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1996 - A astronomia popular de Carl Sagan

Jornal do Brasil: O intérprete das estrelas

O astrônomo Carl Edward Sagan dedicou-se à pesquisa e à divulgação da ciência. Sagan ganhou o prêmio Pulitzer de Literatura em 1978 com o livro Os Dragões do Éden e escreveu ao longo da sua vida mais de 20 obras. Um dos seus clássicos, Cosmos, foi transformado em seriado e tornou-se o programa de TV de maior audiência nos Estados Unidos, na década de 80. O cientista recebeu o prêmio Emmy pelo programa, que foi assistido por cerca de meio bilhão de pessoas em todo o mundo. O livro, que deu origem à série, ficou mais de 70 semanas na lista do New York Times das publicações mais vendidas. Sagan tinha a capacidade de tornar o conhecimento científico acessível ao grande público, expressando idéias complexas de maneira ao mesmo tempo simples e precisa.

O cientista pesquisou realizou pesquisas sobre atmosferas planetárias, exploração de planetas com veículos espaciais, e sobre a origem e formação do nosso planeta. O interesse pela busca de vida extraterrestre o levou a desenvolver trabalhos voltados para a escuta de sinais vindos do espaço cósmico. Sagan dizia: "Às vezes acredito que há vida em outros planetas, e às vezes acredito que não. Em qualquer caso, a conclusão é assombrosa".

Colaborou com os programas da Nasa e trabalhou com os astronautas do projeto Apolo, além de chefiar as missões Mariner e Viking, que enviaram naves não tripuladas a outros planetas do Sistema Solar. As sondas recolheram informações importantes sobre Vênus e Marte. A partir desse dados, o astrônomo pôde explicar como acontece o efeito estufa em Vênus, onde densas nuvens gás carbônico envolvem o planeta e retêm o calor na atmosfera, que assim alcança altas temperaturas. Sagan descobriu também as mudanças sazonais na atmosfera de Marte e a névoa avermelhada de Titâ, satélite de Saturno. Participou das missões Voyager e Galileu.

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1987 - Memórias de Marguerite Yourcenar

Jornal do Brasil: Marguerite Yourcenar


Marguerite Yourcenar deixou registrado em Memórias de Adriano (1951), seu livro mais conhecido e que ficou 5 meses na lista dos mais vendidos no Brasil, sua maneira de encarar a morte: "Tentemos, se pudermos, penetrar na morte de olhos abertos".
Yourcenar é um anagrama imperfeito do sobrenome verdadeiro, que é Crayencour. A escritora nasceu em Bruxelas, na Bélgica, em uma família de origem aristocrata. A mãe morreu poucos dias depois que Marguerite nasceu. Teve uma educação austera orientada pelo pai, que a fez estudar latim, grego, italiano e inglês, além de viajar constantemente com ela. Aos 8 anos já havia lido a obra de Jean Racine. Foi a primeira mulher eleita para Academia Francesa de Letras, em 1980, um reduto masculino durante quatro séculos.
Marguerite publicou seu primeiro livro, O Jardim das Quimeras (1920) aos 17 anos. Começou a fazer as primeiras anotações para escrever Memórias de Adriano em 1924, numa de suas viagens pela Itália, um romance histórico sobre as memórias desse imperador romano do século 2.

Em conseqüência da Segunda Guerra Mundial, em 1939, mudou-se para os Estados Unidos, e em 1947 naturalizou-se cidadã norte-americana. Viveu durante 40 anos na Ilha de Mount Desert, em Maine. A autora costumava comparar seu modo de vida solitário, longe de seu país de origem, ao do filósofo francês René Descartes, que viveu na Holanda e na Suécia, e ao do escritor Victor Hugo, que exilou-se em uma ilha da Normandia.

Pouco antes de morrer, Marguerite concluiu o livro Labirinto do Mundo. Entre seus romances, ensaios e poemas destacam-se também A Obra em Negro (1968), Mishima ou A Visão do Vazio (1981) e O Tempo, Esse Grande Escultor (1983).


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