1980 - A descoberta do líder Walesa

Teve um fim pacífico a greve de trabalhadores que durou sete semanas na Polônia. Sob a mira de milhões de espectadores que acompanhavam a cerimônia oficial pela televisão, o Vice-Primeiro Ministro Jagielski e o líder do Comitê Interfabril da Greve, Lech Walesa, anunciaram o final do movimento que eclodiu na cidade de Gdansk no início de julho. Os grevistas sairam vitoriosos na negociação de suas reivindicações. No acordo de 21 pontos, o Governo polonês fez concessões sem precedentes numa nação comunista, entre as quais: a formação de sindicatos independentes e autônomos; o reconhecimento do direito de greve; o reajuste inflacio nário nos salários; a melhoria das condições trabalhistas tais como a redução da jornada de trabalho, a garantia de pensão mínima para aposentados, a ampliação do período de licença maternidade e a qualificação da assistência médica pública. A celebração de missas passou a ser transmitida pelos meios de comunicação, difundindo a prática religiosa.
Até meados de agosto, quando Lech Walesa tomou o comando daquela que era para ser apenas mais uma greve dos estaleiros poloneses, pouca gente ouvira falar dele. Com atuação contagiante, Walesa ampliou rapidamente a adesão de trabalhadores, se projetando como líder de um movimento de massa, com a força de mais de dez milhões de membros. Terminada a greve, em poucos dias sua ousadia alcançaria um feito maior. Sob sua direção era fundada, em Gdansk, uma central sindical reunindo 35 entidades independentes: o Sindicato Profissional Independente e Autogovernado - o Solidariedade. Não tratava-se apenas de uma vitória do povo polonês. A experiência conduzida por Walesa foi um marco precursor da radical mudança que se instauraria no leste europeu nos anos seguintes.
A resposta do Governo polonês
A paz na Polônia estava com os dias contados. No final de 1981, insatisfeito com a projeção sindical, o Governo polonês, apoiado pela União Soviética, declara lei marcial no país. Várias pessoas são presas, entre elas Walesa. O Solidariedade é declarado ilegal. E a Polônia imerge no caos. Com propósito de retomar a paz no país, o Papa João Paulo II articula uma série de ações em defesa dos sindicatos, onde se concentra grande número de católicos. Pressionado, o Governo polonês suspende a lei marcial, concede anistia e liberdade aos presos políticos em 1983. Neste ano, Walesa recebe o Prêmio Nobel da Paz.
Confira também:
1997 - Emoção no adeus à princesa do mundo
Amanhã: 1946 - Esmagadora vitória da Monarquia nas eleições gregas













































