Arquivo de February 2010

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28 de fevereiro de 1994 – Governo anuncia o Plano Real




O governo editou a medida provisória que criou a Unidade Real de Valor, que entraria em vigor em março, com valor no intervalo de US$ 0,80 a US$ 1.0. Além de estabelecer regras de conversão de valores, a medida determinou o lançamento de uma nova moeda, o Real (que só seria lançada de fato em junho do mesmo ano). A decisão relativa à edição da MP do Plano Real foi tomada em uma reunião ministerial no dia 27, realizada no Palácio do Planalto por convocação do então Presidente da República, Itamar Franco, a qual durou mais de oito horas. Nessa reunião também ficou decidido que a nova MP permitiria ao ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, intervir em casos de abusos por parte de especuladores de preços. Porque, segundo ele, as medidas do governo contra a inflação não teriam efeito sem o apoio da sociedade, deixando impune os especuladores, como aconteceu no Plano Cruzado (de 1986).

“Daqui pra frente, trabalhador nenhum terá o salário menor do que o custo de vida”, declarou Fernando Henrique ao dar detalhes sobre o novo plano econômico, informando que não haveria mais perdas salariais a partir de março. “Nós mudamos a regra. Mudamos de uma maneira favorável ao trabalhador. Isso tem que ser entendido. Não adianta vir com uma conversa do passado para prever o futuro. Será diferente”, acrescentou o futuro Presidente da República.

Desde 1986, com a criação do Plano Cruzado, o Brasil sofreu uma série de planos e medidas econômicas que resultaram, ao longo de oito anos, em uma inflação total de 689.363.100%. Ao todo, foram oito programas de estabilização, cinco congelamentos de preços e salários, um confisco de ativos financeiros, 54 alterações no sistema de controle de preços, 16 políticas salariais e quatro moedas (cruzado, cruzado novo, cruzeiro e cruzeiro real), o que resultou em um corte de nove zeros em relação ao cruzeiro que vigorava no início de 1986. Por mais fortes que tivessem sido as medidas, a inflação continuou a se acelerar, havendo a necessidade de mais um plano, o que desta vez mostrou-se eficaz e duradouro. O novo plano econômico teve como consequência a redução brusca da inflação, a ampliação do poder de consumo da população, a modernização do parque industrial brasileiro e o crescimento econômico com geração de empregos, além de ter tornado Fernando Henrique o político mais influente do Brasil, fazendo com que fosse eleito Presidente da República em outubro do mesmo ano.

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27 de fevereiro de 1970 – Médici diz que não revogará o AI-5




Em sua primeira entrevista coletiva como Presidente da República, realizada no dia 27, Emílio Garrastazú Médici declarou que não revogaria o Ato Institucional Número 5, por considerar que o país não estava pronto para a democratização. Médici também acrescentou que considerara tardia a edição do Ato pelo seu antecessor, Costa e Silva, em dezembro de 1968. A entrevista do general também esclareceu as diretrizes de seu governo, que teve início em outubro do ano anterior e que só terminaria em março de 1974, e que é considerado como o governo mais linha dura do periodo militar do Brasil.

O Chefe de Estado fez questão de reforçar que nunca afirmou que ao fim de seu governo entregaria o país em pleno regime democrático. “A plena democracia é um ideal que, se em algum lugar já se realizou, certamente não foi no Brasil”, afirmou o presidente, explicando que em seu primeiro discurso oficial tinha dito que esperava entregar o país como uma democracia, mas que não sabia se seria capaz de fazê-lo.

Além da decisão de manter o AI-5, Médici declarou que as eleições seguintes (que colocariam o General Ernesto Geisel no poder, em 1974) seriam regidas pelas leis que recebeu de seus antecessores, que o governo se comprometia a combater a inflação de forma lenta e gradual, e que o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço seria mantido enquanto ele fosse Presidente da República.

Para os dirigentes do MDB, o partido de oposição ao regime militar, a entrevista de Médici “constituiu-se no primeiro documento definindo a linha de ação do Governo e o pensamento do general sobre as mais importantes questões políticas, econômicas e sociais do país”, tornando-se necessária a manifestação pública da opinião dos partidos políticos, imprensa e população, já que passou a ser conhecido, oficialmente, o pensamento do governo.

A decisão de não revogar o AI-5 foi o prenúncio dos anos de chumbo que marcariam o governo Médici. Decretado em 1968, o Ato sobrepunha-se à Constituição do Brasil, dando poderes extraordinários ao Presidente da República, fazendo com que a ação do Judiciário e do Legislativo fossem subjugadas pelas manobras autoritárias e inconstitucionais do Executivo. O AI-5 só foi revogado em 1978, com a promulgação, pelo Presidente Geisel, da emenda constitucional nº 11, a qual extinguia todos os atos contrários à Constituição Federal.

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26 de fevereiro de 1993 – Bomba explode no World Trade Center




Uma explosão provocada por um atentado terrorista no estacionamento da torre número 2 do World Trade Center, em Manhattan, nos Estados Unidos, deixou sete mortos e mais de 400 feridos, perto do meio dia do dia 26. Descartadas causas acidentais, como curto circuito, as autoridades norte-americanas informaram logo após o episódio que a explosão fora provocada por um carro-bomba, colocado no subsolo do estacionamento. Após a explosão, o fogo espalhou-se por parte da torre de 110 andares onde centenas de pessoas estavam presas em meio à fumaça. No fim da tarde, a polícia determinou a evacuação de outro o cartão-postal de Nova Iorque, o Empire State Building, de 102 andares, após outra ameaça de bomba.

A explosão deixou um buraco de 30 metros de diâmetro no estacionamento do World Trade Center. O pânico em Nova Iorque aumentou depois que o Empire State Building teve que ser esvaziado. Centenas de pessoas ficaram presas na torre número 2 por até dez horas, enquanto a Defesa Civil tentava realizar a maior operação de resgate da história do estado, chegando a socorrer algumas das vítimas com auxílio de helicópteros. Muitos, em pânico, desceram 110 andares pelas escadas. A explosão abalou prédios vizinhos na parte sul da ilha de Manhattan, onde está localizado o centro financeiro de Nova Iorque.

“Só resta saber quem colocou lá”, declarou o então governador de Nova Iorque, Mario Cuomo, sobre a certeza de que o atentado fora provocado pela explosão de um carro-bomba. Agentes do FBI concordaram com a teoria do governador. “Estamos tomando as precauções de segurança apropriadas”, revelou em Washington o porta-voz da polícia do Capitólio (o prédio do Congresso americano, que entrou em prontidão após as especulações de que a explosão teria sido uma ação terrorista).

Como medida de precaução, o país entrou em estado de alerta, reforçando a segurança de aeroportos e edifícios públicos de Nova Iorque e da capital, Washington. Por falta de informações nas horas que sucederam o atentado, o então presidente Bill Clinton não quis se manifestar sobre o assunto. Seu vice, Al Gore, porém, ofereceu “condolências às vítimas e aqueles que foram feridos em consequência da tragédia”.

A autoria do atentado foi assumida por um grupo de seis terroristas islâmicos, financiado pela organização fundamentalista islâmica, Al-Qaeda. Em 1997 e 1998 a polícia norte-americana conseguiu prender os seis membros do grupo, que foram condenados à pena de morte. Em 11 de setembro de 2001, outro atentado assumido pela Al-Qaeda foi feito contra as torres gêmeas, mas, desta vez, teve consequências muito mais devastadoras. A colisão de dois aviões contra as duas torres do Wolrd Trade Center, que resultou no desabamento dos edifícios, matou 2993 pessoas e deixou 24 desaparecidas.

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25 de fevereiro de 1954 – Nasser assume o poder no Egito





Após a renúncia do presidente Muhammed Naguib na tarde do dia 25, o coronel Gamal Abdel Nasser assumiu as funções de primeiro-ministro do Egito, com o apoio das forças armadas do país. Nasser, que sempre lutou contra o imperialismo ocidental no Oriente Médio, liderou, ao lado do ex-presidente Naguib, a revolução de 1952, na qual foi deposto o último rei do país, Farouk, acabando assim com a monarquia egipcia.

O Conselho Revolucionário disse que o pedido de demissão do general Naguib (para ambos os cargos que ocupava – presidente e primeiro-ministro) foi apresentado por ele mesmo, três dias antes de ser anunciada sua queda, e aceito pelo Conselho pacificamente. O Conselho foi formado nas semanas que antecederam o episódio, devido a desavenças de membros do Exército com o então presidente.

“Temos absoluto controle do Exército e da Polícia. Não seria difícil utilizar um procedimento vil, como assassinar Naguib, porém, nunca desceremos a tais métodos, nem sequer contra nossos inimigos”, declarou o Ministro da Orientação Nacional, Salah Salem.


A notícia da derrubada de Naguib provocou algumas manifestações no país, pois o governante deposto era um ídolo, símbolo da nova libertação do Egito. Em algumas universidades, estudantes inconformados se reuniram ao coro de “Queremos Naguib” para protestar contra a subida de Nasser ao poder.

Na Inglaterra, o clima foi de apreensão. Sabendo do caráter nacionalista de Nasser, o governo declarou serem quase nulas as chances de se obter um acordo sobre as atividades britânicas no Canal de Suez, localizado no Egito, mas controlado pela marinha inglesa. De fato, o acordo não aconteceu e, em julho do mesmo ano, Nasser nacionalizou o Canal, o que originou uma guerra entre os dois países na região (tendo sido a Inglaterra apoiada pela França e por Israel), havendo a necessidade de uma intervenção da ONU, que decidiu fechar o Canal por vários anos.

Nasser governou o Egito até a sua morte, em 1970, tornando-se um dos líderes do Terceiro Mundo mais populares e admirados. Em seus quase vinte anos de governo, o presidente nacionalista consolidou um movimento pan-arabista, através do qual o Egito se uniu à Síria, formando a República Árabe Unida.

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24 de fevereiro de 1981 – Anunciado o noivado entre Lady Di e Príncipe Charles




A Rainha da Inglaterra Elizabeth II e o Duque de Edimburgo anunciaram, no dia 24 de fevereiro, o grande evento social do fim do século: o casamento de seu filho, Príncipe Charles com Lady Diana Spencer. O anúncio, feito com frieza em uma nota do Palácio de Buckingham, como mandava a etiqueta, ocupou a primeira página de todos os jornais vespertinos londrinos, provocando um misto de alegria e surpresa em seus leitores.

Charles, que então estava com 32 anos, ao decidir casar-se com Diana, que era uma jovem de 19, não só prometeu dar ao trono britânico uma nova soberana como também colocou fim às especulações que vinham sendo feitas em torno do assunto (inclusive a de que ele seria um solteiro vocacional). O namoro entre os dois começou cerca de seis meses antes de ser anunciado o noivado, tendo sido sempre alvo de fofocas.

“Quero que ela viaje para que possa pensar em minha proposta de casamento”, teria dito o Príncipe antes da viagem de Diana à Austrália, que terminou no dia em que foi anunciado oficialmente o noivado. “Nunca tive dúvidas”, teria respondido a futura Princesa, quando retornou do passeio que fizera à Oceania.

Lady Di, como viria a ser chamada mais tarde, trabalhava como professora de uma escola primária, sendo filha de um rico proprietário de terras do Distrito de Norfolk, Conde Spencer. Era uma moça alta, loira e anglicana, que logo passou a ser a vítima favorita da imprensa, que a perseguia incessantemente atrás de fotografias e entrevistas.

O casamento ocorreu em 29 de julho do mesmo ano, tornando Lady Di uma das mulheres mais famosas do mundo, ícone de beleza e elegância. Da união nasceram dois filhos, os príncipes William e Harry. O conto de fadas, porém, não durou muito tempo. O casal se separou em 1992, tendo o processo de divórcio finalizado em 1996, um ano antes do acidente que pôs fim à vida de Diana.


O herdeiro do trono

Charles Philip Arthur Windsor teve mais pretendentes do que títulos em sua vida. Calcula-se em mais de 50 o número de jovens que tiveram seus nomes associados ao seu, sempre como possíveis futuras noivas.

“Sou um homem cada vez mais solitário”, disse o príncipe em 1975, cada vez que um novo nome feminino vinha lhe ampliar a lista. Dizia ser também um jovem sem amigos: “A maior parte das pessoas se aproxima de mim por interesse”. Sua sorte, porém, mudou quando conheceu a “graciosa, discreta e inteligente” Diana, aparentemente menos cotada do que sua irmã Sarah, mas que no fim da história acabou ganhando a corrida pela mão do Príncipe. Além de ser aprovada por Charles, Diana conquistou também o mundo, que vibrou com a celebração do casamento e, anos mais tarde, chorou à sua morte.

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23 de fevereiro de 1945 – II Guerra: EUA tomam o monte Suribachi




No dia 23 de fevereiro de 1945 os fuzileiros navais norte-americanos conquistaram o monte Suribachi – um vulcão extinto localizado na ilha de Iwo Jima, no Oceano Pacífico - dando o primeiro passo rumo à vitória na batalha de Iwo Jima, travada entre Estados Unidos e Japão pelo controle da ilha do Pacífico na Segunda Guerra Mundial.

A luta pela dominação do ponto mais alto da ilha foi intensa. Os japoneses lançavam granadas costa a baixo pela montanha sobre os fuzileiros norte-americanos, que se dispunham a escapar pelas escarpadas e perigosas fendas do monte. Oficiais do corpo de infantaria da marinha dos Estados Unidos declararam, após vencida esta primeira luta, que o conflito assumiu tal caráter que os japoneses preferiram arrojar-se ao solo do alto da cratera do vulcão a se deixarem capturar pelas forças inimigas. O comunicado do comando naval informou que os fuzileiros norte-americanos aniquilaram as forças japonesas no extremo meridional da ilha, tendo, contudo, perdido 5.372 soldados nas primeiras 58 horas de combate intenso.

Prevista desde junho do ano anterior pelos japoneses, a invasão norte-americana a Iwo Jima teve início dois dias antes de suas tropas terem conseguido dominar o monte Suribachi. As forças nipônicas se prepararam meses para o ataque, tentando fazer da ilha uma fortaleza capaz de se defender do ataque violento do inimigo do norte. A dominação do Suribachi, contudo, mostrou a superioridade bélica dos Estados Unidos, que venceriam a batalha mais adiante.

O objetivo dos Estados Unidos ao travar a batalha em Iwo Jima era de conquistar o espaço terrestre e aéreo da ilha, que serviria de local de aterragem e reabastecimento de aviões de guerra norte-americanos cuja missão era de bombardear a costa do Japão para abrir caminho para a ocupação da Terra do Sol Nascente, no auge da participação militar dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial. A batalha, que terminou no dia 26 de março do mesmo ano, deixou mais de 26 mil pessoas mortas no lado dos Aliados. Hoje, o episódio sangrento, cujo ápice foi o hasteamento da bandeira norte-ameiricana no vulcão extinto, é lembrado pela fotografia de Joe Rosenthal Raising the Flag on Iwo Jima (Hasteando a Bandeira em Iwo Jima), que, posteriormente, ganhou o Prêmio Pulitzer da categoria.



Raising the Flag on Iwo Jima

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22 de fevereiro de 1998 – Central do Brasil leva o Urso de Ouro




O filme Central do Brasil, de Walter Salles, recebeu o prêmio Urso de Ouro no 48º Festival de Cinema de Berlim, na Alemanha. Fernanda Montenegro, que no longa fez o papel de uma professora aposentada que escreve cartas na maior estação de trens carioca em troca de um Real, levou a estatueta de melhor atriz. Reconhecido tambem pelo Júri Ecumênico, Central do Brasil foi o filme que mais acumulou prêmios no balanço da festa. “Nao foi uma decisao difícil. Todos nós nos emocionamos muito com o filme”, dise o ator inglês Ben Kingsley, que presidiu o júri.

Este foi o primeiro troféu de peso recebido pela nova geração de cineastas brasileiros. Com o Urso de Ouro, o Brasil completou sua galeria de prêmios em festivais europeus, uma vez que já tinha recebido a Palma de Ouro em Cannes pelo Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte, em 1962, e o Leão de Ouro em Veneza por Eles Nao Usam Black Tie, de Leon Hirszman, em 1980.

“Espero que esse Urso de Ouro transcenda Central do Brasil. É um prêmio para a história do cinema brasileiro e também para a retomada da produção cinematográfica nacional. Quero dividi-lo com todas as pessoas que restabeleceram a importancia da cinematografia nacional no mundo, com toda essa geração que está surgindo”, disse Walter Salles, de Berlim, sem antes completar: “Essa e a maior emoção da minha vida”.

Central do Brasil foi uma das poucas produções aclamadas pelo público e pelo júri do festival. Na apresentação oficial, realizada no dia catorze, o longa foi aplaudido de pé durante dez minutos ininterruptos pelo auditório lotado. “Considero o público do festival parcialmente responsável pela nossa vitória. A excelente recepcao gerou uma torcida geral”, disse Walter Salles.

Central do Brasil, porém, nao é um filme para “europeu ver”. O longa surpreendeu por falar com profundidade e emoção da realidade do Brasil contemporâneo. Conta a história de uma mulher cínica e endurecida que viaja para o sertão na esperança de encontrar o pai de um menino (Vinicius de Oliveira) que, por força do destino, foi parar nas suas mãos. “O filme só ganha sentido no seu desejo intrínseco de ser brasileiro e dialogar nao só com a tradição mas também com o futuro”, finalizou o aclamado diretor Walter Salles após a premiação.

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21 de fevereiro de 1972 – Nixon vai à China reatar laços diplomáticos




O presidente dos Estados Unidos Richard Nixon se reuniu com o presidente da China Mao Tsé Tung, na capital Pequim, para colocar fim aos 22 anos de hostilidades entre os dois países. Na manhã do dia 21, Nixon chegou à China a convite do governo chinês para iniciar as negociações desta reaproximação diplomática. A cerimônia de recepção a Nixon foi tão fria quanto a temperatura de um grau que fazia na cidade. Sem festividade, Nixon foi recebido pelo Premier Chou En-lai, que aceitou o aperto de mão oferecido pelo governante. Logo depois, Nixon se encaminhou para a casa de Mao Tsé Tung para uma reunião sigilosa e simples, que seria seguida de um banquete no Grande Salão do Povo de Pequim.

No banquete noturno em que se encontravam os presidentes e suas respectivas comitivas, além da imprensa, o Premier Chou En-lai manifestou o desejo de estabelecer com os Estados Unidos relações diplomáticas normais. Nixon, por sua vez, propôs aos chineses que construíssem junto aos americanos um “mundo novo e melhor”.

“Desejo estender, em nome do povo chinês, cordiais saudações ao povo do outro lado do grande oceano. A visita do Presidente Nixon a nosso país a convite do governo chinês, proporciona aos dirigentes de ambos os países a oportunidade de se reunirem para procurar a normalização das relações entre as duas nações, e trocar pontos de vista sobre questões que preocupam as duas partes”, declarou Chou En-lai ainda no banquete, que foi televisionado para os Estados Unidos.

Para retribuir as saudações, Nixon proferiu um belo discurso no qual reafirmou a vontade de restabelecer boas relações com a China: “O que dissermos não durará muito, mas o que fizermos poderá modificar o mundo. Se nossos povos forem inimigos, o futuro da humanidade será sombrio, mas se pudermos encontrar um terreno comum de entendimento, serão inúmeras as possibilidades de paz”.

Os encontros do dia 21 serviram como início de contatos. As conversações sobre os problemas internacionais (sobretudo a questão da Indochina) tiveram lugar nos cinco dias seguintes, tempo em que Nixon permaneceu no país. As relações diplomáticas com a China, rompidas décadas antes com a criação do pacto de aliança entre China e União Soviética (principal inimigo norte-americano no quadro da Guerra Fria), foram reestabelecidas com base em cinco princípios fundamentais: respeito à soberania e integridade territorial das nações, não agressão mútua, não interferência em assuntos internos, igualdade mútua e coexistência pacífica.


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20 de fevereiro de 1970 – Café Filho é enterrado com honras de presidente




Ao toque de silêncio, executado por um corneteiro da Aeronáutica, o corpo do ex-presidente Café Filho desceu à sepultura no cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro, às 17h40 do dia vinte de fevereiro. O então vice-presidente Augusto Rademaker, representando o presidente Médici, foi um dos que carregaram o caixão. Mais de mil pessoas compareceram ao velório do homem que governou o Brasil por pouco mais de um ano (1954-1955).

“Café Filho foi um grande político, um grande defensor da democracia e um grande administrador, como demonstrou sempre nas muitas funções que desempenhou, não só em seu estado, como no Governo da República. Seu falecimento é uma grande perda para a nação”, discursou Rademaker durante o funeral.

O Brigadeiro Eduardo Gomes, que também estava no velório, não deixou de dar um depoimento sobre o falecido, não querendo, contudo, mencionar os últimos anos do colega na vida pública. “Como político trouxe soluções para questões sociais. Como democrata, mostrou-se sempre zeloso na defesa das instituições livres. Como Presidente, foi cônscio de seus deveres para com a nação”, declarou.

No mesmo dia da morte do ex-governante, o então Presidente Médici assinou um decreto declarando luto oficial no país durante oito dias. O decreto determinava ainda que fossem prestadas honras de Chefe de Estado. Médici também enviou à viúva de Café filho um telegrama de condolências, no qual dizia estar “sensibilizado pela notícia do falecimento” acrescentando que encontra na memória do falecido “exemplos de desambição, fidelidade ao povo e de amor ao Brasil, uma fonte de permanente inspiração”.


O ex-presidente Café Filho


Café Filho nasceu em Natal, Rio Grande do Norte, em fevereiro de 1899, tendo iniciado a carreira de advogado antes de ingressar na vida pública. Na década de 1930 chegou à Câmara dos Deputados, e, depois, sendo indicado à vice na chapa de Getúlio Vargas para a Presidência em 1950. Com o suicídio de Vargas, em 1954, Café Filho assumiu a Presidência, cargo que ocupou por pouco tempo, até novembro de 1955, quando se afastou por pressão de um movimento político-militar, que depois veio a se chamar Movimento 11 de Novembro. O movimento tinha por objetivo assegurar a posse do Presidente eleito Juscelino Kubstchek, temendo que esta fosse impedida por algum golpe de Café Filho, que não apoiava o novo governante.

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19 de fevereiro de 1972 – Primeira transmissão pública de TV a cores no Brasil




A Festa da Uva, evento popular do Rio Grande do Sul, foi a escolhida para estrear a transmissão pública de TV a cores no Brasil. O então Presidente Médici inaugurou o evento, cuja transmissão foi comandada pela TV Difusora de Porto Alegre, e difundida pela Embratel para todo o país. A visita do presidente Médici à Festa da Uva durou uma hora, o tempo de exibição do evento a cores. O desfile de carros alegóricos, cuja realização esteve ameaçada até o último momento, contou toda a história da colonização italiana no Rio Grande do Sul. Foram ao todo 42 carros.

No Rio de Janeiro, milhares de pessoas se reuniram em frente a lojas de eletrodomésticos nas quais televisores a cores estavam ligados, para assistir à Festa da Uva. No estado, havia apenas 200 televisores particulares capazes de receber o sinal colorido no dia da estréia, o que fez com que as lojas de eletrodomésticos aproveitassem a ocasião para fazer propaganda do novo produto e assim aumentar as vendas. O que mais surpreendeu quem nunca tinha visto o novo aparelho, foi que, em alguns modelos, as antenas captadoras de sinal tinham sumido. Alguns dos novos televisores já possuíam antena interna. Em outras cidades, o mesmo fenômeno aconteceu. Em certos municípios alguns prefeitos chegaram a comprar aparelhos e colocá-los em praça pública para que a população tivesse acesso à novidade.

Na Embratel, os técnicos tiveram que enfrentar uma delicada situação: explicar para dezenas de pessoas que telefonaram, que não era possível receber imagens a cores num aparelho convencional, que exibia as imagens em preto e branco. As ligações telefônicas ocorreram porque a empresa divulgou um número de telefone durante a festa para que telespectadores comentassem a qualidade do sinal recebido em suas casas, tendo informado que os comentários, nesse sentido, foram em sua maioria positivos.

A transmissão da Festa da Uva foi o marco inicial da TV a cores no Brasil. Depois disso, as emissoras de televisão correram para se ajustar ao novo padrão e, em março do mesmo ano, inauguraram oficialmente suas programações coloridas.

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18 de fevereiro de 1983 – Cruzeiro sofre maxidesvalorização




Por meio de uma nota do Banco Central, o Conselho Monetário Nacional (CMN) anunciou à nação a maxidesvalorização do cruzeiro em 30%, fazendo com que o dólar norte-americano passasse de CR$ 293,41 para CR$381,44. A nota do CMN explicou que a medida resultava de uma necessidade de “acelerar o processo de ajustamento do balanço de pagamentos do Brasil face a situação adversa dos mercados internacionais”.

Para o consumidor brasileiro da época, o reajuste se traduziu na redução do poder aquisitivo e no aumento dos produtos importados e das viagens ao exterior. A medida teve caráter inflacionário, além de agravar as dificuldades de empresas com endividamento em dólar. Os exportadores, por outro lado, consideraram a medida eficiente para acelerar as vendas externas do Brasil, mas de modo geral os empresários registraram temor de que a inflação disparasse.

Em dezembro de 1979, durante o governo Figueiredo, o cruzeiro sofrera também uma maxidesvalorização de 30%, mas que fora, em muitos aspectos, diferente da sofrida em fevereiro de 1983. A nova desvalorização assustou os brasileiros pela falta de explicação do governo sobre a mudança, suas causas e consequências, além da ausência de medidas criadas para proteger as empresas nacionais que apresentassem dificuldade de caixa, diferentemente da mudança no governo Figueiredo.

Até 1983, apenas uma vez a desvalorização superou 30%: foi em 1964, quando se trocou o cruzeiro velho pelo cruzeiro novo. A mudança exigiu uma queda de 169,74% na cotação do cruzeiro em relação ao dólar americano.

Na nota oficial do Banco Central, o governo disse que a maxidesvalorização provocaria uma queda nas taxas de juros internas, aumentando as exportações, o que repercutiria em uma maior proteção à indústria nacional, refletindo-se positivamente do nível de emprego.

Como previram os economistas da época, a maxidesvalorização de 1983 não conseguiu controlar a inflação, que, ao contrario, se acelerou, e com isso aprofundou a crise na econômica. Esta crise continuada culminou na implantação do Plano Cruzado em fevereiro de 1986, no governo Sarney, e que também não conseguiu solucionar a crise financeira, a qual se arrastou até meados da década de 90.

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17 de fevereiro de 1997 – Morre Darcy Ribeiro





“Morte é quando a pulsão de vida que está na carne se apaga, então a carne volta a ser o que ela é, volta à natureza cósmica. A grande coisa que há na vida é o nascimento da morte”, disse Darcy Ribeiro certa vez, ao ser perguntado sobre o medo da morte, já que lutou mais de 20 anos contra um câncer o qual o fez terminar de vez a sua jornada na Terra.

Darcy morreu em um hospital de Brasília, no qual estava internado havia três dias por conta de complicações em seu quadro clínico. O corpo do então senador, antropólogo e romancista foi velado no Salão Negro do Senado e sepultado, no dia seguinte, no mausoléu da Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro, assim como desejava. Uma amiga do senador disse que Darcy morreu como queria, sem sofrimento e totalmente lúcido. Na véspera da morte, ele deu uma série de recomendações sobre o futuro de sua Fundação, mostrando vigor incomum e alimentava-se normalmente.

“Darcy lutou com bravura contra a própria moléstia e, até o seu falecimento, empurrou a morte para o mais longe possível. Estamos todos muito tristes”, falou o então presidente Fernando Henrique Cardoso, amigo de Darcy, decretando luto oficial de três dias. No Rio, o arquiteto Oscar Niemeyer, parceiro de Darcy em várias iniciativas como a construção da Universidade de Brasília, disse que falou com o amigo, por telefone dois dias antes dele morrer. “Ele estava preocupado e eu disse para ele resistir, para morrermos juntos daqui a 20 anos. Ele riu. Era um irmão. Ficou um vazio”, declarou com pesar.

Darcy, com físico de intelectual e alma de cruzado, costumava dizer que era alvo das atenções por dois motivos. Primeiro por causa do câncer: “O câncer tem um prestígio brutal”. Segundo por ser uma dos raríssimos intelectuais que tornara-se ministro, feito que compartilhava com FHC.


Intelectual com alma de cruzado


Darcy Ribeiro era um apaixonado pelo Brasil, pelos índios que defendeu como um cacique e pela política que tudo pode transformar. Como antropólogo, dedicou-se ao estudo dos índios no interior da Amazônia, ganhando prestígio como intelectual. Como escritor, publicou, além de livros acadêmicos traduzidos em mais de 20 países, romances e ensaios sobre educação e política. Como político engajado e intelectual cheio de idéias, ajudou a criar a UNB, tornando-se o primeiro reitor da instituição. Em 1992, foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras, após ter se dedicado a criar um novo padrão de ensino médio e ampliar a rede dos Centros Integrados de Educação Popular (Ciep) no Rio de Janeiro; logo depois, dedicou-se a erguer a Universidade Estadual do Norte Fluminense, em Campos.

O sentimento de urgência permeou seus últimos anos. Fugiu da UTI em 1995 para escrever O povo brasileiro e poucos meses antes de morrer correu para terminar de redigir suas memórias. “O câncer me alertou. Pude escrever meus romances, tão carnais, porque perdi essa bobagem que se chama respeito humano. Reinventei a vida”, declarou ele.

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16 de fevereiro de 1936 – Frente Popular vence as eleições na Espanha




As eleições democráticas espanholas de fevereiro de 1936 terminaram por conceder à Frente Popular, uma frente de esquerda, apoiada por forças comunistas e anarquistas, a maioria das cadeiras (225) no Parlamento da Espanha, o que impossibilitou a reeleição do então Chefe de Governo, Portela Valadares, candidato da frente de direita.

“Os resultados apurados mostraram uma diferença de 25 mil votos a favor das esquerdas. Assim, a vitória da Frente Popular está assegurada”, informou o serviço de imprensa da Frente, enquanto a população aguardava ansiosa pelo resultado da apuração.

Na manhã do dia seguinte, milhares de pessoas foram às ruas da capital, Madrid, reivindicando a libertação de presos políticos. Na época, milhares de militantes que protestaram contra o governo da Confederação das Direitas Autônomas (CEDA), foram detidos pela polícia. A Frente Popular, em sua campanha eleitoral, conseguiu o apoio dos grupos anarquistas, sob a promessa de declarar anistia política caso vencesse.

Temendo as manifestações, o presidente Alcalá Zamora decretou estado de sítio em todas as províncias espanholas. “O dia correu em calma. Foram provocados incidentes pelos eleitores esquerdistas, dos quais não se poderia esperar outra atitude. Em Lugo, desordeiros contratados pela Juventude da Ação Popular provocaram conflitos. Faço questão de acentuar que todas as violências, vindas de onde vierem, serão reprimidas”, declarou o Presidente da República.

A Frente Popular escolheu o líder da esquerda republicana, Manuel Azaña, para formar o novo governo. Em maio o Chefe do Governo Azaña uniu forças para destituir Alcalá Zamora, e assumiu a Presidência da República. O Exército e as forças direitistas derrotadas não se conformaram com o resultado das eleições e a ascensão de Azaña ao poder. Assim, em julho desse mesmo ano deflagraram um golpe militar que deu início à Guerra Civil Espanhola – conflito sangrento que durou três anos, e terminou com com a vitória do general Francisco Franco, o qual governou a Espanha como ditador pelos 36 anos seguintes.

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15 de fevereiro de 1965 – Nat King Cole morre sem voz




Nat King Cole morreu aos 46 anos em um hospital de Hollywood, Estados Unidos, de câncer de pulmão, depois de cantar durante vinte e nove anos nas principais cidades do mundo, interpretando canções de jazz como Saint Louis Blues, Too Young, Fascination, Unforgetable e Bailerina.

A doença que o levou à morte foi diagnosticada um ano antes, quando sentia dificuldades para respirar. Nat precisou tirar um dos pulmões e, pouco antes de falecer, não tinha fôlego nem mais para falar. Mesmo depois da cirurgia, Nat não parou de fumar – o cantor tinha hábito de consumir cerca de três maços de cigarro por dia. A viúva Maria Cole disse que o marido morreu sem sentir, apenas com um olhar de tristeza. “É nessas ocasiões que uma mulher tem que ser forte e ter coragem. Com certeza Nat consolou-se nisso antes que tudo acabasse”, declarou à imprensa um dia após a morte do cantor.

Em 1959, Nat King Cole passou pelo Rio de Janeiro, ocasião em que se apresentou no Maracanazinho, em um show que lotou o estádio, sendo a maior consagração feita no Brasil a um cantor norte-americano até então.

A vida de músico de Nat começou aos quatro anos de idade, quando tocava órgão na igreja de seu bairro, incentivado pelo pai, que era pastor. Aos 17 anos mudou-se com a família para Chicago e lá começou uma pequena banda, que depois se transformou no trio de Nat King Cole, que ficou famoso por cantar músicas de jazz e spirituals (música religiosa da cultura afro-americana).

“A vida inteira tenho ouvido, cantado e amado os spirituals que, para mim, representam a expressão máxima da música norte-americana, no que ela tem de melhor”, afirmou o cantor certa vez, ao se referir ao seu hit Every Time I Feel the Spirits.

Aos 45 anos, Cole era um cantor realizado: gravara mais de 600 músicas. Sua voz agradável e marcante era comparada por críticos musicais ao “rumor da brisa crepuscular”. Cole também fez história no cinema, tendo atuado em mais de 20 filmes de Hollywood, sempre como cantor ou pianista. O garoto pobre do Alabama, cujo primeiro salário foi fixado em um dólar e meio por noite (na época em que liderava uma pequena banda), jamais imaginou que faturaria, poucos anos depois, cerca de 500 milhões de dólares por ano e mobilizaria multidões de fãs enlouquecidos para ouví-lo cantar.

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14 de fevereiro de 1950 – China e URSS selam acordo de amizade




A rádio nacional da China anunciou que a União Soviética e o regime comunista chinês selaram em Moscou, capital da URSS. uma aliança para impedir o restabelecimento do Japão como potência imperialista no Oriente. O Tratado de Aliança Sino-Soviético, como foi denominado, foi assinado pelos ministros das Relações Exteriores das duas potências, contando com seis diferentes artigos.

A emissora relatou que a informação partiu do próprio presidente chinês, Mao Tsé Tung, que se encontrava em Moscou desde dezembro, para estabelecer uma aliança estratégica com a grande potência socialista da época. Segundo o dirigente chinês, o tratado teria igualmente como objetivo conter a agressão por parte de qualquer nação estrangeira relacionada “diretamente com o Japão”, promover o mais rápido possível a assinatura de um tratado de paz com o inimigo nipônico, e promover a cooperação cultural entre a China e a URSS, baseada no conceito de igualdade, entrando em vigor trinta dias após a sua assinatura.

Em Moscou, a rádio comunista também informou à população do tratado, dizendo que “as negociações foram realizadas numa atmosfera cordial e de mútua compreensão, que confirma os esforços de ambas as partes em fortalecer, por todas as formas, as relações amistosas entre elas, bem como o desejo de cooperação com o propósito de garantir a paz geral e a segurança das nações”. O Tratado, além do que já foi dito, dava à China maior prazo para pagamentos de dívidas que tinha com a URSS, além de devolver ao povo chinês a soberania sobre alguns territórios antigamente tomados pelos soviéticos.

No dia seguinte à assinatura do contrato, diplomatas dos Estados Unidos se reuniram para estudar a possibilidade de firmar um tratado de paz em separado com o Japão e outro com os demais países do Pacífico para conter o avanço comunista na região, como já prometera o presidente norte-americano Harry Truman. Um comunicado oficial da grande potência capitalista dizia que “foram estudadas as relações comerciais entre Japão e Estados Unidos, assim como aspectos do problema da comunicação e do tratado de paz”.

Os tratados de paz e amizade, promovidos pelas grandes potências rivais da época (Estados Unidos e União Soviética) constituiam um aspecto da Guerra Fria que então se intensificava, com cada parte tentando conter o avanço econômico e político da outra, e tentando aliciar o maior número de aliados possíveis. A aliança Sino-Soviética entrou em crise ainda nessa década, após a denuncia do Stalinismo promovida por Kruchev. Na década de 1970, o governo chinês tentou se reaproximar dos Estados Unidos, após conflitos em áreas fronteiriças.

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13 de fevereiro de 1960 – França testa bomba atômica no Saara




A primeira bomba atômica francesa explodiu na manhã do dia treze de fevereiro, no Saara Francês, tendo sido a experiência onsiderada bem sucedida pelos cientístas e militares. A bomba foi instalada em uma torre de aço com 106 metros de altura, e as primeiras indicações após a explosão foram de que as regiões habitadas não tinham sofrido qualquer contaminação radioativa. Embora o engenho fosse chamado de bomba, mais parecia uma máquina atômica que foi levada em peças ao lugar da explosão e ali armada.

A notícia da explosão foi transmitida do local, localizado ao sul de Orã, cidade da Argélia, então província francesa, para o presidente da França, De Gaulle, em Paris. Com o lançamento, De Gaulle esperava que os Estados Unidos aceitassem compartilhar os segredos atômicos com a França, uma vez que, com a explosão de sua primeira bomba, o país teria passado a integrar o grupo das potências nucleares, formado então pela União Soviética e a Grã-Bretanha além dos norte-americanos.

“A explosão ocorreu nas condições previstas de poder e segurança. O explosivo nuclear utilizado foi o plutônio. Foi integralmente garantida a segurança das populações do Saara e dos países vizinhos”, dizia um comunicado divulgado pela Presidência da República francesa. “Nessas condições, graças ao esforço nacional, pode a França reforçar o seu poderio defensivo, o da comunidade francesa e o do Ocidente. Por outro lado, a República Francesa está em melhores condições para fazer sentir a sua ação no sentido da conclusão dos acordos entre as potências atômicas, tendo em vista a realização do desarmamento nuclear”, finalizou a nota.

A explosão da bomba francesa causou reações negativas nos países africanos localizados na região do Saara, por não entenderem porque a França, em vez de discutir o desarmamento, tinha lançado uma bomba teste em território africano. O Primeiro-Ministro de Gana, Kwame Nkrumah, anunciou que, a partir do dia seguinte à explosão, seriam congelados todos os capitais franceses no país até que se conhecessem inteiramente os possíveis efeitos causados pela explosão atômica. Em comunicado veiculado na TV de Gana, Nkrumah disse que o Governo francês “desafiava a consciência da humanidade ao fazer explodir um aparato nuclear em solo africano”. No Marrocos e Japão, as manifestações dos governos sobre o ocorrido seguiram a mesma linha de desaprovação do Premier de Gana, tendo o governo marroquino chegado a dizer que o ato foi “indigno da cultura francesa”.

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12 de fevereiro de 1984 – Morre Julio Cortázar




Aos 69 anos de idade, morreu de leucemia em um hospital de Paris, o escritor argentino Julio Cortázar, um dos maiores nomes da literatura hispano-americana. Era caracterizado pela crítica da época por um homem que perseguiu uma linguagem própria até o limite da auto destruição e buscou a realidade através não apenas da fantasia, mas também de uma militância intensa e humanista. Os títulos mais famosos de Cortázar são Bestiário, Final de jogo, Um tal Lucas, O Jogo da Amarelinha.

Cortazár nasceu durante a Primeira Guerra, em 1914, na embaixada da Argentina na Bélgica e só colocou os pés no país latino pela primeira vez após quatro anos de vida. Quando chegou à juventude e entregou-se à sua vocação literária, a Argentina ingressara em um longo ciclo de golpes e ditaduras militares a começar pela de Perón. Os temores e horrores desse fundo histórico, de um lado, e a companhia e a influência de uma elite intelectual foram decisivos na moldagem da obra de Cortázar. Explicam seu conteúdo introspectivo e os requintes formais que o alinham como um escritor da vanguarda internacional.

Cortazár começou escrevendo poesia e, em 1938, publicou a coletânea Presenciais, que assinou com o pseudônimo de Julio Denis. Foi professor univesitário e, em 1952, mudou-se para a França, onde residiu até a morte. Ao falecer, deixou um volume de versos, Acaso el crepusculo, que mais tarde seria publicado. Assim, começou e terminou como poeta, apesar de ter ficado famoso pela sua prosa, sendo seu gênero preferido o conto. “A história curta é uma espécie de esfera”, disse ele uma vez, explicando que essa esfera permitiria o autor a chegar à perfeição. Dois de seus contos foram levados ao cinema. “A Autópsia do Sul” inspirou o cineasta da nouvelle vague, Godard, a fazer o filme Weekend; e Las babas del Diablo, que se transformou no famoso longa metragem Blow Up, do italiano Antonioni.

A política foi outra das paixões de Cortázar. Apoiou a revolução cubana e defendeu o Governo sandinista (da Nicarágua). Da França, cuja cidadania lhe foi conferida pelo próprio presidente do país, Mitterrand, combateu sem tréguas a ditadura militar argentina. “Muita gente pensa que o resultado da mensagem de Cortazár é um anarquismo esquerdizante. Mas há nela um profundo interesse ético, que passa pelas graves questões de comportamento”, declarou o crítico brasileiro David Arriggucci Jr., especialista nas obras do escritor, no dia de sua morte.

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10 de fevereiro de 1939 – Morre o Papa Pio XI





Aos 81 anos, o Papa Pio XI sentia-se fraco e sabia que a sua hora estava chegando. Por isso, sua Santidade empenhou todos os esforços para “deixar as coisas em ordem”, segundo suas prórprias palavras, nos últimos anos de seu Pontificado.

Pio XI surpreendia os médicos pela tenacidade com que se apegava à vida, tendo resistido bravamente por 10 anos, desde o aparecimento dos primeiros sintomas de uma doença que, em 1936, paralisou-lhe o movimento das pernas. Nos intervalos de sua moléstia, o Papa publicou mensagens que surpreenderam os círculos católicos do mundo por condenarem o ateísmo comunista, movimentos anti-cristãos, nazismo e fascismo. “Nós não pretendemos desmembrar a família humana. E é claro que o nacionalismo extremado e o racialismo repressivo erguem barreiras entre os homens”, declarou Pio XI em um comunicado em 1938, ao relacionar o fascismo italiano com o movimento anti-semita de Hitler, na Alemanha.

Ao saber do falecimento do Papa, o rabino Stephen Wise, líder judeu austro-húngaro, publicou uma mensagem de condolência lamentando a morte do homem que lutava pela paz entre os humanos. “O mundo judaico jamais esquecerá a corajosa atitude do pontíficie a favor das liberdades, da dignidade humana e da proteção às numerosas vítimas das perseguições raciais”, dizia a nota. O ditator italiano, Mussolini, que adiou uma ofensiva diplomática contra a França devido ao falecimento de Pio XI, também lamentou a morte do Pontíficie: “A morte do Papa da conciliação é motivo para a mais profunda consternação para a Igreja e para a nação italiana. Como intérprete dos sentimentos do povo italiano, enviio os sentimentos de pêsames do governo fascista e os meus pessoalmente”.


Ambrose Damian Achille


Pio XI, cujo nome de batismo era Ambrose Damian Achille, nasceu na Lombardia, em 1857. Durante os dezessete anos de pontificado, ele desenvolveu uma vigorosa oposição ao comunismo e às formas extremadas de nacionalismo. A piedade e a devoção de Pio XI eram fatos bastante conhecidos. Seu dia começava e terminava em sua capela particular, justamente ao lado de seu quarto. Somente em 1936, por estar de cama devido à enfermidade, Pio XI deixou de rezar a sua Missa de Natal, desde os 57 anos de sua ordenação. A iminência da Segunda Guerra e a instalação das ditaduras européias na primeira metade do século XX contribuíram para apressar o fim de sua existência; o Papa fazia questão que suas mensagens de paz fossem levadas para o mundo inteiro, o que acabou cansando seu coração frágil. Aliás, segundo o Vaticano, “paz” foi a última palavra que Pio XI proferiu antes de fechar os olhos pela última vez.

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9 de fevereiro de 1996 – IRA rompe cessar-fogo com o Reino Unido




Mais de cem pessoas ficaram feridas na explosão de uma bomba atribuída ao Exército Republicano Irlandês (IRA), ocorrida na região das docas de Londres, capital do Reino Unido. Uma hora e meia antes do atentado, um telefonema para a rádio e televisão estatal da Irlanda alertou que o IRA, grupo católico que lutava contra o domínio britânico na Irlanda do Norte, estava naquele momento encerrando o cessar-fogo declarado um ano e cinco meses antes.

A explosão ocorreu às 19h junto à entrada da estação da linha de trens urbanos das docas, sacudindo os edifícios do local. Uma chuva de cacos de vidro caiu sobre os pedestres, e foi esta a causa da maior parte dos ferimentos.

Ao condenar o que chamou de horrível ultraje, o então primeiro-ministro britânico, John Major, reafirmou seu compromisso com o processo de paz na Irlanda do Norte, e fez um apelo ao IRA e ao Sinn Fein (braço político do grupo) para que condenassem a violência. Major insistiu que os grupos paramilitares da Irlanda deveriam entregar suas armas para que não houvesse mais violência, e então iniciar as negociações de paz.

A liderança do Sinn Fein, que se recusou a entregar as armas antes de negociar as condições de paz, declarou-se surpresa com o atentado. Horas antes, o presidente do partido, Gerry Adams, que acabara de chegar dos Estados Unidos, dera uma entrevista a uma rádio norte-irlandesa afirmando que o cessar-fogo declarado em 1994 era “total e permanente”. Mais tarde, depois de lamentar que “o governo britânico e os protestantes tivessem desperdiçado uma oportunidade inédita de negociar a paz”, Adams pediu calma, reiterando o compromisso do partido com a estratégia de não violência.

Sangue levando a sangue

O Exército Republicano Irlandês nasceu em 1916 com o objetivo de tornar a Irlanda independente do Reino Unido, ao qual fora anexada em 1801. Apenas em 1972, após o assassinato de 13 manifestantes irlandeses pelo Exército britânico no chamado “Domingo Sangrento”, o IRA transformou-se em um grupo terrorista. O pior atentado promovido pelo grupo ocorreu em novembro de 1974, em Birmingham, Inglaterra, no qual a explosão quase simultânea de duas bombas em dois bares matou 21 pessoas e deixou 162 feridas. O fim da luta armada do IRA só ocorreu em julho de 2005, quando o IRA iniciou o processo de entrega de armas, que terminou em setembro do mesmo ano.

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8 de fevereiro de 1963 – Iraque sofre um golpe militar




O coronel Abdel Salam Mohammed Aref, antigo vice-Premier, foi nomeado Presidente do Iraque pela Junta Militar, de tendência nasserista (ideologia baseada nos preceitos nacionalistas de Gamal Abdel Nasser, primeiro presidente do Egito), que assumiu o poder no país depois de bombardear o Ministério da Defesa, sob cujos escombros morreu o ex-Primeiro Ministro, Kassem.

O movimento revolucionário teve início às 13 horas do dia oito com a ocupação da rádio de Bagdá e com o bombardeio do Ministério da Defesa por aviões de uma base a 80 km da capital. O fim da luta foi anunciado por um comunicado divulgado pela Junta dizendo que os 600 soldados que guarneciam o Ministério da Defesa haviam se rendido e que o “ditador Kassem havia sido esmagado pelos escombros”. A rádio da cidade anunciou que foi estabelecido o toque de recolher em todo o país a partir das 15 horas e imposta a censura a todos os meios de comunicação. O comando revolucionário, chefiado pelo coronel Abdel Kerim Mustafá, ordenou ainda o fechamento dos aeroportos e das fronteiras, e o congelamento de todas as transferências bancárias, além da proibição de viagens para o exterior.

O comunicado divulgado pelo Conselho Revolucionário também informava os objetivos do golpe. Segundo ele, a revolução fora realizada em nome da fraternidade árabe, com caráter antiimperialista e tinha como intenção “realizar a união nacional, fazer o povo participar do governo e restabelecer o império da lei”. O comunicado acrescentava que o novo governo respeitaria a Carta da ONU e todos os acordos internacionais, seguiria uma política externa neutralista e garantiria às companhias petrolíferas estrangeiras o direito de continuar a explorar o combustível.

O golpe iraquiano conseguiu imediato apoio norte-americano, que no contexto da Guerra Fria, incentivava a vitória de forças anticomunistas em países do Terceiro Mundo. Em nota divulgada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, a revolução do Iraque foi de “clara tendência anticomunista” e, por isso, conseguira sua simpatia.

Abdel Sarem Aref ficou no poder até 1966, quando morreu em um acidente de helicóptero, deixando o posto de Presidente do Iraque para seu irmão, Abdel Rahman Aref. O governo de cunho nasserista dos Aref só acabou em julho de 1968, quando ocorreu um novo golpe militar, que colocou no poder o general Ahmad Hassam Al-Bakr, e que tinha como braço direito o futuro ditador Saddam Hussein.

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7 de fevereiro de 1984 – Homem voa livre no espaço




O astronauta Bruce McCandless tornou-se o primeiro homem a voar livremente pelo espaço, com uma mochila propulsora nas costas que o levou até 100 metros de distância da nave espacial Challenger. O fato histórico foi televisionado ao vivo para a Terra, tendo sido visto por milhões de norte-americanos, que se emocionaram ao ver o homem vestido de branco com uma grande mochila nas costas sair do compartimento de cargas da nave, aparentemente de cabeça para baixo, e flutuar na imensidão vazia do espaço.

“Pode ter sido um pequeno passo para Neil, mas podem estar certos de que foi um grande passo para mim”, afirmou McCandless, numa alusão às palavras de Neil Armstrong ao posar na Lua em 1969, quando ele disse que o pequeno passo que dava na superfície lunar representava um grande passo para a humanidade.

Nos seus dezoito anos como astronauta, McCandless ajudou a NASA a desenvolver as as mochilas espaciais propulsoras que usou no dia da aventura espacial, batizadas de Unidade Tripulada de Manobra (MMU – Manned Maneuvering Unit), mas popularmente chamadas de mochilas Buck Rogers. Enquanto se movia no vácuo, seu colega Robert Stewart permanecia fora da nave atado ao compartimento de carga com uma segunda mochila ao alcance da mão, pronto para socorrer o companheiro em caso de necessidade. Outra alternativa de socorro seria tentar resgatar o astronauta eventualmente extraviado com um braço mecânico ou aproximar a nave até que ele entrasse no compartimento de carga, onde poderia se agarrar.

O vôo começou quando a nave estava sobre o Havaí e, embora o astronauta estivesse se movendo apenas a 0,3 km/h em relação à Challenger, McCandless dava voltas à Terra a uma velocidade de mais de 28 mil km/h. “Olha lá a Flórida”, gritou ele a certa altura da missão, após ter voado sobre todo o território dos Estados Unidos. Segundo um dos seus colegas ouvidos pela TV, no espaço não se tem noção de distância.

Durante o período de cinco horas de Atividade Extraveicular (EVA), os astronautas realizaram alguns exercícios simulados de reparos como parte do treinamento para a próxima missão da Challenger, que seria realizada em abril. Nela, os astronautas usariam suas MMUs para recuperar o satélite de pesquisas solares Solar Maximum, danificado havia três anos, para repará-lo no compartimento de carga e colocá-lo de volta à órbita.

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6 de fevereiro de 1952 – Começa o reinado de Elizabeth II




Ao ser informada da morte de seu pai, o rei Jorge VI, que permaneceu no trono por quinze anos, a rainha Elizabeth II, vestida de luto, regressou a Londres, para ascender ao trono britânico. A chegada da jovem soberana de 26 anos, que uma semana antes da tragédia partira como princesa para o Quênia e regressou precipitadamente convertida em rainha, emocionou o povo britânico que tomou emocionado as ruas da capital para saudar a nova soberana.


Um dos primeiros atos da jovem rainha foi tomar as providências para os funerais de seu pai. Como as obrigações de rainha são prioritárias, Elizabeth II só pôde se reunir à família dois dias depois da morte do pai, quando os juramentos à Coroa já tinham sido prestados e todas as ações como nova soberana do Reino Unido já tinham sido feitas.

Na noite do dia sete, o então Primeiro Ministro, Wiston Churchill, prestou seu tributo ao falecido Rei Jorge VI, seu amigo desde a juventude e saudou a nova rainha. “A vida do Rei Jorge VI foi alegre e valorosa, a cada momento abatido de corpo mas sereno de espírito, causou uma profunda impressão que deve serir de consolo a todos. Durante os últimos meses sua vida caminhou lado a lado com a morte e, no fim, a morte chegou como um companheiro a quem não temia”, disse o premier em discurso veiculado pela rede de TV BBC. Emocionado, ele acrescentou: “Agora devo deixar os tesouros do passado e olhar para o futuro. Temos a segunda rainha Elizabeth ascendendo ao trono. Ela já foi aclamada como rainha do Canadá e nós também a aclamamos. A proclamação de sua soberania contará com a lealdade de sua terra natal e de todas as partes da Commonwealth e do Império Britânico. E eu, cuja juventude deslizou entre as glórias da era vitoriana, posso sentir-me emocionado ao invocar uma vez mais a oração e o hino ‘Deus salve a rainha!’”.

Elizabeth II, que hoje tem 83 anos, é a mais velha monarca britânica de todos os tempos. Se permanecer no trono até nove de setembro de 2015 baterá o recorde de mais longo reinado, pertencente a sua triavó, a rainha Vitória I, que foi soberana do Reino Unido por 64 anos (1837-1901).

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5 de fevereiro de 1962 – França aceita discutir a Independencia da Argélia





Charles De Gaulle, então presidente da França, ao mesmo tempo em que proclamava sua convicção de que estava próximo o fim da guerra na Argélia, anunciou a disposição do seu país em reconhecer um estado argelino soberano e independente, sob a condição de serem respeitados os interesses franceses no Saara. O discurso do ex-general foi televisionado para toda a França e Argélia, tendo os terroristas da Organização do Exército Secreto (OAS) procurado dificultar a sua recepção.

Em Argel, capital da Argélia, foi realizado um concerto de buzinas e caçarolas nas ruas no momento em que o Chefe de Estado da França tomou a palavra. Em Orã, a estação de televisão foi posta fora do ar, substituindo-se o discurso de De Gaulle por um comunicado da OAS. A ofensiva da organização contra o sistema de comunicação de Orã – cidade mais afetada pela onda de terrorismo desencadeada desde o início do ano – foi antecedida pelo sequestro do diretor e dois técnicos da cadeia de rádio do município.


“Apesar dos atentados, roubos e assassinatos praticados por agentes clandestinos, aproximamo-nos do objetivo que nos fixamos, e que consiste em realizar a paz o mais breve possível, e ajudar a Argélia a tomar por si só as rédeas de seu destino”, declarou o presidente francês no polêmico discurso veiculado na TV. De Gaulle anunciou ainda que antes do fim de 1962 a maior parte do Exército francês, reorganizado, estaria na Europa, mas se afirmou pronto para reassumir os poderes de emergência para dominar os terroristas da OAS, se necessário. “A nação menospreza e condena essa gente. [Seu destino] só pode ser decidido pelas forças da ordem, a Polícia e a Justiça”, declarou se sem se referir diretamente aos membros da OAS.

A guerra de independência da Argélia começou em 1954, quando jovens integrantes da Frente de Libertação Nacional iniciaram uma luta contra a ocupação francesa no território, que teve início em 1830 com a invasão francesas da África do Norte. Após o discurso de De Gaulle, em fevereiro de 1962, as negociações de paz entre França e Argélia progrediram positivamente, culminando na independência do país em julho do mesmo ano, e colocando fim à guerra que matou mais de 260 mil pessoas.

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4 de fevereiro de 1992 – Fracassa o golpe de Estado na Venezuela




O presidente da Venezuela, Carlos Andres Pérez, sobreviveu a uma tentativa de levante militar promovido por jovens oficiais contra a sede do governo, que durou mais de doze horas e matou 18 pessoas. Os chefes rebeldes se renderam no início da tarde do dia quatro, admitindo que seus objetivos não haviam sido alcançados. O coronel Hugo Chávez, apontado como um dos líderes do movimento, fez um pronunciamento na TV pedindo aos soldados da Brigada Blindada de Valência que depusessem as armas. “Vocês fizeram muito bem. Mas nós não pudemos controlar a situação de Caracas”, declarou o futuro presidente da Venezuela na manhã do dia quatro.

Após a rebelião, Andrés Pérez reuniu seu gabinete, decretou a suspensão das garantias constitucionais por dez dias e anunciou em rede nacional que o objetivo do levante, feito no dia anterior, era matá-lo e instalar uma ditadura militar no país. “Foi um ato de vandalismo de um grupo de militares que, desconhecendo seus deveres constitucionais e desobedecendo a sua inteligência, pretenderam assassinar-me. Felizmente a lealdade das Forças Armadas o impediram”, disse Pérez em sua segunda declaração à TV. Caças da Força Aérea passaram a sobrevoar a capital com autorização para bombardear focos de resistência rebelde, caso estes não se rendessem.

Os chefes de Governo do continente americano se declararam a favor do presidente venezuelano e contra qualquer tentativa de golpe por parte dos militares. “Os Estados Unidos apóiam a democracia da Venezuela e no resto do Hemisfério e a tentativa de golpe militar contra o presidente Andrés Pérez é energicamente condenada por nós. Ele [Pérez] é um dos grandes líderes democráticos do continente e esse golpe ilegal deve ser condenado por todos os países”, declarou o presidente norte-americano George Bush (pai) após uma conversa por telefone com o Chefe de Estado venezuelano.

Durante seu governo de cunho neoliberal, Carlos Andrés Pérez foi acusado de corrupção, escândalo que motivou as duas tentativas de golpe de estado movidas por jovens militares em 1992, e que culminaram no impeachment do líder venezuelano em 1993. Nessa época, o fenômeno Hugo Chávez, líder do movimento de oposição, começou a crescer. Em 1998 Chávez foi eleito presidente da Venezuela, cargo que ocupa até hoje.

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3 de fevereiro de 1989 – Cai o mais antigo ditador da América do Sul




O presidente do Paraguai, general Alfredo Stroessner, o mais antigo ditador da América do Sul, foi derrubado por um golpe de estado liderado por seu amigo o general Andrés Rodriguez, que assumiu a presidência com a promessa de restaurar a democracia e o respeito aos direitos humanos. Milhares de pessoas comemoraram nas ruas o fim dos 35 anos de um regime que asfixiava o Paraguai com mão de ferro.

Sérios combates entre forças leais a Stroessner e militares rebeldes durante toda a noite deixaram cerca de 300 pessoas mortas. Rodriguez anunciou a vitória nas primeiras horas da manhã do dia três, em cadeia nacional, e às 17h prestou juramento como novo presidente do Paraguai.

“Juro diante de Deus e da Pátria-Mãe respeitar a Constituição e se eu não fizer, que Ele o exija de mim”, declarou Rodríguez. Em seu discurso de posse, o novo Chefe de Governo prometeu restabelecer o pluripartidarismo, o direito de expressão e de reunião. Também se comprometeu a redemocratizar o Paraguai, mas não citou prazos. “As Forças Armadas cumpriram o seu dever. A ordem foi restabelecida e, juntamente com ela, farão respeitar os direitos humanos e a Constituição. A todos os que nos acompanharam, anuncio que o general Stroessner se rendeu e encontra-se privado de sua liberdade no 1º Corpo do Exército”, anunciou em seu discurso de posse.

O golpe de Estado teve origem no descontentamento de Rodríguez com uma reestruturação política iniciada por Stroessner em 1987, afastando os representantes da ala tradicionalista do Partido Colorado e substituindo-os por nomes da ala militante. Rodríguez resolveu dar o golpe quando soube que o ditador já tinha pronto o decreto que o removia do comando do 1º Corpo do Exército e o passava para a reserva. Assim, deflagrou o levante no dia dois, quando forças rebeldes entraram em conflito com as tropas do governo.

Stroessner era presidente do Paraguai desde 1954, quando encabeçou um golpe militar contra o então governante, Frederico Chávez, em um período de instabilidade política no qual o país sofria uma dolorosa guerra civil. A gestão do general foi marcada por grandiosas obras públicas, mas também por uma dura repressão. Stroessner ostentava uma vida luxuosa e foi acusado de manter um governo corrupto. Após a sua deposição, o ex-ditador veio para o Brasil como exilado político e permaneceu no país até a sua morte, em 2006.

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2 de fevereiro de 1981 – Peru e Equador aceitam cessar-fogo




Os governos do Peru e do Equador concordaram em um cessar fogo na região fronteiriça da Cordilheira do Condor sob a condição de que os países avalistas do Protocolo do Rio de Janeiro (assinado em 1942 com intuito de colocar fim aos conflitos na região) enviassem duas comissões de observadores ao local dos combates. As comissões integradas pelos adidos militares do Brasil, Argentina, Chile e Estados Unidos partiram no dia dois das capitais dos países em conflito.

A parte mais difícil das negociações de paz foi convencer os equatorianos a aceitarem o apelo de cessar fogo, feito pelo Peru no dia anterior. O Equador tinha, como princípio, não aceitar a mediação dos países garantidores, porque rompeu unilateralmente com o Protocolo do Rio de Janeiro, em 1960, mas acabou cedendo devido à pressão dos membros da Organização dos Estados Americanos (OEA).

“Os representantes da Argentina, Brasil, Chile e Estados Unidos expressaram aos governos amigos do Peru e do Equador sua profunda satisfação diante da decisão de por fim a um conflito que inquietava a todo o continente, criando assim novas condições para a consolidação da paz e da harmonia entre os países americanos”, dizia uma nota do Itamarati, onde foram sediadas as negociações de cessar-fogo durante quase uma semana.

Nos Estados Unidos, o Ministro das Relações Exteriores equatoriano, Alfonso Barrera, afirmou que o cessar-fogo entre ambos os países, acertado em Brasília, devia ser visto como a “abertura de uma porta” para a negociação, no âmbito da OEA, de “acordos dignos” para uma paz duradoura. Barrera também fez questão de ressaltar que o pacto só não fora firmado antes porque o governo do Peru recharçou as ofertas de paz oferecidas pelo seu país, após as forças inimigas terem ocupado postos fronteiriços na Cordilheira.

Os conflitos na fronteira mal delineada entre o Peru e o Equador começaram na época colonial, mas se agravaram na guerra declarada de 1941, quando os peruanos invadiram o vizinho em um ataque surpresa, que só terminou em 1942, com a assinatura do Protocolo do Rio de Janeiro. Por não ser muito preciso, o documento foi contestado pelo Equador em 1981, devido aos erros geográficos que, segundo ele, propiciou o ataque armado ao vizinho. Mesmo com o cessar-fogo mediado pelo Brasil em 1981, a área continuou tensa, provocando outros embates em 1995.

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01 de fevereiro de 1966 – Morre Buster Keaton




Aos setenta anos de idade, vítima de um câncer, morreu o cômico do cinema mudo, ator e diretor Buster Keaton, na sua casa no subúrbio de Hollywood. Keaton, que foi um dos quatro nomes famosos da “época de ouro” da comédia norte-americana – junto com Charles Chaplin, Harold Lloyd e Harry Langdon –, já estava doente havia três meses, sem que ninguém fora da família soubesse da sua enfermidade.

O Keaton ator era caracterizado por cineastas e críticos do mundo todo como o “homem que nunca sorria”, o “cômico cara de pau”, um cineasta sem rugas, que, cinquenta anos após sua estréia cinematográfica, ainda era lembrado como um homem que acumulou recordes de bilheteria nas salas de cinema.

“Perguntam-me sempre porque eu guardo uniformemente esta expressão desolada em todos os meus filmes. É que observei desde minha estréia no music-hall que uma vez terminado o ato mais ou menos cômico, provoca-se um riso maior se ficarmos indiferentes ou espantados com as gargalhadas dos outros. O homem triste é realmente mais engraçado que o cômico alegre. De alguma forma, o drama melhora a comédia”, disse Buster Keaton em uma entrevista em 1962.

Joseph-Francis Keaton nasceu no Canadá, em 1896. Chegou ao cinema em 1916, aos vinte anos e, nessa época, segundo o cineasta, ninguém trabalhava com um “roteiro sério”: nem ele, nem Chaplin, nem Sennet. Isto é, a turma dos cômicos. Era um cinema de improviso, de graça e de magia criadas na hora.

“Houve a época dos filmes em duas partes, onde se misturavam a sátira, o burlesco, a força e tudo mais. Sempre procurei não ensaiar muito cada plano; além disso, raramente fazíamos novas tomadas”, declarou Keaton na mesma entrevista.

Nem sempre Keaton dirigiu seus próprios filmes, embora colaborasse ativamente na elaboração dos roteiros. Embora não pretendesse, muito cedo ele passou a ser comparado ao maior cômico de todos, Chaplin, que sempre foi ciente de sua majestade. Nenhum dos dois jamais falou sobre a rivalidade mudialmente conhecida, sempre elogiavam os filmes um do outro. No entanto, a disputa era inevitável, já que ambos dominavam o mundo da comédia. Esta rivalidade se acentuou em 1952, quando Chaplin convidou Keaton para fazer dupla com ele em Luzes da Ribalta, longa metragem que espantou os espectadores pelos poucos minutos que foram reservados a Keaton. “A participação de Keaton era de meia hora. Acontece que ele, na cena que aparecia com Chaplin, estava muito melhor do que este. Keaton estava genial. Por isso Chaplin cortou a maior parte das cenas”, declaou Orson Welles, logo após a estréia do filme, para aumentar ainda mais os rumores sobre a rivalidade.

Quando morreu, Buster Keaton já tinha encerrado sua carreira no cinema, a qual terminou no início da década de 1960, com o mestre do humor fazendo pequenos papéis em longas e em novelas puramente comerciais. Keaton lamentava, nessa época, o desaparecimento da comédia clássica: “Os cômicos hoje plantam-se diante do público para contar piadas. Este ou aquele me fará rir, mas como enriquecer nossa experiência pessoal no meio de uma tal monotonia?”.

Uma homenagem ao artista:

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