Arquivo de June 2010

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30 de junho de 1988 – A última batalha do Velho Guerreiro

Sem buzina, bacalhau, ou estardalhaço, morreu um dos maiores comunicadores da TV brasileira: Abelardo Chacrinha Barbosa. O humorista, cujo programa Cassino do Chacrinha obtia os maiores índices de audiência televisiva nas terdes de sábado, não resistiu a um infarto no coração, aos 70 anos de idade.



Balançando a pança, buzinando a moça e comandando a massa, o Velho Guerreiro, como chamou-o carinhosamente Gilberto Gil, tornou-se quase um sinônimo da TV brasileira na década de 80. Seu humor anárquico, barulhento, mal comportado e desestabilizador sempre foi um sucesso popular, mas demorou a obter status cultural.

“Os intelectuais me esculhambavam. Foi só em 67, quando um sociólogo francês veio ao Brasil e me chamou de comunicador, que começaram a prestar atenção em mim”, comentou Chacrinha em uma de suas entrevistas.

Pernambucano, filho de pais pobres, o velho realmente era guerreiro. Com medo de voltar à miséria, Chacrinha acompanhava toda semana seus índices do IBOPE para ter certeza que o seu sucesso continuava. Esse sucesso barulhento e agitado, no entanto, não começou na telinha, mas sim no rádio.

Numa pequena emissora de rádio, Abelardo criou sozinho um programa que parecia uma festa – das mais barulhentas – ao vivo. Como esta rádio funcionava numa chácara, seu programa ganhou o nome de Cassino do Chacrinha. Logo passou para a Rádio Continental e daí, um breve caminho até a Tupi.

Quando estreou na TV, em 1956, manteve o mesmo clima que o deixara famoso. E deu mais do que certo. Em A Discoteca do Chacrinha, da TV Tupi, surgiram os elementos através dos quais seria lembrado: as fantasias, o bacalhau, as dançarinas. Isso tudo acompanhou o mestre pelas décadas seguintes, contribuindo para que ele fosse considerado o pai do Tropicalismo.

Em seus últimos meses de vida, Chacrinha se manteve afastado das telas de TV, por conta de um câncer de pulmão, mas persistiu em seguir gravando, mesmo que pouco, para que sua estrela nunca se apagasse. E, até hoje, ela se mantem acesa.

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29 de junho de 1958 – Brasil é campeão do mundo





O Brasil não entrou como favorito na Copa da Suécia. O trauma sofrido na final do Mundial de 50 fez com que nossa seleção
realizasse uma fraca campanha na Copa da Suíça e estreasse como coadjuvante na competição de 58. O jogo, no entanto, começou a virar
para o nosso lado na terceira disputa, contra a União Soviética, quando o técnico Vicente Feola revelou ao mundo a carta que tinha na
manga: um rei.

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Aos 17 anos de idade, Pelé, ao lado de Garrincha, foi essencial para que a equipe batesse a URSS por 2 a 0. Apesar de não ter feito gols,
o jovem mineiro mostrou ao mundo o talento que, depois, o faria ser reconhecido como o melhor jogador de futebol de todos os tempos.

O dia do confronto final, contra os donos da casa, viria apenas no dia 29 de junho de 1958, após o grupo memorável emplacar goleadas
históricas durante a sua trajetória. O estádio de Estocolmo, lotado com mais de 50 mil pessoas, parecia um caldeirão. A torcida, dividida
entre o amor à pátria e a admiração pela brilhante campanha feita pela Seleção Brasileira, aplaudia cada jogada.





Vestindo pela primeira vez o uniforme azul reserva, o time de Zagallo, Vavá, Didi, Pelé e Garrincha sentia-se usando o “manto de
Nossa Senhora Aparecida”: nada podia para-los; nem mesmo o gol marcado pela equipe sueca aos 4 minutos do primeiro tempo. Num
contra-ataque de Garrincha, aos 9 minutos, Vavá recebeu a bola perto da grande área e marcou para os brasileiros empatando o jogo. Pouco
tempo depois, o mesmo Vavá fez seu segundo gol na partida alavancando a máquina canarinha que não podia mais ser freada. Com mais um gol de
Vavá, outro de Zagallo dois de Pelé, a seleção abençoada venceu a Suécia por 5 a 2 e pode, enfim, levantar a Taça Jules Rimet,
consagrando-se campeã.

Era início de uma nova era. Era de vitórias, a era de ouro da Seleção Brasileira, que só terminaria em 1970, com o tricampeonato e
a despedida definitiva do Rei Pelé de mundiais.


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28 de junho de 1966 – Eclode o golpe na Argentina

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A Argentina estava em crise. Governada por um presidente corrupto e sem autoridade, a economia ia mal, a população protestava. Arturo Illia era duramente criticado no meio político e, principalmente, no militar. Sob o slogan de devolver à Argentina a ordem, típico das ditaduras latino-americanas da época, o Exército tramou um golpe certeiro, que depôs Illia e colocou o general Juan Carlos Onganía no comando da nação. Eclodia, assim, no dia 28 de junho, o que os militares chamaram de Revolução Argentina.

Enquanto Onganía jurava à nação reprimida como novo Presidente, o Congresso Nacional era dissolvido, assim como a Corte de Justiça e os partidos políticos. A exemplo do Brasil, a Argentina entrava numa era de quepes e cassetetes, a qual só terminaria em 1973, com o retorno do eterno líder populista, Juan Domingo Perón.

Como primeiro ato, depois de consumada a deposição de Illia, a Junta Militar Revolucionária decidiu suspender as eleições gerais previstas para março de 1967, “por ser esta a melhor forma de impedir qualquer vitória dos elementos extremistas”. Illia, após deixar a cadeira presidencial, deixou a Casa Rosada exclamando ao povo que o cercava: “Viva a pátria! Viva a Constituição! Abaixo as ditaduras! Abaixo os maus militares!”. O governante partiria para o exílio no Uruguai.

Assim que o fato foi noticiado pela imprensa controlada pelo novo regime, a população em fúria pela queda da frágil democracia saiu pelas ruas de Buenos Aires, protestando. Membros da União Cívica Radical do Povo, partido de Illia, entraram em choque com guardas encarregados da segurança da Casa Rosada. Era o início da época de violência promovida por uma das mais agressivas e repressoras ditaduras sul americanas.

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27 de junho de 1950 – EUA entram na Guerra da Coréia




Cinco anos após encerrado o maior conflito bélico da história, outra trágica e sangrenta guerra eclodia. Estados Unidos e União Soviética travaram uma batalha pelo controle indireto da península coreana. O Estado do Norte, simpatizante da causa comunista, invadira a vizinha do sul num ataque surpresa, no dia 25. Dois dias depois, o presidente norte-americano Harry Truman ordenava que as forças aéreas e navais de seu país apoiassem a Coréia do Sul na luta contra os invasores do norte. Além de intervir na Guerra da Coréia, Truman também determinou a proteção da Ilha Formosa, onde se localizavam foragidos chineses.

A alegação do presidente dos Estados Unidos para a intervenção baseou-se no argumento que os norte-coreanos se recusaram a acatar a ordem do Conselho de Segurança da ONU para que suspendessem as hostilidades. Assinalou que, “dadas estas circunstâncias, a ocupaçao de Formosa pelas forças comunistas seria uma ameaça à segurança da zona do Pacífico e às forças dos EUA que cumprem funções legais e necessárias naquela região”.

A batalha se intensificou no dia 3 de julho, quando tropas norte-coreanas invadiram de surpresa a capital do Sul, Seul. Em setembro, as Nações Unidas prepararam uma agressiva ofensiva, representada por um exército de 140 mil homens, para reaver Seul. Cinco dias depois, após cessadas as hostilidades, a frente capitalista liberta Seul e reconquista a costa leste do país. Mantida a soberania sobre o território, no mês seguinte, as Nações Unidas invadem o norte.

A Guerra da Coréia terminou apenas em julho de 1953, com saldo de quase dois milhões de pessoas mortas. Ao fim, manteve-se a península dividida em dois países: o do norte, comunista, e o do sul, capitalista – divisão que perdura até hoje.


Leia também:
Em 1951 — Tentativas de paz na Coreia
Em 88 – Governo da Coréia do Sul esmaga passeata estudantil

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26 de junho de 1945 – Aprovada a Carta das Nações Unidas




Dois meses após o início da primeira Conferência das Nações Unidas, foi concluída a elaboração da Carta que regeria a ação da ONU pela manutenção da paz mundial durante os anos que se seguiram. Delegados de 50 países, reunidos numa cúpula em São Francisco (Estados Unidos), estudaram e aprovaram, por unanimidade, o documento que entraria em vigor em outubro do mesmo ano, com a ratificação do mesmo por todas as partes envolvidas.

Por meio da Carta, as nações signatárias se comprometiam a “manter a paz e melhorar todas as condições de vida humana em todas as partes do mundo”, por meio de uma organização batizada como Nações Unidas (nome formalizado nesta data).

Pela primeira vez na história a maioria dos países estabelecidos mostrou intenção de reunir suas forças armadas para o impedimento de uma terceira grande guerra.

A tentativa de se criar um órgão internacional para a manutenção da paz começou a se consolidar no ano anterior, quando representantes dos Estados Unidos, Grã-Bretanha, União Soviética e China escreveram as primeiras linhas da nova Carta de Segurança. A antiga, pertencente à extinta Liga das Nações, foi redigida ao fim da Primeira Guerra (1914-1918), com o intuito de se evitar um segundo conflito com iguais ou maiores proporções, objetivo que foi, no entanto, frustrado.

O Brasil, que junto com o México representava os latino-americanos no encontro, teve como porta-voz o chanceler Pedro Leão Veloso, que declarou no encerramento do encontro: "Depois de dois meses de trabalho árduo, oferecemos ao mundo a Carta das Nações Unidas, que deverá governar o seu destino”.

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25 de junho de 1960 – O desastre na Baía de Guanabara



No raiar do dia 25 de junho, após horas de buscas incessantes, dez dos 53 mortos num desastre de avião, que ocorreu sobre a Baía de Guanabara na noite do dia 24, foram encontrados por oficiais da Marinha. O último contato que o piloto do PP-YRB da companhia Real fez com a torre de comando carioca foi perto das 18h, informando que o avião estava ficando sem combustível. A assessoria da companhia, no entanto, negou.


O avião sumira sem deixar rastros. Um soldado da Aeronáutica que estava nas proximidades ouvira um barulho de avião caindo, mas quando foi procurar, nada encontrou. Apenas escuridão. Sem fogo, sem luz, o imenso veículo aéreo desaparecia nas águas tranqüilas da Guanabara. Marinha e Aeronáutica, no início, mobilizaram forças para fazer buscas por todo o estado, procurando destroços em Campos e Itaperuna. Com o decorrer das investigações, diagnosticou-se a causa da queda como falha humana.


A tripulação da aeronave estava voando desde as 5 horas da manhã, fazendo escalas por cidades do Brasil. Quando o avião entrou no espaço aéreo carioca, o aeroporto Santos Dumont, que estava com as pistas de pouso fechadas por causa da neblina, acabara de voltar a funcionar.


Neste mesmo ano um outro acidente aéreo ocorrera no Rio de Janeiro com um veículo da mesma companhia. Em fevereiro, um avião comercial destroçou-se no ar ao colidir com uma aeronave, vinda de Buenos Aires, que transportava uma banda norte-americana, matando 66 pessoas sobre o Forte de São João, na Urca.

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24 de junho de 1950 – Brasil vence México no Maracanã

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Havia doze anos que não era realizado um Mundial. Em virtude da Segunda Guerra (1939-1945), que mobilizara forças de vários países, a FIFA decidiu suspender a competição. Em 1946, com a Europa arrasada pelo conflito, o Brasil apresentara um projeto para ser sede da IV Copa do Mundo de Futebol, que fora aceito pela equipe avaliadora com sucesso.


Após longos 4 anos de expectativa, finalmente chegara o dia da estréia. Brasil e México se enfrentariam no maior estádio do mundo. Construído, às pressas, em apenas 667 dias, o Maracanã recebia seu segundo jogo, justamente na abertura do mais importante campeonato de futebol do planeta.


O Brasil tinha Zizinho, Barbosa, Ademir e Bauer e a pose de favorito. Na partida de estréia, a nossa equipe fez bonito no estádio lotado, vencendo os rivais por 4 a 0. O primeiro gol saiu no primeiro tempo, do pé de Ademir, após uma jogada rápida iniciada por ele mesmo. No segundo tempo, a seleção canarinha entrou com mais disposição, aumentando a vantagem sobre o time rival, com outro gol de Ademir além dos marcados por Jair e Baltazar.


Era o início de uma bela campanha brasileira que, no entanto, não daria à equipe seu primeiro título de campeã do mundo. O time dirigido pelo técnico Flávio Lopes, no entanto, foi longe: chegou à final precisando apenas de um empate com o Uruguai. Neste jogo, o grupo auriverde, apresentando um belo jogo, marcou 1x0 sobre o pequeno país sul-americano diante de um público jamais visto em uma partida de futebol: cerca de 210 mil pessoas. A presença da torcida, porém, não intimidou os visitantes, que, de virada, venceram os donos da casa por 2 a 1 e se sagraram campeões.

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23 de junho de 1961 – Entra em vigor o Tratado da Antártida


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No dia 23 de junho de 1961 entrou em vigor o Tratado da Antártida, assinado por membros de 12 países no dia 1 de dezembro de 1959. O acordo decretava a proibição das atividades militares e as provas nucleares tanto militares quanto pacíficas no continente, ao mesmo tempo que o mantinha aberto às explorações científicas, para o bem da humanidade. O tratado, composto de 14 artigos e redigido em 4 idiomas (inglês, francês, russo e espanhol) foi o produto de sete semanas de negociações. Tinham o direito de assinar e ratificar a participação no Tratado, todos os países que fossem membros da ONU.

Além de instituir a região mais gelada do hemisfério sul como zona desmilitarizada, o Tratado também punha fim às reivindicações de posse do território, decretando-o zona de cooperação internacional. Outra novidade foi o estabelecimento de um sistema inédito para a época que permitia a qualquer país membro enviar observadores ao continente, para comprovar possíveis contravenções.

Na data da elaboração do acordo, o delegado da Argentina, Adolfo Scilinco, foi o primeiro a assiná-lo, seguindo-se os demais chefes dos Estados Unidos, URSS, Chile, Austrália, Nova Zelândia, Noruega, África do Sul e Grã-Bretanha. Passado dois anos, o tratado foi ratificado por todos os países envolvidos. O Brasil, no entanto, só aderiu ao espírito do documento em 1975, embora só fosse inaugurar uma base de pesquisa no continente cinco anos depois. Nesta data, a validade do acordo era de 30 anos. Assim, em 1991, uma nova reunião entre representantes dos países que utilizavam a região antártida para pesquisas científicas ficou decidido que o acordo seria prolongado por mais 50 anos. Assim, até 2041 a Antártida permanece como patrimônio da humanidade.

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22 de junho de 1945 – Termina a batalha de Okinawa

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O almirante norte-americano Chester Nimitz anunciou o fim da batalha de Okinawa, o maior conflito anfíbio travado na Guerra do Pacífico, no âmbito da Segunda Guerra Mundial. A disputa por Okinawa, originalmente território japonês, durou 82 dias e custou mais de 260 mil vidas, entre civis e militares. Do lado vencedor, as baixas tiveram saldo de quase 70 mil pessoas mortas. Okinawa, ao contrário da ilha de Iwo Jima, era densamente povoada, principalmente na região sul. Nos últimos dias do confronto ocorreram suicídios em massa entre as tropas japonseas.

Mesmo quando foi anunciado o fim do maior engajamento de forças navais de toda a Historia, a rádio oficial de Tóquio se recusou a aceitar a derrota, afirmando que soldados japoneses ainda lutavam em defesa da região.

A ofensiva norte-americana terrestre, precedida por bombardeios aéreos que já tinham aniquilado boa parte das forças marítimas japonesas, começou no dia 1 de abril, um domingo de Páscoa. O general Simon Bolívar, morto em combate posteriormente, comandou as tropas que desembarcaram na costa ocidental da ilha, marchando para o sul, em direção ao cinturão de defesa japonês. Os nativos reagiram com enorme energia, mas nada que fosse capaz de conter a artilharia pesada utilizada pelo inimigo.

A conquista de Okinawa proporcionou aos Aliados valiosas bases aéreas e navais, estrategicamente situadas a apenas 325 milhas do território metropolitano japonês. Estava anunciada, portanto, a trágica derrota do Japão na Guerra do Pacífico, que, em agosto do mesmo ano, seria selada com as bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki.

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21 de junho de 1970 – Brasil é tricampeão no México




Quando Carlos Alberto Torres ergueu aos céus a Taça Jules Rimet, na tarde do dia 21, 700 milhões de pessoas em 50 países comprovaram a supremacia definitiva do futebol arte-técnica-poesia: o Brasil acabava de sagrar-se tricampeão do mundo.


Quarenta anos após ser instituída, a Taça Jules Rimet viria definitivamente para quem lutou durante os 90 minutos de uma partida dramática e cheia de emoções. A goleada de 4 a 1 sobre a Itália espelhou a superioridade de um time que venceu 12 partidas disputadas na campanha da IX Copa do Mundo.




O Estádio Azteca, na Cidade do México, vibrou pela primeira vez aos 17 minutos: Pelé saltou mais do que toda a defesa italiana e venceu o goleiro Albertosi. A alegria brasileira foi reprimida aos 37 minutos do primeiro tempo: Boninsegua aproveitou-se de uma falha de Clodoaldo para chutar contra o gol vazio.

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A Seleção Brasileira devolveu o otimismo à torcida no segundo tempo, quando Jair driblou a defesa adversária e serviu, perfeitamente, Gérson, que mandou um tiro certeiro e cruzado. Jairzinho, o artilheiro do Brasil na competição, consolidou a vitória aos 26 minutos do segundo tempo, ao receber a bola após um passe de Pelé, de cabeça. A goleada foi completada por Carlos Alberto que, no fim do jogo, marcou um dos gols mais belos já vistos em copas do mundo: após um passe excelente de Pelé, o zagueiro mandou uma bomba cruzada inalcançável, coroando a campanha da equipe que, de fato, merecia levar para casa, pela terceira vez, a taça.



Pelé, Tostão, Jairzinho, Rivelino, Gérson, Carlos Alberto



Nesta Copa, o rei Pelé se despedia para sempre dos mundiais, sendo ele o único na história que se consagrou tricampeão do mundo como jogador. Na competição, a seleção canarinha foi formada por uma das equipes mais competitivas da história. Além de Pelé, Jairzinho, Carlos Alberto e Gérson, o time também contava com o talento de Tostão, Rivelino e Clodoaldo, dirigidos pelo técnico Zagallo, que foi ovacionado no final da partida.

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20 de junho de 1994 – Brasil estréia como favorito na Copa dos EUA



Após passar vinte anos protagonizando apagadas estréias em copas do mundo a Seleção Brasileira finalmente honrou o título de tricampeã do mundo, em seu primeiro jogo da competição mais importante do futebol, que, em 1994, era disputada nos Estados Unidos. O talento de Romário, que marcou o primeiro dos gols da vitória de 2 a 0 sobre a Rússia, tornou desequilibrada a partida diante do monótono futebol apresentado pelo time russo.


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“Dou oito para a nossa atuação. E olha que não é sempre que uma seleção estréia em Copa ganhando esta nota. Joguei bem, mas sei que posso melhorar. Tenho certeza disso. É só esperar”, comentou o astro da partida pouco depois de voltar para a concentração.Além do baixinho Romário, o Brasil contava com a raça de Dunga e a agilidade de Bebeto, que perdeu belas chances de marcar seu primeiro gol no Mundial. O resultado da partida foi a constatação de que o time, dirigido pelo técnico Carlos Alberto Parreira, assessorado pelo tricampeão, Zagallo, se consolidava como o favorito da Copa dos EUA.


Na partida seguinte, a Seleção enfrentaria Camarões, jogo pelo qual passaria fácil, ganhando por 3 a 0, embora o baixinho, humilde, não previsse tal resultado: “Vi o jogo deles contra a Suécia pela TV [empatado em 2 a 2] e acho que vai ser mais difícil do que esta partida. O estilo deles é parecido com o nosso e isso pode dificultar”.


Mas ninguém conseguiria frear a raça e a rapidez da seleção canarinha. Com uma trajetória admirável, os brasileiros se classificaram em primeiro lugar no Grupo B e avançaram com tranquilidade até a final, disputada com a Itália, no dia 17 de julho. Numa partida emocionante, terminada em 0 a 0, a taça mais cobiçada do mundo foi decidida nos pênaltis. Os chutes certeiros de Romário, Branco e Dunga e a comemorada defesa de Taffarel, da bomba lançada por Massaro, deram ao Brasil o título de tetracampeão de futebol do mundo.

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19 de junho de 1955 – Perón sufoca revolta na Argentina




No dia 19 de junho de 1955 foi sufocada a revolta que, em setembro do mesmo ano, voltaria com toda a força para derrubar o presidente argentino Juan Domingo Perón, líder populista que estava no poder havia nove anos. A insurreição, iniciada três dias antes, foi liderada por membros da Aviação da Marinha, com o apoio de algumas tropas terrestres.


Aviões da Marinha bombardearam Buenos Aires, deixando 364 pessoas mortas e mais de mil feridas. Perón, para fugir do ataque, escondeu-se em um de seus bunkers, no subsolo do edifício sede do Exército, deixando no comando do governo o Ministro da Guerra, Franklin Lucero. A resposta para o levante veio da Força Aérea, que o reprimiu rapidamente, obrigando os revoltosos a se refugiarem no Uruguai.


“Refugiamo-nos porque, cumprida a nossa missão e faltos de munições e combustível, não pudemos regressar às nossas bases, que já se encontravam ocupadas. O povo argentino, cooperando com suas forças armadas, espera a salvação, que já está próxima”, dizia uma nota emitida pelos membros da Marinha.


Na noite do dia anterior, a cidade já voltava à normalidade, com a abertura dos teatros, cinemas e espaços públicos à população, a qual se vira impedida de frenquentar tais lugares em virtude do estado de sítio, proclamado pelo governo. “Reina a absoluta tranquilidade em todo o país”, anunciou a rádio estatal na manhã do primeiro dia de calmaria após os tempestuosos embates.


Os resquícios desta pequena rebelião, controlada pelo governo peronista com a mesma violência com que surgira, ganharia proporções monumentais ao fim daquele ano. Sob enorme pressão, Perón renunciaria à Presidência no dia 19 de setembro, dando lugar a uma junta militar.

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18 de junho de 1988 - Senna iguala recorde na F1

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Durante o GP do Leste dos Estados Unidos, Ayrton Senna igualou o recorde de seis pole-positions consecutivas estabelecido pelo inglês Stirling Moss entre o fim do Campeonato de 59 e o início do de 60, e posteriormente igualado pelo austríaco tricampeão Niki Lauda, na temporada de 74.

O feito foi obtido com o tempo de 1'40''606''' que o brasileiro da McLaren marcou no dia 18 de junho, correndo na pista de Detroit.“Eu já sabia que seria um recorde de pole-positions, porém o mais importante é a corrida [que aconteceria dois dias depois]”, revelou Senna, dizendo que ao mesmo tempo que prestava atenção nas estatísticas, não queria fazer comemorações antecipadas.

No treino, apenas 11 dos 30 pilotos aprimoraram suas marcas, devido a uma piora do estado da pista de Detroit, na hora das competições – esta se esfarelara em vários pontos, provocando dois acidentes graves com os pilotos Stefano Modena e Ivan Capelli.

“Se continuar fazendo calor, o asfalto deve continuar se esfarelando. Deve ser uma corrida complicada”, previu Senna. Apesar das intempéries, o brasileiro venceu a prova do dia 19, marcando pontos importantes que contribuíram para que ele fosse campeão mundial da F1 naquele ano.

O recorde de Senna nesta corrida foi batido por ele mesmo no final desta temporada e início da próxima. No GP da Espanha, em outubro de 1988, seria iniciada a sequência de oito pole-positions consecutivas, que só terminaria em junho do ano seguinte, no Canadá, quando o piloto perderia a posição mais favorável para se iniciar uma corrida para o seu maior rival, o francês Alain Prost. O recorde de Senna de oito poles consecutivas jamais foi superado na Fórmila 1. Alain Prost, vencedor do Mundial em 1989, encostou em Senna ficando com o segundo lugar (7 poles seguidas) em 1993. Nesta colocação empataram posteriormente com ele o próprio Senna (7 poles nas temporadas 1990-1991) e o alemão Michael Schumacher (2000-2001).

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17 de junho de 1962 – Brasil é bicampeão do mundo

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Em 1962, a Seleção brasileira partiu em busca do bicampeonato mundial de futebol, no Chile, com a mesma base da equipe campeã na Suécia, quatro anos antes. Apesar da saída de Pelé no segundo jogo da competição, devido a uma lesão na virilha, Garrincha, com suas pernas tortas, driblou a ausência do Rei e conduziu a seleção auriverde para a segunda conquista do troféu Jules Rimet.



A partida final, disputada contra a Tchecoslováquia, fez com que o mundo reconhecesse o Brasil como dono do melhor futebol da época. Com gols de Amarildo, Zito e Vavá, a equipe chegou à vitória em Santiago, por 3 a 1, sobre o engenhoso time da Europa Oriental. No jogo, Garrincha conseguiu atrair a atenção dos marcadores, deixando livre o caminho para seus companheiros de equipe, que recebiam a bola após passes geniais do lateral.




O bicampeonato foi saudado com carnaval nas ruas de Santiago, festa em Lisboa, elogios nos jornais de todo o mundo e mensagens de felicitações do Presidente Kennedy, dos Estados Unidos. O Brasil parou por um dia para festejar a técnica e genialidade de uma das melhores seleções . No Rio, a população saiu às ruas para receber seus ídolos que desfilavam com o desejado troféu, no dia seguinte à vitória.




O JB na Copa



Enquanto o capitão Mauro ainda erguia a taça Jules Rimet sobre a cabeça, comemorando a vitória, o JB já rodava em suas oficinas uma edição extra sobre a Copa com a imagem de Zito, transmitida por radiofoto, marcando de cabeça o segundo gol da Seleção. O Extra JB, que teve tiragem de mais de 270 mil exemplares, foi editado em tempo recorde, chegando à frente dos outros jornais nas bancas de todo o país.


A edição Extra do JB começou a ser preparada três dias antes da partida final e, no domingo, suas dez páginas já estavam prontas, contando inclusive com retrospectiva de todos os jogos da Copa. À medida que transcorria o jogo decisivo, três redatores do JB, à escuta no rádio, davam aos lances a linguagem jornalística e a matéria ia sendo passada para a oficina, de cinco em cinco minutos. Ao soar do apito final, em Santigo, as principais páginas da Extra já estavam prontas. Até o final do dia, todos os exemplares esgotaram.


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16 de junho de 1950 – É inaugurado o Maracanã



Passados 667 dias do início das obras, o Estádio Jornalista Mário Filho, conhecido como Maracanã, foi inaugurado em clima de festa, com uma partida entre o Rio de Janeiro e São Paulo, vencida pela equipe visitante por 3 a 1. O primeiro gol marcado no mais famoso estádio brasileiro resultou de uma cobrança de falta direta, feita pelo carioca Didi, o qual ajudaria o Brasil a faturar o ouro nas Copas de 1958 e 1962 – tendo sido eleito o melhor jogador do mundo na primeira. Neste dia a obra ainda não estava completamente concluída, faltava parte da tribuna da imprensa e um maior número de sanitários para atender à hipotética capacidade máxima de 200 mil pessoas. O Mário Filho só ficaria completamente pronto 15 anos depois.


Erguido pela força e o trabalho árduo de mais de 10 mil operários, o Maracanã foi feito às pressas. Desde que, em 1947, fora aprovada a construção de um estádio carioca para ser o principal palco das disputas futebolísticas do Mundial de 1950, uma grande mobilização foi feita para ver realizado o sonho brasileiro de possuir o maior estádio do mundo.

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Numa área de 186 mil e 638 metros quadrados, onde antes havia a pista hípica de Derby Club, o Maracanã foi erguido em 1 ano e 10 meses, tendo sido o valor total da obra estimado em 240 mil cruzeiros – número estrondoso para época, o que despertou a ira de políticos como Carlos Lacerda (rival do então prefeito Mendes de Moraes), que defendia a construção do grande estádio em Jacarepaguá, com projeto de Oscar Niemeyer. Sob a direção dos arquitetos Raphael Galvão, Orlando da Silva, Pedro Bernardo Bastos e Antônio Dias Carneiro, a ambiciosa edificação consumiu 500 mil sacos de cimento, que, se fossem empilhados, atingiriam duas vezes a altura do Pão de Açúcar.



Por ter sido construído muito rapidamente, o Maraca não conquistara a total confiança da população, que, de início, temia um desabamento, dada a monstruosidade de sua fachada. Foi preciso que operários ficassem pulando nas arquibancadas para que as pessoas, durante a inauguração, tomassem coragem de passear pelos seus compridos corredores. O presidente Eurico Gaspar Dutra, ao lado de Mendes de Moraes, foi o primeiro a subir as rampas do estádio, o qual levou o nome de Mário Filho em homenagem ao árduo esforço deste jornalista em angariar as verbas necessárias para as obras.

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Hoje, o Maracanã, um dos mais importantes símbolos do futebol brasileiro, palco dos melhores momentos da carreira de ídolos como Pelé e Garrincha, completa 60 anos de vida.


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15 de junho de 1996 – O jazz perde a sua voz




Uma das mais belas vozes da história do jazz se calou na manhã do dia 15 de junho. A americana Ella Fitzgerald, aos 78 anos, faleceu em sua casa, na Califórnia, devido a complicações oriundas da diabetes. Nos últimos dias de vida, a intérprete se encontrava em estado de semicoma, mas sua luta contra a enfermidade tornou-se crítica em 1993, quanto a cantora amputou as duas pernas, logo abaixo dos joelhos.

Ella Fitzgerald deixou um legado de mais de 250 discos, tendo recebido 13 prêmios Grammy ao longo de uma carreira marcada pela aproximação da técnica depurada com a emoção interpretativa. Ninguém como ela expandiu as fronteiras vocais do jazz com a técnica do scatting (utilização da voz como um instrumento musical).

Ella começou a carreira de cantora quando tinha 16 anos. Sua primeira gravação de sucesso ocorreu em 1938, com o disco A tisket, a tasket, cuja canção homônima foi incluída na década passada no Grammy Hall of fame, dedicado aos temas musicais mais importantes da história.

Em 1946, Ella ultrapassou as fronteiras americanas com sua voz, viajando para apresentações na Europa e Japão. Em 1947, Ella gravou duas obras-primas em matéria de jazz: as canções How high the moon e Lady be good, clássicas nos registros de instrumentalização vocal. Daí para a fama universal foi um pulo. Ella passou a ser conhecida como a primeira-dama da canção, uma das maiores vozes do jazz.



Fitzgerald chegou a se apresentar no Brasil em 1960, acompanhada do pianista Paul Smith. Oito anos depois foi convidada a participar do Festival Internacional da Canção, aqui, mas rejeitou. Ella disse que não desejava ser vaiada pelo público brasileiro como ocorrera no ano anterior com o maestro Quincy Jones. “Não tenho culpa de ter nascido nos Estados Unidos, país que os brasileiros parecem não simpatizar”, declarou na época.

Ella afirmava nunca ter estudado música. Dizia que “aprendia com os músicos com quem tocava”, e só citava Connie Boswell como sua influência.

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14 de junho de 1982 – Brasil estréia com vitória na Copa do Mundo

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Em sua estréia na Copa do Mundo da Espanha, a Seleção brasileira fez bonito e bateu a União Soviética, de virada, por 2 a 1, na cidade de Sevilha. Os soviéticos resistiram o máximo que puderam para segurar seu único gol marcado no primeiro tempo, por Bal. Nesta etapa da disputa, a Seleção auriverde fez um futebol burocrático e lento, sem ameaçar perigosamente o bom goleiro Dasev.

No segundo tempo, no entanto, o time de Zico, que teve atuação apagada devido à forte marcação que recebeu, mudou radicalmente seu modo de jogar com a entrada de Paulo Isidoro, no lugar de Dirceu, na ponta direita. Isidoro, Sócrates e Falcão, partiram para cima da muralha gelada do leste europeu, com ginga e jogo de cintura. O gol de empate foi marcado por Sócrates, numa jogada individual genial, finalizada por chute indefensável.

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Também por amor à arte surgiu o gol da vitória. O passe de Isidoro, a incrível deixada de Falcão, a canhota de Eder a pegar o goleiro no contrapé, estático, paralisado, possibilitaram o início da grande festa brasileira.

“Estou satisfeito e o fato de não ter feito o gol não me abate em nada. Fui bem marcado. E o que tentei acabou não dando certo. Quem viu a partida pode analisar que minha movimentação, atraindo meu marcador, ajudou para que meus companheiros penetrassem. Quantas chances criamos!”, declarou Zico, reconhecendo que teve uma atuação apagada na partida.

Isidoro, o destaque da partida, também se manifestou: “Tenho certeza de que fiz o que sei. Entrei em campo consciente de minha responsabilidade. Graças a Deus, o time se superou e acabou conseguindo virar o marcador”.

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Apesar da vitória no início, o time arrumado e competitivo, o Brasil não fez uma campanha brilhante no Mundial de 82. A competição terminou para a equipe canarinha nas Quartas de Final, quando o time dirigido por Telê Santana foi eliminado pela futura campeã, Itália, por 3 a 2.

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13 de junho de 1964 – JK parte para o exílio




Seguido por uma multidão de mais de cinco mil pessoas, com um lenço rosa na mão e acenando enquanto era aplaudido pelos amigos, Juscelino Kubitschek partiu para um exílio voluntário nos Estados Unidos e Europa, uma semana depois de ter tido seu mandato de senador cassado pelo governo militar do presidente Castelo Branco.

“Eu voltarei para as urnas”, declarou em voz alta o ex-Presidente do Brasil, com lágrimas nos olhos. “A Justiça tarda, mas nunca falta. O povo dirá se eu não voltarei”, acrescentou. Ele, no entanto, jamais retornaria a ser um representante político da população brasileira.

O embarque de JK para o exílio foi marcado por um incidente. Enquanto ele caminhava pelos corredores do aeroporto, ao coro da música Peixe Vivo, entoada pela legião de fãs que o cercava, rumo ao avião, um agente do DOPS (Departamento de Ordem Pública e Social) sacou um revólver e ameaçou o ex-Senador: “O Senhor impõe a ordem, para com essa bagunça. Senão...”. A massa, enfurecida, passou a gritar “Gorila, gorila!”, enquanto um juscelinista tentava avançar contra o oficial.

Pouco antes de partir, Juscelino divulgou um manifesto no qual dizia que estava deixando o Brasil porque esta seria a melhor forma de “exprimir o meu protesto contra a violência de que fui vítima e, ainda, porque não subsistem, neste instante no país, as condições mínimas que me permitam prosseguir na luta da qual jamais desertei, pela preservação das instituições democráticas, pelo desenvolvimento e emancipação econômica do país”.

O eterno “Peixe Vivo” retornou do exílio em 1967 e decidiu esperar o término dos dez anos que duravam as cassações de direitos políticos para voltar à ativa. Ele, no entanto, desistiu da candidatura por sofrer pressão dos militares, que ameaçavam lançar à população denúncias falsas de corrupção em sua administração, o que acabaria por desmoralizá-lo.

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12 de junho de 1935 – Termina a Guerra do Chaco

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Após meses de negociações, chegou ao fim o maior conflito sul-americano do século XX, a Guerra do Chaco (1932-1935). Travada entre o Paraguai e a Bolívia pela disputa do território do Chaco Boreal, a guerra terminou com saldo de 55 mil pessoas mortas, do lado derrotado boliviano, e 40 mil mortos do lado vencedor.

“Estão, finalmente, suspensas as hostilidades! De acordo com a cláusula final do Pacto da Paz, assinado em Buenos Aires, os exércitos paraguaio e boliviano, que já haviam estabelecido uma trégua preliminar de confraternização, a partir de hoje estarão irmanados sob o pálio da concórdia” (JB, 14/06/1935).

A soberania sobre o Chaco Boreal, antes do fim da guerra, era confusa. Situado na bacia do Rio da Prata, e banhado pelo Rio Paraguai – único acesso destes dois países interioranos ao Oceano Atlântico -, o território tinha pontos de exploração e dominação paraguaia, iniciada na década de 20, como vias de escoamento de mercadorias até o Rio Paraguai, e áreas de domínio da Bolívia, que reclamava a posse da região desde o final do século XIX.

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Mapa da região do Chaco Boreal


O estopim para o conflito armado foi a descoberta de petróleo na zona ocidental do Chaco. A companhia norte-americana Standard Oil, que explorava petróleo na região, levantou a possibilidade de existência de uma grande reserva do combustível fóssil ao leste, sob o solo plano e úmido de domínio paraguaio. O governo boliviano, assim, reclamou a posse total do território, incluindo o domínio exclusivo sobre o Rio Paraguai, levantando reivindicações antigas, ainda do tempo da dominação espanhola na região, quando o Chaco fazia parte do então futuro país.

Em julho de 1932, o Exército boliviano, que se preparava para a guerra desde 1930, ocupou um forte paraguaio, dando início ao conflito. Após três anos de derramamento de sangue, Bolívia e Paraguai assinaram um acordo em Buenos Aires, que teve importante mediação do Brasil, Argentina, Chile e Estados Unidos. Com a assinatura do documento, o Paraguai passava a ter soberania total sobre o Chaco Boreal, apesar de dividir o acesso ao rio homônimo com a Bolívia.

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11 de junho de 1996 – A tragédia no Osasco Plaza Shopping

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Às onze e quinze da manhã, centenas de jovens faziam compras para o Dia dos Namorados, e outras tantas pessoas almoçavam na praça de alimentação do Osasco Plaza Shopping, na Grande São Paulo. Em meio às garfadas dos clientes que realizavam a maior refeição do dia, e das passadas apressadas dos apaixonados que caminhavam em busca do presente perfeito, um inimigo invisível se alastrava silencioso, prestes a provocar uma grande tragédia.

Uma pequena abertura em um dos dutos de gás de uma lanchonete da praça de alimentação causou uma grande explosão no centro comercial, seguida de desabamento. Das 42 pessoas mortas, onze eram crianças de uma escola vizinha, as quais costumavam cortar caminho pelo local. O saldo de feridos foi de 380 pessoas, em sua maioria jovens e crianças

Funcionários do shopping, que fora inaugurado em abril do ano anterior e no qual circulavam cerca de 50 mil pessoas por dia, reclamavam de um forte cheiro de gás, sentido pela primeira vez dez dias antes do acidente. Depois da correria e do choro de quem escapara ileso da tragédia, um mutirão de voluntários foi organizado na busca por sobreviventes em meio aos destroços e à poeira. À noite, o Corpo de Bombeiros cercou o local para evitar a entrada de civis em uma área de grande risco de novos desabamentos.

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A administração do shopping nos anos seguintes à explosão, afirmou ter pago R$ 25 milhões em indenizações às vítimas do desastre, apesar de ter relegado a culpa do acidente à distribuidora Ultragás. Em 2005, quando o julgamento dos indiciados finalmente aconteceu, a Justiça absolveu todos os réus do processo.

Hoje, o Osasco Plaza Shopping funciona normalmente, após ter passado por uma reforma estimada em R$ 5 milhões.

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10 de junho de 1988 – Governo da Coréia do Sul esmaga passeata estudantil

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Faltando 99 dias para o início das Olimpíadas da Coréia do Sul, cerca de 500 pessoas foram detidas e 100 ficaram feridas em violentos confrontos com que dezenas de milhares de policiais conseguiram impedir que outros tantos estudantes deixassem a capital rumo à fronteira com o vizinho do Norte. A marcha, destinada a negociar com uma delegação norte-coreana a promoção conjunta dos jogos Olímpicos daquele ano e estimular o processo de reunificação dos dois países, havia sido proibida pelo governo.

As batalhas do dia dez foram precedidas por quatro horas de confronto entre estudantes da Universidade de Yonsei e policiais, que resultaram em 134 feridos e 600 jovens detidos. A agitação maior ocorreu na capital, Seul, mas acredita-se que ao menos 20 mil estudantes, de universidades de todo o país, tenham participado de embate com as forças do governo.

Na Universidade de Yonsei, cerca de 10 mil jovens passaram a noite e iniciaram o dia com um comício que deveria terminar em caminhada até a estação ferroviária. De lá, seguiriam para a cidade fronteiriça de Panmunjon, na zona desmilitarizada entre as duas Coréias. Os manifestantes, porém, foram barrados na porta da universidade por quatro mil agentes antimotim.

A onda de protestos tinha começado no ano anterior. Nessa ocasião, o então presidente Chun Su Hwan (1980-1987), que assumira o poder mediante um golpe militar, anunciara um sucessor que seria referendado por um colégio eleitoral obediente. Aos poucos o povo da Coréia ia ganhando mais liberdade política, enquanto a economia sul-coreana crescia exponencialmente. Assim, ao término do mandato de Hwan, Roh Tae Woo abraçava a cadeira de Chefe de Estado, iniciando, graças a uma forte pressão popular, uma era de redemocratização no país.

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9 de junho de 1999 – Otan e Iugoslávia assinam acordo de paz

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Na noite do dia nove de junho foi assinado o acordo de paz que punha fim ao segundo e último conflito da Guerra do Kosovo, travado entre a Organização do Atlântico Norte (Otan) e a Iugoslávia. Após este documento, fechado entre representantes militares de ambos os lados, ficava estabelecido que a república da Sérvia, pertencente à federação iugoslava, retiraria suas tropas da província do Kosovo e que a Otan cessaria o bombardeio à Iugoslávia, iniciado em março do mesmo ano.

O texto foi assinado em uma base francesa na Macedônia, depois de dois dias de tensas reuniões. O general Marjanovic, da delegação iugoslava, declarou, em nome do governo, que o acordo significava o fim da guerra.

A Guerra de Kosovo transcorreu em dois períodos subsequentes . O primeiro (1996-1999) foi travado entre o ELK (Exército pela Libertação de Kosovo), formado, em sua maioria, por kosovares de ascendência albanesa, e tropas militares da Sérvia, que não aceitava a independência da região, que fora proclamada em 1991 pelo ELK; os Sérvios, assim, em 1998, iniciaram uma ofensiva para reaver os territórios recém-liberados. A segunda (março a junho de 1999) foi travada pela Otan, que exigira o cessar-fogo sérvio em Kosovo, e a Iugoslávia, que se negava a interromper a ofensiva.

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A guerra terminou graças à pressão internacional. Com a assinatura do acordo, uma junta organizada pela ONU assumiu o controle do Kosovo, permitindo a volta de muitos dos cerca de 990 mil exilados de ascendência albanesa, que sofreram dura perseguição durante o primeiro conflito. Na contramão, outras centenas de milhares de sérvios fugiram para Sérvia e Montenegro, temendo uma vingança dos albano-kosovares, que retornavam à terra natal.

Em fevereiro de 2008, quando a Iugoslávia já fora fragmentada em diversos países, o governo provisório de Kosovo declarou oficialmente a independência da região. No dia seguinte, Estados Unidos, França e Portugal reconheceram Kosovo como nação independente. No entanto, Rússia e Espanha, ficaram ao lado da Sérvia, que reivindica a posse sobre o território até hoje.

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8 de junho de 1990 – Copa da Itália começa com derrota da Argentina

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A Argentina, na época campeã mundial, tinha uma das melhores equipes da Copa da Itália. Na abertura da competição, o time de Dieguito Maradona encarou o misterioso Camarões, que disputava seu segundo Mundial (o primeiro foi em 1982), e foi surpreendido por uma vergonhosa derrota por 1 a 0.

Neste jogo, como era de se esperar, as atenções estavam voltadas para os campeões do mundo, que fizeram uma brilhante campanha no México em 1986, e contavam com a mágica do lendário Maradona. Argentina, assim, entrou em campo esnobe, menosprezando o adversário africano que, no entanto, mostrou garra e competitividade. No auge da carreira, Maradona brilhou, mas não foi suficiente para evitar a derrota de seu time, que, armado pelo técnico Carlos Bilardo, jogou demasiadamente na defensiva. Do outro lado, porém, havia o habilidoso Biyik, ídolo de seu país e artilheiro dos leões indomáveis (como eram chamados pelo seu povo) nas Eliminatórias da Copa (marcou 5 dos 9 gols do time), que jogava com muito empenho.

Aos 21 minutos do segundo tempo, cinco minutos depois de ver um de seus colegas expulsos, Biyik aproveitou uma cobrança de falta de Ebwelle e cabeceou desequilibrado para o goleiro argentino Pumpido tomar um dos maiores frangos de sua carreira.

“Este é o dia mais importante de minha carreira. Quando a bola entrou, achei que o coração fosse explodir”, declarou o atacante que atuava no Racing francês.

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Nesta Copa, Camarões foi de fato a grande surpresa. Disputando seu segundo Mundial, a equipe avançou bravamente até as Quartas de Final, quando perdeu para a Inglaterra por 3 a 2, em um jogo dinâmico e emocionante, com viradas de ambos os lados.

Passado o susto da estréia, a Seleção da Argentina foi mais além. Fez uma excelente campanha, eliminou o fraco time brasileiro nas Oitavas de Final (1 a 0) e a anfitriã, Itália, na semi-final (também por 1 a 0), chegando ao jogo mais esperado da competição ao lado da Alemanha Ocidental – que fora vice no Mundial de 1986. Era a hora da revanche. Contando com jogadores como Klinsmann, Völler, Jürgen Kohler, o time europeu pressionou. O gol, que deu à equipe o título de tricampeã, saiu do pé de Brehme, numa bela cobrança de pênalti.

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7 de junho de 1980 – A literatura perde Henry Miller

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O escritor Henry Miller, cujo primeiro romance, Trópico de Câncer (1934), conquistou a admiração dos críticos e valeu ao autor o desprezo de toda uma sociedade, morreu no dia sete, aos 88 anos, nos braços de seu mordomo.

O consagrado escritor nasceu nos Estados Unidos, filho de um alfaiate alemão. Quando o pai lhe deu dinheiro para ir à faculdade, Miller fugiu com quem se tornaria sua primeira mulher (ele se casou cinco vezes), uma dama que tinha idade para ser sua mãe.

Miller foi o último representante de uma estirpe de grandes escritores da literatura norte-americana, como Hemingway e Faulkner. Condenado e perseguido, acusado de pornografia, ele proclamava a “absoluta inocência” dos valores existenciais do sexo, e terminou por impô-los nos seus escritos.

“O sexo, o sexo”, repetia, “é só o que existe”. Mas acrescentava: “O tema de meus livros não é o sexo, e sim a libertação do eu”. A libertação sexual, assim, tornava-se uma etapa no longo caminho para a plenitude da integração de sacro e do profano, para o encontro consigo mesmo, e por conseguinte com Deus.

Antes de se tornar escritor, Miller fez de tudo: de empregado de uma loja de vaqueiros, mineiro, carteiro e repórter. Sempre escreveu em oposição à sua mãe: “Eu a odiei em toda a minha vida. Era uma mulher rígida, puritana, nunca nos demos bem. Nunca leu nada do que eu escrevi porque eu não queria tornar-me um alfaiate como meu pai e assumir o seu lugar”. Acima de tudo, porém, odiava o puritanismo dela.

Diante das proibições e perseguições que encontrou no caminho ao defender suas obras, ele se limitava a citar a Epístola de Paulo aos Romanos, XIV: “Não há nada impuro em si, mas para aquele que julga alguma coisa impura, ela é impura”.

A obra de Miller se caracteriza por um estilo retórico, febril e desordenado, que o tornou um mestre da literatura norte-americana. Mas não foi sempre assim, e para chegar a isso, muitas páginas foram jogadas fora antes de Trópico de Câncer, mas nada se perdeu com isso, pois o grande escritor nasceu na hora em que começou a escrever as primeiras páginas deste livro.

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6 de junho de 1968 – A morte leva outro Kennedy

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Pela terceira vez em um curto espaço de tempo, a sombra da tragédia política se abateu sobre os Estados Unidos. Robert Kennedy, irmão do presidente assassinado, John Kennedy, teve a vida tomada à força por balas disparadas por um fanático, para quem os ideais de igualdade étnica, paz e justiça social, defendidos pelo jovem senador norte-americano, nada significavam.

Bob Kennedy morreu um dia depois de ter levado três tiros na cozinha de um hotel em Los Angeles, logo após discursar para uma multidão de partidários democratas em comemoração a sua vitória nas eleições.

O autor dos disparos, Sirhan Bishara Sirrhan, declarou, ao ser preso, que odiava Bob Kennedy por odiar todas as pessoas que tinham dinheiro. Hoje, acredita-se que o israelense tenha matado “Kennedy segundo” devido à represália dos Estados Unidos contra Israel, na Guerra dos Seis Dias (1967).

A morte de Bob pegou os norte-americanos de surpresa. A população ainda não se havia recuperado do luto pelo assassinato do líder negro Martin Luther King, em abril do mesmo ano, e ainda não tinha se esquecido da dolorosa perda do ex-presidente John Kennedy, em 1963.

“Tenho uma péssima notícia para dar-lhes, Martin Luther King foi assassinado assim como o meu irmão. Cabe a nós, que ficamos, lutar pela causa à qual eles sacrificaram as suas vidas: A justiça e a igualdade entre os homens”.

Robert Kennedy, sétimo filho de Joseph Kennedy, foi a terceira possibilidade de realização do sonho do velho emigrante irlandês, que queria ter um filho presidente dos Estados Unidos. O mais velho – Joe – foi educado para ser político. Na Segunda Guerra, foi morto em combate. Como Joe, John também se dedicou à política, trilhou uma carreira maravilhosa, foi eleito presidente, mas não escapou do trágico destino, perfurado por uma bala de fuzil. Bob, a última esperança do velho pai, foi introduzido na política pelo irmão e se tornou um político carismático e liberal.

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Polêmica, principalmente dentro dos Estados Unidos, a imagem de Bob Kennedy sempre foi diversa no resto do mundo. Fora das fronteiras americanas, John e Bob foram sempre nomes diferentes para um mesmo ideal político, o que fez com que o nome Kennedy fosse sinônimo de democracia e fatalidade.

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5 de junho de 1975 – Reaberto o Canal de Suez

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Fechado desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967, o Canal de Suez, constante alvo de disputas entre Egito e Israel, foi reaberto na condição de águas internacionais. A volta do funcionamento do canal como área neutra tinha sido decidida em um acordo de paz assinado entre os dois países inimigos em 1973, com a intermediação das Nações Unidas.

A cerimônia grandiosa organizada pelo governo do Egito, na margem ocidental do canal, reuniu milhares de pessoas ansiosas por ver as primeiras embarcações soarem suas sirenes e avançarem pelas águas cristalinas, as quais haviam passado por um considerável período de calmaria.

O presidente Anwar Sadat, antes de reinaugurar o trânsito de embarcações no canal, afirmou que o fato era uma contribuição egípcia à paz, mas destacou que ela só existiria verdadeiramente no Oriente Médio quando Israel concordasse em devolver todos os territórios ocupados em 1967 (os quais os países árabes vizinhos tentaram reconquistar frustradamente na Guerra de Yom Kipur, em 1973).

Embora fosse tênue a linha pacífica que separava os dois países, o fato era que um importante consenso fora alcançado com a reabertura: o Egito, antigo soberano das águas do Canal, abrira mão da posse do local; e Israel, disposto a cessar as disputas sangrentas na Península do Sinai, mantivera o combinado que firmara ao permitir a livre pela mais ágil via de ligação marítima entre a Europa e a Ásia.

Esse rápido acesso à Ásia era visto pelo bloco capitalista ocidental como uma desvantagem, já que, após a abertura do Canal, a União Soviética teria uma comunicação mais direta com suas unidades navais no Oceano Índico. A OTAN, no dia da cerimônia realizada pelo Egito, declarou que as desvantagens políticas, portanto, seriam superiores às vantagens comerciais oferecidas ao bloco.

As relações entre Israel e Egito demoraram ainda três anos para se tornarem completamente pacíficas. Em 1978, com os acordos de Camp David, o país judaico foi, pela primeira vez, reconhecido por um Estado árabe, após décadas de embates políticos e religiosos.

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4 de junho de 1989 – O Massacre na Praça da Paz Celestial

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Em represália à ocupação da Praça da Paz Celestial, no Centro de Pequim, por estudantes, e o aumento da onda de protesto civil, o Exército chinês iniciou na madrugada do dia quatro uma ação violenta contra os manifestantes. Frente à resistência dos militantes que ocupavam o local havia sete semanas, a ação militar foi intensificada, provocando a morte de mais de 1.400 jovens.

Duas semanas antes do massacre, a onda de protestos foi intensificada pelos estudantes devido à presença da imprensa internacional na cidade, que cobria a visita do então líder da União Soviética, Mikhail Gorbachev. Na praça, palco da maioria dos protestos, ficam as sedes do governo, do Partido Comunista e do Parlamento.

Mesmo depois que os estudantes foram expulsos do local e esta foi ocupada por blindados, o confronto continuou nos arredores até ao amanhecer. Grupos de civis opuseram-se ao avanço dos tanques em cenas que, jamais vistas na história da China comunista, lembravam a resistência tcheca à invasão soviética de 1968. Dezenas de caminhões e jipes do Exército foram queimados pela multidão, no dia chamado de “domingo negro”.

Enquanto o mundo reagia negativamente e com pesar à ação do governo chinês, este emitiu um comunicado, veiculado pela rádio nacional, afirmando que se as tropas não tivessem intervindo “o caos não teria terminado, e teriam ocorrido mais incidentes e mais sangrentos”. Sob o regime da lei marcial, a TV e o rádio não divulgaram para a população as verdadeiras dimensões dos confrontos e das perdas humanas causadas.

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O clima na capital chinesa, após o massacre, era de revolução. Grupos civis armados, insistindo em fazer frente ao Exército – que saíam atirando contra os manifestantes, até quando estes estavam de costas fugindo da represália -, se escondiam atrás de barricadas, preparados para investir contra o inimigo fardado.

No dia cinco, um homem desarmado parou, por alguns minutos, o avanço dos tanques do Exército, em uma cena que foi fotografada por Jeff Widener e que comoveu o mundo inteiro. Após o cidadão ter sido expulso, um movimento entre os manifestantes pela dispersão pacífica começou. Com o fim do confronto, a população chinesa voltou a ser calada pelas mordaças do regime comunista autoritário.

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3 de junho de 1977 – Morre o pai do neorrealismo italiano

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Um ataque cardíaco encerrou a saga do criador do neorrealismo italiano, Roberto Rosselini, aos 71 anos de idade. Fazia poucos dias que Rosselini regressara da França, onde tinha presidido o júri do Festival de Cannes, o qual concedeu a Di Cavalvalcanti, curta-metragem de Glauber Rocha, o Prêmio Especial da temporada.

Filho de um dono de cinema, Rosselini desde cedo se interessou pela sétima arte. Foi durante a ditadura de Mussolini, na década de 30, que o jovem começou a trabalhar no ramo. Antes do início da Segunda Guerra, ele já rodara alguns curta-metragens. Foi ao fim do grande conflito mundial, no entanto, que Rosselini fez o trabalho que o consagraria para o resto de sua vida.

Em 1944, quando as tropas aliadas desembarcaram na Itália e Roma foi declarada “cidade aberta”, Rosselini decidiu filmar a história dos resistentes sob a ocupação. Sua namorada na época, Anna Magnani, futura estrela, aceitou atuar no longa mediante um pagamento simbólico. Um dos roteiristas do futuro filme de sucesso era o jovem desconhecido Frederico Fellini (Boccaccio '70; Cidade das Mulheres; Oito e meio; Amacord, etc). O sucesso Roma, Cidade Aberta, abriu as portas, não só para o reconhecimento de Rosselini como um grande cineasta – que viria a filmar os sucessos Paisà (1946) e Alemanha, Ano Zero (1947) –, mas também para uma nova maneira de encarar o cinema, e que teria profunda influência nos anos seguintes.

Sem dinheiro, Rosselini usou pessoas comuns como figurantes, enfatizando ainda mais a idéia de um cinema precário, sincero, preso às raízes, estilo reportagem, falando do povo italiano que estava vivendo numa cidade castigada pela guerra. Assim, o filme de Rosselini deu início a um movimento cultural que buscava mostrar de forma documental, embora dentro de uma cena ficcional, a realidade sócio-econômica do país no pós guerra imediato, movimento que foi continuado posteriormente por Vittorio De Sica e Luchino Visconti.


“O realismo é meu objetivo, minha maneira de ver as coisas. Quando faço um filme, meu objeto é o homem e suas ações. Por isso tento fazer uma reportagem cinematográfica da aventura humana em todas as suas latitudes. É preciso ir buscar bem fundo, dentro da realidade que o cerca e, por vezes, o sufoca, a verdade última, a chama inapagável, que anima a vida e dá sentido a todas as coisas”, explicara Rosselini certa vez.

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2 de junho de 1995 – Acaba a greve dos petroleiros

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Trinta e um dias após ser iniciada, a maior greve já realizada pelos petroleiros no Brasil terminou sem nenhum ganho para os trabalhadores. Uma mensagem enviada aos sindicatos pela Federação Única dos Petroleiros (FUP) recomendou a volta ao trabalho mesmo sem a garantia de reintegração dos demitidos durante o movimento. No dia anterior, a Petrobrás abriu concurso para novos profissionais, alegando abandono de emprego dos seis mil petroleiros (número divulgado pela empresa na época) que permaneciam sem trabalhar.


Quando a greve começou, os petroleiros exigiam cumprimento de acordo firmado em novembro do ano anterior com o presidente Itamar Franco, que previa reajuste de até 18% do salário da classe, e que tinha sido desrespeitado pela gestão de Fernando Henrique. Durante o movimento, o Exército ocupou algumas das refinarias paradas Quando a paralisação acabou, os manifestantes passaram a reivindicar o pagamento das horas que ficaram sem trabalhar, o perdão à multa de R$ 100 mil por dia, determinada pelo Tribunal

Superior do Trabalho, e a revisão das 104 demissões. Numa reunião marcada para o dia seguinte, a Petrobrás concordou em rever algumas das demissões já efetivadas, recusando-se, no entanto, a readmitir todos. No final, o saldo de pessoas que ficaram sem emprego foi de 74 petroleiros.

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Em Cubatão, São Paulo, a refinaria de Presidente Bernardes permaneceu em estado de greve. Os manifestantes, mesmo após a decisão FUP, decidiram não voltar ao trabalho, fazendo um novo protesto na porta da refinaria.


“Acho que nós perdemos a oportunidade de parar, e parar com palavras do ordem e comando, com palavras de ordem da CUT, porque a greve era justa”, afirmou Luiz Inácio Lula da Silva, na época presidente do PT. Durante a greve, Lula tentou intermediar o atendimento às reivindicações dos petroleiros e o fim da paralisação.

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1 de junho de 1973 – Proclamada a República na Grécia

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O primeiro-ministro George Papadopoulos aboliu a monarquia e proclamou a República da Grécia, assumindo a Presidência e acusando o Rei Constantino de tentativas de golpe e “imperdoável falta de maturidade”. Constantino estava exilado em Roma desde 1967, quando tentou aplicar um contra-golpe ao governo direitista vigente, no poder desde a insurreição de 1965.

“O governo decidiu abolir a monarquia devido à óbvia oposição da grande maioria do povo em manter o sistema de democracia coroada na Grécia, circunstâncias sob as quais o Rei saiu do país”, explicou o novo presidente.

Numa mensagem de dez minutos à nação, Papadopoulos convocou um plebiscito nacional para dois meses mais tarde, quando o povo julgaria sua decisão. Prometeu ainda eleições parlamentares para fins de 1974. Quando proclamou a República, Papadopoulos estava no poder desde 1967, ocasião em que ajudou o Exército a aplicar um golpe de Estado no governo vigente.

“O mandato confiado à revolução era o de criar uma nova base de desenvolvimento econômico, estimulando a iniciativa privada, assegurar a ordem e a paz, e reforçar a defesa nacional. Porém, agora, o que urge é sanear a vida política do país. O regime que se instaura será o regime do povo e trabalhará para o povo”, declarou o novo Presidente à nação. Papadopoulos concluiu seu discurso anunciando a proclamação da República – a segunda da história do país, depois da que durou onze anos (1924-1935).

Papadopoulos, apesar das promessas de democracia, governou com tirania até o ano seguinte. Ao recusar apoio financeiro dos Estados Unidos, foi vítima de outro golpe militar, que colocou no poder o general Dimitrios Ioannidis – homem importante no quadro político grego desde a insurreição de 1967; Ionnidis, porém, preferia ficar nos bastidores do governo, deixando Papadopoulos governar durante os seis anos que se seguiram.




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