Arquivo de August 2010

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31 de agosto de 1997 – Morre Lady Di, a "Princesa do Povo"

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Na madrugada do último dia de agosto de 1997 uma tragédia emocionou o mundo. Lady Diana Spencer, a Princesa de Gales, morria em um acidente automobilístico em Paris, enquanto fugia desesperadamente de paparazzi sedentos por ângulos escusos e inéditos do ícone global de beleza e elegância. O corpo da princesa loura, simpática e sorridente foi levado para a Grã-Bretanha poucas horas após sua morte, acompanhado de um abalado Príncipe Charles.

“As pessoas em todo o mundo a amavam”, declarou o primeiro-ministro Tony Blair com voz trêmula. A comoção popular deixou o túnel no qual aconteceu o acidente, repleto de flores de todos os tipos. Nos jardins do Palácio de Kensington, onde a princesa morava desde que se divorciou do herdeiro do trono britânico, a quantidade de flores era tão grande que precisou ser carregada em caminhões.

A morte ao lado do namorado egípicio Dodi Al-Fayed interrompeu uma sucessão de dramas e equívocos expostos cruelmente pela imprensa sensacionalista britânica que fez dela seu personagem favorito: mulher fascinante desabrochando após um infeliz casamento, “rainha dos corações” dos súditos britânicos e ao mesmo tempo vítima dos implacáveis rituais do imaginário coletivo. Elevada pela mídia à condição de mito vivo, acossada pela mesma mídia até a morte.

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Diana morreu como viveu os últimos anos de sua existência: correndo em busca da felicidade e fugindo desesperadamente dos fotógrafos. Sua morte, nestas condições, deflagrou um debate sobre a invasão de privacidade gerada pela ânsia dos jornais populares em publicar fotos da mulher mais admirada do mundo, pela qual estariam dispostos a pagar milhões de dólares, como vinha acontecendo.


“Não imaginava que o assédio pudesse ser intenso a ponto de se tornar insuportável. Vou reduzir minhas atividades públicas. No ano que vem, a prioridade será cuidar dos meus filhos”, declarara Lady Di no ano anterior, sem, no entanto, conseguir cumprir a promessa.


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30 de agosto de 1994 – Senado aprova emenda contra crime hediondo

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Em votação simbólica, o Senado aprovou projeto de lei considerando os homicídios qualificados (praticados com crueldade) e os homicídios praticados por grupos de extermínio como crimes hediondos. Isso significa que os acusados que forem condenados pela prática desses crimes perderiam os benefícios previstos em lei, como anistia, graça, indulto, fiança e liberdade provisória.

Desse modo, as sentenças teriam que ser cumpridas integralmente, em regime fechado. Para entrar em vigor, o projeto dependeria apenas da sanção presidencial, a qual foi concedida pouco tempo depois.

As mães de três vítimas deste tipo de crime e que batalharam pela sua aprovação estiveram no Senado: a escritora Glória Perez, mãe da atriz Daniela Perez, a dona-de-casa Jocélia Brandão, mãe de Mirian Brandão, que foi sequestrada e morta aos 5 anos, a jornalista Valéria Velassa, mãe de Marco Antônio Velassa, 16 anos, morto por uma gangue de rua em Brasília. As três estavam visivelmente emocionadas ao fim da rápida votação.

“Foi uma vitória da sociedade através de uma trabalho que a Glória Perez começou”, comentou Valéria. “Hoje, o Senado deu resposta a 1,3 milhão de pessoas”, afirmou Glória Perez, a qual promoveu uma campanha nacional para conseguir assinaturas em favor da emenda após o assassinato da sua filha. A atriz Daniela Perez foi assassinada a golpes de tesoura por seu ex-namorado Guilherme de Pádua, auxiliado pela esposa de 19 anos Paula, em dezembro de 1992. Ambos foram condenados a apenas 19 anos de prisão.

Apesar da nova lei não ter sido válida para os assassinos de Daniela, os quais foram soltos em 1999, após terem cumprido apenas um terço da pena, ela contribuiu para julgamentos posteriores.


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29 de agosto de 1982 – Morre a talentosa Ingrid Bergman

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Após lutar incansavelmente durante seis anos contra um câncer, a premiada atriz Ingrid Bergman não resistiu às investidas de seu inimigo silencioso e morreu no dia em que completava 67 anos. Ao falecer, em Londres, a estrela sueca deixou um exemplo de coragem e perseverança que só não foi seu maior legado porque seu talento foi um dos mais ricos da história do cinema.

- Ingrid? – costumava dizer Alfred Hitchcock, seu diretor em Quando fala o Coração (1945) e Interlúdio (1946). – Nunca duvide de que ela seja capaz de se superar, a cada filme. Ela vive caminhando para a perfeição.

Na época em que Hitchcock fez este comentário, Hollywood já começava a renunciar à suas grandes atrizes em benefício dos “símbolos sexuais” que pareciam poderosas armas na guerra da indústria contra a concorrência da televisão. Curiosamente, foi quase como um símbolo sexual que Bergman foi parar em Hollywood. O famoso produtor de cinema Selznick mandou buscá-la na Suécia, esperando transformá-la numa nova Greta Garbo. No entanto, a semelhança entre as duas era menor do que se pensava.


- Naquela época os americanos acreditavam que todas as mulheres suecas eram como Greta – lembraria Ingrid alguns anos depois – Por isso ficaram surpresos ao descobrirem que eu falava o tempo todo e adorava rir.


Talento e personalidade eram a mistura perfeita. A atriz, que foi premiada com três Oscar – À Meia Luz (1944), Anastácia, a Princesa Esquecida (1956) e Assassinato no Orient Express (1974) – trabalhou até pouco antes da morte. Em 1982, ela que foi casada com o diretor italiano Roberto Rosselini, se despediu das câmeras interpretando Golda Meir para uma produção televisiva chamada A Woman Called Golda. Em seu currículo ficou a marca expressiva de quarenta e cinco filmes, oito peças de teatro e quatro especiais para a televisão.


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28 de agosto de 1979 – Sancionada a Lei da Anistia

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Há exatos 32 anos, o Presidente João Figueiredo sancionou a Lei 6.683, popularmente conhecida como Lei da Anistia, durante uma reunião com alguns ministros. A promulgação da lei em agosto de 1978 foi um símbolo do sucesso de uma campanha popular e política de oposição ao regime militar, travada em meados de 1968, quando o “governo revolucionário” aumentara ainda mais a repressão e censura no Brasil, principalmente após ter entrado em vigor o AI-5.


É concedida anistia a todos quantos, no período compreendido entre 2 de setembro de 1961 e 15 de agosto de 1979, cometeram crimes políticos ou conexos com estes, crimes eleitorais, aos que tiveram seus direitos políticos suspensos e aos servidores da Administração Direta e Indireta, de fundações vinculadas ao poder público, aos Servidores dos Poderes Legislativo e Judiciário, aos Militares e aos dirigentes e representantes sindicais, punidos com fundamento em Atos Institucionais e Complementares”, vinha escrito no Artigo 1º.


No Brasil e no mundo não tardou para que beneficiários da nova Lei começassem a voltar para suas casas. Assim que soube por um telex da sanção da nova lei, o juiz Theódulo Miranda, no Recife, mandou soltar imediatamente quatro presos políticos por ela beneficiados. Revogou também os mandados de prisão expedidos contra 101 pessoas, entre as quais Miguel Arraes, Francisco Julião e Gregório Bezerra.


Em Porto Alegre, o Presidente da Câmara Municipal apenas esperou a notícia se confirmar no programa de rádio Voz do Brasil, para que reempossasse em seus mandatos alguns vereadores cassados em 1977 pela Justiça Militar.


Na expectativa de retornar ao Brasil, Leonel Brizola, que estava em Lisboa, logo entrou com pedido para reaver seu passaporte. "Só mesmo quando chegar lá e ouvir português brasileiro à minha volta, ver aquelas caras familiares do nosso povo, é que perceberei que finalmente cheguei em casa. Por enquanto só consigo entender que uma coisa boa me espera", declarou ele.


A nova lei, no entanto, não anistiava a todos os exilados e presos políticos. Estabelecia algumas restrições. A anistia plena e completa apenas viria em 1985, com o restabelecimento do governo civil.

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27 de agosto de 1975 – Houaiss é eleito para a ABL

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O filólogo, tradutor e enciclopedista Antônio Houaiss, após proferir o mais breve discurso da história da Academia Brasileira de Letras até então, foi empossado na Cadeira 17 da ABL, numa solenidade em que, ao contrário do que ainda se vê, repleta de jovens na platéia.

“Se algumas lições a vida me deu, uma delas é esta: em momentos assim, é mister ser breve”, disse quando começou a falar.

Dos 40 acadêmicos que formavam o quadro de imortais, 17 estiveram ausentes na cerimônia de posse. A Cadeira 17, já ocupada por Roquete Pinto e Álvaro Lins (hoje ocupada pelo diplomata Affonso Arinos de Mello Franco), tem como patrono Hipólito da Costa e, como fundador, Sílvio Romero.

Na noite da solenidade, Houaiss foi um dos primeiros a chegar na Academia. Em seu discurso, o intelectual traçou um denominador comum entre os ocupantes anteriores de sua Cadeira: “Todos se puseram a serviço da política do país; todos viram na cultura nacional a sua razão maior de ser; todos agiram através de uma visão crítica do nosso meio; todos advogaram uma causa em que creram sem subterfúgios”.

O trabalhador das palavras

Antônio Houaiss gostava de definir-se como “humilde operário das letras”. Filho de libaneses, em sua vida o filólogo foi tradutor, professor, diplomata, enciclopedista, gourmet e Ministro da Cultura (1992-1993). Em 10 anos, Houaiss escreveu 19 livros e ainda elaborou duas das mais importantes enciclopédias do país: Delta-Larrousse e Mirador Internacional. Um dos trabalhos pelo qual ficou conhecido foi a tradução de Ulisses, romance de James Joyce, publicado no Brasil em 1965.


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26 de agosto de 1978 – João Paulo I é eleito Papa

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Após três escrutínios, numa das mais rápidas eleições da história da Igreja Católica até então, os 111 cardeais do Vaticano escolheram o 262º sucessor de São Pedro, o Cardeal Albino Luciani, Patriarca de Veneza, 65 anos, que tomou o nome de João Paulo I, numa homenagem a seus dois antecessores. Sua coroação seria em oito dias.

A rapidez da eleição provocou uma hora de dúvida na Praça de São Pedro, onde os fiéis e os jornalistas não conseguiam distinguir a cor da fumaça que saía da chaminé da Capela Sistina: de início escura, depois cinzenta e finalmente branca, mas turva, depois de mais 20 minutos.

Às 19h22 de Roma (14h22 de Brasília), o protodiácono do Sacro Colégio dos Cardeais adiantava-se na sacada da basílica de São Pedro para proclamar ao mundo que os católicos tinham um Papa; oito minutos depois, João Paulo I mostrava-se ao aplauso e alegria dos fiéis, de início tímido e recolhido, para, depois da bênção, saudá-los de braços abertos e com largo sorriso.


A escolha do conclave recaiu sobre um Cardeal de experiência exclusivamente pastoral, que nunca tinha ocupado nunciaturas ou cargos na Cúria (órgão administrativo da Santa Sé). Filho de um pedreiro socialista, o novo Papa era um moderado, adversário dos comunistas e radicais, de grande flexibilidade cultural e sólida formação teológica.


João Paulo I era defensor da tradição e ortodoxia da Igreja, condenando rigorosamente as aberturas no campo do controle da natalidade, do celibato e de outros princípios que começavam a ser discutidos na época. O Papa, no entanto, não teve muito tempo para colocar em prática suas metas para o Pontificado. Trinta e três dias após ter assumido o cargo mais alto da Igreja, João Paulo I sofreu um ataque cardíaco e faleceu, exercendo o papado mais breve da história.


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25 de agosto de 1961 – Jânio renuncia à Presidência

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Após sete agitados meses como Chefe de Estado e apenas seis dias depois de ter condecorado o líder comunista Che Guevara, Jânio Quadros renunciou à Presidência da República. Como seu vice, João Goulart, estava em visita à China, o presidente da Câmara Ranieri Mazzili assumiu interinamente o governo.

A renúncia de Jânio foi anunciada ao país pelo seu Secretário de Imprensa, o qual convocou jornalistas ao Palácio do Planalto para entregar-lhes o documento oficial assinado pelo Presidente na véspera. Em seu comunicado, Jânio declarava: “Fui vencido pela reação e, assim, deixo o Governo. (...) Sinto-me esmagado. Forças terríveis levantam-se contra mim e me intrigam ou infamam”.

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Ele jamais especificou estas forças que o levaram a abandonar o governo. O mais aceito sobre os motivos de Jânio é que a renúncia se tratou de uma manobra política fracassada. Ele, que tinha minoria no Congresso, teria renunciado na esperança de que os parlamentares o chamassem de volta concedendo-lhe maiores liberdades Executivas, temendo a posse de Goulart – o qual tinha uma rixa política com os militares, que o consideravam demasiadamente esquerdista. O Congresso, no entanto, não caiu na armadilha, aceitando de imediato sua renúncia.


Com a saída de Jânio, uma grave crise política se abateu sobre o Brasil. Enquanto Mazzili assumia a Presidência, Brizolla, no Sul do Brasil liderava a “Campanha da Legalidade”, a qual defendia a posse de João Goulart, assim que este pisasse no país. De fato, Jango assumiu, mas a revolta da oposição conservadora de maioria militar cresceu ao longo dos anos, culminando no Golpe de 64.


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24 de agosto de 1992 – CPI abre caminho para impeachment de Collor

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No mesmo dia em que uma passeata promovida pelo PDT, liderada por Brizolla, reunia mais de 2 milhões de pessoas no centro do Rio de Janeiro a favor do impeachment de Collor, a Comissão Parlamentar de Inquérito do PC concluiu, por meio de relatório, que o então Presidente teve conhecimento das atividades ilegais de PC Farias e foi omisso no “seu dever funcional de zelar pela moralidade pública”.

Por considerar que Collor recebeu “vantagens econômicas indevidas”, o documento deixou aberto o caminho para que a Procuradoria Geral da República processasse o presidente por corrupção passiva e que a Câmara dos Deputados instaurasse seu processo de impeachment, que seria concluído no fim do ano. Ao final das cinco horas de leitura das 360 páginas do relatório, o relator, então Senador Amir Lando (PMDB), declarou: “Espero que esta nação não fuja dessas verdades”.


“Ficou evidente que o Sr. Presidente da República recebeu vantagens econômicas indevidas, quer sob forma de depósitos bancários feitos nas contas de sua secretária Ana Aciole, da sua esposa, da sua ex-mulher, da sua mãe e da sua irmã, quer sob a forma de recursos financeiros para aquisição de bens (...). Recursos estes originários direta ou indiretamente do Sr. Paulo César Farias. Omitiu-se em conseqüência, o Chefe do Estado do seu dever funcional de zelar pela moralidade pública e de impedir a utilização de seu nome por terceiros para lograrem enriquecimento sem causa”, vinha em um trecho do relatório.


As denúncias contra Collor, investigadas pela CPI, partiram de seu irmão, Pedro Collor, que meses antes havia desmascarado um esquema de corrupção e tráfico de influência operado por Paulo César Farias, tesoureiro de sua campanha presidencial, o que ficou conhecido como “Esquema PC”. Em dezembro, mesmo após a abdicação de Collor à Presidência, o mesmo foi condenado pela Justiça e teve seu mandato cassado e suspenso por oito anos. Eleito como Senador em 2006, hoje Collor é candidato ao governo de Alagoas, pelo PTB.


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23 de agosto de 1988 – Morre o “Mulato” do Modernismo

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Último remanescente da histórica Semana de Arte Moderna (1922), marco do movimento modernista no Brasil, o escritor Menotti Del Picchia morreu na madrugada do dia 23 de agosto, aos 96 anos de idade, de insuficiência cardíaca.

O autor do célebre poema sertanista Juca Mulato (1917) nasceu no interior de São Paulo. Após a I Guerra Mundial aproximou-se do núcleo que faria a Semana de Arte Moderna, da qual foi um ferrenho participante e aguerrido divulgador, escrevendo vários artigos no jornal Correio Paulistano, sob pseudônimo Hélios.

Juca Mulato, assim que foi escrito, logo caiu no gosto popular, dado a sua fácil comunicabilidade. Na Semana de Arte Moderna, Menotti discursou atacando o Parnasianismo e o Romantismo, o Futurismo e Marinetti e defendendo o progresso e a Modernidade.

Em 1923 propôs para o país um nacionalismo “integralizador” de todas as contribuições estrangeiras no Brasil, tese que, em 1925, criaria o movimento Verde Amarelo, cisão do Modernismo liderada por Menotti, Cassiano Ricardo, Plínio Salgado e Cândido Mota Filho. Um movimento conservador, direitista e patriotista. Combatia o futurismo e a poesia Pau-Brasil de Oswald de Andrade, lançada em 1924, vista como diluição do Dadaísmo francês.

A fase nacionalista do poeta de Juca Mulato está presente nos poemas Chuva de Pedra (1925) e República dos Estados Unidos do Brasil (1928) e nos livros O Curupira e O Carão, escrito junto com Plínio Salgado e Cassiano Ricardo.

“Menotti foi uma figura múltipla, de muitas habilidades. Suas crônicas, antes, durante e depois da Semana de Arte Moderna, valem como um diário do Modernista”, disse o historiador Mário da Silva Brito depois de sua morte.



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22 de agosto de 1981 – Morre Glauber, o gênio do cinema brasileiro

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Exilado em Portugal desde o início da década de 70, Glauber Rocha, o maior cineasta que o Brasil já teve, voltou a seu país para morrer. Transferido já doente de Lisboa para uma clínica no Rio de Janeiro, com septicemia e choque bacteriano, Glauber resistiu três dias até que a morte o levasse de vez. “Um dos mais extraordinários, lúcidos e honestos intelectuais desse país”, escreveu o médico no atestado de óbito do Homem.

Controvertido, polêmico, considerado dos mais geniais cineastas brasileiros, Glauber foi, em seu funeral, protagonista também de um filme. Ele que procurou fazer da morte de Di Cavalcanti uma obra de arte, que revolucionou o cinema brasileiro, seria desta vez o tema de uma homenagem, registro indispensável decidido por cineastas e representantes da Embrafilme.


Gênio, louco, radical, apocalíptico, caótico, santo guerreiro ou dragão da maldade, Glauber parece ter sido um produto de suas contradições. Foi o mais importante nome da história do nosso cinema e reconhecia isso. Desde que Fritz Lang (Metrópolis, 1927) e Luis Buñuel (O cão Andaluz, 1928) reconheceram em Deus e o Diabo na Terra do Sol (1963) uma obra-prima ao nível das melhores já produzidas no mundo, nunca mais teve dúvidas de sua genialidade. Com Deus e o Diabo ganhou prêmio de melhor diretor em Cannes, no ano seguinte, por unanimidade.


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Veja mais fotos de Glauber aqui



Em Terra em Transe (1967), no entanto, Glauber recebeu críticas negativas ferrenhas dos intelectuais brasileiros, que acusaram-no de louco, mistificador ou irresponsável. Ali Glauber critica a conjuntura brasileira pré-golpe de 64, incluindo todos os que participaram, de alguma forma deste processo, incluindo camadas da esquerda brasileira.


Os senhores que antes me chamaram de gênio, agora me chamam de burro. Devolvo a genialidade e a burrice. Sou um intelectual subdesenvolvido como os senhores, mas, diante do cinema e da vida, tenho pelo menos coragem de proclamar minha perplexidade”, escreveu ele.

As críticas não contiveram o gênio. Logo depois, lançou Câncer, O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro, Cabeças Cortadas, todas obras-primas, premiadas, discutidas e reverenciadas por críticos e espectadores do mundo inteiro.





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21 de agosto de 1940 – Morre o revolucionário Leon Trotsky

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Após ter escapado de diversas tentativas de assassinato ordenadas pelo homem mais poderoso da União Soviética, Josef Stalin, um dos maiores líderes da Revolução Russa (1917), Leon Trotsky, não resistiu à armadilha preparada pelo agente stalinista Ramón Mercader e morreu após levar um golpe de picareta no crânio.

Seis meses antes da morte de Trotsky, o comunista espanhol Mercader, enviado pelo GPU (Diretório Político Unificado do Estado soviético), começou a aproximar-se do ex-líder russo, exilado no México havia quatro anos. Usando um nome falso, Mercader se passou por um trotskista que tentava implantar mudanças comunistas na França, ganhando, em pouco tempo, a confiança de Trotsky e seus companheiros.

No dia 20 de agosto, o agente de Stalin foi à casa de seu alvo com o pretexto de mostrar um artigo a seu suposto ídolo revolucionário. Além do texto, o assassino levava consigo uma picareta e uma pistola, escondidas sob a jaqueta, à residência bem conhecida na Cidade do México. Segundo Mercader, ele esperou Trotsky distrair-se com as palavras do texto para aplicar-lhe o golpe fatal. O fundador do Exército Vermelho, no entanto, não faleceu de imediato, como seu assassino previra: ensangüentado e à beira da morte, Trotsky teve tempo de impedir seus seguranças – que chegaram ao local do crime após ouvirem gritos – acabarem com a vida de Mercader.

Seus guarda-costas tentaram convencê-lo que o ferimento era superficial, mas Trotsky discordou: “Não, sinto que desta vez eles conseguiram”. E morreu no dia seguinte.


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Trotsky e a Revolução

Com apenas 17 anos o jovem Leon Davidevich iniciara sua vida de militante ao se tornar líder da União de Operários, ao sul da Rússia. Em 1898 foi preso e, na cadeia, ao ler obras de Beltov e Marx, converteu-se ao marxismo. Quatro anos depois, conseguiu fugir do cárcere e obter um passaporte falso, com nome de Leon Trotsky.


Com suas idéias revolucionárias, o rapaz se infiltrou nos grupos políticos comunistas na agitada Rússia pré-revolucionária e, posteriormente, ao lado de Lênin, promoveu a Revolução na Rússia, fundando o governo soviético neste país.

Mesmo antes da morte de Lênin, Stalin já assumia papel de grande importância dentro do Partido Comunista, ao contrariar a idéia de Trotsky da revolução permanente e defender a implantação do comunismo em um só país. Após a morte do ícone bolchevista, Trotsky foi expulso do partido e Stalin assumiu o poder. Perseguido e ameaçado, assim como a maioria dos opositores políticos do novo ditador, Trotsky partiu para o exílio e ali viveu até que seu eterno rival conseguisse dar fim à sua história de luta e revolução.


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20 de agosto de 1988 – Termina a guerra Irã-Iraque




Os 350 observadores militares da ONU tomaram posição ao longo da frente de guerra Irã-Iraque para fiscalizar o cessar-fogo que entrou em vigor no dia 20 de agosto, após oito longos anos de derramamento de sangue. As hostilidades entre as duas nações já haviam sido formalmente suspensas no início do mês, quando o Irã, lado mais prejudicado do conflito, acatou à decisão do Conselho de Segurança e assinou um acordo de paz com o seu inimigo histórico, o Iraque.


Cessado o conflito, o Iraque retomou quase imediatamente o fluxos de navios mercantes no Golfo Pérsico, cujas águas ficaram fechadas aos barcos de bandeira iraquiana pelas lanchas da Guarda Revolucionária iraniana. O país de Saddam Hussein também anunciou nesse dia a reabertura do aeroporto de Basra , que fora fechado durante a guerra devido ao constante bombardeio que arrasara a cidade.



Os observadores das Nações Unidas, distribuidos ao longo dos pontos estratégicos da fronteira entre os dois países, foram divididos em 16 grupos de patrulha. Desta forma, sob constante vigilância, Irã e Iraque respeitaram o acordo e deixaram a conflituosa região descansar – por curtos três anos, já que em 1991 seria iniciada a primeira Guerra do Golfo.


Mas enquanto não chegava o dia do novo confronto, o qual mobilizaria grande parte do Oriente Médio, dividido em nações que apoiavam os Estados Unidos de George Bush [pai] e países que decidiram reforçar o contingente militar do Iraque de Saddam, (o qual reivindicava para si a soberania sobre o Kwait), o território da antiga Mesopotâmia descansava em paz e comemorava o final da longa guerra, cujo saldo de mortos foi de mais de 1 milhão de pessoas.


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19 de agosto de 1976 – Bomba explode na ABI

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Em um momento em que o Brasil estava prestes a entrar no processo de redemocratização, promovido pelo governo Geisel, um grupo rebelde conservador tentou ameaçar a iniciativa por meio de terrorismo. No dia 19 de agosto, explodiu uma bomba implantada no banheiro do sétimo andar do prédio da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Centro do Rio de Janeiro. Horas mais tarde, outra bomba foi encontrada pelas autoridades, desta vez na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), tendo sido desativada a tempo.

Na ABI ninguém se feriu, embora oito pessoas estivessem no andar e a explosão tenha destruído completamente dois banheiros e abalado a estrutura do prédio.



Na tarde posterior ao atentado, a Aliança Anticomunista Brasileira (AAB) distribuiu panfletos assumindo a autoria dos dos atentados – os primeiros de uma série que ainda estariam por acontecer naquele ano.

“Chegou a hora de começar a escalada contra a nova tentativa de comunização do Brasil que está em marcha. A Associação Brasileira de Imprensa (ABI), totalmente dominada pelos comunistas, foi escolhida para esta primeira advertência. De agora em diante tomem cuidado, seus lacaios de Moscou. Não daremos trégua. Já que as autoridades recolhem-se covardemente, passaremos a agir. Morte à canalha comunista! Viva o Brasil”, vinha escrito no panfleto cunhado pelo grupo clandestino.

Em setembro do mesmo ano, a AAB seqüestrou o bispo dom Adriano Hipólito, espancando-o e abandonando-o nu e com o corpo todo pintado, num terreno baldio, na zona Oeste da capital fluminense. Em 1980, com a implementação da redemocratização, novos atentados a bomba voltaram a acontecer. Três anos depois, um culpado foi identificado e preso, porém oito meses depois, foi absolvido pela Justiça Militar.

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18 de agosto de 1991 – Golpe depõe Gorbachev da Presidência da URSS

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Em um comunicado de poucas informações, agência de notícias da URSS anunciou ao mundo que o presidente Mikhail Gorbachev deixava o governo para que seu vice, Gennady Yenayev, assumisse o posto. Alegando que o líder soviético estava com a saúde frágil, um grupo chamado Comitê Estatal tentou dar um golpe de Estado no homem que conseguiu colocar um ponto final na Guerra Fria. Em determinadas áreas da URSS foi decretado Estado de Emergência por seis meses, fator que contribuiu para o aumento da onda de resistência.


A insurreição contra o líder pacifista, conduzida por membros da cúpula comunista enfraquecida em seu governo, durou apenas três dias, mas sinalizou o fim iminente do que uma vez fora uma das maiores potências militares do mundo. As mudanças realizadas pelo vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 1991 – como fim do monopólio dos partidos comunistas, convocação de eleições livres, introdução da economia de mercado e desarmamento – fizeram crer que não haveria volta atrás na URSS. O homem que mudou o mundo não conseguiu revolucionar a estrutura econômica e social de seu país. Dessa forma, a crise política era apenas um dos constantes abalos que desestabilizavam o antigo bloco comunista.



Em 21 de agosto, no entanto, a resistência de oposição ao fracassado Governo Provisório conseguiu ter como aliada grande parte do Exército, o que permitiu a volta de Gorbachev e a restituição de seu poder legítimo.

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O líder retornou com a promessa de reestruturar e reunificar o Partido Comunista, que havia muito estava em frangalhos por conta da abertura político econômica implementada por ele. Nada deu certo. A derrota do golpe e a generalizada crise no governo não conseguiram conter a proclamação da independência dos países bálticos (Estônia, Letônia e Lituânia), em setembro do mesmo ano: era dada a cartada final.



Em dezembro de 1991, cansado de lutar contra a força da máquina capitalista, que atropelava sem piedade o frágil regime de seu país, Gorbachev abandonou a Presidência da União Soviética levando consigo a bandeira vermelha, estampada com a foice e o martelo – o símbolo indissociável do socialismo da antiga potência – , que jamais voltaria a ser fincada no alto do Kremlin de Moscou. Era o fim oficial da URSS.



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17 de agosto de 1962 – Jovem morre ao tentar cruzar Muro de Berlim

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Um crime chocou a Alemanha e o mundo. Um jovem operário de 18 anos foi baleado e morto ao tentar saltar o Muro de Berlim, do lado Oriental para o Ocidental. O plano de fugir do território comunista fora elaborado alguns meses antes por Peter Fechter e um amigo, o qual conseguiu cruzar ileso a barreira de 1,80m de altura.


Em nota oficial sobre o acontecido, o Ministério do Interior da Alemanha Oriental disse que os guardas de fronteira tiveram que abrir fogo “quando dois homens que tentavam penetrar em Berlim Ocidental não atenderam às ordens de parar. Um dos criminosos escapou. O outro faleceu no hospital”.


Esta versão, no entanto, foi desmentida por pessoas que se aproximaram do local ao ouvirem os tiros – tanto os disparados para matar o rapaz, quanto os trocados com a polícia da parte Ocidental, por cima do muro. As testemunhas disseram que mesmo tendo implorado para que o jovem fosse socorrido, seus assassinos não se moveram, aguardando ordens superiores. Posteriormente, os autores dos disparos fatais receberam recompensa em dinheiro do governo soviético, como era comum na época.

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O episódio gerou uma grande comoção entre os alemães ocidentais, que, em dois dias, se organizaram em uma grande manifestação contra a odiada muralha que dividia a capital ao meio. Cerca de 5 mil pessoas avançaram contra a polícia de sua própria zona após apedrejar um ônibus com soldados soviéticos que cruzavam a fronteira para o outro lado. A multidão só engrossava com o passar das horas, apressando a repressão da polícia do lado capitalista.


Quando o atentado contra a vida de Peter Fechter aconteceu, o Muro de Berlim acabara de completar um ano de existência. A morte do rapaz foi o primeiro e mais grave incidente na zona fronteiriça até então, que serviu de alerta para demais possíveis fugitivos. Hoje, quem passa pelo local do assassinato de Fechter encontra um Memorial, construído em sua homenagem.


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16 de agosto de 1977 - Morre o Rei do Rock

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Em 16 de agosto de 1977 o trono do rock ficou vazio: o rei, Elvis Presley, morreu aos 42 anos de idade, em casa, nos Estados Unidos. O corpo do cantor foi encontrado desacordado no chão do seu quarto, à tarde, pela namorada Ginger Alden, a qual levou-o para o hospital. Lá, foi constatada a morte do ídolo da juventude mundial.

A carreira de Elvis começou por acaso, em 1954, quando, por apenas quatro dólares, entrou numa pequena gravadora em Memphis e gravou seu primeiro disco para dar de presente à sua mãe. Desencadeava-se o processo que revolucionaria o show-business e transformaria aquele jovem em pouco tempo no maior vendedor de discos da história.

Filho único e mimado pelos pais, Elvis nunca estudou música, mas passou a infância inteira ouvindo cantores caipiras e intérpretes de blues no rádio, já que sua mãe não o deixava passar muito tempo longe da sala. Quando garoto cantava na igreja, mas sua voz nunca se destacou dos demais. Sua vida, no entanto, estava prestes a mudar, quando o jovem de costeletas e topete gravou o disco para presentear à Sra. Presley.



“Você tem uma voz incomum, deixe seu endereço que quem sabe um dia alguém te procura”, disse o controlador da mesa de som. Após um ano um agente da gravadora o chamou para gravar Without You. Elvis não conseguiu o resultado que o agente queria com a balada, mas no intervalo das gravações, dedilhou na guitarra uma música que tocava no rádio, de uma maneira original, completamente diferente do que se costumava ouvir na época. Dessa forma, o agente colocou-o para cantar I Don´t Care If the Sun Goes Down e Blue Moon of Kennedy. As faixas foram vendidas numa coletânea de outros cantores, regionalmente. Em penas uma semana, 7 mil cópias do álbum foram vendidas.


Um ano depois, o “cantor esquisito do Tennessee” já estava nas paradas de Nova Iorque. Em 1956, fechou contrato com a gravadora RCA, que lançou seu álbum solo Heartbreak Hotel, o qual vendeu dois milhões de cópias em pouco tempo. Elvis virara um ídolo dos jovens, despertava paixões fulminantes nas meninas e era admirado pelos rapazes. Em suas apresentações, o público dançava animado o ritmo eletrizante e frenético, entoado pela voz rouca do cantor que, rapidamente, foi coroado como Rei do Rock.



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15 de agosto de 1947 – Índia se torna independente

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“Termina hoje o período de dominação da Índia pela Grã-Bretanha. Nossas relações com a Inglaterra descansarão, doravante, sobre uma base de igualdade, boa vontade e interesse recíproco”, anunciou o ícone revolucionário Jawaharlal Nehru, líder do partido Congresso Nacional e recém-escolhido primeiro-ministro do país.


Após um longo processo de independência, intensificado no início do século XX, o povo indiano, no dia 15 de agosto de 1947, pôde finalmente comemorar a liberdade. Neste momento, o subcontinete indiano passava a ser dividido em dois paises: a Índia (de maioria hinduísta) e o Paquistão (de maioria muçulmana). Apesar dos constantes conflitos étnicos e religiosos na região, na noite em que se era anunciada a liberdade, o clima era majoritariamente de celebração.

Na nova capital do Paquistão, Karachi, Mohamed Ali Jinnah desfilou sobre tapetes persas até onde prestou juramento como governador geral da nova nação muçulmana. “Não tenho mais ambição além de viver honradamente e deixar que os demais também vivam assim”, anunciou ele.


Mohanda Gandhi, o grande líder da resistência pacífica, que ao usar a poderosa arma da não violência conseguiu unir seu povo contra o domínio imperialista britânico, comemorou a independência em Calcutá com 24 horas de jejum, com a esperança de por fim às lutas entre hindus e muçulmanos, que, infelizmente, não ocorreu até hoje.

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“Ambos domínios têm grande peso sobre os ombros. Convido todo o povo a celebrar este dia jejuando. Todos devem orar pelo bem-estar da Índia”, declarou o herói. Gandhi se tornou um um ícone mundial ao defender o pacifismo e a desobediência civil como formas de resistência aos colonizadores britânicos. Foi preso várias vezes, mas nem mesmo as grades o impediam de agir. Sensibilizou a opinião pública com suas greves de fome e surpreendeu a todos quando decidiu se retirar das últimas negociações sobre a independência indiana: Gandhi, que ao morrer como mártir recebeu o nome sagrado de Mahatma, não concordava com a divisão do território em dois, pois acreditava que os dois povos (hindus e muçulmanos) poderiam conviver em paz na mesma nação.



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14 de agosto de 1941 – Assinada a Carta do Atlântico

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Antes dos Estados Unidos iniciarem sua participação formal na Segunda Guerra, o Presidente Franklin Roosevelt e o Primeiro Ministro Britânico, Winston Churchill, assinaram a Carta do Atlântico. O documento, elaborado por representantes de ambas as nações na Conferência do Atlântico, estabelecia uma visão de mundo para o pós-guerra, resumida em poucos pontos. Com a divulgação da Carta, o mundo começou a sentir mais fortemente a intenção dos Estados Unidos de participar oficialmente no conflito, não sabendo, porém, quando.


O comunicado satisfez o anseio dos setores da opinião pública britânica e norte-americana, que reclamavam uma exposição concreta dos objetivos da guerra, mas não chegou a descobrir o véu que oculta um aspecto vital da situação: se as decisões tomadas referem-se à ação imediata das duas nações e se os Estados Unidos participarão ativamente da guerra contra a Alemanha hitlerista e, neste caso, quando”(JB, 15 de agosto de 1941).


A declaração afirmava que as duas nações não tinham interesse em obter novos territórios ao fim da guerra, proclamando-se opostos a qualquer aquisição territorial que não fosse consentida pelas respectivas populações. Afirmava também o direito dos povos de se governarem da forma que melhor entendessem, prometendo apoio à liberdade de comércio para “depois da destruição final da tirania nazista”.

Outra cláusula importante da Carta foi a manifestação do interesse em desarmar as nações agressoras, enquanto as nações “partidárias da paz” poderiam manter seu equipamento bélico intacto, considerando assim iminente a derrota do Eixo.

Em setembro do mesmo ano, os demais países aliados aderiram ao acordo feito por Churchill e Roosevelt, numa conferência em Londres, Inglaterra. Joseph Stalin, apesar de ter recebido um convite para também assinar o documento assim que o mesmo foi concebido, jamais manifestou intenção de colaborar com a aliança que, futuramente, evoluiria para as Nações Unidas.



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13 de agosto de 1967 – Chega ao Brasil a Rosa de Ouro de Aparecida

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Trazida pelo Cardeal Amleto Giovanni Cicognani, a Rosa de Ouro chegou ao Brasil de avião na manhã do dia 13 de agosto. A Rosa de Ouro, uma das mais antigas condecorações papais, atravessou o Atlântico para ser entregue ao Santuário de Aparecida dois dias depois, em virtude do jubileu de 250 anos do aparecimento da Imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida.


Do Rio de Janeiro, cidade na qual pousou o avião da Varig vindo direto da Itália, Cicognani partiria, no dia seguinte, para São Paulo, onde seria recebido em festa por fiéis e figuras importantes do Alto Clero nacional e do poder Executivo. No dia 16, após realizada a cerimônia de entrega da flor dourada, o Cardeal seguiu para Brasília, onde participaria de outra cerimônia religiosa.

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A entrega da Rosa em Aparecida seria feita com uma grande celebração e a realização de uma missa que reuniria milhares de fiéis na Basílica, ainda em construção. Na presença do Presidente Costa e Silva e do Governador de São Paulo, Cicognani entregou a Rosa de Ouro ao Cardeal de Aparecida dois dias depois de ter colocado os pés no Brasil.

A Tradição da Rosa


A Rosa de Ouro é um ornamento precioso, oferecido pelo Papa anualmente a Santuários, pessoas ou cidades como prova de estima e reconhecimento de lealdade cristã. A primeira Rosa entregue pelo Vaticano de que se tem registro foi doada na Idade Média, em 1096, ao Conde IV de Anjou, por seus serviços prestados à Igreja. Posteriormente, ficou decidido que o Papa doaria todo ano a flor, como símbolo de reverência e estima.

A Rosa Dourada é abençoada pelos Pontífices no quarto domingo da quaresma. A Basílica de Nossa Senhora Aparecida já foi presenteada duas vezes com o objeto sagrado: em 1967, pelo Papa Paulo VI e em 2007, pelo Papa Bento XVI.

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Em 12 de agosto de 1984 – Tancredo é lançado candidato à Presidência

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Nosso propósito é presidir o grande acordo nacional para a transformação do Brasil em um país restaurado em sua honra, em sua riqueza e sua dignidade”, disse Tancredo Neves no discurso que pronunciou após a homologação de sua candidatura pela Convenção do PMDB.


Tancredo recebeu 656 votos dos 688 depositados nas urnas, enquanto seu companheiro de chapa, José Sarney teve 543 votos. Em seu discurso de 50 minutos, interrompido 60 vezes pelos aplausos das três mil pessoas que lotavam as galerias da Câmara dos Deputados, Tancredo assumiu o compromisso de convocar uma Constituinte “com a urgência necessária”, combater de forma não recessiva a inflação, apoiar a empresa nacional e renegociar a dívida externa. Além disso, o então futuro Presidente expôs toda sua plataforma de ação, que ia desde a restauração das eleições diretas em todos os níveis até promessas de reestruturar a Federação, assegurar terras dos índios, promover a reforma tributária e encarar a integração do Nordeste como a “maior e mais importante prioridade nacional”.





“O povo brasileiro reclama mudanças, e iremos promovê-las. Não faremos apenas um governo de transição. Nosso propósito é o de presidir o grande acordo nacional para a transformação do Brasil”, prometia o então governador de Minas Gerais.
O lançamento da candidatura de Tancredo foi apenas o início da bela caminhada rumo à redemocratização, cujo ápice se daria no ano seguinte, quando a chapa Tancredo-Sarney era eleita para governar o país.





Apesar da trajetória emocionante, a história não teve um final plenamente feliz. Em 14 de março do ano seguinte, na véspera de sua posse como Presidente, Tancredo adoeceu gravemente e morreu 39 dias depois, sem ter assumido o cargo executivo mais importante no Brasil, que estava emocionado com o fim da ditadura. Com a morte de Tancredo, Sarney assumiu a Presidência, permanecendo no posto até 1990.

No dia do lançamento de sua candidatura, contudo, Tancredo trilhava outros rumos para o futuro do Brasil:

O nosso pacto social afasta desânimos e ressentimentos, covardias e represálias, acomodações e revanchismo, para abrir o país a uma nova estação na história. Não será um tempo de milagres, nem de ostentação constrangedora. Tudo faremos para que os brasileiros tenham direito ao trabalho, à honra e à liberdade. Para essa Luta, em nome da Aliança Democrática, conto com a ajuda de Deus e a força do povo”.


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11 de agosto de 1980 – Índios do Xingu matam 11 operários

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Um grupo de txucarramães – índios guerreiros por tradição – chefiados pelo cacique Raoni, que amedronta a todos com seu bodoque no lábio inferior – matou onze peões que estavam desmatando uma área de cerca de 15 quilômetros, próxima à aldeia Kretire, na parte norte do Parque Nacional do Xingu.


Este foi o terceiro ataque dos txucarramães a peões que trabalhavam para a Fazenda Agropexim, na margem esquerda da Rodovia BR-080. Esta rodovia, inaugurada em 1971 e que deveria ligar Brasília a Manaus, foi desativada no início do ano anterior pelo Ministro do Interior, depois de constatada a sua inutilidade e depois de uma série de atritos entre os índios e trabalhadores. Posteriormente, as obras da rodovia foram retomadas e hoje ela tem a função de ligar Brasília à cidade de Uraçu (Minas Gerais).


Os txucarramães, povo indígena pertencente ao subgrupo dos caiapós, habitavam a margem direita do rio Xingu e, na época, reivindicavam também a margem esquerda, indo da cachoeira Von Martius até a localidade de Capoto, onde se encontravam materiais para artesanato. Os constantes ataques dos índios a trabalhadores locais se deveram principalmente a não delimitação completa do território da tribo pela FUNAI.

A FUNAI mandou, no dia seguinte ao assassinato, uma antropóloga, assessores da presidência e agentes da Polícia Federal para a localidade de São José do Xingu, onde moravam os peões mortos. Dezessete operários foram contratados para fazer o desmatamento da área à margem do rio, treze aceitaram encontrar-se com os índios para conversar. Destes treze, apenas dois sobreviveram ao ataque.


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O maior guerreiro txucarramãe

O imponente cacique Raoni Metuktire nasceu em Matogrosso, filho do Cacique Umoro, da tribo dos Metuktires, ou Txucamarrães, subgrupo dos Caiapós. Um dos índios mais famosos do Brasil, Raoni não sabe ao certo sua idade: estima-se que, hoje, o pele-vermelha tenha pouco mais de 70 anos. A primeira vez que veio a público foi em 1984, quando quis negociar as delimitações do território de seu povo com o então Ministro do Interior .

A fama de Raoni aumentou em 1989, quando acompanhou pela Europa o cantor Sting (vocalista do The Police) para protestar contra a invasão de terras indígenas no Brasil. Em 2000, conhecido e respeitado, o cacique da tribo indígena guerreira, cuja marca registrada é o bodoque usado no lábio inferior, partiu em busca de apoio financeiro para construir um núcleo de tecnologia no Parque do Xingu. Hoje, Raoni lidera a comunidade indígena na luta contra a construção da Usina de Belo Monte, no Pará.



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10 de agosto de 1974 – Morre Frei Tito

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Há exatos 36 anos morria o homem que foi o símbolo da luta pelos direitos humanos na ditadura militar: Tito de Alencar Lima, conhecido como frei Tito. Seu corpo foi encontrado enforcado no convento de L’Arbesle, nos arredores de Lyon, França. Acredita-se que tenha cometido suicídio, já enlouquecido pelo trauma de ter passado 14 meses nos porões da ditadura militar. A tragédia que tirou a vida do frei acontecera na noite do dia dez de agosto, quando a repressão da qual ele foi vítima ainda continuava a prender, torturar e assassinar no Brasil.


Em 1969, Tito cursava Filosofia na Universidade de São Paulo e já tinha em seu currículo um histórico de militância: fora dirigente regional e nacional da Juventude Estudantil Católica, um dos movimentos de vanguarda da militância cristã da época. Na madrugada do dia 3 para o dia 4 de novembro, Tito foi preso junto com outros dominicanos no convento em que morava pela equipe do delegado Sérgio Paranhos Fleury, seu primeiro torturador.


Entre os presos estava Frei Betto, suspeito de participar de um esquema comandado pelo líder da Aliança Libertadora Nacional (ALN), que pregava a luta armada. Começava, assim, o martírio de frei Tito e dos seus irmãos. Como instrumento de intriga, os agentes da repressão espalharam a história que os dominicanos traíram os participantes da ALN, sendo este mal entendido esclarecido apenas em 1982, com a publicação do livro Batismo de Sangue, escrito por frei Betto.

Nos porões da ditadura

Frei Tito foi detido, interrogado e torturado. Durante 30 dias permaneceu nas masmorras do DOPS de São Paulo, sendo transferido posteriormente para o Presídio Tiradentes. O frade dominicano passou pelo pau-de-arara, sentou na cadeira do dragão e recebeu choques elétricos na cabeça, nos ouvidos e nos tendões do pé. Apesar da intensa tortura que sofrera, frei Tito nunca falou. “É preferível morrer do que perder a vida”, anotou em sua Bíblia, depois que um de seus torturadores avisou que, se não falasse, seria quebrado por dentro.

Em 1970, sob custódia da “Operação Bandeirantes”, frei Tito escreveu sobre a sua tortura num documento que rodou o mundo, tornando-se um dos símbolos da luta pelos direitos humanos na ditadura. Quando foi solto, em dezembro do mesmo ano, pediu exílio no Chile, de onde seguiu para Itália e França. As feridas de seu corpo cicatrizaram, mas as torturas deixaram marcas incuráveis em sua alma. Era constantemente atormentado pelos fantasmas do passado. Fez terapia, mas de nada adiantou: seus traumas eram demasiadamente profundos. Enlouquecido, sozinho, atormentado, Tito morreu sob a copa de um álamo.

“Se minha alma está morta, quem a ressuscitará?”, escrevera ele pouco antes de morrer.


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9 de agosto de 1969 – Sharon Tate é morta pela Família Manson




Ao fim de uma década marcada pelas manifestações de amor e paz do movimento hippie, integrantes de um grupo que vivia em comunidade num sítio ao Sul da Califórnia assassinaram cruelmente quatro amigos da alta sociedade norte-americana. Entre as vítimas dos assassinos liderados por Charles Manson, estava a atriz e sex symbol Sharon Tate, esposa do diretor Roman Polanski, na época grávida de oito meses.

Durante a madrugada do dia 9, quatro jovens – um homem e três mulheres – desceram de um chevete amarelo estacionado na frente da casa do músico Terry Melcher, que era alugada por Sharon Tate e Roman Polanski, com apenas um objetivo: destruir o imóvel e assassinar todos que estivessem dentro da residência. Assim, Charles “Tex” Watson, de 23 anos, pulou a cerca da mansão, cortou os fios de telefone e abriu caminho para Susan Atkins, Patricia Krenwinkel e Linda Kasabian passarem. No caminho, mataram a tiros um empregado que deixava o local de carro. Dentro da residência, a tiros e facadas, acabaram com a vida de Tate, Wojciech Frykowski, Jay Sebring e Abigail Folger.






O corpo de Sharon – famosa por ter estrelado A dança dos Vampiros, dirigido pelo marido, e Vale das Bonecas, de Mark Robson – foi encontrado vestindo um biquíni. Havia uma corda de nylon ao redor de seu pescoço, atada a Wojciech Frykowski, amigo de Polanski, o qual se encontrava na Europa rodando um filme. De acordo com a biografia de Charles Watson, ele teria esfaqueado Tate dezesseis vezes, enquanto ela implorava para viver apenas até ter o filho. “Mãe, mãe...”, teria dito a atriz pela última vez.

Ao fim do crime, o grupo escreveu na porta da casa a palavra “porco”, com sangue das vítimas e partiu para sua comunidade a fim de prestar contas para Charles Manson. No dia seguinte, os assassinos, junto com seu líder, voltaram a Los Angeles para praticar outro crime, dessa vez contra o rico casal Leno e Rosemary LaBianca. Os assassinatos de Tate e do casal ficaram conhecidos como Caso Tate-LaBianca.

Os quatro membros da seita, mais Charles Manson, o qual se considerava a reencarnação de Jesus Cristo, foram presos apenas em dezembro do mesmo ano, sendo condenados à pena de morte, em 1971. A pena, no entanto, foi reduzida para prisão perpétua. Todos permanecem em cárcere até hoje.




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8 de agosto de 1975 – Nixon renuncia à Presidência

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Sem hesitação, Richard Nixon encerrou em um discurso à nação sua longa luta para preservar uma Presidência destruída pelos escândalos de Watergate: renunciou ao cargo, que foi transferido ao seu vice, Gerald Ford.

“Os Estados Unidos precisam de um Presidente e de um Congresso em tempo integral” – disse ele, embora considerasse a decisão de renúncia “contrária a todos os instintos pessoais”. Nixon admitiu que deixou o cargo porque não contava mais com o apoio do Congresso e por isso preferia passar a Presidência a Ford: “Estará em boas mãos”.

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Os escândalos da administração Nixon foram o resultado de planejamento cuidadoso de um grupo de estrategistas da Casa Branca, convencidos de que o interesse nacional se identificava com a reeleição do Presidente em novembro de 1972. Com este objetivo, criaram o Comitê para a Reeleição do Presidente (Creep), dispostos a empregar todos os meios a fim de garantir a vitória. Richard Nixon deveria se manter distante do público, capitalizando sua aura de intocabilidade, enquanto seus assessores entrariam na arena para os combates da disputa eleitoral. Nixon foi reeleito, mas os métodos de sua campanha aos poucos se tornaram conhecidos do público, resultando no maior escândalo político da história norte-americana.


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Com o desenrolar do processo contra Nixon, o público teve oportunidade de conhecer o funcionamento da Casa Branca, sobretudo através das transcrições das gravações que o Presidente fazia de suas conversas – que comprovaram seu envolvimento na invasão do Edifício Watergate, sede do partido rival. Dessa forma, o retrato que se passou a ter de Nixon foi de um homem grosseiro, preocupado apenas em manipular seus companheiros e manter-se afastado do caso Watergate.


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7 de agosto de 1988 – Irã aceita negociar paz com Iraque




O ministro de Relações Exteriores do Irã anunciou, no dia 7 de agosto de 1988, que aceitaria negociar paz com o Iraque assim que houvesse o cessar-fogo na guerra entre as duas nações, que já durava oito anos. A iniciativa demonstrou um grande avanço nas negociações de paz mediadas pelo então Secretário Geral da ONU, Javier Pérez Cuellar, desde o início do ano. No dia seguinte ao anúncio, representantes do Irã e Iraque concordaram em cessar todas as hostilidades em terra, levando para Genebra, em cinco dias, suas propostas e ressalvas para se chegar a uma paz duradoura. Assim, o cessar-fogo só entraria em vigor no dia 20 do mesmo mês, tendo os campos de batalha vistoriados por tropas voluntárias de países membros da ONU.


O surgimento de uma chance real de por fim ao verdadeiro banho de sangue que se arrastava desde setembro de 1980, foi saudada pelo mundo inteiro. Durante aquele ano, o Irã relutou em aceitar o diálogo, mas a pressão internacional e o abalo causado por uma grave crise financeira, fizeram com que o país cedesse, logo no início de agosto.
A guerra, iniciada pelo Iraque em um ataque contra o Irã através do estuário do rio Shat-Arab, antigo ponto de disputa territorial entre os dois países, iniciou uma dos mais sangrentos conflitos desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Morreram mais de 1,5 milhão de pessoas nos dois lados, entre civis e militares.




O Iraque sempre reivindicou soberania sobre o Chat-El-Arab, tido pelo Irã como região fronteiriça, mas de grande interesse estratégico para os iraquianos por representar para eles uma saída possível para o Golfo Pérsico. O homem forte de Bagdá, Saddam Husseim apostou na sua superioridade para provocar rápido colapso das forças iranianas, equipadas apenas com um velho equipamento militar. Esse equipamento se tornou obsoleto após o rompimento de relação entre os dois países e a revolução islâmica de 1979.


Apesar de ter o apoio formal dos Estados Unidos, Hussein foi surpreendido com o caso do Irã-Contras, no qual a potência norte-americana, por meio da CIA, facilitou o fornecimento de novo material bélico para o Irã, suposto inimigo político. Dessa forma, a batalha ficou em pé de igualdade, necessitando da intervenção da ONU para que o conflito um dia chegasse ao fim. Chegou, enfim, ao final, em agosto de 1988 sem vencedores ou vencidos. O clima de rivalidade entre os dois países, no entanto, perdura até hoje.


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6 de agosto de 1984 – Joaquim Cruz é ouro nas Olimpíadas de Los Angeles




Há exatos 26 anos o brasileiro Joaquim Cruz, na época com 21 anos, conquistou a medalha de ouro da prova dos 800 metros rasos, nas Olimpíadas de Los Angeles, Estados Unidos. A medalha foi a primeira e única dourada que o Brasil levou neste campeonato, e também a sua sexta geral – em todas as suas participações em Jogos Olímpicos (desde 1920).


Joaquim Cruz garantiu o lugar mais alto do pódio ao realizar o percurso da pista do Memorial Coliseum em apenas 1min43s. Com este tempo o atleta estabeleceu um novo recorde olímpico, superando a marca do cubano Alberto Juantorena, que perdurava desde a Olimpíada de Montreal (1976).





“Senti que podia ganhar a medalha quando iniciei meu trabalho este ano. Antes da competição já me via no pódio, mas a emoção mesmo começou quando cruzei a linha de chegada”, contou o atleta ao JB.


Apesar de ter enfrentado adversários veteranos, como o britânico Coe e o norte-americano Jones, que ficaram com as medalhas de prata e bronze respectivamente, Cruz venceu com facilidade, ultrapassando a linha de chegada com cinco metros de vantagem.


“Espero que esta medalha mude muita coisa no Brasil”, disse ele logo após ter a jóia pendurada colocada em seu pescoço.




De olho no ouro, o menino que começou a carreira esportiva como jogador de basquete no interior do país, travou uma acirrada corrida contra o tempo para conseguir se preparar bem para os Jogos. Treinou tanto que, antes da competição começar, conseguiu bater três vezes seu recorde sul-americano dos mil e 500 metros. Com esta confiança, entrou na pista do Memorial Coliseum para inscrever seu nome na história dos Jogos Olímpicos.



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5 de agosto de 1985 – Começa o Free Jazz Festival




No ano em que o Brasil passava pelo auge do processo de redemocratização, com a eleição de Tancredo Neves pelo voto indireto para a Presidência da República, acontecia no Rio de Janeiro a primeira edição do que se tornou um dos maiores eventos musicais do país: o Free Jazz Festival. Durante sete noites, na Cidade Maravilhosa, a musicalidade fluiu do sopro de saxofones e trompetes, do soar das notas de pianos e do ritmo da percussão. Subiram ao palco do Hotel Nacional, prestigiados músicos internacionais como Bobby McFerrin, Sonnny Rollins, The Ernie Watts Quartet e McCoy Tyner, e atrações brasileiras como a Orquestra Tabajara, Moacir Santos, Heraldo do Monte e a bateria da Imperatriz Leopoldinense.




Sob o lema de ser “um festival livre, para agradar a todos os públicos”, a primeira edição do evento trouxe para a noite carioca vinte e três atrações, em sua maioria músicos instrumentais das mais diversas formações : do saxofone de Sonny Rollins à guitarra elétrica de Pat Matenhy, passando pela gaita consagrada de Maurício Einhorn e os tamborins estridentes da Imperatriz.


O ar de liberdade respirado no Brasil e a multiplicidade de estilos do festival combinaram tão bem que o evento se tornou um grande sucesso, e o mesmo passou a ser repetido no Rio de Janeiro e em São Paulo no segundo semestre de todos os anos seguintes (com exceção de 1991, no qual o Plano Collor inviabilizou financeiramente sua realização), até 2001.


Nas edições posteriores, o Free Jazz – que pouco tinha a ver com o homônimo subgênero do jazz, também conhecido como “New Thing” nas casas de shows Nova Orleans, o qual propunha uma liberdade de improvisação musical – deixou o caráter instrumental adotado anteriormente e passou a contar com grandes vozes do quadro internacional, além de explorar outros estilos, como rock, MPB e até música eletrônica. Estrelas como Ray Charles (1986), Philip Glass (1987), Nina Simone e Miles Davis (1988), Chuck Berry (1993), B. B. King e Etta James (1994), Caetano Veloso (1995) e Diana Krall (1997) deram sua contribuição à constelação de grandes nomes que se apresentaram em todos os palcos do evento.



Confira mais imagens do Free Jazz aqui!



Em 2002, uma série de problemas, como a alta do dólar, fez com que a Souza Cruz, patrocinadora oficial do evento (dona da marca Free, cujo nome foi dado ao festival), ficasse desestimulada a realizar a 16ª edição do Free Jazz. No ano seguinte, em decorrência de uma lei antitabagista que passou a vigorar no Brasil, ficou proibia a associação de marcas de cigarro a eventos culturais. Sem o investimento, o projeto nunca mais pode ser realizado



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4 de agosto de 1969 – Eclode onda de conflitos na Irlanda do Norte




Uma onda de violência entre católicos e protestantes abalou Belfast, a capital da Irlanda do Norte, onde grupos em litígio incendiaram casas comerciais e residências, e resistiram com coquetéis Molotov às tentativas da polícia de sufocar a revolta. Era apenas o início de um mês recheado de conflitos, os quais seriam lembrados como os maiores da história do país.


Após duas lojas serem incendiadas, policiais tentaram investir contra grupos em luta, mas foram recebidos a pedradas e bombas incendiárias. Os manifestantes, gritando lemas das respectivas igrejas, formaram barricadas nas ruas centrais.


O que originou a onda de conflitos do dia quatro e dos dez dias que se seguiram foi o ataque a uma procissão de protestantes a pedradas por um grupo de católicos três dias antes. Mais de uma centena de pessoas ficaram feridas. A polícia teve que enfrentar multidões de jovens em luta com veículos blindados.





A onda de conflitos, cujo ápice se deu no dia 16, deixou a capital norte-irlandesa em situação calamitosa. A partir de então, a rivalidade entre protestantes - que defendiam o governo britânico na Irlanda do Norte – e católicos – nacionalistas, que reivindicavam a queda do governo britânico, cuja maioria era representada pelo IRA – apenas aumentou, originando constantes embates armados entre as partes.


Em 1998, com a assinatura do Acordo de Belfast pelos governos britânico e da Repúblida da Irlanda, a rivalidade armada entre os grupos político religiosos diminuiu. O fim derradeiro da luta armada travada pelo IRA terminou somente em 2005, com a entrega de todo seu material bélico.


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3 de agosto de 1988 – Constituinte decreta fim da censura




“É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”, vinha em um dos parágrafos aprovados pela Constituinte.


A partir do terceiro dia de agosto de 1988, o cidadão brasileiro se tornou, oficialmente, livre em suas manifestações de caráter intelectual, artístico, científico e comunicacional. A Assembléia Constituinte decidiu manter o que fora aprovado no primeiro turno de votação sobre a nova Constituição. Ou seja, obras como livros, quadros e textos de natureza científica, entre outras manifestações enquadradas pelo projeto constitucional, não só não poderiam mais ser censurados, como sequer dependeriam de licença do governo para existir no território nacional. O Brasil se libertava, formalmente, das últimas mordaças do governo militar.


Além de ter abolido a censura aos meios de comunicação, a Constituinte autorizava o direito de resposta em tamanho proporcional ao possível agravo feito pelo veículo de mídia, ainda com a possibilidade de indenização por dano material, moral ou à imagem. A produção intelectual ou artística vinculada ao teatro, ao cinema, ao rádio e à televisão, no entanto, somente teria a situação analisada pela Assembléia algum tempo depois, optando-se nestas categorias pela censura classificatória, indicativa da recomendação de faixa etária do público adequada a cada programa.


Os termos da Constituinte também extinguiam a tortura, comum nos anos negros da ditadura, assegurando a todos os cidadãos, a partir de então, igualdade plena perante à lei e garantindo-lhes “inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”. Reforçando que “ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude da lei”, o texto aprovado fazia valer que “ninguém será submetido a tortura ou tratamento desumano ou degrandante”.


A nova Constituição, assim, colocava um ponto final no autoritarismo que domou o país durante mais de duas décadas e reforçava o processo de redemocratização, cujo ápice se daria no ano seguinte, com a eleição do primeiro presidente por voto popular.





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2 de agosto de 1976 – Morre Fritz Lang




Aos 85 anos de idade morreu um dos maiores diretores da história do cinema, o austríaco Fritz Lang. Havia tempo em que estava doente. Seu último encontro com amigos acontecera oito meses antes, quando comemorou seu aniversário com uma pequena festa, na qual foi exibido seu filme favorito: O Vampiro de Dusseldorf, dirigido por ele, em 1931.


Entre 1918 e 1969, Lang realizou 44 longa-metragens: na Alemanha, até 1933, na França e nos Estados Unidos durante a Segunda Guerra, de novo na Alemanha depois de 1957. Vários de seus filmes encontraram entre os mais importantes da história do cinema mundial – destacando-se Metrópolis, de 1926, filme que trata da relação entre os trabalhadores e as máquinas na grande cidade. Metrópolis fez tanto sucesso que, após assistir a ele, Hitler convidou Lang para fazer filmes de propaganda nazista na Alemanha pré-guerra. O diretor não aceitou e fugiu do país, trilhando uma carreira de sucesso nos Estados Unidos.





Por diversas vezes, no entanto, Lang afirmou que nada em sua vida indicava que ele iria se tornar um diretor de sucesso. Seu pai sempre desejou que fosse cientista. Ele desejava ser desenhista, estudou arte e até trabalhou como caricaturista para jornais alemães. Ferido durante a Primeira Guerra, Lang começou a escrever histórias macabras no hospital para passar o tempo. Por um golpe do destino, as histórias foram parar em uma produtora cinematográfica, que o contratou ao fim do conflito mundial.


Nesse período, a linguagem cinematográfica ainda estava em construção e o filme alemão vivia um período muito fértil, com a assimilação das idéias do movimento expressionista. Lang, assim, logo se destacou por ser um dos que melhor soube desenvolver as lições da pintura expressionista, e usar de forma expressiva o desenho do cenário e a iluminação.


Vistos em conjunto, os 19 filmes dirigidos por Lang até 1933 aparecem como uma crônica da vida alemã entre o fim da Primeira Guerra e a ascensão do nazismo.


“Quando um jovem diretor me pergunta quais são as regras para se dirigir um filme” – costumava dizer – “respondo que não há regras. Devemos criar a partir de emoções”.







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1 de agosto de 1969 – Incêndio destrói Mercado Modelo




Quatro anos depois de ter arrasado a feira de Água de Meninos, em Salvador, o fogo destruiu outra importante atração turística da capital baiana: o Mercado Modelo, que fornecia 60% dos gêneros alimentícios à cidade. O incêndio começou às 5h15 e em poucas horas de chamas violentas apenas as fachadas e a estrutura metálica restaram de pé da construção do início do século passado. Como as primeiras labaredas foram vistas antes dos portões do mercado abrirem para o dia de trabalho, ninguém se encontrava nas dependências do centro comercial e, assim, a tragédia não foi ainda maior.

Durante todo o dia, espessa nuvem de fumaça pairou sobre a região fronteiriça ao Elevador Lacerda, enquanto as chamas queimavam mercadorias e madeiras nos 3200m² do Mercado Modelo. À noite, os cento e cinco bombeiros que trabalharam durante o dia já haviam conseguido controlar as chamas.




O quarto incêndio da história do mercado não foi o último, mas foi o mais grave. A destruição foi tão grande que não foi possível a reconstrução do imóvel. Os destroços precisaram ser demolidos e outra estrutura erguida no local, situada no Bairro do Comércio. O Mercado começou a funcionar em 1912, para atender à necessidade de um centro de abastecimento na Cidade Baixa da capital. Desde sua fundação, podia-se encontrar no edifício hortifrutigranjeiros, animais, cereais, cachaças e artigos para Candomblé.

Em 1984, o Mercado sofreu seu último incêndio, cuja conseqüência foi uma densa reforma em sua estrutura e fachada, que não demorou para ser concluída. No mesmo ano, o Mercado foi reinaugurado e reaberto ao público.




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