Arquivo de January 2010

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31 de janeiro de 1956– JK assume como Presidente do Brasil




Às 15h do dia 31 realizou-se a cerimônia de posse do presidente Juscelino Kubitschek e do vice, João Goulart, no Palácio Tiradentes, no Rio de Janeiro. Logo após a solenidade, o presidente eleito seguiu com João Goulart para o Palácio do Catete, desfilando em carro aberto, para o ato de transmissão do cargo. Os dois foram recebidos por uma multidão de pessoas que saudavam o novo governante ao som de uma banda militar. Após ouvirem o Hino Nacional, Juscelino e Jango encaminharam-se para o salão nobre do Palácio, onde Juscelino recebeu do presidente em exercicio Nereu Ramos a faixa presidencial, símbolo do mais alto posto do Poder Executivo da República.

“Prometo manter, defender e cumprir a Constituição da República, observar suas leis, promover o bem geral do Brasil, sustentar-lhe a união, a integridade e a independência”, declarou Juscelino ao tomar posse.

Na manhã do dia seguinte, JK encontrou-se com os ministros para a primeira reunião oficial enquanto Presidente. “Na primeira reunião ministerial do presidente Juscelino, foi feita uma análise ampla da situação econômica e financeira do país, tendo ele realçado a gravidade da crise financeira e exposto as linhas mestras do plano do Governo que viria a superar o desequilíbrio atual”, dizia a nota divulgada pela assessoria do presidente. Após a exposição de Juscelino, todos os novos Ministros de Estado se pronunciaram mencionando os problemas de suas respectivas áreas. Manifestaram-se no sentido de que o programa de governo deveria manter uma unidade de ação, concordando todos com as palavras proferidas pelo Presidente da República.

Já na sua primeira reunião, JK estabeleceu as metas de desenvolvimento do seu plano de governo para o quinquênio 1956-1961, as quais foram anunciadas ainda na sua campanha eleitoral. Ele afirmou ainda que as mesmas estariam sujeitas a revisão durante o primeiro ano de seu governo. Os setores que sofreriam mudanças radicais a fim de acelerar o desenvolvimento econômico e tecnonógico do Brasil seriam os de Energia, Transportes e Comunicações, Alimentação e Indústria de Base.

Eleito pelo voto popular em 1955, o candidato da aliança PSD-PTB governou o Brasil até o fim de seu mandato, em 31 de janeiro de 1961. O seu governo foi baseado no desenvolvimento econômico acelerado, e teve por lema “Cinquenta anos em cinco”. O ponto culminante do goveno JK foi a construção da nova capital, Brasília, projeto previsto em três constituições brasileiras, cujo objetivo era de integrar todas as regiões do país, gerar empregos e promover o desenvolvimento do interior do Brasil.

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30 de janeiro de 1933 – Hitler é nomeado Chanceler alemão

Hitler é nomeado Chanceler alemão. Jornal do Brasil:Terça-feira, 31 de janeiro de 1933

Após vários anos de implacavel luta política, o Partido Nacional Socialista Alemão, chefiado por Adolf Hitler, conseguiu chegar ao poder e, em colaboração com outros grupos pan-nacionalistas, assumir a alta direção dos negócios públicos do Reich.

Nos últimos pleitos eleitorais realizados na Alemanha, os nazistas conquistaram o controle do Reichstag {parlamento alemão}, mas nem o Presidente da República, marechal von Hindenburg, e nem os ex-chanceleres von Papen e von Schleicher, julgavam prudente a nomeação de Hitler como primeiro-ministro da República, devido ao temperamento exaltado do ex-combatente da Primeira Guerra, mas nada puderam fazer para que Hitler não ascendesse ao poder: o Partido Nacional Socialista tinha maioria dos votos no Parlamento Federal e não admitia outra coisa a não ser a chancelaria do Reich. Assim, Hitler, chefe da maioria da representação legislativa, assumiu o cargo montando um novo Ministério junto aos demais grupos nacionalistas alemães e resolveu a crise política e parlamentar da Alemanha. Ao ser nomeado chanceler, Hitler prometeu ao presidente Hindenburg que respeitaria as leis da nação para evitar problemas diplomáticos europeus.

Como medidas de precaução, o presidente nomeu como vice-chanceler um homem de sua confiança que já havia ocupado o cargo que então estava sendo entregue a Hitler, o Sr. von Papen, e exigiu que o Barão von Neurath fosse mantido à frente do Ministério das Relações Exteriores, para prosseguir com os seus trabalhos que eram bem vistos pelos demais países europeus.

A nomeação de Hitler como chanceler do Reich provocou manifestações contrárias logo após a posse do futuro ditador. A Comissão Executiva do Partido Comunista iniciou uma campanha por meio de jornais e panfletos, incentivando o povo a uma greve geral. “Sua ascenção ao poder constitui um golpe de Estado contra os trabalhadores”, dizia a nota divulgada pelo partido. A grande imprensa, porém, se posicionou a favor do novo Chefe de Governo, celebrando sua nomeação ao cargo como um acontecimento histórico inspirado no exemplo fascista, caracterizando-o como uma grande mudança na política do Reich.

Hitler ocupou o cargo de chanceler até a morte do presidente Hindenburg em agosto do ano seguinte. A partir daí, ele fundiu em suas mãos as funções de chanceler e presidente, instalando uma ditadura baseada nos ideais de superioridade da raça ariana e de hegemonia germânica na Europa, o que levou, seis anos mais tarde, ao maior conflito bélico do século XX: a Segunda Guerra Mundial. A ditadura de Hitler só terminou com o seu suicídio em 1945, na antevéspera da rendição incondicional das forças alemães frente aos Aliados e o fim da guerra na Europa.


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29 de janeiro de 1981 – Suárez deixa o Governo da Espanha




O Presidente do Governo Espanhol, Adolpho Suárez, também Chefe da União do Centro Democrático (UCD), demitiu-se no dia 29 de ambas as funções. O seu pedido foi entregue ao Rei Juan Carlos I, que abriu o processo sucessório. Suárez disse que motivos pessoais causaram a sua demissão, mas, na realidade, a crescente oposição no seu partido e a contestação no interior da própria administração levaram-no a tomar esta atitude.

“Nas atuais circustâncias, a minha saída é mais benéfica para a Espanha do que minha permanência na chefia do Governo”, disse Suárez em comunicado veiculado no rádio e na televisão do país. O ex-governante afirmou que não foi forçado por ninguém a deixar também o partido democrata, mas que resolveu abdicar do mesmo por conta própria. “Não saio por cansaço nem por ter sofrido um revés superior à minha capacidade, não saio por temer o futuro, mas porque as palavras parecem já não serem sufucientes, e ser preciso demonstrar com fatos o que somos e o que queremos", justificou.

Em meio a uma crise sindical que paralisou a Espanha por algumas horas, a demissão de Suárez soou como uma catástrofe política esperada: teve impacto, mas não surpresa. Suárez vinha sendo contestado dentro do próprio Governo e esta situação tornara-se insustentável às vésperas do Congresso da UCD, com o crescimento da oposição dos democratas-cristãos. A escolha do seu sucessor seria proposta nos dias seguintes pelo rei Juan Carlos I, através do presidente do Congresso, depois de efetuadas consultas com os representantes dos partidos políticos.

O Arquiteto do Governo

Chefe do Governo desde julho de 1976, coube a Suárez o papel de arquiteto da Espanha democrática, já que foi o primeiro a assumir o cargo após o fim da ditadura do general Franco, que governou o país de 1939 a 1975, ano de sua morte. Nos cinco anos que se seguiram à morte do ditador, a Espanha sofreu uma metamorfose política que se estendeu de uma ditadura sanguinária a uma democracia parlamentar e liberal, sem que tivesse ocorrido uma revolução. A administração de Suárez vinha sofrendo pressão dentro da UCD, que piorou em setembro de 1980, forçando-o a fazer uma reforma em seu Gabinete, mas que não foi suficiente para conter a insatisfação de membros da UCD, de políticos da corrente comunista e da população. A economia espanhola estava fragilizada pela crise política e o aumento do desemprego e da inflação geravam revolta popular. O arquiteto da democracia não conseguiu redesenhar o contorno da economia e redefinir o quadro político abalado. Assim, cedeu às pressões demitiu-se dos cargos que ocupara com louvor durante cinco anos

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28 de janeiro de 1943 - Vargas chega a Natal para receber Roosevelt




O presidente Getúlio Vargas chegou a Natal, no Rio grande do Norte, para uma conferência com o presidente norte-americano, Franklin Roosevelt, com o propósito de firmar uma aliança militar e política entre o Brasil e os Países Aliados, no contexto da Segunda Guerra Mundial. Nasceu desta reunião a idéia da criação da Força Expedicionária Brasileira (FEB), uma divisão de 25.334 militares brasileiros que lutaram ao lado dos Aliados na Itália no final da guerra.

“Os países aliados preparam-se para uma guerra longa. O poderio militar da Alemanha está em declínio e pode haver um colapso de um momento para o outro. Estamos absolutamente certos da vitória”, declarou Getúlio Vargas em uma coletiva de imprensa dois dias após chegar a Natal.

Getúlio Vargas chegou a Natal no dia 28, e pernoitou em um navio de guerra para se preparar para a conferência com Roosevelt, que chegaria da África na manhã do dia seguinte. Os presidentes se encontraram durante o almoço, passaram em revista as forças armadas brasileiras e norte-americanas – do Exército, Marinha e Aeronáutica – e no decorrer da tarde trocaram idéias sobre os problemas da guerra mundial e o esforço bélico conjunto do Brasil e dos Estados Unidos.

“[No encontro] tratamos de assuntos referentes à guerra e, também, de outros que possivelmente se apresentarão no após-guerra. Preponderou, entretanto, a necessidade de vencer a luta, e sob este aspecto muito conversamos sobre a cooperação do Brasil com os Estados Unidos, cooperação integral e sem restrições. Uma vez que estamos em guerra, a nossa cooperação com os Estados Unidos deve ser completa. Tudo quanto eles julgarem necessário e útil, nós continuaremos a fornecer”, disse Getúlio Vargas no dia 31, não explicando porque os detalhes da Conferência tinham sido mantidos em sigilo até o momento da coletiva.

A idéia da FEB, no entando, não foi consolidada nessa conferência, que oficializou a cooperação do Brasil com os Estados Unidos no esforço de guerra, já que o primeiro escalão da Força Expedicionaria Brasileira somente partiu para a Itália em julho de 1944. O final da guerra contra o fascismo e o retorno da FEB ao Brasil deram origem a manifestações populares que precipitaram a queda de Getúlio Vargas e o fim do Estado Novo no país.



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27 de janeiro de 1973 – Acordo põe fim à Guerra do Vietname




A assinatura de dois acordos pelo Secretário de Estado dos Estados Unidos e os Ministros das Relações Exteriores dos governos do Vietname do Sul, Vietname do Norte e Governo Revolucionário Provisório – Vietcong – , realizadas em duas cerimônias no dia 28 de janeiro, em Paris, selou o fim da Guerra no Vietname, que durou mais de dez anos. Os acordos previam o fim da ação militar norte-americana na região, além de um cessar-fogo entre Norte e Sul e a libertação dos prisioneiros de guerra.

“Hoje as armas serão emudecidas e a paz descerá sobre o Vietname. Nosso povo se prepara para viver esta nova era com a determinação de elevar bem altos os conceitos de paz e concórdia, seguindo à risca as cláusulas do acordo”, disse Le Due Tho, o principal negociador norte-vietnamita na Conferência de Paris.

O acordo determinou que a partir do dia seguinte a sua assinatura, os Estados Unidos deveriam iniciar a retirada de todo o seu contingente militar do Vietname, além de cortar a ajuda financeira que forneciam às tropas do Vietname do Sul. “Terminou para os Estados Unidos uma longa e dura prova. Nossa nação logrou seu objetivo de paz com honra no Vietname. Nenhum momento pode ser mais oportuno para se orar com ânimo agradecido e meditar, do que este em que começa a paz”, declarou o Presidente norte-americano, Richard Nixon, no dia anterior ao da assinatura dos acordos.

Nguyen Van Thieu, último presidente sul-vietnamita antes da unificação entre Norte e Sul (1975), no entanto, anunciou que, apesar da luta ter acabado, os acordos deram início à guerra política na região. Thieu criou o Comitê Nacional de Liderança para a Guerra Política, composto por 300 mil membros civis e militares, cujo objetivo era de combater a propaganda vietcong nas cidades do interior do país, devendo coibir qualquer atitude comunista suspeita. “Não será tolerado nenhum tipo de ação dos comunistas nem qualquer tentativa de reunião política ilegal”, afirmou. O Governo do Vietname do Sul temia que as “Manchas de Leopardo” (zonas ocupadas pelo vietcong) se espalhassem pelo território após a retirada militar dos norte-americanos, na noite do dia 27.

Na realidade, a guerra entre o Norte e o Sul não acabou com o fim da participação norte-americana. Os conflitos se estenderam por mais dois anos até que, em 1975, houve a rendição total do exército sul-vietnamita após a ocupação de Saigon.

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26 de janeiro de 1931 – Morre o escritor Graça Aranha





O escritor, jurista e diplomata Graça Aranha faleceu na noite do dia 26 de janeiro, vítima de um edema pulmonar, no Rio de Janeiro. O Jornal do Brasil, recebeu a notícia quase que ao fechamento de sua edição e fez uma homenagem ao ilustre escritor.

José Pereira da Graça Aranha nasceu em junho de 1868 em São Luíz do Maranhão. Bacharelou-se em direito pela antiga Faculdade do Recife. Atuou como advogado e juiz. Foi membro fundador da Academia Brasileira de Letras e ingressou mais tarde na diplomacia, em cuja carreira se destacou pelos seus dotes de patriotismo de cultura e inteligência.

Tendo divergido do golpe de Estado de Deodoro (1891 – no qual o proclamador da República dissolveu o Congresso e estabeleceu um governo autoritário), Graça Aranha moveu contra o presidente tenaz oposição, razão pela qual foi demitido do cargo que exercia no Rio de Janeiro como procurador. Após o episódio, Aranha partiu para o Espírito Santo, para assumir um posto de juíz municipal em uma cidadezinha do interior do estado, oportunidade que lhe rendeu material para o seu trabalho mais reconhecido, “Canaan”, publicado com grande sucesso editorial em 1902.

Como diplomata, Graça Aranha foi delegado do Brasil em várias missões, incluindo uma à França durante a Primeira Guerra, que o inspirou para escrever outro romance conhecido, “Malazarte”, de 1915. Em 1922 participou da Semana de Arte Moderna e em 1924 rompeu com a Academia Brasileira de Letras, acusando-a de imobilismo literário.

Precursor do futurismo no Brasil, Graça Aranha ainda foi, na última fase da sua atividade literária, combatido, não apenas pelos adeptos da escola, mas também por muitos dos novos futuristas, principalmente entre os que criaram a corrente denominada atropofagismo.

“Ele era magistrado, diplomata, romancista, ensaísta, escritor brilhante, às vezes confuso, que escrevia pouco, com muito ruído”, declarou o romancista Afrânio Peixoto, algum tempo depois da morte de Graça Aranha.




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25 de janeiro de 1971 – Uganda sofre um doloroso golpe militar




Um golpe militar em Uganda, liderado pelo comandante das Forças Armadas, Idi Amim, depôs o presidente Milton Obote, depois de 12 horas de luta na capital Kampala e em outros pontos do território nacional. O presidente Obote governava o país desde a sua independência, em 1962.

Batalhões de infantaria e carros blindados entraram de madrugada em Kampala, bombardeando a porta principal do aeroporto internacional de Entebbe. O Parlamento e o palácio Presidencial foram cercados em meio a intenso tiroteio entre rebeldes e forças governamentais, que causou dezenas de mortos e feridos. O presidente Obote, que se encontrava em Cingapura, seguiu para Nairobi, capital do Quênia, onde os membros de seu governo pediram que ficasse até que a situação melhorasse.

Idi Amim, em mensagem veiculada na rádio do país, anunciou que o novo Governo seria formado por membros do exército e da polícia, cujo chefe, E. W. Oryema, foi o principal colaborador nas operações que levaram ao golpe. “Nossa ação foi realizada pelo interesse do povo”, declarou. E acrescentou: “Obote e as pessoas de sua tribo tentaram apoderar-se de todos os postos-chaves do país e dividir o Exército para enfraquecê-lo, dedicando-se ao enriquecimento ilícito, possuindo muitos bens”.

Amim anunciou também que o novo Governo pretendia reafirmar vínculos amistosos com outros países, mas que qualquer tentativa de intervenção por parte de governos estrangeiros seria “imediatamente esmagada”.


Uganda antes do golpe


Até maio de 1970, Uganda era considerada uma nação moderada entre a Tanzânia, de tendência socialista, e o Quênia, com inclinação capitalista. A partir daí, o presidente Milton Obote anunciou que seu Governo caminhava para a nacionalização do setor privado e estrangeiro da economia, revelando seu lado esquerdista até então oculto. Além de mudanças na economia, Obote começou uma reforma na educação para “evitar o enriquecimento de poucos indivíduos privilegiados”, o que desagradou setores direitistas da sociedade, principalmente as Forças Armadas, que o depuseram em 1971, ocasião em que Idi Amim assumiu o poder.

O ditador Amim controlou Uganda com rédeas curtas até 1979, quando foi derrubado por um exército rebelde apoiado pela Tanzânia. Antes disso, o golpista expulsou do país todos os residentes de origem indiana e promoveu o assassinato de mais de 300 mil pessoas.

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24 de janeiro de 1967 – Promulgada a Quinta Constituição da República




Às 15h55 do dia 24 de janeiro, o Presidente do Congresso, Auro de Moura Andrade, declarou promulgada a nova Constituição do Brasil, na presença apenas de Ministros de Estado, membros do Corpo Diplomático, 300 pessoas nas galerias e cem dos 469 parlamentares que a votaram na madrugada do dia anterior. A Carta, que entraria em vigor em março, tinha como objetivo legalizar o regime militar instaurado no Brasil três anos antes.

“O Congresso não deliberou um impossível e inadequado projeto, porém soube coroar com êxito o corpo legislativo da reforma brasileira iniciada em março de 1964”, afirmou o Presidente da República Castelo Branco, ao receber os parlamentares no Palácio do Planalto. O presidente atribuiu o êxito do trabalho do Congresso à vitória eleitoral da ARENA nas últimas eleições (novembro de 1966). “As eleições deram ao Partido da Revolução a autoridade para institucionalizar o movimento de 64”. E acrescentou: “A nova Constituição proporcionará, sem dúvida, uma época estável e duradoura, sobretudo por substanciar o aperfeiçoamento das instituições democráticas e condicionar o desenvolvimento à paz social e à segurança nacional”.

Na contramão, a oposição divulgou um manifesto logo após a promulgação da Carta, dizendo que “a Nação, humilhada e ofendida, exigia a revisão da Constituição antidemocrática” e convocou todo o povo brasileiro para uma “campanha de restauração da democracia”. Segundo a nota do MDB, o documento institucionalizava o arbítrio, visando a instauração de um regime neocolonial capaz de manter o processo da desnacionalização das riquezas do Brasil e a submissão do país à política de guerra das grandes potências.

Em resposta à nota do MDB, o presidente da ARENA, senador Daniel Krieger, afirmou que o movimento popular contra a nova Carta não teria condições de ter sucesso enquanto permanecesse o espírito da “Revolução”.

A Constituição de 1967 foi a quinta da República e sexta do Brasil, tendo como objetivo institucionalizar o governo militar após o golpe de 1964, incorporando a ela os quatro Atos Institucionais decretados anteriormente. Com ela, aumentou-se a influência do Poder Executivo sobre o Legislativo e o Judiciário, que passaram a ser meros espectadores das decisões autoritárias do Executivo.

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23 de janeiro de 1989 – Salvador Dalí encerra sua saga surrealista




Salvador Dalí, aos 84 anos, encerrou sem um cenário daliniano sua saga surrealista - cinco dias depois de ter sido internado em consequência de uma insuficiência cardio-respiratória, em um hospital espanhol. Seu estado de saúde era crítico devido a uma pneumonia, mas se manteve lúcido até o último piscar de olhos. Com o cérebro prejudicado por uma arterioesclerose, um marcapasso no peito, alimentando-se mediante um conduto gastronasal, com parte do corpo queimado – consequência de um incêndio em seu quarto (1984) – na penúltima vez em que foi levado para o hospital pediu uma televisão: desejava saber como noticiaram a sua morte. Não foi um pedido moribundo. Dalí se considerava imortal e acreditava em uma segunda vida.

O pintor estava doente muito antes de sua morte, e o falecimento da esposa, em 1982, piorou seu quadro. Por causa disto, em 1984, já o davam como morto. “Sem Gala, eu não sou Dalí”, dizia em suas entrevistas. Durante seis anos resistiu. Não podia pintar, nem desenhar. Alimentava-se mal. Era um velho dependente da medicina.

A russa Gala, ex-mulher do poeta francês Paul Eluard, foi o grande amor de sua vida. Ele a roubou do rival na década de 1920, cobrindo-a com excremento de cabra e pulando como um selvagem. O excêntrico galanteio funcionou e Gala passou a ser sua parceira, ensinando-o a dar valor ao dinheiro, o que contribuiu para arrecardar a imensa fortuna que Dalí acumulou durante a vida.

A fome pelo dinheiro o fez criar muitos inimigos, principalmente os artistas do movimento surrealista da década de 1920. Dalí garantia que gostava de fazer as pazes com quem brigava, mas muitos de seus amigos, como o cineasta Luís Buñuel – que perdeu o emprego após ser chamado por Dalí de comunista publicamente – jamais o perdoaram pelas duras críticas e pelos comentários públicos e inconvenientes característicos do pintor.


O pintor irreverente

Salvador Dalí nasceu na Catalunha - Espanha, em 1904, e, ao morrer, era o último sobrevivente das vanguardas históricas do século XX, das quais talvez tenha sido o representante mais famoso, depois de Picasso. A fama não se deveu à qualidade da sua pintura, uma coqueluche nos Estados Unidos nos anos 40 e 50, mas foi suficiente para ele sobreviver à expulsão do grupo surrealista, à decadência artística e às críticas da Espanha franquista.

Seu trabalho mais reconhecido foi realizado nas décadas de 20 e 30: era a materialização de imagens oníricas, supostamente reflexos de uma certa realidade interior, havia pouco desvelada pela psicanálise. E aprovadas por Freud, que o declarou um grande pintor, o único dos modernos que não considerava louco. Dalí ajudou a popularizar o inconsciente, uma das noções centrais da teoria psicanalista. E nisto, Salvador Dalí pode ser considerado com certeza um homem da vanguarda.

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22 de janeiro de 1975 – O centenário do pai do cinema moderno




Há exatos 35 anos o Jornal do Brasil homenageava o cineasta David Wark Griffith, que, se estivesse vivo na época, estaria completando um século de existência. Griffith nasceu em Kentucky, nos Estados Unidos, em 1875, e é considerado o pai do cinema, não por ser seu inventor, mas por ter criado a “moderna técnica da arte cinematográfica” tal qual conhecemos atualmente. Ele foi um dos pioneiros no cinema norte-americano e, a partir de seu primeiro filme The Adventures of Dollie (1908), chegou a realizar cerca de cinquenta flimes por ano. Suas obras mais famosas, consideradas marcos na história do cinema são O Nascimento de uma Nação (1915) e Intolerância (1916).

Griffith iniciou sua carreira como diretor em 1908, após inúmeras tentativas de trabalhar em outros ofícios, e tomou como primeira medida o aumento do número de cenas usadas em um filme. A literatura foi sua fonte de inspiração para reformular a linguagem cinematográfica. Com ele, a câmera esquecia suas origens fotográficas, deixando de lado o tripé invariavelmente preso ao solo para tomar consciência de sua mobilidade. A filmagem objetiva passou a ser subjetiva. Ele fez o espectador participar da ação e se identificar com seu herói. Decobriu que o movimento da câmera se ampliava pela montagem, multiplicando também a emoção, arrastando com ela o espectador. Levou a câmera para perto dos atores a fim de mostrar suas expressões faciais, inventando o close-up. Ampliou o uso do grande plano. Utilizou, pela primeira vez, o flashback e a montagem paralela para obter efeito emocional e criar um suspense na narrativa. Também foi pioneiro na utilização de mudanças de luz e sombra para expressar atmosfera.

Sua obra-prima, O Nascimento de uma Nação, foi um sucesso de público, mas amplamente rejeitado pela crítica devido ao seu conteúdo racista, um filme no qual os negros (brancos com os rostos pintados) eram os vilões da guerra civil norte-americana. A inovação, portanto, não foi no conteúdo propriamente dito. Ninguém, antes de Griffith neste filme, havia colocado em movimento e em cena tantos elementos técnicos, dramáticos e artisticamente novos.

O dinheiro ganho com O Nascimento de uma Nação foi utilizado na produção de Intolerância, um grande fracasso comercial, mas que serviu como exibição da arte da montagem, em quatro episódios. A gigantesca obra consumiu cem mil metros de película, que, após a montagem, foram traduzidas em três horas e meia de filme. O público da época não estava preparado para tantas inovações, o que fez do filme um fracasso.

Após Intolerância Griffith dedicou-se a fazer filmes publicitários e, logo depois, caiu no esquecimento do público, e assim permaneceu até a sua morte, em 1948. A concepção que Griffith tinha do cinema pode ser resumida por suas próprias palavras, escritas em 1929: “Assim como o dramaturgo escolhe o auditório para quem trabalha, também o cineasta pode escolher o caminho a seguir. Um conduz a resultados imediatos e aos aplausos de uma noite, outro leva ao renome adquirido lentamente, mas para sempre.”

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21 de janeiro de 1983 – BC intervém no Grupo Delfin




O Banco Central decretou intervenção nas sociedades de crédito imobiliário do Grupo Delfin – maior empresa privada de poupança do país na época, que tinha mais de três milhões de depositantes. A intervenção, marcada para o dia 21, foi decidida pelo Ministério do Interior, por proposta do Banco Nacional de Habitação (BNH), com o intuito de que as contas dos depositantes fossem transferidas para agências da Caixa Econômica Federal, até que o grupo pagasse o que restava da dívida de 80 bilhões de cruzeiros com o BNH.

O BNH divulgou comunicado informando que a interrupção da movimentação das contas, nas 83 agências da empresa no Rio de Janeiro e São Paulo, seria “limitada ao tempo estritamente necessário” para a transferência das contas de poupança para a Caixa Econômica. A nota acrescentava que a caderneta de poupança da Caixa seria uma continuação da anteriormente existente na Delfin, e que o depositante não perderia a quantia que havia guardado nos cofres daqula empresa.

O Presidente Figueiredo declarou que hesitou em autorizar a intervenção na Delfin para evitar uma repetição dos traumas financeiros provocados pela intervenções feitas pelo governo Geisel no Banco Halles e na sociedade de crédito imobiliário Vitória Minas. Em abril de 1982, porém, o Chefe da Casa Civil da Presidência, Ministro Leitão de Abreu, considerou preferível a intervenção.

“A minha empresa goza de perfeita saúde financeira”, declarou Ronald Levinshon, dono da Delfin. Segundo ele, até a tarde do dia 20 nada sabia sobre a intervenção federal na sua empresa, apesar de ter declarado anteriormente que negociava quitar as dívidas da Delfin com o BNH vendendo terrenos pertencentes à empresa pelo preço de mercado e não pelo valor venal.

O Grupo Delfin vinha junto ao BNH tomando medidas para regularizar suas atividades e operações desde 1979, quando o déficit da empresa com a União aumentou exponencialmente. O Banco informou em nota no dia 21 que a situação se deteriorou quando o Grupo “esgotou o limite extra que lhe foi deferido e continuou a solicitar formalmente ao BNH aportes financeiros adicionais”. Mesmo com a intervenção do Banco Central, a empresa não conseguiu se manter viva por muito tempo e faliu em 1984, agravando a crise no mercado imobiliário brasileiro, que se estendeu pela década de 1980.

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20 de janeiro de 1961 – Kennedy assume a Presidência dos EUA




Ao assumir, diante do Capitólio, em Washington, o posto de Presidente dos Estados Unidos para os quatro anos seguintes, John Kennedy, do Partido Democrata, estendeu a mão ao mundo, fazendo votos para que os Estados Unidos e as forças comunistas se unissem em uma campanha de paz, caso contrário a humanidade caminharia para um estado de destruição. Apesar de ter caído muita neve no dia, as personalidades mais importantes da política norte-americana estavam presentes, como os ex-presidentes Harry Truman e Eisenhower.

A cerimônia de posse foi simples, Kennedy, em seu discurso, se dedicou a falar dos problemas mundiais e revelou seu programa de governo, que buscaria “novas fronteiras”, comprometendo-se a defender a liberdade do mundo por meio de uma política baseada na força, que exigiria espírito de sacrifício ao povo norte-americano. “Pagaremos qualquer preço, suportaremos qualquer responsabilidade, enfrentaremos qualquer dificuldade, apoiaremos qualquer amigo e nos oporemos a qualquer adversário para assegurar o triunfo da liberdade”, declarou.

O novo presidente fez também uma profissão de fé e de luta contra a miséria. “Aos que vivem em choças e vilarejos e aos que lutam para romper as cadeias da miséria coletiva, prometemos ajudar durante o tempo que for necessário. Isso se trata de uma coisa justa”, prometeu o líder político no momento tido como o mais emocionante da cerimônia. À América Latina, Kennedy fez uma “promessa especial”, anunciando que se dedicaria à criação de uma aliança no continente, cujo o objetivo seria o de combater a “cadeia da pobreza”.


Na Europa, as primeiras reações ao discurso de posse do presidente norte-americano expressaram a grande esperança de que se inaugurasse uma vigorosa liderança dos Estados Unidos. “Ele tem meu total apoio”, disse o chanceler da Alemanha Ocidental Konrad Adsnauer, acrescentando que apreciou o fato de Kennedy ter mencionado que o dia da posse presidencial era de importância decisiva para um chefe de Estado. Em Belgrado (capital da antiga Yugoslávia), o Presidente Tito enviou mensagem de felicitações a Kennedy. “Confio em que vossos esforços pessoais contribuam para a melhoria das relações internacionais”, dizia em nota.

Kennedy governou os Estados Unidos até novembro de 1963, quando foi assassinado ao se preparar para dar início a sua campanha de reeleição em 1964.



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19 de janeiro de 1991 – Inicia-se a segunda edição do Rock in Rio



Em sua primeira noite, o grande show do Rock in Rio II ficou por conta do pequenino Prince. Diante de um público de mais de 50 mil pessoas que enchiam o Maracanã, o cantor norte-americano surpreendeu a platéia, que no início de sua apresentação debandava da frente do palco, devido ao atraso de mais de duas horas para entrar em cena. “Brasil, eu amo você. Você me ama? Porque não me leva com você?”, perguntou o cantor a certa altura do show.

Por meio de músicas como Kiss, Let´s go crazy, Shake e Just a little bit, com citações de Batman e Pantera Cor-de-Rosa, e reprocessamentos de Public Enemy e Living Colour, o rapaz virou o jogo a seu favor. A platéia, antes hostil, animou-se com o gingado de Prince, que precisou interromper os primeiros versos da música Purple para agradecer as palmas. O mulato baixinho e frenético cantou, tocou guitarra e piano numa apresentação calorosa que durou cerca de uma hora e meia.

Outro que empolgou o Maracanã no pique de público antes da meia noite, foi o veterano de Woodstock Joe Cocker, com sua performace rouca e epilética. Apresentado como “primeiro e único”, o inglês calvo e mal barbeado abriu a primeira noite do evento vestindo um paletó escuro sobre camisa de cores psicodélicas, precisando ingerir copos e copos de água mineral entre uma música e outra para não desidratar. Passadas as quase duas horas do início do show, Cocker, empapado de suor, foi ovacionado pelo público que dançou ao som das baladas oscilantes entre o pop, o blues e o rock. Além de homenagear Jimmy Cliff numa letárgica versão de Many rivers to cross, deu ênfase ao repertório pessoal, tocando You can leave your hat on, Shelter me, Guilty, Up where we belong, entre outras.

O segundo a se apresentar na noite do dia dezenove foi o escocês Colin Hay, que não conseguiu empolgar a platéia, que ainda estava hipinotizada com a apresentação de Joe Cocker. Durante o show, Hay alternou velhas e novas canções, adotando um enfoque semi-acústico que acabou por tornar a apresentação monótona. O cantor, no final, recebeu um misto de vaia e aplauso em retribuição a sua apresentação apática.

Jimmy Cliff, por sua vez, recuperou o ânimo do público que dançou ao ritmo do seu reggae. Durante o show, lançou mensagens políticas contra a iminente Guerra do Golfo. Numa delas, dirigiu-se a George Bush (pai), então presidente dos Estados Unidos, aconselhando-o a fumar o cachimbo da paz. “Não queremos um novo Vietnã”, avisou antes de entoar o reggae homônimo, considerado por Bob Dylan um dos hinos antibélicos do planeta.

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18 de janeiro de 1974 – Israel e Egito assinam acordo de paz




No quilômetro 101 da Rodovia Suez-Cairo (Egito), os Chefes do Estado Maior do Egito, General Mohammed Gamassy, e o de Israel, General David Elazar, assinaram um acordo sobre a separação das tropas dos seus respectivos paises, considerado na época como o primeiro passo efetivo para a solução do conflito no Oriente Médio. O Ministro da Defesa de Israel, Moshé Dayan, declarou que o Egito concordou em colocar o Canal de Suez a serviço da navegação internacinoal. “Desta vez, confio realmente que estamos nos distanciando de um estado de guerra”, afirmou. O acordo tinha o objetivo de colocar um ponto final na disputa pelo controle do Canal, que em outubro de 1973, gerou a Guerra de Yom Kipur, da qual os israelenses saíram vitoriosos e assumiram controle da região.


“Durante todos esses anos, os egípcios se negaram a entrar em negociações conosco e aceitar a normalização das atividades do Canal. Agora, contudo, disseram que, ao decidir-se a separação de forças, estariam dispostos a dragar o Canal e a reativá-lo antes de nossa retirada total. Acho que seus rostos se voltaram para a paz”, declarou Dayan.

O General Ariel Sharon, herói da Guerra de Yom Kipur, decidiu deixar o Exército em protesto contra a decisão do governo de aceitar o plano sobre a separação das tropas israelenses e egípcias na frente de Suez. Sharon foi quem dirigiu a invasão do Egito em 1973, colocando na margem ocidental do Canal de Suez a divisão que estava sob seu comando, e classificou como fraca a decisão de Israel em “ceder” à pressão norte-americana.

Após a cerimônia de assinatura do acordo, o Secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger e o presidente do Egito Anwar Sadat decidiram viajar para a Síria para tentar convencer o governo desse país a iniciar negociações de paz com Israel para a separação de tropas na região das Colinas de Golã, ocupada pelo Exército judeu na guerra de 1973. O governo egípcio deixou claro que o conflito era entre todos os judeus e árabes e, por isso, todas as partes deveriam assinar um acordo de paz. Assim, além de viajar à Síria, Sadat decidiu visitar também a Arábia Saudita, o Kuwait e a Argélia.

As relações entre Israel e Egito se normalizaram completamente em 1978, com os Acordos de Camp David, quando o país judeu foi reconhecido por uma nação árabe pela primeira vez na história.

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17 de janeiro de 1973- A arte perde Tarsila do Amaral




Aos 85 anos de idade, vítima de câncer, morreu Tarsila do Amaral, na tarde do dia 17, em um hospital de São Paulo. Nos anos que antecederam a sua morte, Tarsila já não andava, e suas mãos tinham pouca agilidade com os pincéis. Mesmo assim, guardava como uma relíquia a recordação de que fora uma mulher bonita, “musa ausente” da Semana de Arte Moderna de 1922, e inspiradora, com seu quadro Abaporu, do movimento antropofágico.

Tarsila sempre fez questão de se manter fiel às suas origens aristocráticas e à memória de sua beleza. Com um lenço azul, óculos um pouco ultrapassados e rosto maquiado, Tarsila recebia a imprensa nos últimos meses da sua vida para falar da época em que ainda haviam musas inspiradoras. “Atualmente quero viver minha vida, recordar minha infância e manter a minha fé. Por isso nunca posso fazer um céu triste, de aparência tempestuosa”, declarou Tarsila em uma entrevista.

Começou a desenhar muito criança, em uma das fazendas do pai. Tinha também prazer em tocar piano, gosto que conservou até pouco antes de morrer. “Troquei o piano pelos pincéis porque ficava apavorada em ser aplaudida em um palco. Sou muito tímida”, dizia.

Na ebulição da Semana da Arte Moderna de 1922, Tarsila estava na França, estudando desenho e soube da notícia pela também pintora Anita Malfati, por carta. Tarsila se considerava participante da Semana mesmo sem estar presente, e uma vez definiu-a como “uma vitória” por ter acabado com o domínio da estética parnasiana. “Foi um carnaval intelectual permanente até 1930. Só que a elite, que aplaudira no começo, agora tampava o nariz, como se estivéssemos cometendo pecados atrozes. E estávamos: comíamos, bebíamos e respirávmos arte moderna, e isso assustava os bem-pensantes”, revelou.

Em 1968, na retrospectiva, organizada por Araci Amaral e apresentada no Museu de Arte Moderna, o público pode ver a quase totalidade da obra de Tarsila, que nunca deixou de pintar. Mesmo pouco antes de morrer, quando lhe era impossível locomovre-se e suas mãos não obedeciam mais aos seus comandos, ela continuava produzindo, de volta ao ponto de partida: a infância. Os santinhos e cenas da fazenda saiam de seus dedos frágeis em formatos cada dia menores. – suas últimas telas não têm mais do que sessenta centímetros – e de cores sempre muito suaves.

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16 de janeiro de 1979 – Xá do Irã deixa a capital Teerã




Em lágrimas, o Xá Reza Pahlavi e sua mulher, a Imperatriz Farah Diba, deixaram Teerã, após uma breve cerimônia no aeroporto da capital iraniana, para uma temporada de férias em Assuã, no Egito. A partida do Xá, que governou o país por 38 anos, ocorreu depois que a Câmara dos Deputados elegeu o primeiro-ministro Shahpour Bakhtiar – etapa culminante de um processo de revolta popular, que começou em janeiro de 1978, no qual manifestantes exigiam o fim da monarquia e a volta do Ayatollah (líder religioso xiita) Khomeiny, exilado em Paris.

“Convenci o soberano de que a sua partida era a única solução para acalmar a opinião publica, e ele concordou”, afirmou o recém-eleito primeiro-ministro. “Fiz com que ele soubesse que seria eu quem governaria o Irã e que ele [o Xá] ou o Conselho de Regência deveriam contentar-se em reinar. Não posso admitir a ingerência do soberano nos negócios do país”, acrescentou.

Assim que a rádio oficial do Irã anunciou a partida do Xá no noticiário das 14 horas do dia 16, milhares de pessoas saíram às ruas, jogando balas, cravos vermelhos e beijos aos soldados – numa campanha de “amor e reconciliação” entre o povo e os militares – gritando em coro: “O Xá partiu, viva Khomeiny!”. Em meio à multidão, os militares não fizeram qualquer esforço para conter os manifestantes e não houve notícia de violência. “Todo ato de agitação e operação contra o povo será duramente combatido e reprimido”, declarou o Governador militar da capital iraniana.

“A partida do Xá é o primeiro passo para por fim ao governo de cinquenta anos da dinastia Pahlavi. Não é a vitória final, mas seu prelúdio. Meus parabéns ao povo do Irã”, declarou Rubollah Khomeiny de sua casa em Paris. O líder religioso xiita deixou claro que o seu próximo objetivo seria derrubar o governo do premier Bakhtiar e o Conselho de Regência, ao qual o Xá confiou seus poderes constitucionais enquanto estivesse no exterior. Khomeiny ordenou que seus seguidores fizessem uma manifestação contra o atual governo e continuassem com a greve geral, que deixava o país paralisado.





O Trono do Pavão

Mohamed Reza Pahlavi nasceu em 1919, em Teerã. Seu pai era coronel do Exército e foi levado ao poder em 1925, quando o Parlamento iraniano acabou com o governo vigente e ofereceu a ele o posto de Xá, fazendo de seu filho o príncipe herdeiro.

O Xá Reza Pahlavi era um grande admirador dos paises ocidentais, e apoiou a concessão dos enormes campos petroliferos descobertos dursante o seu reinado a companhias britânicas e norte-americanas. Desde que assumiu o lugar do pai (em 1941), ele lançou-se em uma série de programas de industrialização, recebendo estímulo financeiro britânico e norte-americano para o plano de modernização do país.

Em 1975, acabou com os partidos políticos e estabeleceu um governo ditatorial com objetivo de tornar o Irã “uma grande civilização”. O plano repressor não deu certo, e em 1978 a crise econômica agravou-se, e a população revoltada, incentivada pelo Ayatollah Khomeiny, começou uma onda de protestos e greves , que só terminou quando o Xá deixou o país rumo ao Egito. Em fevereiro de 1979, Khomeiny assumiu o poder e governou o Irã até a sua morte, em 1989.

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15 de janeiro de 1985 – Tancredo Neves é eleito Presidente da República



Mais de vinte anos depois da deposição de João Goulart (em 1964) o Brasil elegeu novamente, ao meio dia do dia 15 de janeiro, um Presidente civil. O ex-Governador de Minas Gerais Tancredo Neves, candidato da Aliança Democrática, derrotou o opositor do PDS, Deputado Paulo Maluf, por 300 votos de diferença no Colégio Eleitoral.

“Vim promover mudanças. Mudanças políticas, econômicas, culturais. Mudanças reais e irreversíveis”, declarou Tancredo em seu primeiro discurso como Presidente eleito, acrescentando que, em seu governo, seriam criados muitos novos empregos e que a economia brasileira retomaria o crescimento. "Não há pátria onde falta a democracia", proclamou.


Em sua fala, que durou trinta e cinco minutos, interrompida quarenta vezes por aplausos, Tancredo também convocou o povo a participar do que chamou de a primeira tarefa de seu governo: a reorganização do Estado no Brasil, preparando a Constituinte através de debates. “A Constituição não é assunto restrito aos juristas, aos sábios e políticos. Quero a conciliação para a defesa da soberania do povo e para a restauração democrática, para o combate à inflação, para que haja trabalho e prosperidade para a nossa pátria”, afirmou o presidente no palanque da Câmara dos Deputados.

Pela última vez, o Colégio Eleitoral escolheu o Presidente da República, numa sessão alegre e emocionada, que terminou com o plenário cantando o Hino Nacional. Tancredo teve 480 votos, contra 180 de Paulo Maluf, o que representa 70% dos eleitores. Faltaram ao Colégio apenas os senadores Jaison Barreto (PMDB) e Amaral Peixoto (PDS). Maluf, que falou antes da votação, pediu para a sua candidatura o crédito de ter garantido “o processo político, civil, livre e democrático”. Derrotado, no fim da sessão, abraçou Tancredo, enquanto seu candidato a vice, deixou o Congresso sem cumprimentar ninguém. “Espero que o povo brasileiro venha a reconhecer o erro que está cometendo”, declarou o deputado Flávio Marcílio.

O então Presidente da República João Figueiredo, que não assistiu à reunião do Colégio Eleitoral embora tivesse um aparelho de televisão em seu quarto de hospital no Rio de Janeiro, felicitou o sucessor por telefone e, no dia seguinte à eleição, recebeu Tancredo para uma conversa no Palácio do Planalto.

“Poderemos fazer deste país uma grande nação”, disse Tancredo Neves para encerrar seu discurso como presidente eleito, citando Tiradentes. Após terminar, Tancredo recebeu emocionado cumprimento do então presidente do PMDB, Deputado Ulysses Guimarães, abriu um lenço e enxugou o rosto, sob delirante ovação do plenário lotado.


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14 de janeiro de 1994 – Ucrânia abre mão de seu arsenal nuclear



Um acordo assinado pelos presidentes dos Estados Unidos, Ucrânia e Rússia colocou fim ao terceiro maior arsenal nuclear do mundo. Localizado na Ucrânia, o arsenal era composto por 176 mísseis nucleares de longo alcance que, segundo o tratado, seriam levados para a Rússia e desmantelados no prazo de até sete anos. O urânio enriquecido das 1.800 ogivas nucleares desses mísseis seria aproveitado em usinas nucleares civis. O tratado confirmou a condição da Ucrânia de país não-nuclear cuja segurança, a partir de então, seria garantida pelos outros dois países envolvidos no acordo.

“Esse tratado põe ponto final ao último problema da Guerra Fria”, declarou o presidente russo Boris Yesltsin na entrevista coletiva concedida após a oficialização do acordo. Bill Clinton, o então chefe de Estado norte-americano, elogiou o “bravo e visionário ato” do presidente ucraniano Leonid Kravchuk, afirmando que “a Ucrânia aumentou sua autoridade entre as nações” ao abrir mão de seu arsenal nuclear. Para Kravchuk, o país ganhou mais segurança, porque Rússia e Estados Unidos se comprometeram a velar por sua defesa.

Determinados a acelerar a transição do período da Guerra Fria para uma nova prática de cooperação entre os países, Clinton e Yesltsin assinaram outro acordo, no mesmo dia em que puseram fim ao arsenal nuclear da Ucrânia, para alterar o sistema de controle de seus mísseis de longo alcance. Dentro de quatro meses as mais de sete mil ogivas nucleares dos Estados Unidos e Rússia deixariam de ficar continuamente apontados para cidades e alvos estratégicos de um e do outro, situação em que permaneceram durante os 44 anos da Guerra Fria.

Membros da comitiva norte-americana, porém, reconheceram que, como a determinação dos objetivos dos mísseis era feita por computador, não seria possível verificar com certeza se o alvo de um míssil tinha sido efetivamente mudado. O acordo entre os dois países, assim, foi um gesto simbólico e diplomático. O presidente Boris Yesltsin comprometeu-se também a cumprir um papel mais ativo no programa Parceria pela Paz, de cooperação militar limitada com a Otan, “abrindo caminho para uma mais ampla e intensa cooperação entre Rússia e Otan como parceiros”, declarou o chefe de Estado.

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13 de janeiro de 1991 – Congresso dos EUA aprova guerra contra o Iraque





O Congresso norte-americano aprovou uma resolução que autorizava o então presidente George Bush [pai] a empregar força militar para retirar os soldados do líder iraquiano Saddam Hussein que tinham invadidio o Kuwait. A aprovação foi vista como uma declaração de guerra ao país árabe. “Espero que cada um dos membros desta Casa tenha em mente as consequências que poderão advir desta triste decisão”, declarou o senador democrata Edward Kennedy, que votou contra a aprovação do uso da força para retirar as tropas iraquianas do Kuwait.

Com autorização do Congresso para atacar o Iraque até o dia 15 seguinte, caso Saddam Husseim não retirasse suas tropas do Kuwait, o presidente George Bush se declarou contra a possibilidade de uma guerra no Golfo Pérsico. “Nós não planejamos uma guerra e nem procuramos uma. Mas se a necessidade de um conflito ocorrer, estamos prontos”, afirmou em entrevista na Casa Branca logo após saber da decisão do Congresso. Bush, porém, declarou ser iminente o conflito armado. “É impossível que Saddam retire em apenas dois dias quase meio milhão de soldados que colocou no Kuwait, mas se ele fizer um grande recuo, a guerra poderá ser evitada”, disse.

No dia seguinte da aprovação do Congresso norte-americano, o secretário-geral da ONU, Javier Cuéllar, se reuniu com o presidente iraquiano para discutir os meios de se evitar o embate militar, sem obter qualquer êxito. “Só Deus sabe se haverá guerra no Golfo”, declarou Cuéllar após as duas horas de conversa com Saddam Hussein.

O líder iraquiano anunciou, após o término da reunião de duas horas de duração com o representante da ONU, que o Kuwait, então considerado por ele como a 19ª província do Iraque, seria palco de uma grande guerra e que caberia ao Iraque defender a honra da nação árabe, ameaçada pelos Estados Unidos e traída pela Síria e pelo Egito – que se aliaram à Coalizão. “Convidamos o secretário-geral a continuar nos visitando e a prosseguir o diálogo tendo em vista a paz”, acrescentou.

A aprovação do Congresso norte-americano foi o primeiro passo para a Guerra do Golfo. No dia 17 de janeiro, os Estados Unidos e as forças de coalizão iniciaram um massivo ataque aéreo contra as forças de Saddam Husseim no Kuwait, marcando o início da segunda maior guerra do Oriente Médio. Ao fim do conflito, que acabou em 28 de fevereiro de 1991 com o cessar-fogo dos Estados Unidos após a destruição das forças iraquianas, registrou-se a morte de mais de 100 mil soldados iraquianos e de mil combatentes das tropas de coalizão.

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12 de janeiro de 1976 – Morre sem mistério a Rainha do Suspense




Aos 85 anos de idade, morreu em casa, de causas naturais, a Primeira-dama da literatura policial – como era chamada pela Primeira-dama do Império Britânico - Agatha Christie. Ao longo de sua vida, a Rainha do Suspense publicou 85 livros e escreveu muitas peças de teatro, sendo “A Ratoeira” a mais conhecida delas, a qual ficou em cartaz em Londres por 25 anos. Mais ligada à trama, à armação de quebra-cabeças do que à análise do comportamento de suas personagens, conciliava o assassinato com a amenidade, evitando cenas de violência e ambientando quase sempre vítimas, assassinos, suspeitos e detetives, em locais requintados.

“Escrevo para gente sensível, mais interessada na descoberta da chave de um enigma do que na descrição de cenas cruas e chocantes. Quando se trata de morte violenta, por exemplo, prefiro insinuá-la em lugar de descrever cruamente a eliminação de uma das minhas personagens”, declarou a escritora em 1966 a respeito de sua maneira de escrever romances policiais.

Em sua última obra, “Cai o Pano”, publicado em 1975, Agatha matou o detetive Hercule Poirot, um dos investigadores mais famosos da ficção policial. No entanto, ela morreu antes de completar o que prometera: eliminar também a famosa Miss Marple, velhinha bisbilhoteira, que partilhava com Poirot o privilégio de chegar antes da polícia à identidade do criminoso.

O velho detetive baixinho de cabelos tingidos nasceu no primeiro romance policial de Agatha Christie, “O Misterioso Caso de Siyles”, escrito durante a Primeira Guerra Mundial, e recusado por seis editores antes de enriquecer o sétimo, que o publicou em 1920. Daí em diante a romancista escreveu livros famosos como “A Morte de Roger Ackroyd” (1926), “O Caso dos Dez Negrinhos” (1952), “Passageiro Para Franckfurt” (1970).

Algumas obras da autora, além de virarem peça de teatro, foram adaptadas para o cinema, se bem que não foram aprovadas por ela. “Todas me desagradaram intensamente. Só gostei de ‘Testemunha de Acusação’ (escrita em 1953)”, disse Agatha Christie em entrevista em 1966. A romancista julgava-se capaz de escolher um bom elenco para uma peça de teatro, mas não para um filme. “Não entendo muito a respeito de cinema”.

Agatha Christie nasceu na região de Devon, na Inglaterra, em 1890. No fim de sua vida, era considerada uma senhora de aparência tranquila, que gostava de ler T. S. Eliot, de colecionar móveis antigos e objetos confeccionados com conchas. Conservadora, imaginava sofisticados assassinatos, ao mesmo tempo que ficava perplexa diante da violência.

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11 de janeiro de 1989- Conferência de Paris condena armas químicas



Após quatro dias de trabalho, 110 discursos e 125 encontros a nível ministerial, acompanhados de perto por cerca de mil jornalistas de todo o mundo, os 145 países representados na Conferência de Paris subscreveram uma declaração condenando o uso de gases asfixiantes, tóxicos e similares, assim como armas bacteriológicas. Segundo o ministro do Exterior da França, Roland Dumas, o documento final, forçosamente consensual pela natureza do encontro, servirá para dar o apoio político necessário para que posteriormente seja assinada uma convenção internacional sobre esta questão.

“A conferência serviu para dar impulso político aos trabalhos da Conferência de Desarmamento em Genebra e sua declaração final contém as diretrizes sob as quais os governos deverão orientar suas políticas”, afirmou Dumas ao fazer um balanço dos trabalhos de Paris, acrescentando ter ficado satisfeito por não haver enfrentamento entre o bloco dos países desenvolvidos e a outra parte do mundo.

Antecipando-se ao documento, a União Soviética anunciou sua renúncia unilateral às armas químicas, assim como a destruição de seu estoque, convidando os outros países a acompanhar sua atitude.

O documento final conseguiu retratar algumas preocupações dos países pobres ao assinalar o caráter não discriminatório de uma convenção proibindo as armas químicas. O texto final dos trabalhos de Paris, porém, não marcou qualquer data, limitando-se à menção do “mais breve possível”, para que o acordo seja colocado em prática, graças à forte oposição dos Estados Unidos quanto à fixação de um prazo definitivo.

O Iraque, responsável pelo massacre de milhares de curdos entre 1980 e 1988 com armas químicas, não conseguiu ver eliminada do documento a referência aos recentes acontecimentos. Isso, no entanto, não satisfez a delegação do Irã, que apresentou uma declaração à parte exigindo a condenação do vizinho iraquiano.

Sobre a questão da condenação conjunta às armas químicas e às nucleares – particularmente defendida pelos árabes- o ministro francês, Roland Dumas, explicou o motivo pelo qual a segunda categoria de armas não foi sequer abordada. “As armas nucleares são para impedir a guerra. São dissuasórias. As armas químicas, ao contrário, acompanham o desenrolar de um conflito”, afirmou. Para Dumas, o desarmamento nuclear estaria estabelecido no documento sobre desarmamento das Nações Unidas, assinado em 1978. A delegação norte-americana, porém, se opõe ao elo entre desarmamento químico e nuclear.

A proibição da produção e do armazenamento de armas químicas, porém, só aconteceu em 1997, após a Convenção das Armas Químicas, em Haia, nos Países Baixos. O prazo para que as nações se livrem por completo de seu arsenal ficou estabelecido em catorze anos a partir da realização da reunião.

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10 de janeiro de 1985 – Ortega é eleito presidente da Nicarágua



10 de janeiro de 1985 – Ortega é eleito presidente da Nicarágua
Diante de 400 representantes de 57 países, mas apenas um presidente, o de Cuba, Fidel Castro, o ex-guerrilheiro sandinista, Daniel Ortega, foi empossado como Presidente da Nicarágua, o primeiro a ser eleito desde a derrubada do último ditador da dinastia Somoza, em 19 de julho de 1979. A solenidade foi na Praça da Revolução, em frente ao Lago de Manágua.

Na solenidade presidida por Carlos Nuñes Tellez, eleito presidente da Assembléia Constituinte, foi empossado ainda o vice-Presidente, Sérgio Ramirez, escritor. Nenhum dos vizinhos em crise com a Nicarágua, além dos Estados Unidos, enviou delegação para a cerimônia, sendo representados apenas pelos seus embaixadores.

“Não deveria falar de algo que se supõe que seja clandestino, direi que não temos planos de abandonar nossas obrigações na América Central”, disse o então presidente dos Estados Unidos, Reagan, que horas após a posse de Ortega na Nicarágua afirmou que manteria seu apoio às forças anti-revolucionárias. “A Nicarágua é governada por um grupo que assumiu o poder pela força, expulsou os outros que haviam lutado por uma revolução e está apoiando os guerrilheiros que tentam derrubar o governo devidamente eleito de El Salvador”, acrescentou o líder norte-americano.

Dos países centro-americanos, apenas o Panamá foi representado por seu chanceler, Fernando Cardoze. Como o Panamá, os outros membros do grupo de Contadora – México, Colômbia e Venezuela – enviaram seus chanceleres. O Chefe de Estado da Bolívia, que iria à cerimônia, cancelou sua viagem devido à uma nova crise ministerial no país (a nona desde 1982).

Em San Jose, o Governo costarriquenho ordenou à Guarda Rural que abrisse fogo para repelir qualquer tentativa de violação do território nacional a partir da Nicarágua, medida que aumentaria a tensão que já existia na fronteira entre os dois países.

A tensão política na Nicarágua


Antes de Daniel Ortega assumir o governo, a Nicarágua passava por um período de delicada situação política. O país acabara de ser devastado por uma guerra civil (1976-1979) que matou mais de 30 mil pessoas em diversos confrontos entre a Guarda Nacional, patrocinada pela família Somoza, que ficou no poder durante 40 anos, e que tinha apoio dos Estados Unidos, e os guerrilheiros da Frente Sandinista de Libertação Nacional, da qual Ortega era o líder. Ao fim da guerra, uma junta provisória assumiu o governo, até a eleição de Ortega em 1985.
Em 1990, os sandinistas foram derrotados na eleição presidencial pela União Nacional Opositora, financiada por capital norte-americano. Em 2006, Ortega se candidatou novamente à Presidência e venceu. As próximas eleições nacionais na Nicarágua serão realizadas em 2011.

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9 de janeiro de 1968- Chega à Lua a sonda Surveyor-VII





Na noite do dia 9 de janeiro, a sonda norte-americana Surveyor-VII pousou na cratera lunar de Tycho, depois de uma viagem de quase três dias pelo espaço. Assim que pousou, o Surveyor-VII, último laboratório da série destinada a preparar a descida de um ser humano no satélite terrestre em no máximo dois anos, começou a enviar sinais para a Terra.

A exatidão da trajetória da sonda permitiu que a manobra corretiva, marcada para a noite do dia seguinte, fosse cancelada pelo Laboratório de Jatopropulsão de Pasadena. A probilidade de que o Surveyor-VII realizasse um bom pouso na Lua era de apenas 20%, devido às más condições do terreno escolhido para a descida, segundo previsão do laboratório. A cratera de Tycho, visível a olho nu durante a lua cheia, é cercada por uma crista montanhosa de cerca de 100 quilômetros de largura, que se eleva a quatro mil metros acima do solo interno da cratera.

No apertado interior da cápsula exploradora havia uma série de instrumentos, modernos na época, destinados a fotografar e analisar o terreno, incluindo uma câmera de televisão, uma pá em miniatura e um aparelho para análise química. Na manhã do dia nove de janeiro, a estação espacial já havia colhido e analisado amostras do solo lunar.

A missão do Surveyor-VII era estudar o material lançado para fora da cratera, em vasto círculo, por um meteoro que ali se chocou há milhões de anos atrás, o que permitiria, segundo as expectativas dos cientistas, solucionar dúvidas fundamentais sobre como se formou a Lua. Além disso, o projeto tinha como finalidade aperfeiçoar a técnica de pouso suave para futuros vôos lunares tripulados, e reunir uma boa quantidade de informações relativas às condições reinantes na Lua.

O Surveyor-VII foi a última nave experimental prevista pelo projeto Surveyor original. A missão desta sonda foi diferente de suas antecessoras por descer em uma área montanhosa (os Surveyor anteriores e os Luna soviéticos desceram em planícies lunares, chamadas “mares”). Dentro do programa espacial norte-americano da época, o projeto situava-se na terceira fase, sendo antecedido pelos vôos dos satélites Ploneer nas proximidades da Lua (primeira fase) e pelos engenhos Ranger, destinados a cair violentamente no satélite terrestre filmando a descida (segunda fase).

Com seis lançamentos efetuados, o Projeto Surveyor (Observador) obteve sucesso com quatro naves. Ao fim, foram tiradas cerca de 50 mil fotos da Lua e ficaram bem conhecidas as características físicas e químicas do solo do nosso satélite. Um ano após o a chegada do Surveyor-VII à Lua, o homem pôs os pés pela primeira vez no satélite terrestre.

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8 de janeiro de 1979 – Argentina e Chile terminam o conflito do canal de Beagle




Na presença do emissário do Papa João Paulo II, Cardeal Antônio Samore, os chanceleres da Argentina, Carlos Pastor, e do Chile, Hernan Cubillos, assinaram dois acordos pelos quais os seus países se comprometiam a não recorrer à força das armas para resolver a questão da soberania sobre as ilhas do canal de Beagle.

Os apelos à paz e à conciliação feitos pelo Papa constituíram o preâmbulo de um dos acordos, o qual culminava intensa atividade de mediação por parte do Cardeal Samore, especialista do Vaticano em assuntos da América Latina. Nas últimas semanas, ele realizou sucessivas visitas a Santiago do Chile e a Buenos Aires.

Os acordos considerados pelo emissário do Papa como um primeiro passo para a nova fase de negociações entre o Chile e a Argentina foram possíveis graças a uma série de concessões feitas pelas duas partes, sendo que uma das principais foi feita pelo Chile, ao reconhecer implicitamente que o laudo arbitral britânico de maio de 1977, que lhe era favorável, nada mais valia.

Por sua vez, a Argentina aceitou prosseguir com as negociações sem condições prévias, reconhecendo, ao mesmo tempo o Papa como mediador do conflito, o que fora inicialmente rejeitado pela Casa Rosada. “A Argentina nasceu como nação do Atlântico e o Chile como nação com direitos sobre o Pacífico. Assim se decidiu, assim o entendeu a comunidade internacinoal, e assim continua sendo entendido pela Argentina”, declarou o presidente argentino Jorge Videla.

Um dos acordos estipulou que os dois países se comprometeriam a não “recorrer à força em suas relações mútuas”, estabelecendo, ainda, que realizariam um retorno gradativo à situação militar existente no início de 1977, data em que os conflitos começaram. No dia em que o acrodo de paz foi selado, forças argentinas já haviam cruzado a fronteira andina com o Chile, prontas para atacar.

Do outro lado da Cordilheira, o general Pinochet, então presidente do Chile, preparava dez mil homens para agir em ofensiva contra Baía Blanca, local em que se localizava o principal porto argentino. O ditador, porém, nem chegou a retirar suas tropas do país.

Posteriormente, ficou acordado que a posse das ilhas do canal ficaria com o Chile, e à Argentina caberia exercer o controle das áreas marítimas da região.


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7 de janeiro de 1989 – Akihito inicia a “era de paz” no Japão





Horas após a morte do Imperador Hiroíto, que reinou durante 62 anos, seu filho Akihito foi entronizado em cerimônia que emocionou milhares de japoneses, os quais saudavam o 125º monarca da linha de sucessão nunca interrompida de 2.600 anos do trono do Crisântemo. Ao assumir o posto do pai, Akihito deu início a uma nova era, denominada Heisei, ou “da plena realização da paz”. Hiroíto morreu de câncer aos 87 anos, finalizando a era Sowa, ou da “paz resplandecente”.

De acordo com a tradição imperial, 61 cerimônias deveriam ser realizadas nos dois anos seguintes à morte do Imperador, relativas à despedida do monarca morto e à investidura do sucessor. Na tarde do dia sete, foi realizada a primeira delas, na qual Akihito recebeu as jóias, a espada e o sinete imperial. Na mesma solenidade, a viúva do antigo Imperador foi declarada impetratriz viúva e o primogênito de Akihito, príncipe herdeiro.

A oficialização do regime de uma nova era para cada Imperador foi estabelecida por uma lei de 1979, que encontrou forte resistência, em especial dos partidos socialista, comunista e social-democrata japonês. Assim que Hirohito foi entronizado, o PS e o PC exigiram a abolição da monarquia, acusando o falecido Hiroíto de máxima responsabilidade na agressão de Pearl Harbor, ação que deu início à participação japonesa na Segunda Guerra.

Do lado oposto, o premiê Noboru Takeshita, que decretou luto oficial de seis dias no país, transmitiu mensagem de condolência à família e insistiu em dizer que o Japão se envolveu na Segunda Guerra contra a vontade de Hiroíto. “O empenho do Imperador após a guerra, para consolar a população e inspirar-lhe coragem de trabalhar pela reabilitação do país, permanece profundamente gravada no coração do povo”, declarou a uma rede de TV.







O novo Imperador


Com a posse de Akihito, o trono japonês passou a ser ocupado por um ser humano, e não mais por um Deus vivo, como seu pai era considerado pelo povo. O novo monarca foi criado entre plebeus e se caracterizou por não seguir à risca a tradição imperial. Em 1959, causou polêmica ao se casar com uma plebéia, Michiko Soda, que não foi bem aceita pela Corte apesar de aclamada pelo povo, em cerimônia que atraiu 500 mil pessoas em Tókio.

Akihito assumiu o trono com experiência nos protocolos de monarquia, já que, ao adoecer, seu pai lhe passou grande parte das funções oficiais do Imperador. Em 1952, quando foi declarado príncipe herdeiro, Akihito passou a representar o Imperador em missões no exterior, tendo feito 22 viagens para “promover a amizade entre os povos”, segundo suas próprias palavras.

Hoje, Akihito ainda é o Imperador da Terra do Sol Nascente, sendo conhecido por demonstrar uma atitude pacifista e conciliadora, principalmente com os antigos rivais do Japão: China e Rússia.

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6 de janeiro de 1999 – Itamar Franco decreta moratória de Minas Gerais




Cinco dias após assumir o governo de Minas Gerais e antes de tentar renegociar a dívida de R$ 15 bilhões do estado com a União, Itamar Franco decidiu suspender os pagamentos por 90 dias, por ter encontrado os cofres do estado esvaziados pelo governo anterior. Em resposta ao presidente da República, Fernando Henrique Cardoso e ao ministro da Fazenda, Pedro Malan, que ameaçaram impor sanções legais aos estados que insistissem na idéia de calote à União, Itamar decretou a moratória de Minas.

“Minas Gerais se encontra em moratória por 90 dias contados a partir de 1º de janeiro, e, por absoluta falta de dinheiro, deixaremos de cumprir o acordo financeiro feito pelo governo anterior”, declarou Itamar em nota.

A decisão do governador foi recebida com espanto no meio político mineiro, que não esperava a moratória antes de uma tentativa de renegociação da dívida com o governo federal. O porta-voz da presidência, Sérgio Amaral, também criticou a atitude de Itamar. “O resultado de uma moratória dos estados será claramente prejudicial para o ajuste fiscal, e por consequência, vai atrasar a queda da taxa de juros, a retomada do crescimento e a redução dos índices de desemprego”, observou.

Governadores de outros estados, como Olívio Dutra do Rio Grande do Sul, inspirados na ação de Itamar Franco, também decidiram não pagar a dívida com a União na data prevista, dia 18 de janeiro. “Pretendo repactuar a dívida do estado numa relação direta com o Presidente da República”, anunciou. O déficit acumulado do Rio Grande do Sul era de R$ 57 milhões.

Fernando Henrique também se manifestou contra a suspensão do pagamento da dívida. “O presidente afirmou que se o governo permitir a moratória, todo o ajuste fiscal ficará prejudicado, e a imposição de um novo pacote de aumento de impostos se tornará inevitável”, declarou o deputado Roberto Brant.

Na época, a economia brasileira encontrava-se em um período de transição, de consolidação do Plano Real, marcado inicialmente pela elevada taxa de juros, decorrente da inflação. Com medo das consequências negativas que outras moratórias dos estados pudessem trazer para a economia, o governo se apressou em criar medidas de apoio aos mesmos. Após meses de diálogo, Itamar Franco aceitou renegociar o déficit público e pagar as parcelas da dívida com a União.

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5 de janeiro de 1955 – Brasil e Bolívia inauguram a ferrovia Corumbá-Santa Cruz




Os presidentes da Bolívia, Paz Estensoro, e do Brasil, Café Filho, inauguraram oficialmente a linha férrea de seiscentos e oitenta quilômetros que une ambos os países em meio a aclamações de milhares de pessoas. Assim que desambarcou em Catoca, no país vizinho, Café Filho foi recebido por uma multidão de duzentas mil pessoas, composta principalmente por trabalhadores e camponeses, que portavam faixas e bandeiras em sua homenagem. “Nunca me senti tão emocionado quanto hoje, ante a apoteótica recepção do povo boliviano”, disse o presidente brasileiro após a inauguração da ferrovia.

Os dois chefes de Estado, acompanhados de extensas comitivas, tomaram um trem especial, embandeirado com as cores bolivianas e brasileiras, no qual viajaram durante trinta minutos até a Estação de Castulo Chaves, em Santa Cruz de La Sierra. Ali se deu a cerimônia inaugural da ferrovia Corumbá-Santa Cruz, na qual o Ministros de Obras Públicas da Bolívia tomou a palavra e destacou que a ferrovia selaria a amizade entre as duas nações. “Este acontecimento constitui o mais importante no que diz respeito ao curso das relações entre ambos os países, e incorpora à História uma digna e viva expressão de cordialidade entre Brasil e Bolívia. É uma concretização de 15 anos de duro esforço e trabalho”, declarou.

A ferrovia inaugurada unia Corumbá, no Mato Grosso do Sul, a Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, tendo uma extensão de seiscentos e oitenta quilômetros, sendo criada com o intuito de vir a ser uma via escoadora de petróleo e de imigração da região sub-andina. “A importância desta vinculação ferroviária já vai ser demonstrada com o transporte da gasolina boliviana, que irá abastecer o mercado do Mato Grosso. O combustível enviado ao Brasil é o prenúncio de uma nova etapa nas relações entre nossos países. A exploração conjunta do petróleo sub-andino virá acelerar, em breve, as relações econômicas entre a Bolívia e o Brasil”, afirmou o presidente Café Filho na inauguração da ferrovia.

No terminal brasileiro de Corumbá, a ferrovia se uniu à linha do noroeste do país, que se conectava à cidade a São Paulo, a dois mil quilômetros de distância, e ao porto de Santos, local que serviria de escoamento da produção exportável boliviana. Antes, este escoamento era feito por vias fluviais ou por linhas férreas que passavam pela Argentina, trajeto mais demorado. Com exceção de onze quilômetros, a ferrovia se concentrava toda em solo boliviano, apesar do Brasil ter custeado todas as obras de construção. Na época, a inauguração da linha representou o ponto culminante das negociações diplomáticas e sociais entre os dois países, iniciada em 1914.

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4 de janeiro de 1960 – O mundo dá adeus ao escritor Albert Camus



Albert Camus, Prêmio Nobel de Literatura de 1957, morreu em um acidente de carro na França, aos 46 anos de idade. O escritor faleceu no momento em que o veículo que o transportava bateu contra uma árvore, após a explosão de um dos pneus. Segundo a polícia local, o automóvel, dirigido pelo amigo Michel Gallimard estava em alta velocidade. Apesar de sofrer ferimentos graves, o motorista, sua mulher e filha sobreviveram ao acidente. Houve grande dificuldade para se retirar o corpo do escritor, que ficou imprensado entre o carro e a árvore.


André Mautraux, escritor e então Ministro da Cultura da França, levou à Prefeitura de Villeneuve, local onde o velório de Camus foi realizado, a primeira coroa de flores. “Durante mais de 20 anos a obra de Camus foi inseparável da sua obsessão por justiça. Ao trazer a primeira coroa para junto de seus restos mortais, saudamos um dos que souberam manter a França viva no coração dos homens”, declarou Mautraux.



A notícia da morte de Albert Camus causou consternação no mundo inteiro. Em Paris, a Rede Nacional de Difusão (que estava em greve e, por isso só transmitia músicas), abriu exceção no movimento paredista para fazer uma homenagem ao autor. Em Londres o escritor Arthur Koestler lamentou a morte do amigo assim que recebeu a notícia. “Ele era o símbolo do homem desprendido, do lutador desapaixonado, cuja consciência era sensível como uma chaga aberta. Depois de ter sobrevivido aos azares da Resistência, mesmo a despeito de sua saúde precária, sua morte me atinge como um golpe”, disse com pesar.



“Quando nós, da Academia Sueca, concedemos o Prêmio de Literatura em 1957 a Albert Camus, coroamos um autor jovem, que julgávamos digno de distinção, mas que ainda não tinha concluído sua obra. Eis porque sua morte é mais trágica, porque priva a literatura de um homem do qual se podia esperar o melhor”, declarou o poeta Anders Oesterling, então Secretário da Academia Sueca e Presidente do comitê do Prêmio Nobel de Literatura.


O homem revoltado

Albert Camus nasceu na Argélia, então colônia francesa da África do Norte, no dia 7 de novembro de 1913. Filhos de pais camponeses, Camus teve que renunciar à carreira universitária por motivos de saúde. O escritor era tuberculoso e a luta contra a doença marcou toda a sua vida. Camus foi membro ativo da Resistência durante a II Guerra Mundial. Além de romancista, teatrólogo e ensaísta Camus foi também jornalista.



Camus era considerado o intérprete da filosofia do homem intranqüilo, tendo sido um dos primeiros “jovens irados” da França e participado do movimento existencialista. Foi amigo íntimo do escritor Jean Paul Sartre, a quem mais tarde acusou publicamente de fazer o jogo do comunismo totalitário, esfriando, assim, a amizade entre s dois.


Autor de um livro de ensaios considerado de grande influência sobre os escritores inconformados de sua geração (“O Homem Revoltado”, de 1952), e de obras aclamadas pela crítica, como “O Estrangeiro”, de 1942, e “A Peste”, de 1947, Camus recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, em 1957, após a publicação de “A Queda”(1956), “sua obra idealista, de tendência humana”, como era considerado o livro pela Academia Sueca.

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3 de janeiro de 1961- Estados Unidos rompem relações diplomáticas com Cuba




“Existe um limite até onde os Estados Unidos, tendo em conta o respeito a si próprio, podem tolerar, e esse limite foi agora atingido”. Foi com essas palavras que o presidente norte-americano, Eisenhower, declarou o rompimento das relações diplomáticas com Cuba, às 20h30 do dia 3 de janeiro de 1961.

No momento em que a declaração era lida em Washington, dois navios de guerra norte-americanos eram preparados para retirar de Cuba o pessoal diplomático dos Estados Unidos. Dois dias antes do rompimento, durante as comemorações do segundo aniversário da revolução cubana, o líder Fidel Castro tinha exigido que o governo da potência do norte reduzisse o número de funcionários diplomáticos ao nível dos cubanos em serviço na capital norte-americana, ato visto pelos Estados Unidos como mais uma afronta ao país.

Ao receber a notícia do rompimento, Fidel Castro declarou ao povo cubano: “Cuba está alerta”. À noite, o líder revolucionário convocou seu Gabinete para redigir uma resposta oficial à declaração de Eisenhower. O presidente norte-americano eleito, Kennedy, que ainda não tomara posse do cargo, preferiu não comentar o ato do líder republicano. O governo canadense, porém, apressou-se em divulgar um comunicado oficial dizendo que as relações com Cuba continuavam inalteradas, apesar do rompimento entre o seu vizinho do sul e a ilha caribenha.

A base naval de Guantânamo, cuja posse era reivindicada por Cuba desde o triunfo da revolução, em janeiro de 1959, permaneceu em mãos norte-americanas. No dia seguinte ao rompimento, o Secretário de Imprensa da Casa Branca reforçou, por meio de nota, que os Estados Unidos não deixariam de usar a base por esta ter sido cedida por um tratado anterior. “O rompimento de nossas relações diplomáticas e consulares com Cuba não tem efeitos sobre Guantânamo. As relações do tratado sob o qual mantemos a base não podem ser abolidas sem a aprovação dos Estados Unidos”, escreveu James Hargerty.

Nos dias que sucederam a declaração de Eisenhower, uma batalha verbal entre representantes de Cuba e dos Estados Unidos foi travada na sede da ONU, em Nova Iorque, perante o Conselho de Segurança. Raúl Roa, Chanceler cubano, acusou a Casa Branca de planejar atacar a ilha. “Receberemos os agressores de pé, unidos e firmes”, declarou Roa, na manhã do dia 4 de janeiro. Em resposta, o representante norte-americano na ONU, James Wadsworth, acusou Fidel Castro de ter provocado conscientemente o rompimento. “O verdadeiro atacante é o governo cubano, que usa por armas a calúnia e os falsos alarmes”, disse Wadsworth.

Cuba e Estados Unidos mantiveram, e ainda mantêm, as relações diplomáticas cortadas mesmo após os 49 anos transcorridos desde esse rompimento intempestivo.

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2 de janeiro de 1942 – Forças japonesas ocupam Manilha, capital das Filipinas




Após quase um mês de avanço sobre solo filipino, as tropas japonesas tomaram a capital do país, Manilha, das mãos do governo local, forçando as tropas norte-americanas a evacuarem sua base naval, Cavite, temendo um massacre. Ao norte da cidade, o contingente terrestre do general Douglas Mc Arthur seguia lutando contra as colunas japonesas, que estavam cada vez mais próximas no segundo dia de janeiro de 1942. A tomada da capital pelos japoneses reforçou a estratégia nipônica de ataques rápidos e devastadores a bases militares norte-americanas, o que marcou a Guerra do Pacífico, no contexto da II Guerra Mundial.

“Isso é a consumação de um fato que há quinze anos sabíamos que aconteceria no caso de uma guerra no Pacífico. Mas não tenho a menor dúvida de que nos vingaremos, se o desejarmos”, declarou o senador filipino Nye, após o triunfo nipônico em Manilha. J. M. Elizalde, comissário residente das Filipinas, afirmou que a população do país (cerca de 625 mil habitantes) estava em perfeitas condições de continuar resistindo aos ataques, acrescentando que aumentaria a reação das forças armadas locais, que estavam sob o comando do general McArthur.

Com as forças japonesas aproximando-se de Manilha em duas direções, sobre um terreno pouco adaptado a lutas defensivas, McArthur decidiu entregar a capital e prosseguir no combate em terreno por ele escolhido. Assim, apesar das perturbações impostas pelos constantes ataques nipônicos, o general norte-americano ordenou a realização de manobras para escapar da ofensiva inimiga. As forças defensoras ao sul, integradas por militares nativos, bateram em retirada unindo-se às tropas norte-americanas ao norte, deixando a entrada da cidade desprotegida e possibilitando um acesso rápido dos invasores japoneses.

A notícia da tomada de Manilha foi recebida nos Estados Unidos sem desânimo ou desencorajamento, já que era evidente, há dias, a tomada da cidade pelos japoneses. “Não há motivo para depressão em virtude da queda de Manilha. Quando estivermos prontos, é claro que recapturaremos as Filipinas. Logo que nosso exército e a nossa marinha estiverem prontos, logo agruparemos nossas forças e venceremos a guerra”, afirmou o senador Conally, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado.

Os Estados Unidos, porém, perderam a Batalha das Filipinas, que terminou com o triunfo japonês sobre o arquipélago do Pacífico, em maio de 1942. As tropas de McArthur, acuadas, partiram para a Austrália para reunir forças e planejar uma contra-ofensiva, que só começaria em 1944, e que seria denominada segunda Batalha das Filipinas, ou Reconquista. A retomada do controle sobre Manilha só aconteceu de fato em 1945, após a maior batalha da Guerra do Pacífico, que deixou mais de 110 mil mortos.

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01 de Janeiro de 1992 – Chega ao Fim a guerra civil em El Salvador




Numa Ata de Paz assinada na madrugada do dia 1 de janeiro, na sede da ONU em Nova Iorque, o governo e a guerrilha de esquerda de El Salvador puseram fim a um dos conflitos mais violentos da América Central, a guerra civil salvadorenha que em 11 anos matou 75 mil pessoas em um país de 53 milhões de habitantes.

“Só existe um vitorioso em toda essa jornada: o povo”, disse o presidente Alfredo Cristiani, cuja presença em Nova Iorque durante as negociações foi determinante para o avanço da elaboração do acordo que levou ao cessar-fogo e à desmobilização da guerrilha. A presença de Cristiani como fiador deste acordo permitiu conter as pressões da extrema-direita salvadorenha, que sempre se manifestou contra qualquer diálogo com os rebeldes.

Após assinado o acordo, governo e guerrilheiros seguiram com as negociações para resolver a entrega das armas do exército rebelde, integrado por oito mil militantes. “As duas partes sabem que acabou”, declarou Bernard Aronson, secretário de Estado dos Estados Unidos para Assuntos Interamericanos, que mediou reuniões entre governo salvadorenho e guerrilheiros. Desde o início da guerra, os Estados Unidos forneceram US$ 4 bilhões em ajuda para a luta contra a guerrilha.

A Ata de Paz estabeleceu um cessar-fogo que se estenderia de 1 de janeiro a 31 de outubro, quando deveria estar concluída a desmobilização da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN) e sua integração à vida civil e política. O prazo foi proposto pela FMLN, que alegou precisar do tempo para desarmar seus combatentes. Outras reivindicações da Frente, porém, não foram aceitas, como o estabelecimento de uma cota de participação dos militantes na Polícia Civil. Segundo a Ata, os guerrilheiros que quisessem integrar a Polícia poderiam fazê-lo sem serem discriminados. “Temos a porta aberta para entrar. Queríamos garantias de que a polícia não seria dominada pelas velhas forças que tinham o controle do país e isso conseguimos”, afirmou Shafik Handal, líder da FMLN.

O acordo previu a redução das Forças Armadas, que contavam com 60 mil homens. A depuração militar do caso ficou a cargo de um pequeno grupo escolhido pela Comissão Nacional para a Consolidação da Paz (Copaz), formada por membros do governo, guerrilha e partidos políticos. Na questão agrária, o governo se propôs a regularizar a posse de terra pelos camponeses que habitavam regiões rebeldes.

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