Arquivo de November 2009

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30 de novembro de 1986 – Terremoto abala o Rio Grande do Norte



O sismógrafo – aparelho que registra ondas sísmicas e mede a força dos terremotos – da Universidade Federal de Brasília (UnB) registrou a ocorrência de um tremor de terra de 5,8 graus na escala Richter (que vai até 9) o que é um tremor forte, na região de João Câmara, Rio Grande do Norte. O tremor foi sentido em outras regiões do Nordeste, como Recife e Olinda, em menor intensidade, e deixou pelo menos três mil casas abaladas, segundo o prefeito de João Câmara, José Ribamar Leite.

Com os abalos sísmicos, metade da população de João Câmara deixou a cidade. Vinte casas foram inteiramente destruídas e 1.500 foram parcialmente danificadas. Muitas casas desabaram também nos distritos de Poço Branco e Matão, e muitas construções foram abaladas, principalmente as mais antigas. Os serviços de energia elétrica e telefone foram interrompidos durante os primeiro abalos, mas foram restabelecidos posteriormente. Uma rachadura enorme provocada pelos tremores na igreja Matriz de Nossa Senhora Mãe dos Homens ameaçou fazer desabar a grande torre do campanário. Dos dois hospitais da cidade, apenas o maior, que pertencia a paróquia, continuava funcionando. O outro, que pertencia à Secretaria de Saúde do Estado, foi interditado por medida de segurança pois suas paredes apresentavam grandes rachaduras.

– O comércio parou de funcionar, porque as pessoas estão traumatizadas. Ninguém trabalha no campo também, porque fica preocupado com a família em casa. Precisamos de toda ajuda possível – comentou o prefeito da cidade no dia seguinte ao tremor, lembrando com desapontamento a falta de auxílio dada à população da cidade em tremores anteriores.

O diretor do Observatório Nacional - Rio de Janeiro, físico Jacques Danon, afirmou que a situação da cidade era preocupante já que novos sismos ainda maiores poderiam ocorrer, e orientou a Defesa Civil a se manter alerta para o caso da necessidade de retirar a população da área afetada. A região de João Câmara é considerada sismicamente ativa (sujeita a terremotos) por estar próxima de uma falha geológica. Cerca de três mil pequenos tremores foram registrados na região no período de 21 de agosto a 9 de outubro de 1986. Os tremores são provocados pela liberação da energia que se acumula no ponto de contato entre duas placas tectônicas (regiões da superfície da Terra que se movem uma em direção à outra). Quando as rochas não suportam mais a pressão acumulada, elas se deslocam provocando os tremores de terra.

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29 de novembro de 2001 - Adeus ao mais jovem Beatle



Após uma longa luta contra o câncer, o músico George Harrison, ex-guitarrista, compositor e cantor do grupo britânico The Beatles, faleceu, aos 58 anos. No momento de sua morte, ele estava na casa de um amigo, ao lado da mulher, Olívia, e do filho, Dhani, de 24 anos. "Ele deixou esse mundo da mesma forma que viveu, ciente de Deus, sem medo da morte e em paz, ao lado da família e dos amigos", disse num comunicado divulgado por Olívia e Dhani. George Harrison, integrante mais jovem dos Beatles, foi o segundo da formação clássica do quarteto a morrer: em 1980, John Lennon foi assassinado em frente ao edifício em que morava, em Nova York.

Harrison já tinha visto a morte de perto pelo menos uma vez, em 1999, quando sua casa na Inglaterra foi invadida por um louco que chegou a esfaqueá-lo. Em 1974, o guitarrista interrompera uma turnê por causa de problemas na garganta, mas nada indicava que aquilo fosse uma manifestação do câncer que o levou.

Em sua casa em Londres, Paul McCartney emocionou-se ao falar de Harrison.

- Ele era adorável, um homem muito valente. Tinha um maravilhoso senso de humor, era verdadeiramente meu irmãozinho.

Já o ex-baterista dos Beatles, Ringo Starr, resumiu sua emoção numa frase

- Perdi meu melhor amigo.

Na Inglaterra, a Rainha Elizabeth disse estar "muito triste" pelo acontecido. O primeiro-ministro Tony Blair, que cresceu com a música dos Beatles, declarou: "Ele não era apenas um grande músico, um artista, realizou muitos trabalhos de caridade. O mundo sentirá sua falta". Yoko Ono, viúva de John Lennon, mandou condolências a Olivia e Dhani, e disse: "George nos deu tanto durante sua vida e continuará a nos dar depois da morte, com sua música, seu humor e sua sabedoria".



O Beatle espiritualizado
George Harrison nasceu em 25 de fevereiro de 1943, em Liverpool. O plano de seu pai, Harold Harrison, era criar uma oficina mecânica familiar, mas, quando George ganhou uma guitarra elétrica aos 13 anos, decidiu ser músico. Nessa época, conheceu Paul McCartney e os dois começaram a se apresentarem juntos. Aos 17, com John e Paul, já fazia parte da banda que iria transformar para sempre a música pop em todo o mundo. O sucesso fulminante dos Beatles atingiu Harrison na fé: sempre muito espiritualizado, foi ele quem levou os Beatles para uma temporada na Índia, experiência que teria grande influência em sua vida e música. Nos Beatles, escreveu músicas memoráveis, como While My Guitar Gently Weeps, Here Comes the Sun e Something. Na década de 70, após o fim da banda, Harrison desenvolveu uma carreira solo de grande sucesso, lançando álbuns aclamados pelo público e pela crítica.

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28 de novembro de 1996 – Ex-PM é condenado pela Chacina da Candelária



Depois de 19 horas de julgamento no 2º Tribunal do Júri, o ex-soldado da Polícia Militar Nélson Cunha, réu confesso da chacina de 23 de julho de 1993 na Candelária, foi condenado a 261 anos de prisão pelo assassinato de oito meninos de rua e tentativa de homicídio contra Vágner dos Santos, principal sobrevivente e testemunha do massacre. Após cerca de quatro horas de reunião na sala secreta, os sete jurados decidiram não acatar a tese do advogado de defesa, Luís Carlos Silva Neto, de que o ex-PM teria sido coagido a participar da chacina. Silva Neto só conseguiu absolver Cunha de uma das acusações , a de tentativa de homicídio contra outros cinco meninos que sobreviveram à tragédia. Por ter sido condenado a mais de 20 anos de prisão, o réu ainda seria submetido a um novo júri.

Durante o julgamento, que ocorreu às 14h30 da quarta-feira e só terminou às 9h30 de sexta-feira, o promotor Maurício Assayag conseguiu convencer os jurados de que Nélson Cunha participou conscientemente da chacina, juntamente com os ex-PMs Marco Aurélio Alcântara, Marcos Vinicios Borges Emanuel e Maurício da Conceição, o Sexta-Feira Treze, morto em abril de 1994. Ao confessar o crime, no ano anterior ao julgamento, Cunha disse que acompanhou o grupo liderado por Sexta-Feira Treze pensando que iria atrás de dois assaltantes que teriam invadido sua casa um dia antes da chacina. O réu chegou a afirmar que foi coagido a participar do crime.

Defesa e promotoria só concordaram em um ponto: a inocência do tenente PM Marcelo Cortes, do soldado Cláudio Luis Andrade e do serralheiro Jurandir Gomes de França, os três primeiros acusados pela chacina, que ficaram presos até a confissão de Cunha e que ainda seriam julgados. “O réu só confessou o crime um ano depois da morte de Sexta-Feira Treze, quando já havia sido expedido mandado de prisão contra ele. Até confessar Nélson Cunha deixou que três inocentes ficassem presos, sem fazer nada”, disse Assayag no tribunal.

O acusado recebeu a pena máxima (30 anos) por sua participação em cada um dos oito homicídios e foi condenado a 18 anos de prosão pela tentativa de assassinar Vágner. Somando os agravantes pelo fato de três das vítimas (Paulo José da Silva, Paulo Roberto de Oliveira e Ânderson de Oliveira Pereira) terem menos de 14 anos e levando em consideração um fator atenuante, o de que Cunha confessou o crime, o ex-PM acabou condenado a 27 anos por cinco homicídios, 36 anos por cada assassinato dos menores de 14 anos. Com os 18 anos pela tentativa de morte de Vágner, a pena total foi de 261 anos de prisão.

Nelson Oliveira dos Santos recorreria da decisão, sendo absolvido pelas mortes em um segundo julgamento. Mas, em 2000 o Ministério Público recorreu e Nelson foi novamente condenado.


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27 de novembro de 1992 – Tentativa de golpe fracassa na Venezuela



Um grupo de militares rebeldes tentou derrubar o presidente da Venezuela, Carlos Andrés Pérez, transformando a capital, Caracas, numa praça de guerra. O Palácio de Miraflores, sede do governo, foi intensamente bombardeado por aviões tomados pelos rebeldes, causando pânico na população. O governo impôs toque de recolher das 18h às 6h e decretou estado de emergência.

Os hospitais de emergência de Caracas registraram pelo menos 50 mortos e centenas de feridos. O aeroporto, também utilizado para voos civis, foi tomado pelos rebeldes e bombardeado para evitar que tropas do governo fossem deslocadas, por ar, para os diversos focos de conflito no interior.

Em Barquisimeto, 360 quilômetros a oeste de Caracas, houve intensos enfrentamentos entre civis e policiais. Dois aviões Bronco, em poder dos rebeldes, foram derrubados por tropas do governo. Os rebeldes teriam perdido ainda dois aviões, um deles um Tucano brasileiro. A população de Guarenas, a 45 quilômetros da capital, e a de Maracay também saíram às ruas em apoio aos rebeldes, enfrentando a polícia.

O presidente Carlos Andrés Pérez dirigiu-se à nação diversas vezes, por rádio e televisão, para assegurar que tinha a situação sob controle. Às 13h55 (hora local), dez horas depois de iniciada a sublevação, enquanto Andrés Pérez lia um comunicado oficial por cadeia de rádio e televisão afirmando que o golpe havia sido controlado, o Palácio de Miraflores sofria outro ataque aéreo, de um Mirage, que teria decolado da base aérea Libertador, em Maracay, único foco que permanecia no poder dos rebeldes.

A tentativa de golpe começou às 4h (6h em Brasília). Os rebeldes tomaram a emissora estatal Venezuela de Television, imediatamente cercada por centenas de policiais e soldados leias ao governo. Os golpistas tomaram outra emissora, o canal 4, privado, e transmitiram um vídeo do coronel Hugo Chávez anunciando que o presidente Andrés Pérez havia sido deposto e pedindo apoio da população ao que chamou de “junta patriótica”.

Duas horas depois, Andrés Pérez fez um pronunciamento pelo canal 10 afirmando que a rebelião havia sido controlada e que Chávez continuava preso em Yare, 50 quilômetros ao sul de Caracas, onde a fita aparentemente foi gravada. Enquanto isso, as tropas rebeldes e as leais ao governo travavam violentos combates, com armas pesadas e aviões, pelo controle da base aérea Francisco de Miranda (aeroporto La Carlota), e do forte Tiuna, em Macaray. As duas chegaram a ser totalmente controladas pelos rebeldes, mas foram retomadas pelas forças governistas.

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26 de novembro de 1970 – Paulo VI escapa de um atentado



Logo após seu desembarque em Manila, capital filipina, o papa Paulo VI escapou de ser assassinado quando seu secretário particular, monsenhor Pascueale Macci, impediu que o pintor boliviano Benjamin Mendoza y Amor tentasse atingi-lo no peito com um punhal de 15 centímetros.

O atentado ocorreu no momento em que o Sumo Pontífice deixava o aeroporto de Manila para dirigir-se em cortejo ao centro da cidade em meio a multidão calculada em aproximadamente 800 mil pessoas. Paulo VI não sofreu nenhum ferimento, mas o Cardeal sul-coreano Stephen Kim recebeu diversos cortes na mão, quando atracou-se com o agressor, logo após o atentado ao Chefe da Igreja Católica. Apesar da confusão após a agressão, o papa manteve sua calma durante o incidente.

Benjamin Mendonza y Amor, de 35 anos, conseguiu furar o esquema de segurança do papa, disfarçando-se de monge e aproveitando-se da confusão criada logo no início do cortejo pontifício, quando milhares de pessoas tentaram aproximar-se do Sumo Pontífice, fazendo com que a polícia se mostrasse impotente para dominar a multidão. Após ser dominado pela guarda pessoal e por dezenas de agentes policiais que escoltavam o papa, o agressor disse que seu gesto visava “acabar com as superstições que a Igreja está espalhando pelo mundo”.

O atentado fôra previsto pelas autoridades filipinas, momentos antes da chegada da comitiva papal, quando aproximadamente 5 mil policiais e soldados foram colocados em rigoroso estado de alerta. O fracasso do esquema de segurança levou o chefe de polícia de Manila, capitão Francisco José, a afirmar que “importantes pessoas devem estar envolvidas na conspiração, pois o assassino não poderia ter chegado até Paulo VI sem a ajuda de cúmplices”. Dias antes da chegada do papa, os jornais de Manila haviam noticiado que um grupo de oito estudantes manifestara-se disposto a disparar contra o Sumo Pontífice no momento em que ele percorresse o trajeto entre o aeroporto e o centro da capital filipina. Estas informações levaram os serviços de segurança a triplicar o número de guardas destacados para proteger o papa.

Após a prisão de Benjamin Mendoza y Amor, Paulo VI, acompanhado do presidente Ferdinand Marcos percorreu os 13 quilômetros que separam o aeroporto do Centro de Maniela, acenando para aproximadamente 800 mil pessoas que se aglomeraram no trajeto, gritando seu nome. A maior parte dos expectadores, no entanto, não percebeu o atentado.

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25 de novembro de 1984 – Uruguai retoma sua democracia



11 anos após terem sua democracia interrompida pela primeira vez, em 1973, os uruguaios retornaram às urnas em eleição direta para escolher seu presidente, vice, 30 senadores e 99 deputados e os governos de 19 municípios. As pesquisas realizadas até o dia da eleição não permitiam assegurar a vitória do Partido Colorado, do Nacional ou da Frente Ampla, mas anteciparam que a divisão de forças garantiria o funcionamento de um Congresso forte, capaz de assegurar o cumprimento do programa comum definido pelas lideranças políticas.

A campanha eleitoral foi encerrada com uma verdadeira festa nacional, a qual se somaram mais de 30 mil uruguaios residentes no exterior. "Uma demonstração de que o povo está cansado dos militares no poder" destacaram os políticos. O general Gregório Álvarez pensou em fazer um pronunciamento, mas mudou de idéia ao ter notícia de que se estava convocando um cazarolazo - forma popular de protesto praticado em certos países de língua espanhola.

Depois de tanto tempo sem o funcionamento do Congresso, o panorama político do Uruguai mudou consideravelmente. O país, de tradição agropecuária e então com apenas 3 milhões de habitantes, com população estável e de poucos jovens, até o momento se organizava politicamente em torno dos partidos históricos: o Colorado, que governou o país por 92 anos initerruptos, e o Nacional (branco), que chegou ao poder pela primeira vez em 1958. Apesar da resistência dos mais velhos - 10% da população do país constituida por idosos - avessos a mudanças, a Frente Ampla conquistou definitivamente seu espaço no cenário da política uruguaia.

- Nós representamos uma força política importante, unida em torno de um programa e em permanente evolução. Somos o único Partido capaz de propor mudanças - afirmou o líder da coalizaão de esquerda, General Líber Seregni, seguro de que qualquer fosse o resultado da eleição, seu partido manteria a mobilização para lutar no Congresso pelo cumprimento do acordo feito pelos sete partidos que disputavam o pleito. Entre outros pontos, o acordo previa a garantia das liberdades democráticas e a retomada da economia, com prioridade para o combate ao desemprego e programas sociais.

A apuração dos votos foi feita por computadores e o tribunal eleitoral anunciou no próprio dia das votações as projeções com os resultados das urnas. A esta hora, seguindo a convocação dos partidos, a população já estava nas ruas comemorando o fim de regime militar e a eleição de Julio María Sanguinetti para presidente do país.

Fardo do regime militar
O regime militar uruguaio instaurado, a partir da dissolução do Congresso, em 23 de junho de 1973, deixou para o governo que foi eleito em 1984 uma ferida tão difícil de ser cicatrizada quanto o trauma dos mais de 50 mil perseguidos que passaram pelas prisões políticas sobre tortura e silêncio: uma crise econômica com uma dívida externa de 5 bilhões de dólares, 80 % de inflação e 30% da população ativa desempregada ou subempregada. Inclusive, de acordo com uma pesquisa feita pela firma Consultores Associados, a maior preocupação do povo uruguaio no período das eleições foi a economia, com 54% dos entrevistados destacando como prioridade a recuperação do poder de compra dos salários, o aumento das oportunidades de empregos e a reativação da indústria.

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24 de novembro de 1989 - Comunistas abandonam o poder na Tchecoslováquia



Pressionados durante uma semana por multidões que pediram nas ruas o fim do monopólio do poder do Partido Comunista, o secretário geral do PC tchecoslovaco, Milos Jakes, mais os 16 integrantes do Birô Político e os 13 do Secretariado, renunciaram para que a nova direção a ser eleita pudesse “contribuir de forma mais decisiva para o processo de reestruturação e democratização”. Horas depois, o Comitê Central elegeu, em votação secreta, Karel Urbanek, 48 anos, como novo secretário geral.

A reunião de urgência dos 150 integrantes do Comitê Central foi convocada para fazer frente à agitação popular, que culminaria com uma greve geral de duas horas. Karel Urbanek foi um dos integrantes do Birô Político que renunciou coletivamente. Ele comandava a organização do partido numa das duas repúblicas do país, a República Tcheca.

Jakes, 67 anos, estava no cargo desde dezembro de 1987, quando sucedeu na secretaria do partido ao presidente da Repúblcia, Gustav Husak, o líder do movimento liberalizante da Primavera de Praga, encerrado em 1968 com a invasão da Tchecoslováquia por tropas soviéticas e dos demais países do Pacto de Varsóvia.

No início da reunião de urgência, Jakes reconheceu os erros cometidos pela equipe que comandava.

– As manifestações de protestos que se realizam desde o último dia 17 revelaram nossas fraquezas no enfoque das reformas sociais, cuja necessidade é evidente – disse. – Também subestimamos o real alcance dos processos que ocorrem na Polônia, na Hungria e mais recentemente na Alemanha Oriental, assim como a sua influência em nossa sociedade. Jakes ainda ameaçou empregar “os meios legais” ao alcance do governo para impedir que fossem postas em perigo vidas e propriedades, advertindo aos organizadores da greve que poderiam ocorrer “perdas, e não só econômicas”.

Segundo a emissora polonesa Rádio Varsóvia, Jakes se recusou inicialmente a renunciar, reiterando sua disposição de “defender o socialismo até o fim”. Ele teria também ameaçado empregar a força contra os manifestantes que ocuparam a Praça Venceslau na semana anterior.

Aos gritos de “Eleições livres!”, dezenas de milhares de pessoas voltaram à Praça Vanceslau, no centro de Praga, depois do anúncio da renúncia coletiva da direção comunista. Alexander Dubcek e o dramaturgo dissidente Vaclav Havel abraçaram-se e brindaram com champanhe numa entrevista coletiva.

- Não tenho muitas ilusões sobre os cavalheiros que substituirão os que saíram – disse Havel. – Foi um passo importante. Abriu-se uma porta, e por ela se precipitará agora toda a sociedade”.

Um repórter perguntou a Dubcek se gostaria de retornar à liderança do partido.

- Você terá de perguntar ao Comitê Central agora reunido. Meu papel é ficar com os dois pés no chão, que é onde meu povo está.

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23 de novembro de 1961 – Brasil e URSS reatam relações diplomáticas



14 anos após romperem relações diplomáticas, o Brasil e a União Soviética as reataram através de notas assinadas pelos ministros das Relações Exteriores dos dois países, San Tiago Dantas e Andrei Gromyko, em cerimônia realizada no Ministério do Exterior, em Brasília.

“Às 14 horas de hoje, em Brasília, foram restabelecidadas, mediante troca de notas pelos Ministérios das Relações Exteriores, as relações diplomáticas entre os Estados Unidos do Brasil e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Os dois países trocarão embaixadores extraordinários e plenipotenciários. Estiveram presentes ao ato os presidentes das Comissões de Relações Exteriores do Senado e da Câmara dos Deputados”, afirmou a nota oficial divulgada às 16h pelo Itamarati, comunicando o reatamento. Às 19h, o presidente do Conselho de Ministros, Tancredo Neves, reuniu a imprensa para declarar que a política do reatamento vinha-se processando por meio de consultas às forças políticas do país desde o governo de Jânio Quadros, e acentuou que a decisão era do inteiro conhecimento do Conselho de Ministros, “porque no regime parlamentarista não existem decisões isoladas”.

O reatamento, segundo declarou Tancredo Neves, não implicaria em concessão a qualquer motivação ideológica e foi cercado de cautelas, tais como a limitação do número de funcionários da embaixada soviética e a proibição de os mesmos se locomoverem além de um raio de 35 quilômetros da embaixada.

O portador da nota soviética – com o autógrafo do ministro das Relações Exteriores da URSS, Andrei Gromyko, data em branco e redação em francês e russo – foi o diplomata Victor Asov, chefe da Missão Comercial Permanente da URSS. A notícia do reatamento foi levada a Moscou através de telefonema do Sr. Asov à embaixada soviética em Washington e dali através de cabograma.

Momentos após a cerimônia de assinatura do reatamento, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, San Tiago Dantas, dirigiu-se à Câmara dos Deputados, onde fez uma exposição sobre a decisão do governo, tendo declarado, a certa altura do seu discurso, que a paz não se manteria no mundo se o preço que tivessemos que pagar por ela fosse o isolamento, se as nações se recusassem ao diálogo, se os Estados modernos se fechassem uns aos outros, transformando divergências em idiosincrasias.

– O único resultado dessa atitude há de ser a exacerbação da intolerância e da incompreensão. No dia em que a intolerância estiver exarcebada até o ponto extremo, então, realmente, não restará ao mundo de hoje outro caminho senão a guerra – afirmou o chanceler.

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22 de novembro de 1990 – Margaret Thatcher anuncia sua renúncia



“Em meu vestido verde de chiffon, levemente maquiada, com meus cabelos louros penteados... a Dama de Ferro do mundo ocidental. Eu? Uma combatente da Guerra Fria? Bem, sim – se é dessa forma que eles interpretam a minha defesa de valores e liberdades fundamentais, o nosso estilo de vida”. Margaret Thatcher, em 1976, discursando sobre o apelido Dama de Ferro, colocado nela pela mídia soviética.

Único dirigente da Grã-Bretanha a conquistar três mandatos consecutivos desde Robert Jenkinson, que deixou a chefia de governo em 1827, depois de 15 anos no poder, a primeira-ministra Margaret Thatcher anunciou que renunciaria assim que seu sucessor na liderança do Partido Conservador fosse eleito, na semana seguinte. A renúncia de Thatcher, que governou durante 11 anos e meio, pôs fim à era da revolução conservadora que dominou a Grã-Bretanha a partir de 1979. Marcante a ponto de ter gerado a expressão thatcherismo, deixou legados importantes e duradouros, como a política de privatização das empresas estatais, a mão dura com os sindicatos, a redução do papel do Estado, e a denúncia do welfare state.

Acuada dentro de seu próprio partido, o Conservador, a ponto de não ter obtido a confirmação como líder da bancada numa eleição interna, Thatcher resolveu retirar-se da disputa. – Cheguei à conclusão de que a unidade do partido e a perspectiva de vitória numa eleição geral seriam mais bem servidas se eu desistisse – disse.

O lugar de Thatcher seria disputado entre o ex-ministro da Defesa Michael Heseltine, seu desafiante no primeiro turno, e mais dois candidatos que se apresentaram no dia do anúncio da renúncia da primeira-ministra – os ministros do Exterior, Douglas Hurd, e da Economia, John Major.

Arrogante e obstinada, a Dama de Ferro imprimiu sempre ao seu governo um espírito de desafio que se confundia com autoritarismo. Em debate no Parlamento, no dia do anúncio de sua renúncia, onde se defendeu contra uma moção de desconfiança apresentada pela oposição trabalhista, ela exibiu a firmeza de sempre, apesar de já demissionária, e num certo momento deu a entender que, brigando com os adversários, estava fazendo o que mais apreciava.

– Estou gostando disso, estou gostando disso – declarou, seguida por gargalhadas nas duas bancadas.

O governo de Margaret Thatcher no Reino Unido coincidiu em parte com o de Ronald Reagan nos Estados Unidos e o de Den Xiaoping na China. Estes três lideres, de orientação fortemente conservadora, deram início ao processo de liberalização comercial e internacionalização financeira que se extendeu por todo o mundo, e que hoje conhecemos como globalização.

A Dama de Ferro britânica
Margaret Thatcher nasceu em 13 de outubro de 1925, em Grantham, Brã-Bretanha e foi a primeira mulher a ocupar o cargo de primeiro-ministro no seu país. Seus mandatos foram tumultuosos, com inúmeras manifestações contra a sua forma de governar e as suas medidas econômicas, sempre contrárias ao ideário do welfare state. No cargo, Margaret Thatcher sempre comprou todas as brigas. Suas duas vitórias em duas guerras, especialmente a das Malvinas contra a Argentina, em 1982, e o conflito com os mineiros de carvão em greve, em 1985 – legitimaram o apelido de Dama de Ferro, colocado pela mídia soviética. Era um insulto, mas Thatcher transformou-o em elogio. Em 1987, a primeira-ministra sobreviveu a um atentado terrorista contra ela, realizado pelo Exército Republicano Irlandês (IRA), num hotel, em Brighton, sul da Inglaterra. Recomposta, ela emergiu do quarto semidestruído munida de sua retórica de sempre, já se sabendo vitoriosa. Após deixar a Câmara dos Comuns, em 1992, ganhou um lugar na Câmara dos Lordes, como Baronesa Thatcher de Kesteven.

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21 de novembro 1995 – Assinado acordo de paz para a Guerra da Bósnia



Após três dramáticas semanas de conversações na base aérea de Dayton, nos EUA, os presidentes da Bósnia, Croácia e Sérvia chegaram a um acordo para pôr fim aos quatro anos de conflitos na ex-Iugoslávia. O plano de paz, previsto para ser assinado no mês seguinte, em Paris, e cujos principais pontos foram a unificação de Sarajevo e a realização de eleições democráticas na Bósnia, foi anunciado pelo presidente norte-americano Bill Clinton.

– O povo da Bósnia terá finalmente uma chance de sair dos horrores da guerra para a promessa da paz. Os presidentes da Bósnia, Croácia e Sérvia fizeram uma histórica e heróica escolha. Eles consideraram a vontade dos seus povos – afirmou Bill Clinton.

Até que os presidentes Alija Izetbegovic (Bósnia), Franjo Tudjman (Croácia) e Slobodan Milosevic (Sérvia) concordassem quanto aos pontos do acordo, sucessivos prazos foram sendo descumpridos. No fim da noite, o chanceler bósnio Mohamed Sacirbey chegou a dizer que as negociações haviam fracassado pois sentia-se pressionado. Seu comunicado, no entanto, não teve repercussão entre as outras delegações.

O acordo para acabar com o mais sangrento conflito na Europa desde a Segunda Guerra foi finalmente obtido quando os presidentes as Sérvia e da Bósnia concordaram em submeter ao arbítrio internacional o último assunto pendente: o destino do porto de Brcko, no norte da Bósnia. O documento final foi rubricado à noite na base de Dayton.

– Esse dia vai entrar para a história como o do fim da guerra na ex-Iugoslávia – profetizou o presidente sérvio.

Já o presidente bósnio declarou que os documentos que haviam acabado de assinar garantiriam a soberania da Bósnia Herzegovina e o “desenvolvimento de uma sociedade aberta, baseada na tolerância e na liberdade”.

O mundo comemorou o acordo entre os três presidentes. Bóris Yeltsin, presidente da Rússia – país que normalmente se opunha aos esforços de paz para a ex-Iugoslávia negociados pelos EUA – afirmou que o acordo foi um grande passo dado na direção de um amplo arranjo para o mais trágico conflito desde a Segunda Guerra. A França somou sua voz ao coro, mas lembrou do compromisso de que fossem devolvidos os pilotos franceses desaparecidos desde agosto, quando seus aviões foram alvejados por sérvios bósnios. Já a Comissão Européia em Bruxelas declarou que estava pronta para organizar uma conferência destinada a levantar fundos para a reconstrução da Bósnia.

Em Sarajevo – capital da Bósnia, que permanecia cercada pelos rebeldes sérvios há mais de três anos – o acordo foi recebido com muitas festa. A televisão bósnia disse que convocaria um plebiscito para confirmar o acordo de Dayton, mas ressalvou que se este fosse adequadamente controlado pelos observadores internacionais, os partidários da paz sairiam ganhando.


Independências e violência
A guerra da Bósnia começou oficialmente em abril de 1992, mas teve sua origem no ano anterior, com a independência de três das cinco repúblicas que formavam a Iugoslávia – a Croácia, a Eslovênia e a Bósnia-Herzegovina. A guerra ocorreu devido a uma combinação de fatores políticos, nacionalistas, religiosos e separatistas, produtos da diversidade de nacionalidades, culturas e religiões presentes na Bósnia. O conflito envolveu os três grupos étnicos e religiosos da região: os sérvios cristãos ortodoxos, os croatas católicos romanos e os bósnios muçulmanos. Ainda hoje a Guerra da Bósnia é considerada a mais prolongada e violenta da Europa desde o fim da Segunda Guerra Mundial, com a duração de três anos e com cerca de 200 mil vítimas entre civis e militares e 1,8 milhões de deslocados. Em 1996, a Organização das Nações Unidas, pelo do Tribunal Internacional de Haia, iniciou o julgamento de 57 suspeitos de crimes de guerra durante o conflito da Bósnia. Dentre os acusados, os mais destacados são o líder sérvio Radovan Karadzic, presidente do Partido Democrático Sérvio e da República Sérvia (Srpska), e seu principal comandante militar, o general Ratko Mladic, ambos responsáveis pelo massacre ocorrido na cidade de Srebrenica, no qual 3 mil refugiados bósnios mulçumanos foram executados.

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20 de novembro de 1962 – O fim da Crise dos Mísseis de Cuba



O presidente dos EUA John F. Kennedy fez um pronunciamento em Washington, através de uma cadeia de rádio e televisão, em que anunciou ao povo norte-americano a imediata suspensão do bloqueio naval a Cuba. O comunicado foi feito horas depois de Kennedy ser informado pelo primeiro-ministro da União Soviética, Nikita Kruschev, de que a URSS se dispunha, afinal, a retirar de Cuba, dentro de 30 dias, todos os seus bombardeiros Ilyushin-28, permitindo, inclusive, a observação da remoção dos armamentos e sua contagem. A retirada dos foguetes de Cuba e o fim do bloquei naval dos EUA marcaram o término de um dos períodos mais tensos da Guerra Fria e da história da geopolítica mundial, conhecido como Crise dos Mísseis de Cuba, quando muitos acreditaram que os EUA e a URSS entrariam em um embate atômico que poderia resultar na destruição do planeta.

– Dei instruções ao secretário de Defesa para suspender nosso bloqueio naval destinado a impedir a introdução de novas armas ofensivas em Cuba – afirmou o presidente Kennedy. – As provas colhidas até esta data indicam que todas as bases de foguetes conhecidas em Cuba foram desmanteladas. Os foguetes e seus equipamentos auxiliares foram levados para barcos soviéticos e nossa inspeção em alto mar destes barcos confirmou que o número de foguetes que a URSS informou haver enviado a Cuba foi agora retirado.

Kennedy ainda afirmou que esperava que a solução da crise cubana ainda pudesse abrir a porta para a solução de outros problemas e que o povo norte-americano, durante a comemoração do Dia de Ação de Graças, no dia seguinte, deveria mostrar-se muito grato ao tomar conhecimento dos acontecimentos das últimas quatro semanas.

Numa carta enviada ao secretário-geral interino da Organização das Nações Unidas (ONU), U. Thant, o primeiro-ministro de Cuba, Fidel Castro, declarou que os bombardeiros da URSS eram obsoletos e que os soviéticos poderiam retirá-los quando quisessem, já que a eles pertenciam.

Entretanto, apesar do anúncio da resolução da crise, o presidente John F. Kennedy afirmou que, diante da recusa de Cuba a submeter-se à uma inspeção das Nações Unidas in loco, a vigilância aérea sobre a ilha continuaria sendo feita pelos EUA.

Por trás da crise
O episódio conhecido como Crise dos Mísseis de Cuba começou no dia 14 de outubro de 1962, quando as fotos tiradas de um voo secreto de um avião norte-americano sobre Cuba revelaram que haviam mísseis nucleares soviéticos instalados na ilha. Imediatamente, diante do perigo da proximidade desses mísseis com o território dos EUA, o presidente John F. Kennedy considerou a situação como um ato de guerra contra seu país. Apesar de Nikita Kruschev, primeiro-ministro da URSS, ter afirmado que os mísseis nucleares em Cuba eram apenas para dissuadir outra tentativa de invasão dos norte-americanos à ilha, Kennedy o advertiu que caso os armamentos não fossem retirados, os EUA estariam preparados para também usar armas nucleares contra a URSS, deflagrando um verdadeiro pânico ao redor do mundo. Até hoje a Crise dos Mísseis de Cuba é considerada o momento em que os norte-americanos e soviéticos estiveram mais perto de um embate bélico.

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19 de novembro de 1969 – Pelé marca seu milésimo gol



Na presença de um público impaciente e nervoso, Pelé marcou, no Maracanã, seu milésimo gol, após o qual caiu nas redes chorando, beijou a bola e fez um apelo “a todo mundo” para ajudar mais as crianças pobres e desamparadas.



– Pelo amor de Deus, minha gente. Agora que todos estão ouvindo, faço um apelo especial a todos: ajudem as crianças pobres, ajudem os desamparados. É o único apelo nesta hora muito especial para mim – disse Pelé na presença de dezenas de jornalistas, em uma das cenas mais emocionantes já presenciadas no Maracanã.

O jogo contra o Vasco em si – vencido pelo Santos de Pelé por 2 a 1 – não foi dos mais destacados pela parte técnica, embora tenha valido pelo espírito de luta dos dois times, principalmente do quadro carioca, que chegou a abrir o marcador ainda no primeiro tempo. O Santos empatou com um gol contra de René e chegou à vitória com o gol de número mil de Pelé, aos 34 minutos do segundo tempo, depois que o atacante sofreu um pênalti.



Após a conquista do gol, Pelé deu a volta olímpica no estádio com uma camisa do Vasco que tinha o número 1.000 nas costas. Em nenhum momento o atacante santista desfez-se da bola – a qual era beijada constantemente – e da camisa número 10, que foram presenteadas à sua mulher, Rose, e sua filha Kely Cristina.

O goleiro Andrada chorou de tristeza ao sofrer o milésimo gol de Pelé e só parou quando foi consolado pelo zagueiro Ramos Delgado, seu compatriota, que chorando de emoção lhe falou:

- Não foi nada, amigo. O gol foi de pênaulti e você não tem culpa de nada.

No vestiário, muito abatido, Andrada pôde conversar com Pelé através de um rádio e foi enfático com o jogador do Santos:

- Você merece muito mais de mil gols, Pelé. Entretanto, lamento que tenha sido eu o goleiro mil. Confesso que não queria de jeito algum que você fizesse esse gol em mim – disse o goleiro.

Pelé, em seu vestiário, agradeceu a Andrada e se desculpou com o goleiro.

- Uma das coisas que gostei foi que você fez tudo para evitar o milésimo gol, o que o valorizou. Muito Obrigado.



A renda da partida – um jogo sem importância na classificação – foi de NCr$253.275,25 e a maioria dos espectadores abandonou o estádio após a marcação do histórico gol.

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18 de novembro de 1976 – A Espanha restabelece sua democracia



Dois dias antes do primeiro aniversário da morte de Francisco Franco, as Cortes espanholas aprovaram o projeto de reforma política apresentado pelo primeiro-ministro Adolfo Suárez, que previu o estabelecimento de um sistema bicameral com representantes eleitos pelo voto direto, abrindo caminho para o restabelecimento da democracia no país.

Depois de três dias de debates, durante os quais a intransigência de alguns grupos colocou em risco a aprovação do projeto, este, afinal, recebeu uma votação maciça: dos 497 integrantes das cortes presentes, 425 votaram a favor, 59 contra e 13 se abstiveram.

A votação, que estabeleceu o desaparecimento das Cortes e sua substituição pelo parlamento, do tipo que vigora na maioria dos países ocidentais, é considerada uma vitória particular do premier Suárez, que conseguiu convencer as alas direitistas a concordarem com o sistema da proporcionalidade – aquele em que as vagas são distribuídas pelos partidos de acordo com sua votação –, e não do voto majoritário na Câmara – aquele em que é eleito quem obter a maioria absoluta dos votos válidos –, como defendiam. A aprovação do projeto foi possível graças a um pacto de última hora entre Suárez e a Aliança Popular, bloco direitista de 130 deputados, que ameaçara boicotar o projeto se não fosse aceita sua emenda prevendo a composição do Parlamento pelo sistema majoritário, garantindo seu controle pelo partido que obtivesse mais votos.

De acordo com a lei, o texto aprovado nas Cortes deveria ser submetido a um referendo popular, cuja realização ocorreu antes do fim de 1976. As eleições legislativas, com a utilização do voto universal, secreto e direto, foram realizadas em 15 de junho de 1977 e representaram o primeiro pleito livre na Espanha desde o início da era franquista.

O projeto de lei aprovado contou com os seguintes pontos principais: a democracia no Estado espanhol baseia-se no império da lei, expressão da vontade soberana do povo, e os direitos humanos básicos são invioláveis; o parlamento é constituído pela Câmara dos Deputados e o Senado; os 350 deputados e os 207 senadores são eleitos pelo voto direto e secreto de todos os espanhóis maiores de 21 anos; o Rei pode nomear até 41 senadores; o mandato dos parlamentares é de quatro anos; o Rei pode submeter a plebiscito qualquer questão política de interesse nacional, independente da Constituição.

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17 de novembro de 1993 – Deputados dos EUA aprovam o Nafta



Com uma vantagem superior à esperada, de 234 votos contra 200, a Câmara de Representantes dos Estados Unidos aprovou o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta, na sigla em inglês). Na semana seguinte, o tratado também seria aprovado sem problemas pelo Senado norte-americano, criando o maior mercado comum do mundo em termos geográficos reunindo EUA, Canadá e México, que possuíam uma produção anual conjunta de US$ 6,5 trilhões, e 370 milhões de habitantes.

O presidente Bill Clinton considerou a aprovação do Nafta um “momento decisivo” para a liderança mundial dos EUA no século 21. Em telefonema ao presidente do México, Carlos Salinas, Clinton prometeu enviar em breve o vice-presidente Al Gore ao México para acertar detalhes da aplicação do acordo que, segundo ele, iniciaria “uma nova era nas relações norte-americanas”.

A vitória do Nafta e do livre-comércio melhorou as possibilidades de um acordo global de liberalização do comércio na Rodada Uruguai do Acordo Geral de Tarifas e Comércio (Gatt), que deveria ser concluída até 15 de dezembro. Também fortaleceu a posição de Clinton no primeiro encontro de cúpula da Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (Apec), em Seattle, no Noroeste dos EUA.

– Foi um momento decisivo para a nossa nação, numa época em que parte do nosso povo está sofrendo – declarou Clinton, pouco depois do final da votação, quando procurou curar as feridas da batalha do Nafta, que dividiu profundamente a opinião pública americana. Ele se dirigiu principalmente ao movimento sindical, que é uma das bases do Partido Democrata, mas esteve na liderança da oposição ao Nafta, temendo o aumento do desemprego nos EUA.

Depois de declarar que a vitória do Nafta constituiu uma grande vitória para os EUA, o vice-presidente Gore propôs a união do Partido Democrata para superar as divergências internas. Os democratas, que são maioria na Câmara de Representantes, contribuiram com apenas 102 dos 234 votos a favor do Nafta.

No Brasil, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, considerou positivo para o país a aprovação do Nafta.

– O governo brasileiro vê com satisfação a aprovação dos acordos que visam criar uma zona de livre comércio na América do Norte porque se trata de uma sinalização da liberalização do comércio na região e, inclusive por ter reflexo nas negociações em andamento na rodada Uruguai do Gatt, na qual o governo brasileiro empenha seu maior interesse – declarou o ministro.

Dificuldades e insucesso
O Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta) foi uma expansão do antigo Tratado de Livre Comércio Canadá-EUA, de 1989. O Nafta foi aprovado pelo Senado dos EUA no dia 20 de novembro de 1993, assinado pelo presidente Bill Clinton em 8 de dezembro e entrou em vigor em 1º janeiro de 1994. O Nafta foi criado numa tentativa de fazer frente à União Européia, o bloco de livre comércio dos países europeus, e os seus objetivos eram ampliar os horizontes de mercado dos seus países membros, estabelecendo um mercado livre de barreiras alfandegárias, e assim maximizar a produtividade interna. Entretanto, o bloco econômico tem encontrado dificuldade para atingir essas metas, intensificando ainda mais os desníveis sócio-econômicos entre seus membros, principalmente quando comparados México e EUA. Atualmente, o Nafta permanece ativo e, além dos três países originais, conta com o Chile como país associado.

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16 de novembro de 1988 – Benazir Bhutto é eleita primeira-ministra do Paquistão



Um ciclo político fechou-se no Paquistão com a vitória eleitoral do Partido do Povo Paquistanês (PPP) e o triunfo pessoal da sua líder, a carismática Benazir Bhutto, que se tornou a primeira mulher a chefiar o governo de um país mulçumano.

- Temos um mandato nacional para liberdade, a dignidade e a esperança, para entrar no século 21 com a ciência e a tecnlogia - disse Benazir em frente a sua casa em Larkana, no estado de Sind, enquanto milhares de simpatizantes festejavam dançando e cantando seu nome. O PPP de Benazir foi o único partido a eleger deputados nos quatro estados do país.

Benazir Bhutto obteve 97% dos votos em sua circunscrição em Larkana e conquistou ainda duas outras cadeiras por Karachi e Lahore, capital do estado do Punjab. Sua mãe, Nusrat, presidente nominal do PPP, também se elegeu por duas circunscrições, o que a legislação eleitoral do Paquistão permite, determinando, no entando, que o eleito renuncie às cadeiras sobressalentes, a serem preenchidas em nova eleição parcial.

A nova primeira-ministra do Paquistão tão logo soube do resultado das eleições pediu uma audiência com o presidente Ghulam Ishaq Khan, também presidente do Senado e disse esperar que ele “agindo de acordo com os princípios democráticos”, convocasse o PPP para formar o novo governo, acrescentando esperar “bons resultados para os próximos dias” nos entendimentos com os partidos menores.

Apesar da vitória, militantes do PPP e a própria Benazir insinuaram que houve fraude no Punjab, privando o partido do que poderia ser uma maioria absoluta. Entretanto, o presidente Ishaq Khan garantiu que as eleições – com a participação de cerca de 50% dos 48 milhões de eleitores – foram “livres e justas”.

Das 237 cadeiras na Assembléia, 20 foram destinadas a mulheres e foram preenchidas por nomeação dos eleitos. 10 cadeiras destinadas a não-mulçumanos foram preenchidas em eleição paralela, e duas outras foram a eleição posteriormente, por seus candidatos terem morrido. Das 205 cadeiras em disputa, 93 foram para o PPP, 55 para o ADI e 57 para os partidos menores e os candidatos independentes.

Vida política
O nome de Benazir significa “única” em urdu, a língua nacional do Paquistão. Mas, para os íntimos, Benazir foi, desde pequena, Pinky, por ter se educado nos Estados Unidos e na Inglaterra. Desde cedo ela parecia destinada a ser apenas a filha de um líder socializante, mas rico – seu pai, Zulfikar Ali Bhutto, foi primeiro-ministro do Paquistão. Em Oxford foi a primeira mulher a dirigir a União dos Estudantes. No entanto, durante sua vida acadêmica, Benazir destacou-se mais pelo brilho retórico do que por posições políticas claras. Com seu pai ainda vivo, ela ensaiou uma militância política em seu governo, mas foi somente após a deposição de Ali Bhutto e seu subsequente enforcamento que ela tornou-se mais engajada, prometendo levar adiante sua mensagem política e devolver a democracia ao Paquistão. Depois de anos exilada ela retornou ao seu país em 1986, aclamada por multidões. O anti-americanismo e o desejo de vingança contra os executores do seu pai deram lugar à ambição de unir uma nação dilacerada por lutas políticas, sociais, éticas e religiosas. Dois anos após ser eleita primeira-ministra, ela seria afastada do cargo, retornando a ele somente em 1993. Benazir Bhutto foi morta no dia 27 de dezembro de 2007, durante um atentado suicida em Rawalpindi, reinvindicado por dirigentes da Al-Quaeda no Afeganistão.

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15 de novembro de 1982 – O Brasil volta às urnas



Há exatos 27 anos, o feriado da Proclamação da República foi marcado por um importante passo rumo a redemocratização do país após o golpe militar de 1964. Cerca de 58 milhões e 571 mil eleitores brasileiros foram às urnas escolher 22 governadores, 25 senadores, 479 deputados federais, 947 deputados estaduais, 3.857 prefeitos e cerca de 60 mil vereadores, dos quais 686 vereadores fariam parte do Colégio Eleitoral que se reuniu a 15 de janeiro de 1985 para eleger Tancredo Neves como sucessor do presidente Figueiredo.

– Como o cidadão João Figueiredo e como o presidente de todos os brasileiros, a minha expectativa é de que os homens eleitos correspondam as esperanças que o povo neles deposita. Que tudo façam pela conciliação nacional, pela democracia e pelo bem do nosso povo – afirmou o presidente Figueiredo um dia antes das eleições, no programa O Povo e o Presidente.



Os cinco partidos tiveram direito de concorrer cada um dos 22 governos estaduais em disputa, mas apenas o PDS (Partido Democrático Social) e o PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro) apresentaram candidatos em todos os Estados. O PT (Partido dos Trabalhadores) concorreu com 21, o PDT (Partido Democrático Trabalhista) com 12 e o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) com 11, totalizando 88 candidatos.

Dos 4.004 municípios brasileiros, 23 eram capitais, 106 foram classificados como “de interesse da segurança nacional” e 18 eram estâncias hidrominerais. Nesses 147, não houveram eleições para prefeitos, que foram nomeados pelos governadores. Portanto, a eleição contou com 3.857 prefeituras em disputa.

Os mandatos de prefeitos e vereadores, que eram tradicionalmente de quatro anos, foram aumentados para seis anos de acordo com e ementa constitucional número 14, de 1980. Dessa forma, os candidatos eleitos foram mantidos nos cargos até 1988.

No Estado do Rio de Janeiro, as eleições começaram às 8h. 3 milhões 28 mil 392 pessoas votaram na capital e 3 milhões 263 mil 873 nos outros 63 municípios – no total, 6 milhões 292 mil 265. Entretanto, a capital e três municipios fluminense de segurança nacional (Angra dos Reis, Volta Redonda e Duque de Caxias) não tiveram eleições para prefeito. Todos os partidos colocaram à disposição dos eleitores fluminenses serviços de plantão, para solucionar dúvidas sobre os locais e horários de votação, questões relativas à legislação eleitoral e outras relacionadas com a eleição, propriamente. No dia seguinte à eleição, Leonel Brizola sagrou-se o novo governador do Estado do Rio.

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14 de novembro de 1975 – Os 75 anos de Aaron Copland



Há exatos 34 anos o Jornal do Brasil homenageava um dos mais importantes compositores norte-americanos de música clássica do século XX, Aaron Copland, que completava 75 anos de idade e ficou conhecido como o compositor que popularizou o erudito.

Incorporando o estilo da “escola nacionalista” da música norte-americana, o neo-romantismo de Samuel Barber e o experientalismo de John Cage, Copland conseguiu uma posição singular na música dos Estados Unidos, utilizando técnicas de harmonia e contraponto, ritmo e composição seriada e escrevendo uma música “funcional”, de grande apelo popular para ser executada por crianças de escolas, ouvida em trilhas sonoras de filmes ou em balés.

– Nunca quis que a minha música fosse hermética. Procurei então me expressar nos termos mais simples. Desejo que minha música seja apreciada pelo maior número de pessoas – disse certa vez.

Nascido em 14 de novembro de 1900, no bairro do Broklyn, Nova Iorque, Copland compôs um grande número de obras, das quais 50 foram publicadas. Entretanto, sua contribuição à música erudita dos Estados Unidos transcendeu ao papel de compositor. Como pianista e regente, estimulou a execução de novas obras, sempre na tentatica de divulgar a música para o grande público. Mas nem por isso a arte de Copland sofreu um processo de vulgarização, muito pelo contrário, à medida que evoluia, sua linguagem se tornava mais simples, porém fundamentada numa harmonia altamente sofisticada.

Não foi somente na música orquestral e de balé que o compositor exercitou sua criatividade. Também na música de câmara suas composições de sonoridade popular e estrutura melódica complexa provocaram controvérsias e admiração.

Formação e prêmios
Aaron Copland teve uma formação musical com base e eixo na universidade. Cursou a Berkshire Music center, em Tanglewood e foi compositor residente do Darmounth College, o que consolidou sua criatividade, fato que provávelmente foi responsável pelos importantes prêmios obtidos em sua carreira. Aaron Copland foi um dos compositores mais premiados da história da música erudita norte-americana, tendo recebido o Oscar, um título de Doutos Honoris Causa, além de ter sido eleito para a American Society of Arts and Letters e de ter sido agraciado com a Presidentioal Medal of Honour, que lhe foi conferida pelo presidente Johnson em 1964. Além disso, Aaron Copland também é reconhecido por ter sido um dos mais respeitados escritores sobre música dos Estados Unidos, tendo recebido um Prêmio Pulitzer por seus livros.

Abaixo, os vídeos de Appalachian Spring, uma das mais famosas e belas composições de Aaron Copland.







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13 de novembro de 1985 – Vulcão causa morte e destruição na Colômbia



Cerca de 25 mil pessoas morreram, pelo menos 50 mil perderam suas casas e milhares ficaram feridas quando o vulcão Nevado del Ruíz - inativo há 140 anos - entrou em erupção, derreteu sua capa de neve perpétua e provocou um aluvião que atingiu 10 cidades da Colômbia, soterrando a de Armero, que tinha 51 mil habitantes. O vulcão fica a 5 mil e 400 metros de altitude, na Cordilheira Central de Andes, a 200 km a noroeste de Bogotá. Dezoito horas depois da tragédia, o Nevado del Ruíz começou a expelir lava.

- Armero desapareceu do mapa - disse o piloto comercial, Jorge Rivera, que sobrevoou a região. Quatro horas antes de Armero ser arrasada, houve "uma explosão tremenda" e as autoridades tentaram retirar a população da região, mas poucas pessoas acreditaram que uma tragédia pudesse ocorrer, informou um padre na vizinha cidade de Murilli. De acordo com o padre, cinzas cobriram tudo e a explosão foi às 22h30min (hora local).

- Ouvi um ruído como se fosse uma poderosa locomotiva a toda a velocidade e logo senti a água em meu colo. Depois fui resgatado por pessoas que estavam na estrada - disse um sobrevivente em Chinchiná, uma das cidades mais atingidas do Estado de Tolima.

Cerca de 150 mil pessoas foram atingidas pelo aluvião canalizado pelos rios Chinchiná, Laguilla, Guali, Cloro e Molino. Todos os peixes morreram envenenados pelo enxofre. As águas do rio Guali, naturalmente represadas, ainda ameaçavam provocar um novo aluvião sem que as autoridades soubessem como retirar da região cerca de 60 mil pessoas. As estradas foram cortadas por quedas de pontes ou estavam inundadas.

Impotente diante da tragédia, o governo da Colômbia pediu que a Organização das Nações Unidas para Socorro em Casos de Catástrofe (UNDRO) coordenasse os trabalhos de ajuda às vítimas. O presidente da Colômbia, Belisário Betancur criou a Comissão Nacional de Emergência, integrada por representantes do Governo, Forças Armadas, Cruz Vermelha e Defesa Civil, antes de se dirigir para a localidade de Lerida, a 15 km de Armero, onde coordenaria os socorros com os ministros da Defesa, da Saúde e da Agricultura. A Comissão declarou zona de emergência em um raio de 180 quilômetros em torno do vulcão, pondo a região sob controle militar. A Comissão também proibiu o tráfego aéreo e terrestre na área e requisitou helicópteros de empresas particulares para apoiar os da Força Aérea.

Histórico de desastres
Terríveis e imprevisíveis, as erupções vulcânicas têm destruído povoados humanos desde o início do mundo. A mais potente erupção vulcânica dos tempos modernos ocorreu em 1883, na ilha de Krakatoa, na Indonésia, e, segundo estudos, foi equivalente à explosão de quase 30 bombas de hidrogênio. Gases, lava e um gigantesco maremoto mataram mais de 36 mil pessoas. Já a maior erupção vulcânica em termos de matéria expelida foi a do vulcão Tambora, no Leste de Báli, também na Indonésia, em 1815, que matou na hora 12 mil pessoas e, indiretamente e a curto prazo, mais 80 mil de inanição. Em 1902, o Monte Pele na ilha Martinica, nas Antilhas, entrou em erupção, causando a morte de 38 mil pessoas, das quais 29 mil eram habitantes da aldeia de Saint-Pierre, tornando-se a maior erupção vulcânica em número de mortos da história. O primeiro relato escrito de uma testemunha de uma erupção vulcânica foi o de Plínio, o Jovem, depois que o Vesúvio soterrou com lava as cidades de Pompéia e Herculano, em 79 a.C .

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12 de novembro de 1981 – Columbia retorna ao espaço



Com a multidão à distância gritando “go Columbia, go!” (vai, Columbia, vai!) o ônibus espacial norte-americano subiu aos céus do Cabo Canaveral, tornando-se o primeiro veículo feito pelo homem a regressar de uma missão em órbita. Deixando para trás uma lâmina amarela de fogo, a Columbia emergiu de sua própria fumaça cinza de exaustão e invadiu o céu azul da Flórida com seu brilho branco a caminho do espaço. O ronco forte de seus motores fez vibrar o solo e as emoções de muitos espectadores, alguns com lágrimas nos olhos ao contemplar a ascensão da nave. - Por mais que eu já tenha visto lançamentos de foguetes aqui, não consigo evitar um arrepio quando sobe a Columbia – confessou emocionado um técnico da Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço (NASA).

Apesar da emoção do lançamento, o público nas áreas vizinhas foi menor do que durante o primeiro voo da Columbia, ou mesmo do que na semana anterior, quando a decolagem da espaçonave foi adiada faltando apenas 31 segundos para deixar a Terra. A polícia calculou em menos de 300 mil pessoas os espectadores in loco do lançamento. O número, claro, não leva em consideração os milhões que acompanharam a subida do foguete pela televisão, em transmissões ao vivo.



A columbia subiu impulsionada por cinco motores – três principais e dois auxiliares – que geraram energia suficiente para iluminar um estado como São Paulo. Os dois foguetes auxiliares tinham um empuxo de 1 milhão 200 mil toneladas, queimando, cada um, 589 mil 670 kg de combustível sólido, consumidos em dois minutos, quando se separaram da nave a 45 quilômetros de altura, caindo no mar a 280 quilômetros da Costa da Flórida, onde foram recuperados.



A bordo da nave, a emoção – ou pelo menos a tensão – dos astronautas não foi menor que a do público no solo. Na subida, a NASA registrou um máximo de 120 batidas por minuto no coração do comandante Joseph Engle, 49 anos, e 94 no piloto Richard Truly, que completou 44 anos no dia do lançamento.

O principal objetivo do retorno ao espaço da Columbia foi colocar em prática uma experiência com um braço-robô que teria a função de colocar satélites em órbita, algo do interesse de diversar empresas privadas. Apesar do sucesso no lançamento do foguete, um defeito em uma das três células que forneciam energia para os diversos sistemas da nave obrigou a NASA a reduzir a missão de cinco para dois dias.

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11 de novembro de 1975 - Angola torna-se independente de Portugal



O Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e a União Nacional para Independência Total de Angola (Unita) proclamaram a independência da República Popular e Democrática de Angola, anunciando a formação de um conselho conjunto com sede em Abriz e Huambo (até então conhecida como Nova Lisboa) e assegurando que o poder do MPLA em Luanda, capital do país, seria transitório.

À meia-noite, Angola tornou-se a 17ª nação independente da África, e seu primeiro presidente foi Agostinho Neto, 53 anos, líder do MPLA. Ele assumiu o cargo solenemente, num dos salões da prefeitura de Luanda, no qual se concentraram milhares de pessoas agitando bandeiras do novo país.

Agostinho Neto prestou juramento de pé, atrás de uma mesa de madeira colocada em frente a uma bandeira de Angola: vermelha (símbolo do sangue e luta), negra (cor da África), com três símbolos em amarelo, um punhal (recordação do início da guerra de libertação, quando esta era a única arma usada pelos guerrilheiros), uma roda dentada (símbolo dos operários) e uma estrela (emblema do internacionalismo). O novo presidente jurou respeitar a lei fundamental, adotada pelo comitê central, e defender a soberania, independência e unidade da nação angolana.

Em discurso perante centenas de pessoas, que o interromperam várias vezes para aplaudi-lo, Agostinho Neto afirmou que o país se converteria, progressivamente, numa “democracia popular”, e reiterou seu desejo de prosseguir a luta até a libertação total da Angola. “A luta continua. A vitória é segura”, proclamou.

Diversas delegações de “países amigos” participaram da cerimônia: da União Soviética, chefiada pelo embaixador em Brazzaville, Afanassenko, de todas as ex-colônias portuguesas na África, da República Popular do Congo, de Guiné-Conaeri, da Iugoslávia e da Romênia.

No fim houve o desfile dos primeiros combatentes do MPLA, os que iniciaram a guerra de libertação ao atacarem, em fevereiro de 1961, uma prisão de Luanda. Os ex-combatentes chegaram à cerimônia com uma tocha, símbolo da unidade do povo angolano e que ficou ardendo diante do palanque presidencial.

Liberdade sem paz
Portugal, país do qual Angola era colônia, também reconheceu a independência do novo país. “O governo português envia sua saudação ao povo angolano e expressa sua alegria, compartilhada pelo povo português, por motivo da independência de Angola, fato de grande importância histórica para os dois povos, para a África e para o mundo inteiro”, disse a nota de Lisboa. Ali vinha também expresso o desejo de “estreitar os laços de amizade e cooperação entre os dois países, à margem das contingências que ameaçam ou comprometem, provisoriamente, a esperança geral de ver uma Angola unida na independência, no progresso e na liberdade”. O reconhecimento da independência de Angola, entretanto, não significou o início de um período de paz. Sobreveio uma guerra civil, intensificada pelo contexto da Guerra Fria e que culminou com a desintegração da União Nacional para Independência Total de Angola (Unita).

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10 de novembro de 1971 – Brasileira é eleita Miss Mundo



A representante do Brasil, Lúcia Tavares Petterle, uma carioca de 22 anos, com 1, 72m, olhos e cabelos castanhos, ganhou o título de Miss Mundo de 1971, disputado por 56 moças em Londres.
A representante da Grã-Bretanha, Marilyn Ann Ward, de 22 anos, foi eleita primeira princesa, e a de Portugal, Ana Paula de Almeida, de 19 anos, ficou com o título de se segunda princesa . O quarto lugar coube a Miss Guiana, Nalini Moonsar, de 20 anos, e o quinto a Miss Jamaica, Ava Joy Gill, de 18 anos.

Lúcia Tavares Petterle embarcou para Londres achando que teria “uma oportunidade maravilhosa de viajar e de atrair a atenção de todos para o Brasil”. Sua ambição só passava disso quando ela se lembrava do curso de medicina, afirmando que “gostaria de visitar alguns hospitais psiquiátricos da Inglaterra, onde os progressos têm sido muito grandes”. Inscrita no concurso de Miss Guanabara como candidata do Tijuca Tênis Clube, Lúcia se defrontou com outras 40 representantes de clubes do Rio de Janeiro e, contrariando as expectativas de muitas pessoas de que ela não seria capaz de vencer, por lhe faltar um dente, sagrou-se vitoriosa no Maracanãzinho. Após conquistar o título de Miss Guanabara, Lúcia corrigiu a falha em sua boca e se apresentou para o concurso de Miss Brasil com um sorriso perfeito. O segundo lugar que alcançou fez jus às suas medidas, bem próximas dos padrões de beleza estabelecidos e lhe rendeu a inscrição para o Miss Mundo. Como prêmio do Miss Guanabara, Lúcia Tavares Petterle ganhou 10 mil cruzeiros e um carro Dodge Dart. Já pelo Miss Mundo, além de reconhecimento internacional, faturou 30 mil libras.

A Scotlande Yard montou um forte dispositivo de segurança no Royal Albert Hall, onde se realizou o concurso, para proteger as candidatas. Fora do teatro, centenas de mulheres do Movimento de Libertação Feminina, muitas com blusas transparentes e vestindo soutiens exagerados, ou sem a peça, realizaram uma burlesca imitação do concurso e denunciaram-no como “uma feira de carne humana”. Além disso, a polícia britânica ainda temia um possível atentados do Exército Republicano Irlandês. No ano anterior, o movimento havia jogado farinha e bombas de efeito moral no palco, obrigando o comediante Bob Hope a sair de local. Dessa vez, no entando, o concurso ocorreu sem maiores problemas.

As misses brasileiras

A primeira Miss Brasil a ser Miss Universo foi Iolanda Pereira, do Rio Grande do Sul. Depois de ser eleita Miss Brasil, ganhou, em 1930, o título mundial, num palanque armado em frente ao Copacabana Oalace Hotel. Desde então, muitas belezas nacionais foram exportadas, até que, em 1954, surgiu alguém que magnetizou o Brasil e o mundo: Marta Rocha, a dona das famosas duas polegadas a mais, que, eleita namorada do Brasil, conquistou o segundo lugar no Concurso Miss Universo.

Em 1957, Teresinha Morango, uma amazonense morena trazia o segundo lugar para nós. O mesmo fez a carioca Adalgisa Colombo, sua sucessora.
Iêda Maria Bruto Vargas, uma legítima gaúcha dos Pampas, traria enfim a faixa, a coroa e o cetro da Miss Universo, em 1963, repetindo o feito de Iolanda. Em 1964, Angela Teresa Pereira Vasconcelos, uma paranaense que queria ser médica, conquistou uma classificação entre as 15 semifinalistas. A paulista Carmem Sílvia Ramasco, eleita em 1967, também foi finalista, mas o título só retornaria ao Brasil em 1968, com a vitória da baiana Marta Vasconcelos, mesmo ano em que a carioca Maria da Glória Carvalho foi ao Japão como primeira representante brasileira e trouxe o título de Miss Beleza Internacional.

Agradecemos a ajuda do leitor Marcio Landin. Já providenciamos a correção da data.

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9 de novembro de 1964 – Cecília Meireles parte ao entardecer

Cecília Meireles
"Eu aprendi com a primavera a ser cortada e voltar sempre inteira".
Cecília Meireles

Vítima de um câncer, a poetisa, professora e jornalista brasileira Cecília Meireles, 63 anos, morreu ao entardecer, no Hospital dos Servidores do Estado, onde estava internada para se recuperar de algumas operações que havia se submetido. Seu corpo foi removido para o Salão Nobre do Ministério da Educação e Cultura, de onde saiu no dia seguinte, às 17h, para o Cemitério de São João Batista, em Botafogo. A poetisa era casada há 25 anos com o professor Heitor Grilo e tinha três filhas, Maria Matilde, Maria Cecília e a atriz Maria Fernanda, e cinco netas.

Em entrevista ao Jornal do Brasil, o marido de Cecília Meireles informou que a poetisa deixou três volumes de poesia, dois de prosa e uma tradução de Joana D’Arc, de Bernard Shaw, a ser representada por sua filha Maria Fernanda.

-"Nos 25 anos nos quais vivemos juntos fomos completamente felizes. Cecília era uma criatura admirável sob todos os pontos de vista. No momento, embora doente, Cecília preparava O Cancioneiro do Rio de Janeiro, para as comemorações do IV Centenário" – contou Heitor Grilo.

O embaixador da Índia, Sr. Vincent Coelho, divulgou uma nota afirmando que perdeu uma grande e sincera amiga com a morte de Cecília Meireles, que, “com o esplendor de sua poesia, a clareza e o encanto de sua expressão, trouxe a muitos milhares de leitores do Brasil um conhecimento íntimo da Índia e do pensamento indiano”.

- "Não só o Brasil, mas também a Índia perdeu uma grande personalidade a qual passará à História por ter feito muito, graças a uma síntese poética da filosofia da Índia e da expressão brasileira, a fim de promover um melhor entendimento entre os nosso países e a consideração afetuosa de um pelo outro" – disse o embaixador na nota divulgada, referindo-se ao trabalho de Cecília como sócia honorária do Instituto Vasco da Gama, em Goa, Índia e ao título de Doutora Honoris Causa da Universidade de Délhi concedido a ela na Índia, em 1953.



O sepultamento de Cecília Meireles, um dia após sua morte, acabou sofrendo um pequeno atraso devido aos muitos amigos que desejaram despedir-se da poetisa. Debaixo de chuva, suas filhas e marido choraram comovidos, de pé, ao lado do esquife, quando o poeta Manuel Bandeira adiantou-se para beijar a face de Cecília e o corpo da poetisa recebeu uma coroa com um verso de Rimbaud dizendo que “a poesia não morre jamais”.

Intimidade com a morte
Filha de um funcionário público com uma professora primária, Cecília Benevides de Carvalho Meireles nasceu em 7 de novembro de 1901, na Tijuca. Seu pai morreu três meses antes do nascimento de Cecília, e sua mãe, três anos mais tarde, tendo a menina ido morar com a avó materna. Muito tempo depois, já reconhecida no país por sua poesia, Cecília contou que a ausência dos pais lhe deu “uma tal de intimidade com a morte” que docemente lhe ensinou as relações entre o efêmero e o eterno. Durante sua vida, Cecília Meireles se destacou por seu trabalho em prol de mudanças na educação do país, tendo, inclusive, realizado conferências e lecionado diversos países como Uruguai, Argentina, Índia, Porto Rico, Israel e países europeus. Após seu faleciomento, Cecília Meireles foi premiada com Prêmio Jabuti de Poesia, pelo livro Solombra, o Prêmio Machado de Assis concedido pela Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto de sua obra. Em 2001, o governo federal decretou o ano como “O Ano da Literatura Brasileira”, em comemoração ao sesquicentenário de nascimento do escritor Silvio Romero e ao centenário de nascimento de Cecília Meireles, Murilo Mendes e José Lins de Rego.

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8 de novembro de 1994 - Onu abre tribunal para julgar crimes na Iugoslávia



Quase 50 anos depois da abertura do Tribunal de Nuremberg, que julgou os criminosos nazistas, o mundo voltou a dispor de um instrumento de punição para criminosos de guerra, com a sessão inaugural do Tribunal da Organização das Nações Unidas para a Iugoslávia. Apesar de formalmente instalado, o tribunal, orgão permanente da ONU, só iniciaria o julgamento dos criminosos em 1995, pois até então não possuía nenhum acusado sob custódia. Os principais objetivos do tribunal foram responsabilizar os autores de crimes contra o Direito Internacional Humanitário cometidos durante a guerra que culminou com a fragmentação da Iugoslávia em diversos Estados, dar uma resposta adequada às vítimas de tais crimes, prevenir a ocorrência de novas violações do Direito Internacional Humanitário na região e contribuir para a restauração da paz por meio da reconciliação entre os povos que habitam a região.

Na época, esperava-se que a principal dificuldade do tribunal fosse justamente levar os então 51 suspeitos de crimes de guerra ao banco dos réus. No dia de sua instalação, os três juízes - da Nigéria, da França e da Costa Rica -, que conduziriam as sessões, decidiram pedir à Alemanha a extradição de Dusan Tadic, sérvio da Bósnia-Herzegovina acusado de 13 crimes contra a humanidade e que se tornou o primeiro réu a responder pelos crimes cometidos durante a guerra civil na ex-república iugoslava.

- As prisões aqui estão prontas e podemos receber o senhor Tadic a qualquer momento - declarou o escrivão do tribunal Theo Van Roven.

Os países com suspeitos foram obrigados a cooperar com a ONU, sob pena de enfrentar sanções do Conselho de Segurança. Se mesmo assim resistissem, o tribunal teria o poder de policiamento internacional. No caso dos indiciados não comparecerem à corte, os juízes da ONU poderiam emitir uma ordem internacional de prisão, através da Interpol, fazendo com que o suspeito se tornasse uma pessoa procurada em todo o mundo. Aqueles considerados culpados poderiam pegar como pena máxima a prisão perpétua.

- Somos muito pacientes - disse o porta-voz do tribunal, Christian Chartier. - Não temos poder para julgar suspeitos em sua ausência, mas temos um jeito de encerrar seus casos.

Inspiração em Nuremberg
O Tribunal Militar Internacional, nome oficial do Tribunal de Nuremberg, foi criado pelas forças aliadas em 8 de agosto de 1945, três meses depois da capitulação da Alemanha, e com a Segunda Guerra Mundial restrita a combates na Ásia. O objetivo do tribunal era punir os principais criminosos de guerra nazistas e, para isso, os aliados - Estados Unidos, Grã Bretanha, França e Rússia - escolheram como sede do tribunal o Palácio da Justiça de Nuremberg, local das grandes manifestações públicas do Partido Nazista.

O primeiro julgamento começou em 20 de novembro de 1945, conduzido por quatro juízes - um de cada nação aliada. No banco dos réus estavam os 21 principais líderes nazistas capturados, entre eles Hermann Goering, o número dois da Alemanha nazista. O julgamento foi o segundo mais longo da história. Seus 218 dias somente foram ultrapassados pelos 417 dias do julgamento dos crimes de guerra em Tóquio. No final, os juízes absolveram três dos acusados e consideraram culpados os outros 18, condenando-os a penas que iam de dez anos de prisão a morte por enforcamento. Goering, um dos condenados, suicidou-se na prisão horas antes de ser enforcado. O Tribunal de Nuremberg fez 13 julgamentos, por onde passaram 199 líderes nazistas. Milhares de pessoas foram julgadas desde então, em cortes militares aliadas ou em seus próprios países depois da retirada dos aliados.

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7 de novembro de 1973 – EUA e Egito reatam relações diplomáticas



O Egito e os Estados Unidos decidiram restabelecer relações diplomáticas, rompidas pelo Cairo em junho de 1967, em decorrência da Guerra dos Seis Dias, e designaram novos embaixadores para as suas respectivas capitais. A aproximação diplomática entre as duas nações foi o primeiro resultado concreto alcançado pelo secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger em sua viagem a diversas capitais árabes para tentar uma solução pacífica para os conflitos no Oriente Médio. Kissinger e o presidente do Egito, Anwar Sadat, concordaram que a reunião entre eles significou um “avanço em direção da paz”.

Kissinger, que já conferenciara em Rabat com o Rei Hassan do Marrocos, e na Turquia com o presidente Bourgulba, foi recebido pelo presidente Sadat no Palácio Tahira, nos subúrbios do Cairo. Antes de se dirigirem à biblioteca, no terceiro andar do Palácio onde conferenciaram durante três horas, os dois estadistas posaram para os fotógrafos. A possibilidade de um novo encontro, previsto inicialmente para o final da tarde, foi descartada pelos porta-vozes oficiais egípcios e norte-americanos, o que, segundo observadores, poderia ser interpretado como indício de que os dois lados teriam aberto possibilidades de se chegar a um acordo mais amplo através das consultas que o secretário de Estado norte-americano realizaria em outras capitais árabes e das conversações que o subsecretário de Estado Josef Sisco mantinha com os dirigentes israelenses.

Após a reunião, Sadat e Kissinger concederam entrevista coletiva aos jornalistas nos jardins do Palácio. A primeira indicação sobre as conversações veio de Kissinger. Acho que estamos avançando para conseguir a paz – afirmou. O presidente Sadat revelou-se muito satisfeito com os resultados da reunião, que descreveu como “proveitosa e construtiva”. Depois, dirigiu-se em árabe aos jornalistas egípcios e disse que durante o encontro foram discutidos todos os problemas entre os dois países e os conflitos do Oriente Médio.

Dentre os objetivos a serem alcançados durante as conversações realizadas no Cairo entre Kissinger e Sadat, destacavam-se os seguintes: estabilizar o cessar-fogo e evitar o reinício das hostilidades; obter concessões árabes e israelenses para possibilitar o prosseguimento das negociações diplomáticas até que se chegasse a um acordo definitivo; aplicação imediata das três resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre o cessar-fogo; retirada israelense para as linhas ocupadas por suas forças antes do início da trégua, como primeiro passo para a retirada definitiva dos territórios conquistados em 1967.

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6 de novembro de 1974 – Decretado estado de sítio na Argentina



Depois de duas reuniões da presidente da Argentina Maria Estela Martinez de Peron com seu gabinete e chefes militares, a Argentina entrou em estado de sítio, a pedido da organização peronista denominada Junta de Autodefesa Justicialista, que também reivindicou a criação de um tribunal militar para julgar os grupos de extrema esquerda responsáveis pelos atos de terrorismo contra líderes políticos e sindicais de direita. Em telegrama enviado à presidente, a organização disse interpretar “o desejo da imensa maioria do povo argentino”, conclamando que a Justiça assumisse a responsabilidade de defender a pátria contra os grupos terroristas. O anúncio do estabelecimento do estado de exceção foi feito pelo Ministro do Interior Alberto Rocamora em um momento no qual a Argentina vivia um clima de angústia generalizada pelas ameaças terroristas, tanto de esquerda quanto de direita, que passou a pesar até sobre crianças, com a multiplicação de sequestros e, inclusive, maus tratos contra meninas de menos de 10 anos de idade.

Na fundamentação do decreto de estado de sítio, o governo assinalou que era preciso “erradicar com toda a energia expressões de uma selvageria que se desencadeou sob a forma de um plano terrorista criminosos contra toda a nação”. Já Maria Estela de Peron afirmou ter decretado a medida “atendendo ao dever essencial do estado nacional argentino de preservar a vida, a tranquilidade e o bem-estar de todos os lares”. O estado de sítio foi decretado durante o recesso do Parlamento, o que dispensou sua aprovação pelo Poder Legislativo. Estabelecido por tempo indeterminado, o estado de sítio suspendeu as garantias individuais, permitindo ao governo inclusive confinar e deportar pessoas acusadas de praticar atos terroristas. Esta foi a primeira vez que o governo civil restabelecido em maio de 1973 no país lançou mão de uma medida desta natureza pressionado pela onda de violência que deixou um saldo de 178 assassinados políticos até então.

Em desafio à ordem vigente no país, professores e funcionários da Universidade de Buenos Aires, a maior da Argentina, mantiveram a convocação de greve em protesto contra aquilo que consideraram “uma falta de diálogo” entre o interventor nomeado pelo governo para a instituição e contra as demissões em massa aplicadas desde o início da intervenção.

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5 de novembro de 1982 - Abertas as comportas da Usina de Itaipu



Mais de cinco mil pessoas compareceram às arquibancadas montadas nas duas margens do Rio Paraná, no canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de Itaipu Binacional, para assistir à inauguração oficial das obras civis da barragem, com a presença dos presidentes do Brasil, João Figueiredo, e do Paraguai, Alfredo Stroessner. A usina foi construída pelos dois países em Foz do Iguaçu, num trecho de fronteira entre o Brasil e o Paraguai A grande estreia da tarde foi a abertura de uma só vez das 14 comportas do vertedouro da usina que, em 30 minutos formaram, no chamado Trampolim, uma gigantesca onda que somada à insistente chuva - encharcou o público, acabando por afugentá-lo.

O início das solenidades deu-se às 11h da manhã, quando o presidente João Figueiredo, acompanhado de sua comitiva, se encontrou pela primeira vez com o presidente Alfredo Stroessner e sua comitiva, na crista da barragem. Após as saudações de praxe, os apertos de mãos, o abraço dos Chefes de Estado e a execução dos hinos nacionais, os dois presidentes passaram em revista as tropas paraguaias ao som da Banda do Colégio Militar Francisco Solano Lopes e de tiros de canhão, tendo ao fundo o canteiro de obras de Itaipu e o vertedouro.



Nesse momento, as arquibancadas na margem brasileira - com 3 mil lugares - e na margem paraguaia - com 2 mil - já estavam preenchidas. Às 11h e 15 minutos os dois presidentes e suas comitivas saíram para o lado paraguaio. Quando se iniciaram os discursos, a chuva aumentou e, às 12h5min, com Figueiredo e Stroessner acionando uma alavanca, as 14 comportas do vertedouro começaram a ser levantadas. Lentamente, uma tímida lâmina d'água escorreu pelas quatro calhas centrais do vertedouro, formando, na sua ponta, uma cascata. Logo depois, das seis comportas da calha esquerda, começou a escorrer o Rio Paraná e, em seguida, das quatro comportas da calha direita. Em potentes alto-falantes, a Empresa Brasileira de Notícias (EBN) e uma cadeia oficial de rádios paraguaias, comandada pela Rádio Nacional, informavam que o vertedouro tinha a função de extravasar as águas não utilizadas pelas turbinas, de regular a vazão do Rio Paraná abaixo da represa e evitar um enchimento demasiado do reservatório, em caso de enchentes.

Importância continental
Durante seu discurso de inauguração da hidrelétrica de Itaipu, o presidente João Figueiredo disse que a solenidade possuía o sentido de "reafirmar a confiança no valor do esforço humano para superar dificuldades passageiras e perseguir um futuro de progresso e prosperidade". Além disso, o presidente afirmou que a construção de Itaipu constituía não apenas um grande momento nas relações entre o Brasil e o Paraguai, mas que sua importância transcendia o âmbito dos dois países para adquirir uma projeção continental. Já o presidente do Paraguai, Alfredo Stroessner, disse que o empreendimento possibilitava aos dois países adquirir valiosos conhecimentos científicos e tecnológicos, e que as obras abririam para o Paraguai "as portas de um luminoso futuro, com imensas oportunidades para acelerar seu desenvolvimento".

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4 de novembro de 1969 – Carlos Marighella é morto em emboscada



O ex-deputado comunista e guerrilheiro Carlos Marighella foi morto pela polícia com uma rajada de metralhadora, em São Paulo, quando tentava entrar num Volkswagem azul, na esquina das Alamedas Lorena e Casa Branca, onde se encontraria com dois padres presos que serviam de isca aos policiais. De acordo com a versão das autoridades, Carlos Marighella, que chegara ao local numa camioneta Willys, não atendeu à voz de prisão que lhe deu o delegado Fleury, do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), e foi atingido por uma rajada no peito e na cabeça, enquanto seus dois companheiros reagiram aos tiros, matando a investigadora Estela de Barros Borges, que participava da operação.

A polícia havia descoberto a maneira de encontrar Carlos Marighela quando, dias antes, havia prendido 11 padres, num convento do bairro do Paraíso, que seriam associados ao guerrilheiro. Dois deles colaboraram então com a polícia na prisão de Marighela, marcando um encontro com o guerrilheiro sob a justificativa de tratar de alguma ação subversiva, e agachando-se na parte de trás do Volkswagem quando o terrorista foi atingido pela rajada de metralhadora. O local do encontro era vigiado pelo DOPS e pela Polícia Federal, com seus agentes disfarçados de casais espalhados pela região.

Ao atravessar a rua, Marighella ouviu o delegado Fleury gritar: “Pare ou atiro”. O ex-deputado teria então corrido para o Volkswagen, e já tinha conseguido entrar quando foi atingido por vários tiros no tórax e um na cabeça, caindo deitado no assento traseiro do carro. Os dois companheiros do ex-deputado reagiram aos tiros, baleando uma investigadora e o delegado Rubens Tucunduva, do DOPS, que foi atingido de raspão. Ao entrar no carro, Marighella levava uma maleta preta com várias armas, mas não teve tempo de usá-las. O vidro da frente do carro foi perfurado por cinco tiros e a caminhoneta onde estavam os outros dois terroristas também ficou estilhaçada.

Inimigo do regime militar
Carlos Marighella nasceu no dia 5 de dezembro de 1911, em Salvador, Bahia, e foi um dos principais organizadores da luta armada para a criação de um estado socialista no Brasil. Em 1929, começou a cursar engenharia civil na Escola Politécnica da Bahia e a se interessar por política, entrando para o Partido Comunista Brasileiro (PCB). Em 1936, abandonou o curso e passou a dedicar-se inteiramente ao ativismo político. Durante sua vida, Marighella foi preso e libertado várias vezes a medida que o PCB se tornava ilegal. Em 1967, começou a discordar com as teses de seus companheiros comunistas, aderindo às idéias de focos insurrecionais e de guerrilhas defendidas por Régis Debray e Che Guevara. Marighella foi então expulso do PCB e fundou o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), tornando-se um dos principais inimigos do regime militar brasileiro.

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3 de novembro de 1976 – Jimmy Carter é o presidente dos EUA



A vitória do democrata James Earl “Jimmy” Carter Jr. sobre o republicano Gerald Ford foi constatada às 4h57m (horário de Brasília), mas somente duas horas depois Carter levantou-se do sofá no Hotel Omni International, onde acompanhava a apuração pela televisão, para ir fazer o brinde do triunfo no Palácio das Exposições de Atlanta, onde foi ovacionado por milhares de partidários que permaneceram em vigília no salão durante toda a noite e madrugada.

- Não temo minhas responsabilidades de presidente porque minha força provém de vocês, o povo norte-americano – afirmou Jimmy Carter, com um semblante calmo, mesmo após ser eleito presidente dos EUA.

Depois de descrever seu adversário Gerald Ford como “um homem bom e decente” e “o mais difícil adversário que alguém já teve”, Jimmy Carter prometeu que seus eleitores não se frustrariam, e os convidou a trabalharem todos juntos para devolver aos EUA “o lugar que merecem”. O novo presidente ainda declarou esperar que seu governo fosse “o melhor da história do país”, acrescentando que era chegada a hora de explodir o romantismo e sentimento de fraternidade para unificar os EUA.



- Vocês estão orgulhosos de nossa nação? Pensam que podemos ajudar a unificá-la? Pensam que podemos colocar no trabalho, novamente, nosso povo? É o melhor que posso fazer neste período de transição para aprender como teremos um objetivo, um sentido de que o governo pertence a todos – disse.

Ao finalizar seu discurso, Carter voltou imediatamente a sua casa em Plains, aonde chegou às 7h, deixando pela primeira vez entrever seu estado de esgotamento.

Em seu editorial, o New York Times disse que a eleição de Carter para a presidência representava “um marco na história político norte-americana, um ato de fé por parte do eleitor norte-americano” e uma indicação de que o eleitorado estava buscando “um futuro ativista ao invés de um passado estagnado”. O jornal ainda destacou que Carter representava um desafio genuíno a várias medidas da então atual administração, além de ter ficado patente que os norte-americanos se opuseram a elas.



Para a vitória democrata foi decisivo o apoio do Sul dos EUA, que votou em peso no ex-governador da Geórgia, e dos eleitores mais pobres, menos educados e dos negros.

Defensor da paz e dos direitos humanos
Jimmy Carter nasceu em 1 de outubro de 1924, em Plains, Geórgia, numa família batista plantadora de amendoins. Em 1962, Carter entrou para a política e, em 1970, foi eleito governador do estado. Durante seu governo, enfatizou a ecologia, a eficiência na administração pública e a remoção de barreiras raciais. Sua candidatura à presidência foi anunciada em dezembro de 1974. Seu governo (1977-1981) ficou conhecido pela defesa dos direitos humanos e pelas tentativas de encontrar resoluções pacíficas para conflitos mundiais. Nesse sentido, o acordo de Camp David, intermediado por Carter em 1978, é icônico, já que ajudou a promover a paz entre o Egito e Israel. Carter também foi o responsável por ratificar os tratados do Canal do Panamá e estabelecer relações diplomáticas plenas com a República Popular da China e finalizar a negociação do tratado de limitação nuclear Salt 2 com a União Soviética

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2 de novembro de 1998 – O samba perde sua pérola negra



A dama do samba Jovelina Pérola Negra, 54 anos, morreu no começo da madrugada, de enfarte, enquanto dormia em sua casa, no bairro da Pechincha, em Jacarepaguá. Além de discos gravados e sambas compostos, deixou três filhos – José Renato (30) e Cassiana (24), que teve com Nilton dos Santos, e Clayton (10), que adotou – e dois netos. O enterro de Joselina foi realizado ainda no dia de sua morte, às 17h, no Cemitério da Pechincha. Cerca de 300 pessoas compareceram ao sepultamento, entre as quais a então vice-governadora Benedita da Silva, o vereador Antônio Pitanga, os sambistas Bete Carvalho, Neguinho da Beija-Flor e Arlindo Cruz, e o ator Jorge Lafond. O corpo da cantora foi enterrado em clima de pagode, com familiares e populares cantando os maiores sucessos de sua carreira.

– Ela era uma pessoa maravilhosa, amiga. Conhecia-a desde quando ela trabalhava como doméstica no Leme. Ela é uma pérola, um orgulho – disse Benedita, que lembrou ter encontrado com Jovelina pela última vez em um showmício na Zona Oeste.

A pérola negra do samba brasileiro nasceu Jovelina Faria Belfort, em Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro, mas morou em Belford Roxo e em Madureira, onde se fez imperiana: anos a fio desfilou na Ala das Baianas do Império Serrano e, já reconhecida no meio artístico, era, ao lado de Roberto Ribeiro, Jorginho do Império e outros nomes de peso da escola da Serrinha, atração no Botequim do Império, um show na quadra da escola, durante os ensaios, para aumentar a caixa que financiaria os desfiles.

Considerada herdeira natural de Clementina de Jesus na dinastia das grandes vozes femininas do samba, Jovelina foi uma das peças mais importantes na condução do samba de fundo de quintal e do pagode para a linha de frente da MPB. Suas características mais marcantes eram sua voz rouca, forte, amarfanhada, de tom popular e força batente.

Como é comum entre os artistas vindos do povo, Jovelina estreou na música tardiamente, em 1985, quando já tinha 40 anos, com sua participação em três faixas da coletânea Raça Brasileira. No ano seguinte a cantora gravava seu primeiro disco solo, incluindo, a despeito das pressões tácitas e explícitas do mercado, compositores como Nei Lopes e Monarco, de compromissos exclusivamente artísticos. A ele seguiram-se mais cinco discos até o ano de sua morte, entre eles Sorriso Aberto (1988), Sangue Bom (1991), Vou da Fé (1993), conquistando um Disco de Platina e ficando imortalizada por grandes sucessos como Feirinha de Pavuna¸Bagaço de Laranja (gravado com Zeca Pagodinho), Luz do Repente, No Mesmo Manto e Garota Zona Sul, entre outros.

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1 de novembro de 1963 – Golpe derruba o governo do Vietname do Sul



Uma junta de 14 generais assumiu o controle do Vietname do Sul após horas de violentos combates nas ruas de Saigon, os quais culminaram na deposição do presidente Ngu Dinh Diem e o assassinato de seu irmão, Ngo Dinh Nhu, ex-chefe da Polícia de Segurança e principal perseguidor dos budistas. A junta, chefiada pelo general Duong Van Minh, decretou a lei marcial e pôs em liberdade os budistas e estudantes que se encontravam nas prisões.

O presidente norte-americano John Kennedy foi acordado às três horas da manhã com a informação do golpe e imediatamente convocou à Casa Branca o secretário de Estado e seus principais assessores, determinando, ao fim da reunião, que a Sétima Esquadra norte-americana do Pacífico se dirigisse com urgência às proximidades do Vietnam do Sul para qualquer eventualidade. Também foram postas em estado de emergência as unidades do comando de transporte da Força Aérea baseadas nas Filipinas e em Okinawa.

As primeiras informações sobre o levante foram divulgadas por fontes militares norte-americanas em Tóquio e Bancoc, capital da Tailândia. Posteriormente, a emissora de Saigon, ocupada pelos revoltosos, informou que após o quartel-general da Marinha ter sido bombardeado e o Palácio Presidencial cercado, o general Duong Van Minh ordenou o cessar-fogo e intimou todos os ministros do governo de Dinh Diem a se apresentarem antes da meia-noite, sob pena de serem presos e fuzilados. Segundo uma emissão da rádio de Saigon, pouco antes de bombardearem o Palácio Presidencial, os líderes da revolta enviaram um ultimato ao presidente Diem e a seu irmão Nhu para que anunciassem ao povo suas demissões. O comando rebelde ainda emitiu vários apelos por rádio incitando o povo vietnamita a cooperar com o novo regime na luta contra o comunismo. Os apelos rebeldes foram assinados pela maioria dos generais e oficiais de Saigon.

O golpe foi iniciado por uma unidade da Marinha, um grupo de paraquesdistas e a Sétima Divisão do Exército, que estavam aquartelados nas proximidades de Saigon e entraram ao meio-dia na capital. O quartel-general do governo, um dos primeiros objetivos dos rebeldes, foi bombardeado por seus aviões, um dos quais foi abatido pela defesa antiaérea. As unidades navais sul-vietnamitas que não participaram do golpe renderam-se aos rebeldes.

Um país dividido
Em 21 de julho de 1954, na Conferência de Genebra para o Armistício na Indochina, decidiu-se, entre outras medidas, dividir o Vietname em duas partes: o Vietname do Norte, que passou a ser governado pelo regime comunista do Vietminh, e o Vietname do Sul, que permaneceu nas mãos do antigo governo do país. Em 22 de outubro de 1955, a República do Vietname do Sul foi proclamada em Saigon, logo após Bao Daí ter sido deposto e Ngo Diem Nhu ser eleito presidente do país. Em 26 de outubro de 1956, entra em vigor uma nova constituição que fortalece o poder do Executivo e, em última análise, confere poderes ditadoriais ao presidente, dando início ao governo da família Diem. Após o golpe de 1963, os militares alteraram o sistema político do país para o parlamentarismo, mas não conseguiram estabilizar os conflitos internos do Vietname do Sul, e nem as tensões com os paises vizinhos que ocorriam no contexto da Guerra Fria, de maneira que o país permaneceu em guerra até 1975, quando houve a reunificação do Vietname.

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