Arquivo de January 2009

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1946 - O governo do presidente Dutra

Jornal do Brasil: Posse de Dutra

A posse do general Eurico Gaspar Dutra, depois de nove anos de ditadura instaurada por Getúlio Vargas, foi marcada por festas em todo o país. O general venceu o pleito realizado em 2 de dezembro de 1945, com 3.351.507 votos, superando Eduardo Gomes, da União Democrática Nacional, e Iedo Fiúza, do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Dutra elegeu-se pela coligação formada pelo Partido Social Democrático (PSD) e pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), com o apoio de Getúlio, de quem fora Ministro da Guerra, no Estado Novo.

No início do seu mandato foi promulgada uma nova Constituição, que assegurou o mandato presidencial de cinco anos, eleições diretas, e a manutenção dos direitos trabalhistas conquistados no governo de Getúlio Vargas.

Na política externa alinhou-se com os norte-americanos na Guerra Fria, conflito ideológico polarizado pelos Estados Unidos, que lideravam os países do bloco capitalista, e pela União Soviética, que comandava o bloco socialista. Dutra rompeu relações com a União Soviética, cassou o registro do PCB e os mandatos dos representantes eleitos pela sigla. O presidente interveio em mais de 100 sindicatos, com o argumento de que estes eram ligados ao movimento comunista.

O general abriu as portas da economia brasileira aos produtos norte-americanos, promoveu a desvalorização da moeda para conter o crescimento excessivo das importações, e congelou o salário-mínimo. Seu ato mais polêmico foi a proibição dos jogos de azar no país.
Durante o seu mandato foi inaugurada a TV Tupi, a primeira emissora de televisão do Brasil. Entre 24 de junho e 16 de julho de 1950, o Brasil foi sede da Copa do Mundo de Futebol. Na partida final da disputa pelo título a equipe do Uruguai derrotou os brasileiros dentro do recém-inaugurado Estádio do Maracanã.

Dutra deixou a presidência em 1951 e, três anos depois, participou da conspiração que levou o presidente Vargas ao suicídio. Em 1964, apoiou o golpe militar que depôs o presidente João Goulart.

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1972 - O 'Domingo Sangrento'

Jornal do Brasil: Manifestantes param a Irlanda do Norte

Treze pessoas morreram e 16 ficaram feridas quando soldados do batalhão de paraquedistas britânicos abriram fogo contra civis, em Derry, na Irlanda do Norte. As vítimas faziam uma manifestação pacífica contra a prisão sumária de suspeitos de terrorismo. Os incidentes começaram no Guild Hall onde manifestantes católicos haviam se reunido, desobedecendo pelo segundo dia consecutivo a ordem do governo que proibia os protestos. A ação das tropas inglesas resultou no maior número de mortos desde o início da intervenção na Irlanda do Norte, em 1969. O general Robert Ford, comandante das tropas terrestres inglesas, disse que os soldados foram recebidos a tiros pelos manifestantes. A versão foi desmentida por testemunhas e por um porta-voz do Exército Republicano Irlandês (IRA), que prometeu uma vingança implacável contra os agressores. Depois do episódio, o IRA dividiu-se em duas frentes de luta: Uma que acreditava no movimento político e na participação nos parlamentos de Londres, Dublin e Belfast, e outra, que optou por continuar a luta armada.
A tragédia ficou conhecida como Domingo Sangrento e desencadeou uma onda de atentados na Irlanda e na Inglaterra, comandados pelo braço armado do IRA. Em função da chacina, o Exército Republicano Irlandês arregimentou um grande número de voluntários entre os jovens católicos da Irlanda do Norte.
Em represália ao massacre, o IRA convocou uma greve geral cujo apelo foi atendido por 90% da população. Milhares de pessoas saíram às ruas sob uma forte tempestade de neve para atirar pedras, explodir bombas, incendiar veículos e arrancar barricadas feitas pela polícia. Dois policiais foram feridos por franco-atiradores.

Militantes fazem greve de fome
Os militantes do IRA presos em 1981 iniciaram uma série de greves de fome. Bobby Sands foi o primeiro a morrer depois de ficar mais de dois meses sem receber alimento algum. Ele tornou-se um símbolo e mártir da luta da minoria católica contra o domínio inglês. Outros nove presos católicos também morreram em greve de fome. De 1969 a 1982, a disputa causou mais de 2 mil mortes, na maioria de civis. Depois de várias tentativas de cessar-fogo, o IRA depôs as armas em julho de 2005, sem contudo conseguir os seu objetivo de independência da Irlanda do Norte, que continuou a fazer parte do Reino Unido.

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1960 - As histórias da bossa nova

Jornal do Brasil: um novo ritmo chamado bossa nova

Ronaldo Bôscoli contou à repórter Miriam Lima de Alencar, do Jornal do Brasil, que o movimento bossa nova começou com pequenas reuniões familiares nas quais ele e outros rapazes mostravam suas composições, tocavam e cantavam. Naquela época, Carlos Lyra e Roberto Menescal, que também integravam o grupo, ensinavam violão e, com isso conseguiam novos adeptos para o novo ritmo.

O número de participantes aumentou tanto que os encontros antes realizados em salas pequenas foram para os salões. A primeira apresentação do conjunto, que contava ainda com Tom Jobim e João Gilberto, foi realizada em um clube israelita. Foi nesse local que apareceu escrito no quadro negro: "Hoje, João Gilberto e um grupo bossa nova, apresentando sambas modernos."

Tom Jobim confessou na época que não sabia o que era bossa nova. O maestro explicou entretanto que a expressão sempre existiu e que era antiga. "Noel Rosa já falava dela em seus sambas. Considero bossa nova tudo o que está a frente do seu tempo, e que é vanguarda em qualquer atividade". Como exemplos, Jobim citou Bach, Debussy, Villa-Lobos, Carlos Drummond de Andrade, Niemeyer e Juscelino Kubitschek, a quem ele chamou de "o presidente bossa nova".

Para Ari Barroso, no entanto, nunca existiu bossa nova ou bossa antiga, o que havia era apenas bossa. O compositor elegeu Tom Jobim como o papa do novo gênero musical. Segundo Ari Barroso, Tom conseguiu trazer o ritmo das escolas de samba para as orquestras de salão. E acrescentou: "O mesmo que eu fiz com a Aquarela do Brasil, que trouxe da marcação do tamborim para as grandes orquestras."

João Gilberto, o líder do movimento entre os cantores, podia ser encontrado todos os fins de noite no Bar Plaza, fazendo improvisações ao violão, por brincadeira. Um dia conseguiu tirar do instrumento uma batida diferente, uma marcação totalmente nova. Aos que perguntavam o que era aquele som respondia que conseguira aquilo acompanhando os requebros irregulares das lavadeiras de sua terra, Juazeiro, na Bahia.

O desafio de cantar no Rio
João Gilberto chegou ao Rio em 1954. Começou a carreira tocando e cantando na Rádio Tupi. Não achava gravadora que o aceitasse porque diziam que sua voz era esquisita. Nessa época acompanhava ao violão vários cantores, como Elizeth Cardoso, Agostinho dos Santos, Maísa e Silvinha Teles.

Tom Jobim quis ajudá-lo e o levou para a Odeon onde gravou Chega de saudade. O disco foi enviado para um disc jóquei de São Paulo, que se recusou a tocá-lo e ainda o quebrou em dois pedaços. A música foi lançada logo em seguida e tornou-se um marco da bossa nova. Na sequência vieram Lobo Bobo e Desafinado, que o consagraram como intérprete.

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1997 - Os caminhos de Antonio Callado


Jornal do Brasil: A obra de antonio Callaldo

Antonio Callado formou-se em Direito em 1939, mas nunca advogou. Em 1941, em plena Segunda Guerra Mundial, foi contratado pela BBC de Londres como redator. Em Londres viveu momentos dramáticos, com os bombardeios aéreos promovidos pelos alemães. Depois da libertação de Paris, trabalhou no serviço brasileiro da Radio-Diffusion Française.

Retornou ao Brasil com vasta experiência como correspondente de guerra. Voltou para o Correio da Manhã onde já havia trabalhado quando estudava Direito e passou a colaborar em O Globo. Deixou o jornalismo por um breve período quando foi contratado pela Enciclopédia Britânica para chefiar redação da Enciclopédia Barsa, publicada em 1963. Em seguida foi para o Jornal do Brasil quando foi enviado ao Vietnã para cobrir a guerra.

Callado deu aulas nas universidades de Cambridge, na Grã-Bretanha, e de Columbia, nos Estados Unidos. Em 1975, passou a dedicar-se inteiramente à literatura.
O encontro do escritor e os principais temas de sua obra deu-se por intermédio do jornalismo, desde o período em que esteve na Europa e em lugares como Bogotá, Washington, Xingu e Havana. O escritor, jornalista e teatrólogo morreu dois dias depois de completar 80 anos.


Resistência ao regime militar
Os livros Quarup (1967), Bar Don Juan (1971), Reflexos do baile (1976), e Sempreviva (1981) apresentam um retrato do Brasil durante o regime militar. Sua oposição à ditadura custou-lhe duas prisões. A primeira em 1964, logo após o golpe militar, e a outra em 1968, após o fechamento do Congresso em face do AI-5.

Reuniu quatro de suas peças teatrais no volume A Revolta da Cachaça. Uma delas, Pedro Mico foi transformada em filme estrelado por Pelé.
Callado foi eleito em 1994 para ocupar a cadeira de número 8 da Academia Brasileira de Letras, como sucessor de Austregésilo de Athayde.

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1967 - Tragédia na corrida espacial

Jornal do Brasil: Astronautas morrem na plataforma de Cabo Kennedy

Os astronautas Virgil Ivan Grissom, Edward Higgins White II e Roger Bruce Chaffee morreram em um incêndio dentro da cabine de comando, na plataforma de Cabo Kennedy. As três primeiras vítimas da corrida espacial estavam a bordo da Apolo 1 em exercício de prova para o lançamento no dia 21 de fevereiro. Os peritos concluíram que o acidente foi causado por um curto-circuito próximo ao painel de oxigênio. Grissom comunicou que havia fogo no cockpit. Segundos mais tarde, Chaffee avisou que ele e seus companheiros sairiam do módulo de comando. Mas foi impossível escapar porque a escotilha de saída tinha trancas mecânicas, que os astronautas não conseguiram destravar.

A equipe que trabalhava fora da espaçonave procurou em vão libertá-los. O calor era insuportável. Finalmente, quando o módulo de comando foi aberto os três astronautas já estavam mortos. A roupa espacial os protegeu do fogo, mas a inalação excessiva de fumaça foi fatal. Devido ao acidente, toda programação do projeto Apolo foi atrasada em 21 meses.

Durante esse período os engenheiros da Nasa modificaram toda a cabine do módulo de comando e aperfeiçoaram as normas de segurança. Na base das plataformas, por exemplo, não havia equipamentos médicos nem de resgate. Também ainda não tinham sido desenvolvidos procedimentos para esse tipo de emergência, e as estruturas não eram apropriadas para uma operação de salvamento.

Três meses após o incêndio da Apolo 1, o cosmonauta russo Vladimir Komarov, da Soyuz-1, morreu ao retornar à Terra, depois de ficar em órbita do planeta.

Experiências frustadas

Em fevereiro de 1969, o foguete do projeto lunar soviético caiu após 66 segundos de voo sobre uma cidade, matando 350 pessoas. - Em março de 1980, 50 técnicos do Centro Espacial Plesetsk, em Vostok, na Rússia, morreram por causa da explosão de um propulsor que recebia combustível. O acidente só foi revelado em 1989.

No início de 1986, os sete tripulantes da nave Challenger morreram 72 segundos após o lançamento da nave. A explosão foi causada pelo congelamento de um dos anéis de união do foguete. Em 30 de junho de 1971, durante o primeiro voo à estação orbital Saliut, o módulo de aterrissagem sofreu uma despressurização e provocou a morte dos três tripulantes da Soyuz-11. Os astronautas haviam permanecido 24 dias no espaço, um record para a época.

Em 1º de fevereiro de 2003, os sete ocupantes da Columbia morreram, no fim de uma missão espacial que até então fora bem-sucedida. A Columbia desintegrou-se ao regressar à Terra, devido a uma perfuração na asa esquerda, provocada pelo desprendimento de um pedaço da espuma de isolamento de um setor do tanque externo.

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1950 - A nova República de Bahrat

Jornal do Brasil; Proclamada República da Índia

O primeiro presidente constitucional da Índia, Rajendra Prasad, prestou juramento na presença do Presidente do Supremo Tribunal, dos membros do parlamento, de todo o corpo diplomático, dos marajás e dos potentados hindus. Estes últimos vestidos com os seus uniformes de gala cobertos de pedrarias. Em seguida, a bandeira da nova república começou a ser hasteada vagarosamente e uma estrondosa ovação irrompeu da boca de milhares de pessoas, que se comprimiam na praça próxima ao local onde foi realizada a cerimônia de posse. Os festejos se repetiram em todo o país, para marcar o nascimento do Bharat, nome oficial da república indiana, e o término de muitos anos de luta em prol da independência. O rei Jorge VI, da Inglaterra, desejou paz e prosperidade para a recém-criada república.
Antes de assumir oficialmente as funções de presidente, Rajendra Prasad prestou homenagem a Mahatma Gandhi – Pai da Nação – cujo nome significa em sânscrito a grande alma. Rajendra e sua mulher cobriram de flores o local onde foram cremados os restos mortais de Gandhi e fizeram orações.
Mahatma Gandhi conduziu a luta pela independência indiana baseado na ideologia do satyagrha (busca pela verdade), que engloba a não-violência e a desobediência civil. As teorias formuladas pelo líder espiritual e pacifista tiveram também a influência do escritor Leon Tolstoi e de John Ruskin e do americano Henry Thoreau Estudou direito na Inglaterra e iniciou a sua trajetória como advogado na África do Sul, assumindo as causas de hindus e negros.
De volta à Índia, Gandhi comandou o boicote aos comerciantes ingleses, o que fez com que a população voltasse a confeccionar suas próprias roupas. Gandhi inspirou também ativistas contra o racismo como Martin Luther King e Nelson Mandela.

Gandhi lidera a Marcha do Sal
A Marcha do Sal realizada em 1930 foi o protesto de desobediência civil que tornou Mahatma Gandhi conhecido internacionalmente, e pôs fim ao monopólio britânico sobre a venda do produto. Gandhi e seus seguidores caminharam 300 quilômetros em direção ao mar para obter sal. Uma das frases que resumem os ideais de igualdade e liberdade do líder espiritual difundido em todo o mundo é: "Cada dia a natureza produz o suficiente para nossa carência. Se cada um tomasse o que lhe fosse necessário, não haveria pobreza no mundo e ninguém morreria de fome."

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1984 - Cresce o movimento pelas Diretas Já


Jornal do Brasil: Comício reúne multidão em São Paulo


O comício pelas eleições diretas para a Presidência da República levou 200 mil pessoas à Praça da Sé, em São Paulo, em um dia chuvoso. Artistas e políticos se revezavam nas apresentações conduzidas pelo locutor Osmar Santos. A palavra de ordem mais ouvida era um, dois, três, quatro, cinco, mil, queremos eleger o presidente do Brasil.

O então presidente do PMDB, Ulysses Guimarães, declarou que o comício marcou o fim do Colégio Eleitoral: "A bastilha, que é um símbolo da usurpação do povo, e que se chama Colégio eleitoral, caiu hoje aqui".

Com o sucesso do comício em São Paulo todos os governadores de oposição resolveram fazer o mesmo. O governador do Rio, Leonel Brizola, garantiu a realização de uma manifestação ainda maior. A partir de fevereiro, os comícios foram se sucedendo nas principais capitais do país. O comício do Rio levou 1 milhão de manifestantes à Candelária. Em Belo Horizonte compareceram 300 mil manifestantes. Número igual ao de Goiânia. Até que no dia 16 de abril, pouco antes da votação da emenda Dante de Oliveira, que instituía o voto direto para a Presidência da República, realizou-se um último comício em São Paulo, que reuniu 1,5 milhões de pessoas no vale do Anhangabaú.

Para obter a aprovação, a emenda teria de obter 2/3 dos votos. A proposta recebeu 298 votos a favor e 65 contra, e foi derrotada por 22 votos. A população não pode acompanhar a votação dentro do plenário. Os militares reforçaram a segurança ao redor do Congresso Nacional com tropas, tanques e metralhadoras.

Restou a eleição indireta para a presidência, que foi disputada por Paulo Maluf (PDS) e Tancredo Neves (PMDB). Com o apoio das mesmas lideranças da campanha Diretas Já, Tancredo Neves venceu a disputa, mas não tomou posse. Um dia antes da cerimônia passou mal, foi internado e morreu no dia 21 de abril, de infecção generalizada. O vice-presidente José Sarney assumiu o cargo.

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1980 - Peça Calabar é liberada pela Censura

Jornal do Brasil: Censura libera Calabar e Z

A peça Calabar, um elogio à traição, foi liberada depois de ficar seis anos proibida pelo Conselho Nacional de Censura. O espetáculo escrito por Chico Buarque e Ruy Guerra, dirigido por Fernando Peixoto, fora suspenso oito dias antes da estreia. O general Antônio Bandeira, da Polícia Federal, sem esclarecer os motivos, proibiu a peça, proibiu o nome Calabar do título e, ainda proibiu que a proibição fosse divulgada.

O empresário Fernando Torres gastou 30 mil dólares na produção, uma das mais caras do teatro brasileiro até então, com 40 atores no elenco e outros 40 profissionais nos bastidores. Torres disse que obtivera três meses antes da proibição a garantia dos órgãos de censura de Brasília de que o texto não seria vetado.

O prejuízo foi enorme. Para recuperar parte do investimento, o produtor improvisou na época a montagem de outro texto já conhecido do público e liberado pela censura – A torre em concurso. Depois da liberação, Chico Buarque e Ruy Guerra reescreveram o texto original, considerado pelos próprios autores "muito metafórico e obscuro" e a peça entrou em cartaz.

As músicas que compunham a trilha sonora de Calabar, como Bárbara, Ana de Amsterdan, Não existe pecado ao sul do Equador e Tatuagem, fizeram sucesso. A história foi publicada em livro e virou um best seller. A saga do comerciante Domingos Fernandes Calabar passava-se no século 17, durante a invasão holandesa em Pernambuco. Calabar preferiu ficar do lado dos invasores e contra a coroa portuguesa e tornou-se um herói.

O diretor da Censura em 1974, Rogério Nunes, esclareceu em ofício que "A peça teatral faz apologia da traição (...) Exalta a figura execrável do traidor Domingos Fernandes Calabar".

O filme Z também é liberado
No mesmo dia, o Conselho Nacional de Censura liberou para maiores de 14 anos o filme Z, do diretor Costa Gavras, cuja proibição ocorreu em 1975. Z ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1969, com roteiro baseado no livro de Vassili Vassilikos e Yves Montand e Irene Papas no elenco. A história sobre a perseguição e assassinato de um líder de oposição da Grécia chegou às telas brasileiras com mais de 10 anos de atraso.
Os membros do Conselho também aprovaram uma moção enviada ao então governador do Rio, Chagas Freitas, contra o fechamento do Teatro Opinião.

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1985 - Tancredo faz viagem diplomática

Jornal do Brasil: Tancredo viaja para cinco países

Tancredo Neves foi o primeiro presidente civil eleito depois do golpe militar de 1964 ao derrotar Paulo Maluf no pleito realizado dia 15 de janeiro pelo Colégio Eleitoral. Em sua primeira viagem como presidente eleito, Tancredo visitou Portugal, Itália, França, Espanha, Estados Unidos, México e Argentina. O objetivo era mostrar que o Brasil havia mudado, e que seriam estabelecidos novos acordos comerciais e diplomáticos.

Durante o voo para Roma, comentou com os jornalistas os planos de reatar relações com a União Soviética, e disse que os Estados Unidos seriam sua última e mais importante escala. O presidente eleito disse em seu discurso em Washington que o povo brasileiro era o principal protagonista da redemocratização, além de declarar que a recessão era um fator que desestimulava os investimentos.

Já a chegada à Roma teve destaque nos jornais italianos. A base das conversações com o presidente Sandro Pertini e o premier Bettino Craxi foi a fixação de um programa de comércio externo. Na França, o tema dos debates foi a dívida externa brasileira. O presidente eleito recebeu em Portugal título de doutor honoris causa na Universidade de Coimbra e acertou a colocação de produtos brasileiros no Mercado Comum Europeu. Na Espanha, Tancredo recebeu honras de chefe de estado e interessou-se pelo Pacto de Moncloa, no qual todos os segmentos da sociedade espanhola se comprometeram a atuar politicamente sem atrapalhar na construção da democracia no país.

Ao regressar, Tancredo iniciou as articulações para a constituição do primeiro ministério da República Civil. No dia 12 de março, concedeu a última entrevista coletiva como presidente eleito. No pronunciamento, defendeu a contenção dos gastos públicos, o combate à inflação, recursos para produção agrícola e reformulação da Lei de Greve. Dois dias depois, passou mal, foi internado e morreu no dia 21 de abril de infecção generalizada.

Figueiredo desabafa na TV
João Figueiredo, o último general-presidente, admitiu em entrevista concedida à TV Manchete que se saiu mal ao agir no governo como se estivesse em um quartel, e acrescentou: "Vou sentir uma pena danada do doutor Tancredo ao passar a faixa presidencial para ele".

Figueiredo negou que dissera que prefere o cheiro de cavalo ao cheiro do povo: "Aquilo só pode ter sido uma maldade dos jornalistas, que ouviram o que eu disse. Eu disse que gosto mais do cheiro de cavalo, para não dizer outra coisa que deveria ter dito e ele compreendeu maldosamente". O general encerrou a entrevista com um pedido: "Me esqueçam"

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1977 - As canções de Maysa


Jornal do Brasil: Maysa morre em acidente

A intérprete e compositora de músicas melancólicas e de dor-de-cotovelo começou a carreira aos 12 anos, quando compôs o samba-canção Adeus. Maysa nasceu no Rio e mudou-se aos 3 anos com a família para São Paulo. Aos 18 anos, casou-se com o milionário paulista André Matarazzo, 20 anos mais velho, e passou a cantar raramente em festas de família. Em 1956, grávida do seu único filho, conheceu o produtor Roberto Corte Real, que a levou para gravar um disco. Nesse LP foi lançada a música Meu mundo caiu, um dos seus maiores sucessos como compositora. A renda obtida com as vendas foi doada por insistência do marido a uma campanha contra o câncer.
O casamento de Maysa e André durou dois anos. O fim da união abalou profundamente a cantora, acentuando a sua depressão, que a levou a exceder-se na bebida, no uso de calmantes e a engordar 38 quilos. "Canto porque sou uma angustiada", revelou em um dos shows que fez no Cassino Estoril, em Portugal. Temperamental, confessou em entrevista a O Pasquim que jogara o microfone na cabeça de um espectador que insistia em fumar charuto próximo ao palco.

A convite de Ronaldo Bôscoli veio para o Rio, em 1960, estrear um programa de TV e gravar um disco. No mesmo ano, lançou o LP O Barquinho, que se tornou um marco da bossa nova, um gênero musical diferente do qual estava acostumada a cantar. Os músicos que a acompanharam – Luiz Eça, Hélcio Milito, Bebeto Castilho e Roberto Menescal – formariam mais tarde o famoso Tamba Trio.

O regresso depois de longa turnê


O sucesso do disco O Barquinho rendeu a Maysa uma longa turnê pelo Brasil, além de espetáculos na Argentina e no Uruguai. Em seguida partiu para fazer apresentações na Europa e nos Estados Unidos. De volta ao Brasil, quatro anos depois e 26 quilos mais magra, participou de novelas, programas de TV e fez shows.

Maysa morreu aos 40 anos quando o carro que dirigia bateu contra a mureta central que divide as duas pistas da Ponte Rio-Niterói. A cantora seguia para Barra de Maricá onde iria passar o fim de semana em sua casa. Os pais de Maysa disseram que ela não dormia havia cinco dias devido a doses de remédio para emagrecer.

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1939 - Descoberto petróleo em Lobato

Jornal do Brasil: Descoberta de petróleo foi em Lobato, na Bahia


O ministro da Agricultura, Fernando Costa anunciou a descoberta de uma jazida de petróleo em Lobato, no Recôncavo baiano. Segundo o telegrama enviado pelo engenheiro Custódio Braga Filho, encarregado da sondagem, quando a perfuração do poço atingiu 208 metros, gotas de óleo começaram a aparecer pouco a pouco, até formar uma poça considerável na superfície do poço. Foram recolhidos 70 litros de petróleo bruto.

A descoberta foi um marco histórico. Até então manchas de óleo só chegavam até a boca dos poços perfurados na cidade de Bofete, São Paulo. Naquela época, em que o Brasil dava os primeiros passos para extração petrolífera, engenheiros e geólogos concordavam que em Lobato estava o início de um vasto lençol, o qual se prolongaria até Itaparica.
A sondagem na Bahia fora iniciada um ano antes, com a sonda Calix IR BRF - 1. Em 1941, um dos poços perfurados deu origem ao campo de Candeias, o primeiro a produzir petróleo no Brasil.
O general Horta Barbosa, presidente do Conselho Nacional do Petróleo, explicou que a região faz parte da Província Petrolífera do Nordeste, que abrange, além da Bahia, os Estados de Pernambuco, Sergipe e Alagoas. Horta anunciou que seriam realizadas sondagens em Pernambuco, onde havia fortes indícios da presença de petróleo.

Monteiro Lobato e o petróleo
Monteiro Lobato foi um dos líderes da campanha para a nacionalização das reservas petrolíferas, iniciada em 1933. No mesmo ano foi criado o Serviço Geológico e Mineralógico Brasileiro (SGMB), ligado ao Departamento Nacional da Produção Mineral, com o objetivo de perfurar poços de pesquisas no território nacional. Mas a medida não satisfez o escritor. Monteiro Lobato havia passado uma temporada nos Estados Unidos e estava convencido da existência de petróleo no Brasil e não queria que as reservas petrolíferas caíssem nas mãos de multinacionais. Ele escreveu várias cartas a Getúlio Vargas sobre o tema, publicou livros e fez palestras, chegando a ser preso por causa de suas convicções.

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1971 - O desaparecimento de Rubens Paiva

Jornal do Brasil: Matéria ganha Prêmio Wladimir Herzog de Jornalismo

O nome do deputado cassado em 1964 Rubens Beyrodt Paiva figura na lista dos desaparecidos da ditadura militar desde 1971. O ex-deputado foi preso em casa e obrigado a sair dirigindo o seu próprio carro para não despertar suspeitas. Três dias depois, o Fusca do ex-deputado foi encontrado crivado de balas no Alto da Boa Vista. Segundo a versão sustentada pelos órgãos de segurança, o veículo transportava um prisioneiro para interrogatório quando foi interceptado por outro carro com cinco ocupantes armados, possivelmente terroristas. Houve confronto e o grupo conseguiu resgatar o preso, que teria sido ferido. A ação teria ocorrido às 4h30 de 22 de janeiro.

Em 1979, os jornalistas Fritz Utzeri e Heraldo Dias, do jornal do Brasil, ganharam o Prêmio Wladmir Herzog, com a matéria Quem Matou Rubens Paiva, em que revelam as contradições dos militares ao tentarem explicar o caso.

Segundo a matéria, uma testemunha afirmara ter visto Rubens 30 horas antes do suposto ataque no Alto da Boa vista, bastante machucado, deitado no fundo de um carro. A testemunha e o ex-deputado estavam sendo transportados da Terceira Zona Aérea, próximo ao Aeroporto Santos Dumont, para o quartel da PE, no Rio.

Ainda de acordo com a matéria, o desaparecimento de Rubens está ligado ao primeiro voo Santiago–Rio, logo depois da chegada ao Chile de 70 presos políticos trocados pelo embaixador suíço Enrico Bucher. Entre os passageiros estavam duas mulheres, que voltavam de uma visita ao filho e à irmã, ambos exilados. Elas traziam várias cartas entre elas duas tinham destinatários identificados – Rubens Paiva e o ex-deputado Almino Afonso. As cartas foram confiscadas pelos agentes de segurança da Aeronáutica e Rubens em seguida foi preso, possivelmente confundido como um contato dos grupos de esquerda no Brasil.

Caso foi arquivado

Na época, Eunice Facciolla Paiva, mulher de Rubens, e a filha do casal Eliana também foram presas. Eunice ficou incomunicável por 12 dias e Eliana, 15 anos, ficou detida por 24 horas. O corpo de Rubens não foi encontrado, e as circunstâncias do seu desaparecimento continuam um mistério até hoje.

O processo que apurava o desaparecimento de Rubens Paiva foi arquivado. O ex-deputado só foi considerado legalmente morto em 1996, depois da aprovação da Lei dos Desaparecidos, que determinou o reconhecimento da responsabilidade do Estado pela morte de 136 desaparecidos políticos.

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1966 - Indira é eleita primeira-ministra

Jornal do brasil: Indira derrota direitistas

Indira Gandhi foi eleita primeira-ministra em votação secreta no parlamento por 399 votos contra 169, ao derrotar o líder direitista Morarji Desai. Indira prometeu prosseguir com a política de neutralidade e socialismo pragmático adotado por seu pai, o ex-primeiro-ministro Jawaharlal Nehru. O resultado da eleição foi bem recebido pela Inglaterra e União Soviética. A nova chefe de governo declarou que "embora a Índia passe por dificuldades, tem imensos recursos materiais e uma grande força interior para superá-las".

Indira não tem parentesco com Mahatma Gandhi. O sobrenome do pacifista foi adotado pelo marido de Indira por razões políticas. Antes de ser eleita, foi ministra da Informação no gabinete de Lal Bahadur Shastri de 1964 a 1966, e sucedeu o pai em 1966 na chefia do Partido do Congresso. Entre as medidas mais radicais do seu governo estão a nacionalização dos bancos e a esterilização maciça obrigatória da população.

Em 1975, Indira foi condenada por fraude eleitoral. Para fugir da punição decretou o estado de sítio e passou a governar de forma ditatorial. Nessa época, nomeou seu filho Sanjay Gandhi como sucessor.

Com a derrota nas eleições de 1977, dividiu o Partido do Congresso, e à frente de um novo partido obteve em 1980 uma esmagadora vitória nas urnas. Os conflitos entre os diversos grupos étnicos e religiosos foram agravados no seu último mandato. Temendo que o líder sikhs Jarnail Singh Bhindranwale armazenasse armas para um levante, Indira ordenou a ocupação pelo Exército do Templo Dourado, em Amristar. No confronto morreram 83 soldados e 493 sikhs e outras centenas ficaram feridas. Meses depois, Indira foi assassinada por sikhs da sua própria guarda pessoal, que se vingaram do massacre.
O filho Rajiv Gandhi, que se preparara para o cargo após o acidente que tirou a vida de Sanjay, foi o seu sucessor.

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1934 - Greve geral fracassa em Portugal

jorna do Brasil: Tumulto em Portugal

O diretor de Polícia Política de Portugal informou que a greve geral revolucionária organizada pelo Movimento Nacional Sindicalista, liderado por Francisco Rolão Preto, fracassou. Segundo a polícia, registraram-se ligeiros conflitos entre soldados e rebeldes, que atacaram os quartéis com bombas. As autoridades prenderam operários armados de pistolas e explosivos, que lhes teriam sido fornecidos pelos organizadores do movimento grevista. Um bomba atingiu a Central de Energia Elétrica da capital e deixou a população sem luz. Segundo a polícia, os manifestantes também provocaram o descarrilhamento de um trem que seguia de Póvoa para Santa Rita, e cortaram as linhas telefônicas.
A única greve geral desencadeada durante o regime fascista instituído por Antonio Salazar foi um protesto contra o atrelamento dos sindicatos ao estado, e contra a deterioração das condições de vida dos trabalhadores. Centenas de pessoas foram presas e deportadas para Angra do Heroísmo, nos Açores, e para o Campo de Concentração do Tarrafal, em Cabo Verde. O Movimento Nacional Sindicalista foi proibido em 1934 sob a alegação de que era uma cópia de ações revolucionárias estrangeiras.
Antônio de Oliveira Salazar implantou o Estado Novo, que vigorou em Portugal de 1933 a 1974.

O regime autoritário de Salazar
A ditadura teve início com a aprovação, através de plebiscito, de uma nova Constituição autoritária e corporativa, e foi derrubada pela pacífica Revolução dos Cravos, em 25 de abril de 1974. Salazar comandou os destinos do país por mais de três décadas, como presidente do Conselho de Ministros. Depois do fim da Segunda Guerra, foi pressionado pela ONU a conceder independência às colônias portuguesas, mas recusa-se a abrir mão dos territórios. A decadência do regime começou em 1960, quando se intensificaram as guerras de libertação dos países africanos dominados por Portugal. Nessa época, o país gastava até 45% do seu orçamento para financiar os confrontos militares nas colônias.

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1991 - A Guerra transmitida pela TV

Jornal do Brasil: guerra do Golfo

Um ataque aéreo contra Bagdá deu início à Guerra do Golfo. Os Estados Unidos haviam articulado uma coalizão com 33 países, que juntos atacariam o Iraque. Mais de meio milhão de soldados das nações aliadas foram para a região. O resultado foi a morte de 100 mil soldados e 6 mil civis iraquianos, além de 30 mil kuwaitianos, contra 293 baixas entre as tropas da coalizão.
A Guerra do Golfo foi a primeira da história a ser transmitida ao vivo pela TV. Os 45 jornalistas confinados no hotel descreviam os primeiros bombardeios para cerca de 100 milhões de pessoas em 100 países. Os ataques duraram toda aquela madrugada.
O confronto começou quando Saddam Hussein, então presidente do Iraque, acusou o Kuwait de vender o petróleo a preços muito baixos, o que estaria causando prejuízo à economia iraquiana. Saddam também exigiu que o Kuwait perdoasse uma dívida de US$ 10 bilhões contraída durante a guerra contra o Irã e que pagasse uma compensação de US$ 2,4 bilhões por ter extraído petróleo dos campos fronteiriços de Rumalia. Como as reivindicações não foram atendidas, Saddam resolveu invadir o Kuwait e anexá-lo ao seu território. O objetivo do líder iraquiano era ampliar o seu domínio, incorporar os poços de petróleo do país vizinho e facilitar o acesso ao Golfo Pérsico.

A anexação do Kuwait fez os preços do petróleo subirem e provocou o racionamento de combustíveis em vários países, inclusive no Brasil. A ONU condenou a ação iraquiana e impôs embargos comerciais àquele país, além de dar um prazo para a retirada dos soldados iraquianos do Kwait. Saddam desprezou as advertências e em janeiro o Conselho de Segurança da ONU autorizou os EUA e seus aliados a invadirem o Iraque.

Novas tecnologias de guerra
Os gastos com a guerra chegaram a US$ 61 bilhões. Pela primeira vez foram usados tanques e outros veículos blindados com detectores de radiação infravermelha e sensores capazes de ampliar a luz das estrelas. A arma mais sofisticada foi o avião americano F-117, o caça invisível, projetado para não ser captado pelo radar inimigo.
O Iraque foi derrotado em fevereiro, mas antes de retirar-se do Kuwait destruiu poços de petróleo e despejou óleo no mar.
Nos meses seguintes ao fim da guerra, Saddam sufocou rebeliões de xiitas e curdos, que tentaram derrubá-lo.

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1969 - Ministros e parlamentares são cassados pelo AI-5

Jornal do Brasil: Governo cassa mandatos

A lista de cassações aumentou no mês de janeiro em consequência da edição do Ato Institucional número 5 (AI-5), em dezembro de 1968. A punição atingiu parlamentares e até ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os que perderam o mandato estavam dois senadores - Aarão Steinbruck e João Abraão -, 35 deputados federais, três ministros do STF - Hermes Lima, Vítor Nunes Leal e Evandro Lins e Silva, além de aposentar compulsoriamente os ministros Antônio Gonçalves de Oliveira e Carlos Lafaiete de Andrade. O AI-5 não poupou nem o ministro do Superior Tribunal Militar (STM) Peri Constant Bevilacqua, que, segundo o porta-voz do Presidente Costa e Silva, Carlos Chagas, era acusado de "dar habeas-corpus demais". O Congresso foi fechado, e só foi reaberto em outubro, para eleger o general Emílio Garastazu Médici à Presidência da República.

O AI-5 foi o instrumento criado para dar amparo legal aos atos arbitrários cometidos pela ditadura militar. O decreto autorizou o presidente da República a fechar o Congresso, intervir nos Estados e municípios, cassar mandatos parlamentares, suspender por 10 anos os direitos políticos de qualquer cidadão, confiscar bens considerados ilícitos, além de suspender a concessão de habeas-corpus. Os encarregados de inquéritos políticos estavam autorizados a prender qualquer pessoa por 60 dias, 10 dos quais estas deveriam permanecer incomunicáveis. Emissoras de televisão e de rádio, e redações de jornais seriam ocupadas por censores. O AI-5 foi seguido por mais 12 atos institucionais, 59 atos complementares e oito emendas constitucionais, e foi revogado em 17 de outubro de 1978.

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1974 - Geisel é eleito pelo voto indireto

Jornal do Brasil: general Geisel


O general Ernesto Geisel foi eleito pelo voto indireto presidente da República. Geisel assumiu a presidência no dia 15 de março, em meio à crise que precedeu o fim do Milagre Econômico. Naquele ano a inflação chegaria a 34,5% ao ano, e no fim do seu mandato, em 1978, a elevação de preços foi de 42%.

Geisel foi o primeiro presidente eleito pelo Colégio Eleitoral, instituído pela emenda nº 1 da Constituição de 1967. O dispositivo modificou a forma de escolha do chefe da nação, e previu a criação de um Colégio Eleitoral, composto de membros do Congresso e delegados das Assembléias Legislativas dos Estados. A escolha foi feita entre duas chapas, com nomes indicados pela Arena e pelo MDB. O antecessor de Geisel, Emílio Garrastazu Médici, havia sido indicado pelo Alto Comando Militar e referendado pela Arena. O Colégio Eleitoral era formado por 503 integrantes - 412 do partido do governo e 91 da oposição.

Ernesto Geisel e o vice da Arena Adalberto Pereira dos Santos obtiveram 400 votos (84,04%) contra Ulysses Guimarães e Barbosa Lima Sobrinho, do MDB, que receberam 76 votos (15,96%). Vinte parlamentares votaram em branco e seis se abstiveram de votar. Embora o pleito fosse indireto, Ulysses Guimarães aproveitou a ocasião para percorrer o país, denunciando as eleições indiretas, a supressão da liberdade e a concentração de renda resultante do modelo econômico.

Presidente anuncia mudanças

Geisel anunciou que faria uma abertura democrática "lenta, gradual e segura". A estratégia foi formulada pelo presidente e pelo general Golberi do Couto e Silva, que havia voltado ao governo como chefe do gabinete civil da presidência.

De acordo com esse projeto, realizou-se já em 1974 eleições livres para senadores, deputados e vereadores. Geisel reduziu o rigor da censura sobre os meios de comunicação e revogou o AI-5, ato institucional que cerceou as liberdades democráticas, que estava em vigor desde 1968.

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1942- Conferência interamericana


Jornal do Brasil: reunião de chanceleres de 21 países lationo-americanos no Rio

A Conferência Interamericana foi realizada no Rio, com o objetivo de aprovar o rompimento imediato das relações diplomáticas e comerciais em bloco dos 21 países latino-americanos com o Eixo - formado por Alemanha, Japão e Itália. Mas devido à recusa da Argentina e do Chile em aceitar os termos propostos foi aprovada apenas uma recomendação de rompimento das relações com os paises do Eixo.

A Terceira Reunião de Consulta dos Ministros das Relações Exteriores das Repúblicas Americanas realizado no Palácio Tiradentes foi convocada pelos Estados Unidos logo depois do ataque japonês a Pearl Harbor, em dezembro de 1941.

Mesmo sem conseguir atingir o seu principal objetivo, as resoluções do encontro foram amplamente favoráveis aos Estados Unidos. Os países latino-americanos comprometeram-se a fornecer matérias-primas estratégicas para a indústria bélica norte-americana. Nessas negociações, foi dada ênfase especial à borracha, produto que se tornara escasso após o avanço japonês no Sudeste Asiático. Os países também assumiram o compromisso de criar condições ao livre movimento de capitais, e de manter a ordem interna para evitar a alteração do acordo com os Estados Unidos.

O presidente Getúlio Vargas só divulgou a decisão de romper relações diplomáticas com a Itália, a Alemanha e o Japão no dia do encerramento da conferência. O anúncio foi feito depois de o governo ter obtido do Presidente Roosevelt a promessa de modernizar as Forças Armadas Brasileiras e de apoiar a criação da Companhia Siderúrgica Nacional.

Depois de vários ajustes entre os dois países foi assinado, em março de 1942, o acordo militar para o envio de armas e munição ao Brasil no valor de US$ 200 milhões.


O Brasil na Segunda Guerra
O Brasil declarou guerra ao Eixo em agosto de 1942, depois de os nazistas afundarem seis navios brasileiros em um só dia. Entretanto, o envio de tropas à Europa somente ocorreu um ano após o incidente.
O Brasil cedeu espaço para instalação de uma base aérea militar em Parnamirim (RN). Devido a sua importância para os Aliados, o local foi apelidado de "Trampolim para a Vitória". Os americanos usaram a base para transporte de equipamentos e soldados como escala para o norte da África, em novembro de 1942. Lá foi travada a batalha em que as tropas nazistas comandadas por Rommel foram derrotadas pelos soldados Aliados liderados por Montgomery.

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1972 - As conquistas de Mequinho

Jornal do Brasil: Mequinho


O brasileiro Henrique da Costa Mecking, o Mequinho, tornou-se aos 19 anos o mais jovem grande mestre internacional de xadrez ao empatar com o romemo Victor Cocaltea no 15º movimento em partida válida pela 14ª rodada do torneio de Hastings, na Inglaterra. Depois de conquistar o título, o mestre desabafou: "Agora posso dormir tranquilo. Fiquei várias noites em claro, passando e repassando cada movimento no tabuleiro". De volta ao Brasil, Mequinho foi recebido no aeroporto pela bateria da Mangueira.

O maior enxadrista brasileiro aprendeu a movimentar as peças aos 5 anos, orientado pela mãe. Aos 12 anos, já havia ganho o campeonato gaúcho e, aos 13 anos, o brasileiro. Aos 15 anos, ao conquistar o Sul-Americano tornou-se o mais jovem jogador a vencer um campeonato continental, e em seguida sagrou-se o mais jovem Mestre Internacional da história do xadrez. O desempenho de Mequinho na juventude só é comparável a outros gênios, como o norte-americano Bobby Fischer e o russo Garry Kasparov. O brasileiro aos 18 anos chegou a empatar uma partida com Fisher, já naquela época considerado o mais forte enxadrista de todos os tempos.

Em 1978, atingiu a posição de terceiro melhor jogador de xadrez do planeta, com 2.635 pontos, na tabela da Federação Internacional de Xadrez, atrás apenas de Viktor Korchnoi, vice-campeão mundial, e de Anatoly Karpov, campeão mundial. Mas naquele mesmo ano Mequinho foi bruscamente obrigado a interromper sua carreira. O jogador foi acometido de miastenia, doença que ataca e debilita o sistema nervoso e os músculos. Desenganado pelos médicos, que disseram que ele poderia morrer a qualquer momento, ingressou na Renovação Carismática Católica e diz que ficou curado. Mequinho retornou às disputas internacionais em 2000, mas tem dedicado a maior parte de seu tempo à religião.

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1939 - A propaganda Nazista

Jornal do Brasil: Joseph Goebbels

O ministro da Informação e Propaganda da Alemanha Nazista, Joseph Goebbels, fez um discurso em Berlim em que afirmou a supremacia da civilização italiana e alemã. O pronunciamento foi feito durante a inauguração de uma série de transmissões radiofônicas comuns entre os dois países.
"A América foi descoberta pela Itália, disse o ministro, e se hoje são impressos livros e jornais é por que o alemão Guttemberg inventou a imprensa".

A mentira e a manipulação eram as principais armas da propaganda de Goebbels, e foram um dos pilares de sustentação do nazismo. O braço direito de Hitler estimulou a realização de numerosos crimes, como a Noite dos Cristais, em 1938, quando 90 judeus foram assassinados e mais de 20 mil presos e enviados para campos de concentração. Durante o massacre foram destruídas sinagogas, casas e lojas da comunidade judaica. A operação foi montada para vingar o assassinato de um diplomata alemão em Paris por um jovem comunista judeu.

O ministro de Hitler manipulava as massas com extrema habilidade. No discurso proferido no Palácio dos Esportes Gobbels exortou os alemães a se lançarem em uma batalha final. Na época, a Alemanha estava em ruínas e a sorte da guerra estava se voltando a favor dos aliados.
O pronunciamento do Palácio dos Esportes foi gravado com destaque para os aplausos, e posteriormente foi transmitido pelas rádios, com a intenção de empolgar os ouvintes e os soldados no campo de batalha.

Sob orientação de Goebbels também foram queimadas obras de escritores liberais, pacifistas e socialistas, considerados contrários à política de Hitler. O ministro criou o requerimento de ancestralidade ariana, que visava banir os judeus de atividades culturais e coibir os casamentos mistos.


Goebbels foi o sucessor de Hitler

Goebbels foi ao lado de Himmler um dos homens mais poderosos da Alemanha Nazista. Como ministro da propaganda organizou o culto à personalidade do Führer – o líder – além de criar e tornar obrigatória a saudação Heil Hitler entre os integrantes do partido nazista. Com técnica e astúcia, conseguiu transformar o trauma da derrota na Primeira Guerra e as imposições à Alemanha do Tratado de Versalhes em combustível para a política expansionista nazista.
Poucas horas depois de Hitler ter-se suicidado, em 1945, Goebbels, que tinha sido nomeado seu sucessor, se matou junto com a sua mulher, depois de ter assassinado os seis filhos do casal.

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1972 - Caetano Veloso retorna do exílio


Jornal do Brasil: Caetano Veloso faz show no Rio

Caetano Veloso retornou do exílio e agendou três shows no Rio, dois em São Paulo, um em Recife, e dois em Salvador. Os espetáculos do Rio foram realizados no Teatro João Caetano e não seguiam um roteiro nem tinham tempo de duração estabelecido. Tudo iria depender da reação do público. Dos 4 mil ingressos disponíveis, 3.500 já haviam sido reservados antes da abertura das bilheterias.

O ensaio marcado para as 15h30 atrasou duas horas por causa da demora para instalar os equipamentos de som. Caetano manteve-se calmo e observou: "O Brasil parece a Itália. O tempo passa e a gente nem percebe. Não acontece nada"

O cantor e compositor saiu do Brasil em julho de 1969 depois de ser preso com Gilberto Gil, em São Paulo, no fim de 68. Ambos foram acusados de desrespeito ao Hino Nacional e à bandeira brasileira. Os músicos foram transferidos para o Rio e tiveram suas cabeças raspadas; foram liberados dois meses depois, logo após o carnaval de 1969, mas ficaram em regime de confinamento em Salvador.

Pouco meses antes de ser detido Caetano foi vaiado na eliminatória paulista do 3º Festival Internacional da Canção ao cantar É proibido proibir. Foi chamado de alienado e revidou o ataque, tachando a esquerda de burguesa e ignorante. A música foi desclassificada. Já o compacto com a canção A voz do morto, produzido na mesma época, foi censurado pela ditadura militar e recolhido das lojas.

Shows e canções inéditas
O disco Caetano Veloso (1969) foi lançado pouco depois da partida para Londres. No exílio, Caetano fez shows na Inglaterra e em outros países da Europa, lançou dois discos com canções inéditas e tornou-se correspondente de O Pasquim.

Em 1971, o cantor conseguiu um visto de um mês para voltar ao Brasil e acompanhar os festejos dos 40 anos de casamento de seus pais. Ao chegar aqui, sofreu pressão dos militares para fazer uma música de louvor à Rodovia Transamazônica. Caetano recusou-se a atender o pedido e teve de voltar para Londres, e retornou um ano depois.


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1957 - A poesia de Gabriela Mistral

Jornal do Brasil: comentário sobre Gabriel Mistral

Lucila Godoy Alcayaga foi a primeira escritora latino-americana a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura, em 1945. Descendente de espanhóis, bascos e índios, nasceu em Vicuña, uma vila do norte do Chile, em 1889. Foi poeta, professora e diplomata, e teve uma vida sofrida, cujas dificuldades ela transformou nos temas centrais dos seus poemas, carregados de amor e esperança. O pai abandonou a família quando ela tinha 3 anos, e aos 15 anos Lucila já dava aulas.
Em 1914, venceu um concurso literário com Sonetos de la muerte, assinados com o pseudônimo Gabriela Mistral, formado a partir do nome de dois poetas, o italiano Gabriele D'Annunzio e o francês Frédéric Mistral.

O suicídio do seu noivo em 1907 a marcou por toda a vida e foi abordado em seu primeiro livro de poesias, Desolación (1922). No mesmo ano foi convidada pelo Ministério da Educação do México para planejar a reforma educacional daquele país e criar bibliotecas populares. Depois de receber o Prêmio Nobel, representou o Chile como diplomata em Nápoles, Madri, Lisboa e Rio de Janeiro, e atuou em várias instituições de ensino superior na Europa e na América Latina.
Gabriela Mistral foi cônsul no Brasil no anos 40 e viveu em Petrópolis. O período foi marcado pelo suicídio de seu sobrinho, a quem chamava de filho. A morte da mãe em 1929 a inspirou a escrever o livro Tala.

Cecília Meirelles, que conheceu Gabriela no Rio, a descrevia como uma pessoa de hábitos simples, de extrema dedicação pelas crianças, que procurava realizar uma obra educativa que espelhasse suas preocupações com o futuro da humanidade.

Alguns dos seus poemas mais conhecidos são Piececitos de Niño, Balada, Todas íbamos a ser Reinas, La Oración de la Maestra, El Ángel Guardián, Decálogo del Artista e La Flor del Aire.

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1948 - Parlamentares eleitos pelo PCB são cassados

Jornal do Brasil: Cassação de parlamentares comunistas


A Câmara dos Deputados aprovou a cassação dos mandatos dos parlamentares comunistas por 169 votos contra 74. O pedido de cassação foi feito pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) sob a alegação de que os representantes eleitos pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB) estavam sem partido, já que a ilegalidade da agremiação partidária havia sido decretada um ano antes. Essa medida fora tomada pelo Supremo Tribunal Federal, baseado no texto constitucional, que proibia a existência de partido político contrário ao regime democrático e à pluralidade partidária, e que não garantisse os direitos fundamentais do homem. Naquele mesmo dia, o Ministério do Trabalho decretou a intervenção em vários sindicatos e fechou a Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT) criada pelo movimento sindical em 1946 e que não era reconhecida oficialmente pelo governo. Os comunistas tentaram organizar uma nova agremiação partidária, o Partido Popular Progressista (PPP), incorporando as teses centrais do PCB, mas o registro foi negado.
As perseguições aconteceram em consequência da tomada de posição do Brasil a favor dos Estados Unidos e contra União Soviética na Guerra Fria, conflito ideológico polarizado pelas duas potências a partir do final da Segunda Guerra Mundial.
O senador Luiz Carlos Prestes e a bancada comunista haviam assinado a Constituição em setembro de 46.
Sob o impacto da cassação, o PCB lançou um manifesto pregando a derrubada imediata do governo Dutra, considerado um governo "antidemocrático", de "traição nacional" e "a serviço do imperialismo norte-americano".
O ministro da Justiça declarou que a ordem continuava inalterada e desmentiu rumores de distúrbios no Sul do país, próximo à fronteira.

Votação expressiva nas eleições de 1945
O Partido Comunista Brasileiro (PCB) atingiu quando estava na legalidade, em 1945, a maior expansão de sua história e chegou a ter mais de 100 mil filiados. Nas eleições realizadas para a Presidência da República e para a Assembléia Nacional Constituinte naquele ano, o PCB obteve 10% da votação nacional e, num universo de 320 parlamentares, elegeu 15 deputados federais e o senador Luís Carlos Prestes, que foi o segundo mais votado no país. A votação de Prestes só foi suplantada pela de Getúlio Vargas. O PCB tornou-se a quarta força eleitoral, atrás do Partido Social Democrático (PSD), da União Democrática Nacional (UDN) e do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).

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1959 -- A posse do general De Gaulle

Jornal do Brasil: De Gaulle assume a presidência Quinta República


O general Charles De Gaulle recebeu a Ordem da Grande Corrente da Legião de Honra ao assumir o cargo de primeiro presidente da Quinta República francesa. Depois de uma tentativa de golpe militar na Argélia, a Assembléia Nacional pressionada pelos militares convidou De Gaulle para resolver a crise argelina. O governo anterior fracassara e o general só aceitou o cargo sob a condição de que a presidência tivesse amplos poderes. A Constituição foi alterada e De Gaulle conquistou o cargo.

O general decepcionou parte do eleitorado ao estabelecer negociações oficiais com a Frente de Libertação da Argélia (FNL). Por causa dessas conversações de paz, militares de direita rebelaram-se contra De Gaulle, que foi vítima de um atentado em 1961. Um ano depois, o presidente francês assinou o Tratado de Évian que estabeleceu a paz e a independência da Argélia, pondo fim um conflito sangrento de oito anos. Nos anos seguintes, conseguiu reerguer a economia francesa.

O general foi prisioneiro dos alemãs na Primeira Guerra e, na Segunda Guerra, liderou de Londres o movimento de resistência francês contra o nazismo. Os grupos de sabotagem e a rede de informações de inteligência militar comandados por ele foram fundamentais para a retomada da França pelos aliados. Aclamado como herói foi eleito presidente em 1945. Não conseguiu maioria na Assembléia Nacional e renunciou em 1946. Retornou à presidência em 1958, reelegendo-se em 1965. Entretanto o seu governo não resistiu às s revoltas estudantis de maio de 1968. De Gaulle renunciou novamente em 1969 após ser derrotado no plebiscito sobre a reforma constitucional que pretendia fazer. Morreu aos 80 anos.

Frase cria mal-estar

O presidente Charles De Gaulle negava ter dito a frase "O Brasil não é um país sério". O autor da expressão foi o embaixador do Brasil na França Carlos Alves de Souza. O diplomata fez essa observação durante a Guerra da Lagosta, no início dos anos 60, ao conceder uma entrevista ao jornalista Luiz Edgar de Andrade. A crise entre os dois países foi motivada pela apreensão de pesqueiros franceses que capturavam lagostas nas costas do nordeste brasileiro. O conflito foi resolvido mas o mal-estar continuou. Alves de Souza assumiu a autoria da frase em seu livro Embaixador em tempos de crise e absolveu De Gaulle.

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1989 - Hiroíto reina por 62 anos


Jornal do Brasil: Reinado de Hiroíto  foi o mais longo do Japão

O reinado do imperador Hiroíto durou 62 anos e foi o mais longo da história dos imperadores japoneses. Durante esse período, o Japão experimentou a destruição das bombas atômicas na Segunda Guerra Mundial, e em seguida floresceu como uma das economias mais fortes do mundo. Para os japoneses, ele foi o deus vivo, descendente da deusa do Sol, Amaterasu. Em aparições públicas, ninguém estava autorizado a olhar diretamente para ele e até mesmo seus médicos e alfaiates eram proibidos de tocá-lo.

Os soldados conquistaram em nome de Hiroíto o maior império asiático desde os tempos de Gengis Khan. Para alguns, inclusive japoneses, ele deveria ser julgado como criminoso de guerra. Para outros não passou de um fantoche nas mãos de militares ambiciosos.

Por causa das atrocidades cometidas na China e na Indochina na Segunda Guerra, e da sua aliança com os nazistas, transformou-se um dos três homens mais odiados do mundo, ao lado de Hitler e Stálin. O general MacArthur, que governou o Japão depois do fim da Segunda Guerra, defendeu Hiroíto e não deixou que ele fosse julgado. O general acreditava que o imperador daria coesão ao povo japonês e o ajudaria a aceitar as mudanças. A partir daí, o monarca teve os poderes reduzidos e renunciou a sua origem divina. Pela nova constituição, elaborada pelos americanos, a instituição do império permaneceria, mas destituída de poder político e da aura sagrada.

Hiroíto abandonou os rituais da corte. Deixou de usar o quimono, permitiu a publicação de fotos da família imperial. Aboliu também o costume secular de manter concubinas imperiais, mandou o neto estudar na Europa, autorizou o príncipe herdeiro a se casar com uma plebeia e, por fim, assumiu publicamente que sofria de câncer.

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1963 - Vitória do presidencialismo

Jornal do Brasil: presidencialismo vence nas urnas

Cerca de 80% dos eleitores votaram pelo restabelecimento do presidencialismo. O plebiscito foi convocado pelo presidente João Goulart (Jango) para decidir sobre a manutenção ou não do sistema parlamentarista, em vigor desde a renúncia de Jânio Quadros, em 1961. A partir da vitória no plebiscito, João Goulart passou a governar o país com todos os poderes constitucionais.
Jango foi eleito vice-presidente em 1960, época em que a votação para presidente e para vice era feita separadamente e assumiu a Presidência da República no ano seguinte, com a renúncia de de Jânio Quadros. Quando Jânio renunciou Jango estava na China, para negociar a retomada das relações comerciais entre os dois países. Grupos conservadores e setores das Forças Armadas não aceitaram que Jango tomasse posse, sob a alegação de que ele tinha tendências esquerdistas.
O governador do Estado do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, reagiu e iniciou a campanha legalista pela posse de João Goulart. O movimento de resistência alastrou-se por todo o país e dividiu as Forças Armadas. A pressão fez o Congresso negociar uma saída para a crise.
O presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli, assumiu o cargo provisoriamente até que o impasse fosse decidido. Nesse interim, o poder ficou nas mãos dos três ministros militares do ex-presidente Quadros -- Almirante Sílvio Heck, General Odílio Denis e Brigadeiro Grum Moss. Em setembro do mesmo ano, foi aprovada uma emenda constitucional, que instituiu o parlamentarismo. João Goulart enfim assumiu o cargo, mas teve os poderes limitados.
Os conflitos políticos e as tensões sociais agravaram-se no breve período em que Jango governou o país. O mandato dele foi interrompido pelo Golpe de 1964. João Goulart foi exilado no Uruguai e morreu no exílio, no município argentino de Mercedes, em 6 de dezembro de 1976.

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1945 - EUA destroem cidades do Japão

Jornal do Brasil: Ofensiva contra o Japão

A ofensiva dos Estados Unidos contra o Japão na Segunda Guerra Mundial entrava em uma nova fase, com ataques de aviões bombardeiros B-29. Os primeiros alvos foram as cidades de Nagoya e Osaka. Nagoya era na época um centro industrial que abrigava a fábrica de aviões Mitsubishi. Noventa superfortalezas divididas em várias formações despejaram bombas incendiárias nas duas cidades, mas os japoneses disseram que os danos foram mínimos devido à eficiência da sua defesa aérea. De acordo com os japoneses, foram abatidos 13 B-29 e outros 25 ficaram danificados no confronto.

Os ataques a fábricas e instalações militares foram intensificados entre os meses maio e junho e acabaram por destruir 58 cidades e matar mais de 393 mil civis. Nas batalhas finais, os japoneses usaram um grande número de pilotos suicidas, os camicases, que se lançavam contra os navios americanos.

O Japão ficou isolado e sem abastecimento, mas recusava-se a render-se incondicionalmente, como determinava o grupo dos aliados formados pela Inglaterra, França, Estados Unidos e a União Soviética. Para pressionar a rendição do Japão, foi decidido o bombardeio atômico de Hiroshima e Nagasaki, que matou mais de 100 mil pessoas e deixou um rastro gigantesco de destruição. Poucos meses depois o Japão se rendeu.
O Japão, a Alemanha e a Itália constituíam ao lado de outras nações menores, o Eixo, que lutava contra os Aliados.

O Brasil na guerra
O Brasil posicionou-se ao lado dos Aliados depois de os navios brasileiros serem atacados por submarinos alemães, com a perda de quase mil vidas, entre civis e militares. O ministro das Relações Exteriores, Leão Veloso, disse que a entrada do Brasil na guerra foi uma resposta à agressão sofrida, e acrescentou que o país sempre fez uma política de boa vizinhança. "Os antigos princípios da diplomacia brasileira assim o provam", justificou.

O Brasil participou do conflito, enviando para a Itália, na região de Monte Castelo, cerca de 25 mil pracinhas da Força Expedicionária Brasileira (FEB). Os soldados brasileiros conquistam a região e foram uma importante contribuição para a vitória dos Aliados na Itália.

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1988 - O humor de Henfil

Jornal do Brasil: O cartunista Henfil


Henfil foi criador de personagens inesquecíveis de histórias em quadrinhos, como os fradinhos Baixim e Cumprido, a ave Graúna, o bode Orellana, Capitão Zeferino e Ubaldo, o paranóico. Os seus textos mordazes são documentos de uma época sombria e tinham como alvo o regime militar. "As palavras para mim não são gratuitas, não consigo usar nenhuma palavra de forma gratuita", dizia o cartunista, que foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores.

O mineiro Henrique Souza Filho começou a carreira na Revista Alterosa, em Belo Horizonte, em 1964. Lá nasceram os fradinhos e o pseudônimo Henfil. O apelido foi invenção do editor Roberto Drumond, que juntou as primeiras sílabas dos nomes Henrique e Filho. Um ano depois, Henfil foi para o Diário de Minas. Em seguida, para o Jornal dos Sports, além de colaborar com as revistas Visão, Realidade, Placar e O Cruzeiro. Em 1969, estreou os fradinhos no semanário O Pasquim. Os personagens neuróticos e passionais fizeram sucesso e chamaram a atenção da censura, que impôs cortes às histórias. Em 1972, ingressou no Jornal do Brasil, onde criou Zeferino e seus amigos da caatinga, Graúna e Orellana. Com esse personagens, o cartunista intensificou a crítica à ditadura.
De 1977 a 1980, na Revista Isto É, escreveu suas Cartas da Mãe, que comentavam os assuntos mais importantes do momento. Naquela época, estavam em pauta o exílio do irmão Herbert de Souza, o Betinho, e de outros companheiros, a tortura, as greves dos trabalhadores no ABC, o surgimento de Lula como líder sindical, a campanha pela anistia, e a criação do PT.

Também foi o autor dos livros Hiroxima, meu humor, Diário de um cucaracha, Diretas Já, Henfil na China, Fradim de libertação, e Como se faz humor político. Foi co- autor da peça A Revista do Henfil, além de escrever, dirigir e atuar no filme Tanga - Deu no New York Times

Luta contra a aids

A notícia da morte de Henfil chegou durante o show que os amigos faziam em um teatro paulista para arrecadar fundos para custear o caro tratamento contra a aids A doença foi contraída em uma transfusão de sangue. Henfil era hemofílico e tinha saúde precária, assim como seus dois irmãos, Herbert de Sousa, e Francisco Mário, que também morreram de aids. Além dos irmãos, tinha mais cinco irmãs.
Henfil não se deixava abater pelas dificuldades da vida, e dizia: "Se não houver frutos, valeu a beleza das flores, se não houver flores, valeu a sombra das folhas, senão houver folhas, valeu a intenção da semente"

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1942 - Maria Lenk bate recordes

Jornal do Brasil: Maria Lenk


A nadadora Maria Lenk bateu extraoficalmente o recorde mundial dos 200 metros nado de peito, em Chicago, com o tempo de 3 minutos e 7 segundos. Os nadadores brasileiros Willy Jordan e Paulo Fonseca da Silva também se destacaram em suas respectivas provas. Maria Lenk foi a única mulher a representar o Brasil na competição que envolveu atletas norte-americanos, argentinos e brasileiros.

A nadadora foi uma pioneira. Aos 17 anos foi a primeira mulher sul-americana a competir em Olimpíadas, ao representar o Brasil nos Jogos de Los Angeles em 1932. Participou também em 1936 dos Jogos realizados em Berlim. Em 1939, durante a preparação para os Jogos Olímpicos de Tóquio, quebrou dois recordes mundiais individuais, dos 200 metros e 400 metros nado de peito. Lenk foi a primeira e única brasileira a conseguir esse feito. Os Jogos de 1940 foram suspensos em razão da Segunda Guerra Mundial.

Em 1942, a atleta ajudou a fundar a Escola Nacional de Educação Física da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro. Era também membro vitalício da Sociedade Americana de Técnicos de Natação.

Lenk ainda detém recordes mundiais de masters. As conquistas lhe valeram um lugar no Hall da Fama da Federação Internacional de Natação (Fina) em 1988, quando foi homenageada como um dos 10 melhores nadadores master do mundo.

Em 2003, depois de três anos de pesquisas, lançou o livro Longevidade e Esporte, que mostra os benefícios decorrentes da prática esportiva. Até os últimos dias de vida nadava cerca de 1.500 metros por dia.

Maria Lenk morreu aos 92 anos, após exercitar-se na piscina do Clube de Regatas Flamengo. A atleta dá nome ao Parque Aquático inaugurado em 2007 onde foram realizadas as provas de natação dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro.

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1919 - O Acordo de Versalhes

Jornal do Brasil: Partida para Paris


O navio Curvello deixou o Cais do Porto do Rio de Janeiro com destino a Paris, transportando o embaixador Epitácio Pessoa e seus auxiliares, que representariam o Brasil na Conferência de Paz de Versalhes. As 27 nações vencedoras da Grande Guerra participaram do encontro.

O acordo resultante da reunião, o Tratado de Versalhes, foi implacável com os vencidos. Os alemães foram obrigados a aceitar os 440 itens impostos por Woodrow Wilson, presidente dos Estados Unidos, David Lloyd George, primeiro-ministro britânico, e Georges Clemenceau, primeiro-ministro francês. O tratado foi assinado depois de seis meses de negociações, pelos representantes alemães, sob protestos e ameaças de invasão por parte dos exércitos vencedores.

A Alemanha foi obrigada a entregar a Alsácia e a Lorena à França, e outros territórios à Dinamarca e à Polônia. As minas de carvão do Sarre foram cedidas à França para exploração por 15 anos. O porto de Danzig foi entregue à jurisdição da Liga das Nações, e sua exploração à Polônia. A Alemanha teve de entregar aos vencedores os seus navios e submarinos, e foi proibida de ter aviação militar e marinha de guerra. O exército foi limitado a 100 mil homens. Como compensação pelas perdas e danos sofridos pelos países da Entente - França, Império Russo e Inglaterra - os alemães foram condenados a pagar US$ 33 bilhões, calculados em 1921.

O tratado causou choque e humilhação à população alemã, o que contribuiu para a queda da República de Weimar em 1933 e a ascensão do Nazismo. O nacionalismo e o militarismo se fortaleceram em outros países e resultaram em novos governos autoritários. Outros acordos foram assinados em separado com os aliados da Alemanha na guerra. O Império Austro-Húngaro foi desmembrado e criadas a Tchecoslováquia, Hungria, Polônia e Iugoslávia. O território ocupado pelo Império Otomano foi partilhado entre os vencedores da guerra.

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1973 - Bombardeio arrasa Hanói

Jornal do Brasil: Nixon ordena cessar-fogo no Vietnã


Depois de receber duras críticas de vários países, o então presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, ordenou o cessar-fogo no Vietnã e anunciou o início das negociações de paz para janeiro. Durante 12 dias aviões e navios norte-americanos atacaram o centro e os arredores de Hanói e Haiphong. A ofensiva foi considerada a mais violenta da Guerra do Vietnã, conflito no Sudeste Asiático entre 1959 e 30 de abril de 1975. O bombardeio maciço matou milhares de pessoas e feriu mais de 10 mil. A aviação militar americana despejou 50 mil toneladas de bombas nas duas cidades. O ataque foi realizado dia e noite desde o dia 18 de dezembro, com apenas uma breve interrupção de 36 horas por ocasião do Natal. Os prejuízos retardaram a reconstrução do centro industrial em dois anos, e envenenaram o meio ambiente de um país essencialmente agrícola.
Mesmo com poucas armas e sem treinamento militar, os norte-vietnamitas não se entregaram. Embrenharam-se na selva e usaram táticas de guerrilha. Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, o povo vietnamita "está resolvido a não aceitar, jamais, as absurdas exigências dos Estados Unidos, e chamou Nixon de "o mais cruel assassino de nossa época." A cantora americana Joan Baez declarou ao regressar de Hanói que o bombardeio foi uma terrível matança. A intérprete de músicas folclóricas passou duas semanas na capital vietnamita e disse ter conversado com pilotos americanos que participaram do ataque.
Na guerra mais sangrenta da segunda metade do século 20 morreram 2 milhões de vietnamitas, 3 milhões ficaram feridos ou inválidos, centenas de milhares de crianças ficaram órfãs, e 12 milhões de indochineses deixaram a região. As tropas americanas bateram em retirada em 1973, depois de sofrer mais de 50 mil baixas e ter 150 mil feridos e inválidos.

Imagens de terror

Uma das imagens mais terríveis da Guerra do Vietnã é a foto da menina Kim Phuc, de 9 anos, nua, fugindo de seu povoado no sul do país durante um bombardeio de napalm em junho de 1972.

A garota contou que não chegou a ver a explosão e que só se lembrava que, de repente, as suas roupas pegaram fogo, e que sentia as chamas queimando o corpo. Ela correu e conseguiu atravessar as chamas. Os pais abrigaram-se num templo, mas a tia e dois primos ainda bebês não escaparam do fogo.

O fotógrafo Nick Ut, que registrou o momento do ataque, a levou para um hospital onde dois dias depois, Kim reencontrou os pais. Ela teve de se submeter a 17 cirurgias e disse que não conseguia acreditar na imagem dela nos jornais: "Era uma foto aterrorizante"
Kim tornou-se Embaixatriz da Boa Vontade da Unesco com o objetivo de ajudar vítimas da guerra.

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