Arquivo de October 2009

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31 de outubro de 1996 – A tragédia do voo 402 em São Paulo



Há exatos 13 anos, a cidade de São Paulo foi cenário do maior acidente aéreo já registrado em uma área urbana até então: um Fokker 100 da TAM caiu sobre o pacato Jardim Oriental, no bairro do Jabaquara, a 1.200 metros da pista do Aeroporto de Congonhas, matando seus 90 passageiros, seis tripulantes e destruindo um conjunto de oito casas. Pelo menos sete moradores da região morreram no desastre. Casas em chamas, cerca de uma dúzia de automóveis destruídos, escombros, pânico e uma cortina de fumaça negra transformaram o Jardim Oriental num cenário de guerra.



O Fokker 100 estava iniciando o voo KK 402, depois de ter vindo de Caxias do Sul (RS) para São Paulo, com escala em Curitiba (PR). Antes da queda, o avião, que havia decolado às 8h26 com destino ao Aeroporto Santos Dumont, no Rio, passou a 50 metros de uma escola estadual onde cerca de 450 estudantes iniciavam o turno da manhã, e foi se chocando contra os telhados de quatro prédios. No final da tarde, o número de mortos variava entre 103 e 118, nos boletins afixados no mural de avisos do Instituto Médico Legal, para onde os corpos foram removidos. As equipes de resgate recuperaram as duas caixas pretas que continham informações relevantes para o esclarecimento do acidente. Uma delas possuía a gravação do diálogo mantido entre o comandante José Antônio Moreno e o co-piloto Ricardo Martins nos 20 minutos que antecederam a tragédia. A outra guardava os dados gravados por 34 computadores de bordo. As caixas foram entregues ao Serviço Regional de Prevenção de Acidentes, do Ministério da Aeronáutica. De acordo com Luís Eduardo Falco, então vice-presidente da TAM, o avião havia sido comprado direto da fábrica em agosto de 1993 e estava com o cronograma de revisões em dia.

Em Brasília, o presidente Fernando Henrique Cardoso, que tinha um amigo entre os passageiros, expressou sentimentos de pesar e disse que o acidente chamava a atenção para as condições dos aeroportos brasileiros em centros de alta densidade populacional.

Investigações posteriores concluíram que logo depois que tirou o trem de pouso do solo, o Fokker 100 teve uma pane no reversor da asa direita e, com isso, não conseguiu ganhar velocidade e altura para decolar e começou a pender para a direita. Não houve tempo para o piloto tentar qualquer manobra de emergência

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30 de outubro de 1994 – O Brasil é vice no Mundial de Vôlei Feminino



Há exatos 15 anos a seleção brasileira de vôlei feminino era derrotada pela seleção cubana, que, de forma brilhante, conquistou o título do Mundial de Vôlei, em pleno ginásio do Ibirapuera, São Paulo. Os números registrados nos três sets (15/2, 15/10 e 15/5) deixaram evidente a superioridade das cubanas, que não perderam nenhum set em toda a competição e ficaram com a medalha de ouro. Às brasileiras, restou a prata e o vice-campeonato até então inéditos no vôlei brasileiro.

Na opinião do técnico Bernardinho, a distância física entre as cubanas e brasileiras foi o que fez a diferença na partida da final.

- Precisamos “crescer” as jogadoras de vôlei no Brasil. Mas, como nos próximos anos não podemos equilibrar esta diferença, precisamos treinar muito, muito mesmo. Tecnicamente, não existe grande diferença e o que pesa é o físico delas – comentou o técnico, que ficou surpreendido com a atuação das cubanas. Além de tranquilidade e muita vibração, as cubanas mostraram-se precisas em todos os fundamentos do vôlei.

Bernardinho também afirmou que seu time chegou mais desgastado à final do que as cubanas, o que pode ter influenciado no resultado da final da partida.

– Nosso caminho foi bem mais complicado, chegamos desgastados à final – disse o treinador.

Entretanto, a derrota da seleção brasileira não desanimou suas jogadoras, que saíram do Ibirapuera com uma medalha de prata no peito, mas que teve gosto de ouro.

- A derrota não foi frustrante. Subimos de um sétimo lugar no Mundial de 90 para o segundo aqui – disse a levantadora Fernanda Venturini.

Conformadas com o vice-campeonato, a maioria das jogadoras nem chorou após o jogo. Elas cumprimentaram a torcida e foram para o vestiário. A sensação era de que o dever estava cumprido.



Orgulhosos, os torcedores brasileiros também não se deixaram desanimar com o segundo lugar e saudaram as jogadoras com gritos animados de “vice-campeã”, o que levou a atacante Ana Paula às lágrimas.

- Não estou chorando por causa do jogo, porque para mim esta derrota teve sabor de vitória, mas pela emoção de ver que o nosso trabalho foi reconhecido. Nunca vi uma torcida brasileira gritar e comemorar um vice-campeonato como aconteceu aqui. Foram sete meses sem bola perdida, treinando a 101 por cento. É muito emocionante estar com a medalha de prata e sentir que ela é de ouro – disse aos prantos.

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29 de outubro de 1956 – Começa a Guerra do Suez



Há exatos 53 anos, Israel, com o apóio do Reino Unido e da França, invadia o Canal de Suez, um estratégico porto egípcio no Mar Mediterrâneo que permite às embarcações da região navegarem da Europa à Ásia sem precisarem contornar o continente africano. O motivo da invasão foi a nacionalização do canal e o fechamento do porto de Eilat, no golfo de Ácaba, pelo então presidente egípcio Gamal Abdel Nasser. Essa atitude prejudicou os projetos judeus de irrigação do deserto de Neguev e cortou o único contato de Israel com o Mar Vermelho. Era o início do conflito entre Israel e Egito que ficou conhecido como Guerra do Suez.

Pouco antes de anunciar que suas forças estavam a somente 30 quilômetros do extremo-meridional do canal, Israel emitiu um comunicado oficial informando que havia estabelecido posições à oeste do importante entroncamento rodoviário de Nekhi, que se encontrava a 112 quilômetros a leste do Canal de Suez. Um alto funcionário israelense afirmou que a invasão não se tratava de uma operação de represália, nem de um a guerra.

– É uma operação demasiada grande para que seja chamada de represália. É demasiada pequena para que seja qualificada de guerra. Não há aviação de bombardeiro nem artilharia – disse o funcionário, que ainda afirmou que, dependendo das circunstâncias, Israel poderia continuar mantendo ocupado o deserto de Sinai.

O comunicado também informava que as forças terrestres judaicas partiram da fronteira, de um ponto próximo ao povoado egípcio de El Kuntilha, e avançaram através de colinas abruptas que margeiam o platô de El Tih, atacando no caminho as bases dos “Fedayeen”, como eram conhecidos os comandos suicidas egípcios.

A invasão do território egípcio por forças israelenses precipitou uma intensa atividade diplomática nas Nações Unidas, já que a Jordânia anunciou que levaria a questão ao Conselho de Segurança da ONU. Até então o Egito também já havia solicitado ao conselho sanções econômicas e diplomáticas contra Israel pela invasão de seu território.

Em sete de novembro de 1956, a Assembléia Geral das Nações Unidas tomaria a resolução que exigiu a imediata retirada dos exércitos inglês, francês e israelense da região. Os Estados Unidos e a União Soviética também contribuíram para o fim do conflito, pressionando os três países para que retirasse suas tropas do Egito. Ao final da guerra, o Egito manteve seu direito sobre o canal. Entretanto, as tensões entre Israel e árabes persistiriam, ocasionando novos embates no decorrer da história.


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28 de outubro de 1958 – Eleito o papa João XXIII



Com grande surpresa para si, o Cardeal-Patriarca de Veneza, Ângelo Giuseppe Roncalli, 76 anos, italiano da aldeia de Sotto il Monte, província de Bérgamo, foi eleito pelo Colégio de Cardeais chefe supremo da Igreja Católica, sucedendo o longo pontificado do papa Pio XII e adotando o nome de João XXIII. Depois de dois dias e meio de votações negativas, os 51 cardeais participantes do conclave chegaram a um acordo para eleger Papa um prelado de idade avançada que pertencesse ao chamado “Grupo Pastoral” da Igreja, opostp ao “Grupo Político”, que desejava um papa de impacto decisivo nos assuntos mundiais. O novo papa era membro do Colégio de Cardeais desde 1953 e era chamado por seus amigos de “Pastor Completo”, por sempre ver o lado bom das coisas, ser capaz de fazer amizades tanto com personalidades quanto com pessoas humildes e cuja porta estava sempre aberta “para qualquer pessoa, amigo, indiferente ou inimigo”.

Terceiro filho de uma humilde família de agricultores, Angelo Giuseppe Roncalli nasceu no dia 25 de novembro de 1881 e desde cedo foi muito devoto da Igreja Católica, o que o fez ingressar no Seminário de Bérgamo. Após vários anos de estudo, Roncalli foi ordenado sacerdote católico em Roma, em 1904. No ano seguinte, tornou-se secretário do novo Bispo de Bérgamo, D. Giacomo Maria Tadeschi e, em 1915, quando a Itália entrou na Primeira Guerra Mundial, foi alistado como sargento do corpo médico.

Em 1925, o papa Pio XI nomeou Roncalli como Visitante Apostólico na Bulgária, elevando-o a Arcebispo da Sede titular de Areopolis e dando início a seus 25 anos como diplomata do Vaticano. Após passar pela Turquia e Grécia, foi nomeado, em 1944, Núncio Apostólico em Paris, num delicado momento marcado pelos turbulentos anos pós-guerra, quando os dirigentes franceses não haviam esquecido que o Vaticano mantivera relações como o governo do falecido Marechal Philippe Petain, julgado traidor durante a guerra. Apesar das dificuldades, os franceses foram desarmados com o bom humor bondoso e rápidas respostas de Roncalli, o que lhe garantiu uma carreira brilhante. Quando deixou o posto de Paris, em 1953, as relações entre o Vaticano e a França eram excelentes. No mesmo ano, foi nomeado Cardeal-Patriarca de Veneza.



O Papa Bondade
Quando Angelo Giuseppe Roncalli foi eleito papa, D. Helder Câmara fez uma previsão certeira a respeito de João XIII.

- Não é preciso ser profeta para afirmar que, em dois tempos, ele vai encantar a todos nas audiências coletivas - comentou.

De fato, apesar de ter tido um curto pontificado, que durou menos de cinco anos, João XXIII ainda hoje é tido como um dos mais populares e amados papas, não apenas na Igreja Católica, mas também entre os não católicos. Não a toa ele ficou conhecido como o "Papa Bom" ou "Papa Bondade". Parte desse respeito foi fruto de seu espírito de tolerância e de ecumenismo, que se traduziu em suas tentativas de cooperação e diálogo com outras crenças e religiões, principalmente com os protestantes, ortodoxos, anglicanos e até os xintoístas. João XXIII faleceu no dia 3 de junho de 1963 e, na ocasião, a revista Times constatou que "poucos pontífices entusiasmaram assim tanto o mundo".





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27 de outubro de 1986 – Líderes religiosos se reúnem pela paz



Liderados pelo papa João Paulo II, mais de 150 representantes de 12 grandes religiões mundiais realizaram uma jornada de nove horas de jejum e orações pela paz, na pacata cidade de Assis, Itália, que foi colorida pelos paramentos e trajes regionais de representantes protestantes, evangelistas, muçulmanos, budistas, xintoístas, hindus, sikhs, bahais, judeus, zoroastrianos e até animistas africanos e índios americanos. Durante a reunião, o papa afirmou que o mundo estava “crucificado” pelos conflitos bélicos e fez um “humilde apelo” aos líderes mundiais para que o mundo se convertesse num lugar de paz “permanente e verdadeira”. O Vaticano classificou o encontro como “a primeira santa aliança” já realizada entre dirigentes e representantes dos principais credos para uma causa comum. Segundo fontes do Vaticano, o apelo à paz atingiu cerca de três bilhões 500 milhões de fiéis em todo mundo, ou seja, cerca de 70% da população mundial.

Sob os aplaudos de milhares de assistentes, João Paulo II chegou à cidade de Assis durante a manhã, em uma caravana de carros vinda da vizinha Perugia. Na praça, junto à catedral de Santa Maria dos Anjos, apertou a mão dos chefes de mais de 60 delegações. O primeiro a saudar o papa foi Dalai Lama, o rei-deus do Tibete, que Depois de João Paulo II saudar o principal rabino de Roma, Eilo Toaff, todos entraram na basílica, construída no local onde São Francisco morreu. Cerca de 1.500 policiais vigiaram os cerca de 20 mil visitantes e jornalistas, que se somaram aos 24 mil habitantes da cidade.

A cerimônia na catedral durou mais de duas horas. Enquanto isso, outros ritos religiosos ocorriam em diversos lugares da cidade. Os budistas cantaram hinos e queimaram incenso em um templo católico e, do lado de fora, padres cintoístas de negro cantavam e realizavam lentos movimentos rituauis. Adeptos das qautro religiões provenientes da Índia – hindus, sikhs, zoroastrianos e jains – rezaram e meditaram juntos. Judeus e mulçumanos oraram em dois outros locais.

Mais tarde, quando todos os grupos religiosos se reuniram em frente a Basílica de São Francisco, o Papa fez um apelo em prol da unidade cristã.

– O que realizamos hoje aqui não estará completo se não nos dispensarmos com a profunda resuloção de nos empenharmos na procura da plena unidade e superarmos as sérias divisões que permanecem – disse a santidade.


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26 de outubro de 1951 – Winston Churchill é reeleito no Reino Unido



Aos 76 anos, Sir Winston Leonard Spencer Churchill, o estadista da era vitoriana no mundo moderno, voltou a ser primeiro-ministro do Reino Unido. Churchill foi encarregado pelo convalescente rei Jorge VI de formar um novo governo em face da vitoria do partido Conservador na eleiçoes gerais, e substituiu no cargo de primeiro-ministro o lider trabalhista Clement Attle. Assumindo o governo em um momento de grande crise no após guerra europeu, Churchill aceitou a incubência determinado a realizar um esforço para minimizar a Guerra Fria que se agravava entre os países capitalistas, liderados pelos EUA, e os socialistas, comandados pela URSS.

Contando com a segurança da maioria na Câmara dos Comuns – de quinze postos sobre os demais partidos juntos e a probabilidade de mais dois ou três quando terminassem as apurações -, Churchill declarou que o governo conservador restauraria a pluralidade de votação das grandes universidades britânicas, para que estas pudessem enviar aos Comuns seus próprios deputados e mostrou cordialidade para com os liberais, em decadência durante as eleições, acenando para a possibilidade de lhes pedir que se fizessem representar no novo governo, que segundo Churchill seria de coalisão.

Decepcionado por ter perdido tantas cadeiras na Câmara dos Comuns, o Partido Trabalhista mostrou-se em parte satisfeito com o fato de ter alcançado mais votos populares do que o Partido Conservador. O secretário do Partido Morgan Phillips, informou que até aquele momento as cifras do partido indicavam mais de 14.200.000 votos para os trabalhistas contra 13.400.000 dos conservadores.

Ícone da Segunda Guerra
O estadista, escritor, jornalista, orador e historiador Winston Churchill foi primeiro-ministro do Reino Unido pela primeira vez de 1940 à 1945, em plena Segunda Guerra Mundial, conflito no qual a sua participação foi fundamental para a vitória dos aliados. Ao final da guerra, mesmo com a Inglaterra vitoriosa, Churchill perdeu as eleições de 1945 para os trabalhistas. Retornou ao poder em 1951, tendo permanecido como primeiro-ministro até 1955, quando se retirou devido a problemas de saúde. Em 1953, ganhou o Prêmio Nobel de Literatura por suas memórias sobre a guerra, na qual a sua capacidade de liderança e combatividade foram motivo de assombro tanto entre os inimigos como entre os aliados. Faleceu em 1965, aos 90 anos, encerrando uma era no século 20.


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25 de outubro de 1983 – Os EUA invadem Granada

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Numa entrevista coletiva tensa, tendo ao seu lado a Primeira Ministra de Dominica, Eugenia Charles, o presidente dos EUA, Ronald Reagan, anunciou que tropas americanas, atendendo a um pedido da Organização dos Estados do Caribe Oriental (OECS), desembarcaram na ilha de Granada para proteger vidas americanas e “restaurar as condições da lei e da ordem” na ilha.

Entretanto, apesar de Reagan ter afirmado que os países da região, todos pequenas ilhas como Granada, pediram ajuda aos EUA apenas três dias antes de seu pronunciamento, a ação foi planejada na semana anterior, logo após o golpe de estado de extrema esquerda liderado por Maurice Bishop e que derrubou o então primeiro-ministro, Eric Gairy, assassinado com outras 60 pessoas.



Os americanos atacaram a ilha às 5h30m, em duas frentes. Cerca de 500 fuzileiros pularam de paraquedas no Aeroporto de Ponta Salina, próximo à Saint George’s, Capital da ilha, que estava sendo construído por cubanos e franceses e havia sido apontado por Reagan como um futura base para aviões cubanos e soviéticos, acusação repetidamente negada por Bishop. Outro grupo, de cerca de mil boinas-verdes, tomou o Aeroporto das Pérolas, no Norte da ilha, o único operacional de Granada. Depois, cerca de 300 homens, a maioria da polícia e de exércitos das seis ilhas da região que participaram da invasão, desembarcaram no aeroporto. De acordo com os secretários norte-americanos de Estado, George Shultz, e de Defesa, Caspar Weinberger, três americanos e três granadenses morreram e 20 pessoas ficaram feridas durante a invasão à ilha.

Reflexos da Guerra Fria
A invasão dos EUA à pequena ilha de Granada teve como principal motivo o golpe de estado efetuado pelo líder do Movimento New Jewl, Maurice Bishop, que destituiu Eric Gairy do poder para estabelecer um governo marxista-lenista, alinhado à URSS e à Cuba. Isso desagradava profundamente o governo norte-americano que, dada a proximidade física entre os dois países, via no novo governo de Bishop uma potencial ameaça ao seu território. Apesar de países como o Reino Unido e o Canadá terem se posicionado contra a invasão norte-americana, isso não impediu os EUA. Após a vitória dos norte-americanos, o governador geral de Granada, Paul Scoon, nomeou um novo governo e, em meados de dezembro, as forças dos EUA retiraram-se da ilha.

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24 de outubro de 1994 – Morre o ator Raul Julia



O ator Raul Julia, principal astro de origem latina que atuava em Hollywood, morreu em um hospital de Long Island, em Nova Iorque, em conseqüência de um derrame cerebral que havia sofrido no dia 20 e que o deixou em coma desde então. Nascido em Porto Rico, Raul Julia tinha 54 anos e estava no auge de uma carreira iniciada na década de 60, nos teatros da Broadway.

Raul Rafael Carlos Julia y Arcelay, o mais novo de quatro irmãos, nasceu em 1940, e ainda garoto ganhou o apelido de “diabo das escolas”, dada a sua rebeldia. Contra a vontade do pai – um rico proprietário de restaurantes que desejava ver Raul Julia formado em direito -, formou-se em Artes Dramáticas e, aos 24 anos, fez um estágio no American Place Theatre, dirigido por Wynn Handman, em Nova Iorque, o que o faz mudar-se para a cidade. Pouco tempo depois interpreta Macbeth e Otelo, de Shakespeare. Em sua longa carreira teatral, Julia destacou-se por interpretar Fidel Castro em The cuban thing, peça indicada para quatro prêmios Tony, além de ter sido protagonista da Ópera dos três vinténs, de Brecht e Weil.

Apesar de morar nos Estados Unidos desde a metade da década de 60, Raul Julia nunca perdeu seu sotaque latino. O que poderia ser um problema para a sua entrada em Hollywood, entretanto, transformou-se no charme extra do ator, sempre interpretando papéis de estrangeiros, geralmente latin lovers. Foi este, aliás, seu melhor papel no cinema, o galã que encanta Terri Garr em O fundo do coração, clássico do neon-realista realizado por Francis Ford Coppola, em 1982. Sua estréia no cinema foi em 1976, com o filme The gumball Rally, no papel de um piloto de corridas italiano. Seu primeiro papel de importância veio dois anos depois, quando interpretou o marido de Faye Dunaway em Os olhos de Laura Mars.

Ligação com o Brasil
Entre as dezenas de filmes feitos por Raul Julia, destacam-se seus papéis em O fundo do coração, que fez sua carreira deslanchar, A manhã seguinte, de Sidney Lumet, Conspiração Tequila e Acima de qualquer suspeita, de Alan J. Pakula. Seus sucessos mais recentes foram os dois filmes baseados na série A Família Addams, em que interpreta o personagem Gómez, e Street Fighter, baseado num popular jogo de videogame. Raul Julia tinha uma ligação especial com o Brasil e aqui filmou O beijo da mulher aranha, de Hector Babenco, e de The burning season, de John Frankenheimer, onde interpretou o líder seringueiro Chico Mendes.

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23 de outubro de 1990 – O cinquentenário do Rei do futebol



Há exatos 19 anos, o Jornal do Brasil prestava homenagem a aquele que é considerado ainda hoje, no dia em que completa 69 anos e 32 anos após sua despedida dos campos, o mais famosos futebolista do Brasil e do mundo: Pelé, o Rei do futebol. Antes de alcançar a fama e fazer história no esporte, Pelé nasceu Edison Arantes do Nascimento, na pequena cidade de Três corações, Minas Gerais. Filho de Celeste Arantes e de João Ramos do Nascimento, um conhecido futebolista no sul de Minas, Pelé manifestou sua vocação para jogador de futebol quando ainda era criança. Por isso, sua carreira futebolística começou cedo e, aos 15 anos, com a ajuda de um antigo jogador da seleção brasileira chamado Waldemar de Brito, o menino entrou para seu primeiro clube profissional, o Santos Futebol Clube. No dia do teste do menino, Waldemar profetizaria aos diretores do clube: “Este garoto ainda será o maior jogador de futebol do mundo”. Dez meses depois, Pelé já disputava sua primeira partida pela seleção brasileira e marcava seu primeiro gol pelo Brasil.



No Santos, Pelé jogou por quase 18 anos e foi artilheiro do campeonato paulista 11 vezes. Pela seleção, participou de quatro Copas do Mundo, sagrando-se campeão mundial em três delas: 1958, 1962 e 1970. Em 1975, Pelé foi para os EUA, para jogar no time norte-americano New York Cosmos, onde encerrou sua carreira, em 1977, numa partida amistosa contra o Santos, jogando em cada tempo em um dos time. Entre 1995 e 1998, foi ministro dos Esportes no Brasil. Hoje, ainda é considerado uma das principais autoridades do mundo dos esportes, tendo auxiliado na candidatura do Rio de Janeiro às olimpíadas de 2016.

O melhor jogador do mundo
Durante sua brilhante carreira, Pelé participou de 1.375 partidas, marcou 1.284 gols e recebeu inúmeros prêmios, mesmo depois de sua aposentadoria dos campos. Em 1981, o jornal francês L’Equipe lhe concedeu o título de Atleta do Século de todos os esportes. Pelé voltou a obter o título em 1999, dessa vez concedido pelos jornalistas da Agência de Notícias Reuters. O título de Jogador de Futebol do Século veio em 1999, pela UNICEF, pela revista France Football, pela Federação Internacional de Estatística e História do Futebol e, em 2000, pela Federação Internacional de Futebol (FIFA).

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22 de outubro de 1967 – Cem mil pacifistas pedem paz no Pentágono



Cerca de cem mil pacifistas, constituindo delegações de quase todas as cidades norte-americanas, marcharam sobre o Pentágono em protesto contra a guerra do Vietnã e o serviço militar obrigatório nos EUA.

Os manifestantes concentraram-se no Lincoln Memorial e caminharam dois quilômetros até o Departamento de Defesa, onde pararam diante do esquema de segurança do Governo, formado por 12 mil paraquedistas, tropas da Guarda Nacional e agentes federais. No início da marcha os cordões policiais retrocederam diante da coluna de manifestantes que, com o desenrolar do protesto, passaram de uma calma silenciosa para gritos contra o governo e sua política externa. Cada delegação levava uma tabuleta indicando sua procedência. A marcha iniciou-se com as delegações tomando posição atrás dos portadores da Tocha da Paz, acendida há alguns meses em Hiroshima. A delegação de Nova Iorque, formada em sua maioria por negros e porto-riquenhos, levava retratos de Che Guevara e do Primeiro-ministro de Cuba, Fidel Castro.

Quando a coluna de pacifistas chegou diante do Departamento de Defesa, a Polícia calculou que haviam 25 mil pessoas, enquanto os organizadores do evento anunciavam um total de 150 e 200 mil. Aos gritos de “não iremos para o Vietnam”, os manifestantes defrontaram-se com os soldados que resguardavam o Pentágono. Alguns conseguiram furar o bloqueio do esquema de segurança e mais tarde anunciou-se que 14 pessoas haviam sido presas, entre as elas o escritor Norman Mailler, autor de The Naked and The Dead, romance sobre os soldados americanos combatentes no Vietnam. Por um momento, a coluna dos partidários da paz pareceu disposta a romper a barreira, porém retrocedeu, ouviu alguns discursos e dissolveu-se.

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21 de outubro de 1982 – García Márquez ganha o Nobel de Literatura



Comparando-o a Willian Faulkner e a Balzac, a Academia Sueca conferiu ao escritor e jornalista colombiano Gabriel García Márquez, então com 54 anos, o Prêmio Nobel de Literatura de 1982. A premiação incluía a quantia de 157 mil dólares, uma imensa publicidade em todo o mundo e a asseguração da imortalidade literária de Gabo, como Gabriel García é chamado pelos amigos.

No comunicado da premiação, a Academia, composta por 12 membros, afirmou que “os grandes romances de Garcia Márquez evocam os de William Faulkner e os de Balzac, nos quais personagens aparecem em diferentes histórias, trazidas à superfície de distintas maneiras”. Ainda de acordo com a Academia, o autor de Cem Anos de Solidão foi agraciado com o prêmio “por seus romances e contos onde o fantástico e o real se fundem na complexa riqueza de um universo poético que reflete a vida e os conflitos de um continente”.

Em entrevista aos jornalistas, após saber da premiação, Gabriel Garcia Márquez, o quarto latino-americano e primeiro colombiano a receber o Nobel de Literatura, garantiu que nunca tinha sonhado em ganhar o prêmio e se disse surpreso com a decisão da Academia.

- Nas últimas semanas, gastei muito tempo tentando convencer meus amigos que não tinha a menor chance de ser premiado. Por quê? Basta analisar os últimos que ganharam o prêmio para ver que a Academia esteve nos últimos anos buscando valores desconhecidos. Dava a impressão de que procurava os que mereciam o Prêmio Nobel, mas que por algum motivo extraliterário não tinham conseguido se tornarem conhecidos – comentou o escritor.

A importância de Gabriel García Marquez

Gabriel García Márquez é possivelmente o escritor de língua espanhola que mais vendeu livros na história da literatura. Seu primeiro trabalho literário foi o romance La Hojarasca, publicado em 1955. Desde então o autor já publicou mais de 20 obras. Paralelo a sua carreira literária, o autor sempre se manteve ativo como jornalista, profissão que diz ser semelhante a de escritor em muitos as aspectos. Ainda hoje seu livro Cem anos de solidão, publicado em 1967, é tido como “a mais importante obra publicada em espanhol desde o Dom Quixote, de Cervantes”.

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20 de outubro de 1991 – Senna é tricampeão de Fórmula 1



Em 1991, ao dar passagem para Gerhard Berger vencer o GP do Japão, Ayrton Senna conquistou o Campeonato Mundial de Pilotos de Fórmula 1 e entrou para o seleto time dos tricampeões do mundo, que só havia admitido até aquele momento outros cinco pilotos: Jack Brabham (aos 40), Jackie Stewart (34), Niki Lauda (35), Nelson Piquet (35) e Alain Prost (34). Todos chegaram ao título com mais de 31 anos, idade de Senna ao tornar-se campeão.



- Doeu no coração dar a vitória que foi sofrida e resultado de uma grande luta. Mas esta dor é nada comparada com a emoção pelo terceiro título - afirmou Ayrton Senna, que tirou o pé na última volta e deixou seu companheiro, Gerhard Berger, ultrapassá-lo na última curva antes da bandeirada, obedecendo ao diretor da equipe, Ron Dennis.



Apesar de ter que entregar a vitória ao colega, alívio e satisfação foram os sentimentos que dominaram o piloto após o fim da luta pelo terceiro título de sua carreira. Ao esvaziar na própria cabeça a garrafa de champagne pelo segundo lugar no GP do Japão, Senna deixou escorrer a mágoa e a frustração pelos dois campeonatos anteriores, marcados por sua desclassificação pela Federação Internacional do Automóvel (1989) e por sua vitória controversa, após uma batida com Prost (1990). Com o segundo lugar do pódio, Senna pode saborear um título que parecia fácil no início de 1991 e ficou complicado no meio da temporada, devido à desvantagem técnica entre a sua McLaren e a Williams do inglês Nigel Mansell – o único que até parar na 10º volta, em Suzuka, ainda podia alcançá-lo na soma dos pontos.

Um herói nacional
Motivado pelo pai empresário, Milton Guirado Theodoro da Silva, um entusiasta das competições automobilística, Ayrton Senna começou a competir oficialmente em provas de kart, aos 13 anos. Sua estreia na Fórmula 1 foi em 1984, pela equipe Toleman. Desde então, foram quatro equipes, 162 GPs disputados, 41 vitórias, 80 pódios, 610 pontos e 65 pole positions. O título de 1991 foi seu último na Fórmula 1. Em 1994 Ayrton Senna morreria tragicamente em um acidente no Autódromo Enzo e Dono Ferrari, em Ímola, durante o Grande Prêmio de San Marino. Ainda hoje Ayrton Senna é considerado um dos maiores nomes do esporte brasileiro e um dos maiores pilotos da história do automobilismo mundial.

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19 de outubro de 1960 – EUA impõe embargo comercial parcial à Cuba



A crise política entre os Estados Unidos e Cuba agravou-se substancialmente em 1960, quando o presidente norte-americano Dwight D. Eisenhower determinou um bloqueio comercial parcial à Cuba.

Através do embargo, o governo dos EUA proibiu todas as exportações de mercadorias para Cuba, mesmo através de outros países, com a única exceção de alguns poucos produtos medicinais e alimentícios. O Departamento de Comércio chegou a modificar os regulamentos de exportação para evitar que produtos americanos fossem enviados à Cuba por particulares, instituindo multas de até 10 mil dólares e penas que iam até 10 anos de prisão para quem os infrigissem.

Um porta-voz do Departamento de Estado norte-americano disse que as medidas “não representavam uma represália econômica contra Castro” e sim “uma ação para os comerciantes norte-americanos prejudicados pelas discriminações de Castro contra as exportações americanas”.

Em reação contra as medidas implementadas pelos EUA, o embaixador de Cuba na Organização dos Estados Americanos, Carlos Lechuga, afirmou que o governo norte-americano violou pela segunda vez a Carta da Organização, que proibia aos Estados membros imporem isoladamente sanções econômicas contra qualquer país americano. Já Fidel Castro, em comunicado à Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas, informou que “esperava para os próximos dias” uma invasão dos EUA à seu país, acentuando que possuía informações fidedignas nesse sentido e citando como indício da invasão a recomendação do Departamento de Estado para que os cidadãos norte-americanos abandonassem a ilha.


Inimizade antiga
O conflito diplomático entre EUA e Cuba remonta ao início do século XX e teve seu ápice durante a Guerra Fria. Após Cuba tornar-se independente da colonização espanhola, em 1898, com a ajuda dos EUA, a ilha permaneceu sob a influência norte-americana, por meio da emenda Platt, que permitia aos EUA intervir em qualquer assunto interno do país. Em 1959, Fidel Castro toma o poder em Cuba, sufoca uma tentativa de golpe financiada pelos EUA em 1961 e aproxima-se da comunista URSS, o que sela a inimizade entre Cuba e os EUA. Ainda hoje Cuba sofre um bloqueio econômico imposto pelos EUA, num dos mais duradouros embargos da história contemporânea.

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18 de outubro de 1931 – Apaga-se a lâmpada de Thomas Edison



Em 1931, morria Thomas Alva Edison, um dos mais notáveis e criativos inventores norte-americanos do século XIX. Em 84 anos de vida, Edison criou e desenvolveu dezenas de dispositivos ainda hoje importantes em nosso dia-a-dia e de grande interesse industrial, como a lâmpada elétrica incandescente, o fonógrafo – o primeiro aparelho capaz de gravar sons -, o microfone a carvão - utilizado até hoje em telefones -, e o cinescópio, que deu origem ao projetor de cinema.

Thomas Alva Edison foi o mais novo dos sete filhos de Nancy Eliot Edison, uma ex-professora canadense, e de Samuel Edison, um negociante de imóveis, e nasceu em 11 de fevereiro de 1847, em Milan Ohio, Estados Unidos. Durante a infância, foi considerado por seu professor como uma criança de gênio difícil, que se recusava a fazer as lições, que fazia perguntas demais e que possuía dificuldade de aprendizado, agravada por problemas auditivos. Com isso, sua mãe o retirou da escola e passou a cuidar sozinha de sua educação, incentivando o menino a ler diversos livros de História e Ciência, peças de Shakespeare e romances de Charles Dickens.



Em 1869, aos 21 anos, registrou seu primeiro invento e, em 1871, mudou-se para Nova Iorque, onde vendeu sua primeira criação: um indicador automático de cotações de bolsa de valores. A partir daí, criou dezenas de novas invenções, até que, em 1878, com 31 anos, decidiu encarar o desafio de obter luz a partir da energia elétrica. Em 1879, alcançou seu objetivo, obtendo fama mundial e entrando para o hall dos grandes inventores de todos os tempos.



Durante sua vida, Thomas Edison teve duas esposas: Mary Stilwell, que morreria doze anos após se casar com o inventor, em 1871, e Nina Miller. Nos dois casamentos Thomas Edison teve seis filhos, três em cada um.

Um homem de negócios
Edison não foi somente um inventor. Detentor de uma apurada visão empresarial, foi um dos primeiros inventores a aplicar princípios da produção maciça no processo da invenção. Suas criações eram concebidas e transformadas em realidade como verdadeiros empreendimentos comerciais. Por isso, mais de uma vez Edison sofreu grandes revezes, que prejudicaram consideravelmente suas finanças, mas sem jamais derrubar sua determinação pelo sucesso. Em outubro de 1879, sua empresa, a Edison Eletric Light Company, já era uma potência econômica nos Estados Unidos e, posteriormente, deu origem à Edison General Eletric, um dos maiores conglomerados industriais do planeta.

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17 de outubro de 1969 – Promulgada a Constituição de 1969



Há exatos 40 anos, em uma solenidade realizada no Salão Nobre do Palácio das Laranjeiras, o Brasil recebia a sua sétima constituição, outorgada pelos ministros militares em exercício temporário da Presidência da República. A cerimônia foi presidida pelo almirante Augusto Rademaker e contou com a presença dos Ministros de Estado, do presidente da Câmara, do deputado José Bonifácio de Andrade e do senador Dinarte Mariz, representando o presidente do Senado. Ao final da solenidade, foi comunicado que a nova constituição passaria a vigorar no dia 30 de outubro, quando o general Garrastazu Médici tomaria posse da presidência do país.

Durante seu discurso, Augusto Rademaker afirmou que a nova Constituição deveria ter sido assinada em 2 de setembro de 1968, pelo próprio Marechal Costa e Silva, que não pôde fazê-lo pro se encontrar enfermo.

- O Marechal Costa e Silva desejava prestar à cerimônia uma grande importância. O ato simples que agora realizamos, entretanto, não tira o valor deste momento – afirmou o almirante.

Dentre as principais adições da nova Carta à Constituição de 1967 destacaram-se a manutenção do Ato Institucional nº5 , que dava poderes ao Presidente da República para fechar, por tempo indeterminado, o Congresso Nacional, as Assembléias Estatuais e as Câmaras Municipais, além de suspender direitos políticos e cassar mandados efetivos; admissão da pena de morte para os casos de subversão; a disposição de que somente brasileiros ou estrangeiros residentes no país poderiam adquirir terras no Brasil; o decreto da Lei de Segurança Nacional, que restingia as liberdades civis e da Lei de Imprensa, que estabeleceu a Censura Federal.

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16 de outubro de 1989 – Os 60 anos da primeira-dama do teatro brasileiro



Em 1989, o Jornal do Brasil prestava homenagem à Fernanda Montenegro, primeira-dama do teatro brasileiro que então completava 60 anos de vida.

Descendente de portugueses e italianos, Fernanda Montenegro nasceu Arlette Pinheiro Esteves da Silva, em Campinhos, subúrbio do Rio de Janeiro. Seu nome artístico viria ainda em sua adolescência, quando ela trabalhava no rádio fazendo traduções e adaptações de peças literárias para o formato de radionovelas. Fernanda estrearia profissionalmente nos palcos em 1951, no Teatro Copacabana, na peça Altitude 3.200 m, de Lucien Lauchaire, onde também conheceria Fernando Torres, seu futuro marido. No mesmo ano, Fernanda tornou-se a primeira atriz contrata da Tv Tupi, a primeira emissora de instalada no país.

Na década de 60, a atriz já era considerada uma das grandes damas do teatro nacional, enfrentou problemas com a censura militar e teve seus dois filhos: Cláudio, em 1964, e Fernanda, em 1966. Com o passar dos anos, Fernanda Montenegro se aproximaria cada vez mais do cinema, atuando em filmes como Tudo bem (1977), de Arnaldo Jabor, Eles não usam black-tie (1980), de Leon Hirzsman, A Hora da estrela (1985), de Suzana Amaral, porém sem nunca abandonar completamente o tablado e a televisão. As duas últimas décadas seriam marcadas pela participação de Fernanda em diversas novelas, como O Dono do mundo(1991), de Gilberto Braga, Zazá (1997), de Lauro César Muniz, Belíssima (2002), de Benedito Ruy Barbosa; minisséries, como Incidente em Antares (1994), O Auto da Compadecida (1999) e Hoje é dia de Maria (2005).

Prêmios e reconhecimento
Ao longo de sua carreira artística, Fernanda Montenegro recebeu prêmios importantes por seus trabalhos no cinema e na televisão. Em 1985, foi convidada para ocupar o Ministério da Cultura, mas recusou. Em 1999, foi condecorada com a maior comenda que um brasileiro pode receber do presidente da República: a Ordem Nacional do Mérito Gran Cruz, “pelo reconhecimento ao destacado trabalho nas artes cênicas brasileiras”. No mesmo ano tornou-se a primeira atriz brasileira indicada ao Oscar de melhor atriz, pelo filme Central do Brasil, de Walter Salles.

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15 de outubro de 1978 – João Batista Figueiredo é eleito presidente do Brasil



Sem votos dissidentes e por uma margem de 129 votos a seu favor, o general João Batista de Oliveira Figueiredo, candidato da Arena, foi eleito, por votação do Colégio Eleitoral reunido no plenário do Congresso Nacional, o 30º Presidente da República do Brasil.

A votação foi iniciada às 10h40m, após os discursos do presidente nacional do MDB, o deputado Ulisses Guimarães, e do presidente nacional da Arena, o deputado Francelino Pereira. Durante a votação, o general João Batista Figueiredo recebeu 355 votos e o candidato do MDB, o general Euler Bentes Monteiro, obteve 226. Excetuando-se as ausências dos deputados Alberto Lavinas (RJ) e Otávio Ceccato (SP), e dos senadores arenistas Teotonio Vilela, Accioly Filho (PR) e Magalhães Pinto (MG), não houve votos contrários às linhas partidárias e nenhum delegado da Assembléia Legislativa deixou de votar. Dada a presença maciça de populares nas galerias do plenário, apoiando os dois candidatos por meio de palmas, vaias e gritos, o processo de votação se deu sob forte tensão, com o presidente da sessão, o senador Petrônio Portella, acionando várias vezes as capainhias e pedindo ordem no recinto.



Terminada a sessão, o senador Portella foi ao Hotel Aracoara e lá comunicou o resultado ao general Figueiredo, que, horas depois, anunciou que ofereceria a ao povo brasileiro a “mão estendida em conciliação”. Pouco antes, numa rápida entrevista, o então novo Presidente da República também disse: “meu governo será para abrir mesmo, e quem não quiser que abra, eu prendo, arrebento. A minha reação agora vai ser contra os que não quiserem a abertura”.

“Transição lenta, gradual e segura”
Sucedendo o governo do general Ernesto Geisel, o general João Batista Figueiredo ficou conhecido como o presidente do Brasil responsável por promover no país, em suas palavras, uma “transição lenta, gradual e segura” do poder político dos militares para os civis. Para isso, concedeu anistia ampla geral e irrestrita aos políticos cassados com base em atos
institucionais, permitindo o retorno de exilados pelo Regime Militar, e extinguiu o bipartidarismo. Por essas medidas, seu governo foi alvo de diversos atentados terroristas, atribuídos a setores da direita e militares da linha dura, sendo o mais famoso deles o do Riocentro, na Barra da Tijuca.

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14 de outubro de 1994 - Arafat, Rabin e Peres ganham o Nobel da Paz



Confirmando as expectativas da época, o prêmio Nobel da Paz de 1994 foi concedido aos arquitetos da paz no Oriente Médio Yitzhak Rabin, primeiro-ministro de Israel, Shimon Perez, chanceler do mesmo país e Yasser Arafat, líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e presidente do governo autônomo de Gaza e Jericó. Em setembro de 1993, eles concretizaram um acordo histórico que acabou com a guerra não declarada entre israelenses e palestinos, que durava desde 1948. Em 93 anos de existência do prêmio, foi a primeira vez que ele foi dividido entre mais de duas pessoas.

“Esse prêmio é para toda a nação, para os cidadãos de Israel, os aleijados, os milhares de soldados nas guerras de Israel”, disse o primeiro-ministro de Israel.



A premiação causou polêmica e não foi bem recebida por parte da comunidade internacional e nem dentro do próprio comitê organizador. Um de seus membros, Kaare Kristiansen, pediu demissão em protesto contra a designação de Arafat, cujo currículo guerrilheiro ele achou muito forte para ser esquecido. Nas ruas de Tel Aviv radicais israelenses protestaram contra a premiação de Arafat, com cartazes que comparavam o líder da OLP a Hitler.

Em defesa da decisão do comitê organizador do prêmio, seu presidente, Francis Sejersted, afirmou que não era tarefa do comitê agir como juiz moral supremo. “Não estamos considerando a vida dos nossos designados, e estamos perfeitamente conscientes do fato de que eles têm vivido e agido como políticos ativos, em um ambiente caracterizado pela guerra, pelo terror, pelos sofrimentos e pelo medo”, disse o presidente na ocasião.

Relevante, porém limitado
Um prêmio relevante concedido desde 1901, o Prêmio Nobel da Paz tira seu nome do industrial sueco Alfred Nobel e é entregue anualmente em Oslo, Noruega. O prêmio foi dado muitas vezes a políticos em meio a negociações de paz, ou a ativistas pouco conhecidos, com o objetivo claro de ajuda-los em suas causas. Entretanto, apesar trazer autoridade moral para seus ganhadores, o prêmio não é garantia de sucesso político. “O prêmio tem suas limitações”, declarou certa vez o então diretor da instituição norueguesa do Nobel, Geir Lunstad. “É como um amplificador, especialmente para as pessoas que não eram muito conhecidas antes de ganhá-lo, mas não é uma varinha de condão. Não pode acabar magicamente com os problemas do mundo”, disse.

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13 de outubro de 1968 - Manuel Bandeira parte para Pasárgada



"De fato, cheguei ao apaziguamento das minhas insatisfações e das minhas revoltas pela descoberta de ter dado à angústia de muitos uma palavra fraterna. Agora a morte pode vir, - essa morte que espero desde os dezoito anos: tenho a impressão que ela encontrará, como em Consoada está dito, a casa limpa, a mesa posta, com cada coisa em seu lugar", disse Manuel Bandeira certa vez. E em paz, o poeta imortal foi ser "amigo do Rei", aos 82 anos.

Com livros e cadernos debaixo do braço, dezenas de estudantes estiveram no Salão dos Poetas Românticos da Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro, para velar o corpo de Manuel Bandeira e homenagear o poeta que também foi professor de literatura do Colégio Pedro II e de literatura hispano-americana da Faculdade Nacional de Filosofia. Dona Maria de Lourdes, amiga e companheira de Manuel Bandeira durante mais de 30 anos, permaneceu todo o tempo sentada diante do caixão, enquanto chegavam vários amigos do poeta, entre os quais os acadêmicos Peregrino Júnior e Austregésilo de Ataíde, presidente da Academia, Ricardo Cravo Albim, diretor do Museu da Imagem e do Som, Paulo Mendes Campos e Fernando Sabino.

Mais tarde, cerca de cem pessoas, incluindo contínuos da ABL, levaram o corpo de Manuel Bandeira ao túmulo 15 do Mausoléu dos Imortais, no cemitério São João Batista. Para Fernando Sabino, Manuel Bandeira foi "o grande íntimo da morte. Ao longo de uma vida limpa, harmoniosa e integral, soube fazer da morte e da eternidade a substância da sua existência e de sua poesia".

Uma obra singular
Manuel Bandeira nasceu em 19 de abril de 1886, no Recife. Sua obra, caracterizada por elementos modernistas, pelo tom confidencial e irônico, por vezes até trágico, e, acima de tudo, pela simplicidade, permanece como uma das principais influências para escritores e poetas brasileiros até os dias de hoje. Sobre ela, o cronista Paulo Mendes Campos, poeta de outra geração, disse que "Manuel Bandeira foi talvez o último que podia estabelecer um compromisso consciente entre a sintaxe tradicional e a inovação da linguagem". Como poucos, Bandeira soube construir uma obra depurada e de grande valor estético.

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12 de outubro de 1984 - IRA realiza atentado contra Margaret Thatcher



Em 1984, membros do grupo terrorista IRA - Exército Republicano Irlandês - realizaram o mais devastador ataque até então lançado contra o governo britânico em quase 15 anos de guerra civil: a explosão de uma bomba no Grand Hotel, em Londres, no momento em que os principais membros do governo estavam reunidos sob o mesmo teto para participarem da Convenção Anual do Partido Conservador. O atentado matou três pessoas, feriou pelo menos 30, entre elas o Ministro da Indústria e Comércio, Norman Tebbit, e um dos líderes do Partido Conservador, John Wakegam, e quase matou a primeiro ministro Margaret Thatcher, que escapou da explosão por pouco.

O petardo de nove quilos foi colocado num pilar junto à escadaria principal na altura do quarto andar do prédio, de maneira a provocar o maior dano possível. A força da explosão, além de abrir um rombo na fachada do velho e nobre edifício, trouxe abaixo pelo menos sete andares. Seus destroços esmagaram quartos e corredores, e bloquearam totalmente a porta de entrada principal.

Esta foi uma tentativa desumana e indiscriminada de massacrar gente inocente e fora de qualquer suspeita - diria Margaret Thatcher emocionada, horas depois da explosão da bomba, à audiência da Convenção do Partido Conservador. Até o instante em que a bomba explodiu, Margaret Thatcher vivia um dos piores momentos dos seus seis anos de governo, criticado severamente por sua austera política econômica e falta de iniciativa de combater o desemprego, que atingiu o recorde para a Inglaterra de quase quatro milhões de pessoas.

Ao realizar atentados terroristas contra o governo britânico, o grupo IRA visava combater o domínio inglês na Irlanda do Norte, e criar uma Irlanda "unida, independente e socialista".

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11 de outubro de 1977 - Criado o Estado de Mato Grosso do Sul



Em uma solenidade realizada na presença de cerca de 900 convidados, no Salão Leste do Palácio do Planalto, em Brasília, o presidente Ernesto Geisel sancionou a lei complementar que criou, por desmembramento, o Estado do Mato Grosso do Sul. Durante a cerimônia, o presidente afirmou estar convencido de que a medida atenderia em grande parte e em grande escala as aspirações psicológicas e humanas da população do local, algo que não poderia ser ignorado. Depois de informar que foi preocupação de seu governo "abrir o caminho", no sentido de redividir o território brasileiro, o presidente Geisel reconheceu que o problema era complexo e "difícil de abordar, em conseqüência dos naturais sentimentos locais, dos sentimentos de regionalismo, e igualmente da tradição histórica, que não poderia ser absolutamente desprezada".

Na cidade de Campo Grande, capital do então recém criado Estado de Mato Grosso do Sul, cerca de 50 mil pessoas saíram às ruas para festejar a criação do novo Estado, e realizaram uma passeata que durou três horas e da qual participaram dois mil automóveis, portando bandeiras e faixas de agradecimento ao presidente Geisel. Além disso, as escolas municipais, bandas, fanfarras e blocos carnavalescos regionais realizaram um desfile pela Rua 14 de julho. Já em Cuiabá, capital do Mato Grosso, a criação do novo Estado passou inteiramente desapercebida pela população. Algumas lojas da Rua 13 de junho, centro comercial da cidade, chegaram a colocar alto-falantes em suas portas, retransmitindo a cerimônia de Brasília, mas os poucos transeuntes que paravam iam logo embora ao perceber que a transmissão era sobre a divisão.

De acordo com a lei complementar que criou o Estado do Mato Grosso do Sul ficou determinado que seria eleita uma Assembléia Constituinte no dia 15 de novembro de 1978, a qual seria instalaria em 1º de janeiro de 1979, sob a presidência do presidente do Tribunal Regional Eleitoral. Após a promulgação da Constituição, a Assembléia passaria a exercer o Poder Legislativo no Estado.

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10 de outubro de 1985 – O gênio Orson Welles sai de cena



Ao morrer de ataque cardíaco em sua residência, em Hollywood, George Welles alimentou ainda mais a comparação entre sua pessoa e seu mais célebre personagem, o magnata das comunicações Charles Foster Kane. O diretor, roteirista, produtor e ator deixou não só a certeza de que o cinema perdeu um de seus maiores gênios, como também a impressão de que sua vida, sua obra, sua personalidade e seu carisma permanecerão como um mistério tão grande quanto o de Kane. Afinal, como compreender a história de um menino prodígio que já era considerado gênio quando bebê, que realizou um filme magistral aos 26 anos e foi considerado decadente aos 30? Como explicar a indiferença de Hollywood aos últimos anos de vida de George Welles quando ele era considerado, no mínimo, um grande cineasta?

George Orson Welles nasceu em Kenosha, Wisconsin, em seis de maio de 1915. Desde cedo mostrou interesse pelo mundo artístico, tendo começado a estudar pintura em 1931, com apenas 16 anos. Pouco tempo depois, começava a atuar em peças experimentais, ganhando alguma notoriedade no seguimento. Entretanto, Orson Welles ficaria famoso nos principais veículos de comunicação norte-americanos em 1938, aos 18 anos, quando realizou uma transmissão radiofônica de A Guerra dos Mundos, de Herbert George Wells, produzindo pânico em ouvintes que acreditaram se tratar de invasão extraterrestre real.

No cinema, Orson Welles estourou para o público e os críticos em seu segundo trabalho, como o diretor e protagonista de Cidadão Kane (1941), tido por muitos como o melhor filme norte-americano do século XX. Posteriomente, dirigiu dezenas de filmes e atuou em outros tantos, alguns muito bem recebidos pela crítica e outros completamente esnobados. Ao morrer, Geoge Welles também deixou diversas produções inacabadas.

Relação conturbada com Hollywood
Embora tenha trabalhado em diferentes meios, George Welles acabaria canalizando todo o seu gênio para o cinema, que em sua opinião era “a grande forma de arte do nosso século”. Mas sua passagem pela indústria cinematográfica não seria pacífica, tendo mantido longas e violentas discussões com os produtores de Hollywood, que se recusavam a pensar como ele, preferindo encarar o cinema como indústria. “O público é mais inteligente do que as pessoas que o divertem”, dizia em respeito ao lado “mercenário” de Hollywood. O cinema raramente foi como Orson Welles gostaria que fosse. Como Kane, ele fez de um mundo irreal a sua grandeza. E o seu enigma.

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9 de outubro de 1999 - Morre João Cabral de Melo Neto



Há exatos dez anos o Jornal do Brasil noticiava uma grande perda para a literatura brasileira: João Cabral de Melo Neto morria, às 11h30, em seu apartamento, na Praia do Flamengo, Zona Sul carioca. No momento de sua morte, o poeta, diplomata e escritor rezava de mãos dadas com a mulher, Marly de Oliveira. Apesar de se dizer ateu, João Cabral vinha há dois meses fazendo orações diárias com a família, inspirando-se no amigo e ator espírita Carlos Vereza. João Cabral de Melo Neto deixou cinco filhos e duas enteadas. Entre os amigos que passaram a tarde com so parentes de João Cabral, estavam o poeta Moacir Félix, o crítico literário Antônio Olinto e Carlos Augusto Lacerda, diretor-presidente da Editora Nova Fronteira, que havia 20 anos editava os livros do poeta, autor de 18 obras traduzidas em seis idiomas.

Segundo filho de Luiz Antônio Cabral de Melo e de Carmem Carneiro-Leão Cabral de Melo, João Cabral de Melo Neto nasceu em 9 de janeiro de 1920, em Recife, mas passou a infância nos municípios pernambucanos de São Lourenço da Mara e Moreno. Estudou em colégios maristas, na capital, mas jamais fez curso superior. Entrou para a carreira diplomárica por concurso, em 1945, serviu em Barceloa, Londres, Sevilha, Marselha, Madri, Genebra, Dacar, Berna, Quito e Assunção. Quando se aposentou do Itamarati, em 1987, brincou com um repórter: "Aposentar significa mandar para os aposentos. De forma que eu não saio mais, vivo nos meus aposentos". João Cabral de Melo Neto pertencia à Academia Brasileira de Letras desde 1968. Foi eleito, por unanimidade, para a cadeira antes ocupada por Assis Chateaubriand.

Poesia dualista e cerebral
A obra de João Cabral de Melo Neto é tida como uma das maiores criações da cultura brasileira do século 20. Seus poemas são, acima de tudo, cerebrais:para criar sua atmosfera poética, João Cabral utilizava-se de uma construção elaborada e da linguagem, com um elevado número de dualidades e antitéticas. Dentre os muitos títulos de culminância de sua obra, destacam-se O engenheiro, de 1945, dedicado a Carlos Drummond de Andrade; O cão sem pluma (1950), Duas águias (1956), Morte e vida severina (1956) - poemas que viriam a ganhar expressão também no teatro, no cinema, na TV e na música popular.

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8 de outubro de 1991 - Declarada a independência da Croácia



Um dia após o término da moratória de três meses imposta pela Comunidade Européia (CE) para tentar negociar a paz, o Parlamento da Croácia, reunido em local secreto após o bombardeio da sua capital pelo Exército Popular Iugoslavo (JNA), decidiu por unanimidade "romper todos os laços legais e estatais com a Iugoslávia" e declarou o JNA como "uma força de ocupação e agressão" que deveria se retirar imediatamente do território da república.

Apesar do anúncio, os 12 países da CE afirmaram que somente reconheceriam a independência da Croácia e da Eslovênia, as duas repúblicas mais desenvolvidas da Iugoslávia, após um acordo de paz. Mesmo a Alemanha, que desde o início da crise iugoslávia apoiou a Croácia e a Eslovênia, não quis fazer um reconhecimento isolado. "Nossa voz só pode ser ouvida através da CE", disse o porta-voz Dieter Vogel. Já o ministro do Exterior britânico, Douglas Hurd, admitiu, durante a Convenção Anual do Partido Conservador, que a Iugoslávia não poderia se manter unida à força. "As repúblicas que se decidam pela independência vão consegui-la".

Após a proclamação da independência da Croácia, os combates entre a minoria sérvia, apoiada pelo poder central iugoslavo, e a minoria croata, pelo controle das regiões de Krajina e Eslavônia, se acirraram. Em 1992, a Organização das Nações Unidas (ONU) enviariam forças de paz para a região e, em 1995, terminava o conflito com a negociação do Acordo de Dayton, firmado em Paris.


Independente, mas com muitos problemas
A Croácia é um país europeu limitado ao norte pela Eslovênia e a Hungria, à nordeste pela Sérvia, à leste pela Bósnia e Herzegovina, e ao sul por Montenegro. De 1918 à 1941, o território do país foi parte do Reino da Iugoslávia e, de 1945 à 1991, da República Socialista Federal da Iugoslávia, período em que enfrentou diversos conflitos nacionalistas com os sérvios. Atualmente, o país recebeu o reconhecimento internacional e faz parte das Nações Unidas, da OTAN e da União Européia. Assim como outros países do Leste Europeu, a Croácia luta contra problemas como desemprego, corrupção e crise econômica.

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7 de outubro de 1949 – Proclamada a República Democrática Alemã



Em 1949, após o fim Segunda Guerra Mundial e da divisão do território alemão em quatro zonas – norte-americana, britânica, francesa e soviética -, a sanção do Conselho do Povo Germânico foi convocado para proclamar uma “República Democrática Alemã” para a zona soviética, em uma cerimônia realizada no antigo edifício do Ministperio da Aeronáutica, em Berlim. A sessão foi aberta por Welhelm Pieck, veterano líder comunista de 73 anos, então presidente do Conselho do Povo e que, segundo as expectativas gerais, seria nomeado presidente da nova república.

Durante a cerimônia, que contou com a presença inicial de 50 jornalistas alemães e estrageiros, e 150 ao final, Welhelm Pieck anunciou que eleições gerais seriam realizadas na zona soviética em 15 de outubro de 1950 e, em seguida, leu um manifesto no qual constavam as seguintes exigências: a abolição do Estado da Alemanha Ocidental; a abolição do Estatuto de Ruhr; a abolição do estatuto de autonomia do Sarre; a criação de um governo democrático para toda a Alemanha; a retirada das tropas de ocupação da República e a unificação da moeda alemã. O manifesto ainda apelou para todos os alemães no sentido de que combatessem a União Européia, o Pacto do Atlântico, os provocadores da guerra, os alemães traidores a serviço do “imperialismo americano” e os “separatistas germânicos”.

Ao final da cerimônia, Welhelm Pieck declarou que o Conselho do Povo Germânico deixava de existir e que o Parlamento da República Democrática Alemã era estabelecido a partir daquele momento.


A Alemanha comunista

Com uma área de 108.333 km², a República Democrática Alemã (RDA), também conhecida como Alemanha Oriental, limitava-se ao norte pelo Mar Báltico, à leste com a Polônia, ao sul com a atual República Tcheca e ao oeste com a antiga República Federal da Alemanha. Seguindo os preceitos comunistas da URSS, a RDA concentrava nas mãos do Estado toda a produção, comércio, serviços e habitações urbanas. Com o tempo, enquanto a Alemanha Ocidental tornava-se uma das maiores potências mundiais, a RDA amargava diversas dificuldades econômicas, intensificando os contrastes entre a vida dos alemãos orientais e ocidentais. A reunificação das Alemanhas somente ocorreria em 1990, após o declíneo do governo comunista da RDA e com a queda do muro de Berlim.

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6 de outubro de 1973 – Começa a Guerra do Yom Kippur



Em 1973, a celebração do dia mais sagrado do calendário religioso judeu – o Yon Kipur (Dia do Perdão) – foi interrompido em Israel para colocar o país em estado de guerra: tropas do Egito e da Síria invadiram os territórios israelenses às margens do Canal de Suez e nas Colinas de Golan, onde ocorreram os combates mais violentos desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967. Com o ataque surpresa, rabinos israelenses baixaram ordens isentando os militares e os profissionais dos serviços estratégicos de suas obrigações religiosas. Tropas foram mobilizadas e médicos convocados para serviços de emergência nos hospitais. A Rádio Israel lançou um apelo pedindo ao povo que se mantivesse nos abrigos antiaéreos enquanto as sirenes não dessem sinal de fim de alerta.

O porta-voz das Nações Unidas anunciou que os observadores da ONU para a trégua no Oriente Médio enviaram informes confirmando que tropas egípcia cruzaram a linha de trégua do canal de Suez em cinco pontos, e as forças sírias em dois locais da região do Golan. No entanto, não viram nenhuma tentativa israelense de fazer o mesmo.

Ultrajado com a situação, o Chanceler israelense Abba Eban declarou na ONU que o Egito e a Síria “aproveitaram-se traiçoeiramente” do feriado judaico do Yom Kippur para atacar Israel, quando o país “estava menos pronto para reagir”. Os árabes, contudo, acusaram Israel de iniciar o conflito. Líbano, Sudão, Líbia, Arábia Saudita, Argélia, Marrocos, Kuwait, Jordânia e Qatar manifestaram seu “apoio irrestrito à Síria e ao Egito”. A União Soviética manteve-se em silêncio e os Estados Unidos pediram o fim das hostilidades, mas colocaram em alerta a Sexta Frota, no Mediterrâneo.

A Crise do Petróleo

A Guerra do Yom Kippur iniciou-se quando o presidente do Egito, Anwar Sadat, tentou neutralizar a política expansionista do Estado de Israel e recuperar a península do Sinai, território perdido em 1967, na Guerra dos Seis Dias. Ainda que o ataque surpresa do Egito tenha infligido grandes perdas ao exército israelense, após três semanas de conflitos o exército israelense obrigou as forças árabes a retroceder, restabelecendo as fronteiras iniciais. Para o resto do mundo, a principal conseqüência da guerra foi o início da primeira Crise do Petróleo, quando os estados árabes membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) cancelaram a exportação deste produto para os EUA e os países europeus que apoiavam Israel.

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5 de outubro de 1989 - Dalai Lama recebe o Prêmio Nobel da Paz



Em 1989, o Dalai Lama Tenzin Gyatso, líder espiritual do Tibet recebia o prêmio Nobel da Paz, em reconhecimento por sua luta pacífica de resistência ao domínio chinês sobre o território tibetano.

O Dalai Lama, que vivia exilado na Índia desde 1959, foi informado da premiação nos Estados Unidos, onde participava de um assessor d euma conferência internacional de paz. Reservado, limitou-se a informar, através de seu assessor, que se sentia "satisfeito" Tenzin Gyatso havia sido indicado ao prêmio Nobel da Paz por oito anos consecutivos e desta vez concorria com 20 organizações e 77 pessoas, entre elas o líder negro sul-africano Nelson Mandela, o ex-presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan e o presidente da Fifa, o brasileiro João Havelange.

A premiação foi recebida com euforia e entusiasmo pelos seguidores do líder espiritual na cidade indiana de Dharmasala, no Himalaia, onde o Dalai Lama formou seu governo no exílio. "Ela nos ajudará a reforçar a luta pela independência. Terá um enorme impacto", afirmou Thupten Samphel, assessor do Dalai Lama, em entrevista por telefone à agência Reuters. "Por muitos anos fomos ignorados pela comunidade internacional porque adotamos um movimento de não-violência. Este prêmio é o reconhecimento de que a resistência pacífica é a melhor forma de luta", afirmou.

Ao receber a notícia, Wang Guisheng, conselheiro da embaixada da China em Oslo, sede do comitê organizador do Prêmio Nobel, disse que o sentimento do povo chinês estava "profundamente ferido" com a premiação de Dalai Lama. "As questões tibetanas são só e inteiramente um problema chinês", comentou, acusando os organizadores do prêmio de interferência em assuntos internos da China.

O Deus-rei do Tibete
Tenzin Gyatso nasceu em seis de julho de 1935, filho de uma família de camponeses da cidade de Chinghai, fronteira com a China. Aos dois anos e meio de idade foi reconhecido por monges budistas como a 14º reencarnação de Buda e, aos quatro anos, entronizado como o Dalai Lama, levado para Lhasa e instalado no paradisíaco palácio de Potala. Ali estudou filosofia budista até os 15 anos, quando foi proclamado Deus-rei do Tibete. Atualmente, persiste na sua luta pacífica pela autonomia política do Tibet, invadido pela República Popular da China em 1959.

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4 de outubro de 1970 - O Blues perde sua áspera voz branca



Apenas 16 dias depois do mundo da música ser abalado com a perda do cantor, guitarrista e compositor Jimi Hendrix, o Blues-rock perdia mais uma de suas estrelas: a cantora e compositora Janis Joplin era encontrada morta em seu quarto de hotel, em Los Angeles, vítima de uma overdose de heroína. Janis Joplin tinha apenas 27 anos e despontava como uma das artistas de blues mais promissoras da sua geração.

Janis Lynn Joplin nasceu em 19 de janeiro de 1943, na cidade de Port Arthur, Texas. Cresceu sob a influência de músicos de blues como Bessie Smith e Big Mama Thornton, o que a levou a tomar parte no coro local. Aos 16 anos, enquanto suas amigas de infância frequentavam o ginásio, Joplin se aventurava em viagens de carona pelos Estados Unidos aproximando-se cada vez mais da cultura negra do blues. Durante a década de 60 passou a fazer parte da Big Brother & The Holding Company, gravando o álbum homônimo em 1967. Em 1968, lançca Cheap Trills, tido como um dos melhores de sua carreira e responsável por tornar a cantora famosa. Janis Joplin ainda faria parte de mais duas bandas - a Kozmic Blues Band e a Full Tilt Boogie Band - e gravaria mais dois álbuns, sendo o último, Pearl, lançado um ano após sua morte.

Sua voz era áspera, como áspera era sua forma de vida. "Não saberia fazer de outra forma. E isto é a pura verdade. A exaustão faz parte de mim, até mesmo nas viagens que realizo. As pessoas ficam espantadas porque, mesmo nos ensaios, eu canto desta forma. Mas é a única voz que possuo. E é como sei fazer", contou certa vez.

O corpo de Joplin foi cremado no cemitério Parque Memorial de Westwood Village, na Califórnia, e suas cinzas foram espalhadas no Oceano Pacífico.

Uma visita tumultuada
Janis Joplin esteve no Brasil no ano de sua morte. Sua visita foi tão tumultuada quanto sua personalidade: foi expulsa do Municipal, sofreu um acidente na Barra da Tijuca, não conseguiu realizar um show público na Praça General Osório e subiu à Rocinha para beber gim com alguns moradores do local. Sua relação com a imprensa do Brasil também não foi pacífica, tratando mal jornalistas e classificando algumas perguntas como "imbecis". Apesar de tudo, declarou ao Jornal do Brasil que gostou muito da Bahia e, apesar dos problemas em terras brasileiras, certamente sentiria falta de nosso país.

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3 de outubro de 1989 - Noriega sufoca rebelião no Panamá



O general Manuel Antonio Noriega, homem-forte do Panamá, sufocou a segunda tentativa de golpe militar contra seu regime, dirigida por um grupo de oficiais de médio escalão.

A tentativa de golpe se iniciou às 4h30 da manhã (horário de Brasília), quando o major Moisés Giroldi e os capitães Javier Licona, Jesús Palma e Edgardo Sandoval, à frente de algumas dezenas de oficiais, ocuparam o quartel-general das Forças de Defesa do Panamá, o mais importante do país. Seu objetivo era sequestrar Noriega que, ao contrários do que pensaram os golpistas, não se encontrava no quartel. Os oficiais chegaram a ocupar por alguns momentos a Rádio Nacional do governo, divulgando um comunicado em que informavam, mentirosamente, que oficiais médios haviam afastado o general Noriega e os demais governantes do Panamá. "Nosso movimento é claramente militar, sem qualquer politicagem ou relação com o Exército dos Estados Unidos", afirmaram. Os sublevados também se disseram torrijistas, referindo-se ao general Omar Torrijos, um nacionalista que governou o Panamá por dez anos e assinou tratados com o presidente norte-americano Jimmy Carter sobre o Canal de seu país.

Entretanto, dez minutos após a o comunicado dos rebelados, as forças de Noriega retomaram o comando da Rádio Nacional e informaram que tudo estava sobre controle. Praticamente não houve adesão popular à tentativa de golpe e, apesar de exergar em Noriega um adversário a seus interesses políticos, os Estados Unidos negou qualquer envolvimento com a rebelião.


Inimigo dos EUA
Manuel Antonio Noriega tornou-se o homem mais poderoso do Panamá em 1983, quando se autopromoveu a general (o único do país) e assumiu o comando das Forças de Defesa Panamenhas. Apesar das inúmeras pressões internas e externas para que deixasse o poder, Noriega manteve-se na presidência do Panamá durante sete anos, até 1990, quando o presidente norte-americano George H. W. Bush ordenou a invasão do país com o objetivo de capturá-lo. Em 3 de janeiro de 1990, o general se entregou ao exército norte-americano e foi destituído do poder em seu país. Noriega acabou condenado a 30 anos de prisão por tráfico de cocaína e maijuana para os Estados Unidos.

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2 de outubro de 1969 – O Jornal do Brasil recebe Carlos Drummond de Andrade



Há 40 anos, o Jornal do Brasil tinha a honra de receber em seu quadro de colaboradores Carlos Drummond de Andrade, o mais importante e respeitado poeta brasileiro de seu tempo. “Leilão do ar”, seu texto de estréia, sobre o leilão que liquidava a Panair do Brasil, foi o pontapé de 15 anos de poesias e crônicas, publicadas sempre às terças, quintas e sábados, na última página do Caderno B. Ao total, foram 780 semanas da história do país e do poeta refletidas com agudeza e lirismo em mais de dois mil e 300 textos, que abordaram fatos históricos e expressaram comentários críticos e humorísticos sobre questões literárias, econômicas, políticas e sociais do cotidiano brasileiro.

De acordo com suas próprias palavras, seu trabalho buscava “extrair de cada tema um traço que pudesse comover ou distrair o leitor, fazendo-o sorrir, se não do acontecimento, pelo menos do próprio cronista, que às vezes se torna cronista do seu umbigo, ironizando-se a si mesmo antes que outros o façam”.

Em 29 de agosto de 1984, após um período de “amadurecimento” para o Carlos Drummond de Andrade e para o Jornal do Brasil, o poeta “pendurou as chuteiras” e publicou seu último texto como colaborador periódico do jornal: “Ciao”, uma crônica de despedida, mas sem nenhum tom lamurioso, onde fez um balanço de sua carreira na imprensa brasileira e sobre a arte de “cronicar”. Entretanto, Drummond deixava claro no texto que se despedia da crônica periódica, mas não do gosto de manejar a palavra escrita, o que descrevia como sua “doença vital”. De fato, até sua morte, em 1987, o poeta ainda publicaria diversos cinco livros.

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1 de outubro de 1949 - Proclamada a República Popular da China


Há exatos 60 anos, Mao Tse-tung, líder do Partido Comunista Chinês, proclamava a República Popular da China e encerrava oficialmente a guerra civil entre comunistas e nacionalistas no país.

De acordo com o comunicado emitido pela rádio de Pequim, mais de 200.000 chineses se reuniram diante do antigo Palácio Imperial, em Pequim, para ouvir a cerimônia de pronunciar o seu discurso. Imediatamente após a fala do presidente do novo governo, também eleito presidente do Conselho Militar Revolucionário do Povo, a nova bandeira do país - vermelha, com cinco estrelas amarelas - foi hasteada e a "Marcha dos Voluntários", o novo hino da China, executada. Seguiu-se então um gigantesco desfile militar, com caças e aviões bombardeiros da aviação comunista sobrevoando a cidade. Ao anoitecer, a multidão acendeu milhares de tochas cobertas com um papel vermelho, comemorando com danças e canções a proclamação da república chinesa.

A emissora também acrescentou que todos os governos estrangeiros foram notificados de que o novo governo comunista - o único governo legal representante de todos os povos da República Popular da China - desejava estabelecer relações diplomáticas com qualquer governo estrangeiro que estivesse disposto a observar "os princípios de igualdade, benefício mútuo e respeito mútuo à sua integrida territorial e soberania".


A Guerra Civil Chinesa
A proclamação da República Popular da China marcou o fim da Guerra Civil Chinesa entre nacionalistas, representados pelo movimento republicano
Kuomintang, e comunistas, representados pelo Partido Comunista Chinês. Apesar de remontar ao início do século XX, o conflito entre as duas forças políticas do país se acirrou ao final da Segunda Guerra Mundial, período em que mantiveram uma difícil trégua com o objetivo de enfrentar um inimigo em comum: a invasão japonesa. Após anos de guerrilha, os comunistas expulsaram o Kuomintang para a ilha de Taiwan e criaram o novo governo na China, liderado por Mao Tse-tung.

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