Arquivo de November 2008

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1956 - Ataques de rebeldes em Cuba


Jornal do Brasil: Movimento Revolucionário 26 de Julho ataca quartéis cubanos

Pelo menos 18 pessoas foram mortas durante ataques de guerrilheiros do Movimiento Revolucionário 26 de Julio (MR-26) contra unidades do governo cubano. As principais ações dos rebeldes foram realizadas na cidade de Santiago de Cuba. Grupos de seis a oito civis vestidos com uniformes verde-oliva e braçadeiras com a inscrição MR-26, abriram as portas da prisão de Puerto Biniato e libertaram cerca de 200 detentos. Além de atacar os quartéis da polícia nacional e da polícia marítima, os guerrilheiros levaram armas e munição da unidade do Exército em Holguin.

Essa foi a terceira ofensiva revolucionária realizada naquela ano. Um dos líderes da guerrilha, o advogado exilado no México, Fidel Castro, disse que 1956 era um ano decisivo para concretização de sua promessa de "conseguir a liberdade de Cuba ou morrer em sua tentativa". Raul Castro, irmão de Fidel, e o médico argentino Ernesto "Che" Guevara organizaram o Movimiento 26 de Julio, com o objetivo de voltar a Cuba a derrubar o ditador Fulgêncio Batista, que era apoiado pelos EUA.

Dois dias depois, de madrugada, o iate Granma de 12 metros vindo do México com 82 homens armados, mantimentos e medicamentos, encalhou afastado da praia, em Coloradas, na Província do Oriente. Para chegar em terra firme, o grupo teve de nadar sob disparos das tropas do governo, que estavam em uma lancha da patrulha costeira cubana. Do total, apenas 22 homens sobreviveram e o carregamento foi perdido.

As ações de Santiago de Cuba e Coloradas fracassaram. Fidel, Raul, "Che" e mais alguns rebeldes conseguiram chegar a Sierra Maestra, de onde passaram a organizar os camponeses para a luta armada. Em outubro de 1958 teve início a Marcha sobre Havana, até que em janeiro de 1959, a revolução foi vitoriosa.

Base da guerrilha em Sierra Maestra

Um mês depois, de instalar a base da guerrilha em Sierra Maestra, os rebeldes tomaram o pequeno quartel de La Plata. A ação serviu para desmentir as versões divulgadas pelo ditador Fulgencio Batista de que os revolucionários tinham sido exterminados.

Por iniciativa de Ernesto Che Guevara, criou-se em plena selva um sistema rudimentar para a produção de pão e charque para alimentar as tropas, artigos de couro para os soldados, e inclusive uma pequena imprensa com um mimeógrafo antigo de onde eram editados manifestos da guerrilha e até um pequeno jornal.

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1947 - Árabes contra a divisão da Palestina


Jornal do Brasil: ONU aprova divisão da Palestina

A Assembléia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) depois de 74 dias de negociações e debates aprovou, por 33 votos a favor, 13 contra e 10 abstenções, o plano russo-americano de partilha da Palestina entre judeus e árabes. A proposta de última hora apresentada pelo delegado do Líbano de criação de um estado federado, no qual coexistissem os parlamentos hebreu e árabe, foi rejeitada.
A assembléia nomeou uma comissão formada por cinco países para exercer o controle da Terra Santa a partir daquela data até a independência dos dois estados.

O projeto de partilha das terras entre o Rio Jordão e o Mediterrâneo obteve grande apoio dos líderes do sionismo e de organizações judaicas mas enfrentou forte oposição dos países árabes.

O príncipe Feisal, da Arábia Saudita, pronunciou-se contra a divisão e disse que seu país não se considera obrigado a acatar a divisão. Para o secretário-geral da Liga Árabe, Abdul Haman Azzá Pashá a decisão das Nações unidas significava guerra aos judeus.

O brasileiro Osvaldo Aranha, que presidiu a Assembléia, em seu discurso de encerramento, manifestou a esperança de que a sessão resultasse em "contribuições memoráveis para o ajuste pacífico e construtivo dos problemas mundiais". Disse também confiar nos bons resultados da partilha da Palestina, o que considerava uma "experiência rigorosamente histórica".

Com o fim do controle britânico da Palestina, em maio do ano seguinte, o Estado de Israel declarou a independência, deflagrando a primeira guerra árabe-israelense, na qual seis estados árabes vizinhos iniciaram movimentos de exércitos regulares para ingressar na região. Depois do primeiro conflito, seguiram-se a Guerra de Suez (1956), a Guerra dos Seis Dias (1967) e a Guerra do Yom Kippur (1973). Até hoje, não houve a proclamação do Estado da Palestina.

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1975 - Érico Veríssimo deixa livro inacabado

Jornal do Brasil: Érico Veríssimo é o autor de O tempo e o Vento

O escritor Érico Veríssimo morreu 20 dias antes de completar 70 anos, deixando inacabado a segunda parte de seu livro de memórias Solo de Clarineta. O autor gaúcho, de Cruz Alta, ficou famoso no Brasil e no exterior ao retratar o cotidiano dos moradores do extremo Sul do país. Dentre os livros que abordam o tema destaca-se a trilogia O tempo e o vento, considerada sua obra-prima. Dividida em O Continente (1949), O Retrato (1951) e O Arquipélago (1962), os três romances contam a história do Rio Grande do Sul, de 1680 até o fim do Estado Novo em 1945, através da saga das famílias Terra e Cambará. A princípio, Veríssimo planejou fazer só um volume com cerca de 800 páginas, que seria escrito em três anos. Mas o assunto rendeu e acabou ultrapassando as 2.200 páginas, escritas ao longo de 15 anos. A obra virou novela da TV Excelsior em 1967, minissérie adaptada por Doc Comparato para a TV, com trilha musical de Tom Jobim, em 1985, e filme dirigido por Anselmo Duarte, em 1970.

O romance Olhai os lírios do campo, lançado em 1938, foi o primeiro sucesso da carreira de Veríssimo. A narrativa foi mostrada no cinema em 1947, como Mirad los lirios del campo, produção argentina dirigida por Ernesto Arancibia, que tinha no elenco Mauricio Jouvet e Jose Olarra.

Livros e personagens populares
Veríssimo foi um dos escritores brasileiros mais populares do século 20. Incidente em Antares, lançado depois de Senhor embaixador e O Prisioneiro, ocupou o topo da lista dos livros nacionais mais vendidos durante semanas. O romance traça um apanhado da história do Brasil desde os primeiros tempos da colonização e envereda pelo fantástico, com uma rebelião de cadáveres durante uma greve de coveiros na fictícia cidade de Antares (1971).
Durante a ditadura militar, o autor recusava-se a submeter os originais de seus livros à Censura e retrucava quando tocavam nesse assunto: "Prefiro encerrar a minha carreira".

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1985 - Promulgada a Constituinte

Jornal do Brasil: 28 de novembro de 1985  - Promulgada a Constituinte


A Emenda Constitucional número 26, que convocou a Assembléia Nacional Constituinte, foi promulgada com o plenário da Câmara dos Deputados lotado de congressistas, ministros e representantes do corpo diplomático. Todas as cadeiras foram ocupadas e havia pessoas de pé nas laterais. Um fato raro naqueles tempos.

A idéia de convidar os diplomatas foi do deputado Ulysses Guimarães. O parlamentar disse que "queria dar conhecimento ao mundo do grande feito brasileiro".

A Carta de 1967 foi praticamente revogada com a Emenda Constitucional de número 1, baixada pela Junta Militar, que assumiu o governo depois da doença do presidente Costa e Silva.
Os parlamentares que redigiram a atual Constituição foram eleitos em 1986. O trabalho, iniciado em fevereiro, foi concluído em 20 meses. Ao todo, foram analisadas 61.020 emendas apresentadas ao texto original. Enfim, em 5 de outubro de 1988, a Constituição da República Federativa do Brasil foi promulgada, às 15h50, pelo presidente da Assembléia Nacional Constituinte, o deputado Ulysses Guimarães, que na ocasião proferiu essas palavras:
"Declaro promulgada (a Constituinte). O documento da liberdade, da dignidade, da democracia, da justiça social do Brasil. Que Deus nos ajude para que isso se cumpra!"

Entre as mudanças estabelecidas pela Constituição de 1988 estão o voto facultativo para cidadãos com 16 ou 17 anos; o voto para analfabetos; maior autonomia aos municípios; o estabelecimento da função social da propriedade privada urbana; a proibição de comercialização de sangue e seus derivados; leis de proteção a meio ambiente; e o fim da censura nos meios de comunicação.

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1993 - Grande Otelo morre em Paris

Jornal do Brasil: Grande otelo sofre parada cardíaca ao desembarcar em Paris


Sebastião Bernardes de Souza Prata, o Grande Otelo, costumava dizer, com o seu habitual bom humor: "Não sou parte da cultura brasileira. Eu sou a cultura brasileira". O menino Tiãozinho iniciou a carreira no circo, em Uberlândia, em 1923. Deixou a cidade natal para ser ator e ainda na década de 20, ingressou na Companhia Negra de Revistas, que tinha Pixinguinha como maestro. O apelido de Grande Otelo foi dado por Jardel Jércolis, um pioneiro do teatro de revista, 10 anos depois de sua estréia nos palcos, quando o artista começou a cantar em inglês no Cassino da Urca.

Grande Otelo atuou em vários filmes de comédia em parceria com Oscarito nas décadas de 40 e 50. Já famoso, foi convidado para participar em 1942 do filme inacabado de Orson Welles sobre o Brasil, It's All True. Grande Otelo lembrava que ele e o cineasta americano beberam "muita cachaça juntos".

O reconhecimento do talento veio com Macunaíma, em 1969, filme de Joaquim Pedro de Andrade, baseado na obra homônima Mário de Andrade. Participou também do filme de Werner Herzog, Fitzcarraldo, de 1982, filmado na floresta amazônica. Desde a década de 60, Grande Otelo trabalhava também em novelas de TV. Compôs mais de 20 músicas em parceria com Herivelto Martins, entre outros compositores de renome.

O ator morreu vítima de uma parada cardíaca quando desembarcava no Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris. Otelo tinha ido à capital francesa a convite do governo para receber uma homenagem no Festival dos Três Continentes, realizado em Nantes. Por coincidência, o artista já havia sofrido de problemas cardíacos três anos atrás, também em Paris.

Vida pessoal repleta de tragédias

A trajetória de sucesso foi marcada por uma vida pessoal plena de tragédias. O pai do artista morreu esfaqueado e a mãe era alcoólatra. Quando já era um ator consagrado, sua mulher matou o filho adotivo do casal, de 6 anos de idade e suicidou-se em seguida. Ao saber do crime, Otelo bebeu sem parar e depois foi para o set filmar uma cena de Romeu e Julieta. Por 25 anos, o ator recusou-se a assistir esse filme.
Posteriormente, casou-se com Olga, que lhe deu quatro filhos, e com quem viveu por mais de 20 anos. Separou-se e em 1987, durante uma briga, a terceira mulher de Otelo o esfaqueou no peito, sem conseqüências graves.

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1996 - Assassino de Chico Mendes é recapturado

Jornal do Brasil: assassino de Chico Mendes é recapturado


A Polícia Federal recapturou Darci Alves Pereira, um dos assassinos do ativista ambiental Chico Mendes. Darci estava foragido havia três anos e nove meses, depois de escapar da penitenciária de Rio Branco (AC). O criminoso foi preso em Guaíra, no Oeste do Paraná. Por quatro meses, a polícia seguiu os passos de Darci, que chegou a esconder-se em seis estados diferentes.
Darci e o pai dele, Darly Alves da Silva, ambos fazendeiros, foram condenados em 1990 a 19 anos de prisão, pelo assassinato de Chico Mendes.

O ecologista e presidente do Sindicato os Trabalhadores Rurais de Xapuri (AC) foi morto na fazenda de sua propriedade a 300 quilômetros de Rio Branco, no quintal da sua casa. O seringueiro vinha recebendo ameaças de morte pelas denúncias que fazia no exterior de devastação da Amazônia. O caso Chico Mendes despertou pela primeira vez a atenção internacional para os conflitos entre seringueiros e fazendeiros.

Darly também fugiu em fevereiro de 1993 e escondeu-se num assentamento do Incra, no interior do Pará, chegando a obter financiamento público do Banco da Amazônia, sob falsa identidade. Só foi recapturado em junho de 1996. A falsidade ideológica rendeu-lhe uma segunda condenação de mais dois anos e oito meses de prisão.

Desenvolvimento sustentável na floresta
Chico Mendes ficou internacionalmente conhecido ao ser condecorado pela ONU, no dia 5 de junho de 1987, data em que se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente. O ecologista buscava unir os interesses dos índios e dos seringueiros em defesa da floresta, com a criação de reservas extrativistas. As Unidades de conservação de uso sustentável, idealizadas por Chico, garantem legalmente a preservação dos recursos naturais e, ao mesmo tempo, a manutenção da atividade econômica, com a posse coletiva da terra pelos trabalhadores. O Comitê Chico Mendes continua a luta do seringueiro pela preservação da mata.

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1935 - Intentona Comunista é sufocada

Jornal do Brasil: Governo decreta estado de sítio


O levante militar liderado pelo Capitão de Exército e membro do Partido Comunista Luiz Carlos Prestes, irrompido em Natal, Recife e em seguida no Rio, levou o governo de Getúlio Vargas a decretar estado de sítio em todo o território nacional. A Intentona Comunista, como ficou conhecida a revolta dos militares simpatizantes do marxismo-leninismo, chegou a instalar um governo revolucionário provisório nos arredores de Natal. A ação deveria eclodir simultaneamente em várias cidades onde se esperava a adesão progressiva da população até haver condições de se instalar um governo popular revolucionário. Entretanto, o plano falhou. Os Estados do Nordeste deflagraram o levante antes do resto do país, o que deu chances para Getúlio sufocar o movimento nas outras regiões. No Rio, o conflito resultou na morte de 29 militares e na prisão e tortura de centenas de ativistas.

A violenta repressão aos revoltosos abriu caminho para a criação do Estado Novo em 1937. O impacto do golpe revolucionário na opinião pública contribuiu para a disseminação do anticomunismo.

A Revolta Vermelha foi conduzida pelo Partido Comunista em nome da Aliança Renovadora Nacional (ALN). A organização foi criada como uma resposta ao avanço do nazi-fascismo no mundo, e do integralismo no Brasil. A ALN reivindicava reformas sociais, econômicas e políticas, que incluía aumento de salário, nacionalização de empresas estrangeiras, proteção ao pequeno e médio proprietário e defesa da liberdade pública.

Quatro meses antes de ocorrer a Intentona Comunista, Prestes, que era o presidente de honra da ALN, lançou um manifesto, pedindo a renúncia de Vargas. Em represália, o governo decretou a ilegalidade da organização.

Olga, grávida, é entregue à Gestapo
Prestes e a sua mulher, Olga Benário viveram um ano na clandestinidade até que foram capturados. Olga, uma alemã de origem judaica, que fora designada pelo Partido Comunista para ser guarda-costas de Prestes, foi entregue por Getúlio à Gestapo, polícia política nazista. Olga estava grávida de sete meses e deu à luz a Anita Leocádia num campo de concentração da Alemanha. A mãe e as irmãs de Prestes fizeram uma campanha internacional pela libertação de ambas. Anita ficou ao lado da mãe até 2 anos e foi entregue à avó. Olga morreu em 1942 em um campo de extermínio.

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1960 - Tiros 2 monitora a Terra

Jornal do Brasil: Estação meteorológica envia imagens de Tv para a Terra


Os EUA colocaram em órbita a estação meteorológica Tiros 2, equipada com uma câmera de TV avançada, sensível inclusive ao infravermelho, o que a fazia capaz de operar mesmo sobre a face escura do nosso planeta. O satélite de 127 quilos foi lançado do centro de provas de Cabo Canaveral, na Flórida, [por um poderoso foguete, o Thor-Delta, com 28 metros. Duas horas depois do lançamento, a Nasa anunciava o êxito da missão, enquanto a Agência Tass, de Moscou, denunciava que o Tiros 2 era um aparelho destinado à espionagem.

As primeiras imagens foram captadas pela câmera de televisão a uma altitude de 650 quilômetros e enviadas à Terra quatro horas e meia após o lançamento. As fotografias mostravam nuvens sobre os Estados de Dakota do Norte e do Sul, e as regiões das planícies dos EUA. Os resultados das atividades da estação foram comunicados a cientistas de 21 países, convidados a participar do experimento. Entre eles, a França, a Grã-Bretanha e a Índia.

Animado com o êxito da missão, Wernher Von Braun, considerado o maior especialista de foguetes balísticos do Ocidente naquela época, disse que os EUA em 1961 estariam aptos a colocar uma nave tripulada em órbita. Braun, apesar de acertar nas previsões que fez em relação aos EUA, não esperava que a União Soviética partisse na frente. Em abril de 1961, Yuri Gagarin tornou-se o primeiro ser humano a viajar ao espaço, a bordo da nave Vostok 1. A viagem durou uma hora e 48 minutos e percorreu cerca de 40 mil quilômetros em volta da Terra numa única órbita.

Um mês após Gagarian proferir a famosa frase "A Terra é azul", os EUA enviaram Alan Shepard ao espaço, na nave Freedom 7. O vôo de Shepard, seu retorno do espaço e o resgate no mar foram vistos pela TV por milhões de pessoas em todo o mundo.

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1910 - A Revolta da Chibata

Jornal do Brasil: Marinheiros exigem fim dos maus-tratos

O estopim da Revolta da Chibata foi o castigo de 250 açoites sofrido por um marinheiro. A punição como de costume ocorreu na presença dos outros marujos. O marinheiro desmaiou enquanto apanhava, mas seu algoz continuou a bater-lhe. O fato aconteceu no encouraçado Minas Gerais, que navegava em direção ao Rio de Janeiro. Os revoltosos mataram o comandante do navio de guerra e mais cinco oficiais, que resistiram. Já na Baía de Guanabara, outros marujos assumiram o controle dos navios São Paulo, Bahia e Deodoro. Dois mil marinheiros aderiram à revolta, que exigia o fim dos castigos físicos, melhorias na alimentação e anistia para os amotinados.

Para espanto dos oficiais, os marinheiros mostraram que sabiam manobrar as modernas embarcações com perícia e habilidade.

Na manhã do dia 23 de novembro, sob a liderança do marinheiro de primeira classe João Cândido Felisberto e com redação de Francisco Dias Martins, foi enviado um ultimato ao governo:
" (...) Queremos a resposta já e já. Caso não a tenhamos, bombardearemos as cidades e os navios que não se revoltarem."

A Marinha esboçou um ataque com dois navios menores, que foram rechaçados pelos revoltosos. Os marujos deram tiros de advertência contra o Palácio do Catete, sede do Poder Executivo, e contra a Ilha das Cobras. Encurralado, o presidente Hermes da Fonseca resolveu aceitar as exigências dos rebeldes. Os marinheiros confiaram na palavra do presidente, mas foram traídos por ele. Depois de entregarem as armas e abandonarem os navios, foram expulsos da Marinha. No dia 4 de dezembro, houve novo motim, dessa vez na Ilha das Cobras. A revolta foi reprimida com rigor.

O Almirante Negro na Inglaterra

A idéia de fazer um movimento que acabasse com os maus-tratos na Marinha brasileira surgiu dois anos antes de eclodir a Revolta da Chibata, quando o marinheiro João Cândido viajou para a Inglaterra para acompanhar a construção do encouraçado Minas Gerais. Lá, João Cândido e outros marujos, participaram de reuniões sindicais dos marinheiros ingleses e tomaram conhecimento do motim dos marinheiros do encouraçado russo Potemkin, ocorrido em 1905, motivado pela má alimentação a bordo.

como represália por ter liderado o levante dos marinheiros, João Cândido foi expulso da Marinha, e morreu pobre, em 1969, como carregador de peixes do Porto do Rio de Janeiro.

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1979 - Congresso extingue Arena e MDB

Jornal do Brasil: Fim da Arena e do MDB

O Congresso Nacional aprovou durante a madrugada a Lei Orgânica dos Partidos, incluindo o substitutivo que extinguiu a Aliança Renovadora Nacional (Arena) e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), e restabeleceu a liberdade partidária no país. Votaram pela aprovação do substitutivo 299 deputados e 41 senadores. Só nove deputados faltaram à sessão.

A votação foi tumultuada, com as galerias da Câmara divididas por torcidas pró e contra o governo. Os seguranças tentavam arrancar as faixas e calar o povo. Os militantes do MDB gritavam "O povo unido jamais será vencido" e os partidários da Arena contra-atacavam com o slogan "Estamos com o João", fazendo referência ao presidente João Figueiredo. Ambos jogavam papéis picados e aviões de papel no plenário. O clima agitado contagiou os parlamentares, que trocaram insultos e agressões.

O presidente-general João Figueiredo tomou a iniciativa de acabar com o bipartidarismo na tentativa de garantir a vitória dos aliados do regime e enfraquecer a oposição.

Com o fim do bipartidarismo, os parlamentares da Arena migraram para o Partido Democrático Social (PDS) e o MDB transformou-se no Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), sob a liderança de Ulysses Guimarães. Entretanto parte dos parlamentares da oposição abandonou a legenda e criou novos partidos.

Renovação do cenário político


Com o pluripartidarismo, ressurgiu o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), que reuniu setores do antigo trabalhismo liderados por Ivete Vargas. Foram criados o Partido dos Trabalhadores (PT), como braço eleitoral do movimento sindical paulista, e o Partido Democrático Trabalhista (PDT), que também como o PTB, reivindicava para si a herança do trabalhismo getulista Quatro meses antes da extinção da Arena e do MDB, havia sido sancionada a Lei da Anistia, que permitiu a volta de 5 mil exilados, a libertação de presos políticos e a reintegração de funcionários cassados.

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1978 - Suicídio coletivo na Guiana

Jornal do Brasil: dia 21 de novembro de 1978

Os corpos 383 pessoas foram encontrados pela Força de Intervenção em Jonestown, na Guiana, onde viviam 1.100 norte-americanos adeptos da seita Templo do Povo, fundada pelo religioso Jim Jones. Posteriormente, este número subiu para 900 porque foram encontrados outros cadáveres debaixo dos primeiros corpos encontrados. As mortes teriam sido causadas por envenenamento. Mark Lane, um dos advogados da seita, que teria deixado o local pouco antes do suicídio coletivo, disse que todos estavam calmos e felizes, e que sabiam que iriam morrer. Lane contou também que ouviu tiros e a voz de Jones, discursando sobre a dignidade da morte. O religioso se suicidou com um tiro na cabeça. A mulher de Jones e um dos seus sete filhos estavam entre as vítimas que ingeriram cianureto misturado a um refresco. A polícia divulgou que alguns corpos tinham ferimentos a bala, o que fez com que as autoridades da Guiana duvidassem da versão de suicídio.

Jones costumava exigir demonstrações de lealdade por parte dos seus seguidores. Certa vez, distribuiu uma bebida, dizendo aos seus discípulos que se tratava de veneno e pediu que bebessem. Posteriormente, Jones revelou que o líquido era inofensivo, e que estava testando a obediência dos fiéis.

Um dia antes de ocorrer a imolação coletiva, seguidores da seita foram acusados de terem assassinado o deputado norte-americano Leo Ryan e outras quatro pessoas. O parlamentar fora a Jonestown com uma equipe investigar denúncias de surras e trabalhos forçados na comunidade agrícola. Ryan e alguns repórteres, que integravam o grupo, ficaram isolados em uma pequena pista de aviões em Port Kaituma, onde foram fuzilados.

Mensagem de harmonia social

O Templo do Povo foi mais uma das seitas surgidas na Califórnia, que misturavam política, fanatismo e misticismo, e que se expandiam pelo resto do país. A doutrina atraía pobres, ativistas sociais, negros e hispânicos, que doavam todos os seus bens para a seita. Jim Jones teria conseguiu arrecadar dos membros 5 milhões de dólares. A cidade de Jones, na Guiana, foi fundada em 1977. Os adeptos norte-americanos foram convocados a abandonar os EUA para viverem em uma comunidade agrícola auto-suficiente, sem contato com o mundo exterior. A utopia terminou em tragédia.

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1969 - Apollo 12 faz pouso de precisão na Lua


Jornal do Brasil: dia 21 de novembro de 1969

A Apollo 12, a segunda missão tripulada do programa Apolo, e a primeira a fazer um pouso de precisão na superfície lunar foi um sucesso. Os cosmonautas Charles Conrad e Alan Bean conseguiram resgatar partes da sonda não tripulada Surveyor-3, enviada dois anos antes, para estudar os efeitos sobre os materiais da permanência na Lua. O terceiro integrante da tripulação, Richard Gordon, ficou no módulo de comando Yankee Clipper a cem quilômetros acima da Lua, dando as coordenadas para Conrad e Bean para a alinusagem. Os astronautas pousaram no local chamado de Oceano das Tormentas, a 200 metros da sonda. Bean e Conrad recolheram 40 quilos e meio de rochas, amostras do solo, retiraram cinco peças da Surveyor e tiraram muitas fotos coloridas da superfície lunar. A Apollo 12 deixou na Lua ferramentas, botas, instrumentos científicos e lixo. Os cientistas só lamentaram a perda da câmera de TV colorida, que deixou de funcionar quando Bean movia-se para fora do módulo Intrépido, que os levou até a Lua.

A jornada foi bastante tranqüila e descontraída, apesar de um incidente na hora do lançamento na estação de Cabo Canaveral, na Flórida, quando um raio atingiu o foguete Saturno 5 e desabilitou praticamente todos os circuitos elétricos do módulo de comando. A tripulação se manteve calma e logo resolveu o problema.

Depois do vôo da Apollo 12, Alan Bean deixou a Nasa e tornou-se pintor. Ele enriqueceu pintando telas com as paisagens lunares que havia visto.

Quatro meses antes, a Apollo 11 tinha sido a primeira nave tripulada a pousar na Lua. A missão histórica de oito dias de duração, da qual participaram os astronautas Neil Armstrong, Edwin Aldrin e Michael Collins, teve seu ponto alto com as duas horas de caminhada de Armstrong e Aldrin no solo lunar.

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1997 - Zózimo inova o colunismo social


Jornal do Brasil: Zózimo morre aos 58 anos

Zózimo Barrozo do Amaral revolucionou as colunas sociais. Com estilo mordaz e bem-humorado, não se limitava a escrever sobre a alta sociedade. As notas de no máximo 10 linhas, que publicou de 1969 a 1993 no Jornal do Brasil, abordavam temas econômicos e os bastidores da política. Nos anos sombrios do AI-5, Zózimo contou aos leitores que o então ministro do Exército general Aurélio Lyra Tavares havia sido empurrado por seguranças do ditador paraguaio Alfredo Stroessener num encontro deste com o presidente Costa e Silva. Os militares não gostaram e Zózimo ficou preso por cinco dias. Não foi torturado mas teve de ouvir de um dos companheiros de cela: "Eles (os militares) endoidaram e estão prendendo eles mesmos".

Zózimo ficou chateado e disse que a provocação era injusta. O colunista foi preso pela segunda vez ao revelar que um coronel tinha visto três vezes na mesma semana a revista Tem banana na banda, com Leila Diniz, considerada pelos militares uma inimiga da ditadura.

Trabalhava 11 horas por dia e além da coluna acumulava a função de editor do Caderno B e do Informe JB. Destacava-se pela forma sutil e concisa de escrever e por saber como obter as notícias em primeiro mão. Zózimo descobriu que Ivo Pitanguy iria viajar para operar a duquesa de Windsor, antes mesmo de o convite ter sido feito ao cirurgião e, apesar de admitir que conhecia pouco sobre futebol, noticiou antes de toda a editoria de esporte, que a seleção brasileira disputaria um torneio internacional em Mônaco.

Em 1993, voltou para O Globo, onde começara a carreira em 1963. Naquela época, como colaborador da coluna de Carlos Swann. Permaneceu no Jornal O Globo até a sua morte, aos 58 anos. Zózimo morreu no Hospital Mount Sinai, em Miami, onde fora trata-se.

Estátua no Leblon
Zózimo Barrozo do Amaral foi homenageado com uma estátua em bronze, quatro anos depois de sua morte. O monumento fica no final da Avenida Delfim Moreira, próximo à Avenida Niemeyer, no Leblon, por onde o colunista costumava passear de bicicleta. Para fazer a estátua, o artista plástico Roberto Sá baseou-se em fotos e objetos que pertenceram a Zózimo. Antes de exercer a profissão de jornalista, Zózimo estudou direito na PUC e sociologia na UFRJ, mas não concluiu os cursos. Além de tentar ser ator. "Nunca havia pensado em trabalhar em jornal. Foi por acaso", revelou.

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1972- Perón retorna depois de 17 anos de exílio

Jornal do Brasil do dia 18 de novembro de 1972

O político Juan Domingo Perón desceu com dificuldade a escada do avião que o trouxe de Roma ao Aeroporto Internacional de Ezeiza, em Buenos Aires, depois de 17 anos de exílio. O povo foi impedido de manifestar as boas-vindas ao seu antigo líder. A imagem de do ex-presidente de 77 anos, desembarcando em solo argentino de braços abertos e com um largo sorriso foi vista pela população apenas na TV. Só 300 peronistas tiveram permissão de recebe-lo. Tanques patrulhavam os acessos ao aeroporto. O comércio foi fechado. Durante a madrugada, uma rebelião de 60 suboficiais peronistas foi reprimida com violência.
A chuva torrencial e o forte esquema de segurança impediram que o ex-presidente tivesse a acolhida programada por alguns setores do Movimento Justicialista, organização criada a partir das idéias que Perón pôs em prática nos seus dois mandatos anteriores.
O retorno do ex-presidente ao país foi negociado pelo presidente argentino, general Alegando Lanusse. No início da década de 70, a crise econômica agravava-se com a queda do Produto Interno Bruto (PIB) - resultado dos bens e serviços produzidos no país - , com o aumento do desemprego e da inflação, e a redução do salário real dos trabalhadores. A situação abriu caminho para a radicalização política e ações guerrilheiras, e para a volta do peronismo ao poder. Em 73, Perón foi eleito pela terceira vez para a presidência, mas não conseguiu cumprir o mandato até o fim. No ano seguinte, morreria de enfarte. A mulher de Perón, Isabellita, eleita vice-presidente, assumiu o comando e foi deposta por um golpe militar em 1976. A junta chefiada pelo general Jorge Rafael Videla tomou o poder, dissolveu o Congresso e deu início à "guerra suja" - repressão violenta aos opositores. O número de desaparecidos durante a ditadura militar argentina é estimado entre 15 mil e 30 mil pessoas.

Populismo à moda de Perón
Perón foi presidente da Argentina de 1946 a 1951, reeleito em 1952 e novamente eleito em 1973. Na primeira gestão foi eleito com mais de 56% dos votos. Seus seis anos de governo foram marcados pela estatização das ferrovias, de empresas de telefonia, do petróleo e companhias de eletricidade, e pelo crescimento industrial. Os trabalhadores ganharam direitos a aposentadoria, férias remuneradas, cobertura de acidentes de trabalho e seguro médico. Na política externa adotou uma postura antiamericana e antibritânica, criando o que chamou de terceira posição, um ponto entre o comunismo e o capitalismo.

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1983 - Os sucessos de Janete Clair

Jornal do Brasil de 17 de novembro primeira página do Caderno B

Janete Clair foi a única autora de novelas a conseguir que todos os televisores dos lares brasileiros ficassem sintonizados na mesma novela. O capítulo 152 de Selva de Pedra (1972) em que a personagem Simone, interpretada por Regina Duarte, foi desmascarada, conquistou 100% de audiência no Rio de Janeiro. A novela O Astro (1977) também obteve índices altíssimos. A média de 80% de aparelhos de TV ligados na trama superou a das transmissões dos jogos da seleção brasileira na Copa da Argentina em 1978. O público parou para assistir ao último capítulo da novela, quando foi revelado o assassino de Salomão Hayalla, interpretado por Dionísio Azevedo. Pecado Capital (1975) foi o folhetim mais elogiado pela crítica.
A primeira novela escrita por ela para a TV Globo foi Anastácia, em1967. A autora foi chamada às pressas para reescrever a trama, que era dispendiosa e tinha baixa audiência. Janete não fez rodeios. Inventou um terremoto e matou 35 personagens. Sobraram quatro, e com os que sobreviveram recomeçou o enredo a seu modo.
Mesmo doente, em fase terminal de câncer, a novelista insistia em supervisionar os capítulos da sua última novela, Eu prometo. As cenas gravadas eram levadas até a Casa de Saúde São José, na Zona sul do Rio, de onde orientava os novos passos dos personagens.
Janete conseguiu escrever até o capítulo 60. Dias Gomes, marido da autora e também novelista de sucesso, escreveu outros 10. Depois da morte de Janete, a assistente Glória Perez concluiu a novela, que reinaugurava o horário das 22h, do qual Janete não gostava. Janete Clair que era conhecida como a "Maga do horário das 8" comentou em entrevista ao Jornal do Brasil: "Com esse horário não estou presa às regras exageradas da censura, mas se fosse no horário das oito seria um estouro".

Autora de romances inesquecíveis
Janete Clair era o nome artístico de Jenete Stocco Emmer Dias Gomes, filha de imigrantes libaneses, nascida na cidade mineira de Conquista. Começou a carreira no rádio como atriz, locutora e escritora. Antes de estrear na TV, Janete escreveu 40 novelas para o rádio. Na televisão foram 20 folhetins de muito sucesso. A autora declarava que gostava de escrever grandes histórias de amor, misturando uma porção de casais, colocando como pano de fundo temas sociais . "Novela é teatro popular", dizia.
O par romântico formado por Francisco Cuoco e Regina Duarte, em Selva de Pedra (1972), era o seu favorito.

Texto revisado com informações do Nilson Xavier. Obrigada, Nilson pelas observações!

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1989 - Eleições diretas para presidente da república


Jornal do Brasil do dia 16 de novembro

As primeiras eleições diretas para Presidente da República desde 1960 promoveram uma onda de mudanças na política brasileira. Os partidos lançaram 22 candidaturas ao cargo, um recorde em todas as eleições presidenciais. O pleito foi realizado em dois turnos. A população foi às urnas pela primeira vez no dia 15 de novembro, em clima de festa, com direito a boca-de-urna e carnaval nas ruas de Ipanema. Fernando Collor de Mello foi o mais votado, seguido de Luis Inácio Lula da Silva, que ultrapassou Leonel Brizola, o terceiro colocado, por pouco votos.
O sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, ex-exilado político e criador da campanha Natal sem fome, em 1994, morto em 1997, escreveu na época um artigo para o Jornal do Brasil sobre a emoção que sentiu ao votar para presidente depois de 39 anos:
(...) "No caminho havia no ar um gosto de democracia, uma alegria da dignidade recuperada, a seriedade do dia mais importante deste século. Entrei na sala de votação como quem entra no ventre materno, para recuperar minha identidade perdida, arrancada que foi pela força naquela tarde miseravelmente triste de 31 de março de 1964 (...)"

Em 17 de dezembro, no segundo turno, Collor derrotou Lula. Dois anos depois de eleito presidente, Collor renunciou ao cargo na tentativa de evitar um processo de impeachment baseado em acusações de corrupção. O ex-presidente teve seus direitos cassados por oito anos por determinação do Senado Federal. Collor voltou posteriormente à vida pública. Foi eleito em 2006 e tomou posse como senador por Alagoas, em 2007.
Luiz Inácio Lula da Silva tornou-se o 35º Presidente da República. Foi candidato ao cargo cinco vezes. Perdeu três vezes até ser eleito em 2002 e reeleito em 2006.

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1921 - A Redentora morre aos 75 anos

Jornal do Brasil: do dia 15 de novembro de 1921

O telegrama enviado de Paris pelo conde D'Eu à baronesa de Loreto, no Rio, informava que a princesa Isabel morrera aos 75 anos, com fraqueza cardíaca agravada por congestão pulmonar. A herdeira do imperador dom Pedro II ficou conhecida como a "redentora", por ter assinado a Lei Áurea, que pôs fim a três séculos de escravidão no Brasil. A princesa sabia que, ao sancionar a lei corria o risco de perder o trono, já que os republicanos planejavam um golpe apoiados pelos escravocratas. Entretanto a monarca não se intimidou, e inclusive compareceu a todas as festas pela libertação dos escravos realizadas pelo povo. As comemorações duraram 15 dias. O centro do Rio foi enfeitado com flores e a população saiu às ruas para festejar.
Por ter acabado com a escravidão no Brasil , que vitimou 12 milhões de africanos, o papa João XIII ofereceu à princesa a comenda da Rosa de Ouro.
Em 1889, Isabel partiu, com a família real, para o exílio em Paris, onde montou uma embaixada informal. Entre os brasileiros que passaram por lá e receberam o apoio de Isabel estava o jovem Santos Dumont.
A princesa foi a primeira chefe de Estado das Américas, tendo sido uma das nove mulheres a governar uma nação durante todo o século 19.
A monarca substituiu o pai, o imperador dom Pedro II nas três vezes em que ele se ausentou por motivo de viagem. A primeira de 1871 a 1872, a segunda, de 1876 a 1877, e a última de 1877 a 1888. A princesa foi também a primeira senadora do Brasil, cargo a que tinha direito como herdeira do trono a partir dos 25 anos de idade, segundo a Constituição do Império, de 1824. Defendia a reforma agrária e o voto feminino. Antes da Lei Áurea, Isabel sancionou as leis do primeiro recenseamento do império, naturalização de estrangeiros e relações comerciais com países vizinhos.

A princesa e a abolição dos escravos
O nome de Isabel esteve ligado à abolição muito antes da assinatura da Lei Áurea. A princesa financiava a alforria de escravos com seu próprio dinheiro e apoiava a comunidade do Quilombo do Leblon, que cultivava camélias brancas, símbolo do abolicionismo. Documentos descobertos recentemente revelaram que a princesa estudou indenizar os ex-escravos com recursos do Banco Mauá.
Em 28 de setembro de 1871, foi também ela quem sancionou a Lei do Ventre Livre, que estabelecia que todos os filhos de escravos, que nascessem a partir da assinatura da lei estariam livres.

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Congresso aprova eleições diretas para governador

Jornal do Brasil: Congesso aprova por unanimidade eleições diretas para governador


Por unanimidade, o Congresso Nacional aprovou a emenda constitucional, proposta pelo presidente João Batista Figueiredo, que restabeleceu eleições diretas para os governadores estaduais, e acabou com os senadores "biônicos".
Dos 420 deputados da Câmara, 392 votaram a favor da emenda e 28 não compareceram ao plenário. No Senado, o projeto recebeu 54 votos no segundo turno, e a mesa diretora registrou 13 faltas. Foi a primeira vez em 25 anos que uma lei passou pelo Legislativo sem nenhum voto contra.
A subemenda das oposições, que estendia as eleições diretas para a Presidência da República, não chegou a ser votada. O plenário deu preferência à votação da emenda governamental.
Os mandatos em curso foram preservados. Os governadores indiretos permaneceram em seus cargos até 15 de março de 1983 e os senadores "biônicos" até 15 de março de 1986.
As eleições indiretas para governador foram instituídas na gestão do presidente Castello Branco, em 1965. A figura do senador biônico foi criada em 1978, por emenda constitucional do general Ernesto Geisel, que determinava que um em cada três senadores teriam de ser eleitos por um Colégio Eleitoral.
Muitos parlamentares, embora tivessem votado favoravelmente, não acreditavam que o pleito fosse realizado como previsto, e diziam que teriam de "ver para crer". Entretanto, dois anos depois, as eleições transcorreram normalmente. Só cinco partidos concorreram à disputa: PDS, antiga Arena; PMDB, PDT, PTB, e o PT. O voto era vinculado em todos os cargos, ou seja, só se podia votar em candidatos do mesmo partido. O PDS elegeu governadores em 12 Estados, o PMDB em 10, e o PDT em um.

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1989 - La Pasionaria morre aos 93 anos

Jornal do Brasil: 13 de novembro de 1989



Dolores Ibarruri, La Pasionaria, a lendária líder comunista espanhola, ficou famosa com os seus discursos na Rádio Republicana de Madrid, durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939). "É melhor morrer em pé do que viver de joelhos" e " Não passarão!". Tornou-se uma figura emblemática para os soldados e milicianos que defendiam a República, e "No passarán!" passou a ser o lema da resistência da capital espanhola que, atacada logo no início do conflito, resistiu por três anos, até o final da guerra.

Dolores morreu de pneumonia, aos 93 anos, depois de três meses de internação em um hospital de Madri. Austera e com grande talento como oradora, tinha sobrancelhas cerradas, vestia-se de preto e usava brincos de prata. La Pasionaria foi o pseudônimo adotado por Dolores ao escrever seu primeiro artigo para o jornal El Minero Vizcaino, numa Sexta-Feira da Paixão.

Nasceu pobre na região das minas de ferro do País Basco e, como ela mesmo dizia, desafiou o seu destino de costurar, parir e chorar, e entrou para a política. Queria ser professora, mas teve de largar os estudos para trabalhar como costureira. Casou-se com um líder socialista que a introduziu ao Marxismo, e teve seis filhos. Aderiu ao comunismo em 1920 e em 1930 foi eleita membro do Comitê Central do Partido Comunista da Espanha. Foi eleita deputada pela Frente Popular em 1936. Com a vitória de Franco, exilou-se na União Soviética, retornando à Espanha somente em 1977, já no regime democrático, quando foi eleita novamente deputada.

Guerra Civil Espanhola
A Guerra Civil Espanhola teve como causa próxima o conflito entre as forças nacionalistas de direita e o regime republicano eleito, de tendência socialista e anticlerical. A guerra começou com o levante do exército espanhol no Marrocos em julho de 1936, e, apesar dos êxitos inicias, se estendeu por três anos. A Alemanha de Hitler e a Itália de Mussolini apoiaram os direitistas, enquanto a União Soviética apoiou os republicanos. Nas Brigadas Internacionais lutaram voluntários de diversos países, inclusive brasileiros, na defesa da Republica e dos ideais socialistas.
O confronto deixou mais de 500 mil mortos e constituiu um ensaio bélico para a Segunda Guerra Mundial, que viria logo em seguida. Nesta perspectiva se enquadra a destruição de Guernica pela aviação nazista, quando pela primeira vez se efetuou um bombardeio aéreo cerrado contra uma cidade aberta, provocando a morte de 1.600 pessoas, a grande maioria civis.

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1918 - Vitória dos Aliados na Primeira Guerra Mundial

Jornal do Brasil: Primeira página - Vitória dos Aliados

O armistício assinado pelos alemães, reconhecendo a derrota para os Aliados, colocou um ponto final na Primeira Guerra Mundial. O Império Turco-Otomano já havia assinado o acordo de paz com os Aliados em 30 de novembro, e o Império Austro-Húngaro, em 3 de novembro. O primeiro conflito de proporções globais, que redesenhou o mapa da Europa, deixou 10 milhões de mortos e o triplo de feridos. Pela primeira vez, populações inteiras foram afetadas diretamente pelas conseqüências da guerra.

No início do confronto, sete países já se achavam envolvidos diretamente: Áustria-Hungria, Rússia, Sérvia, Inglaterra, Bélgica, França e Alemanha. Mais tarde, o Japão e Estados Unidos juntaram-se aos Aliados e a Turquia ao bloco liderado pela Alemanha, as chamadas de potências centrais. A guerra foi se expandindo para outros territórios à medida que as colônias das potências envolvidas foram convocadas para o confronto.
A participação do Brasil foi pequena. A Marinha ficou responsável por patrulhar o Atlântico e o Exército forneceu aos Aliados alimentos, matérias-prima e apoio médico. Foram enviados 1.502 soldados para os campos de batalha.

A notícia do acordo de paz foi recebida com festa nos países da frente ocidental. No Rio de Janeiro, as manifestações tomaram as ruas, bandeiras ocuparam as sacadas e a população foi comemorar na Avenida Rio Branco o fim de quatro anos de batalhas sangrentas.

Tecnologia de guerra
Durante o combate, a indústria bélica lançou tecnologias inéditas. Em 1915, os alemães lançaram gás cloro sobre as tropas aliadas, que destrói os órgãos respiratórios. O avião, que no começo era usado em missões de mapeamento e observação, passou a lançar bombas sobre trincheiras e cidades. Os tanques e as metralhadoras mudaram as formas de lutar no front e deixaram a aproximação das tropas mais difícil. Os submarinos alemães entraram na guerra para isolar a marinha inglesa.

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1975 - Brasil reconhece a independência de Angola

Jornal do Brasil: Independência de Angola


O Brasil foi o primeiro país a reconhecer a independência de Angola. A declaração foi feita através de nota oficial divulgada pelo Itamarati um dia antes da cerimônia de posse do novo governo, instalado na capital, Luanda. O ministro Ovídio de Mello, embaixador especial do Brasil em Angola, foi credenciado para representar o presidente Ernesto Geisel na solenidade. O chefe de Estado brasileiro foi o único das Américas convidado pelo presidente Agostinho Neto, que liderara o Movimento pela Libertação de Angola (MPLA).

O comunicado do Itamarati declarava também a posição do Brasil de não interferir nos assuntos internos do novo estado independente, o que equivale a não tomar partido nas disputas pelo poder entre os três principais grupos nacionalistas armados: o MPLA, a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) e a União Nacional para Independência Total de Angola (Unita).


Portugal não teria reconhecido a autonomia política de sua ex-colônia porque cerca de 250 mil portugueses ainda moravam em regiões dominadas por guerrilheiros inimigos do MPLA, que tomou o poder.

Depois de proclamada a independência, eclodiu a guerra civil, que devastou o país. Holden Roberto, líder do FNLA, juntou-se a Jonas Savimbi, da Unita. Ambos recebiam apoio militar dos Estados Unidos e da África do Sul, enquanto o MPLA, de Agostinho Neto, era ajudado por armas soviéticas e tropas cubanas. O conflito só terminou em 2002, com a morte do líder de Savimbi. O acordo de paz foi assinado e Angola retomou o crescimento. O país é um dos mais extensos da África, fica na Costa Ocidental do continente, e tem petróleo, diamantes e forte agricultura.

Eleições livres depois de 16 anos

Os angolanos votaram pela primeira vez desde 1992, para formar um novo parlamento, no início de setembro deste ano. Segundo observadores da União Africana, não houve registro de intimidações ou fraudes. O MPLA, partido do presidente José Eduardo Santos, venceu as eleições parlamentares com 82% dos votos contra 10,5 %. A Unita, principal partido de oposição, aceitou a derrota e parabenizou o vencedor José Eduardo Santos assumiu a presidência em 1979 depois da morte de Agostinho Neto, o presidente-poeta, que buscava eliminar divisões étnicas no país.

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1989- Festa na queda do Muro de Berlim

Jornal do Brasil: Queda do Muro de Berlim

Pouco depois de o governo da Alemanha Oriental anunciar que decidira abrir todas as suas fronteiras com a Alemanha Ocidental, milhares de pessoas aglomeraram-se nos nove postos fronteiriços instalados no Muro de Berlim. As filas eram tão grandes que a polícia desistiu de fazer a conferência dos documentos de identidade, e deixou a multidão passar. A população festejava cruzando o muro a pé ou de carro e se confraternizava. Os trens chegavam lotados próximo aos postos fronteiriços e retornavam vazios para o Centro de Berlim Oriental. Equipes de primeiros socorros atendiam os que desmaiavam de emoção. A maioria pretendia voltar para a casa, mas fazia questão de comemorar no lado ocidental, onde eram recebidos com aplausos e fogos de artifício.
O comunicado iniciou o processo de reunificação da Alemanha e a demolição do muro que dividiu o país. A queda do maior símbolo da Guerra Fria - conflito político-ideológico polarizado entre os Estados Unidos, defensores do capitalismo, e a União Soviética, defensora do socialismo, marcou também o desmoronamento do comunismo na Europa Central e Oriental, processo que já se havia iniciado na Polônia e na Hungria.
O movimento para eliminação das barreiras começou no início do ano, quando 225 mil alemães-orientais fugiram para a Alemanha Ocidental através da Austria e da Hungria. Depois da queda do muro, estimava-se que
1, 4 milhões ainda queriam sair do país.
O êxodo em massa causou dor de cabeça para o prefeito de Berlim Ocidental, Walter Momper, que não tinha como acomodar tanta gente. Os recém-chegados tiveram de ser alojados em quartéis e em outras unidades militares, sem nenhum conforto. O prefeito pedia que as pessoas refreassem a euforia, com receio de a cidade não suportasse tantos visitantes: "Por favor, mesmo com a compreensível alegria que vocês devem estar sentindo de vir para cá, façam isso amanhã ou depois de amanhã".

Muro separou famílias
Construído de surpresa e em tempo recorde, na noite de 17 para 18 de agosto de 1961, o Muro de Berlim separou famílias e não respeitou casas, prédios ou ruas. A edificação tinha 160 quilômetros de comprimento e 3 metros de altura. Tinha cercas elétricas e valas para dificultar a passagem, além de 300 torres de vigilância, com soldados preparados para atirar, matar e perseguir com cães ferozes quem tentasse atravessar para o lado ocidental.
A demolição do muro continuou por muitos meses, e até hoje há partes dele que permanecem de pé.

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1934 - Pirandello ganha o Prêmio Nobel

Jornal do Brasil: Pirandello ganha Prêmio Nobel de Literatura


O dramaturgo e romancista italiano Luigi Pirandello recebe o Prêmio Nobel de Literatura. O escritor siciliano, que viveu na virada do século 19 para o século 20, sacudiu o teatro com seus textos divertidos e temas inusitados, que levavam à reflexão sobre a impossibilidade de desvendarmos a verdadeira identidade das pessoas.

Três anos antes de ganhar o prêmio, o dramaturgo esteve no Rio, com a companhia Teatro D'Arte de Roma, para apresentar as peças Henrique IV, de Shakespeare, e Seis personagens em busca de um autor, dele próprio. Esta última, uma de suas obras-primas ao lado de Assim é se lhe parece, Cada um a seu modo e dos romances O falecido Matias Pascal e Um, Nenhum e Cem Mil.

O revolucionário Seis personagens em busca de um autor conta a história de um ensaio de teatro que é invadido por seis personagens que, rejeitadas por seu criador, tentam convencer o diretor da companhia a encenar suas vidas.
Quando esteve no Rio, Pirandello explicou o seu estilo inovador, que o tornou famoso apenas dois anos antes de sua morte:
"Não sou um filósofo nem pretendo ser. Se minha obra exprime, como querem, uma concepção filosófica, essa concepção independe inteiramente de qualquer intenção consciente. Também não sei, nem me interessa saber qual seja essa intenção. Sustento que uma obra de arte não pode ser intencional e limito-me a interpretar a vida como ela me aparece e o mais diretamente possível. E não se vive com os olhos abertos, vive-se cegamente. A minha convicção de que a personalidade é múltipla não é uma conclusão - é uma constatação." - E completou: "Tem-se escrito enormemente sobre a minha obra, mas infelizmente nem sempre com justiça e com inteligência."

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1968 - Rainha Elizabeth II inaugura o Masp

Jornal do Brasil: Primeira Página de 8 de novembro de 1968



A rainha Elizabeth II e o príncipe Philip desembarcaram com sua comitiva em São Paulo, onde participaram da inauguração da nova sede do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp). A construção do novo prédio, na Avenida Paulista, em terreno doado pela prefeitura, durou 12 anos. O local foi erguido para abrigar um dos maiores acervos da América Latina, com obras que abrangem desde a Antigüidade Clássica até a Arte Contemporânea.


Dentre as obras que chamaram a atenção da monarca inglesa estava o quadro Sala azul de Trent Park, pintado pelo ex-primeiro ministro britânico Winston Churchill em 1934. O diretor do museu, Pietro Bardi, explicou que o quadro fora doado pelo próprio Churchill em um leilão beneficente, sendo arrematado por brasileiros e em seguida doado para o Masp. No núcleo de Arte Européia, a rainha Elizabeth demorou-se diante das pinturas de Manet e Renoir.

As linhas arrojadas do edifício também impressionaram a comitiva. A rainha elogiou a beleza arquitetônica e a simplicidade das linhas. O edifício foi projetado por Lina Bo Bardi em forma de caixa, sustentado por quatro pilares, com um vão livre de 74 metros e 8 metros de altura.

O Masp foi fundado em 1947 por Assis Chateaubriand, que criou e dirigiu a maior cadeia de imprensa do país e foi embaixador do Brasil em Londres. Elizabeth homenageou a memória de Chateaubriand, morto naquele ano, a quem chamou de amigo da Inglaterra.

Visita reforça laços de amizade
A cerimônia de inauguração do museu fez parte da agenda do casal real durante a visita de 11 dias ao Brasil. A viagem começou por Recife (PE) no dia 1º de novembro e passou pela Bahia e por Brasília antes de chegar à capital paulista, seguindo posteriormente para o Rio de Janeiro, onde permaneceu dois dias antes de voltar para a Inglaterra. A iniciativa fez parte do programa inglês de integração econômica com os países da América Latina. O objetivo da visita era fortalecer os laços de amizade e comerciais com o nosso país.

O Masp mantém atualmente pinacoteca, biblioteca, com mais de 30 mil volumes, fototeca, filmoteca, videoteca, curso de artes, dois auditórios destinados à música, cinema e palestras, loja, oficinas e restaurante, além de um serviço educativo de apoio aos eventos culturais.

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1962 - A Onu condena o apartheid

Jornal do Brasil: Primeira página do dia 7 de novembro de 1962

A Assembléia Geral das Nações Unidas aprovou por 67 votos a 16, com 23 abstenções inclusive a do Brasil, a Resolução 1761, que condenou a política de segregação racial do apartheid e pediu que todos os países membros da ONU rompessem as relações comerciais e militares com a África do Sul. Entre outros países, Estados Unidos, Inglaterra, França e Portugal votaram contra a resolução. Pela primeira vez na história da ONU foram aprovadas medidas tão drásticas contra um país membro. O máximo alcançado até então fora o pedido de rompimento com a Espanha franquista, com o objetivo de forçar a redemocratização.

O chefe da delegação brasileira na assembléia geral da ONU, ministro Geraldo Silos, defendeu a abstenção do Brasil, dizendo que as sanções eram muito difíceis de serem implementadas. Segundo o delegado, os 16 países que votaram contra a resolução aprovada são responsáveis por 90% das relações de comércio exterior da África do Sul. O regime racista sul-africano vigorou de 1948 a 1990. Devido à lei do apartheid, o país ficou internacionalmente isolado. Conferências e resoluções das Nações Unidas condenaram o governo da África do Sul, incluindo a Conferência Mundial Contra o Racismo em 1978 e 1983. A partir da decisão da ONU um imenso movimento de cerceamento foi iniciado. Houve pressões para que investidores retirassem o capital das empresas sul-africanas e cortassem relações comerciais. Os atletas da África do Sul foram barrados nos eventos internacionais. O turismo na região foi boicotado e os artistas se recusavam a apresentar-se naquele país.

Mandela liderou a mudança

No mesmo ano em que foram aprovadas as sanções pelas Nações Unidas, o líder do movimento contra o apartheid, Nelson Mandela, foi condenado a 5 anos de prisão e, em 1964, à prisão perpétua. Ele só foi libertado com o fim da política de segregação racial, em 1990. Mandela comandou a transição do regime e instituiu a comissão de Verdade e Conciliação, para investigar os abusos da era segregacionista. O período de conflitos mais violentos foi entre 1983 e 1988, quando milhares de pessoas foram presas, torturadas e mortas. Em 1993, dividiu o Prêmio Nobel da Paz com Frederik Willem de Klerk, ex-presidente da África do Sul, "pelos esforços conjuntos para acabar de forma pacífica com o apartheid".

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1983 - Cinema brasileiro perde Humberto Mauro

Jornal do Brasil: Primeira página do Caderno B do dia 7 de novembro de 1983

Humberto Mauro, pai do cinema brasileiro, morreu aos 86 anos, em conseqüência de uma parada cardíaca, curiosamente no Dia do Cinema Brasileiro e do Radioamador.

O cineasta não conquistou um só prêmio no exterior, mas ficou consagrado no Brasil, por retratar as belezas naturais, principalmente do interior, do país. De 1927 a 1979, dirigiu 12 longa-metragens, colaborou com pelo menos outros 12 como roteirista e ator, além de realizar mais de 300 documentários para o Instituto Nacional do Cinema Educativo (Ince).
A carreira de diretor, intérprete, fotógrafo e autor de roteiros começou aos 26 anos. Nessa época, o Brasil vivia simultaneamente a expansão do mercado cinematográfico e a repercussão da Semana de Arte Moderna de 1922. Humberto Mauro, que era cego do olho esquerdo, interessava-se por fotografia, comprou uma câmera 9,5 milímetros e com o fotógrafo italiano Pedro Comello fez o curta Valadão, o Cratera, em 1925, rodado na regaão da Zona da Mata Mineira. Depois, com o patrocínio do comerciante Homero Cortes Domingues e com a adesão de Agenor Cortes de Barros, criou a Phebo Sul America Film. Com um capital de 150 contos comprou uma câmera 35 milímetros e uma lente. Daí vieram os clássicos Primavera da vida, Tesouro perdido, Brasa dormida e Sangue mineiro. No elenco de Tesouro perdido, além da mulher, que trabalhou com o pseudônimo de Lola Lys, em sua única incursão cinematográfica, atuou seu irmão Chiquinho, no papel de galã, e o próprio cineasta, interpretando o vilão.
Já nos estúdios cinematográficos da Cinédia, no Rio de Janeiro, dirigiu Voz do carnaval, que lançou Carmen Miranda no cinema. Depois de ter enfrentado dificuldades financeiras entre 1934 e 1935, Mauro aceitou fazer alguns documentários para Carmen Santos. A partir daí, não parou de mais de filmar.
Ingressou no Instituto Nacional de Cinema Educativo (Ince) em 1936, a convite do fundador da instituição, Edgar Roquete-Pinto, para produzir filmes sobre cidades e personagens históricos, eventos oficiais e temas científicos.
Uma tarefa burocrática, que Mauro transformou em um acervo com a marca do seu talento e criatividade Nas raras folgas que tinha no Ince realizou longas, como a superprodução O Descobrimento do Brasil e participou de vários filmes. Sua última colaboração foi no argumento e no roteiro de A noiva da cidade, Alex Viany, 1979.

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1977 - Rachel de Queiroz é a primeira mulher imortal

Jornal do brasil: Primeira página do dia 5 de novembro de 1977
A escritora, dramaturga e jornalista Rachel de Queiroz assume a cadeira de número 5 da Academia Brasileira de Letras (ABL) e torna-se a primeira mulher imortal. A cerimônia começou às 21h30 e foi assistida por 300 pessoas. A matéria publicada na edição do Jornal do Brasil descrevia assim o momento em que a escritora cearense de 66 anos e com 11 livros publicados quebrou uma tradição de 81 anos da ABL:
"Às 22h9, Rachel tirou os óculos e chorou ao dirigir-se para a mesa, onde o presidente Austregésilo de Athayde abria o livro de posse e lhe entregava a pena de ouro. Às 22h10 a imortalidade acadêmica deixou de ser uma honra masculina."

Na eleição para a ABL, realizada no dia 8 de agosto, Rachel de Querioz venceu por 23 votos a 15 e um em branco, o jurista Francisco Cavalcanti Pontes de Miranda. A cadeira de número 5 foi fundada por Raimundo Correia, tendo como patrono Bernardo Guimarães e ocupada sucessivamente pelo médico Oswaldo Cruz, o poeta Aluísio de Castro e o jurista, crítico e jornalista Cândido Mota Filho.
A escritora morreu em casa, dormindo em sua rede, em 2003, pouco antes de completar 93 anos, no mesmo dia do mês em que tomou posse na ABL. Ela foi vítima de um enfarte e, segundo a família, já havia sofrido um derrame em agosto de 1999.
Rachel de Querioz ficou famosa em 1930, aos 20 anos, quando lançou o romance O Quinze, em que narrava o drama da seca do Nordeste. Entre suas obras de destaque estão As Três Marias (1939) e Memorial de Maria Moura (1992), que virou minissérie de TV. A imortal estreou no jornalismo em 1927 no jornal "O Ceará", sob o pseudônimo de Rita de Queluz. Colaborou com os jornais Correio da Manhã, O Jornal e Diário da Tarde, passando depois a ser cronista exclusiva da revista O Cruzeiro, até 1975.
Rachel de Queiroz militou por um curto período de tempo no Partido Comunista Brasileiro, na década de 30. Participou da campanha que levou à queda de Getúlio Vargas em 1945 e ajudou nas articulações do golpe de 1964, que derrubou o presidente João Goulart.

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1957 - Laika viaja a bordo do Sputinik 2

Primeira página do Jornal do Brasil: 5 de novembro de 1957
A cadela Laika, o primeiro ser vivo enviado ao espaço, viajou a bordo do segundo satélite artificial lançado pela União Soviética, o Sputinik 2. Os cientistas já sabiam que a pequena vira-lata morreria em órbita porque a nave não foi projetada para retornar à Terra. A experiência provocou protestos de grupos de proteção aos animais em todo o mundo. A passagem do Sputinik pelos céus do Rio de Janeiro, três dias depois do lançamento, foi marcada por manifestações da Sociedade Protetora dos Animais contra a atitude dos pesquisadores soviéticos.

Laika era uma Huskie mestiça que vivia solta nas ruas de Moscou. Pesava cerca de 6 quilos e tinha 3 anos quando foi capturada pela equipe do programa espacial russo. Três cachorros foram escolhidos para serem submetidos ao duro treinamento: Laika, Albina e Mushka. Mas foi Laika a que obteve o melhor desempenho.
Durante décadas o governo soviético deu informações contraditórias sobre a morte da cadela. A princípio, o comunicado oficial dizia que Laika morreu como o planejado, ao comer a ração envenenada colocada pelos cientistas 10 dias depois do lançamento Sputnik. Em outra versão, foi dito que ela não resistiu à falta de oxigênio, uma semana após o início da viagem, e ainda que teria inalado um gás venenoso.
Só em 2002, Dimitri Malashenkov, que participou da missão espacial, esclareceu os fatos. Dimitri disse que Laika havia morrido entre cinco e sete horas depois da decolagem, em pânico por causa do superaquecimento da cabine. Os batimentos cardíacos dela teriam triplicado.
O Sputnik 2 incendiou-se com os restos mortais de Laika, ao entrar em contato com a atmosfera em 14 de abril de 1958, depois de 163 dias e 570 órbitas em volta da Terra.

Avanços científicos

Apesar do acidente, o experimento abriu caminho para a participação humana em vôos espaciais. O último Sptnik foi lançado em 1960. Em 12 de abril de 1961, Yuri Gagarin tornou-se o primeiro homem a ir ao espaço, a bordo da nave Vostok 1, na qual deu uma volta completa em órbita do planeta e pronunciou a famosa frase "A Terra é azul".
Os soviéticos demoraram a admitir o fracasso da missão de Laika. O caso abriu os debates sobre maus tratos a animais, principalmente pelo fato de os cientistas mandarem um ser vivo para o espaço, sem esperança de retorno.

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1975 - Pasolini é assassinado

Jornal do Brasil: Primeira Página do Caderno B


O corpo do cineasta, escritor e pintor Pier Paolo Pasolini, 53 anos, foi encontrado por um casal em um terreno baldio, nos arredores de Roma, não muito longe da casa onde morava com a mãe. O jovem Giuseppe Pelosi, 17 anos, foi preso e confessou o assassinato. Entretanto até hoje as circunstâncias do crime continuam cercadas de mistério. Há suspeitas de que o adolescente, que seria garoto de programa e teria roubado a vítima, não teria agido sozinho. A polícia não descartou também a hipótese de crime político. O rosto de intelectual estava desfigurado, provavelmente por pauladas.
Até hoje, a morte do cineasta é objeto de controvérsia. No ano passado, 700 intelectuais europeus fizeram um abaixo-assinado, proposto pelo prefeito de Roma, pedindo a reabertura do caso. Nada de novo foi apurado.
Ironicamente, o intelectual encontrou a morte pelas mãos de um criminoso cujo perfil era muito parecido com os personagens que retratava na sua extensa obra cinematográfica e literária.
Pasolini causou muita polêmica. Era homossexual assumido, foi expulso do Partido Comunista e seus filmes criticavam a Igreja e os italianos ricos. Antes de tornar-se um cineasta, ficou famoso como autor dos livros Vadios (1955) e Uma Vida Violenta (1959).

Cineasta premiado e polêmico
Pasolini iniciou a carreira no cinema como roteirista. Em 1956, ajudou Fellini a escrever As noites de Cabiria. Dirigiu Teorema, O Evangelho Segundo Mateus, e Gaviões e Passarinhos . E ainda Decameron, Contos de Canterbury, que recebeu o Urso de Ouro do Festival de Berlim em 1973, além de As Mil e Uma Noites. Seu último filme, Saló ou Os 120 dias de Sodoma (1975) foi o mais radical nas críticas contra o fascismo. O enredo mistura a história da república fascista de Saló com os romances no estilo de Marquês de Sade. O resultado são muitas cenas de tortura.

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1979 - Lei da Anistia é regulamentada por Figueiredo

Jornal do Brasil: Sexta-feira, 2 de novembro de 1979 - página 2

O último general-presidente, João Batista de Figueiredo, regulamentou a Lei da Anistia, aprovada pelo Congresso por 206 contra 201 votos. A medida beneficiou 4.650 pessoas punidas por atos de exceção no período entre 2 de setembro de 1961 e 15 de agosto de 1979. Entre os anistiados estavam os ex-governadores Leonel Brizola e Miguel Arraes, e os ex-líderes estudantis Vladimir Palmeira e José Dirceu. O projeto de iniciativa governista não atendeu o apelo da opinião pública, que clamava pela anistia ampla, geral e irrestrita. A lei deixou de fora os condenados por terrorismo, assalto e seqüestro e favoreceu os militares, incluindo os responsáveis pelas práticas de tortura. A anistia do regime militar foi criticada porque não investigou os agentes de órgãos de segurança envolvidos em atos ilegais contra presos políticos. Segundo o Superior Tribunal Militar (STM), havia então 52 presos políticos, dos quais 17 foram imediatamente libertados e 35 permaneceram à espera de uma análise mais demorada dos seus processos.
Além de abrir as portas das prisões, a anistia permitiu a reintegração ao serviço público de centenas de funcionários cassados. Entretanto, o reaproveitamento de servidores civis e militares ficou subordinado à decisão de comissões especiais criadas no âmbito dos respectivos ministérios para estudar cada caso.
No mesmo dia em que a lei entrava em vigor, foi denunciado, no Congresso Nacional, a descoberta dos restos mortais de alguns presos políticos, entre eles os de Luis Eurico Tejera Lisboa, dado como desaparecido.

Os anistiados vinham retornando ao Pais, e eram recebidos com festas, desde que a lei fora sancionada em agosto. Leonel Brizola retornou ao país no dia 6 de setembro, após 15 anos de exílio. No dia 15 do mesmo mês, retornaram ao Brasil, Miguel Arraes, e o ex-deputado federal, Márcio Moreira Alves. No mês seguinte, Luiz Carlos Prestes desembarcou no Aeroporto do Galeão, no Rio, e foi recebido por cerca de 10 mil pessoas.

General apóia o movimento
O movimento pela anistia e redemocratização ganhou força, a partir de fevereiro de 1978, quando foi lançado o Comitê Brasileiro pela Anistia (CBA) no Rio, com o apoio do general Peri Bevilacqua, que fora um membro do comando do golpe militar de 1964. O CBA era formado por advogados e parentes de presos políticos, com o aval da Ordem dos Advogados do Brasil. Poucos dias depois do lançamento, era criado em São Paulo mais um comitê, com representantes de várias entidades profissionais e de estudantes, além de alguns deputados do único partido de oposição da época, o MDB.

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