30 de novembro de 1975 – Quarenta anos sem Fernando Pessoa

Na véspera do quadragésimo aniversário de morte do poeta português Fernando Pessoa, um dos maiores escritores do século XX, morto em 30 de novembro de 1935, o Jornal do Brasil fazia em suas páginas uma saudosa homenagem ao autor. Nos dias que se seguiriam, em várias partes do Brasil ocorreriam homenagens populares e acadêmicas ao poeta que conseguia captar e expressar os mistérios mais profundos do ser humano.
Na madrugada do dia 29 para o dia 30 de novembro de 1935, Fernando Pessoa era quase um anônimo quando uma crise hepática, em decorrência dos excessos de álcool, tirava-lhe a vida. Vivia do minguado salário de correspondente comercial e poucos conheciam seu nome e talento de artista. Sua vasta obra permanecia quase inteiramente inédita.
Curioso, Pessoa interessou-se pelas mais diversas manifestações do espírito humano. E para desafogar-se das pressões do seu espírito rico de facetas, teve de desdobrar-se em toda uma série de personalidades criadoras, cada uma com voz própria, embora no conjunto todos formem uma grande e poderosa unidade. A obra de Pessoa foi sendo publicada pouco a pouco depois de sua morte, despertando admiração e provocando uma quantidade crescente de estudos nas mais diversas línguas.

Foram mais de 72 heterônimos, tendo sido o primeiro criado quando o autor ainda era criança. Foram quatro, no entanto, que se tornaram mais célebres: Alberto Caeiro, conhecido como poeta-filósofo, apesar de pregar uma “não-filosofia”; Ricardo Reis, o poeta clássico, harmônico e bucólico; Álvaro Campos, o poeta de veia niilista e pessimista; e Fernando Pessoa Ele mesmo, o homem político, histórico, cuja principal obra se concentra em Mensagem.
Foram necessários quase 40 anos para que essas faces viessem à luz revelando toda a sua complexidade literária, já que a obra de Pessoa passou vários anos condenada pela ditadura de Salazar.
“Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus”
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus”
(Alberto Caeiro, 1913-1915)
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