Arquivo de March 2009

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19 de março de 1965 — Astronauta russo flutua no espaço


Jornal do Brasil: Astronauta russo
O primeiro astronauta a fazer um passeio pelo espaço foi Alexey Leonov. O cosmonauta flutuou durante 20 minutos preso por um cabo de cinco metros à nave Voskhod 2. A caminhada teve início quando a cápsula estava sobre o noroeste da África e terminou quando esta passava sobre a Sibéria Oriental.
Leonov preparou-se na câmara de pressurização inflável da nave, com diâmetro de 1,2 metros e comprimento de 2,5 metros, antes de sair para o espaço. O astronauta fotografou a Terra, enquanto imagens do passeio eram transmitidas para toda a Europa pela TV.

Leonov teve dificuldade para retornar à câmara de pressurização porque o seu traje havia se expandido no vácuo e teve de forçar a porta durante 8 minutos até conseguir entrar. Três meses depois, o astronauta norte-americano Edward White passaria pela mesma experiência ao voltar para a nave Gemini 4, após ter realizado a sua caminhada espacial.

A Voskhod 2, que em russo significa alvorada, permaneceu 26 horas no espaço e deu 17 voltas e meia em torno da Terra no sentido Sul-Norte. A nave aterrissou nos Montes Urais, a 800 quilômetros do ponto marcado para a descida, depois de uma demora de 5 horas. O atraso foi devido a uma falha no controle, que obrigou o comandante Pavel Belyayev a dar uma volta suplementar.

Pouso difícil
Os astronautas passaram por momentos de grande tensão quando o módulo de serviço não se separou completamente, tal como planejado, colocando a nave e a tripulação em risco, ao girar violentamente e sem controle. Depois do pouso, a tripulação passou a noite na floresta, ameaçada por lobos e nevascas, até ser localizada e resgatada no dia seguinte.
Os dois acidentes ocorridos no voo resultaram no cancelamento de uma missão tripulada apenas por mulheres. Por fim, o desenvolvimento das naves Soyuz acabou por aposentar o projeto Voskhod.

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15 de março de 1982 — Angra 1 começa a funcionar

Jornal do Brasil: Angra 1

A primeira fissão nuclear na Usina de Angra 1 ocorreu em 1982, mas a produção de energia em escala comercial só foi iniciada em 1985, com 657 MW de potência. Desde então a produção de energia foi equivalente ao consumo de uma cidade com um milhão de habitantes. Ao longo dos anos as operações da usina sofreram interrupções frequentes devido a uma série de problemas técnicos e administrativos.
A primeira usina nuclear brasileira opera com um reator do tipo PWR (reator a água leve pressurizada), desenvolvido pela empresa norte-americana Westinghouse. A construção de Angra 1 foi iniciada em 1972. Em 2000, entrou em operação a Usina de Angra 2, fruto do acordo nuclear Brasil-Alemanha. A usina opera com um reator alemão Siemens/KWU, com potência de 1.350 MW e poderia atender sozinha o consumo de uma cidade com 2 milhões de habitantes.
Esses dois reatores estão instaladas na Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (CNAAA), em Angra dos Reis, um dos pontos mais bonitos do litoral do país. Os técnicos optaram por um local próximo ao mar porque, embora o combustível seja o urânio, é a água que, através de diferentes circuitos, movimenta o calor gerado e refrigera a usina. Outra vantagem da instalação da CNAAA em Angra dos Reis é a proximidade do município com grandes centros consumidores, como Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte, o que evita as perdas de energia características das longas linhas de transmissão. O governo investe ainda na construção de Angra 3, que deve ficar pronta em 2013 e custará 3,7 bilhões de dólares.

O polêmico lixo atômico
O grande inconveniente do processo de fissão nuclear é o lixo atômico produzido no funcionamento da usina. Atualmente esses rejeitos são acondicionados em embalagens metálicas e transferidos, provisoriamente, para um depósito construído na própria central nuclear. Já os elementos combustíveis usados, mais fortemente radioativos, são também embalados e colocados dentro de uma piscina no interior das usinas, enquanto esperam para serem exportados para reprocessamento. Segundo dados da CNAAA, Angra 1 produziu desde que entrou em operação 2.228 metros cúbicos de rejeitos de baixa e média atividades e Angra 2, 41,2 metros cúbicos do mesmo tipo de lixo atômico. O governo estuda a implantação de um sítio permanente para estocar lixo radioativo em algum ponto do território nacional.

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13 de março de 1986 — Soyuz leva 2 cosmonautas à Mir

Jornal do Brasil: Soyuz T-15

A nave tripulada Soyuz-T-15 entrou em órbita terrestre 50 minutos depois do lançamento no Centro Espacial de Baikonur, República do Cazaquistão. No dia seguinte a Soyuz se acoplou à estação orbital Mir, cujo nome significa ao mesmo tempo paz e universo em russo.
O voo da Soyuz T-15 foi o 59º da história espacial soviética, e foi realizado no 25º aniversário da primeira viagem ao espaço tripulada feita pelos soviéticos.

A União Soviética mostrou ao vivo, pela TV, os cosmonautas Leonid Kizin, 44, e Vladimir Solovyoy, 39, preparando-se para a viagem. A cobertura começou 18 minutos antes do lançamento e estendeu-se até momentos depois da partida.

A transmissão marcou uma mudança de atitude do governo soviético, que só mostrava imagens de viagens espaciais que tivessem sido bem-sucedidas. A única transmissão ao vivo feita pelo soviéticos ocorreu em 1975 quando uma nave do programa Soyuz, transportando dois astronautas, foi lançada para acoplar-se com uma nave Apolo, em que estavam três cosmonautas americanos.

A estação orbital Mir foi lançada no dia 20 de fevereiro, e foi projetada para abrigar longas missões do homem no espaço, em substituição às pequenas cápsulas de laboratório Salyut.

Pesquisas a bordo da Mir
A bordo da Mir foram realizados 16.500 experimentos em 15 anos de missão em órbita. O complexo orbital era formado por vários módulos que foram acoplados por etapas, pesava 137 toneladas e tinha 40 metros de extensão. Cada astronauta dispunha de uma cabine individual, com saco de dormir, mesa e lavabo. Além de seis docas para receber naves espaciais, a Mir tinha quatro módulos-living, oficina tecnológica, estação de pesquisas biológicas e laboratório médico.

A partir de 1995, uma série de acidentes graves afetou o funcionamento da estação até que em março de 2001, as autoridades russas decidiram destruir o complexo. Os destroços da Mir afundaram o sul do Oceano Pacífico.

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11 de março de 1955 — As pesquisas de Fleming

Jornal do Brasil: Alexander Fleming descobre a penicilina

O médico e bacteriologista Alexander Fleming disse várias vezes em público que a descoberta da penicilina, o primeiro antibiótico do mundo, em 1928, aconteceu por mero acaso. "Não inventei nada. A natureza foi quem a fez", declarava. O medicamento revolucionou a medicina e transformou o bacteriologista em herói popular.
Fleming estudava estafilococos quando resolveu preparar placas para o crescimento dessa bactéria. Sem notar contaminou duas amostras com esporos de fungo. Deixou as placas na bancada e partiu para duas semanas de férias. Quando voltou notou que as placas estavam cheias de fungo. Em vez de jogá-las fora, resolveu observar o bolor que havia nelas ao microscópio. Constatou então que onde o fungo crescia não havia bactérias. Continuou os estudos e conseguiu isolar a toxina produzida pelo fungo inofensivo para o organismo humano, e a testou em diversos tipos de infecções.
Depois da descoberta, Fleming tornou-se um colecionador fanático de fungos. Revirava as casas dos amigos e cozinhas atrás de outros bolores com efeito antibiótico. Em 1942, uma equipe de Oxford, chefiada por Howard Florey e Ernst Chain, desenvolveu a penicilina como medicamento, que foi usada maciçamente pela primeira vez em pacientes na Segunda Guerra, e salvou milhares de vidas. Os três dividiram o Prêmio Nobel de Medicina de 1945 pela invenção do antibiótico.
Na Primeira Guerra Mundial, Fleming serviu como capitão-médico da Marinha Britânica e especializou-se no estudo e tratamento de ferimentos de guerra nos soldados. Na época ficara profundamente impressionado com a alta taxa de mortes por infecção causadas por bactérias que se instalam nos ferimentos.

Descoberta de enzimas
A primeira descoberta importante do médico foi a lisozima, 1921, uma enzima que impede o crescimento de bactérias. A enzima está presente na lágrima e na saliva humanas, e na albumina do ovo. Flemning nasceu na Escócia e era o sétimo de oito filhos. Ficou órfão de pai aos sete anos e viveu numa fazenda até os 16 anos, quando partiu para Londres para trabalhar com os irmãos e estudar. Depois da formatura, ingressou na equipe de Almroth Wright, um dos pioneiros da vacinação.
Fleming casou-se duas vezes e teve um filho do primeiro casamento. Morreu de enfarte aos 74 anos, em Londres.

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2 de março de 1972 — Pioneer 10 parte rumo a Júpiter

Jornal do Brasil: Pioneer 10


A Pioneer 10 foi lançada rumo a Júpiter. A Nasa previu que a sonda chegaria ao seu destino em 639 dias. A energia para os equipamentos da sonda era forncedia por uma bateria nuclear de longa duração, e ela foi o primeiro objeto enviado da Terra a um ponto além de Marte. O momento crítico da jornada foi a passagem pelo perigoso cinturão de asteróides entre Marte e Júpiter.
O maior planeta do Sistema Solar tem 12 satélites, sua atmosfera é muito densa e muito turbulenta, o que explica a grande mancha vermelha perto da linha do equador.
A história da Pioneer é cheia de recordes. A sonda saiu da órbita terrestre em 1972 a uma velocidade de 51.810 km/h, chegando à Lua em 11 horas e à órbita de Marte em 12 semanas. A sonda foi a primeira a ultrapassar o cinturão de asteróides de 280 milhões de quilômetros de largura e 80 milhões de quilômetros de espessura localizado entre Marte e Júpiter. Os corpos celestes do cinturão, resíduos de um planeta que não chegou a se consolidar devido ao enorme campo gravitacional de Jupiter, viajam a uma velocidade de 20 km/seg e podem ser tão pequenos como um grão de areia ou tão grandes como o território da Bahia. A Pioneer 10 foi criada para funcionar por dois anos, mas conseguiu ultrapassar os 30. Em três décadas, a sonda mapeou o campo magnético de Júpiter e constatou que o maior planeta do sistema solar é gasoso, não tendo pois uma superfície sólida como a Terra. Ultrapassando a órbita de Júpiter, a sonda atravessou a órbita de Plutão, enquanto estudava o Vento Solar e os raios cósmicos de alta energia que invadem a região da Via Láctea onde a Terra está localizada.
A última comunicação recebida ocorreu em 2003, com a transmissão de um sinal eletromagnético fraco, que levou 10 horas chegar à Terra. Quando enviou o sinal a Pioneer 10 estava a 12 bilhões de quilômetros da Terra, ou 82 vezes a distância entre o Sol e o nosso planeta, cerca de 150 milhões de quilômetros. Agora, a nave desloca-se em direção à estrela vermelha Aldebarã, no centro da constelação de Touro, a cerca de 68 anos-luz da Terra e deve demorar 2 milhões de anos para chegar nessa região.

Mensagem para extraterrestres causa discórdia
A Pionner 10 carrega uma placa projetada pelos astrônomos Carl Sagan e Frank Drake em que foram gravados símbolos com informações sobre a vida na Terra. O desenho foi publicado nos jornais americanos um ano depois do lançamento da sonda e deixou a opinião pública americana em polvorosa. As imagens são de um casal nu, com o homem fazendo uma saudação, e um pequeno esquema com a nossa localização no Sistema Solar. Os conservadores reclamaram que o desenho do homem e da mulher nus era obsceno. Já as feministas criticaram o fato de somente o homem fazer a saudação, o que daria a impressão de a mulher ser submissa.
A Pioneer 10 foi programada para explorar as profundezas do espaço, muito além do nosso Sistema Solar. A missão da nave é recolher dados e também estabelecer contato com outras civilizações.


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