representa a soma maior
de esforços que os brasileiros
precisaram empregar
para a obtenção da autonomia.

Foram filhos bem amados
todos os que por ela
pelejaram e venceram
".
Jornal do Brasil




Quando o grito de D. Pedro I às margens do Rio Ipiranga ecoou proclamando a independência do Brasil, a Província da Bahia já se encontrava há meses de armas nas mãos lutando contra o domínio de Portugal, motivada pelo desejo federalista de emancipação. O conflito se prolongaria por mais um ano, até que as últimas tropas do Exército Colonial Português fossem expulsas do território baiano, consolidando assim a nossa independência territorial.

O potencial econômico do açúcar e do tabaco fizeram do Recôncavo Baiano, principalmente da Vila de Cachoeira, uma próspera região da Província, inspirando fortes ideais de liberdade em seu povo. A vontade coletiva culminou num ataque direto contra a capital, Salvador, então ocupada pelas tropas do Exército Português. Foram sucessivos embates e conflitos sangrentos. As hostilidades se intensificaram com a notícia da proclamação da independência vinda de São Paulo, o que inflamou os ânimos nacionalistas. Com o apoio do novo governo brasileiro, que despachou da Corte navios conduzindo tropas e suprimentos, o efetivo baiano ganhou corpo, e recebeu a adesão de outros efetivos e de voluntários. A manobra de reunião de forças, aliada ao bloqueio naval e terrestre de Salvador, tornou a posição do Exército Português insustentável. Impedido o seu suprimento, os portugueses foram forçados a capitular, abandonando a cidade. Era o triunfo nacional.

Três exemplos heróicos de determinação

Entre tantos anônimos determinados a lutar pela emancipação nacional, três mulheres se projetaram na guerra pela independência. Sóror Joana Angélica dirigia o Convento da Lapa e morreu assassinada a golpes de baioneta tentando impedir a passagem dos portugueses pelo local. Maria Quitéria, disfarçada de Soldado Medeiros, lutou como voluntária no Batalhão Voluntários do Príncipe, o Periquito. E Maria Felipa de Oliveira, negra, alta, corpulenta, liderou a resistência popular à invasão da Ilha de Itaparica. A ela é creditada o comando na queima de 42 embarcações da frota portuguesa na Praia do Convento.


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