Arquivo de January 2009

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1946 - O governo do presidente Dutra

Jornal do Brasil: Posse de Dutra

A posse do general Eurico Gaspar Dutra, depois de nove anos de ditadura instaurada por Getúlio Vargas, foi marcada por festas em todo o país. O general venceu o pleito realizado em 2 de dezembro de 1945, com 3.351.507 votos, superando Eduardo Gomes, da União Democrática Nacional, e Iedo Fiúza, do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Dutra elegeu-se pela coligação formada pelo Partido Social Democrático (PSD) e pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), com o apoio de Getúlio, de quem fora Ministro da Guerra, no Estado Novo.

No início do seu mandato foi promulgada uma nova Constituição, que assegurou o mandato presidencial de cinco anos, eleições diretas, e a manutenção dos direitos trabalhistas conquistados no governo de Getúlio Vargas.

Na política externa alinhou-se com os norte-americanos na Guerra Fria, conflito ideológico polarizado pelos Estados Unidos, que lideravam os países do bloco capitalista, e pela União Soviética, que comandava o bloco socialista. Dutra rompeu relações com a União Soviética, cassou o registro do PCB e os mandatos dos representantes eleitos pela sigla. O presidente interveio em mais de 100 sindicatos, com o argumento de que estes eram ligados ao movimento comunista.

O general abriu as portas da economia brasileira aos produtos norte-americanos, promoveu a desvalorização da moeda para conter o crescimento excessivo das importações, e congelou o salário-mínimo. Seu ato mais polêmico foi a proibição dos jogos de azar no país.
Durante o seu mandato foi inaugurada a TV Tupi, a primeira emissora de televisão do Brasil. Entre 24 de junho e 16 de julho de 1950, o Brasil foi sede da Copa do Mundo de Futebol. Na partida final da disputa pelo título a equipe do Uruguai derrotou os brasileiros dentro do recém-inaugurado Estádio do Maracanã.

Dutra deixou a presidência em 1951 e, três anos depois, participou da conspiração que levou o presidente Vargas ao suicídio. Em 1964, apoiou o golpe militar que depôs o presidente João Goulart.

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1972 - O 'Domingo Sangrento'

Jornal do Brasil: Manifestantes param a Irlanda do Norte

Treze pessoas morreram e 16 ficaram feridas quando soldados do batalhão de paraquedistas britânicos abriram fogo contra civis, em Derry, na Irlanda do Norte. As vítimas faziam uma manifestação pacífica contra a prisão sumária de suspeitos de terrorismo. Os incidentes começaram no Guild Hall onde manifestantes católicos haviam se reunido, desobedecendo pelo segundo dia consecutivo a ordem do governo que proibia os protestos. A ação das tropas inglesas resultou no maior número de mortos desde o início da intervenção na Irlanda do Norte, em 1969. O general Robert Ford, comandante das tropas terrestres inglesas, disse que os soldados foram recebidos a tiros pelos manifestantes. A versão foi desmentida por testemunhas e por um porta-voz do Exército Republicano Irlandês (IRA), que prometeu uma vingança implacável contra os agressores. Depois do episódio, o IRA dividiu-se em duas frentes de luta: Uma que acreditava no movimento político e na participação nos parlamentos de Londres, Dublin e Belfast, e outra, que optou por continuar a luta armada.
A tragédia ficou conhecida como Domingo Sangrento e desencadeou uma onda de atentados na Irlanda e na Inglaterra, comandados pelo braço armado do IRA. Em função da chacina, o Exército Republicano Irlandês arregimentou um grande número de voluntários entre os jovens católicos da Irlanda do Norte.
Em represália ao massacre, o IRA convocou uma greve geral cujo apelo foi atendido por 90% da população. Milhares de pessoas saíram às ruas sob uma forte tempestade de neve para atirar pedras, explodir bombas, incendiar veículos e arrancar barricadas feitas pela polícia. Dois policiais foram feridos por franco-atiradores.

Militantes fazem greve de fome
Os militantes do IRA presos em 1981 iniciaram uma série de greves de fome. Bobby Sands foi o primeiro a morrer depois de ficar mais de dois meses sem receber alimento algum. Ele tornou-se um símbolo e mártir da luta da minoria católica contra o domínio inglês. Outros nove presos católicos também morreram em greve de fome. De 1969 a 1982, a disputa causou mais de 2 mil mortes, na maioria de civis. Depois de várias tentativas de cessar-fogo, o IRA depôs as armas em julho de 2005, sem contudo conseguir os seu objetivo de independência da Irlanda do Norte, que continuou a fazer parte do Reino Unido.

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1950 - A nova República de Bahrat

Jornal do Brasil; Proclamada República da Índia

O primeiro presidente constitucional da Índia, Rajendra Prasad, prestou juramento na presença do Presidente do Supremo Tribunal, dos membros do parlamento, de todo o corpo diplomático, dos marajás e dos potentados hindus. Estes últimos vestidos com os seus uniformes de gala cobertos de pedrarias. Em seguida, a bandeira da nova república começou a ser hasteada vagarosamente e uma estrondosa ovação irrompeu da boca de milhares de pessoas, que se comprimiam na praça próxima ao local onde foi realizada a cerimônia de posse. Os festejos se repetiram em todo o país, para marcar o nascimento do Bharat, nome oficial da república indiana, e o término de muitos anos de luta em prol da independência. O rei Jorge VI, da Inglaterra, desejou paz e prosperidade para a recém-criada república.
Antes de assumir oficialmente as funções de presidente, Rajendra Prasad prestou homenagem a Mahatma Gandhi – Pai da Nação – cujo nome significa em sânscrito a grande alma. Rajendra e sua mulher cobriram de flores o local onde foram cremados os restos mortais de Gandhi e fizeram orações.
Mahatma Gandhi conduziu a luta pela independência indiana baseado na ideologia do satyagrha (busca pela verdade), que engloba a não-violência e a desobediência civil. As teorias formuladas pelo líder espiritual e pacifista tiveram também a influência do escritor Leon Tolstoi e de John Ruskin e do americano Henry Thoreau Estudou direito na Inglaterra e iniciou a sua trajetória como advogado na África do Sul, assumindo as causas de hindus e negros.
De volta à Índia, Gandhi comandou o boicote aos comerciantes ingleses, o que fez com que a população voltasse a confeccionar suas próprias roupas. Gandhi inspirou também ativistas contra o racismo como Martin Luther King e Nelson Mandela.

Gandhi lidera a Marcha do Sal
A Marcha do Sal realizada em 1930 foi o protesto de desobediência civil que tornou Mahatma Gandhi conhecido internacionalmente, e pôs fim ao monopólio britânico sobre a venda do produto. Gandhi e seus seguidores caminharam 300 quilômetros em direção ao mar para obter sal. Uma das frases que resumem os ideais de igualdade e liberdade do líder espiritual difundido em todo o mundo é: "Cada dia a natureza produz o suficiente para nossa carência. Se cada um tomasse o que lhe fosse necessário, não haveria pobreza no mundo e ninguém morreria de fome."

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1984 - Cresce o movimento pelas Diretas Já


Jornal do Brasil: Comício reúne multidão em São Paulo


O comício pelas eleições diretas para a Presidência da República levou 200 mil pessoas à Praça da Sé, em São Paulo, em um dia chuvoso. Artistas e políticos se revezavam nas apresentações conduzidas pelo locutor Osmar Santos. A palavra de ordem mais ouvida era um, dois, três, quatro, cinco, mil, queremos eleger o presidente do Brasil.

O então presidente do PMDB, Ulysses Guimarães, declarou que o comício marcou o fim do Colégio Eleitoral: "A bastilha, que é um símbolo da usurpação do povo, e que se chama Colégio eleitoral, caiu hoje aqui".

Com o sucesso do comício em São Paulo todos os governadores de oposição resolveram fazer o mesmo. O governador do Rio, Leonel Brizola, garantiu a realização de uma manifestação ainda maior. A partir de fevereiro, os comícios foram se sucedendo nas principais capitais do país. O comício do Rio levou 1 milhão de manifestantes à Candelária. Em Belo Horizonte compareceram 300 mil manifestantes. Número igual ao de Goiânia. Até que no dia 16 de abril, pouco antes da votação da emenda Dante de Oliveira, que instituía o voto direto para a Presidência da República, realizou-se um último comício em São Paulo, que reuniu 1,5 milhões de pessoas no vale do Anhangabaú.

Para obter a aprovação, a emenda teria de obter 2/3 dos votos. A proposta recebeu 298 votos a favor e 65 contra, e foi derrotada por 22 votos. A população não pode acompanhar a votação dentro do plenário. Os militares reforçaram a segurança ao redor do Congresso Nacional com tropas, tanques e metralhadoras.

Restou a eleição indireta para a presidência, que foi disputada por Paulo Maluf (PDS) e Tancredo Neves (PMDB). Com o apoio das mesmas lideranças da campanha Diretas Já, Tancredo Neves venceu a disputa, mas não tomou posse. Um dia antes da cerimônia passou mal, foi internado e morreu no dia 21 de abril, de infecção generalizada. O vice-presidente José Sarney assumiu o cargo.

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1985 - Tancredo faz viagem diplomática

Jornal do Brasil: Tancredo viaja para cinco países

Tancredo Neves foi o primeiro presidente civil eleito depois do golpe militar de 1964 ao derrotar Paulo Maluf no pleito realizado dia 15 de janeiro pelo Colégio Eleitoral. Em sua primeira viagem como presidente eleito, Tancredo visitou Portugal, Itália, França, Espanha, Estados Unidos, México e Argentina. O objetivo era mostrar que o Brasil havia mudado, e que seriam estabelecidos novos acordos comerciais e diplomáticos.

Durante o voo para Roma, comentou com os jornalistas os planos de reatar relações com a União Soviética, e disse que os Estados Unidos seriam sua última e mais importante escala. O presidente eleito disse em seu discurso em Washington que o povo brasileiro era o principal protagonista da redemocratização, além de declarar que a recessão era um fator que desestimulava os investimentos.

Já a chegada à Roma teve destaque nos jornais italianos. A base das conversações com o presidente Sandro Pertini e o premier Bettino Craxi foi a fixação de um programa de comércio externo. Na França, o tema dos debates foi a dívida externa brasileira. O presidente eleito recebeu em Portugal título de doutor honoris causa na Universidade de Coimbra e acertou a colocação de produtos brasileiros no Mercado Comum Europeu. Na Espanha, Tancredo recebeu honras de chefe de estado e interessou-se pelo Pacto de Moncloa, no qual todos os segmentos da sociedade espanhola se comprometeram a atuar politicamente sem atrapalhar na construção da democracia no país.

Ao regressar, Tancredo iniciou as articulações para a constituição do primeiro ministério da República Civil. No dia 12 de março, concedeu a última entrevista coletiva como presidente eleito. No pronunciamento, defendeu a contenção dos gastos públicos, o combate à inflação, recursos para produção agrícola e reformulação da Lei de Greve. Dois dias depois, passou mal, foi internado e morreu no dia 21 de abril de infecção generalizada.

Figueiredo desabafa na TV
João Figueiredo, o último general-presidente, admitiu em entrevista concedida à TV Manchete que se saiu mal ao agir no governo como se estivesse em um quartel, e acrescentou: "Vou sentir uma pena danada do doutor Tancredo ao passar a faixa presidencial para ele".

Figueiredo negou que dissera que prefere o cheiro de cavalo ao cheiro do povo: "Aquilo só pode ter sido uma maldade dos jornalistas, que ouviram o que eu disse. Eu disse que gosto mais do cheiro de cavalo, para não dizer outra coisa que deveria ter dito e ele compreendeu maldosamente". O general encerrou a entrevista com um pedido: "Me esqueçam"

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1971 - O desaparecimento de Rubens Paiva

Jornal do Brasil: Matéria ganha Prêmio Wladimir Herzog de Jornalismo

O nome do deputado cassado em 1964 Rubens Beyrodt Paiva figura na lista dos desaparecidos da ditadura militar desde 1971. O ex-deputado foi preso em casa e obrigado a sair dirigindo o seu próprio carro para não despertar suspeitas. Três dias depois, o Fusca do ex-deputado foi encontrado crivado de balas no Alto da Boa Vista. Segundo a versão sustentada pelos órgãos de segurança, o veículo transportava um prisioneiro para interrogatório quando foi interceptado por outro carro com cinco ocupantes armados, possivelmente terroristas. Houve confronto e o grupo conseguiu resgatar o preso, que teria sido ferido. A ação teria ocorrido às 4h30 de 22 de janeiro.

Em 1979, os jornalistas Fritz Utzeri e Heraldo Dias, do jornal do Brasil, ganharam o Prêmio Wladmir Herzog, com a matéria Quem Matou Rubens Paiva, em que revelam as contradições dos militares ao tentarem explicar o caso.

Segundo a matéria, uma testemunha afirmara ter visto Rubens 30 horas antes do suposto ataque no Alto da Boa vista, bastante machucado, deitado no fundo de um carro. A testemunha e o ex-deputado estavam sendo transportados da Terceira Zona Aérea, próximo ao Aeroporto Santos Dumont, para o quartel da PE, no Rio.

Ainda de acordo com a matéria, o desaparecimento de Rubens está ligado ao primeiro voo Santiago–Rio, logo depois da chegada ao Chile de 70 presos políticos trocados pelo embaixador suíço Enrico Bucher. Entre os passageiros estavam duas mulheres, que voltavam de uma visita ao filho e à irmã, ambos exilados. Elas traziam várias cartas entre elas duas tinham destinatários identificados – Rubens Paiva e o ex-deputado Almino Afonso. As cartas foram confiscadas pelos agentes de segurança da Aeronáutica e Rubens em seguida foi preso, possivelmente confundido como um contato dos grupos de esquerda no Brasil.

Caso foi arquivado

Na época, Eunice Facciolla Paiva, mulher de Rubens, e a filha do casal Eliana também foram presas. Eunice ficou incomunicável por 12 dias e Eliana, 15 anos, ficou detida por 24 horas. O corpo de Rubens não foi encontrado, e as circunstâncias do seu desaparecimento continuam um mistério até hoje.

O processo que apurava o desaparecimento de Rubens Paiva foi arquivado. O ex-deputado só foi considerado legalmente morto em 1996, depois da aprovação da Lei dos Desaparecidos, que determinou o reconhecimento da responsabilidade do Estado pela morte de 136 desaparecidos políticos.

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1966 - Indira é eleita primeira-ministra

Jornal do brasil: Indira derrota direitistas

Indira Gandhi foi eleita primeira-ministra em votação secreta no parlamento por 399 votos contra 169, ao derrotar o líder direitista Morarji Desai. Indira prometeu prosseguir com a política de neutralidade e socialismo pragmático adotado por seu pai, o ex-primeiro-ministro Jawaharlal Nehru. O resultado da eleição foi bem recebido pela Inglaterra e União Soviética. A nova chefe de governo declarou que "embora a Índia passe por dificuldades, tem imensos recursos materiais e uma grande força interior para superá-las".

Indira não tem parentesco com Mahatma Gandhi. O sobrenome do pacifista foi adotado pelo marido de Indira por razões políticas. Antes de ser eleita, foi ministra da Informação no gabinete de Lal Bahadur Shastri de 1964 a 1966, e sucedeu o pai em 1966 na chefia do Partido do Congresso. Entre as medidas mais radicais do seu governo estão a nacionalização dos bancos e a esterilização maciça obrigatória da população.

Em 1975, Indira foi condenada por fraude eleitoral. Para fugir da punição decretou o estado de sítio e passou a governar de forma ditatorial. Nessa época, nomeou seu filho Sanjay Gandhi como sucessor.

Com a derrota nas eleições de 1977, dividiu o Partido do Congresso, e à frente de um novo partido obteve em 1980 uma esmagadora vitória nas urnas. Os conflitos entre os diversos grupos étnicos e religiosos foram agravados no seu último mandato. Temendo que o líder sikhs Jarnail Singh Bhindranwale armazenasse armas para um levante, Indira ordenou a ocupação pelo Exército do Templo Dourado, em Amristar. No confronto morreram 83 soldados e 493 sikhs e outras centenas ficaram feridas. Meses depois, Indira foi assassinada por sikhs da sua própria guarda pessoal, que se vingaram do massacre.
O filho Rajiv Gandhi, que se preparara para o cargo após o acidente que tirou a vida de Sanjay, foi o seu sucessor.

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1969 - Ministros e parlamentares são cassados pelo AI-5

Jornal do Brasil: Governo cassa mandatos

A lista de cassações aumentou no mês de janeiro em consequência da edição do Ato Institucional número 5 (AI-5), em dezembro de 1968. A punição atingiu parlamentares e até ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os que perderam o mandato estavam dois senadores - Aarão Steinbruck e João Abraão -, 35 deputados federais, três ministros do STF - Hermes Lima, Vítor Nunes Leal e Evandro Lins e Silva, além de aposentar compulsoriamente os ministros Antônio Gonçalves de Oliveira e Carlos Lafaiete de Andrade. O AI-5 não poupou nem o ministro do Superior Tribunal Militar (STM) Peri Constant Bevilacqua, que, segundo o porta-voz do Presidente Costa e Silva, Carlos Chagas, era acusado de "dar habeas-corpus demais". O Congresso foi fechado, e só foi reaberto em outubro, para eleger o general Emílio Garastazu Médici à Presidência da República.

O AI-5 foi o instrumento criado para dar amparo legal aos atos arbitrários cometidos pela ditadura militar. O decreto autorizou o presidente da República a fechar o Congresso, intervir nos Estados e municípios, cassar mandatos parlamentares, suspender por 10 anos os direitos políticos de qualquer cidadão, confiscar bens considerados ilícitos, além de suspender a concessão de habeas-corpus. Os encarregados de inquéritos políticos estavam autorizados a prender qualquer pessoa por 60 dias, 10 dos quais estas deveriam permanecer incomunicáveis. Emissoras de televisão e de rádio, e redações de jornais seriam ocupadas por censores. O AI-5 foi seguido por mais 12 atos institucionais, 59 atos complementares e oito emendas constitucionais, e foi revogado em 17 de outubro de 1978.

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1974 - Geisel é eleito pelo voto indireto

Jornal do Brasil: general Geisel


O general Ernesto Geisel foi eleito pelo voto indireto presidente da República. Geisel assumiu a presidência no dia 15 de março, em meio à crise que precedeu o fim do Milagre Econômico. Naquele ano a inflação chegaria a 34,5% ao ano, e no fim do seu mandato, em 1978, a elevação de preços foi de 42%.

Geisel foi o primeiro presidente eleito pelo Colégio Eleitoral, instituído pela emenda nº 1 da Constituição de 1967. O dispositivo modificou a forma de escolha do chefe da nação, e previu a criação de um Colégio Eleitoral, composto de membros do Congresso e delegados das Assembléias Legislativas dos Estados. A escolha foi feita entre duas chapas, com nomes indicados pela Arena e pelo MDB. O antecessor de Geisel, Emílio Garrastazu Médici, havia sido indicado pelo Alto Comando Militar e referendado pela Arena. O Colégio Eleitoral era formado por 503 integrantes - 412 do partido do governo e 91 da oposição.

Ernesto Geisel e o vice da Arena Adalberto Pereira dos Santos obtiveram 400 votos (84,04%) contra Ulysses Guimarães e Barbosa Lima Sobrinho, do MDB, que receberam 76 votos (15,96%). Vinte parlamentares votaram em branco e seis se abstiveram de votar. Embora o pleito fosse indireto, Ulysses Guimarães aproveitou a ocasião para percorrer o país, denunciando as eleições indiretas, a supressão da liberdade e a concentração de renda resultante do modelo econômico.

Presidente anuncia mudanças

Geisel anunciou que faria uma abertura democrática "lenta, gradual e segura". A estratégia foi formulada pelo presidente e pelo general Golberi do Couto e Silva, que havia voltado ao governo como chefe do gabinete civil da presidência.

De acordo com esse projeto, realizou-se já em 1974 eleições livres para senadores, deputados e vereadores. Geisel reduziu o rigor da censura sobre os meios de comunicação e revogou o AI-5, ato institucional que cerceou as liberdades democráticas, que estava em vigor desde 1968.

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1948 - Parlamentares eleitos pelo PCB são cassados

Jornal do Brasil: Cassação de parlamentares comunistas


A Câmara dos Deputados aprovou a cassação dos mandatos dos parlamentares comunistas por 169 votos contra 74. O pedido de cassação foi feito pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) sob a alegação de que os representantes eleitos pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB) estavam sem partido, já que a ilegalidade da agremiação partidária havia sido decretada um ano antes. Essa medida fora tomada pelo Supremo Tribunal Federal, baseado no texto constitucional, que proibia a existência de partido político contrário ao regime democrático e à pluralidade partidária, e que não garantisse os direitos fundamentais do homem. Naquele mesmo dia, o Ministério do Trabalho decretou a intervenção em vários sindicatos e fechou a Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT) criada pelo movimento sindical em 1946 e que não era reconhecida oficialmente pelo governo. Os comunistas tentaram organizar uma nova agremiação partidária, o Partido Popular Progressista (PPP), incorporando as teses centrais do PCB, mas o registro foi negado.
As perseguições aconteceram em consequência da tomada de posição do Brasil a favor dos Estados Unidos e contra União Soviética na Guerra Fria, conflito ideológico polarizado pelas duas potências a partir do final da Segunda Guerra Mundial.
O senador Luiz Carlos Prestes e a bancada comunista haviam assinado a Constituição em setembro de 46.
Sob o impacto da cassação, o PCB lançou um manifesto pregando a derrubada imediata do governo Dutra, considerado um governo "antidemocrático", de "traição nacional" e "a serviço do imperialismo norte-americano".
O ministro da Justiça declarou que a ordem continuava inalterada e desmentiu rumores de distúrbios no Sul do país, próximo à fronteira.

Votação expressiva nas eleições de 1945
O Partido Comunista Brasileiro (PCB) atingiu quando estava na legalidade, em 1945, a maior expansão de sua história e chegou a ter mais de 100 mil filiados. Nas eleições realizadas para a Presidência da República e para a Assembléia Nacional Constituinte naquele ano, o PCB obteve 10% da votação nacional e, num universo de 320 parlamentares, elegeu 15 deputados federais e o senador Luís Carlos Prestes, que foi o segundo mais votado no país. A votação de Prestes só foi suplantada pela de Getúlio Vargas. O PCB tornou-se a quarta força eleitoral, atrás do Partido Social Democrático (PSD), da União Democrática Nacional (UDN) e do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).

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1959 -- A posse do general De Gaulle

Jornal do Brasil: De Gaulle assume a presidência Quinta República


O general Charles De Gaulle recebeu a Ordem da Grande Corrente da Legião de Honra ao assumir o cargo de primeiro presidente da Quinta República francesa. Depois de uma tentativa de golpe militar na Argélia, a Assembléia Nacional pressionada pelos militares convidou De Gaulle para resolver a crise argelina. O governo anterior fracassara e o general só aceitou o cargo sob a condição de que a presidência tivesse amplos poderes. A Constituição foi alterada e De Gaulle conquistou o cargo.

O general decepcionou parte do eleitorado ao estabelecer negociações oficiais com a Frente de Libertação da Argélia (FNL). Por causa dessas conversações de paz, militares de direita rebelaram-se contra De Gaulle, que foi vítima de um atentado em 1961. Um ano depois, o presidente francês assinou o Tratado de Évian que estabeleceu a paz e a independência da Argélia, pondo fim um conflito sangrento de oito anos. Nos anos seguintes, conseguiu reerguer a economia francesa.

O general foi prisioneiro dos alemãs na Primeira Guerra e, na Segunda Guerra, liderou de Londres o movimento de resistência francês contra o nazismo. Os grupos de sabotagem e a rede de informações de inteligência militar comandados por ele foram fundamentais para a retomada da França pelos aliados. Aclamado como herói foi eleito presidente em 1945. Não conseguiu maioria na Assembléia Nacional e renunciou em 1946. Retornou à presidência em 1958, reelegendo-se em 1965. Entretanto o seu governo não resistiu às s revoltas estudantis de maio de 1968. De Gaulle renunciou novamente em 1969 após ser derrotado no plebiscito sobre a reforma constitucional que pretendia fazer. Morreu aos 80 anos.

Frase cria mal-estar

O presidente Charles De Gaulle negava ter dito a frase "O Brasil não é um país sério". O autor da expressão foi o embaixador do Brasil na França Carlos Alves de Souza. O diplomata fez essa observação durante a Guerra da Lagosta, no início dos anos 60, ao conceder uma entrevista ao jornalista Luiz Edgar de Andrade. A crise entre os dois países foi motivada pela apreensão de pesqueiros franceses que capturavam lagostas nas costas do nordeste brasileiro. O conflito foi resolvido mas o mal-estar continuou. Alves de Souza assumiu a autoria da frase em seu livro Embaixador em tempos de crise e absolveu De Gaulle.

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1963 - Vitória do presidencialismo

Jornal do Brasil: presidencialismo vence nas urnas

Cerca de 80% dos eleitores votaram pelo restabelecimento do presidencialismo. O plebiscito foi convocado pelo presidente João Goulart (Jango) para decidir sobre a manutenção ou não do sistema parlamentarista, em vigor desde a renúncia de Jânio Quadros, em 1961. A partir da vitória no plebiscito, João Goulart passou a governar o país com todos os poderes constitucionais.
Jango foi eleito vice-presidente em 1960, época em que a votação para presidente e para vice era feita separadamente e assumiu a Presidência da República no ano seguinte, com a renúncia de de Jânio Quadros. Quando Jânio renunciou Jango estava na China, para negociar a retomada das relações comerciais entre os dois países. Grupos conservadores e setores das Forças Armadas não aceitaram que Jango tomasse posse, sob a alegação de que ele tinha tendências esquerdistas.
O governador do Estado do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, reagiu e iniciou a campanha legalista pela posse de João Goulart. O movimento de resistência alastrou-se por todo o país e dividiu as Forças Armadas. A pressão fez o Congresso negociar uma saída para a crise.
O presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli, assumiu o cargo provisoriamente até que o impasse fosse decidido. Nesse interim, o poder ficou nas mãos dos três ministros militares do ex-presidente Quadros -- Almirante Sílvio Heck, General Odílio Denis e Brigadeiro Grum Moss. Em setembro do mesmo ano, foi aprovada uma emenda constitucional, que instituiu o parlamentarismo. João Goulart enfim assumiu o cargo, mas teve os poderes limitados.
Os conflitos políticos e as tensões sociais agravaram-se no breve período em que Jango governou o país. O mandato dele foi interrompido pelo Golpe de 1964. João Goulart foi exilado no Uruguai e morreu no exílio, no município argentino de Mercedes, em 6 de dezembro de 1976.

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1919 - O Acordo de Versalhes

Jornal do Brasil: Partida para Paris


O navio Curvello deixou o Cais do Porto do Rio de Janeiro com destino a Paris, transportando o embaixador Epitácio Pessoa e seus auxiliares, que representariam o Brasil na Conferência de Paz de Versalhes. As 27 nações vencedoras da Grande Guerra participaram do encontro.

O acordo resultante da reunião, o Tratado de Versalhes, foi implacável com os vencidos. Os alemães foram obrigados a aceitar os 440 itens impostos por Woodrow Wilson, presidente dos Estados Unidos, David Lloyd George, primeiro-ministro britânico, e Georges Clemenceau, primeiro-ministro francês. O tratado foi assinado depois de seis meses de negociações, pelos representantes alemães, sob protestos e ameaças de invasão por parte dos exércitos vencedores.

A Alemanha foi obrigada a entregar a Alsácia e a Lorena à França, e outros territórios à Dinamarca e à Polônia. As minas de carvão do Sarre foram cedidas à França para exploração por 15 anos. O porto de Danzig foi entregue à jurisdição da Liga das Nações, e sua exploração à Polônia. A Alemanha teve de entregar aos vencedores os seus navios e submarinos, e foi proibida de ter aviação militar e marinha de guerra. O exército foi limitado a 100 mil homens. Como compensação pelas perdas e danos sofridos pelos países da Entente - França, Império Russo e Inglaterra - os alemães foram condenados a pagar US$ 33 bilhões, calculados em 1921.

O tratado causou choque e humilhação à população alemã, o que contribuiu para a queda da República de Weimar em 1933 e a ascensão do Nazismo. O nacionalismo e o militarismo se fortaleceram em outros países e resultaram em novos governos autoritários. Outros acordos foram assinados em separado com os aliados da Alemanha na guerra. O Império Austro-Húngaro foi desmembrado e criadas a Tchecoslováquia, Hungria, Polônia e Iugoslávia. O território ocupado pelo Império Otomano foi partilhado entre os vencedores da guerra.

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