Arquivo de December 2009

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31 de dezembro de 1999 – Estados Unidos transferem o controle do Canal do Panamá ao governo panamenho.




Tiros de canhão, fogos de artifício e sobretudo manifestações espontâneas do povo nas ruas marcaram a transferência do Canal do Panamá, dos Estados Unidos, que o administravam desde a abertura em 1914, para o governo panamenho. O ato foi formalizado pelo embaixador americano, Simón Ferro, e a presidenta do Panamá, Mireya Moscoso, na noite do dia 31.



A devolução do Canal do Panamá foi uma decisão estabelecida anteriormente, em um tratado assinado em 1977, pelo líder nacionalista panamenho Omar Torrijos e o então presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter. O acordo previa uma transferência gradual do controle do Canal dos norte-americanos para os panamenhos, o que acabou só se concretizando 22 anos mais tarde, com a retirada das 22 últimas bases militares norte-americanas da região



O domínio político e econômico norte-americano sobre o Panamá existe desde a independência do país caribenho. Em 1903, os Estados Unidos estimularam o Panamá a se separar da Colômbia e enviaram navios de guerra como demonstração de força, abrindo caminho para a construção do canal de que tanto necessitavam para se tornarem uma potência naval em dois oceanos.



A defesa do Canal tornou-se uma prioridade da ascendente potência norte-americana, e um pretexto para invadir países caribenhos e centro-americanos. O Haiti e a República Dominicana foram os primeiros a serem dominados, sob alegação de uma possível invasão alemã na região. A ocupação dos Estados Unidos nestes paises teve como conseqüência posterior a instauração de ditaduras militares em meados do século passado.



Durante a Guerra Fria, as bases americanas serviram para conter a ameaça do comunismo no hemisfério, e treinar oficiais nas formas de combater a subversão esquerdista. Em 1947, o Exército dos Estados Unidos criou na região caribenha a Escola das Américas, um centro de treinamento militar para oficiais latino-americanos, que ensinava também técnicas de tortura. Manuel Noriega, ex-ditador panamenho que governou na década de 80, foi um dos estudantes da academia.



Com o ruir dos governos totalitários na América Latina, o Canal do Panamá passou a ser utilizado pelos norte-americanos como um quartel-general cuja missão era coibir o narcotráfico latino-americano, principalmente na Colômbia. Hoje, após a devolução do Canal e a retirada militar dos Estados Unidos, Guantánamo, em Cuba, remanesceu como única base da potência do norte na América Central.

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30 de dezembro de 1972 - Um Ano Novo de paz no Vietname



O presidente dos Estados Unidos Richard Nixon ordenou a suspensão dos bombardeios aéreos contra o Vietname do Norte acima do paralelo 20, e anunciou que as negociações de paz seriam reiniciadas no dia 8 de janeiro, em Paris.

O assessor de imprensa da Casa Branca Gerald Warren explicou que as negociações para a assinatura do acordo de paz seriam conduzidas por Henry Kissinger, representando os Estados Unidos, e por Le Due Tho e Xuan Thuy, no lado norte-vietnamita. As discussões técnicas entre os delegados dos dois países recomeçariam em 2 de janeiro, também na capital francesa.

Warren esclareceu que a suspensão dos bombardeios sobre as áreas de Hanói e Haiphong continuaria em vigor enquanto os Estados Unidos considerassem que o Vietname do Norte negociava seriamente. O assessor da Casa Branca revelou também que Nixon e Kissinger se mantinham em contato diário por telefone enquanto o primeiro passava as festas de fim de ano em Camp David, Maryland, e o segundo em Palm Springs, na Califórnia.

Quando perguntado se a suspensão dos bombardeios, especialmente os da zona de Hanói - Haiphong entraria imediatamente em vigor, o porta-voz da Casa Branca respondeu: "isto não posso dizer, não". Mas acrescentou: "a ordem foi dada".





Um porta-voz do ministério das Relações Exteriores do Vietname do Sul informou que o presidente Van Thieu decretou uma trégua de 24 horas para o Ano Novo. A suspensão das hostilidades por parte das tropas sul-vietnamitas começaria no dia 31 de dezembro e terminaria em primeiro de janeiro, sempre à meia-noite.

Os observadores polí­ticos de Washington ressaltaram que Nixon decidiu-se pelo caminho da negociação e moderar a ação da sua aviação depois que inúmeros governos estrangeiros protestaram contra o endurecimento brusco da polí­tica estadunense no Vietname. Inúmeros senadores e integrantes da Câmara de Representantes tinham também protestado, com idêntica energia, contra os bombardeiros a Hanói e Haiphong. Os ataques aéreos contra as posições inimigas haviam sido reiniciados no dia 18 de dezembro, depois que, segundo a Casa Branca, “as negociaçõess tinham fracassado".

Os representantes de Hanoy e do Vietcong nas conversações de paz reagiram à ordem de suspensão dos bombardeios aéreos dada pelo presidente Nixon exigindo que os EUA assinassem imediatamente o acordo de armistício negociado no dia 20 de outubro.

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29 de dezembro de 1996 – Paz na Guatemala




Pela primeira vez em 42 anos, os dirigentes civis guatematelcos eleitos tiveram autoridade sobre os generais conservadores e assinaram um acordo de paz que pôs fim à guerra civil da Guatemala, até então a última e mais prolongada guerra civil na América Central: o Acordo Final de Paz, entre o governo e a Unidade Revolucionária da Guatemala (URNG). A transferência da autoridade para o presidente Álvaro Arzú marcou um momento decisivo para a paz em um país onde generais eram os verdadeiros governantes, seja abertamente, através de ditaduras militares, seja puxando discretamente os cordões atrás do governo.


Desde que havia assumido o governo em janeiro, Arzú conseguiu o impossível: fazer os militares voltarem aos quartéis – afastando generais de altos postos e substituindo-os por oficiais mais jovens e sintonizados com a democracia – e se reunir com os líderes rebeldes . O fato de ter conseguido isso em apenas dez meses mostrou como a dinâmica política havia mudado na América Central, outrora linha de frente da Guerra Fria, e como os cerca de 10,7 milhões de guatemaltecos estavam exaustos da guerra. Em março, Arzú ordenou que o exército pusesse fim às operações de contra-insurreição, e o cessar-fogo completo se manteve por cerca de nove meses.


O então ministro da Defesa, Julio Balconi, declarou em entrevista no início do ano que o Exército acreditava que as mudanças trazidas por Arzú eram necessárias. “O Exército deve estar preparado para defender seu país, para cumprir a missão especial de proteger a soberania e a integridade do seu território”. Mais do que operações de segurança interna, disse Balconi, “esta será a missão fundamental do Exército no futuro”.


A Guatemala esteve sob controle militar contínuo desde 1954, quando a CIA patrocinou um golpe que derrubou o governo de Jacobo Arbenz, eleito pelo povo. Seis anos depois, começou a guerra de guerrilha. Mesmo depois que as eleições restauraram a liderança civil em 1985, a classe militar ainda mandava por trás do pano, e o presidente e o congresso faziam a vontade dos generais.


A guerra civil na Guatemala deixou mais de 200.000 órfãos e 80.000 viúvas, e deslocou de suas casas mais de um milhão de pessoas. A maioria das vítimas pertencia a grupos indígenas, descendentes dos maias, que constituem cerca de 60% da população.

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28 de dezembro de 1989 – Vaclav Havel é o novo presidente da Tchecoslováquia

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O teatrólogo e líder oposicionista Vaclav Havel foi eleito presidente da Tchecoslováquia pelo parlamento. Ele foi o primeiro presidente não-comunista do país desde 1948, e governaria por seis meses, até as eleições gerais. Havel era candidato único e foi eleito pelos 323 deputados presentes à sessão. Quem anunciou a vitória foi o presidente do parlamento, Alexander Dubcek, líder da Primavera de Praga, o movimento que tentou democratizar o socialismo na Tchecoslováquia e terminou esmagado pelos tanques soviéticos em 1968.



Vaclav Havel era o principal dirigente do Forum Cívico, movimento que liderou os protestos massivos dos meses anteriories à eleição, exigindo democracia e a libertação dos países da Europa Oriental da hegemonia soviética. Essas pressões forçaram o Partido Comunista a selar um acordo com a oposição, o que permitiu a eleição de Havel. Um dos deputados que votou por Havel foi o ex-primeiro-ministro Ladislav Adamec, que havia poucos meses classificava o dramaturgo como “um zero à esquerda”. “Os tempos mudaram”, afirmou Adamec justificando seu voto.



No início da semana da eleição, o parlamento tchecoslovaco empossou 24 novos membros para substituir deputados comunistas que haviam renunciado anteriormente. A maioria dos novos representantes era oposicionista, entre eles Havel e Dubcek. Os deputados também retiraram do juramento presidencial o trecho em que o presidente se comprometia a “servir a causa do socialismo”. “Juro por minha honra e consciência e lealdade à República Socialista da Tchecoslováquia”, disse Havel. Sua faixa presidencial estampava o lema “A verdade prevalecerá”, adotado por Thomas Masaryk, o primeiro presidente do país.



Havel voltou-se então para o primeiro-ministro Marian Calfa e disse: “Espero ser o presidente do entendimento”. Calfa, que pertence ao PC, respondeu: “Havel é um cidadãos com a maior autoridade no cenário internacional”. O juramento foi feito no salão do castelo de Hradcany, construído em 1502, onde os reis da antiga Boêmia eram coroados. Na parede havia uma grande bandeira azul, branca e vermelha, as cores do país.



Depois do juramento e de uma salva de 20 tiros de canhão, Havel, sua mulher Olga, e Alexander Dubcek saíram ao balcão, para falar a cerca de 20 mil pessoas que gritavam “Longa vida a Havel”. “Queridos amigos. Agredeço seu apoio e prometo não fraudar sua confiança e conduzir este país a eleições livres”, disse Havel. À noite, foi realizada uma grande festa em Praga para celebrar a eleição de Havel.

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27 de dezembro de 1994 – Naji Nahas é condenado pela quebra da Bolsa do Rio



Em 1994, de acordo com o segundo presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a justiça brasileira condenou o megaespeculador brasileiro / libanês Naji Robert Nahas à maior pena já aplicada em toda a história do mercado de ações: foi determinado que o empresário, condenado por manipulação e criação de condições artificiais de mercado, pagasse a multa de R$ 10.271.796,49 – o equivalente a 10% do valor das operações irregulares realizadas por ele em 1989, e que foram responsáveis pela quebra da bolsa de valores do Rio de Janeiro no mesmo ano. As empresas de Nahas, a Selecta Comércio e Indústria, Selecta Participação e Serviços, e a Cobrasol também foram multadas cada qual em 6.920 Ufir (R$ 4.578,00, na época).

Elmo Camões Filho, o Elminho, filho do ex-presidente do Banco Central Elmo de Araújo Camões, recebeu a segunda maior penalidade: uma multa de R$ 2.278.458,00 – 8% das operações de manipulação. De 55 indiciados, 29 foram condenados e 26 absolvidos.

Em 1989, Nahas e seus laranjas (que operavam em seu nome) obtinham financiamentos informais de bancos e corretoras, para aumentar as compras de ações no mercado à vista e, com isso, o preço dos papéis. Apostando na posição de comprado no mercado de opções, Nahas obrigaria os vendidos, cobertos ou a descobertos (que não tinham os papéis) a comprarem as ações para lhe entregar. Possuidor de grande quantidade de papéis, realizava a venda através de intermediários e acabava por recebê-los de volta. E isso, sem entrar com nenhum dinheiro. Na época, as bolsas liquidavam os negócios em cinco dias. Montou-se, então, uma pirâmide, que ruiu quando o então presidente da Bolsa de Valores de São Paulo, Eduardo Rocha Azevedo, convenceu financiadores de que Nahas iria quebrar, cortando seu fluxo de dinheiro e provocando uma quebradeira em cadeia.

Em nota distribuída à imprensa, os advogados de Nahas e seu grupo, Pedro Lazzareschi, afirmou que não existiam provas de que os preços das ações tenham subido em 1989 apenas pela atuação do gurpo, garantindo que iria recorrer da decisão. Em 2004 Nahas foi inocentado das acusação de ter sido o responsável pela quebra da Bolsa de Valores do Rio, em 1989, mas foi preso em 8 de julho de 2008 na operação Satiagraha, que investigou desdobramentos do caso mensalão.

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26 de dezembro de 1972 – EUA perdem o ex-presidente Harry S. Truman

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Depois de resistir durante 23 dias internado em um hospital de Kansas City, o ex-presidente norte-americano Harry S. Truman faleceu, aos 88 anos. A declaração médica oficial disse que a causa da morte do 33º presidente dos EUA foi “um complexo de falhas orgânicas provocando um colapso no sistema cardio-vascular”.



O presidente Richard Nixon decretou luto nacional nos EUA no dia do funeral de Truman, estabelencendo que todas as bandeiras dos edifícios federais fossem içadas a meio mastro durante 30 dias, a partir do dia 28. Um porta-voz da Casa Branca disse que o presidente Nixon conversou pela última vez com Truman, por telefone, no dia 6 de julho, ligando para a cidade do ex-presidente, Independence, Missouri.



Internado no hospital por causa de uma congestão pulmonar, Truman lutou contra a morte dando mostras de invulgar resistência, conseguindo por diversas vezes superar as crises que o colocavam na lista de pacientes de risco. Seu estado de saúde começou a piorar quando as complicações pulmonares vieram somar-se a insuficiências cardíacas e circulatórias, e, por último, renais. Na última quinta-feira antes de seu falecimento, os médicos haviam iniciado um tratamento novo e raro: alimentação mediante a injeção direta de aminoácidos no sistema sanguíneo, métodos que evita que as proteínas passem pelos rins, incapazes de eliminar substâncias tóxicas. No entanto, dois dias depois, Truman entrou em coma total, não mais se recuperando.



Conforme o desejo do ex-presidente, seu corpo foi sepultado no lugar em que mais gostava: o jardim ao lado da biblioteca de sua casa em Independence, cidade em que nasceu. Truman ajudou a planejar seu próprio funeral, pois, como ex-presidente, sabia que seu enterro não era uma questão apenas nacional, mas de repercussão mundial, e receberia honras de Estado. Procurado por autoridades para discutir o assunto, o ex-presidente deixou claro que não queria ser levado a Washington para a tradicional vigília oficial no Capitólio, nem ser sepultado no Cemitério Nacional de Arlington. Sentado junto à janela em sua biblioteca, Truman teria fixado olhar no jardim ao lado e dito: “Gostaria de ser sepultado lá fora. Quero ficar ali, e então poderei levantar-me e caminhar até aqui quando quiser”.



O presidente brasileiro Emílio Garrastazu Médici enviou uma mensagem ao chefe de governo dos EUA, Richard Nixon, transmitindo o pesar do governo e do povo brasileiro pela morte de Truman. Em sua mensagem, disse: “Em nome do povo brasileiro e no meu próprio, apresento a Vossa Excelência sinceras condolências pelo falecimento do ex-presidente Harry S. Truman”.



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O governante autodidata

Filho de um pequeno agricultor de Lamar, Missouri, Harry S. Truman, nasceu em 8 de maio de 1884 e, ao contrário da maioria dos presidentes norte-americanos do século XX, foi um self-made man, seguindo a mais valorizada tradição nacional, celebrada por escritores como Jack London e Mark Twain. Quando criança, seu futuro não parecia estender-se muito além dos limites acanhados da fazenda, mas sua ambição lhe garantiu mais na vida do que apenas cuidar de vacas e celeiros: ainda jovem empregou-se como vendedor de uma firma em Independence e, com o dinheiro ganho, pagou seus estudos.



Ex-combatente na Primeira Guerra Mundial, Truman entrou para o Partido Democrata, em 1922, tendo sido eleito senador em 1934 e 1940. Em 1944, concorreu à eleição como vice-presidente com Franklin D. Roosevelt, sendo eleito em 7 de novembro. Em 12 de abril de 1945, com a morte de Roosevelt, Truman assumiu o cargo de líder supremo dos EUA, em plena Segunda Guerra Mundial, tendo participado da Conferência de Potsdam, com Josef Stalin e Winston Churchill, em 1945, e tendo sido um dos responsáveis pelo lançamento das bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki. Também foi sua a criação da agência de inteligência norte-americana (CIA), em 1947. No ano seguinte, foi reeleito presidente e tornou-se peça chave no início da Guerra Fria, combatendo o comunismo em seu próprio país e fazendo frente à “cortina de ferro” da URSS.

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25 de dezembro de 1983 – No Natal, João Paulo II reza pelos famintos





Ao proferir a sua tradicional mensagem Urbi et Orbi (Para a Cidade e o Mundo) de fim de ano, o Papa João Paulo II, diante de uma multidão de 80 mil fiéis que enchia a Praça de São Pedro, no Vaticano, fez um apelo para que o dinheiro até então gasto em armas fosse usado para a erradicação da invisível dor da fome” no mundo. Além disso, o papa desejou feliz natal em 44 idiomas, entre eles latim, chinês, hindu, árabe e a maioria das línguas faladas na União Soviética e Europa Oriental.

Falando em forma de oração, João Paulo II pediu a Deus para olhar “para os homens e mulheres que estão morrendo de fome, enquanto enormes somas são gastas em armamentos”.

- Olhai para a invisível dor de pais testemunhando a agonia de seus filhos, implorando pelo pão que eles não têm, mas que poderia ser obtido com uma pequena parte do dinheiro despejado nos sofisticados meios de destruição – afirmou.

O pontífice disse que os arsenais modernos “tornam ainda mais ameaçadoras as nuvens que se acumulam no horizonte da humanidade”. Acrescentou que o grito de paz levantado pelos povos martirizados pela guerra é um apelo a toda a humanidade para que procure soluções justas para os conflitos, através do diálogo e da negociação.

A benção papal concede uma indulgência especial aos católicos que a recebem, pessoalmente ou através do rádio e da televisão. A cerimônia foi transmitida pela televisão para mais de 30 países da Europa, América Latina, África e Ásia, mas, a exemplo dos quatro anos anteriores, não foi retransmitida na Polônia ou qualquer outro país comunista. A Urbi et Orb foi a terceira mensagem do papa em favor do desarmamento feita em apenas uma semana. Na sexta-feira anterior, João Paulo II já havia oferecido ajuda para “pôr fim às divisões e ao ódio” nas relações internacionais. Durante a missa, ele implorou:

- Olhai, Pai, para os povos que carecem de alegria e de segurança, porque veem pisoteados seus direitos fundamentais. Olha para as ansiedades e sofrimentos que afligem as almas dos que se veem forçados a estar longe de suas famílias... dos sem abrigo e sem país.

Ao fim da benção apostólica, a multidão respondeu com aplausos prolongados, enquanto repicavam os grandes sinos da Basílica de São Pedro e das outras 500 igrejas e capelas de Roma.

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24 de dezembro de 1999 – O Brasil perde seu último presidente militar



“Se o povo gostar de mim, muito bem. Se não gostar, não vou mudar”, disse o general João Baptista de Oliveira Figueiredo, em 1978, pouco antes de assumir a presidência do Brasil.

Último dos cinco presidentes do regime militar instalado em 1964, João Baptista de Oliveira Figueiredo morreu aos 81 anos, em seu apartamento, em São Conrado (Zona Sul do Rio), de uma arritmia cardíaca causada por problema pulmonar. Além de doente renal crônico, o ex-presidente sofria de enfisema, que reduzia a capacidade dos pulmões. Figueiredo morreu às 8h45, ao lado da mulher, Dona Dulce, de um dos dois filhos, e de um enfermeiro. O então presidente Fernando Henrique Cardoso decretou luto oficial de três dias.

De acordo com o nefrologista Roger Mendes, um dos médicos que acompanhavam o general, a morte de Figueiredo foi súbita. Após acordar e dirigir-se ao banheiro, Figueiredo retornou ao quarto, com a pressão arterial baixa e faleceu pouco depois. O gradual agravamento da saúde de Figueiredo levara a família à decisão de tratá-lo em casa, ao invés de uma internação hospitalar. O ex-presidente saíra da Casa de Saúde de São José, no Humaitá, no início de novembro. As funções renais estavam bem, disse o médico Roger Mendes, que atribuiu a morte ao problema pulmonar.

O general João Baptista de Oliveira Figueiredo, 38º presidente da República, viveu a difícil posição de porteiro da saída pacífica para o labirinto político criado pelo golpe militar de 1964. No comando de um grupo de generais nem sempre inclinados para o mesmo lado, Figueiredo acabou por protagonizar episódios famosos e, aparentemente, contraditórios. Ao mesmo tempo em que, para proteger a abertura, chegou a oferecer o peito aberto aos que tentaram implodir a transição democrática com atentados à bomba, foi capaz de soltar o seu general favorito, o comandante militar do Planalto, Newton Cruz, a cavalo, sobre manifestantes.



Abertura e problemas econômicos
“No seu governo, com a aprovação do projeto da anistia, foi possível a volta de exilados brasileiros. Houve reconciliação e espaço para que a sociedade iniciasse a reconstrução democrática”, afirmou o então presidente Fernando Henrique Cardoso ao saber da morte de Figueiredo. Em seu mandato de seis anos, Figueiredo promoveu a anistia política e as eleições gerais de 1982 (ainda que viciadas por casuísmos), e garantiu a transição pacíficia para um governo civil saído da oposição. Entretanto, no mesmo período o PIB brasileiro caiu, a dívida externa dobrou e obrigou o país a pedir moratória, a inflação chegou a 223,8% ao mês em dezembro de 1984, os salários foram corroídos, a produção de alimentos para consumo interno diminuiu e o desemprego cresceu em todo o país. Em 1981, o governo ainda na metade, Figueiredo disse: “Entre a inflação e a abertura, fico com a abertura, fico com a abertura”. E assim o fez.

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23 de dezembro de 1968 – O homem circunda a Lua pela primeira vez na história



Lançada em 21 de dezembro de 1968, a Apollo 8 foi a primeira espaçonave a levar humanos para fora de uma órbita terrestre, e a primeira nave tripulada a circum-navegar a Lua, enviando fotos inéditas do solo lunar e da Terra vista do espaço. Como estava previsto no seu plano de voo, a Apollo 8 rompeu, às 17h29 (hora de Brasília) a linha imaginaria na qual as forças de atração gravitacional da Terra e da Lua são iguais e de sentidos contrários, ultrapassando o “ponto de não retorno”, e começou a circular em torno do satélite terrestre, permanecendo em órbita lunar por 20 horas antes de iniciar a operação de retorno à Terra. A partir desse momento, mesmo que quisessem, seus tripulantes, o comandante Frank Borman e os cosmonautas James Lovell e William Anders, não mais poderiam regressar à Terra sem acionar os seus motores. Em caso de avaria a solução seria deixar-se arrastar pela atração da Lua, rodeá-la e deixar que inercia a impulsionasse de volta para a Terra, em um voo inercial.

– A órbita lunar é impecável – informou Borman, esclarecendo que não houve necessidade de corrigir o curso da nave.



O comandante da Apollo 8 informou a Houston que não havia ninguém doente a bordo, quando o médico Charles Berry, que assistia aos cosmonautas, indagou sobre a saúde da tripulação. A resposta provocou um suspiro geral de satisfação nos dirigentes do programa Apollo, já que, no início da missão, Borman ficou febril e vomitou durante um longo período. Mais tarde, operando uma câmera de Tv, Borman apresentou uma visão inédita da Terra, parcialmente submersa em uma zona de sombra da Lua. Os telespectadores viram, sobre um fundo azul, as terras da cor pardacenta, que surgiam através de uma camada de nuvens brancas. No dia seguinte, seria vez da equipe mandar imagens da Lua, com todos os seus pormenores, picos e crateras.

A URSS homenageou a coragem dos três cosmonautas norte-americanos. O diretor do Instituto de Explorações Espaciais, Georgy Petrov, afirmou que o êxito do voo constituiria uma nova etapa na exploração do espaço sideral. De fato, o sucesso da Apollo 8 abriu caminho para que a Apollo 11 descesse na superfície lunar em 1969.

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22 de dezembro de 1993 – EUA dão asilo político à filha de Fidel Castro



O Departamento de Estado americano confirmou que a única filha do presidente de Cuba, Fidel Castro, pediu e obteve asilo político nos EUA, para onde viajou, chegando no dia 21 em Atlanta, capital do estado da Geórgia.

Segundo autoridades americanas, Alina Fernández Revuelta, filha de Fidel, que fugiu de seu país, onde vivia com uma filha de 16 anos, foi para a Espanha na segunda-feira e solicitou à embaixada americana em Madri que considerasse o seu pedido de concessão de asilo político. A filha de Fidel Castro não teve que esperar muito para conseguir do Serviço de Imigração e Naturalização americano uma licença “condicional” de entrada no país, o que significava que ela não possuiria situação legal definida nem poderia reclamar algum benefício social. Mas dentro de um ano, se assim desejasse, poderia receber um “green card”, que lhe daria o direito de permanecer o resto de sua vida nos EUA. O grande detalhe era que não lhe seria necessário ter um trabalho ou promessa de trabalho no país, como é exigido dos imigrantes comuns.

De fato, a regalia contempla a todos os cubanos que pedem asilo político aos EUA, de acordo com uma lei aprovada pelo congresso americano, em 1966. Segundo o Serviço de Imigração e Naturalização, em 1993 havia no país pelo menos 500 mil cubanos na condição de exilados políticos. Segundo informações extra-oficiais, a ida de Alina para os EUA foi patrocinada pela Armando Valladares Foundation, uma entidade de cubanos exilados estabelecida em Alexandria, município de Washington, DC.

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21 de dezembro de 1973 – Iniciada a Conferência de Paz no Oriente Médio



Com 40 minutos de atraso sobre a hora marcada, e depois de 25 anos sem qualquer diálogo, árabes e israelenses iniciaram, em Genebra, a Conferência de Paz no Oriente Médio, onde foram mais uma vez evidenciadas as divergências entre as duas partes sobre questões fundamentais que afetam os países da região.

Na presença dos representantes das Naçõe Unidas, dos EUA e da URSS, os delegados árabes – egípcios e jordanianos – chegaram ao Palácio das Nações demonstradno bom humor, enquanto os israelenses pareciam taciturnos. Nenhum dos dois grupos aparentou perturbar-se com a presença do outro.

Ao inaugurar as conversações de paz, o secretário-geral das Nações Unidas, Kurt Waldheim, afirmou que o encontro constituía “uma ocasião única para resolver um problema internacional de grande complexidade”.

- Se esta ocasião não for aproveitada, o mundo terá que se defrontar uma vez mais com a situação altamente explosiva do Oriente Médio. É preciso valor, habilidade política, paciência e clarividência de todos os participantes – afirmou Kurt Waldheim.

Apesar dos apelos do secretário-geral das Nações Unidas, as discordâncias entre os participantes não tardaram a aparecer. Israel se negou a discutir a retirada de suas tropas dos territórios ocupados na região do Oriente Médio na Guerra dos Seis Dias, de 1956. A retirada foi defendida por todos, mas o ministro das Relações Exteriores de Israel, Abba Eban, manteve-se irredutível, acrescentando que o seu país estaria preparado para debater o caso da separação de forças com o Egito “como primeira prioridade” quando a conferência fosse reiniciada, em janeiro, após o recesso de final de ano. O secretário de Estado norte-americano, Henry Kissinger – que havia proposto a retirada israelense no primeiro dos seis itens de seu plano de paz – disse que os EUA pretendiam facilitar as entrevistas de que as partes interessadas no conflito pudessem necessitar, “assim como incentivar a moderação e o espírito de conciliação”. Já o ministro das Relações Exteriores do Egito, Ismail Fahmy, apresentou um plano de cinco pontos, defendendo a inviolabilidade territorial de todos os Estados do Oriente Médio, a libertação de Jerusalém e a completa soberania árabe sobre a cidade: o exercício, pelos palestinos, do direitos de autodeterminação, além da desocupação dos territórios. Além disso, Fahmy pediu a presença das grandes potências ou da ONU na região para garantir a paz.

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20 de dezembro de 1989 – EUA invadem o Panamá



Na maior operação num país latino-americano desde a invasão da República Dominicana em 1965, os Estados Unidos invadiram o Panamá com o objetivo explícito de derrubar o regime do general Manoel Noeriega, capturá-lo e deportá-lo aos EUA para julgamento por tráfico de drogas; Realizada por 23 mil homens, somados os 13 mil soldados americanos permanentemente estacionados nas bases do Canal aos dez mil enviados especialmente para a missão, a operação, que contou com tanques blindados, helicópteros e foi batizada de Operação Justa Causa, começou à 1h da madrugada e foi anunciada pelo presidente George Bush às 7h20 da manhã, pela televisão. O secretário de Estado James Baker informou que os EUA souberam que o general Noriega planejava atacar bases americanas na Zona do Canal, depois de declarar um estado de guerra contra os EUA, o que proporcionou uma justificativa legal para a intervenção militar americana – o tratado do Canal assinado em 1977 dava aos EUA poderes para “defender o canal em tempo de guerra ou quando o presidente dos EUA considerasse que a guerra era iminente”.

“Tomei essa decisão depois de chegar à conclusão de que todas as outras vias tinham sido fechadas”, disse Bush, referindo-se aos longos meses de confronto com Noriega. Em seu anúncio, Bush afirmou ainda que “os principais objetivos militares haviam sido alcançados”, e que Noriega havia sido substituído no poder por Gulhermo Endara, vencedor das eleições realizadas em maio e posteriormente anuladas. Nada disso estava confirmado, porém, ao cair da noite. Os combates continuaram, ainda que menos intensos ao longo do dia, e havia notícias de 14 soldados americanos e 100 panamenhos mortos, além de uma mulher civil. Noriega desapareceu, e fo atribuído a ele o comando da resistência aos invasores. Entre outras ações, grupos fiéis a Noriega invadiram o principal hotel da Cidade do Panamá, o Marriot, e tomaram 41 estrangeiros como reféns, inclusive vários americanos.

Pela primeira vez em 75 anos de existência o Canal do Panamá foi fechado, como prevenção contra manobras de sabotagem. Houve saques e atos de vandalismo, num ambiente em que a maior preocupação, para os americanos, eram os Batalhões da Dignidade – grupos paramilitares que, criados por Noriega para defender o regime, demonstravam uma capacidade de ação aparentemente maior do que calculava o governo de Washington.

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19 de dezembro de 1984 – Firmada a devolução de Hong Kong para a China



Conforme ficou estabelecido em um acordo assinado no Grande Salão do Povo, em Pequim, entre a primeira ministra britânica Margaret Thatcher e o primeiro ministro chinês Zhao Ziyang, em 13 anos, a partir de 1984, a China teria de volta cerca de 1 mil e 31 quilômetros quadrados ao retomar a soberania sobre a Ilha de Hong Kong, a Península de Kowloon e os Novos Territórios, que até então formavam a colônia britânica de Hong Kong. A ilha e a península haviam sido tomadas da China pelos ingleses nas Guerras do Ópio de 1841 e 1860. O resto da área foi arrendada em 1898, por 99 anos.

A assinatura da Declaração Conjunta foi realizada diante Deng Xiaoping, líder da República Popular da China, e foi classificado por este como um “fato histórico” que afastaria “uma sombra” das relações entre a Grã-Bretanha e a China. Thatcher se mostrou particularmente satisfeita com a cláusula que permitia a Hong Kong manter o regime capitalista de sua economia por até 50 anos depois de sua devolução à China.

– O conceito de "um país, dois sistemas" é inovador e sem precedentes. Ele oferece resposta adequada às circunstâncias históricas de Hong Kong. O conceito é um exemplo de como problemas aparentemente intratáveis podem e devem ser resolvidos – disse Thatcher na ocasião, antes de negar veementemente que “abandonara” Hong Kong, afirmando que estava apenas cuidando da “prosperidade e da estabilidade de seu povo”.

A primeira ministra britânica passou todo o dia da assinatura do acordo com os dirigentes chineses: almoçou com o presidente Li Xiannian, entrevistou-se com Deng Xiaoping, com o secretário-geral do Partido Comunista Chinês, Hu Yaobang, e com o primeiro-ministro Zhao Ziyang. À noite, compareceu a um banquete que lhe foi oferecido por Zhao.

A assinatura do acordo teve reflexos positivos e imediatos nas relações sino-britânicas: os dois países criaram condições para ampliar o intercâmbio comercial e tecnológico.Também foi acertado que em junho do ano seguinte o premier Zhao visitaria Londres e a Rainha Elizabeth visitaria Pequim no segundo semestre de 1986.

Uma declaração ousada da primeira-ministra Margaret Thatcher e a resposta destemida de Deng Xiaoping foram a origem do acordo que estabeleceu a devoluçõa de Hong Kong à plena soberania chinesa. Em visita a Pequim, em setembro de 1982, Tatcher declarou que seu país tinha o direito de manter a soberania sobre a colônia. Para Deng, a questão da soberania não se poderia discutir, mas sim uma fórmula que garantisse a estabilidade do território, “depois de sua volta à China”. A partir disso, os diplomatas dos dois países começaram a cuidar de encaminhar
mais cordialmente o assunto.

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18 de dezembro de 1969 – Em 1969 - O ex-presidente Costa e Silva é sepultado



O corpo do presidente Costa e Silva, falecido no dia 17 de dezembro em decorrência de um AVC, foi sepultado às 17h20m no Cemitério de São João Batista, Rio de Janeiro, na presença do presidente Garrastazu Médici e todo o seu ministério, numerosas autoridades civis e militares, e representantes do corpo diplomático, além de militares e populares.

A missa de corpo presente foi celebrada às 11h15m pelo monsenhor Bessa, pouco depois que o presidente Médici havia se retirado do Palácio das Laranjeiras, aonde fôra levar, juntamente com Dona Cila Médici, suas condolências a Dona Iolanda da Costa e Silva.

A encomenda do corpo foi oficiada pelo Cardeal Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Jaime de Barros Câmara e, às 15h55m, o cortejo fúnebre foi iniciado. O esquife de Costa e Silva foi levado sobre um tanque do exército, ladeado por batedores do corpo de Fuzileiros Navais. No trajeto de cerca de oito quilômetros do Palácio das Laranjeiras até o Cemitério de São João Batista, uma multidão calculada em 10 mil pessoas assistiram silenciosamente à passagem do cortejo fúnebre. Cinco mil homens do Exército, da Marinha e da Aeronáutica prestaram as honras militares. Quatro bandas – a da Marinha, do Corpo de Fuzileiros Navais, das Forças Aéreas Brasileira (FAB) e do Regimento Naval – foram colocadas ao longo do itinerário. Todas as bandas, ma passagem do cortejo, executaram a Marcha Fúnebre de Chopin.

No portão principal do cemitério, já aguardavam o cortejo o comandante do 1º Exército, General Sizeno Sermento, o comandante do 1º Distrito Naval, almirante José Carvalho Jordão, e o comandante da 3ª Zona Aérea, brigadeiro Bordeauz Rêgo. Antes do esquife entrar no cemitério, aguardou-se alguns minutos até a chegada dos familiares, do presidente Médici e sua esposa. Uma salva de artilharia de 21 tiros, voos rasantes da Esquadrilha da Fumaça e o toque de silêncio por um corneteiro do Exército precederam o sepultamento do corpo do Marechal.



Em homenagem a Costa e Silva, o governo argentino decretou luto oficial. Os presidentes Tito, da Iugoslávia, e Eduardo Fréi, do Chile, o chanceler espanhol Gregorio López Bravo, e a Câmara Municipal de Lisboa enviaram mensagens de condolência ao presidente Médici e ao chanceler Mário Gibson Barbosa.

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17 de dezembro de 1989 – Abílio Diniz é libertado de seu cativeiro



Ao final de sete dias, num total de 168 horas de grande angústia acompanhada por todo o país, foi finalmente libertado do cativeiro o vice-presidente do Grupo Pão de Açúcar, Abílio dos Santos Diniz, um dos mais importantes, influentes e poderosos empresários brasileiros.

Numa ação espetacular, marcada também por alguns tropeços durante a tensa negociação com os sequestradores (cinco chilenos, dois argentinos, dois canadenses e um brasileiro), a polícia paulista conseguiu não só pôr fim ao que deveria ter sido o mais ousado sequestro ocorrido até então no país, mas igualmente resolver os dois outros maiores crimes semelhantes que ainda aguardavam desfecho – o do então vice-presidente do Bradesco, Antônio Beltrán Martinez, ocorrido em novembro de 1986, e o do publicitário Luiz Marcelo Dias Sales, ocorrido em 31 de julho de 1989. A vitória já era festejada pela polícia, ao reunir as inúmeras coincidências na forma da ação dos bandidos nos três casos.

Muito abatido, fraco, barba por fazer e mancando, Abílio Diniz deixou a casa número 59 da Praça Hashiro Mivazaki, no bairro paulistano do Jabaquara, alugada pelos sequestradores, demonstrando sentir muita dor. Vestia uma suja camiseta cinza, uma calça azul e tênis. Aplaudido e imediatamente cercado por dezenas de jornalistas, ele foi logo conduzido a um carro forte da polícia. Enquanto isso, os sequestradores, um a um, iam depondo suas armas – duas metralhadoras, uma escopeta, uma pistola 45, algumas pistolas automáticas 9mm e revólveres – e sendo encaminhados para um ônibus, de onde seguiram algemados para o Grupo Anti-Sequestro (GAS), no centro da cidade.

Intransigentes desde os primeiros instantes em que se viram cercados pela polícia, eles fizeram várias exigências em troca da vida do empresário. Queriam um carro blindado, um avião de 10 lugares e U$$ 200 mil para fugir. Determinada a não atendê-los e, ao mesmo tempo, resgatar Abílio Diniz, a polícia chegou a ensaiar uma invasão à casa, mas teve que recuar, sob tiros. Depois de tentativas desesperadas de negociação com o ex-ministro da Fazenda, Luiz Carlos Bresser Pereira, diretor do grupo Pão de Açúcar e velho amigo da família Diniz, e com Alcides, irmão de Abílio, os sequestradores aceitaram a intermediação do cardeal-arcebispo de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns, em quem finalmente resolveram confiar. Os sequestradores concordaram então em se entregar, mas pediram a presença de diplomatas dos consulados de seus países.

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16 de dezembro de 1997 – Processo pela morte de Senna termina sem culpados



A justiça italiana considerou inocentes todos os supostos responsáveis pelo acidente automobilístico que provocou a morte de Ayrton Senna, em 1º de maio de 1994, no Grande Prêmio de San Marino, Ímola. Após três anos e oito meses de investigações, inquéritos e processo, o juíz de Ímola, Antonio Costatitnzo, leu uma rápida sentença absolvendo os projetistas da Williams, Patrick Head e Adrian Newey, e o administrador do circuito Enzo e Din Ferrari, Federico Bendinelli.

A lei italiana dava à promotoria o direito de apelo da sentença em primeira instância mas ninguém no tribunal acreditava que o procurador Maurizio Passarini tivesse motivos para seguir com um processo já sem o apoio da opinião pública, e sem uma tese capaz de comprovar a responsabilidade de terceiros no acidente da curva Tamburello.

“Esperamos que esse processo não tenha continuidade. Acreditamos firmemente que este era o único resultado apropriado e agora estamos esperando a temporada de 1998 com confiança e entusiasmo”, disse uma nota oficial da equipe Williams.

Ao ler a sentença, o juiz Costanzo disse estar convencido que a coluna de direção do carro de Ayrton Senna se rompeu no choque contra o muro de concreto e não em plena curva, como indicava o laudo dos técnicos italianos guiados por Passarini. A decisão do juiz Costanzo afastou a possibilidade da FIA, organismo que controla a F1 e o automobilismo no mundo inteiro, retirar os GPs da Itália e de San Marino do calendário Internacional. Max Mosley, presidente da FIA, manteve até o final do julgamento a ameaça de afastar a Itália das corridas de F1 caso a equipe fosse punida por um acidente que ele considera típico do esporte. Mosley sempre disse que se os responsáveis pela Williams fossem condenados, outras equipes da F1 não se sentiriam “seguras” para seguir competindo em território italiano.

A justiça italiana cumpriu a promessa de dar ao caso Senna uma investigação e um processo legal dignos da fama e do carisma do piloto brasileiro. Por incompetência da promotoria ou devido à complexidade técnica da F1 a conclusão do julgamento em nada contribuiu para resolver o mistério da morte de Senna. Fãs italianos de Senna que acompanharam o julgamento na corte de Ímola sempre disseram que a busca da verdade era mais importante do que a punição aos eventuais responsáveis. Nem uma coisa nem outra foi atingida. Sem poder encontrar uma explicação do acidente acima de qualquer suspeita, a justiça italiana encerrou os trabalhos com a absolvição de todos.



A reação da família de Senna
A família de Ayrton Senna recebeu com aparente indiferença a sentença do juiz Antonio Constanzo, que inocentou os seis indiciados no processo que apurou responsabilidades na morte do piloto brasileiro no circuito de Ímola. Segundo Leonardo Senna, irmão mais novo de Ayrton, a família manteve um advogado na Itália, mas apenas para representá-los e acompanhar o andamento do processo. “Não tenho o que falar sobre a sentença e pelo menos para mim o caso está encerrado”, comentou.

Leonardo, no entanto, disse acreditar que a causa do acidente foi realmente a quebra da barra de direção e criticou as condições de segurança do autódromo. “A minha opinião é que a curva de Tamburello não oferecia a mínima condição de segurança. Piquet e Berger tinham sofrido acidentes graves no mesmo ponto e escaparam por sorte. Antes do acidente com Ayrton havia sinais de que algo muito grave poderia acontecer a qualquer momento e a curva não foi modificada”.

O irmão de Senna também fez críticas à FIA. “Eles sempre são rigorosos com o autódromo de Interlagos e todo ano fazem uma série de exigências. Mas em Ímola não tinha nada disso”.

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15 de dezembro de 1990 – Condenados os assassinos de Chico Mendes



Depois de quatro dias de sessão, o julgamento de dois dos três acusados pela morte do líder sindical e ecologista Chico Mendes chegava ao final em Xapuri, estado do Acre. Usando a mesma roupa desde o início do julgamento, Darli Alves da Silva, 54 anos, e seu filho Darci Alves Pereira, 23, foram chamados de covardes pelo promotor Eliseu Bouchmeier de Oliveira e seus assistentes de acusação. O terceiro acusado, Jardeis Pereira, não foi a julgamento, pois achava-se foragido. A acusão pediu que a condenação dos réus servisse de exemplo na luta contra a violência no país.

A sentença contra os dois – a própria defesa sabia que uma absolvição era quase impossível – coincidentemente seria lida no mesmo dia em que Chico Mendes completaria 46 anos. “Não é tudo, uma vez que existem outras pessoas envolvidas, mas é um presente para Chico Mendes”, comentou Ilzamar Gadelha Bezerra, viúva do líder ecologista.

O julgamento foi presenciado por cerca de 120 jornalistas, 30 dos quais representavam empresas de comunicação estrangeiras. Estiveram presentes, em pelo menos uma das quatro sessões, o governador eleito do Acre, Edmundo Pinto; o diretor-geral da Polícia Federal, Romeu Tuma, representando o presidente da República; o, na época deputado, Luís Inácio Lula da Silva; o presidente da Centra Única dos Trabalhadores (CUT), Jair Meneguelli; e o ator Antônio Grassi. O bispo do Acre, Dom Moacir Grecchi; o diretor do departamento rural da CUT, Avelino Ganzer; e o representante do Banco Interamericano de Desenvolcimento (BID) no Brasil, David Atkinson, pernaceram em Xapuri durante todo o julgamento.

Durante os quatro dias do julgamento a cidade esteve sob forte esquema de segurança, do qual aprticiparam as polícias Civil, Militar e Federal. Mas nenhum incidente foi registrado. O juíz Adair Longuini, cumprimentado publicamente ao final da sessão pelo advogado de acusação Márcio Tomás Bastos, possibilitou, sem deixar de ser enérgico, que um grande número de pessoas – na maioria seringueiros – participasse da platéia em sistema de rodízio. O único problema ocorrido durante os quatro dias foi a intoxicação intestinal que o perito Fortunato Palhares, da Unicamp, sofreu enquanto estava incomunicável junto com as demais testemunhas.

Protestos e homenagens
O último dia do julgamento foi marcado por homenagens ao mais ilustre filho da cidade de Xapuri. Às 6h30 da manhã (9h30 de Brasília), 400 pessoas foram em passeata visitar o túmulo de Francisco Alves Mendes Filho, no dia de seu aniversário. A passeata continuou até a antiga casa do líder seringueiro, atual sede da Fundação Chico Mendes, onde viúvas de sindicalistas, dirigentes sindicais e seringueiros assinaram à Carta de Xapuri.

“A condenação dos réus não encerrra o processo. É necessário impedir que o crime continue acontecendo (...) Muita gente importante está envolvida, políticos e autoridades ligados aos governos federais anteriores e que continuam no atual, nomes locais influentes e até ligados ao partido do Presidente da República, proprietários de terra e de veículos de comunicação na região, gente a quem a rede da impunidade protege e para quem a justiça não tem sentido”, diz a carta.

Na beira túmulo de Chico Mendes, Dom Moacir Grechi e o vigário de Xapuri, padre Luís Ceppi rezaram um salmo e o Pai-Nosso, acompanhados por todos, na maioria seringueiros. “Este julgamento não encerra o empenho de todos nós para que sejam todos os outros casos e possa reinar a tranquilidade entre nós”, afirmou Dom Moacir. Na porta da Fundação Chico Mendes foram depositados sobre uma mesa diversos instrumentos que pertenceram ao líder seringueiro, para lembrar homenagear sua memória.

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14 de dezembro de 1972 – A Apollo 17 retorna à Terra



Há exatos 37 anos a Apollo 17, sexta e última missão tripulada do Projeto Apollo à Lua retornava à Terra. A nave espacial tinha sido lançada no dia 7 de dezembro, do Cabo Kennedy, aterrissou na Lua em 11 de dezembro e voltou à Terra no dia 14, chegando aqui em 19 de dezembro. Em seu interior estavam o comandante Eugene Cernan, um veterano de duas missões anteriores, o piloto do módulo lunar e geólogo profissional Harrison “Jack” Schmitt, e o piloto do módulo de comando Ronald Evans. Como estavam capacitados pelas experiências das missões anteriores, Cernan e Schmitt ficaram com todos os recordes de tempo passado na superfície lunar, distância percorrida, número de amostras coletadas e quantidade de fotografias tiradas em uma missão na Lua.

Ao chegarem ao nosso único satélite, o primeiro passeio lunar foi frustrante para Schmitt porque, devido a um defeito no jipe lunar, eles puderam coletar muito pouco material do solo. Já durante a segunda excursão, os cosmonautas percorreram 19 quilômetros na superfície lunar, durante sete horas e 37 minutos – um novo recorde. Enquanto isso, Ronald Evans recolhia novos conhecimentos científicos – como a descoberta de três acidentes na crosta lunar que poderiam ter sido vulcões –, observando a Lua a partir do módulo America, que permanecia em órbita lunar. No decorrer da terceira excursão, Cernan e Schmitt visitaram outra formação montanhosa e inspecionaram mais uma cratera que poderia fornecer provas adicionais de que o vale lunar Taurus-Littrow foi palco de uma grande erupção vulcânica há cerca de 1 bilhão de anos, e com isso deixaram as pegadas do homem em solo lunar pela última vez até os dias de hoje.

Um dia antes do retorno, o geoquímico da Nasa Robin Brett afirmou que o material de cor alaranjada encontrado pelos cosmonautas da Apollo 17 poderia ser a prova final de que ocorreram atividades vulcânicas na Lua, há milhares de anos. A descoberta de areia cor de laranja durante a segunda excursão dos astronautas nas proximidades da cratera Chiquito, emocionou os cientistas que acompanharam os trabalhos de Eugene Cernan e Harrison Schimitt. No centro de controle, em Houston, Texas Brett afirmou que aquele era “um dos mais importantes achados da série Apollo”. Isso porque, caso fosse comprovado que se tratava de uma emissão de gases vulcânicos, teriamos novos indícios de que a Lua possui um núcleo ígneo, determinando uma nova posição para explicar a evolução do satélite.

Como os astronautas da Apollo 10, 12, 13 e 14, a tripulação da Apollo 17 foi recuperada nas águas do oceano Pacífico, após a o regresso da nave à Terra, sem maiores dificuldades.

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13 de dezembro de 1996 – Kofi Annan é o novo secretário-geral da ONU



Kofi Annan, um ganense de 58 anos que realizou seus estudos superiores em Minessota, Genebra e Massachusetts, foi eleito secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em substituição ao egípcio Butros Ghali, tornando-se assim o primeiro filho da África subsaariana a ocupar este posto.

A França não pôde resistir à pressão dos Estados Unidos e desistiu de exercer seu veto no Conselho de Segurança à nomeação de Annan, até então subsecretário para operações de paz. Os 15 integrantes do Conselho votaram unanimente a favor do ganense, cujo nome seria submetidos nos dias subsequentes à ratificação dos 185 países da Assembléia Geral da ONU.

A nomeação de Annan, o favorito de Washington, representou uma grande vitória diplomática do país que se transformou na única superpotência mundial: o último trunfo arrancado nos corredores da ONU, em Nova Iorque, pela embaixadora americana Madeleine Albright, que se converteria, no mês seguinte, na primeira mulher a comandar a diplomacia dos Estados Unidos, como Secretária de Estado, nomeada pelo presidente Bill Clinton.

Em novembro Albright anunciou formalmente o veto americano à reeleição de Butros Ghali, considerar o fato de os outros 14 membros do Conselho de Segurança terem votado a favor do egípcio. A dama de ferro da diplomacia americana disse que vetaria o nome de Ghali tantas vezes quantas ele fosse proposto, o que foi entendido pelos demais membros do conselho de que seria preciso procurar outros candidatos africanos: uma tradição não escrita da ONU manda que cada continente disponha de dois mandatos consecutivos de cinco anos à frente da secretaria-geral. O próprio Butros Ghali, entendendo a impossibilide de ser reeleito, anunciou que “suspenderia” sua candidatura à reeleição para permitir o aparecimento de outras opções africanas.

Kofi Annan e o ministro do exterior da Costa do Marfim, Amara Essy, eram os principais nomes para o cargo, sendo este último inicialmente o favorito da França, que ameaçava vetar o nome de Annan. Entretanto, os franceses mudaram de opinão e apoiaram o cadidato de Gana, o que foi essêncial para sua eleição. “É curioso que o domínio do idioma francês de Annan tenha melhorado tanto em tão pouco tempo”, ironizou uma fonte diplomática americana.

Nobel da Paz
Homem de fala tranquila, mas direta, Kofi Annan conseguiu a proeza quase impossível de transitar incólume pelos corredores minados da ONU. Membro de uma família tradicional de Gana, ocupou numerosos postos de importância na organização – na qual ingressou em 1962 – antes de tornar-se subsecretário-geral para operações de paz, em março de 1993. Foi diretor de orçamento e diretor executivo do alto Comissariado para os Refugiados (Acnur) por 34 anos, com funções em Adis Abeba, Genebra e Cairo. Fluente tanto em inglês quanto em francês, ele é formado em economia pelo Instituto Universitário de Estudos Internacionais de Genebra e em administração pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Casou-se em 1984 com uma atriz e advogada sueca e é pai de dois filhos de um casamento anterior.

Como secretário-geral suas prioridades foram revitalizar as Nações Unidas através de um vasto programa de reforma, reforçar o trabalho que a Organização executa tradicionalmente em prol do desenvolvimento, da paz e da segurança internacionais, incentivar e promover os direitos humanos, o estado de direito e os valores universais da igualdade, da tolerância e da dignidade humana, e ainda restabelecer a confiança da opinião pública na Organização.

Em 2001, por seu trabalho em prol da paz mundial, Kofi Annan recebeu, junto com a ONU, o Prêmio Nobel da Paz.

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12 de dezembro de 1965 – Os 50 anos de Frank Sinatra



“Não há no mundo um sujeito de mais sorte que eu”.

O autor da frase acima foi um homem que, em 1965, completou 50 anos de idade, magro, metido a brigão, sem preconceitos raciais, dono de um íate, um helicóptero e um avião a jato, que ganhava três milhões e meio de dólares por ano e era mundialmente reconhecido por sua beleza e talento como artista. Seu nome era Frank Sinatra, mais precisamente Frank Albert Sinatra, ou Frankie para os amigos e Francis para os íntimos.

Em 12 de dezembro de 1915, o povo da pequena cidade de Hoboken, em Nova Jérsei, perto de Nova Iorque, não fazia idéia de que nascia – segundo alguns, cantando, ao invés de chorando – aquele que se transformaria no seu mais novo e duradouro orgulho. Um dia, já crescido, o pequeno Frank Sinatra atravessaria o Rio Hudson e iria tentar a vida da cidade grande.

Durante seus primeiros 20 anos não passou de um cantorzinho desconhecido nos escuros cabarés de subúrbio, até que, em 1941, aos 26 anos de idade, começou a cantar na Orquestra de Tommy Dorsey, ao lado de Jo Staford e Coanie Haynes. Oh! look at me now, em dueto com Jo, foi um sucesso no país inteiro, que começava então a descobrir um novo cantor. Em 1943, Sinatra já era milionário e seus discos corriam o país e ganhavam o exterior. Logo, cheques começaram a chegar a ele aos montes: de estúdios de cinema, cadeias de televisão, companhias de discos, editoras, hotéis, agências de publicidade. Da própria empresa da família Sinatra os dólares também entravam, de suas produtoras de filmes, sua companhia de aviação, gravadoras, uma construtora, negócios imobiliários, sua cadeia de hotéis em Nevada e uma imensidão de investimentos diversos. Tudo para acompanhar seu luxuoso e estravagante estilo de vida.

Dentre seus sucessos mais famosos como cantor, estão os clássicos Fly me to the Moon, My Way e New York, New York. Artista completo, além de cantar Sinatra apareceu em mais de cinquenta filmes, entre eles: Anchors Aweigh (1945), On The Town (1949), From Here To Eternity (1953), com o qual ganhou o Oscar, The Man With The Golden Arm e High Society (ambos de 1956), e The First Deadly Sin (1980). Também fez parte do Rat Pack, grupo de artistas bastante conhecido entre meados da década de 1950 e 1960 e que protagonizou entre outros filmes, Ocean’s Eleven (1960).

Valente e galanteador
Grande parte da fama de Frank Sinatra vinha da sua vida pessoal e de suas demonstrações de valentia, sempre em defesa de algo que julgava, no momento, importante. Uma vez, agrediu um garçom que se recusou a servir um amigo seu, negro; outra vez esmurrou um homem que fez uma declaração anti-semita; e no meio de sua carreira cancelou todos os contratos para ir a Indiana falar a um grupo de estudantes que protestava contra a integração racial.

O artista sempre gostou de mulheres bonitas, mas, para casar pela primeira vez, não precisou procurar muito, contentando-se com uma namorada de infância, Nancy Barbato, que lhe deu três filhos. No entanto, apesar do amor aparente, Sinatra sempre procurou outras mulheres e seu nome esteve ligado ao de muitas estrelas, como Ava Gardner. Por sua causa, Sinatra divorciou-se de Nancy e caiu em desgraça. Muitos dos seus filmes daquela época nunca saíram dos estúdios, o cantor emagreceu, quase perdeu a voz e seus discos pararam de fazer tanto sucesso. Seu prestígio só seria recuperado quando ganhou o Oscar de melhor ator por From Here To Eternity .

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11 de dezembro de 1981 – Incêndio consome prédio no Centro do Rio



Um incêndio que começou pouco antes das 4h da madrugada, provocado por um curto-circuito na instalação de ar condicionado do 15º andar – segundo a primeira versão dos bombeiros – destruiu completamente 18 dos 23 andares do edifício Barão de Mauá, na esquina da Rua Santa Luzia com a Avenida Graça Aranha, levantando uma grande nuvem de fumaça no Centro do Rio de Janeiro.

Magueiras velhas e furadas, água com pouca pressão e o vidro da fachada do prédio dificultaram o trabalho dos bombeiros, que, durante a manhã, contaram com uma única escada magirus cujo alcance ia apenas até o nono andar do prédio, enquanto o 15º e o 16º ardiam em chamas. Logo, os pedaços de vidro e esquadrias que começaram a cair do edifício tomaram totalmente as ruas e parte da praça entre o prédio e a Igreja de Santa Luzia, onde algumas árvores foram cortadas. Todos os prédios vizinhos, inclusive o MEC, o Ministério do Trabalho e o Clube da Aeronáutica foram interditados. Pouco depois das 6h da manhã, o fogo já estava fora de controle e centenas de curiosos se aglomeravam nos arredores. Muitos lamentavam e outros se preocupavam com a possibilidade de perderem seus empregos ou não receberem o 13º salário.

Dentre as maiores preocupações dos bombeiros estavam os pedaços de vidro, revestimento e esquadrias que caíam - vários bombeiros já haviam sofrido cortes devido a pedaços de vidros que, às vezes, voavam à distância com as explosões nos andares mais altos -, e a existência de 25 carros na garagem do edifício que, com o calor, poderiam explodir, provocando uma reação em cadeia que abalaria as estruturas do prédio.

Às 14h, depois de mais de seis horas de combate ao fogo, explosões, 150 bombeiros feridos e sete internados, as chamas foram finalmente dominadas. Às 14h10min os bombeiros conseguiram entrar no edifício e começaram a jogar água de dentro para fora do prédio. Nesse momento, documentos, livros de registros, notas fiscais e recibos foram atirados das janelas com a pressão dos jatos de água, e o chão em volta do prédio foi todo tomado por detritos e papéis. Às 18h, 25 bombeiros da equipe de rendição chegaram ao local para dar continuidade ao trabalho de rescaldo, que consistia na verificação dos possíveis focos de incêndio no prédio e na tomada de medidas preventivas.

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10 de dezembro de 1983 – A democracia volta à Argentina com Raúl Alfonsín



“Com a democracia não só se vota, mas também se come, se educa e se cura”. Foi com essas palavras que, em seu discurso de 1 hora de duração no congresso, o novo presidente da Argentina, Raúl Alfonsín, tomou posse logo após o juramento oficial.

– Hoje terminou a imoralidade pública. Vamos fazer um governo decente. De agora em diante, vamos viver em liberdade – prometeu Alfonsín, o primeiro presidente civil eleito pelo povo desde 1976, quando o regime militar se instalou na Argentina.

- Foi uma resposta magnífica às exigências do povo – reconheceu o peronista Carlos Menem, eleito Governador de La Rioja, ao comentar o discurso de Alfonsín. Em seu discurso, o presidente fez um chamado à unidade nacional, para que todos os argentinos, juntos, pudessem reconstruir o país que, segundo ele, foi entregue pelos militares num "estado deplorável e em alguns aspectos catastróficos”.

Nas ruas a multidão acompanhava a cerimônia do discurso, transmitido por alto-falante, rádio e TV. Cada parágrafo da longa mensagem de Alfonsín, garantindo democracia, paz e prosperidade, foi longamente aplaudido.

Do congresso, Alfonsín seguiu em um cadilac aberto pela Avenida de Maio, tomada por populares, em direção à Casa Rosada. Uma formação de gala de cavalaria abriu caminho para o carro, que também levava a primeira dama Maria Lorenza. Mais atrás seguia o vice-presidente, Victor Martinez. Quando Alfonsín chegou à Praça de Maio e começou a subir as escadas da Casa Rosada, a manifestação tornou-se estrondosa, aos gritos de “a ditadura se acabou”.

Na praça, local em que todas as quintas-feiras, durante o regime militar, desfilaram as mães de desaparecidos, havia um cartaz: “militares, a justiça os espera”.

O momento argentino foi festejado até no Uruguai. O jornal El Dia fez soar a sirene e milhares de pessoas foram às ruas cantando “já se acabou, já se acabou, na Argentina, já se acabou”. Políticos uruguaios presentes à cerimônia afirmaram que “logo, logo” a alegria seria dos uruguaios.

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9 de dezembro de 1992 – Anunciado o fim do casamento de Charles e Diana



Após onze anos de casamento, o príncipe e a princesa de Gales decidiram separar-se. O anúncio oficial da separação de Charles e Diana foi feito pelo primeiro-ministro britânico, John Major, em comunicado solene ao parlamento. Major cancelou na última hora uma reunião com o presidente da Comissão Européia Jacques Delors, para comparecer à Câmara dos Comuns, onde leu a mensagem do Palácio de Buckingham. A crise conjugal de Diana e Charles foi considerada mais importante para os ingleses do que a crise do Tratado de Maastricht, da União Européia.

O discurso do primeiro-ministro foi transmitido ao vivo pela televisão para o mundo inteiro. Major disse que o casal tomou a decisão amigável de se separar. “O príncipe e a princesa não têm planos de se divorciar”, anunciou Major. Ele ressaltou ainda que a separação do casal não afetaria a linha de sucessão do trono e não causaria nenhuma espécie de risco do ponto de vista constitucional.

Autoridades da Igreja Anglicana endossaram o discurso de Major dizendo que Charles não enfrentaria nenhum obstáculo para exercer o comando supremo da Igreja, como é direito de todos os monarcas ingleses após Henrique VIII. Ele só não poderia se casar pela segunda vez em uma cerimônia religiosa.

A decisão de anunciar a separação tinha sido tomada pelo Palácio de Buckingham havia duas semanas. A justificativa oficial para a escolha da data foi o início das férias escolares dos filhos do casal, príncipe William, então com 10 anos, e seu irmão Henry, de 8 anos. A partir de então, os filhos do casal seriam submetidos à rotina de qualquer de qualquer filho de pais separados, dividindo seu tempo entre a casa do pai e da mãe. Charles e Diana continuariam honrando seus compromissos oficiais, aparecendo juntos sempre que necessário.

O comunicado oficial disse que não houve envolvimento de terceiros na decisão do casal, e um porta-voz do palácio avisou que futuros romances do príncipe e da princesa “não fazem parte do jogo da separação”.



Uma união de aparências
O anúncio da separação do príncipe Charles e da princesa Diana oficializou um fato consumado depois de vários anos de conflito. Para salvar as aparências e manter intactas as pretensões do príncipe Charles ao trono da Grã-Bretanha, ele e a princesa haviam montado um casamento de aparência mediante um acordo que começou a ruir quando a imprensa sensacionalista lançou novas e poderosas ofensivas.

O lançamento do livro Diana: sua verdadeira história, do ex-jornalista Andrew Morton, com testemunhos do irmão e de amigos de Diana afirmando que a princesa vivia um inferno em seu casamento reforçou os boatos sobre a separação do casal. O casal nem teve tempo de se recuperar do escândalo do livro e a imprensa descobriu o Dianagate, uma série de gravações de telefonemas da princesa onde ela reclamava do sofrimento de ser casada com um homem como Charles. Os jornais colocaram as fitas para serem ouvidas em uma linha especial de telefone que recebeu uma média de 30 mil chamadas por dia. Após o Dianagate, foi a vez do príncipe Charles ter suas conversas telefônicas com uma antiga amante, Camilla Parker Bowles, reveladas a público, comprovando uma relação amorosa de Charles que já era conhecida na corte.

O último capítulo do casamento de aparência foi escrito em 14 de novembro, no dia do aniversário de Charles, quando esse o comemorou sozinho enquanto Diana aparecia feliz e sorridente ao lado de Paul McCartney, na primeira apresentação do oratório composto pelo ex-beatle.

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8 de dezembro de 1980 – O mundo chora por John Lennon

Morre John Lenon


John Winston Ono Lennon, um dos maiores ícones culturais do século XX, foi assassinado quando voltava para o seu apartamento, no edificío Dakota, em Nova Iorque. Testemunhas no local viram John Lennon e sua mulher Yoko Ono, descerem de um táxi e serem imediatamente abordados por Mark Chapman, de 25 anos, um desequilibrado fã dos Beatles e de Lennon. “Senhor Lennon?” disse Chapman antes de atirar contra o músico com seu revólver calíbre 38 e permanecer no local abraçado a um exemplar do livro “O Apanhador no Campo de Centeio”. A polícia chegou poucos minutos após o disparo, mas pouco pôde fazer: aos 40 anos, John Lennon morreu na viatura policial, a caminho do hospital, deixando dois filhos, uma esposa e milhares de fãs inconsolados.

A notícia da morte do cantor e compositor mais popular do mundo, homem que defendeu sempre a paz, criador das mais ternas melodias e letras, levou milhares de nova iorquinos à porta do edíficio Dakota, logo transformado num altar. Milhares levaram flores e acenderam velas, enquanto a maioria não dizia nada, apenas chorava. Alguns cantavam Give Peace a Chance e outras músicas dos Beatles, como All You Need Is Love. Rosas, cravos e velas a entrada escura do Dakota numa oração pela alma do cantor amado por tantos. Muitos faziam comentários, mostraram desalento. “Não acredito que ele tenha morrido, não pode ser verdade” disse um. “Cresci com John Lennon e minha filosofia foi moldada pelos Beatles; tudo que sei de amor ao próximo foi ensinado em seus discos”, acrescentou outro. A polícia, em vão, tentou convencer os fãs a deixarem o local. Pela noite inteira seguiu a vigília, e flores cada vez mais volumosas tomaram toda a esquina da Rua 72 com o Central Park.

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Apesar de os Beatles já estarem separados há anos, quando John Lennon foi assassinado todos imediatamente interromperam suas atividades para prestar homenagens a John Lennon: George Harrison interrompeu uma gravação; Ringo Star interrompeu suas férias e tomou um avião para Nova Iorque; Paul McCartney imediatamente entrou em contato com os amigos e familiares que acompanhavam Yoko Ono oferecendo sua solidariedade.

Tudo pareceu parar em Nova Iorque. As rádios só tocaram músicas dos Beatles, principalmente as composições de Lennon e McCartney. A presença do presidente recém-eleito Ronald Reagan na cidade foi secundária. Os políticos, com suas mensagens, foram ignorados. Todas as atenções voltaram-se para morte de John Lennon, o mensageiro da boa vontade e da paz.


O Beatle rebelde
John Lennon pode não ter sido, como muitos afirmam, o mais talentoso dos Beatles, mas certamente foi o mais turbulento, compulsivo e irreverente dos quatro. Uma rebeldia que acabou contagiando os outros três e moldando tanto a imagem como o espírito de um grupo que, por sua vez, influenciou a música e o comportamento de toda uma geração. Cerca de dez anos depois da criação dos Beatles, essa mesma turbulência seria uma das principais responsáveis pelo término do grupo e do início da carreira solo do músico, acompanhado por sua mulher, Yoko Ono.

John Lenon e Yoko Ono


Como os outros três, John Lennon nasceu em Liverpool. Segundo consta, durante um bombardeio em 9 de outubro de 1940. A mãe, num instante de ardor patriótico, batizou-o como John Winston Lennon, em homenagem ao primeiro-ministro Winston Churchill. O pai era – como o próprio John diria mais tarde – “um dos sujeitos mais quadrados do mundo” e, neste sentido, John foi o oposto dele. Criado por sua tia, Mimi, Lennon sempre foi um garoto inquieto e extrovertido, cujo interesse pela música veio ao final de seu período escolar: primeiro por uma gaita e, depois, pela guitarra, influência da febre do rock e de nomes como Bill Haley e seus Cometas, Little Richard e Elvis Presley. Em 6 de junho de 1956, Lennon seria apresentado a Paul McCartney dando início à história da maior banda de rock da história e da mais famosa dupla de compositores de todos os tempos.

– Sempre soube que venceria. E, no dia em que conheci Paul, tive certeza absoluta que mudaríamos os destinos da música – profetizou John, o mais politizado dos Beatles, que estremeceria o mundo não só com seu talento, mas com suas atitudes e protestos em prol de um mundo melhor, mais justo e da mais famosa dupla de compositores de todos os tempos.

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7 de dezembro de 1987 – Brasília é declarada Patrimônio Cultural da Humanidade



Em uma rápida sessão de pouco mais de 30 minutos, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) declarou Brasília Patrimônio Cultural da Humanidade. A decisão foi tomada por consenso devido não apenas às suas características arquitetônicas, mas ao fato de ser a primeira cidade construída no século XX para servir de capital. Na mesma sessão, a Grande Muralha da China também foi tombada pela Unesco.

O tombamento de Brasília foi defendido pelo francês Leon Pressouyére, secretário do Comitê Internacional de Monumentos e Sítios da Unesco, que fez uma breve exposição sobre Brasília afirmando que em junho passado já havia defendido a inclusão da capital no rol das cidades protegidas pela Unesco, mas condicionando-se à adoção de uma legislação protegendo as características da cidade. Segundo ele, isso foi feito e nada mais impedia que Brasília se tornasse o primeiro conjunto urbano moderno a ser tombado. Até então, todos os monumentos tombados pela Unesco tinham pelo menos 100 anos.

Brasília foi apresentada por Luís Felipe Macedo Soares, vice-presidente da delegação brasileira na Unesco. Léon Pressouyére, professor da Sorbonne, mostrou alguns slides e não encontrou qualquer oposião em sua defesa de Brasília, salvo do representante americano no Comitê, que afirmou que seria prematuro premiar um tipo de arquitetura moderna, representada em Brasília, uma vez que ainda não se teria o distanciamento necessário para avaliar sua importância. O francês respondeu que não se tratava de julgar a arquitetura da capital, mas a sua concepção.

O tombamento de Brasília pela Unesco não trouxe qualquer vantagem monetária, nem implicou qualquer espécie de ajuda ou garantia. O aval da Unesco é apenas uma “garantia moral” que pode impedir, no futuro, que a cidade sofra agressões a sua paisagem, como o mastro da Praça dos Três Poderes.

As gestões para tombar Brasília começaram em dezembro de 1985, quando o governador José Aparecido de Oliveira submeteu o dossiê da cidade à Unesco. Em 1986, a Unesco considerou que era necessário proteger as características da cidade, “construída segundo a tese da convenção de Atenas e os trabalhos de Le Corbusier, Oscar Niemeyer e Lúcio Costa”, adotando uma legislação que permitisse a preservação da cidade, o que acabou sendo feito por José Aparecido em outubro. Até então, no Brasil, já eram Patrimônio Mundial as cidades de Ouro Preto e Olinda.

Reações e declarações

De acordo com Oscar Niemeyer, a quem coube o projeto arquitetônico da cidade, Lúcio Costa, responsável pelo projeto urbanistico, e José Aparecido, governador do Distrito Federal, que se empenhou em transformar a capital federal em patrimônio da humanidade, a decisão da Unesco representou um ponto final nas ameaças de especulação imobiliária do local.

- A vantagem desta medida é a garantia para a preservação futura dos elementos fundamentais da cidade. Eu me limitei a conceber uma capital digna do país e, se agora a Unesco considera Brasília uma coisa digna de ser preservada, isso se deve, sobretudo, à inventiva arquitetura de Oscar Niemeyer e ao empenho do governador José Aparecido.

Niemeyer recebeu a notícia com espanto e atribuiu a escolha à própria construção que, além de diferente, foi feita em tempo recorde: quatro anos. - Para Brasília, foi importante porque, agora, tanto o Plano-Piloto como a arquitetura estarão preservados – disse o arquiteto.

Já José Aparecido ficou eufórico.

- Brasília é a capital da latinidade, do terceiro milênio. Representará para o futuro o que Roma representou na antiguidade. Agora contamos também com os olhos do mundo para evitar a especulação imobiliária – disse o governador, que também afirmou ter considerado a decisão da Unesco um “presente dos deuses” e lembrou que Brasília é a única cidade moderna a ter seu arquiteto, como acontecia na antiguidade.

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6 de dezembro de 1971 – Índia reconhece a República Popular de Bengala



Numa medida destinada, segundo observadores, a justificar as incursões de suas forças no território do Paquistão, a Índia reconheceu a República Popular de Bengala, também conhecida como Bangladesh, proclamada pelos rebeldes que lutavam no Paquistão Oriental contra o governo central paquistanês. Em represália, o Paquistão Ocidental rompeu oficialmente relações diplomáticas com a Índia, apesar do estado de guerra então vigente entre os dois países por quatro dias. Foi a primeira vez em 24 anos como países independentes que a Índia e o Paquistão romperam relações diplomáticas.

A declaração de reconhecimento formulada pela primeira-ministra Indira Gandhi no parlamento indiano provocou em Nova Déli uma onda de entusiasmo e patriotismo sem precendentes desde o dia 15 de agosto de 1947, dia da independência do país. Ao anunciar o reconhecimento do novo país, Indira Gandhi assinalou que o povo bengalí “lutando em inferioridade de condições, havia iniciado um novo capítulo na história do seu movimento de libertação”. Acrescentou ainda que os governos e os povos de Banglasesh e da Índia estavam trabalhando conjuntamente pela “liberdade e pela democracia”. De forma dramática a primeira-ministra disse: “Agora que o Paquistão inicia uma guerra contra meu país, o povo de Bangladesh, lutando por sua existência, e o meu povo, combatendo para derrotar a agressão, se acham unidos pela mesma causa”.

Duas horas depois de seu reconhecimento oficial pelo governo indiano, os líderes do regime de Bangladesh anunciaram que manteriam uma posição contrária aos Estados Unidos e à República Popular da China. Referindo-se aos debates do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o ministro de relações exteriores de Bangladesh, Khaudakh Mushtaque Ahmed, elogiou o papel que a União Soviética vinha desempenhando desde que começou a guerra civil do Paquistão Oriental. “Reconhecemos, agradecidos, a profunda simpatia e compreensão que demonstra Moscou por nossa causa. O povo da União Soviética e seu governo conquistaram nossa admiração pelo papel que desempenharam em nossa independência”, disse ele.

O reconhecimento de Bangladesh, com 73 milhões de habitantes, pela Índia, com 600 milhões, constituiu uma segunda divisão do subcontinente indiano que passou então a agrupar três países: Bangladesh, Índia e Paquistão.

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5 de dezembro de 1977 – Egito rompe relações diplomáticas com países árabes



O Egito rompeu relações diplomáticas com Síria, Líbia, Argélia, Iêmem do Sul e Iraque, horas depois que os cinco países, que se opunham às iniciativas de paz do presidente egípcio Anwar Sadat, decidiram congelar suas relações com o governo do Cairo, ao término da Conferência de Tripolí, capital da Líbia.

Anunciada a medida, o governo egípicio deu prazo de 24 horas aos embaixadores desses países para que abandonassem o Cairo. Ao mesmo tempo, ordenou o fechamento de suas representações diplomáticas e a volta imediata dos funcionários egípcios acreditados naqueles países. Depois de divulgado o rompimento, mais de 10 mil pessoas saíram para apoiar a resolução de Sadat.

Em Tripoli, a Argélia, Líbia, Síria, Iêmen do Sul e a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) assinaram um acordo estabelecendo um novo comando militar, denominado Frente de Firmeza, e determinando que “o ataque a um de nós será um ataque a todos”. O sucesso da reunião dos países que se opõem à política de aproximação com Israel do presidente Sadat ficou, contudo, grandemente abalado pelo afastamento do Iraque, após uma disputa com a Síria.

O Iraque retirou-se da conferência no momento em que os debates chegavam ao seu quinto dia, porque considerou as medidas adotadas contra o Egito “insuficientemente energéticas”. O delegado iraquiano, Taha Jazrawl, afirmou que o governo de Bagdá desejava que as resoluções das negociações de paz com Israel fossem rejeitadas e que a Conferência de Genebra não mais se realizasse.

“Sadat é um traidor”, repetiu Jazrawi, passando a criticar a Síria por matar guerrilheiros palestinos na recente guerra do Líbano. “Nossa disputa com a Síria não é pequena”, assegurou, acrescentando que o governo de Bagdá não iria aderir a uma nova aliança militar até que a Síria rejeitasse negociações com Israel.

Com a ausência do Iraque, a conferência também pediu boicote a todas as empresas egípcias que poderiam, no futuro, comercializar com Israel a remoção da sede da Liga Árabe do Cairo para Tripolí e “assistência às forças egípicias” que se opunham a Sadat. O presidente do Egito foi condenado por “seus serviços ao sionismo” e pela “alta traição contra o mundo árabe”.

- Os líderes árabes que rejeitam minha iniciativa de paz só conseguirão dar cabeçadas na parede e não isolar o Egito – comentou o presidente Sadat em entrevista ao semanário norte-americano Newsweek. Acentuou que não se deixaria influenciar pela posição dos países árabes radicais e que continuaria “no caminho que empreendi”.

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4 de dezembro de 1993 – O rock perde Frank Zappa



Frank Zappa, um dos músicos mais iconoclastas e prolíficos do século XX, morreu aos 52 anos, em sua casa, em Los Angeles, em consequência de um câncer contra o qual lutava há vários anos. Segundo Jim Nagle, amigo da família do músico, Zappa foi enterrado no dia seguinte da sua morte, em uma cerimônia privada.

Ao longo de quase 60 discos, o cantor e guitarrista americano construiu uma obra singular e variadíssima, demolindo conceitos e fronteiras entre o rock, o jazz e a música erudita contemporânea e promovendo as mais inusitadas fusões. Pouquíssimo preocupado com as possibilidades comerciais ou a repercussão do que fazia junto à crítica, ele sempre pautou seu trabalho pela invenção, sem qualquer tipo de limite.

Além disso, dentro e fora de suas criações Frank Vincent Zappa Jr., nascido em Baltimore, neto de sicilianos, fez de sua voz um instrumento de defesa da liberdade de expressão nos Estados Unidos, não hesitando em se lançar como anticandidato nas últimas eleições presidenciais americanas e usando sua mordacidade característica para atacar, sempre que podia, as instituições conservadoras de seu país (especialmente Tipper Gore, mulher do então vice-presidente, Al Gore Jr., que fez campanha pela censura a algumas letras de rock e rap). Empresário bem-sucedido – era dono do selo Barking Pumpkin e apostava alto em ligações comerciais com a Rússia e países do leste europeu –, Zappa defendia em sua plataforma coisas como a substituição do imposto de renda por uma tributação do imposto de renda por uma tributação baseada no consumo dos cidadãos.

Com a doença tornada pública desde o final de 1991, quando foi obrigado a cancelar shows por causa da saúde debilitada, Zappa passou seus últimos dias ao lado da mulher – Gail, com quem era casado há mais de 20 anos – e dos filhos Moon Unit, Dweezil, Ahmet e Diva. Abstêmio e extremamente familiar, ao longo da carreira Frank Zappa cometeu algumas das maiores loucuras já vistas em um palco. Mas, desde 1966, o músico já fazia questão de se pronunciar contra as drogas, uma atitude que, em plena Califórnia da contracultura, provávelmente era encarada como uma grande doidera.

Irônico e inovador
Frank Zappa começou a carreira musical tocando bateria, mas passou para a guitarra quando caiu no rock n’ roll, porque achava que o gênero deveria se centrar mais no instrumento. Fã desde a adolescência de compositores contemporâneos, como Edgar Varése, ele começou a fazer dinheiro com música compondo trilhas para filmes obscuros. Foi assim que conseguiu montar seu próprio estúdio e ganhar autosuficiência para, mais tarde, em 1966, gravar com a banda The Mothers of Invention o histórico Freak out – primeiro álbum duplo de rock e primeira obra conceitual do gênero. Daí por diante sua carreira foi uma revolução só: fosse ao vivo, introduzindo elementos tresloucadamente teatrais em seus shows, ou em estúdio, convocando músicos eruditos para sessões de audioliberação, com partitura. Em carreira solo, Zappa deu vazão a seu interesse por Stravinski e a música contemporânea já a partir do primeiro disco, Lumpy gravy, de 1967. E foi ironizando a tudo e a todos, sem medo da baixaria e da vulgaridade, que construiu uma extensa discografia onde constam pérolas como We’re only in it for the money, Sheik Yerbouti, Joe’s garage e Jazz from hell – trabalho que lhe deu o único Grammy de toda sua carreira.

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3 de dezembro de 1996 – Morte e horror no metrô de Paris



Duas pessoas morreram e 48 ficaram feridas – sete delas em estado crítico – em consequência da explosão de uma bomba na estação de metrô Port-Royal, no Quartier Latin parisiense. Imediatamente o primeiro-ministro Alain Juppé determinou a reativação de um plano de segurança de emergência – conhecido como Vigipirate – acionado em 1991, durante a Guerra do Golfo, e sobretudo a partir de julho de 1995, durante 14 meses, por causa de uma onda de atentados então atribuídos a extremistas argelinos.

A explosão de uma garrafa de gás de 13 quilos ocorreu no início do horário de rush vespertino, num dos vagões de uma composição do trem subterrâneo rápido que serve certas estações importantes da área metropolitana e subúrbios de Paris (RER). O atentado, na confluência dos bulevares de Montparnasse e Saint-Michael, ocorreu a duas estações de distancia da estação Saint-Michel, onde um ataque deu início à onda de atentados de 1995.

“Ouvimos uma enorme explosão e começaram a nos dizer que saíssemos, mas nem podíamos respirar com tanta fumaça. Era só pânico e medo”, disse um passageiro. Cerca de metade dos feridos estava na plataforma quando ocorreu a explosão.

Pela televisão, o presidente Jacques Chirac disse que “diante de tais fatos inaceitáveis de barbárie contra pessoas inocentes”, gostaria de afirmar sua determinação, a do governo e a de toda a nação de lutar com todos os meios contra todas as formas de terrorismo. Juppé reativou sem demora o plano Vigipirate, e o ministro do Interior, Jean-Louis Debré, se reuniu com diretores de companhias de metrô, ônibus e trens para reorganizar o patrulhamento intensivo – com policiais, paramilitares e soldados – em estações, aeroportos, fronteiras e prédios públicos suscetíveis de serem alvos de atentados.

Uma hora depois, mais de uma dezena de ônibus e dezenas de carros de patrulha da polícia estavam estacionados junto à estação, no Bulevar de Montparnasse. Três horas depois, ambulâncias ainda deixavam a cena, embora os feridos mais graves já tivessem sido levados para hospitais.

As principais suspeitas relacionadas com a explosão recaíram sobre o terror argelino. Após a onda de ataques de 1995, dezenas de suspeitos mulçumanos foram detidos e a polícia matou num tiroteio Jaled Kelkal, líder de um grupo suspeito de ter promovido um atentado contra o trem de alta velocidade (TGV) em Lyon.

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2 de dezembro de 1982 – Homem recebe o primeiro coração artificial do mundo



“Se estou vivo até agora é porque outros serviram de cobaia. Acho que chegou a minha vez e quero fazê-lo”. Com essa disposição, Barney Clark, um dentista aposentado de 61 anos, tornou-se o primeiro homem a receber um coração artificial que, esperavam os médicos, pudesse mantê-lo vivo por pelo menos dois anos. A cirurgia foi realizada no Centro Médico da Universidade de Utah pela equipe do médico William Devries, nos EUA.

Clark sofria de uma cardiomiopatia – enfraquecimento generalizado do músculo cardíaco, com perda da força do coração, quadro conhecido pelos médicos como “insuficiência cardíaca congestiva. Ele seria operado durante o dia, mas de madrugada seu estado piorou e seu coração começou a fibrilar. Depois de levar choques para restabelecer os batimentos, Clark foi levado às pressas para o centro cirúrgico.

O coração artificial, conhecido como Jarvik-7, foi desenvolvido pelo médico Robert Jarvick, de 36 anos, que começou a trabalhar no aparelho após a morte do pai em virtude de uma doença do coração. O projeto do coração artificial ustou 7 milhões e 500 mil dólares, disse o médico Wilheim Koin, do Instituto Nacional de Saúde, e um dos criadores do rim artificial. Antes de ser implantado num ser humano, o coração artificial foi experimentado em 250 animais, como cães e bezerros, que viveram por mais de um ano com o órgão mecânico. A operação custou cerca de 20 mil dólares.

Barney Clark foi definido pelos médicos, durante várias entrevistas coletivas, como “o paciente ideal para esse tipo de cirurgia”. Ele já estava velho demais para receber qualquer transplante, seu coração já não respondia aos remédios que vinha tomando e tinha uma grande vontade de viver, conforme expressou à mulher na noite anterior à cirurgia, quando começou a sentir-se pior. A operação durou sete horas e durante esse tempo o coração de Clark foi removido enquanto um coração artificial o mantinha vivo.

Segundo os médicos, Clark só poderia deixar sua casa por tempos pequenos, no máximo três horas, mas, mesmo assim, sua mobilidade seria superior à que ele tinha com o seu antigo coração, que o confinava a uma cadeira de rodas. Para poder operar, os médicos de Utah submeteram o aparelho à aprovação da Administração Federal de Drogas e Alimentos (FDA) dos EUA, que deu permissão para seu uso em seres humanos.

Apesar das expectativas dos médicos, o coração artificial Jarvik-7 não foi um sucesso. Barney Clark viveu 112 dias com o coração e acabou sucumbindo às complicações causadas pelo aparelho. Entretanto, seu projeto foi importante para criar modelos de corações artificiais aprimorados e que hoje salvam dezenas de vidas.

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1 de dezembro de 1995 – Os 60 anos de Woody Allen



Em 1995, o Caderno B do Jornal do Brasil dedicava uma de suas páginas ao diretor de cinema americano Woody Allen, que na época completava 60 anos de idade e, hoje, alcança os 74, como um dos mais importantes e cultuados diretores em atividade.

Nascido Allan Stewart Konigsberg, no Bronx, mas criado no Brooklyn, aos 16 anos o comediante já colaborava em colunas humorísticas de jornais nova-iorquinos. Antes de tornar-se um sucesso, Allen fez uma carreira brilhante em clubes de comédia de todo o país, e escreveu para TV e teatro. Quando Noivo neurótico, noiva nervosa (Annie Hall) ganhou quatro prêmios Oscar – o diretor preferiu tocar clarineta com sua banda no Michael’s Pub a comparecer à cerimônia -, Allen deixou de ser considerado apenas um comediante e passou a ser visto como um autor sofisticado. Seus filmes cresceram em complexidade e se tornaram – no bom sentido – pretensiosos, sem, no entanto, perder a esperteza ácida dos diálogos que ele escreve como poucos. Apesar de ele mesmo dizer que seus filmes nunca chegaram perto da profundidade psicológica das obras de seu ídolo máximo – o sueco Ingmar Bergman – a verdade é que poucos autores modernos falam com tanta clareza sobre relacionamentos humanos quanto Allen. “Seus filmes são tão leves que muitas vezes esquecemos a complexidade de seus personagens”, elogiou David Ogden Stiers, ator de Poderosa Afrodite.

Para cineastas emergentes, Allen representa a possibilidade de se atingir uma total liberdade criativa em uma indústria totalmente voltada para a massificação e o lucro. “Não existe um cineasta nos EUA que tenha tanta liberdade de trabalho quanto Woody Allen”, afirmou o ator Danny Aiello, que já trabalhou com Allen em A rosa púrpura do Cairo e A era do rádio. O acordo de Woody Allen com seus produtores é simples: ele entrega o filme num determinado prazo e não ultrapassa o orçamento. Em troca, filma o que quiser, com os atores que quiser e não submete seus roteiros à aprovação de nenhum chefe de estúdio. “Não conseguiria trabalhar de outra forma”, disse Allen em uma entrevista à revista New York. Outra característica marcante do modo de trabalhar do diretor é a liberdade de que ele dá à sua equipe. “Ele não gosta de ter controle total sobre o set de filmagens. É muito aberto a sugestões” disse o fotógrafo Sven Nykvist, que trabalhou com Allen em A outra e Crimes e pecados.

Estilo e Nova Iorque
Uma das maiores qualidades do cinema de Woody Allen é a capacidade de surpreender o público com mudanças de estilo. Apesar de seus diálogos afiados serem fáceis de reconhecer, a verdade é que seus filmes nunca são parecidos em estilo. Principalmente nos últimos anos, qualquer um pouco familiarizado com o trabalho do diretor teria dificuldade em adivinhar que o mesmo diretor que fez os pesados interiores, dirigiu também Annie Hall, ou que o autor do falso documentário Zelig pudesse escrever o farsesco Broadway Danny Rose ou o teatral Setembro. Além disso, grande parte da obra do cinema de Woody Allen é marcada por sua afeição por Nova Iorque. “Hoje Nova Iorque já não é a mesma de quando eu era jovem”, disse o diretor ao jornal New York Times. “Antigamente você andava por Times Square, com todos aqueles cinemas gigantescos e prédios antigos, e sentia a vibração, no ar, era excitante. Hoje a cidade está bem mais suja e cheia de neon. Mesmo assim, é a melhor cidade do planeta”. Talvez por isso o diretor tenha voltado sua atenção à outras cidades do mundo, estando o Rio de Janeiro cogitado para o cenário de seu próximo filme.



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