30 de junho de 1981 — IPM das bombas do Riocentro é concluído

O Inquérito Policial Militar (IPM) das bombas do Riocentro concluiu que o capitão e o sargento atingidos na explosão foram vítimas de um atentado terrorista. Os partidos de oposição ao regime militar rejeitaram as conclusões do IPM feito pelo Exército. O PMDB emitiu nota, dizendo que "a investigação não revelou a verdade". O PT, o PP e o PDT também protestaram. O relatório sustentava haver "grupos radicais interessados em comprometer ou atingir agentes ou órgãos de segurança" e mencionava a Vanguarda Popular Revolucionária, "grupo de esquerda que adota e admite ações violentas tais como os fatos ora em apuração".
Na véspera do 1º de maio duas bombas explodiram no Riocentro quando 18 mil jovens assistam a um show em homenagem ao Dia do Trabalhador, com a participação de vários cantores, promovido pelo Centro Brasil Democrático.
O primeiro artefato explodiu no pátio do estacionamento do Riocentro, no colo do sargento Guilherme Pereira do Rosário, que estava no banco do carona do Puma cinza metálico, dirigido pelo capitão Wilson Luiz Carlos Chaves Machado, chefe de Operações do Destacamento de Operações Internas (DOI), do 1º Exército. O sargento morreu na hora e o capitão ficou gravemente ferido. A segunda bomba, mais potente, explodiu 10 minutos depois na central de energia do Riocentro.
Segundo o encarregado pelo inquérito, coronel Job Lorena de Sant'Anna, "os militares, ao que tudo indica, teriam sido vítimas de uma armadilha ardilosamente colocada no carro do capitão". A divulgação do laudo foi feita para cerca de 60 jornalistas, que não puderam fazer perguntas nem receberam cópias do relatório. Por 10 votos contra 4, em outubro do mesmo ano, os ministros do Supremo Tribunal Militar (STM) decidiram arquivar o processo.
Até 1996 houve cinco tentativas frustradas de desarquivamento. Só em 1999 a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados conseguiu junto ao Ministério Público a reabertura das investigações. O novo laudo desmontou a versão inicial de que os militares estavam em uma missão de rotina, observando o show. Em maio de 2000, o STM arquivou definitivamente o processo, e o episódio ficou impune.
Atentados contra a democracia
As bombas do Riocentro foram o clímax de uma série de crimes ocorridos durante a abertura política. Nas 40 semanas que antecederam as explosões 36 atentados foram perpetrados contra entidades civis e órgãos de imprensa que se opunham ao regime militar. Esse número não engloba dezenas de bancas de jornais incendiadas no mesmo período. Um ataques dos mais graves foi o que matou Lida Monteiro da Silva, secretária da presidência da Ordem dos Advogados do Brasil dio Rio, e mutilou José Ribamar de Freitas, funcionário da Câmara Municipal.





























