Arquivo de July 2009

RSS Feeds

3 de julho de 1972 — O exílio de Juan Perón


Jornal do Brasil: Péron no exílio


Depois de alguns exílios temporários em outros países, o presidente deposto da Argentina, Juan Domingo Perón, estabeleceu-se na Espanha, de onde continuou a influenciar a vida política de seu país. Sua única tentativa de retorno, em dezembro de 1964, foi frustrada no Aeroporto do Galeão, no Rio, pelas autoridades brasileiras, a pedido dos militares argentinos.
A volta de Perón ao país foi negociada pelo presidente argentino, general Alegando Lanusse oito anos mais tarde.

No início da década de 70, a crise econômica agravara-se na Argentina. O Produto Interno Bruto (PIB) - total dos bens e serviços produzidos no país - estava em queda, o desemprego e a inflação aumentavam e o poder aquisitivo dos trabalhadores diminuía.

A situação desfavorável abriu caminho para a radicalização política e ações guerrilheiras. O congresso do Partido Nacional Justicialista (nome oficial do Partido Peronista) criado a partir das idéias de Perón, propôs a candidatura do líder exilado à presidência da República.

Em novembro de 1972, Perón finalmente regressou à Argentina. O desembarque só pode ser visto pela TV porque os militares impediram o povo de dar as boas-vindas ao velho o caudilho. O comércio foi fechado. Durante a madrugada, uma rebelião de 60 suboficiais peronistas foi reprimida com violência.

Perón foi presidente da Argentina de 1946 a 1951, reeleito em 1952 e novamente eleito em 1973. Na primeira gestão obteve 56% dos votos. Seus seis anos de governo foram marcados pela estatização das ferrovias, empresas de telefonia, de petróleo e companhias de eletricidade, assim como pelo crescimento industrial.

Os trabalhadores ganharam direito à aposentadoria, férias remuneradas, cobertura de acidentes de trabalho e seguro médico. Na política externa Perón adotou uma postura antiamericana e antibritânica, que chamou de terceira posição, considerada por ele um ponto de equilíbrio entre o comunismo e o capitalismo.

Último mandato do líder argentino
Em 73, Perón foi eleito pela terceira vez presidente da República, mas não conseguiu cumprir o mandato até o fim. No ano seguinte, morreria de enfarte. A mulher de Perón, Isabellita, eleita vice-presidente, assumiu a presidência e foi deposta por um golpe militar em 1976.

A junta chefiada pelo general Jorge Rafael Videla tomou o poder, dissolveu o Congresso e deu início a um período de sucessivos presidentes militares que durou até 1983. No seu governo teve início a Guerra suja, que imprimiu uma repressão violenta aos opositores. O número de desaparecidos durante a ditadura militar argentina é estimado entre 15 mil e 30 mil pessoas.

 Comentar

2 de julho de 1922 — Hermes da Fonseca é preso

Jornal do Brasil: A prisão do marechal Hermes da Fonseca


O presidente da República Epitácio Pessoa mandou prender o ex-presidente Hermes da Fonseca e fechar o Clube Militar, que era presidido pelo marechal. O episódio aprofundou a crise entre o Exército e o governo iniciada durante a campanha eleitoral de sucessão presidencial.
Epitácio Pessoa havia convocado o Exército para conter rebeliões populares no Recife. O marechal foi contra, e exortou as tropas a não reprimirem o povo.

A nomeação do civil Pandiá Calógeras para o ministério da Guerra já havia causado mal-estar entre os militares. A situação piorou quando, em outubro de 1921, o jornal "do Povo" publicou uma carta manuscrita, que chamava o marechal de "sargentão sem compostura", e dizia que o Exército era formado por elementos "venais".

O texto foi atribuído ao candidato do governo à presidência da República Arthur Bernardes, então governador de Minas Gerais. Apesar de Artur Bernardes ter negado a autoria das acusações, uma segunda carta muito parecida com a primeira foi publicada no mesmo jornal, e atribuída ao mesmo autor. Mais tarde seria descoberto que as assinaturas nas cartas foram forjadas.
O processo eleitoral continuou, e Artur Bernardes venceu a disputa para a presidência em março de 1922, embora os resultados houvessem sido contestados pela oposição.

A prisão de Hermes da Fonseca, a mais alta patente militar do país, e o fechamento do Clube Militar por decreto presidencial, foram considerados uma afronta ao Exército. O descontentamento alastrou-se por todos os quartéis do Rio de Janeiro, e começou a ser tramado o levante, que ficou conhecido como a Revolta dos 18 do Forte.

O movimento seria desencadeado na madrugada de 5 de julho em três locais: na Vila Militar, Escola Militar do Realengo e Forte de Copacabana. Nesse último foram feitos vários preparativos, como a construção de trincheiras e redes de arame farpado. Os depósitos foram abastecidos com alimentos e os alojamentos e cozinhas foram transferidos para locais protegidos. Epitácio Pessoa desconfiou da movimentação dos militares e mandou cercar o local.

A Revolta dos 18 do Forte
O capitão Euclides da Fonseca, filho do marechal, foi preso. Por telefone, o ministro da Guerra exigiu a rendição do tenente Siqueira Campos, que assumiu o comando da revolta. Mas os rebeldes decidiram lutar até o fim. Os portões do Forte de Copacabana foram abertos para que todos os que desejassem pudessem abandonar o forte. Dos 301 revolucionários, restaram 29.

Siqueira Campos reuniu os companheiros, dividiu a bandeira nacional em 29 pedaços e os distribuiu entre os combatentes. O grupo saiu na tarde de 6 de julho ao encontro das tropas do governo.

Os revolucionários, reduzidos a 20, rumaram para a Praça Serzedelo Correa, onde as forças governistas aguardavam a rendição. Em vez disso veio a ordem de fogo. O combate foi sangrento e desigual, e os revoltosos, que lutaram como fanáticos, tombaram mortos.

Os únicos sobreviventes foram Eduardo Gomes, o soldado Manoel Ananias dos Santos e Siqueira Campos.

 Comentar

1º de julho de 1974 — Fusão da Guanabara com o Estado do Rio

Jornal do Brasil: Fusão do Estado do Rio com a Guanabara

Sem grandes cerimônias, o presidente general Ernesto Geisel sancionou a Lei da Fusão do Estado do Rio com a Guanabara. Desde a posse do presidente chegaram ao Planalto vários documentos apoiando a fusão até que o ministro Armando Falcão anunciou oficialmente, em abril, que o assunto estava sendo estudado pelo governo militar.

O então deputado Célio Borja, velho defensor da ideia, foi o mentor jurídico da questão. Borja reuniu-se com lideranças políticas e com Geisel diversas vezes no Rio até a aprovação do projeto de lei. O primeiro político a admitir abertamente a hipótese foi o senador Ernani do Amaral Peixoto, que sugeriu que o processo fosse feito de forma gradual.

A realização de um plebiscito, o que seria indicado para um caso como este, segundo a Constituição de 1946, foi dispensado pela ditadura militar.

Os economistas e técnicos defensores da fusão argumentavam que a união da Guanabara, um pólo rico com grande arrecadação, com o Estado do Rio de Janeiro, com uma periferia, como a Baixada Fluminenese, pobre e sem infraestrutura, daria impulso ao desenvolvimento regional.
Com a mudança da capital para Brasília, em 1960, a Guanabara, foi transformada em cidade-estado, e continuou sendo importante pólo turístico, cultural e comercial do país. Uma vez que um Estado não poderia investir no outro, a fusão faria desaparecer o impedimento político administrativo da transferência de recursos entre as duas áreas.

O governo pretendia também, com a junção dos dois estados, neutralizar o Rio de Janeiro como foco de oposição ao regime militar. Como a Guanabara era o único Estado governado pelo MDB, partido da oposição, a intenção era de que com a fusão seria possível alterar a correlação de forças na Assembleia Legislativa e aumentar a influência da Arena no Estado.

'Brasil Grande' dos militares
A fusão fazia parte do projeto Brasil Grande idealizado pelos militares desde o golpe de 1964. O Rio era um dos pólos estratégicos do general Geisel para a concretização do programa. Nos planos da ditadura estavam a construção de obras monumentais, como a Transamazônica, a Usina Nuclear de Angra dos Reis, a Usina de Itaupu e a Ponte Rio-Niterói. Com a inauguração da via, que ligava as duas cidades, em 1974, o processo de fusão foi acelerado. A antiga Guanabara mudou o nome para Rio de Janeiro e passou a ser a capital do novo Estado, em março de 1975.

 Comentar (2)

Hoje na História - Siga no Twitter!