Arquivo de November 2010

RSS Feeds

30 de novembro de 1980 – Morre Cartola, o Poeta do Amor

Cartola. JB: 1 de dezembro de 1980


Aos 72 anos de idade morreu Cartola, um dos mais importantes compositores da Música Popular Brasileira, definido pelo poeta Carlos Drummond de Andrade como o homem que “se apaixonou pelo samba e fez do samba o mensageiro de sua alma delicada”. O romântico boêmio lutou contra um câncer durante dois anos, tendo como fiel companheira a esposa Dona Zica, que permaneceu ao seu lado por todo o tempo. Um casamento de 26 anos.

Semente de amor sei que sou desde nascença”... Este verso – cantado por Cartola num de seus mais inspirados sambas e saudado com entusiasmo por ilustres membros da Academia Brasileira de Letras – tem a força e o sentido de uma autodefinição: Cartola foi, a vida inteira, um romântico. A semente que ele plantou ao nascer de fato o transformou num poeta cujos temas – a mulher, as flores, o samba, os amigos, Deus – estão permanentemente impregnados de amor.

O poeta silenciou. Com ele, desapareceu não apenas o grande compositor das escolas de samba, mas também um dos mais ricos e fascinantes personagens da MPB. “Divino Cartola”, definia-se ele com orgulho quando encantava os amigos ao cantar Não Faz, Amor ou Divina Dama, em bares da Zona Sul. Antes de morrer, o compositor destacou três músicas que julgava mais importantes em sua obra e pelas quais gostaria de ser lembrado: As Rosas não Falam, O Mundo é um Moinho e O Inverno de Meu Tempo.

Cartola


Cartola cresceu no Catete. De família pobre, mudou-se para um barraco no Morro da Mangueira. O cenário da Mangueira, em 1919, estava muito longe de ser a beleza de que o samba fala, mas, mesmo assim, despertou no menino Angenor de Oliveira (seu nome de batismo) um inexplicável fascínio. Mais tarde explicaria o “amor a primeira vista” pelo sentimento de liberdade que o morro lhe evocava. Ali, tudo o encantava. Lá, fez amigos eternos, como o também compositor Carlos Cachaça, cuja parceria resultou em belíssimos sambas.

A paixão pelo estilo musical, aliás, fez aqueles jovens fundarem, na década de 1920, a escola de samba Estação Primeira de Mangueira. Partiu de Cartola a escolha das marcantes cores da escola: verde e rosa.

Em 1931, já amigo de Noel Rosa, seu nome – Cartola da Mangueira – era conhecido nas rodas de samba da cidade. Seu nome e suas composições começavam a fazer sucesso num cenário próspero, em que eram lançados no meio musical Francisco Alves, Mário Reis, Ismael Silva, Orestes Barbosa e Lupicínio Rodrigues.

Em 1948, Cartola era um cantor premiado e seu samba, escrito a quatro mãos com Carlos Cachaça, Vale do São Francisco, impulsionou a vitória da Mangueira no desfile das escolas de samba daquele ano. Cartola dividia-se entre o morro e a cidade. Entre o barracão e os estúdios de rádio.

O mestre eternizava-se no coração do Brasil. Apesar de ter passado dez anos no anonimato, por conta de uma meningite que apagara sua memória, em 1957, já casado com Dona Zira, voltava a falar de rosas no cenário da boemia carioca, do qual não sairia mais.

“Bate outra vez
Com esperanças o meu coração
Pois já vai terminando o verão, enfim
Volto ao jardim
Com a certeza que devo chorar
Pois bem sei que não queres voltar para mim
Queixo-me às rosas, mas que bobagem
As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti, ai
Devias vir
Para ver os meus olhos tristonhos
E, quem sabe, sonhavas meus sonhos
Por fim”

(Cartola: ‘As Rosas Não Falam’)




Baixe aqui a versão desta coluna no JB Digital

Leia também:
Em 1937 - Adeus ao poeta da vila
Em 1977 - 75 anos de Carlos Cachaça, o poeta do samba mais nobre
Em 1978 — O samba de Ismael Silva
Em 1998 – O samba perde sua pérola negra


Aqui, o Hoje na História em audiovisual

 Comentar (2)

30 de novembro de 1975 – Quarenta anos sem Fernando Pessoa

Fernando Pessoa, morte. JB: 29 de novembro de 1975


Na véspera do quadragésimo aniversário de morte do poeta português Fernando Pessoa, um dos maiores escritores do século XX, morto em 30 de novembro de 1935, o Jornal do Brasil fazia em suas páginas uma saudosa homenagem ao autor. Nos dias que se seguiriam, em várias partes do Brasil ocorreriam homenagens populares e acadêmicas ao poeta que conseguia captar e expressar os mistérios mais profundos do ser humano.

Na madrugada do dia 29 para o dia 30 de novembro de 1935, Fernando Pessoa era quase um anônimo quando uma crise hepática, em decorrência dos excessos de álcool, tirava-lhe a vida. Vivia do minguado salário de correspondente comercial e poucos conheciam seu nome e talento de artista. Sua vasta obra permanecia quase inteiramente inédita.

Curioso, Pessoa interessou-se pelas mais diversas manifestações do espírito humano. E para desafogar-se das pressões do seu espírito rico de facetas, teve de desdobrar-se em toda uma série de personalidades criadoras, cada uma com voz própria, embora no conjunto todos formem uma grande e poderosa unidade. A obra de Pessoa foi sendo publicada pouco a pouco depois de sua morte, despertando admiração e provocando uma quantidade crescente de estudos nas mais diversas línguas.

fernando pessoa


Foram mais de 72 heterônimos, tendo sido o primeiro criado quando o autor ainda era criança. Foram quatro, no entanto, que se tornaram mais célebres: Alberto Caeiro, conhecido como poeta-filósofo, apesar de pregar uma “não-filosofia”; Ricardo Reis, o poeta clássico, harmônico e bucólico; Álvaro Campos, o poeta de veia niilista e pessimista; e Fernando Pessoa Ele mesmo, o homem político, histórico, cuja principal obra se concentra em Mensagem.

Foram necessários quase 40 anos para que essas faces viessem à luz revelando toda a sua complexidade literária, já que a obra de Pessoa passou vários anos condenada pela ditadura de Salazar.

Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus

(Alberto Caeiro, 1913-1915)


Para fazer dowload desta coluna no JB Digital, acesse aqui!

Leia também:
Em 1982 – García Márquez ganha o Nobel de Literatura
Em 1987 – O adeus ao poeta de coração gauche
Em 1998 – Saramago ganha o Nobel de Literatura

 Comentar

28 de novembro de 1975 – Morre o escritor Érico Veríssimo

JB: 29 de setembro de 1975 - Morre Érico Veríssimo


Vítima de enfarte, morreu em casa o escritor Érico Veríssimo, às vésperas de completar 70 anos de idade. No dia seguinte, numa tarde cinzenta, que escondia o céu que o escritor tanto admirava, o corpo de Veríssimo foi sepultado em Porto Alegre. Seu último dia de vida, Veríssimo passou na companhia da esposa e do filho, o também escritor Luís Fernando Veríssimo. A morte pegou a todos de surpresa.

“O Brasil perde seu principal romancista e o mundo um dos maiores romancistas contemporâneos. Ele deixa uma obra que viverá enquanto existir a língua portuguesa. Seus personagens enriqueceram a humanidade brasileira”, declarou emocionado o escritor Jorge Amado no funeral do amigo e acrescentou: “Quanto a mim, perdi um irmão, me sinto infinitamente triste”.

Érico nasceu numa família rica em Cruz Alta, na serra gaúcha. Quando era pequeno, seu pai foi à falência, fazendo o pequeno escritor passar por experiências de pobreza que inspirariam grande parte de sua obra. Leitor assíduo quando pequeno, Veríssimo virou um grande escritor ao atingir a maturidade, relatando o cotidiano dos moradores do extremo Sul do país. Sua estréia literária se deu em 1932, com Os Fantoches. Em 1935, conquistou o prêmio Graça Aranha com o romance Caminhos Cruzados. Mas foi com a trilogia O Tempo e o Vento, considerada sua obra-prima, que o escritor se tornou um mito nacional e internacionalmente.

Érico Veríssimo


Dividida em O Continente (1949), O Retrato (1951) e O Arquipélago (1962), os três romances contam a história do Rio Grande do Sul, de 1680 até o fim do Estado Novo em 1945, através da saga das famílias Terra e Cambará. A princípio, Veríssimo planejou fazer só um volume com cerca de 800 páginas, que seria escrito em três anos. Mas o assunto rendeu tanto que o escritor acabou ultrapassando as 2.200 páginas, escritas ao longo de 15 anos. A obra virou novela, em 1967, e minissérie adaptada, em 1970.

Na década de 1970, após de publicar O Senhor Embaixador, O Prisioneiro e Incidente em Antares, Veríssimo se tornou um dos autores mais vendidos no país.

O meu amigo mais íntimo é o sujeito que vejo todas as manhãs no espelho do quarto de banho, à hora onírica em que passo pelo rosto o aparelho de barbear. Estabelecemos diálogos mudos, numa linguagem misteriosa feita de imagens, ecos de vozes, alheias ou nossas, antigas ou recentes, relâmpagos súbitos que iluminam faces e fatos remotos ou próximos, nos corredores do passado - e às vezes, inexplicavelmente, do futuro - enfim, uma conversa que, quando analisamos os sonhos da noite, parece processar-se fora do tempo e do espaço". Érico Veríssimo.

Para fazer dowload desta matéria, acesse aqui!

Leia mais:
Em 1964 – Cecília Meireles parte ao entardecer
Em 1977 - A hora da estrela Clarice Lispector
Em 1983 – Morre a novelista Janete Clair

 Comentar

27 de novembro de 1985 – Emenda abre caminho para a nova Constituição

JB: 27 de novembro de 1985


Por meio da 26ª emenda constitucional, foi convocada oficialmente a Assembléia Constituinte pelo então presidente Senado, José Fragelli, diante de um Plenário lotado. O objetivo desta Assembléia era elaborar a nova Carta democrática brasileira, a qual extinguiria a Constituição militar e autoritária de 1967, incluindo em seus artigos cobiçadas leis como a que diz respeito à liberdade de imprensa e opinião, ou a referente à eleição direta e secreta para Presidente da República e todos os outros cargos do Executivo.

“No Brasil, o século histórico não condiz ao século cronológico. Tanto que com isso [a promulgação] estamos antecipando política e socialmente o século 21”, declarou o presidente do Senado após ter sido entoado o Hino Nacional e ter sido declarada promulgada a emenda pelo mesmo.

A Câmara dos Deputados, nessa ocasião, contava com congressistas e convidados, entre os quais estavam os presidentes de Assembléias Legislativas, ministros e representantes do Corpo Diplomático, em celebração ao ato histórico, conseguido após árdua luta social e política no país. Autor da idéia de convidar diplomatas estrangeiros, o então presidente da Casa, deputado Ulysses Guimarães, disse que “queria dar conhecimento ao mundo do grande feito brasileiro”. Neste dia, o Brasil dava mais um grande passo rumo à total redemocratização, após mais de duas décadas de um repressor regime militar.

Ulysses, o orador mais aplaudido, fez um discurso curto para dizer que estava realizado seu “grande sonho de 21 anos”. Ele, junto com Tancredo Neves, foi peça fundamental nos esforços de implementar a redemocratização do Brasil, na promissora década de 1980.

A nova Constituição da República, conhecida como Cidadã, foi promulgada em 1988, abrindo espaço para a feliz conclusão do processo de redemocratização, que se deu na realização das eleições livres, diretas e secretas para a Presidência, em 1989.


Leia também:
Em 1988: É aprovada a nova Constituição brasileira
Em 5 de outubro de 1988 – Promulgada a Constituição Cidadã
Em 1989 – No centenário da República, Brasil vai às urnas

 Comentar

26 de novembro de 1950 – China entra na Guerra da Coréia

Jornal do Brasil: 26 de novembro de 1950


Cinco meses após iniciada a Guerra da Coréia, a China iniciou sua participação no conflito ao enviar de surpresa 20 mil soldados em ajuda à Coréia do Norte no combate às forças das Nações Unidas, as quais haviam alcançado o paralelo 38 – ao norte da fronteira – no início de outubro. O reforço chinês oficializou a participação deste país no conflito da península coreana, contribuindo para uma supremacia temporária da Coréia do Norte sobre a Coréia do Sul.

Com a ajuda chinesa, a frente comunista conseguiu avançar 35 quilômetros sobre a área aliada, em apenas dois dias. Ao mesmo tempo em que a Coréia do Norte recebia reforço chinês concomitante à chegada de 150 mil homens soviéticos, o Exército da Coréia do Sul seguia despreparado, perdendo batalhas e abrindo brechas na linha aliada formada pelas tropas da ONU – então chefiadas pelo General vitorioso na Guerra do Pacífico (1945), Douglas McArthur.

“Despachos procedentes da frente de batalha indicam que as tropas aliadas já sofreram, em conseqüência da ofensiva vermelha, o que os correspondentes qualificam de ‘o pior revés das forças da ONU na guerra coreana’”, informou o JB da época.

As batalhas que sucederiam o início da participação chinesa na guerra aumentariam a violência e engrossariam o conflito na península coreana. No decorrer do ano seguinte, a ONU tentaria firmar alguns tratados de paz, jamais aceitos pela força comunista nortista que, então, passaria a responder em aliança com o governo chinês.

A trégua definitiva só seria aceita em 1953, quando enfim decidiu-se o derradeiro destino da península: a divisão em dois países independentes, com sistemas econômicos, políticos e sociais distintos. O Norte se firmaria como um país comunista; e o Sul, como uma nação capitalista, que travaria nos anos seguintes uma vitoriosa batalha contra o subdesenvolvimento, a fome, o analfabetismo e a destruição das cidades no conflito. A tenção entre os vizinhos, no entanto, continua até hoje, principalmente na região fronteiriça.


Leia também:
Em 1950 – EUA entram na Guerra da Coréia
Em 1951 — Tentativas de paz na Coreia

 Comentar

25 de novembro de 1970 – Yukio Mishima se mata em protesto ao pacifismo japonês

JB: 26 de novembro de 1970


A excentricidade do escritor japonês Yukio Mishima , de 46 anos, valeu-lhe várias vezes a indicação para o Prêmio Nobel de Literatura, mas no dia 25 de novembro chegou ao extremo ao levar-lhe a vida.

Com quatro correligionários de extrema-direita, Mishima roteirizou e executou um plano cinematográfico: invadiu o Quartel-General da Defesa, em Tóquio, ocupou uma sacada de onde pronunciou um discurso inflamado contra a Constituição japonesa – que impedia o rearmamento do país – para dois mil atônitos soldados, e em seguida praticou o místico e proibido suicídio samurai, haraquiri.

“Deve ter ficado louco”, declarou o Premier Eisaku Sato, enquanto nas calçadas, diante das casas com televisores ligados, o povo via cenas do gabinete do Gneral Masuda – onde ocorreram os suicídios. No solo do quartel, transmitido pelas redes de TV, cabeças empapadas de sangue dos extremistas.

Mishima


Na invasão do quartel, a caminho do planejado suicídio, Mishima e seus companheiros – que vestiam o uniforme do Exército Imperial e um turbante estampado com o sol nascente – mataram oito soldados que lhes ofereceram resistência. Irrompendo no gabinete de Masuda, comandante do QG, amarraram-no em sua própria cadeira para garantir a segurança de Mishima durante o discurso, a mais de 10 metros do chão. Terminado o falatório, Mishima se despiu até a cintura e rasgou a barriga com uma tradicional espada samurai ao gritar: “Viva o Imperador”! A seguir, um de seus companheiros decepou-lhe a cabeça, antes de, igualmente, praticar o haraquiri e, por sua vez, ser decapitado por outro companheiro.

Dois anos antes de morrer, Yukio Mishima fundara uma organização juvenil direitista, na qual submetia seus 80 membros a treinamento militar secreto nas montanhas do Japão. Seu haraquiri, segundo a tradição japonesa, foi a forma mais honrosa de se suicidar manifestando suas idéias. “Não há ninguém que ouse matar-se atirando-se contra a Constituição. Agora, levantemo-nos e morramos juntos para conseguir a revisão da Constituição pacifista”, dissera ele ao grupo de soldados que o ouvia no QG naquele dia. Em 1966, Mishima fizera o haraquiri enquanto ator do filme Os Patriotas, baseado em suas próprias peças.

Mishima foi um grande escritor japonês, um dos maiores da literatura deste país. Seu livro O Homem que Incendiou o Templo, sobre o zen-budismo, foi Best seller nos Estados Unidos em 1955. No Japão, apesar da excentricidade, era querido e seus livros, populares. Ao morrer, deixou uma mulher e um casal de filhos pequenos em seu apartamento moderno, no centro de Tóquio.



 Comentar

24 de novembro de 1991 – Morre Freddie Mercury: "Carmen Miranda do rock"

Jornal do Brasil - morte freddie mercury


Um dia depois de anunciar publicamente ser vítima da AIDS – o grande mal disseminado nos anos 1980 -, o vocalista e líder da banda inglesa Queen, Freddie Mercury, morreu de broncopneumonia, aos 45 anos, em sua casa na Inglaterra. A morte de Freddie engrossou a lista das vítimas célebres da doença e colocou fim à bem sucedida trajetória do Queen. Desde o início de sua carreira, em 1971, o grupo mantinha a mesma formação, com Mercury, Brian May (guitarra), Roger Taylor (bateria) e John Deacon (baixo). Freddie deixou de herança para sua amiga Mary Austin uma fortuna calculada em 50 milhões de dólares.

Mercury nasceu Frederick Bulsara, na costa da Tanzânia, África. Foi educado na Índia e logo cedo mudou-se para a Inglaterra com a família. Na terra da rainha ele estudava desenho quando, em 1971, junto com outros três universitários decidiram criar o Queen. Ao lado de Brian, Roger e John, Frederick se transformou em Freddie Mercury para conquistar o sucesso com uma das bandas mais longevas e bem sucedidas do rock internacional.

freddie mercury


Já no primeiro LP, Queen, lançado em 1973, a banda sacudia o marasmo do mercado pop, um tanto anestesiado pela música progressiva, com um show onde luz e figurinos chamavam tanto a atenção do público quanto o repertório. A frase “não usamos sintetizadores” apareceu como um carimbo em todos os discos do grupo lançados até o fim da década. No lugar das tecnologias emergentes, o Queen trabalhava com arranjos ecléticos – da balada ao hard rock – os vocais operísticos de Freddie e a respeitada guitarra de Brian May. Em 1975, com o lançamento do terceiro disco, A night at the opera, o Queen ganhou status de rival do legendário Led Zepelin.

Encarando dezenas de turnês pelo mundo, o Queen logo virou um fenômeno. A banda performática que trazia no repertório músicas com arranjos inusitados de orquestra entrou na década de 1980 como mito. Em 1985, quando veio ao Brasil pela segunda vez se apresentar no Rock in Rio, Fred Mercury irritou os metaleiros presentes na primeira edição do festival ao cantar I want to break free, contrastando seu vasto bigode com uma peruca e um vestido de mulher. Os fãs do Iron Maiden, com quem o Queen dividiria o palco naquela noite, jogaram terra no palco, mas não conseguiram calar o irreverente protagonista.

freddie mercury


Do meio para o fim da década de 1980, o Queen produziu discos que não se comparavam aos do início de carreira, mas que mantiveram bom índice nas paradas de sucesso mundiais. Deflagraram-se aí rumores que o grupo estaria se separando. Pouco antes de morrer, o soprano que já tinha se definido como a “Carmen Miranda do rock” não saía mais quase de casa para se divertir: a dor da perda de muitos amigos para a AIDS era enorme. Em uma de suas últimas entrevistas, Mercury declarou:

“Eu não penso sobre minha morte ou como os fãs vão lembrar de mim. Isso é com eles. Quem vai se importar com a minha morte? Eu não.”




Leia também:
Em 1985: Aumenta que isso aí é Rock´n Roll!
Em 1985: Primeira noite do Rock in Rio
Em 1990 – Brasil se despede de Cazuza
Em 1991 – Inicia-se a segunda edição do Rock in Rio


 Comentar (7)

23 de novembro de 1935 – Começa em Natal a Intentona Comunista

Intentona Comunista - JB, 26 de novembro de 1935


Ao cair da noite do dia 23 de novembro, insurgiu em Natal e em Recife uma Revolta Vermelha cujo principal objetivo era desestabilizar o governo autoritário de Getúlio Vargas. Planejado durante meses por Luís Carlos Prestes e membros da Aliança Nacional Libertadora, o levante, que ficou conhecido pelo nome pejorativo de Intentona Comunista, pretendia eclodir simultaneamente no Rio Grande do Norte, Pernambuco e Rio de Janeiro, e obter a adesão progressiva da população e de quartéis em outros estados. Após incitar a rebelião nacional, o movimento previa depor Getúlio Vargas e instaurar um governo revolucionário de cunho socialista. O tiro, no entanto, saiu pela culatra.

“Imediatamente o governo federal tomou as providências indicadas para combater o surto extremista do norte e restringiu-lhe o raio da ação. Adotaram-se medidas rápidas e severas no sentido de uma pronta repulsa aos sediciosos, que haviam conseguido levar a indisciplina às forças militares aquarteladas naquela zona”, informou o Jornal do Brasil, no dia 26 de novembro.

Como foi relatado no JB da época, os estados do Nordeste deflagraram o levante antes do resto do país, fazendo com que o governo conseguisse se prevenir bem da rebelião no Distrito Federal, essencial para a continuidade do plano revolucionário. Assim que a notícia da instauração de um governo provisório em Natal se propagou, Vargas decretou estado de sítio no Brasil, cortou as vias de comunicação do estado com o resto do mundo, enviou grande contingente militar para suprimir a “revolta no norte” e colocou o Exército nas ruas do Sul e Sudeste para evitar a propagação do movimento.

Quando a “Intentona” aflorou no cerne militar carioca, duras medidas foram tomadas para que dos quartéis não saíssem os rebeldes armados. Poucas manifestações incendiárias tomaram as vias públicas da capital do país e um sangrento massacre causou a morte de 29 militares fluminenses, além da prisão de centenas de ativistas comunistas.

O episódio, sufocado de vez no dia 28 do mesmo mês, serviu para fortalecer o governo Vargas, que emergia como único meio de garantir a segurança e a unidade nacional frente à ameaça comunista. Em 1937, assim, seria instaurado no Brasil o Estado Novo.


Leia também:
Em 1936 - A prisão de Prestes e Olga
Em 1937 - Descoberto o Plano Cohen
Em 1937 – Vargas instaura o Estado Novo

 Comentar

22 de novembro de 1910 – Eclode a Revolta da Chibata

Revolta da Chibata - Jornal do Brasil, 24 de novembro de 1910


Há exatos 100 anos, uma rajada de tiros cortou o silêncio das tranquilas águas da Guanabara: o encouraçado Minas Gerais tornava-se palco de uma revolta de marinheiros de baixa patente contra o sistema opressivo e violento da Marinha do Brasil. Os principais objetivos deste levante, que ficou conhecido como Revolta da Chibata, eram acabar com os castigos físicos aos quais os marinheiros eram constantemente submetidos, melhorar as condições de alimentação, e colocar em prática a lei de ajustes de horários, já aprovada pelo Congresso.

O estopim para a importante revolta foi a execução da punição de 250 chibatadas ao cabo Marcelino Rodrigues, condenado por ferir um marinheiro a bordo do Minas Gerais, a caminho da Guanabara. Programada para o dia 15 de novembro, a revolta eclodiu no dia 22, passada uma semana de chuva. Neste dia, um grupo liderado pelo cabo João Cândido tomou o controle do navio, matou o comandante e mais três resistentes ao movimento, causando pânico geral na cidade do Rio de Janeiro.

Como o levante estava sendo planejado pelos sindicalistas desde 1908, rapidamente o Minas Gerais conseguiu o apoio dos navios Bahia, São Paulo e Deodoro, forçando o Presidente a encontrar uma forma de negociar o não bombardeio da capital pelos potentes canhões da marinha de guerra apontados para ela pelos revoltosos. O que mais surpreendeu o governo foi a exímia habilidade dos marinheiros de operar os navios tomados, de modo que não precisassem dos oficiais superiores.

Fim Revolta da Chibata - 26 de novembro de 1910


No dia 26, Hermes da Fonseca, no poder desde o início daquele mês apenas, anuncia trégua. Promete aos marujos o fim dos castigos físicos e também a anistia desejada. Após entregues as armas, os membros do movimento foram traídos pelo governante, que logo passou a expulsar os marinheiros ex-revoltosos das Forças Armadas. Não tardou para que a traição deflagrasse outro levante, em dezembro daquele ano, na Ilha das Cobras.

Como a rebelião não obteve grande apoio da classe, o governo reprimiu com violência a tentativa de protesto, causando um massacre.

Vários rebeldes foram presos. Dois anos depois, os marinheiros que conseguiram sobreviver às torturas na cadeia foram absolvidos pelo governo, que também declarou o fim das punições físicas em alto mar, assim como aprovou melhorias para a classe trabalhadora. João Cândido, o grande idealizador do processo, conseguiu anistia e viveu até 1969, morrendo anônimo e pobre, como carregador de peixes no centro do Rio.

jose candido


Neste ano, em comemoração ao centenário da revolta, a estátua de mais de dois metros de altura do Almirante Negro foi recuperada e instalada novamente na Praça XV, de frente para as águas mansas da Baía, onde tudo começou.


Há muito tempo nas águas da Guanabara o dragão do mar reapareceu. Na figura de um bravo marinheiro a quem a história esqueceu. Conhecido como almirante negro tinha dignidade de um mestre-sala. E ao acenar pelo mar na alegria das regatas, foi saudado no Porto pelas mocinhas francesas, jovens polacas e por batalhões de mulatas! Rubras cascatas jorravam das costas dos negros entre cantos e chibatas, inundando o coração do pessoal do porão que a exemplo do marinheiro gritava! Glória aos piratas, às mulatas, às sereias! Glória à farofa, à cachaça, às baleias! Glória a todas as lutas inglórias que através de nossa história não esquecemos jamais! Salve o negro que tem por monumento as pedras pisadas do cais...” (“O Mestre-sala dos mares” – música de João Bosco e Aldir Blanc)


Vídeo do CPDoc JB, em homenagem ao centenário da Revolta da Chibata


Leia também:
Em 1922 – Os 18 do Forte
Em 1922 — Hermes da Fonseca é preso

 Comentar

21 de novembro de 1995 – Termina a Guerra da Bósnia

JB: fim da guerra da bósnia


Três semanas após terem sido iniciadas as negociações de paz, os presidentes da Bósnia, Croácia e Sérvia chegaram finalmente a um acordo para por fim a quatro anos do conflito mais drástico do pós Segunda Guerra. O plano de paz elaborado nos Estados Unidos, e que seria assinado no mês seguinte em Paris, tinha como principais pontos a unificação de Sarajevo e a realização de eleições democráticas na Bósnia, destruída pelo violento conflito bélico.

“O povo da Bósnia terá finalmente uma chance de sair dos horrores da guerra para a promessa de paz. Os presidentes da Bósnia, Croácia e Sérvia fizeram uma histórica e heróica escolha. Consideraram a vontade de seu povo”, declarou o estadista norte-americano, Bill Clinton, mediador das negociações.


O acordo para acabar com o sangrento conflito europeu foi finalmente obtido quando os Chefes de Estado Izetbegovic (Bósnia) e Milosevic (Sérvia) concordaram em submeter a arbítrio internacional o último assunto pendente: o destino do porto de Brcko, no norte da Bósnia. O documento final foi rubricado à noite, na base de Dayton, nos EUA.

“Esse dia vai entrar para a história como o fim da guerra da ex-Iugoslávia”, comentou Milosevic. “Os documentos que assinamos garantem a soberania da Bósnia Herzegovina e o desenvolvimento de uma sociedade aberta, baseada na tolerância e na liberdade”, acrescentou Izetbegovic. O acordo de paz também obteve apoio da Rússia, que geralmente se opunha aos esforços de paz para a ex-Iugoslávia, mediados pelos Estados Unidos.

sarajevo destruída


A Guerra da Bósnia

Em junho de 1991, quando foi proclamada a independência da Croácia e da Eslovênia, que formavam parte da Iugoslávia, ora desmantelada, começaram os conflitos na Croácia contra o povo sérvio local. Seis meses depois, o processo de emancipação chegou ao ápice, quando a União Européia reconheceu a Bósnia Herzegovina como república independente, deslanchando uma terrível guerra civil. Como a Bósnia localizava-se no coração da Iugoslávia e era frequentemente uma região de passagem entre as províncias do país, nela se concentrava uma população muito heterogenica, formada por bósnios muçulmanos, bósnios de origem sérvia – ortodoxos cristãos - e bósnios croatas – apostólicos romanos.


Tão logo o país se emancipou os descendentes sérvios que viviam no local proclamaram uma outra independência, sendo esta apoiada pelo que restava da antiga Iugoslávia. O embate entre muçulmanos e bósnios sérvios se estendeu ao longo dos anos e foi agravado ainda mais pelos croatas que, adiante, tomaram partido dos muçulmanos. Mesmo com a instalação de bases da ONU no país, deflagrou-se um grande massacre na capital Sarajevo. O embate se estendeu, assim, por quatro anos, causando a morte de mais de 200 mil pessoas e forçando o êxodo de três milhões de bósnios do país.


Leia também:
Em 1991 - Declarada a independência da Croácia
Em 1994 - Onu abre tribunal para julgar crimes na Iugoslávia
Em 1999 – Otan e Iugoslávia assinam acordo de paz

 Comentar (1)

20 de novembro de 1975 – Franco morre e com ele é enterrado o fascismo espanhol

JB: morre Francisco Franco


“Francisco Franco, sempre presente”, ressoaram em coro os membros do partido falangista no dia do funeral de seu eterno mentor.

Durante a madrugada do dia 20, morreu o ditador espanhol Francisco Franco, aos 82 anos de idade, após passar um mês internado em um hospital em Madri para tratar de múltiplas doenças. Debilitado havia dois anos, Franco deixou registrado um testamento político no qual indicava o Príncipe Juan Carlos, da dinastia dos Borbóns, como seu sucessor. Apesar de livrar a Espanha dos 39 anos de ditadura caudilhista de inspiração fascista, a transferência do poder militar para o monárquico tampouco faria da Espanha uma nação livre e democrática.

Como previsto no testamento político, assim que foi constatada a morte do ditador, o Príncipe Juan Carlos assumiu o governo como Rei, dotado de poderes limitados e submetido a violentas pressões antagônicas: de um lado, os falangistas, que exigiam a continuidade absoluta do regime franquista; do outro, grupos de oposição que reclamavam uma abertura democrática e liberal como meio de evitar uma nova guerra civil. Esse antagonismo político gerou uma grave crise econômica e social que desembocou num processo de redemocratização exatamente um ano depois.

Francisco Franco assumiu como Chefe de Estado supremo da Espanha ao término da Guerra Civil (1936-1939), dentro da qual liderou o grupo conservador e rebelde formado majoritariamente por militares, que se insurgira contra o regime político então vigente. Na guerra, Franco e os rebeldes receberam apoio militar e financeiro da Alemanha e Itália totalitárias, criando desde já uma identificação com estas formas de governo. Durante a Segunda Guerra, o generalíssimo retribuiria a ajuda das nações fascistas européias atuando à margem do maior conflito bélico da história.

morre franco


Quando a guerra acabou, Franco sofreu pressões da ONU e dos Estados Unidos para iniciar um processo de redemocratização, mas seu apoio à luta contra o comunismo no terceiro mundo fez com que seu governo fosse reconhecido pela opinião internacional, no fim da década de 1950.

Em sua gestão, Franco concentrou em suas mãos todos os poderes de Estado, todas as funções governamentais e o poder absoluto de estabelecer normas jurídicas de caráter geral, facilidades que lhe conferiam a capacidade de fazer e desfazer tudo de acordo apenas com seu arbítrio, sem consultar ninguém.

Em seu governo, a Espanha chegou a um ponto alto de desenvolvimento , embora permanentemente enrolada em uma camisa-de-força. Em 1936, quase 40% dos espanhóis eram analfabetos: percentagem reduzida a 7% no ano de sua morte. Além dos avanços na educação, a dinamização da economia reduziu a inflação, aumentou a renda per capita dos cidadãos, assim como o PIB do país.

O povo espanhol não é um povo morto é, ao contrário, um povo alerta, que sabe o valor das forças guardiãs da ordem pública, a suprema garantia da unidade oferecida pelas forças de Terra, Mar e Ar, apoiadas na vontade da nação e fiadoras de sua tranqüilidade. Está evidente que, hoje, ser espanhol, significa ser alguma coisa no mundo inteiro. Viva Espanha!”, encerrara Franco seu último discurso à nação, no dia 1 de outubro de 1975, um dia após ter ordenado o fuzilamento de cinco antifranquistas.


Leia mais:

Em 1936 – Frente Popular vence as eleições na Espanha
Em 1981 – Suárez deixa o Governo da Espanha

 Comentar (3)

19 de novembro de 1993 – Papa recebe Fidel Castro do Vaticano

Jornal do Brasil: 20 de novembro de 1993 - Papa encontra Fidel


No dia 19 de novembro de 1993, o Vaticano foi palco de um encontro histórico. Para uma conversa de pouco mais de meia hora, o Papa João Paulo II recebeu o cubano Fidel Castro no Palácio Apostólico da Santa Sé. O objetivo do líder comunista nesta visita era conseguir maior apoio da Igreja Católica na luta contra o embargo econômico à Cuba, instituído pelos Estados Unidos 35 anos antes.

“Para mim foi um milagre ter sido recebido pelo Papa”, declarou Fidel ao sair da reunião, a qual qualificou como “muito cordial e afetuosa”. E ainda acrescentou que “foi um impacto muito forte. Senti-me emocionado ao saudar uma personalidade tão destacada que tem tido um papel tão importante no mundo”.

Em setembro daquele ano, a Igreja já se posicionara contra o embargo econômico, na mesma época em que condenara qualquer tipo de política que usasse o comércio de alimentos e remédios como arma, tal como era feito contra o Iraque, submetido a boicote econômico geral desde a invasão do Kwait, em 1990.

Papa recebe Fidel


Naquela reunião, resumida como um “diálogo aberto e franco” pelo porta-voz do Vaticano, foi discutida também a evolução da sociedade cubana desde a Revolução de 1959; as restrições impostas pela Igreja e ao clero em Cuba, onde existiam pouco mais de 200 sacerdotes para uma população de cerca de 11 milhões de pessoas; a liberdade e do papel que deveriam desempenhar os cubanos que crêem em Deus.

Ao final de 35 minutos de conversa sem intérpretes e sem testemunhas, soube-se que João Paulo II despediu-se de Fidel confiando-lhe sua bênção especial a todo o povo cubano, assim como confirmou a aceitação do convite que lhe foi reiterado no dia anterior para uma visita à ilha caribenha no ano seguinte.

A visita do Papa à Cuba ocorreu em janeiro de 1998. Em 39 anos de governo comunista, foi a primeira vez em que a Igreja dava legitimidade ao presidente Fidel Castro, apesar de não concordar com diversos aspectos de sua gestão como o ateísmo de Estado, e a implantação do planejamento familiar e o controle da natalidade no país.

Contrário ao comunismo, João Paulo II sabia que suas visitas às nações dominadas por esta ideologia no decorrer do século provocavam importantes mudanças nesses países. O Papa também estava desiludido com os malefícios do capitalismo predatório desta época, acreditando caber a ele e à Igreja Católica a função de promover a paz mundial.


Leia também:
Em 1960 - O inflamado discurso de Fidel
Em 1960 – EUA impõe embargo comercial parcial à Cuba
Em 1961- Estados Unidos rompem relalções diplomáticas com Cuba
Em 1978 – Igreja elege Papa João Paulo II

 Comentar

18 de novembro de 1993 – África do Sul ganha Constituição democrática

constituição na África do Sul


Dois anos após iniciadas as negociações para viabilizar a implantação da democracia racial na África do Sul, finalmente chegara o dia em que os líderes de 19 organizações e partidos políticos entravam em um consenso e a nova Constituição da República era promulgada – a primeira após o final do apartheid. O acordo entre brancos e negros em prol de um país unido foi selado com um aperto de mão entre os representantes dos principais partidos políticos da nação: De Klerk (representante do extremista FPA) e Nelson Mandela (pelo CNA) – os quais concorreriam às eleições à Presidência da República no ano seguinte.

A relutância da FPA em aceitar a nova Carta democrática significava o medo da vitória iminente da maioria da população nas eleições do ano seguinte. Os negros, segregados pela ditadura branca por quase meio século, formavam mais de 50% do eleitorado sulafricano e assustavam os membros extremistas da FPA, que reivindicavam a criação de um “território africâner” no país – um lugar em que pudessem continuar vivendo segregados do resto do povo.

Frederik De Klerk, então Chefe de Estado, advertiu naquele dia de novembro que aplicaria a nova lei contra os partidos que ameaçassem usar a violência em protesto contra o processo de democratização no país: “A Frente reconhece a nova realidade política da nova África do Sul”.

No ano seguinte, esta nova realidade política seria colocada em prática. Mais de 22 milhões de pessoas, entre brancos e negros, exerceriam seu direito de cidadania e votariam para Presidente da República, no mês de abril. Antes do pleito que elegeria o futuro Nobel da Paz, Nelson Mandela, o processo ‘democrático’ sulafricano envolvia apenas três milhões de eleitores, todos brancos de ascendência holandesa e inglesa, cuja supremacia calou e oprimiu a maioria negra durante 27 anos.


Com a nova Constituição, aproximava-se do fim as longas e inconclusivas negociações entre ambas as partes, que caminhavam para o mesmo destino, o destino da liberdade, igualdade e fraternidade, como já haviam clamado os franceses na Revolução de 1789.


Leia também:
Em 1993 - África do Sul extingue regime racista
Em 1994 – Negros e brancos votam juntos na África do Sul
Em 1994 – Mandela assume a presidência da África do Sul

 Comentar

17 de novembro de 1959 – Villa-Lobos parte ao Toque de Silêncio

villa lobos


Duas mil peças musicais foram apenas parte do imensurável legado que Heitor Villa-Lobos deixou para a música e a cultura brasileiras ao fim dos seus 72 anos de vida, selados após meses de sofrimento decorrentes de uma grave uremia. Nos últimos dias de vida, as mãos que regeram com maestria tantas sinfonias estavam trêmulas e fracas.

O velório do maestro aconteceu no Ministério da Educação. O cortejo que sucedeu à cerimônia no antigo prédio no centro do Rio passou pelo Teatro Municipal, onde foi homenageado pela Orquestra Sinfônica Brasileira, que entoou a marcha fúnebre 'Toque de Silêncio', de autoria do compositor, pelo longo caminho até o cemitério São João Batista, em Botafogo. Jornais do mundo inteiro noticiaram a morte do homem que transformou em música clássica ritmos típicos das culturas brasileira.

maestro Villa-Lobos


Villa-Lobos foi iniciado na música por seu pai, Raul, um funcionário público carioca, cuja verdadeira paixão era a composição. Desde que ganhara do pai a primeira viola adaptada, Heitor jamais deixou o caminho de acordes e claves que o guiaria para um destino bem diferente do das ciências naturais, como desejara sua mãe.

Já muito cedo partiu em longas viagens pelo interior do Brasil a fim de conhecer ao máximo os diversos ritmos nacionais. Mais velho, estudou os grandes nomes da música clássica internacional e quis adaptar a precisão técnica deste estilo ao compasso do choro, do samba e da música folclórica brasileira. Sua primeira obra de repercussão foi uma série de 16 cirandas. Em 1922, participou da Semana de Arte Moderna, apresentando-se em três récitas com diferentes composições. Sempre revolucionário e irreverente, foi duramente atacado pelos críticos da época, que, com o tempo, passaram a admirar a mágica do sincretismo musical, realizado com criatividade, genialidade e perfeição pelas mãos do grande maestro.

“A música era a sua razão de viver; à música voltava logo que as forças voltavam: construindo, com a calma e tenaz vontade de um Bach, suas obras, uma depois da outra, inesgotável, incansável, com um entusiasmo eternamente jovem”, escreveu o amigo e também compositor Renzo Massarani, no dia seguinte à sua morte.


Imagens do velório do compositor


Leia também:
Em 1949: Cem anos sem Chopin
Em 1975 – Os 75 anos de Aaron Copland

 Comentar

16 de novembro de 1983 – Morre a novelista Janete Clair

morte janete clair


Aos 58 anos de idade morreu a novelista Janete Clair num hospital no Rio de Janeiro, após uma longa e dura luta contra o câncer. Na época da sua morte, Clair trabalhava no roteiro da novela Eu Prometo, que caminhava para o fim. A obra foi assumida pela escritora iniciante Glória Perez, logo depois de ter passado pelas mãos de Dias Gomes, viúvo de Janete.

Mesmo bastante doente, Janete Clair fazia questão de assistir às cenas gravadas de Eu Prometo todas as noites, insistindo em auxiliar na direção do elenco até os últimos dias. Janete Clair também foi autora das novelas Selva de Pedra (1972), Pecado Capital (1975), Pai Herói (1978) e Sétimo Sentido (1972).

O romantismo foi a sua marca inconfundível como autora e traço marcante de sua personalidade. Mineira de Conquista, Janete Emmer descobriu aos 27 anos, ao ouvir os acordes serenos de Clair de Lune, de Debussi, o nome com que iria assinar as novelas de maior audiência da TV brasileira até o dia da sua morte. Esta autora fazia questão de manter-se sempre em atividade, mesmo já debilitada pela doença. Foi locutora e atriz na era de ouro do rádio no Brasil, época em que conheceu Dias Gomes – com o qual foi casada durante 33 anos.

janete clair - web


Sempre fui muito fantasiosa e continuo sendo até hoje. Mas Dias Gomes me deu melhor visão das coisas. Ele me ensinou praticamente tudo; me censurava, me criticava, mas foi meu grande mestre”, declarou ela em uma entrevista, em 1978.

Apesar de estrela do rádio, Janete Clair brilhou mesmo foi na televisão, ou melhor, por trás dela. Chamada para salvar Anastácia, uma novela que só dava prejuízos, a autora criou um terremoto real no roteiro, matando mais de 30 personagens que encareciam e empobreciam o enredo. A novela deu um salto na audiência. Logo, seus diálogos simples, amarrados por um roteiro divertido, aliaram-se aos finais felizes e encantaram o público. A nova fórmula dava certo.

O auge de sua carreira aconteceu no dia do último capítulo de Selva de Pedra, quando os ponteiros do IBOPE acusaram 100% de audiência para a emissora no Rio de Janeiro, em cenas que reunia áureos momentos de Regina Duarte e Francisco Cuoco, sua dupla favorita.

Novela é teatro popular. Ela tem lugar para o burlesco, o pitoresco, o picaresco, o trágico e o romântico. Quando escrevo, me preocupo antes de tudo com o público. Ele é heterogêneo e novela não é romance, tem uma linguagem própria”.

Leia mais:
Em 1984: Estréia, depois de 10 anos, a novela "Roque Santeiro"
Em 1992: Daniela Perez foi assassinada

 Comentar (3)

15 de novembro de 1989 – No centenário da República, Brasil vai às urnas

Eleições 1989 - 15 DE NOVEMBRO DE1989


Nas ruas de todo o país bandeiras do Brasil eram erguidas pelas mãos de cidadãos sorridentes e eufóricos num dia de muita comemoração. A partir das oito da manhã, quando as seções eleitorais abriram suas portas, o centenário da Proclamação da República foi celebrado como se deve; numa festa democrática, dentro da qual o voto direto e secreto voltava a assumir sua função de protagonista, após passar 28 anos num papel de coadjuvante, neste teatro de máscaras da política brasileira.

Finalmente chegava o tempo em que 82 milhões de brasileiros iriam às urnas exercer sua cidadania ao escolher o próximo Presidente da República. No último pleito federal plenamente democrático, o país elegera João Goulart, em 1961, que logo seria deposto pelo golpe militar de 1964. A ditadura sobrepunha-se à democracia. As mordaças da censura calavam a voz do povo, que só seria libertado na conclusão do processo de redemocratização, fomentado pelo movimento das Diretas Já. Em novembro de 1989, o gosto da República voltava a ser doce.


eleições diretas para presidente - CPDoc JB

veja aqui mais fotos destas eleições


Três eram os principais candidatos deste tão almejado pleito: Fernando Collor de Mello, o renovador do conservadorismo, Luís Inácio Lula da Silva, o candidato das massas, e Leonel Brizola, então favorito da elite intelectual, mas duramente surpreendido após a apuração. Nos dias 15 e 16 de novembro, assim, o Brasil votou e levou ao segundo e inédito turno, Lula e Collor, abrindo uma segunda campanha eleitoral emocionante e imprevisível.

A imprensa apoiava Collor, o arrojado jovem clean, que trazia no cerne das propostas o neoliberalismo e a promessa de renovação. Lula, o sindicalista que mal terminara os estudos, tinha o apoio de Brizola mas igualmente a antipatia da classe média dado a uma suposta tendência comunista. No fim do ano, a resposta era clara. Após recuperar sua cidadania, garantida pela Constituição de 1988, o eleitorado brasileiro elegia Collor Presidente da República.

eleições diretas para presidente - CPDoc JB


Sobre o pleito, o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, ex-exilado político e criador da campanha Natal Sem Fome, em 1994, escreveu na época um artigo para o JB sobre a emoção que sentiu ao votar para presidente depois de 39 anos:

"No caminho havia no ar um gosto de democracia, uma alegria da dignidade recuperada, a seriedade do dia mais importante deste século. Entrei na sala de votação como quem entra no ventre materno, para recuperar minha identidade perdida, arrancada que foi pela força naquela tarde miseravelmente triste de 31 de março de 1964"


Leia também:
Em 1984 - Marcha pelas eleições diretas
Em 1985 – Tancredo Neves é eleito Presidente da República
Em 1992 – Sim para o povo, Não para Collor

 Comentar (5)

14 de novembro de 1975 – Nasce o Pró Álcool

15 novembro 1975



No alvorecer da crise do petróleo, o governo militar criou um programa para incentivar o consumo do álcool como combustível de automóveis em substituição à gasolina: o Pró álcool. Tendo como base a cana-de-açúcar, o novo combustível chegaria aos postos com o preço mais baixo do que o da gasolina, que sofria, ao mesmo tempo, um aumento tributário, tendo o seu custo comercial aumentado significativamente.

Para institucionalizar o novo programa, o Presidente Geisel assinou um decreto, no dia 11 de novembro, destinado a expandir a produção e a viabilizar o uso progressivo do álcool anidro, para fins de mistura à gasolina e como matéria-prima para a indústria química.

Nas palavras do projeto encaminhado ao Chefe de Estado, o programa visava fazer frente às “tendências de desequilíbrio do balanço de pagamentos” abrindo “perspectivas de expansão da agroindústria canavieira”, gerando novas alternativas para o cultivo de outros produtos agrícolas e criando novas oportunidades de desenvolvimento para várias regiões “deprimidas ou vazias”.

Nos anos de desenvolvimento do programa, a indústria nacional gerou 10 milhões de novos carros, adaptados a receber o novo combustível; quase 15 bilhões de litros de álcool foram produzidos, o que incentivou a pesquisa e inovações na área. A técnica foi exportada, mas com o tempo, foi perdendo o interesse e o incentivo.

Na década de 1990, quando o preço do barril de petróleo começou a declinar no mercado internacional com a descoberta de novas reservas e uma nova conjuntura política, a relação custo/benefício do álcool começou a ficar desvantajosa. Além disso, o governo neoliberal do Presidente Collor baixou as tarifas alfandegárias da gasolina importada, desmotivando os usineiros a usarem a cana para a produção do álcool em detrimento do açúcar. Hoje, após uma crise considerável, o álcool combustível voltou a ganhar força com a nova perspectiva ambiental da sociedade, incentivando a compra e o desenvolvimento de carros com motor "flex".


Leia também:
Em 1973 – Começa a Guerra do Yom Kippur
Em 1974 - Arena indica Geisel para a Presidência da República
Em 1993 – Fim da linha para o velho Chevette

 Comentar

13 de novembro de 1974 – O cinema perde Vittorio de Sica

Morte Vittorio de Sica



Exatamente no dia em que seu trigésimo e último filme, II Viaggio, estreava nas salas de cinema de toda a França, o cineasta italiano Vittorio de Sica morria aos 73 anos de idade, em Paris.

Vencedor de quatro Oscar na categoria de melhor produção estrangeira, de Sica foi uma das grandes figuras do neo-realismo italiano. Comediante consumado, ele se mostrou sempre um artista humilde e um homem afável e aberto, como declarou em 1972: “Pecados, tenho muitos, começando por aqueles da carne. Podemos excluir o orgulho, que este não tenho nenhum”. Em setembro de 1973, foi internado num hospital para retirar um tumor do pulmão, mas logo voltou à ativa para rodar sua última obra, inspirada “num romantismo absoluto e, portanto, em contraste com os modismos que hoje dominam o mercado”.

Nascido no cerne de uma família humilde no início do século passado, de Sica começou a trabalhar bem cedo para ajudar nas contas de casa. Não tardou a descobrir sua verdadeira vocação, a arte. Começou no teatro ganhando mal e interpretando o que viesse. Em 1926, galã dos palcos teatrais, ingressou no cinema como protagonista de Gli Uomini, Che Mascalzoni, de Mario Camarini, um dos filmes italianos mais populares da época.

No pós-guerra, junto com Roberto Rosselini, Vittorio de Sica se tornou um dos símbolos do neo-realismo italiano, um movimento cinematográfico e intelectual de contra cultura, que usava a Itália destruída na Segunda Guerra como cenário, utilizando atores não profissionais e abusando, com criatividade, do improviso nos diálogos e direção de cena.

Vittorio de Sica


Ladrões de Bicicleta foi um dos filmes mais célebres do diretor italiano, assim como Milagre em Milão. Rodadas no final da década de 1940, as obras tornaram De Sica um gênio do cinema, um marco de sua geração, influenciando jovens diretores em todo o mundo – apesar de terem sido fracassos comerciais na Itália habituada aos filmes hollywoodianos.

“Lembro-me que no dia da estréia [de Ladrões de Bicicletas] fiquei na porta do cinema para ouvir os comentários. Uma família típica italiana se aproximou e estava pronta para entrar quando o homem notou que se tratava de um filme nacional e comentou ‘Não, não, é um filme italiano’”, disse o diretor.

Em meados da década de 1950, no auge da fama, De Sica voltou a atuar em filmes populistas e passou a dirigir obras românticas, bem diferente do trabalho que o deixou famoso. Quando perguntado sobre uma possível aposentadoria, o astro sempre dizia que essa jamais dexistiria: “Sou o tipo de homem que chega ao estúdio antes de todos e que vai embora quando todos já se encontram em casa”.



Leia também:
Em 1973 - A morte de 'Mamma Roma'
Em 1977 – Morre o pai do neorrealismo italiano

 Comentar

12 de novembro de 1993 – Fim da linha para o velho Chevette

fim chevette - JB 121193


Em 1993 chegava o fim da linha para o velho Chevette. Depois de ficar no mercado brasileiro por mais de duas décadas, o pequeno e bem sucedido carro da General Motors do Brasil deixava de ser produzido na fábrica de São José dos Campos, a 100 quilômetros da capital paulista, para dar lugar ao popular Corsa, lançado em fevereiro do ano seguinte.

Quando lançado, em abril de 1973, o Chevette era definido como um carro “moderno, elegante e de bom gosto”, que seguia a tendência mundial da época: veículos compactos, seguros e espaçosos. Já se passara o tempo das grandes caminhonetes e dos automóveis bicolores das décadas de 1950 e 1960, que refletiam a tendência ao exagero emanada da ascendente potência norte-americana.

Chevette


Na efervescência da década de 1970, quando surgiam as preferências do estilo kitsch, o Chevette surgia com cores psicodélicas e até modernas para a época, como mostarda, laranja-fogo e escarlate. Tão logo surgiu, virou febre entre jovens, não só pelas cores diferentes e seu estilo arrojado, mas também pelo preço acessível – o recorde de vendas do automóvel no país aconteceu em 1980, quando 94.815 pessoas adquiriram uma unidade do carro.

O Chevette ficou inalterado até 1978, quando foi lançado o modelo de quatro portas. No final de 1979, também ganhou a versão três portas Hatch e, em 1980, a versão com motor a álcool. Pequenas mudanças ocorreram nos anos seguintes, incluindo o lançamento do Chevette Júnior, em 1993.

A exemplo do que aconteceu com o Opala, a rigor o primeiro carro retirado de produção pela GM brasileira, o Chevette também causou emoção aos empregados da fábrica de São José dos Campos em seu último dia de fabricação. Alguns chegaram a chorar e bater palmas para as últimas unidades. O Chevette não chegava a ser tão querido quanto o clássico besouro da Volkswagen, o Fusca, mas conseguiu formar uma considerável legião de fãs e colecionadores que perdura até hoje.


Leia também: Em 1986: Chega ao fim a Era Fusca

 Comentar

11 de novembro de 1951 – Perón é reeleito Presidente da Argentina

Perón eleito presidente - JB, 13 novembro de 1951



Com uma folga de mais de dois milhões de votos sobre o segundo colocado, Juan Domingo Perón foi reeleito Presidente da Argentina para outro mandato de seis anos. Nesta eleição democrática, Perón venceu com todos os governos das províncias e obteve maioria no Congresso Nacional e nas Câmaras Municipais para dar continuidade ao governo populista estabelecido por ele em junho de 1946.

Contra o Partido Peronista, apenas se mostrou expressiva a candidatura do candidato Ricardo Balbin, do Partido Radical. O governo populista de Perón, voltado para o proletariado argentino, intimamente ligado às correntes sindicais revolucionárias do país ao mesmo tempo em que tinha fortes ligações com as Forças Armadas, mostrava-se novamente imbatível. O simpático líder da nação encantava a população com abraços e sorrisos, tendo se tornado imediatamente um mito. Temido e adorado, Perón comandava o Estado seguindo uma tendência nacionalista, estatizando multinacionais e fornecendo direitos trabalhistas aos “descamisados”, como aposentadoria, férias remuneradas, cobertura de acidentes de trabalho e seguro médico.

Peron - web


Em seu primeiro governo, iniciado em 1946, as mulheres passaram a ter direito a voto, tendência que começava a se espalhar por diversas democracias ocidentais, tais como o Brasil. Além disso, o Presidente estatizou ferrovias, empresas de telefonia, petróleo e companhias de eletricidade, promovendo um rápido e considerável crescimento da indústria nacional.

O segundo mandato de Perón foi marcado pela morte da sua mulher, Evita (1952), crise econômica permanente, protestos trabalhistas e sua excomunhão pela Igreja Católica. A soma destes fatores resultou na insatisfação da alta cúpula do Exército, a qual tomou o poder num rasteiro golpe de Estado, em 1955.


Leia também:
Em 1946 — Perón é eleito presidente da Argentina
Em 1955 – Perón sufoca revolta na Argentina
Em 1972 — O exílio de Juan Perón
Em 1974 – Argentina chora por Perón

 Comentar

10 de novembro de 1937 – Vargas instaura o Estado Novo

Vargas e Estado Novo


"A constituição hoje promulgada criou uma nova estrutura legal, sem alterar o que considera substancial nos sistemas de opinião; manteve a forma democrática, o processo representativo e a autonomia dos Estados, dentro das linhas tradicionais da federação orgânica", disse Getúlio Vargas.


Por meio de um pronunciamento veiculado pelo rádio, Getúlio Vargas anunciou uma nova fase política na qual o Brasil estava entrando. O Estado Novo, instaurado a partir da promulgação da nova Constituição Federal, consolidava-se como uma forma de governo mais dura e autoritária, cuja prioridade era garantir a segurança nacional diante da silenciosa ameaça comunista, que “aterrorizava” a classe média brasileira desde que fora descoberto o suposto Plano Cohen, no final de setembro do mesmo ano.

Vargas anuncia Estado Novo à nação


A Constituição de 1937, elaborada sob a luz do fascismo europeu e inspirada na Carta polonesa (também de ordem ditatorial), dava bases legais ao governo autoritário que então iniciava o primeiro dos seus oito anos de vigência. O golpe dentro do golpe também suspendia as eleições presidenciais marcadas para o ano seguinte, dissolvia o Congresso Nacional, criava a censura estatal aos meios de comunicação e dava inúmeros poderes ao Exército – o que contribuiu para a formação de uma elite militar que, em 1964, derrubaria João Goulart da Presidência e tomaria o controle do país.

Neste período em que Vargas tramava o golpe com sua cúpula de governo – auxiliados pelas forças militares -, a agitação política e social no Brasil era grande. Num período eleitoral, no qual se começava a fazer campanha para as eleições democráticas – suspensas havia sete anos, desde que Vargas tomara o poder -, a população estava insegura com os inimigos comunistas e Getúlio Vargas ascendia como um homem poderoso, o único capaz de conter o mal que pairava invisível nos meandros da República.


O homem de Estado, quando as circunstâncias impõem uma decisão excepcional, de amplas repercussões e profundos efeitos na vida do país, acima das deliberações ordinárias da atividade governamental, não pode fugir ao dever de tomá-la, assumindo, perante a sua consciência e a consciência de seus concidadãos, as responsabilidades inerentes à alta função que lhe foi delegada pela confiança nacional”, declarou Vargas à Nação.


Leia também:
Em 1930 - Eclode a Revolução de 30. Washington Luís é deposto
Em 1945 – Vargas renuncia. Chega ao fim o Estado Novo
Em 1954 - Vargas sai da vida e entra para a História

 Comentar

9 de novembro de 1989 - A Queda do Muro de Berlim

A Queda do Muro de Berlim - 9 de novembro de 1989


Vinte e oito anos após sua construção, o Muro de Berlim era enfim derrubado pelo governo da Alemanha Oriental, até então país satélite da União Soviética. Além da demolição de um dos maiores ícones da bipolarização ideológica do mundo na Guerra Fria, o debilitado governo comunista do bloco oriental abria suas fronteiras para o livre trânsito de pessoas e mercadorias entre as duas Alemanhas.

“As viagens para fora do país poderão ser feitas através de todos os postos fronteiriços entre o nosso país e a Alemanha Ocidental ou outros vizinhos”, declarou um dos dirigentes reformistas do Partido Comunista.

A queda do Muro de Berlim - web


Nos Estados Unidos, George Bush [pai] comemorava o suposto triunfo de seu regime político e ideológico. Para ele, assim como para grande parte do Ocidente, a queda do muro demonstrava que eram irresistíveis os ventos democráticos que varriam o mundo no fim da década de 1980: “Este foi o maior triunfo do Ocidente desde o fim da Segunda Guerra Mundial”.

Com a derrubada do muro e a permissão para a emigração da população oriental, a onda de protestos contra o governo da RDA aumentou ainda mais. Dado o primeiro passo para uma possível reunificação, o povo saía às ruas para pedir a total redemocratização. Dias antes da decisão de abrir as fronteiras, uma passeata de um milhão de alemães orientais ocasionou a demissão de 44 ministros e 18 membros da alta cúpula política do PC. Era a maior crise no governo da RDA em 40 anos de existência.

Em outubro do ano seguinte, as pernas cansadas da velha gestão comunista não mais seriam capazes de sustentar o peso da pressão internacional e popular, os fortes abalos econômicos na estrutura debilitada do sistema, e as violentas discussões ideológicas dentro do partido: o PC finalmente cairia. A RDA e a RFA voltariam a formar apenas uma Alemanha. Não tardaria também em desaparecer o governo central da URSS, após um turbulento processo de emancipação política das demais colônias soviéticas do Leste europeu.


Leia também:
Em 1961: A construção do Muro de Berlim
Em 1962 – Jovem morre ao tentar cruzar Muro de Berlim

 Comentar (3)

8 de novembro de 1934 – Morre Carlos Chagas

carlos chagas - 9 de novembro de 1934


No dia 8 de novembro o Brasil perdia um de seus maiores cientistas: Carlos Chagas. Aos 55 anos de idade, o médico sofreu um infarto do miocárdio em sua residência, no Rio de Janeiro.

Chagas foi um expoente da medicina preventiva no Brasil, no início do século passado. Trabalhou com o médico sanitarista Oswaldo Cruz, na tentativa de erradicação da malária no país, ajudou a identificar o mal por trás da “doença do sono”, trabalhou no combate à leptospirose e às doenças venéreas, além de fazer uma grande descoberta para a medicina, identificando as formas de contaminação de uma doença misteriosa que inevitavelmente foi batizada com o nome de seu descobridor.

O médico descobriu que a Doença de Chagas é transmitida por um protozoário então desconhecido, o Trypanosoma cruzi (nome escolhido para homenagear seu mentor, Oswaldo Cruz), que vive alojado no intestino do mosquito “barbeiro”, cuja principal morada são as fendas das casas de pau-a-pique, típicas do interior do norte e nordeste brasileiros. O mosquito, quando pica a pele humana, imediatamente evacua. Sua picada causa coceira, fazendo com que as fezes do animal entrem na corrente sanguínea da vítima, contaminando-a com um mal debilitante e no longo prazo e frequentemente fatal.

Desde que batizou a doença com o seu nome, em 1909, o médico tornou-se conhecido não só no Brasil mas também em outros países. Logo, um júri internacional de ciência lhe conferiu o prêmio Shaudim, destinado ao melhor trabalho de protozoologia e microbiologia. Recebeu o título de doutor honoris causa pela Universidade de Harvard e pela Universidade de Paris.

Chagas trabalhou sempre em saúde pública – inicialmente no Instituto Oswaldo Cruz (então Instituto Manguinhos), do qual foi diretor, tentando manter a tradição de pesquisa e investigação naturalista iniciada por Oswaldo Cruz no início do século; e outra posteriormente à frente do Departamento Nacional de Saúde Pública. Além disso, Chagas foi professor na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, lecionando na área de doenças tropicais, higiene e saúde pública.


Leia também:
Em 1931 – Apaga-se a lâmpada de Thomas Edison
Em 1939 – Morre Freud, o pai da Psicanálise
Em 1917 - A morte de Dr. Oswaldo Cruz

 Comentar (5)

7 de novembro de 1944 – Roosevelt é eleito Presidente dos EUA pela quarta vez

roosevelt eleito presidente


Em 1944, três era o número suficiente de dias para que fossem contados todos os 50 milhões de votos depositados nas urnas de todo o território norte-americano, em uma eleição federal. Antes do pleito acontecer, no entanto, todos os jornais da época noticiavam que a vitória, pela quarta vez consecutiva, de Franklin Delano Roosevelt era iminente.

Além de ser uma figura carismática, Roosevelt conseguiu ganhar o respeito merecido do povo americano ao tirar os Estados Unidos da Grande Depressão logo em seu primeiro mandato (1933-1936), o que sustentou sua reeleição por mais duas vezes. Em 1944, no momento em que a população se organizava para votar novamente, o estadista contribuía para a vitória anunciada dos Aliados sobre o Eixo, na Segunda Guerra. Além do povo, o mundo queria e precisava de Roosevelt à frente da potência emergente.

“Os nossos homens que lutam em ultramar estão contando conosco para mostrar ao resto do mundo que a nossa é a melhor forma de governo que existe e aquela que nos propomos a preservar!”, declarou ele um dia antes das votações do dia sete de novembro.

Roosevelt


O principal adversário de Roosevelt neste pleito era o republicano Thomas Dewey, que perdeu com uma desvantagem de mais de três milhões de votos para o triunfante democrata. Neste dia, o líder norte-americano se tornaria o primeiro e único na história do país a sustentar o cargo presidencial por tantos mandatos, já que após a sua morte no ano seguinte, seria feita uma emenda constitucional que proibia a reeleição de um Presidente da República por mais de uma vez, condição importada pelo Brasil e muitos outros países democráticos do globo. Com o falecimento de Roosevelt, assumiria o cargo executivo mais importante do mundo ocidental, seu vice Harry Truman, que daria continuidade à política do New Deal.

“Franklin Delano Roosevelt foi reeleito Presidente dos Estados Unidos e vai, portanto, iniciar seu quarto período presidencial, fato absolutamente inédito na história política da grande Democracia Ocidental. Durante todo o dia de ontem, a par com a animação da votação, o interesse popular se via manifestado por múltiplos modos”, noticiou o JB ao fim das apurações, no dia nove do mesmo mês.


Leia também:
Em 1941 – Assinada a Carta do Atlântico
Em 1943 - Política da boa vizinhança
Em 1945 – Morre Franklin Delano Roosevelt

 Comentar

6 de novembro de 1994 - Foreman recupera cinturão de pesos-pesados aos 45 anos

George Foreman - 8 de novembro de 1994 - Esportes


Quando o lendário George Foreman perdeu o cinturão de peso-pesado para o indestrutível Muhammad Ali na luta conhecida como Rumble in the Jungle (A Luta na Selva), em 1974, a maioria dos fãs de boxe pensaram que chegara ao fim a era de inesquecíveis nocautes e poderosos diretos de direita do “Big George”. Exatamente duas décadas depois, prestes a completar 46 anos, Foreman surpreendeu a todos ao bater um recorde inacreditável: nocauteaou o campeão do mundo Michael Moorer, quase 20 anos mais jovem do que ele, e recuperou seu cinturão de ouro da modalidade. Foreman tornava-se o campeão mundial mais velho de toda a história do esporte.

No dia 6 de novembro daquele ano, experiência e coragem falaram mais alto. A luta tão esperada entre o veterano pugilista e o então defensor do título aconteceu num ringue em Los Angeles, Estados Unidos. Durante a disputa, George sabia que estava em desvantagem na contagem dos juízes e decidiu apelar para seu mitológico direto de direita. Resultado: nocaute no décimo assalto.


“Sabia que o direto de direito funcionaria. Ele só se viu em problemas quando comecei a desferir aqueles golpes curtos de direita. Ele cometeu um erro ao tentar permanecer na minha frente. Isso deu certo por um tempo, mas cedo ou tarde eu iria pegá-lo”, avaliou Foreman no dia.

Era a primeira vez que Moorer defendia os títulos da Associação Mundial de Boxe e da Federação Internacional de Boxe, conquistados em abril do mesmo ano, em luta contra Evander Holyfield. Até o fatídico golpe de Foreman, Moorer tinha total controle do embate e tudo apontava para uma vitória esmagadora na contagem de pontos. O problema foi que aos 2 minutos e 3 segundos do décimo assalto, o então chamado vovô do boxe acertou firme o queixo do adversário, que ficou estendido no chão, com sangue escorrendo pela boca.

Foreman nocauteia Moorer


“Eu simplesmente fiquei apático. Fui pego, o que se pode dizer? Ele apenas me pegou”, declarou Moorer à imprensa.

Com o nocaute, Big George superou o recorde de Jersey Joe Walcott, que em 1951, aos 37 anos, tomou o título de Ezard Charles, também por nocaute.

Hoje, George Foreman é um empresário bem sucedido, ao contrário da maioria das lendas do boxe contemporâneas a ele. Foreman, que venceu 76 lutas em 81 disputadas, sendo 68 por nocaute, agora é o homem à frente de sua popular marca de grelhas – sucesso entre os jovens mundo a fora devido à propaganda na televisão a cabo.


 Comentar

5 de novembro de 1982 – Abertas as comportas de Itaipu

abertura itaipu - 6 novembro de 1982


Mais de cinco mil pessoas estiveram presentes no canteiro de obras de Itaipu, nas arquibancadas montadas nas duas margens do Rio Paraná, para assistir à inauguração oficial das obras da barragem. O evento contou com a presença dos Presidentes do Brasil, João Figueiredo, e do Paraguai, Alfredo Stroessner.

A grande estrela da tarde foi a abertura de uma só vez das 14 comportas do vertedouro da usina que, em 30 minutos, formaram uma gigantesca onda que encharcou o público. No dia da inauguração da hidrelétrica, que teria seu reservatório completamente cheio no dia 12 do mesmo mês, Figueiredo anunciou que o excedente de energia produzido por Itaipu – além de abastecer o projeto binacional Brasil-Paraguai – iria ser vendido a outros países da América do Sul.

- Esta obra que é, sem dúvida, a maior obra do gênero do mundo e que produzirá, quando completada, cerca de 12 milhões de quilowatts, tem seu significado maior não tanto na energia que vai produzir para o Brasil e o Paraguai, mas o que produzirá para os países da América. É um exemplo do que é possível fazer em entendimento entre as nações quando existem respeito e amizade – declarou Figueiredo na solenidade, sob intensa chuva e diante das poucas pessoas que restaram ao final da abertura das comportas.

hidrelétrica itaipu


Era o início do fim das obras da hidrelétrica que esteve em construção durante oito anos, numa parceria entre as duas nações. Hoje, Itaipu é a segunda maior usina geradora de energia do mundo: representa 90% da energia elétrica consumida no Paraguai e 19% no Brasil. Sua construção concentrou a força de trabalho de 40 mil funcionários; moveu barreiras físicas e criou barreiras políticas (com a Argentina) ao desviar o curso do Rio Paraná; foi uma das maiores obras realizadas no Brasil e que, admiravelmente, não sofreu atrasos com a recessão, nunca lhe faltando crédito ou dinheiro – uma verdadeira aula de engenharia e planejamento; e ainda foi realizada minuciosamente dentro do prazo estimado no acordo firmado bilateralmente em 1974.

Apesar dos pontos positivos, Itaipu também significou um grande dano ao meio ambiente. Nos anos seguintes, o governo tentou reparar alguns estragos, relocando os animais prejudicados pela destruição de seu habitat natural em outras áreas verdes e replantando parte da vegetação retirada; o que nunca pode ser recuperado, no entanto, foi a exuberante paisagem das "Sete Quedas", ponto turístico característico da região até o início das obras, que foi completamente coberto pelas barragens de concreto da usina.

Abaixo mais notícias sobre a usina de Itaipu:
17 de maio de 1974: O marco da construção de Itaipu
20 de outubro de 1978: A conquista de Itaipu

 Comentar

4 de novembro de 1977 – Rachel de Queiroz é imortalizada pela ABL

Rachel de Queiroz eleita na ABL - 5 de novembro de 1977



Aos 66 anos de idade, a escritora Rachel de Queiroz se tornou a primeira mulher a ser eleita para a Academia Brasileira de Letras. Numa cerimônia na noite do dia 4 de novembro que reuniu mais de 300 pessoas a premiada autora de O Quinze (1930) recebeu o diploma que a designou para a cadeira número 5 da ABL, cujo primeiro ocupante foi o escritor Raimundo Correa e que tinha como patrono Oswaldo Cruz.

Imortalizada, uma das maiores escritoras do país que, em 1993 recebeu o Prêmio Camões (uma espécie de Nobel da língua portuguesa), declarou após a solenidade: “Eu não entrei para a Academia por ser mulher. Entrei, porque, independentemente disso, tenho uma obra. Tenho amigos queridos aqui dentro. Quase todos os meus amigos são homens, eu não confio muito nas mulheres”. A declaração de Rachel foi um balde de água fria sobre o movimento feminista que vibrava com a eleição da escritora para a ABL, quebrando assim 81 anos de tradição masculina da Academia.

Rachel de Queiroz


O discurso que Rachel proferiu na noite em que a ABL a eternizou teve início com a história da noite em que conheceu a poesia, aos 15 anos, ainda “mais menina do que moça”. A romancista homenageou todos que a antecederam na cadeira número 5 e dedicou alguns momentos para falar também de seu amigo o jornalista e compositor Nelson Mota, que estava na Academia cobrindo a premiação.

Rachel se tornou conhecida aos 20 anos de idade, quando publicou o romance O Quinze, um drama sobre a grande seca do Nordeste, em 1915, vivido por ela na infância, junto à sua família. Militante comunista durante os anos da Era Vargas, foi presa e teve vários exemplares de seus romances queimados.

Em 2003, no dia em que se completava 26 anos da premiação na ABL, a escritora cearense morreu em casa, de um ataque do coração, aos 93 anos de idade. A obra de Rachel de Queiroz reúne cerca de 24 livros, incluindo sua autobiografia Tantos Anos (1998); em vida, a romancista ganhou mais de 17 prêmios e medalhas nacionais e internacionais.


Leia também:

Em 1923 - Petit Trianon, a nova sede da ABL
Em 1958 - Rachel de Queiroz premiada pela ABL
Em 1967: De repente morreu... Guimarães Rosa
Em 1994 — A poesia de Mário Quintana

 Comentar

3 de novembro de 1992 - EUA elegem Clinton Presidente

posse bill clinton 3 de novembro de 1992


Após 12 anos de governo republicano, os Estados Unidos elegeram enfim um presidente democrata: o então governador Bill Clinton. Clinton foi eleito 42º Presidente dos EUA, tendo recebido pouco mais de 43 milhões de votos, 43% do total, enquanto George Bush [pai], que tentava a reeleição, recebeu 38 milhões de votos, ou 38%. Clinton venceu em 32 estados e no Distrito Federal.

“Esta eleição é sobre uma nova América, é a escolha entre a velha e a nova opção, a escolha entre o descaso e um sentido mais forte de nossas riquezas”, disse Clinton no dia do pleito que o promoveu a Chefe de Estado.

Enquanto o novo Presidente exibia o vigor revelado durante toda a campanha, iniciando as articulações para formar seu governo, Bush pai demonstrava elegância na derrota: “Vamos terminar este trabalho com estilo”.

charge bill clinton


Ao contrário de Jimmy Carter, o último estadista democrata até então (1977-1981), Clinton resolveu formar seu Ministério com conhecidos nomes da política norte-americana, prometendo soprar forte os ventos da mudança: “Não será fácil, mas não pouparemos esforços para restaurar o crescimento, os empregos e a renda do povo americano”.

Clinton assumiu o governo norte-americano quando o país estava desestabilizado com a recessão econômica mundial do fim da década de 1980 e insatisfeito com o governo Bush, cuja política externa agressiva virou a marca de sua gestão. Com Bush pai, os EUA invadiram o Kwait, iniciando a Guerra do Golfo, em 1991. Apesar de vitoriosos, os norte-americanos não ficaram satisfeitos com o resultado da guerra, que manteve Saddam Hussein à frente do governo iraquiano.

Clinton governaria o país até 2001, quando foi sucedido por Bush filho. Em seus oito anos de governo, o democrata realizou uma gestão forte, de reformas na educação, meio ambiente e indústria bélica, tendo como prioridade uma política externa pacífica, ao contrário da gestão anterior. Foi, no entanto, o segundo presidente a responder a um processo de impeachment (o primeiro foi Richard Nixon, em 1974) por conta do escândalo sexual com a estagiária Mônica Levisnky, mas acabou sendo perdoado pelo Senado Federal.

Leia também:

Em 1994 – Ucrânia abre mão de seu arsenal nuclear
Em 1996 – Israel e Palestina firmam acordo de paz

 Comentar

2 de novembro de 1975 – Escritor Pasolini é espancado até a morte

031175


Aos 53 anos de idade, o escritor italiano Pier Paolo Pasolini foi vítima de um jovem delinquente, da Roma marginal e pobre que foi um dos argumentos constantes de sua poesia, de sua prosa e mesmo de uma fase do cinema que criou e dirigiu. Foi morto a pauladas, num terreno baldio perto do mar de Ostia, a uns 12 quilômetros de onde morava com sua mãe. Uma pista de rastros de sangue, entre o local do início da agressão e o ponto em que seu corpo (desfigurado, com várias fraturas) foi encontrado, fez supor que Pasolini tentou fugir à agressão, caminhando uns 40 metros.

O medo furioso do assassino alcançou-o e esmagou-o com as rodas dianteiras de um automóvel, de propriedade do próprio escritor, o qual foi apreendido pela polícia na madrugada do mesmo dia, sendo dirigido por Giuseppe Pelosi, jovem com antecedentes criminais.

A morte de Pasolini pôs fim a “uma vida violenta”, título de um dos dois romances que o projetaram e lhe valeram o reconhecimento da crítica literária européia como um dos mais geniais dos escritores italianos da época.

web


A vida e obra de Pasolini se exprimiram através do repúdio radical, frequentemente obsessivo e furioso, da cultura e civilização contemporânea. Um repúdio que muitas vezes lançou mão e utilizou-se do irracional como instumento de ruptura das estruturas sociais e ideológicas, que o levou frequentemente a assumir a função de um grande provocador – do que propriamente a de um normal comunicador de cultura.

Disposto a todas as aventuras e a todos os riscos, inclusive a uma profunda convivência com as camadas mais baixas da sociedade, por ele vistas como último bastião de autenticidade. Apresentada em boa parte de sua grande obra como “reserva de uma humanidade primitiva”, a camadada social proletariada a que tanto tinha apreço, deu origem ao homem que o assassinou.


Leia também:

Em 1980 - Anastasio Somoza é assassinado
Em 1988: Chico Mendes é assassinado
Em 1992: Daniela Perez foi assassinada

 Comentar

1 de novembro de 1979 – Regulamentada a Lei de Anistia

021179


No processo de derrocada do regime militar no Brasil, o Presidente João Figueiredo regulamentou por decreto a Lei de Anistia – Lei número 6.683, de agosto daquele ano – e estabeleceu que os servidores públicos e militares por ela beneficiados, teriam de requerer o retorno ao serviço ativo até 26 de dezembro. A lei foi de encontro à vontade da população, que pedia por anistia ampla e geral, já que beneficiou apenas 4.650 pessoas punidas por atos de exceção durante o governo autoritário – cidadãos condenados por terrorismo, assalto e seqüestro foram deixados de fora.

É concedida anistia a todos quantos, no período compreendido entre 2 de setembro de 1961 e 15 de agosto de 1979, cometeram crimes políticos ou conexos com estes, crimes eleitorais, aos que tiveram seus direitos políticos suspensos e aos servidores da administração direta e indireta, de fundação vinculada ao Poder Público, aos servidores do Poder Legislativo e Judiciário, aos militares e aos dirigentes e representantes sindicais, punidos com fundamento em Atos Institucionais e Complementares” (Artigo 1, da Lei da Anistia).

Entre os anistiados estavam os ex-governadores Leonel Brizola e Miguel Arraes e os ex-líderes estudantis Vladimir Palmeira e José Dirceu. Além de realizar a soltura de presos políticos, esta lei possibilitou a reinserção de anistiados no funcionalismo público, em caso do funcionário ter sido cassado durante a ditadura.

A regulamentação da Lei da Anistia foi um símbolo do sucesso de uma campanha por liberdade que atravessou mais de uma década, desde que fora instaurado o AI-5, em 1968. Nos anos seguintes, o processo de democratização seria ampliado por Geisel e extinguiria todas as heranças do período autoritário; finalmente desembocando na eleição indireta de Tancredo Neves à Presidência, em 1985.

Leia também:

Em 1979 – Sancionada a Lei da Anistia

 Comentar

Hoje na História - Siga no Twitter!