Arquivo de August 2008

RSS Feeds

1980 - A descoberta do líder Walesa

Jornal do Brasil: Segunda-feira, 1º de setembro de 1980 - página 7

Teve um fim pacífico a greve de trabalhadores que durou sete semanas na Polônia. Sob a mira de milhões de espectadores que acompanhavam a cerimônia oficial pela televisão, o Vice-Primeiro Ministro Jagielski e o líder do Comitê Interfabril da Greve, Lech Walesa, anunciaram o final do movimento que eclodiu na cidade de Gdansk no início de julho. Os grevistas sairam vitoriosos na negociação de suas reivindicações. No acordo de 21 pontos, o Governo polonês fez concessões sem precedentes numa nação comunista, entre as quais: a formação de sindicatos independentes e autônomos; o reconhecimento do direito de greve; o reajuste inflacio nário nos salários; a melhoria das condições trabalhistas tais como a redução da jornada de trabalho, a garantia de pensão mínima para aposentados, a ampliação do período de licença maternidade e a qualificação da assistência médica pública. A celebração de missas passou a ser transmitida pelos meios de comunicação, difundindo a prática religiosa.

Até meados de agosto, quando Lech Walesa tomou o comando daquela que era para ser apenas mais uma greve dos estaleiros poloneses, pouca gente ouvira falar dele. Com atuação contagiante, Walesa ampliou rapidamente a adesão de trabalhadores, se projetando como líder de um movimento de massa, com a força de mais de dez milhões de membros. Terminada a greve, em poucos dias sua ousadia alcançaria um feito maior. Sob sua direção era fundada, em Gdansk, uma central sindical reunindo 35 entidades independentes: o Sindicato Profissional Independente e Autogovernado - o Solidariedade. Não tratava-se apenas de uma vitória do povo polonês. A experiência conduzida por Walesa foi um marco precursor da radical mudança que se instauraria no leste europeu nos anos seguintes.

A resposta do Governo polonês
A paz na Polônia estava com os dias contados. No final de 1981, insatisfeito com a projeção sindical, o Governo polonês, apoiado pela União Soviética, declara lei marcial no país. Várias pessoas são presas, entre elas Walesa. O Solidariedade é declarado ilegal. E a Polônia imerge no caos. Com propósito de retomar a paz no país, o Papa João Paulo II articula uma série de ações em defesa dos sindicatos, onde se concentra grande número de católicos. Pressionado, o Governo polonês suspende a lei marcial, concede anistia e liberdade aos presos políticos em 1983. Neste ano, Walesa recebe o Prêmio Nobel da Paz.




Confira também:
1997 - Emoção no adeus à princesa do mundo


Amanhã: 1946 - Esmagadora vitória da Monarquia nas eleições gregas


 Comentar

1993 - O massacre em Vigário Geral

ornal do Brasil: Terça-feira, 31 de agosto de 1993
A Favela do Vigário Geral, subúrbio carioca, foi vítima de uma cena de terror e pânico, quando 21 moradores foram assassinados, sendo 13 homens, 6 mulheres e 2 adolescentes, por um grupo de 50 homens da Polícia Militar. A chacina aconteceu depois que quatro policiais militares foram mortos numa emboscada armada por traficantes da área no dia anterior.

Antes da matança, os assassinos destruíram orelhões e deixaram ruas às escuras, estourando lâmpadas a tiros de fuzil. As vítimas não tinham ficha na polícia. Encapuzados, os criminosos entraram a pé na favela, arrombaram casas e percorreram vielas, como se estivessem à procura de alguém. Em não mais de 30 minutos de ações simultâneas em cinco pontos da favela, os exterminadores fizeram o serviço e deixaram o local a pé. Num bar, onde o assunto era futebol, foram mortos oito homens. Numa casa morreu a família inteira. Com covardia suficiente para atacar gente desarmada, os assassinos não economizaram munição e gargalhavam enquanto escolhiam as vítimas. "Queremos beber sangue", gritavam os assassinos. A única divergência entre eles foi se executariam ou não um grupo de cinco crianças, de pouco mais de 1 mês a 10 anos de idade. "Fujam enquanto podem", gritou um dos assassinos, segundo testemunhas. As crianças escaparam. Revoltados, moradores interditaram o tráfego de carros e de trens no bairro, e impediram a entrada da polícia. Em nota oficial e pronunciamento na TV, o governador Brizola afirmou que o episódio estaria ligado a "uma inadmissível operação de vingança" que exigirá um "choque disciplinar" na PM. Para o cardeal arcebispo do Rio, Dom Eugênio Sales, o massacre é "mais um duro golpe na dignidade do Rio".


O marco de violência no Rio de Janeiro

Foi a maior chacina registrada na história da polícia fluminense. Dos 52 PMs denunciados pelo Ministério Público, apenas sete foram condenados, e dentre eles somente Paulo Roberto Alvarenga e José Fernandes Neto foram levados a júri popular. Em 27 de abril de 1997, Alvarenga foi condenado a 449 anos e oito meses, mas teve a sua pena reduzida para 57 anos pelo Supremo Tribunal Federal. Como a pena foi superior a 20 anos, ele protestou por novo júri. Em 20 de setembro de 2000, José Fernandes Neto foi condenado a 45 anos e, como Alvarenga, recorreu da sentença. A Chacina do Vigario Geral alcançou repercussão internacional.


Confira também:
30/08: 1961: Jornal do Brasil não circulou


Amanha: Em 1980 - A descoberta do líder Walesa



 Comentar (6)

1975 - Morre o incansável De Valera

Jornal do Brasil: Sábado, 30 de agosto de 1975 - página


Uma semana após deixar o asilo em que vivia, e ser internado numa clínica perto de Dublin para tratamento de um resfriado, morreu Eamon De Valera aos 92 anos, o último dos revolucionários que conseguiram a independência da Irlanda do domínio britânico.


Eamon De Valera suscitava admiração e ódio na mesma proporção. Subversivo para a Coroa Britânica, herói para os patriotas irlandeses, foi um incansável militante em defesa da independência da Irlanda, e jamais se deixou subjugar pelo dominador britânico.

Incorporou-se jovem ao Movimento Nacionalista Irlandês, e durante a Insurreição da Páscoa (1916) contra os britânicos foi preso e condenado a morte. Anistiado, foi eleito ao Parlamento Irlandês pelo Partido Nacionalista em 1918. Denunciou o tratado de 1921 que criava o Estado Livre Irlandês, vinculado à Grã-Bretanha, apoiado por outros lideres. Passou então a integrar o Exército Republicano Irlandês (IRA), força que se servia de táticas guerrilheiras para reivindicar a liberdade plena do país. A divergência levou o país a uma sangrenta guerra civil (1922-1923) da qual os favoráveis ao tratado sairiam vitoriosos.

Incansável, De Valera seguiu em seu propósito. Em 1926, fundou o partido Fianna Fail, destinado a lutar pela independência e unificação da Irlanda por meios pacíficos. Eleito Primeiro-Ministro em 1932, aboliu o juramento de lealdade à Coroa Britânica e ao longo da Segunda Guerra Mundial dissolveu todos os laços que ainda uniam os dois países. Continuou no cargo até sua eleição como Presidente da República da Irlanda (Eire em Gaellic) em 1959. Reeleito em 1966, cumpriu o cargo até 1973, quando se afastou da vida pública por motivos de saúde.

Foi à sua dedicação de mais de meio século que externou suas últimas palavras: "Por toda a vida fiz o que pude pela Irlanda e agora estou pronto para ir".


Uma vida toda dedicada à Irlanda

Eamon De Valera nasceu em Nova York, mas foi educado na Irlanda, país ao qual ele dedicou toda a sua vida. Homem público de maior influência nos destinos da Irlanda no século XX, ocupou os principais cargos governamentais do país. Foi o último revolucionário da sua geração a falecer.

Foi o único que viveu para ver realizados quase todos os ideais a que se propôs em sua luta desde a juventude. Morreu, contudo, sem ver a sonhada unificação da República da Irlanda, de maioria católica, com a Irlanda do Norte, predominantemente protestante, a qual permanece até hoje como parte do Reino Unido.


Confira também:
1982 - Maior que a coragem só o talento


Amanhã: 1993 - O massacre em Vigário Geral


 Comentar

1979 - Sancionada a lei da anistia

Jornal do Brasil: Quarta-feira, 29 de agosto de 1979
O Presidente João Figueiredo sancionou a Lei da Anistia, que perdoou os cidadãos que no período compreendido entre 2 de setembro de 1961 e 15 de agosto d 1979 cometeram crimes políticos ou conexos com estes. A lei sancionada recebeu o número 6.683. Composta de 3 parágrafos, diz no seu segundo parágrafo: "Excetuam-se dos benefícios da anistia os que foram condenados pela prática de crimes de terrorismo, assalto, sequestro e atentado pessoal".

O texto aprovado foi resultado de intensa pressão popular e resultou de negociações entre os dois únicos partidos permitidos pelo regime militar, a Arena, governista, e o MDB, de oposição. O MDB tentou convencer a Arena a aprovar uma emenda que ampliava a anistia, de autoria do deputado arenista Djalma Marinho (RN). O então presidente da Arena, José Sarney (MA), negou-se a atender o pedido do presidente do MDB, Ulisses Guimarães (SP).

O parecer do relator foi aprovado pelos líderes dos dois partidos em votação simbólica. A emenda Marinho foi submetida à votação nominal e foi rejeitada por 206 votos, todos da Arena, contra 202. Além dos deputados do MDB, votaram a favor 15 arenistas.

A aprovação do projeto da anistia proposto pelo governo com a rejeição da emenda Djalma Marinho representou um avanço considerável, mas não atendeu os anseios da sociedade brasileira. A luta pela anistia no Brasil havia começado timidamente desde 1968 por meio dos estudantes, jornalistas e políticos e, com o passar dos anos, foi somando adesões de populares. Em todo o País e no exterior foram formados comitês que reuniam filhos, mães, esposas e amigos de presos políticos.



A expectativa de voltar para casa

Jornal do Brasil: Quarta-feira, 29 de agosto de 1979
A expectativa de voltar para casa
Leonel Brizola soube que já estava anistiado e declarou: "Só mesmo quando chegar lá e ouvir português brasileiro à minha volta, ver aquelas caras familiares do nosso povo, é que perceberei que finalmente cheguei em casa. Por enquanto só consigo entender que uma coisa boa me espera". Ulysses Guimarães, indagado se iria à recepção dos anistiados, esclareceu: " Não vou a nenhuma chegada dos exilados. Mais importante que ir à chegada é ter lutado como o MDB lutou, para que eles chegassem". A anistia ampla, geral e irrestrita somente viria em 1985, já em pleno governo civil.



Confira também:
28/08: 1992: ABI e OAB recebem pedido de Impeachment de Collor


Amanha: Em 1975, o último herói da Irlanda



 Comentar (2)

1974 - O fim do cantor das desilusões de amor

Jornal do Brasil: Quarta-feira, 28 de agosto de 1974 - página 5 do Caderno B

"Lupicínio recebe hoje
a etiqueta
de grande cantor
da dor-de-cotovelo.
Na verdade
é bem mais
do que isso.
De menestréis
da dor-de-cotovelo
a música brasileira
está cheia.
O grande em Lupicínio
é a maneira
como se coloca diante
das desilusões amorosas,
a simplicidade
com que se confessa...
"
Jornal do Brasil


O compositor gaúcho Lupicínio Rodrigues, 59 anos, morreu em Porto Alegre, vítima de insuficiência cardíaca. Embora internado por mais de uma semana, a notícia surpreendeu parentes e amigos, que chegaram de toda parte para render-lhe as últimas homenagens.

Descoberto por Noel Rosa, o primeiro sucesso veio com o antológico Se acaso você chegasse, cantado por Ciro Monteiro, em 1938. Um anos depois Lupicínio se apresentava no bairro carioca da Lapa, disposto a trilhar um novo e fértil período de boemia. Sempre enveredando as histórias de decepções amorosas, vieram Pergunte aos meus tamancos, Quem há de dizer, Cadeira vazia e Castigo, sucessos na voz de Alcides Gonçalves, seu principal intérprete. Suas composições, grande parte delas escritas com Felisberto Martins, foram gravadas por grandes nomes da MPB como Francisco Alves, Linda Batista, Orlando Silva e Jamelão.

Entre os feitos de maior orgulho deste torcedor apaixonado do Grêmio de Porto Alegre, está a autoria da letra e da música do hino do seu clube de coração.

Desejo do reconhecimento da juventude

No começo dos anos 70, Lupicínio lamentou-se do desinteresse dos cantores jovens com o seu trabalho, e confessou estar à espera de que eles lhe dessem uma oportunidade. A sua morte inesperada impediu que conhecêssemos muitas histórias musicais que ele ainda haveria de cantar. Mas a oportunidade pretendida pelo compositor, o seu desejo de reconhecimento pela juventude, começou a acontecer na voz de revelações da nova geração, como Paulinho da Viola, Elis Regina, Caetano Veloso e Gal Costa. Uma homenagem póstuma e para a posteridade.


Confira também:
1979 - Terroristas matam Lorde Mountbatten na Irlanda


Amanhã: Em 1979 - Sancionada a lei da anistia


 Comentar

1944 - Restaurada a liberdade na França

Jornal do Brasil: Domingo, 27 de agosto de 1944
Paris já se encontra complemente livre, embora a capital francesa amanhecesse com uma terrível ressaca, conseqüência das comemorações.

O povo de Paris, depois de quatro anos de ocupação alemã, vestiu as melhores roupas e encheu as ruas a fim de aclamar os seus libertadores. De Gaulle participou da parada triunfal. Partindo do Arco do Triunfo ele desceu a Avenida Champs Elysées e prosseguiu até a Catedral de Notre Dame.

Milhares de pessoas, felizes até o delírio, passeavam ao longo dos "boulevards", dando graças pela libertação.

A rendição incondicional da Alemanha tinha sido assinada, e foi recebida pela população com um entusiasmo sem precedentes. As manifestações entraram pela noite adentro, e nem sequer faltaram as salvas de alegria e os tiros esparsos que marcavam o fim do odiado domínio alemão.

Uma ligeira visita de inspeção por vários pontos da cidade serviu para mostrar que, do ponto de vista arquitetônico, Paris pouco sofreu com a guerra. Os danos mais importantes foram os ocasionados aos edifícios situados na área dos Jardins de Luxemburgo, onde os alemães tentaram uma última resistência.

Aos pés da chama simbólica do Soldado Desconhecido encontrava-se o habitual ramo de flores do qual pendia uma fita onde estava escrito: "A França sobreviverá a Hitler". Longas filas de prisioneiros alemães seguiam para os campos de concentração dos aliados.


De Gaulle, o liberador da França


A capital francesa foi ocupada pelos alemães desde 1940 até a sua libertação, em 25 de agosto de 1944. O general Charles De Gaulle marcou uma nova etapa da História da França. Sem armas e sem soldados, De Gaulle iniciou os primeiros contatos para a formação do Movimento Francês Livre.

No pós-guerra, De Gaulle foi o primeiro presidente da Quinta República Francesa, de 1958 a 1969. Sua política ideológica é conhecida como Gaullismo, e até hoje tem influência na poltica Francesa.
Morreu em 9 de novembro de 1970.


Confira também:
26/08: 1978: Habemus Papam! Cardeal Luciani é o escolhido


Amanhã: Em 1974 - O fim do cantor das desilusões de amor



 Comentar

1961 - A renúncia de Jânio Quadros

Primeira página do Jornal do Brasil: Sábado, 26 de agosto de 1961
"Nesta hora de grave crise
e de perigos incontáveis,
cabe a todos os brasileiros
a tarefa de se empenharem
na preservação da unidade nacional
e das instituições democráticas.
A renúncia
do Presidente Jânio Quadros
causou profunda inquietação
ao povo inteiro,
paralisou a administração,
obrigou as Forças Armadas
a se colocarem de prontidão,
fez com que os governos estaduais
adotassem medidas de precaução,
pôs o Poder nas mãos
do Presidente da Câmara
e deixou o Brasil numa situação tal
que ninguém pode esconder
o temor que todos sentimos
de que a própria Nação
pode perder-se
ou descrer de si mesma
".
Jornal do Brasil


A efêmera presidência de Jânio Quadros foi marcada por polêmicos mandos e desmandos: a tentativa de reaproximação com a URSS e a China, a nomeação de um embaixador negro para a África, a recusa de apoio aos americanos na expulsão de Cuba da OEA, e ainda a proibição de rinhas de galo e de maiôs cavados, causaram perplexidade entre o povo e as elites.

O desfecho dessa gestão não seria menos surpreendente. Jânio renunciou ao cargo quando o vice, João Goulart, se encontrava em visita oficial à China. A ausência de Jango abriu margem para que o presidente da Câmara, Ranieri Mazzili, assumisse provisoriamente o governo. Até hoje se especula sobre os reais motivos da renúncia. O mais lógico é a de que se tratou de uma manobra estratégica. Sem maioria no Congresso, e ciente do desconforto entre Jango e os militares, renunciara na expectativa que o Parlamento lhe oferecesse liberdade governamental, e de que contaria também com o apoio do exército. O Congresso, contudo, aceitou prontamente sua renúncia eclodindo uma crise política que culminaria, anos mais tarde, no Golpe Militar. Ninguém ofereceu lição maior de esperança e desilusão ao povo brasileiro.

Surpreendente e polêmico do início ao fim

Jânio Quadros assumiu a Presidência da República a 31 de janeiro. Contrariando a expectativa geral, em seu discurso de posse foi discreto e gentil, chegando mesmo a tecer elogios ao governo anterior. Na mesma noite porem, surpreendeu a todos. No seu pronunciamento em rede nacional atacou violentamente o governo JK, acusando o ex-presidente de nepotismo e inoperância administrativa, responsabilizando-o pelo descontrole inflacionário e pela galopante dívida externa. Era o primeiro de tantos episódios histriônicos que ensaiaria na sua turbulenta trajetória de 209 dias à frente do poder máximo do país.


Confira também:
1984 - O escritor Truman Capote é encontrado morto


Amanhã: Em 1944 - Restaurada a liberdade na França


 Comentar (1)

1930 - Queda do Governo Leguía no Peru

Jornal do Brasil: Terça-feira, 26 de agosto de 1930
O Movimento revolucionário de Arequipa foi iniciado em Arequipa, cidade do Sul do Peru, pelo 3o. batalhão de caçadores, comandado pelo Tenente Coronel Sanchez Cerro. As tropas, depois de ocuparem os pontos estratégicos, prenderam o prefeito local, ao mesmo tempo em que faziam lançar um manifesto à nação. Difundido o manifesto, o movimento revolucionário alastrou-se rapidamente, recebendo adesões de guarnições militares de várias localidades do país. O Presidente Leguía compreendeu então a difícil posição em que se encontrava, e entregou prontamente o governo à Junta Militar Revolucionária, retirando-se de Lima. Assim, sem consequências mais graves, foi assegurada a vitória dos revoltosos e proclamado o novo governo.
O Presidente Agusto Leguía ocupou o governo peruano em dois períodos: de 1903 a 1912 e de 1919 até ser deposto em 1930. Na vida internacional, Leguia deixa grande renome. Nas questões fronteiriças a sua atuação foi admirável. Firmou com a Colômbia um novo acordo sobre as fronteiras no Putumayo. Na segunda presidência continuou a política de fraternidade sul-americana com a Colômbia, o Equador e, principalmente, com o Chile. A sua atuação na política interna, no entanto, era aplaudida e condenada sucessivamente.

A depressão econômica mundial

Até meados do séc. XIX, o poder foi exercido por generais, sendo constantes os golpes de Estado. Leguía surgiu com as divisões internas na elite e os confrontos entre os partidos políticos, estabelecendo um regime de corte autoritário que se sustentou graças à pujança econômica dos anos 20. Em 1929 o Peru começou a sentir os efeitos da depressão econômica mundial. As Forças Armadas, preocupadas com a crescente dívida externa do país, derrubaram Leguía. Reafirmou-se assim a tradição de sucessão presidencial por meio de golpe de estado.



Confira também:
24/08: 1954: A madrugada trágica - um tiro no coração


Amanhã: Em 1961 - Jânio Quadros renuncia



 Comentar

1926 - O mundo chora por Valentino

Jornal do Brasil: Terça-feira, 24 de agosto de 1926 - página 12
"Nos Campos Elíseos,
ali onde, mais tarde ou mais cedo,
nós todos havemos
de ir encontrá-lo,
talvez Rodolfo Valentino
volva à terra
um olhar de recordação.
Ele se contemplará
na fulgurante glória em que viveu
os seus dias jovens:
ele se verá aureolado
da admiração do mundo,
prosternado ante a sua arte.
Talvez a sua sombra
murmure no campo de asfodelos,
aquelas palavras melancólicas
da desconsolação cristã:
sic transit gloria mundi
".
Jornal do Brasil


Poucas mortes terão sido tão sentidas no mundo civilizado como a de Rodolfo Valentino, aos 31 anos, no apogeu de sua carreira cinematográfica. Internado para tratamento num hospital em Nova Iorque, não resistiu às complicações clínicas decorrentes de uma úlcera perfurada.

A morte de Valentino causou uma histeria coletiva nunca vista até então. A reação do público feminino foi além das lágrimas e desmaios. Notícias de uma onda de suicídios demonstravam o efeito da inesperada tragédia. Seu funeral mobilizou uma multidão consternada. Fãs chegavam de toda a parte para prestar-lhe uma última homenagem. O enterro só foi possível cinco dias depois, graças a intervenção de força policial, no Cathedral Mausoleum, no Hollywood Forever Memorial Park.

Viril e sensual, Valentino foi considerado a personificação da sedução latina. Numa época em que a emancipação feminina era ainda uma realidade distante, seus personagens hipnotizavam as mulheres com a sua pose autoritária, o seu olhar penetrante e a sua imagem de galã. Assim consagrou-se o primeiro símbolo sexual produzido por Hollywood. A sua morte prematura contribuiu ainda mais com a sua supremacia de galã, elevando-o de astro a mito.

O primeiro mito de Hollywood

Italiano, foi na companhia dos seu pais que o jovem Valentino deixou seu país, rumo à América. Para sobreviver, fez pequenos serviços de toda ordem até se estabilizar como bailarino num bar em Nova Iorque. Foi então que ingressou no mundo do espetáculo. Com 23 anos foi descoberto por Hollywood, desempenhando papéis menores. O sucesso veio com 1921 com sua performance em Os Quatro cavaleiros do apocalipse. No ponto máximo do filme, Valentino surge dançando um tango de forma dominadora face a uma parceira completamente rendida ao seu poder sedutor. O público feminino caia aos seus pés.


Confira também:
1989 - Cadeia humana contra anexação mobiliza 2 milhões no Báltico


Amanhã: 1930 - Queda do governo Leguía no Peru



 Comentar

1976 - JK morre em acidente de carro

Jornal do Brasil: Terça-feira, 24 de agosto de 1976
O ex-Presidente Juscelino Kubitschek morreu, quando o Opala em que viajava de São Paulo para o Rio, dirigido pelo seu motorista Geraldo Ribeiro, desgovernou-se e chocou-se contra uma carreta. O acidente ocorreu no quilômetro 165 da rodovia, no Município de Rezende. O Opala ficou totalmente destruído e seus ocupantes irreconhecíveis.

Juscelino tinha tido os seus direitos políticos suspensos pelo regime militar, e em face disto D. Sarah Kubitschek não permitiu nenhuma manifestação oficial ao marido. A família recusou, inclusive, a sugestão do governador de Minas Gerias, Aureliano Chaves para que o corpo fosse velado no Palácio da Liberdade. O velório seria no edifício da Rua do Russel.


Jornal do Brasil: Terça-feira, 24 de agosto de 1976
Quinze dias antes correra o boato da sua morte. Uma equipe de reportagem foi até a fazenda do ex-Presidente, que os recebeu com um largo sorriso - "Agora sou eu?". Ele estava com alguns familiares e amigos em volta de uma mesa com garrafas e copos de uisque, assistindo o filme O Homem de Seis Milhões de Dólares, e convidou o repórter e o motorista para um drinque: "A ocasião merece, não é? Afinal, eu acabei de ressuscitar".


O acidente encerrava definitivamente a carreira do político propulsor das vertiginosas reformas estruturais a que o país assistiu durante o Plano de Metas, que alavancou os setores de energia, transporte, alimentação, indústria de base e educação. Sua vida pública foi marcada por inúmeros atos de fé nos destinos do país. Em política, foi um obstinado quando entendia que a meta colimada coincidia com os interesses do Brasil. Era um homem que se caracterizava pela cordialidade e por uma imensa e poderosa imaginação. JK completaria 74 anos no dia 12 de setembro.



O homem que construiu uma capital

Jornal do Brasil: Terça-feira, 24 de agosto de 1976
"A glória do meu Governo foi manter o regime democrático malgré tout, apesar de todas as tentativas, todos os esforços para derrubá-lo. Em 40 anos de vida republicana eu fui o único Governo civil que começou e terminou no dia marcado pela constituição." JK

Governou o Brasil entre 1956 e 1961. Promoveu o crescmento econômico sob o slogan 50 anos de progresso em 5 anos de governo. Político de qualidades singulares, inaugurou em 1960 um polêmico sonho moldado arquitetonicamente por Oscar Niemeyer no meio da imensidão do planalto central, e para lá levou a Capital do País - Brasília.

Confira também:
22/08: 1961: 1ª Exposição Nacional de Fotojornalismo


Amanhã: Em 1926 - Mulheres choram a morte de Valentino


 Comentar (18)

1968 - Sob armas, o fim da Primavera de Praga

Jornal do Brasil: Quinta-feira, 22 de agosto de 1968. Página 3

"Ilógica e irracional, a invasão soviética a Praga aconteceu. O povo tentou resistir, mesmo com blindado, aviões e pára-quedistas russos nas ruas. Houve mortos e feridos, tiros, rajadas de metralhadoras... A fragmentação do campo comunista deve agravar-se. As relações soviético-norte-americanas tendem a deteriorar. O desarmamento pode ser definitivamente esquecido". Jornal do Brasil

Era madrugada quando Praga foi surpreendida com a invasão de 200 mil soldados dos países do Pacto de Varsóvia, que tomaram de sobressalto a capital da Tchecoslováquia com carros blindados e tanques de guerra. O povo tcheco não atendeu ao apelo oficial de não oferecer resistência, e saiu às ruas pronto para contestar as tropas dos soviéticos e seus aliados. As conseqüências foram trágicas. Sob o fogo dos canhões e das balas de metralhadora, os jovens heróis reduziram-se a vítimas: um saldo de mais de 50 mortos e 300 feridos. As cenas de rebeldia e destruição repetiram-se em diversas outras cidades do país.

A investida militar foi uma bárbara resposta ao processo de democratização do regime comunista tcheco que ficou conhecido como Primavera de Praga, uma tentativa de humanização do comunismo, liderada pelo primeiro secretário do partido comunista tcheco Alexander Dubcek.

Cortina de Ferro reprime sonho tcheco

A partir de abril de 1968, um novo programa de ação, elaborado por um grupo de jovens intelectuais comunistas, foi instaurado na Tchecoslováquia, promovendo mudanças significativas, inéditas nos países da Europa Oriental, como a liberdade de imprensa e a tolerância religiosa, entre outras reformas políticas e econômicas. Esta experiência de abertura à democracia atrás da Cortina de Ferro foi vista como uma ameaça à unidade e solidariedade das nações do Pacto de Varsóvia que, temendo um contágio do exemplo tcheco, invadiram Praga, reassumindo o poder, e restaurando o regime linha dura no país.

Confira também:
1989 - Morre o Maluco Beleza do rock


Amanhã: 1976 - JK morre em acidente de carro



 Comentar

1940 - Crime cala revolucionário

Jornal do Brasil: Quinta-feira, 22 de agosto de 1940
Leon Trotsky, ex-líder soviético, foi golpeado na cabeça, na sua casa no México, por um agente secreto que ele inadvertidamente tinha convidando para almoçar. Ramón Mercader, um correligionário espanhol a serviço de Stalin, derrubou o ancião de 61 anos com uma barra de ferro. Leon Trostsky, um dos fundadores do governo soviético da Rússia, e talvez em certo momento uma das figuras de maior relevo daquele regime, tinha sido exilado do de seu país pela própria organização que ajudara a construir.

Nasceu em 1879 na Ucrânia de pais judeus, e recebeu o nome de Leon Davidovich Bronstein. Desde jovem mostrou-se notável agitador e revolucionário, tendo sido preso e exilado para a Sibéria diversas vezes, de onde sempre conseguiu escapar.

Durante vários anos viajou pela Europa Central e além, de um centro clandestino revolucionário para outro. Em 1917 encontrava-se em Nova York, mas quando estourou a Revolução de Outubro estava de volta com Lenin em São Petesburgo, quando chefiou o Soviete dessa cidade. Tornou-se Comissário para Assuntos Externos do Governo de Lenin, tendo negociado a retirada da Rússia da Primeira Guerra Mundial.

Quando começou a Guerra Civil foi um dos criadores e o primeiro chefe do Exército Vermelho. Com a doença e morte de Lenin, foi perdendo seus cargos no governo e no partido até que, acusado de traição, foi exilado em 1929 para a França, que não o acolheu. Vagou então por diversos países, até se estabelecer no México em 1936.
Jornal do Brasil: Sábado, 24 de agosto de 1940


A influência política de Trotsky sobre os partidos comunistas de todo o mundo era sentida de longe por Moscou que tentou assassiná-lo diversas vezes ate conseguir.


Teoria da revolução permanente

Desde Karl Marx havia a controvérsia entre os que defendiam a implantação do socialismo em cada pais independentemente dos demais, e aqueles que achavam que somente a implantação em todos os paises da Europa traria a necessária estabildade para os novos governos revolucionários. Trotsky foi um defensor desta última corrente, e confrontou Stalin, para quem esta ideia era absurda. Com a vitória deste na batalha pela sucessão de Lenin a sorte de Trotsky foi selada. Ele morreu um dia depois do atentado, sussurrado que seu atacante "parecia ser um agente da OGPU.", a polícia secreta de Stalin.



Confira também:
20/08: 2000: Jornalista Pimenta Neves mata Sandra Gomide


Amanhã: Em 1968 - A Primera de Praga


 Comentar

1934 - Legitimada toda a Alemanha de Hitler

Jornal do Brasil: Domingo, 19 de agosto de 1934
A morte do presidente do Reich Paul von Hindenburg, no início de agosto de 1934, foi uma oportunidade para que Hitler abolisse esse cargo e fizesse com que o exército lhe prestasse um juramento pessoal de obediência incondicional como o füehrer do povo e do Reich alemão. Hitler passava a centralizar a chefia do Estado, o comando supremo das forças armadas, a chefia do governo e do partido único, o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (Partido Nazista). Consolidava assim, o poder total na Alemanha, irrestrito por qualquer controle constitucional. Mas o sucesso dessa manobra de poder dependia da identificação de Hitler com o povo alemão. Com uma intensa propaganda nos meios de comunicação em defesa dessa ideia, Hitler para a Alemanha - toda a Alemanha de Hitler conforme o slogan, um referendo foi programado para legitimar esta alteração na estrutura do poder da Alemanha.

"O meu pai, agora morto, considerava o Sr. Hitler como seu imediato sucessor na chefia do Estado. Portanto, interpretando o desejo de meu pai, peço aos homens e às mulheres alemãs que endossem a lei que transfere ao chanceler o cargo de presidente". Oscar von Hindenburg, filho de Paul von Hindenburg, foi uma das inúmeras lideranças que externou o seu apoio incondicional na campanha à Hitler na unificação do poder na Alemanha.

E essa proposta se confirmou nas urnas, quando a maioria do povo alemão disse sim ao plebiscito que deu a Adolph Hitler o poder absoluto.

A propaganda pela ascensão do füehrer
No entanto, grande parte da Alemanha ainda resistia à chanceleria de Hitler em 1933. Suas tendências antidemocráticas, sua postura diante das perseguições raciais, sua tolerância à vida luxuosa de uma minoria em detrimento das condições miseráveis do povo, eram alguns dos temas centrais dessa polêmica atuação. Mas a sua popularidade de Hitler cresceu imensamente, impulsionada pela propaganda agressiva aliada aos seus êxitos econômicos, diplomáticos e militares. A estratégia logo o transformou em um ídolo, adulação que ajudou a tornar possível o terror do Terceiro Reich.

Confira também:
1961 - Jânio Quadros presta homenagem a Che Guevara


Amanhã: 1977 - Adeus ao Rei do Rock



 Comentar

1960 - O mito do galo de ouro

Jornal do Brasil: Sábado, 20 de agosto de 1960
No Olympic Auditorium de Los Angelas, EUA, Éder Jofre subia ao ringue para enfrentar um dos seus maiores desafios. As cadeiras estavam lotadas, principalmente por mexicanos que urravam por Joe Medel, um puglista técnico e pegador. No corner do brasileiro estava seu pai e eterno professor "Kid" Jofre.

No 2º assalto Jofre levou um golpe no fígado que deixou a pequena torcida brasileira desesperançosa. Mas a partir do quinto round a luta tornou-se emocionante. Neste assalto, os dois adversários trocaram golpes seguidos, ambos sentindo as conseqüências.

No sétimo e no oitava rounds, em ritmo mais lento, os lutadores se guardavam para conseguir, depois do grande dispêndio de energia, resistir até o possível décimo segundo. Mas no nono assalto a movimentação anterior voltou, e novamente os dois se esmurravam, ora com vantagem para um ora outro. A luta parecia não ter fim.

Éder foi atingido ao começar o décimo round e seu nariz sangrava, mas daí para a frente começou sua recuperação. Mesmo contra quase todo o estádio, lotado com 10 mil pessoas, o brasileiro foi para a frente e bateu em Medel até deixá-lo inteiramente grogue.

Finalmente Éder Jofre nocateou José Medel, campeão mexicano, com um fulminante cross de direita na mandíbula, no décimo round de uma luta programada para doze.

O Mexicano caiu de joelhos aos pés do brasileiro. A torcida ficou calada. Soa o congo. O mexicano não volta ao ringue e o juiz dá a vitória ao brasileiro por nocaute.

Começava a nascer o mito do Galo de Ouro.
Jornal do Brasil: Sexta-feira, 19 de agosto de 1960 - Jofre antes da luta



O campeão brasileiro do peso-galo ganhou o direito de disputar o título mundial de sua categoria, com outro mexicano, José Becerra.


O campeão de pesos galo e pena

Éder Jofre vem de uma família de boxeadores. Sua estréia no boxe amador aconteceu em 1953. Nos 24 anos de careira do lutador paulistano, foi duas vezes campeão mundial do peso-galo (até 53,524 kg) e uma vez dos peso-pena (até 57,153 kg). Éder lutou 81 lutas, vencendo 77, empatando 2 e com apenas duas derrotas.
Éder Jofre aposentou-se em 1976. No final da década de 80 o pugilista entrou para a política nacional. Em 1992 seu nome foi incluído no Hall of Fame do boxe mundial, em Nova Iorque, como um dos sete melhores lutadores da era moderna.




Confira também:
18/08: 1968: "Estudante" é tema central de Pesquisa do JB


Amanhã: Em 1934 - Toda a Alemanha de Hitler


 Comentar

1978 - Da América à Europa num balão

Primeira página do Jornal do Brasil: 18 de agosto de 1978.


138 horas após partirem de Nova Iorque a bordo do aeróstato Double Eagle II, os americanos Ben Abruzzo, 48 anos, Maxie Anderson, 44 anos, e Barry Newman, 31 anos completaram a primeira travessia do Atlântico em um balão, repetindo o percurso EUA-Europa traçado por Charles Lindbergh meio século antes, em seu solitário avião.


A aventura, monitorada por transmissões de rádio com bases terrestres, alternou momentos de tranqüilidade e tensão, principalmente na etapa final. Nas proximidades da costa irlandesa, o balão atravessou um forte temporal. Ao sobrevoar a Inglaterra, os tripulantes precisaram alijar carga para ganhar altitude. E por último, uma ventania prejudicou os planos da tripulação, impedindo que o balão descesse no Aeroporto Le Bourget, local em o aviador finalizou sua façanha em 21 de maio de 1927. Dessa vez a aterrissagem foi num campo de trigo, perto da Aldeia de Miserey, a 100 quilômetros a oeste de Paris. Milhares de curiosos acompanharam a chegada, aglomerando-se nas proximidades do balão e formando congestionamento no trânsito da região.

Ao completarem o feito inédito, superando um século de tentativas fracassadas, os americanos conquistaram uma tríplice coroa, batendo todos os recordes de duração, distância em linha reta e a própria travessia em um balão.

O piloto pioneiro Charles Lindbergh. Reprodução/CPDoc JB
O pioneirismo de Charles Lindbergh

Com palmas, gritos e muito papel picado, os nova-iorquinos fizeram uma festa inesquecível para Charles Lindbergh, o americano que, aos 25 anos, pilotando sozinho um monomotor, cruzou, sem escalas, o Oceano Atlântico. A bordo do Spirit of Saint Louis, o piloto saiu de Nova Iorque em rumo da proeza jamais conquistada pelo homem. O vôo foi uma verdadeira epopéia de cansaço sob diversas condições climáticas. Inesgotável, após 33 horas e 29 minutos atravessando neblinas, ventos fortes e muito frio, Lindbergh alcançava em Paris o triunfo de sua ousada aventura.


Confira também:
1988 - A luz apagou


Amanhã: 1977 - Adeus ao Rei do Rock



 Comentar

1977 - Adeus ao rei do Rock

Jornal do Brasil: Quarta-feira, 17 de agosto de 1977
Elvis Presley morreu aos 42 anos em Memphis, Tennesse, EUA. Seu empresário, Joe Esposito, encontrou-o inconsciente, caido no chão da sua casa.

Elvis Aron Presley nasceu em 10 de abril de 1936 em Tupelo, no Mississipi. Foi o sobrevivente de dois gêmeos, e depois do parto sua mãe tornou-se incapaz de gerar mais filhos. O futuro rei do Rock canalizou então todo o afeto dos pais. Morou com eles em condições precárias por bastante tempo, mas tudo mudaria para ele - e para a indústria americana do disco - com a gravação de aniversário para a sua mãe.

Na primavera de 1954 um rapaz alto, de longas costeletas e pernas compridas, entrou na modesta gravadora Sun Records, em Memphis, e pagou quatro dólares para gravar um disco que daria à sua mãe de presente de aniversário.

O controlador da mesa de gravação falou para Elvis que ele tinha uma voz incomum, e pediu-lhe para deixar o contato. Passou-se quase um ano até que ele recebesse um telefonema de Sam Phillips, da Sun Records, propondo-lhe gravar, como experiência, uma balada. Elvis começou a batucar no violão acompanhando-se em That's All Right Mama de uma maneira totalmente original. Logo em seguida, de um só fôlego, Elvis emendou I Don't Care if The Sun Goes Down e Blue Moom of Kentucky. As duas últimas músicas foram postas em disco e lançadas no mercado regional. Apenas uma semana depois, já haviam sido vendidas 7 mil cópias da gravação. Em 1955 Elvis foi contratado pela RCA e começaram os tours. Aos poucos ele descobria que podia fazer as platéias gritarem histericamente com o rebolado.

O verdadeiro estouro veio em janeiro de 1956, quando a RCA lançou seu primeiro disco com Elvis Presley, Heartbreak Hotel.

Seus dicos não pararam de vender

Jornal do Brasil: Quarta-feira, 17 de agosto de 1977
A cada novo disco lançado os índices de venda subiam a alturas nunca dantes imaginadas. Em pouco tempo Elvis tornou-se milionário, com uma mansão que chamou de Graceland - em homenagem a sua mãe, Grace. Casou-se com Priscila e teve uma filha, Lisa Marie. Mesmo sem gravar, faturava milhões de dólares em royalties. E bastava abrir a boca nos estúdios para começar a bater recordes. Em 1973, divorciado, ele voltou ao cinema, à televisão e aos shows. Ainda era capaz de levar multidões a seus espetáculos. Elvis morreu apavorado com a idéia de mostrar-se em público obeso e quarentão.




Confira também:
16/08: 1992: Capitais saem às ruas em protesto


Amanhã: Em 1978 - Da América à europa num balão


 Comentar

1909 - A tragédia de Euclides da Cunha

Jornal do Brasil: Segunda-feira, 16 de agosto de 1909 - página 6

Euclides da Cunha, 43 anos, um dos mais respeitados literatos brasileiros, foi assassinado após um ríspido desentendimento com Dilermando de Assis, um jovem oficial que lhe desferiu um tiro de curta distância. O crime aconteceu no bairro carioca da Piedade, após o escritor saber que sua esposa, Ana, o abandonara para viver com os filhos ao lado do militar, sustentando suas suspeitas a respeito da paternidade de um de seus filhos.

As versões sobre o desfecho da história abrigam diferentes hipóteses. A mais comedida defende que o escritor tenha sido vítima de uma emboscada, quando apenas queria resgatar seus filhos do ambiente libertino construído por Ana e Dilermando. A mais exasperante é a de que, movido pela humilhação da traição, Euclides, em defesa de sua honra, partira disposto a matar seu rival e vingar-se de Ana. Exímio atirador, Dilermando justificou seu ato como legítima defesa, alegando que Euclides agiu de forma premeditada, ao seguir armado à sua procura. Aos olhos da Justiça, o gesto de Dilermando foi leal, tanto que foi absolvido pelo júri popular.

Euclides da Cunha foi um entusiasta das questões sociais. Buscava a aproximação com o povo, de quem era contundente defensor. Sempre engajado e atuante nas causas em que se envolvia, posicionou-se como abolicionista, republicano, e dedicou-se intensamente às suas produções literárias.

O escritor Euclides da Cunha. Reprodução/CPDoc JB

A respeitável produção literária

O conjunto da obra de Euclides da Cunha é pequeno, porém de notável qualidade literária, e até hoje repercute na consciência da elite brasileira. Os Sertões (1902), ponto máximo de sua criação, foi elaborado a partir das reportagens escritas pelo autor no front da Guerra de Canudos (1896-1897). Um épico brasileiro, com seu testemunho sobre o desenvolvimento da guerra nos sertões da Bahia: um registro da realidade geográfica do nordeste brasileiro e dos valores da vida sertaneja. Obra fundamental para se entender o ethos do povo brasileiro.

Em 1903, Euclides da Cunha foi eleito para a Academia Brasileira de Letras.


Confira também:
1969 - Festival de Woodstock: uma maratona cultural pelo amor e pela paz


Amanhã: 1977 - Adeus ao Rei do Rock


 Comentar (3)

1983 - O grande intelectual católico

Jornal do Brasil: Segunda-feira, 15 de agosto de 1983
O escritor Alceu de Amoroso Lima morreu aos 90 anos. Alceu foi erudito, professor universitário, critico de idéias, ensaísta e líder social. Sua obra, que abrange um conjunto de 80 livros publicados, girou em torno de problemas religiosos, filosóficos, literários, jurídicos, econômicos, pedagógicos, sociais.

Nasceu no Cosme Velho, no Rio de Janeiro no dia 11 de dezembro de 1893, em plena Revolta da Armada.

Machado de Assis, que era seu vizinho, escreveu versos de ocasião para o seu batizado. Estudou as primeiras letras em casa, com um renovador da pedagogia, João Kopke. Entrou para a Faculdade de Direito pela faculdade do Rio de Janeiro em 1909, e em 1912 dirige a revista Época, à qual dá um cunho mais literário que jurídico. Diplomado em 1913, viaja pela quarta vez à Europa. Estava em Paris quando começou a guerra de 1914, e teve que retornar ao Brasil. Trabalhou então como advogado e como adido ao Itamarati, antes de assumir a direção jurídica de uma fábrica da sua família. Casou-se e do casamento nasceriam sete filhos, ao longo dos vinte anos.

A 17 de junho de 1919 nasceram juntos O Jornal e a crítica literária sob o pseudônimo Tristão de Athayde, o qual foi, ao longo da década de 20, intérprete do modernismo. Através do rodapé de crítica de Tristão de Athayde, várias gerações descobriram o valor da literatura e se orientaram a respeito de livros e autores. Conheceu Jackson de Figueiredo, pensador católico e fundador do Centro Dom Vital. Tornaram-se amigos e corresponderam-se por dez anos, até a morte prematura de Jackson em 1928.

Neste ano converteu-se ao catolicismo e tornou-se um dos mais respeitados paladinos da Igreja Católica no Brasil.

Liberal, critico e grande pensador

No exercício dessa crítica militante, ele nunca se prendeu a grupos ou a modismos.

Participou ativamente dos movimentos políticos e sociais dos anos 30. Foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras em 1935.

Em 1941, participou da fundação da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.
Publicou dezenas de livros sobre os temas mais variados. Presidente do Centro Dom Vital e diretor da revista de cultura A Ordem durante quarenta anos, quis dar ao catolicismo uma dimensão cultural e uma perspectiva de abertura e diálogo.


Confira também:
14/08: 1994: Chacal é preso no Sudão


Amanhã: Em 1909 - A tragédia de Euclides da Cunha



 Comentar

1946 - Morre o visionário H.G. Wells

Jornal do Brasil: Quarta-feira, 14 de agosto de 1946 - página 6


Às vésperas de completar oitenta anos, o escritor inglês Herbert George Wells morreu dormindo na sua residência em Londres. Ele não mais resistiu à luta contra a diabete que o acompanhava há muito, e que acabou por levá-lo, após várias complicações clínicas, a um quadro irreversível.
Com cerca de 50 livros publicados, Wells deixou uma produção diversificada, compreendendo tanto ficção como ensaios, que abrangem da sociologia à economia política. Se tivéssemos que definir a contribuição de sua genialidade numa só palavra, esta seria visionário. Dono de extraordinário poder inventivo, foi nos ousados vôos à fantasia que se constituiu seu mais consagrado legado. Ainda no século XIX a insígnia H.G. Wells já assinava obras fantásticas que habitariam o imaginário de sucessivas gerações. A Máquina do Tempo (1895), A Ilha do Dr. Moreau (1896) e O Homem Invisível (1897) ... iniciaram a série de títulos que chamavam atenção para temas distantes do grande público como os percalços do avanço científico, a manipulação experimental com animais e a ética humana na obstinação pelo poder.

Um dos mais célebres romances de H.G. Wells, A Guerra dos Mundos é uma sátira política com intenções morais. Adverte a sociedade para os perigos do progresso científico desenfreado, e chama atenção para a intolerância do colonialismo. O lançamento da obra foi cercado de especulações, e suscitou sentimentos de toda a ordem nos leitores: pânico, temor, mal-estar. Muitos acreditavam em uma possível invasão da Terra por parte dos habitantes de Marte. Contudo, os marcianos são uma metáfora usada para revelar a alienação do colonialista europeu.

H. G. Wells divide com Júlio Verne o mérito da introdução da ficção científica na cultura popular.


Guerra dos Mundos apavora EUA

Um episódio protagonizado por Orson Welles levou pânico generalizado aos EUA no Halloween de 1938. Ao fazer uma leitura dramatizada de Guerra dos Mundos durante um programa de rádio, o grande ator promoveu uma histeria coletiva. O que se propunha uma ingênua brincadeira pelo Dia das Bruxas ganhou dimensões catastróficas. Fragilizados pelos boatos e notícias da iminência de uma nova guerra mundial, os ouvintes não hesitaram em acreditar na fantástica transmissão. Aliás, difícil foi convencê-los do contrário. O incidente ocupou várias manchetes do mundo.


Confira também:
1961 - A construção do Muro de Berlim


Amanhã: 1983 - O grande intelectual católico



 Comentar

1964 - O fim de James Bond

Jornal do Brasil: Quinta-feira, 13 de agosto de 1964
O novelista Ian Fleming, criador do personagem James Bond, o Agente Secreto 007 da Inteligência Britânica, morreu aos 56 anos de idade, vítima de uma crise cardíaca, nas Ilhas Sanduíche, território britânico no Atlântico Sul, onde passava férias em companhia da mulher e do filho.

Ian Lancaster Fleming nasceu em 28 de maio de 1908. Depois de estudar em Eaton, ingressou no Real Colégio Militar de Sandhurst, que logo abandonou por um curso destinado à formação de futuros diplomatas. Mais tarde abandonou a diplomacia e ingressou no jornalismo, destacando-se como correspondente estrangeiro em Moscou e, em seguida, como repórter do Times de Londres.

Durante a II Guerra, Ian Fleming foi assistente do Diretor do Serviço de Inteligência da Marinha Britânica, quando dirigiu um curso destinado a treinar comandos encarregados de eliminar agentes estrangeiros em território inimigo. Dessa experiência nasceu a idéia do herói. Fleming, antes de criar seu personagem fez uma pesquisa sobre qual tipo de herói agradaria mais ao público, dosando, com num laboratório, as percentagens de violência, sexo, inteligência, refinamento, coragem, sadismo e aventura, todos componentes da sua criação.

Em 1950, quando se encontrava na sua ilha particular da Jamaica, Ian Fleming escreveu o primeiro livro da série James Bond: Cassino Real, que alcançou imediato êxito.
Jornal do Brasil: Quinta-feira, 13 de agosto de 1964

Alguns livros depois, o sucesso de James Bond já ameaçava a personalidade do seu criador. Como James Bond, Ian Fleming era um homem de gostos requintados, que só vestia roupas sob medida, sapatos feitos à mão, e freqüentava a alta sociedade britânica.

Minucioso como o agente 007

Jornal do Brasil: Quinta-feira, 13 de agosto de 1964
James Bond surgiu na vida de Ian Fleming quando este, casado e aos 43 anos, percebeu o terrível tédio da vida matrimonial. James Bond foi a solução dos seus problemas. Forte, possante, cínico, duro, desejado, eternamente vigoroso, o Agente Secreto 007 levou Ian Fleming consigo através de tantas aventuras, em disparado galope para os sucesso. Nada era escrito ao acaso, e Fleming se tornava aos poucos perito em armas, lutas corporais, técnicas amorosas e costumes tradicionais de outros países. Produziu um livro por ano durante doze anos seguidos. Ian Fleming morreu e matou consigo a James Bond.


Confira também:
12/08: 2000: Submarino russo afundou com 118 marinheiros


Amanhã: Em 1946 - Morre o visionário H. G. Wells


 Comentar

1908 - Aberta a Exposição Nacional

Jornal do Brasil: terça-feira, 11 de agosto de 1908 - página 7


"Inteiramente novo.
Soberbamente inédito
o aspecto feérico
que apresentava
a Praia Vermelha!

Deslumbramento
que excede
a tudo quanto
se pode conceber,
que provoca
a empolgadora locação
de sonhos orientais,
que realiza,
que faz viver
e palpitar
a grandeza imaginativa
dos contos das mil
e uma noites arábicas.

A profusão de cores
em reticências multicolores
em caprichosos contornos
com o atrativo interno
engalado dos faróis
imprimiam
aquele esplêndido espetáculo
a grandiosidade de uma apoteose.



Ferindo o céu lindíssimo cor de azul e índigo, destacam-se em linhas graciosas de luz viva e palpitante os soberbos pavilhões desenhados a fogo em prodigalidade de nababos em vibrações riquíssimas de admirável efeito
". Jornal do Brasil

Uma sessão solene no salão nobre do Palácio Principal dirigida pelo Presidente da República Afonso Pena (1906-1909) inaugurou a Exposição Nacional comemorativa do centenário da abertura dos portos brasileiros às nações amigas. O evento, com a presença de altas autoridades do Governo, foi acompanhado por uma multidão. Parecia que a cidade inteira havia se transferido para a Urca. Barcas, bondes, carros e automóveis chegavam a todo instante. O parque da exposição, as alamedas e jardins, o interior dos pavilhões, os restaurantes e bares estavam repletos. Cada estado brasileiro montou seu pavilhão, onde promoveu os seus produtos e belezas.

Os preparativos da exposição trouxeram o Rio para uma nova dimensão cultural e social. Ecoando o projeto urbanístico empreendido no início do século XX, o carioca viu surgir na cidade palácios, teatros, cervejarias, cafés, restaurantes e salas de cinema, assim como a efervescência de uma nova vida social.


Exuberância para o mundo inteiro ver

Além de uma iniciativa comemorativa, a Exposição Nacional pretendeu mostrar ao mundo a beleza e as qualidades da moderna capital da jovem República Brasileira. Entusiasmada com as reformas do prefeito Pereira Passos (1902-1906), a cidade aprontou-se para representar o Brasil, e exibir toda a sua exuberância. As imponentes edificações erguidas na exposição se incumbiram de abrigar estandes para mostrar a produção econômica brasileira. A intenção era atrair o olhar estrangeiro, visando buscar libras e francos para projetar e fortalecer a economia nacional.

Confira também:
1986 - Chega ao fim a Era Fusca


Amanhã: 1964 - O fim de James Bond



 Comentar

1974 - Atormentado até a morte

Jornal do Brasil: terça-feira, 10 de agosto de 1999
"Se minha alma está morta, que a ressuscitará?"
(Frei Tito em um dos poemas de despedida).

Depois de 14 meses de sofrimento nos porões da ditadura, Frei Tito foi um dos 70 presos trocados pelo embaixador suiço Giovanni Enrico Bücher. Voou em janeiro de 1971 para o exílio no Chile, de onde seguiu depois para Roma, onde o Vaticano não aceitou um "padre vermelho", e foi acolhido na França pelos dominicanos. As feridas do corpo se cicatrizaram, mas as torturas deixaram marcas indeléveis na alma.

Na solidão do convento, o dominicano era atormentado pelos fantasmas do passado e no dia 10 de julho de 1974, se enforcou sob a copa de um álamo,

Neste dia, os dominicanos e seus amigos, especialmente aqueles que compartilharam a dor de frei Tito nos anos de chumbo do regime militar, reúnem-se em igrejas e concentram-se em praças públicas para homenagear sua memória.

Nascido em 14 de setembro de 1945 em Fortaleza, Tito de Alencar Lima entrou para a Ordem dos Pregadores, nome oficial dos dominicanos, em 1965, depois de ter sido dirigente regional e nacional da Juventude Estudantil Católica (JEC), um dos movimentos de vanguarda da militância cristã na época. Foi preso na madrugada de 3 para 4 de novembro de 1969 pela equipe do delegado Sérgio Paranhos Fleury, seu primeiro torturador. Com outros dominicanos, entre os quais frei Betto, ele era suspeito de participar do esquema de Carlos Marighella, líder da Aliança Libertadora Nacional (ALN), que pregava a luta armada. A prisão dos frades levou à morte do guerrilheiro, que caiu numa emboscada e foi metralhado no local em que deveria encontrar os religiosos. Frei Tito é lembrado como herói e mártir.


É preferível morrer do que perder a vida

Os agentes da repressão espalharam a notícia de que os dominicanos traíram Marighella, numa versão oficial que acabou convencendo até aliados de organizações de esquerda.
Terça-feira, 10 de agosto de 1999

Foi só a partir da publicação do livro Batismo de Sangue, que frei Betto lançou em 1982, que a história se esclareceu. Fernando Gabeira foi testemunha de seu calvário. O frade dominicano passou por diversas torturas e nada falou.

Batismo de Sangue se tornou também filme dirigido por Elvécio Ratton. Em fevereiro de 2002 foi criado no Museu do Ceará o Memorial Frei Tito.

Confira também:
10/08: 1935: É inaugurada a Rádio Jornal do Brasil


Amanhã: Em 1908 - Aberta a Exposição Nacional


 Comentar (3)

1945 - Bomba atômica arrasa Nagasaki

Jornal do Brasil: Sexta-feira, 10 de agosto de 1945 - página 7

Os Estados Unidos lançaram outra bomba atômica contra o Japão, desta vez sobre a cidade de Nagasaki. O poder de destruição do cogumelo atômico já tinha sido apresentado ao mundo três dias antes, quando a cidade de Hiroshima foi literalmente riscada do mapa.

Nagasaki. Reprodução/CPDoc JB
Agora era a vez de Nagasaki experimentar o fulminante efeito de um bombardeio nuclear. O segundo ataque contra o Japão teve por finalidade aniquilar a cidade, estrategicamente reconhecida como a principal base militar nipônica. Diante da impotência em resistir às investidas americanas, restou ao Japão contabilizar seus milhares de mortos, feridos e desaparecidos. A atrocidade foi criticada pela opinião pública e tida como uma ação desnecessária contra a população civil japonesa. O governo americano defendeu-se, alegando tratar-se da forma mais rápida de encerrar a Segunda Guerra. De fato, em poucos dias o Japão assinaria a capitulação, aceitando a derrota e as condições de paz impostas pelos aliados. Mas as seqüelas dos ataques se manteriam por gerações, registradas em milhares de novas mortes por contaminação radioativa.

Além do interesse militar, a escolha de Hiroshima e Nagasaki teve um sentido político-econômico. Detentoras de grandes parques industriais, seriam uma ameaça aos planos americanos de liderar e financiar a reconstrução do mundo.


EUA decidem o futuro do mundo

Pela forma como transcorriam os acontecimentos da Segunda Guerra no início de agosto de 1945, a vitória americana no Pacífico estava assegurada. Era apenas uma questão tempo até a rendição japonesa. Por ordem do Presidente Harry Truman, o fim do conflito foi precipitado. Os dois bombardeios atômicos no Japão, num intervalo de pouco mais de 72h, mostraram ao mundo o efeito devastador de uma guerra atômica. E comprovaram a todas as nações o grau de ousadia a que estava disposta a potência americana na disputa pela hegemonia mundial.

Confira também:
1997 - Morre Betinho, a voz da cidadania


Amanhã: 1974 - Atormentado até a morte


 Comentar (2)

1963 - O assalto do século

Jornal do Brasil: Sexta-feira, 9 de agosto de 1963
O trem postal foi detido a 64 km de Londres. O comboio Glasgow – Londres pertencia à categoria dos trens fantasmas 54-B, cujos horários eram desconhecidos do público, e que tinham por missão transportar o correio rapidamente através da Grã-Bretanha.

O maquinista Jack Mills, 58 anos, avistou o sinal de perigo no poste de sinalização da estrada de ferro quando se aproximava da passagem de nível, e freou a locomotiva diesel que rebocava nove vagões. O ajudante David Whitby, de 26 anos, saltou do trem a fim de utilizar o telefone de emergência ali instalado, quando se deu conta de que os fios haviam sido cortados, e que o sinal verde do sistema de segurança estava ligado, mas encoberto por uma luva de couro.

Ambos foram dominados pelos assaltantes, sob ameaça de morte. O maquinista e seu ajudante foram então algemado juntos, enquanto eram desconectados da locomotiva todos os vagões exceto o primeiro e o segundo, todo isso no mais completo silêncio.

O maquinista foi obrigado a movimentar a locomotiva com os dois primeiros vagões apenas, até cerca de um quilômetro de distância, onde uma ponte ferroviária passava sobre a rodovia. Ali, com o pessoal do trem e do correio amarrados no primeiro vagão, os assaltantes, mascarados com meias de mulher, lançaram para dentro de dos caminhões todos os volumes que estavam no segundo vagão. A operação foi completada precisamente em 15 minutos.

Os assaltantes desapareceram na escuridão. Quando os guardas dos outros sete vagões, que haviam sido deixados na passagem de nível, chegaram a pé pelo leito da estrada para perguntar o que havia acontecido, encontraram os companheiros ainda amarrados.


Ronald Biggs se refugia no Brasil

Foi o maior roubo ocorrido até então, nos 125 anos do Correio Britânico, e um dos mais audazes da história. Os ladrões levaram o equivalente a sete milhões de dólares.
Jornal do Brasil: Domingo, 11 de agosto d 1963


A Scotland Yard descobriu impressões digitais, o que facilitou a identificação dos assaltantes. Todos foram presos e condenados a longos anos de prisão. Um deles, Ronald Biggs depois de dois anos preso, conseguiu escalar um muro e escapar. Viveu na Austrália por três anos, e em 1970 veio para o Rio de Janeiro. Aqui casou-se e teve um filho. Depois de viver por mais de 30 anos no Brasil, Biggs decidiu se entregar às autoridades britânicas em 2001, e foi levado de volta para a prisão na Inglaterra, onde se encontra até hoje.

Confira também:
08/08: 1974: A renúncia de Richard Nixon


Amanhã: 1945 - Bomba atômica arrasa Nagasaki


 Comentar

1978 - Coração silencia o Cantor das Multidões

Jornal do Brasil: Terça-feira, 8 de agosto de 1978 - página 8



O cantor Orlando Silva, 62 anos, morreu vítima de um ataque cardíaco. A notícia causou comoção nacional e arrastou uma multidão às ruas, para prestar a última homenagem ao artista.

Um dos principais intépretes da música popular brasileira, Orlando Silva nasceu no subúrbio carioca.

O sucesso veio da combinação de uma voz privilegiada com um apurado gosto musical : "Eu sou romântico, um seresteiro, só canto o amor, a beleza. Só gravo músicas com sensibilidade, com melodias bonitas".


Foi em 1934 que o jovem Orlando Silva ingressou na carreira musical. Estreou na Rádio Cajutí e logo lançou seu primeiro disco. Dois anos depois, participou da inauguração da Rádio Nacional, sendo o primeiro cantor a ter um programa exclusivo na emissora. Era a voz mais ouvida do Brasil, numa trajetória profissional deslumbrante que o levou a percorrer os quatro cantos do país. Onde quer que chegasse, era recebido por uma legião de fãs que se acotovelavam pela oportunidade de assistí-lo. O fenômeno lhe rendeu o título Cantor das Multidões, em reconhecimento à sua popularidade. Nos anos 40, um rígido tratamento de saúde à base de morfina, embalado por um turbulento relacionamento amoroso, comprometeu sua trajetória artística. O sucesso voltaria mais tarde, quando passou a dedicar-se prioritariamente aos discos. Mas a voz já não era mais a mesma.

O consagrado colecionador de sucessos

Os dramas de Orlando Silva não impediram sua consagração como um dos expoentes da época de ouro do Rádio, ao lado de grandes nomes como Carlos Galhardo e Francisco Alves. Ao longo de 45 anos de carreira, Orlando Silva gravou cerca de mil e 400 músicas. Carinhoso, Lábios que beijei, Jardineira e Atire a primeira pedra, entre tantas outras. Sempre afirmando não ter predileção por nenhum de seus sucessos em especial, um deles o artista aposentou cedo, como póstuma homenagem: Rosa, música que nunca mais cantou desde a morte de sua mãe em 1971.

Confira também:
1962 - Segundo ser humano a entrar em órbita em torno da Terra


Amanhã: 1963 - O assalto do século




 Comentar (1)

1933 - O Grande Prêmio Brasil

Jornal do Brasil: Terça-feira, 8 de agosto de 1933
A notável corrida realizada pelo Jockey Club Brasileiro assinalou a página mais importante da história do turf e elevou bem alto o valor da criação nacional.

O majestoso Hipódromo Brasileiro se preparou para receber os ilustres convidados. Foram tomadas diversas providências no sentido de cercar os espectadores de todo o conforto. No espaço de 15 dias foram adicionados 232 guichês novos aos 323 já existentes, de modo que o público pode contar com 555 guichês para as apostas. Também cadeiras e bancos foram colocados de forma a manter o povo agrupado em vários pontos.

Neste tão esperado dia, a cidade se agitava desde cedo. Quando às 11 horas foi iniciado o sorteio do seepstake, loteria hípica, as tribunas popular, especial, dos sócios e da imprensa estavam lotadas.

O hipódromo acolheu um público que nunca vivera um espetáculo social-esportivo na cidade. A ansiedade ainda maior justificava-se pelo encontro da parelha pernambucana Mossoró e Caicó, com cavalos de alto preço.

Jornal do Brasil: Terça-feira, 8 de agosto de 1933
No quinto páreo ecoou o vozerio da multidão. Chegava ao hipódromo o Sr. Getúlio Vargas, Chefe do Governo Provisório. Depois de passar pelas tribunas, desceu do seu automóvel ao lado do recinto dos sócios, onde foi recebido pelo Dr. Pedro Ernesto, interventor do Distrito Federal, e pelos senhores Linnêo de Paula Machado, Fernando de Magalhães e Adhemar Faria, respectivamante presidente, vice-presidente e secretário do Jockey Club Brasileiro, dirigindo-se então, ao som do Hino Nacional, para a tribuna de honra.

Aproximava-se a hora da grandiosa corrida. A multidão agitava-se nervosa, quando os vinte e dois concorrentes foram apresentados.



Mossoró, um tordilho Puro Sangue

Jornal do Brasil: Terça-feira, 8 de agosto de 1933
Mossoró foi o vencedor do Grande Prêmio Brasil, na distância de três mil metros, e ganhador dos trezentos contos de réis.
O entusiasmo foi tanto que a massa popular tentou abraçar o cavalo e o jóquei, mas foi detida por um cordão de isolamento.
O cavalo Mossoró era um produto genuinamente nacional, oriundo do Haras Maranguape, do distinto criador pernambucano Coronel Frederico J. Lundgren, também fundador das Casas Pernambucanas. A vitória do excelente cavalo pernambucano deixou também magnífica impressão no Chefe do Governo Provisório.

Confira também:
06/08: 1945: O sol da morte sobre Hiroxima


Amanhã: 1978 - Coração silencia o Cantor das Multidões


 Comentar (1)

1962 - A paz de Marilyn Monroe

Primeira página do Caderno B do Jornal do Brasil: Terça-feira, 7 de agosto de 1962
"Era um domingo bonito demais para se morrer. Mas acordou com a dor e o luto de todo o mundo. A dor e o luto de também perder Marilyn Monroe. Marilyn morreu com a madrugada, e levará para o túmulo a beleza do corpo e a tristeza da alma. Hoje o mundo chora a morte da mulher bonita e a impossibilidade de a mulher triste sobreviver ao martírio de sua tristeza". Jornal do Brasil

Marilyn Monroe morreu à sombra de uma infância de misérias. Nascida Norma Jean Baker, ainda menina viveu um drama familiar que a fez habitar casas de família e orfanatos, num percurso errante. Foi no desamparo da sua meninice que se convenceu de que só a fama poderia aplacar as suas frustrações. Trilhou o caminho do sucesso com a obstinação de quem sabia o que queria. Mostrando todas as virtudes de um corpo privilegiado, logo provocou a atenção do mundo, que caiu sobre ela com a voracidade de lobo faminto. Mas a mulher sozinha no anonimato transformou-se na mulher sozinha nos palcos do sucesso. O estrelato cobrou-lhe sempre um alto preço em noites de insônia e pesadelo. O mito que enfeitiçou o mundo, enveredando uma projeção jamais alcançada pelas divas de Hollywood, teve incondicionalmente a companhia de uma solidão com insistência renovada.

Seus últimos meses de vida não foram diferentes. Refém de seu próprio triunfo, solitária, Marilyn refugiou-se cercada por seus medos. Entre eles, o medo da morte, a quem evitou como se a procurasse. E a encontrou dormindo em sua mansão em Brentwood, Califórnia, numa longa madrugada igual a outras tantas, talvez à procura do que não conseguiu em três casamentos, nas luzes de neon que refletiam sua fama e na legião de empresários que a esgotavam na exploração de seu talento.

Marilyn Monroe. reprodução/CPDoc JB


A conturbada vida de romances

Loira e sedutora, Marilyn Monroe misturou erotismo com humor numa criação de símbolo sexual sem precedentes. O sucesso, contudo, foi incapaz de trazer-lhe a felicidade. Dona de uma conturbada vida sentimental, colecionou inúmeros romances, inclusive com o presidente americano John Kennedy (1961-1963), o que levou a opinião pública a conjecturar sobre as circunstâncias de sua morte.

O laudo oficial diagnosticando overdose de barbitúricos é até hoje confrontado com a versão de que Marilyn foi vítima de uma conspiração orquestrada dentro da Casa Branca.


Confira também:
1954 - O atentado da Rua Toneleros


Amanhã: 1933 - O Grande Prêmio Brasil




 Comentar (6)

1987 - Dick Farney, sua voz, seu piano

Jornal do Brasil: 5 de agosto de 1987
Dick Farney morreu aos 65 anos de edema pulmonar. Farnésio Dutra da Silva, seu verdadeiro nome, desde criança teve uma vida voltada para a música. Ouvia os discos de jazz escondido do pai, estudou piano clássico e canto.

Farney começou a atuar profissionalmente no final dos anos 30, ganhando pequeno cachês para tocar jazz no antigo programa Picolino, da Rádio Nacional. Quando tinha 18 anos ouviu pela primeira vez o estilo intimista de Bing Crosby candando e virou fã. Comprou todos os discos disponíveis e ouvia-os repetidamente para aprender a pronunciar as palavras exatamente com o Bing Crosby. Resolveu mandar uma gravação para que Cesar Ladeira, da Rádio Mairynk Veiga a ouvisse. Impressionado com a semelhança com Bing Grosby resolveu contratá-lo para cantar músicas americanas.

Dois anos depois já era pianista e crooner da Orquestra de Carlos Machado, que se apresentava no Cassino da Urca. Foi lá que Dick Farney, que só cantava Bing Crosby, começou a gravar samba.
Foi convidado a ir para Broadway com a orquestra de Eddie Duchin. Antes de viajar, gravou vários discos para a Continental, adaptando o samba-canção para o estilo Bing Crosby. Exigiu nos arranjos violinos, harpas e instrumentos de Radamés Gantalli.


O precursor da Bossa Nova

Em todas suas gravações, que tiveram Braguinha como diretor artístico, predominava o jeito manso e romântico de cantar, dissonâncias que só viriam a aparecer com o surgimento da bossa nova mais de 10 anos depois. Quando volta ao Brasil, em 1949, encontrou todos os seus discos nas paradas de sucesso e um fã clube integrado por Tom Jobim, Johnny Alf, Nora Ney, Billy Blanco, Carlos Manga e Baden Powell. Com 41 anos de carreira, Dick Farney procurou manter-se coerente, apesar de combatido pelos críticos de ter "deformado o samba".

Confira também:
04/08: 1977: Rachel de Queiroz é eleita para a Academia Brasileira de Letras


Amanhã: Em 1962 - A solitária Marilyn Monroe


 Comentar (5)

1988 - Fim da censura e da tortura no Brasil

Jornal do Brasil: Quinta-feira, 4 de agosto de 1988 - página 4

A Assembléia Nacional Constituinte deu um grande passo para sacramentar o fim da censura e proibir a tortura em todo o território nacional, ao votar em primeiro turno o projeto da nova Constituição. Em relação aos direitos e garantias fundamentais, foi aprovado o seguinte texto para a nova Constituição: "É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença". Com isso a edição de livros, a produção de obras de arte e a publicação de trabalhos científicos, entre outros ítens enquadrados no artigo constitucional, foram desobrigados de sujeitarem-se a exames prévios, ou de depender de quaisquer licenças do governo. A produção intelectual ou artística vinculada ao teatro, ao cinema, ao rádio e à televisão somente teria a situação apreciada pela Constituinte dias depois, optando-se nestas categorias pela censura meramente classificatória, indicativa da recomentação de faixa etária do público adequada a cada programa.

Na parte relativa à tortura instituiu-se que: "Ninguém será submetido a tortura ou a tratamento desumando ou degradante". Ainda entre as definições aprovadas figurou a liberdade de associação. O texto da Constituição assegurou a "plena liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar".

Em vista da fragilidade das garantias individuais, coletivas e de liberadade de expressão, evidenciada durante o regime militar, as providências adotadas pela nova Constitituição para a preservação dos direitos fundamentais e pela condenação da tortura tornaram-se um divisor de águas entre o fim do regime totalitário e o processo de redemocratização do pais. Era o resgate da liberdade de opinião, tão ardorosamente aguardado por todo o país.


Confira também:
1977 - 75 anos de Carlos Cachaça, o poeta do samba mais nobre


Amanhã: Em 1977 - O primeiro "close-up" da Lua




 Comentar (1)

1958 - Explosão em Deodoro

Jornal do brasil: Domingo, 3 de agosto de 1958
Uma série de explosões fizeram estremecer todo o subúrbio. Foram mais de 72 horas de explosões nos paióis do Depósito Central de Armamento e Munição do Exército, situado em Deodoro, bairro da Zona Oeste do Rio de Janeiro. Projéteis foram lançados ao ar pelas explosões, entre balas de fuzis e granadas. O fogo atingiu inicialmente o paiol de infantaria. O vento levou o fogo para os paiós de petardos da infantaria, e finalmente incendiou a Granja do Exército, matando os animais ali criados.

Os deslocamentos de ar produzidos pelos repetidos estouros das granadas tiveram reflexos em muitos bairros, mesmo os mais distantes, como Leblon e Copacabana. No Grajaú e em Vila Isabel ocorreram rachaduras no reboco das paredes de diversas casas, e muitas vidraças foram quebradas.

Os 10 mil moradores do Conjunto Residencial da Casa Popular de Deodoro, que dá frente para os paióis de munições, saíram para as ruas com as roupas de dormir, por entre gritos de mulheres e choro de crianças. O objetivo era sair do perímetro de Deodoro.

Os bairros limítrofes a Deodoro tinham aspecto de cidades bombardeadas: paredes arrebentadas, vidraças estraçalhadas, telhados destruídos. Muitos destroços ficaram espalhados pela Avenida das Bandeiras.

O Depósito Central de Armamento e Munição era considerado o maior da América do Sul. Possuia 10 paióis e 60 depósitos de armamentos bélico.

Toda a área de Deodoro foi interditada, considerada que foi como praça de guerra. As residências e estradas foram patrulhadas por tropas da Polícia, armadas de metralhadoras. Foi estabelecido um cordão de isolamento que não deixava passar viaturas ou pedestres.


Um campo de batalha sem inimigo

Jornal do brasil: Domingo, 3 de agosto de 1958
Apesar da dramaticidade das explosões, as poucas mortes registradas resultaram das fortes emoções em pessoas cardíacas. A Central do Brasil ficou às escuras e os trens imobilizados, devido à falta da energia elétrica. Apesar de um guarda noturno afirmar ter visto um avião sobrevoar baixinho os paiós no dia do incidente, nada foi confirmado. O Presidente da República, Juscelino Kubitschek partiu para Deodoro pela madrugada, tão logo teve conhecimento das explosões. Lamentou os prejuízos e determinou que fossem adotadas as medidas necessárias, retirando-se depois de duas horas de permanência.



Confira também:
02/08: 1989: O Adeus à Luiz Gonzaga


Amanhã: Em 1988 - Fim da censura e da tortura no Brasil


 Comentar (114)

1976 - Niki Lauda nasce de novo

Jornal do Brasil: Segunda-feira, 2 de agosto de 1976 - página 22




Líder do Campeonato de Fórmula 1, a caminho do bi-campeonato, o piloto austríaco Niki Lauda se acidentou gravemente enquanto percorria ainda a segunda volta do Grande Prêmio da Alemanha, quando sua Ferrari capotou violentamente, e se incendiou, em seguida, na escorregadia pista de Nurburgring.




Socorrido pelo piloto italiano Arturo Merzario, Lauda foi inicialmente conduzido ao Hospital Adenau, nas proximidades do autódromo, onde recebeu os primeiros-socorros. Mas a gravidade de seu estado clínico implicou na sua urgente transferência, de helicóptero, primeiro para o Hospital de Ludwigshafen e depois para Manhein. Lá, os médicos constataram lesões internas nos pulmões e brônqüios, pela ingestão de gases venenosos enquanto da permanência do piloto preso nas ferragens do carro em chamas. Lauda também fraturou a clavícula e sofreu queimaduras de primeiro, segundo e terceiro graus que comprometeram a maior parte de seu corpo, inclusive da face.

Foram 72h apreensivas. Neste período, nem os médicos puderam constatar se Lauda sobreviveria ao trágico acidente. Mas o corredor superou a todas as expectativas. Com uma inexplicável recuperação aliada a uma coragem jamais vista no esporte, Niki Lauda retornou às pistas, no mesmo ano, com todas as marcas da tragédia, e tornou-se símbolo da superação humana. Lauda seria campeão novamente em 1977, e depois em 1984.

A tragédia de Niki Lauda reacendeu a polêmica sobre a segurança primitiva oferecida pelos carros e pelos circuitos aos pilotos nas pistas de alta velocidade. A organização das provas também deixava a desejar nos procedimentos de socorro, salvamento e resgate. As discussões voltaram-se para como manter a emoção das provas de automobilismo, fazendo do esporte ao mesmo tempo cada vez mais veloz, rentável, sem sacrificar seus pilotos.


Amanhã: Em 1958 - A explosão em Deodoro


 Comentar

Hoje na História - Siga no Twitter!