Arquivo de September 2008

RSS Feeds

1908 - O imortal Machado de Assis

Jornal do Brasil: Sexta-feira, 2 de outubro de 1908
O autor da obra mais consagrada da literatura brasileira, Machado de Assis, 69 anos, morreu em sua casa no bairro carioca do Cosme Velho. Chegava ao fim o sofrimento em que sobrevivia desde a perda da sua esposa, Carolina, três anos antes.

Joaquim Maria Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1839, no Morro do Livramento, nesta cidade. De origem humilde, neto de escravos alforriados, filho de um pintor de paredes e de uma lavadeira portuguesa, o escritor soube vencer dificuldades de toda ordem até tornar-se um dos mais respeitados nomes da nossa literatura. Autodidata por necessidade e aptidão, aos 16 anos publicou o seu primeiro trabalho literário, e conquistou o seu primeiro emprego como aprendiz de tipógrafo na Imprensa Nacional. No ano seguinte começou a escrever durante o tempo livre. Seu primeiro romance, Ressureição, foi lançado em 1872.
reprodução


Machado de Assis foi um autor singular no panorama literário do seu tempo. Primou pelo uso essencial das palavras para exprimir seu pensamento. Usou intensamente recursos de metalinguagem e envolveu a participação do leitor em suas narrativas. Exercitou a ironia e o sarcasmo como ferramentas de crítica social.

O conjunto de sua obra retrata a coexistência do amor e do ciúme, da verdade e da mentira, do ser e do parecer. Chama a atenção para a ambiguidade e as sutilezas emocionais dos seus personagens, e para as mazelas da sociedade do seu tempo. A sua obra mantém-se tão atual e tão influente quanto há um século atrás. Desde sempre revisitado por gerações, os estudos de sua obra são incontáveis. Jornalista, contista, cronista, romancista, poeta e dramaturgo, foi fundador Academia Brasileira de Letras, instituição que presidiu de 28 de janeiro de 1879 até o fim da vida.


Quem respirava de perto

Jornal do Brasil: Edição especial 'Jornal do Século'
O enterro do insigne homem de letras, Machado de Assis, foi velado por amigos do timbre de Euclides da Cunha, Mário de Alencar, José Veríssimo, Raimundo Correia e todos os colegas da ABL. Rui Barbosa, com sentimento e eloqüência, fez o discurso de despedida: "Designou-me a Academia Brasileira de Letras para vir trazer no amigo que de nós aqui se despede.(...) Não é o clássico da língua; não é o mestre da frase; não é o árbitro das letras; não é o filósofo do romance; não é o mágico do conto; não é o joalheiro do verso, o exemplar sem rival entre os contemporâneos, da elegância e da graça, do aticismo e da singeleza no conceber e no dizer: é o que soube viver intensamente da arte, sem deixar de ser bom. (...)"


Confira também: No JB online curta "O Rio de Machado" produzido em 1965, uma inciativa do Jornal do Brasil, dirigido por Nelson Pereira dos Santos.



 Comentar (8)

1991 - Miles Davis, intenso até o fim

Primeira página do Caderno B: Segunda-feira, 30 de setembro de 1991
"Carros de luxo,
mulheres bonitas,
drogas e bebidas,
doenças e operações,
frases polêmicas
e dezenas de discos
de inovadora
e excelente música.
Esta pode ser
a síntese da vida
- repleta de excesso,
na trajetória pessoal
e no talento artístico
- de Miles Dewey Davis III,
o grande trompetista...
"
Jornal do Brasil


A música, o jazz em particular, perdeu um de seus mais consagrados expoentes. O artista americano Miles Davis, 65 anos, não resistiu às complicações decorrentes de apoplexia, pneumonia e insuficiência respiratória, e morreu em Santa Mônica, Califórnia. Ele foi enterrado no Bronx, Nova Iorque.

Sempre consciente de que não era como os outros, Miles nasceu diferente dos tantos outros que habitariam seu mesmo universo. Não teve a infância difícil, nem o início de carreira miserável, tal como outros gênios do trompete. Foi criado num seio familiar burguês, com o conforto de frequentar boas escolas e a oportunidade de aprimorar com estudos seu talento ao trompete. Esta base, que muito contribuiu com o seu ingresso na prestigiada e seleta Juilliard School of Music de Nova Iorque, também favoreceu ao seu estigma de rebelde. Se por um lado as portas se abriam por sua performance musical, por outro, as regalias a que se acostumou, possibilitaram um comportamento desregrado, que acabaria por levá-lo ao submundo. Essa complexidade se notabilizaria a partir do final dos anos 40, quando já consagrado como a grande revelação do jazz, sairia de cena pela primeira vez, por quatro anos, em função do consumo de drogas. Neste ritmo, desfilou toda sorte de suas experiências: os músicos geniais que conheceu, os sons que criou, as fusões musicais que promoveu, as mulheres que amou, as violências em que se envolveu, as perdas que sofreu. Uma vida frenética, até o fim.

Um artista atraído pelas experimentações

Indiossincrático. Miles Davis foi um furacão, de pensamento a mil, inquieto e alucinógeno, passional e contraditório, indecifrável. Um dos maiores trompetistas do século XX, redefiniu constantemente sua música. Inventivo, permanentemente atraído pelas experimentações, revolucionou o jazz, inserindo outros estilos ao gênero, como o rock, criando o que passou a ser convencionado como 'fusion'. Criticado pelos jazzistas tradicionais, que condenavam seu poder inventivo, Miles manteve-se firme em suas convicções, para a sorte do grande público que sua produção musical arrebatou.

Confira também:
28/09: 1994 - Tragédia no mar Báltico


Amanhã: 1908 - O imortal Machado de Assis


 Comentar

1968 - Pára o coração de Lucio Cardoso

Primeira página do Caderno B: Quarta-feira, 25 de setembro de 1968

"Quase seis anos atrás, um derrame havia paralisado seu braço de escritor. Mas em pouco tempo ele encontrou um novo meio de se exprimir, na escrita de uma tela e um pincel. Agora a interrupção foi definitiva. É doloroso, mas é verdade: o coração de Lucio Cardoso parou de bater". Jornal do Brasil

O escritor e artista plástico Joaquim Lucio Cardoso Filho, 56 anos, morreu no Rio de Janeiro, de complicações decorrente de um novo acidente vascular cerebral.

Uma produção cultural sombria e sinistra. Foi este o contexto da literatura de Lucio Cardoso: um universo atormentado, de contra-luz, desespero e solidão. Dono de uma obra marcada pela angústia, mergulhou nas questões existenciais pelas quais tinha obsessão. Deus, o homem, o destino, a carne e o pecado eram temáticas freqüentes em seus romances. Na busca incessante dos males da alma, Lucio enveredou também pelo caminho das artes cênicas. Escreveu peças de teatro, foi roteirista e diretor de cinema.

Mas uma madrugada de dezembro de 1962 interrompeu brutalmente sua carreira. Um derrame cerebral paralisou todo o seu lado direito, comprometendo também sua fala. Impedido de escrever ou ditar, foi forçado a encontrar outra saída para seu talento. A fatalidade foi superada por uma inabalável persistência. Logo começou a pintar com a mesma urgência e compulsão com que escrevia. Do pastel e do guache pintados com os dedos, passou para a pintura a óleo, quando adquiriu maior comando muscular e controle manual dos pincéis.

Mas foi com as sombras febris da sua literatura que conquistou um lugar de honra na cultura brasileira. Em 1966, a ABL conferiu ao artista o Prêmio Machado de Assis, pelo conjunto de sua obra literária.

Com Clarice, uma intensa amizade

Foi com Lucio, autor de A luz no subsolo, Mãos vazias e Crônica da casa assassinada, que Clarice Lispector percorreu parte do seu mundo literário, encantada com a vida misteriosa e secreta do escritor. A parceria amorosa não se concretizou, mas a forte amizade possibilitou a descoberta de suas afinidades, entre elas a exigência íntima com que empreendiam suas obras. Para eles viver e criar eram indissociáveis.

Clarice externou a saudade do amigo numa crônica publicada no Jornal do Brasil após sua morte: "... Não fui ao velório, nem ao enterro, nem à missa porque havia dentro de mim silêncio demais..."


Confira também:
1989 - Émerson é campeão depois de 15 anos


Amanhã: 1973 - Apollo desce no Pacífico


 Comentar (1)

1977 - Roman Polanski é condenado a prisão

Jornal do Brasil: 20 de setembro de 1977

O diretor de cinema Roman Polanski foi condenado a 90 dias de reclusão em uma prisão estadual, para que seja feito um diagnóstico sobre se deve ou não receber pena maior.

Acusado de ter tido "relações sexuais ilegais" com uma menina de 13 anos, na residência do ator Jack Nicholson, Polanski foi considerado culpado. Alegando inocência, disse que não violentou e nem drogou a menina, e criticou a maneira com que a imprensa abordou os fatos. Seus advogados disseram que provariam que a garota já tivera "diversas experiências sexuais" antes de se envolver com Polanski. Por decisão do Juiz, Polanski só começaria a cumprir a pena no mês de dezembro seguinte, de modo a poder concluir um filme em andamento. A sentença foi proferida logo depois que dois psiquiatras chegaram a conclusão de que ele não padecia de nenhuma enfermidade mental.

Polanski, como estrangeiro nascido na Polônia, ainda corria o risco de ser expulso dos Estados Unidos. Para sua sentença, o Juiz Rittenband disse que levou em conta o fato de Polanski "ter tido uma vida desgraçada, senão trágica". Sua mulher, a atriz Sharon Tate foi assassinada em 1969 pela quadrilha de Charles Manson. Polanski admitiu culpa, mas apenas por ter tido "relações sexuais ilegais". As penas aplicadas poderiam ser internamento em clínica psiquiátrica, prisão por um prazo de um a 50 anos, ou deportação.

A atribulada vida do cineasta

Roman Polanski nasceu em Paris em 1933, mas aos 2 anos de idade seus pais se mudaram para a Polônia, dois anos antes do início da II Guerra Mundial. Sendo judeus, acabaram em campos de concentração, onde sua mãe morreu. Polanski escapou do gueto e viveu com famílias católicas na zona rural.

O diretor de A Faca na Água, O Bebê de Rosemary, A Dança dos Vampiros, Repulsa ao Sexo, Armadilha do Destino, Macbeth, Chinatow e O pianistas, entre outros, desde que foi condenado por estupro, não voltou mais aos Estados Unidos e vive na Europa.


Confira também:

19/09: 1982 - Emoção e lágrimas marcam despedida de Sete Quedas



Amanha: Amanhã: Em 1935 - Centenária Revolução Farroupilha


 Comentar

1896 - A morte de Carlos Gomes

Primeira página do Jornal do Brasil: Sexta-feira, 18 de setembro de 1896

"Parafraseando umas palavras célebres, podemos afirmar hoje que, quando na história se chamarem as nações pelos seus gênio, o Brasil pode dizer - presente. Carlos Gomes, que é signo de sua pátria no planisfério deste século, acaba de perder a única coisa que havia de mortal na sua imortalidade... Carlos Gomes morreu. Mas, ele teve a rara felicidade de assistir à sua apoteose em vida." Jornal do Brasil

A caminho do ostracismo, Carlos Gomes, 57 anos, morreu em Belém do Pará, onde ocupava a direção do Conservatório de Música. Sua história caberia numa ópera: os dias difíceis da infância, o apogeu como compositor aclamado na Itália, e a dor da desilusão no final.

Nascido na cidade paulista de Campinas em 1839, ainda pequeno e incentivado pelo pai, Carlos Gomes revelou um talento fora do comum ao tocar o violino. Desde então, mesmo com as dificuldades de sua origem humilde, jamais deixou a música. Sempre dedicado, trilhou o caminho da composição. Aos dezoito anos, já no Rio de Janeiro, escreveu a primeira da série de obras que colecionaria ao longo da sua carreira. A amizade com a Corte imperial abriu-lhe as portas para o reconhecimento internacional, mas custou-lhe um alto preço. Com a proclamação da República do Brasil e o exílio de Dom Pedro II, Carlos Gomes perdeu suas regalias, passando a sofrer retaliações por parte dos novos governantes do país.

A intensa influência européia

Considerado o grande acontecimento da nossa música na segunda metade do século XIX, até então rendida à imitação dos moldes europeus, Carlos Gomes se projetou na Itália como a primeira manifestação de uma música genuinamente brasileira. Embora não tenha atingido amplitude, principalmente em visitas do predomínio das óperas de Giuseppe Verdi, a expressão lírica da sua obra, contudo, revela vários e significativos índícios da nossa música, nos impulsos nativistas que lhe dão um sabor todo especial. Como em O Guarani, sua principal referência.

Confira também:
1955 - Unidades do Exército e da Marinha se rebelam na Argentina


Amanhã: 1976 - Censura apreende edição do Pasquim


 Comentar (1)

1980 - O conceituado pianista do jazz

Jornal do Brasil: Quarta-feira, 17 de setembro de 1980
Considerado um dos pianistas mais influentes da história do jazz, Bill Evans morreu aos 51 anos.

Nascido em Painfied, Nova Jérsei, EUA, em 1929, além do piano estudou violino e flauta. Aos 16 anos formou um conjunto com o seu irmão. Formou-se em piano na Universidade de Lousiana e foi lá que identificou-se com o jazz. Em 1954 foi para Nova Iorque onde tocou no quarteto do clarinetista Tony Scott.

Em 1956 , gravou seu primeiro disco,New Jazz Conceptions onde já incluía uma de suas mais conhecidas canções, "Waltz for Debbie".


Despertou a atenção dos críticos e músicos a partir de 1958, como integrante do sexteto de Miles Davis, com o qual gravou o disco Kind of Blue, estabelecendo uma nova sintaxe para a improvisação no jazz baseada em escalas, ao invés de acordes.

Formou seu primeiro trio em 1959 com Scott LaFaro (baixo) e Paul Motian (bateria). Esse grupo modificou completamente a concepção tradicional do trio, assumindo o baixo e a bateria a mesma importância do piano, com uma constante interação entre os três instrumentos. A obras-primas do trio de Bill Evans estão reunidas no algum "The Village Vanguard Sessions".


Em 1963 gravou Conversations with Myself.
Tocou com Jim Hall, Freddie Hubbard, Stan Getz.

Vencedor cinco vezes do Grammy e inúmeros concursos das revistas especializadas, Bill Evans, com sua execução variada e extremamente pessoal, trouxe ao piano o romantismo da escola européia sem se afastar do idioma do jazz.

Sempre recebidos com o maior entusiasmo pela crítica de todo o mundo. Tocou no Brasil com seu trio em 1973, 1976 e 1979.

Confira também:

15/09: 1935 - Aprovadas na Alemanha as Leis de Nuremberg



Amanha: Em 1896 - A morte de Carlos Gomes




 Comentar

1927 - O último bailado de Isadora Duncan

Primeira página do Jornal do Brasil: Sexta-feira, 16 de setembro de 1927

"Vejo daqui a cena.
No automóvel esguio de corrida,
Isadora, com o seu chale maravilhoso,
uma chale de grandes dobras de seda,
sinuosas e largas ao vento,
lança-se para uma carreira infernal.

Lá vai ela!
O automóvel é apenas
um bólido escuro.
E a echarpe é uma flâmula
cheia de graça!
O dia, em Nice,
está todo azul.
O mar é um mar civilizado, calmo...
Toda a paisagem é
de um encanto sereno...
Isadora e o seu grande manto que voa
lembram uma de suas danças
mais amadas.

Inesperadamente, ela levanta os braços,
altos, agudos, desesperados,
como há anos no Municipal.


É a mesma atitude. É a mesma expressão. É o mesmo gesto coreográfico. E cai. O pano desta vez não desceu. E Isadora Duncan ficou estendida, estrangulada, inerte. Ela havia dançado o último e mais trágico de seus bailados.
" Jornal do Brasil

Reservando a inestimável e trágica perda, a excepcionalidade do acidente que matou Isadora Duncan, 50 anos, não seria destino de outrem. Ambientado pelos detalhes que a cercaram a vida inteira - a beleza, a moda, a liberdade e a solitude dos palcos, o acidente foi um desfecho contundente, mas coerente com a sua história.

Ela era jovem quando chegou em Nova York, para apresentar seu novo estilo de dança livre. Sem despertar no público americano uma resposta conforme suas expectativas, partiu para a Inglaterra em busca deste reconhecimento. Com sua performance de vanguarda logo causou polêmica. E logo chegou o tão almejado sucesso. Com a primeira apresentação nos palcos de Paris em 1902, cativou de vez a Europa. E de lá, o mundo.

Precursora da emancipação feminina
Iniciadora da dança moderna, a americana Isadora Duncan foi uma precursora da emancipação feminina. Com uma atitude transgressora e espírito livre, aliados à sua criativa personalidade, seu estilo revolucionário libertou a mulher da tortura dos coletes, das cintas e dos movimentos rigidamente disciplinados. E rompendo com os padrões clássicos, encantou o mundo com uma maneira inovadora de dançar: de pés descalços, coberta por túnicas leves. Inspirava-se nas figuras dançantes dos vasos gregos de cerâmica. Como se ressuscitasse a expressão helênica, de singeleza, serenidade e elegância.


Confira também:
1982 - Acidente de carro mata Grace Kelly, a Princesa de Mônaco


Amanhã: 1911 - Aos corações não voltam mais


 Comentar (1)

1911 - Aos corações não voltam mais

Jornal do Brasil: Sexta-feira, 15 de setembro de 1911
No meio literário brasileiro há luto grande e sincero. Raimundo Correia morreu em Paris. Nascera a 13 de maio de 1860, na Bahia de Mongúncia, nas costas do Maranhão, a bordo do navio brasileiro São Luís.

Uma vez formado em Direito pela Faculdade de São Paulo, em 1882, ocupou o cargo de Secretário de Legação do Brasil em Portugal, onde pouco se demorou, voltando à Pátria.

Foi então nomeado Juiz Criminal do foro desta Capital, sendo transferido para a 1ª Vara Cível, cargo do qual se licenciara para ir à Europa em busca de melhoras para o seu estado de saúde.

Com uma encantadora inteligência de poeta e uma harmonia cantante de música misteriosa, sua poesia é um misto de surto de águia e de pipilar de pássaros no ninho. O seu temperamento era de uma esquisitice que todo mundo, afinal, compreendia; homem sisudo e artista de requintada delicadeza de sentimentos.

Quem o visse, quem com ele tivesse o ensejo de conversar pela primeira vez, guardaria a impressão de um espírito sombrio, inacessível às comoções por um ideal; quem o lesse depois, principalmente os seus adoráveis sonetos, de forma impecável e originalidade inexcedível, seria arrebatado pelo talento másculo de um burilador de estrofes, de uma imaginação fecunda e de uma alma cheia de sensibilidade.
Jornal do Brasil: Sexta-feira, 15 de setembro de 1911

Foi um grande poeta, ocupando um dos mais altos postos da poesia brasileira.

Raimundo Correia deixa quatro formosos livros de poesias: Primeiros sonhos, Sinfonias, Versos e versões e Aleluias.
Era membro da Academia Brasileira de Letras e um dos seus fundadores. Deixa viúva e três filhos menores.

As Pombas - Raimundo Correa


"Vai-se a primeira pomba despertada... Vai-se outra mais.. mais outra.. enfim dezenas de pombas vão-se dos pombais, apenas raia sanguínea e fresca, a madrugada.

E à tarde, quando a rígida noitada sopra, aos pombais de novo elas, serenas, ruflando as asas e sacudindo as penas, voltam todas em bando e em revoada...

Também dos corações, onde abotoam, os sonhos, um por um, céleres voam, como voam as pombas dos pombais.

No azul da adolescência as asas soltam, fogem... mas aos pombais as pombas voltam. E eles aos corações não voltam mais."


Confira também:

13/09: 1989 - Desmond Tutu lidera manifestação contra apartheid



Amanha: Em 1927 - A morte de Isadora Duncan



 Comentar

1998 - Akira Kurosawa para a eternidade

Jornal do Brasil: Segunda-feira, 7 de setembro de 1998
"Kurosawa entra também na história do cinema como o homem que conseguiu com o seu caráter e sua profundidade filosófica imprimir de forma genial na linguagem cinematográfica valores humanos como a lealdade e a solidariedade". Jornal do Brasil

Akira Kurosawa, 88 anos, célebre criador que se tornou referência obrigatória da cinematografia universal, e um dos mais premiados diretores da história do cinema, morreu em Tóquio. Sua perda foi lamentada em todo o mundo. Na Itália, onde se realizava a 55ª edição do Festival de Veneza, o público que lotava o Palácio do Cinema rendeu-lhe homenagem com uma comovente e interminável ovação. Os organizadores do evento exibiram Rashomon, que lhe concedeu o prêmio de melhor diretor na edição do festival de 1951, abrindo-lhe de vez as portas do Ocidente.

Gênio da composição, explicitava em seu trabalho suas origens como desenhista e pintor, fazendo storyboards de suas produções, prática a qual manteve-se fiel até o fim. Reconhecido e venerado como nenhum outro cineasta de seu país, foi consagrado por uma geração inteira do cinema americano. Francis Ford Coppola, George Lucas, Steve Spielberg e Martin Scorsese são alguns dos que trazem a oportuna experiência profissional com Kurosawa em sua bagagem.

O imperador do cinema japonês

Primeira página do Caderno B do Jornal do Brasil: Segunda-feira, 7 de setembro de 1998
"Pegue a palavra eu e retire a palavra cinema que não sobra nada". As palavras de Kurosawa retratam sua cumplicidade apaixonada pelo cinema, de um artista que não saberia viver sem realizar a sua obra. Do início ao fim, viveu o cinema como uma essencial necessidade para a sorte a de seus admiradores.

Reconhecido pelas mais importantes academias do cinema, conquistou o Oscar e o Leão de Ouro por Rashomon(1950), o Leão de Prata com Os sete samurais (1954), o Oscar de melhor filme estrangeiro com Dersu Usala (1975), a Palma de Ouro com Kegemusha, (1981) e o Oscar de 1990, pelo conjunto de sua obra.

Confira também:
05/09: 1997 - Morre o símbolo maior da caridade mundial


Amanhã: 1922 - Centenário da Independência



 Comentar

1978 - Enfim, a Laranja Mecânica

Primeira página da revista de Domingo: Domingo, 3 de setembro de 1978

"Baseado em romance
de Anthony Burgess,
o filme Clockwork Orange,
ou Laranja Mecânica,
segundo o título brasileiro,
trata, conforme definição do diretor,
"das aventuras de um jovem
cujos interesses principais são
estupro, ultraviolência e Beethoven".
Um filme feito sob figurino
para não escapar da intolerância
dos censores brasileiros,
por isso os distribuidores
sequer tentaram apresentá-lo à Censura,
para a liberação.
Assim, ... o celulóide
em que Kubrick imprimiu
um pouco de sua angustiada reflexão
sobre o destino do homem na Terra
ficou nas prateleiras
da Warner Communications,
até que ventos liberais
soprassem pelas janelas
do Ministério da Justiça
".
Jornal do Brasil



Concluído em 1971, Clockwork Orange foi legendado e importado para distribuição comercial no Brasil pela Warner em 1974. O receio de seus produtores quanto a retaliações fez com o filme não chegasse à Censura Federal, aguardando uma ocasião mais favorável. Somente quatro anos mais tarde, intitulado Laranja Mecânica, a polêmica obra de Kubric estrearia nas telas do cinema, sem cortes, da maneira como foi concebido, para maiores de 18 anos, em circuito nacional.

Apesar da vaga referência a um futuro próximo, os ambientes de Laranja Mecânica diferem de qualquer habitat reconhecível. As referências somente permitem ao espectador concluir que se trata de um governo autoritário que perdeu o controle sobre o exercício da violência individual. No entanto os sistemas vigentes se sentiram atingidos. E onde as censuras não proibiram, outros porta-vozes da sociedade o fizeram, vendo com lentes de aumento as seqüências de violência perfeitamente integradas na forma e no espírito do filme. E negaram-se a aceitar o caráter denunciante da obra: o reflexo da crise individual, movida pelos impulsos destrutivos emergente na sociedade.

Um indivíduo desagregado da sociedade

Marco do cinema por ousar revelar uma realidade que a moral insiste em silenciar, Laranja Mecânica questiona os destinos do homem: a projeção da sua individualidade em detrimento da sua integração ao mundo social. A agressividade exacerbada, a personalidade sem regras formais, a invasão sem limites do direito alheio são partes da dieta normal do ser humano no cotidiano social. E mostra a tendência das sociedades em eliminar essa condição nata de cada indivíduo como solução final para os contornar os problemas originários pela liberdade de pensamento e de escolha.


Confira também:
1988 - É aprovada a nova Constituição brasileira


Amanhã: 1972 - Massacre em Munique


 Comentar (2)

1991 - Cineasta de uma época

Jornal do Brasil: Quarta-feira, 4 de setembro de 1991
Frank Capra, um dos grandes nomes de Hollywood, morreu aos 94 anos.

Nascido em Palermo, na Sicília, em 1897, Frank Capra chegou aos Estados Unidos aos seis anos e enfrentou todas as dificuldades que os personagens dos seus filmes venceriam. Seu pai era catador de laranjas e ele mesmo foi boy em jornal e tocador de banjo nas ruas para ajudar a família e pagar seus estudos. Formou-se em engenharia química em 1918.

O curso universitário havia lhe garantido um emprego num laboratório fotográfico, onde durante um ano revelou e montou filmes amadores. Saiu dali para sua primeira oportunidade em Hollywood. Conseguiu uma chance que mudaria sua vida. Dirigiu um filme curto, baseado num poema de Rudyard Kipling por US$ 75, apesar de não entender nada de cinema.

Tornou-se roteirista de comédias para os dois maiores produtores do gênero: Hal Rouch e Mack Sennett.
Em 1925 iniciou uma parceria com o comediante Harry Langdon e passou a escrever e dirigir os filmes de Langdon. Rompida a parceria, Capra continuou como diretor de curtas-metragens, montador e roteirista de comédias. Seu primeiro sucesso como diretor veio com o filme Submarine (1928). Depois seguiram-se Platinum Blonde e American Madness. Em 1929 assinou com a Columbia Pictures. Com liberdade total para realizar seus filmes, e auxiliado pelo roteirista Robert Riskin, Capra criou um estilo de comédias sentimentais que oferecia à população sofrida com a Grande Depressão uma oportuna mensagem de otimismo. Durante a Segunda Guerra, Frank Capra engajado na luta, produziu documentários para a Marinha.


Precursor da comédias sofisticadas

Capra baseou a maior parte de sua filmografia em personagens idealistas que enfrentam sistemas sociais opressivos, e no triunfo da honestidade e da justiça. Seus filmes, românticos e otimistas, estavam de acordo com a política do New Deal, proposta pelo então presidente Franklin Roosevelt. Em 1951, convenceu-se de que o cinema e o mundo haviam mudado e parou durante oito anos. Fez mais dois filmes em 59 e 61, encerrando definitivamente a carreira e criticando as condições de trabalho na nova Hollywood. Seu filme mais importante no pós-guerra foi "A Felicidade Não se Compra".



Confira também:

03/09: 1996: EUA castigam Sadam em casa



Amanha: Em 1978 - O aguardado Laranja Mecânica em circuito nacional



 Comentar

Hoje na História - Siga no Twitter!