30 de maio de 1994 — A guerra no Timor-Leste

O linguista Noam Chomsky defendeu o direito à independência da ex-colônia portuguesa Timor-Leste durante um jantar beneficente realizado no castelo São Jorge, em Lisboa. O país ocupa a parte oriental da ilha de Timor, entre a Indonésia e a Austrália.
Mal Portugal se retirou em 1975, depois de 500 anos de colonização, o Timor-Leste foi invadido pela vizinha Indonésia, armada pelos Estados Unidos. A partir de então os timorenses passaram a viver sob a ditadura sangrenta do general Suharto.
A base do conflito foi o tratado de exploração de petróleo do Timor Gap, assinado entre a Indonésia e a Austrália. O mar do Timor é riquíssimo em petróleo apesar de a população viver em extrema pobreza.
Chomsky elogiou a coragem de dois jornalistas que registraram o massacre do cemitério de Santa Cruz, na capital Díli, em que as tropas da Indonésia assassinaram centenas de timorenses. Pela primeira vez em 20 anos a causa da independência de Timor e a denúncia do genocídio contra o povo de Timor-Leste foi divulgada para além das fronteiras do país.
O linguista condenou o silêncio da comunidade internacional em relação ao que ele considerou como um dos maiores genocídios deste século. Segundo Chomsky, a Indonésia dizimou, ao longo de 19 anos, por fome, medo ou barbárie 350 mil pessoas. "Propocionalmente mais do que Pol Pot matou no Camboja". A população fugiu para as montanhas e resistiu à dominação mesmo depois da prisão do líder guerrilheiro, o poeta e ex-operário Xanana Gusmão.
Entretanto, a visita do Papa João Paulo II ao país em 1989 deu novo ânimo à luta pela liberdade. A causa do Timor-Leste teve nova repercussão e reconhecimento mundial com a atribuição do Prêmio Nobel da Paz ao bispo Carlos Ximenes Belo e a José Ramos Horta em outubro de 1996. No ano seguinte o presidente sul-africano Nelson Mandela visitaria Xanana Gusmão, na prisão.
Primeiro país a surgir no século 21
O desfecho do conflito veio com a crise na economia da Ásia, que afetou duramente a Indonésia e motivou a queda, em 1998 do regime militar de Suharto. O seu sucessor, Ahmad Badawi, promoveu a abertura política no país.
O caminho para a independência foi aberto em agosto de 1999, quando a maioria dos timorenses compareceu às urnas para votar pela separação da Indonésia, mesmo sob ameaça de grupos de milícias contrários à divisão. Em represália, os milicianos, com o apoio da Indonésia, empreenderam um banho de sangue com incêndios, pilhagens e assassinatos, que só terminaram com a intervenção das forças armadas das Nações Unidas.
A independência foi finalmente conquistada em 2002 e o Timo-Leste tornou-se o primeiro país a nascer no século 21.



