3 de julho de 1972 — O exílio de Juan Perón

Depois de alguns exílios temporários em outros países, o presidente deposto da Argentina, Juan Domingo Perón, estabeleceu-se na Espanha, de onde continuou a influenciar a vida política de seu país. Sua única tentativa de retorno, em dezembro de 1964, foi frustrada no Aeroporto do Galeão, no Rio, pelas autoridades brasileiras, a pedido dos militares argentinos.
A volta de Perón ao país foi negociada pelo presidente argentino, general Alegando Lanusse oito anos mais tarde.
No início da década de 70, a crise econômica agravara-se na Argentina. O Produto Interno Bruto (PIB) - total dos bens e serviços produzidos no país - estava em queda, o desemprego e a inflação aumentavam e o poder aquisitivo dos trabalhadores diminuía.
A situação desfavorável abriu caminho para a radicalização política e ações guerrilheiras. O congresso do Partido Nacional Justicialista (nome oficial do Partido Peronista) criado a partir das idéias de Perón, propôs a candidatura do líder exilado à presidência da República.
Em novembro de 1972, Perón finalmente regressou à Argentina. O desembarque só pode ser visto pela TV porque os militares impediram o povo de dar as boas-vindas ao velho o caudilho. O comércio foi fechado. Durante a madrugada, uma rebelião de 60 suboficiais peronistas foi reprimida com violência.
Perón foi presidente da Argentina de 1946 a 1951, reeleito em 1952 e novamente eleito em 1973. Na primeira gestão obteve 56% dos votos. Seus seis anos de governo foram marcados pela estatização das ferrovias, empresas de telefonia, de petróleo e companhias de eletricidade, assim como pelo crescimento industrial.
Os trabalhadores ganharam direito à aposentadoria, férias remuneradas, cobertura de acidentes de trabalho e seguro médico. Na política externa Perón adotou uma postura antiamericana e antibritânica, que chamou de terceira posição, considerada por ele um ponto de equilíbrio entre o comunismo e o capitalismo.
Último mandato do líder argentino
Em 73, Perón foi eleito pela terceira vez presidente da República, mas não conseguiu cumprir o mandato até o fim. No ano seguinte, morreria de enfarte. A mulher de Perón, Isabellita, eleita vice-presidente, assumiu a presidência e foi deposta por um golpe militar em 1976.
A junta chefiada pelo general Jorge Rafael Videla tomou o poder, dissolveu o Congresso e deu início a um período de sucessivos presidentes militares que durou até 1983. No seu governo teve início a Guerra suja, que imprimiu uma repressão violenta aos opositores. O número de desaparecidos durante a ditadura militar argentina é estimado entre 15 mil e 30 mil pessoas.


