Arquivo de May 2010

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31 de maio de 1997 – Imperador Akihito visita o Brasil

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Em retribuição à visita ao Japão feita pelo presidente Fernando Henrique Cardoso no ano anterior, o imperador Akihito desembarcou no Brasil, iniciando uma visita histórica de dez dias ao país. Acompanhado da imperatriz Michiko e sob forte esquema de segurança, o imperador veio com intuito de visitar cinco capitais: Belém, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro.

Embora o imperador não tivesse poderes governamentais nem fosse Chefe de Estado, pois a Constituição do Japão considerava-o apenas um símbolo do estado e da unidade do povo, a visita ao Brasil foi vista como a distinção máxima de amizade conferida pelo país asiático a outra nação.

O Brasil, após a visita do casal imperial, ficou em destaque na mídia japonesa durante muito tempo: a última visita diplomática que fizeram antes da jornada pelas cidades tropicais daqui foi em 1994, à França e à Espanha.

Apesar de Akihito já ter vindo ao Brasil outras duas vezes (1967 e 1978) como príncipe herdeiro, esta viagem foi a primeira de um imperador japonês a um país latino-americano e também a primeira viagem imperial ao exterior após o luto pelo terremoto de Kobe (que matou quase 6.500 pessoas, em janeiro de 1995). Desde que fora nomeado príncipe herdeiro, em 1952, Akihito realizou inúmeras viagens pelo mundo, “para manter a amizade entre os povos”. Quando ascendeu ao trono com a morte de seu pai, Hiroíto, em 1989, ele iniciou a era da “plena realização da paz”, no
Japão, buscando sempre um diálogo pacífico e amigável com as outras nações.

No momento da vinda de Akihito, o “modelo econômico japonês” vinha perdendo competitividade e entrando em crise, apesar de ter tido uma moderada recuperação em 1996. A globalização colocou em xeque o projeto nacional japonês – a Doutrina Yoshida, o sistemático alinhamento com os Estados Unidos no pós-guerra. Estabelecer novas relações e parcerias com “países em desenvolvimento” se mostrava fundamental para a tentativa de recuperação nipônica.

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30 de maio de 1961 – Ditador Trujillo é assassinado

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“Saberão que renunciei quando ouvirem dizer que eu morri”, afirmou Leônidas Trujillo em 1960 a um jornalista. Pouco mais de um ano depois da declaração, a profecia tornava-se realidade na ilha caribenha que a República Dominicana divide com o Haiti.

Na noite do dia 30 de maio, o ditador Leônidas Trujillo, com 70 anos, tombou assassinado. O fato, cujos primeiros sintomas de veracidade surgiram de uma declaração do presidente norte-americano, John Kennedy, na manhã do dia seguinte, só foi confirmado na noite do dia 31 pelo governo claudicante do país.

“Caiu vilmente assassinado o líder dos dominicanos, Generalíssimo Trujillo, benfeitor da Pátria Nova, a quem deve o país a maior era de progresso de sua história”, dizia a nota oficial. O ditador foi alvejado dentro de seu carro, enquanto seguia para a capital, Ciudad Trujillo.

Durante trinta e um anos Trujillo corrompeu e cobriu de sangue a primeira terra das Américas tocada por Cristóvão Colombo. Mais de vinte mil pessoas foram vítimas da ditadura de Trujillo, que se proclamou Pai da Pátria Nova, Benfeitor da Pátria e que também tentou exigir do clero que o concedesse o título de Benfeitor da Igreja.

Em 1960, Trujillo envolveu-se em um atentado contra a vida do presidente venezuelano, Rómulo Betancourt, fazendo com que a comunidade internacional se voltasse contra ele. A oposição contra as três décadas de ditadura, após o episódio, também aumentou. Boicotada política e economicamente, e isolada do continente pelo Atlântico e pelo Mas das Caraíbas, a ilha de Trujillo voltou a se afogar no sangue da ditadura sem escrúpulos do líder desgastado, que logo chegaria ao fim.

Com a morte de Trujillo, a República Dominicana viveu durante alguns anos rodando nas mãos de diversos governantes, até cair no poder de Joaquín Balaguer. Em 1966, com apoio dos Estados Unidos, Balaguer assumiu o controle do país, iniciando um governo semi-ditatorial, que só terminaria após 12 anos.

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29 de maio de 1969 – Eclode o Cordobazo

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Sufocados pelas amarras de uma ditadura militar que se dizia oriunda de uma Revolução Argentina (1966-1973) e impulsionados pela caótica política econômica do governo de Juan Carlos Onganía, milhares de estudantes e trabalhadores sindicalizados se organizaram em um grande protesto na cidade de Córdoba. O episódio, chamado de Cordobazo, foi duramente reprimido pela polícia e, posteriormente, pelo Exército. O embate entre forças do governo e militantes foi sucedido por um anúncio de greve geral, que no dia seguinte paralisaria 80% das atividades econômicas do país.

O início da manifestação se deu ao meio dia, quando cerca de sete mil operários abandonaram seus postos de trabalho e se juntaram a estudantes numa marcha rumo ao centro de uma das cidades industriais mais importantes do país. Ao chegar ao destino, policiais tentaram barrar o avanço intimidante dos revoltosos, utilizando armas de fogo e gás lacrimogêneo. A massa humana que, a princípio, caminhava pacificamente, soube dar o troco à represália policial, lançando pedras e coquetéis molotov.

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Antes mesmo da manifestação ocorrer, o governo argentino se preparou para reprimir qualquer tentativa de greve ou protesto: criou conselhos de guerra para julgar os “perturbadores da ordem”, colocou tropas do Exército, Marinha e Aeronáutica prontas para intervir em conflitos de rua e ocupou uma praça de Buenos Aires, onde sindicalistas programaram um comício contra a política econômica e social de Onganía. Logo depois que a greve geral de 24 horas foi anunciada pelos operários do país, esta foi considerada ilegal.

O Cordobazo foi um marco na história recente da Argentina, pois tornou mais agressivos os protestos populares contra o regime militar. Em maio do ano seguinte, outro Cordobazo aconteceu, mas desta vez mais intenso, conhecido como El Viborazo, o qual provocou a queda de Onganía. O país, agora governado por uma junta militar, já não aceitava mais a situação repressora em que vivia. Assim, em 1973, após inúmeras manifestações, o movimento peronista se fortaleceu, conseguindo causar a ruína do regime vigente e colocar no poder o antigo líder populista, Juan Domingo Perón.


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28 de maio de 1978 – Encontrada cidade indígena de 2 mil anos no RS




No dia 28 de maio de 1978, professores da Universidade de Passo Fundo e arqueólogos do Museu da Secretaria de Educação e Cultura do Munícipio de Casca, no RS, revelaram terem encontrado uma cidade indígena subterrânea. Escavada no solo a um metro e meio da superfície, a cidade com estrutura semelhante a de um formigueiro, ocupava dez hectares do município, situado a 237 quilômetros de Porto Alegre.

Segundo os pesquisadores que trabalhavam para recuperar o local desde o mês anterior, um grupo indígena guerreiro da tribo Gê habitou o lugar na Idade da Pedra Lascada, conhecendo o fogo mas não a cerâmica. Ao que se sabe, esse povo não era antropofágico e enterrava os mortos da tribo.

Na época, já se tinham achado 30 residências ligadas por túneis subterrâneos a galerias, que levavam ao exterior. Os túneis mediam de 80 a 150 centímetros de altura. As paredes das áreas para moradia, assim como todas as demais da cidade, eram feitas com argila queimada. A altura estimada do povo que ali viveu era de 1,50 metro. Nos declives do terreno, foram construídas pelos indígenas respiradouros afunilados, para aumentar a corrente de ar dentro dos túneis.

A cidade foi descoberta quando uma professora de História soube que havia muitas tocas e cavernas em uma fazenda da região. Junto com alguns colegas, resolveu investigar o local, descobrindo indícios de uma civilização indígena.

O entusiasmo dos professores e a importância que foi dada à descoberta pelo diretor do Museu da Secretaria de Educação e Cultura motivou os universitários a se apresentarem como voluntários para as escavações e seleção de peças. A equipe de pesquisadores informou também que tinha indício de outros 200 sítios indígenas em Casca, mas que eram pouco investigados.

Hoje, este sítio arqueológico de Casca é localizado no Parque do Rio da Casca, a seis quilômetros do centro da cidade, sendo ponto turístico, cessível por estrada não pavimentada.

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27 de maio de 1988 – EUA aprovam erradicação de mísseis de curto e médio alcance




Às vésperas do esperado encontro entre o então presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, e o líder soviético, Mikhail Gorbatchev, na capital russa, o Senado norte-americano ratificou o tratado para erradicar do planeta mísseis de médio e curto alcance, isto é, com alcances entre 500 e 5 mil quilômetros. O acontecimento, sem precedentes desde o início da Guerra Fria, visava destruir 1.752 mísseis soviéticos e 867 americanos. A potência dessas armas superava conjuntamente mais de 300 mil vezes a potência da bomba atômica de Hiroshima.

Ao observar a batalha parlamentar que se firmava no Senado, Reagan fez pressão para que o tratado fosse aprovado pelo crivo conservador dos votantes, afirmando que não poderia chegar a Moscou sem o acordo pronto para entrar em vigor. O Tratado para Eliminação dos Mísseis de Médio e Curto Alcance tramitou sem problemas no Soviete Supremo, o Parlamento russo. Assim, dois dias depois, os dois líderes puderam fazer uma cerimônia de troca de documentos, colocando o tratado em vigor.

No dia 27 de maio, Reagan fez um discurso em um hotel na Finlândia, local em que, em 1975, reuniram-se representantes de 35 nações, incluindo a URSS e os EUA, na primeira Conferência sobre Segurança Européia. Em seu discurso o líder norte-americano insistiu na questão dos direitos humanos na URSS, pedindo maior abertura política e liberdade religiosa no país, embora tenha elogiado os esforços de Gorbachev para romper com o passado imobilista e promover reformas sociais. O discurso, principalmente no que concernia à exigência de liberdade para presos políticos, irritou a alta cúpula soviética.

A visita de Reagan à Rússia foi a quarta viagem do presidente à União Soviética para encontrar-se pessoalmente com o governante do bloco rival. Apesar da reunião não ter trazido resultados imediatos, serviu para desanuviar o clima político no mundo pelo fato de os homens mais poderosos do planeta estarem se reunindo periodicamente para conversar.

O clima, desta vez, foi mais relaxado do que das outras vezes devido ao fato de Gorbatchev ter resolvido um importante conflito regional com o acordo para desocupar o Afeganistão, e com o anúncio de uma retirada gradual das tropas vietnamitas do Camboja.

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26 de maio de 1977 – Glauber ganha Prêmio Especial em Cannes



O curta-metragem Di Cavalcanti, de Glauber Rocha, ganhou o Prêmio Especial do Júri no Festival de Cannes. Na época, era comum que os prêmios especiais fossem muitos – um para cada categoria. Naquele ano, no entanto, o júri presidido pelo cineasta Roberto Rosselini (que dirigiu o clássico do neo-realismo italiano: Roma, Cidade aberta), limitou-se a apenas um prêmio, atribuindo-o ao filme brasileiro.

As premiações da noite não foram tranqüilas. Houve quem achasse que Ifigênia, do grego Michael Cacoyanis, ou La Dentellière, de Claude Goretta, pudessem levar a Palma de Ouro, conquistada pelo filme italiano Pai Patrão, dos irmãos Paolo e Vittorio Taviani. Menos discutida foi a escolha de Di Cavalcanti para o Prêmio Especial do júri, considerado excepcional. Esta não foi a primeira premiação de Glauber em Cannes. Anteriormente, o festival francês lhe havia premiado Terra em Transe (1967) e O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro (1969).

Quando soube que levara o prêmio, Glauber Rocha ficou surpreso. Em entrevista ao JB na época, o cineasta explicou que Di, como é conhecido o filme, “é uma transação lúdica, particular aos cinéfilos. Não tem nada a ver com o econômico social”. Segundo ele, a novidade prática e teórica do filme era “a montagem nuclear que, de acordo com [o cineasta soviético] Eisenstein, revela que a quantidade está na qualidade”.

- Di – relatou ele – é um flash do que pretendo criar de agora em diante no cinema, em busca de uma montagem dialética que supere definitivamente a montagem literário-teatral do cinema contemporâneo.

E, ao ser perguntado sobre o motivo pelo qual enviara um curta-metragem a Cannes, Glauber explicou: Mandei um curta porque resolvi reiniciar minha carreira como um jovem cineasta do Terceiro Mundo. Di é um filme modernista.

Di foi uma homenagem do mais conhecido diretor do Cinema Novo brasileiro ao pintor e amigo Di Cavalcanti. Rodado durante o funeral do artista no Museu de Arte Moderna do Rio, o curta é conduzido pela narração frenética e radiofônica de Glauber, filmado com uma câmera de 35mm, que incomodou os presentes do velório assim como os gritos do cineasta que cortavam o silêncio fúnebre no salão principal do MAM: “Pára o caixão. Pára que eu quero a câmera do outro lado”. A exibição de Di, considerado uma afronta ao pintor pela sua família, foi proibida no Brasil. Hoje, discute-se a liberação da cópia, que está guardada no Museu da Imagem e do Som, no Rio.



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25 de maio de 1963 – Brasil é bicampeão de basquete




O Maracanãzinho estava lotado: 20 mil torcedores vibrando pela equipe brasileira que, se vencesse a partida, conquistaria o seu bicampeonato e, ainda por cima, invicta. O último título mundial conquistado pelo time fora em 1959, no Mundial disputado no Chile. Na partida que consagrou o Brasil bicampeão, integraram a equipe titular: Amauri, Vlamir, Bira, Mosquito, Rosa Branca, Jatir, Sucar e Vitor.

Graças a uma boa atuação dos brasileiros no segundo tempo, mesmo sem chegar a render o que tinham conseguido contra a antiga Iugoslávia (hoje Sérvia, Montenegro, Croácia e outros pequenos países do leste europeu), no jogo das semifinais, o Brasil bateu os norte-americanos por 85 a 81 em uma partida acirrada, em que os jogadores estavam com os nervos à flor da pele, mas que terminou com muitos abraços e a quadra coberta de serpentinas jogadas pelos torcedores.

No primeiro tempo, o Brasil começou falhando muito nos arremessos, enquanto os EUA acertavam sempre por intermédio de Jerry e Don Kojis, levando os norte-americanos à vantagem de 11 a 8. Ao substituir Sucar por Bira, o time da casa começou a reagir e levantar a torcida.

Depois de um primeiro tempo difícil, os jogadores alviverdes souberam aproveitar as falhas da seleção rival no segundo tempo, dominando a posse de bola até garantir a vitória. Com três minutos ainda para acabar o jogo, quando o Brasil já conseguia manter uma vantagem que variava de três a cinco pontos, a torcida, de pé, e agitando lenços brancos e bandeiras nacionais, começou a gritar “bicampeão, bicampeão”. Depois, aludindo aos americanos, cantaram a Valsa da Despedida, seguida, depois do jogo, da marcha Cidade Maravilhosa e do Hino Nacional.




Os bicampeões, ao término da partida, receberam as medalhas de ouro das mãos do Presidente da FIBA e fizeram questão de beijar a mão da madrinha da seleção, Denise Almeida. Mesmo depois do fim da entrega de medalhas, os jogadores continuaram beijando e abraçando Denise, coisa feita pelos russos e iugoslavos anteriormente.


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24 de maio de 1964 – A tragédia no Estádio Nacional do Peru




Era uma manhã de domingo. Mais de 45 mil pessoas torciam pela Seleção do Peru, que enfrentava a Argentina em um jogo válido pelo Torneio Pré-Olímpico de 1964, no Estádio Nacional, em Lima, quando ocorreu a maior tragédia em estádios de futebol da história, resultando na morte de 300 pessoas.

Revoltados com a anulação de um gol do Peru no fim do segundo tempo, que faria com que a partida empatasse em 1x1, os torcedores transformaram o estádio em um caldeirão em ebulição. Do meio da irada torcida, um homem invadiu o campo para bater no juiz uruguaio, sendo imediatamente coibido por um policial que lhe deu um chute.

Após o pontapé, grupos de torcedores começaram a quebrar o alambrado do campo, invadindo-o e tentando agredir os jogadores argentinos e o juiz, enquanto os policiais lançavam centenas de bombas de gás lacrimogênio contra a multidão enfurecida.

O pânico se estabeleceu e, enquanto parte da multidão tentava escapar do gás lacrimogêneo fugindo das arquibancadas, a outra tentava subir nelas para fugir das balas e pancadas da polícia. Quando o caos aumentou, a polícia soltou cães amestrados que se atiraram sobre o povo, aumentando a onda de terror. A parcela das pessoas que tentou sair do estádio foi esmagada contra as grades de ferro dos portões trancados ou foi pisoteada na correria em direção à saída.

Antes que os portões arrebentassem com a pressão dos corpos, dezenas de saqueadores roubavam carros no estacionamento. Quando saiu, a multidão foi engrossada por pessoas do lado de fora que ajudaram a incendiar ônibus e automóveis, quebrar vidraças e depredar casas comerciais e fábricas pelas ruas da capital peruana.

Alguns dos mais de 500 feridos com a tragédia lotaram hospitais. Parentes e amigos de torcedores que tinham ido assistir à partida rodaram necrotérios em busca de informações de parentes desaparecidos. O mundo, até hoje, não viu maior tragédia esportiva do que a ocorrida neste triste 24 de maio.

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23 de maio de 1993 – Cambojanos votam pela paz




Mesmo sob chuva forte e ameaça terrorista do Khmer Vermelho (partido comunista do Camboja), cerca de dois milhões de cambojanos votaram no primeiro do seis dias de eleições organizadas pelas Nações Unidas para escolher 120 deputados para uma Assembléia Constituinte. Eles formariam um novo governo, depois de mais de duas décadas de guerras civis, bombardeios americanos, revolução e genocídio em que milhões de pessoas morreram.

A participação, estimada em um terço do eleitorado, foi uma derrota para o grupo guerrilheiro maoísta, responsável por mais de um milhão de mortes quando esteve no poder, de abril de 1975 a janeiro de 1979. “É um voto pela paz”, disse uma senhora que perdeu o marido e três filhos nos campos da morte da década de 70.

As 1.450 zonas eleitorais foram vigiadas por 47 mil agentes eleitorais cambojanos treinados pela Autoridade de Transição da ONU no Camboja e 22 mil homens da força da Paz da ONU. No Noroeste do país, dois morteiros disparados pelo Khmer Vermelho explodiram perto de um local de votação sem ferir ninguém. Esse e outros ataques isolados não conseguiram afetar seriamente as votações.

Desde o fim da década de 60, quando foi envolvido na Guerra do Vietnã, o Camboja, uma antiga colônia francesa da Indochina, passou a viver um pesadelo político, terminado em 1993 com a formação da Assembléia Constituinte e instauração de uma monarquia constitucional. Em 1970, um golpe militar liderado pelo general Lon Nol alinhou o país com os Estados Unidos. Duas semanas antes da queda de Saigon, em 1975, o Khmer Vermelho tomou o poder e, ao tentar implantar um projeto radical de reeducação política da população planejado pelo líder Pol Pot, promoveu o maior genocídio registrado depois da Segunda Guerra Mundial. Uma invasão vietnamita no Natal de 1978 acabou com o poderio do partido comunista cambojano. Três grupos guerrilheiros então iniciaram uma guerra civil e só assinaram a paz com o governo pró-vietnamita em Paris, em outubro de 1991, iniciando o processo de redemocratização do Camboja.

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22 de maio de 1959 – Eclode a Revolta das Barcas




Às 8h30 da manhã, uma explosão popular em cadeia foi iniciada na Praça Araribóia, em Niterói. Uma multidão de cerca de três mil pessoas estava aglomerada na praça à espera de barcas que a levasse para o Rio de Janeiro. Neste dia, o serviço havia sido drasticamente reduzido pela companhia privatizada que administrava as barcas, não dando vazão à demanda de aproximadamente 100 mil passageiros por dia. O atraso dos veículos e a truculência dos fuzileiros navais para com a população aumentou o clima de agitação e insatisfação, eclodindo em uma revolta popular que, ao fim do dia, deixou seis pessoas mortas e 118 feridas.

A multidão, irritada com uma rajada de metralhadora disparada ao alto por alguns dos 150 fuzileiros navais que se encontravam no local, invadiru a estação das barcas quebrando tudo o que via pela frente, incendiando a frota de barcas e arremeçando pedaços de móveis e embarcações à rua para serem incinerados.

Minutos após terminada a invasão da estação, foi ouvida uma voz destoante em meio à confusão de vozes e gritos que ecoavam na praça: “Vamos queimar a casa desses ladrões!”. E, imediatamente, os revoltosos marcharam para o Bairro da Fonseca, local em que a família Carreteiro, dona da companhia que administrava as barcas, morava. Ao chegar lá, a população destruiu e incendiou os três palacetes que pertenciam a José Carreteiro e aos seus filhos. Ao fim da ação, encontrou-se escrito em uma das paredes: “Aqui jazem as fortunas do Grupo Carreteiro, acumuladas com o sacrifício do povo”.

O Grupo vinha aumentando as tarifas das passagens alegando prejuízo e falta de subsídio do governo, que se recusava a repassar mais verba aos Carreteiro ao observar o crescimento progressivo e absurdo dos seus patrimônios pessoais. Um dia antes da revolta, funcionários das barcas fizeram uma greve pedindo melhorias nas condições de trabalho e aumento do salário, o que contribuiu para a redução do número de embarcações no dia seguinte. Como consequência da revolta, o governo assumiu a administração das barcas, fazendo uma série de melhorias até 1990, quando a companhia foi novamente privatizada.

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21 de maio de 1998 – Suharto abdica do poder na Indonésia




Num pronunciamento pela televisão, exibido pela manhã na capital da Indonésia, Jacarta, o presidente Suharto encerrou 32 anos de poder absoluto no arquipélago e renunciou, pressionado por imensas manifestações que paralisaram o país e por uma crise econômica que derrubou a moeda, afetando bolsas em todo o mundo. Pouco antes da renúncia do presidente, 11 ministros, entre eles o da Economia, enviaram uma carta de demissão coletiva ao governo.

Apesar da festa entre os estudantes que invadiram o parlamento na semana anterior à deposição, pedindo a saída do ditador, a saída de Suharto foi vista como uma espécie de auto-golpe, já que, após deixar o posto, seu vice assumiu o cargo com intenção de permanecer até 2003 – coisa que não conseguiu: após denúncias de corrupção no ano seguinte, Bacharuddin Jusuf Habibie renunciou à Presidência, dando início ao processo de redemocratização do país.







Maior arquipélago do planeta, com 17.500 ilhas, entre as quais as paradisíacas Bali e Bornéu, a Indonésia tem uma história política marcada por sangrentos golpes militares e ocupações coloniais. Antes de tornar-se independente (1945), o arquipélago foi dominado por Índia, Portugal, Holanda e Japão. O líder do movimento de independência, Sukarno, permaneceu no poder até 1968, quando um golpe de Estado apoiado pela CIA o tirou do posto, colocando o general Suharto no seu lugar.

Suharto, ao assumir o poder, ordenou o fuzilamento de todos os seus opositores, que se reuniram em partidos de oposição, como o socialista e o comunista, para protestarem contra a ditadura. Mais de 500 mil pessoas foram mortas neste genocídio, ignorado pela opinião internacional. Os olhos do planeta só se voltaram para o arquipélago no ano anterior à queda de Suharto, quando ocorreu a quebra das bolsas asiáticas, e também pelo Nobel da Paz entregue a dois militantes da independência de Timor Leste (ex-colônia portuguesa anexada à Indonésia em 1976, mas que se tornou independente em 1999): o bispo Dom Carlos Felipe e José Ramos Horta.

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20 de maio de 1984 – Isabelita Perón retorna à Argentina




A ex-Presidente da Argentina (1974-1976), Maria Estela Martinez de Perón – que partira para um auto-exílio na Espanha após ser deposta do Governo por um golpe militar – regressou a Buenos Aires para participar de um diálogo político proposto pelo então presidente Raúl Alfonsín. Alfonsín – eleito no ano anterior pelo voto popular após um período de regime militar – receberia Isabelita no dia seguinte, na Casa Rosada, na qualidade de líder do Partido Justicialista (peronista), cargo que ocupava desde a morte do seu marido e ex-presidente do país, Juan Domingo Perón.

- Nos que se portarem mal vou dar uma palmada. – disse Isabelita, fazendo com a mão o clássico gesto com que as mães ameaçam seus filhos, ao ser recebida no aeroporto pela cúpula do peronismo, em permanente conflito interno. Cerca de dez mil peronistas bloqueavam as vizinhanças do local para ver La Senhora, como também era chamada. Da janela de um hotel no centro da cidade, acenou para acalmar a multidão.

Passadas algumas horas desde que Isabelita chegou ao hotel, uma reunião extraordinária do Conselho Nacional Peronista, presidido por ela, foi convocada e realizada. O objetivo do encontro foi conversar sobre as entrevistas que dirigentes de outros partidos gostariam de ter com Isabelita antes que ela se encontrasse com o presidente Alfonsín, na Casa Rosada. A ex-governante planejava ficar em sua terra natal até formar um Comando Tático do Justicialismo, para representá-la nas sucessivas rodadas de negociações políticas com o Governo, a fim de examinar temas como a dívida externa, os conflitos do Canal de Beagle e das Malvinas, a situação sócio-econômica e sindical.

Afastada da vida política desde que que fora deposta, num contexto de agitação popular e crise econômica e social, Maria Estela, em 1984, ainda era figura ativa do peronismo. Na época, a ex-presidente tinha grande importância política, o que explica toda a agitação em torno de sua visita.

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19 de maio de 1994 – Morre Jacqueline Kennedy






A ex-primeira-dama dos Estados Unidos, Jacqueline Kennedy Onassis, morreu em sua casa em Nova Iorque, aos 64 anos de idade. Jacqueline, símbolo de elegância e glamour em todo o mundo, estava fazendo radioterapia desde o início do mesmo ano para curar um câncer linfático.

“A doença chegou a um ponto que nada mais poderia ser feito”, declarou o médico da ex-primeira-dama acrescentando que ela preferiu ir para casa ficar com os filhos e netos e encerrar o tratamento quando soube da notícia.

De primeira-dama dos Estados Unidos e viúva da América, Jackie, como era chamada pelos fãs, passou a ser vista como traidora dos ideais da sociedade americana ao se casar com o milionário grego Aristóteles Onassis, em outubro de 1968 – cinco anos após a morte de seu primeiro marido, o ex-presidente John Kennedy. Como Onassis era muito mais velho do que ela, levantou-se a suspeita de que a “ex-Queridinha da América” se casara por dinheiro.

Filha de um magnata da bolsa de valores de Nova Iorque, Jacqueline se formou em letras e virou repórter de um jornal de Washington – DC. Em 1952, quando tinha pouco mais de 20 anos, entrevistou o então senador John Kennedy, conseguindo mais do que uma entrevista. Um ano depois, os dois se casavam em Rhode Island e Kackie entrava, assim, na vida pública.

Com a eleição de Kennedy para a Presidência, em 1960, o casal tornou-se um dos mais famosos do mundo. Para muitos, o carisma e a beleza de Jackie contribuíram para que seu marido conquistasse a vitória.

Em 1963, no auge da glória, Kennedy foi assassinado ao passear em carro aberto ao lado da esposa. A morte de Kennedy foi a maior de uma série de tragédias que acontecera na vida da moça. Jackie perdera 3 filhos recém-nascidos, o cunhado e, posteriormente, o segundo marido. Com a morte de Onassis, ela herdou uma fortuna de US$ 26 milhões e decidiu refazer sua vida profissional. Foi editora de duas revistas e ganhou respeito no mundo editorial ao convencer Michael Jackson a escrever suas memórias.

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18 de maio de 1989 – Aumenta a onda de protestos na China




Após a visita do presidente da URSS, Mikhail Gorbachev, que viajou à China para normalizar as relações diplomáticas entre os dois países, a onda de protestos por parte da população atingiu níveis quase revolucionários. No dia 18, um milhão de pessoas tomou as ruas da capital Pequim para se manifestar contra o governo, aproveitando a presença da imprensa ocidental na cidade.

“Silenciamos durante muito tempo. Agora somos um vulcão que entra em erupção”, disse uma senhora à TV americana. Registraram-se, assim, processos jamais vistos em 40 anos de regime comunista. A população, além de pedir democracia, acrescentou a seu repertório contínuas denúncias de corrupção no governo. A Praça da Paz Celestial, que dali a um mês seria palco de um sangrento massacre, era um dos pontos principais de reunião dos manifestantes.





A resposta do governo não tardou a aparecer. Na manhã do dia seguinte, após a partida do presidente soviético, as autoridades chinesas decretaram a lei marcial em Pequim e em várias partes do país, com o objetivo de controlar a agitação. O anúncio foi feito através de auto-falantes na Praça Celestial (ocupada por grupos de estudantes desde a semana anterior), enquanto helicópteros sobrevoavam a área. Os sinais de redes de comunicação internacionais foram cortados a partir das 10h da manhã do mesmo dia.

Desde então, o governo preparava tropas para agir com violência contra os estudantes, que não desistiram das manifestações. No dia 4 de junho do mesmo ano, foi decidido que a massa de cem mil estudantes precisava enfim ser suprimida a qualquer custo pelas tropas do Exército. O episódio ficou conhecido como Massacre da Praça da Paz Celestial, no qual morreram cerca de 2.600 pessoas (segundo informações da Cruz Vermelha) e mais sete mil estudantes saíram feridos. O governo prendeu os líderes do movimento e expulsou a imprensa internacional do país. Hoje, a voz da população chinesa continua sendo silenciada pelos filtros invisíveis da censura estatal.

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17 de maio de 1973 – Inicia-se a audiência sobre Watergate




O Senado norte-americano iniciou as investigações públicas sobre o escândalo Watergate, em meio à expectativa geral quanto ao futuro do presidente Richard Nixon – que reunuciaria ao cargo em agosto do ano seguinte, devido às pressões que sofreria após ter sido descoberta sua participação no caso.

No dia 17, na primeira de uma série de audiências públicas sobre o caso, a comissão especial do Senado estabeleceu o pleno controle que a Casa Branca exercia sobre o Comitê de Reeleição do Presidente dos Estados Unidos, órgão diretamente implicado no caso.

Nesta audiência, o dirigente da campanha eleitoral de Nixon, Robert Odie, foi interrogado pelos membros da comissão. Durante as quatro horas de seu depoimento, Odie revelou nomes de altos funcionários da Casa Branca que estiveram intimamente ligados com o escândalo, e indicou que três dos sete acusados de terem invadido a sede do Partido Democrata – no edifício de Watergate (em junho de 1972) – para colocar escutas telefônicas, faziam campanha para a reeleição. Além disso, Odie informou que em nome do presidente Nixon, documentos secretos, possivelmente relacionados com Watergate, foram retirados da mesa do vice-presidente da campanha, horas antes da prisão dos acusados de invadir o prédio do partido rival.

O caso

Em 17 de junho de 1972, cinco homens foram presos por tentar instalar escutas telefônicas na sede do Partido Democrata, no Edificio Watergate, em Washington - DC. Durante a campanha eleitoral para a Presidência, naquele ano, foi sendo desvendado um grande esquema por trás do arrombamento. No decorrer das investigações, pessoas ligadas a um comitê para a reeilação de Nixon foram apontadas como mandantes da invasão. A ligação do presidente com o grande escândalo político que se formara não tardou a aparecer.

Em abril do ano seguinte, mediante à pressão política e popular, Nixon liberou à Justiça algumas fitas editadas com gravações de conversas que tivera sobre Watergate. O episódio fez com que ele perdesse grande parte do apoio ao seu governo, causando uma onda de insatisfação. Em agosto, devido a uma ordem da Suprema Corte, Nixon entregou a trascrição de três fitas que diziam respeito ao escândalo, admitindo que sabia do acobertamento do arrombamento da sede do partido rival. Quatro dias depois, Nixon renunciava à Presidência.

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16 de maio de 1997– Mobutu deixa o poder no Zaire





Cedendo à pressão das tropas revolucionárias que, no dia 16 de maio já tinham ocupado quase todo o território do Zaire (atual República Democrática do Congo), o ditador Mobutu Sese Seko deixou o poder, fugindo para sua mansão no norte do país – local em que passaria poucos dias, já que estava decidido a pedir exílio no Marrocos.

“O Marechal Mobutu saiu da capital e deixou o governo de transição encarregado de conduzir a política nacional, de conformidade com nossa Constituição. Na prática, o presidente deixou de ter qualquer intervenção nos assuntos do país”, declarou o porta-voz do governo.

Ex-sargento da polícia colonial, Mobutu se tornou oficial do governo independente e ditador (1966), depois de ajudar a CIA a acabar com o líder da independência do Congo, em 1960, Patrice Lumumba. Durante os 32 anos em que permaneceu à frente do governo, mudou o nome da República do Congo para Zaire, eliminou a oposição e realizou diversas reformas constitucionais para aumentar seus poderes.

Aos 66 anos, o imponente Mobutu não resistira à pressão dos revolucionários congoleses, partindo para o exílio pavimentado por um patrimônio de US$ 4 bilhões, acumulados em cima da exploração de seu povo. Sua vida no exterior não durou muito tempo: em setembro do mesmo ano o ex-ditador morreu no Marrocos, vítima de um câncer.

A fuga de Mobutu colocou um ponto final à Primeira Guerra do Congo (1996-1997). Após a deposição de Mobutu, o líder revolucionário Laurent-Désiré Kabila, que na década de 60 lutara ao lado de Che Guevara, assumiu a presidência e mudou o nome do país para República Democrática do Congo. Apesar da premissa de democracia, o novo líder congolês tentou instaurar uma nova ditadura, instalando uma perseguição contra a etnia tutsi (povo ruandês que fugiu do genocídio de seu país), que vivia na região leste do Congo. Os tutsis, com apoio de Ruanda e Uganda, iniciaram uma grande guerra civil, a Segunda Guerra do Congo, um conflito que envolveu oito países africanos e só terminou em 2003, com a intervenção da ONU, após a morte de mais de cinco milhões de pessoas.

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15 de maio de 1966 – Morre o ex-Presidente Venceslau Brás




Aos 98 anos de idade, o ex-Presidente da República (1914-1918), Venceslau Brás, não resistiu às fortes batidas de seu coração hipertenso e cansado. No dia 15 de maio, pouco antes de morrer, Venceslau recebeu a extrema unção daquele que foi seu confessor durante 27 anos, o padre Teodoro Hebinck:

“Deus, onipotente e misericordioso, perdoe os seus pecados e o conduza à vida eterna”. Venceslau, segundo o padre, tentou fazer o sinal da cruz, mas não conseguiu. À essa hora, o ex-presidente, que enfrentou firmemente a Guerra do Contestado (1912-1916), enfrentava, frágil, seus últimos minutos de vida.

Nascido em família humilde do interior de Minas Gerais, Venceslau Brás entrou para a política pelas mãos de sua esposa, Maria Carneiro, filha de um importante coronel que dominava as eleições em muitos municípios do interior, coisa comum na República Velha, quando o coronelismo, as trocas de favores políticos e o voto de cabresto dominavam as eleições no Brasil.

Em 1910, Venceslau já era um político respeitado dentro do Partido Republicano Mineiro: já fora deputado e governador do Estado e, nesse ano, assumia a vice-presidência da República, na chapa de Hermes da Fonseca. Daí para ao mais alto cargo do Executivo foi um pulo. Como vice, conquistou a confiança dos mineiros e o apoio dos paulistas (contrários à eleição do indicado por Hermes da Fonseca à sucessão) para ser o candidato situacionista nas próximas eleições – tendo como vice Urbano Santos, refazendo assim a aliança entre Minas e São Paulo, que marcou a República do Café com Leite.

Ao assumir a presidência em 1914, Brás encontrou uma nação quase arrasada pelas crises políticas e econômicas. O estado de sítio, instaurado oito meses antes por Hermes da Fonseca, estimulou o novo presidente a fazer um governo pensando na pacificação do país. Quando deixou o governo, em 1918, havia cumprido muito do que prometera, conseguindo restaurar as finanças do país, apesar das dificuldades no quadro internacional – ocorria a Primeira Guerra Mundial, que teve a mesma duração de seu mandato. Brás se saiu tão bem no governo que, quando entregou o cargo para Rodrigues Alves, este só tinha um problema a resolver: a gripe espanhola que chegava ao país.

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14 de maio de 1998 – A América perde sua maior voz





Na noite do dia 14, a América perdia sua voz mais poderosa: Frank Sinatra. Aos 82 anos, o cantor popular mais famoso do mundo morreu de ataque cardíaco num hospital dos Estados Unidos. Sinatra, que estava afastado do mundo musical desde 1996, não aparecia em público desde 1997, quando sofreu um infarto. Desde então permaneceu recluso em sua mansão de Los Angeles, sendo cuidado por sua quarta esposa, Barbara Marx. Sinatra passou os últimos meses de sua vida com o quadro clínico complicado por múltiplos ataques cardíacos.

"Sei que estou morrendo, mas farei isso com dignidade", disse à família ao explicar que não queria nenhuma tentativa de reanimação extraordinária em caso de parada cardíaca.

Do Sinatra frágil e doente, poucos souberam. E os que viram o astro naquele estado preferiram lembrar dele em seus dias de glória, vigoroso, galanteador e dono de uma das maiores vozes do século 20. Nos Estados Unidos do pós-guerra, The Voice ("A Voz"), como era conhecido, acrescentou boas doses de suingue e sensualidade ao seu tom barítono, fazendo com que angariasse uma enorme legião de fãs que crescia na medida em que a cultura de massa estadunidense se alastrava pelos lares do mundo ocidental.

Sinatra era visto como símbolo do american way of life (estilo de vida americano, propagado pela potência insipiente norte-americana em tempos de Guerra Fria), ao sair de uma cidadezinha portuária em New Jersey, paraíso dos contrabandistas de bebidas, para chegar ao topo – bilionário, emparedado de mulheres, propriedades e amigos. Mas, sobretudo, foi Sinatra quem elevou a american song (aí compreendidas as produções de Hollywood e Broadway) ao patamar de obra de arte trasparente. Ele foi o porta-voz da América. A voz guia do sonho americano.

Entre 1943 e 1952, seu período áureo, Sinatra colocou 86 músicas nas paradas de sucesso, incluindo clássicos como It only hapens to me, That lucky old sun, My blue heaven, Laura, Day by Day, Nature boy. Além de notável no meio musical, ficou famoso também no cinema, conseguindo recuperar sua carreira (que entrara em crise no meio da década de 50) ao ganhar o Oscar por sua atuação em A um passo da eternidade. Assim, de sucesso em sucesso, Sinatra se tornou um mito. Um dos maiores artistas do século.

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13 de maio de 197 1 – Princesa Isabel é sepultada em Petrópolis




Cinquenta anos depois de sua morte e oitenta e três após a assinatura da Lei Áurea, a Princesa Isabel foi sepultada sob o teto da Catedral de Petrópolis – igreja que começou a construir – com o seu marido Conde d’Eu, ao lado de seus pais.

Depois de ficarem expostos durante 24 horas à visitação pública no salão nobre do Palácio da Princesa, os restos mortais do casal imperial foram levados para o mausoléu de D. Pedro II e da Imperatriz Tereza Cristina, numa solenidade que se iniciou às 13h, em presença de seis netos e 18 bisnetos dos príncipes.

Durante o cortejo os despojos dos príncipes foram saudados por bandas escolares e cerca de seis mil pessoas, que desde cedo esperavam o início das cerimônias. Antes de deixar o Palácio, o Embaixador do Senegal, decano dos representantes africanos no Brasil, saudou os membros da família imperial:

“Quero externar, em nome de meus colegas, no meu próprio e da África, simbolicamente representada, o respeito e apreço que merece a figura da Princesa Isabel”. O Embaixador lembrou que a assinatura da Lei Áurea eliminou uma das instituições básicas do sistema político vigente, “reconhecendo o negro na sua qualidade de ser humano, igual juridicamente aos demais da terra brasileira”.

Antes de ser iniciada a missa na catedral, o então Ministro da Educação, em nome do Governo da República, pronunciou a oração oficial. Afirmou que entregava, em nome do Presidente Médici (que estava presente na cerimônia), à Catedral de Petrópolis os sagrados despojos da Princesa Isabel e do Conde D’Eu.

Segundo o Ministro, “a benigna senhora e o bravo soldado deveriam jazer, segundo o desejo por ela tantas vezes manifestado, sob o teto da Igreja que eles começaram a construir”. Lembrou ainda que o “regime político não fraturou a coerência dos tempos; e acima de suas vicissitudes – que marcaram a escalada do Brasil – os homens de hoje se inclinam reverentes diante das gerações extintas, para bendizer a mão redentora que despedaçou os ferros da escravidão”.

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12 de maio de 1982 – João Paulo II quase sofre atentado em Fátima




Vestido de padre, um jovem espanhol tentou matar o Papa João Paulo II durante uma missa na cidade de Fátima, em Portugal. Na hora da missa, o homem estava a três metros do Pontífice e só foi percebido quando tirou de uma bolsa um punhal e avançou para cima do líder supremo da Igreja Católica.

A assessoria do Vaticano informou que o homem – que teve a ação interrompida pelos seguranças do Papa - havia tropeçado nas escadas da igreja e se acidentado. João Paulo II, sem ouvir os gritos de “Abaixo o Papa! Abaixo o Vaticano!”, se aproximou do jovem e o abençoou.

No dia 13 de maio do ano anterior, apenas três anos depois de ser eleito para o mais alto cargo da Igreja, o Papa sofrera um atentado a bala na Praça de São Pedro, em Roma, provocado por um pistoleiro turco que o feriu gravemente. Acredita-se que o atentado possa ter sido encomendado pelo serviço militar soviético, em tempos de Guerra Fria. Após duas cirurgias e um ano de recuperação, João Paulo II decidira ir à Fátima, pela primeira vez, para celebrar uma missa em agradecimento pelo milagre que o retirou com vida do sério incidente. Coincidentemente, o atentado de 1981, acontecera no mesmo dia em que se celebrava a primeira aparição de Nossa Senhora para os três pastorinhos (1917), em Fátima. A cápsula de uma das balas retiradas do intestino de João Paulo II, após mais de cinco horas de cirurgia, foi colocada na coroa da Virgem Maria, no Santuário de Fátima, local em que permanece até hoje.

Um dia antes de quase sofrer o segundo atentado, João Paulo II desembarcou em Fátima, beijando o solo assim que desceu do avião. Após cumprimentar o presidente de Portugal e ouvir o hino luso e do Vaticano, o Papa leu sua saudação “a uma pequena pátria de um grande povo”. No dia seguinte, às 16h, hora exata em que caíra ferido um ano antes, o Papa fez uma oração particular na Capelinha das Aparições, para rezar por Ali Agca, autor do disparo, e que, naquela ocasião, se encontrava detido na Itália, condenado à prisão perpétua.

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11 de maio de 1981 – Morre o rei do Reggae




O astro da música reggae, o jamaicano Bob Marley, morreu de câncer, em um hospital nos Estados Unidos, no qual estava internado para tratamento da doença.

Nascido na Jamaica, Marley começou sua carreira musical ainda muito jovem, cantando no coral da Igreja, apesar de preferir ouvir rock a gospel: Elvis Presley, Ricky Nelson e Fats Domino eram suas principais referências. Marley começou a se aventurar pelo mundo musical na década de 60, mas não obteve êxito. No início da década seguinte, quando voltara para a Jamaica após passar uma temporada nos Estados Unidos, juntou-se aos rastafarians que muito influenciaram sua vida. O culto dos rastafarians, fundado na década de 20, em Nova Iorque, prega que seus seguidores são descendentes de hebreus negros e que o próprio Deus era negro. Os membros dessa crença são vegetarianos, abominam o álcool, mas aceitam a ganga (maconha).

Foi nessa época em que a carreira de Marley começou a decolar. Em 1976, sofrera um atentado a bala e, depois disso, jurou nunca mais voltar a Jamaica, principalmente à cidade de Kingston, onde fora proclamado rei do reggae. “Eu não voltei porque algumas pessoas poderiam querer vingar-se contra os homens que me balearam, e eu não quero isso. Aqueles homens não poderiam matar-me porque sou protegido pela minha fé”, declarou depois do atentado.

Considerado por muitos o Mick Jagger do reggae, Bob Marley, ao lado de Jimmy Cliff, ajudou a propagar o estilo musical como música de aceitação internacional. Junto com artistas como Peter Tosh, Jacob Miller, Toots and the Mayals e Dunny Wailer, Marley ajudou a ampliar uma clareira no mercado que começara a abrir nos primeiros anos da década de 60. Assim, o jamaicano tornou-se pregador máximo dos preceitos rastafarianos, líder de vendas e ideológico supremo. Com isso, o astro se tornou uma estrela, um mito, até quase aprisionar-se em sua imagem, tal como acontecera com Mick Jagger, a maior autocaricatura do rock. Mas mesmo enrolado neste manto de poder, Marley conseguiu ainda manter intacto o coração de sua música: melodias, letras e ritmos ricos, anexos a contundentes textos políticos, cada vez mais e mais distantes do ideal de astro de massas em que a indústria o transformara.

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10 de maio de 1994 – Mandela assume a presidência da África do Sul





Diante de uma multidão de cinco mil pessoas, que aguardava sob um sol escaldante, Nelson Mandela se tornou o primeiro presidente negro da África do Sul, retirando do poder a minoria branca que durante quase meio século segregou e humilhou os negros com a política do apartheid.

Num palanque blindado e cercado por seguranças, o novo líder político do mais rico país do continente africano iniciou seu discurso após ser saudado por representantes das Igreja hindu, judaica e muçulmana, e de ter recebido benção do Nobel da Paz Desmond Tutu.

“A África do Sul ficou isolada até tão pouco tempo porque adotou a mais perniciosa das ideologias, o racismo. Hoje eu e o vice-presidente De Klerk estamos unidos para nunca mais deixar isso acontecer. Que haja justiça, trabalho, paz, água e terra para todo mundo. Vamos trabalhar juntos, fazer deste um grande país; Deus abençoe a África”, declarou Mandela.

Além da multidão de sul-africanos, que faziam uma grande festa em Pretória, capital do país, para saudar o novo governante, chefes de estado e políticos de todo o mundo estiveram presentes durante o almoço oficial da cerimônia de posse. O presidente cubano Fidel Castro era uma das personalidades que mais chamavam a atenção dos jornalistas, ao lado do líder palestino, Yasser Arafat. “Estava mesmo na hora de mudar”, declarou Fidel em entrevista, dizendo que dava total apoio a Mandela e que o considerava um amigo de Cuba.

Após ficar preso durante 27 anos por sua intensa militância contra o sistema segregacionista da África do Sul, Mandela foi solto como herói nacional (1990) e principal candidato à Presidência da República. No final de abril de 1994, quando finalmente os negros do país se livraram das amarras do preconceito e da opressão, e puderam ir às urnas, o futuro Nobel da Paz foi eleito líder supremo na nação, com maioria esmagadora dos votos. Falando sobre sua época no cárcere, Mandela declarou no dia da posse:

“Só a tolerância nos permitiu chegar até hoje. Por isso eu convido, vamos esquecer, integrar, perdoar. Vamos fazer o que ninguém mais fez no mundo".

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9 de maio de 1967 – Brasil assina tratado de proscrição de armas nucleares




No dia nove de maio, na Cidade do México, o Brasil ratificou sua participação no Tratado para a Proscrição das Armas Nucleares na América Latina, também conhecido como Tratado do México, que estava aberto para assinaturas desde o dia 14 de fevereiro do mesmo ano. O acordo foi feito com a ressalva de poder servir a fins pacíficos possibilitando os Estados signatários a “realizar por seus próprios meios, ou em associação com terceiros, explosões nucleares para fins pacíficos, inclusive as que pressupunham artefatos similares aos empregados em armamentos militares”.

As ressalvas do tratado – que fora resultado de uma resolução aprovada em 27 de novembro de 1963 durante a 18ª Assembléia Geral das Nações Unidas – foram feitas para preparar o governo brasileiro para defender posteriormente, em uma reunião mundial sobre o desarmamento nuclear, o direito das nações subdesenvolvidas ou em desenvolvimento de utilizar a energia nuclear para o progresso econômico e social de seus povos.

O Brasil foi o 17º país a assinar o acordo. Essa demora não significou dúvida ou oposição aos objetivos superiores visados pelas nações da América Latina, sendo apenas, uma consequência da mudança de governo – em março de 1967, o marechal Costa e Silva assumia a presidência da República, cargo antes ocupado pelo general Castelo Branco.

No mesmo dia em que fora retificado o Tratado do México pelo governo militar, representantes de Estados Unidos e Brasil assinaram também, em cumprimento ao Acordo de Cooperação para Uso Civil da Energia Atômica (1965), a Declaração Conjunta sobre materiais e equipamentos sujeitos à salvaguarda da Agência Internacional de Energia Atômica – AIEA. De acordo com os termos da declaração, as salvaguardas, que seriam aplicadas pela AIEA, visaram assegurar que os equipamentos, dispositivos e materiais obtidos sob a condição de emprego civil não fossem desviados para fins militares.

“No campo da energia nuclear, aceitamos a restrição de não empregar o átomo para fins bélicos, mas nos reservamos o direito de utilizá-lo sem limitações no terreno pacífico”, declarou o então Presidente da Comissão Nacional de Energia Atômica, Porf. Uriel Ribeiro.


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8 de maio de 1983 – A última aterrissagem do “piloto voador”




O canadense Gilles Villeneuve, na época com 30 anos, morreu devido a um grave acidente a 240km/h em seu Ferrari, numa sessão de treinos classificatórios para o Grande Prêmio de Fórmula-1 da Bélgica. O impacto do choque atirou o piloto a uns 40 metros de distância do local do acidente e, embora tenha sido socorrido, deixou o autódromo de Zolder “clinicamente morto”.

“Para a Ferrari, Gilles Villeneuve era muito mais do que um piloto, muito mais do que um simples colaborador. Todos choramos a morte de nosso campeão. Hoje, amanhã e sempre choraremos pelo amigo”, declarou o então diretor da escuderia italiana Marco Piccinni.

O acidente ocorreu quando faltavam sete minutos para o final do treino, pouco antes de Villeneuve ter sido informado pelo boxe que o seu companheiro de equipe Dider Pironi (a quem perdoou por tê-lo ultrapassado na última volta do GP de San Marino, quinze dias antes), ocupava a melhor posição no grid de largada.

Depois de marcar 1m17s, o canadense prosseguiu com o objetivo de melhorar o tempo de seu companheiro, cometendo, neste momento, o erro fatal à sua pretensão. A uma velocidade aproximada de 245km/h entrou numa curva fechada encontrando pela frente o Marck do alemão Jochen Mass, que ia a uma velocidade menor. Dessa forma, Villeneuve não conseguiu evitar que sua roda dianteira tocasse a traseira do oponente, fazendo com que a sua Ferrari voasse pelos ares antes de cair e se partir em dois.

Apesar de ter obtido apenas 6 vitórias em 67 corridas, o canadense nascido no Quebec é considerado um dos melhores pilotos da história da Fórmula-1. Apelidado de “piloto voador”, Villeneuve era conhecido pela sua coragem e audácia nas pistas, e pela sua simpatia e carisma fora delas.

A morte de Villeneuve foi a 25ª em competições oficiais de Fórmula-1. A dor causada pela perda do piloto só foi sentida doze anos depois, em 1994, com a morte de Ayrton Senna.

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7 de maio de 1945 – Alemanha se rende aos Aliados




No dia sete de maio de 1945, o coronel-general Gustav Jodl, Chefe do Estado Maior do Exército Alemão, assinava a rendição da Alemanha nazista aos Aliados e União Soviética, cinco anos e oito meses depois do início do maior conflito armado da história da humanidade: a Segunda Guerra Mundial.

“Com esta assinatura, o povo e as forças armadas alemães se entregam à mercê dos vencedores. Nesta guerra – que durou mais de cinco anos – ambos sofremos mais do que, talvez, qualquer outro povo no mundo”, declarou Jodl, que assumira o posto de maior importância do Estado Alemão após o suicídio de Adolf Hitler, no dia 30 de abril do mesmo ano.

A Alemanha, em sua condição de derrotada, deveria seguir, normas impostas pelos vencedores, tais como desarmamento completo, liquidação do Partido Nazista e rendição de seus funcionários, separação da Áustria, libertação de todos os prisioneiros de guerra, ocupação do território alemão pelas forças aliadas, desmantelamento da indústria de guerra, restauração ou reparação dos bens tomados aos judeus e outras vítimas da opressão, supervisão aliada da indústria pesada, censura dos meios de comunicação.

O acordo foi assinado no Quartel General do general norte-americano Eisenhower, que, no entanto, não esteve presente na hora da rendição germânica, mas fora representado pelo tenente-general Walter Bedil Smith. A capitulação foi também assinada pelo general Ivan Susloparoff, em nome da Rússia. O acordo colocou um ponto final na guerra da Europa, iniciada em setembro de 1939, com a invasão súbita da Polônia pelo Exército alemão.

No dia seguinte à assinatura do acordo, os grandes Chefes de Estado da época (o norte-americano Harry Truman, o britânico Churchill e o soviético Josef Stalin) anunciaram oficialmente o fim do conflito europeu, comemorando o dia de Dia da Vitória.

Apesar de declarada a paz européia, e de ter sido comemorado o Dia da Vitória, o mundo ainda sofria com o desenrolar da Guerra do Pacífico, que só chegaria ao fim com a rendição do Japão em agosto do mesmo ano, após a destruição de Hiroshima e Nagazaki por duas bombas atômicas lançadas por aviões norte-americanos.

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6 de maio de 1969 – Derrame tira Cacilda Becker de cena




Aos 48 anos de idade, Cacilda Becker, um dos maiores mitos dos palcos brasileiros, saía de cena para sempre, no intervalo da peça Esperando Godot, na noite do dia seis, em São Paulo. A atriz, que sofrera um derrame cerebral, foi levada às pressas para um hospital ainda com as roupas de sua personagem no corpo. No dia seguinte, em coma, a atriz recebia a extrema unção.

Companheiros de palco da atriz disseram que ela entrara no camarim do Teatro Cacilda Becker, no intervalo da peça, com forte dor de cabeça, dizendo que não poderia mais prosseguir, o que impressionou a todos os que conheciam bem seu ritmo de trabalho. Minutos depois, ela dizia que “isso está com jeito de derrame, gente”. Acertara. O derrame cerebral a deixaria em coma até o dia 14 de junho, data de seu falecimento.

Esperando Godot, representada em 20 países e aqui com sucesso formidável, está encerrada no Brasil. Só voltaria a ser encenada se Cacilda continuasse conosco, mas isso parece impossível” – declarou com pesar Flávio Rangel, que detinha os direitos autorais da peça.

Da pequena atuação nas peças encenadas pelo Teatro do Estudante até a direção da Comissão Estadual de Teatro, Cacilda Becker esteve presente aos mais importantes momentos do teatro brasileiro em seus quase 30 anos de carreira.

“Nos primeiros anos eu fazia teatro sem consciência da arte que praticava. Naquela época os atores não recebiam o texto da peça, mas apenas folhas soltas de papel com as falas que teriam que dizer. Isto sempre me pareceu um absurdo, mas quem era eu naquela época para reagir contra a norma aceita por todo o teatro?”, dissera ela uma vez.

Por suas ideias e temperamento, poucos anos após de ter atuado em sua primeira peça (1941), foi convidada para dar aulas na recém-fundada Escola de Artes Dramáticas de São Paulo. Iniciara-se uma nova fase: a da consciência do trabalho, a do novo teatro brasileiro.

“Sou uma mulher, quando não estou em cena, extremamente aflita e triste pelos problemas do mundo. O jornal, a televisão trazem para dentro de casa a grande dor universal e eu não posso nunca dizer que sou uma pessoa feliz”, declarou.

Até sofrer o derrame, Cacilda atuou em 68 peças, dois filmes e uma telenovela (Ciúmes, de 1966).

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5 de maio de 1961 – EUA mandam seu primeiro homem ao espaço




Na manhã do dia cinco de maio, os Estados Unidos enviaram o seu primeiro astronauta ao espaço. Alan Shepard partiu ao Cosmos dirigindo sua própria espaçonave, a Liberdade, atingiu uma altura de 185 quilômetros da superfície terrestre e desceu 21 minutos mais tarde. A nave foi recolhida no Oceano Atlântico, em perfeitas condições, a 486 quilômetros do ponto de partida.

A pequena cabine – que pesava uma tonelada e meia –, batizada de Liberdade, foi lançada por um foguete às 10h34 da manhã, atingindo uma velocidade de 8.304km/h. Assim que a nave aterrissou no Oceano – tendo sido a queda amortecida por dois pára-quedas abertos pelo piloto – helicópteros sobrevoaram o local para retirar Shepard de dentro da cabine.

O lançamento da nave ao espaço e o seu recolhimento, minutos depois, foram assistidos por milhões de pessoas, ao vivo, pela televisão e ouvidos pelo rádio. O então presidente John Kennedy, que também acompanhou o lançamento, declarou que o “acontecimento foi um histórico marco de nossas explorações no espaço”.

O projeto espacial norte-americano, que visava enviar um homem ao espaço, começara dois anos antes de Shepard ser lançado ao Cosmos a bordo da Liberdade. Em junho de 1958, quando a decisão fora tomada pelo então presidente Eisenhower, a corrida espacial, disputada com a URSS, em plena Guerra Fria, parecia perdida: até o momento, os soviéticos já tinham lançado três Spoutniks e conseguido colocar um animal em órbita. Assim, o Chefe de Estado aprovou a criação da NASA (agência espacial norte-americana), apesar da agência ainda não dispor de dinheiro suficiente para implementar seus projetos na ocasião.

Vendo o avanço soviético na área, os Estados Unidos correram para preparar pilotos que futuramente seriam recrutados para o programa Mercury. Alan Shepard, piloto de caça da Aeronáutica, estava entre os 110 homens escolhidos. O projeto, que fora aprovado em outubro de 1958, tinha o intuito de colocar em órbita um satélite pilotado, e reconduzi-lo à Terra, depois de três órbitas – duas a mais do que a cumprida pelo piloto russo Yuri Gagárin, em abril do mesmo ano.

Após a missão de Shepard, a NASA traçou uma de suas metas mais ambiciosas: chegar à Lua antes do fim da década de 60. Após várias tentativas, em 1969, fora cumprido o ambicioso objetivo: Neil Armstrong, um norte-americano, tornou-se o primeiro homem a pisar no único satélite natural da Terra.

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4 de maio de 1979 - Inicia-se a era Tatcher na Inglaterra





Na tarde do dia quatro, a Rainha Elizabeth II convidava, pela primeira vez em seu reinado, uma mulher para formar o Governo. Margareth Tatcher, eleita primeira-ministra, aceitou a tarefa e deixou o Palácio de Buckingham direto para a casa que se tornaria sua residência oficial, 10 Downing Street.

A nova Chefe do Governo britânico reconheceu a vitória bem antes da proclamação oficial. Quatro horas antes de se encontrar com a rainha, Tatcher agradeceu ao povo britânico por ter levado o Partido Conservador à vitória. "Agradeço a todos os que trabalharam no Partido e aos que cumpriram a primeira parte da tarefa: serem eleitos agora. A segunda parte será conseguir a reeleição daqui a algum tempo", declarou.

Para conseguir ser eleita, a Dama de Ferro fez de tudo para fazer juz ao apelido que recebera dos soviéticos. Aconselhada por seu Relações Públicas, buscou cultivar a imagem de uma mulher dominadora. Aos 53 anos, Tatcher recebeu um mandato claro das classes médias britânicas para imprimir seu estilo firme na guerra social contra os sindicatos e a estatização da economia. Tornou-se líder de um Partido que estava enfraquecido e longe do poder.

Margaret Tatcher, a primeira mulher européia a chegar ao posto de Premier, permaneceu no cargo por onze anos. Durante seu governo, conseguiu reduzir a inflação da Grã-Bretanha e melhorar a cotação da Libra. Guiando o Estado com mão de ferro, Tatcher tirou a Grã-Bretanha da recessão em que se afundara na década de 70. Sua gestão foi marcada pela adoção de medidas neoliberais; privatizou empresas estatais e reduziu as atividades industriais tradicionais, o que aumentou consideravelmente a taxa de desemprego.

Ao iniciar a Guerra das Malvinas em 1982, a Dama de Ferro ampliou a antipatia acusada pelos soviéticos. Mais adiante, reprimiu com dureza manifestações trabalhistas (especialmente a greve dos mineiros, em 1984). Em 1987, quando conseguiu novamente a reeleição, implementou uma nova política tarifaria, a qual gerou como consequência grave insatisfação popular. Sem apoio do partido, Tatcher se demitiu e deixou o Governo em novembro de 1990.

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3 de maio de 1989 – Ladrões roubam US$ 40 milhões em obras de arte




Na noite do dia três de maio, seis homens armados invadiram o Museu da Chácara do Céu, em Santa Teresa, Rio de Janeiro, roubando diversas obras de arte avaliadas em US$ 40 milhões.

O quadro Os dois balcões, de Salvador Dalí, o quadro Jardim de Luxemburgo, de Matisse, uma paisagem de Émile-Othon Friesz (La creuse à Crozant), três Portinari (o Retrato de Raymundo Castro Maya e os quadros O Sonho e As lavadeiras), os quadros Carinho de Criança de Elizeu Visconti, e O namoro do guarda, de Belmiro de Almeida foram algumas das obras de arte roubadas pelo grupo. Além das obras citadas, pratarias e objetos antigos expostos nas galerias também foram levados pelos assaltantes, que se disfarçaram de policiais para poder entrar no local. Surpreendentemente, pinturas de grande valor, como outros quadros de Portinari e alguns de Picasso, foram deixadas pelos assaltantes.

A direção do museu informou que o quadro de Dalí – o único no Brasil em coleção pública na época – seria exposto numa retrospectiva em Stuttgart, na Alemanha, e por isso era a única obra com seguro de US$ 1 milhão. O seguro, entretanto, só valia enquanto o quadro estivesse fora do Brasil, o que aumentou o valor do prejuízo causado pelo saque.

Quatorze dias depois do episódio, os seis homens foram localizados e as obras recuperadas pela polícia carioca. Crimes deste tipo, desde então, se tornaram comuns no Rio de Janeiro e no Brasil. Em 2006, por exemplo, o mesmo museu (Chácara do Céu) foi roubado duas vezes em menos de quinze dias. Entre as obras furtadas estavam A Dança, de Pablo Picasso e Marine, Claude Monet.

O roubo mais recente foi na Estação da Pinacoteca, no centro de São Paulo, em junho de 2008. Nessa ocasião, três criminosos levaram duas gravuras de Picasso, uma pintura do brasileiro Di Cavalcanti e outra de Lasar Segall. Os furtos expuseram a fragilidade na segurança dos museus do Brasil, que poucas vezes tem o cuidado de segurar obras de acervo internacional temporário e aperfeiçoar o sistema de prevenção anti-roubo.

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2 de maio de 1997 – Blair é o novo primeiro-ministro britânico




Numa das noites mais dramáticas da recente política britânica, o Partido Trabalhista obteve maior vitória até então, acabando com 18 anos de governos conservadores. Pela manhã, o então primeiro-ministro John Major, que concorria à reeleição, foi ao palácio de Buckingham pedir demissão à rainha e renunciou à liderança do Partido Conservador. Imediatamente o vencedor, Tony Blair, que renovou seu partido, levando-o para o centro político, sob o nome de Novo Trabalhista, foi convidado pela Rainha Elizabeth II para tomar o novo governo. A uma da tarde do dia dois, Blair, aos 43 anos de idade, chegava a residência oficial de Downing Street como o mais jovem primeiro-ministro britânico desde 1812.

Blair, acusado pelos trabalhistas de ter sido muito conservador, foi o responsável pelo sucesso das eleições, ao renovar o Partido Trabalhista, reconquistando a confiança do eleitorado, perdida desde 1979 depois de uma onda de greves que paralisou o país.

“Assumimos a responsabilidade e faremos esse país orgulhoso de nós, da mesma forma como estamos orgulhosos dele. O povo britânico é um grande povo e é uma honra servi-lo”, disse Blair ao chegar na festa do Partido Trabalhista ao saber de sua vitória.

Na mesma festa, cercado por vários seguranças, o novo Premier anunciou novamente sua meta de governo: “Vamos governar para todos, para a maioria silenciada há tanto tempo. Queremos educação para todos, modernizar o sistema previdenciário e a saúde pública, criar uma economia empresarial dinâmica e uma sociedade mais justa. Começa uma nova era na política britânica baseada na educação, na tecnologia e na empresa, sem exclusão social”.

Foi durante a gestão de Blair (1997-2007) que a Grã-Betanha finalmente conseguiu acabar com o conflito na Irlanda do Norte – que durou mais de 30 anos – ao assinar um acordo de paz que teve colaboração do presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton. Após deixar o cargo, em 2007, Blair foi indicado para ser o enviado da ONU no Oriente Médio, representando a União Européia, Rússia e Estados Unidos.

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1 de maio de 1994 – Brasil chora a morte de seu herói




Aos 34 anos de idade, Ayrton Senna da Silva não teve tempo de realizar o maior sonho de sua vida: alcançar o pentacampeonato mundial de Fórmula 1, conseguido pelo argentino Juan Manuel Frangio, em 1950. Senna, herói nacional e tricampeão mundial da categoria, morreu na colisão da sua Williams-Renault contra um muro de contenção a 300km/h, na curva de Tamburello do Circuito Enzo e Dino Ferrari, de Ímola, Italia.

A curva, que no dia anterior marcara o início do acidente, que, metros depois, resultara na morte do piloto austríaco Roland Ratzenberger, não tinha proteção reforçada por não ser considerada perigosa para os pilotos. Alguns anos antes, Nelson Piquet e o austríaco Gerhard Berger também já tinham protagonizado acidentes na Tamburello (1987 e 1989, respectivamente).

Senna, no momento do acidente, ocorrido na sexta volta do Grande Prêmio de San Marino, liderava a corrida. Ele largara na frente, numa prova repleta de acidentes – logo durante a saída o português Pedro Lamy (Lotus-Mugen-Honda) batera na traseira da Benetton de J.J. Lehto, fazendo com que pedaços dos carros fossem lançados às arquibancadas, deixando quatro pessoas feridas.

Ao comentar a morte de Roland Ratzenberger, Rubens Barrichello disse que se a mesma coisa acontecesse com ele, durante uma corrida, ele morreria feliz por estar fazendo aquilo que amava. Este pensamento serviu de consolo para muitos brasileiros após a morte de Senna, que amava o automobilismo até as entranhas. Sua vida sempre foi 100% automobilismo. Guiava divinamente, com uma força considerada por ele, as vezes, sobre-humana.

“Subitamente percebi que não era mais eu quem guiava o carro, que não estava guiando conscientemente. Eu estava numa espécie de dimensão diferente, era como se estivesse num túnel. Eu já estava além do limite, mas ainda era capaz de ir mais rápido. Então, alguma coisa me despertou e eu percebi que estava numa atmosfera diferente. Minha reação foi tirar o pé, reduzir e voltar lentamente aos boxes, de onde não saí mais. Isso me assustou, porque percebi que estava além da minha consciência”, disse após um belo treino para o GP de Mônaco de 1988.


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