Arquivo de December 2008

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1978 - Fim do regime franquista

Jornal do Brasil: Rei Juan Carlos sanciona Constituição


O rei Juan Carlos inaugurou uma nova era política na Espanha ao sancionar formalmente a nova Constituição, que relegou o regime franquista ao passado. Segundo o rei, o documento marca um novo período de grandeza para o país. O general Franco comandou durante 35 anos uma ditadura fascista iniciada logo após o fim da Guerra Civil Espanhola, em 1939. O conflito entre as forças nacionalistas de direita e o regime republicano eleito, de tendência socialista, resultou na morte de mais de 500 mil pessoas, e serviu de ensaio bélico para a Segunda Guerra Mundial.
A guerra começou com o levante do exército espanhol no Marrocos em julho de 1936, e, apesar dos êxitos inicias, se estendeu por três anos.

A Alemanha de Hitler e a Itália de Mussolini apoiaram os direitistas, enquanto a União Soviética apoiou os republicanos. Nas Brigadas Internacionais lutaram voluntários de diversos paises, inclusive brasileiros, na defesa da República e dos ideais socialistas. Dez mil desses voluntários perderam a vida em combate. A destruição de Guernica pela aviação nazista tornou-se um símbolo do confronto. No intenso bombardeio aéreo, que durou cerca de duas morreram 1.600 pessoas, a maioria civis.

Com a morte de Franco, em 1975, o Conselho de Regência assumiu o governo até ser instaurada a monarquia parlamentarista e convocadas eleições democráticas, em 1977. A Constituição foi aprovada por um referendo no mês de dezembro.

A transição teve de superar as resistências de radicais da extrema esquerda e de franquistas da extrema direita. Esses últimos contavam com apoio de parte do exército. Um mês antes da sanção, um grupo de militares e policiais tramaram a derrubada do primeiro-ministro, sem sucesso.

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1977 - Sancionada a Lei do Divórcio

Jornal do brasil: Geisel sanciona lei sem vetos


O presidente Ernesto Geisel sancionou sem vetos a Lei 6.515, que regulamentou o divórcio no Brasil. De acordo com o porta-vz da presidência, Geisel teria cogitado em vetar o polêmico Artigo 38, que limita a uma única vez o pedido de divórcio, mas concluiu que o veto "alargaria demasiadamente o projeto, contrariando o que os legisladores decidiram". O presidente preferiu então deixar o próprio Congresso retirar a restrição.

O Artigo 38 incluído pelos deputados e senadores antidivorcistas colidia com a Emenda Constitucional de número 9, que institui a lei. Os juristas alertavam que o dispositivo impedia o acesso ao direito constitucional do divórcio à pessoa que, sendo solteira, tivesse casado com uma pessoa divorciada. Se esta pretendesse o divórcio, não poderia obtê-lo, por que o seu cônjuge já havia se separado uma vez. Assim, o segundo casamento torna-se-ia indissolúvel.

O senador Nelson Carneiro (MDB-RJ) autor da Lei do Divórcio, preparou naquele mesmo ano a emenda que iria acabar com a obrigatoriedade do divórcio único, mas o Artigo 38 só foi abolido em 1988.

Em 2007, a Lei 11.441 permitiu a realização de separações e divórcios consensuais, além de inventários em cartório sem a presença de um juiz. Para obter o benefício, o casal não poderá ter filhos menores de 18 anos ou incapazes, e deve estar casado há mais de uma ano. A lei reduziu a burocracia, o tempo e as custas dos processos. O que antes demorava em média seis meses, passou a ser feito em dias.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de divórcios no Brasil subiu 200% entre 1984 e 2007. Os divórcios concedidos passaram de 30.847, em 1984, para 179.342, em 2007.

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1993 - África do Sul extingue regime racista

Jornal do Brasil: O fim do apartheid


O governo e a oposição negra da África do Sul aprovaram a primeira constituição democrática do país, que pôs fim ao regime de segregação racial, o apartheid. A constituição abria caminho para os negros chegarem ao poder nas próximas eleições, multipartidárias e multirraciais. A perspectiva não agradou os partidos brancos de extrema direita e nem conservadores negros.

O apartheid foi instituído por lei em 1948, pelo Partido Nacional (NP), que dominou a política por cerca de 40 anos. Durante décadas, os negros foram impedidos de ser proprietários de terra, de participar das decisões políticas, além de serem obrigados a viver confinados em zonas residenciais separadas dos brancos, os bantustões. Casamentos e relações sexuais entre pessoas de raças diferentes eram ilegais. Os negros não tinham também acesso à educação e à saúde.
Os conflitos raciais eram freqüentes, até que em 1960, a polícia matou 67 negros na favela de Sharpeville, que protestavam contra a segregação racial. O massacre chamou a atenção da opinião pública mundial para a crueldade do sistema racista sul-africano. Em conseqüência, o líder do Congresso Nacional Africano (CNA), Nelson Mandela, acusado de organizar a manifestação, foi preso em 1962 e condenado à prisão perpétua.

Já em 1984, uma revolta popular contra o apartheid levou o governo a decretar lei marcial no país. Em virtude das punições aplicadas, a ONU decretou sanções à África do Sul como forma de pressão pelo fim do regime separatista. Mandela foi libertado em 1990 e o CNA recuperou a legalidade.

O país realizou um plebiscito só para brancos, em 1992, no qual 69% dos votantes pronunciam-se pelo fim do apartheid.

Nelson Mandela liderou as mudançasO ativista e político sul-africano Nelson Mandela liderou a luta contra o regime de segregação racial. Mandela foi o primeiro presidente negro eleito no país, em 1994. Fundou em 1944 a Liga da Juventude do Congresso Nacional Africano (CNA), grupo de direitos civis, que lutava contra apartheid. Mandela iniciou em 1952 a campanha de desobediência civil às leis racistas. Depois de 28 anos na prisão, o líder é libertado e negocia a nova constituição com o presidente Frederick De Klerk. Este último pede perdão pelo apartheid. Um ano depois, De Klerk e Mandela recebem o Prêmio Nobel da Paz.

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1960 - ONU recusa proposta de plebiscito na Argélia

Jornal do Brasil: Argélia

A Assembléia-Geral da ONU recusou a proposta de 21 países afro-asiáticos de realização de um referendo com apoio internacional sobre a independência da Argélia. A região foi palco de sangrentas batalhas de 1954 a 1962, pela independência do território até então pertencente à França. A Guerra da Argélia caracterizou-se por ataques de guerrilha e atos de violência contra civis, com massacres e ações terroristas. Estavam envolvidos no confronto o exército e os colonos franceses, além Frente de Libertação Nacional (FLN) e outros grupos argelinos pró-independência.
A França ainda sofria na década de 50 os efeitos econômicos e sociais da Segunda Guerra Mundial. O país passou por uma sequência de governos instáveis, e enfrentou revoltas nas colônias na África. Em 1952, a França foi obrigada a abrir mão da Tunísia e do Marrocos. Dois anos mais tarde, o grupo armado Frente de Libertação Nacional (FNL) iniciou a luta pela independência da Argélia.

No auge da crise argelina, em 1958, os militares pressionaram a Assembléia Nacional a convidar o general Charles De Gaulle, herói da Segunda Guerra Mundial, para formar um novo governo, forte e conservador, que sufocasse a rebelião.

No ano seguinte, De Gaulle é eleito presidente, e tem início a 5ª república. Entretanto, o general decepcionou parte do eleitorado francês ao abrir negociações com a FNL para a independência da Argélia. Em conseqüência, os oficiais de direita do Exército revoltaram-se contra ele, provocando diversos atos terroristas e uma tentativa de assassiná-lo.

O referendo foi finalmente realizado em 1962. Seis milhões de argelinos votaram a favor da independência, e apenas 16 mil foram contrários a ela. De Gaulle assinou o Tratado de Évian, que deu independência à Argélia e restabeleceu a paz.

Séculos de dominação francesa

A Argélia transformou-se em um departamento de ultramar da França em 1847, controlado por uma minoria européia, os colonos. O nacionalismo argelino surgiu depois da Primeira Guerra Mundial, entre grupos de muçulmanos. A resistência dos colonos criou condições para a formação de um partido de militância antifrancesa.

Em 1954, a Frente de Libertação Nacional (FLN) iniciou a luta pela independência. Em 1962, o país foi declarado um estado socialista, com a FLN como a única organização política legal. Imediatamente, eclodiu a guerra civil entre as dissidências da Frente.

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EUA instalam base em Fernando de Noronha

Jornal do brasil: EUA instalam base em Fernando de Noronha


Os Estados Unidos especulavam sobre a possibilidade de firmar um convênio para a construção em Fernando de Noronha de uma base para rastreamento de satélites operado Nasa. De acordo com o governo dos Estados Unidos , sem o posto de observação de Fernando de Noronha existiria um vazio de 2.400 quilômetros na chamada zona de provas, que vai do estado da Flórida até as Ilhas Britânicas de Ascensão, no Atlântico Sul.

Segundo o texto aprovado pelo Conselho de Segurança Nacional, as instalações deveriam ser construídas por especialistas e técnicos norte-americanos, assistidos por especialistas e técnicos brasileiros, sob comando de um oficial brasileiro. O prazo de vigência do convênio era de 5 anos. A base funcionou até 1965 e depois foi transformada no único hotel da ilha.

O pacto foi ratificado em 22 de janeiro de 1957 e complementou o Acordo Militar Brasil-Estados Unidos, assinado em 1952. A pressão norte-americana sobre o governo brasileiro para o fechamento de um acordo militar aumentou depois da explosão da terceira bomba atômica soviética em outubro de 1951. Segundo o convênio, o Brasil era obrigado a aderir a toda e qualquer ação de guerra que os Estados Unidos empreendessem em defesa do chamado mundo livre, contra o comunismo.

Cláusulas econômicas do pacto estabeleciam que o Brasil deveria adotar medidas de proteção aos produtos e capitais norte-americanos e a vender manganês, urânio e areias monazíticas por um preço abaixo do seu valor no mercado internacional. Adversários do acordo alertavam que o governo norte-americano tinha interesse em requisitar tropas brasileiras para a guerra da Coréia.

Já Em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial foi instalada uma base militar norte-americana e outra brasileira na ilha. Mas os conflitos armados passaram longe do arquipélago.

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1993 - STF confirma cassação de Collor


Jornal do Brasil: Collor fica inelegível por oito anos

O Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou a cassação do ex-presidente Fernado Collor de Mello imposta pelo Congresso em 1992. O político foi afastado do cargo por força de impeachment fundamentado em denúncias de corrupção. Como último recurso para preservar os direitos políticos, renunciou ao mandato antes do início do julgamento pelo Congresso, mas a sessão teve continuidade. A renúncia foi considerada um ato de esperteza política pelos ministros do STF. Collor foi sucedido pelo vice-presidente Itamar Franco, que exercia o cargo interinamente desde o afastamento do presidente em 2 de outubro. Ele ficou inelegível e impedido de exercer qualquer função pública por oito anos.

O político foi o primeiro presidente da República eleito por voto direto após a ditadura, em 1989. Tomou posse em 15 de março de 1990 e foi obrigado a deixar a presidência em 29 de dezembro de 1992.

Um ano depois de manter a cassação do ex-presidente, o STF absolveu Collor e PC Farias do crime de corrupção passiva. Por 5 votos a 3, os ministros do Supremo Tribunal Federal julgaram improcedente a denúncia do procurador-geral da República, Aristides Junqueira, alegando falta de provas. Foram apresentadas pelo procurador entre outros, os seguintes itens: uma gravação em que PC Farias revela ter cobrado da Mercedes-Benz uma doação para a campanha do ex-deputado Sebastião Curió, em 1990; disquetes de computador apreendidos pela Polícia Federal na Verax, uma das empresas de PC, com os registros da movimentação financeira do esquema de corrupção; e os cheques emitidos pelos fantasmas de PC e depositados na conta da secretária, Ana Acioli, entre outras. A defesa sustentou que não havia nenhum documento comprometedor assinado por Collor, quando este ainda era presidente.
Em 2006, o Collor foi novamente eleito, desta vez, como senador pelo estado de Alagoas.

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1981 - Governo polonês decreta estado de guerra

Jornal do Brasil: Líderes do Solidariedade são presos

O governo da Polônia impôs a lei marcial no país, e o Solidariedade, organização sindical independente do Partido Comunista, foi considerada ilegal. Os sindicalistas do Solidariedade, que comandaram as greves do estaleiro Gdansk, em 1980, contra o alto custo de vida e más condições de trabalho, foram presos. Também foram detidos opositores do regime e funcionários do governo.

A reação dos trabalhadores foi imediata. Panfletos feitos pelos operários das fábricas nos arredores de Varsóvia circularam pela capital polonesa, convocando uma greve geral contra o estado de guerra decretado pelo grupo liderado pelo general Wojciech Jaruzelski, que passou a governar o país. O panfleto considerava as leis de exceção como uma provocação brutal ao Solidariedade.

O primeiro-ministro Jaruzelski anunciou que os trabalhadores que não comparecessem ao serviço seriam fuzilados. Os civis que ocupavam postos no governo foram substituídos por especialistas militares. Em seu pronunciamento Jaruzelski disse que a intenção não era a instalação de uma ditadura militar, mas sim, uma tentativa de salvar a Polônia de uma catástrofe.

A comunicação com o resto do mundo foi bloqueada. Aeroportos e fronteiras foram fechados, e linhas telefônicas e telex foram cortados. Por falta de informação, não havia ainda sido confirmada a prisão de Lech Walesa, o fundador do Solidariedade.

As proibições impostas pelo novo chefe de estado incluíram o fechamento de organizações trabalhistas e estudantis, além do toque de recolher das 22h as 6h, e o cancelamento das viagens ao exterior. A venda de gasolina para carros particulares também foi suspensa.

Os líderes sindicais já ameaçavam fazer uma greve geral se o parlamento concedesse poderes especiais ao governo. O sindicato planejava convocar um referendo sobre o sistema político que os poloneses gostariam de ter, além de reivindicar eleições parlamentares livres.

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1958 - Juscelino lança operação contra a pobreza


Jornal do Brasil: Reunião de representantes de 21 países discutem solução para a fome nas Américas

A reunião de representantes dos 21 países que participaram da Operação Pan-Americana (OPA), iniciada em novembro, dedicou atenção especial ao problema do desenvolvimento econômico da América Latina.

A OPA foi sugerida pelo presidente Juscelino Kubitschek em plena Guerra Fria, caracterizada pelo conflito ideológico entre o capitalismo e o comunismo, polarizado pelos Estados Unidos e União Soviética.

A operação baseava-se na idéia de que a eliminação da probreza barraria o avanço do comunismo e propiciaria a expansão da democracia. Ainda de acordo com a proposta do presidente, as nações ricas, no caso das Américas, os Estados Unidos, deveriam investir no crescimento econômico dos países pobres.

O comitê estudou medidas visando a cooperação econômica e técnica entre as repúblicas latino-americanas. O presidente dos Estados Unidos David Eisenhower enviou nota de apoio à iniciativa do governo brasileiro. Em mensagem lida durante os trabalhos da comissão Juscelino Kubitschek disse que "a paz, a prosperidade e a segurança são inseparáveis".

Apesar dos esforços, a OPA não teve resultados práticos. Contudo, deve-se a suas propostas a fundação do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a Associação Latino Americana de Livre Comércio (ALALC), ambos criados em 1960 e, mais tarde, a Aliança para o Progresso do presidente John Kennedy.

O BID tornou-se uma instituição para financiamento de projetos na América Latina. A ALALC foi substituída pela Associação Latino Americana de Desenvolvimento e Integração (ALADI) em 1980, e foi a base jurídica para a constituição do Mercosul.

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1964 - Racistas vão a júri nos EUA

Jornal do Brasil:  Assassinato triplo chocou os EUA

O Departamento Norte-americano de Justiça anunciou que os 21 brancos acusados de envolvimento no assassinato de três ativistas dos direitos civis, na localidade de Neshoba, Mississipi, serão levados a um júri federal. Entre os acusados estavam um pastor, um xerife e o seu ajudante, identificados como membros da Ku Klux Klan, grupo racista que perseguia e matava os negros no EUA. O caso inspirou o filme "Mississipi em Chamas", de Alan Parker (1988) e causou indignação na população dos EUA.

As vítimas foram Michael Schwerner, 24, e Andrew Goodman, 20, ambos de Nova York, e James Chaney, 21, que vivia na cidade de Meridan, no Mississipi. Os três participavam de uma campanha pelo direito de voto dos negros no Sul dos EUA.

Em junho, época de férias escolares, os três saíram para investigar uma denúncia de que a Klu Klux Klan havia espancado membros de uma igreja e em seguida incendiado o local. No caminho, policiais pararam o veículo deles e os prenderam por excesso de velocidade.
Horas depois, os três foram libertados, mas o carro em que estavam foi perseguido por 20 membros da Ku Klux Klan, que, segundo a promotoria, eram liderados pelo pastor Edgar Ray Killen.

Os corpos dos três jovens, com sinais de espancamento e crivados de balas, foram retirados 44 dias depois de um açude, pelo FBI (polícia federal americana).
Em 1967, Killen foi absolvido pelo júri composto por brancos. Sete outras pessoas foram condenadas, mas nenhuma delas cumpriu pena maior que seis anos de prisão. Depois de 41 anos, Killen foi levado a novo julgamento e considerado culpado de assassinato não-intencional.

Crime motivou lei contra o racismo
O caso serviu como base para o então presidente dos EUA Lyndon Johnson aprovar junto ao Congresso a Lei dos Direitos Civis, no mesmo ano. Os dispositivo proibia a discriminação em lugares públicos e autorizava o governo a processar qualquer estado que promovesse a segregação racial ou impusesse restrições raciais aos eleitores.

Antes da lei, filhos de negros não podiam estudar na mesma escola dos que os filhos dos brancos. Os passageiros negros só podiam ocupar os assentos dos fundos dos ônibus, além de ter que ceder seus lugares aos brancos em pé. Um homem negro poderia ser assassinado se olhasse ou conversasse com mulheres brancas.

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1967 - Funai é criada para substituir SPI

Jornal do Brasil: Povos indígenas em guerra

A Fundação Nacional do Índio (Funai) substituiu o Serviço de Proteção ao Índio (SPI), criado em 1910. A mudança ocorreu em meio a graves conflitos. Grupos indígenas declaravam guerra entre si, e muitos morriam em combate. Tropas do governo se deslocavam para o interior de Rondônia para reprimir índios que supostamente teriam atacado um povoado no interior daquele Estado.

O SPI apurava denúncias de que o dono do seringal de Itabira teria aprisionado uma índia de 12 anos, para a menina servir de divertimento para os seringueiros. A crueldade irritou os índios, que teriam invadido o seringal.

A Funai absorveu as funções e o patrimônio do SPI, do Parque Nacional do Xingu e do Conselho de Proteção ao Índio. A Fundação é responsável pela educação básica dos índios, pela demarcação e proteção das terras por eles tradicionalmente ocupadas e de fazer o levantamento dos povos existentes no Brasil. Dos cerca de 4 milhões de índios que habitavam o país na época da chegada de Cabral restaram apenas 200 mil. Entre estes estão os Aimoré, também chamados de Botocudo, Avá-Canoeiro, Bororó, Caeté, Caiapó, Carijó, Goitacá e Ianomâmi.

O primeiro chefe do SPI foi um descendente de índios, o marechal Cândido Mariano da Silva Rondon. É dele a frase "Morrer, se preciso for; matar nunca". Rondon teve seu primeiro contato com os povos indígenas quando foi designado para a comissão de construção da linha telegráfica que ligaria Mato Grosso a Goiás. Como chefe do Distrito Telegráfico de Mato Grosso, o militar formado pela Escola Superior de Guerra, abriu caminhos, mapeou terrenos e, principalmente, estabeleceu relações cordiais com os índios. Rondon reconheceu o direito deles à posse da terra e de viver de acordo com os próprios costumes.

Rondon realiza expedições à Amazônia

O marechal Cândido Mariano da Silva Rondon foi o primeiro a realizar expedições para explorar a Amazônia. O trabalho do sertanista é reconhecido internacionalmente. Em 1913, o ex-presidente dos Estados Unidos Theodore Roosevelt manifestou o interesse de fazer com Rondon uma expedição científica à Amazônia. Rondon propôs a Roosevelt descerem o Rio da Dúvida, que nasce no Estado de Rondônia, para mapear seu curso. Durante a viagem descobriu-se uma área correspondente ao Estado do Rio Grande do Sul, que ainda não havia sido mapeada. O Rio da Dúvida passou a chamar-se Rio Roosevelt. O ex-presidente dos EUA escreveu o livro Pelas selvas brasileiras, em que relata a aventura.

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1977 - Festa de coroação milionária


Jornal do Brasil: Coroação de ditador custa 10 milhões de dólares
Depois de ocupar os cargos criados por ele próprio de presidente vitalício da República-Centro Africana e de marechal do exército, o ditador Jean Bedel Bokassa proclamou-se imperador da monarquia hereditária daquela país, sob o nome de Bokassa I. A festa de coroação do ex-soldado do exército colonial francês consumiu 10 milhões de dólares e foi inspirada na cerimônia que concedeu a Napoleão Bonaparte, ídolo de Bokassa, o título de dignidade imperial em 1804.

Bokassa deixou o palácio onde morava em uma carruagem de 8 toneladas enfeitada de ouro e dirigiu-se ao local da cerimônia onde recebeu a coroa de ouro cravejada de brilhantes, o longo manto e sentou-se no trono em forma de águia com 3 metros de altura por 4 metros de largura.

Todo o trajeto do imperador foi enfeitado com um total de 15 toneladas de flores importadas da Europa. A comida servida no banquete de veio da África do Sul. Bokassa pagou as despesas de viagem dos 3 mil convidados de outros países, além de construir especialmente um bairro com modernas casas pré-fabricadas para alojar os hóspedes.

O luxo da comemoração contrastava com a situação do país, uma das economias mais pobres da África. Os 2,5 milhões de habitantes tinham renda per capita anual de 176 dólares e 82% da população era analfabeta.

Bokassa governou com mão de ferro

A República Centro-Africana tornou-se independente da França em 1960. Jean Bedel Bokassa assumiu o poder em 1966, depois de derrubar outro ditador, David Dacko. Governou com mão de ferro, assassinou opositores e decretou que os ladrões tivessem a orelha cortada. Mas a truculência do tirano opunha-se ao seu sentimentalismo. Bokassa caiu em prantos ao visitar o túmulo do ex-presidente da França Charles de Gaulle, a quem admirava, dizendo: "Papai foi embora. Papai não está mais conosco". Bokassa foi deposto em 1979, após resistir a várias tentativas de golpe.

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1959 - Oficiais rebelam-se contra JK

Jornal do Brasil: 6 de dezembro de 1959

A Revolta de Aragarças reuniu oficiais da Força Aérea Brasileira (FAB) e do Exército, além de alguns civis, chefiados pelo major aviador Haroldo Veloso e pelo tenente-coronel João Paulo Moreira Burnier, contra o então presidente da República, Juscelino Kubischek. O estopim, que culminou com o primeiro seqüestro de avião do país, foi o fato de Jânio Quadros recusar-se a concorrer ao cargo de presidente, como candidato apoiado pelos partidos de oposição. Os rebeldes acusavam também o então governador gaúcho Leonel Brizola de liderar uma conspiração comunista no Sul e ameaçavam levar para o "paredão os que tripudiavam sobre a miséria do povo". A intenção era bombardear os palácios das Laranjeiras e do Catete, no Rio, e ocupar as bases de Santarém e Jacareacanga, no Pará.

Os rebeldes seqüestraram quatro aviões e os desviaram para Aragarças. O local fora escolhido porque era um centro de oficiais geograficamente importante e caminho de rotas aéreas. Na visão dos organizadores do protesto, aquele seria um ponto de difusão da luta porque serviria de encontro e ligação de aeronaves vindas do Rio de Janeiro e de outras capitais.

Dois C-47 e um Beechcraft, que decolaram sem permissão da Base Aérea do Galeão, foram desviados para Aragarças (GO). O primeiro tinha Haroldo Veloso como passageiro, que em vôo assumiu a direção da aeronave, e o segundo era comandado por João Paulo Moreira Burnier. O Beechcraft fora seqüestrado em Belo Horizonte pelo major Washington Mascarenhas e era de propriedade particular.

Os três aviões aterrissaram e aguardaram na pista a chegada de um Constelation que fora também seqüestrado em vôo para Belém, pelo major Eber Teixeira Pinto.

O levante não conseguiu adesões. O político Carlos Lacerda, considerado um aliado do movimento, não apoiou os rebeldes e ainda os denunciou ao Ministro da Guerra. Os insurgentes ficaram isolados e a rebelião foi sufocada em apenas 36 horas. Os líderes fugiram de avião para o Paraguai, Bolívia e Argentina, e só retornaram ao Brasil no governo Jânio Quadros.

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