Arquivo de September 2009

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30 de setembro de 1976 – Petrobras assina acordo com a British Petroleum



11 meses e 21 dias depois do anúncio, feito pelo presidente Ernesto Geisel, oferecendo áreas brasileiras para a pesquisa de petróleo sob a forma de contratos de risco, com o objetivo de encontrar novas jazidas no Brasil, a Petrobras e a British Petroleum (BP), empresa inglesa que contava com 49% de participação do Governo britânico, assinaram o primeiro acordo desta natureza.

O contrato previa a exploração de uma área de 5.500 km² na Bacia de Santos, por um prazo mínimo de três anos na fase exploratória, e foi assinado pelo então presidente da Petrobras, General Araken de Oliveira, pelo superintendente de exploração, Lauro Vieira, e pelo representante da BP, John Royston Grundon, em cerimônia que ainda contou com a presença do conselho administrativo da Petrobras, sua diretoria e outros representantes da BP.

O contrato assinado pelas duas empresas previa que os investimentos mínimos realizados na fase exploratória na Bacia de Santos seriam de 10 milhões e 500 mil dólares, e o prazo mínimo para o início das atividades da subsidiária da empresa inglesa de seis meses a contar da assinatura do contrato. O acordo também estipulava que se ao final do tempo mínimo de três anos para a exploração não fosse encontrado petróleo na região, a BP perderia a concessão.

A assinatura do primeiro contrato de risco do Brasil no dia 30 de setembro foi uma determinação direta do General Araken de Oliveira, que forçou uma alteração nos planos originais e obrigou o geólogo Lauro Vieira, a equipe da Supex e o setor jurídico da Petrobras a apressar a organização do acordo e a cerimônia de assinatura.

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29 de setembro de 1992 – Sim para o povo, Não para Collor



Há exatos 17 anos, multidões nas ruas e praças das principais cidades do país acompanharam a transmissão, pela Tv e rádio, da votação de impeachment do então Presidente da República Fernando Collor de Melo, comemorando voto a voto o seu afastamento. Em frente ao prédio do Congresso Nacional, em Brasília, cerca de 100 mil pessoas aguardaram ansiosamente o resultado da contagem dos votos dos deputados federais que, numa decisão inédita no país, autorizaram a deposição do presidente. Foram 441 votos contra Collor (105 a mais do que o necessário), 38 a favor do presidente e uma abstenção.

O 336º voto, que completou os dois terços necessários para o afastamento de Collor, foi, por coincidência, de um mineiro, o deputado Paulo Romano, conterrâneo do vice-presidente Itamar Franco. Ao final da sessão, aos gritos, abraços e aplausos, os deputados se reuniram no plenário lotado e cantaram um trecho do Hino da Independência, enquanto Ibsen Pinheiro, presidente da Câmara, proclamou o resultado: “Está admitida a acusação contra o presidente da República”.



A decisão da Câmara se deu quatro meses após a instalação da mais devastadora Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do país, criada para investigar as denúncias de Pedro Collor, irmão do presidente, sobre um esquema de corrupção e tráfico de influência operado por Paulo César Farias, tesoureiro da campanha presidencial de Fernando Collor.

Cerca de dois meses depois da aprovação do impeachment na Câmara Federal, Fernando Collor renunciaria a presidência, deixando o cargo em 29 de dezembro de 1992. Entretanto, sua postura não impediu que seus direitos políticos fossem cassados por oito anos, até 2000. Atualmente, Collor é senador pelo estado de Alagoas, tendo tomado posse em 2007.

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28 de setembro de 1978 – O adeus ao Papa João Paulo I

Depois de um mês e três dias de Pontificado, João Paulo I, conhecido por seus fiéis como “Papa Sorriso”, por sempre ostentar um sorriso afável quando em público, foi encontrado morto em seu quarto, no Palácio Apostólico do Vaticano. De acordo com o médico que examinou o corpo de João Paulo I, o Papa teria sido vítima de um infarto agudo do miocárdio. Sua morte foi anunciada oficialmente pelo Vaticano às 7h42m em Roma.



João Paulo I nasceu Albino Luciani, em 17 de outubro de 1912, na província de Belluno, norte da Itália. Filho de operários, teve uma infância humilde e sempre contou com o incentivo de sua mãe Bertola, uma católica fervorosa, para que seguisse uma formação religiosa. Em 1935, Albino Luciane foi ordanado sacerdote, consagrado Bispo de Vittorio Veneto em 1958, Patriarca-Arcebispo de Veneza em 1969 e Cardeal em 1973.



Em 26 de agosto de 1978, Albino Luciane foi eleito pelo Colégio de Cardeais Papa da Igreja Católica, inaugurando seu Pontificado no dia três de setembro, numa cerimônia breve e simples, insistindo na linha da humildade com a qual pretendia caracterizar seu pontificado. Na homilia, dirigiu seu primeiro pensamento a Deus, que, em suas palavras, “com uma decisão humanamente inexplicável e com sua benigna designação, elevou-nos à cátedra de São Pedro”, e seu segundo pensamento “a toda a Igreja de Cristo”. A escolha do nome João Paulo I foi uma homenagem de Albino Luciane a seus antecessores, João XXIII e Paulo VI.

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27 de setembro de 1996 - Talibã toma o poder no Afeganistão



O Afeganistão, país da Ásia Central que viveu em guerra civil desde a retirada do exército da então União Soviética, em 1989, teve o governo tomado por um dos mais radicais movimentos islâmicos de que se tem notícia. Numa ofensiva relâmpago, o Talibã, formado em 1994 por jovens estudantes, tomou a capital, Cabul, e formou um governo encarregado de aplicar a Charia (Lei islâmica).

A primeira vítima do governo interino, formado por seis mulás - líderes religiosos de mesquitas islâmicas - e presidido por Mohammed Rabani, foi o último presidente comunista do país, Mohammed Najibullah, que desde 1992, quando foi derrubado por outro grupo deguerrilheiros, estava refugiado na representação da Organização das Nações Unida (ONU). Najibullah e o seu irmão Shapur foram enforcados em praça pública "por ter traído o Islã". Seus corpos foram pendurados no poste de iluminação da casamata da entrada do palácio presidencial, no centro de Cabul. O secretário da ONU, Butros Ghah, considerou lamentável a violação do espaço neutro das Nações Unidas e o assassinato de Najibullah, que na década de 1980 negociou a retirada das tropas da então União Soviética.

O repórter Gervasio Sanchez, do jornal espanhol El País, que esteve no Afeganistão no mês anterior à tomada do poder pelos Talibãs, afirmou na época que os anos de guerra "devolveram o Afeganistão à Idade Média" e que a área urbana de Cabul era “um acúmulo de ruínas infectadas de minas traiçoeiras que continuavam a matar e ferir".

Um país, diversas ocupações
Um dos países mais pobres do mundo, a República Islâmica do Afeganistão localiza-se em uma posição estratégica entre o Oriente Médio, a Ásia Central e a Índia, sendo por isso um país disputado por várias nações ao longo dos séculos. No final da década de 70, o Afeganistão tornou-se campo de batalha da Guerra Fria, com a ocupação do país por soldados soviéticos. Em 1996 o regime Talibã tomou o poder na região, sendo deposto somente em 2001, com a ocupação do país por forças militares norte-americana empenhadas na luta contra o terrorismo.

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26 de setembro de 2001 – A televisão perde Walter Avancini



Internado desde o dia 6 de setembro na Clínica São Vicente, o escritor, diretor, e autor de telenovelas e miniséries Walter Avancini morreu, aos 66 anos, de insuficiência respiratória decorrente de câncer. Nos 43 anos em que exerceu o papel de diretor, Avancini produziu Grande sertão: veredas, Anarquistas graças a Deus, Morte e vida severina, Beto Rockfeller, Selva de pedra, Saramandaia, Gabriela e Xica da Silva. Sob o seu olhar surgiram para a fama Regina Duarte, descoberta em um comercial de geladeira, Sônia Braga – “apostei nela mesmo com seu 1,50 metro” – e Bruna Lombardi.

Filho de imigrantes italianos, Avancini nasceu em 18 de abril de 1935, em São Caetano do Sul, mas foi posteriormente para São Paulo. Além de diretor e roteirista, foi ator, iluminador e operador de câmera, tornando dificil a dissociação da sua história profissional e a história da TV brasileira. Começou na TV Tupi, seguiu para a TV Paulista, foi para a Globo, passou pela TVE, esteve também no SBT e na extinta Manchete. Pelas mãos sofisticadas do diretor, a Globo estendeu a qualidade da dramaturgia das novelas para as miniséries. No gênero, fez Memórias de um gigolô, Chapadão do Brugre, Rabo-de-saia, Avenida paulista. Fora da TV, dirigiu Boca de ouro no cinema, em 1990.

O tom provocativo, o gosto pela polêmica, o dom para o marketing e o temperamento forte renderam a Avancini uma certa aura dentro da teledramaturgia brasileira. “Sou um pai. Duro, mas generosos. Desumano é o diretor que não presta atenção no ator, que bate nas costas do defeito. Generoso é aquele que se desgasta tentando educá-lo. Quem trabalha comigo nunca sai perdendo”, garantia o diretor.

Um diretor universal
“Ele não perdoava nada. Era rigoroso e severo. Para trabalhar com o Avancini,o ator tinha que chegar na hora do cenário, com o papel sabido. Ele tirava grandes interpretações dos atores. E é isso que se quer de um diretor”, disse José Lewgoy, que fez sua primeira novela, Cavalo de aço (1973), sob direção de Avancini. “Lamento pela dramaturgia brasileira” comentou Taís Araújo, que foi lançada pelo diretor na minissérie Xica da Silva, ao saber de sua morte. Ator que mais trabalhou com o diretor – foram mais de 10 produções juntos -, Ney Latorraca resumiu o trabalho de Walter Avancini: “Ele era genial. Um diretor que acrescenta ao ator. Seu trabalho não envelhece nunca. É atual, universal”.

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25 de setembro de 1982 – Seleção brasileira de vôlei vence o Mundialito



Num feito sem precedentes no esporte nacional, a seleção brasileira masculina de vôlei venceu por três sets a dois a equipe da União Soviética - até então a atual campeã olímpica e mundial, invicta internacionalmente no esporte desde 1976 - e conquistou o título de campeã do Mundialito, numa partida que durou três horas e meia, no Maracanãzinho.

Depois de um primeiro set em que se mostrou desorganizada, perdendo de 15 a 2, a seleção brasileira se reorganizou e apresentou um jogo digno de uma das maiores equipes do mundo. O levantador William, que fez vários pontos de segunda bola, também teve uma grande atuação, assim como Renan e quase todos os jogadores.

Incentivada pela torcida, que lotou o Maracanãzinho e fez um verdadeito carnaval depois da vitória, a seleção brasileira dominou o último set com facilidade, vencendo por 15 a 7, com o último ponto conquistado pelo jogador Xandó. O técnico Bebeto, pedindo os tempos na hora certa e mexendo no time com inteligência, também foi um dos grandes responsáveis pela vitória.

Além do valor simbólico para o vôlei nacional, o sucesso dos Mundialitos, realizados em São Paulo e Rio de Janeiro, provou para os organizadores de eventos esportivos no Brasil a possibilidade de realização de competições no país, sem a necessidade de buscar apoio oficial - algo até então impensável porque o Brasil passava por um momento de grandes restrições econômicas, com o fim do "milagre econômico".

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24 de setembro de 1996 – Assinado o tratado para o fim dos testes nucleares



As cinco potências detentoras de armas nucleares – EUA, França, Reino Unido, China e Rússia - e outros 60 países assinaram na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, o Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares, também conhecido como CTBT (Comprehensive Nuclear Test Ban Treaty), pondo fim a 30 anos de negociações por um compromisso político para banir a prática de explosões atômicas.

Aprovado pela Assembléia Geral da ONU em 10 de setembro, o CTBT teve como meta restringir a produção de armas atômicas mais avançadas e ajudar o movimento de redução dos arsenais nucleares já existentes. “O tratado é um marco histórico da maior importância no caminho para um mundo mais seguro para as próximas gerações”, afirmou o então secretário-geral da ONU Butros Ghali na ocasião.

O presidente Bill Clinton, dos Estados Unidos, país que deu início à corrida atômica e responsável por mais da metade dos 2.045 testes nucleares realizados até então, foi o primeiro a assinar o tratado. A ele seguiram-se os ministros do Exterior da China, França, Rússia e Grã-Bretanha. Depois foi a vez de Ryutaro Hashimoto, primeiro-ministro do Japão, único país que sofreu com os horrores das bombas lançadas pelos norte-americanos em 1945, em Hiroshima e Nagasaki.

No Rio de Janeiro, militantes de organizações ecológicas e grupos religiosos reuniram-se no Cristo Redentor para comemorar a assinatura do tratado. 51 balões brancos, ao sim de 51 batidas de bumbo – uma para cada ano de convivência com as experiências nucleares e que resultaram em mais de 200 acidentes – foram soltos sob os aplausos dos manifestantes.

Um sonho ainda distante
Apesar dos esforços das Organizações das Nações Unidas, até hoje o Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares não foi colocado em prática, aguardando ainda a ratificação de dez países signatários, entre eles EUA, China, Irã e Israel. Além disso, importantes países como Índia, o Paquistão e a Coréia do Norte se recusaram a assinar o tratado na época, realizando testes nucleares em 1998 (Índia e Paquistão) e 2006 (Coréia do Norte), dando indícios de que o mundo ainda está longe de se livrar da ameaça das armas nucleares.

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23 de setembro de 1973 - O Chile chora por Pablo Neruda

O chileno Pablo Neruda, um dos mais importantes poetas de língua castelhana do século XX, Prêmio Nobel de Literatura em 1971, morreu às 22h 30m na Clínica Santa Maria, em Santiago, vítima de câncer. Com o movimento militar de 11 de setembro, e a morte do presidente Salvador Allende, seu amigo pessoal, Pablo Neruda entrou em grande depressão. Para a escritora Isabel Allende, prima de Salvador Allende, Pablo Neruda teria morrido de tristeza ao ver destituído o governo socialista do presidente Allende.

Nascido Ricardo Eliezer Neftalí Reyer Basoalto em 14 de julho de 1904, na comuna de Parral, Pablo Neruda adotou esse pseudônimo ainda na adolescência, inspirado pelo escritor checo Jan Neruda. Durante 69 anos e 36 livros de poesia, Pablo Neruda perseguiu uma unidade, uma visão cíclica de todas as coisas que sentiu, amou e viveu. A proposta de "abarcar o espaço maior em que se movem, criam, trabalham e perecem as vidas e os povos" não foi concretizada num só poema, como ele queria. Mas, por isso mesmo, ele deixou uma das mais vastas heranças da latino-americanidade do século passado - toda ela condensada num poema ainda maior e mais cíclico - sua vida e suas três mil páginas de versos.

Diante da exuberância e da pluralidade de vozes em Neruda, muitos críticos o consideram o poeta do prosaísmo e do cotidiano, com a sua ingenuidade no trato das coisas mais simples da existência, em contraste com a cultura utilitária e o cinismo da atualidade. "O poeta deve ser, parcialmente, o cronista de sua época", dizia Neruda, que cumpriu como poucos esse papel.



Homenagens de despedida
O JB enviou o repórter Paulo César de Araújo e o fotógrafo Evandro Teixeira para cobrir a morte de Pablo Neruda. Devido ao estado de sítio decretado no Chile após a queda de Salvador Allende, esperava-se que o funeral do poeta fosse realizado em Santiago sem nenhuma pompa. Entretanto, além das homenagens públicas do governo chileno e das reações exteriores, cerca de 500 pessoas acompanharam o cortejo do corpo de Neruda até o cemitério, repetindo seus versos - “- Não estas morto, não estás morto, estás somente dormindo, como dormem as rosas em seus talhos de espinho.”-, cantando a Internacional e gritando: "Camarada Pablo Neruda, presente, agora e sempre".

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22 de setembro de 1980 - Começa a Guerra Irã-Iraque



Há exatos 29 anos aviões iraquianos bombardeavam 11 bases militares do Irã, que, em represaria, reagiria assumindo o controle militar do Estreito de Ormuz, na entrada do Golfo Pérsico. O ato foi considerado pelo Iraque como "uma declaração de guerra total" e marcou o início da Guerra Irã-Iraque, um conflito militar que durou até 1988, e foi resultante de disputas políticas, territoriais e religiosas entre os dois países - embora ambos islâmicos, o Iraque é sunita, enquanto o Irã xiita.
O presidente iraquiano Saddam Hussein afirmou ter ordenado os ataques para dissuadir o ayatolah Khomeiny, líder do Irã, de lançar seu país numa guerra total. Entretanto, o líder iraniano declarou que Hussein estava em "guerra contra o Islã" e ordenou ao povo iraquiano que se levantasse contra "o mercenário da América do Norte", referindo-se a Hussein. Na ocasião, o então presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, disse que seu país estava fazendo o possível para ajudar o Irã e o Iraque a encontrarem uma solução pacífica para o conflito entre eles.

Precavendo-se contra as possíveis conseqüências do agravamento do conflito entre o Irã e o Iraque, a Petrobras decidiu suspender as negociações para a pretendida redução das suas compras de óleo - a intenção inicial do governo era reduzir suas importações de 850 mil para 600 barris por dia. Já o Chanceler brasileiro Saraiva Guerreiro considerou prematuro qualquer julgamento sobre o conflito entre Irã e Iraque, e lembrou que o Brasil possuía relações com os dois países, fazendo votos para que os incidentes do dia 22 de setembro não se degenerassem em uma guerra, o que, infelizmente, acabou ocorrendo.

Pacificação tardia

Em 8 de agosto de 1988, após oito anos de conflitos e de mais de um milhão de mortos e feridos, o Secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Javier Perez de Cuellar, anunciou que o Irã e o Iraque concordaram em cessar todas as hostilidades em terra, mar e ar, a partir da zero hora do dia 20 de agosto. Cinco dias depois se iniciariam as negociações diretas de paz, enquanto um grupo de 350 observadores, de 25 países, fiscalizaria o respeito à trégua nos campos de batalha. A iniciativa de pôr fim ao conflito foi saudada pelos principais governos ocidentais, especialmente Washington.

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21 de setembro de 1993 - Boris Yeltsin dissolve o parlamento russo



O presidente russo Boris Yeltsin dissolveu o parlamento que, desde abril de 1992, resistia ao seu programa de reformas políticas e econômicas, e convocou eleições para uma Duma - nome do legislativo da Rússia pré-revolucionária - em 11 e 12 de dezembro. Com a medida, que o próprio Yeltsin reconheceu como inconstitucional, o presidente esperava afastar de seu caminho os deputados ex-comunistas, eleitos quando ainda existia a União Soviética. Em discurso o dirigente russo afirmou ter adotado a medida visando o melhor interesse do povo russo e que, como presidente eleito, não lhe restava outra alternativa para garantir a governabilidade e impedir que o caos se instalasse no país.

A reação do parlamento foi imediata. Seu presidente, Ruslan Khasbulatov, arquiinimigo de Yeltsin na luta pelo poder da Rússia, convocou uma sessão de emergência e anunciou que o impeachment do presidente poderia ser decretado pelo presidente do Soviete Supremo sem que houvesse necessidade de convocar uma reunião plenária, ou pelo Congresso dos Deputados do Povo. Quatro horas após o anúncio de Yeltsin, o Soviete Supremo destituiu o presidente de seus poderes e empossou o vice-presidente Alexander Rutskoi.

As principais potências ocidentais apoiaram a decisão de Yeltsin. O presidente Bill Clinton, após conversar com ele por telefone, disse que a crise constitucional em Moscou ameaçava os esforços de democratização e justifica a formação de um novo parlamento.

Apesar da decisão do parlamento russo, Boris Yeltsin ainda permaneceria no comando do país, utilizando-se de forças militares para sufocar a rebelião e, em outubro, aprovar uma nova constituição que ampliaria seus poderes.

Decisão contraditória
Responsável por transformar a Rússia em um país capitalista, deixando de lado o comunismo, Boris Yeltsin foi o primeiro presidente do país eleito democraticamente. Yeltsin assumiu a presidência em 1991, quando emergiu como um herói na defesa da democracia russa e foi uma peça chave para a dissolução pacífica da União Soviética. Por isso, sua decisão de fechar o parlamento de modo inconstitucional, em 1993, foi recebida por grande parte do mundo como uma reviravolta política inesperada e contraditória. Seu mandato se extendeu até 1999, quando foi sucedido por Vladimir Putin, e o seu governo foi marcado pelo colapso econômico da Rússia e o conflito com a Chechênia.

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20 de setembro de 1994 - Sophia Loren completa 60 anos

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Considerada uma das mais importantes atrizes italianas de seu tempo, Sophia Loren nasceu Sofia Villani Scicolone, em 20 de setembro de 1934, em Roma. Aos 14 anos, entrou em um concurso de beleza em Nápoles e, apesar de não ganhar, foi selecionada como uma das finalistas, o que a encorajou a enveredar pela carreira artística. Seu primeiro emprego em um estúdio cinematográfico foi no épico Quo vadis, onde fez figuração. Pouco tempo depois adotaria o nome artístico de Sophia Loren.

As curvas da atriz sempre fizeram dela uma favorita dos fotógrafos e diretores desde cedo em sua carreira. Durante a década de 50, Sophia Loren começou a tornar-se uma atriz popular em Hollywood, participando de filmes como Boy on a Dolphin e The Pride and the Passion, em que co-estrelou como Cary Grant e Frank Sinatra. Em 1961, ao atuar na produção La Ciciara, de Vittorio de Sica, um dos pais do neo-realismo italiano, Sophia Loren destruiu o estereótipo de que se tratava apenas de uma atriz cujas maiores qualidades eram seu corpo, seus olhos verdes e seu sedutor sorriso mediterrâneo. Sua performace lhe rendeu um Oscar de melhor atriz e selou sua reputação como uma estrela internacional.

Nos anos seguintes Sophia tornou a receber elogios, especialmente na Europa, por papéis em comédias de De Sica, como Matrimonio all'italiana. Nessa época a atriz encontrou sua cara-metade cinematográfica: Marcello Mastroianni, que alcançou a fama no clássico de Fellini La dolce vita, de 1959. Os dois atuaram juntos em 12 filmes. "Nossos encontros são sempre mágicos", comentaria Sophia em uma entrevista na época do filme Prêt-à-porter, onde atuou mais uma vez com Mastroianni.

Ainda hoje, quando completa 75 anos, Sophia Loren é apontada como um modelo de beleza e de talento a ser seguido pelas atrizes do momento.

Apenas uma "dona-de-casa"

Durante sua carreira, Sophia Loren fez par com grandes astros de Hollywood, como Clark Gable e Marlon Brando, o que sempre alimentou boatos sobre supostos casos amorosos da atriz. Entretanto, Sophia sempre negou que alguma vez tenha sido infiel ao produtor cinematográfico Carlo Ponti, com quem se casou em 1966. "Acredito no casamento, no trabalho, em filhos, na fidelidade e nas minhas raízes. Talvez isso signifique que eu seja apenas uma pequena dona-de-casa", afirmou certa vez em uma entrevista. Sophia e Carlo tiveram dois filhos e viveram juntos até a morte do produtor, em 2007.

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19 de setembro de 1985 – Violento terremoto abala o México



Há exatos 24 anos o México era atingido pelo mais violento terremoto de sua história que, em apenas 50 segundos, destruiu cerca de 35% dos prédios da capital Cidade do México, a maioria no centro histórico, o Zócalo, matou cerca 9.500 pessoas e feriu outras 30 mil.



O epicentro do tremor foi registrado no Oceano Pacífico, a 65 quilômetros da costa Oeste mexicana e 400 quilômetros a Sudoeste da capital. O terremoto atingiu o México na manhã do dia 20 de setembro e alcançou 8,1 graus na escala Richter, cujo valor máximo é 9. Instantaneamente a Cidade do México, terceira maior cidade do mundo, com 18 milhões de habitantes na época, teve sua energia elétrica, abastecimento de água e comunicações comprometidas. Além disso, diversas tubulações de gás explodiram, provocando incêndios e ampliando a destruição. O tremor também foi sentido nos estados mexicanos de Guerrero, Michoacán e Jalisco, bem como no estado norte-americano do Texas.

O presidente mexicano Miguel de la Madrid declarou emergência nacional e assumiu o comando das buscas e resgates. “A prioridade é salvar vidas”, afirmou, pedindo calma a todos pelo rádio. Já o serviço metereológico dos Estados Unidos emitiu um alerta para a possibilidade de maremotos, recomendando a adoção de medidas de emergência na Califórnia, El Salvador e Equador.

Horas depois dos tremores, cidadãos comuns organizaram brigadas para ajudar nos esforços de resgate, na provisão de alimentos, roupas, e no suporte emocional aos desabrigados. Países como a Argentina e a Venezuela também ofereceram ajuda ao México, enviando alimentos, medicamentos e equipes médicas. Organizações internacionais como a Organização dos Estados Americanos (OEA) e o Banco Intereamericano de desenvolvimento (BID) ofereceram auxílio econômico

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18 de setembro de 1970 - Jimi Hendrix beija o céu


O cantor, guitarrista e compositor norte-americano Jimi Hendrix, 27 anos, foi encontrado morto no apartamento de sua namorada, Monika Dannemann, em Notting Hill, Londres. As circunstâcias completas da sua morte permananecem desconhecidas até hoje, mas de acordo com a namorada do músico e com o médico que o atendeu inicialmente, Hendrix teria tomado nove comprimidos de um remédio para dormir e tido uma overdose. Em uma declaração feita durante um processo por posse de drogas, no qual foi absolvido, Hendrix teria admitido ser usuário de drogas como maconha e haxixe. Uma de suas composições mais populares, Purple Haze, supostamente faz referência à uma experiência do cantor com uma determinada variedade de LSD.

Descendente de negros e índios Cherokke, Johnny Allen Hendrix nasceu em 27 de novembro de 1942, em Seattle, Washington. Sua infância foi marcada pelo divórcio de seus pais, em 1951, e sua adolescência pela morte da mãe, em 1958, quando ele tinha apenas 16 anos. Hendrix ganhou sua primeira guitarra aos 15 anos, um presente de seu pai, e aprendeu a tocar o instrumento praticando constantemente, observando guitarristas experientes e ouvindo diversos discos. Depois de tocar com algumas bandas pequenas de Seatle, Jimi Hendrix se alistou no exército, onde ficou menos de um ano. Em seguida entrou para a banda Jimmy James and the Blue Flames e realizou alguns shows em Nova Iorque, onde foi descoberto por Chas Chandler, guitarrista do conjunto Original Animals, que decidiu levá-lo para Londres e ajudandá-lo a formar uma nova banda: The Jimi Hendrix Experience. Com as músicas Hey Joe, Purple Haze e The Wind Cries Mary, Hendrix estabeleceu-se rapidamente como uma importante
estrela do rock do momento e, posteriormente, da história.

Uma lenda do rock

Jimi Hendrix é tido por outros músicos e profissionais da indústria musical como um dos mais importantes guitarristas da história do rock, e um dos artistas mais influentes de sua geração. Influenciado pelos blues, com nomes como B.B. King, Muddy Waters e Albert King, e por guitarristas Rhythm and Blues como Curtis Mayfield, Jimi Hendrix foi o responsável por popularizar recursos como a microfonia, a distorção e outros efeitos especiais nas apresentações de rock, tornando seus shows incendiários: suas apresentações nos festivais de Woodstock e da Ilha de Wight são considerados memoráveis até hoje.

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17 de setembro de 1980 - Anastasio Somoza é assassinado



Em um atentado realizado em uma das ruas centrais de Assunção, capital do Paraguai, o ex-ditador nicaraguense Anastasio Somoza Debayle, 54 anos, foi assassinado com um tiro de bazuca enquanto passeava em seu luxuoso Mercedes.



A operação durou poucos minutos e foi executada por seis homens mascarados, numa hora de grande movimento na esquina da Avenida Espanha com a Rua América, a cerca de 700 metros da casa do ex-ditador: enquanto três deles dispararam a bazuca de uma casa de esquina, outros três saltaram de uma camioneta que seguia o carro de Somoza e dispararam rajadas de metralhadora contra o veículo. Em seguida os seis correram para um pequeno carro e fugiram em alta velocidade, trocando tiros com a escolta de Somoza. Além do ex-ditador, morreram seu motorista e seu assessor em questões econômicas Joseph Beíttiner.

Na Nicarágua, o povo saiu às ruas para festejar a morte de Somoza, enquanto a Frente Sandinista decretava "dia de júbilo nacional". Violeta Chamorro, ex-integrante da Junta do Governo e viúva do jornalista Pedro Joaquim Chamorro, assassinado a mando de Somoza, não ocultou sua alegria: "sabia que cedo ou tarde se faria justiça".

O Departamento de Estado norte-americano reagiu ao assassinato dizendo que o governo dos Estados Unidos "condena todas as formas de terrorismo", mas sem lamentar oficialmente a morte de Somoza. Já Ronald Reagan, candidato republicano à Casa Branca, lamentou profundamente o ocorrido e pediu punição aos culpados.

A trajetória de Tachito

Anastasio Somoza Debayle, também conhecido como Tachito, foi oficialmente o 73º e o 76º Presidente da Nicarágua e o último membro da família Somoza a ocupar o cargo de Chefe de Estado no país, encerrando uma dinastia que detinha o poder desde 1936. Em 1945, Somoza foi indicado por seu pai, o então presidente da Nicarágua, Anastásio Somoza García, para ocupar o cargo de chefe da Guarda Nacional, tornando-se o segundo homem mais poderoso do país. Após o assassinato de seu pai em 1956, e de seu irmão em 1967, Somoza assumiu o poder na Nicarágua, dando início a uma violenta ditadura no país. Em 1979 renunciou e procurou refúgio no Paraguai, onde encontrou um fim semelhante ao pai: assassinado, mas chorado por poucos.

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16 de setembro de 1988 - A Coréia inicia seus Jogos Olímpicos



Cerca de 1.600 dançarinos, ao som de 1.200 tambores, deram início aos 24º Jogos Olímpicos, que, sediados em Seul, capital da Coréia do Sul, registraram o maior número de países (160) e atletas participantes (13 mil), caracterizando a competição como a maior Olimpíada da era moderna até então. A cerimônia de abertura foi carregada de simbolismo oriental: dançarinos a saudar o sol e representar o encontro entre o homem, a terra e o céu. A festa não contou com a empatia imediata como a provocada pelo urso Misha, em Moscou (1980), nem com o show tecnológico visto em Los Angeles (1984), mas a mensagem de paz, objetivo mais proclamado dos Jogos Olímpicos, talvez jamais tenha sido mais bem simbolizada do que cermiônia na Coréia do Sul.

A parada começou com a delegação da Grécia, berço dos Jogos. A delegação brasileira – uma das mais alegres e a 71ª a desfilar – entrou na pista às 22h30 (horário de brasília), ao som da música Pra Frente Brasil, de Miguel Gustavo, e se apresentou com o judoca peso-médio Walter Carmona à frente, a erguer a bandeira do país. Entretanto, os destaques da apresentação foram os países africanos que, carregados de simbolismo, desfilaram com trajes coloridos, contrastando com a formalidade das demais delegações.



Nos Jogos Olímpicos de Seul o Brasil conquistou um total de seis medalhas: uma de ouro, com o judoca Aurélio Miguel; duas de prata, com o futebol e o atletismo; e três de bronze, duas na vela e uma no atletismo, com Robson Caetano.

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15 de setembro de 1995 – Costinha faz o Brasil chorar



O comediante Lírio Mário da Costa, o Costinha, de 72 anos, faleceu no Hospital Pan-Americano, no Rio. Ele havia sido internado no dia 4 de setembro, com falta de ar, e esteve sob cuidados médicos no Centro de Tratamento Intensivo, onde faleceu às 5h da manhã.

Costinha nasceu em 24 de março de 1923, no bairro carioca de Vila Isabel. Seu pai abandonou a família quando Lírio tinha 13 anos, mas não sem antes ensinar ao filho os segredos da profissão de palhaço de circo. Sem o pai, Costinha começou a trabalhar para ajudar nas despesas de casa. Foi boy, garçom de botequim e funcionário da loterial federal, mas nunca abandonou os picadeiros. Em 1942, aos 19 anos, foi empregado como faxineiro na Rádio Tomoio, onde divertia os colegas imitando homossexuais. Ainda foi radioator em diversos e importantes programas da época, como “Cadeira de Barbeiro”, “Recruta 23” e na primeira versão radiofônica da “Escolinha do Professor Raimundo”. Sua grande oportunidade veio quando passou no teste para um papel no filme “Anjo do lobo”. Nos anos seguintes, Costinha continuou trabalhando como ator de teatro de revista, até que foi chamado para participar de um espetáculo em São Paulo já com seu nome artístico.

O humorista iniciou sua carreira na televisão na TV Excelsior, no final dos anos 60, tornando-se um dos mais populares cômicos do país, com suas piadas e imitações caricatas de homossexual, que também fizeram com que seu trabalho fosse censurado em diversas ocasiões. Ao longo de mais de 50 anos de carreira, também participou de quase 20 filmes.

Seu último personagem interpretado foi Seu Mazarito, que contava piadas com os trejeitos efeminados que projetaram Costinha.

O adeus a Costinha
Costinha foi enterrado no Cemitério São João Batista e estiveram presente em seu velório grandes nomes do humor brasileiro, do cinema, teatro e televisão. O ator e presidente do Sindicato dos Artistas, Stepan Nercessian, disse que não conseguia acreditar na morte do comediante, “um homem bem-humorado, carinhoso com o público e que até em fila de banco, onde ia receber seu salário fazia todos rirem”. Jô Soares afirmou que Costinha foi “um marco na história do humor brasileiro” e acrescentou que o colega deixou como grande ensinamento a preservação da liberdade da irreverência. Também estiveram presentes Jorge Murad, autor de dezenas de texto para teatro de revista e diversos colegas da fase em que o humorísta atuou na televisão, como Lúcio Mauro, Tutuca, Iran Lima, David Pinheiro e Paulo Cintura.

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14 de setembro de 1974 - Arena indica Geisel para a Presidência da República



Os 624 convencionais da Arena, alguns dos quais possuíam direito de votar mais de uma vez, homologaram, durante a Convenção Nacional do Partido no Congresso, as candidaturas à Presidência e Vice-Presidência da República dos Generais Ernesto Geisel e Adalberto Pereira dos Santos, os quais receberam todos os 808 votos da Convenção. A mesa diretora foi formada pelo presidente da Arena Petrônio Portela, o presidente do Senado Paulo Torres, o presidente da Câmara Flávio Mareilio e pelo deputado Arnaldo Prieto, secretário-geral da Arena.

Em seu discurso de saudação, o senador Daniel Krieger afirmou que suas palavras exprimiam a emoção que dominava os convencionais ante a presença dos companheiros que, de todos os recantos da pátria, acudiram à convocação do Partido para cumprir o dever cívico de eleger o Presidente, pois "em verdade, a sua escolha pela Convenção representaria a sua eleição". Do lado de fora do plenário, três faixas davam um colorido diferente ao local, traduzindo o significado da reunião: "Castelo, Costa, Médici e Geisel, a continuidade revolucionária"; "A Arena saúda seus candidatos, Geisel e Adalberto"; e "Aos convencionais a saudação da Arena".

Ainda pela manhã o General Ernesto Geisel foi recebido no aeroporto de Brasília pelo seu companheiro de chapa, General Adalberto Pereira dos Santos, pelos presidentes do Senado, da Câmara e da Arena, pelos governadores do Piauí, Paraíba e Bahia, e por políticos arenistas. Sorridente, Geisel foi aplaudido pelos presentes e dirigiu-se à sala de espera do aeroporto, onde recebeu cerca de 100 parlamentares e convencionais que se aglomeravam do lado de fora como espectadores, atrás de uma ampla porta de vidro.

O governo da distensão
O General Ernesto Geisel assumiu a Presidência da República em 15 de março de 1974, num momento delicado para a economia brasileira: o final do "milagre econômico". O país enfrentava um grave endividamento externo e grandes dificuldades inflacionárias. Entretanto, ao invés de adotar uma política econômica de contenção, Geisel se propôs a investir no crescimento econômico do país, no que ficou conhecido como II Plano Nacional de Desenvolvimento (PND). Em seu governo, Geisel também apontou para o abrandamento da ditadura militar, numa abertura "lenta, gradual e segura", o que não o impediu de promulgar a Lei Falcão, que proibiu que os candidatos falassem no rádio e na televisão durante a propaganda eleitoral. Ernesto Geisel foi sucedido por João Baptista de Oliveira Figueiredo, em 1979, último presidente do regime militar.

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13 de setembro de 1993 – Israel e OLP assinam acordo de paz



O primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin, e o líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat, trocaram um histórico aperto de mãos diante do presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, na cerimônia realizada nos jardins da Casa Branca para a assinatura do acordo de paz entre os dois ex-inimigos. O gesto foi uma tentativa dos dois líderes deixarem para trás décadas de sangrenta inimizade e inaugurarem uma era de paz no Oriente Médio. A Declaração de Princípios, assinada minutos antes pelo chanceler de Israel, Shimon Peres, e o representante da OLP, Mahmoud Abbas, concedeu uma autonomia gradual aos palestinos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.



Os 3 mil políticos e diplomatas que assistiram a cerimônia da assinatura do acordo de paz em Washington aplaudiram a troca de cumprimentos entre o soldado israelense e o guerreiro palestino, enquanto, na Cisjordânia de Jericó e na Faixa de Gaza, multidões comemoraram ruidosamente o gesto histórico, transmitido ao vivo pela televisão.

- Nós, soldados que retornamos da batalha manchados de sangue, que lutamos contra vós, palestinos, nós hoje vos dizemos em alto e bom som: basta de sangue e de lágrimas - disse Yitzhak Rabin, em seu discurso emocionado.

Yasset Arafat respondeu a altura dizendo que a dificil decisão que os dois líderes tomaram juntos exigiu uma coragem excepcional e que seus povos estariam apenas aguardando aquele momento histórico de esperança para dar uma chance à paz.

- O som que ouvimos hoje mais uma vez, como na antiga Jericó, foi o das trombetas derrubando muros; desta vez, com a graça de Deus, as trombetas estão anunciando não a destruição de Jericó, mas um novo começo - finalizou Bill Clinton.

Os Acordos de Paz de Oslo
A assinatura da Declaração de Princípios foi parte dos Acordos de Paz de Oslo, como ficou conhecido o processo de pacificação entre Israel e a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), no início da década de 1990. As negociações foram iniciadas pelo governo norueguês em Oslo, e contaram com meses de intensivos contatos secretos entre entre Israel e a OLP mediados pelo ministro das Relações Exteriores da Noruega, Johan Joerger Holst. A Declaração de Princípios continha um conjunto de regras gerais mutuamente acordados sobre um período interino de cinco anos de autogoverno palestino a ser implantado em quatro fases. Lamentavelmete este processo de paz foi interrompido pela Segunda Intifada em setembro de 2000, e as hostilidades entre os dois povos continam até o presente.

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12 de agosto de 1981 – Inaugurado o Memorial JK



Um cortejo levando os restos mortais de Juscelino Kubitschek e uma missa realizada na Praça do Cruzeiro marcaram a cerimônia de inauguração do Memorial JK, em Brasília. Estiveram presentes na inauguração familiares e amigos de JK, Dona Sara Kubitschek, viúva do ex-presidente, e as principais autoridades do governo brasileiro, como o Presidente João Figueiredo, o vice-presidente Aureliano Chaves, diversos ministros, os governadores de São Paulo e Brasília, Paulo Maluf e Aimeé Lamison, e cerca de 10 mil populares.



A urna funerária com os restos mortais de JK saiu do Congresso Nacional, às 16h. À frente do cortejo um carro oficial levava Dona Sara, o ministro da Justiça Ibranhim Abi-Ackel – representando o Presidente João Figueiredo – e o Governador Paulo Maluf, que doou Cr$ 50 milhões para a construção do memorial. Nos cinco carros seguintes iam as filhas e netas de Juscelino e demais autoridades. O cortejo seguiu até a Praça do Cruzeiro e minutos depois chegou à entrada do Memorial, onde o Arcebispo Dom José Newton aguardava para o início da missa. Uma salva de 21 tiros de canhão anunciou a chegada da urna e a multidão irrompeu em palmas. Mais tarde, enquanto parte dos populares presentes gritavam “JK eleito pelo povo” e “Este foi eleito pelo povo”, outra parte manifestava-se contra o governo.

A missa iniciou-se às 17h, quando o Presidente João Figueiredo já estava presente. Em seu sermão, Dom José Newton citou o otimismo, as atitudes cordiais, inteligentes e pacifistas de JK, definindo o período em que ele foi considerado proscrito pela Revolução como o “calvário do exílio”. Durante a missa, Sara Kubitschek fez um rápido pronunciamento onde agradeceu ao Presidente João Figueiredo, destacou que a construção do Memorial foi fruto da união do povo e do governo e que ele não deveria ser visto como apenas um monumento:

- Ele será um pólo cultural, um marco histórico indicador do caminho da democracia e do entendimento entre todos os brasileiros. Assim desejaria JK, que é a própria encarnação da vida e da energia.

Ao final da missa, às 18h, a urna foi depositada na sala mortuária no segundo andar do Memorial, onde permanece até hoje.

Homenagem à Juscelino Kubitschek
No dia 19 de agosto de 1979, o Presidente João Figueiredo prometeu ao cantor Sílvio Caldas, amigo de Juscelino Kubitschek, doar um terreno para a construção de um museu para reverenciar a história memória de JK. Assim começou a se concretizar a idéia do Memorial JK, cujo projeto original foi elaborado pelo arquiteto Oscar Niemeyer um mês após a morte do ex-presidente. O Memorial está situada numa área urbanizada de 29 mil metros quadrados, tem 28 metros de altura e uma estátua de Juscelino de 4,5 metros de altura, e domina a Praça do Cruzeiro.

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11 de setembro de 2001 - Um dia de terror para os EUA


O 11 de setembro ficou marcado na história como um dia de terror para os norte-americanos e de perplexidade para o resto do mundo. Nesta data, há 8 anos, os Estados Unidos sofreram uma série de atentados terroristas que desestabilizaram o país e mostraram ao mundo a até então desconhecida vulnerabilidade de sua maior potência.



Coordenados pela organização fundamentalista islâmica Al-Qaeda e pelo terrorista saudita Osama Bin Laden, os atentados envolveram o sequestro de quatro aviões comerciais dos Estados Unidos e as suas colisões com alvos específicos do território norte-americano. O primeiro atentado aconteceu pouco antes das 9h da manhã (10h no Brasil), quando um Boeing 767-223 de um voo American Airlines, com 92 pessoas a bordo, chocou-se contra a Torre Norte do World Trade Center, um dos prédios símbolos da cidade de Nova Iorque. Poucos minutos depois um novo avião, dessa vez um Boeing 767-222 de um voo da United Airlines, com 65 pessoas a bordo, chocou-se contra a Torre Sul do World Trade Center. Um outro avião, com 64 pessoas em seu interior, ainda atingiria parte do Pentágono, em Washington, e outra aeronave, com 45 pessoas, cairia em um campo aberto na Pensilvânia antes de atingir o seu destino, presumivelmente o Capitólio. Pouco mais de uma hora depois do primeiro avião se chocar contra seu alvo, as duas torres do World Trade Center desabaram, levantando uma gigantesca nuvem de poeira e desespero por toda Nova Iorque. Além dos danos materiais às cidades atingidas, estima-se que os atentados causaram a perda de quase 3.500 vidas.



Consequências dos atentados
Após os atentados o Presidente norte-americano George W. Bush prometeu caçar os responsáveis pelos ataques, e uma onda de paranóia se espalhou por todo os Estados Unidos e nas suas relações com outros países. Os aeroportos do país tornaram a vigilância mais rígida, dificultando a entrada de estrangeiros, e os mulçumanos que vivem nos Estados Unidos passaram a ser hostilizados e investigados. Tendo como justificativa a luta contra o terrorismo, o país ainda invadiu o Afeganistão em 2001 e o Iraque em 2003, capturando Saddam Hussein no processo. Entretanto, até hoje Osama Bin Laden, tido como o principal responsável pelos atentados, permanece foragido.

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10 de setembro de 1972 – Emerson Fittipaldi é campeão na Fórmula 1



Pilotando o seu Lotus-72 reserva no autódromo de Monza, com uma técnica e segurança invejáveis, Emerson Fittipaldi, 25 anos, tornou-se o mais jovem campeão mundial da Fórmula 1 ao vencer o Grande Prêmio da Itália e conquistar o título por antecipação, já que ainda faltavam duas provas para o final da temporada. Para cumprir as 55 voltas num total de 317, 625 quilômetros, Emerson gastou o tempo de 1h29m 58s4d, ficando à frente 14s5d do segundo colocado, o inglês Mike Hailwood, com um Surtees.

- Ser campeão vencendo em Monza era um sonho que, felizmente, se tornou realidade – comentou Emerson Fittipaldi na ocasião, explicando que ficaria contente com o título de qualquer maneira, mas da forma como foi obtido teve “um gostinho bem especial”. O piloto também fez um agradecimento especial aos mecânicos da Lotus, que conseguiram, no treino na manhã da corrida, consertar os problemas que de suspensão e motor que seu carro apresentou na véspera.

Após a sensacional vitória de Emerson, centenas de brasileiros com bandeiras do país invadiram a pista e, em meio a abraços e vivas ao piloto, fizeram um autêntico carnaval, num espetáculo bonito e emocionante. O público italiano, embora decepcionado com a derrota das ferraris, e particularmente a de Jack Ickx, que liderava a prova até faltarem apenas nove voltas, assistiu em silêncio o início das homenagens ao piloto brasileiro, mas depois aderiu à festa, gritando também “viva Fitti”e batendo palmas quando foi tocado o Hino Nacional brasileiro.

Um piloto pioneiro
Filho de mãe russa e pai brasileiro, o jornalista Wilson Fittipaldi, Emerson nasceu em 12 de dezembro de 1946, em São Paulo, e foi o primeiro brasileiro a se sagrar campeão mundial de Fórmula 1 (1972), o primeiro a ganhar uma 500 milhas em Indianápolis (1989) e o primeiro a se tornar campeão na fórmula Indy (1989). Emerson começou a correr como piloto em 1964, em uma competição de kart, estreando com uma vitória em Santo André, São Paulo. Ao longo de sua carreira conquistou dois títulos mundiais na Fórmula 1, um na Fórmula Indy, 36 vitórias e 18 poles position nas duas categorias. Atualmente o ex-piloto é diretor da equipe brasileira no campeonato de corridas internacionais A1 Gran Prix e compete na GT3 Cup.

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9 de setembro de 1976 - Morre Mao Tse-Tung


Morreu, aos 82 anos, Mao Tse-tung, fundador da República Popular da China e um dos maiores líderes comunistas do século XX. O comunicado oficial da morte do governante informou que Mao "caiu doente e foi alvo dos mais meticulosos cuidados médicos", mas que "devido ao agravamento da enfermidade, o tratamento não teve resultado". A mensagem oficial também fez um apelo à unidade dos chineses para "prosseguir na causa legada pelo Presidente Mao, e reforçar a direção centralizada do Partido sob a liderança da classe operária, e com base na aliança entre operários e camponeses".



A reação dos chineses à morte de seu líder foi imediata: milhares de bandeiras vermelhas surgiram nos balcões, nas ruas e nas praças da China, e muitas famílias ergueram varais de bambu com colchas, túnicas e outras peças de tecido, tudo na cor vermelha. Duas horas depois do comunicado oficial, um chinês em cada três levava uma braçadeira negra ou um cravo branco no peito (símbolo de luto na China). Na Tian'anmen uma multidão de jovens reuniu-se em volta do Monumento aos Heróis do Povo, enquanto grupos de mulheres depositavam ramos de flores ao pé do gigantesco retrato de Mao colocado na porta de acesso à Cidade Proibida.

As disposições do luto nacional e serviços fúnebres foram anunciadas conjuntamente pelo Comitê Central do Partido Comunista, pela Comissão Militar do Comitê, pelo Conselho de Estado e pelo Congresso Nacional do Povo. O luto oficial durou 10 dias e contou com diversas homenagens ao governante desaparecido.

O Grande Timoreiro
Poeta, políitico, soldado, filósofo e escritor, Mao Tsé-tung tinha por dever conduzir o povo do seu país a uma vida livre da fome, das doenças e da ignorância. Foi consagrado líder do comunismo chinês ao final da Grande Marcha, em 1935. O governo de Mao construiu as bases de uma economia primitiva, que conquistou a China inteira. Sua principal preocupação foi a luta pela unidade nacional chinesa e, para isso, deu início à controversa Revolução Cultural, que se estendeu por todo o país. Esgotado o fervor da Revolução Cultural, a China arrebatava a cadeira ocupada por Taiwan na Organização das Nações Unidas e abria as portas de Pequim para receber o Presidente dos Estados Unidos. Por tudo que realizou, ainda o hoje o Grande Tomoreiro, como Mao era chamado, é reverenciado em seu país, tendo adquirido um status de semi-deus para muitos chineses.

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8 de setembro de 1986 – Decretado estado de sítio no Chile



No primeiro dia do estado de sítio decretado pelo governo militar chileno, após um atentado contra o general Augusto Pinochet organizado por células paramilitares da Frente Patriótica Manuel Rodríguez (FPMR), soldados do exército e da polícia chilena prenderam dirigentes políticos e padres, invadiram bairros pobres, igrejas e outros locais religiosos, e suspenderam as redações de seis revistas e a agência de notícia inglesa Reuters. Em comunicado à imprensa Augusto Pinochet criticou duramente os políticos da oposição e advertiu que o Chile está em guerra e que todos devem optar entre “a democracia” representada por ele, ou “o caos”, representado pela oposição e, principalmente, pelos marxistas que recorreram à luta armada.

Ao amanhecer do dia 8, o primeiro bairro cercado por tanques leves e carros blindados foi o de La Victoria. A região foi completamente isolada e ninguém pôde entrar e nem sair. Mais tarde os soldados voltaram suas atenções para os locais religiosos da cidade, como a modesta Igreja de La Victoria e a Casa da Cultura Padre André Jarlan, que foram arrombadas, revistadas e depredadas pelos policiais e militares, que queimaram panfletos religiosos e confiscaram diversos materiais.

Durante a operação foram presos dirigentes políticos de esquerda, como German Correa, presidente da coalizão de partidos marxistas, o socialista Ricardo Lagos, participante de uma coalizão moderada, e o padre Rafael Maroto, que, por sua atuação num grupo político de esquerda, já havia tido suas funções sacerdotais suspensas.

Violência e repressão
O general Augusto Pinochet assumiu oficialmente o cargo de Chefe Supremo da Nação chilena em 17 de junho de 1974, após liderar, com o apoio dos EUA, o golpe de estado que depôs Salvador Allende, o primeiro presidente socialista eleito democraticamente num país latino-americano. Sua chegada ao poder inaugurou um período negro na história do Chile, marcado por uma ditadura militar violenta e repressora que acabou com a liberdade política no país e foi constantemente denunciada pelas Organizações das Nações Unidas (ONU) por violar os direitos humanos de centenas de chilenos. Após entregar o cargo de líder do Chile em 1990, Pinochet enfrentou uma série de processos judiciais pelas atrocidades de sua ditadura, mas jamais foi condenado. O ex-ditador morreu em 10 de dezembro de 2006, ironicamente, no Dia Internacional dos Direitos Humanos.

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7 de setembro de 1977 - Assinados os Tratados Torrijos-Carter



Em cerimônia realizada na sede da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington, o presidente norte-americano Jimmy Carter assinou, juntamente com o Chefe do Governo panamenho Omar Torrijos, dois novos acordos sobre o Canal do Panamá. Na ocasião, todos os chefes de estado latino-americanos e do Caribe presentes também assinaram uma declaração de apoio aos novos tratados entre os Estados Unidos e o Panamá, que ficaram conhecidos como Tratados Torrijos-Carter.

O primeiro acordo, oficialmente chamado de "Tratado referente à Neutralidade Permanente e à Operação do Canal do Panamá" estabeleceu o direito permanente dos Estados Unidos de defenderem o Canal do Panamá de qualquer ameaça que possa interferir com seu serviço a navios de todos os países. Já o segundo acordo, chamado de "Tratado do Canal do Panamá", garantiu que, a partir da meia-noite do 31 de Dezembro de 1999, o Panamá assumiria o controle total das operações do canal, ficando responsável por sua defesa e controle.

Três discursos foram pronunciados durante a cerimônia: um do presidente Carter, um do General Torrijos e um do Secretário-Geral da OEA, Alejandro Orfila. Em sua fala, Carter afirmou que o novo acordo indicava a convicção norte-americana de que a equidade, e não a força, deveria situar-se no coração das negociações entre as nações do mundo. Torrijos, por sua vez, discursou num tom de nacionalismo brando, dizendo que o que alimentou as esperanças do povo panamenho foi saber que o povo norte-americano - por ter sido colônia - não teria vocação para colonialista.

Uma região cobiçada

Região estratégica por ligar o Oceano Atlântico ao Oceno Pacífico, o Canal do Panamá possui 82 quilômetros de extensão e sempre despertou o interesse de outros países, notadamente os Estados Unidos, por sua importância militar e econômica. A primeira tentativa de construção de um canal na região se deu em 1880 com o francês Ferdinand de Lesseps, que não teve sucesso na empreitada. Em 1903, o Panamá proclama sua independência da Colômbia e, em retribuição à ajuda do governo dos EUA, os panamenhos permitem aos Estados Unidos a soberania territorial da Zona do canal do Panamá, que entrou em atividade em 15 de agosto de 1914. Em 1999, o acordo Torrijos-Carter é ratificado com algumas alterações, e o canal passa à responsabilidade panamenha.

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6 de setembro de 1997 - O mundo chora a perda da Lady Diana



Há 12 anos o mundo dava adeus à princesa Diana, morta, aos 36 anos, num acidente de carro uma semana antes. Milhares de pessoas nas ruas de Londres e uma audiência de TV calculada em 2,5 milhões, em 60 países, acompanharam as cerimônias do funeral da princesa.

A partir das 8h10 da manhã (4h10 no Brasil), uma multidão observou a passagem da carruagem que levou o féretro com o corpo da princesa desde o Palácio de Kensington, residência de Diana, até a Abadia de Westminster, onde foi realizada a missa de corpo presente. De lá, o féretro - que depois da cerimônia na abadia foi depositado em um carro fechado - cumpriu um longo trajeto até o Norte de Londres, sempre em meio à multidão que, com aplausos e jogando flores, dava vazão à tristeza.



Depois de percorrer 123 quilômetros da estrada que liga Londres à pequena cidade de Althrop, com os dois lados da pista inteiramente ocupados por pessoas que atiravam flores, o carro fúnebre cruzou, às 11h45 (hora de Brasília), os portões da mansão da família de Diana, onde o corpo da princesa então repousou, isolado, no túmulo aberto em uma pequena ilha de um lago artificial do Parque Althrop. A partir de então a cerimônia foi exclusivamente privada e somente dez pessoas presenciaram o sepultamento: os irmãos de Diana - Charles Spencer, Jane Fellowers e Sarah McCorquodale (ambas com seus maridos) - , sua mãe Frances Shand Kydd, o príncipe Charles com os dois filhos do casal, William e Harry, e o mordomo da princesa, Paul Burrel.

A "Princesa do Povo"
Mais do que pela singeleza com que brilhava em eventos sofisticados da alta sociedade mundo afora, a princesa Diana ficou famosa pelo seu apoio incondicional a projetos de caridade e solidariedade, especialmente pelo auxílio que prestou a campanhas contra minas terrestres e no combate à AIDS, o que lhe rendeu o apelido de "Princesa do Povo". "Eu quero que as pessoas se lembrem de mim como alguém que se importava com elas", dizia. Para tanto, Diana foi a primeira grande celebridade a ser fotografada tocando uma pessoa infectada com o vírus HIV e trabalhou como voluntária VIP do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, visitando sobreviventes das explosões de minas terrestres em hospitais e trabalhando para a proibição da produção dessas armas.

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5 de setembro de 1981 - João do Pulo é tricampeão mundial



O brasileiro recordista mundial de salto triplo João Carlos de Oliveira, o João do Pulo, conquistou em Roma o seu terceiro título mundial consecutivo, ao ganhar a segunda etapa da 3ª Copa do Mundo de Atletismo. João saltou a distância de 17,37m, dois centímetros a mais do que o resultado obtido pelo campeão olímpico de Moscou Kaak Uudmae, batendo o recorde da competição, que já era seu.

Apesar da opinião do público e da imprensa que acreditavam que o brasileiro fosse conseguir apenas o quarto lugar na classificação geral, atrás de Kaak Uudmae, Zau Zhen Xhian e Willie Banks, dono do melhor resultado da temporada (17,56m), João do Pulo não se intimidou e conquistou o seu melhor resultado no quarto salto dos seis a que tinha direito na prova. A vitória teve gosto de revanche, já que o soviético Kaak Uudmae havia superado João em 1981, deixando-o apenas com o bronze nas olimpíadas de 1980.

Um dos maiores heróis do atletismo brasileiro, João do Pulo nasceu em 28 de maio de 1954, em Pindamonhangaba, São Paulo. Sua primeira grande vitória veio em 1973, quando ficou famoso ao quebrar o recorde mundial júnior de salto triplo, no sul-americano, com a marca de 14,75m. Seguiram-se então as medalhas de ouro em salto a distância e no salto triplo, onde quebrou o recorde mundial da modalidade, no Pan-americano de 1975. Em 1979, no Pan-americano de Porto Rico, João do Pulo venceu as duas modalidades e alcançou o bicampeonato. Apesar das vitórias, João nunca conseguiu uma medalha de ouro em olimpíadas, ganhando o bronze em Montreal (1976) e Moscou (1980).

Para sempre João do Pulo
No mesmo ano do tricampeonato mundial, João do Pulo teve sua carreira brutalmente interrompida por um acidente de carro, que resultou na amputação de sua perna direita. Após o acidente, formou-se em educação física, entrou para a vida política e foi eleito, em 1986,Deputado Estadual por São Paulo e reeleito em 1990, quando defendeu os interesses políticos dos atletas e deficientes físicos. João do Pulo faleceu em 1999, mas graças a seus recordes, suas medalhas e à canção "João do Pulo", de Aldir Blanc e João Bosco, sua lembrança permanecerá para sempre no imaginário do esporte brasileiro.

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3 de setembro de 1985 - Encontrados os destroços do Titanic



De acordo com o anúncio do Instituto para Pesquisa e Exploração do Mar, uma organização governamental francesa, o robô submarino Argo, dotado de câmeras supersensíveis e um sofisticado sistema de sonar, localizou os restos do transatlântico Titanic a cerca de 350 milhas náuticas da Terranova, Canadá. As primeiras fotos tiradas pelo robô mostraram que o navio repousa no fundo do mar, na posição normal, e está partido em pedaços. As operações para encontrar o Titanic começaram no dia 5 de agosto, quando os navios Suroit (francês) e Knorr (americano) iniciaram as buscas na região em que o transatlântico teria afundado. Ao todo, o robô Argo tirou cerca de 12 mil fotos coloridas do Titanic.

Uma das mais famosas e trágicas catástrofes marítimas da história, o naufrágio do transatlântico RMS Titanic, operado pela companhia White Star Line, ocorreu em sua viagem inaugural, na noite de 14 de abril de 1912. O então maior transatlântico do mundo chocou-se com um iceberg, ocasionando um rasgo de mais de 90 metros em seu casco. Duas horas e quarenta minutos depois, na madrugada do dia 15, o navio afundou, matando mais de 1.500 pessoas - das mais de 2.223 pessoas a bordo, apenas 706 foram resgatados com vida.

Na época, o Dr. Robert Ballard, chefe da expedição que encontrou o Titanic, desejava que o navio fosse declarado monumento da humanidade pela Organização das Nações Unidas (ONU), como forma de poupá-lo de possíveis saques visando as jóias que poderiam estar guardadas em seu interior.

O Titanic na cultura popular
Por seu tamanho e dramaticidade, a tragédia inspirou diversas obras de ficção em livros, filmes - no cinema e na televisão - e musicais, que tentaram descreveram os acontecimentos a bordo do navio antes de seu naufrágio. Dentre essas criações, aquela que mais se destacou mundialmente foi a produção cinematográfica Titanic¸ de 1997, dirigida por James Cameron. O filme, estrelado por Leonardo Di Caprio e Kate Winslet, teve um custo de cerca de 200 milhões de dólares, tornou-se a maior bilheteria da história do cinema norte-americano e foi o vencedor de 11 prêmios Oscar, incluindo de melhor filme.

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2 de setembro de 1961 - Instituído o regime parlamentarista no Brasil



Foi aprovada na Câmara dos Deputados, em primeira discussão, por 234 votos contra 59, e, em segunda discussão, por 233 votos contra 55, a ementa constitucional que instituiu um regime parlamentar no Brasil semelhante ao vigente na República Federal da Alemanha (Alemanha Ocidental), cujos dispositivos visavam impedir a queda sucessiva de gabinetes e limitar a casos muito específicos o poder do Presidente da República de dissolver a Câmara dos Deputados.

A ementa constitucional aprovada provocou algumas mudanças na Magna Carta brasileira. Dentre elas, destacam-se: o Poder Executivo passava a ser exercido pelo Presidente da República em conjunto com o Conselho de Ministros; o Presidente da República seria eleito pelo Congresso Nacional por maioria absoluta de votos e exerceria o cargo por cinco anos; todos os atos do Presidente da República deveriam obrigatoriamente ser referendados pelo Primeiro Ministro e pelo Ministro competente; criava-se a figura do Primeiro Ministro, a quem competeria, entre outras atribuições, a iniciativa de propor os projetos de lei do Governo, orientar a política externa, exercer o poder regulamentar, e decretar e executar a intervenção federal.

Tancredo Neves seria o primeiro a assumir o cargo de primeiro-ministro do Brasil, em 7 de setembro de 1961. A ele seguiriam no cargo Francisco Brochado e Hermes Lima, em 1962.

O Parlamentarismo no Brasil

O Parlamentarismo é o sistema de governo que atribui à Câmara dos Deputados e ao Senado o controle efetivo da política interna e externa do país, através do poder de aprovar ou desaprovar a indicação do Primeiro-Ministro e do Conselho de Ministros, ou de derrubá-los quando não mais concordar com suas diretrizes. Esta foi a segunda instituição do parlamentarismo no país - a primeira ocorreu durante o Império - e foi resultado de um acordo político para garantir a posse de João Goulart na Presidência da República após a renúncia do presidente Jânio Quadros. O sistema duraria cerca de dois anos no Brasil e seria extinto em janeiro de 1963, através de um plesbicito.

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1 de setembro de 1939 - Começa a Segunda Guerra Mundial

A invasão da Polônia pela Alemanha marcou o início da Segunda Guerra Mundial


Há exatos 70 anos a Alemanha de Hitler invadia a Polônia com os objetivos de reaver os territórios alemães perdidos ao final da Primeira Guerra Mundial, e dar início ao plano do Fuhrer de estabelecer uma "nova ordem" na Europa, baseada no princípio da superioridade germânica. Começava assim a Segunda Guerra Mundial, um conflito de escala mundial que confrontou os Aliados - cujas principais forças foram a União Soviética, os Estados Unidos e o Império Britânico - e as forças do Eixo - liderados pela Alemanha, a Itália e o Japão. A Segunda Guerra Mundial foi o maior conflito militar da História, durou seis anos, envolveu 72 nações e provocou a morte de mais de 50 milhões de pessoas.

As hostilidades começaram quando o cruzador alemão Hehleswigh-Holstein, que estava ancorado no porto de Dantzig, abriu fogo contra o depósito de munições polonês de Westerplatte. Horas depois, utilizando a tática da Guerra Relâmpago (Blitzkrieg), os Grupos de Exércitos Norte e Sul da Alemanha, com tropas blinadadas e mecanizadas, iniciaram a invasão por terra, enquanto aviões da esquadra alemã bombardeavam as cidades polonesas de Kattowitz, Cracovia, Grodnow e Wasterplatte, destruindo instalações militares. A justificativa para a invasão alemã foi um suposto ataque polonês a uma estação de rádio alemã, o que mais tarde ficou provado que não aconteceu.

Nove dias depois as tropas alemães iniciavam os ataques à Varsóvia, capital do país. No entanto, o Império Britânico e a França não esperariam tanto: em 2 de agosto de 1939, um dia após a invasão alemã, os dois países declararam guerra à Alemanha.

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