Arquivo de December 2008

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1988 - Naufrágio mata 55 pessoas no Réveillon

Jornal do Brasil: Bateau mouche afunda

A superlotação e falhas na estrutura da embarcação foram as causas do naufrágio do Bateau Mouche, minutos antes do Réveillon, na entrada da Baía de Guanabara. O barco levava 153 passageiros para ver a queima de fogos no mar de Copacabana. Destes, 55 morreram. Segundo os sobreviventes, o Bateau Mouche deixou o Restaurante Sol e Mar por volta das 21h, mas foi interceptado 15 minutos depois por uma patrulha da Capitania dos Portos, que fez a embarcação retornar ao ponto de partida. Os passageiros não souberam explicar o motivo da interrupção da viagem. O barco ficou parado por alguns minutos no cais e zarpou novamente. Pouco antes da meia-noite o Bateau Mouche começou a adernar, derrubando pratos, copos e mesas e afundou.

Os pescadores Jorge de Souza, João Batista de Souza Abreu, Marcos Vinícius Lourenço da Silva, Francisco Carlos Alves de Moraes e Jorge Luiz Soares de Souza tornaram-se heróis ao salvar cerca de 30 pessoas. Eles tinham partido com as suas famílias de Niterói, na traineira Evelyn Maurício, com destino a Copacabana. No caminho, cruzaram com o Bateau Mouche iluminado e muito cheio. Os pescadores chegaram a ver o naufrágio. Eles jogaram bóias, cabos e cordas no mar ao mesmo tempo que puxavam os náufragos pelos braços.

Os tripulantes do iate Casablanca também socorreram os sobreviventes, mas a altura do antigo caça-minas da Marinha transformado em barco de luxo dificultou o resgate dos que caíram no mar. Mesmo assim conseguiram salvar 21 pessoas, que se afogavam. O comandante do Casablanca, Valentim Lima Ribeiro, disse que pediu ajuda a outros barcos, mas ninguém parou, só a traineira. Valentim contou que quando o Casablanca passou pelo local do acidente viu o barco completamente virado e pessoas agarradas ao casco e a pedaços de madeira.

Impunidade e morosidade da Justiça

A Justiça condenou a quatro anos de prisão em regime semi-aberto os sócios majoritários da empresa do Bateau Mouche, Faustino Puertas Vidal e Álvaro Costa. Ambos se aproveitaram de que tinham o dia livre e precisavam ir ao presídio somente para dormir, e fugiram para a Espanha. Como o país não tem acordo de extradição com o Brasil, os réus não cumpriram as penas. Restou então para as famílias das vítimas o pedido de indenização, que se arrasta desde 1994 na Justiça. Até agora só uma família conseguiu receber o dinheiro por causa dos recursos impetrados pela defesa dos acusados. Os envolvidos na tragédia tiveram os bens bloqueados.


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1974 - Índios atacam postos da Funai

Jornal do Brasil: índio ameaçam invadir cidades do mato Grosso

Revoltados com a invasão de suas terras, índios Xavante e Bororó ameaçavam atacar cidades do Mato Grosso. Os índios possuíam títulos de propriedade datados de 1918 enquanto os fazendeiros apresentavam documentos de posse da terra cedidos pelo governo em 1958.

O clima também era tenso em Roraima onde os Waimiri Atroari foram acusados de matar quatro funcionários da Funai. Os indígenas ocupavam desde épocas remotas o sul do Estado de Roraima e norte do Amazonas. O território rico em recursos naturais atraía a cobiça de caçadores, madeireiros e mineradores, sobretudo a partir do século 19. De 1972 a 1977, a região onde os índios viviam foi cortada pela BR-174, que liga Manaus a Boa Vista, seguida pela implantação da mina de estanho de Pitinga, a construção da Hidrelétrica de Balbina pela Eletronorte, e pela implantação de projetos pecuários nos limites da área. A hidrelétrica alagou cerca de 30 mil hectares e a estrada atravessava 125 quilômetros das terras indígenas.

Os Waimiri Atroari defenderam suas terras como puderam. Os guerreiros enfrentaram uma luta desigual contra um inimigo com poderio bélico muito superior ao deles. No confronto o povo foi dizimado por forças militares, matadores profissionais e doenças levadas pelo homem branco. Nessa época a população foi diminuiu de 2 mil para cerca de 300 indivíduos.

Waimiri escapam da extinção
Os Waimiri Atroari deram a volta por cima depois de chegar perto da extinção. Em setembro deste ano, nasceu o milésimo índio da etnia. O crescimento da população hoje é de 6% ao ano. No fim da década de 70 a redução populacional era de 20% ao ano.

A área que eles ocupam foi reconhecida e demarcada como reserva, a estrada só pode ser usada durante o dia, e até hoje os índios não aceitam missões religiosas. Há escolas em cada uma das 19 aldeias e seu idioma é ensinado por professores nativos, em cartilhas e livros didáticos em waimiri-atroari.

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1989 - Inflação chega a 1.764,86%

Jornal do Brasil: Brasil entra na hiperinlfação

A taxa de inflação acumulada bate o recorde de 1.764,86%, a mais alta da história do país. Em dezembro o índice de elevação dos preços divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foi de 53,55%, dando um salto de 12,13% em relação ao mês anterior. Pelos números o Brasil vivia tecnicamente uma hiperinflação. Segundo o economista Phillip Caganm, um país está em hiperinflação a partir do primeiro mês em que a taxa supera os 50%.

O índice resultou num reajuste de 62,9% para o salário mínimo, que passou a valer em janeiro NCR$1.283,95. O aumento representou um ganho real de 6,09%. O reajuste dos aluguéis chegou a 1.383,74%. A alta dos preços dos alimentos atingiu a marca de 120%.

De acordo com o historiador Moacyr Flores, na República Velha (1889 a 1930) a inflação oscilou muito, mas só alcançou dois dígitos em 1917. Getúlio Vargas conseguiu inflação zero de 1932 a 1933, mas em 1944, o índice já estava em 27,3%.

Em 1963, a inflação era de 86,14%. Os governos militares conseguiram reduzir os índices de aumento paulatinamente até em 1973 chegar à marca de 13,7%. Entretanto, em 1983 a inflação já havia subido para 177%. A elevação de preços gerou saques a supermercados no Rio e em São Paulo. Em 1986, o governo tentou conter os aumentos com a reforma monetária promovida pelo Plano Cruzado, conseguindo baixar a inflação para 62%. Em janeiro de 1988 foi concebido um novo plano de estabilização batizado de Plano Bresser, que não obteve qualquer resultado.

Aquele ano fechou com índice inflacionário de 1.000%. Em janeiro de 1989, o governo anunciou o Plano Verão. O terceiro programa econômico fracassou, elevando a taxa anual de inflação para 1.764,86%. Os índices só foram contidos em 1994, com a adoção do Plano Real, que conseguiu reduzi-los para 1,95% ao mês.

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1978 - Fim do regime franquista

Jornal do Brasil: Rei Juan Carlos sanciona Constituição


O rei Juan Carlos inaugurou uma nova era política na Espanha ao sancionar formalmente a nova Constituição, que relegou o regime franquista ao passado. Segundo o rei, o documento marca um novo período de grandeza para o país. O general Franco comandou durante 35 anos uma ditadura fascista iniciada logo após o fim da Guerra Civil Espanhola, em 1939. O conflito entre as forças nacionalistas de direita e o regime republicano eleito, de tendência socialista, resultou na morte de mais de 500 mil pessoas, e serviu de ensaio bélico para a Segunda Guerra Mundial.
A guerra começou com o levante do exército espanhol no Marrocos em julho de 1936, e, apesar dos êxitos inicias, se estendeu por três anos.

A Alemanha de Hitler e a Itália de Mussolini apoiaram os direitistas, enquanto a União Soviética apoiou os republicanos. Nas Brigadas Internacionais lutaram voluntários de diversos paises, inclusive brasileiros, na defesa da República e dos ideais socialistas. Dez mil desses voluntários perderam a vida em combate. A destruição de Guernica pela aviação nazista tornou-se um símbolo do confronto. No intenso bombardeio aéreo, que durou cerca de duas morreram 1.600 pessoas, a maioria civis.

Com a morte de Franco, em 1975, o Conselho de Regência assumiu o governo até ser instaurada a monarquia parlamentarista e convocadas eleições democráticas, em 1977. A Constituição foi aprovada por um referendo no mês de dezembro.

A transição teve de superar as resistências de radicais da extrema esquerda e de franquistas da extrema direita. Esses últimos contavam com apoio de parte do exército. Um mês antes da sanção, um grupo de militares e policiais tramaram a derrubada do primeiro-ministro, sem sucesso.

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1977 - Sancionada a Lei do Divórcio

Jornal do brasil: Geisel sanciona lei sem vetos


O presidente Ernesto Geisel sancionou sem vetos a Lei 6.515, que regulamentou o divórcio no Brasil. De acordo com o porta-vz da presidência, Geisel teria cogitado em vetar o polêmico Artigo 38, que limita a uma única vez o pedido de divórcio, mas concluiu que o veto "alargaria demasiadamente o projeto, contrariando o que os legisladores decidiram". O presidente preferiu então deixar o próprio Congresso retirar a restrição.

O Artigo 38 incluído pelos deputados e senadores antidivorcistas colidia com a Emenda Constitucional de número 9, que institui a lei. Os juristas alertavam que o dispositivo impedia o acesso ao direito constitucional do divórcio à pessoa que, sendo solteira, tivesse casado com uma pessoa divorciada. Se esta pretendesse o divórcio, não poderia obtê-lo, por que o seu cônjuge já havia se separado uma vez. Assim, o segundo casamento torna-se-ia indissolúvel.

O senador Nelson Carneiro (MDB-RJ) autor da Lei do Divórcio, preparou naquele mesmo ano a emenda que iria acabar com a obrigatoriedade do divórcio único, mas o Artigo 38 só foi abolido em 1988.

Em 2007, a Lei 11.441 permitiu a realização de separações e divórcios consensuais, além de inventários em cartório sem a presença de um juiz. Para obter o benefício, o casal não poderá ter filhos menores de 18 anos ou incapazes, e deve estar casado há mais de uma ano. A lei reduziu a burocracia, o tempo e as custas dos processos. O que antes demorava em média seis meses, passou a ser feito em dias.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de divórcios no Brasil subiu 200% entre 1984 e 2007. Os divórcios concedidos passaram de 30.847, em 1984, para 179.342, em 2007.

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1983 - Joan Miró, o herói da arte

Jornal do Brasil: Joan Miró


Joan Miró i Ferrà costumava dizer que trabalhava como um jardineiro. O escultor e pintor catalão foi contemporâneo de Pablo Picasso e dividiu com ele a aversão ao regime franquista, a ditadura que a Espanha mergulhou depois de uma sangrenta guerra civil. O Ceifador é um mural desse período dramático, que esteve em exposição no Pavilhão Espanhol da Mostra Internacional, em Paris, em 1937, ao lado de Guernica, a famosa pintura de Picasso sobre o massacre de ocorrido na cidade espanhola com o mesmo nome. Três anos mais tarde o artista criou Constelações, que o tornou conhecido e popular entre os colecionadores de arte.

Apesar de ter ficado rico com a venda de suas obras, Miró fazia questão de afirmar que não se preocupava com o valor comercial de sua produção artística. Para demonstrar o seu desapego, queimou, em 1975, quase todas as telas que expôs no Grand Palais, em Paris.

Miró começou a trabalhar como contador em uma farmácia, aos 17 anos. O serviço causou-lhe um colapso nervoso. A partir daí, os pais resolveram aceitar a idéia de o filho freqüentar a Escola de Belas-Artes da capital catalã e a Academia de Gali. Em 1919, depois de completar os estudos, Miró foi a Paris, onde encantou-se com as tendências modernistas, como os fauvismo e dadaísmo, e conviveu com poetas, escritores e pintores.

Já em 1925, conheceu o fundador do movimento surrealista, André Breton, e participou da primeira exposição do gênero, com as telas Carnaval de Arlequim e Maternidade. Em seguida pintou, em 1928, Interiores holandeses I e Interiores holandeses II. Em 1944, iniciou-se em cerâmica e escultura. Miró inovou ao empregar materiais como a sucata principalmente nas esculturas.

No fim da sua vida reduziu os elementos de sua linguagem artística a pontos, linhas, alguns símbolos e passou a usar basicamente o branco e o preto. Morreu aos 90 anos cercado pela família em Palma de Maiorca.

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1951 - Salário Mínimo é reajustado em 251%


Jornal do Brasil: Vargas aumenta o mínimo em 251%

O presidente Getúlio Vargas assinou decreto-lei reajustando em 251% o salário mínimo, que passou de CR$ 380 para CR$1.200 nas capitais. O piso estava congelado [ havia 8 anos, e havia sofrido uma queda real de 65%, considerando-se a inflação aferida pelo índice de Preços ao Consumidor (IPC), da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).
Com a medida, Vargas deu início a um período de reajustes mais freqüentes, que recuperaram o poder de compra dos trabalhadores. Dois anos depois, Getúlio decidiu elevar novamente o valor do mínimo. Essa intenção foi tornada pública e provocou protestos no meio empresarial e junto à oposição. Apesar das reações, em julho de 1954 o presidente cumpriu o prometido, e aumentou o piso para CR$ 2.300.

O salário mínimo surgiu no Brasil em meados da década de 30, mas os seus valores só foram fixados por decreto em 1º de maio de 1940. O valor médio era de 220 mil réis. A lei passou a vigorar naquele mesmo ano.

Em outubro de 1961, ocorreu o primeiro reajuste do governo de João Goulart, no qual houve um total de seis reajustes. Depois do golpe de 1964, a política de aumento do salário mínimo foi modificada, abandonando-se a prática de recompor o valor real do salário no último reajuste. Os aumentos reais só deveriam ser concedidos quando houvesse ganho de produtividade. Os reajustes eram calculados levando-se em consideração a inflação. A nova política provocou uma forte queda salarial decorrente da subestimação da inflação por parte do governo.

Cálculo era feito por região
O cálculo da tabela do salário mínimo foi feito dividindo-se o país em 22 regiões, que compreendiam os 20 estados existente na época, mais o território do Acre e o Distrito Federal. Todas as regiões que correspondiam a estados foram divididas ainda em sub-regiões, num total de 50 sub-regiões. Para cada sub-região fixou-se um valor para o salário mínimo, num total de 14 valores distintos para todo o Brasil. A primeira tabela tinha um prazo de vigência de três anos, e em julho de 1943 foi dado um primeiro reajuste, seguindo-se um outro em dezembro do mesmo ano.

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1920 -Despojos de ex-monarcas são transladados para o Brasil

Jornal do Brasil: Cerimônia fúnebre


A cerimônia do translado dos restos mortais dos ex-imperadores Pedro II e Teresa Cristina de Lisboa para o Rio, foram imponentes e atraíram uma multidão às ruas da capital portuguesa. As janelas das casas por onde passou o cortejo fúnebre com várias carruagens foram forradas de colchas de seda, veludo e crepe negros. Autoridades do governo e da igreja fizeram discursos.

Os ataúdes foram levados para o encouraçado São Paulo, que partiu na mesma noite com destino ao Brasil. A bordo do navio foram prestadas honras de chefe de estado. Toda a esquadra de Portugal salvou com 21 tiros a entrada dos despojos na embarcação. A viagem durou 17 dias. Os despojos dos últimos imperadores brasileiros repousam na Catedral de Petrópolis, erguida sob o patrocínio de Pedro II, em um mausoléu especialmente construído para essa finalidade.

Os restos mortais dos ex-monarcas e os seus descendentes puderam voltar para o Brasil graças à revogação da Lei do Banimento. O decreto proibia que a família real residisse no país, mas permitia que eles dispusessem dos sues bens que estivessem em território nacional, além de conceder 5 mil contos mensais para que pudessem se estabelecer na Europa. Pedro II recusou o dinheiro e cumpriu a ordem de abandonar o país em 24 horas. A lei foi revogada por Epitácio Pessoa em 1920.

Teresa Cristina morreu 40 dias depois de ser banida, em um hotel de Lisboa. A imperatriz teria confessado à baronesa de Japurá, que ficara desgostosa com o tratamento dispensado a ela pelo governo provisório da República.

Pedro II morreu em Paris no dia 5 de Dezembro de 1891 no Hotel Bedford. Relatos da época asseguram que a procissão fúnebre do ex-imperador só foi menor que as dedicadas ao escritor Victor Hugo e ao ex-imperador francês Napoleão Bonaparte.

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1993 - África do Sul extingue regime racista

Jornal do Brasil: O fim do apartheid


O governo e a oposição negra da África do Sul aprovaram a primeira constituição democrática do país, que pôs fim ao regime de segregação racial, o apartheid. A constituição abria caminho para os negros chegarem ao poder nas próximas eleições, multipartidárias e multirraciais. A perspectiva não agradou os partidos brancos de extrema direita e nem conservadores negros.

O apartheid foi instituído por lei em 1948, pelo Partido Nacional (NP), que dominou a política por cerca de 40 anos. Durante décadas, os negros foram impedidos de ser proprietários de terra, de participar das decisões políticas, além de serem obrigados a viver confinados em zonas residenciais separadas dos brancos, os bantustões. Casamentos e relações sexuais entre pessoas de raças diferentes eram ilegais. Os negros não tinham também acesso à educação e à saúde.
Os conflitos raciais eram freqüentes, até que em 1960, a polícia matou 67 negros na favela de Sharpeville, que protestavam contra a segregação racial. O massacre chamou a atenção da opinião pública mundial para a crueldade do sistema racista sul-africano. Em conseqüência, o líder do Congresso Nacional Africano (CNA), Nelson Mandela, acusado de organizar a manifestação, foi preso em 1962 e condenado à prisão perpétua.

Já em 1984, uma revolta popular contra o apartheid levou o governo a decretar lei marcial no país. Em virtude das punições aplicadas, a ONU decretou sanções à África do Sul como forma de pressão pelo fim do regime separatista. Mandela foi libertado em 1990 e o CNA recuperou a legalidade.

O país realizou um plebiscito só para brancos, em 1992, no qual 69% dos votantes pronunciam-se pelo fim do apartheid.

Nelson Mandela liderou as mudançasO ativista e político sul-africano Nelson Mandela liderou a luta contra o regime de segregação racial. Mandela foi o primeiro presidente negro eleito no país, em 1994. Fundou em 1944 a Liga da Juventude do Congresso Nacional Africano (CNA), grupo de direitos civis, que lutava contra apartheid. Mandela iniciou em 1952 a campanha de desobediência civil às leis racistas. Depois de 28 anos na prisão, o líder é libertado e negocia a nova constituição com o presidente Frederick De Klerk. Este último pede perdão pelo apartheid. Um ano depois, De Klerk e Mandela recebem o Prêmio Nobel da Paz.

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1980 - Nelson Rodrigues, o 'anjo pornográfico'


Jornal do Brasil: 21 de dezembro de 1980

"O mundo é a casa errada do homem. Um simples resfriado que a gente tem, um golpe de ar, provam que o mundo é um péssimo anfitrião. O mundo não quer nada com o homem, daí as chuvas, o calor, as enchentes e toda sorte de problemas que o homem encontra para a sua acomodação, que aliás, nunca se verificou. O homem deveria ter nascido no Paraíso." Nelson Rodrigues.

A vida foi difícil para o dramaturgo e jornalista, autor de frases memoráveis e de peças que revolucionaram o teatro brasileiro. Além das tragédias que atingiram a sua família e o marcaram, Nelson foi internado várias vezes por causa da tuberculose, sofria com uma úlcera lhe causava dores terríveis e teve uma hemorragia intra-ocular, que o deixou parcialmente cego. Nelson foi o primeiro escritor a colocar em cena o cotidiano do subúrbio carioca, a abrir espaço para o uso da linguagem coloquial e a abandonar os temas açucarados.

Gostava de contar um episódio ocorrido com ele na escola onde estudava quando tinha 8 anos, ao participar de um concurso de redação, em 1920. A professora Amália mandou que cada aluno escrevesse sobre um tema livre. O melhor texto seria lido em voz alta na classe. Ao corrigir as redações, a professora levou um susto ao ler o trabalho de Nelson. O menino havia inventado um caso de adultério. Ele escreveu a história de um marido que chegava em casa, entrava no quarto e via a mulher nua na cama, e o vulto de um homem pulando a janela e sumindo na madrugada. O marido traído pegava uma faca e dava cabo da vida da mulher. Depois ajoelhava-se e pedia perdão. A redação estava perfeita, mas, segundo a avaliação da professora, não poderia ser lida na classe. A mestra então inventou um empate e leu a outra composição.


O autor de frases memoráveis

A peça Vestido de Noiva (1943), escrita em seis dias, foi considerada um divisor de águas na dramaturgia brasileira. A obra literária de Nelson é vasta, com 17 peças, centenas de contos e nove romances. O autor também foi cronista esportivo e torcedor fanático do Fluminense. As declarações do tipo "mulher tem que ser burra", "adoro visitar cemitérios" e "nem toda a mulher gosta de apanhar, só as normais" e "sou (e sempre fui) um anjo pornográfico" escandalizavam o público tanto quanto os seus textos inovadores.

Apesar dos temas ousados e do palavreado irreverente, os trabalhos de Nelson Rodrigues revelam um escritor conservador e nostálgico, e que, paradoxalmente, viveu um período de abertura e cosmopolitismo da sociedade carioca, quando surgiu a Bossa Nova.

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1996 - A astronomia popular de Carl Sagan

Jornal do Brasil: O intérprete das estrelas

O astrônomo Carl Edward Sagan dedicou-se à pesquisa e à divulgação da ciência. Sagan ganhou o prêmio Pulitzer de Literatura em 1978 com o livro Os Dragões do Éden e escreveu ao longo da sua vida mais de 20 obras. Um dos seus clássicos, Cosmos, foi transformado em seriado e tornou-se o programa de TV de maior audiência nos Estados Unidos, na década de 80. O cientista recebeu o prêmio Emmy pelo programa, que foi assistido por cerca de meio bilhão de pessoas em todo o mundo. O livro, que deu origem à série, ficou mais de 70 semanas na lista do New York Times das publicações mais vendidas. Sagan tinha a capacidade de tornar o conhecimento científico acessível ao grande público, expressando idéias complexas de maneira ao mesmo tempo simples e precisa.

O cientista pesquisou realizou pesquisas sobre atmosferas planetárias, exploração de planetas com veículos espaciais, e sobre a origem e formação do nosso planeta. O interesse pela busca de vida extraterrestre o levou a desenvolver trabalhos voltados para a escuta de sinais vindos do espaço cósmico. Sagan dizia: "Às vezes acredito que há vida em outros planetas, e às vezes acredito que não. Em qualquer caso, a conclusão é assombrosa".

Colaborou com os programas da Nasa e trabalhou com os astronautas do projeto Apolo, além de chefiar as missões Mariner e Viking, que enviaram naves não tripuladas a outros planetas do Sistema Solar. As sondas recolheram informações importantes sobre Vênus e Marte. A partir desse dados, o astrônomo pôde explicar como acontece o efeito estufa em Vênus, onde densas nuvens gás carbônico envolvem o planeta e retêm o calor na atmosfera, que assim alcança altas temperaturas. Sagan descobriu também as mudanças sazonais na atmosfera de Marte e a névoa avermelhada de Titâ, satélite de Saturno. Participou das missões Voyager e Galileu.

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1960 - ONU recusa proposta de plebiscito na Argélia

Jornal do Brasil: Argélia

A Assembléia-Geral da ONU recusou a proposta de 21 países afro-asiáticos de realização de um referendo com apoio internacional sobre a independência da Argélia. A região foi palco de sangrentas batalhas de 1954 a 1962, pela independência do território até então pertencente à França. A Guerra da Argélia caracterizou-se por ataques de guerrilha e atos de violência contra civis, com massacres e ações terroristas. Estavam envolvidos no confronto o exército e os colonos franceses, além Frente de Libertação Nacional (FLN) e outros grupos argelinos pró-independência.
A França ainda sofria na década de 50 os efeitos econômicos e sociais da Segunda Guerra Mundial. O país passou por uma sequência de governos instáveis, e enfrentou revoltas nas colônias na África. Em 1952, a França foi obrigada a abrir mão da Tunísia e do Marrocos. Dois anos mais tarde, o grupo armado Frente de Libertação Nacional (FNL) iniciou a luta pela independência da Argélia.

No auge da crise argelina, em 1958, os militares pressionaram a Assembléia Nacional a convidar o general Charles De Gaulle, herói da Segunda Guerra Mundial, para formar um novo governo, forte e conservador, que sufocasse a rebelião.

No ano seguinte, De Gaulle é eleito presidente, e tem início a 5ª república. Entretanto, o general decepcionou parte do eleitorado francês ao abrir negociações com a FNL para a independência da Argélia. Em conseqüência, os oficiais de direita do Exército revoltaram-se contra ele, provocando diversos atos terroristas e uma tentativa de assassiná-lo.

O referendo foi finalmente realizado em 1962. Seis milhões de argelinos votaram a favor da independência, e apenas 16 mil foram contrários a ela. De Gaulle assinou o Tratado de Évian, que deu independência à Argélia e restabeleceu a paz.

Séculos de dominação francesa

A Argélia transformou-se em um departamento de ultramar da França em 1847, controlado por uma minoria européia, os colonos. O nacionalismo argelino surgiu depois da Primeira Guerra Mundial, entre grupos de muçulmanos. A resistência dos colonos criou condições para a formação de um partido de militância antifrancesa.

Em 1954, a Frente de Libertação Nacional (FLN) iniciou a luta pela independência. Em 1962, o país foi declarado um estado socialista, com a FLN como a única organização política legal. Imediatamente, eclodiu a guerra civil entre as dissidências da Frente.

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1987 - Memórias de Marguerite Yourcenar

Jornal do Brasil: Marguerite Yourcenar


Marguerite Yourcenar deixou registrado em Memórias de Adriano (1951), seu livro mais conhecido e que ficou 5 meses na lista dos mais vendidos no Brasil, sua maneira de encarar a morte: "Tentemos, se pudermos, penetrar na morte de olhos abertos".
Yourcenar é um anagrama imperfeito do sobrenome verdadeiro, que é Crayencour. A escritora nasceu em Bruxelas, na Bélgica, em uma família de origem aristocrata. A mãe morreu poucos dias depois que Marguerite nasceu. Teve uma educação austera orientada pelo pai, que a fez estudar latim, grego, italiano e inglês, além de viajar constantemente com ela. Aos 8 anos já havia lido a obra de Jean Racine. Foi a primeira mulher eleita para Academia Francesa de Letras, em 1980, um reduto masculino durante quatro séculos.
Marguerite publicou seu primeiro livro, O Jardim das Quimeras (1920) aos 17 anos. Começou a fazer as primeiras anotações para escrever Memórias de Adriano em 1924, numa de suas viagens pela Itália, um romance histórico sobre as memórias desse imperador romano do século 2.

Em conseqüência da Segunda Guerra Mundial, em 1939, mudou-se para os Estados Unidos, e em 1947 naturalizou-se cidadã norte-americana. Viveu durante 40 anos na Ilha de Mount Desert, em Maine. A autora costumava comparar seu modo de vida solitário, longe de seu país de origem, ao do filósofo francês René Descartes, que viveu na Holanda e na Suécia, e ao do escritor Victor Hugo, que exilou-se em uma ilha da Normandia.

Pouco antes de morrer, Marguerite concluiu o livro Labirinto do Mundo. Entre seus romances, ensaios e poemas destacam-se também A Obra em Negro (1968), Mishima ou A Visão do Vazio (1981) e O Tempo, Esse Grande Escultor (1983).


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EUA instalam base em Fernando de Noronha

Jornal do brasil: EUA instalam base em Fernando de Noronha


Os Estados Unidos especulavam sobre a possibilidade de firmar um convênio para a construção em Fernando de Noronha de uma base para rastreamento de satélites operado Nasa. De acordo com o governo dos Estados Unidos , sem o posto de observação de Fernando de Noronha existiria um vazio de 2.400 quilômetros na chamada zona de provas, que vai do estado da Flórida até as Ilhas Britânicas de Ascensão, no Atlântico Sul.

Segundo o texto aprovado pelo Conselho de Segurança Nacional, as instalações deveriam ser construídas por especialistas e técnicos norte-americanos, assistidos por especialistas e técnicos brasileiros, sob comando de um oficial brasileiro. O prazo de vigência do convênio era de 5 anos. A base funcionou até 1965 e depois foi transformada no único hotel da ilha.

O pacto foi ratificado em 22 de janeiro de 1957 e complementou o Acordo Militar Brasil-Estados Unidos, assinado em 1952. A pressão norte-americana sobre o governo brasileiro para o fechamento de um acordo militar aumentou depois da explosão da terceira bomba atômica soviética em outubro de 1951. Segundo o convênio, o Brasil era obrigado a aderir a toda e qualquer ação de guerra que os Estados Unidos empreendessem em defesa do chamado mundo livre, contra o comunismo.

Cláusulas econômicas do pacto estabeleciam que o Brasil deveria adotar medidas de proteção aos produtos e capitais norte-americanos e a vender manganês, urânio e areias monazíticas por um preço abaixo do seu valor no mercado internacional. Adversários do acordo alertavam que o governo norte-americano tinha interesse em requisitar tropas brasileiras para a guerra da Coréia.

Já Em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial foi instalada uma base militar norte-americana e outra brasileira na ilha. Mas os conflitos armados passaram longe do arquipélago.

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1993 - STF confirma cassação de Collor


Jornal do Brasil: Collor fica inelegível por oito anos

O Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou a cassação do ex-presidente Fernado Collor de Mello imposta pelo Congresso em 1992. O político foi afastado do cargo por força de impeachment fundamentado em denúncias de corrupção. Como último recurso para preservar os direitos políticos, renunciou ao mandato antes do início do julgamento pelo Congresso, mas a sessão teve continuidade. A renúncia foi considerada um ato de esperteza política pelos ministros do STF. Collor foi sucedido pelo vice-presidente Itamar Franco, que exercia o cargo interinamente desde o afastamento do presidente em 2 de outubro. Ele ficou inelegível e impedido de exercer qualquer função pública por oito anos.

O político foi o primeiro presidente da República eleito por voto direto após a ditadura, em 1989. Tomou posse em 15 de março de 1990 e foi obrigado a deixar a presidência em 29 de dezembro de 1992.

Um ano depois de manter a cassação do ex-presidente, o STF absolveu Collor e PC Farias do crime de corrupção passiva. Por 5 votos a 3, os ministros do Supremo Tribunal Federal julgaram improcedente a denúncia do procurador-geral da República, Aristides Junqueira, alegando falta de provas. Foram apresentadas pelo procurador entre outros, os seguintes itens: uma gravação em que PC Farias revela ter cobrado da Mercedes-Benz uma doação para a campanha do ex-deputado Sebastião Curió, em 1990; disquetes de computador apreendidos pela Polícia Federal na Verax, uma das empresas de PC, com os registros da movimentação financeira do esquema de corrupção; e os cheques emitidos pelos fantasmas de PC e depositados na conta da secretária, Ana Acioli, entre outras. A defesa sustentou que não havia nenhum documento comprometedor assinado por Collor, quando este ainda era presidente.
Em 2006, o Collor foi novamente eleito, desta vez, como senador pelo estado de Alagoas.

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1966 - A fábrica de sonhos de Disney

Jornal do Brasil: Disney deixou um império


Walter Elias Disney tornou-se conhecido nas décadas de 20 e de 30 por seus personagens de desenho animado. Uma pesquisa realizada em 1955 revelou que o cineasta era a personalidade mais conhecida do Ocidente. Os
entrevistados o identificavam como o pai do Pato Donald e do Mickey. Mas só a partir de 1950, 25 anos depois da criação do famoso camundongo, suas produções começaram a dar lucro. Disney comentou que enfrentava muitas dificuldades para obter empréstimos porque os bancos tinham medo de suas empreitadas, mas depois do sucesso a situação se inverteu. Os bancos o procuravam para saber se ele precisava de dinheiro.

Disney e seus assistentes utilizaram os recursos técnicos dos filmes sonoros e coloridos inventados no fim da década de 20 e início da década de 30 com muita imaginação.

O primeiro desenho sonorizado foi Steamboat Willie, 1928 em que o próprio Disney dublava o Mickey. Surgiram, em seguida, outros personagens para contracenar com o ratinho: Minnie, Pato Donald, Pateta e Pluto. O produtor fez também o primeiro desenho animado de longa-metragem, Branca de Neve e os Sete Anões, lançado em 1940. As produções realizadas durante a Segunda Guerra Mundial fracassaram e Disney viu-se diante de um impasse: ou arriscava todo o dinheiro em um filme ou fechava as portas. Decidiu então filmar Cinderela. O desenho foi um sucesso e a empresa prosperou.

O primeiro longa com atores foi A Ilha do Tesouro, 1950. Depois produziu 20 mil Léguas Submarinas, baseado na obra do escritor francês Júlio Verne e pouco antes de morrer lançou Mary Poppins, uma mistura de desenho animado com personagens humanos. Disney foi o cineasta mais premiado com o Oscar, prêmio dado pela Academia de Cinema de Hollywood.

Cineasta criou império
Walt Disney inaugurou a Disneylândia, um superparque de diversões em Anaheim, na Califórnia, em 1955. O parque foi construído graças a uma parceria com a rede de televisão ABC. Após a morte do cineasta foi inaugurado a Disneyworld, perto de Orlando, na Flórida, com o Epcot Center, o Magic Kingdom, os estúdios MGM e o Disney Animal Kingdom, além dos parques aquáticos. O império criado por Disney inclui a também as filiais da Disneylândia em Paris e no Japão, canais de televisão e serviços de aluguel e venda de filmes, livros, e o direito de utilização das imagens dos personagens.

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1962 - Mariner 2 chega a Vênus

Jornal do Brasil: temperatura em Vênus é muito elevada


A Mariner 2 foi a primeira sonda a sobrevoar com sucesso o planeta Vênus, coletando informações que confirmaram que o segundo planeta mais próximo do Sol é muito quente. A sonda mediu as radiações de ondas térmicas que emanam da espessa camada de nuvens, que ocultam a superfície de Vênus. As nuvens são compostas de gás carbono (96,5%), que retém boa parte do calor solar, e nitrogênio (3,5%) e transformam o corpo celeste em um imenso forno, com temperaturas que variam de 250ºC a 475 ºC.

A possibilidade de vida no planeta ainda é um enigma. Há quem defenda a existência de bactérias semelhantes às observadas na Terra a temperaturas de 130º C.

As nuvens de gás carbônico se estendem entre 50 e 70km de altitude e se subdividem em três camadas. A camada superior é constituída principalmente por gotículas de ácido sulfúrico em solução aquosa. Nas camadas inferiores, essas gotículas produzem chuva de ácido sulfúrico, que se evapora bem antes de atingir o solo, formando uma região de névoa por debaixo das nuvens.
Vênus gira em torno de si próprio em 117 dias terrestres, mas, surpreendentemente, em sentido inverso ao dos outros planetas. O movimento de translação, a 35 km/s, leva 225 dias.

Sondas exploram o planeta

O primeiro satélite a ser lançado em direção à Vênus foi o Pioneer V, que partiu de Cabo Kennedy, nos EUA, em 1960. A missão fracassou porque os instrumentos da sonda deixaram de transmitir informações depois de algumas semanas de vôo. O mesmo aconteceu com a soviética Vênus I, lançada em 1962. O Mariner I, americano, explodiu na hora do lançamento. Outras sondas foram enviadas por americanos e russos. Desde 1990, a sonda Magalhães lançada pelos EUA está em órbita no planeta, enviando à Terra, imagens de radar, para mapear a superfície de Vênus.

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1981 - Governo polonês decreta estado de guerra

Jornal do Brasil: Líderes do Solidariedade são presos

O governo da Polônia impôs a lei marcial no país, e o Solidariedade, organização sindical independente do Partido Comunista, foi considerada ilegal. Os sindicalistas do Solidariedade, que comandaram as greves do estaleiro Gdansk, em 1980, contra o alto custo de vida e más condições de trabalho, foram presos. Também foram detidos opositores do regime e funcionários do governo.

A reação dos trabalhadores foi imediata. Panfletos feitos pelos operários das fábricas nos arredores de Varsóvia circularam pela capital polonesa, convocando uma greve geral contra o estado de guerra decretado pelo grupo liderado pelo general Wojciech Jaruzelski, que passou a governar o país. O panfleto considerava as leis de exceção como uma provocação brutal ao Solidariedade.

O primeiro-ministro Jaruzelski anunciou que os trabalhadores que não comparecessem ao serviço seriam fuzilados. Os civis que ocupavam postos no governo foram substituídos por especialistas militares. Em seu pronunciamento Jaruzelski disse que a intenção não era a instalação de uma ditadura militar, mas sim, uma tentativa de salvar a Polônia de uma catástrofe.

A comunicação com o resto do mundo foi bloqueada. Aeroportos e fronteiras foram fechados, e linhas telefônicas e telex foram cortados. Por falta de informação, não havia ainda sido confirmada a prisão de Lech Walesa, o fundador do Solidariedade.

As proibições impostas pelo novo chefe de estado incluíram o fechamento de organizações trabalhistas e estudantis, além do toque de recolher das 22h as 6h, e o cancelamento das viagens ao exterior. A venda de gasolina para carros particulares também foi suspensa.

Os líderes sindicais já ameaçavam fazer uma greve geral se o parlamento concedesse poderes especiais ao governo. O sindicato planejava convocar um referendo sobre o sistema político que os poloneses gostariam de ter, além de reivindicar eleições parlamentares livres.

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1958 - Juscelino lança operação contra a pobreza


Jornal do Brasil: Reunião de representantes de 21 países discutem solução para a fome nas Américas

A reunião de representantes dos 21 países que participaram da Operação Pan-Americana (OPA), iniciada em novembro, dedicou atenção especial ao problema do desenvolvimento econômico da América Latina.

A OPA foi sugerida pelo presidente Juscelino Kubitschek em plena Guerra Fria, caracterizada pelo conflito ideológico entre o capitalismo e o comunismo, polarizado pelos Estados Unidos e União Soviética.

A operação baseava-se na idéia de que a eliminação da probreza barraria o avanço do comunismo e propiciaria a expansão da democracia. Ainda de acordo com a proposta do presidente, as nações ricas, no caso das Américas, os Estados Unidos, deveriam investir no crescimento econômico dos países pobres.

O comitê estudou medidas visando a cooperação econômica e técnica entre as repúblicas latino-americanas. O presidente dos Estados Unidos David Eisenhower enviou nota de apoio à iniciativa do governo brasileiro. Em mensagem lida durante os trabalhos da comissão Juscelino Kubitschek disse que "a paz, a prosperidade e a segurança são inseparáveis".

Apesar dos esforços, a OPA não teve resultados práticos. Contudo, deve-se a suas propostas a fundação do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a Associação Latino Americana de Livre Comércio (ALALC), ambos criados em 1960 e, mais tarde, a Aliança para o Progresso do presidente John Kennedy.

O BID tornou-se uma instituição para financiamento de projetos na América Latina. A ALALC foi substituída pela Associação Latino Americana de Desenvolvimento e Integração (ALADI) em 1980, e foi a base jurídica para a constituição do Mercosul.

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1997 - Emissão de gases pode aquecer o clima do planeta


Jornal do Brasil: Redução dos gases poluentes não é eficiente

A União Européia alertou que o tratado assinado em Quioto, no Japão, não é eficiente no combate ao aquecimento do nosso planeta. Segundo os cientistas, se o Protocolo de Quioto for implementado com sucesso, a temperatura global deverá ser reduzida entre 1,4°C e 5,8°C até 2100. Entretanto, outros especialistas contestam esses números e alegam que para a meta ser atingida a diminuição dos gases poluentes deverá ser de 50% em relação aos níveis medidos em 1990.
O Protocolo de Quioto é um acordo internacional para reduzir as emissões de gases-estufa dos países industrializados, e para garantir um modelo de desenvolvimento limpo aos países em desenvolvimento. O documento prevê que os países signatários devem diminuir a emissão de gases entre 2008 e 2012. Para os países da União Européia, foi estabelecida a redução de 8%. Para os Estados Unidos, a diminuição prevista foi de 7% e, para o Japão, de 6%. O dióxido de carbono é o principal gás poluente a ser controlado, e corresponde a 84% das emissões, além de outros cinco gases. Entre esses, está o metano, responsável por 12% da poluição global.

A China e os países em desenvolvimento, como o Brasil, Índia e México, ainda não têm níveis de redução determinados. O tratado só entrou em vigor em 2005 depois da adesão da Rússia, porque era preciso que 55 países que juntos produzem 55% das emissões, assinassem o acordo.

Os Estados Unidos, o país que mais emite gases que provocam o efeito estufa (37%), retiraram-se do acordo em 2001. O tratado foi ratificado por 84 países. Destes, cerca de 30 já o transformaram em lei. Além da redução das emissões de gases, o Protocolo de Quito estabelece outras medidas, como o estímulo à substituição do uso dos derivados de petróleo pelo da energia elétrica e do gás natural.

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1964 - Racistas vão a júri nos EUA

Jornal do Brasil:  Assassinato triplo chocou os EUA

O Departamento Norte-americano de Justiça anunciou que os 21 brancos acusados de envolvimento no assassinato de três ativistas dos direitos civis, na localidade de Neshoba, Mississipi, serão levados a um júri federal. Entre os acusados estavam um pastor, um xerife e o seu ajudante, identificados como membros da Ku Klux Klan, grupo racista que perseguia e matava os negros no EUA. O caso inspirou o filme "Mississipi em Chamas", de Alan Parker (1988) e causou indignação na população dos EUA.

As vítimas foram Michael Schwerner, 24, e Andrew Goodman, 20, ambos de Nova York, e James Chaney, 21, que vivia na cidade de Meridan, no Mississipi. Os três participavam de uma campanha pelo direito de voto dos negros no Sul dos EUA.

Em junho, época de férias escolares, os três saíram para investigar uma denúncia de que a Klu Klux Klan havia espancado membros de uma igreja e em seguida incendiado o local. No caminho, policiais pararam o veículo deles e os prenderam por excesso de velocidade.
Horas depois, os três foram libertados, mas o carro em que estavam foi perseguido por 20 membros da Ku Klux Klan, que, segundo a promotoria, eram liderados pelo pastor Edgar Ray Killen.

Os corpos dos três jovens, com sinais de espancamento e crivados de balas, foram retirados 44 dias depois de um açude, pelo FBI (polícia federal americana).
Em 1967, Killen foi absolvido pelo júri composto por brancos. Sete outras pessoas foram condenadas, mas nenhuma delas cumpriu pena maior que seis anos de prisão. Depois de 41 anos, Killen foi levado a novo julgamento e considerado culpado de assassinato não-intencional.

Crime motivou lei contra o racismo
O caso serviu como base para o então presidente dos EUA Lyndon Johnson aprovar junto ao Congresso a Lei dos Direitos Civis, no mesmo ano. Os dispositivo proibia a discriminação em lugares públicos e autorizava o governo a processar qualquer estado que promovesse a segregação racial ou impusesse restrições raciais aos eleitores.

Antes da lei, filhos de negros não podiam estudar na mesma escola dos que os filhos dos brancos. Os passageiros negros só podiam ocupar os assentos dos fundos dos ônibus, além de ter que ceder seus lugares aos brancos em pé. Um homem negro poderia ser assassinado se olhasse ou conversasse com mulheres brancas.

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1977 - Os mistérios de Clarice

Jornal do Brasil: Clarice Lispector

Clarice Lispector formou-se em Direito mas nunca advogou. A autora vivia de uma maneira simples, ocupando-se ela própria dos afazeres domésticos e vendo novelas na TV. Queixava-se de que não tivera a sorte de encontrar boas editoras. A escritora consagrada, com 15 livros publicados e parte deles traduzidos para 5 idiomas, não conseguia manter-se somente com o pagamento dos direitos autorais. Sustentava-se com o trabalho de jornalista e de tradutora.
O jornalismo foi a profissão que ela exerceu até dois meses antes de sua morte. A primeira matéria de Clarice, Onde se ensinará a ser feliz, foi publicada em 1941, no Diário do Povo, de Campinas ((SP), e relatava a visita da primeira-dama da República, Darcy Vargas, a um orfanato para meninas. No ano seguinte, a escritora foi contratada como redatora de A Noite e obteve seu registro profissional. Assinou colunas femininas durante quase duas décadas até ingressar no Jornal do Brasil, em 1967. Alberto Dines, a pedido de Otto Lara Resende, convidou-a para trabalhar no recém-criado Caderno B. A seção de cultura saía de terça a sexta e, ainda não havia um cronista para a página 2. Clarice escreveu durante seis anos para o JB, na mesma época de Carlos Drumond de Andrade.
A partir de 1968, veio o sucesso como entrevistadora na Revista Manchete e, depois, na Revista Fatos & Fotos, onde sua última colaboração saiu em outubro de 1977.

Método de costurar pensamentos
A ucraniana de origem judaica, que chegou ao Brasil com dois meses de idade, influenciou praticamente todos os escritores brasileiros, que vieram depois dela. Clarice dizia que o seu método de trabalho era o de "costurar para dentro". A técnica, que inventou, consistia em anotar as frases que lhe vinham a cabeça durante todo o dia, para em uma segunda fase, reunir os pensamentos e idéias "nascidos aos pedaços."
As primeiras anotações deram origem, em 1944, ao livro Perto do Coração Selvagem. em seguida, O Lustre, 1946.

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1913 - Presidente casa-se com caricaturista

Jornal do Brasil: Hermes da Fonseca casa-se com Nair de Tefé


O então Presidente da República Marechal Hermes Rodrigues da Fonseca, 58 anos, casou-se com a caricaturista Nair de Tefé, 27, no Palácio do Rio Negro, em Petrópolis, em uma cerimônia discreta. Um trem oficial transportou os convidados até a cidade serrana. Nair ganhou muitas jóias de presente. Quinze dias depois de celebrada a união, o casal promoveu uma festa no Rio para receber o corpo diplomático.
Rica e elegante, a filha do Barão de Tefé deixou a carreira de caricaturista iniciada em 1906 sob o pseudônimo de Rian depois do casamento. Nair estudou na França, onde foi morar ainda bebê e só voltou ao Brasil aos 17 anos. A primeira-dama quebrava o formalismo da residência oficial no Palácio do Catete ao reunir os amigos para cantar e tocar violão, um instrumento, na época, associado à boemia. Provocou um escândalo quando organizou o recital de lançamento do Corta Jaca, um maxixe composto por Chiquinha Gonzaga. Os versos da música diziam: Essa dança é buliçosa/ tão dengosa/que todos querem dançar/Não há ricas baronesas, nem marquesas/que não queiram requebrar.

O então senador da República Rui Barbosa, que havia perdido a eleição presidencial para Hermes da Fonseca, ficou furioso e acusou a primeira-dama de quebrar o protocolo e divulgar músicas lascivas e vulgares. Em resposta, Nair fez uma caricatura de Rui Barbosa.

O presidente da República, às voltas com o combate de rebeliões durante toda a sua gestão, não repreendia a mulher. O chefe de estado ficara viúvo em novembro de 1912 de Orsina Francisca, mãe de seus sete filhos. Foi um dos dois únicos militares a chegar na presidência através do voto direto. O outro foi Eurico Gaspar Dutra.

Convivência de uma década
O casamento durou 10 anos. Ao deixar a presidência, em 1914, Hermes candidatou-se ao Senado pelo Rio Grande do Sul. Ganhou a vaga mas não quis tomar posse. Viajou para a Europa, afastando-se da política, e só retornou ao Brasil seis anos depois. Em 1922, Hermes se envolveu na Revolta do Forte de Copacabana e foi preso a mando do presidente Epitácio Pessoa. O marechal morreu poucos meses depois de deixar a prisão. Nair ficou deprimida e só voltou a fazer caricaturas em 1926. Nessa mesma época, adotou três crianças - Carmem, Tânia e Paulo. Escreveu seu livro de memórias aos 88 anos e morreu aos 95.

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1988 - Transplante duplo de órgãos é bem-sucedido


Jornal do Brasil: Transplante de de coração e pulmão para um único receptor

A equipe de 10 médicos chefiada pelo cardiologista José Pedro da Silva fez pela primeira vez na América Latina um transplante bem-sucedido de coração e pulmão em um único receptor. A cirurgia foi realizada no Hospital de Beneficência Portuguesa, em São Paulo. A intervenção durou mais de seis horas, e segundo os médicos, o paciente reagiu bem e acordou disposto. O modelista e cortador de tecidos Cristóvão Augusto da Silva, 41 anos, paulistano, casado e pai de quatro filhos, estava internado há 20 dias.

Os médicos vinham se preparando há quatro anos para fazer a troca simultânea de órgãos e já haviam executado 3.500 cirurgias cardíacas e dois transplantes de coração. Com o domínio da técnica, o único obstáculo para a operação era a falta de doadores.

A mesma equipe realizou em 1992 o primeiro transplante em um paciente, preservando o coração original e implantando o órgão do doador como auxiliar.

Já no fim da década de 60, os cirurgiões do Instituto do Coração (InCor), da Universidade de São Paulo (USP) foram os pioneiros no transplante de coração na América Latina. O cardiologista Euclydes de Jesus Zerbini realizou o primeiro transplante de coração no Brasil, menos de seis meses depois de o médico sul-africano Christian Barnard realizar a primeiro troca do órgão do mundo, na cidade de Captown.

Delmont Bittencourt, assistente de Zerbini, viajou para a África do Sul logo após o procedimento pioneiro, onde reuniu as informações para a realização do transplante no Brasil. Houve problemas de rejeição nas primeiras operações. Dos três primeiros pacientes transplantados no Brasil, só um sobreviveu por cerca de um ano. O primeiro transplantado de Barnard morreu 17 dias após o transplante cardíaco.

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1983 - São Miguel das Missões é bem cultural da Humanidade

Jornal do Brasil: Missóes torna-se bem cultural
São Miguel das Missões, a 500 quilômetros de Porto Alegre (RS) , foi declarado Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco. A redução, nome dado às comunidades administradas por jesuítas, é um dos povoados que formam os Sete Povos das Missões. Os jesuítas fundaram entre os séculos 17 e 18 várias aldeias na fronteira entre a Bolívia, Brasil, Argentina e Paraguai , com o intuito de catequizar os índios. Sete Povos das Missões fica no brasileiros da região ocupada pelos padres espanhóis.
São Miguel foi fundada em 1632 às margens do Rio Ibicuí e foi alvo de vários saques de aventureiros e bandeirantes. O povoado foi reconstruído em 1687, passando por um período de prosperidade, tornando-se a capital dos Sete Povos das Missões. O local chegou a ser habitado por 1,4 mil famílias. A redução abriga o maior legado da Região das Missões - o sitio arqueológico de São Miguel Arcanjo. A importância cultural das ruínas da Igreja de São Miguel foi comparada pelos consultores da Unesco à do Coliseu, na Itália e da Acrópole, na Grécia. O sítio é um dos principais vestígios do período das Missões Jesuíticas dos Guarani em todo o mundo.
A construção da igreja foi iniciada em 1735 e levou 10 anos para ser concluída. O monumento em pedra de arenito foi erguido em três etapas: a nave, a torre e o pórtico. Os altares em talha dourados e as esculturas em madeira no estilo barroco foram feitas pelos índios Guarani. Tudo está preservado no Museu das Missões. O acervo é constituído de cerca de 100 imagens de santos em madeira policromada, que variam do tamanho de alguns centímetros até mais de 2 metros de altura. O responsável pela obra foi o padre jesuíta italiano Gean Battista Primoli.

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1967 - Funai é criada para substituir SPI

Jornal do Brasil: Povos indígenas em guerra

A Fundação Nacional do Índio (Funai) substituiu o Serviço de Proteção ao Índio (SPI), criado em 1910. A mudança ocorreu em meio a graves conflitos. Grupos indígenas declaravam guerra entre si, e muitos morriam em combate. Tropas do governo se deslocavam para o interior de Rondônia para reprimir índios que supostamente teriam atacado um povoado no interior daquele Estado.

O SPI apurava denúncias de que o dono do seringal de Itabira teria aprisionado uma índia de 12 anos, para a menina servir de divertimento para os seringueiros. A crueldade irritou os índios, que teriam invadido o seringal.

A Funai absorveu as funções e o patrimônio do SPI, do Parque Nacional do Xingu e do Conselho de Proteção ao Índio. A Fundação é responsável pela educação básica dos índios, pela demarcação e proteção das terras por eles tradicionalmente ocupadas e de fazer o levantamento dos povos existentes no Brasil. Dos cerca de 4 milhões de índios que habitavam o país na época da chegada de Cabral restaram apenas 200 mil. Entre estes estão os Aimoré, também chamados de Botocudo, Avá-Canoeiro, Bororó, Caeté, Caiapó, Carijó, Goitacá e Ianomâmi.

O primeiro chefe do SPI foi um descendente de índios, o marechal Cândido Mariano da Silva Rondon. É dele a frase "Morrer, se preciso for; matar nunca". Rondon teve seu primeiro contato com os povos indígenas quando foi designado para a comissão de construção da linha telegráfica que ligaria Mato Grosso a Goiás. Como chefe do Distrito Telegráfico de Mato Grosso, o militar formado pela Escola Superior de Guerra, abriu caminhos, mapeou terrenos e, principalmente, estabeleceu relações cordiais com os índios. Rondon reconheceu o direito deles à posse da terra e de viver de acordo com os próprios costumes.

Rondon realiza expedições à Amazônia

O marechal Cândido Mariano da Silva Rondon foi o primeiro a realizar expedições para explorar a Amazônia. O trabalho do sertanista é reconhecido internacionalmente. Em 1913, o ex-presidente dos Estados Unidos Theodore Roosevelt manifestou o interesse de fazer com Rondon uma expedição científica à Amazônia. Rondon propôs a Roosevelt descerem o Rio da Dúvida, que nasce no Estado de Rondônia, para mapear seu curso. Durante a viagem descobriu-se uma área correspondente ao Estado do Rio Grande do Sul, que ainda não havia sido mapeada. O Rio da Dúvida passou a chamar-se Rio Roosevelt. O ex-presidente dos EUA escreveu o livro Pelas selvas brasileiras, em que relata a aventura.

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1977 - Festa de coroação milionária


Jornal do Brasil: Coroação de ditador custa 10 milhões de dólares
Depois de ocupar os cargos criados por ele próprio de presidente vitalício da República-Centro Africana e de marechal do exército, o ditador Jean Bedel Bokassa proclamou-se imperador da monarquia hereditária daquela país, sob o nome de Bokassa I. A festa de coroação do ex-soldado do exército colonial francês consumiu 10 milhões de dólares e foi inspirada na cerimônia que concedeu a Napoleão Bonaparte, ídolo de Bokassa, o título de dignidade imperial em 1804.

Bokassa deixou o palácio onde morava em uma carruagem de 8 toneladas enfeitada de ouro e dirigiu-se ao local da cerimônia onde recebeu a coroa de ouro cravejada de brilhantes, o longo manto e sentou-se no trono em forma de águia com 3 metros de altura por 4 metros de largura.

Todo o trajeto do imperador foi enfeitado com um total de 15 toneladas de flores importadas da Europa. A comida servida no banquete de veio da África do Sul. Bokassa pagou as despesas de viagem dos 3 mil convidados de outros países, além de construir especialmente um bairro com modernas casas pré-fabricadas para alojar os hóspedes.

O luxo da comemoração contrastava com a situação do país, uma das economias mais pobres da África. Os 2,5 milhões de habitantes tinham renda per capita anual de 176 dólares e 82% da população era analfabeta.

Bokassa governou com mão de ferro

A República Centro-Africana tornou-se independente da França em 1960. Jean Bedel Bokassa assumiu o poder em 1966, depois de derrubar outro ditador, David Dacko. Governou com mão de ferro, assassinou opositores e decretou que os ladrões tivessem a orelha cortada. Mas a truculência do tirano opunha-se ao seu sentimentalismo. Bokassa caiu em prantos ao visitar o túmulo do ex-presidente da França Charles de Gaulle, a quem admirava, dizendo: "Papai foi embora. Papai não está mais conosco". Bokassa foi deposto em 1979, após resistir a várias tentativas de golpe.

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1959 - Oficiais rebelam-se contra JK

Jornal do Brasil: 6 de dezembro de 1959

A Revolta de Aragarças reuniu oficiais da Força Aérea Brasileira (FAB) e do Exército, além de alguns civis, chefiados pelo major aviador Haroldo Veloso e pelo tenente-coronel João Paulo Moreira Burnier, contra o então presidente da República, Juscelino Kubischek. O estopim, que culminou com o primeiro seqüestro de avião do país, foi o fato de Jânio Quadros recusar-se a concorrer ao cargo de presidente, como candidato apoiado pelos partidos de oposição. Os rebeldes acusavam também o então governador gaúcho Leonel Brizola de liderar uma conspiração comunista no Sul e ameaçavam levar para o "paredão os que tripudiavam sobre a miséria do povo". A intenção era bombardear os palácios das Laranjeiras e do Catete, no Rio, e ocupar as bases de Santarém e Jacareacanga, no Pará.

Os rebeldes seqüestraram quatro aviões e os desviaram para Aragarças. O local fora escolhido porque era um centro de oficiais geograficamente importante e caminho de rotas aéreas. Na visão dos organizadores do protesto, aquele seria um ponto de difusão da luta porque serviria de encontro e ligação de aeronaves vindas do Rio de Janeiro e de outras capitais.

Dois C-47 e um Beechcraft, que decolaram sem permissão da Base Aérea do Galeão, foram desviados para Aragarças (GO). O primeiro tinha Haroldo Veloso como passageiro, que em vôo assumiu a direção da aeronave, e o segundo era comandado por João Paulo Moreira Burnier. O Beechcraft fora seqüestrado em Belo Horizonte pelo major Washington Mascarenhas e era de propriedade particular.

Os três aviões aterrissaram e aguardaram na pista a chegada de um Constelation que fora também seqüestrado em vôo para Belém, pelo major Eber Teixeira Pinto.

O levante não conseguiu adesões. O político Carlos Lacerda, considerado um aliado do movimento, não apoiou os rebeldes e ainda os denunciou ao Ministro da Guerra. Os insurgentes ficaram isolados e a rebelião foi sufocada em apenas 36 horas. Os líderes fugiram de avião para o Paraguai, Bolívia e Argentina, e só retornaram ao Brasil no governo Jânio Quadros.

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1997- Samba da Central a Oswaldo Cruz


Jornal do brasil: Caravana do Samba dia 2 de dezembro de 1997

O Dia do Samba foi criado nos anos 50, por iniciativa de Luis Monteiro da Costa, vereador da Câmara Municipal de Salvador e professor de história, para homenagear Ary Barroso. O músico já havia composto o sucesso Na Baixa do Sapateiro, que exalta as tradições da capital da Bahia, mas nunca havia posto os pés naquela cidade.

A data escolhida para festejar o ritmo musical nascido na Praça 11 do Rio foi aquela na qual o grande compositor visitou pela primeira vez Salvador. Anos mais tarde em 1962, durante a realização no I Congresso Nacional do Samba, no então Estado da Guanabara, o deputado estadual Frota Aguiar conseguiu aprovar um projeto de lei que tornou a comemoração um evento nacional. Desde 1972, a data é celebrada nas ruas das duas cidades.

No Dia Nacional do Samba no Rio, os trens da Central do Brasil que partem às 18h com destino a Oswaldo Cruz ficam repletos de pagodeiros. Cada vagão transporta um grupo de sambistas famoso ou não, que vai tocando e cantando até chegar ao bairro onde nasceu Paulo da Portela. O trem só pára na estação de Mangueira para a Velha Guarda da Verde-e-Rosa entrar, e segue em frente. Em Oswaldo Cruz, todos desembarcam, e se formam várias rodas de samba que vão se espalhando até tomar conta de todo o bairro. A festa só termina ao amanhecer. O Pagode do trem é uma iniciativa do movimento Acorda Oswaldo Cruz.

Vagão de trem foi sede da Portela

O Pagode do Trem foi criado na década de 20 por Paulo Benjamin de Oliveira, um dos fundadores da Portela, que mais tarde adotou o nome da escola de samba como seu sobrenome. Naquela época, o objetivo não era comemorar o Dia Nacional do Samba. Os sambistas eram perseguidos pela polícia e a Portela ainda não tinha uma sede. Assim, os sambistas da escola iam ao encontro de Paulo na Estação da Central, e partiam rumo ao subúrbio. Da Central até Oswaldo Cruz, o vagão onde eles se reuniam transformava-se na sede provisória da Portela. Os sambas eram cantados, escolhidos. Tudo o que se referia à escola de samba era acertado ali.


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1974 - Pioneer 11 visita Sistema Solar

Jornal do Brasil: Pioneer visita Sistema Solar


A Pioneer 11 chegou a 880 mil quilômetros de Júpiter, o ponto crítico de sua viagem pelo espaço, que foi iniciada há um ano. A sonda passou pelo cinturão de asteróides de Júpiter em abril e aproximou-se do planeta em dezembro. O cinturão é composto por milhões de corpos sólidos, que vão desde partículas de pó estelar até massas de rochas de quilômetros de diâmetro.

A nave passou a 43 mil quilômetros do topo das nuvens do maior planeta do sistema solar, o que permitiu tirar fotos nítidas da Grande Mancha Vermelha, fazer as primeiras observações das regiões polares, e determinar a massa de Calisto, uma das luas de Júpiter.

Depois de Júpiter, a Pioneer 11 alcançou Saturno em setembro de 1979, tirou as primeiras fotos do planeta, além de ter descoberto dois novos satélites pequenos, um anel adicional, mediu o campo magnético e ainda descobriu que Titan, uma lua gigantesca de Saturno, é muito fria para abrigar vida. Em seguida, partiu para Urano.

A Pioneer 11 foi projetada para acompanhar a Pioneer 10, lançada em 1972. Ambas foram programadas para ultrapassar os limites do sistema solar em busca de habitantes de outras constelações para entregar-lhes uma mensagem da humanidade, que foi gravada em uma placa de ouro. Lá está um esquema simplificado da nave, um mapa do sistema solar, a trajetória percorrida desde a saída da Terra e ainda as figuras de um homem e uma mulher.

A Pioneer 10 foi a primeira a chegar a Júpiter. Também enviou informação sobre os cinturões de radiação, localizou campos magnéticos e constatou que o maior planeta do sistema solar é gasoso. A sonda passou pela órbita de Plutão, estudou o vento do Sol e os raios cósmicos, que invadem a parte da Via Láctea onde está a Terra.

Exploração de outras galáxias

A missão da Pioneer 11 encerrou-se em 1995, quando as fontes de energia elétrica se esgotaram e a sonda deixou de enviar informações para a Terra. Em sua viagem até as profundezas do espaço, a nave dirige-se atualmente para a constelação da Águia, e deverá chegar a uma das suas estrelas dentro de uns quatro milhões de anos.

Já a Pioneer 10, que foi criada para funcionar por dois anos, durou mais de 30. A última comunicação com a Terra ocorreu em 2003, com a transmissão de um sinal eletromagnético fraco, que levou 10 horas chegar à Terra . Agora, a nave desloca-se em direção à estrela vermelha Aldebarã, no centro da constelação de Touro e deve demorar dois milhões de anos para chegar a seu destino final.

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