Arquivo de January 2011

RSS Feeds

4 de janeiro de 1960 – Morre Camus, o ‘homem revoltado’

JB; 5 de janeiro de 1960. Página 8


Albert Camus, Prêmio Nobel de Literatura de 1957, morreu em um acidente de carro na França, aos 46 anos de idade. O escritor faleceu no momento em que o veículo que o transportava bateu contra uma árvore, após a explosão de um dos pneus. Segundo a polícia local, o automóvel, dirigido pelo amigo Michel Gallimard estava em alta velocidade. Apesar de sofrer ferimentos graves, o motorista, sua mulher e filha sobreviveram ao acidente. Houve grande dificuldade para se retirar o corpo do escritor, que ficou imprensado entre o carro e a árvore.

Camus
André Mautraux, escritor e então Ministro da Cultura da França, levou à Prefeitura de Villeneuve, local onde o velório de Camus foi realizado, a primeira coroa de flores. “Durante mais de 20 anos a obra de Camus foi inseparável da sua obsessão por justiça. Ao trazer a primeira coroa para junto de seus restos mortais, saudamos um dos que souberam manter a França viva no coração dos homens”, declarou Mautraux.

A notícia da morte de Albert Camus causou consternação no mundo inteiro. Em Paris, a Rede Nacional de Difusão (que estava em greve e, por isso só transmitia músicas), abriu exceção no movimento paredista para fazer uma homenagem ao autor. Em Londres o escritor Arthur Koestler lamentou a morte do amigo assim que recebeu a notícia. “Ele era o símbolo do homem desprendido, do lutador desapaixonado, cuja consciência era sensível como uma chaga aberta. Depois de ter sobrevivido aos azares da Resistência, mesmo a despeito de sua saúde precária, sua morte me atinge como um golpe”, disse com pesar.

Albert Camus
“Quando nós, da Academia Sueca, concedemos o Prêmio de Literatura em 1957 a Albert Camus, coroamos um autor jovem, que julgávamos digno de distinção, mas que ainda não tinha concluído sua obra. Eis porque sua morte é mais trágica, porque priva a literatura de um homem do qual se podia esperar o melhor”, declarou o poeta Anders Oesterling, então Secretário da Academia Sueca e Presidente do comitê do Prêmio Nobel de Literatura.

O homem revoltado

Albert Camus nasceu na Argélia, então colônia francesa da África do Norte, no dia 7 de novembro de 1913. Filhos de pais camponeses, Camus teve que renunciar à carreira universitária por motivos de saúde. O escritor era tuberculoso e a luta contra a doença marcou toda a sua vida. Camus foi membro ativo da Resistência durante a II Guerra Mundial. Além de romancista, teatrólogo e ensaísta Camus foi também jornalista.

Camus era considerado o intérprete da filosofia do homem intranqüilo, tendo sido um dos primeiros “jovens irados” da França e participado do movimento existencialista. Foi amigo íntimo do escritor Jean Paul Sartre, a quem mais tarde acusou publicamente de fazer o jogo do comunismo totalitário, esfriando, assim, a amizade entre s dois.

O Estrangeiro
Autor de um livro de ensaios considerado de grande influência sobre os escritores inconformados de sua geração (“O Homem Revoltado”, de 1952), e de obras aclamadas pela crítica, como “O Estrangeiro”, de 1942, e “A Peste”, de 1947, Camus recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, em 1957, após a publicação de “A Queda”(1956), “sua obra idealista, de tendência humana”, como era considerado o livro pela Academia Sueca.


Leia também:
Em 1975 – Escritor Pasolini é espancado até a morte
Em 1980 – A literatura perde Henry Miller
Em 1984: O escritor Truman Capote é encontrado morto

 Comentar

3 de janeiro de 1942 - Maria Lenk bate recordes mundiais

null


No dia 3 de janeiro de 1942, a brasileira Maria Lenk bateu extraoficalmente o recorde mundial dos 200 metros raso, nado de peito, em Chicago, com o tempo de 3 minutos e 7 segundos. Maria Lenk foi a única mulher a representar o Brasil na competição internacional.

null
Lenk começou a competir muito cedo. Aos 17 anos, em 1932, trajando um maiô emprestado e viajando em troca de sacas de café, a nadadora chegou a Los Angeles, tornando-se a primeira mulher sul-americana a competir em Olimpíadas. Neste ano, as medalhas não vieram, mas anos mais tarde, em 1939, durante a preparação para os Jogos Olímpicos de Tóquio, quebrou dois recordes mundiais individuais: dos 200 metros e 400 metros nado de peito. Lenk foi a primeira e única brasileira a conseguir esse feito.

Em 1942, a atleta ajudou a fundar a Escola Nacional de Educação Física da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro. Era também membro vitalício da Sociedade Americana de Técnicos de Natação.

Lenk ainda detém recordes mundiais de masters. As conquistas lhe valeram um lugar no Hall da Fama da Federação Internacional de Natação (Fina) em 1988, quando foi homenageada como um dos 10 melhores nadadores master do mundo.

Em 2003, depois de três anos de pesquisas, lançou o livro Longevidade e Esporte, que mostra os benefícios decorrentes da prática esportiva. Até os últimos dias de vida nadava cerca de 1.500 metros por dia.

Maria Lenk morreu em 2007, aos 92 anos, após exercitar-se na piscina do Clube de Regatas Flamengo. A atleta dá nome ao Parque Aquático onde foram realizadas as provas de natação dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro.

Leia também:
Em 1959 – Brasil é ouro em Wimbledon
Em 2000: O adeus a Rômulo Arantes

 Comentar

2 de janeio 1942 – Japão toma Manilha, capital das Filipinas

null


Após quase um mês de avanço sobre solo filipino, as tropas japonesas tomaram a capital do país, Manilha, das mãos do governo local, forçando as tropas norte-americanas a evacuarem sua base naval, Cavite, temendo um massacre. Ao norte da cidade, o contingente terrestre do general Douglas Mc Arthur seguia lutando contra as colunas japonesas, que estavam cada vez mais próximas no segundo dia de janeiro de 1942. A tomada da capital pelos japoneses reforçou a estratégia nipônica de ataques rápidos e devastadores a bases militares norte-americanas, o que marcou a Guerra do Pacífico, no contexto da II Guerra Mundial.

“Isso é a consumação de um fato que há quinze anos sabíamos que aconteceria no caso de uma guerra no Pacífico. Mas não tenho a menor dúvida de que nos vingaremos, se o desejarmos”, declarou o senador filipino Nye, após o triunfo nipônico em Manilha. J. M. Elizalde, comissário residente das Filipinas, afirmou que a população do país (cerca de 625 mil habitantes) estava em perfeitas condições de continuar resistindo aos ataques, acrescentando que aumentaria a reação das forças armadas locais, que estavam sob o comando do general McArthur.

Mc Arthur
Com as forças japonesas aproximando-se de Manilha em duas direções, sobre um terreno pouco adaptado a lutas defensivas, McArthur decidiu entregar a capital e prosseguir no combate em terreno por ele escolhido. Assim, apesar das perturbações impostas pelos constantes ataques nipônicos, o general norte-americano ordenou a realização de manobras para escapar da ofensiva inimiga. As forças defensoras ao sul, integradas por militares nativos, bateram em retirada unindo-se às tropas norte-americanas ao norte, deixando a entrada da cidade desprotegida e possibilitando um acesso rápido dos invasores japoneses.

A notícia da tomada de Manilha foi recebida nos Estados Unidos sem desânimo ou desencorajamento, já que era evidente, há dias, a tomada da cidade pelos japoneses. “Não há motivo para depressão em virtude da queda de Manilha. Quando estivermos prontos, é claro que recapturaremos as Filipinas. Logo que nosso exército e a nossa marinha estiverem prontos, logo agruparemos nossas forças e venceremos a guerra”, afirmou o senador Conally, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado.

Os Estados Unidos, porém, perderam a Batalha das Filipinas, que terminou com o triunfo japonês sobre o arquipélago do Pacífico, em maio de 1942. As tropas de McArthur, acuadas, partiram para a Austrália para reunir forças e planejar uma contra-ofensiva, que só começaria em 1944, e que seria denominada segunda Batalha das Filipinas, ou Reconquista. A retomada do controle sobre Manilha só aconteceu de fato em 1945, após a maior batalha da Guerra do Pacífico, que deixou mais de 110 mil mortos.

Leia também:
Em 1945 – II Guerra: EUA tomam o monte Suribachi
Em 1952 – EUA ratificam acordo de paz com o Japão

 Comentar

1 de janeiro de 1959 – Cubanos festejam o triunfo da Revolução

Triunfa a Revolução Cubana- JB: 3 de janeiro de 59


O primeiro dia de 1959 teve um gosto especial para os cubanos, um gosto de liberdade. Neste dia, um ataque derradeiro das forças rebeldes lideradas por Fidel Castro vencia de vez as tropas do governo de Fulgêncio Batista, forçando o Presidente a fugir derrotado da ilha caribenha, com 200 milhões de dólares no bolso.

Após a derrocada do último foco de resistência estatal, o povo saiu às ruas de Havana em festa, comemorando o fim de um regime marcado pela exclusão social, desvalorização da força de trabalho camponesa, corrupção e descaso com a sociedade.


Revolulçao Cubana


A última batalha entre os guerrilheiros provenientes de Sierra Maestra e o Exército estatal se deu no centro da capital cubana. Cerca de 200 integrantes do Movimento 26 de Julho (M-26) encurralaram os remanescentes simpatizantes de Batista em um prédio do Governo. Armados de pistolas e fuzis e apoiados pelo povo, os homens de Castro triunfaram.


Fidel Castro
Os planos para a retirada de Batista do governo começaram em 1953, quando Fidel Castro e outros guerrilheiros promoveram um ataque armado ao Quartel Moncada, em Santiago, no dia 26 de julho. O ataque foi duramente reprimido pelo exército, causando a morte de cinco pessoas, e produzindo a semente da revolução. Durante seis anos, na prisão, no exílio no México ou até escondido nas florestas de Sierra Maestra, Fidel e Raúl Castro, Che Guevara e outros simpatizantes da guerrilha revolucionária planejaram as operações.

Fidel Castro
Quando tinham certeza que a população estava preparada para apoiar e contribuir para o levante, os homens do M-26 iniciaram sua expansão. Aos poucos, Cuba foi sendo tomada. No dia do triunfo final, Fidel não estava na capital Havana, mas seu nome já corria na boca do povo. Naquela semana, Castro entregou o poder à população, tornando-se primeiro-ministro do país e prometendo eleições a curto prazo. Em 1976, com as bases do governo de cunho comunista já formadas, Castro foi eleito Presidente de Cuba, permanecendo no cargo até 2008, quando este foi passado a seu irmão, Raúl.

Leia também:
Em 1961- Estados Unidos rompem relalções diplomáticas com Cuba
Em 1993 – Papa recebe Fidel Castro do Vaticano


 Comentar (1)

Hoje na História - Siga no Twitter!