Arquivo de May 2009

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30 de maio de 1994 — A guerra no Timor-Leste

Jornal do Brasil: Timor-Leste

O linguista Noam Chomsky defendeu o direito à independência da ex-colônia portuguesa Timor-Leste durante um jantar beneficente realizado no castelo São Jorge, em Lisboa. O país ocupa a parte oriental da ilha de Timor, entre a Indonésia e a Austrália.

Mal Portugal se retirou em 1975, depois de 500 anos de colonização, o Timor-Leste foi invadido pela vizinha Indonésia, armada pelos Estados Unidos. A partir de então os timorenses passaram a viver sob a ditadura sangrenta do general Suharto.

A base do conflito foi o tratado de exploração de petróleo do Timor Gap, assinado entre a Indonésia e a Austrália. O mar do Timor é riquíssimo em petróleo apesar de a população viver em extrema pobreza.

Chomsky elogiou a coragem de dois jornalistas que registraram o massacre do cemitério de Santa Cruz, na capital Díli, em que as tropas da Indonésia assassinaram centenas de timorenses. Pela primeira vez em 20 anos a causa da independência de Timor e a denúncia do genocídio contra o povo de Timor-Leste foi divulgada para além das fronteiras do país.

O linguista condenou o silêncio da comunidade internacional em relação ao que ele considerou como um dos maiores genocídios deste século. Segundo Chomsky, a Indonésia dizimou, ao longo de 19 anos, por fome, medo ou barbárie 350 mil pessoas. "Propocionalmente mais do que Pol Pot matou no Camboja". A população fugiu para as montanhas e resistiu à dominação mesmo depois da prisão do líder guerrilheiro, o poeta e ex-operário Xanana Gusmão.

Entretanto, a visita do Papa João Paulo II ao país em 1989 deu novo ânimo à luta pela liberdade. A causa do Timor-Leste teve nova repercussão e reconhecimento mundial com a atribuição do Prêmio Nobel da Paz ao bispo Carlos Ximenes Belo e a José Ramos Horta em outubro de 1996. No ano seguinte o presidente sul-africano Nelson Mandela visitaria Xanana Gusmão, na prisão.

Primeiro país a surgir no século 21
O desfecho do conflito veio com a crise na economia da Ásia, que afetou duramente a Indonésia e motivou a queda, em 1998 do regime militar de Suharto. O seu sucessor, Ahmad Badawi, promoveu a abertura política no país.

O caminho para a independência foi aberto em agosto de 1999, quando a maioria dos timorenses compareceu às urnas para votar pela separação da Indonésia, mesmo sob ameaça de grupos de milícias contrários à divisão. Em represália, os milicianos, com o apoio da Indonésia, empreenderam um banho de sangue com incêndios, pilhagens e assassinatos, que só terminaram com a intervenção das forças armadas das Nações Unidas.

A independência foi finalmente conquistada em 2002 e o Timo-Leste tornou-se o primeiro país a nascer no século 21.

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15 de maio de 1994 — O genocídio em Ruanda

Jornal do Brasil: Genocídio

O genocídio em Ruanda deixou 800 mil mortos em apenas 100 dias. Soldados e milicianos da temida Coalizão para a Defesa da República, além de civis da etnia hutu, mataram a população da etnia tutsi e hutus moderados.

A matança indiscriminada começou horas depois que o avião do presidente ruandês hutu Juvénal Habyarimana foi derrubado. Habyarimana retornava de Arusha (Tanzânia) onde realizava negociações de paz com a rebelião da Frente Patriótica Ruandesa (FPR). Os extremistas hutu usaram o acidente como pretexto para chegar ao poder e promover o massacre.

O empresário suíço Claude Sonier conseguiu fugir com a mulher, de origem tutsi e os três filhos do casal. Sonier contou que viu homens, mulheres e crianças serem queimadas vivas em valas cobertas por pneus em chamas. A sogra de Sonier foi uma das vítimas da violência. Os tutsi foram mortos nas ruas, dentro de suas casas, e até mesmo em igrejas e escolas, onde se refugiaram.

Autoridades ruandesas acusaram a comunidade internacional de ter ignorado a tragédia, que se desenrolava no país, e os pedidos de socorro para deter o massacre. As forças de paz resgataram os estrangeiros brancos e abandonaram os ruandeses à própria sorte. A Bélgica resolveu retirar suas tropas depois que soldados da força da ONU foram mortos no país. Na colina de Nyanza, milhares de pessoas foram massacradas depois de o contingente belga da ONU, que as protegia bateu em retirada.

Um relatório de 500 páginas elaborado pelo Ministério da Justiça de Ruanda acusa a França de cumplicidade com os extremistas. Antes de eclodir o massacre, a França forneceu armas e equipamentos aos hutus Sobreviventes do genocídio acusam as tropas francesas incumbidas de proteger os tutsi de os entregar aos inimigos para serem mortos. Em 1998, uma investigação parlamentar francesa inocentou as autoridades do país de toda responsabilidade pelas mortes.

Os Tutsi retomam o poder
A França participou da retomada do país com a Frente Patriótica Ruandesa (RPF), dominada por tutsis. Em 4 de julho a RPF entrou na capital Kigali, enquanto tropas francesas ocuparam o sudoeste do país.
A operação forçou o êxodo de 2 milhões de hutus, que temiam retaliações, para países vizinhos, como o Congo.
Em novembro de 1994, a ONU criou um Tribunal Penal International para Ruanda, em Arusha. Quatro anos mais tarde, a corte pronunciou suas primeiras penas de prisão perpétua e incluiu o estupro e a violência sexual entre os atos de genocídio.

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10 de maio de 1937 — O massacre do Caldeirão

Jornal do Brasil: Reportagem especial sobre o sítio do Caldeirão


O massacre de 700 seguidores do beato José Lourenço, na comunidade rural de Pau da Colher, na Bahia, uniu a Polícia Militar e o Exército em uma das ações mais violentas contra movimentos populares.

A origem da tragédia remonta ao sítio do Caldeirão, perto de Juazeiro, um lugar de fartura em pleno sertão nordestino, fundado pelo beato José Lourenço em terras doadas pelo Padre Cícero, que despertou a cobiça de latifundiários. A aglomeração causou inquietação no governo, que temia que se repetisse as experiências de Canudos (1887/1897) e do Contestado (1912-1916).

Para o caldeirão convergiam levas de romeiros vindos Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Bahia em busca de um pedaço de terra para plantar e viver. A comunidade rural auto-suficiente chegou a abrigar 3 mil pessoas, que não mais queriam trabalhar para os fazendeiros da região.

Segundo o jornalista Hidelbrando Espínola, repórter do então Jornal Correio do Ceará, José Lourenço fabricou máquinas, tratou a terra e fez a propriedade prosperar. Todos tinham a sua função no grupo e seguiam uma disciplina rígida. Tudo o que produziam era repartido entre os membros da comunidade.

A fazenda começou a ser erguida no início dos anos 30 e foi destruída pela polícia em setembro 1936. José Lourenço e as famílias, que moravam no Caldeirão, foram despejados e instalaram-se de novo em Pau da Colher.

As condições de vida ainda eram muito precárias quando um grupo ligado ao beato matou em uma emboscada seis policiais militares. Em represália, o acampamento foi metralhado e bombardeado por três aviões. Em seguida as tropas atacaram a população, saquearam, incendiaram e destruíram casas e plantações. Os sertanejos resistiram ao ataque e partiram para a luta corporal armados de facões, ferrões e cacetes contra os soldados de fuzis e metralhadoras.

O beato José Lourenço conseguiu escapar e refugiou-se em Pernambuco, onde morreu em 1946.
Quase não restou vestígios da comunidade. No museu histórico do Ceará, no Centro de Fortaleza existem apenas seis peças que lembram o povo do Caldeirão e sua luta: A bandeira da comunidade manchada de sangue, três fotos publicadas em um jornal da época, uma espingarda e um machado. Os objetos estão expostos na sala em memória a Padre Cícero.

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6 de maio de 1937 — O incêndio no Zeppelin

Jornal do Brasil: Incêndio no Zeppelin

O dirigível alemão Hindenburg pegou fogo quando tentava aterrissar em Lakehurst, nos Estados Unidos, numa tarde de tempestade. Das 97 pessoas que viajavam no dirigível, 64 conseguiram escapar com vida — 44 tripulantes e 20 passageiros. Um homem que ajudava nas manobras de aterrissagem morreu em consequência de queimaduras. Von Meister, vice- presidente da American Zeppelin, declarou que não descartava a hipótese de sabotagem.

O primeiro sinal da tragédia foi percebido por um técnico que estava em terra. Um brilho azulado de atividade elétrica apareceu a estibordo da nave. As escadas já haviam sido baixadas a quase 60 metros do chão, quando começou o incêndio na cauda do dirigível, que 30 segundos depois, chocou-se com o solo.

As investigações conduzidas pelos governos norte-americano e alemão concluíram que um vazamento de hidrogênio fora a causa do acidente, devido talvez a uma correia solta. Relatórios oficiais indicavam que uma mistura de ar e hidrogênio se acumulara sob a cobertura do dirigível, e inflamou-se com uma faísca causada pela tempestade.

O LZ 129 Hindenburg foi um dirigível construído pela Luftschiffbau-Zeppelin, na Alemanha. O Zeppelin, como era chamado, foi o maior dirigível construído para o transporte de passageiros, com 245 metros de comprimento, 200 mil metros cúbicos de gás, quatro motores, velocidade de 131 km/h e uma autonomia de 12 mil quilômetros, tinha capacidade para conduzir 50 passageiros e 45 tripulantes. O Zeppelin saiu de Hamburgo e cruzou o Atlântico a 120 km/h dirigindo-se para Nova York, onde se deu o incêndio.

Viagens ao Brasil
O Hindenburg fez sua primeira viagem ao Brasil em 21 de maio em 1930, atracando em Recife. Esse voo iniciou uma rota comercial regular entre o Brasil e Alemanha. Em 1936, foi inaugurada uma estação no Rio de Janeiro, que passou a contar com uma linha regular de transportes aéreos unindo esta cidade a Frankfurt, com escala em Recife.

Uma passagem para o Rio de Janeiro custava 1.400 reichsmark, numa época em que um operário ganhava em média 120 reichsmark por mês. Uma verdadeira fortuna, mas em compensação a viagem era rápida. O dirigível atravessava o Atlântico em três dias e meio, contra os 10 que os navios gastavam.

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