Arquivo de September 2008

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1966 - O massacre da Praia Vermelha

Jornal do Brasil: Sábado, 24 de setembro de 1966


A Faculdade de Medicina da Praia Vermelha transformou-se num autêntico campo de batalha. O grande portão de ferro da faculdade foi arrebentado às 3h45, pela polícia. As forças policiais do regime militar espancaram cruelmente os jovens estudantes que haviam se abrigado no prédio da Faculdade Nacional de Medicina, e depredaram suas instalações.

Jornal do Brasil: Sábado, 24 de setembro de 1966


As portas da Universidade Federal estiveram fechada durante todo o dia anterior para a concentração de estudantes que pretendiam fazer várias reivindicações ao Reitor, e para comemorar, por determinação da recém-extinta UNE, o Dia Nacional de Protesto contra a Ditadura. As manifestações se sucederam em vários outras Universidades do Brasil.

O Chefe do Serviço de Relações Públicas da PM, Capitão Jorge Francisco de Paula, informou ao JB que todos os meios foram utilizados para conter a agitação estudantil, inclusive com a penetração de alguns oficiais à paisana no meio dos estudantes, aconselhando-os a irem para casa, como se falassem de colega para colega.
Jornal do Brasil: Sábado, 24 de setembro de 1966



A Secretaria de Segurança da Guanabara informou em nota oficial que a intervenção policial na Faculdade de Medicina da UFRJ foi moderada, e que apenas 32 pessoas, entre as quais dez soldados, foram atendidas nos hospitais.

A invasão da Faculdade foi o ponto máximo do conflito, provocando a destruição parcial das instalações do Departamento de Bioquímica e do setor de Técnica Operatória.
Jornal do Brasil: Sábado, 24 de setembro de 1966

Segundo o então Reitor Prof. Dr. Pedro Calmon,o conflito estudantil causou estragos em sete laboratórios. Informou ainda que a Faculdade ficaria fechada por 10 dias, prazo considerado necessário para a reparação dos danos havidos, e que todas as aulas estariam suspensas nesse período.



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1909 - Primavera de Sangue

Jornal do Brasil: Quinta-feira, 23 de setembro de 1909
Foi num dia claro com Sol de primavera que se desenrolou a cena bárbara, selvagem, inacreditável e desumana nesta capital. No deplorável acontecimento, que veio patentear a inaptidão da força armada, atentou-se contra as vidas de pessoas indefesas. No final, dois acadêmicos morreram assassinados pela força pública.

Os acadêmicos das escolas superiores vinham fazendo manifestações contrarias a diversas autoridades e pessoas de alta posição social, mas nunca tinha havido intervenções das forças policiais para reprimir distúrbios. Obedecendo à praxe dos anos anteriores, os estudantes da Faculdade de Medicina levavam a efeito a festança, à qual que se associaram alguns colegas de outros cursos superiores. Quando os estudantes seguiam pela rua Senador Dantas, surgiu, em sentido contrário, uma carroça da Força Policial, transportando uma banda de música. Os estudantes gritaram para o cocheiro que se detivesse, no que não foram atendidos. A carroça foi atirada brutalmente contra os acadêmicos que, indignados, protestaram em altas vozes.

Valeu-lhes isto serem chicoteados pelo cocheiro da carroça. Em face desta agressão, resolveram os estudantes ir ao Quartel da Força Policial. Recebido pelo General Souza Aguiar, que sabia que a queixa era contra um de seu subordinado, declarou aos acadêmicos que o incidente não tinha valor algum, e que se houvesse algum culpado no caso, ele estaria entre os estudantes que costumavam fazer impunemente as suas desordens. Tendo em vista a maneira que foram recebidos, resolveram os estudantes fazer o "enterro" do General Souza Aguiar. A Força Policial recebeu avisos que os estudantes pretendiam ridicularizar o comandante daquela corporação.

Uma manifestação de desagrado

Estudante morto Francisco Pedro Ribeiro Junqueira
Saiu da Faculdade de Medicina o cortejo dos estudantes. Eles levavam um grande caixão de pano negro, com diversos emblemas e dizeres. Em cima do caixão foi colocado uma coroa roxa com uma faixa com a frase "Ao General Souza Aguiar - recordação dos estudantes".
Estudante morto José de Araujo Guimaraes
No largo de São Francisco, quando chegou o cortejo, alguns indivíduos mal-encarados saltaram à frente de um estudante, agredindo-o à torto e a direito. Os atacantes estavam como fúria. Ouvia-se de todos os lados as exclamações: "É soldado à paisana! É soldado!" Neste episódio morrem dois estudantes.



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1922 - Centenário da Independência

Jornal do Brasil: Sexta-feira, 8 de setembro de 1922
Milhares de bandeiras de todas as nacionalidades tremulavam nos mastros das fachadas durante a parada militar. O entusiasmo atingiu a multidão que se reuniu no centro da cidade.

À noite, revestiu-se de brilho a recepção oferecida pelo Sr. Presidente da República no Catete, em homenagem à data magna festejada. As vastas dependências da Casa do Governo ostentavam flores dispostas desde a entrada ao salão de honra, onde se efetuou a recepção.
Jornal do Brasil: Quinta-feira, 7 de setembro de 1922

Antes de dar início à recepção, o Sr. Presidente da República reuniu o Ministro da Marinha e os titulares das demais pastas para assinar os decretos que estabeleciam o sistema de defesa do litoral da República, com cinco bases navais e um porto militar.

Recebido com as formalidades de praxe, o Presidente foi conduzido até o palco, onde de pé ouviu o Hino Nacional executado por magnífica orquestra. Reunido o Corpo Diplomático no salão da Santa Sé, Monsenhor Cherubini, na qualidade de decano, proferiu o discurso de saudação. Lembrou que em 1822, fazia cem anos portanto, às margens do Ipiranga, tinha ecoado o grito de liberdade. Esta grande nação obtinha a sua independência sem derramar uma só gota de sangue, nem mesmo uma só lágrima, porque era o sangue português que corria nas veias do jovem e nobre príncipe que acabava de pronunciar a frase histórica: "Independência ou Morte"!

Encerrando a sessão solene, o Sr. Presidente da República proferiu um vibrante discurso no qual declarou que tinha o maior prazer em saudar a todos os brasileiros no dia em que, na mais perfeita cordialidade com os demais povos, comemorava-se a grande data da nacionalidade, dia em que se renovam os sentimentos de brasilidade e orgulho pátrio.

A avenida Presidente Vargas

Jornal do Brasil: Sexta-feira, 8 de setembro de 1944

No dia 7 de setembro de 1944 a Av. Presidente Vargas foi inaugurada com o desfile militar comemorativo da data de nossa Independência. A cidade viveu horas de intensa vibração, aplaudindo calorosamente as forças militares. O Presidente Getúlio Vargas deixou o Palácio Guanabara em carro aberto. Aclamado vivamente pelo povo, o presidente pôde sentir o apreço, a simpatia e solidariedade de todos os seus concidadãos ao atravessar a Avenida Presidente Vargas até a Avenida Rio Branco.

Em seguida a nova avenida foi entregue ao tráfico público.


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