4 de janeiro de 1960 – Morre Camus, o ‘homem revoltado’

Albert Camus, Prêmio Nobel de Literatura de 1957, morreu em um acidente de carro na França, aos 46 anos de idade. O escritor faleceu no momento em que o veículo que o transportava bateu contra uma árvore, após a explosão de um dos pneus. Segundo a polícia local, o automóvel, dirigido pelo amigo Michel Gallimard estava em alta velocidade. Apesar de sofrer ferimentos graves, o motorista, sua mulher e filha sobreviveram ao acidente. Houve grande dificuldade para se retirar o corpo do escritor, que ficou imprensado entre o carro e a árvore.

A notícia da morte de Albert Camus causou consternação no mundo inteiro. Em Paris, a Rede Nacional de Difusão (que estava em greve e, por isso só transmitia músicas), abriu exceção no movimento paredista para fazer uma homenagem ao autor. Em Londres o escritor Arthur Koestler lamentou a morte do amigo assim que recebeu a notícia. “Ele era o símbolo do homem desprendido, do lutador desapaixonado, cuja consciência era sensível como uma chaga aberta. Depois de ter sobrevivido aos azares da Resistência, mesmo a despeito de sua saúde precária, sua morte me atinge como um golpe”, disse com pesar.

O homem revoltado
Albert Camus nasceu na Argélia, então colônia francesa da África do Norte, no dia 7 de novembro de 1913. Filhos de pais camponeses, Camus teve que renunciar à carreira universitária por motivos de saúde. O escritor era tuberculoso e a luta contra a doença marcou toda a sua vida. Camus foi membro ativo da Resistência durante a II Guerra Mundial. Além de romancista, teatrólogo e ensaísta Camus foi também jornalista.
Camus era considerado o intérprete da filosofia do homem intranqüilo, tendo sido um dos primeiros “jovens irados” da França e participado do movimento existencialista. Foi amigo íntimo do escritor Jean Paul Sartre, a quem mais tarde acusou publicamente de fazer o jogo do comunismo totalitário, esfriando, assim, a amizade entre s dois.

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