31 de outubro de 1984 – Indira Gandhi é assassinada com tiros nas costas

Antes do chá das 10h, programado para ser tomado com o ator inglês Peter Ustinov, a primeira-ministra da Índia, Indira Gandhi, morreu com oito tiros nas costas por dois de seus seguranças, ambos membros da minoria sikh. Após a morte de Indira, seu filho Rajiv Gandhi assumiu a chefia do governo, iniciando um mandato que duraria até 1989.
“O mais importante agora é manter nosso equilíbrio. Devemos e podemos superar esta tragédia com fortaleza, coragem e cordura. Não devemos deixar que a emoção se imponha”, pediu Rajiv na noite do dia 31, acrescentando que Indira não era apenas sua mãe, mas mãe de todos os indianos.
Apesar do apelo feito pelo novo estadista para que a população se mantivesse a calma, uma onda de violência se espalhou pela Índia e um grande massacre de inocentes sikhs foi iniciado pela maioria hindu. Os protestos se estenderam por sete estados e o governo decretou toque de recolher em várias capitais, colocando o Exército em alerta. Foi decretado também luto oficial de 12 dias pela perda da grande líder indiana, que reescreveu a história do país durante quase duas décadas.

Instaurava-se na Índia a maior crise desde que Mahatma Gandhi, o fundador da nação, havia sido assassinado, em 1947. A primeira-ministra fora morta a apenas dois meses da eleição nacional de uma das mais populosas nações democráticas do mundo. Indira se aproximava do fim de um turbulento mandato de cinco anos - seu segundo como chefe do país – dominado pelo confronto com a comunidade sikh, o problema mais espinhoso com o qual se deparou em 25 anos de carreira política.
Em junho daquele ano, a rivalidade fora acentuada quando ela mandou o Exército invadir o Templo Dourado dos sikhs, que se tornara uma fortaleza de extremistas ansiosos pela criação de uma nação separada, chamada Khalistão, no Estado do Punjab. Sua lista de inimigos aumentou e com ela os planos de pessoas dispostas a acabar com sua vida.
“Se eu morrer hoje, cada gota de meu sangue dará mais força à nação. Não me importa dar a vida à serviço do país”, dissera Indira dois dias antes do atentado. Mais tarde, em uma conversa com seus empregados, Indira teria pressentido novamente morte próxima: “Vocês vão ver. Não haverá festa no meu aniversário (19 de novembro). Nem sei onde estarei neste dia”.
Leia também:
Em 1966 - Indira é eleita primeira-ministra
Em 1977 – Após 11 anos no poder, Indira Gandhi renuncia



















































