Arquivo de March 2011

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29 de março de 1978 - Comitê Brasileiro da Anistia denuncia ditadura

Jornal do Brasil: Quinta-feira, 30 de março de 1978

O presidente norte-americano Jimmy Carter fez uma visita de três dias ao Brasil, quando ouviu relatos de violações dos direitos humanos no país. O Comitê Brasileiro pela Anistia criticou o apoio público que Carter deu ao regime militar, e entregou durante o encontro realizado em Brasília um dossiê com o histórico dos últimos 14 anos de ditadura, em que denunciava a existência de 10 mil brasileiros no exílio. Deste total, 122 haviam sido banidos por leis de exceção.
O documento citava também os relatórios da Anistia Internacional em que constam os nomes de milhares de brasileiros torturados pelos órgãos policiais, dos quais centenas foram assassinados, e de 600 pessoas que tiveram seus direitos políticos cassados.
Já os jornais norte-americanos Washington Post e The New York Times destacaram a forma fria com que Geisel recebeu Carter, devido às divergências entre ambos sobre a questão direitos humanos e a oposição norte-americana à proliferação nuclear.

A relação entre os dois países ficou tensa quando, um ano antes da visita, a primeira dama norte americana Rosalyn Carter contou que esteve em Recife e ouviu de dois missionário, que acabavam de sair da prisão, que estes haviam sido tratados como bichos.

Cinco acordos militares entre os dois países foram cancelados quando o Departamento de Estado norte-americano levou ao Congresso um relatório sobre as torturas a presos políticos no Brasil.

No seu discurso no Palácio da Alvorada, em Brasília, Carter disse que "o Brasil é um país que lhe traz boas recordações e grande adminiração". Depois de encontrar-se com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Thompson Flores, Carter embarcou para o Rio.

A luta de dom evaristo Arns
O presidente Carter encontrou-se no Rio com personalidades não vinculadas ao governo, entre elas o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Raimundo Faoro, e os arcebispos do Rio e de São Paulo, respectivamente, dom Eugênio Sales e dom Paulo Evaristo Arns. Este último foi chamado pelo jornal Washington Post de "o cardeal do povo brasileiro" por ter denunciado sistematicamente durante oito anos a tortura a presos políticos, e por desempenhar um papel efetivo na demissão do comandante do 2º Exército, general Ednardo D'Ávila Melo, depois da morte de Wladimir Herzog.

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21 de março de 1984 - Marcha pelas eleições diretas

Passeata pelas Diretas. Jornal do Brasil: Quinta-feira, 22 de março de 1984.

Milhares de pessoas participaram da passeata, que começou na Candelária e terminou com um comício na Cinelândia, no Rio de Janeiro, a favor do restabelecimento das eleições diretas para a Presidência da República.

Falaram o Senador Saturnino Braga (PDT), Jorge Gama (PMDB), Luís Inácio da Silva (PT) e representantes de entidades sindicais e de movimentos populares. Os Partidos clandestinos - PCB, PC do B e o MR-8, cujas bandeiras tremularam na avenida, foram proibidos de falar pelo governo estadual. Essa determinação teve uma exceção: o ex-secretário-geral do PCB, Luís Carlos Prestes. A decisão foi tomada no Palácio Guanabara sob a alegação de "razões de Estado", pelos representantes do Governo, desagradando ao comitê Rio Pró-Diretas e aos Partidos que lutavam por sua legalização.

Luís Carlos Prestes falou a pedido dos participantes do comício, e em nome dos "comunistas revolucionários".


A passeata pró-diretas não deixou de lado o que há de mais característico no carioca: o bom humor. Grupos com camisetas, adereços de mão, faixas coloridas e palavras de ordem próprias.
O movimento Diretas Já foi um movimento civil de reivindicação por eleições diretas para o próximo presidente da república.


A importância do Movimento

A possibilidade de eleições diretas no país se concretizaria na aprovação da Proposta de Emenda Constitucional Dante de Oliveira pelo Congresso Nacional. A emenda das Diretas foi derrotada na Câmara dos Deputados em 26 de abril de 1984.

Mesmo com eleição indireta, poucos meses depois, Tancredo Neves, candidato do MDB, derrotaria Paulo Maluf (PDS), aliado dos militares.

O país ainda esperaria cinco anos até poder voltar às urnas, mas a derrota da emenda de Dante teve sabor de vitória.

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19 de março de 1964 - Marcha da Família com Deus pela Liberdade

Marcha da Familia com Deus, em apoio aos militares. Jornal do Brasil: Sexta-feira, 20 de março de 1964.


Na capital paulista, 500 mil pessoas participaram da Marcha da Família com Deus pela Liberdade em defesa da Constituição e das instituições democráticas brasileiras e de repúdio ao comunismo.

Veja aqui a versão em vídeo:

A Marcha saiu da Praça da República ao som dos clarinetes dos Dragões da Força Pública, e chegou à Praça da Sé com os sinos de todas as igrejas repicando simultaneamente, enquanto a banda da Guarda Civil executava Paris Belfort, o hino da Revolução constitucionalista de 1932.

Falaram durante a concentração em frente à Igreja da Sé o Senador Auro de Moura Andrade, o deputado Herbert Levi, o Senador Padre Calazans, a Deputada Conceição da Costa Neves e outros oradores. O governador Carlos Lacerda, que assistiu a parte da concentração, disse que "São Paulo começou a salvar o Brasil".

O movimento era uma clara resposta às recentes decisões anunciadas pelo presidente João Goulart. São Paulo mostrava mais uma vez possuir um voto conservador.

Milhares de faixas conduzidas pelos manifestantes faziam alusão à integridade da Constituição, à democracia e às reformas, e combatiam o comunismo.

Nos cartazes portados pelos manifestantes, críticas diretas ao governo federal e até mesmo pedidos de impeachment a João Goular.

As principais faixas diziam: "Deputados patriotas, o povo está com vocês"; "Brizola: playboy de Copacabana"; "Reformas só dentro da Constituição"; "Basta de palhaçada, queremos Governo honesto"; "A melhor reforma é o respeito à lei"; "Senhora Aparecida iluminai os reacionários".

Essa demonstração de massa foi, a olhos militares, o aval definitivo para o golpe de 1964.


O aval que os militares precisavam

A Marcha foi uma resposta ágil e direta ao comício feito por João Goulart e os seus partidários na estação Central do Brasil, no centro do Rio de Janeiro.

Ele havia acabado de assinar o primeiro passo para a reforma agrária e o projeto que previa a encampação das refinarias particulares de petróleo. No palanque de 13 de março de 64, Miguel Arraes e Leonel Brizola também discursaram. Brizola foi o mais aplaudido.

Após deixar o governo, Jango exilou-se no Uruguai, e morreu na Argentina em 1976. Com o golpe de estado, os militares tomaram o poder e só o deixaram 21 anos depois.

Confira também:
13 de março de 1964 - João Goulart e o Comício das Reformas
1º de abril de 1964 - Jango desiste e sai de cena

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14 de março de 1985 - Tancredo é operado 12h antes da posse

Primeira página do Jornal do Brasil: Sexta-feira, 15 de março de 1985
À véspera de realizar o tão esperado sonho de milhões de brasileiros, o de ter na Presidência da República um chefe de estado civil após vinte anos de regime militar, Tancredo de Almeida Neves foi internado à noite, às pressas, no Hospital da Base em Brasília. Com uma crise aguda de diverticulite, foi operado de emergência. O povo brasileiro, no último dia de regime militar, viveu nesse episódio a sua primeira prova de capacidade para enfrentar crises... Cumprindo a Constituição, assumiu interinamente, no dia seguinte, o Vice José Sarney.

Após 38 dias de agonia, via crucis acompanhada, ora com esperanças ora com temor, por todo o país, Tancredo Neves, aos 75 anos, não resistiu. Seu coração, último de seus órgãos vitais a entrar em colapso, sucumbiu a uma septicemia. Morto num domingo à noite, no dia de Tiradentes, o articulador do mais alegre e mais pacífico movimento popular por mudanças políticas já ocorrido na história do Brasil, tornou-se mártir da luta popular pelas eleições diretas, sem, contudo, viver para presenciá-las.


Sarney manteve-se na Presidência da República pelos cinco anos seguintes. E só então, foram realizadas as eleições diretas para Presidente do Brasil, tendo sido eleito Fernando Collor de Mello.

Rodrigues Alves. Reprodução/CPDoc JB
Rodrigues Alves também não assumiu

Houve no Brasil um caso semelhante ao de Tancredo. O Presidente Rodrigues Alves, eleito em 1918 para exercer seu segundo mandato, não tomou posse por motivo de saúde. Ele contraiu a gripe espanhola no Rio de Janeiro, durante a campanha eleitoral.

Em seu lugar, assumiu interinamente o Vice, Delfim Moreira. Rodrigues Alves faleceu dois meses depois. Delfim Moreira, também apresentando uma saúde comprometida pela arteriosclerose, manteve-se no poder por apenas oito meses, tempo apenas para que fossem providenciadas novas eleições.

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13 de março de 1964 - João Goulart e o Comício das Reformas

Central do Brasil é palco do Comício das Reformas. Jornal do Brasil: Sábado, 14 de março de 1964.

Após assinar no Palácio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro, o decreto da SUPRA, que seria o passo inicial para a reforma agrária no Brasil, e o decreto da encampação das refinarias particulares de petróleo, o então presidente João Goulart anunciou o tabelamento dos aluguéis, e prometeu lutar pela reforma da Constituição, em um comício na Central do Brasil que ficou conhecido como Comício da Central.

– Nenhuma força será capaz de impedir que o governo continue a assegurar absoluta liberdade ao povo brasileiro. E para isto poderemos declarar, com orgulho, que contamos com a compreensão e o patriotismo das Forças Armadas – disse Jango no que seria seu último comício, assistido por uma multidão calculada em 130 mil pessoas.

Sobre a reforma da Constituição, Jango declarou ser uma das medidas mais urgentes a ser feitas no Brasil “porque é indispensável, e porque o seu objetivo único é abrir o caminho para a solução harmônica dos problemas que afligem o povo brasileiro”. Nesse ponto, o companheiro de palanque de Goulart, Leonel Brizola, o apoiou, propondo a convocação de uma assembléia constituinte, sugerindo a renovação do Congresso Nacional, devendo este ser constituído de operários e camponeses, oficiais nacionalistas e sargentos, “autênticos homens públicos para eliminar as velhas raposas do Legislativo”, segundo suas próprias palavras.

O Comício da Central marcou o começo de uma contagem regressiva. O discurso de Jango irritou os parlamentares, porque as propostas das Reformas de Base ainda não tinham sido enviadas ao Congresso. O projeto de Goulart abrangia as áreas de educação, onde visava combater o analfabetismo com o uso do Método Paulo Freire e a implantação da reforma universitária; a área da reforma agrária, cujo lema era desapropriar terras com mais de 600 hectares; a reforma tributária, que obrigava as empresas multinacionais aqui instaladas a reinvestirem os seus lucros no páís; fazer com que o pagamento do imposto de renda se tornasse proporcional à renda anual do cidadão: e a reforma eleitoral, que visava expandir o direito de votos a analfabetos e militares de baixa patente.

Além de ter irritado os congressitas, o Comício da Central incomodou a oposição, principalmente o governador do Estado da Guanabara, Carlos Lacerda, e as mais altas camadas militares. Alguns dias depois, foi organizada no Rio de Janeiro uma passeata de oposição a Jango, denominada Marcha da Família com Deus e pela Liberdade, a qual alegava que a política de Goulart estava caminhando para a implantação de um governo comunista no Brasil.

E n dia 1º de abril, um golpe de estado derrubou Jango, obrigando-o a seguir para o exílio. O governo militar implantado nessa ocasião durou até 1985, quando foi eleito o primeiro presidente civil desde as eleições de 1960.

Confira também:
1964 - Marcha da Família com Deus
1º de abril de 1964 - Jango desiste e sai de cena
6 de dezembro de 1976 – No exílio, morre João Goulart

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12 de março de 1935 - A curta legalidade da ANL

Jornal do Brasil: Quarta-feira, 13 de março de 1935 - página 7



"Realizou-se ontem à noite a primeira sessão preparatória da Aliança Nacional Libertadora. Nessa reunião foi eleito o Diretório Provisório, sendo assentadas as bases para a ação deste organismo político nacional". Jornal do Brasil


Na primeira reunião oficial da Aliança Nacional Libertadora (ANL) foi escolhido o conselho provisório, e aprovado o estatuto da instituição. Entre os presentes estavam nomes respeitados da luta do comunismo brasileiro como Hercolino Cascardo, Trifino Correia, Francisco Mangabeira, Roberto Sisson e Campos da Paz.

Seguindo as orientações da Internacional Comunista, a ANL foi criada com a participação de filiados do Partido Comunista, seu principal pilar, integrantes de outros partidos de esquerda menores, estudantes, intelectuais e profissionais liberais.

O objetivo era unir forças da esquerda para fazer frente ao crescimento dos blocos fascistas. Sob a liderança de Luiz Carlos Prestes e Miguel Costa, seu programa defendia: o cancelamento da dívida externa, a nacionalização das empresas estrangeiras, a garantia das liberdades individuais e a reforma agrária.

Com um surpreendente número de adesões, na mesma proporção em que o aumentou prestígio da ANL, intensificaram-se no país as tensões políticas que levaram ao fechamento da organização.



Repressão e luta na clandestinidade

Quatro meses após a fundação da ANL, baseado na recém-criada Lei de Segurança Nacional, o Presidente Getúlio Vargas decretou a ilegalidade da organização. Contudo, os aliancistas, lançados à clandestinidade, mantiveram suas atividades, condicionados às represálias previstas na nova lei: a intervenção enérgica em qualquer ação que comprometesse a garantia da ordem pública brasileira.

Começava a se evidenciar o caráter ditatorial do Governo Vargas que desarticularia a ANL e perduraria por toda a vigência do Estado Novo (1937-1945).

Um dos momentos mais críticos da desconjuntura foi movimento revolucionário irrompido em Natal e Recife, o qual passaria à História como a Intentona Comunista, liderada por Prestes, que sufocaria o comunismo no Brasil, e aceleraria instauração do Estado Novo.

Confira também:
24 de novembro de 1935 - A Intentona Comunista
5 de março de 1936 - A prisão de Prestes e Olga
26 de fevereiro de 1937 - Prestes depõe em julgamento por crime de deserção
18 de abril de 1945 - Vargas concede anistia a presos e exilados
7 de março de 1990 – A última viagem do Cavaleiro da Esperança

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11 de março de 1970 - O sequestro do Cônsul japonês

O cônsul-geral do Japão em São Paulo, Ministro Nobuo Ozuchi, foi seqüestrado por cinco pessoas não identificadas e armadas com metralhadoras, que o levaram em um fusca da Volkswagem para lugar ignorado. O motorista do cônsul contou que os seqüestradores fecharam o Oldsmobile 70 do Cônsul com dois carros, quando o sinal de trânsito mudou para vermelho, a 100 metros de sua residência, no bairro de Higienópolis, São Paulo. Os sequestradores disseram apenas que ele seria bem tratado e que entrariam em contato.

O Consulado-geral do Japão declarou acreditar que tudo seria solucionado de modo satisfatório, como foi o sequestro do embaixador americano. O primeiro contato veio através de uma carta datilografada e assinada em letra de forma - Comando A. Raimundo de Lucena - Vanguarda Popular Revolucionaria (VPR). "O ato não é absolutamente dirigido contra o povo japonês, ou contra membros de sua colônia, muitos dos quais lutam conosco ou sofrem as mesmas torturas nas prisões. Não tomaríamos esta atitude não fora a extrema necessidade de salvar a vida de alguns companheiros cujo estado físico se tornou alarmante".

Outras cartas foram distribuídas na cidade. Uma dessas cartas foi encontrada dentro do livro Apologia de Sócrates, em uma livraria e outra no banheiro de uma churrascaria.

Os sequestradores exigiram pela vida do Consul a libertação de cinco presos e seus filhos menores, bem como a garantia de asilo no México ou em qualquer outro país latino-americano. A aceitação por parte do Governo Brasileiro foi decidida pelo Presidente Médici depois de ouvidos os órgãos de segurança.

O seqüestro teve uma grande repercussão em Tóquio.

Governo Mexico concede asilo
Os cinco prisioneiros políticos, que foram banidos do território nacional, receberam no México documentos de permanência definitiva, com os quais poderiam realizar trabalho remunerado.

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7 de março de 1808 - A chega da da Família Real Portuguesa

A chegada da Família Real Portuguesa. Jornal do Brasil: Quarta-feria, 17 de março de 1965.

A vinda da corte portuguesa para o Brasil foi um acontecimento histórico da máxima importância para o desenvolvimento do país, particularmente para o Rio de Janeiro. De simples cidadezinha colonial, o Rio passaria a sede da monarquia lusitana. Dom João desembarcou em Salvador em 22 de janeiro de 1808 e de lá já abriu os portos do Brasil aos países amigos, permitindo que os navios estrangeiros comercializassem livremente nos portos brasileiros.

O desembarque da família real no Rio de Janeiro, no dia 7 de março, casou grande alvoroço na população, e eram muitos os que queriam ver a comitiva de perto. Os nobres seguiram em cortejo pelas ruas atapetadas de folhagem.

O Paço Imperial tornou-se residência oficial da família real. Sem palácios que os abrigassem, os milhares de nobres ocuparam as melhores casas da cidade, e nesse sentido eram colocados nas portas das casas editais com as iniciais PR (príncipe regente), que o povo traduzia como "ponha-se na rua".

Para sanear os pântanos e incrementar a construção de residências, o governo cederia terrenos nos mangues, logo além do Campo de Santana, a quantos se comprometessem a aterrá-los e nos mesmos levantar edificações à própria custa, nascendo assim a Cidade Nova.

Um rico negociante português, Antonio Elias Lopes, doaria sua chácara de São Cristóvão a D. João, que logo a preferiu como moradia ao Paço Imperial.

Durante os treze anos de sua estadia no Brasil, dom João criou diversas instituições culturais e educacionais, como a Biblioteca Nacional, o Jardim Botânico, o Real Gabinete Português de Leitura, o Teatro São João (atual Teatro João Caetano), a Imprensa Nacional e o Museu Nacional, dentre outros.

Dom João retorna a Liboa

A 26 de abril de 1821, Dom João retornava a Lisboa e deixando como regente o Príncipe dom Pedro, aclamado Imperador Constitucional do Brasil a 12 de outubro de 1822. No dia 7 de setembro, nas margens do Rio Ipiranga, depois de receber uma mensagem com ordem para regressar a Portugal, Dom Pedro declara a Independência do Brasil. Porém a independência do Brasil não ocorreu em todas as províncias, que ainda dominadas por portugueses lutaram até 1823.

D. Pedro abdica em 1831 passando o país a ser governado por uma regência até a coroação de D. Pedro II.

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6 de março de 1956 - As Pioneiras Sociais de Sarah Kubitschek

Jornal do Brasil: Quarta-feira, 7 de março de 1956 - página 7


"Quem tiver mais dará mais, quem tiver menos, dará menos, mas todos concorrerão na medida das suas possibilidades para o nobre empreendimento.

Foi assim em Minas Gerais quando lancei A Associação das Voluntárias. Foi do próprio povo que me chegaram os recursos para que eu prestasse socorro aos necessitados. E é da ajuda do povo que espero, com a ajuda de Deus, o êxito das Pioneiras Sociais
". Sarah Kubitschek

Estimulada pelo êxito da ação filantrópica que dirigiu em Minas Gerais, a Primeira-Dama da República, Sarah Kubitschek, deu início oficialmente uma campanha de assistência social em âmbito nacional: as Pioneiras Sociais.

O lançamento ocorreu no Rio, com a apresentação no Teatro Regina (atual Dulcina) na Cinelândia, da peça Othelo, de Shakespeare, encenada pela recém-fundada Companhia Tonia-Celi-Autran, ocasião em que arrecadou fundos para aplicação nas primeiras iniciativas da instituição liderada pela esposa do Presidente Juscelino. O espetáculo foi prestigiado por numeroso público, entre o qual se contavam personalidades de projeção da sociedade brasileira dispostas a colaborarem no humanitário empreendimento.

O nascimento do movimento Pioneiras Sociais não poderia ter ocasião mais oportuna. A peça shakespeareana é um convite à análise do comportamento humano através de suas atitudes para com o próximo. E naquele momento induzia à reflexão sobre os objetivos da campanha, cuja base mantedora era a contribuição particular solidária. A entidade partiria do princípio, conforme D. Sarah explicou em suas entrevistas, de que o problema da assistência aos necessitados não deveria ser incumbência exclusiva do Governo.

Exemplo no trabalho voluntário

Era grande a árdua tarefa que a Pioneiras Sociais se propunha realizar. E sua idealizadora não tinha ilusões quanto às dificuldades que ela e suas colaboradoras teriam de vencer, sobretudo no interior do País. Mas empunhou incansável a bandeira da solidariedade no combate à pobreza através de auxílios de emergência das mais diversas ordens: saúde, alimentação, educação, entre todas as formas de amparo à coletividade. Foi enérgica e determinada na consciência de seu papel social. E entrou para a história do país como a primeira-dama mais ativa em causas voluntárias e de assistência ao próximo.

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5 de março de 1936 - Prestes e Olga são presos

Prestes e Olga são presos. Jornal do Brasil: Sexta-feira, 6 de março de 1936.
O ex-capitão do exército Luis Carlos Prestes e sua mulher, procurados desde novembro de 1935 quando se deu o golpe contra o regime conhecido como a Intentona Comunista, foram presos depois de uma armação da Polícia.

A princípio existia a dúvida se Prestes encontrava-se no Brasil até serem efetuadas as prisões do agente do Komintern, Harry Berger, e do secretário do Partido Comunista, Adalberto Fernandes.

Através dos documentos e cartas encontrados em poder de ambos, dissiparam-se todas as dúvidas de que o lider vermelho tivesse se ausentado do Brasil. O local onde se encontrava, porém, era ignorado.

Logo após as autoridades policiais foram informadas de que chegara ao Brasil, em missão especial do Komintern para um entendimento com Prestes, o agente norte-americano Vitor Allan Baron.

Policiais efetuaram sua prisão, conduzindo-o para a Delegacia de Ordem Política e Social. Em todos os interrogatórios a que foi submetido negou-se a indicar o paradeiro de Prestes. O Capitão Miranda interrogou-o habilmente, ao levá-lo para jantar em um restaurante, e conseguiu finalmente a informação que precisava. Luis Carlos Prestes encontrava-se nesta capital, vivendo na clandestinidade com a sua mulher Olga Benário, de nacionalidade alemã, no endereço Rua Honorio, casa no. 270, Cachambi.

Vitor Allan Baron, preso na Seção de Segurança Política, ao se certificar que Prestes tinha sido realmente preso, correu da sala onde se achava até a varanda e precipitou-se no vácuo, caindo no pátio interno e sofrendo gravíssimas lesões.
Prestes foi removido para o quartel da Polícia Especial e Olga ficou detida na Delegacia de Ordem Política e Social.

O cão policial entrega seu dono

O cão policial de Prestes entrega o próprio dono.

Um cão policial que pertencia a Prestes fora apreendido na casa de Berger. Conduzido por um investigador, o cão foi solto ao surgir o vulto de um homem na sala do prédio suspeito. Os sinais de alegria do cão tiraram as dúvidas dos policiais de que aquele homem era o seu dono, o qual foi cercado e recebeu voz de prisão. Meses depois Olga, grávida, foi entregue pelas autoridades brasileiras ao regime nazista da Alemanha, onde foi executada.
A filha do casal, Anita Leocádia Prestes, nascida em um campo de concentração, foi resgatada por sua avó paterna, após intensa campanha internacional.

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1º de março de 1923 - Morre Ruy Barbosa

Morr Ruy Barbosa. Jornal do Brasil: Sexta-feira, 2 de março de 1923


Faleceu o maior dos brasileiros, uma figura que personifica o melhor de sua época e de toda a história do Brasil. Rui Barbosa enalteceu enormemente os destinos históricos da nacionalidade brasileira, irradiando até o presente prestígio e fascinação sobre o ânimo da nossa coletividade.

Nasceu na capital da Bahia a 5 de novembro de 1849. Seu pai, João Barbosa de Oliveira, foi um homem voltado para os problemas da educação e da cultura. Foi ele a principal influência na formação do filho, orientando-o no amor à leitura dos clássicos e no respeito à documentação em suas pesquisas.

Logo aos primeiros anos revelou o espírito genial que iluminou toda a sua vida e encheu de páginas a língua portuguesa. Antes dos cinco anos Rui já seguia os melhores métodos de estudo. Desde o inicio da sua vida intelectual sempre foi homem metódico e infatigável, tendo educado o seu espírito numa aplicação intensiva e incansável.

Depois dos estudos preparatórios na sua província natal, fez o curso jurídico em Recife. Em 1868, transferiu-se para São Paulo, onde terminou a faculdade. Teve como mestre José Bonifácio, e colegas como Castro Alves, Joaquim Nabuco, entre outros de uma geração brilhante e agitada por ideais.

Com a proclamação da República, foi chamado para ocupar a pasta da Fazenda do Governo Provisório. Teve participação na elaboração da Constituição Brasileira de 1891. Com a chegada de Floriano Peixoto à Presidência, passou para a oposição, criticando o governo no Parlamento e no Jornal do Brasil. Rui Barbosa teve um notável desempenho na Conferência de Haia, na Holanda, logo após o desfecho da Primeira Guerra Mundial, onde defendeu a igualdade entre as nações.


O notável brasileiro Rui Barbosa

O intelectual projetou sua genialidade em uma obra literária que se dispersou em raios atirados em todas as direções: na advocacia, no terreno da alta política, no jornalismo, na tribuna parlamentar, mantendo-se sempre à altura da magnitude e da relevancia das causas pelas quais se empenhava.

A atividade colossal de Rui Barbosa prolongou-se até a velhice. As decepções da vida política não lhe esmoreceram a fé, e nem abalaram o seu entusiasmo pelas idéias e pelos ideais. Não perdia nos arremessos das batalhas a crença e o fervor no futuro da pátria e nas lições luminosas do seu passado.

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