Arquivo de October 2010

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31 de outubro de 1984 – Indira Gandhi é assassinada com tiros nas costas

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Antes do chá das 10h, programado para ser tomado com o ator inglês Peter Ustinov, a primeira-ministra da Índia, Indira Gandhi, morreu com oito tiros nas costas por dois de seus seguranças, ambos membros da minoria sikh. Após a morte de Indira, seu filho Rajiv Gandhi assumiu a chefia do governo, iniciando um mandato que duraria até 1989.

“O mais importante agora é manter nosso equilíbrio. Devemos e podemos superar esta tragédia com fortaleza, coragem e cordura. Não devemos deixar que a emoção se imponha”, pediu Rajiv na noite do dia 31, acrescentando que Indira não era apenas sua mãe, mas mãe de todos os indianos.

Apesar do apelo feito pelo novo estadista para que a população se mantivesse a calma, uma onda de violência se espalhou pela Índia e um grande massacre de inocentes sikhs foi iniciado pela maioria hindu. Os protestos se estenderam por sete estados e o governo decretou toque de recolher em várias capitais, colocando o Exército em alerta. Foi decretado também luto oficial de 12 dias pela perda da grande líder indiana, que reescreveu a história do país durante quase duas décadas.



Instaurava-se na Índia a maior crise desde que Mahatma Gandhi, o fundador da nação, havia sido assassinado, em 1947. A primeira-ministra fora morta a apenas dois meses da eleição nacional de uma das mais populosas nações democráticas do mundo. Indira se aproximava do fim de um turbulento mandato de cinco anos - seu segundo como chefe do país – dominado pelo confronto com a comunidade sikh, o problema mais espinhoso com o qual se deparou em 25 anos de carreira política.

Em junho daquele ano, a rivalidade fora acentuada quando ela mandou o Exército invadir o Templo Dourado dos sikhs, que se tornara uma fortaleza de extremistas ansiosos pela criação de uma nação separada, chamada Khalistão, no Estado do Punjab. Sua lista de inimigos aumentou e com ela os planos de pessoas dispostas a acabar com sua vida.

“Se eu morrer hoje, cada gota de meu sangue dará mais força à nação. Não me importa dar a vida à serviço do país”, dissera Indira dois dias antes do atentado. Mais tarde, em uma conversa com seus empregados, Indira teria pressentido novamente morte próxima: “Vocês vão ver. Não haverá festa no meu aniversário (19 de novembro). Nem sei onde estarei neste dia”.

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30 de outubro de 1988 – Senna é campeão mundial pela primeira vez

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“Nas últimas duas ou três voltas, só tinha uma coisa na minha cabeça: Deus”, confessou Ayrton Senna que, ao vencer o Grande Prêmio do Japão, sua oitava vitória na temporada de 1988, (recorde na época) ganhou o título de campeão mundial da Fórmula 1.

Senna chegou à vitória no circuito Suzuka, em Tóquio, numa sensacional recuperação, após problemas na largada que o fizeram perder 15 posições. Na 28ª volta, ultrapassou seu eterno adversário Alain Prost e assumiu a ponta, para nunca mais perdê-la.

Senna atribuiu a “uma mistura de problema de fuso horário e tensão” a sua péssima largada, “a pior que já fiz”. Por um momento achou que estava tudo acabado. Reconheceu ter-se aproveitado da chuva num momento delicado da prova, para então reduzir drasticamente a diferença que o separava do líder Post e do segundo colocado, Ivan Capelli. Na metade da corrida ultrapassou Prost como uma rajada de vento e manteve-se à frente com autoridade até o fim. Cruzou a linha de chegada com os punhos cerrados socando o ar e levantou a viseira do capacete, como se quisesse mostrar ao mundo suas lágrimas.

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“Quanto mais difícil, melhor, mas não achei que tinha que passar por este sofrimento todo. Só Deus sabia que seria tão duro, mas agora que acabou acho que foi melhor assim. Guiei o que podia e o que não podia. Foi a corrida da minha vida, uma coisa tremenda”, declarou ele.

Este não foi um campeonato comum para Senna ou para a Fórmula 1. Naquele dia, o brasileiro encerrava um ano batendo recordes de 12 pole-positions, oito vitórias e 88 pontos. Mesmo sendo o GP do Japão a penúltima prova da temporada, Senna assegurava o título mundial por antecipação. Em 12 de novembro, na Austrália, o herói nacional receberia o prêmio, no lugar mais alto do pódio, seguido por Alain Prost e Gerhrad Berger. Era início de uma era de vitórias para o nosso automobilismo.


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29 de outubro de 1945 – Vargas renuncia. Chega ao fim o Estado Novo

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A queda dos governos autoritários na Europa, com o fim da Segunda Guerra, era o prenúncio de que o Estado Novo estava com os dias contados. No dia 29 de outubro Getúlio Vargas não tinha maiscomo escapar: grande parte da população, principalmente os estudantes, ia às ruas clamando por liberdade e democracia; e o Exército, desejoso de poder, preparava um golpe armado. Apesar do apoio do seu eleitorado, que pedia Vargas à frente da nova constituinte, o presidente não teve escolha e teve que renunciar, concluindo assim os seus 15 anos de governo.

O estopim da insurreição foi o fato de Vargas ter nomeado como Chefe de Polícia o seu irmão, Benjamin Vargas, dias após ter adiado as eleições presidenciais, marcadas para dois de dezembro. Góis Monteiro, Chefe do Estado Maior, assim que soube que Benjamim ocupara o alto cargo, convocou a cúpula das Forças Armadas e decidiu não protelar o golpe.

“A consciência da grave situação que o País atravessa, e a intenção perene de contribuir até o derradeiro sacrifício para evitar a anarquia, fizeram com que eu voltasse a ocupar o cargo de Ministro da Guerra. Renunciei a todas as vantagens (...) para tentar um desesperado esforço no sentido de impedir que o Exército se tornasse presa de políticos sem entranhas e, em conseqüência, se dividisse e afundasse no faciosismo, em vez de continuar como garantia de ordem e da integridade nacional”, escreveu Góis Monteiro em carta ao povo brasileiro.



No dia seguinte à renúncia, assumiu como presidente interino o presidente do Supremo Tribunal Federal, José Linhares, que logo restabeleceu para dois de dezembro o dia do pleito que elegeria Eurico Gaspar Dutra como Chefe de Estado do Brasil.

Apesar de ter deixado o governo, Vargas continuou atuando na política brasileira: apoiou a candidatura de Dutra e, cinco anos depois, lançou-se candidato à Presidência, sendo eleito democraticamente e permanecendo no poder até 1954, quando cometeu suicídio.


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28 de outubro de 1985 - Quadros de Monet são roubados em museu francês

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Nove quadros impressionistas franceses, entre eles o que deu nome ao movimento – Impressão, nascer do Sol, de Claude Monet (1840-1926) – foram roubados do Museu de Marmottan, em Paris. Cinco homens armados obrigaram os guardas e visitantes do museu a se deitarem com o rosto para o chão enquanto retiravam os quadros espalhados pelas paredes de várias salas. O curador do Marmottan, calculou a perda em 12 milhões de dólares, advertindo, porém, que pela sua importância histórica, Impressão, nascer do Sol tem um valor incalculável.

- É o roubo do século, como se tivessem roubado a Monalisa – lamentou o curador Ives Brayer. Ele, no entanto, estranhou o roubo: - Não entendo como alguém pode roubar algo tão famoso. É impossível vender um quadro desses. É conhecido demais.


IMpressao, nascer do sol



Num dos roubos mais espetaculares da história, também foram furtados outros quatro quadros de Monet (Cammile Monet e sua Prima na Praia de Trouville, Retrato de Jean Monet, Retrato de Poly, Pescador de Belle-Isle e Campo de Tulipas na Holanda), dois de Auguste Renoir (Banhistas e Retrato de Monet), um de Berthe Morisot (Menina no Baile) e um de Naruse (Retrato de Monet).

O Museu de Marmottan fica numa tranquila rua, num elegante bairro de Paris. Na sua coleção, havia outros 82 quadros de Monet, todos agrupados numa mesma sala, no subsolo. A coleção estava ali desde 1971.

- É a primeira vez que uma coleção de museu é roubada a mão armada, como em um banco - comentou Brayer em uma coletiva de imprensa.

Como o curador do Marmottan previra, Impressão, Nascer do Sol era famoso demais para ser roubado e circular no mercado negro internacional da arte. Logo, os ladrões seriam descobertos. Em 1991, a polícia francesa identificou uma máfia japonesa por trás de seguidos roubos que aconteceram no país naquela época, incluindo este ao Marmottan. Os quadros foram recuperados e devolvidos ao museu, onde se encontram até hoje.


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27 de outubro de 1965 - Castelo Branco baixa o Ato Institucional Nº 2

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Como era esperado, veio o Ato Institucional completo. Isso pressupõe obviamente uma férrea união militar, somando todos os grupos de origem revolucionária, brandos e duros, em torno da afirmação do poder incontestável da Revolução. O Marechal Castelo Branco, que procurou alcançar os objetivos por persuasão, trocou suas táticas pelas dos radicais, munindo-se dos instrumentos de poder necessários para atingir as suas metas, o que não obteve da colaboração dos políticos” (Coluna do Castello, JB, 28 de outubro de 1965).

Editado pelo Presidente Castelo Branco como solução dramática para a crise político-militar que se abatia sobre o Brasil após o golpe de 1964, o Ato Institucional Número 2 armou o governo de poderes excepcionais. Por meio do decreto, a Constituição democrática de 1946 perdia seu valor. Ficavam suspensas desde então as eleições diretas para Presidente da República, extinguia-se os partidos de oposição e colocava à disposição Presidente os mandatos de todos os políticos do Brasil. O regime militar, enfim, mostrava sua cara.

castelo branco assina o AI-2. capa


Com base no AI-2, o Chefe de Estado também poderia declarar recesso indefinido ao Congresso Nacional, legislando e governando por meio de decretos - o que aconteceria em 1968; decretar estado de sítio em todo o território nacional, cassar mandatos políticos por até dez anos, tornar gratuito o mandato de vereador e limitar os subsídios de deputados estaduais e federais.

O anúncio da assinatura do novo Ato foi feito pelo Chefe do Gabinete Militar da Presidência, General Ernesto Geisel, na manhã do dia 27. Apesar de ter sido concluído dias antes, o AI-2 só foi anunciado após o término da votação pelo Congresso das mensagens sobre o Estatuto dos Cassados. A Casa tentava chegar a um consenso com a cúpula do governo acerca dos problemas políticos de ordem autoritária dentro de um país em que estava vigente uma constituição democrática. A promulgação do Ato, no entanto, pegou os parlamentares de surpresa, anulando todas as chances de diálogo entre as partes.

Altas patentes recebem ministros do Exército e Aeronáutica - capa


A decretação do AI-2 naquele 27 de outubro aconteceu antes do esperado. Era certo que algum dia os militares dariam um golpe dentro do golpe para tentar assegurar o governo por tempo indeterminado, mas as eleições estaduais ocorridas semanas antes foram o catalisador daquela fórmula amarga em gestação desde o ano anterior.

Em Minas Gerais e no estado da Guanabara, os oposicionistas Israel Pinheiro e Negrão de Lima haviam sido eleitos como governadores dos respectivos estados por voto popular. Temendo uma reação nacional, no caso de um suposto pleito presidencial, Castelo Branco arregaçou as mangas, deixou de lado o diálogo e mostrou a primeira das muitas faces autoritárias da elite militar e política do Brasil, anunciando o Ato Institucional Número 2.


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26 de outubro de 1976 - Morre o pintor e poeta Di Cavalcanti

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“Um dois, três ... Corta! Agora dá um close na cara dele: barba por fazer, calça de brim azul marinho, casaco azul claro, camisa quadriculada”, narrava Glauber Rocha como locutor radiofônico em estilo frenético ao mesmo tempo que enquadrava o rosto de Di Cavalcanti dentro do caixão. O “carioca Di recebia uma homenagem do também carioca Glauber”, que rodava com uma câmera 35mm um documentário que chocou parentes e amigos do pintor. Para o cineasta, não havia melhor forma de dar adeus ao companheiro a não ser por meio da arte.

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O “pintor da mulher morena” havia morrido no dia anterior, à noite, no leito de um hospital. O corpo foi velado no MAM, numa cerimônia com poucas pessoas, e enterrado no São João Batista. “Pára o caixão. Pára que eu quero a câmera do outro lado”, gritava Glauber quebrando o silêncio do velório enquanto alguns homens levantavam o caixão do poeta para que este fosse levado ao cemitério.

Di era um cidadão do mundo, uma das principais figuras da Semana de Arte Moderna. Indisciplinado e irreverente, era também um artista engajado: “Para mim, a principal função da arte é a conscientização”. Ardente cantor das mulheres, principalmente das mulatas, como mesmo lembrou Glauber no filme, fez delas o tema principal de sua pintura. “Sou um dependente da feminilidade”, declarara ele uma vez.

A Mulher - Di Cavalcanti


“A mulher é entre os elementos da natureza, aquele que mais faz vibrar as cordas do artista e mantém preferência absoluta em seus quadros. Pode-se mesmo dizer que Di nasceu com o mandato expresso de pintá-las e, por meio delas, revelar um abismo de sensualidade, prazer e dor, que se confunde com o eterno feminino”, disse Carlos Drummond de Andrade sobre a obra do artista, na época.

Além de pintor, Di era poeta e chargista. Na década de 1930 foi preso pela polícia do Estado Novo após ter publicado uma coletânea de charges que satirizavam políticos. Nesta época, Di já era um poeta respeitado, dedicando-se à pintura nos anos subseqüentes.

Di Cavalcanti ganhou Prêmio Especial do Júri no Festival de Cannes do ano seguinte, mas foi proibido de ser exibido no Brasil a pedido da família do pintor. Hoje, discute-se a liberação da cópia original, que está guardada no Museu da Imagem e do Som.





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25 de outubro de 1969 – Médici chega ao poder



Três dias após ser reaberto, o Congresso Nacional, que esteve fechado por 10 meses, aprovou a indicação da Junta Militar e elegeu Emílio Gastarzú Médici como Presidente do Brasil. Foram 293 votos de todos os arenistas presentes contra 76 abstenções dos membros da oposição. Assim que soube da eleição, o general traçou planos de recompor a economia do país durante sua gestão, que ilustraria os “anos negros da ditadura”.

“Neste instante em que acabo de ser eleito pelo Congresso Nacional, peço um voto de confiança do povo brasileiro e a colaboração sempre indispensável da imprensa do país”, declarou ele naquele dia.

Médici, horas após ter sido eleito, recebeu representantes de trabalhadores na residência oficial do Ministério da Aeronáutica, no Rio de Janeiro, revelando à imprensa que já estuda o problema da correção monetária, não para extinguir, “mas para tornar menos violenta”.

A posse de Médici seria no dia 30 de outubro do mesmo ano, numa cerimônia na qual o general reanimaria o ânimo da população ao manifestar um suposto desejo de reinserir a democracia no Brasil. Médici comprometeu-se com o fortalecimento da indústria nacional, dinamização e investimento na agricultura e com um tempo de paz e progresso.

No governo de Médici, como mesmo dissera ele uma vez, “o Brasil ia bem, mas o povo ia mal”. Apesar do progresso econômico visível e a projeção do país no mercado internacional, com enriquecimento notável da classe média, o povo nordestino sofria com a seca e a oposição era esmagada pelo rolo compressor da censura e do autoritarismo arbitrário e violento. Era o tempo do futebol, incentivado pela campanha triunfante da Seleção na Copa de 70, mas também o tempo da tortura.

Nesta ambigüidade, o Brasil seguia guiado pelas rédeas de um duro general, com poderes inconstitucionais, legalizados pelo decreto do AI-5, em 1968. Em 1974, finalmente a sucessão: chegava ao poder, também por voto indireto, Ernesto Geisel, o Presidente da Abertura.


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24 de outubro de 1930 - Eclode a Revolução de 30. Washington Luís é deposto

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A Nação está em armas de Norte a Sul, já retalhada, ensangüentada, anseia por um igual que faça cessar a luta inglória, que faça voltar a paz”, escreveu o General Mena Barreto a Washington Luís, em uma carta que exigia a renúncia dele à Presidência.

O ar respirado naquela decadente República do Café com Leite era de traição e hostilidade. Os ventos da mudança, soprados de diferentes direções - Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande do Sul - estavam fortes a ponto de derrubar o castelo de cartas construído sobre os pilares do voto de cabresto, corrupção e alianças coronelistas, que caracterizaram tão bem os primeiros anos da República brasileira.

Em 24 de outubro de 1930, no Rio de Janeiro, o presidente Washington Luís sentiu na pele o peso da traição na sucessão presidencial e sofreu um duro golpe de estado, que culminou na instauração de uma Junta Militar e, ao fim do mês, o triunfo de Getúlio Vargas como presidente da nação.

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O intuito do golpe era de impedir a posse de Júlio Prestes, Presidente eleito após um desrespeito da aliança política entre São Paulo e Minas Gerais. Como era costume em todos os primeiros anos da República, Minas e São Paulo (os mais férteis centros econômicos do país e que também possuíam o maior colégio eleitoral) se alternavam no poder: a cada eleição presidencial, um estado elegia um governante federal e o outro, seu vice.

Esta política era sustentada pelo coronelismo em escala regional: senhores de terra, coronéis em suas fazendas, conseguiam votos de todos os seus trabalhadores para determinado político que, por meio de troca de favores e jogos de influência, agradava ao chefe do eleitorado em alguma instância. Firmada a aliança, os votos - abertos e não universais - estavam garantidos.

O caso é que nesta eleição de 1930, Washington Luís deveria apoiar o candidato mineiro Antônio Carlos de Andrada, mas optou por lançar outro paulista à Presidência: Júlio Prestes. A cúpula política de Minas Gerais, traída, articulou um golpe com a do Rio Grande do Sul - cansado de ficar de fora do quadro federal - e a de Paraíba - cujo candidato à vice-presidente de Getúlio Vargas nas eleições de março, João Pessoa, tinha sido assassinado três meses antes.

O golpe, conhecido como Revolução de 30, modificou de vez a estrutura política da República brasileira ao colocar no poder um homem que, apesar de ter suspenso parcialmente a democracia durante 15 anos, permitiu que as bases do coronelismo fossem destruídas pela instauração do voto secreto. Tinha início a Era Vargas.

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23 de outubro de 1990 - Pelé completa 50 anos

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Há controvérsias quanto ao dia exato em que nasceu o Rei do Futebol. Na cidadezinha mineira de Três Corações, em 1940, a humilde Dona Celeste dava à luz a um menino que estava fadado a reescrever a história do futebol mundial: Edson Arantes do Nascimento, ou simplesmente Pelé. Apesar da dúvida que permeia a data de seu nascimento, o JB, no dia 23 de outubro de 1990, homenageou o rei Pelé pelos seus 50 anos de idade (21 de outubro é a outra possível data de aniversário).

- Nem me lembro que tenho 50 anos. Me sinto igual a qualquer jovem. Nada mudou na minha vida. Tenho a cabeça feita. Ela está muito nova - disse o craque brasileiro em entrevista ao JB na época.

Em 1958, antes de completar 18 anos, Pelé começou a escrever sua história fora das fronteiras do Brasil, ao conquistar seu primeiro título, o de campeão mundial de futebol, com a Seleção Brasileira. Quatro anos depois, ele repetiu o feito e conquistou o Bi no Chile. Enquanto o Brasil experimentou jejum de títulos mundiais, ele continuou colecionando glórias, liderando um outro grupo de jogadores, do seu único clube brasileiro, o Santos.

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Quando foi para os Estados Unidos, após levar a Seleção ao tricampeonato mundial, em 1970 no México, Pelé tinha já batido outro recorde: havia marcado mil gols em sua meteórica carreira esportiva. A estrela do astro brilhava cada vez mais, ajudando-o a se tornar a maior lenda do futebol.

Nos Estados Unidos, jogando pelo New York Cosmos, Edson Arantes do Nascimento começou então a escrever a história do soccer. Em 1977, o Atleta do Século XX decidiu pendurar as chuteiras e deixar os gramados no auge da carreira. Saindo por cima, o Rei jamais perderia sua majestade.

O último jogo do craque como profissional foi um marco histórico. Atuando pelo Cosmos, emplacou seu último gol contra o time do coração, o Santos, numa partida em que o eterno menino da Vila atuou, em meio a lágrimas e sorrisos, nas duas equipes: um tempo em cada. Após se aposentar, o Rei se propôs apenas a participar de partidas beneficentes, dedicando grande parte de seu tempo à caridade e à defesa dos direitos humanos.



Pelé 70 Anos | Edição: Vinícius Pereira | Arquivo CPDoc JB


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22 de outubro de 1964 - Sartre declina Nobel de Literatura



“Para não se comprometer”, Jean-Paul Satre declinou o Prêmio Nobel de Literatura de 1964. Constantemente inconformado e leal a seu pensamento existencialista e revolucionário, um dos maiores intelectuais do pós-guerra alegou que “nenhum escritor pode ser transformado em instituição”, ao recusar o prêmio.

“Não me movo, não dou nem mesmo uma olhadela à festa. Continuo prudentemente a minha leitura, as luzes acabam por apagar-se. Nada mais sinto se não um ritmo, um impulso irresistível, sigo, avanço, sinto a velocidade de minha alma”, escreveu ele na obra autobiográfica, Les Mots.

Sartre descobriu, segundo conta, “o mundo através da linguagem, e por muito tempo tomei a linguagem pelo mundo”. Só muito tempo depois veio a formular em definitivo os conceitos que o tornariam célebre, como “o homem é inteiramente responsável pelos seus atos”, ou " o homem está condenado à liberdade".

Criado pelos avós na grande Paris, numa família burguesa cheia de mimos, Sartre tirou da infância muito material para sua obra futura. Era uma criança solitária e, apesar dos amigos na juventude, manteve a insatisfação de ter tido uma infância problemática. Encantado pela biblioteca do avô, lia tudo o que lhe caía nas mãos. Com o passar do tempo, passou a recontar a história, com suas próprias palavras em forma de texto.

O primeiro livro do pensador foi O Muro (1937), seguido um ano depois por A Náusea, um de seus maiores romances. A náusea de Sartre não era um estado de exceção, mas um aprofundamento de uma sensação que estava na alma de todo homem normal. A náusea dominou o pensamento do escritor.

“A morte era minha vertigem, porque me agradava viver. Isso explica o medo que ela me inspirava. Identificando-a com a com a glória, fiz dela minha meta”. Torturado com o absurdo do viver, Sartre atirava-se ao trabalho lendo e escrevendo sem cessar. Por trás do mundo das palavras, o escritor francês impunha-se uma rígida disciplina. Tinha como regra trabalhar pelo projeto de aperfeiçoamento até a morte.

“A existência é um plano que o homem não pode jamais abandonar”


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21 de outubro de 1990 – Senna sagra-se bicampeão de Fórmula 1



Um acidente entre Ayrton Senna e o rival Alain Prost, na primeira curva do circuito do GP do Japão, com apenas seis segundos de prova, tirou os dois pilotos da competição, garantindo ao brasileiro o título mundial da temporada naquele ano. Com a pontuação conseguida em suas cinco vitórias na temporada, Senna tornou-se bicampeão mundial da modalidade, estando apenas a um ano de conseguir seu maior feito: erguer acima da cabeça e no alto do pódio montado também no Japão o troféu do tricampeonato.

- Este título é contra todos aqueles que lutaram contra mim, no ano passado – dedicou Senna, referindo-se ao episódio na penúltima corrida da temporada anterior, quando o brasileiro se envolveu em um acidente com Prost, tirando as chances dele ser campeão naquele ano e dando o título nas mãos do francês.

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Na época, Senna alegou que a batida na traseira de Prost fora um erro da FISA, que não aceitou ter mudado o lugar da pole position para o lado esquerdo e externo da pista, um pedido que tinha sido feito por ele quatro dias antes. Entretanto, no ano seguinte, quando comemorava o tricampeonato, admitiu que o acidente foi uma vingança à injustiça da temporada anterior: “Fui com tudo para a primeira curva, não me importava em bater”.

A colisão, que tirou de Prost todas as chances de ser tetracampeão naquele ano, serviu para aumentar ainda mais a inimizade entre os dois pilotos, que já haviam integrado a mesma escuderia (McLaren) poucos anos antes.

Naquele 21 de outubro, no entanto, a cidade de Suzuka estava fadada a ser colorida por verde e amarelo. Enquanto Senna comemorava a liderança absoluta da temporada do lado de fora do autódromo, dentro da pista Nelson Piquet corria impecável, conseguindo chegar em primeiro lugar e subir no topo do pódio do Grande Prêmio do Japão – esta era a primeira vitória deste brasileiro desde que conquistara o terceiro título mundial, em 1987. Na prova, o segundo lugar coube a Roberto Moreno, da Benetton, seguido por Aguri Suzuki, da Larrousse-Lamborghini.

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20 de outubro de 1991 - Senna é tricampeão de Fórmula 1

Capa do Caderno de Esporte do Jornal do Brasil, 21 de outubro de 1991


Ao mesmo tempo em que dava espaço para seu companheiro de McLaren, Gerhard Berger, vencer o GP do Japão, Ayrton Senna tornava-se o segundo brasileiro a se sagrar três vezes campeão mundial de Fórmula 1. Naquele dia, Senna entrava para o seleto time de tricampeões, formado por mais cinco pilotos: Nelson Piquet, Jack Brabham, Jackie Stewart, Niki Lauda e Alain Prost.

- Doeu no coração dar a vitória que foi sofrida e resultado de uma grande luta. Mas esta dor é nada comparada com a emoção pelo terceiro título - disse Senna, que tirou o pé do acelerador e deixou Berger ultrapassá-lo na última curva antes da bandeirada, obedecendo ao diretor da equipe, Ron Dennis, que o advertia pelo rádio.

Ao esvaziar na própria cabeça a garrafa de champanha pelo segundo lugar naquela prova, o mais novo tricampeão deixou escorrer a mágoa e a frustração pelos dois campeonatos anteriores, saboreando um título que parecia fácil no início do ano e ficou complicado no meio da temporada.

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Recorde aqui momentos da trajetória do Senna.



- Tive muita excitação, pressão e estresse este ano. Foi o campeonato mais competitivo de que já participei, porque lutamos com carros e motores diferentes. Começamos bem e tivemos um período duro depois das quatro primeiras provas, é a recuperação de um resultado de muita pressão minha e do Berger - disse o piloto vencedor também dos mundiais da categoria em 1988 e 1990.

Senna chegou ao tri num momento em que atingiu a velocidade máxima em sua carreira, com maturidade em plena reta que significavam seus 31 anos e o contrato de US$ 20 milhões que lhe garantia permanecer por mais dois anos na escuderia que, após a morte do ícone, colocou uma homenagem fixa ao piloto na parte dianteira de todos os carros em competição, que pode ser vista até hoje.

A carreira meteórica na Fórmula 1 do grande herói nacional começou em 1984, pela equipe Toleman-Hart. Logo na primeira temporada impressionou a Lotus, que o contratou para o ano seguinte. Em apenas três temporadas, venceu seis corridas, sendo contratado pela McLaren em 1988, juntando-se a seu maior rival, o francês Alain Prost. Pela McLaren foi tricampeão mundial. Em 1993, deixou a equipe para se juntar à grande promessa da época: Williams-Renault, permanecendo nesta até seu trágico acidente, em 1994, quando perdeu a vida.


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19 de outubro de 1967 – Começa o II Festival da Canção



Num momento em que o Brasil estava sob vigilância constante do Exército, assegurada pela Lei de Segurança Nacional, acontecia no Rio o II Festival Internacional da Canção. Promovido por uma rede de televisão, o evento era uma forma de libertação artística e cultural das apertadas mordaças da ditadura; intérpretes e compositores ganhavam, pela segunda vez, um espaço para soltar a voz e apresentar canções que, pouco tempo depois, tornariam-se verdadeiros hinos da juventude setentista.

Na noite do dia 19 de outubro, subia ao palco um jovem de nome complicado, para entoar a canção que venceria o festival naquele ano: “Margarida”. Gutemberg Néri Guarabira, que anos mais tarde formaria a dupla Sá e Guarabira, fez de “Margarida” a nova “Banda” (1966, de Chico Buarque) do povo. A canção escolhida para representar o Brasil no evento não foi somente a mais aplaudida como também a que conseguiu mobilizar o sentimento coletivo do público.

O baiano, com sua canção de amor que unia tema medieval com cantiga de roda e felicidade, derrotou grandes favoritos, como Chico Buarque (“Carolina”, terceiro lugar), Edino Krieger e Vinícius de Morais (“Fuga e Antifuga, quarto) ou Milton Nascimento (Travessia, segundo lugar).

- Quis apresentar uma canção diferente, alegre – disse Guarabira após o júri ter concedido a ele a vitória do festival – Acho que valorizei uma história simples que estava estratificada – acrescentou.

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Em São Paulo, o III Festival da MPB, cujo final se dera dois dias após o início do evento carioca, seguia outro caminho. Fora revelado em seu palco o fenômeno que marcaria a década seguinte: a Tropicália. Caetano Veloso, tocando uma irreverente guitarra elétrica, virava fenômeno nacional após a apresentação do hino “Alegria, Alegria”. O evento paulista teve como campeã a canção de Edu Lobo e Capinam “Ponteio”, seguida por “Domingo no Parque”, de Gilberto Gil; “Roda Viva” de Chico Buarque; e, enfim, “Alegria, Alegria”.

Era o início de uma nova era para a Música Popular Brasileira, que agora incorporava o som frenético das guitarras elétricas do rock internacional, misturando-o com samba, bossa e a melodia da boemia carioca, tudo sustentando composições inteligentes, que tentavam, de alguma forma, driblar os censores militares; levando mensagens de amor, liberdade e resistência aos quatro cantos do Brasil.



Milton Nascimento cantanto "Morro Velho"



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18 de outubro de 1967 – Sonda soviética pousa em Vênus



No auge da corrida espacial disputada entre Estados Unidos e União Soviética, durante os anos tensos da Guerra Fria, a URSS fez pousar pela primeira vez na superfície de outro planeta uma sonda: Vênus-4. Lançada em 12 de julho do mesmo ano, a missão da sonda soviética era difícil: pousar com um sistema de pára-quedas na superfície de Vênus e colher o máximo de informações capazes de comprovar a existência de vida no planeta nebuloso.

Com os dados fornecidos pela nave, os cientistas russos informaram que o planeta era hostil à vida tal qual a conhecemos: a temperatura varia entre 40 e 280°C , contando com apenas 1,5 por cento de oxigênio, contra 20,95 por cento do gás presente na atmosfera terrestre.

A estação soviética, uma grande esfera negra e praticamente inquebrável e incombustível, pousou de pára-quedas no planeta onde depositou a insígnia da foice e do martelo, símbolos indissociáveis da URSS. Vênus-4 foi estudada para suportar pressões enormes, queimar sem se consumir, flutuar na água e cair sobre rochas sem se partir.

Em outubro de 1957, a União Soviética comemorou o aniversário da Revolução Russa lançando ao espaço o Sputnik-1. Em outubro de 1959, o Luna-3 circundou a Lua e fotografou sua face nunca vista antes. Em 1964, comemoraram a Revolução com o Voskhod-1, uma cosmonave gigantesca com três tripulantes a bordo. Para 1967, cinqüentenário do movimento histórico que implantou o socialismo na Rússia, em outubro de 1917, especulavam-se diversos feitos espaciais de importância.

Vênus, o segundo planeta na órbita solar, foi o ambicioso alvo escolhido pelo Governo Vermelho. A 42 milhões de quilômetros da Terra, a superfície venusiana não seria facilmente alcançada. Para chegar lá, a nave precisava ser lançada a 41 mil km/h, no sentido oposto ao da rotação do planeta. Mergulhando no Universo, delicadas manobras no caminho, realizadas por habilidosos cientistas soviéticos, garantiriam o sucesso da inédita jornada.


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17 de outubro de 1979 – Madre Teresa ganha o Nobel da Paz

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O Nobel da Paz de 1979 foi concedido à Madre Teresa de Calcutá, na época com 69 anos, uma freira católica que trabalhou durante mais de 40 anos entre os pobres, crianças, leprosos e moribundos das favelas indianas.

Ao justificar a concessão do prêmio, a Comissão Nobel do Parlamento norueguês afirmou que Madre Teresa renunciou totalmente ao mundo para devotar sua vida à caridade entre os “mais pobres dos pobres da Índia, que receberam das suas mãos a compaixão fundamentada na reverência ao ser humano.”

Havia 56 concorrentes ao prêmio daquele ano, entre os quais estava o presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, por seus esforços para se chegar à paz no Oriente Médio, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados e o Estadista finlandês Urho Kekkonen.

Ao saber que fora homenageada com o prêmio, Madre Teresa reuniu um grupo de freiras e voluntários em Calcutá para anunciar a notícia. Após longos minutos de orações, ela disse: “Agradeço a Deus. Acredito que, ao me darem o prêmio, reconheceram a presença do pobre no mundo, que ele é nosso irmão e nossa irmã. Se aprofundarmos nosso amor pelo próximo, haverá paz no mundo”. Quando perguntada sobre o investimento que faria com os 191 mil dólares do prêmio, ela disse: “Construirei casas para os leprosos”.

Nascida em 1910 na Albânia, Madre Teresa fundou, em 1950, as Irmãs Missionárias da Caridade, para trabalhar pelos abandonados e agonizantes. A ordem espalhou-se da Índia para o exterior. Dois saris brancos, um suéter de lã, uma sombrinha, um par de sandálias e uma bacia. Era todo o seu patrimônio. O estilo de vida da Ordem fundada por ela era de estrita austeridade pessoal. Em 1997, aos 87 anos de idade, morreu de um ataque cardíaco, na sede da Ordem, na Índia. Em 2003, a freira foi santificada pelo Papa João Paulo II.


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16 de outubro de 1978 – Igreja elege Papa João Paulo II

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Pela primeira vez em 456 anos, a Igreja elegeu um Papa não italiano. O Cardeal Polonês Karol Wojtyla, na época com 58 anos, foi escolhido após o sétimo conclave, assumindo o pontificado como João Paulo II, em homenagem ao pontífice anterior, João Paulo I, o qual falecera após apenas 33 dias de papado.

A eleição foi recebida com perplexidade e alegria pelas 200 mil pessoas reunidas na Praça de São Pedro, e com surpresa e otimismo em todo mundo.

Com esta eleição, confirmou-se a opção do Vaticano na época por um pastor e consolidou-se a linha montiniana de diálogo com os países comunistas.

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A escolha representou também uma homenagem à Polônia, maior país católico da Europa Oriental, que ainda estava sob governo comunista.

No fim da tarde do dia 16 de outubro, poucos minutos após a fumaça branca ter sido vista saindo da chaminé da capela Sistina, João Paulo II apareceu na sacada da Basílica de São Pedro e discursou, em italiano, para a multidão que aguardava ansiosa notícias do novo Papa: “Se eu errar, corrijam-me”.

Definido como um homem capaz de reunir o “fascínio de Pio XII, o carisma de João XXIII e o senso moral de política de Paulo VI”, Karol Wojtila nasceu em Wadowice, filho de um opperário que morreu como suboficial do Exército, no início da Segunda Guerra. Ele mesmo foi operário, e trabalhou como ator antes de iniciar os estudos eclesiásticos.

João Paulo II teve o terceiro mais longo papado da história, exercendo 26 anos de pontificado. Em busca da paz, o Papa viajou por mais de 100 países, levando mensagem de solidariedade e amizade para Estados que sofriam as conseqüências do mundo no pós-guerra. João Paulo II é considerado por muitos o pontífice mais popular da história. Em abril de 2005, com a morte de Wotjtila, Joseph Alois Ratzinger foi eleito Papa, como Bento XVI.



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15 de outubro de 1983 – Piquet é bicampeão mundial de F-1



Ao deixar o carro, sob os gritos da torcida que ora o chamava de “Nélson, Nélson” e ora de “Piquet, Piquet”, ele nem conseguia falar. Não aparentava muito cansaço com as 77 voltas da corrida. Mas a emoção de Nelson Piquet era enorme, por mais que ele, num instinto normal, tentasse contê-la. Uma hora, extravasou. Exatamente no momento em que a multidão fazia-o se lembrar do grande feito. Naquele dia, apesar de ter chegado em terceiro lugar na prova, Piquet se tornara bicampeão mundial de Fórmula 1, título conseguido apenas uma vez por um piloto brasileiro: Emerson Fittipaldi na década anterior.

- Me sinto nas nuvens – confessou o Piquet quase duas horas depois de ter erguido sobre a cabeça o troféu mais cobiçado da categoria – Me sinto como se não fosse um ser humano de tanta emoção. Eu queria muito mesmo este título e consegui.



A última prova do mundial de Fórmula-1 de 1983 aconteceu sob o sol escaldante da África do Sul. O francês Alain Prost era o favorito para o título da temporada, estava dois pontos a frente do brasileiro, que corria pela vitória, torcendo para que o eterno rival ficasse fora do pódio.

Numa corrida apertada, cheia de ultrapassagens emocionantes, Piquet liderou o comboio principal de pilotos na maior parte do tempo. Na 35ª volta, Prost abandonou a prova por problemas no motor turbo de seu Renault e Piquet, protegido por Patrese (que também dirigia um Brabham), seguia na dianteira com folga. Nas últimas voltas, o brasileiro caiu para a terceira colocação, ao ser ultrapassado por seu companheiro de equipe, o qual foi seguido pelo italiano Andrea De Cesaris. Dessa forma, o pódio foi formado por Patrese, Cesaris e Piquet, contribuindo para que o brasileiro somasse os pontos necessários para se tornar campeão da temporada.


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14 de outubro de 1964 – Luther King recebe o Nobel da Paz



O Prêmio Nobel da Paz de 1964 foi concedido ao líder negro norte-americano Martin Luther King, pela sua luta contra o racismo e o preconceito nos Estados Unidos, durante quase uma década. Luther King, na época, tornou-se conhecido no mundo inteiro como o “novo Gandhi”, ao promover e liderar um grande movimento pela extensão dos direitos civis dos afro-americanos no país.

Ao tomar conhecimento da decisão da Academia Sueca, no Hospital de Atlanta, no qual estava internado para exames, o pacifista, preso e condenado diversas vezes por defender a integração racial, disse que destinaria o prêmio (52 mil dólares) aos movimentos em defesa dos negros. Luther King, então com 35 anos, foi a pessoa mais jovem a receber aquela condecoração internacional.

A luta do pastor da Igreja Batista começou em 1955, quando uma mulher negra negou-se a ceder lugar em um ônibus para um branco em Montgomery - Alabama, e foi presa por isso. King e os líderes negros daquela cidade organizaram um boicote aos ônibus contra a segregação racial no transporte. A campanha durou 381 dias. Durante esse período, o pastor recebeu ameaças, foi preso e teve sua casa atacada. O boicote foi encerrado com a decisão da Suprema Corte Americana de tornar ilegal a discriminação racial nos ônibus.

Depois de encontrar-se com Mahatma Gandhi, líder da luta pela independência da Índia, em 1959, Luther King adotou o princípio da persuasão não violenta, empregada por Gandhi naquele país, como o seu principal instrumento de protesto social. King pregava a fraternidade e disse em um dos seus famosos discursos: "Aprendemos a voar como pássaros e a nadar como peixes, mas não aprendemos a conviver como irmãos''

O pastor foi assassinado em abril de 1968 em Memphis, Tenessee, por um branco que havia escapado da prisão. Desde 1986, no terceiro domingo de janeiro é comemorada a conquista dos direitos civis dos negros dos Estados Unidos e são feitas homenagens a Martin Luther King, defensor da paz e da justiça.


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13 de outubro de 1987 – Oscar Arias recebe o Nobel da Paz



Por sua liderança na América Central e pelos “esforços que levaram ao acordo assinado na Guatemala em agosto de 1987, o Comitê Nobel da Noruega concedeu o Prêmio Nobel da Paz daquele ano ao então Presidente da Costa Rica, Oscar Arias Sanchez”, autor da iniciativa que levou Nicarágua, El Salvador, Honduras, Guatemala e Costa Rica a negociarem a paz com as diferentes guerrilhas e a promoveram a democratização da região.

O prêmio, que deu ainda maior peso ao projeto que encontrava resistência por parte do governo dos Estados Unidos, foi concedido por sua “decisiva contribuição ao possível retorno da estabilidade e da paz a uma região dilacerada pela guerra civil”, em continuidade aos “esforços construtivos iniciados pelo Grupo de Contadora”, afirmou o presidente do Comitê de Oslo.

Arias, que se empenhou desde a sua posse, em maio de 1986, nas negociações no chamado acordo de Esquipulas II. “É um tributo a meu país: é o povo da Costa Rica que merece isto, o reconhecimento de nossa forma de ser e pensar”, disse Arias, emocionado ao receber a notícia. Em Oslo, o presidente do comitê havia afirmado que o prêmio destinava-se antes que tudo a apoiar o plano de paz, mas também à própria Costa Rica, como país destituído de Forças Armadas, desde 1948.

Indicado para o prêmio por um parlamentar sueco, Arias – que concorreu com a então presidenta filipina Corazón Aquino, a Organização Mundial da Saúde da ONU e o Estadista argentino Raúl Alfosín – recebeu 340 mil dólares, numa cerimônia no dia 10 de dezembro, aniversário de morte de Alfred Nobel (1896).

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12 de outubro de 1968 – Começam as Olimpíadas no México



- Declaro abertos os jogos que comemoram a XIX Olimpíada – declarou Gustavo Diaz, presidente mexicano, no dia 12 de outubro.

Depois de ameaça de cancelamento devido às lutas estudantis que tumultuavam as ruas do país, os Jogos Olímpicos do México começaram oficialmente em clima tranqüilo. Logo após o presidente ter declarado aberta a competição, 80 mil pessoas aplaudiram de pé a entrada da atleta mexicana Enriqueta Basillo que levava na mão direita a tocha olímpica. Foi a primeira vez na história que uma mulher teve a honra de transportar na cerimônia oficial o maior símbolo das olimpíadas modernas.

Além de uma mulher carregando a tocha, o México também foi palco de mais um marco: era a primeira vez em que as Olimpíadas eram sediadas em solo latino-americano. O dia escolhido para a abertura foi o simbólico Dia da Raça - exatamente 476 anos depois que Cristóvão Colombo descobriu a América.

A cerimônia grandiosa, naquele nublado dia de outubro, foi assistida pela televisão por 500 milhões de pessoas ao redor do mundo. Nas ruas da Cidade do México, longas filas. Quem não conseguiu ingresso até às 11h da manhã, deixou de presenciar um grande espetáculo.

Cinco grandes balões de gás com as cores olímpicas – vermelho, verde, amarelo, preto e azul – subiram aos céus, ao mesmo tempo em que se apresentava a primeira delegação, a da Grécia. Sob protesto, a Coréia do Norte recusou-se a desfilar e optou em ficar fora das disputas, já que o Comitê Olímpico Internacional não a reconheceu como República Democrática da Coréia, chamando o Estado simplesmente de Coréia do Norte.

A Olimpiada transcorreu sem probemas em um período caracterizado por grande tumulto e violência pelo mundo afora, com a Guerra do Vietnã, a Revolução Cultural da China, a invasão soviética da Tchecoslováquia e a consequente Primavera de Praga, as revoluções estudantis e marchas pelos direitos civis.


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11 de outubro de 1963 – Doença cala a voz de Piaf



Pouco depois de chegar da Riviera Francesa em busca da cura para um câncer, Edith Piaf, uma das mais célebres cantoras francesas, morreu aos 47 anos de idade, em Paris. “Quero continuar cantando”, teriam sido as últimas palavras de Piaf, que morreu em silêncio, na manhã do dia 11 de outubro.

A cantora, que tantas vezes lutara contra a morte e a vencera, desta vez foi vencida, e com ela desapareceu a grande senhora da canção francesa. Pequena e delgada, sempre vestida de negro, com um sorriso triste, Piaf era uma das mulheres mais famosas do mundo na década de 60. Passou a vida em procura do grande amor, um amor que muitas vezes lhe escorregava pelas mãos. Em todas as suas músicas, a vontade de amar e ser amada explodiam em sua voz grave.

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Piaf nasceu Edith Giovanna Gassion, em 1915. Filha de uma cantora de café e um acrobata de circo, foi criada pela avó. Aos oito anos ficou cega, só recuperando a visão aos 13. Dois anos depois, lançou-se na vida e começou a cantar em feiras e na rua, iniciando uma jornada solitária e aventureira no submundo de Paris até ser descoberta por Louis Leplé, dono de um cabaré, que a batizou de “La Momme Piaf”, que significa pequeno pardal.

Na década de 40, começou a fazer shows pela França, ficou célebre ao fim da Segunda Guerra: Piaf cantava para veteranos de guerra e se tornou musa dos poetas e intelectuais da época. Em 1946, apresentou-se em Nova Iorque e tornou-se uma estrela internacional. Ao mesmo tempo em que desfilava nos tapetes vermelhos dos mais célebres teatros do globo, Piaf iniciava uma luta contra um câncer. Suas músicas traduziam sua vida sofrida, de perdas e dor. Entre as mais conhecidas estão “La Vie En Rose”, “L’accordéoniste”, “Padam... Padam...”, “Milord”.



Em 1962, Piaf canta "Milord"

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10 de outubro de 1985 – Orson Welles sai de cena

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“Rosebud”. Se fôssemos comparar o fim de Orson Welles com o desfecho de Cidadão Kane, protagonista da obra-prima do cinema moderno dirgida pelo cineasta, esta seria sua última palavra. Ao morrer de um ataque cardíaco aos 70 anos, em sua residência, Welles deixou não só a certeza de que o cinema tinha perdido um de seus maiores gênios, como também a impressão que sua vida, sua obra, sua personalidade e carisma, permaneceriam como um mistério tão grande quanto Kane. Ou quase:

“Há seres humanos – diria Welles a respeito do personagem principal de sua obra – sobre os quais não existe uma verdade final, mas apenas anedotas, lembranças, retratos pintados por vários artistas”. Assim foi com Kane. E, de certa forma, com ele próprio.

Muitos Orson Welles existiram num só: o ambicioso e ousado diretor de teatro, o ator, o cineasta, o escritor, o superstar, o radialista, o gênio incompreendido, o menino-prodígio, os incontáveis papéis que viveu num punhado de filmes ruins que só se tornaram assistíveis por causa dele. Afinal, quem era Orson Welles?

“Como diretor eu mesmo pagava meu salário com meus trabalhos como ator. Usei minha própria obra para financiar minha obra. Em outras palavras, sou louco”, resumira ele uma vez após ganhar um prêmio por seus filmes.

Anedotas, fatos, lembranças, retratos pintados por vários artistas, entre os quais ele mesmo. Escrever peças de teatro era outra de suas façanhas de menino. A par desse lado anedótico meio ficcional, ressalta mesmo a figura de um homem extremamente talentoso, genial. Seus programas de rádio foram um marco de qualidade e inovação. Contava com atores jovens e destinados a fazer carreira. Levava peças clássicas ou inéditas neste meio de comunicação, como foi o caso do memorável fato acontecido em 1938.

Um de seus programas estava destinado a narrar a história que custaria a Welles alguns contratempos. Resolveu adaptar para o rádio o romance ficcional “Guerra dos Mundos”, de H.G. Wells. Tão real, tão viva foi a interpretação radiofônica, que centenas de pessoas que pegaram a transmissão da peça no meio, de fato acreditaram que os Estados Unidos estavam sendo invadidos por alienígenas. Pânico foi espalhado pelas ruas do país e Welles teve a fama projetada além das fronteiras norte-americanas.

Embora tenha feito um pouco de tudo, foi pelo seu cinema que entrou para a história. Em sua opinião, “a grande forma de arte do nosso século”.



Trailer de Cidadão Kane



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9 de outubro de 1985 – Brasil dá adeus a Médici

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O regime civil sepultou Emílio Gastarzu Médici com honras de Chefe de Estado, por exigências da família do general, acatadas pelo então Presidente José Sarney. O ex-governante, que fez da sua gestão o período mais negro da repressão política no país, mas também o de maior prosperidade econômica das últimas décadas do século passado, morreu um ano depois de ter sofrido um acidente vascular cerebral, aos 79 anos de idade.

Com censura, propaganda e alguns gestos cordiais quebrando o cotidiano de um Presidente retraído e sisudo, o General Médici encarnou por alguns anos a figura do chefe popular de um regime fechado. Do futebol, uma paixão sincera que o levou a abrir os portões do Palácio da Alvorada quando o Brasil venceu a Copa do Mundo em 1970, tirou um dos slogans ufanistas da época: “Ninguém segura este país”. Da seca, daquele mesmo ano, quando viu a fome nordestina de perto, tirou a única nota de crítica social a ganhar farta publicidade: “O país vai bem, o povo vai mal”.

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O cruzeiro ia bem, o brasileiro mal. Nunca, desde que foi criada por Getúlio Vargas, a moeda conheceu momento tão glorioso quanto na era Médici. Os centavos, que mais tarde a inflação aboliu, ainda compravam alguma coisa. No auge deste ruidoso, mas efêmero triunfo, o cruzeiro chegou a ser valorizado ante ao dólar.

Apesar das aparências, o Brasil de Médici foi um país desconhecido. O sistema que se pretendia forte e infalível o escondia de todos: dos que o aprovavam e dos que o combatiam. Médici baixou decretos e portarias para calar a voz do povo e da imprensa, estimulou a repressão, mandou perseguir e prender supostos opositores, incitantes do caos social, supostos comunistas, eternos inimigos dos ditadores da da América Latina. O rolo compressor da censura ocultava sobretudo as atividades dos órgãos de segurança e, a partir de certo momento, a disputa pela sucessão presidencial. Médici governou o Brasil com mão de ferro e sorriso no rosto, apoiando-se no “milagre econômico” para seguir com suas medidas autoritárias.


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8 de outubro de 1998 – Saramago ganha o Nobel de Literatura

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Aos 76 anos, José Saramago se tornou o primeiro escritor de língua portuguesa a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura. Justificando a escolha do autor lusitano, a Academia Sueca de Letras declarou que “com parábolas sustentadas pela imaginação, compaixão e permanente ironia, Saramago torna tangível uma realidade fugidia”.

O escritor ficou sabendo da sua premiação no aeroporto de Frankfurt, quando se preparava para embarcar para Madri, de onde seguiria para a ilha de Lanzarote, no arquipélago das Canárias, onde residia com sua mulher, Pilar del Rio.

“O Prêmio Nobel certamente não iria salvar a língua portuguesa, mas, sem dúvida, iria ajudar a protegê-la”, disse Saramago, ao ser cercado no aeroporto por jornalistas, que o presenteavam com rosas vermelhas. “O prêmio é muito importante para Portugal porque é preciso entender que uma terra que tem sido tão marginalizada pode começar a se tornar respeitada em todo o mundo pela qualidade da sua literatura. Isto é fantástico para um pequeno país”, completou.

Assumidamente comunista até o fim da vida, Saramago começou a fazer sucesso em 1984, quando recebeu o prêmio Cidade de Lisboa, um dos mais prestigiados de Portugal, por “A Jangada de Pedra”, uma parábola sobre o iberismo e o europeísmo, na qual a península ibérica se desprende do velho continente para empreender uma singular travessia. Um de seus romances mais célebres, que há dois anos virou filme, é “Ensaio sobre a Cegueira”, uma reflexão sobre a intolerância.

Saramago foi o criador de um universo literário e filosófico na fronteira entre o pessimismo e a utopia. Foi um autor fundamentalmente comprometido com a política de seu tempo, que não vacilou em abordar em seus livros questões críticas sobre a sociedade dominante. Seu estilo literário, inconfundível e extremamente pessoal e os fantásticos temas de seus romances o tornaram uma referência imprescindível na literatura mundial.

“A literatura é um mundo de idéias e isto é a matéria prima, porém o que vai sair daí nunca se sabe. Sou a mesma pessoa que escreveu um romance há 30 anos e que agora, no entanto, não poderia voltar a escrevê-lo”, disse ele ainda no aeroporto.

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7 de outubro de 1970 – JJ Torres toma o poder na Bolívia



Sob liderança de mineiros, estudantes e militantes de esquerda, o General Juán José Torres, mais conhecido como JJ, assumiu a Presidência da Bolívia num contragolpe que depôs a Junta Militar comandada pelo General Rogélio Miranda. JJ prometeu constituir um governo de unidade popular, apoiado nos trabalhadores urbanos, agricultores, estudantes e Forças Armadas. Por maior que tivesse sido a falácia em torno da promessa de se fazer um governo popular, Juán José conduziu a Bolívia como um militar. Dessa forma, seu governo não agradou nem a população, nem sua classe, a qual acabou por derrubá-lo no ano seguinte.

No primeiro dia em que assumiu o poder, mesmo sem ter composto seu ministério, Torres começou a tomar as primeiras medidas administrativas de sua gestão, entregando aos trabalhadores a tarefa de organizar cooperativas em três importantes jornais ocupados, por serem de tendência conservadora: El Diário, Hoy e Los Tiempos.

Em Oruro, centro mineiro a 240 quilômetros de La Paz, tropas da II Divisão do Exército, favoráveis ao General Miranda, abriram fogo contra partidários de JJ, que tentavam invadir o quartel, causando a morte de sete pessoas e ferindo outras 40.

À meia-noite, a Central Operária Boliviana encerrou a greve geral que decretara na véspera em oposição à junta que assumira o poder. Horas antes, condicionava o seu apoio ao novo Presidente à suspensão da indenização à Gulf Oil (nacionalizada por Ovando Candia, anos antes), aninstia geral e monopólio do comércio exterior.

Os conflitos entre populares que apoiavam o novo governo e militares que se opunham ao mesmo se estenderam durante algumas semanas. Enquanto geriu o país, Torres não teve tempo nem habilidade para fazer mudanças políticas e econômicas capazes de conter a agitação social que abalava a Bolívia. Em 1971, tendo como pano de fundo a Guerra Fria e o esforço dos Estados Unidos para a instituição de estados autoritários na América Latina, JJ Torres foi derrubado da Cadeira Presidencial, a qual seria ocupada desta vez por outro general: Hugo Banzer (1971-78; 1997-2001). Torres então partiu para exílio no Chile e Argentina. Em 1976, foi sequestrado e assassinado em Buenos Aires, tornando-se símbolo da ação violenta do Plano Condor.


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6 de outubro de 1974 – Fittipaldi é campeão de F1

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Emerson Fittipaldi se sagrou campeão mundial de pilotos ao obter o quarto lugar e fazer três pontos no GP dos Estados Unidos, prova vencida pelo argentino José Carlos Pace. Emerson, que dosou sempre a potência de seu McLaren terminou o campeonato com 55 pontos, contra 52 de Clay Regazznoni, que não se colocou bem na última corrida porque teve problemas com seu Ferrari.

Sabendo que para se sagrar campeão deveria chegar à frente de Regazzoni, com quem estava empatado em primeiro lugar, Fittipaldi se preocupou em fazer uma boa largada para não ser ultrapassado pelo suíço. Alinhado com seu McLaren na quarta fila, ao lado do Brabham de John Watson, com o rival logo atrás, ele teve uma saída perfeita: adiantou-se a Watson e bloqueou o caminho de Clay, que também largou bem.

Após a conquista do título, Emerson declarou que viajaria para Indianápolis, onde faria testes com um McLaren, a convite do chefe da escuderia, para participar no ano seguinte das 500 milhas de Indianápolis, a prova mais bem paga do automobilismo mundial na época.

Na prova do dia seis, nem tudo se saiu bem, no entanto. O austríaco Helmut Koinigg, de 25 anos, que fazia sua segunda corrida na F-1, morreu ao perder o controle de seu Surtees e ir de encontro a um guard-rail na oitava volta da prova, a 250 quilômetros por hora. O local do acidente foi o mesmo onde no ano anterior morrera o francês François Cevert, quando treinava em seu Tyrrel para o GP dos Estados Unidos.

Fittipaldi começou a competir na F-1 em 1970, no GP da Inglaterra, quando foi o oitavo colocado disputando a prova a bordo de um Lotus. Dois anos depois, ele se sagraria campeão mundial pela primeira vez, título inédito para um piloto brasileiro. Até então, Emerson havia vencido 12 GPs, tendo a pior temporada em 1971, quando sofreu um acidente. O triunfo em 1974 foi o ápice da carreira de Emerson, que depois não ganharia nenhum mundial, decidindo deixar as pistas em 1980.

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5 de outubro de 1988 – Promulgada a Constituição Cidadã



Depois de exatos 8.955 dias de incertezas institucionais, a contar do dia 31 de março de 1964, o Brasil inaugurou no em 5 de outubro de 1988 uma nova era. Nesta data entrou em vigor a nova Constituição, conhecida como Constituição Cidadã, pondo fim ao ciclo autoritário instituído pelo governo militar.

Por volta das 16h, diante do Presidente da República José Sarney, do presidente do Supremo Tribunal Federal, deputados, senadores e governadores, Ulysses Guimarães, presidente da Assembléia Nacional Constituinte, anunciou: “Declaro promulgada a Constituição da República Federativa do Brasil”. O discurso da figura emblemática e crucial do deputado foi aplaudido pelo auditório lotado por 33 vezes. No final, após lembrar os esforços de Tancredo Neves para que a Carta fosse promulgada, manifestou o seu repúdio aos tempos passados:

"Temos ódio à ditadura. Ódio e nojo. Amaldiçoamos a tirania onde quer que ela desgrace homens e nações, principalmente na América Latina".

A partir daquele momento, ninguém mais poderia ser preso a não ser em flagrante ou com expressa ordem judicial, nenhum empregado poderia ser demitido sem receber a multa de 40% do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. Todo cidadão teria então garantidos seus direitos individuais, coletivos, sociais, de nacionalidade e políticos. Liberdade de expressão e pensamento, assim como a igualdade de todos perante a Lei também foram destaques da Carta Magna.

Era exemplo de uma nova era na qual o Congresso Nacional, marginalizado pelos militares – que o colocaram três vezes em recesso (1966, 1968,1977) -, podia exercer sem restrições as atividades que eram de sua competência, como modificar o orçamento da União.


A Constituição Cidadã é vigente até os dias de hoje.


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Em 1937: Estado Novo e a nova constituição
Em 1946 – Aprovada a III Constituição da República
Em 1969 – Promulgada a nova Constituição

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4 de outubro de 1965 – Multidão recebe JK na volta do exílio

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Dez anos após ter sido eleito à Presidência da República e um ano depois de ter ido para o exílio na França, JK retornou em definitivo ao Brasil, após 16 meses fora do país. Protegido por contingentes da Aeronáutica e por elementos do Departamento Federal de Segurança, Juscelino Kubitschek desceu na manhã do dia 4 no aeroporto do Galeão, depois de um exílio voluntário de 16 meses. Cerca de cinco mil pessoas, entre estudantes, militares e políticos, esperavam o desembarque do ex-presidente, na Ilha do Governador.

- Neste instante, não tenho expressões para demonstrar minha satisfação pelo regresso. Diante de tão apoteótica e carinhosa recepção, tenho que agradecer a Deus essa oportunidade – declarou JK à imprensa.

Assim que deixou o aeroporto, JK foi prestar depoimento numa delegacia de polícia, como mandava a praxe, mas depois de horas de interrogatório foi liberado. Nesta época, a imagem do ex-governante ainda estava um pouco prejudicada devido a denúncias de corrupção por parte do Exército, que impugnara seu mandato como Senador de Goiás em 64.

No dia em que JK colocava os pés no Rio de Janeiro, eleições que decidiriam o futuro governante do Rio de Janeiro estavam acontecendo. Parte dos um milhão e 380 mil eleitores cariocas elegeria Negrão de Lima como líder do estado, com mandato terminando apenas em 1970. Negrão, simpatizante de JK, também esteve presente na recepção calorosa do ex-presidente, no Galeão, naquela manhã.

Dois anos depois de ter regressado ao país, JK tentou organizar a Frente Ampla, de oposição ao regime militar, junto com Jango e o controverso Carlos Lacerda. Também tentou voltar à vida pública, mas a propaganda contrária a sua candidatura movida pelos militares, acusando-o de corrupto, fizeram com que ele jamais conseguisse ser eleito para qualquer cargo do Executivo. Em 76, o simpático Presidente em cujo governo se deu a construção de Brasília, morreria em um acidente de carro.

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Em 1964 - Cassado o mandato de JK

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3 de outubro de 1955 – Povo vai às urnas. JK é eleito Presidente.

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No dia 3 de outubro de 1955 a população brasileira foi às urnas para escolher seu novo Chefe de Estado. Juarez Távora, Plínio Salgado, Juscelino Kubitschek e Ademar de Barros concorriam à Presidência da República, num quadro de agitação política conseqüente da crise que eclodiu com o suicídio de Vargas, no ano anterior. Nesta eleição, pela primeira vez se usava cédulas oficiais da União; antes a fabricação destas ficava a cargo dos próprios partidos políticos.

“Decide-se amanhã nas urnas se o Brasil vai entrar ou não no caminho da recuperação moral, do qual andou tanto tempo afastado por espíritos messiânicos. O povo lhe apontará a rota. Será o supremo momento de conhecermos através desse levantamento, desse balanço, se ainda crepita, sincera, na alma de seus filhos, a chama flamejante do amor à pátria”, publicou o JB no dia anterior ao pleito.

CPDoc JB - JK na inauguração de Brasília


Após quase um mês de apuração, chegou-se ao seguinte resultado: Juscelino vencia com 36% dos votos válidos. Lançado com dificuldades pela coligação PSD-PTB, JK obteve 3.077.411 votos, 400 mil a mais do que o segundo colocado, o general Juarez Távora, da UDN. Conseguir apoio para concorrer à Presidência foi difícil para o experiente JK: ele sofreu forte oposição de setores do Exército, que o julgavam simpatizante da causa comunista.

A UDN, insatisfeita com o resultado, tentou impugnar o resultado das eleições democráticas alegando irregularidades no pleito além do fato de Juscelino não ter obtido maioria absoluta dos votos. A posse de JK e seu vice, Jango, só foi garantida graças a um golpe militar, em novembro do mesmo ano, liderado por Teixeira Lott, o qual depôs o presidente interino Carlos Luz . JK assumiu seu mandato de cinco anos em 31 de janeiro de 1956, com grande festa popular.


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2 de outubro de 1992 – Collor sai, Itamar assume a Presidência



O vice-presidente Itamar Franco assumiu a Presidência da República, após o afastamento de Fernando Collor de Melo, em julgamento por participação em esquema de desvio de verba pública e enriquecimento ilícito. A população respirava aliviada. Finalmente via-se o sucesso de um grande movimento social para derrubar o Chefe de Governo de Estado. Ao assumir o posto de Chefe de Estado, Itamar afirmou que iria ficar atento ao “Congresso Nacional e às reivindicações das ruas”.

A antecipação da posse foi decidida em uma reunião em que Itamar foi pressionado pelos presidentes do Senado e do Supremo Tribunal Federal. Itamar queria mais tempo para definir completamente o seu Ministério, mas foi dissuadido disso. Nesse dia, ele ainda não tinha definido quem seria o seu Ministro da Fazenda.

“Quem estiver pensando que vai me pressionar sobre esse ou aquele cargo está enganado”, afirmou à entrada de seu gabinete, no subsolo do Palácio do Planalto. “Vou dizer uma coisa definitiva: quem define o Ministério é o Presidente da República”.

Collor recebeu a notícia sobre seu afastamento num comunicado enviado pelo Senado, na manhã daquele dia. Despediu-se do povo em uma carta de 25 linhas, desmentindo que estivesse negociando uma renúncia em troca de anistia e declarou que aguardava “no sofrimento que a verdade prevaleça”. E prevaleceu.



Em dezembro de 1992, Collor renunciou ao mandato na tentativa de evitar ter seus direitos políticos cassados. A medida, no entanto, não funcionou. Collor foi cassado e impedido de concorrer a cargos do Executivo durante oito anos. Em 2006, no entanto, Fernando Collor de Melo retomou suas atividades políticas ao se eleger Senador. Neste domingo, o único Presidente brasileiro que foi impedido de governar em virtude de ilegalidades morais e financeiras durante o seu mandato, concorre ao Governo do estado de Alagoas, pelo PTB, com grandes chances de vencer.

Saiba mais sobre o impeachment de Collor aqui



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1 de outubro de 1977 – Pelé marca seu último gol

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Os que acompanharam a carreira de Pelé, dos primeiros passos em Bauru aos grandes feitos de deus do futebol, podiam imaginar tudo, menos o que aconteceu em sua última partida como jogador profissional: o gol de despedida do Rei aos campos foi contra o Santos, time que o defendeu, projetou e engrandeceu durante 18 anos de sua vida.

No Giants Stadium, em Nova Iorque, aconteceu a memorável partida entre Cosmos e o Peixe. Durante os primeiros 43 minutos de jogo, Pelé vestiu a camisa do time norte-americano, sua segunda e última equipe, fazendo um gol de falta, contra o grupo do coração. No segundo tempo, Edson Arantes do Nascimento trocou o uniforme a atuou na equipe adversária, para fechar com chave de ouro, ou melhor, alvinegra, uma carreira de mais de 1.281 gols, a qual o consagrou como o maior atleta do século XX. Quando saiu de campo, o Rei estava às lágrimas. Emocionado, acenou para a torcida e agradeceu o carinho.

Nos quatro cantos do mundo, Pelé sacudiu as redes. A história de sua carreira se confundia com a própria história do futebol, durante um período de 20 anos. Marcou gols de todas as formas, fáceis e difíceis, possíveis e impossíveis, simples e requintados, na classe ou no grito.

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O primeiro de que se tem notícia, no time principal do Santos, foi em 9 de julho de 1956, quando tinha menos de 16 anos. Pela Seleção Brasileira, honrou a camisa nacional pela primeira vez diante da Argentina, em 57, quando nossa equipe perdeu de 2x1. O único gol foi do Rei, que faria história defendendo o uniforme auriverde.

Após a despedida oficial dos gramados, Pelé se propôs a fazer gols apenas em partidas beneficentes, como aconteceu em 1973, em um jogo no Maracanã em homenagem a Garrincha – companheiro de tantas glórias.

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