Arquivo de August 2009

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31 de agosto de 1994 - O IRA anuncia uma trégua na Irlanda do Norte



O Exército Republicano Irlandês (IRA), principal grupo guerrilheiro da Grã -Bretanha, anuncinou uma trégua unilateral por tempo indeterminado, pondo fim a um conflito armado que já durava 25 anos, matou 3.168 pessoas e consumiu cerca de U$$ 5 bilhões por ano em despesas militares. Em seu comunicado oficial, o IRA declarou que às 24h do dia 31 de agosto haveria uma completa suspensão de suas operações militares e que todas as suas unidades de combate já haviam sido instruídas para respeitar a determinação, suspendendo a luta armada pelos católicos republicanos.

Em reação ao comunicado do IRA, os católicos da Irlanda do Norte, que defendem a união das duas Irlandas em uma só república, festejaram a trégua com uma carreata embandeirada pelas ruas da zona oeste da capital Belfast. Já os protestantes, que lutam pela permanência da Irlanda do Norte como parte do Reino Unido e exigem proteção militar do exército britânico, desconfiaram da declaração do IRA, numa posição semelhante a do governo britânico que, apesar de ter considerado a trégua “muito bem vinda” adotou uma postura cautelosa.

Segundo o então primeiro-ministro britânico John Major, a desconfiança com o comunicado do IRA viria da ausência da palavra “permanente” próxima a proposta de trégua.

- Não quero entrar em uma questão semântica, mas o meu governo só estará preparado para discutir com o Sinn Fein três meses depois que o IRA provar que abandonou para sempre o caminho da violência - comentou Major, referindo-se ao documento onde os governos da Irlanda e da Grã-Bretanha estabeleceram as condições políticas para as negociações de paz na Inglaterra.

Um conflito antigo
A guerra entre o Exército Republicano Irlandês (IRA) contra os britânicos e os protestantes começou oficialmente em 1916 como uma revolta separatista de um grupo católico que pretendia ver a Irlanda do Norte como uma república independente. As hostilidades se agravaram a partir do final dos anos 60 e, em 1979, dezenas de jovens irlandeses católicos foram mortos naquele que ficou conhecido como o Domingo Sangrento. Apesar do cessar fogo em 1994, o conflito só terminaria definitivamente em 2005, quando o IRA anunciou o fim de sua campanha armada.

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30 de agosto de 1999 - Timorenses votam pela independência

A independência alcançada em 1999 não foi sinônimo de a paz para os timorenses


Há exatos 10 anos, cerca de 95% dos timorenses orientais registrados (438 mil no território e 13 mil no exterior) compareceram às urnas para escolher entre a autonomia sob a bandeira da indonésia e a independência de Timor Leste, numa votação transcorrida em clima festivo e de paz.

Em 24h de votações, as autoridades timorenses registraram que sete seções eleitoras foram fechadas por períodos entre 30 minutos e 3 horas, por "preocupações com a segurança", e a ocorrência de somente um incidente grave: Joel Lopes Gomes, funcionário timorense da Missão das Nações Unidas (Unamet) foi esfaqueado num tumulto de rua quando deixava a seção eleitoral em que trabalhou, em Atsabe, distrito de Ermera, na periferia da capital Dili. O então secretário-geral da ONU, Kofi Annan, deplorou o assassinato, mas disse que o referendo foi "um sucesso extraordinário", e que o papel das forças de segurança seria ainda mais importante nos próximos dias, com a apuração dos votos e a divulgação do resultado.

O jurista líder da resistência timorense José Ramos-Horta, que disse sempre ter acreditado que a pena tem mais poder que a espada, estava sorridente ao usar a caneta para votar pela independência de Timor Leste, em Sídnei, onde, na época, vivia exilado. "Pela paz em Timor e por todos que morreram nos últimos 24 anos", disse, ao depositar seu voto na urna. "Esse referendo mostra a tremenda beleza da democracia: a urna é mais importante que o canhão", complementou.

Independência ainda que tardia
A República Democrática de Timor-Leste é um país situado na parte oriental da ilha de Timor, na Ásia. Colônia portuguesa desde o século XVIII, a região, até então conhecida como Timor Português, tornou-se independente de sua metrópole em 1975. Entretanto, a liberdade não durou muito tempo e, em 7 de dezembro do mesmo ano, militares indonésios desembarcaram em Díli, fazendo com que o território se tornasse a 27ª província indonésia, chamada de "Timor Timur". Após as votações de 1999, onde a maioria da população optou pela independência, o país mergulhou em uma onda de violência provocada por milícias protegidas pelo exército indonésio. Atualmente, com a intervenção militar aprovada pela ONU de outros países, como a Malásia , Austrália e o Brasil, a situação de Timor Leste é estável e o país aos poucos aprende a se autogovernar.

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29 de agosto de 1975 - Juan Velasco é deposto no Peru

O golpe sofrido por Velasco foi apenas um da conturbada história política peruana


O presidente peruano General Juan Velasco Alvado foi deposto por um golpe executado pelos generais-comandantes das cinco regiões militares do país, com a adesão de outros setores das Forças Armadas e policiais. De acordo com os organizadores do golpe, Juan Velasco foi destituído da presidência por ter traído a revolução que o levou ao poder em 3 de outubro de 1968, ao desviar-se de seu processo original e permitir o culto à sua personalidade. O golpe ficou conhecido como “Tacnazo”.

Ao deixar o poder Juan Velasco não esboçou resistência, afirmando que apoiava a modificação presidencial e dizendo sair do poder satisfeito por ter cumprido seu dever. O ex-presidente também pediu à população “apoio e união para a continuidade do processo revolucionário”, declaração que contou com o aplauso dos membros da Junta Revolucionária e do Gabinete. Juan Velasco foi substituído pelo então primeiro-ministro, o General Francisco Morales Bermudez Cerruti, escolhido por ser um militar estritamente profissional, capaz de levar adiante o programa estabelecido pela revolução de 1968 e por sua presença representar uma posição menos esquerdista no tocante à política externa do Peru.
Apesar do golpe, em Lima, capital do Peru, não houve qualquer tipo de manifestação popular. Na conferência dos não aliados, os novos dirigentes do país comunicaram à população e à imprensa que os princípios da revolução seriam mantidos e que o Peru não se afastaria da causa do não alinhamento com potências capitalistas e socialistas no contexto da guerra fria.

História política conturbada
Colônia espanhola que alcançou a independência em 28 de julho de 1821, o Peru sempre teve uma história política conturbada, marcada por constantes golpes militares irrompendo seus governos constitucionais. O mais recente período de governo militar do país iniciou-se em 1968, quando Juan Velasco Alvarado Geral depôs o presidente eleito Fernando Belaúnde Terry, do Partido da Ação Popular (AP). O objetivo do golpe era empreender no país um programa de reforma agrária e nacionalizar o setor de petróleo, bancos e mineradoras. Velasco foi deposto quando se desviou dessas metas. Atualmente, ainda que democrático, o país enfrenta outras dificuldades políticas internas e passa por obstáculos típicos das nações em desenvolvimento.

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28 de agosto de 1963 – 200 mil marcham pelos direitos civis nos EUA



Cerca de 200 mil pessoas, negras , brancas, homens e mulheres, das mais diferentes idades, classes sociais e religiões, se reuniram e marcharam, lentamente, seguindo apenas dois homens que tocavam corneta e tambor, com o objetivo de exigir “igualdade de direitos e de oportunidades de trabalho para os homens de cor dos Estados Unidos”. A marcha foi realizada do monumento a Washington até o Lincoln Memorial.

A ordem exemplar demonstrada pelos manifestantes chegou a supreeender as autoridades, que haviam mobilizado cerca de 10.000 soldados, policiais, guardas-nacionais e agentes para impedir qualquer desordem ou violência. Antes da marcha começar, um policial, perplexo com a cena de milhares de pessoas sentadas tranquilamente nos jardins públicos comendo sanduíches, comentou: “isso parece piquenique de crentes”.



Quando a massa chegou ao Lincoln Memorial, começaram os discursos dos líderes anti-segregacionistas, políticos e artistas. Roy Wikins, diretor da Associação de Gente de Cor, disse: “A significação da marcha dispensa comentários, pois ela fala por si mesma”. Josephine Baker complementou que a marcha simbolizava “tudo exatamente como deve ser. Negros e brancos misturados – sal e pimenta”.

Antes de seu início, todos os participantes da Marcha em Washington para emprego e liberdade, como ficou conhecida a manifestação, firmaram um acordo onde assumiam “o compromisso pessoal e total de lutar para que todos os norte-americanos tenham trabalho e liberdade”, e prometendo não repousar enquanto não conseguissem a vitória.

“Eu tenho um sonho”

Foi durante a Marcha em Washington para emprego e liberdade que o pastor protestante e ativista político Martin Luther King Jr. proferiu, dos degraus do Lincoln Memorial, o seu famoso discurso “I Have a Dream”, considerado por muitos como um dos mais notáveis e inspirados discursos da História. Nele, o Dr. King falou do seu desejo de um futuro onde negros e brancos pudessem coexistir harmoniosamente como iguais. A marcha em Washington e o discurso do Dr. King tiveram imenso impacto social, pressionando o Congresso a aprovar a legislação dos direitos civis, o que, em virtude do assassinato do presidente Kennedy, seria concretizado no governo seguinte, de Lyndon Jonson.

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27 de agosto de 1999 – O Brasil perde Dom Hélder Câmara



Há exatos 10 anos o Brasil perdia um dos seus grandes defensores dos direitos humanos: Dom Hélder Câmara, cardeal-arcebispo emérito de Recife e Olinda, morria aos 90 anos, em casa, na Igreja das Fronteiras, no Recife, após cinco dias internado no Hospital Português. Indicado quatro vezes ao Prêmio Nobel da Paz, Dom Hélder se destacou no cenário nacional e internacional como um sacerdote que sempre lutou pela justiça social, aliando a sua missão espiritual ao apoio aos seus fieis menos favorecidos na luta pela sobrevivência e cidadania.

Filho do jornalista João Eduardo Torres Câmara Filho e da professora primária Adelaide Pessoa Câmara, Hélder Câmara nasceu em 7 de fevereiro de 1909 em Fortaleza, e desde cedo manifestou sua vocação para o sacerdócio, tendo sido ordenado padre em 1931, aos 22 anos. Em 1936 muda-se para a cidade do Rio de Janeiro, é ordenado bispo auxiliar em 1952 e, um mês depois, bispo, aos 43 anos. Com o incetivo e aprovação do então subsecretário geral do Vaticano e futuro Papa João VI, Monsenhor Giovanni Batista Montini, funda, em 1950, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, com sede no palácio arquiepiscopal do Rio de Janeiro. Sempre preocupado com os necessitados, Dom Helder criou o conjunto habitacional Cruzada São Sebastião, que deu origem a outros projetos semelhantes, e o Banco da Providência, que fornece atendimento à pessoas que vivem em situação de miséria. Em 1964 retorna à Pernambuco, quando é designado arcebispo de Olinda e Recife.

Crítico da ditadura militar
Opositor do regime militar no Brasil, Dom Hélder foi perseguido por sua atuação social e política, e teve seu acesso aos meios de comunicação social negados após o decreto do Ato Institucional 5. Em declaração de 1964, resumia e previa como seria sua relação com os militares. “Se dou comida aos pobres, eles me chamam de santo. Se pergunto por que os pobres não têm comida, eles me chamam de comunista”. Em 1984, aos 75 anos, renunciou e repassou o comando da Arquidiocese do Rio de Janeiro. Em 1999, dois dias antes de completar 90 anos, foi inaugurado, em Recife, o Centro de Documentação Hélder Câmara, que reúne um acervo de 7.547 meditações de Dom Hélder, seus 22 livros publicados em 15 idiomas, e as cartas circulares escritas durante seus 67 anos de sacerdócio.

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26 de agosto de 1974 - Portugal reconhece a independência de Guiné-Bissau



Após quatro meses de negociações, o ministro das Relações Exteriores, Mário Soares, e o da Coordeação Interterritorial, Almeida Santos, representando o governo português, e o vice-ministro da Defesa e membro do Comitê Executivo da Guiné, Comandante Pedro Pires, representando o Partido Africano para a Independência da Guiné e Ilhas de Cabo Verde (PAIGC), assinaram o acordo pelo qual Lisboa reconheceu Guiné-Bissau como um estado independente, e ordenou o cessar-fogo imediato no conflito armado entre os dois países, que já durava 12 anos. A cerimônia de assinatura do documento foi realizada no Palácio do Povo, em Argel, e contou com a presença do presidente da Argélia, Hourari Bousemedienne.



Na ocasião, o chanceler Mário Soares afirmou que o reconhecimento da independência de Guiné-Bissau pelo presidente Antônio de Spínola seria realizado no dia 10 de setembro, data em que os dois países estabeleceriam relações diplomáticas plenas, tendo por base "a independência, igualdade, respeito mútuo, reciprocidade de interesses, e relações harmoniosas entre os cidadãos de ambos os países".

O acordo entre os dois países afirmava que o término do domínio português sobre as Ilhas de Cabo Verde constituia "um elemento necessário para a paz duradoura e a sincera cooperação" entre as duas nações, e obedecia às resoluções das Nações Unidas e ao desejo expresso pela Organização de Unidade Africana. O documento expressava ainda que Lisboa e Bissau manteriam uma relação de ativa de cooperação nos campos econômico, cultural, financeiro e técnico.

Dependência externa e conflitos internos


Guiné-Bissau é um país localizado na costa ocidental do continente africano, fazendo fronteira com o Senegal ao norte e com a Guiné-Conacri ao leste e ao sudeste. O país integra igualmente cerca de oitenta ilhas que constituem o arquipélago dos Bijagós. O território da Guiné-Bissau foi um dos primeiros a ser explorado pelos portugueses, quando, em 1446, o navegador Álvaro Fernandes chegou à Guiné e reclamou a posse do território para Portugal. Em 1630 foi criada a Capitania-Geral da Guiné Portuguesa e, em 1697, foi fundada a vila de Bissau. Em 1956, Amílcar Cabral funda o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e, após décadas de luta contra o sistema colonial, o partido alcança a independência do país em 1974. Atualmente o país faz parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLPP), das Nações Unidas e da União Africana, mas ainda não conseguiu se reerguer dos séculos de colonialismo português e dos inúmeros golpes políticos e guerras civis que enfrentou durante o início do século XXI.

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25 de agosto de 1984 - Truman Capote é encontrado morto


O escritor norte-americano Truman Capote foi encontrado morto, aos 59 anos, no apartamento da amiga Joanne Carson, em Los Angeles. A causa da morte foi uma overdose de barbitúricos, substância na qual, assim como o álcool, era viciado. Para muitos, sua morte representou o adeus a um dos maiores escritores do século XX e um dos pais do jornalismo literário - vertente do jornalismo moderno que se aproxima da literatura e que privilegia a subjetividade e o estilo, em contraste com a objetividade do jornalismo tradicional.

Truman Streckfus Persons nasceu em 30 de setembro de 1924, em Nova Orleans, Lousiania. Filho de Lillie Mae e Archulus Persons, teve uma infância dificil, marcada principalmente pelo divórcio dos seus pais. Precoce e autodidata, Truman Capote aprendeu a ler e a escrever por conta própria. Em 1933 se muda com a mãe e o padrasto Joseph Capote, do qual adotou o sobrenome, para Nova Iorque, onde se forma na Dwight School, em 1942. Aos 17, começa a trabalhar na famosa revista The New Yorker. Entre 1943 e 1946, Capote escreve uma série de contos que lhe dão alguma notoriedade no meio literário. Em 1945, publica seu primeiro livro Other Voices, Other Rooms, cuja foto promocional de Truman Capote na contracapa causou escândalo e polêmica por aparentar que o escritor estivesse sob o efeito de drogas. A Sangue Frio, sua grande obra, é publicado em 1966 e é classificada por Truman como o primeiro romance de não-ficção já criado. Até sua morte, Truman Capote continuou a publicar diversas histórias, contos e livros.

Um escritor excêntrico
Com 1,60m de altura, vaidoso, extremamente irônico e repleto de estranhos maneirismos vocais, Truman Capote sempre foi uma figura excêntrica. Afirmava conhecer intimamente pessoas com quem nunca falara na vida, como Greta Garbo. Cercou-se de luxo e viveu uma vida de prazeres, em meio a festas, drogas, álcool, e pessoas da alta sociedade norte-americana. Apesar de sempre estar acompanhado de belas mulheres, Truman Capote era homossexual assumido, tendo participado de diversas manifestações a favor dos direitos dos gays. Seu grande companheiro sentimental foi Jack Dunphy, com quem viveu por 25 anos.

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24 de agosto de 1954 - Vargas sai da vida e entra para a História

Getúlio Vargas vê no suicídio a única saída para não renunciar

Há exatos 55 anos, na madrugada de 23 para 24 de agosto de 1954, o presidente da República Getúlio Vargas encerrou, com um tiro no peito, a mais grave crise política que seu governo já enfrentara até então, caracterizada por pressões de militares, políticos e da imprensa para que renunciasse a seu cargo de líder da nação. Ao suicidar-se no Palácio da Catete, no Rio de Janeiro, Getúlio deixava duas cartas endereçadas ao povo brasileiro, uma manuscrita e outra datilografada, em que explicava suas ações e acusava a oposição e o poderio americano de coibir as iniciativas de seu governo, não lhe deixando escolha senão a renúncia ou a morte.

As manifestações populares consequentes ao suicídio do presidente foram imediatas. No dia seguinte, quando uma das cartas testamento chegou ao conhecimento dos brasileiros pelos rádios, manifestações de indignação e revolta contra os adversários do "pai dos pobres" tomaram as ruas do Brasil, apedrejando embaixadas e consulados norte-americanos, e as redações de jornais opositores a Vargas. O udenista Carlos Lacerda, um dos grandes inimigos políticos de Vargas, fugiu do país com receio da ira popular. Em diversas cidades houve distribuição de fotos do ex-presidente.

O corpo de Getúlio Vargas foi enterrado na sua cidade natal, São Borja, no Rio Grande do Sul. Sua família recusou a oferta de um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para transportar o corpo para o sul, assim como todas as homenagens oficiais oferecidas pelo novo presidente, Café Filho.

O atentado da Rua Toneleros
O último mandato de Getúlio Vargas como presidente da República foi polêmico e tumultuado, com frequentes acusações de corrupção. Entretanto, o auge dos problemas de seu governo veio com o atentado da Rua Tonelero, em 5 de agosto de 1954. Nele, Alcino João Nascimento e Climério Euribes de Almeida, membros da guarda pessoal de Getúlio, atiraram contra Carlos Lacerda, jornalista opositor a Vargas, atingindo-o no pé e matando o major Rubens Florentino Vaz, da Força Aérea Brasileira (FAB). Na época, devido à crise que se desenrolou a partir do episódio, Getúlio declarou: "Carlos Lacerda levou um tiro no pé. Eu levei dois tiros nas costas". Menos de 20 dias depois o presidente se suicidaria.

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23 de agosto de 1990 - Aprovada a reunificação da Alemanha

Menos de um ano após a queda do Muro de Berlim, que simbolizou o colapso do regime comunista na Alemanha Oriental, o Parlamento alemão-oriental aprovou a fusão com a Alemanha Ocidental para o dia 3 de outubro 1990. Originalmente a reunião formal das duas Alemanhas havia sido planejada para conincidir com as eleições pan-germânicas de 2 de dezembro, mas a rápida deterioração da economia alemã-oriental pressionou Bonn, capital da Alemanha Ocidental, a agir sem demora no estabelecimento de uma data para a união dos dois estados germânicos.

Após o comunicado da decisão da Alemanha Oriental, o chanceler alemão-ocidental Helmut Kohl, um dos maiores defensores da união dos dois estados alemães, discursou em uma sessão especial no Bundestag (Parlamento da Alemanha Ocidental) quando, sob os aplausos dos parlamentares e de uma delegação do Volkskammer (Parlamento da Alemanha Oriental). Kohl disse que a reunificação não tinha precedentes na recente história européia e agradeceu aos "velhos amigos da Alemanha" - Estados Unidos, Grã-Bretanha e França - que "ajudaram a tornar realidade o sonho de uma pátria unida após 40 anos de divisão". Em seu discurso, o chanceler também agradeceu ao povo e aos líderes de outros países do Leste Europeu, especialmente a Hungria, cuja decisão de deixar os alemães-orientais cruzar sua fronteira para o Ocidente levou a um êxodo em massa e foi a centelha da revolução pacífica da Alemanha Oriental.

Alemanha dividida
A reunificação da Alemanha marcou o fim de um período iniciado em 1945, quando o país foi dividido pelos Países Aliados na Conferência de Potsdam, em quatro zonas de ocupação militar. Posteriormente, em 1949, as três zonas ocupadas pels EUA, Reino Unido e França formaram a República Federal da Alemanha (Alemanha Ocidental), de orientação capitalista, e a zona ocupada pela URSS tornou-se a República Democrática da Alemanha (Alemanha Oriental), de orientação comunista. A adoção de políticas econômicas diferentes fez crescer a desigualdade econômicas e de condições de vida entre os dois lados, culminando em manifestações populares do lado oriental pela reunificação do país, o que finalmente se concretizou em 3 de outubro de 1990.

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22 de agosto de 1942 - O Brasil entra na II Guerra Mundial

O Brasil entra na II Guerra Mundial contra o Eixo

Diante das frequentes agressões dos submarinos alemães à navegação costeira do Brasil, que culminaram com o afundamento de cinco navios da nossa marinha mercante, o Presidente da República Getúlio Vargas convocou uma reunião com todo o seu ministério no Palácio Guanabara, sede do governo, no Rio de Janeiro, para examinar e definir a posição do Brasil perante o andamento da II Guerra Mundial. Atendendo aos anseios da população, expressos nas ruas de todo país, o governo tomou a decisão histórica de se juntar aos Aliados, cujas principais forças eram a URSS, os EUA e o Império Britânico, contra as potências do Eixo, liderados pela Alemanha, Itália e Japão. Após a reunião, o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) divulgou um comunicado no qual o Brasil declarava guerra aos países do Eixo.

A população brasileira recebeu a decisão do governo com grande entusiasmo e mostras de patriotismo. No Rio de Janeiro, logo após a divulgação do comunicado do DIP, centenas de cariocas se deslocaram às ruas do centro da cidade, improvisando comícios onde oradores saudavam o apoio aos Aliados, e as pessoas cantavam o hino nacional.

Além do comunicado à população, o governo brasileiro enviou uma mensagem aos governos da Alemanha e da Itália informando-os da decisão do país. No nota, além dos ataques a seus navios, o Brasil evocou as declarações de solidariedade americana votadas na Oitava Conferência Internacional de Lima e na Primeira, Segunda e Terceira Reuniões de Ministros das Relações Exteriores das Repúblicas Americanas como justificativa para sua decisão


A Força Expedicionária Brasileira

O governo brasileiro somente enviaria tropas para as zonas de conflito cerca de dois anos depois da declaração de guerra à Alemanha e à Itália. Em 2 de julho de 1944, o primeiro escalão das Forças Expedicionárias Brasileiras (FEB), sob o comando do general Mascarenhas de Morais, saiu do Brasil com destino à Nápoles, e entrou em combate com tropas alemães em meados de setembro do mesmo ano. Em 6 de junho de 1945, o Ministério da Guerra do Brasil ordenou que as unidades da FEB na Itália se subordinassem ao comandante da primeira região, no Rio de Janeiro, o que significava a dissolução do contingente. No total, foram enviados para a zona de guerra cerca de 25.300 brasileiros, que auxiliaram os Aliados nos momentos finais de vitória do conflito na Europa.

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21 de agosto de 1989 – Raul Seixas desperta do sonho da vida

Raul Seixas dizia que "ninguém morre, as pessoas despertam do sonho da vida"


“Se o diabo é o pai do rock, Raul Seixas foi o ajudante que meteu a colher de pau no caldeirão do demo e ainda tascou-lhe uma mosca na sopa”. (Jornal do Brasil)

Antes de tornar-se o artista que subverteu a ordem do dia, caminhando na contramão da Tropicália e mesclando o rock de Elvis Presley com o baião de Luiz Gonzaga, Raul Seixas foi apenas Raulzito, o primeiro filho de Dona Maria Eugenia e do engenheiro Raul Varella Seixas. Nasceu às 8h da manhã do dia 28 de junho de 1945, na capital baiana - Salvador, onde, apesar da cultura predominante, apaixonou-se ainda jovem pelo rock n’roll. “Tudo era novo pra mim.Ouvia os discos de Elvis e Little Richard até estragar os sulcros. O rock era como uma chave que abria as minhas portas que viviam fechadas”, escreveria aos 15 anos em seu diário.

Com o amigo Thildo Gama, formou o grupo Os Relâmpagos do Rock, sua primeira banda e o embrião do conjunto Os Panteras, banda com a qual Raulzito gravou o seu primeiro disco, que foi um fracasso de vendas. A projeção nacional veio somente em 1972, com sua participação no Festival Internacional da Canção, da Rede Globo, onde classificou duas canções: Let me sing e Eu Sou Eu Nicuri é o Diabo. Depois, lança o compacto Ouro de Tolo, que alcança grande sucesso, e conhece Paulo Coelho, formando uma parceria que atrairia uma multidão de fãs e renderia músicas que se tornaram clássicas, como Metamorfose Ambulante, Mosca na Sopa, Al Capone, entre outras. Nos anos seguintes sua produção musical é constante, lançando diversos discos sucessos de público, como Novo Aeon (75), Há Dez Mil Anos Atrás (76), O Dia Em Que A Terra Parou (77). A partir de 1978, o consumo de álcool e drogas começa a causar-lhe problemas e o artista perde 1/3 do pâncreas. Em 1987 lança o estrondoso disco Uah bap lu lap béin bum e torna-se parceiro de Marcelo Nova, com quem grava seu último álbum, A Panela do Diabo, no ano de sua morte.

Legado vivo
Há exatos 20 anos, vítima de uma pancreatite aguda provocada pelo excesso de álcool, Raul Seixas foi encontrado morto em seu apartamento. Ao partir, deixou três filhas, milhares de fãs e uma obra que se estende por mais de 20 álbuns, além de seis póstumos, e diversos livros publicados. Sua capacidade de transmitir mensagens de impacto e abordar assuntos profundos de forma irreverente mantém sua obra relevante até hoje. A juventude atual lhe dedica um carinho saudoso, levando suas fotos e frases em camisetas, e lançando incontáveis covers seus em eventos e festas. Está previsto para 2010 o lançamento do documentário O início, o fim e o meio, de Walter Carvalho, sobre a vida do Maluco Beleza.

Leia Também: Morre o Maluco Beleza do Rock

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20 de agosto de 1949 – Criada a Escola Superior de Guerra

Há exatos 60 anos o Presidente da República Eurico Gaspar Dutra sancionava uma resolução legislativa criando a Escola Superior de Guerra (ESG), um instituto de altos estudos de política, defesa e estratégia, cujo objetivo era consolidar os conhecimentos necessários para o exercício das funções de direção e planejamento da segurança nacional, considerando também aspectos relativos ao desenvolvimento do país.

Composta por 11 artigos, a Lei 785/49 definiu quatro orgãos principais para a ESG: Direção, Junta Consultiva, Departamento de Estudos e Departamento de Administração. Além disso, determinou que o ingresso na Escola seria apenas para oficiais de “comprovada experiência e aptidão” pertencentes às Forças Armadas e para civis “de notável competência e atuação relevante na orientação e execução da política nacional”.

A aula inaugural da Escola Superior de Guerra


A aula inaugural da ESG seria realizada em 15 de março de 1950, no salão nobre da Escola Técnica do Exército. A cerimônia contou com a presença do presidente Eurico Gaspar Dutra, do vice-presidente Nereu Ramos e dos ministros da Guerra, da Aeronáutica, da Viação e da Marinha, respectivamente general Canrobert Pereira da Costa, tenente-brigadeiro Armando Trompowsky, engenheiro Clóvis Pestana e almirante de esquadra Sílvio de Noronha, assim como do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Laudo de Camargo. Diante do primeiro comandante da ESG, general Cordeiro de Farias, o chefe de Estado Maior do Exército, general Salvador César Obino, discursou sobre as finalidades da Escola e os benefícios que ela proporcionaria ao Brasil, tanto na paz como na guerra.

Resultado das tensões mundiais
A Escola Superior de Guerra (ESG) foi criada poucos anos após o final da Segunda Guerra Mundial, já no contexto da bipolaridade do mundo que iria desaguar na Guerra Fria, conflito que seria travado até 1989, alternando episódios de alta e baixa densidade, entre países capitalistas, liderados pelos Estados Unidos e paises socialistas, aliados da União Soviética.
A criação da ESG foi o resultado da preocupação nacional com os enfrentamentos que ocorriam entre os paises periféricos, tanto por meios militares quanto econômicos, como parte da disputa mais ampla entre as grandes potências. Sua influência máxima foi do National War College dos Estados Unidos, onde diversos oficiais brasileiros trabalharam em conjunto com os norte-americanos durante a Segunda Guerra Mundial. Na atualidade a ESG está localiza no Bairro da Urca, no Rio de Janeiro, e é subordinada diretamente ao Ministério da Defesa.

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19 de agosto de 1949 - O centenário de Joaquim Nabuco

Capa da homenagem do Jornal do Brasil ao centenário de Joaquim Nabuco
"O espírito de Joaquim Nabuco foi um desses espíritos de peregrinos remígios que de quando em quando visitam os mortais; desses espíritos que chegam até esta vazia e terrena planura com um signo de predestinação, de missão onímoda e ampla, para sobrepor-se ou altear-se às comuns criaturas deste mundo". (Jornal do Brasil)

O político, diplomata, historiador, jurista e jornalista Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo nasceu em 1849 num velho sobrado na Rua do Aterro da Boa Vista - atual Rua Imperatriz Tereza Cristina - em Recife, Pernambuco. Filho do Senador José Tomás Nabuco de Araújo e de Ana Benigna Barreto, ambos de famílias abastadas e influentes no cenário político baiano e pernambucano, Joaquim Nabuco teve uma formação acadêmica impecável, bacharelando-se em letras e depois em ciências sociais e jurídicas.

Atraído pela política, foi eleito deputado geral por sua província e mudou-se para o Rio de Janeiro. A entrada na Câmara marcou o início da sua campanha pela abolição da escravatura. Em viagem pela Europa, publica O Abolicionismo e, quatro anos depois, seu ativismo é recompensado com a assinatura da Lei Áurea, pela qual foi um dos grandes responsáveis.

Monarquista convicto, retira-se da vida pública após a Proclamação da República e, nos anos seguintes, exerce a advocacia, trabalha como jornalista em jornais e revistas, publica livros e auxilia na fundação da Academia Brasileira de Letras, em 1897. A partir de 1901, torna-se embaixador do Brasil em Londres e, depois, em Washington, cidade na qual faleceu em janeiro de 1910.

Redator do Jornal do Brasil
Ao lado dos amigos e companheiros de sonhos e ação - Rodolfo Dantas, Gusmão Lobo, Ulisses Viana, Sancho de Barros Pimentel - Joaquim Nabuco foi redator do Jornal do Brasil no primeiro ano de existência do periódico, contribuindo com inúmeros artigos para o novo jornal. Em 1949, o JB homenageou-o pelo seu centenário de nascimento, publicando um caderno especial com suas histórias de vida, alguns de seus artigos, e apresentando às novas gerações essa ilustre figura da história política, social e cultural do país.

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18 de agosto de 1969 – Termina o Festival de Woodstock


Já era manhã quando, há 40 anos, Jimi Hendrix subiu ao palco montado na fazenda de 600 acres de Max Yasgur, na pequena cidade rural de Bethel, estado de Nova Iorque, e, acompanhado de sua banda Gypsy Suan and Rainbows,entoou a canção Hey Joe, encerrando três dias de paz e música que reuniram cerca de meio milhão de pessoas e entraram para a história como o festival que exemplificou a cultura hippie e a contracultura do final da década de 60, início de 70.

O Woodstock, originalmente batizado de “An aquarian exposition: 3 days of peace and music”, foi organizado por Michael Lang, John P. Roberts, Joel Rosenman e Artie Kornfeld. A intenção inicial era criar um estúdio musical, mas a idéia evoluiu para o festival. Depois que a comunidade de Woodstock vetou a realização do festival no local, os organizadores fizeram um acordo com Max Yasgur e iniciaram as vendas de ingressos em lojas de discos da área metropolitana de Nova Iorque e pelos correios. No dia 15 de agosto, início do festival, os organizadores esperavam a presença de 200 mil pessoas, mas foram surpreendidos com cerca de 500 mil. Depois que as cercas do local foram derrubadas pela multidão, foi impossível controlar a entrada dos milhares de pessoas, o que tornou o evento gratuito para a maioria delas.

Nos três do festival, 32 bandas se apresentaram para uma multidão que, apesar da chuva, da lama e das instalações insuficientes do festival, contrariou as expectativas de confusão e sagrou-se pela pacificidade e harmonia com que acompanhou as apresentações.

Um festival inigualável
Apesar do prejuízo inicial, o retorno financeiro para os organizadores veio em 1970, com o lançamento de dois discos e de um documentário realizados a partir da gravação e das filmagens dos shows do festival. Duas outras versões do evento foram organizadas em 1994 e 1999, porém não tiveram a mesma repercussão do festival de 69 - a última edição do evento inclusive ficou marcada por altos índices de violência, contrastando com os ideais de paz e amor do festival original. Hoje, 40 anos após o Woodstock, os sons e os ideais de uma geração ainda reverberam, quando livros e dvds sobre o festival são lançados comemorando a data.


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17 de agosto de 1987 – O adeus ao poeta de coração gauche

"Vai, Carlos, ser gauche na eternidade!"
Há 22 anos, morria Carlos Drummond de Andrade, um dos mais importantes e respeitados poetas brasileiros de seu tempo. Drummond morreu no Rio de Janeiro, de insuficiência respiratória, aos 84 anos, apenas 12 dias depois que um câncer ósseo levou Maria Julieta, sua filha, eterna musa e grande paixão. “E assim vai-se indo a família Drummond de Andrade” lamentou o poeta na época.

Carlos Drummond de Andrade nasceu em 31 de outubro de 1902, na cidade de Itabira, Minas Gerais. Estudou em Belo Horizonte e com jesuítas no Colégio Anchieta, em Nova Friburgo, no Rio, onde foi expulso por “insubordinação mental”. Por insistência dos pais, formou-se em farmácia em 1925. No mesmo ano, fundou com amigos A Revista, importante veículo de afirmação modernista em Minas. Ingressou no serviço público e, em 1934, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde permaneceu até o final de sua vida. Aqui, foi chefe do gabinete do ministro da educação Gustavo Capanema, trabalhou no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e colaborou como cronista no Correio da Manhã. Aposentou-se em 1962, mas, em 1969, tormou-se colaborador do JB.

Durante 15 anos, todas as terças, quintas e sábados, o poeta de coração gauche – deslocado, acanhado - publicou suas crônicas no Caderno B. De sua estreia, em 2 de outubro de 1969, falando sobre o leilão que liquidava a Panair do Brasil, até o ‘ciao’ de despedida em 29 de setembro de 1984, quando faz um balanço de sua atividade na imprensa, foram 780 semanas da história do país e do poeta refletidas com agudeza e lirismo em mais de 2 mil e 300 crônicas.

A obra de Drummond
Foram 84 anos de palpitações, registradas em 25 livros de poesia e 16 outros de crônicas, contos, memórias e cartas, que repercutiram em milhares de estudos analisando-lhe a obra como um marco da cultura brasileira. A obra de Carlos Drummond de Andrade narra a trajetória de um homem, de uma geração e de um país. Poeta do indivíduo desajustado, do cotidiano, da existência e do fazer poesia, foi um jornalista de seu tempo, tratando tanto de temas tipicamente brasileiros, como também de assuntos metafísicos, que dizem respeito à condição e à alma humana. Com a partida de Drummond, a festa acabou, a luz apagou, a povo chorou e a cultura brasileira esfriou. “E agora, José?”.

Leia também sobre a morte de Carlos Drummond de Andrade: A luz apagou

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16 de agosto de 1960 - O Chipre proclama a sua independência

Apesar da proclamação da independência do Chipre, as tensões entre cipriotas da língua grega e da língua turca persistiram
Depois de 82 anos de governo britânico, a independência chegou ao Chipre. Em sua tumultuada história, o país já esteve sob o domínio dos fenícios, gregos, assírios, macedônios, persas, romanos, bizantinos, sarracenos, cruzados, italianos e turcos. A data marca a primeira vez que o domínio da ilha ficou sob a responsabilidade do seu próprio povo.

Em cerimônia realizada na Câmara dos Deputados da cidade de Nicósia, capital do Chipre, o governador britânico Sir Hugh Foot proclamou oficialmente a independência da ilha. Milhares de cipriotas de origem grega e turca acompanharam a cerimônia na qual o arcebispo Makarios e o Dr. Fazil Kuchuk assumiram a Presidência e a Vice-Presidência da República do novo país. À meia-noite, 21 tiros de canhão consolidaram o final da solenidade. Após firmar os tratados de Londres e os documentos que estabelecem o novo Estado, Sir Hugh Foot ofereceu uma recepção ao corpo diplomático no Palácio do Governador e se dirigiu ao Palácio Presidencial do arcebispo Makarios.

Apesar da conquista do governo autônomo para seu país, a parcela grega da população cipriota mostrou-se insatisfeita já que, em virtude dos acordos de Zurique e Londres, seu antigo desejo de unirem Chipre à Grécia tornou-se ainda mais remoto.

O dia 16 de agosto foi a terceira tentativa de se fixar uma data, no ano de 1960, para proclamação da independência do Chipre e foi o resultado final de 4 anos de sangrentas batalhas entre os britânicos e o agrupamento clandestino greco-cipriota Eoka, e 18 meses de árduas negociações.

Uma ilha estratégica
Situado no Mar Egeu, ao sul da Turquia, Chipre é a maior ilha do Mediterrâneo Oriental. Ponto de encontro entre a Europa, a Ásia e a África, o país sempre foi uma importante região estratégica, o que explica as sucessivas ocupações por outros povos. Após ser dominado pela República de Veneza em 1489, e invadida pelos turcos otomanos, em 1570, o Chipre passou à administração britânica em 12 de julho de 1878, conforme determinado pelo Congresso de Berlim. Em 1914, com o início da Primeira Guerra Mundial, se torna oficialmente colônia britânica. Em 1974, após um golpe militar no país, apoiado pela Grécia, a Turquia invade o norte da ilha e divide o país, criando a República Turca de Chipre do Norte, um estado somente reconhecido pela Turquia e pela Organização da Conferência Islâmica. Atualmente, a República do Chipre faz parte da União Européia e tem no turismo e na agricultura as bases da sua economia.

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15 de agosto de 1909 – A Inauguração da Linha de Tiro Friburguense

A Linha de Tio Friburguense completa cem anos de história e importância para a cidade
Há exatos 100 anos, às 11 horas de uma manhã chuvosa, um trem chegava à estação da Leopoldina, na cidade de Nova Friburgo. Lá, foi recebido pelo som do Hino Nacional executado pelas bandas de música Campesina e Euterpe. A bordo do trem, uma comitiva com o Ministro da Guerra, o General Carlos Eugenio A. Guimarães, era saudada com grande entusiamo pela multidão de friburguenses em torno da estação, que se encontrava enfeitada com flores e bandeirolas. Era primeira vez que um ministro da república visitava a cidade.

Após o almoço no Hotel Lewenroth, onde foi saudado pelo tenente Celso Sarmento, instrutor da Linha de Tiro, o Gen. Carlos Eugenio seguiu com a sua comitiva para a Linha de Tiro Friburguense, na Avenida Friburguense, ornada com bandeiras e ocupada por dezenas de famílias. Após a sua chegada, a guarda de honra do Tiro Federal prestou continencia, as bandas Campesina e Euterpe tocaram diversas peças militares, e o menino Decio Antunes, uniformizado de atirador, entregou uma carabina Mauser ao Ministro da Guerra que, disparando uma série de cinco tiros, inaugurou oficialmente a Linha de Tiro Friburguense, uma das mais importantes instituições militares da cidade.

Local de formação de reservistas
A Linha de Tiro Friburguense, atual Tiro de Guerra (TG), é uma instituição militar do Exército Brasileiro encarregada da formação dos seus reservistas. No local, anualmente cerca de 100 jovens recebem treinamento militar básico, em uma estrutura que possibilita conciliar instrução militar com estudo ou trabalho. Em 3 de outubro de 1942, em plena II Guerra Mundial, foi inaugurada sua atual sede, na Praça do Supiro. O Obelisco ao lado do prédio foi erguido em homenagem aos ex-combatentes da cidade que lutaram nas campanhas da FEB na Itália. Atualmente, o TG de Friburgo conta com a numeração 01-010, indicando que ele é o décimo TG mais antigo do Brasil e que está localizado na Primeira Região Militar.

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14 de agosto de 1945 – O Japão se rende na II Guerra Mundial

A rendição do Japão representou o final da II Guerra Mundial

Há 64 anos o Japão aceitava os termos de rendição incondicional impostos pelos principais países aliados na II Guerra Mundial – União Soviética, Estados Unidos, Império Britânico e China. Para muitos historiadores, o comunicado da decisão japonesa representou o final simbólico do conflito.

A rendição do Japão foi anunciada ao mundo pelo presidente norte-americano Henry S. Truman depois deste ter recebido uma resposta oficial de Tóquio. Convocando jornalistas ao seu gabinete, Truman declarou: “Foi recebida, hoje à tarde, uma mensagem do governo japonês em resposta à mensagem enviada a esse governo em 11 de agosto. Considero essa resposta como uma aceitação plena da Declaração de Potsdam, que especifica a rendição incondicional do Japão. Na resposta, não há reservas”.

No Japão, foi a primeira vez na história do país que um imperador dirigiu sua palavra à nação pelo rádio. No comunicado, o imperador Michinomiya Hirohito informou que a situação mundial o obrigou a negociar com o inimigo, recorrendo à medida extraordinária da rendição. Em seguida, disse que declarou guerra aos Estados Unidos e à Grã-Bretanha para garantir a estabilidade da Ásia Oriental. De acordo com o imperador, jamais foi intenção do Japão intrometer-se na soberania das outras nações ou que o seu país tivesse alimentado desejos de expansão territorial.

Em 2 de setembro de 1945, a bordo do navio norte-americano USS Missouri, na Baía de Tóquio, o Japão assinava formalmente sua rendição, oficializando o fim da guerra.

A rendição japonesa e a bomba atômica
Os historiadores divergem a respeito da influência e necessidade do bombardeio atômico realizado pelos Estados Unidos nas cidades de Hiroshima e Nagasaki, em seis e oito de agosto de 1945, para a derrota e rendição do Japão. Enquanto alguns atestam que o lançamento das bombas foi a principal razão para o país se render, outros argumentam que, quando as bombas foram lançadas, grande parte das forças militares japonesas já haviam sido derrotadas e isoladas, e que o Japão já não representava perigo aos aliados. Dessa forma, as bombas atômicas teriam sido uma estratégia para intimidar a URSS, cuja influência no cenário mundial começava a rivalizar com a dos EUA. Dessa rivalidade, emergiria a Guerra Fria.

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13 de agosto de 1987 – Reagan assume culpa pelo Irã-gate

O Irã-gate chocou a sociedade norte-americana ao mostrar um lado obscuro da CIA

Num discurso de 20 minutos em cadeia nacional de televisão, o presidente norte-americano Ronald Reagan assumiu a responsabilidade pelo escândalo de corrupção Irã-gate, revelado pela mídia em novembro de 1986.

Durante o discurso, Ronald Reagan contestou o depoimento de seu ex-conselheiro para a Segurança Nacional, John Poindexter, que assumiu toda a responsabilidade pela ajuda clandestina aos “contras” nicaraguenses:

- A responsabilidade não é do almirante Poindexter, ela é minha. Nenhuma operação é tão secreta que deva ser mantida em segredo do comandante em chefe. Eu nada sabia, mas a responsabilidade diante do povo americano é minha.

Reagan disse que foi um erro tentar trocar armas por reféns, mas acrescentou que a imagem de americanos acorrentados oprimia seus pensamentos e que não ia pedir desculpas porque achava que nenhuma palavra sua poderia corrigir as coisas.

Boa parte do discurso do presidente teve como tema os planos para seus últimos meses de governo, como a concessão de negociar orçamento para 1988 com o Congresso e a confiança no acordo de desarmamento com a União Soviética.

O lado obscuro da CIA
Também conhecido como Irã-contras, o Irã-gate foi um escândalo de corrupção nos Estados Unidos revelado durante o segundo mandato de Ronald Reagan. Nele, a Agência Central de Inteligência (CIA) facilitou o tráfico de armas para o Irã, que estava sujeito a um embargo internacional de armamento, com o objetivo de utilizar o dinheiro adquirido na venda de armas para financiar os rebeldes Contras, que lutavam para derrubar o governo sandinista na Nicarágua. Além disso, o Irã deveria retribuir o favor dos EUA intercedendo pela libertação de cidadãos estadunenses presos no Líbano.


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12 de agosto de 1978 – China e Japão assinam Tratado de Amizade e Paz

O Tratado de Amizade e Paz entre Japão e China não agradou a União Soviética
China e Japão assinaram, em Pequim, um tratado com prazo de 10 anos e renovação automática, estabelecendo a paz e a amizade perpétuas entre os dois países. Além disso, numa atitude inédita, ambos condenaram qualquer tentativa de uma nação, ou grupo de nações, impor sua hegemonia no Extremo Oriente, decisão que desagradou a União Soviética, a qual mantinha, na época, relações tumultuadas com o Japão e divergentes com a China.

A cerimônia de assinatura do Tratado de Amizade e Paz foi realizada às 8h15m, horário de Brasília, no Grande Salão do Povo. Os chanceleres Sonao Sonoda e Huang Hua firmaram o tratado na presença do presidente chinês Hua Kuefeng e do seu vice-presidente Teng Hsiaoping. A cerimônia durou apenas sete minutos e, quando os dois chanceleres trocaram os documentos, coube ao presidente Hua iniciar os aplausos, o que deixou Sonoda com lágrimas nos olhos. Um minuto depois a agência Nova China divulgava o fato numa notícia de três parágrafos, o que foi considerado um destaque, segundo os padrões de comunicação da China na época.

Apesar de possuir uma cláusula que diz que o tratado não afetaria a posição do Japão e da China em suas relações com outros países, o acordo representou uma derrota diplomática para a União Soviética, já que o seu caráter anti-hegemônico atingiu diretamente os interesses deste país no Extremo Oriente.
Relação conflituosa


China e Japão: Uma relação conflituosa

Há muito que Japão e China mantêm uma relação conflituosa. As desavenças entre os dois países começaram em 1894, na Primeira Guerra Sino-Japonesa, um conflito pelo controle da Península da Coréia e que terminou em 1895 com a vitória do Japão e a assinatura do Tratado de Shimonoseki. Em 1937, os dois países entraram novamente em conflito. O Japão invadiu o território chinês e massacrou centenas de milhares de civis, algo que o país nega até hoje e que ainda gera desconforto nas relações diplomáticas entre as duas nações. Após a imersão da Segunda Guerra Sino-Japonesa no contexto da Segunda Guerra Mundial, a China recebeu apoio dos aliados e, em 1945, o Japão se rendeu após o ataque atômico feito pelos EUA. Desde então os dois países mantêm uma relação pacífica, embora pontuada por momentos de tensão diplomática.

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11 de agosto de 1986 – O Fusca sai de linha no Brasil

Centenas de brasileiros lamentaram o fim da produção do Fusca


Um dos carros mais queridos pelos brasileiros saiu de linha no país após quase 3 milhões de unidades vendidas e mais de 30 anos de sucesso no Brasil. A Volkswagem anunciou oficialmente o fim da produção do Fusca, cuja montagem foi desativada gradualmente até o mês de novembro do mesmo ano.

De acordo com a montadora, a decisão foi atribuída à fase de sofisticação a que a industria automobilística brasileira alcançou durante a década de 80,” caracterizada pela crescente exigência do consumidor por automóveis mais completos e equipados com itens de maior conforto”. A VW do Brasil também atribuiu o fim do Fusca ao acirramento da competição nos mercados doméstico e de exportação e ao fato do modelo possuir um processo de montagem ultrapassado, à margem dos métodos mais flexíveis e informatizados adotados pela montadora na época.

- Acho que não há brasileiro que não se tenha envolvido um dia com o Fusca que está ligado as nossas tradições automobilísticas e se enraizou na consciência do povo. Para um carro que já vendeu 19 mil unidades por mês em 1972 e caiu para 3 mil já não havia espaço mesmo. Se a fábrica não tomasse a decisão, ele iria morrer naturalmente - comentou o presidente da Associação Brasileira dos Revendedores Volkswagen (Assobrav), Sérgio Reze, que ainda disse que o Fusca começou a perder cada vez mais espaço no Brasil a partir da campanha do Gol Táxi, em 1982.

Sucesso no Brasil
O Fusca foi criado à pedido de Hitler a Ferdinand Porshe, para cumprir sua promessa de que todo operário alemão teria um automóvel em seu Reich de Mil Anos. O veículo foi batizado de Volkswagen, que significa “carro do povo”, e, após uma série de dificuldades e protótipos, o primeiro modelo saiu oficialmente da linha de produção em agosto de 1940.
No Brasil, o primeiro Fusca surgiu em 3 de janeiro de 1959, adquirido por Eduardo Andreas Matarazzo. O sucesso foi crescente e, em 1984, quando o modelo fez 25 anos no país, havia mais de 3 milhões de Fuscas rodando nas estradas do Brasil, ou 40% dos milhões de veículos produzidos pela Volkswagen por aqui. Em 1994, por sugestão do então presidente Itamar Franco, que queria a fabricação de carros populares, a empresa voltou a produzir o modelo, mas não encontrando sucesso nas vendas, interrompeu a produção em 1996. Atualmente, o Fusca permanece um dos carros usados mais vendidos no mercado nacional.

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10 de agosto de 1964 – Paulo VI publica sua primeira Encíclica

A primeira encíclica de Paulo VI teve como tema a resolução de conflitos internacionais e o diálogo com outras religiões
Durante o discurso de publicação de sua primeira Carta Encíclica, Ecclesiam Suam, o Papa Paulo VI ofereceu-se para intervir pela paz em conflitos internacionais e mostrou a intenção de colocar a Igreja em contato com o mundo inteiro. O Pontífice rechaçou o comunismo e o ateísmo, mas expressou esperança de que um dia essas forças viriam a dialogar mais positivamente com a Igreja Católica. Paulo VI propôs também a discussão conjunta, com as religiões não cristãs, em defesa de ideais comuns, mas não esclareceu no documento o modo como essas discussões se realizariam.

A encíclica de 14 mil palavras, cujo título se refere à Igreja de Cristo, esboça o papel que esta Igreja deve exercer no mundo moderno. Paulo VI qualificou o documento de "mensagem informal e conjunto de regras práticas" para o seu papado. Os três capítulos do documento discutem a consciência da Igreja de si mesma, sua renovação dentro dos objetivos do Concílio Vaticano II, e o diálogo com todos os elementos da vida moderna, na busca da unidade cristã almejada por João XXIII. O Pontífice assinalou, no entanto, que não está em seu poder transacionar com a integridade da Igreja.

Paulo VI ainda ressaltou que há muitos que proclamam seu ateísmo como atitude pragmática, e qualificou isso como um dos mais sérios problemas de nossa época, argumentando que o ateísmo destrói qualquer sistema social que o tome como base, dando à vida humana "uma fórmula cega, que a degrada e avilta".

As Encíclicas Católicas
Desde a formação de suas doutrinas teológicas e filosóficas a Igreja Católica percorreu um longo caminho em busca de renovação. Através das Encíclicas, um documento pontifício dirigido aos Bispos e fiéis de todo o mundo, a Igreja pôde, a partir de 1891 - com o Papa Leão XIII -, acompanhar o ritmo da evolução da sociedade, culturais e políticas do mundo. O atual Papa, Bento XVI, já escreveu três encílicas: a Deus Caritas Est, que trata do amor divino; a Spe salvi, sobre a "esperança cristã"; e a Caritas in Veritate, sobre temas sócio-econômicos ligados a um mundo globalizado

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9 de agosto de 1965 – Cingapura se torna independente

Cingapura rompe com a Malásia e se trona independente


Poucas horas depois do Ministério do Exterior em Londres ter anunciado que os acordos firmados para a defesa da Federação da Malásia seriam revistos com base na situação criada pelo rompimento de Cingapura com a Malásia, o governo da Grã-Bretanha reconheceu Cingapura como um novo estado independente.

Os círculos diplomáticos e do governo consideraram este rompimento como “um revés para a política anglo-norte-americana no Sudeste Asiático” e uma advertência de que uma nova ameaça pairava sobre a política do Extremo Oriente. Temia-se que o rompimento aumentasse a pressão da Indonésia sobre a Malásia, em cuja defesa a Grã-Bretanha estava empenhada como parte de um esforço para deter a influência chinesa na região.

O primeiro-ministro Lee Kuan Yew disse em entrevista coletiva que o seu governo desejava estabelecer relações diplomáticas com a Indonésia, desde quando esta reconhecesse Cingapura como um país independente e soberamo. O objetivo desta aproximação era retomar o importante intercâmbio comercial que Cingapura mantinha com a Indonésia, proibido pelo presidente Sukarno quando este lançou sua campanha contra a Federação da Malásia, da qual Cingapura fazia parte.

As divergências entre Yew e o primeiro-ministro da Malásia Tenku Abdul Ragaman, foram uma das principais causas da declaração de independência de Cingapura. De acordo com Lee Kuan Yew, também haveria o risco de sérios problemas raciais em Cingapura caso o país insistisse em permanecer na Federação.

A Cidade do Leão
Cingapura, que significa cidade do leão, é um pequeno país do Sudeste Asiático situado em um arquipélago ao longo da costa do extremo sul da Península Malaia. Em 1819 tornou-se domínio britânico por meio da Companhia Britânica das Índias Orientais. No ano de 1959 o país obteve o direito de se auto-governar e entrou para a Commonwealth, uma associação de países ex-colônias do Reino Unido. Em 1963 Cingapura passa a fazer parte da Federação da Malásia, para voltar à independência dois anos depois. Situado em uma via marítima estratégica e com forte vocação comercial, o país tornou-se extremamente próspero, e atualmente tem renda per cápita e taxa de alfabetização das mais altas do mundo.

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8 de agosto de 1988 – Irã e Iraque assinam acordo de paz

A paz entre Irã e Iraque foi mediada pela ONU e foi uma conquista importante para mesma


O Secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Javier Perez de Cuellar, anunciou que o Irã e o Iraque concordaram em cessar todas as hostilidades, em terra, mar e ar, a partir da zero hora do dia 20 de agosto. Cinco dias depois se iniciariam as negociações diretas de paz, enquanto um grupo de 350 observadores de 25 países fiscalizariam o respeito à trégua nos campos de batalha.

A iniciativa de pôr fim à Guerra Irã-Iraque, conflito que se arrastou por quase oito anos e causou mais de um milhão de mortos e feridos, foi saudada pelos principais governos ocidentais, especialmente Washington. Tentando faturar politicamente a trégua para a sua campanha à reeleição, o presidente norte-americano Ronald Reagan disse que a paz entre o Irã e o Iraque foi o resultado direto da política de demonstração de força dos Estados Unidos no Golfo Pérsico. De fato, o envio de tropas para a região vinha recebendo fortes críticas, que se intensificaram após a derrubada, por engano, de um Airbus iraniano, matando 290 inocentes.

Para a ONU, a vitória na negociação do cessar-fogo entre o Irã e o Iraque, uma operação complexa e de grande importância para os governos ocidentais – preocupados principlamente com as ameaças ao fluxo de petróleo do Golfo Pérsico – teve um significado especial, já que a mesma estava imersa em uma de suas maiores crises financeiras. O sucesso na operação de paz significou o seu regresso ao primeiro plano da política internacional e, desse modo sensibilizou os países em atraso com as contribuições para seu orçamento.

Uma guerra em vão
A Guerra Irã-Iraque foi um conflito militar resultante de disputas políticas, territoriais e religiosas entre os dois países - embora ambos islâmicos, o Iraque é sunita, enquanto o Irã, xiita. A guerra teve início em 22 de setembro de 1980, quando o Iraque, sob o comando de Saddan Hussein, invadiu o território iraniano através do estuário do rio Shat-El-Arab, região de grande interesse estratégico para o Iraque por representar a sua única saída para o Golfo Pérsico. Confiante em sua maior população, o Irã, sob comando do aiatolá Khomeini, iniciou uma guerra santa contra o Iraque pela retomada dos territórios perdidos. Durante o conflito, o Iraque foi financiado pela Arábia Saudita, pelos EUA e pela União Soviética, enquanto o Irã recebeu ajuda da Síria e da Líbia. Em 20 de agosto de 1988 as negociações de paz tiveram início e ao final foram mantidas as mesmas fronteiras entre os dois paises que antes da guerra, o que realçou a inutilidade do conflito e da perda de milhares de vidas humanas.

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7 de agosto de 1992 - Caetano Veloso completa 50 anos

Programas de televisão e rádio, shows e missa marcaram as homenagens a Caetano nos seus 50 anos

"Hoje, 7 de agosto, dia de São Caetano no calendário católico, dona Canô Veloso cumprirá, religiosamente, um ritual de quase meio século. Vai à missa no convento de Nossa Senhora dos Humildes, em Santo Amaro da Purificação. Desta vez, a motivação é especial: a celebração dos 50 anos de seu filho mais ilustre, o cantor, compositor, poeta e cineasta Caetano Veloso. 'Minha maior alegria é ver Caetano chegar a esta idade. Uns a gente não vê nem crescer, mas, hoje, Caetano chega aos 50', diz dona Canô, a mãe que passou para os oito filhos, entre outros carinhos, o prazer de cantar". (Jornal do Brasil)

Uma das figuras mais importantes da música popular brasileira, Caetano Emunuel Viana Teles Veloso, quinto dos oito filhos de José Teles Velloso (Seu Zezinho) e Claudionor Viana Teles Velloso (Dona Canô), nasceu em Santo Amaro da Purificação, Bahia, em 1942. No início da década de 60 sua família se muda para Salvador e, sob a influência da Bossa Nova de João Gilberto, Caetano começa a tocar em bares e boates. Seu primeiro trabalho profissional vem em 1965, quando acompanha a irmã Maria Bethânia, chamada ao Rio de Janeiro para substituir Nara Leão no show Opinião, e lança seu primeiro compacto. Em 1968 produz seu primeiro LP individual, intitulado Caetano Veloso, e que trás as canções Alegria, Alegria, No dia em que vim-me embora, Tropicália, Soy Loco por ti América, algumas das quais se tornaram hinos da juventude do momento. No mesmo ano, com os amigos Gilberto Gil, Gal Costa e Tom Zé, funda o movimento Tropicalista que, através da irreverência e da improvisação, revolucionaria a MPB, fundindo elementos estrangeiros com a música brasileira. Com É Proibido Proibir, participa do 3º Festival Internacional da Canção (Tv Globo), e realiza um discurso histórico contra a platéia e o júri que o vaiam e o desclassificam do festival.

Crítico e politicamente enjagado, Caetano ganhou a inimizade do regime militar e teve diversas de suas músicas censuradas, acabando preso em 1968, junto do amigo Gilberto Gil. No ano seguinte, ambos são soltos e partem para o exílio na Inglaterra. Caetano retorna definitivamente ao Brasil em 1972, participa do álbum Brasil, de João Gilberto, e faz diversos shows em cidades brasileiras. No ano de 1976 forma o grupo Doces Bárbaros com Gil, Gal e Bethânia, grava um LP e parte em turnê pelo país. Nas décadas seguintes, continua a lançar discos

Obra em progresso
Aos 67 anos, Caetano Veloso permanece como uma das figuras mais importantes da música popular brasileira e um dos artistas mais respeitados no exterior. Seu trabalho mais recente, o disco Zii e Zie, foi lançado ainda em 2009, também ano do lançamento do documentário Coração Vagabundo, de Fernando Grostein Andrade, que mostra a intimidade do cantor durante a turnê do álbum A Foreign Sound, entre 2003 e 2005.

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6 de agosto de 1974 - EUA erra alvo e mata 100 civis no Camboja

Os equívocos e os fracassos da campanha dos EUA no Vietnã originaram a Contracultura

Centenas de pessoas dormiam na aldeia cambojana de Neak Luong, importante posição defensiva na margem do rio Mekong, a 51 Km de Phnom Penh, quando aviões norte-americanos começaram os bombardeios, provocando pânico entre a população, que acordava com o barulho das explosões e os gritos dos feridos.
No desastroso ataque, mais de 100 civis foram mortos, e cerca de 600 feridos. As vítimas em estado mais grave foram conduzidas em helicópteros até Phnom Penh. No Hospital Khmer, superlotado, os recém-chegados tiveram de ser dispostos no chão dos corredores. Testemunhas atestaram que as bombas destruíram o prédio da prefeitura de Neak Luong, um hospital, uma base do Exército, uma base da Marinha e dezenas de casas. Não foi possível esclarecer se o ataque foi realizado pelas super-fortalezas B-52, os caças-bombardeiros F-111, ou ainda uma esquadrilha com os dois tipos de avião.
O porta-voz da embaixada dos Estados Unidos se negou a confirmar ou desmentir o engano, e declarou que qualquer anúncio nesse sentido somente poderia ser feito pelo Comando Norte-americano no Pacífico, com sede em Honolulu. O bombardeio em Neak Luong foi um dos maiores equívocos militares dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra da Indochina, também chamada de Guerra do Vietnã.

A Guerra do Vietnã e a Contracultura
A Guerra do Vietnã foi um conflito armado entre a República Democrática do Vietnã (Vietnã do Norte), aliada de países comunistas como a China e a URSS, e a República do Vietnã (Vietnã do Sul), apoiada pelos Estados Unidos. O conflito, transcorrido entre 1959 e 1975, ocasionou a morte de milhões de civis no Vietnã. Para os Estados Unidos foi o mais longo conflito armado de que o país havia participado até então, e também o seu maior fracasso. A brutalidade da Guerra do Vietnã fez surgir nos Estados Unidos um movimento popular pela retirada das tropas norte-americanas do conflito. Este movimento se fundiu com outros de tendência anti racista e libertária, o que deu origem ao movimento da contracultura, como ficou conhecido. A contracultura teve enorme influência nos costumes da juventude dos anos 60 e 70, e se espalhou pelo mundo. O seu evento mais emblemático foi o festival de música de Woodstock, realizado há exatos 40 anos.

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5 de agosto de 1955 - A Pequena Notável desce do palco da vida

O Brasil emudece em luto pela perda de sua voz mais notória
A atriz e cantora Carmen Miranda foi encontrada morta em sua residência, em Beverly Hills, Califórnia. Aos 46 anos, a Pequena Notável sofreu um infarto fulminante horas depois de ter gravado uma participação no programa de televisão do comediante Jimmy Duarte, onde quase desmaiou devido a problemas cardíacos.

Apesar de sua imagem ser frequentemente associada ao Brasil, Maria do Carmo Miranda da Cunha nasceu na freguesia de Várzea da Ovelha Aliviada, em Portugal. Segunda filha do barbeiro José Maria Pinto Cunha e de Maria Emília Miranda, Maria do Carmo mudou-se com a sua família para o Brasil em 1910, antes mesmo de completar um ano idade. No Rio de Janeiro, Carmen, apelido recebido do pai, cresce sonhando com uma carreira nos palcos. Em 1930, alcança o sucesso ao gravar a marcha Pra Você Gostar de Mim, de Joubert de Carvalho, e é apontada pelos jornais como “a maior cantora brasileira do momento”. A primeira turnê internacional vem em 1933, e o primeiro filme nacional, Alô Alô Carnaval, em 1936. Carmen Miranda passa então a se apresentar no Cassino da Urca, no Rio de Janeiro, até que em 1930 assina contrato com o empresário norte-americano Lee Shubert e segue para os Estados Unidos com o seu grupo musical Bando da Lua. A sua carreira deslancha e a sua dependência de psicotrópicos começa.

Sob os auspícios da Política da Boa Vizinhança, adotada pelos Estados Unidos para conquistar o apoio dos países latino-americanos na Segunda Guerra Mundial, Carmen Miranda participa de 13 filmes em Hollywood num período de nove anos, e torna-se a atriz mais bem paga daquele país. Em 1947, casa-se com David Sebastian, que passa a atuar como seu empresário. A dependência de anfetaminas e barbitúricos aumenta. Em 1953 participa do seu último filme e, no dia da sua morte, da sua última apresentação. O Brasil emudeceu diante da sua mais notória voz.

Ainda que possa ser criticada por ter projetado uma falsa imagem do Brasil no exterior, a importância de Carmen Miranda na história cultural do Brasil é incontestável: ela foi uma influência direta na formação do movimento tropicalista. Tributos à sua vida e à sua arte permanecem sendo prestados até hoje, e especialmente neste ano, no qual comemoramos o centenário do seu nascimento.

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4 de agosto de 1977 - Rachel de Queiroz é eleita para a ABL

Rachel de Queiroz abre as portas da ABL para as mulheres


“Primeira mulher eleita para a Academia Brasileira de Letras, Rachel de Queiroz teve 23 votos contra 15 dados ao jurista Pontes de Miranda e uma abstenção. Ela tomará posse – em data a ser marcada – vestindo um longo preto com franjas douradas, modelo desenhado pelo figurinista Guilherme Guimarães e que agradou muito ao presidente da ABL Austregésilo de Athayde”. (Jornal do Brasil)

Descendente do romancista José de Alencar, Rachel de Queiroz nasceu em 1910, em Fortaleza, Ceará. Durante sua infância, as mudanças foram constantes: fugindo da seca, sua famíla chega ao Rio de Janeiro em 1915; algum tempo depois, muda-se para Belém do Pará, e retorna à Fortaleza dois anos depois, em 1917. Rachel forma-se professora aos 15 anos e retorna à fazenda dos pais, em Quixadá, onde, orientada por sua mãe, Clotilde Franklin de Queiroz, dedica-se à leitura e inicia seus primeiros escritos. Dois anos depois, começa a escrever como colaboradora do jornal “O Ceará” e, em 1930, publica “O Quinze”, seu primeiro romance. Com o livro, que trata da pobreza nordestina e foi inspirado na viagem de sua família ao Rio de Janeiro, recebe grandes elogios da crítica e atinge fama nacional. Nos anos seguintes, Rachel de Queiroz continua sua produção literária, escrevendo romances, crônicas, peças de teatro e livros infanto-juvenis. Se interessa pela polítca social do país e, em 1932, se casa com José Auto da Cruz Oliveira. Na década de 60, um fato controverso: colabora com o governo militar e é nomeada para integrar o Conselho Federal de Eduação. Continua a lançar diversos livros, entre eles “O Menino Mágico”, “Dora Doralina”, e “Memorial de Maria Moura”. Morre enquanto dormia em seu apartamento, no dia 4 de novembro de 2003, aos 93 anos, de problemas cardíacos.

A eleição de Rachel de Queiroz para a cadeira 5 da ABL representou um marco na história da Academia, que tem como objetivo o cultivo da língua e da literatura nacional, e um símbolo para as mulheres da época. “Os homens que se precavenham. O mulherio começou a entrar na Academia. A fila é grande”, diria ela em sua festa de comemoração. Após Rachel, mais cinco mulheres integrariam a ABL até os dias atuais.

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3 de agosto de 1981 - Presidente da Bolívia renuncia ao cargo

Mais um Golpe de Estado na Bolívia


O General Luiz Garcia Meza renunciou à Presidência da Bolívia e passou o poder à Junta de Comandantes Militares, atendendo assim à principal exigência dos Generais Alberto Natusch e Lucio Añez, que lideravam uma rebelião militar na cidade de Santa Cruz de la Sierra. No entanto Meza advertiu que não era “um covarde” e que estaria atento aos próximos acontecimentos no país.

Na cerimônia de renúncia, realizada no pátio do Palácio Quemado, sede do governo, Meza afirmou ter “vergonha” de que o mundo estivesse vendo outra vez a Bolívia em meio a um golpe militar e criticou os generais responsáveis por ele, chamando-os de “aventureiros que assaltaram a Pátria”. O ex-presidente também se referiu a um outro general “que se esconde nas sombras”, dirigindo-se, aparentemente, a Hugo Banzer, ex-presidente que enviou mensagens de Nova Iorque apoiando o movimento que resultou no golpe de Estado.

Um dos principais argumentos alegados pelos revoltosos para a deposição de Meza era uma suposta vinculação do governo boliviano com traficantes. Em seu discurso, o ex-presidente rebateu a acusação afirmando que o seu governo sempre combateu o tráfico e que, na verdade, os revoltosos seriam os verdadeiros financiados pelos traficantes.

Na mesma cerimônia, a Junta Militar responsável pelo golpe de Estado tomou posse, na pessoa do Brigadeiro Waldo Bernal, o qual confirmou que seria dada continuidade ao processo de reconstrução nacional, ordenou que as guarnições de Santa Cruz se desmobilizassem e voltassem aos quartéis, e pediu ao povo que mantivesse a calma, mantendo o toque de recolher estabelecido anteriormente.

A deposição do General Luiz Garcia Meza foi mais um episódio na instável história política da Bolívia, país da América Latina que, desde sua inpendência da Espanha em 1825, enfrentou mais de 190 golpes de Estado.

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2 de agosto de 1945 - Termina a Conferência de Potsdam

Reunidos em conferência na cidade alemã de Potsdam, próxima a Berlim e antiga capital prussiana, os “Três Grandes” – Estados Unidos, Reino Unido e União Soviética – aprovaram o Acordo de Potsdam, que estabeleceu a desmilitarização, desnazificação, democratização e descentralização da Alemanha, bem como a desanexação dos territórios conquistados pelo país durante a II Guerra Mundial. A Alemanha ainda teve seu território e sua capital, Berlim, dividos em quatro áreas de ocupação - de domínio dos EUA, Reino Unido, URSS e França -, e duas zonas de influência, uma capitalista e outra socialista. O acordo também criou o Conselho de Ministros das Relações Exteriores, cujo objetivo foi estabelecer a paz com a Itália, Romênia, Bulgária, Hungria e Finlândia e propor soluções nas disputas territoriais entre países na Europa.

A Conferência de Potsdam teve início no dia de 17 de julho e contou com a participação dos principais representantes dos países aliados vitoriosos da II Guerra Mundial: Harry S. Truman, presidente dos Estados Unidos; Winston Churchill, primeiro-ministro britânico – substituído durante a conferência por Clement Attle, em virtude da vitória eleitoral do Partido Trabalista; e Josef Stalin, secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética. Participaram também da conferência embaixadores, ministros do exterior e secretários de estado dos três países.

A reunião, que durou 17 dias, teve como principais metas estabelecer novas diretrizes político-econômicas para Alemanha, determinar uma nova ordem mundial, elaborar tratados de paz e mitigar as consequências da guerra.
Para muitos historiadores, as divisões e anexações de territórios estabelecidas ao final da conferência transparecem o início da tensão entre os Estados Unidos e a União Soviética, o que mais tarde se transformaria na Guerra Fria.

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1 de agosto de 1975 - CSCE se encerra com acordo de paz


Os 35 chefes de estados da Europa e da América participantes da Conferência de Segurança e Cooperação na Europa (CSCE), em Helsinque, Finlândia, assinaram a Ata Final da conferência, um documento de 335 páginas cuja redação exigiu 22 meses de negociações em Genebra.

A Ata Final proclamou a vontade política de 35 países – todos os da Europa Ocidental e Oriental (exceto a Albânia) e mais os Estados Unidos e o Canadá – de “melhorar e reforçar suas relações nos interesses dos povos, contribuir à paz na Europa, à segurança e à cooperação, assim como o de promover o estreitamento das relações entre os signatários e os demais países do mundo”. O documento foi dividido em quatro capítulos: o primeiro contém os 10 princípios de regulamentação da existência pacífica na Europa; o segundo aborda os acordos referente à cooperação econômica, científica e técnica, assim como a proteção do meio ambiente e a intenção de fomentar o comércio e a cooperação industrial entre os países signatários; o terceiro menciona a liberdade de locomoção e o intercâmbio de informações entre o Leste e o Oeste europeu; e o quarto capítulo estabelece a reunião dos ministros do exterior dos 35 países signatários no ano de 1977 com o objetivo de avaliar o cumprimento dos acordos contidos na Ata Final.

Ao final da conferência, o presidente norte-americano Gerald Ford pronunciou um discurso propondo que os países do Oriente e do Ocidente europeu reduzissem suas forças armadas com o objetivo de construir a paz, e que cumprissem as promessas contidas na Ata Final de respeitar as liberdades humanas.

A origem da CSCE
A CSCE foi uma iniciativa dos países que faziam parte do Pacto de Varsóvia – um pacto militar formado pelas nações socialistas do Leste Europeu, lideradas pela União Soviética – e foi uma tentativa de atenuar o confronto entre a Europa Ocidental, composta por países capitalistas e o Leste Europeu, formado por países comunistas ou socialistas. A importância da Ata de Helsinque, como ficou conhecida a Ata Final da CSCE, foi estabelecer como prioridade o respeito aos direitos humanos e garantir que as fronteiras dos países estariam protegidas contra futuras violações. Posteriormente, a CSCE deu origem à Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), entidade que até hoje é responsável pela promoção da democracia e do liberalismo econômico no continente europeu.

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