31 de dezembro de 1999 – Estados Unidos transferem o controle do Canal do Panamá ao governo panamenho.

Tiros de canhão, fogos de artifício e sobretudo manifestações espontâneas do povo nas ruas marcaram a transferência do Canal do Panamá, dos Estados Unidos, que o administravam desde a abertura em 1914, para o governo panamenho. O ato foi formalizado pelo embaixador americano, Simón Ferro, e a presidenta do Panamá, Mireya Moscoso, na noite do dia 31.
A devolução do Canal do Panamá foi uma decisão estabelecida anteriormente, em um tratado assinado em 1977, pelo líder nacionalista panamenho Omar Torrijos e o então presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter. O acordo previa uma transferência gradual do controle do Canal dos norte-americanos para os panamenhos, o que acabou só se concretizando 22 anos mais tarde, com a retirada das 22 últimas bases militares norte-americanas da região
O domínio político e econômico norte-americano sobre o Panamá existe desde a independência do país caribenho. Em 1903, os Estados Unidos estimularam o Panamá a se separar da Colômbia e enviaram navios de guerra como demonstração de força, abrindo caminho para a construção do canal de que tanto necessitavam para se tornarem uma potência naval em dois oceanos.
A defesa do Canal tornou-se uma prioridade da ascendente potência norte-americana, e um pretexto para invadir países caribenhos e centro-americanos. O Haiti e a República Dominicana foram os primeiros a serem dominados, sob alegação de uma possível invasão alemã na região. A ocupação dos Estados Unidos nestes paises teve como conseqüência posterior a instauração de ditaduras militares em meados do século passado.
Durante a Guerra Fria, as bases americanas serviram para conter a ameaça do comunismo no hemisfério, e treinar oficiais nas formas de combater a subversão esquerdista. Em 1947, o Exército dos Estados Unidos criou na região caribenha a Escola das Américas, um centro de treinamento militar para oficiais latino-americanos, que ensinava também técnicas de tortura. Manuel Noriega, ex-ditador panamenho que governou na década de 80, foi um dos estudantes da academia.
Com o ruir dos governos totalitários na América Latina, o Canal do Panamá passou a ser utilizado pelos norte-americanos como um quartel-general cuja missão era coibir o narcotráfico latino-americano, principalmente na Colômbia. Hoje, após a devolução do Canal e a retirada militar dos Estados Unidos, Guantánamo, em Cuba, remanesceu como única base da potência do norte na América Central.








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