Arquivo de December 2010

RSS Feeds

31 de dezembro de 1988 – Iate superlotado naufraga na Baía de Guanabara

naufrágio Bateau Mouche


Na noite do dia 31, a poucos minutos da virada do ano, o barco Bateau Mouche IV naufragou na Baia de Guanabara, a 700 metros da Praia Vermelha, matando 55 pessoas. Com excesso de peso e irregularidades que impediam o barco de fazer transporte de passageiros legalmente, o iate de empresários espanhóis, que anteriormente se chamava Boka Loka, dirigia-se à praia de Copacabana, a fim de levar um grupo de 150 pessoas ao show de fogos do réveillon.

naufrágio Bateau Mouche
Em ligação para a esposa minutos antes de zarpar, o capitão do navio revelou que a viagem contrariava sua vontade, já que o barco estava com excesso de peso e o mar, muito revolto. No caminho para Copacabana, o Bateau Mouche chegou a ser parado pela guarda costeira, que logo liberou a embarcação após firmar um acordo com o responsável por ela. Além do excesso de peso, o barco tinha problemas no casco e nas bombas; uma laje construída em cima da cabine principal ainda deslocara o centro de gravidade do iate, desestabilizando seu centro de gravidade.

Em depoimento à Capitania dos Portos e à Polícia, a maioria dos sobreviventes atestou que suspeitava que o barco iria afundar, pouco depois de zarpar. Segundo testemunhas, minutos antes da meia noite, a água do mar já entrava no convés pelas privadas e por perfurações no casco. O pânico se instaurou.

- Eu estava na parte de cima, onde não havia nenhum colete salva-vidas. Copos, pratos e garrafas começaram a cair. Tentei localizar minha esposa, que estava na parte de baixo, mas infelizmente não consegui. Do meu lado, uma senhora gritava por socorro. Tentei ajudá-la, mas, em poucos segundos, desapareceu na água – relatou um sobrevivente, que perdeu a esposa na tragédia, embora tenha conseguido salvar os filhos.

pessoas sendo resgatadas - naufrágio Bateau Mouche
Além de ser um ícone da imprudência e irresponsabilidade, o naufrágio do Bateau Mouche é também um símbolo da fragilidade do judiciário brasileiro. Foram necessários treze anos para que o Ministério Público Federal julgasse e condenasse os donos da embarcação por crimes de sonegação fiscal, falsidade ideológica e falsificação de documentos, totalizando 18 anos de prisão e multa de R$ 4 milhões aos cofres públicos. Antes do fim do processo, a pena dos acusados foi prescrita, permanecendo que todos estejam impunes até hoje. Além disso, das 40 ações movidas contra os responsáveis pela tragédia, apenas uma chegou ao fim.

Leia também:
Em 1981 – Barco naufraga no Amazonas
Em 1985 - Encontrados os destroços do Titanic
Em 1994 - Tragédia no mar Báltico

 Comentar

30 de dezembro de 1999 – Beatle George Harrison é esfaqueado

George Harrison é esfaqueado


Na madrugada do dia 30 de dezembro, o ex-Beatle George Harrison e sua esposa Olivia foram atacados a facadas em casa, por um dependente de drogas, numa tentativa impulsiva de assalto. O casal foi levado imediatamente para o hospital após a segurança ter sido acionada, e escapou com vida. Da calorosa luta, saiu com ferimentos leves, porém vivo e lúcido, o agressor Michael Abram, de 33 anos, que foi preso imediatamente após o incidente.

null
A surpreendente tentativa de assalto ocorreu quando o relógio ajustado ao fuso horário londrino marcava 3h15 da manhã. Os Harrison dormiam na suíte principal de sua mansão isolada por um gigantesco jardim sobre o rio Tâmisa, quando um barulho, seguido de um insandecido ataque a facadas, surpreendeu ambos, na noite anterior à grande festa de réveillon que pretendiam dar no dia 31.

George e Olivia reagiram, lutaram. Mas o assaltante só parou, desarmado, após um brusco golpe na cabeça deferido pela senhora Harrison com o abajour de sua cabeceira. A segurança foi chamada imediatamente e o desconhecido Michael Abram, coincidentemente avesso ao som dos Beatles, preso.

Para penetrar na mansão de 120 quartos, o intruso precisou pular um muro de três metros de altura encimado por uma linha de arame farpado e burlar um dispositivo de segurança que funcionava ininterruptamente, do qual faziam parte também os cães.

George Harrison
Ao saber do ataque, o também ex integrante de uma das bandas mais famosas do mundo, Paul McCartney, disse estar horrorizado e acrescentou: “Graças a Deus, George e Olivia estão bem. A eles eu envio todo o meu carinho”. Além de Paul o baterista Ringo Star mostrou-se alarmado com a situação: “Estamos profundamente chocados. Mandamos [ele e a mulher] todo o nosso amor e esperamos que ele se recupere rapidamente”.

Conhecido como “o terceiro Beatle” – depois de John Lenon e McCartney – George Harrison foi quem introduziu, com a música indiana, a influência oriental no conjunto. Seu tema “Something”, do álbum “Abbey Road”, transformou-se em uma das canções de amor mais famosas de todos os tempos.



Leia também:
Em 1980 – O mundo chora por John Lennon
Em 2001 - Adeus ao mais jovem Beatle

 Comentar (2)

29 de dezembro de 1992 – Collor renuncia à Presidência

Collor renuncia


No dia 29 de dezembro de 1992, Fernando Collor de Mello entrou para a história do Brasil como o segundo Presidente da República a renunciar ao mandato conquistado nas urnas. Diferentemente de Jânio Quadros (1961), Collor renunciou ao cargo por temer uma ação de cassação do seu mandato pelo Congresso Federal, o que, felizmente, aconteceu mesmo assim.

Collor renuncia
Em bilhete manuscrito, lido às 9h35 por seu advogado quando sua primeira testemunha de defesa começava a depor na sessão que o Senado julgaria seu impeachment, Collor renunciou, solicitando suspensão do julgamento. O Senado, entretanto, prosseguiu e, às 4h20 da madrugada do dia seguinte, por 76 votos a 3, decidiu cassar os direitos políticos do ex-presidente por um período de oito anos, condenando-o por seu envolvimento no esquema de uso indevido de verba pública, liderado por PC Farias.

A corte do Senado decidiu prosseguir mesmo com a renúncia de Collor porque, segundo o advogado de acusação, esta teria sido “o reconhecimento de sua própria culpa” e não tinha a legitimidade de excluir a punição pelo comportamento do então presidente.

Collor
Duas horas depois de anunciada a renúncia, o vice presidente Itamar Franco assumiu como Chefe de Estado, numa sessão histórica no Congresso. Aplaudido de pé pelas galerias repletas de estudantes caras-pálidas, o presidente empossado não discursou. Seu único gesto foi a leitura do compromisso de posse e a entrega de uma cópia de sua declaração de bens. Com o gesto, Itamar quis simbolizar a integridade de sua administração, numa resposta direta ao antecessor.

“O Congresso Nacional, consciente da sua responsabilidade histórica, tudo fará para que seu governo possa atender às aspirações da comunidade brasileira”, declarou o presidente da Câmara, Mauro Benevides.

Durante oito anos, Collor ficou afastado da vida pública. Em 2006, retomou as atividades políticas e conseguiu ser eleito Senador por Alagoas. Neste ano, concorreu nas eleições para o governo do estado nordestino pelo PTB, mas acabou perdendo com grande margem de diferença para Teotonio Vilela Filho, do PSDB.

Leia também:
Em 1991 – Collor anuncia restituição da poupança
Em 1993 - STF confirma cassação de Collor
Em 1994: Supremo inocenta Collor e PC

 Comentar (1)

28 de dezembro de 1993 – Israel e Vaticano reatam relações diplomáticas

null


Em 1993 Israel e o Vaticano aprovaram um histórico “acordo fundamental” que incluiu o reconhecimento diplomático mútuo assim que este fosse assinado por ambas as partes, no dia seguinte, em Jerusalém. O acordo foi comemorado por diplomatas como o passo mais importantes nas relações entre a Santa Sé e Israel desde a fundação do Estado judeu, em 1948, e uma mudança de rumo em 2000 mil anos de um freqüentemente tenso relacionamento entre católicos romanos e judeus.

A importância do acordo político, elaborado durante 17 meses por uma comissão diplomática mista, não foi superestimada pelo Papa João Paulo II. Na audiência concedida ao rabino chefe de São Paulo e coordenador das relações inter-religiosas da Confederação Hebraica da América Latina, o papa enfatizou o fato de a questão de Jerusalém continuar um grande problema, de solução muito difícil, uma vez que, para os católicos, continua inaceitável a proclamação de Jerusalém como capital indivisível de Israel.

João Paulo II falou sobre o significado deste primeiro passo para o diálogo entre católicos e judeus, a contribuição que pode dar ao tratado de paz firmado a 13 de setembro do mesmo ano pelo Premier israelense, Yitzhak Rabin, e o Líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat.

O acordo reconheceu “as características singulares e o significado universal da Terra Santa”; estabeleceu que os dois Estados trocassem representantes especiais a serem substituídos por embaixadores quando o acordo entrasse em vigor, após a ratificação pelo parlamento israelense; instituiu que Israel respeitasse as outras religiões e seus fiéis, assim como a garantia de liberdade religiosa aos católicos apostólicos romanos; fez garantir que as duas partes lutassem contra o anti-semitismo, racismo e intolerância religiosa; e, por último, fez com que ambos prometessem respeitar e proteger lugares santos católicos e promover peregrinações de católicos à Terra Santa, na esperança de melhorar a compreensão entre as religiões.

Como alertara o Papa, apesar do acordo ter sido um grande avanço para a tolerância religiosa entre ambos os povos após dois mil anos de disputas e rivalidades, a partilha de Jerusalém permanece inacabada.

 Comentar

27 de dezembro de 1978 – Aprovada Constituição democrática na Espanha

null


Com grande solenidade, o rei Juan Carlos I sancionou formalmente a Constituição democrática da Espanha, símbolo da transição entre o quarentenário regime franquista e a monarquia constitucional. Aprovada pelo monarca, a Carta reduzia grande parte de suas funções como soberano da nação e abria as portas para eleições livres, democráticas e diretas.

Em breve discurso, Juan Carlos I declarou que a Constituição refletia “as aspirações da Coroa, da vontade de nosso povo firmemente expressa – e assim, como uma Constituição de todos os espanhóis, ela é também a Constituição do Rei de todos os espanhóis”.

A sanção da Constituição, após sua aprovação num referendo popular em 6 de dezembro daquele ano, ocorreu no momento em que o primeiro-ministro Adolfo Suárez pensava em convocar eleições parlamentares para o ano seguinte.

Rei Juan Carlos


Sob a nova Carta, o governo tentou legitimar sua investidura na democracia, estabelecendo, por exemplo, a organização territorial baseada na autonomia de municípios, províncias e Comunidades Autônomas; a separação dos poderes; e o pluralismo político.

A Carta democrática espanhola culminou de um curto processo de redemocratização, iniciado dois anos antes com a crise social que se desencadeou após a morte do ditador Francisco Franco. Diante do poder supremo de Juan Carlos, que já assumiu o governo com poderes limitados, o Parlamento espanhol vivia em constante guerra política: de um lado, os falangistas, exigiam a continuidade absoluta do regime franquista; do outro, grupos de oposição reclamavam uma abertura democrática e liberal como meio de evitar uma nova guerra civil. O clima de rivalidade, insegurança e desestabilidade governamental gerou a crise social, agravada ainda mais pelos problemas econômicos vividos naquele momento.


Leia também:
Em 1936 – Frente Popular vence as eleições na Espanha
Em 1975 – Franco morre e com ele é enterrado o fascismo espanhol
Em 1981 – Suárez deixa o Governo da Espanha

 Comentar

26 de dezembro de 1977- Aprovada a Lei do Divórcio

null


O presidente Ernesto Geisel sancionou sem vetos a Lei 6.515, que regulamentou o divórcio no Brasil. De acordo com o porta-voz da presidência, Geisel teria cogitado vetar o polêmico Artigo 38, que limita a uma única vez o pedido de divórcio, mas concluiu que o veto "alargaria demasiadamente o projeto, contrariando o que os legisladores decidiram". O presidente preferiu então deixar o próprio Congresso retirar a restrição.

O Artigo 38, incluído pelos deputados e senadores antidivorcistas, colidia com a Emenda Constitucional de número 9, que institui a lei. Os juristas alertavam que o dispositivo impedia o acesso ao direito constitucional do divórcio à pessoa que, sendo solteira, tivesse casado com uma pessoa divorciada. Se esta pretendesse o divórcio, não poderia obtê-lo, porque o seu cônjuge já havia se separado uma vez. Assim, o segundo casamento se tornaria indissolúvel.

O senador Nelson Carneiro (MDB-RJ) autor da Lei do Divórcio, preparou naquele mesmo ano a emenda que iria acabar com a obrigatoriedade do divórcio único, que, na realidade só foi abolida em 1988, quando ficou permitido ao cidadão casar e divorciar-se quantas vezes lhe conviesse.

Os primeiros a apresentarem a petição do divórcio foram os mais idosos, com idades entre 62 e 75 anos. Casais que não viviam mais juntos desde 1951 puderam finalmente legalizar sua condição e principalmente a situação de seus filhos do segundo casamento.

Em 2007, a Lei 11.441 permitiu a realização de separações e divórcios consensuais, além de inventários em cartório sem a presença de um juiz. Para obter o benefício, o casal não poderá ter filhos menores de 18 anos ou incapazes, e deve estar casado há mais de um ano. A lei reduziu a burocracia, o tempo e os custos dos processos. O que antes demorava em média seis meses, passou a ser feito em poucos dias.


Leia também:
Em 1969 – Promulgada a Constituição de 1969
Em 1974 - Geisel é eleito pelo voto indireto
Em 1979 – Regulamentada a Lei de Anistia


 Comentar

25 de dezembro de 1982 – ET estreia nas salas de cinema do Brasil

ET


No dia 25 de dezembro, uma das maiores produções de Steven Spielberg e maiores clássicos da história do cinema mundial estreou nas salas de cinema do Brasil: E.T. Além de bater recordes de arrecadação nas bilheterias dos Estados Unidos, E.T também foi um sucesso de público no Brasil.

Apoiado no binômio divertir e comover, o filme de Spielberg trazia à tona o eterno filão de histórias para crianças: a amizade com um bicho (ou algo parecido), o amor sem egoísmo e eliminador de diferenças entre as pessoas num mundo adulto regido pela competição. Uma história de crianças para crianças, essa é a idéia.

Vítima de uma curiosidade infantil – queria aproveitar melhor a visita de sua nave a uma cidadezinha americana – E.T. perde a viagem de volta. E, para contar sua aventura na Terra, a amizade com Elliot (Henry Thomas), o seu contrato com o mundo, a descoberta pelos cientistas, Spielberg usa sempre a câmera do ponto de vista da criança. Pneus parecem mais barulhentos e perigosos, adultos vistos por crianças aparecem apenas pela metade.

O mesmo clima de suspense de “Tubarão” e “Contatos Imediatos” e de aventura de “Caçadores da Arca Perdida”, marcam o início de E.T., quando homens detectam a presença da nave e procuram seus ocupantes. De monstrinho, E.T. passa a ser o companheiro preferido das crianças, que o escondem no armário como se fosse um brinquedo e aos poucos descobrem tratar-se não de um monstrengo, mas de um ser diferente, dotado de notável inteligência e percepção.

et


O sucesso de E.T. foi reconhecido imediatamente pela crítica mundial e recebeu inúmeras indicações a prêmios. Em 1983, o filme de Spielberg foi vencedor do Oscar nas categorias de melhor trilha sonora, melhores efeitos especiais, melhores efeitos sonoros e melhor som. Apesar da expectativa em torno de Spielberg para melhor diretor do ano, o homem dos efeitos especiais viu novamente o prêmio passar diante de seus olhos, mas sem nunca conseguir alcançá-lo. O grande vencedor da noite foi Richard Attenborough, pelo filme “Gandhi”.



Leia também:
Em 1966 – Morre Walt Disney, o “pai do Pato Donald”

 Comentar

24 de dezembro de 1999 – Morre Figueiredo, o último presidente militar

Figueiredo


“Se o povo gostar de mim, muito bem. Se não gostar, não vou mudar”, disse o general João Baptista de Oliveira Figueiredo, em 1978, pouco antes de assumir a presidência do Brasil.

Aos 81 anos de idade, morreu de uma arritimia cardíaca causada por um efisema pulmonar o último dos cinco presidentes brasileiros do regime militar, João Batista Figueiredo, em sua casa, no Rio de Janeiro.

Figueiredo, 38º presidente da República (1979-1985), viveu a difícil posição de porteiro da saída pacífica para o labirinto político criado pelo golpe militar de 1964. No comando de um grupo de generais nem sempre inclinados para o mesmo lado, Figueiredo acabou por protagonizar episódios famosos e, aparentemente, contraditórios. Ao mesmo tempo em que, para proteger a abertura, chegou a oferecer o peito aberto aos que tentaram implodir a transição democrática com atentados à bomba, foi capaz de soltar o seu general favorito, o comandante militar do Planalto, Newton Cruz, a cavalo, sobre manifestantes.

Ao assinar a Lei da Anistia, Figueiredo afirmou que a democracia “se reafirma pela liberdade”, mas ressaltou que a lei era um ato unilateral de poder e deixou o alerta de que “para cumprir sua destinação política haja o desarmamento de espíritos”.

A chegada dos anistiados foi o principal marco do processo de redemocratização. E o episódio acabou por acrescentar à carreira militar do presidente Figueiredo – onde, até então, destacava-se o comando do Serviço Nacional de Informação – a alcunha de general da anistia.

“Como é hábito no Brasil, as pessoas costumam lembrar dos políticos pelas coisas boas que fizeram. No caso de Figueiredo, ele assinou um ato que marcou sua administração. Ele não gostava do jogo político e não tinha vocação política, mas assinou a anistia, o que foi muito bom”, declarou Fernando Gabeira, jornalista e político brasileiro, beneficiado pela lei que o trouxe de volta ao Brasil durante o governo Figueiredo.

Em 1981, com seu governo ainda na metade, Figueiredo disse: “Entre a inflação e a abertura, fico com a abertura, fico com a abertura”. E assim o fez.

Leia também:
Em Em 1969 - O ex-presidente Costa e Silva é sepultado
Em 1985 – Brasil dá adeus a Médici
Em 1985 — Os funerais de Tancredo Neves

 Comentar

23 de dezembro de 1986 – Avião Voyager dá volta ao mundo sem paradas

null


Na manhã do dia 23, o avião experimental Voyager fez uma aterrissagem perfeita numa base aérea da Califórnia, Estados Unidos, completando o primeiro vôo sem escalas e sem reabastecimento ao redor do mundo (um trajeto de 42 mil quilômetros em nove dias).

O casal de aviadores, Dick Rutan e Jeana Yeager, estavam exaustos após a temporada a bordo do pequeno avião, mas ficaram felizes ao receberem os aplausos de mais de 120 mil pessoas, que esperavam ansiosamente o retorno dos pilotos, no leito seco de um lago no deserto de Mojave, local de pouso de ônibus espaciais da NASA.

Algumas horas antes do pouso, um susto. O Voyager sofreu uma pane em um dos motores, fazendo-o mergulhar mil e 66 metros no céu escuro da noite, enquanto litros de combustível eram derramados na cabine de pilotagem. Cinco minutos foram necessários para que Dick recolocasse os motores em funcionamento e evitasse o desfecho trágico da queda mortal.

Rutan revelou que durante a viagem esteve no controle 85% do tempo de vôo, quase não deixando a colega pilotar. Dick, na época, tinha mais de 7 mil horas de vôo, sendo detentor de 10 recordes mundiais, entre eles seis recordes de distância e um de resistência.

O projeto do Voyager, elaborado por Dick, seu pai e irmão, culminou após um longo processo de aperfeiçoamento da aviação civil, iniciado na década de 1920, nos Estados Unidos. Nesta época, mais do que simples aventuras, os vôos que tentavam perigosas travessias (como a do Oceano Atlântico, em 1927) eram vistos como ato de heroísmo, provando que a aviação comercial de longo curso era possível. Uma verdadeira revolução nos meios de transporte do mundo.

A resistência dos motores e a estrutura dos aviões foi testada na prática, em cada vôo de longo curso, permitindo a construção dos primeiros aviões comerciais, como o célebre hidroplano Clipper, de dois andares, com que a Pan-Am inaugurou a rota do Pacífico, em 1936. Nenhum desses aviões voava sem escala e houve muita façanha aérea, como o vôo dos portugueses Sacadura Cabral e Grago Coutinho, de Lisboa ao Rio de Janeiro, em 1922, em que os aviadores decolaram num avião e pousaram aqui, em outro.

A primeira volta ao mundo foi feita em 1924 por uma esquadrilha de quatro aviões norte-americanos, dos quais dois conseguiram terminar o percurso em 15 dias. No dia em que o Voyager pousou na Califórnia, aquela façanha havia sido a última a ser noticiada e esperada pelo público com tanto alarde e entusiasmo.

 Comentar

22 de dezembro de 1981 – Acidente tira João do Pulo do atletismo

João do Pulo, JB: 23 de dezembro de 1981


Um acidente de automóvel na noite do dia 22 de dezembro tirou das pistas de atletismo para sempre o recordista mundial e tricampeão de salto triplo, João do Pulo. A meteórica carreira do atleta foi interrompida quando ele retornava para São Paulo de uma formatura em Campinas. Seu carro se chocou contra outro automóvel que vinha na contramão e em alta velocidade, ocasionando o brutal acidente do qual escapou com vida, mas com sérias leões que obrigaram os médicos a amputarem sua perna direita.

João do Pulo
Nas semanas seguintes, João Paulo passou por diversas cirurgias nas quais os médicos tentaram não apenas salvar-lhe a vida mas também garantir a possibilidade dele voltar a competir. O impacto da batida lhe causou traumatismo craniano, esmagamento da tíbia e do perôneo da perna direita e compressão abdominal. Durante dois dias, João do Pulo permaneceu inconsciente. Seu porte físico e força de atleta permitiram que enfrentasse as muitas mazelas físicas e se recuperasse da tragédia.

joao do pulo, capa do B
Para se fazer merecedor do apelido, João Carlos Oliveira trilhou uma carreira surpreendente no salto triplo mundial. Seu recorde mundial (1,89m), conquistado em 1975, durante as Olimpíadas do México – que, aliás superara o record anterior em 45 centímetros - somente foi batido quase dez anos depois pelo americano Willie Banks, com 17,90 m, em Indianápolis em 1985. Na América do Sul, no entanto, João do Pulo permaneceu o insuperável gigante durante 22 anos, quando seu recorde foi batido por outro brasileiro, Jael Gregório, em 2007. Além do recorde mundial, João ganhou três vezes seguidas o Campeonato Mundial de Salto Triplo (1977, 1979 e 1981).

No ano do tricampeonato, ano também em que sofreria o acidente, João recebeu o título de melhor desportista latino-americano do ano, conferido pela imprensa do continente.

Após ter a perna amputada e ter finalizado sua recuperação, João do Pulo formou-se em educação física e decidiu ingressar na carreira política. Foi eleito deputado estadual em São Paulo, em 1986, e reeleito em 1990. Em 1999, por conta de uma cirrose hepática que degenerou numa infecção generalizada, o homem que um dia foi o dono do maior pulo do mundo morreu solitário e endividado.

João do Pulo


Leia também:
Em 1975: João do Pulo bate recorde mundial
Em 1980 – Começam as Olimpíadas de Moscou
Em 1981 - João do Pulo é tricampeão mundial

 Comentar (1)

21 de dezembro de 1980 - Morre Nelson Rodrigues

morre Nelson Rodrigues


Vítima de insuficiência vascular cerebral, após sete paradas cardíacas, saiu de cena um dos mais controversos e polêmicos escritores brasileiros: Nelson Rodrigues. Admirado, temido, respeitado, aplaudido e vaiado, Nelson marcou com traços vivos e escandalosos a sociedade brasileira em meados do século XX.

Nelson Rodrigues convivia bem com a contradição. Era um moralista que provocava escândalos e, ao mesmo tempo, um puro que se encantava com o pecado, ou um liberal cercado de radicalismos. Suas contradições despertavam nos outros sentimentos também contraditórios: amor e ódio. “A verdadeira apoteose é a vaia; os admiradores corrompem”, dizia.

Nelson Rodrigues
A vida do dramaturgo e jornalista, autor de frases memoráveis e de peças que revolucionaram o teatro brasileiro, foi como sua obra: dramática, inconstante, emocionante. Além das tragédias que atingiram a sua família e o marcaram, Nelson foi internado várias vezes devido a tuberculose, sofria com uma úlcera lhe causava dores terríveis e teve uma hemorragia intra-ocular que o deixou parcialmente cego. O “anjo pornográfico” foi o primeiro escritor a colocar em cena o cotidiano do subúrbio carioca, a abrir espaço para o uso da linguagem coloquial e a abandonar os temas açucarados.

Sua linguagem dinâmica e satírica movimentou a pacata sociedade brasileira estagnada pela censura da Era Vargas. Muitas de suas peças de teatro só foram liberadas após 20 anos de publicadas. Nelson expôs mazelas e vilanias escondidas na maioria das pessoas. Fez comédia desses dramas, revelando o demônio escondido que cada um procura ocultar até de si próprio, em nome de padrões de comportamento estabelecidos.

Com a mesma naturalidade que falava sobre sexo, Nelson se referia à morte. Dizia nunca termer deixar este mundo, aliás, desejava muito fazê-lo quando as dores apertaram e ele se aproximava silenciosamente do fim.

Nelson Rodrigues
“Nunca o apelo da morte foi tão forte em mim quanto na infância. Mas, em nossos dias, ela perdeu a ênfase. O velório de capelinha é uma profanação abominável. No Rio do meu tempo, os mortos eram velados em salas de visitas ou de jantar e tinham a solidariedade de tudo, inclusive das cadeiras. Quantas noites fui dormir com vontade de acordar entre os mortos! Ainda menino descobri que nada é mais falso do que o medo da morte: esse medo nunca existiu. O que se dá, inversamente, é uma urgência de morrer”.

Leia também:
Em 1990 – Oitenta anos de Noel Rosa, o Poeta da Vila
Em 1998 – A MPB perde seu maior Boêmio

 Comentar (1)

20 de dezembro de 1971 – Galo é o primeiro Campeão Brasileiro de Futebol

Atlético campeão brasileiro


Um gol marcado por Dario no início do segundo tempo da histórica partida contra o Botafogo selou a trajetória de vitórias do Atlético Mineiro no primeiro Campeonato Brasileiro de Futebol. O Galo jogava apenas por um empate, mas o notável entrosamento da equipe sob o comando do técnico Telê Santana mostrou que podia mais.

Diante de mais de oitenta mil torcedores cariocas, que enchiam o Maracanã naquela tarde, o time formado por Renato, Grapete, Oldair, Dari, Tião, Spencer não se sentiu intimidado e partiu para cima do Alvinegro fluminense, garantindo a vitória.

Tele Santana


“O meu time é campeão porque foi disciplinado acima de tudo. Nenhum jogador viu o cartão amarelo, nunca reclamou dos bandeirinhas, nunca fez pênalti e nem tirou nenhum adversário de campo”, disse Telê à imprensa ao fim do jogo.

Ao contrário do Atlético, o time do Botafogo se deixou levar pela emoção e cometeu irregularidades que lhe custaram a perda de dois atletas por expulsão. No fim da partida, o diretor do clube carioca, Nilton Santos, agrediu o árbitro para piorar mais ainda a situação do time e enfurecer os torcedores que saíam cabisbaixos do estádio.

No dia seguinte à vitória inédita, Belo Horizonte amanheceu comemorando. Papéis picados ainda caíam de edifícios, fogos de artifício pipocavam no ar. Para os funcionários públicos, ponto facultativo, para os desavisados, um feriado súbito. Quando desembarcaram no aeroporto da Pampulha os jogadores campeões do Brasil, na noite do dia 20, as comemorações superaram às da conquista da Copa do Mundo na cidade. Até a charanga do Cruzeiro, com os seus membros usando uniformes do Atlético, participaram da festa. Durante a semana, os torcedores continuaram festejando o título, que a equipe conquistou sem nenhum barulho; com ordem e seriedade.

Campeão Brasileiro

Clique na imagem e veja mais fotos do campeonato


Leia também
Em 16 de junho de 1950 – É inaugurado o Maracanã
Em 1950 – O dia em que o Maracanã se calou
Em 1984 - Fluminense é Campeão Brasileiro de Futebol

 Comentar (6)

19 de dezembro de 1996 – Ciao! Morre o ator Marcello Mastroianni

Morre Marcello Mastroianni


A morte não foi gentil com os amigos que Marcello Mastroianni conquistou nos 160 filmes em que atuou, ao longo de 72 anos de vida. O dia 19 de dezembro de 1996 foi um dia de grande tristeza para todos eles. Mastroianni, um dos maiores nomes do cinema mundial do século XX, morreu de câncer, numa época do ano que considerava mágica.

Marcello Mastroianni
“Eu gostaria de morrer no Natal, com uma grande árvore iluminada no meio da praça”, dizia ele com a voz rouca de um homem que chegou a fumar 70 cigarros por dia, no monólogo de uma das últimas peças que interpretou, e que traduzia também seu desejo profundo de morrer numa noite tranqüila e natalina.

Uma morte digna para o menino que nunca deixou de brincar com a vida, que fez de tudo para não se levar a sério, irônico e rigoroso com ele mesmo, que se ofendia com quem o definia como o último dos latin lovers, embora tenha sido parceiro, companheiro ou amante de muitas das mulheres mais belas do seu tempo. Como Silvana Magano, Shirley McLane, Catherine Deneuve, Brigitte Bardot e Sophia Loren.

Marcello Mastroianni e Sophia Loren


Marcello vivia na boemia, cercado por mulheres. Nunca deu importância para o dinheiro, apesar de viver cercado por luxo. Filho de um marceneiro e nascido numa pequena cidade italiana, fez de tudo para viver como um homem normal depois da fama. O Marcello que nos último meses de vida foi se apagando lentamente, andando apoiado sobre uma bengala, emagrecendo e fazendo de tudo para não aparecer na mídia, foi um dia a estrela mais brilhante do cinema, um dos mais belos e talentosos personagens da sétima arte.

Marcello Mastroianni
Trabalhador compulsivo, passou a maior parte da vida em sets de filmagem, sendo instruído por dezenas de diretores, de todos os cantos do mundo. Foi ao lado de Frederico Fellini – o grande mago do cinema italiano -, no entanto, que esta parceria deu mais certo. “Fellini é o artista, eu sou o executor”, costumava dizer Mastroianni. Juntos, filmaram Noites de Cabiria, Na Estrada da Vida, Ginger e Fred, A Doce Vida, Oito e Meio. Neste último, pode-se perceber o ápice desta parceria e amizade, que durou até a morte do diretor, em 1993: neste filme, Fellini confiou a Mastroianni um personagem mais complexo, seu próprio alterego, um diretor em crise.

“Representar é a única coisa que me interessa, a razão do meu trabalho. As pessoas não acreditam quando digo que o que está em volta do ato de representar não me interessa. Quando o trabalho termina, é hora de voltar para casa e encontrar os amigos”, disse ele certa vez.


Cena de "A Doce Vida"


Leia também:
Em 1977 – Morre o pai do neorrealismo italiano
Em 1984: O cinema perde François Truffaut
Em 1993: Adeus Fellini, o mago do cinema

 Comentar

18 de dezembro de 1971 – Aprovado novo Acordo da Língua Portuguesa

novo acordo ortográfico


No dia 18 de dezembro de 1971, o Presidente Médici sancionou a lei que introduziu alterações na ortografia da língua portuguesa, abolindo o trema, o acento circunflexo diferencial em alguns casos (nas letras “e” e “o”) e estabeleceu que empresas e editoras teriam o prazo de quatro anos para atualizar suas publicações.

A lei determinava ainda que a Academia Brasileira de Letras deveria promover, dentro do prazo de dois anos, a atualização do vocabulário comum, a organização do Vocabulário Onomástico e a republicação do Pequeno Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa.

As alterações introduzidas pelo projeto elaborado na Câmara dos Deputados, e que receberam parecer conjunto das Academias Brasileira de Letras e da Academia de Ciência de Lisboa, foram as seguintes: ficou abolido o trema nos hiatos átonos, o acento circunflexo diferencial nas letras “e” e “o”; o acento circunflexo e o grave que assinalava a sílaba tônica dos vocábulos derivados, em que se figuravam o sufixo –MENTE, ou sufixos iniciados por Z, entre outros.

O objetivo desta mudança era dar o primeiro passo para a unificação da língua portuguesa nas sete nações em que esta ela é nativa (Brasil, Portugual, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe).

Antes deste acordo, outro em cooperação com a Academia de Lisboa já havia sido aprovado em 1931 e levado à convenção em 1943. Depois deste, em 1990, um novo conjunto de regras foi firmado entre as nações lusófonas, inspirado na unificação do espanhol e do castelhado falado na América Latina, igualmente diferentes em suas similaridades. Em 2009, quase vinte anos depois do último, entrou em vigor o Novo Acordo Ortográfico para uniformizar de vez a grafia das palavras dos países que falam português. Os brasileiros, assim, terão quatro anos para se adequar à nova norma, que entrará em vigência em 1 de janeiro de 2013.

 Comentar

17 de dezembro de 1989 – Brasil vota e elege Collor Presidente

Collor é eleito Presidente


“Ganhamos”, bradava antecipadamente o deputado Renan Calheiros no dia do pleito que elegeu o amigo Fernando Collor de Mello como Presidente do Brasil, no segundo turno das primeiras eleições federais após a ditadura militar. As pesquisas “boca de urna”, na noite do dia 17, já indicavam a vitória do candidato do PRN para alegria dos aliados e frustração da oposição petista, que ainda aguardava o anúncio oficial do TRE, o qual sairia apenas na noite do dia seguinte.

“Eleição, a gente só pode falar sobre ela, depois de apurados os resultados”, disse Collor sorridente enquanto as pessoas em sua zona eleitoral, em Maceió, cantavam o hino do vitorioso: “é verde e amarelo, sem foice e sem martelo”.


Distante dali, em São Bernardo, no interior de São Paulo, Lula beijava a cédula antes de inseri-la na urna. Estava tranqüilo, acompanhado da mulher, Marisa. “Se eu tivesse um dia melhor do que esse, eu morreria de infarto”, disse ele, enquanto se dirigia ao carro que o levaria para sua residência, de onde acompanharia a apuração.

Collor ou Lula? Pela primeira vez em 29 anos, chegara o dia em que 80 milhões de brasileiros tinham nas mãos o poder de mudar o futuro do país, resumido em dois curtos nomes assinalados em milhões de cédulas e depositados em urnas de toda a nação.

O país se dividiu naquele domingo histórico e acreditou que gritar alto o nome de seu candidato poderia garantir mais um voto para ele. Houve prefeito que fez campanha para Collor no contracheque do pagamento do 13º salário, houve garimpeiro em Rondônia que pagou uma pepita de ouro para conseguir chegar a sua seção eleitoral, houve cabo eleitoral que fez boca de urna com propaganda para Collor, mas garantiu que seu voto era de Lula. Houve festa nas ruas do país, bandeiras coloridas ao vento, gente dançando, entoando hinos a favor ou contra seu candidato.

Collor eleito Presidente


No fim, quatro milhões de pessoas decidiram o pleito. Com essa vantagem, Fernando Collor de Mello foi eleito chefe da nação. Em breve, o chamado Caçador de Marajás subiria a rampa do Planalto, trajando a cobiçada faixa presidencial.


Leia também:
Em 1989 – No centenário da República, Brasil vai às urnas
Em 1992 – Collor sai, Itamar assume a Presidência
Em Em 1993 - STF confirma cassação de Collor

 Comentar (1)

16 de dezembro de 1971 – Ataque indiano põe fim à Guerra do Paquistão

null


Após um derradeiro ataque indiano, chegou ao fim a guerra no Paquistão Oriental. No dia 16 de dezembro, a população bengali comemorava o fim do conflito nas ruas e a Primeira Ministra da Índia, Indira Gandhi, anunciava o cessar-fogo em todas as frentes de batalha.

Apesar da rendição das tropas paquistanesas que lutavam no oriente, o governo do Paquistão Ocidental se recusou inicialmente a declarar a rendição, mas acabou cedendo à pressão internacional no dia seguinte.

“Aceito a proposta indiana de cessar-fogo, no interesse da paz e da estabilidade do subcontinente”, afirmou Yahya Khan, na qualidade de Presidente e comandante das tropas paquistanesas. A mudança drástica na posição de Khan, que, no dia anterior, proferira um discurso inflamado anunciando a continuação da guerra, surpreendeu até mesmo os indianos, que lutaram na guerra durante apenas 13 dias.

O conflito no nordeste indiano começou em março daquele ano, quando fora proclamada a independência da República de Bengali, conhecida hoje como Bangladesh. Antes de ser independente, Bangladesh fazia parte do Paquistão, nação muçulmana separada em duas partes (ocidental e oriental) por mil e setecentos quilômetros de território indiano. A menção de se tornar um Estado muçulmano independente pela parte oriental provocou uma rivalidade com o governo ocidental, que não reconheceu o novo país que na outra extremidade da península indiana se formava. Uma guerra civil se estendeu ao longo do ano.

guerra do paquistão


A guerra do Paquistão de fato teve início com a entrada da Índia no conflito, treze dias antes de seu fim, quando os líderes das duas nações acusaram um ao outro de terem provocado aquela situação. Ao afirmar que cidades indianas de fronteira estavam sendo bombardeadas pelo lado oriental, Indira Gandhi entrou com o Exército e Marinha contra as bases paquistanesas próximas à região fronteiriça, tomando seis cidades de Bangladesh – ocupadas pelas forças do noroeste. Estabilizada a presença no oriente e assinada a carta de rendição deste local, a Índia, por meio de Gandhi, declarava-se vitoriosa e anunciava o cessar-fogo. Para evitar um conflito com proporções desastrosas e gigantescas, o Paquistão Oriental aceitou a paz, sabendo que teria poucas chances de vencer uma guerra direta contra o país hinduísta, dirigido pela temida Primeira Ministra.


Leia também:
Em 1947 – Índia se torna independente
Em Em 1948 - Gandhi morre em defesa da paz
Em 1956 — A República Islâmica do Paquistão
Em 1971 – Índia reconhece a República Popular de Bengala

 Comentar

15 de dezembro de 1960 - É inaugurado o Cine Paissandu

null


"O Rio cresce, e acompanhando o alto nível do progresso no mundo das diversões cinematográficas, ganha uma nova, luxuosa e confortável casa de espetáculos: o Cine Paissandu - o máximo em som, projeção e conforto", vinha escrito no cartaz de divulgação da inauguração do cinema Paissandu, em 15 de dezembro de 1960.

Foi às vésperas do verão de 62 que a vida cultural carioca ganhou mais um ponto de encontro. Localizado no bairro carioca do Flamengo e cercado por uma boemia intelectual, o Cine Paissandu estreava com uma apresentação da Companhia Cinematográfica Franco-Brasileira. "Somos homens ou..", uma forma bem humorada de questionar o comportamento da sociedade da época.

Atraindo um público jovem, politizado, cinéfilo, o Paissandu chegou para oferecer a esta platéia uma programação cinematográfica enriquecida pelos longas de Jean-Luc Godard, Louis Malle, Michelangelo Antonioni, François Truffaut. E motivava discussões de toda ordem, que mais tarde ganhariam o rótulo de Geração Paissandu. Por ter apenas uma sala - embora reversível para duas - o Cine Paissandu caiu na obsolência na era das grandes cadeias de salas cinematográficas, que chegaram ao Brasil no início da década passada. A tradição de nada mais adiantava para o público novo, desejoso das grandes telas, ambientes climatizados e cadeiras quase dispostas na vertical. Em 2008, o Paissandu fechava suas portas.

Em homenagem a ele, disponibilizamos aqui uma galeria de fotos antigas.

 Comentar

15 de dezembro de 1966 – Morre Walt Disney, o “pai do Pato Donald”

Morre Walt Disney


O célebre produtor de cinema e autor de desenhos animados Walt Disney morreu, aos 65 anos, vítima de uma trombose, em um hospital nos arredores de Hollywood. Disney tinha sido internado após realizar uma cirurgia para remover o pulmão esquerdo.

Proprietário da Disneylândia, apresentador de um programa de televisão, Disney foi uma das figuras emblemáticas do século XX. Pela criação de seus personagens infantis chegou a receber 29 Oscar. Desde 1937, quando inventou e lançou Branca de Neve e os Sete Anões, Disney produziu quase cem longa metragens, incluindo Pinocchio, Cinderela, A Ilha do Tesouro, Alice no País das Maravilhas, A Bela Adormecida.

Durante a maior parte de seus 47 anos de cinema, Walter Elias Disney não foi um produtor rico, mas os seus desenhos sempre fizeram sucesso junto às crianças. De suas mãos nasceram Pato Donald, Mickey, Pluto, Branca de Neve e muitos outros.

mickey


Só a partir de 1950, quase 25 anos após ter criado Mickey, que Disney pode transformar seu talento para a fantasia e seu pequeno mundo em negócio rendoso. Antigamente, os bancos tinham medo de suas empreitadas, situação que mudou drasticamente na década seguinte. “Hoje, os bancos correm atrás de mim para saber se quero mais dinheiro”, declarou ele a um jornalista certa vez.


Pato Donald
A vida de Disney não foi tão alegre quanto em seus desenhos animados. Sua história foi simples. Descendentes de irlandeses, o “pai do Pato Donald” era um desenhista nato. Em Kansas City cursou Belas Artes, mas constatou que de nada adiantaria o conhecimento acadêmico para a animação, portanto, logo arrumou um emprego. Ao entrar em contato com filmes publicitários percebeu que poderia dar movimento à sua arte. De seus “jornais animados” a curtas para o cinema foi apenas um pulo. Entre 1924 e 1926, vieram as comédias de Alice, devido à paixão do ilustrador pela menina criada por Lewis Carroll. Depois, criou os primeiros personagens: Oswald, o alegre coelho, e Mickey.

mickey
Com o advento do cinema falado, Disney acrescentou novos heróis à sua galeria mitológica. Após atingir o clímax do desenho animado, através da mistura de realismo caricatural com a fantasia poética, o desenhista começou a adentrar nas águas do documentário. Ficou milionário, mas sofreu duras críticas dos fãs de seus desenhos ingênuos. Sua última produção foi Mary Popins, que estreou no Brasil uma semana após a morte de seu criador.


Apesar da morte do ícone, a fábrica de sonhos de Walt Disney não fechou. Seu parque de diversões continua sendo o mais famoso do mundo e seus desenhos seguem embalando os sonhos infantis nos quatro cantos do mundo.

Branca de Neve


Leia também:
Em 1938: Segar, o criador de Popeye
Em 1973- A arte perde Tarsila do Amaral
Em 1981: Aniversário de Picasso

 Comentar (5)

14 de dezembro de 1981 – Israel anexa as Colinas de Golã a seu território

Israel anexa Colinas de Golã


O Parlamento israelense aprovou uma lei apresentada pelo Premier Menahem Begin determinando a anexação do polêmico território das Colinas de Golã – tomado da Síria na Guerra dos Seis Dias (1967) – sob a alegação de que a área faz parte da antiga terra de Israel.

A decisão provocou a reação do Governo da Síria, que qualificou a anexação como um ato agressivo e expansionista, além de constituir uma “violação flagrante das resoluções das Nações Unidas”. As autoridades da Siria pediram a imediata convocação do Conselho de Segurança da ONU para debater a questão. A ONU condenou terminantemente a anexação do território por Israel, que, por sua vez, nada fez para que a área fosse devolvida ou ficasse sob controle internacional.

O projeto, aprovado em tempo muito curto, possuía apenas três artigos que jamais justificavam a anexação, mas davam autoridade ao Ministro do Interior de “tomar as medidas de aplicação adequadas” para que a área fosse mantida sob o governo de Israel.

Colinas de Golã, mapa, JB


Até o momento, as Colinas de Golã eram consideradas território árabe ocupado, da mesma forma que a Cisjordânia e a Faixa de Gaza. De todos os territórios árabes ocupados na guerra de 1967, somente o setor muçulmano de Jerusalém fora anexado por Israel.

“Nunca nos retiraremos das Colinas de Golã. Não é possível abrir mão da segurança em troca da paz. Não há paz sem segurança e sem as Colinas de Gola não há segurança”, declarou Begin em 1979, na comemoração do 31º aniversário da criação do Estado de Israel. Esta declaração já fazia supor que a anexação daquele território viria mais cedo ou mais tarde.

Esquecidas nos acordos de Camp David – que trataram apenas da Csjordânia, Faixa de Gaza e Península do Sinai, admitindo para esta última a devolução gradual e para as anteriores um processo de relativa autonomia – as Colinas de Golã eram um território árabe do qual Israel jamais admitiu abrir mão. Para a Síria, a região montanhosa também era considerada um elemento vital à sua segurança. Esta disputa eclodiu na Guerra dos Seis Dias e também na Guerra do Yom Kippur (1973).

Durante os períodos de guerra, grande parte da população fugiu da região, temendo ser vítima dos duros confrontos militares. Hoje, a situação na área permanece tensa. A Síria reivindica a posse do território, Israel não abre mão e a ONU não reconhece ainda a lei de anexação do território.

Leia mais:
Em 1967 — Começa a Guerra dos Seis Dias
Em 1973 – Começa a Guerra do Yom Kippur
Em 1978 – Morre Golda Meir, a mãe do Estado de Israel

 Comentar

13 de dezembro de 1968 – Costa e Silva baixa o AI-5

Ato Institucional


Para eliminar a crise política dentro do golpe militar, o Governo Costa e Silva baixou, na noite do dia 13, o Ato Institucional nº 5 e, com base nele, o Ato Complementar nº 38, que decretou o recesso do Congresso Nacional por tempo indeterminado. Por meio do AI-5, o Presidente da República ganhava poderes excepcionais, podendo interferir em todas as instâncias do Executivo, sem qualquer aviso prévio.

No interesse de preservar a Revolução, o Presidente da República, ouvido o Conselho de Segurança Nacional e sem as limitações previstas pela Constituição, poderá suspender os direitos políticos de quaisquer cidadãos pelo prazo de 10 anos e cassar mandatos eletivos federais, estaduais e municipais” (Art. 4º do AI-5).

ontem foi o dia dos cegos - canto superior direito capa
Entre as resoluções do AI-5, suspendia-se os direitos políticos, e proibia-se atividades e manifestações sobre assuntos dessa natureza, condicionando a infração a severas penalidades, desde a liberdade vigiada ao domicílio determinado. Para garantir a ordem, os quartéis mantiveram-se em rigoroso regime de prontidão, e mobilizaram-se integralmente as Polícias Federal, Militar, Civil e a Guarda Civil.

Ficaram, com o AI-5, suspensas as garantias constitucionais ou legais, da vitaliciedade, inamovibilidade e estabilidade da magistratura e a garantia do habeas-corpus nos casos de crimes políticos, contra a segurança nacional, a ordem econômica, social e a economia popular.

previsão do tempo - capa, canto superior esquerdo.
Nos dez anos em que vigorou o Ai-5, o país absorveu noções singulares de política. Chegou-se a acreditar que o liberalismo acabara, que o PIB era mais importante que a renda per cápita e, sobretudo, que o regime era eterno. Dois anos de mudanças efetivas demonstraram a fragilidade dos mitos montados sobre o autoritarismo e fizeram renascer no país diversas noções de convivência humana que, antes de serem brasileiras, faziam parte do legado do pensamento ocidental, do qual o país quase conseguiu se afastar.

Por meio do AI-5, o governo promoveu arbitrariamente repressão e intervenção, cassação, suspensão dos direitos, prisão preventiva, demissões, perseguições e até confisco de bens. A censura federal, recrudescida, atuou veentemente na interdição de mais de 400 filmes, 300 peças de teatro, 100 livros, e dezenas de músicas. Tudo sob a égide da segurança nacional.

Leia também:
Em 1964 – Goulart foge e militares tomam o poder
Em 1965 - Castelo Branco baixa o Ato Institucional Nº 2
Em Em 1969 - O Ato no. 7 suspende eleições

 Comentar

12 de dezembro de 1993 – Eduardo Frei é eleito presidente do Chile

Eduardo Frei


Marcada pela previsibilidade, a segunda eleição presidencial do Chile após o fim do governo ditatorial de Augusto Pinochet levou ao poder mais um candidato do partido da Concertação, coligação de centro-esquerda que dava sustentação ao então governo de Patrício Aylwin. Em dezembro de 1933, o que todas as pesquisas de opinião já indicavam o resultado do pleito só pôde provar; com 58,01% dos votos válidos, um marco recorde na história do Chile até então, a eleição de outro democrata cristão representava o desejo de continuidade política do povo.

Eduardo Frei Ruiz-Tagle, engenheiro civil, tinha 51 anos quando assumiu a Presidência da República. Era filho de um dos grandes nomes da Democracia Cristã chilena, Eduardo Frei Montalva, que governou o país entre 1964 e 1970. Especulava-se, inclusive, que seu pai tentaria a reeleição caso não tivesse sido instaurado o golpe militar do general Augusto Pinochet, em 1973, que depôs o presidente socialista Salvador Allende e aboliu as eleições no país por 17 anos.

O período em que Augusto Pinochet esteve no poder (1973-1990) foi marcado pelo autoritarismo e a violência. A abertura política só veio quando, diante das pressões externas, realizou-se o Plebiscito de 1988, em que 55% dos votantes se posicionou contra a permanência do general no poder. No ano seguinte, as primeiras eleições desde 1970 deram a vitória a Patrício Aylwin, o antecessor de Eduardo Frei Ruiz-Tagle.

Em discurso como presidente eleito, em 1993, Eduardo Frei ressaltou a preocupação social, prometendo combate à extrema pobreza, e as relações entre civis e militares. O programa da continuidade do governo também se destacava nos planos para a economia, que envolviam o incentivo à exportação e aumento da competitividade dos produtos nacionais, a realização de privatizações, e a preferência por negociações internacionais bilaterais em detrimento da integração em blocos. Em relação aos direitos humanos, o projeto se referia à busca de um “amplo consenso nacional que permita avançar no cumprimento dos objetivos de verdade e justiça”.

Leia também:
Em 1973 – Allende suicida-se. Militares tomam o poder
Em 1986 – Decretado estado de sítio no Chile
Em 2000 – Ex-ditator Pinochet volta ao Chile

 Comentar

11 de dezembro de 1990 – Oitenta anos de Noel Rosa, o Poeta da Vila

Oitenta anos de Noel Rosa


Naquele dezembro de 1990, Noel Rosa, se estivesse vivo, completaria oitenta anos. Nas páginas do JB da época, uma homenagem ao Poeta da Vila foi feita para relembrar a vida do célebre compositor; e também anunciar o lançamento da sua biografia, escrita por João Máximo – então jornalista da casa – e Carlos Didier.


Noel Rosa
A vida de Noel, apesar de breve – morreu aos 26 anos, vítima de tuberculose incurável devido à sua vida boêmia –, foi densa e bem vivida; sua biografia foi estudada e relatada por muitos escritores que, a cada lançamento, descobriam uma nova curiosidade sobre faceta do intenso compositor.

Noel de Medeiros Rosa nasceu no dia 11 de dezembro de 1910 no Rio de Janeiro, em parto difícil. Para fazê-lo vir ao mundo, os médicos precisaram utilizar o temido fórceps – instrumento ginecológico que auxilia a retirada do feto -, o que acabou afundando seu maxilar, causando-lhe uma paralisia parcial no lado direito do rosto.

Andando pelos bares de Vila Isabel, Noel aprendeu a tocar bandolim de ouvido e tomou gosto pela música, tornando-se célebre por fazer a união do samba do morro com o do asfalto, principalmente por meio do rádio. Na Vila foi músico e poeta. Para ela, escreveu quatro belos sambas. Era um crítico do cotidiano e em suas letras, o humor seco e sarcástico transparecia, assim como seu amor imensurável pelas mulheres.


Noel Rosa
As paixões do Poeta da Vila foram muitas. Duas mulheres, entretanto, dividiram a cena nos anos que antecederam a sua morte. Juracy Correa, a Ceci, era chamada de a outra, a dançarina do submundo. Para ela, Noel compôs Dama do Cabaré e com ela passou noites apaixonadas, fumando, bebendo e amando. A outra, mulher oficial, era Lindaura de Medeiros Rosa, a mulher oficial, casada com o poeta no civil, como mandava o figurino.

Seu primeiro sucesso, Com que Roupa?, surgiu das suas andanças pela cidade e em suas ruas logo se propagou na boca dos foliões, no eterno carnaval de 1931. Depois deste, muitos outros vieram: deixou de herança para a música popular brasileira mais de 100 canções. Em 1937, morreu como se deve: feliz e cantando. A Vila inteira desceu entoada por sua melodia, saudando aquele que um dia foi o seu maior amante.



Leia também:
Em 1937 - Adeus ao poeta da vila
Em 1977 - 75 anos de Carlos Cachaça, o poeta do samba mais nobre
Em 1980 – Morre Cartola, o Poeta do Amor

 Comentar

10 de dezembro de 1948 - ONU aprova a Declaração dos Direitos Humanos

Declaração dos Direitos Humanos


“Como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, e com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universal e efetiva, tanto entre os povos dos próprios Estados-Membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição”, vem escrito na Declaração dos Direitos Humanos, documento traduzido para mais de 360 línguas.

Por unanimidade, a Assembléia Geral da ONU aprovou a Declaração dos Direitos Humanos, em dez de dezembro de 1948, a poucos minutos da meia noite. Quarenta e oito países foram representados na reunião, em Paris, e se abstiveram apenas a Arábia Saudita, a África do Sul e a Rússia, que tentou adiar para setembro do ano seguinte a votação minutos antes de ser declarada aberta a sessão.

Herbert Evatt, delegado da Austrália e presidente da Assembléia qualificou a decisão como o "início de uma nova era em benefício do progresso e da paz internacionais".

A declaração inclui disposições contra toda e qualquer atividade que implique ou vise a eliminação física de pessoas por qualquer motivo. Por meio do documento, os direitos básicos do homem contra a pirataria, o tráfico de escravos e a exploração de mulheres e crianças foram assegurados. O espírito de liberdade, igualdade e fraternidade, trazido à tona na Revolução Francesa (1989), foi também representado no documento, logo no primeiro Artigo:

“Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade”.

Entre os países que defenderam com maior vigor a declaração dos direitos do homem destacaram-se os latino-americanos, além da Grã-Bretanha e do Canadá, cujos delegados salientaram a transcendental importância que o documento tinha para a humanidade, ao contrário do representante soviético, Andrey Vishinsky. Antes da votação, Vishinsky acusou as potências européias de terem provocado a Segunda Guerra Mundial: “A guerra foi provocada pelos líderes políticos da França e Inglaterra, apoiados pelos Estados Unidos, e não porque os nazistas tenham violado os direitos do homem”, e por isso não via necessidade da votação dos Direitos Humanos naquela sessão.

A Declaração dos Direitos Humanos surgiu num contexto em que o mundo se recuperava do maior conflito do século, a Segunda Guerra (1939-1945), e tentava, a todo custo, evitar que uma tragédia de igual ou maior porte voltasse a ocorrer. Em três anos, fora criada as Nações Unidas e assinados o Tratado Internacional dos Direitos Civis e Políticos e o Tratado Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais; uma prévia dos direitos humanos, que visava equilibrar a nova ordem mundial e manter a paz.

 Comentar

9 de dezembro de 1977 – Morre Clarice Lispector. Chega a Hora da Estrela

Morre Clarice Lispector


No dia nove de dezembro de 1977 morreu, aos 57 anos de idade, Clarice Lispector, uma das maiores cronistas e escritoras da literatura brasileira. Clarice estava hospitalizada por mais de um mês para tratar de um câncer que, no fim da sua vida, atacou vários órgãos de seu corpo.

Ucraniana, Clarice se mudou para o Brasil quando ainda era bebê. Viveu a maior parte da vida no Recife e dominou como poucos a nossa linguagem. Sua última obra, A Hora da Estrela, foi lançada em outubro daquele ano quando já estava enferma. Ela veio de longe para recriar a literatura feminina – embora dificilmente feminista – no país. Outras houve antes, mas nenhuma atingiu em suas obras a dimensão literária e artística de Clarice.

Com seu estilo novo, de evidente deslumbramento pela pura sonoridade das palavras brasileiras, ela influenciou praticamente todas as escritoras que vieram depois. Sua narrativa, na qual entrelaçava harmonicamente conceitos metafísicos, seres e fatos do mais corriqueiro cotidiano, fez escola.

null


A escritora, no entanto, vivia de uma maneira simples, quase pobre, ocupando-se dos afazeres domésticos e vendo televisão – novelas – como qualquer outra pessoa da época. No ano anterior ao da sua morte, quando conquistou o Prêmio Brasília pelo conjunto de obras publicadas, declarou comovida: “Foi uma dádiva de Deus, através dos seres humanos. Eu bem estava precisando desse dinheiro. Sinto-me um tanto humilde, por não merecer tanto. Disseram-me que quando nos conferem um prêmio é porque nos consideram aposentados. Mas eu não me aposentarei. Espero morrer escrevendo”.

Clarice começou a escrever contos no início da adolescência. Seu primeiro livro Perto do Coração Selvagem foi publicado em 1944, quando tinha apenas 19 anos. Antes de lançá-lo, já escrevia sua segunda obra, O Lustre, que saiu em 1946. Formou-se em direito, mas nunca investiu na carreira de advogada. Dedicou-se mesmo ao jornalismo, tendo trabalhado inclusive no Jornal do Brasil, na década de 1970. Influenciada pela literatura de Herman Hesse, Clarice buscava dar um tom dramático em suas histórias e, muitas vezes, trágico. Era uma eterna solitária, uma eterna insatisfeita, em busca a todo custo da perfeição.

“Eu tentava traduzir uma busca interior, atrás de uma coisa que eu não sabia bem o que era”, disse ela após publicar Cidade Sitiada, em 1949.

Seus livros mais vendidos foram A Maçã no Escuro e Laços de Família. Sobre o primeiro, ela declarou certa vez que a primeira versão tinha dado 500 laudas. Copiou o livro onze vezes e, a cada vez que fazia uma cópia, entendia mais de sua obra, pois geralmente não compreendia muito, a princípio, o que queria dizer.


“Olhar de Clarice”

Clarice Lispector
Clarice veio de um mistério, partiu para outro
Ficamos sem saber a essência do mistério.
Ou o mistério não era essencial.
Essencial era Clarice viajando nele
Era Clarice bulindo no fundo mais fundo.
Onde a palavra parece encontrar
sua razão de ser, e retratar o homem

O que Clarice disse, o que Clarice
viveu para nós
em forma de história
em forma de sonho de história
em forma de sonho de sonho de história
(no meio havia uma barata
ou um anjo?)
não sabemos repetir nem inventar.
São coisas, são jóias particulares de Clarice,
que usamos de empréstimo, ela é dona de tudo.

clarice lispector
Clarice não foi um lugar-comum,
carteira de identidade, retrato.
De Chirico a pintou? Pois sim.
O mais puro retrato de Clarice só se pode encontrá-lo atrás da nuvem
que o avião cortou, não se percebe mais.

De Clarice guardamos gestos. Gestos,
tentativas de Clarice sair de Clarice
para ser igual a nós todos
em cortesia, cuidados materiais.
Clarice não saiu, mesmo sorrindo.

Dentro dela
o que havia de salões, de escadarias, de tetos fosforescentes, de escadarias,
de tetos fosforescentes e longas estepes
e zimbórios e pontos do Recife em bruma envoltas
formava um país, o país onde Clarice vivia, só e ardente, construindo fábulas

Não podíamos reter Clarice em nosso chão
salpicado de compromissos. Os papéis,
os cumprimentos falavam em agora
em edições, possíveis coquetéis
à beira do abismo.
Levitando acima do abismo Clarice riscava
um sulco rubro e cinza no ar e fascinava-nos.

Fascinava-nos apenas.
Deixamos para compreendê-la mais tarde
Mais tarde, um dia... saberemos amar Clarice.

(Carlos Drummond de Andrade)

Leia também:
Em 1961 – Hemingway tira a própria vida
Em 1968 - Manuel Bandeira parte para Pasárgada
Em 1998 – Saramago ganha o Nobel de Literatura

 Comentar (9)

8 de dezembro de 1978 – Morre Golda Meir, a mãe do Estado de Israel

Morre Golda Meir, mãe do Estado de Israel


O dia é de luto para todo o povo judeu, tanto em Israel como na Diáspora”, declarou o Presidente israelense Yltzhak Navon.

Aos 80 anos de idade, morreu a ex-Primeira Ministra de Israel Golda Meir, vítima de leucemia, num hospital de Jerusalém. A enfermidade atacava Golda havia doze anos, incluindo o período em que foi Premier (1969-1974) – um segredo muito bem guardado, que só começou a ser revelado pouco antes de sua morte. Com o falecimento desta grande mulher, o Estado judeu perdia um dos últimos dos seus fundadores. Se David Ben Gurion, morto em 1974, era considerado seu pai, Golda Meir certamente era a mãe de Israel.

Ben Gurion até se referiu à Golda certa vez como o “único homem do meu Gabinete”, elogiando a coragem e a determinação da mulher que, com um vestido leve e uma bolsa, foi aos Estados Unidos em 1948 e levantou 50 milhões de dólares para a compra das armas que garantiriam a existência do país em seus primeiros e dificeis dias. Golda tinha dois sonhos: o primeiro, a criação do Estado de Israel, foi conquistado mediante muito esforço; o outro, a paz duradoura no Oriente Médio, permanece como desejo até hoje.

Nascida na Rússia, Golda Meir foi deputada, líder do Partido Trabalhista, Embaixadora de Israel em Moscou, Ministra do Trabalho e do Exterior, antes de se tornar Primeira-Ministra, cargo ao qual renunciou em conseqüência de duras críticas dirigidas a seu governo e relacionadas com a ação das Forças Armadas na Guerra do Yom Kippur (1973).

Golda Meir


Golda assumiu as rédeas de Israel após a morte de Levy Eshkol, em fevereiro de 1969, para evitar uma guerra entre os Generais Dayan e Allon, quando ambos pretendiam o mesmo posto. Mas, contrariando as previsões, permaneceu à frente do Governo durante cinco anos. Mostrou-se sempre hábil em contornar e resolver as dificuldades políticas internas, na justa medida em que iam emergindo. No plano externo, revelou-se de uma intransigência a toda prova, embora nas negociações se mostrasse disposta a fazer concessões, desde que elas não viessem a comprometer no essencial sua diretriz política.

Golda jamais usou a palavra “retirada”, pois estava convencida de que uma discussão em cima do mapa dos territórios ocupados só poderia dividir o povo israelense. A Primeira Ministra, no entanto, nunca se perdoou pela morte de mais de 2 mil judeus durante a Guerra do Yom Kippur – na qual forças árabes de Egito e Síria atacaram Israel de surpresa durante o feriado do Ramadã gerando uma guerra de quase um mês, cujo fim foi a assinatura dos Acordos de Paz de Camp David (1978).

Sei que Israel não é apenas um pequeno país sitiado em que três milhões de habitantes tentam arduamente sobreviver. É um Estado judeu que surgiu como resultado do anseio, da fé e da determinação de um povo antigo... Aos que perguntam: ‘E o futuro?’, ainda tenho apenas uma resposta: acredito que teremos paz com nossos vizinhos, mas estou certa de que ninguém fará paz com um Israel fraco. Se Israel não for forte, não haverá paz”, escreveu Golda Meir na biografia Minha Vida.


Leia mais:
Em 1973 – Começa a Guerra do Yom Kippur
Em 1977: O poder feminino ameaçado


Hoje, na História, também aconteceu:
1980 – O mundo chora por John Lennon
Em 1994 - Morre Tom Jobim. É o fim do caminho ...

 Comentar

7 de dezembro de 1994 – Começa o julgamento de Collor e PC Farias

JB: Começa o Julgamento de Collor


Começou no dia sete de dezembro de 1994 o julgamento do ex-presidente Fernando Collor de Melo, Paulo César Farias e mais sete réus, no Supremo Tribunal Federal. Os acusados eram processados por crime de corrupção passiva cometido durante o governo Collor (1990-1992) fundado num esquema de desvio de verba pública chamado de caso PC Farias, na época. O processo só terminou uma semana depois com a absolvição de Collor e PC por “ausência de provas contundentes”.

“Está claro na denúncia que o ex-presidente se beneficiou diretamente da união com seu tesoureiro, não com as alegadas sobras de campanha, mas com dinheiro extraído de empresas, em montante assustador que chegou a US$ 4.724.593,99”, declarou à imprensa o Procurador Geral da República, Aristides Junqueira.

Perante o júri, os advogados de defesa sustentaram que o dinheiro repassado ao ex-presidente e seus parentes vinha das sobras da campanha de 1989, e não de um esquema de corrupção encabeçado por PC. Para a defesa, embora eticamente questionável, o uso das sobras de campanha para satisfazer necessidades pessoais não constituía um crime, porque “os valores foram recebidos quando Fernando Collor ainda não era presidente”.

As provas apresentadas pelo procurador constavam de: uma gravação em que PC Farias revela ter cobrado da Mercedes-Benz uma uma doação para a campanha do ex-deputado Sebastião Curió, em 1990; disquetes de computador apreendidos pela Polícia Federal na Verax, uma das empresas de PC, com os registros da movimentação financeira do esquema de corrupção; e os cheques emitidos pelos fantasmas de PC e depositados na conta da secretária, Ana Acioli, entre outras.

Ao fim do julgamento, mesmo com a pressão popular e do Congresso Nacional – que, dois anos antes, movera o processo de impeachment do ex-estadista - o juiz da causa considerou improcedentes as denúncias de corrupção passiva e inocentou tanto Collor quanto PC Farias, o suposto líder da quadrilha que aceitava propina de grandes empresários para que fossem favorecidos nos processos de licitação pública.


Leia também:

Em 1991 – Collor anuncia restituição da poupança
Em 1993 - STF confirma cassação de Collor
Em 1994: Supremo inocenta Collor e PC

 Comentar

6 de dezembro de 1976 – No exílio, morre João Goulart

Morre João Goulart


Doze anos depois de ter deixado o Brasil para se asilar no Uruguai, o ex-Presidente João Goulart regressou, conduzido pela família e amigos que, chorando, seguiram em automóveis a caminhonete que levava os restos mortais para São Borja, sua terra natal. Jango morreu de infarto, aos 47 anos de idade, no quarto de sua fazenda, na fronteira entre Uruguai e Argentina, após ter comido churrasco e tomado chimarrão, na hora do jantar. Na hora em que sentiu a dor no peito, estava em companhia da esposa, que gritou pedindo ajuda do capataz Júlio Vieira, o qual nada pode fazer para ajudar o patrão.

Tudo aconteceu de forma rápida e vertiginosa na vida do fazendeiro e político gaúcho João Goulart, um homem de temperamento afeito à calmaria do campo, longe do qual sempre pareceu desambientado. Aos 13 anos já ajudava seu pai a transportar gado na fazenda da família. Vinte anos depois, começou a se envolver com política e rapidamente chegou à Presidência da República, assumindo o governo após a renúncia de Jânio Quadros.

Seu governo foi marcado por uma crise política e social sem precedentes, a qual resultou em sua trágica deposição, em abril de 1964. Por ser identificado como um político de tendência comunista, Jango sofreu grande oposição das altas camadas do Exército que tramaram um golpe de Estado que enterrou a democracia no Brasil, restabelecida apenas vinte anos depois.

João Goulart
Fazendeiro de terras em três países viveu os últimos anos amargando o exílio, com a certeza de ter sido personagem central nos momentos mais dramáticos da história do Brasil na segunda metade do século. Segundo a família, Jango recusava-se a retornar ao Brasil “pelos fundos”, ou seja, pela fronteira gaúcha, com a condição de viver internado em São Borja. Pretendia descer no Rio de Janeiro e, só então, ir para o Sul. Inicialmente, descartava a hipótese de um retorno enquanto a maioria dos outros exilados não pudesse voltar. Nos últimos meses de vida, Goulart procurava saber se poderia retornar ao Brasil. Morreu com a garantia de que não poderia.


Leia também:
Em 1964 - Marcha da Família com Deus
Em 1964 – Goulart foge e militares tomam o poder no Brasil
Em 1989 – No centenário da República, Brasil vai às urnas

 Comentar (2)

Em 1984 - Fluminense é Campeão Brasileiro de Futebol

Fluminense campeão do Brasil

clique na imagem para baixar



Em maio 1984, o Fluminense conquistou o título que faltava para a sua coleção de muitas glórias: o de Campeão Brasileiro de futebol. O "time tantas vezes campeão" empatou com o Vasco no jogo da decisão do Brasileirão e levantou a taça diante do Maracanã lotado.

Após a terceira vitória nacional conquistada pelo clube carioca neste domingo (5), o CPDoc JB decidiu disponibilizar ao torcedor tricolor a capa do Jornal do Brasil do dia seguinte ao triunfo de 1984 (acima) e o poster do time de feras daquela época.


clique aqui para baixar o poster a seguir

POSTER FLUMINENSE CAMPEÃO 1984

 Comentar

5 de dezembro de 1967 – É criada a Funai

Criação da Funai - JB: 6 de dezembro de 1967


Em meio a uma sangrenta guerra entre duas tribos indígenas no Pará, o Presidente Costa e Silva sancionou o projeto de criação da Fundação Nacional do Índio (Funai), que absorveria as funções do Serviço de Proteção ao Índio (SPI), do Parque Nacional do Xingu e do Conselho Nacional de Proteção aos Índios, fundado em 1910. Ficariam a cargo da Funai todas as funções dos extintos órgãos.

As novas funções da Funai seriam atender à educação básica dos índios, demarcar e proteger as terras por eles tradicionalmente ocupadas, estimular o estudo e o interesse nacional pelos índios e fazer o levantamento das tribos existentes no Brasil. Dos cerca de 4 milhões de índios que habitavam o país na época da chegada de Cabral, apenas 200 mil sobreviveram aos séculos de hostilidade.

Na época da criação da Funai, dois grandes conflitos aconteciam no Brasil, o que exigia a intervenção do Estado para a proteção das tribos envolvidas. Como já fora dito, no Pará, mencromotires e craiancores – descendentes dos caiapós – travavam uma batalha com raízes muito antigas. Os mencromotires, considerados peritos atiradores, já haviam sido pacificados pelo extinto SPI, sendo frequentemente utilizados como meio de contato com tribos selvagens. A guerra começara quando a tribo dita pacificada atacou os craiancores de surpresa. A partir daí, o conflito se estenderia por mais de um mês, causando a morte de dezenas de índios de ambos os lados. Era necessária a intervenção urgente do Governo que, por meio da Funai, conseguiu pacificar a área.

Do outro extremo da Floresta Amazônica, em Rondônia, começavam a chegar notícias de que índios de uma tribo desconhecida atacavam grupos de seringueiros na cidade de Vila Rondônia. Ficaria a cargo da Funai, neste caso, investigar as razões dos ataques. O que foi descoberto posteriormente era que este grupo de seringueiros capturara uma índia de 13 anos para que servisse de diversão aos trabalhadores locais, o que despertou a ira da tribo dos cintas-largas, de onde a menina tinha sido retirada.

Nas décadas seguintes, a Funai exerceu importante papel no controle de epidemias de doenças comuns à sociedade brasileira, mas que se contraídas por povos indígenas se espalhavam sem controle, dizimando até tribos inteiras, como foi o caso da tuberculose. A ação da Fundação na década de 1970 para o controle desta doença foi reconhecida internacionalmente.

Leia também:
Em 1953 — A inauguração do Museu do Índio
Em 1974 - Índios atacam postos da Funai
Em 1980 – Índios do Xingu matam 11 operários

 Comentar

4 de dezembro de 1963 – Arnon de Melo mata José Kairala na tribuna do Senado

Arnon de Melo assassina José Kairala


Naquele quatro de dezembro, a tribuna do Senado Federal, em Brasília, parecia uma região de batalha entre dois cangaceiros engravatados oriundos das terras áridas do sertão de Alagoas. Separados por uma antiga inimizade política, que remetia aos tempos das disputas eleitorais no ínterim de seu estado natal, os parlamentares eram, entretanto, unidos por uma sentença mútua de morte. De um lado estava o Senador Arnon de Melo, que escondia sob as vestes um revólver; Do outro lado, ou melhor, a apenas três metros de distância dele, estava o inimigo Silvestre Péricles, que dias antes deferira incendiários insultos contra Arnon e que também guardava no cós da calça uma arma mortal.

Às 15h, Arnon de Melo tomou a palavra na sessão lotada do Senado e logo pediu para que Silvestre Péricles se postasse de frente a ele, já que na sessão anterior este havia o jurado de morte. Dominado pela emoção, o orador não conseguia articular seu discurso, mas foi capaz de proferir alguns xingamentos contra o rival. Imediatamente, Silvestre Péricles deu um passo a frente e gritou: “Crápula!”, apontando o dedo a Arnon, que rapidamente sacou o revólver e disparou duas vezes seguidas contra Péricles. O alvo empunhou sua arma e jogou-se no chão, onde se rastejou para achar uma brecha através da qual pudesse atingir o autor dos disparos.

O pânico se instaurara no Plenário. Alguns corriam para salvar suas vidas, outros tentavam imobilizar os protagonistas daquela situação de violência e barbárie. Conseguiram. Mas em meio ao tumulto, um homem caíra ensangüentado no chão, sem que ninguém percebesse.O Senador José Kairala, que encarava seu último dia de trabalho e não estava absolutamente envolvido no confronto, fora atingido no ventre por uma das balas disparadas contra Péricles e tombou sem forças no solo aveludado da tribuna em caos. Kairala chegou a ser levado para o hospital, mas não resistiu e morreu em decorrência de uma parada cardíaca.


Arnon de Melo

Arnon de Melo foi preso em flagrante por homicídio, mas, em pouco tempo, foi inocentado devido à sua Imunidade Parlamentar.

Além de não ter sido detido pela Justiça brasileira, o pai do futuro Presidente da República (Fernando Collor de Melo) teve tampouco seu mandato cassado. Arnon morreu na condição de senador, em 1983.

Para acessar a versão do JB Digital desta matéria, acesse aqui!

Leia também:
Em 1925 — Edifício Monroe é a sede do Senado
Em 1992 – Sim para o povo, Não para Collor

 Comentar (3)

3 de dezembro de 1989 – Anunciado o Fim da Guerra Fria

Anunciado fim da Guerra Fria


De uma reunião na ilha mediterrânea de Malta saiu a decisão mais aguardada por grande parte da humanidade durante quase meio século: o fim da Guerra Fria. Programado para acontecer havia anos, o encontro entre os Presidentes George Bush [pai] (EUA) e Mikhail Gorbatchov (URSS), para discutir uma nova era nas relações políticas e diplomáticas, definiu uma nova era no relacionamento bilateral entre esses paises, e a assinatura – prevista para a segunda quinzena de junho do ano seguinte – de um tratado para reduzir pela metade as armas nucleares estratégicas. Em clima de amistosa franqueza, reconheceram suas divergências no que dizia respeito à América Central e ao controle das forças navais.

“Estamos deixando uma época de guerra fria para entrar numa nova era. Estamos no início de um longo caminho de paz”, declarou Gorbatchev após o encontro, sediado num navio soviético em alto mar.

Na primeira entrevista coletiva, Bush disse que “a parte mais frutífera das discussões foi a que relacionada com a economia”. Dizendo que havia “enorme apoio” nos Estados Unidos à política de reformas da perestroika, ele anunciou que apoiaria a pretensão da URSS de aceder à condição de observadora no quadro do Acordo Geral de Tarifas e Comércio - GATT, e que passaria a inclui-la no esquema de país mais favorecido para trocas comerciais, tão logo a política de emigração da Russia se tornasse mais liberal.

“Chegamos a um entendimento mais profundo sobre nossos respectivos pontos de vista. Embora não caiba aos Estados Unidos ou à União Soviética decidir o futuro dos povos europeus ou de qualquer outros povos, estou convencido que um relacionamento americano-soviético de cooperação pode tornar o futuro mais seguro e feliz”, declarou Bush.

Com o encontro também ficou decidida a retirada de todas as esquadras de navios do Mar Mediterrâneo, fortemente militarizado até então. O último aperto de mãos entre os dois Chefes de Estado selou o desmantelamento de uma ordem mundial baseada na divisão do mundo em áreas definidas de influência, que garantiu 45 anos de paz na Europa e a regionalização dos conflitos no Terceiro Mundo.

Leia também:
Em 1961: A construção do Muro de Berlim
Em 1989 - A Queda do Muro de Berlim
Em 1988 – URSS concorda em sair do Afeganistão

 Comentar

2 de dezembro de 1993 – Traficante Pablo Escobar morre em emboscada policial

Morre Pablo Escobar


Ao tentar resistir à prisão, o chefão do tráfico colombiano Pablo Escobar morreu durante uma troca de tiros com a polícia, na cidade de Medellín. Nesta cidade, Escobar montou um cartel que dominava a exportação de drogas para os Estados Unidos na década de 1980, proporcionando-lhe uma fortuna pessoal calculada em US$ 3 bilhões. Na época, Escobar era o criminoso mais procurado do mundo, responsabilizado pela morte de pelo menos cinco mil pessoas em mais de duas décadas de terror.

Escobar morreu no teto de uma casa quando procurava escapar do cerco policial em companhia de um segurança, num contraste com seus dias de glória, quando comandava um verdadeiro exército e agia com a desenvoltura de um governo paralelo na Colômbia. O traficante morreu no dia seguinte ao seu 44º aniversário que, por conta da perseguição policial, acabou passando longe da família – mulher e dois filhos, confinados em Bogotá sob custódia do Estado.

A cabeça de Escobar era tão almejada pelo governo, que fora ofertado US$ 6 milhões para quem oferecesse informações que levassem à captura do traficante. Escobar era procurado desde 1992, quando conseguiu fugir da prisão de segurança máxima. Nunca foi sabido se a localização de Escobar foi dada por um informante ou por investigadores do Exército colombiano.

A área onde o traficante estava escondido, uma região residencial, próxima a um Shopping Center, foi evacuada pela polícia na manhã daquele dia, de onde foram retirados todos os civis. Por coincidência, naquela mesma área, Gustavo Restrepo, primo de Pablo Escobar, fora assassinado no dia anterior, atingido por vários tiros disparados por membros dos “Pepes” (Perseguidos por Pablo Escobar), um grupo paramilitar formado por inimigos do narcotraficante, que o caçava por todo o país. A polícia, no entanto, conseguiu encontrar o foragido mais rápido do que seus outros inimigos.

Nessa ocasião, o Exército tomou a cidade, tomando medidas ou realizando ações excepcionais de segurança para os moradores, já que remanescentes da quadrilha desmantelada de Escobar poderiam vingar o chefe morto.

Procura-se Pablo Escobar


De menino pobre a traficante bilionário

“Prefiro um túmulo na Colômbia a uma cela nos Estados Unidos”. A frase de Pablo Escobar acabou se mostrando profética na cidade onde viu crescer sua fortuna e viveu anos de sangrenta guerra, até ser o cenário de sua morte. O traficante nunca quis sair da Colômbia, queria gozar no país a fortuna que chegou a colocá-lo em 13º na lista dos mais ricos do mundo da revista Fortune. Para isso, chegou a se oferecer para pagar a dívida externa do país, em troca de não ser extraditado.

Escobar nasceu em 1 de dezembro de 1949 em Rio Negro, a 40 quilômetros de Medellín. Começou a trabalhar cedo, no setor agrícola, mas logo trocou a profissão por um ofício mais lucrativo. Aos 25 anos, foi preso por roubar um carro. Dois anos depois, foi flagrado traficando alta quantidade de cocaína. Fugiu. A partir daí o cartel tomou forma, movimentando mais dinheiro do que muitas multinacionais. No início da década de 1980, Escobar reinava absoluto na província de Antioquía e usava uma parcela mínima da fortuna para ganhar popularidade. Chegou a ser dono do time de futebol Nacional, campeão da Taça Libertadores. Em sua fazenda, mantinha um zoológico com girafas, elefantes e hipopótamos trazidos da África.

Em 1982, Escobar elegeu-se suplente de deputado federal, sendo cassado dois anos depois. Em 1984, após o assassinato do ministro da Justiça, supostamente cometido a mando de Escobar, o governo declarou guerra aos traficantes, iniciando a busca incessante, que culminaria em sua morte, do chefão do cartel de Medellín.

pablo escobar discursando

 Comentar (2)

1º de dezembro de 1989 – Gorbatchov visita Papa no Vaticano

João Paulo II e Gorbatchov


Em uma reunião histórica no Vaticano, o líder soviético Mikhail Gorbatchov se reuniu com o Papa João Paulo II a fim de tentar restabelecer relações diplomáticas entre a União Soviética e a Igreja Católica. Ao fim do encontro, o homem-forte da URSS convidou Sua Santidade para visitar as terras frias soviéticas, as quais não recebiam um Papa desde 1917, pouco antes de eclodir a Revolução Russa, em novembro daquele ano.

Apesar de muito ovacionado nos salões da Santa Sé, Gorbatchov ouviu um não cordial como resposta. João Paulo II julgava ainda não ser a hora de realizar tal visita, devido às condições de bipolaridade e rivalidade em que o mundo ainda vivia, além do então estado de perseguição da Igreja Católica em países satélites soviéticos, como Lituânia e Letônia.

Segundo o porta-voz do Vaticano, Gorbatchov e João Paulo II “exprimiram o propósito comum de atingir a melhoria e o desenvolvimento das relações bilaterais entre a Santa Sé e a União Soviética em nível oficial, e contribuir para a colaboração internacional entre todos os Estados”. O que significava que finalmente a União Soviética e a Santa Sé declaravam-se dispostas a iniciar um trabalho diplomático para estabelecer futuramente relações normais e oficiais.

Dois dias depois do encontro, em reunião com o Presidente norte-americano George Bush [pai], Gorbatchov decretaria o fim da Guerra Fria. O futuro acordo de paz, ou seja, a declaração do fim das barreiras econômicas, políticas e sociais entre Estados Unidos e URSS, ocorreria após meio século de uma guerra terrível e silenciosa. O fim da Guerra Fria acontecia em decorrência da convergência de inúmeros fatores que, ao longo das décadas, levaram à decadência do Estado comunista da União Soviética.

Para fazer download desta coluna no JB Digital, clique aqui!

Leia também:
Em 1961: A construção do Muro de Berlim
Em 1989 - A Queda do Muro de Berlim
Em 1988 – URSS concorda em sair do Afeganistão

 Comentar

Hoje na História - Siga no Twitter!