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1º de maio de 1994 - Adeus, Ayrton Senna

Morre Ayrton Senna. Jornal do Brasil: Segunda-feira, 2 de maio de 1994.
Aos 34 anos de idade, Ayrton Senna da Silva não teve tempo de realizar o maior sonho de sua vida: alcançar o penta mundial de Fórmula 1, conseguido pelo argentino Juan Manuel Frangio, em 1950. Senna, herói nacional e tricampeão mundial da categoria, morreu na colisão da sua Williams-Renault contra um muro de contenção a 300km/h, na curva de Tamburello do Circuito Enzo e Dino Ferrari, de Ímola, Italia.

A curva, que no dia anterior marcara o início do acidente, que, metros depois, resultara na morte do piloto austríaco Roland Ratzenberger, não tinha proteção reforçada por não ser considerada perigosa para os pilotos. Alguns anos antes, Nelson Piquet e o austríaco Gerhard Berger também já tinham protagonizado acidentes na Tamburello (1987 e 1989, respectivamente).

Senna, no momento do acidente, ocorrido na sexta volta do Grande Prêmio de San Marino, liderava a corrida. Ele largara na frente, numa prova repleta de acidentes – logo durante a saída o português Pedro Lamy (Lotus-Mugen-Honda) batera na traseira da Benetton de J.J. Lehto, fazendo com que pedaços dos carros fossem lançados às arquibancadas, deixando quatro pessoas feridas.

Ao comentar a morte de Roland Ratzenberger, Rubens Barrichello disse que se a mesma coisa acontecesse com ele, durante uma corrida, ele morreria feliz por estar fazendo aquilo que amava. Este pensamento serviu de consolo para muitos brasileiros após a morte de Senna, que amava o automobilismo até as entranhas. Sua vida sempre foi 100% automobilismo. Guiava divinamente, com uma força considerada por ele, as vezes, sobre-humana.

“Subitamente percebi que não era mais eu quem guiava o carro, que não estava guiando conscientemente. Eu estava numa espécie de dimensão diferente, era como se estivesse num túnel. Eu já estava além do limite, mas ainda era capaz de ir mais rápido. Então, alguma coisa me despertou e eu percebi que estava numa atmosfera diferente. Minha reação foi tirar o pé, reduzir e voltar lentamente aos boxes, de onde não saí mais. Isso me assustou, porque percebi que estava além da minha consciência”, disse após um belo treino para o GP de Mônaco de 1988.

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30 de abril de 1945 - A morte de Adolf Hitler

O fim de Adolf Hitler. Jornal do Brasil: Quinta-feira, 3 de maio de 1945
As primeiras notícias oficiais sobre a morte de Hitler revelavam que o Fuherer teria sucumbido combatendo russos no comando de um dos últimos setores bélicos nazistas ainda em atividade, em Berlim. Especulações quanto às circunstâncias reais de sua morte, contudo não demoraram a surgir. Muitas evidências históricas indicam que o Fuherer foi levado ao suicídio juntamente a Eva Braum, com quem se casara um dia antes.

Para o homem que disseminou o terror em nome de sua ambiciosa teoria da superioridade ariana, cometendo atrocidades sem precedentes na História contra a própria humanidade, o suicídio correspondeu mais à antecipação da morte oficial ou ao desejo de evitar a humilhação da prisão e julgamento, insuportável para quem prometia mil anos de III Reich e o predomínio de uma raça superior.

A supremacia de Adolf Hitler suscitou sentimentos extremos, conforme a perspectiva histórica e geográfica que se tome ao retratá-lo. Foi um homem que se valeu de todas as fraquezas do homem - a ambição das Forças Armadas, a miopia do poder econômico, a ingenuidade do donzelismo político, a boa fé das massas - para chegar ao Poder.

O estudo biográfico sobre as origens de sua obsessão inclui uma infância marcada por rancor e mania de perseguição, onde já revelava acessos de cólera contra quem o contradissesse e uma adolescência de amarguras: o fracassado sonho de se tornar pintor, a morte precoce de sua mãe às vésperas de um Natal e a sobrevivência miserável pelas ruas de Viena. Como se fosse necessário encontrar quem pudesse arcar com o fardo da derrota, da humilhação e da miséria sofridas.

Polêmicas à parte, com a morte de Hitler, estavam contados também os últimos instantes da resistência alemã na Segunda Guerra Mundial.

Leia também:
30 de janeiro de 1933 – Hitler é nomeado Chanceler alemão
30 de junho de 1934 - A implacável Noite dos Longos Punhais
19 de agosto de 1934 - Legitimada toda a Alemanha de Hitler
16 de março de 1935 - Alemanha proclama sua liberdade de ação sobre rearmamento
15 de setembro de 1935 - Aprovadas na Alemanha as Leis de Nuremberg
1 de setembro de 1939 - Começa a Segunda Guerra Mundial
27 de janeiro de 1945 - A libertação de Auschwitz
7 de maio de 1945 – Alemanha se rende aos Aliados

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29 de abril de 1938 - A nacionalização da indústria do Petróleo

A nacionalização do petróleo. Jornal do Brasil: Sábado, 30 de abril de 1938.
Foi em meio a uma disputa entre posições nacionalistas e empresários interessados na exploração do petróleo no Brasil que o Presidente Getúlio Vargas assinou um decretou-lei, nº 393, declarando de utilizade pública o abastecimento nacional de petróleo: produção, importação, transporte, distribuição e comércio bruto e de seus derivados. E da mesma forma o refino de petróleo, quer importado ou de origem nacional.

Coube ao Governo, com exclusividade, a responsabilidade de oferecer as condições propícias ao pelo cumprimento do decreto, centralizando a administração de todos os assunto referentes ao petróleo no país. Para tanto, criou-se então, pelo mesmo decreto o Conselho Nacional do Petróleo (CNP), um organismo autônomo, composto por representantes dos ministérios das três Forças Armadas, da Fazenda e do Trabalho, Indústria e Comércio, e de sindicatos da indústria e do comércio, mas escolhidos pelo presidente e a ele subordinados. Ao CNP foi designado executar as medidas de ordem financeira estipuladas, cabendo-lhe entre outras atividades, autorizar e fiscalizar as transações mercantis, e acompanhar as operações das empresas.

Com esta primeira medida consistente em favor da nacionalização do Petróleo, o Brasil dava um grande passo ao fortalecimento de sua economia.

Em menos de um ano, seria noticiado publicamente a descoberta de uma jazida de Petróleo em Lobato, no Recôncavo baiano.

Em 1953, com a criação da Petrobrás, o CNP repassa a nova companhia todo o seu acervo técnico, ficando responsável apenas pela fiscalização do setor petrolífero.

Leia também:
21 de janeiro de 1939 - Descoberto petróleo em Lobato
6 de dezembro de 1951 - O projeto de criação da Petrobrás
3 de outubro de 1953 - O Petróleo é nosso!

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1973 - Jacques Maritain morre aos 90 anos

"Sinal de maturidade humana é aceitar o desafio do sofrimento." Maritain

Morre Jacques Maritain. Jornal do Brasil: Domingo, 29 de abril de 1973.
O intelectual católico Jacques Maritain, filósofo que forneceu bases para a criação da Democracia-Cristã, morreu no convento da Fraternidade dos Irmãozinhos de Jesus, em Toulose, Sul da França, de uma síncope. Nascido na Paris de 1882, foi considerado o maior filósofo e pensador católico do século 20, convertido através da obra e do conhecimento pessoal do seu padrinho Leon Bloy - um dos grandes responsáveis pela transformação espiritual e litúrgica da Igreja nos Anos 20 e 30. Foi casado com a escritora e mística Raissa Oumançoff, judia russa que com ele se converteu à religião católica.

Em sua última entrevista ao Jornal do Brasil, em 11 de novembro de 1972, Maritain declarou que sua vida se dividia em seis fases. A preparação, que vai até 1910, período onde encontra Raissa, sua mulher; descobre Bergson (que lhe revelou a metafísica) e Leon Bloy. Afirmou na ocasião que sua conversão ao catolicismo veio lhe dar plenitude ao aprendizado espiritual que terminou com a descoberta do tomismo, em 1909. O segundo período é o magistério de Filosofia, em Paris, que se inicia com o primeiro artigo sobre A Cidade Moderna e A Razão. Com a guerra, em 1939, termina o segundo período, começando o exílio em Nova Iorque. Depois a Embaixada da França, no Vaticano, de 1945 a 1948. A sexta e última fase é a sua passagem pela Fraternidade dos Irmãozinhos de Jesus até o fim da vida.

Para ler a entrevista exclusiva na íntegra, clique sobre as imagens abaixo:
Jornal do Brasil: 11 de novembro de 1972.Jornal do Brasil: 11 de novembro de 1972.

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27 de abril de 1940 - A inauguração do Estádio Pacaembu

A inauguração do estádio do Pacaembu. Jornal do Brasil: Sábado: 27 de abril de 1940.
"Revestiu-se de intenso brilho a inauguração do majestoso Estádio Municipal do Pacaembu. Repleto de uma assistência entusiástica, o grandioso Estádio da capital paulista apresentava um aspecto deveras empolgante, com o desfile dos atletas, que arrancavam frequentes e prolongadas salvas de palmas, ao som das marchas das bandas militares no auditório." Jornal do Brasil

São Paulo iniciava uma nova era para o esporte no país. Marcado por um grande desfile de abertura, com a presença do então presidente da República, Getúlio Vargas, dos interventores de São Paulo e Rio, do Prefeito de São Paulo e demais autoridades ilustres, foi inaugurado o Estádio Municipal do Pacaembu, firmando-se como o maior complexo esportivo da América do Sul. O evento foi amplamente divulgado e celebrado por paulistas e visitantes que chegaram de diferentes partes do Brasil para assistí-lo.

Estádio Pacaembu. Inauguração. Reprodução.
A primeira partida de futebol foi disputada em 28 de abril de 1940, quando o Palestra Itália, hoje Palmeiras, derrotou o Coritiba por 6 x 2. Rodada dupla, no segundo jogo foi a vez do Corinthians vencer o Atlético Mineiro, por 4 x 2. A disputa final do torneio, Taça Cidade de São Paulo, foi entre Corinthians e Palestra, sagrando-se este campeão.

Palco de grandes eventos, o Pacaembu acolheu a Copa de 1950, competição disputada também nos gramados do Maracanã e os Jogos Pan-Americanos de 1963, que teve São Paulo como cidade sede.

O Estádio Municipal do Pacaembu leva hoje o nome do Marechal da Vitória, Paulo Machado de Carvalho, chefe da delegação brasileira nas vitoriosas campanhas das Copas de 1958, na Suécia, e de 1962, no Chile.

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26 de abril de 1986 - O terrível acidente de Chernobyl

Acidente nuclear em Chernobyl. Jornal do Brasil: Quarta-feira, 30 de abril de 1986.
Um acidente na usina nuclear soviética de Chernobyl, localizada perto de Kiev, propagou radioatividade por mais de 1 mil 500 quilômetros de distância, atingindo até os países escandinavos. Índices anormais de radioatividade começaram a ser observados na Noruega, Dinamarca, Suécia e Finlândia antes do anúncio oficial do governo de Mikhail Gorbatchov.

O sinal de alarme foi dado quando um empregado da central nuclear sueca de Forsmark passou pela manhã no controle de entrada e foi constatada radioatividade em sua roupa. Chegou-se a decretar estado de alarme ante a suspeita de que houvera algum vazamento na própria central. A esta altura já estava estabelecido, pelos teores de iodo e cobalto na radiação, que só poderia se tratar de um acidente em central nuclear.

As autoridades soviéticas foram obrigadas a pedir ajuda técnica a países ocidentais como Alemanha e Suécia. Formou-se uma nuvem radioativa invisível, liberada com a destruição do núcleo do reator, que afetou sobretudo a Polônia, a Escandinávia e o Reino Unido.

As causas do acidente foram falhas humanas, e de projeto do reator, o qual explodiu quando eram realizados testes de eficiência. A ausência de um vaso de contenção de aço ou concreto ao redor do coração do reator foi apontada por técnicos e cientistas ocidentais como a principal responsável pelos danos causados às populações e ao meio ambiente.

No reator soviético, a reação em cadeia era moderada por grafite, a qual se incendiou ao entrar em contato, em altas emperaturas, com o oxigênio do ar. Segundo informações vinda de Kiev, 80 pessoas morreram imediatamente e 2 mil faleceram a caminho do hospital Oktober, que estava superlotado. Os mortos foram jogados num depósito de dejetos radioativos. Mas Chernobyl era muito pior do que parecia. A grande tragédia ainda estava por vir... Era questão de tempo.

O número de mortos jamais será definido
Os efeitos da radiação sobre o organismo dependem fundamentalmente da dosagem e do tempo de exposição. Para uma pessoa exposta a uma dose maciça de radioatividade a conseqüência mais provável é a morte imediata. Uma exposição prolongada a uma pequena dose de radiação pode acarretar a morte por câncer anos depois.

O total de mortes resultantes do acidente de Chernobyl será sempre uma incógnita. Os sobreviventes do acidente enfrentam graves doenças, entre as quais a mais frequente é o câncer de tireoide, causada pela grande quantidade de iodo 131 liberado na explosão, e que ao ser ingerido ou inalado fica concentrado na glândula tireóide. Além de uma série de anomalias.

Chernobyl: uma cidade-fantasma destruida pela radioatividade

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25 de abril de 1984 - A emenda Dante de Oliveira

Primeira página do Jornal do Brasil: Quinta-feira, 26 de abril de 1984

"Que país é este? - era a indagação que se fazia à sociedade quando o Brasil se preparava para o reencontro com as liberdades públicas. O Estado concedia quotas de liberdades mas se prevalecia do autoritarismo institucionalizado.

Levantou gradualmente a censura à imprensa, mas se reservava o arbítrio até para impor sua vontade ao Congresso. Soube-se que país era aquele.



Mas que país, afinal de contas é este? Uma democracia certamente não é e nem será enquanto o Estado pretender que a vontade nacional continue a ser ditada pelos instrumentos de coação da sociedade
". Editorial JB


Chegou ao plenário do Congresso, alavancada pela Campanha das "Diretas Já" em incansável peregrinação pelo país, a Emenda Constitucional Dante de Oliveira, proposta pelo deputado federal homônimo, com objetivo de instaurar eleições diretas para a presidência da República.

A sessão era o triunfo do movimento civil reivindicatório de eleições presidenciais diretas no Brasil, iniciado oficialmente durante um discurso no interior pernambucano no ano anterior, e orquestrado com sucessivas adesões de importantes lideranças da vida pública nacional. Por todo o país o povo acompanhou a contagem de votos em painéis instalados em praças públicas. No Rio, a concentração foi na Cinelândia. No ABC Paulista, houve manifestações de trabalhadores em empresas metalúrgicas e, na Capital, o povo reuniu-se na Praça da Sé. Em Brasília, universitários e secundaristas escreveram com seus corpos a frase Diretas Já, nos gramados do Congresso. Algumas emissoras de rádio e televisão sofreram censura e tiveram a transmissão suspensa durante horas, voltando a funcionar somente à noite.

Adiado sonho de votar para presidente

Com galerias tomadas, o plenário votou a emenda Dante de Oliveira sob tensão, até as primeiras horas da madrugada do dia seguinte, numa das mais exaustivas sessões da história do Congresso Nacional. Ao final de mais de 60 discursos, era adiado mais uma vez o sonho nacional de escolher o presidente do país através do voto direto. Com 298 votos favoráveis, 65 contrários, 3 abstenções e a ausência de 113 deputados - estratégia adotada pelo Partido Democrático Social (PDS), o Congresso rejeitou, por falta de quórum constitucional, a emenda em questão, retardando o processo de redemocratização do País.

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24 de abril de 1967 - Astronauta Komarov morre no espaço

Komarov morre no espaço. Jornal do Brasil: Terça-feira, 25 de abril de 1967.
O cosmonauta Vladimir Komarov morreu emaranhado em seu próprio pára-quedas, após ter abandonado a nave União-1 (Soyuz).

O centro Espacial de Houston divulgou transmissões da Rádio de Moscou, segundo as quais Komarov, com problemas de controle, comunicações e consumo demasiado de combustível, lutou durante três órbitas para fazer a União-1 reingressar na atmosfera, mas o pára-quedas da nave não se abriu e precipitou-se ao solo, a uma altura superior de 6 mil metros.

Experimentava a primeira de uma nova geração de cápsulas espaciais, as Soyuz, maiores, mais pesadas e aperfeiçoadas que suas antecessoras. Os projetos soviéticos previam o abandono da cápsula pelos astronautas e a descida em pára-quedas. A morte de Komarov causou impacto tão grande em toda a União Soviética que homens e mulheres choravam abertamente nas ruas.

O Coronel-Engenheiro Vladimir Komarov, primeiro a pilotar uma nave Soyuz, herói da União Soviética, tornou-se o primeiro astronauta a morrer no regresso de uma missão espacial.

Komarov, filho de operários, cursou a primeira Escola das Forças Aéreas de Moscou, terminando em 1945. Segundo os seus chefes Vladimir Komarov possuía qualidades de segurança e reações rápidas, profundo conhecimento técnico e grande valentia. Depois de terminado o curso de Engenharia Militar Aérea, foi convidado a fazer parte do destacamento de cosmonautas.

Recebeu postumamente a Medalha da Estrela de Ouro. Com honras de Estado, seus restos, traslados do Centro de Vôos Espaciais para Moscou, foram cremados antes de baixar à sepultura no Kremlin, onde repousam os heróis do país.

Os caminho sem volta do céu

Vladimir Komarov.Reprodução

Nem todos podem sentir-se felizes como Gagárin ao ver que a Terra é azul, ou compensar a terrível solidão das alturas na festa do desembarque. No caso dos heróis do espaço, o imprevisível resiste à exatidão dos cálculos, à perfeição dos instrumentos, e, de certa forma, até à capacidade humana de imaginar uma tragédia além dos limites do mundo.

Quando Vladimir Komarov faz cair o silêncio sobre o que seria a notícia de um novo recorde soviético, não há quem não veja na figura dos cosmonautas um halo quase grave, pela certeza de que eles se preparam também para o pior.

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23 de abril de 1964 - Salve o Cavaleiro Jorge!

Primeira página do Caderno B do Jornal do Brasil: 23 de abril de 1964


São Jorge, o cavaleiro da armadura reluzente atingindo do seu cavalo o dragão com a lança, é um santo popular em todo o mundo.

Lenda ou realidade, tem presença significativa na história de grandes instituições, nas artes e na vida militar de numerosos países.



Foi o que resgatou a edição do Jornal do Brasil em 23 de abril de 1964, apontando o equívoco de considerá-lo apenas como patrono de seitas exóticas, atribuindo-lhe denominações e interferências conflitantes com o espírito da Igreja Católica, desconsiderando o que consta sobre a sua história.

Oficial de alta patente do exército romano, sofreu o martírio com outros cristãos nas perseguições do Imperador Diocleciano no século III. Contudo, o que consta das atas foi declarado sem autenticidade pelo Papa Gelásio, duzentos anos depois. Mas é certo que o militar foi martirizado e, o seu culto, nascido na Igreja Oriental chegou até a Igreja do Ocidente.

Foi feito patrono dos exércitos de várias nações, sobretudo cavalarias. Os gregos o denominaram mártir e puseram-se sob o seu patrocínio. A Inglaterra o tomou por padroeiro. Entre esses dois povos europeus o culto de São Jorge é tão popular como no Brasil. Em Portugal, a sua veneração começou no século XIV, quando D. João, após a batalha de Aljubarrota contra os castelhanos, reedificou o Castelo de Lisboa com o nome de Castelo de São Jorge, e ordenou que a sua imagem figurasse na procissão de Corpus Christi.

O culto de São Jorge chegou até nós ainda na fase da colonização. Reverbera por todo o país, mantido com grande respeito pelo povo. As corporações militares o consagram como patrono da cavalaria, e participam das comemorações que se celebram por seu nome.

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22 de abril de 1991 - Charles e Diana no Rio

Príncipe Chrales e Princesa Dinana chegam ao Brasil em missão ecológica. Jornal do Brasil: Terça-feira, 23 de abril de 1991.
O casal real chegou ao Brasil para uma visita de cinco dias. Eles assistiram a uma apresentação de samba no Rio, passou por São Paulo, foi a Foz do Iguaçu e viajou pela floresta amazônica.

Charles e Diana chegaram ao Aeroporto Santos Dumont com 20 minutos de atraso, em um avião da Real Força Aérea Britânica pilotado pelo próprio Charles. O príncipe discursou para empresários e lembrou que em tempos de recessão "a proteção ambiental não poderia ser um luxo".

No Rio, a princesa quebrou o protocolo ao conversar com pacientes de Aids no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, no Fundão e tirou fotos no Cristo Redentor. Já em São Paulo Diana fez uma visita às crianças da unidade de órfãos contaminados com HIV, da Febem.
Diana ficou conhecida no mundo inteiro por quebrar tabus, como cuidar pessoalmente dos filhos – uma atitude incomum na classe alta britânica – e se engajar em causas humanitárias.

Lady Di conquistou a admiração popular em especial por seu envolvimento no combate à Aids, e na campanha internacional contra as minas terrestres. A princesa atraiu a atenção do mundo para o assunto ao visitar crianças mutiladas em Angola e foi uma das primeiras pessoas famosas a se sentar na cama de um paciente soropositivo, em uma época em que ainda havia um grande estigma em relação à doença.

A primeira vez que esteve no Brasil, Charles ainda era solteiro e sambou com a passista Pinah, da escola de samba Beija-Flor de Nilópolis, em uma recepção no Palácio da Cidade, sede da Prefeitura do Rio. Quando retornou ao Rio o príncipe lembrou da passista como "a carnavalesca de cabelos tão escassos quantos as roupas que usava" e comentou: "No meu caso, o cabelo está mais escasso, mas continuo usando as mesmas roupas".

Um casamento conturbadoCharles e Diana casaram-sem 1981 tiveram dois filhos – o príncipe William, nascido em 1982, e o príncipe Harry, nascido em 1984.

A união chegou ao fim em 9 de dezembro de 1992.

Cinco anos mais tarde, Diana morreria vítima de um acidente de carro, em Paris, no qual também morreram o noivo dela Dodi Al-Fayed e o motorista. No momento do choque ela estava sendo perseguida por fotógrafos.

O príncipe ainda retornou ao Brasil em 2002. Em 2005 Charles casou-se novamente com Camilla Parker Bowles. O casal esteve no Brasil em 2009.

Leia também:
24 de fevereiro de 1981 – Anunciado o noivado entre Lady Di e Príncipe Charles
29 de julho de 1981: O casamento do Príncipe Charles com a Princesa Diana

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21 de abril de 1985 - Brasil perde a liderança de Tancredo Neves

Morre Tancredo Neves. Jornal do Brasil: Segunda-feira, 22 de abril de 1985.




"Não vamos nos dispersar. Continuemos reunidos, como nas praças públicas, com a mesma emoção, a mesma dignidade e a mesma decisão. Se todos quisermos, dizia-nos, há quase duzentos anos, Tiradentes, aquele herói enlouquecido de esperança, podemos fazer deste País uma grande Nação. Vamos fazê-la". Tancredo Neves




Tancredo de Almeida Neves, 75 anos, símbolo do maior, mais alegre e mais pacífico movimento popular de mudanças políticas já ocorrido na História do Brasil, morreu ontem, dia de Tiradentes, às 22h23. Depois de 38 dias de internamento, em que foi submetido a sete cirurgias e permaneceu 950h em hospitais, período em que o País comoveu-se às lágrimas com seu estado de saúde, acompanhando-o com esperança e às vezes com desengano, o coração de Tancredo, último de seus órgãos vitais a entrar em falência, não resistiu nem mesmo a tentativa desesperada dos médicos de reduzir-lhe a temperatura do corpo para 30 graus, a fim de evitar a aceleração dos batimentos".

O pronunciamento de Antonio Brito:

O sofrimento e a morte de Tancredo colocaram a Nação brasileira ante uma perplexidade tão intensa quanto era grande a esperança representada pela sua presença e pela sua atividade política. O Brasil e os brasileiros, mestres em desfazer momentos dramáticos num clima de cordialidade e informalidade, foram chamados de repente a viver uma situação legitimamente trágica -a queda depois da ascensão triunfal, o desastre ocorrendo na véspera da consagração definitiva, a sensação de orfandade nacional.

Leia também:
16 de abril de 1984 - "Diretas Já!" reune 1,3 milhões de pessoas
12 de agosto de 1984 - Tancredo é lançado candidato à Presidência
15 de janeiro de 1985 - De mãos dadas com o povo, Tancredo vence eleição
14 de março de 1985 - Tancredo é operado 12h antes da posse

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20 de abril de 1999 - Jovens mascarados matam 13 em escola nos EUA

Jovens executam 15 pessoas em escola nos EUA. Jornal do Brasil: Quinta-feira, 22 de abril de 1999.

"Temos que acordar para o problema da violência nas escolas. Se isso pode acontecer lá, então as pessoas devem reconhecer que existe a possibilidade de que o mesmo ocorra em qualquer comunidade da América". Presidente Bill Clinton

Jovens mascarados, Eric Harris, 18 anos, e Dylan Klebold, 17 anos, vestindo longos casacos pretos, abriram fogo contra ex-colegas na Columbine High School, escola de segundo grau em Denver, no estado americano do Colorado. Os relatos eram apavorantes. Segundo sobreviventes, os rapazes disparavam contra negros, hispânicos e atletas - que buscavam esconder-se entre mesas e debaixo de carteiras - usando armas automáticas e lançando granadas. A chacina começou na cafeteria da escola, continuou nas escadas e terminou na biblioteca, onde a maioria dos corpos, inclusive os dos assassinos, foi encontrada.

Identificados como jovens típicos do subúrbio americano, de famílias estáveis e queridas pelos vizinhos, os autores da chacina minaram o prédio com explosivos antes de começar a atirar nos colegas. Esta estratégia dificultou o trabalho da polícia que demorou a entrar para socorrer feridos e contar os mortos, que foram 15 (11 homens, entre eles os dois criminosos, e 4 mulheres), e não 25 como inicialmente divulgado. O tremor dessas explosões impediu a documentação da cena do crime e comprometeu a coleta de evidências.

O então presidente Bill Clinton prometeu programas para proteger os jovens da violência, mas não tocou no ponto mais discutido aquela altura: a liberdade quase irrestrita para a posse de armas nos EUA.

O que motivou o crime?
A Máfia da Capa Preta. Esta era a comunidade da qual Eric e Dylan eram membros. Não era uma sociedade secreta. Com direito a página na Internet, após o episódio desativada, sentindo-se ridicularizados pelos atletas, remoíam planos de vingança e extravasavam seu ódio na rede. Eric, principal cabeça por trás do ataque, era conhecido ainda por colecionar suásticas e sinistros slogans neonazistas e até dar receitas para a confecção de bombas. Em seu auto-retrato, escreveu: "Mato aqueles de quem não gosto, jogo fora o que não quero e destruo o que odeio". Já Dylan dizia que seu número pessoal era "420", e houve quem associasse a preferência à data de nascimento de Hitler, 20 de abril. Os diários dos jovens foram encontrados. E embora a opinião pública tenha procurado explicações, levantado hipóteses e salientado especulações, nenhuma conclusão sobre o motivo do ataque.

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19 de abril de 1995 - Aniversário do Rei Roberto Carlos pára Cachoeiro

54 anos de Roberto Carlos. Jornal do Brasil: Sexta-feira, 21 de abril de 1995.


Desde 1967, quando Roberto Carlos interpretava canções politicamente incorretas, como Namoradinha de um amigo meu e É proibido fumar, Cachoeiro do Itapemirim não vivia dias de tanta movimentação. A cidade foi escolhida para ser palco do show em comemoração aos 54 anos de seu filho mais querido. E o público retribuiu ao privilégio que compartilhar esta ocasião com o Rei. Mais de 12 mil pessoas compareceram ao espetáculo, após enfrentarem filas quilométricas para entrar no Estádio do Sumaré, onde a festa aconteceu.

Ele entrou no palco, todo de branco, cantando um pout pourri com A montanha, Além do horizonte, e outras. "Que prazer, que emoção, gostaria de dizer algo novo. Mas a única coisa que eu penso é que amo vocês e... ", declarou, emendando com Emoções. A platéia veio abaixo.

O ponto alto da noite ficou por conta da surpresa preparada para o Rei. Milhares de velas foram acesas pelo público que entoou Meu pequeno Cachoeiro: "Eu passo a vida recordando de tudo quanto aí deixei Cachoeiro, Cachoeiro vim ao Rio de Janeiro p'ra voltar e não voltei! Mas te confesso na saudade as dores que arranjei pra mim pois todo o pranto destas mágoas ainda irei juntar nas águas do teu Itapemirim...

A legião de fãs conquistada por Roberto Carlos ao longo de sua trajetória é impar na história da música brasileira. Do início da carreira, ele ainda traz o carinhoso jeito de tratar os amigos de "bicho", alguns adereços como sua pulseira, e canta seus sucessos mais antigos como se fossem embalados pela primeira vez. Talvez tenha reavaliado algumas atitudes daqueles anos rebeldes da década de 60. Mas sua popularidade continua imbatível como nos tempos em que recebeu o título de Rei. E se engana quem imagina que este sucesso se constituiu por um universo de meras mocinhas suspirantes. Roberto Carlos é presença certa na lista de favoritos de muitos marmajões, crianças, gente de toda idade, anônimos e famosos, reunindo muito mais que "Um milhão de amigos"...

Vida longa ao Rei!



Confira aqui a galeria histórica especial em homenagem ao Roberto Carlos na Fan Page do CPDoc JB!

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18 de abril de 1998 - O adeus a Nelson Gonçalves, o último boêmio

Coração máta Nelson Gonçalves. Jornal do Brasil, 19 de abril de 1998.
Morreu as 21h15, o cantor Nelson Gonçalves, 78 anos, vítima de uma fulminante parada cardíaca, enquanto conversava com a filha Margareth na casa dela na Gávea, onde esteve hospedado nos últimos seis meses de vida. Não houve tempo sequer para o recebimento de atendimento médico.Nelson estava se submetendo a uma série de exames de praxe nos últimos tempos, não sofrendo de qualquer doença mais grave.

Antônio Gonçalves Neto nasceu em Santana do Livramento, RS no ano de 1919. Ainda criança mudou-se para São Paulo, mas foi no fim da década de 30, ao seguir para o Rio que começou a conquistar seu público. Desde o samba de estréia, Sinto-me bem, de Ataulfo Alves, até as últimas gravações, manteve-se fiel ao estilo marginal romântico, cantando músicas de forte apelo popular, como Fica comigo esta noite.

Adorado pelas fãs e considerado o sucessor de Orlando Silva nos anos 40, o cantor superou problemas com drogas entre as décadas de 50 e 60, e dizia viver um momento especial em sua carreira. Até o fim da vida, continuou vendendo a média de 100 mil discos por ano. Mas nunca se considerou um fenômeno. Certa vez, falando de seu maior ídolo, Frank Sinatra, se definiu: "Sinatra sim, é um verdadeiro fenômeno. Eu não. Sou um cantor como outro qualquer".

Entre os maiores sucessos da carreira do cantor estão: Maria Bethânia, Último desejo, Fica comigo esta noite, Normalista e A volta do boêmio.

Nelson, que cantou: "Só pretendo morrer depois de 2001", não conseguiu chegar até lá. O boêmio não mais regressa.

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17 de abril de 1996 - O Massacre de Eldorado dos Carajás

Primeira página do Jornal do Brasil: Sexta-feira, 19 de abril de 1996

O país das chacinas de Carandiru (1992), Candelária (1993), Vigário Geral (1993), e Corumbiara (1995), viu-se diante de um novo massacre. Determinados a desobstruir a rodovia PA-150, que liga Belém ao sul do Pará, ocupada por um manifesto dos sem-terra em Eldorado dos Carajás, a 650 km da capital do estado, cerca de 150 policiais militares, liderados pelo coronel Pantoja de Oliveira, mataram 19 pessoas, em 20 minutos de ação.

Trabalhadores rurais protestavam contra o atraso na desapropriação de terras para fins de reforma agrária, quando foram surpreendidos pelo cerco policial. Um grupo veio pelo lado de Marabá e outro pelo lado de Parauapebas. Segundo testemunhas, policiais teriam chegado atirando, dando início ao confronto. A versão policial alegou que a operação começou com bombas de efeito moral, e somente após serem rechaçados com armas de fogo os militares responderam disparando contra os manifestantes. A tentativa fracassada de resistir à investida policial, deu lugar à barbárie com sucessivas execuções.

Tiros na testa e marcas de pólvora no rosto indicavam que as mortes foram à queima-roupa. Entre os mortos havia uma criança de três anos. Pelo menos 50 pessoas foram feridas. Nenhum policial.

Na noite do massacre o governador do Pará, Almir Gabriel, afastou o coronel Pantoja. O ministro da Agricultura, Andrade Vieira, pediu demissão da pasta. Na semana seguinte, o Governo Federal confirmou a criação do Ministério da Reforma Agrária. Foi indicado Raul Jungmann, então presidente do Instituto Brasileiro de Agricultura e Meio Ambiente, para o cargo de ministro.

Passados doze anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, o crime continua impune.

Um território de tensão e insegurança
Os impasses sobre a questão da reforma agrária na região se mantém até os dias de hoje. Parauapebas, vizinha a Eldorado dos Carajás, vive clima de insegurança e tensão. Garimpeiros e integrantes do Movimento dos Sem-Terra estão de prontidão em acampamentos, e ameaçam invadir a Estrada de Ferro Carajás, usada pela Vale para transportar minério de ferro, combustíveis e passageiros.

Eles marcaram para hoje uma manifestação em protesto em memória às vítimas do Massacre de Eldorado do Carajás. O governo do Pará direcionou 500 policiais para garantir a ordem no local.

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16 de abril de 1984 - Diretas já reúne mais de 1 milhão em São Paulo

Comício pelas Diretas Já pára São Paulo. Jornal do Brasil: Terça-feira, 17 de abril de 1984.


No vale do Anhangabaú, no Centro de São Paulo, 1 milhão 300 mil pessoas (1 milhão e 500 mil, segundo a Polícia Militar) reuniram-se no último e maior comício realizado no Brasil pela aprovação da emenda Dante de Oliveira, que restabeleceria eleições diretas para Presidente da República imediatamente. O povo reuniu-se às 17h30 na Praça da Sé e começou a dispersar-se cerca de três horas depois.

Charge do Henfil. Reprodução
Além de Franco Montoro, de São Paulo, compareceram à passeata pelo centro da cidade os então governantes do Rio, Leonel Brizola, e de Minas Gerais, Tancredo Neves, os quais passaram momentos de tensão quando ficaram espremidos no meio da multidão. Montoro e Brizola foram vaiados alguns momentos antes de seus discursos. Tancredo Neves, o primeiro a falar, no entanto, foi muito aplaudido quando disse: “Chegou a hora de libertarmos esta pátria desta confusão que se instalou no país há 20 anos” e seguiu defendendo a aprovação da emenda no Congresso, afirmando que os parlamentares que votassem contra ela deveriam se retirar da Casa, já que não representavam mais a vontade do povo.

Em Brasília, o Presidente João Figueiredo, declarou numa reunião com senadores que as eleições diretas não aconteceriam imediatamente (em novembro do mesmo ano, como queria a Emenda Dante de Oliveira). “Não teremos eleições diretas já”, anunciou ele no Palácio do Planalto.

Apoiado pelos militares, Figueiredo propôs outra emenda, com eleições diretas para a Presidência apenas em 1988, data considerada por ele precoce, mas que ficou estabelecida após um consenso entre membros do governo.

O movimento das “Diretas Já” teve início em 1983, em Pernambuco. Desde março deste ano, o movimento realizou passeatas em todo o país, terminando com a maior de todas, a do dia 16 de abril de 1984. Apesar da grande mobilização popular, a Emenda Dante de Oliveira não foi aprovada. As eleições diretas para escolher o Presidente da República só aconteceram em 1989 – um ano depois do que propusera Figueiredo. O “Diretas Já”, no entanto, garantiu uma grande vitória no ano seguinte de seu último protesto, quando um de seus líderes, Tancredo Neves, foi eleito indiretamente ao mais alto cargo do Executivo, ocupado por militares desde 1964.

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15 de abril de 1990 - O adeus à solitária Greta Garbo

Morre a atriz sueca Greta Garbo. Jornal do Brasil: Segunda-feira, 16 de abril de 1990.

"Quando ela apareceu pela primeira vez nas telas americanas, foi um impacto. Quando saiu de cena para sempre, menos de 20 anos depois, o impacto não foi menor. Como se o público e o próprio cinema tivessem plena consciência de que jamais haveria outra igual. O que ainda não se sabia é que o star system, que ela ajudaria a criar com seu encanto e seu mistério, tinha a partir dali os deus dias contados. Com a morte de Greta Garbo, ontem, em Nova Iorque, aos 84 anos, a história do cinema perde não só uma de suas estrelas mais luminosas, mas seu maior mito". Jornal do Brasil

Encanto e mistério. Toda a vida de Greta Garbo, nas telas ou fora delas, parece ter se passado entre uma coisa e outra. Sua própria história já daria um grande filme. Um pouco de Cinderela, muito de mulher fatal, mas acima de tudo uma indecifrável personagem que o público aprendeu a amar à primeira vista.

A atriz sueca Greta Lovissa Gustafsson nasceu em Estocolmo. Estreou em cinema no curta-metragem Peter, o Vagabundo, depois de ser ajudante de cabeleireiro e balconista. Levada para Hollywood, reinou absoluta nas décadas de 20 e 30. De beleza indiscutível, interpretava mulheres decididas, ao contrário da tendência da época, e contracenou com os grandes astros de Hollywood, como Clark Gable e Robert Taylor. Dona de personalidade polêmica, abandonou o cinema nos anos 40 e mudou-se para Nova Iorque, passando a viver isoladamente.

Nunca se soube bem a causa de seu isolamento. Estava no auge da carreira, ganhava um dos maiores salários de Hollywood, tinha uma legião de fãs e apenas 36 anos. Em 20 anos de carreira, atuou em 27 filmes, 24 dos quais produzidos nos Estados Unidos.

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14 de abril de 1986 - Morre Simone de Beauvoir, a mulher que mudou a mulher

Morre Simone de Beauvoir, a mulher que mudou a mulher. Jornal do Brasil: Terça-feira, 15 de abril de 1986.

"Morreu numa tarde de primavera, vítima de edema pulmonar, num hospital à margem esquerda do Sena, em Paris, a escritora e filósofa Simone de Beauvoir. Exatamente um dia antes do sexto aniversário da morte do filósofo Jean-Paul Sartre. Juntos e separados eles viveram, desde 1929, um dos maiores amores do século 20". Jornal do Brasil

"Mulher não se nasce, torna-se". A frase, de Simone de Beauvoir, pedra angular de seu livro O Segundo Sexo, escrito em 1949, antecipou em 20 anos o movimento feminista. O feminismo, do qual indiscutivelmente Simone foi a grande precursora, é apenas um dos legados dessa mulher extraordinária - filósofa, escritora, militante política, defensora dos direitos do homem, amante e companheira de Jean Paul Sartre durante cerca de 50 anos, uma vida intensa que apagou-se aos 78 anos, vencida por um edema pulmonar, após uma sucessão de problemas circulatórios que a levaram ao hospital três semanas antes.

Simone Lucie Ernestine Bertrand de Beauvoir nasceu em Paris e foi professora de filosofia na Sorbonne. Estreou na literatura com o romance A Convidada (1943). Era casada com Jean Paul Sartre desde a década de 30, e, por algum tempo viveu à sombra de sua fama. O reconhecimento só viria com a publicação de O Segundo Sexo (1949), que marcaria Beauvoir como o principal nome da literatura francesa do pós-guerra, na defesa dos direitos femininos. A escritora também publicou Os Mandarins (1954), A Força da Idade (1960) e A Velhice (1970). Após a morte do marido, lançou A Cerimônia do Adeus (1981), um relato sobre os últimos anos de Sartre.

Simone de Beauvoir viveu para desmentir o dito de Stendal de que todo gênio nascido mulher está perdido para a humanidade. No caso de Simone ela não apenas transformou-se em mulher, mas por sua vida, seu pensamento e suas lutas, transformou o próprio conceito de ser mulher.



Leia também:
15 de abril de 1980 — A filosofia de Jean-Paul Sartre

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14 de abril de 1964 - O Oscar negro de Sidney Poitier

Sidney Poitier. O primeiro ator negro a conquistar o prêmio máximo da Academia de Cinema. Jornal do Brasil, sexta-feira, 16 de abril de 1964.

"Como o caminho foi longo, naturalmente tenho uma dívida com muitas pessoas, principalmente com Ralph Nelson e James Poe. E com membros da Academia. Muito obrigado". Sidney Poitier

Foi pronunciando poucas palavras de agradecimento que Sidney Poitier quebrou um dos mais arraigados tabus dos Estados Unidos e recebeu o mais cobiçado prêmio de cinema - O Oscar da Academia de Ciências e Artes Cinematográfica de Hollywood. Pela primeira vez um ator negro conseguia a estatueta de mehor ator. Poitier, que com ator coadjuvante de uma dezena de filmes sempre os roubou "pela ponta que fazia", recebeu a estatueta na 36ª cerimônia anual da Academia em Santa Mônica, Califórnia, na solenidade da noite de 14 de abril.



Modesto, mas obstinado, Poitier revelou-se em No Way Out onde que fazia um médico negro hostilizado por um médico branco (Richard Widmark) e que no fim de uma agressão a negros é obrigado a socorrer o seu colega - e o faz. Posteriormente protagonizou um jovem criado na África ao lado de um branco e que, quando eclode a revolta dos Mau-Mau, se vê obrigado a lutar contra o irmão de criação e o salva. O filme Blackboard Jungle foi uma das primeiras tentativas de integração racial. Outra tentativa foi o filme The Defiant Ones, em que Poitier interpreta ao lado de Tony Curtis um condenado foragido, onde os dois se odeiam, mas na tentativa da liberdade, acabam por estabelecer a coexistência racial pacífica.

Em 2002, durante a premiação da 74ª edição do Oscar, Sidney Poitier recebeu uma homenagem especial da Academia das Artes e das Ciências Cinematográficas por sua trajetória e apoio à abertura da indústria do cinema à diversidade racial.

Lilies of the Field


Em Lilies of the Field, Sidney Poitier interpreta um jovem pracinha que encontra numa estrada deserta do Arizona cinco freiras que não falam inglês mas que se obstinam em construir uma capela para iniciar no local a catequese. Elas não têm dinheiro, mas contratam os serviços do jovem soldado, que nada quis ganhar senão um modesto prato de comida no fim de um longo dia de serviço. Este filme de enredo singelo deu também a Sidney Poitier o Urso de Ouro do Festival de Belim de 1963.

Veja também:
10 de setembro de 1960 - Abebe Bikila e seus pés descalços conquistam Roma
4 de abril de 1968 - Martin Luther King é assassinado
31 de março de 1980 - Morre Jesse Owens, o atleta que venceu a Teoria de Hitler

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13 de abril de 1968 - Irmãos Duarte denunciam tortura

Jornal do Brasil: Domingo, 14 de abril de 1968 - página 3


Um dia após serem libertados, com vários hematomas e queimaduras de choques elétricos por todo o corpo, os irmãos Ronaldo e Rogério Duarte denunciaram as torturas que sofreram num quartel do Exército da Vila Militar onde foram advertidos que correriam risco de vida se revelassem o episódio publicamente, embora servissem de exemplo para intelectuais, padres, jornalistas e artistas.

No dia 4 de abril, Ronaldo, cineasta, e Rogério, artista plástico seguiram até a Candelária, para acompanhar a missa de 7º dia do estudante Edson Luis. Contudo, em virtude do clima de tensão evidente, acabaram desistindo e foram interceptados por agentes não identificados ao tentarem voltar para casa. Levados por uma viatura, em poucas horas, davam entrada num local soturno, que pressupunham ser, no subúrbio da cidade. Prontamente, seriam iniciados na primeira sessão de tortura das inúmeras que se repetiriam durante dias seguidos. Além de diversas formas de agressão física, foram ridicularizados sob palavras de intimidação e interrogados sobre seu envolvimento no movimento estudantil. Para cada resposta não satisfatória, os recursos de terror se intensificavam, até que exauridos os torturados e satisfeitos os torturadores, a sessão era interrompida. Nos dois últimos dias de clausura receberam tratamento dos ferimentos e hematomas. E viveram um outro tipo de experiência: a tortura psicológica. Das celas em que estavam, ouviam os gritos lancinantes de pessoas em desespero sem saber se passariam pelo processo novamente.

Na última noite, após preencherem um questionário, foram conduzidos a um matagal e deixados onde encontrava-se o carro do próprio Ronaldo. Já em liberdade, seguiram para casa.

Exército nega, mas regime recrudesce
As revelações dos irmãos Duarte causaram imediata indignação nos círculos do Exército. O relato dos dois irmãos foi apontado como contraditório. Mas, diante das marcas de hematomas e queimaduras, nas circunstâncias em que invadiram seus corpos e mentes, a confusão se justificava.

Rogério e Ronaldo foram umas das primeiras vítimas a denunciarem publicamente a tortura no regime militar. O episódio mobilizou várias lideranças. Outros crimes de torturas vieram à tona. Mas, não rechaçaram a incidência de casos que estariam por vir nem coibiram a promulgação do AI-5.

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12 de abril de 1961 - A Terra é azul!

"A Terra é azul", descreve Yuri Gagarin. Jornal do Brasil: Quarta-feira, 13 de abril de 1961

O cosmonauta Major Yuri Alekseyevich Gagarin foi o primeiro ser humano a tripular um veículo em órbita em torno da Terra. Foi um dos avanços mais extraordinários para a nossa civilização no século XX. Em uma nave espacial chamada Vostofz, pesando 5 toneladas e lançada por meio de um foguete, manteve o controle total do vôo por 1 hora e 48 minutos. A trajetória foi uma volta completa à Terra, de Leste a Oeste, sobrevoando a Asia Central e o Sul da África e da América.

A Vostok nasceu do trabalho de uma equipe liderada pelo pioneiro engenheiro aerospacial, Sergei P. Korolev. A espaconave já esteve em órbita cinco vezes, para testar a segurança do empreendimento.

Organizada de forma sigilosa, a sua confirmação só aconteceu horas antes da partida. A inédita experiência, segundo os cientistas soviéticos, abriria caminho pelo qual um astronauta poderia, em breve, chegar a outros planetas.

Com apenas 27 anos, o jovem major transformou-se em ídolo em seu país. O feito de Gagarin, mecânico metalúrgico, foi acompanhado em boletins da Rádio de Moscou. Quando se anunciou o regresso, a multidão saiu às ruas para saudá-lo como herói nacional. Depois de efetuar o histórico vôo, contou emocionado: "O céu é escuro, muito escuro, a Terra é de um azul muito claro" .

O presidente Jânio Quadros, declarou: "Em nome do Governo do Brasil, de seu povo e em nome pessoal, desejo saudar Vossa Excelência e os cientistas soviéticos pelo envio de um astronauta em órbita da Terra, feito extraordinário destinado a rasgar, para o homem e para o progresso, novos e ilimitados horizontes. Ao povo russo nossos sinceros cumprimentos e votos de felicidades".

Aberta a era dos vôos cósmicos

A preparação teórica do primeiro vôo cósmico começou em fins do século XIX. O cientista russo K. E. Tsiolkovsky, pioneiro no estudo da dinâmica dos foguetes e da cosmonáutica, predisse que o homem um dia transportaria os limites da atmosfera. Tsiolkovsky não apenas calculou com precisão assombrosa as forças que o homem teria de vencer nessa aventura, como previu os meios técnicos necessários para fazê-lo. Foram necessários 70 anos para que se tornasse realidade o sonho deste cientista, que combinava o otimismo genuino com a frieza dos cálculos matemáticos nos seus planos.

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11 de abril de 1973 - Portela, o berço do samba é lá

4 de março de 1973 - Desfile da GRES Portela. CPDoc JB
"Neste meio século,
da casa modesta
da baiana festeira
Ester Maria de Jesus
à suntuosa Academia
Natalino José do Nascimento;
de Paulo Benjamim de Oliveira
a Paulinho da Viola;
de Madureira à Avenida;
a Portela mostrou o samba
ao mundo inteiro
- tema do seu primeiro
desfile oficial, em 1935 -
e o transporta agora
ao território imaginário de Passárgada,
sonhado por Manoel Bandeira".

DPD - JB

No ano do cinqüentenário da Portela, o Jornal do Brasil recontou a história do alvorecer da Azul e Branco na vanguarda do carnaval carioca numa matéria especialmente editada para presentear os integrantes da Escola. Não publicado, o material acaba de ser resgatado pelo CPDoc JB em homenagem ao seu 85º aniversário.

O berço deste gigante do samba foi um chalé em Osvaldo Cruz, na zona norte da cidade, onde Ester Maria de Jesus, no início dos anos 20, organizou o bloco Quem Fala de Nós Come Mosca, para desfilar pelo subúrbio. Mais tarde, já conhecido como Baianinhas de Osvaldo Cruz, passou a concorrer nos desfiles da Praça Onze. Integravam-no, entre outros, Paulo Benjamim de Oliveira, Antônio Caetano, Natal, Heitor dos Prazeres e Antônio Rufino dos Reis, bambas que fundaram, em 11 de abril de 1923, o Conjunto Carnavalesco Osvaldo Cruz na Estrada do Portela, na vizinha Madureira. Em 1928, a escola passou a se chamar Vai Como Pode, inaugurando o rol de títulos no primeiro desfile oficial de escolas de samba, em 1935, com o enredo O Samba Dominando o Mundo, de Paulo Benjamim de Oliveira e Antônio Caetano. A Portela, 21 vezes campeã do carnaval, contribuiu para a consolidação do samba como força popular e elemento de organização social.

O incidental nome coberto de glórias
Em março de 1935, em decorrência dos preceitos morais que o regime político vigente procurava incentivar, o chefe da polícia da Delegacia de Costumes e Diversões, Dulcídio Gonçalves recusou-se a renovar a licença da Vai Como Pode com este nome. Ele considerava a expressão ordinária e indigna às finalidades da associação. Sem conseguir dos sambistas presentes uma pronta sugestão, foi do próprio inspetor a solução, sugerindo a denominação Grêmio Recreativo e Escola de Samba Portela, em homenagem à rua de Madureira, endereço da sede onde se reunia a nata do samba da comunidade.

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10 de abril de 1972 - Corpo de D. Pedro I parte para o Brasil

Jornal do Brasil

No dia 10 de abril os restos mortais de Dom Pedro I deixaram Portugal embarcados em um navio com destino ao Brasil. À bordo do mesmo navio estava o Presidente português, Américo Tomas, que tinha a missão simbólica de entregar o corpo do ex-monarca ao presidente do Brasil, Médici, no dia comemorativo do “Descobrimento”, 22 de abril.

Canhões dos navios de escolta de Portugal e do Brasil deram salvas de canhão no momento em que eram embarcados no Funchal os restos mortais do homem que proclamou a Independência do Brasil (1822). O embarque dos despojos de D. Pedro foi precedido de uma cerimônia na cidade do Porto que durou uma hora e foi assistida por apenas 50 pessoas, entre as quais o Embaixador do Brasil em Lisboa, Sr. Gama e Silva e membros da familia real.

No Brasil, o corpo de D. Pedro seria recebido com festividades. Na véspera da data oficial, o Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, sediaria a abertura das comemorações, à qual seria assistida por mais de 70 mil crianças de escolas públicas. No dia 22, com o desembarcar do presidente português e o corpo de Pedro, vários pontos da cidade sediariam distintas comemorações. Até o dia 25 do mesmo mês, os restos do ex-Imperador permaneceriam na Quinta da Boa Vista, da onde partiriam para o Rio Grande do Sul, em seguida.

Ao vir para o Brasil, D. Pedro deixava para trás seu coração. O lugar escolhido para abrigar o coração do falecido Imperador do Brasil foi a igreja da Lapa, no Porto, ficando separado de seu corpo por um imenso oceano. A razão desta separação foi que Dom Pedro amou seus dois países. A um, deu a independência, ao outro foi reconquistar, quando o pequeno Portugal sofria com a morte de D. João (1826) e temia a ascensão do caçula D. Miguel.]

Dom Pedro morreu no Porto, em 1834, e sua memória permaneceu viva tanto nos corações dos brasileiros quanto no do povo português.

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9 de abril de 1965 - Um moço de 74 anos

"Sempre correspondendo do melhor modo à confiança do público, como prometeu no seu primeiro editorial, ao ser lançado à publicidade na quinta-feira pela manhã, 9 de abril de 1891 - o JORNAL DO BRASIL entra hoje no seu 75º ano de atividades em defesa das instituições republicanas, do regime democrático, do bem-estar do povo e do progresso do país".
Jornal do Brasil

Primeira página do Jornal do Brasil: sexta-feira, 9 de abril de 1981
Na linha de frente
do jornalismo brasileiro,
o Jornal do Brasil
percorreu sua história
dentro do espírito
de constante renovação
gráfica e editorial,
atuando incondicionalmente na defesa do bem público e das instituições nacionais.

Por ocasião da sua fundação, e mesmo apoiando o regime monárquico, afirmou no editorial de estréia que apesar de não ter participado do processo de instauração da república, se empenharia, em nome do patriotismo, em cooperar com a sua consolidação. Pouco depois, se lançou em outra campanha, combatendo com vigor o projeto de transferência da Capital do País para o Planalto Central, por considerá-lo prejudicial aos interesses do Rio de Janeiro e do seu povo. A questão, originalmente defendida pelo Marques de Pombal, voltou a ser discutida na elaboração da primeira constituição republicana, o primeiro processo político constituinte coberto pelo Jornal do Brasil.



Sem descanso, levantou a bandeira da urbanização da cidade, lançando a coluna Melhoramentos Urbanos. No plano nacional, apoiou a expansão da colonização do Brasil com a utilização de mão-de-obra estrangeira, a construção de estradas e a melhoria dos serviços de transmissão de notícias. Publicou a sua primeira edição especial, O Grande Morto - com o anúncio da morte de D. Pedro II na Europa. Assim o Jornal do Brasil escreveu o seu primeiro ano de vida, com a chefia de redação ocupada por Rui Barbosa, que afirmava: "O Governo, ou a Oposição, não tem para nós senão a cor da lei que envolve o procedimento de um, ou as pretensões da outra; fora do terreno jurídico, nossa inspiração procurará beber sempre na ciência, nos exemplos liberais, no respeito às boas praxes antigas, na simpatia pelas renovações benfazejas, conciliando, quanto possível, o gênio da tradição inteligente coma prática do progresso cautelo".

Os desafios não cessaram. Ainda no século XIX o jornal ganhou popularidade ao protagonizar uma pesquisa de opinião pública questionando as preferências políticas dos seus leitores. No alvorecer do século XX, manteve-se firme na luta por seus ideais. Liderou iniciativas de saneamento e modernização da cidade. Chamou atenção para os problemas sociais refletidos no crescimento das favelas, apontando o descaso do poder público. Instituiu concursos populares sorteando casas. Estabeleceu ações em favor da preservação das pequenas sociedades carnavalescas sem reconhecimento oficial. Promoveu a construção de coretos para animar o carnaval de rua, e realizou o Primeiro Campeonato Carnavalesco das Grandes e Pequenas Sociedades em 1920.
Primeira página do Suplemento Dominical: sábado, 20 de março de 1959

Na década de 50 o Jornal do Brasil liderou a revolução gráfica e editorial da imprensa brasileira, tornando-se referência e inspiração para os demais jornais do país.

Nos dias da construção de Brasília, da gestação do Cinema Novo, da intimidade da Bossa Nova e da expansão industrial do país, criou o Suplemento Dominical para valorizar a criatividade em experiências gráfico-editoriais.


Esse espaço abrigou a explosão da nova cultura brasileira, abrangendo as artes visuais e a literatura, com destaque para a poesia concreta.

O suplemento floresceu apoiando decididamente a inovação, acolhendo sem reservas experimentações das mais diversas tendências artísticas e literárias.
Primeira página do Jornal do Brasil do Caderno B: Quinta-feira, 15 de setembro de 1960



E em pouco tempo, a efervescência cultural em evidência no país ganhou lugar cativo e definitivo com o lançamento do Caderno B, primeiro suplemento diário de cultura do jornalismo brasileiro, o qual abrigaria os principais momentos da cultura no Brasil a partir da segunda metade do século XX.



Nos anos 60, a ousadia editorial do Jornal do Brasil atingiu o cerne da notícia, com a implementação de um novo modelo de jornalismo: mais vibrante, mais noticioso, mais reflexivo e, sobretudo, mais voltado para o cidadão. O Departamento de Pesquisa e Documentação (DPD) conquistou então o seu espaço nas páginas do jornal, tornando-se uma nova editoria. De plantão, e em edições extraordinárias, a publicação das matérias do DPD sinalizou a vanguarda do Jornal do Brasil no aprofundamento da informação jornalística, com a interpretação dos fatos e a inserção da notícia em seu contexto histórico, com o propósito de integrar e reconciliar o homem desinformado com o seu tempo, quebrando a barreira entre os acontecimentos e suas implicações.

Em 1965 o Jornal do Brasil mantinha-se em plena atividade: inovador e atuante, como ficou registrado no documentário Um Moço de 74 Anos, do cineasta Nelson Pereira dos Santos, e a própria história se incumbiu de constatar. Nos anos seguintes, o jornal testemunharia os fatos mais marcantes da segunda metade do século XX no Brasil e no mundo. Aplaudiria as lutas democráticas e de independência dos povos, apoiaria as manifestações sociais contra a opressão e pela justiça em todos os planos. Incansável, não hesitou em noticiar a verdade dos fatos, independente das circunstâncias em que se apresentassem.



Comemorações do IV Centenário da Cidade do Rio de Janeiro

Jornal do Brasil: Sexta-feira, 9 de abril de 1965


"Rio Branco desde
21 de fevereiro de 1912,
em memória do Barão,
ela volta a ter,
a partir de hoje,
por iniciativa
da gente cá de casa,
o nome simples
que o povo lhe deu em 1905,
quando foi inaugurada:
Avenida Central."

Jornal do Brasil

Uma placa devolvendo à Avenida Rio Branco o seu nome original de Avenida Central foi descerrada na esquina com a Avenida Presidente Vargas. Uma iniciativa do Jornal do Brasil no dia do seu 74º aniversário, compreendida entre as homenagens pelo 4º centenário da fundação do Rio de Janeiro, celebrado nesse ano. Entre as comemorações figuravam igualmente uma série de fascículos sobre a história do Rio, e o curta-metragem O Rio de Machado de Assis, de Nelson Pereira dos Santos, revisitando lugares e fatos da cidade vividos pelo grande escritor, um dos seus mais célebres filhos.


CPDoc JB - a memória viva do Jornal do Brasil

A memória dos 117 anos de história do Jornal do Brasil mantém-se viva no Centro de Pesquisa e Documentação do Jornal do Brasil (CPDoc JB), orgão responsável pela guarda e administração do acervo jornalístico do Jornal do Brasil. Este acervo compreende a coleção centenária, os arquivos fotográfico e textual, e a biblioteca de referência. O arquivo de fotos armazena mais de dois milhões de fotos em papel e 13 milhões em negativos produzidos a partir da década de 50, organizados por assunto, com ênfase em personalidades e eventos relevantes da vida política, econômica e cultural do país. O arquivo de textos guarda recortes dos principais jornais e revistas, nacionais e internacionais, catalogados por temas, reunidos desde a década de 60. A coleção centenária é formada por originais impressos do Jornal do Brasil e respectivos microfilmes, desde a sua fundação até o presente. Está acondicionada de maneira apropriada e organizada cronologicamente.

O CPDoc JB atende aos diversos veículos do Grupo CBM e a clientes externos na realização de pesquisas documentais, textuais e fotográficas, recentes e históricas.

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8 de abril de 1973 - Um gênio que criou até o fim

Jornal do Brasil: 9 de abril de 1973

Estava em plena atividade, talvez em mais uma das suas muitas fases criativas, pintando temas de paisagens e crianças que comporiam os 201 quadros e desenhos a serem mostrados em junho, no Festival de Avignon. Pablo Picasso morreu aos 91 anos, vitimado por um edema pulmonar. Em idade avançada, sem ter sido velho um instante sequer.

Na sua obra monumental se incluem-se entre 13 e 14 mil pinturas e desenhos, 100 mil gravuras, 34 mil ilustrações de livros, e 300 esculturas e cerâmicas. Obteve dois grandes prêmios: o Carnegie Award (1930) e o Prêmio Lenin (1962).

Picasso foi um grande artista, que encheu o século com suas cores e suas formas, suas pesquisas, suas audácias e sua personalidade viva. "Toda pessoa que mereça ser chamado de pintor deve produzir pelo menos um quadro e vários desenhos por dia" - repetia Picasso.
Discutido, criticado, combatido, Picasso foi o único artista vivo a entrar para o acervo do Museu do Louvre, o qual lhe abriu as portas quando completou 90 anos.

Comunista militante, apoiou os combatentes que defendiam a República Espanhola, finalmente derrotada pelas tropas do General Franco na Guerra Civil Espanhola (1936-1939). Picasso jurou que jamais pisaria o solo espanhol "enquanto lá existisse a ditadura franquista". E cumpriu o juramento, pois nunca retornou à Espanha.

O seu grande mural Guernica, elaborado para condenar o bombardeio aéreo dessa pequena e indefesa cidade do País Vasco durante a Guerra Civil, tornou-se um ícone universal contra os horrores da guerra moderna.

Um dos grandes artistas do século XX, deixou uma imagem de irreverência e de vitalidade incontida, que se confundia numa lenda: a lenda de Picasso.


Picasso: Homem feito lenda

Jornal do Brasil: 9 de abril de 1973




Picasso nasceu em Málaga, sul da Espanha, a 25 de outubro de 1881. Filho de José Ruiz Blanco, um pintor profissional e professor de História da Arte, e de Maria Picasso López, senhora de terras e vinhas herdadas do avô que emigrara para Cuba sem dar jamais qualquer sinal de vida. Picasso elegeu o nome de sua mãe como seu nome profissional em homenagem àquela que descobriu suas virtudes.

Considerado um dos artistas mais versáteis de todo o mundo, passou por vários estilos na pintura, entre eles o cubista, o surrealista e o expressionista. Produziu também esculturas e cerâmicas.


Amanhã: Em 1965 - Um moço de 74 anos

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Cacilda Becker completaria 90 anos de vida



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7 de abril de 1976 - Mostra 70 anos de Belas-Artes

Jornal do Brasil: quarta-feira, 7 de abril de 1976


Fotos de época, documentos e recortes de jornais compuseram a exposição inaugurada no saguão principal do Museu de Belas-Artes, em comemoração aos 70 anos de lançamento da pedra fundamental do edifício sede da instituição cultural. O destaque da mostra foi a exibição da edição publicada pelo Jornal do Brasil em 8 de abril de 1906, no dia seguinte àquela solenidade, narrando o episódio e revelando a presença de pessoas ilustres como o Presidente da República Rodrigues Alves, o Prefeito Pereira Passos e o Engenheiro Paulo de Frontin.

O prédio se destinava, originalmente, a abrigar a Escola Nacional de Belas-Artes, dirigida pelo escultor Rodolfo Bernadelli, que, com seu prestígio conseguiu promover a expansão física da instituição através de um projeto assinado pelo arquiteto e professor Morales de Los Rios. Uma arquitetura influenciada pelo renascimento francês, inspirada no Louvre de Paris: abóbodas em forma de barrete; fachadas ornamentadas com medalhões e afrescos; desenhos simbolizando artistas renomados decorando as laterais do prédio. Em 13 de janeiro de 1937, mediante um decreto-lei, o prédio desvinculava-se da Escola e passava a se chamar e a funcionar como Museu Nacional de Belas Artes.

A origem do acervo do Museu prende-se à vinda da Família Real ao Brasil (1808), quando chegou aqui o conjunto de obras de arte proveniente de Portugal. Mérito de D. João VI, incentivador e promotor das artes, que poucos anos trouxe para o Brasil a Missão Artística Francesa, um grupo de hábeis artistas expulsos por Napoleão da Europa, liderados por Joaquim Lebreton. Era o começo da formação da mais importante pinacoteca da História do Brasil.

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6 de abril de 1992 — Fujimori dá golpe no Peru

Jornal do Brasil

O presidente do Peru Alberto Fujimori dissolveu o Congresso, impôs censura à imprensa, prendeu líderes políticos, suspendeu artigos da Constituição e instituiu uma ditadura com o apoio das Forças Armadas. O Congresso e o Palácio da Justiça (sede do Judiciário) amanheceram cercados por tanques e tropas do Exército.

O jornal La Republica saiu com as duas primeiras páginas praticamente em branco. O jornal El Comercio publicou em suas páginas. O jornalista Gustavo Gorriti, correspondente do Jornal El Pais, foi preso. No discurso transmitido pelo rádio e pela a TV, Fujimori disse que o país não poderia continuar a ser enfraquecido pelo terrorismo, pelo tráfico de drogas e pela corrupção. As Forças Armadas divulgaram um comunicado apoiando a ação do presidente.

A economia peruana enfrentava um séria crise, com hiperinflação e 90% da população desempregada ou subempregada. O salário mínimo de 30 dólares não pagava nem 10% da desta básica. O Sendero Luminoso, guerrilha de orientação maoísta apelidada de Khmer latino, como alusão ao Khmer vermelho do Camboja, havia matado em 12 anos cerca de 25 mil pessoas.

O escritor Vargas Llosa, derrotado por Fujimori nas eleições presidenciais, pediu à comunidade internacional que rompesse relações com o seu país, como represália ao fechamento do Congresso.

O antecessor de Fujimori, Alan García teve de fugir do país para escapar da prisão.
Depois de deixar a presidência em 2000, em meio a acusações de violações de direitos humanos e corrupção, Fujimori pediu asilo ao Japão. Este ano, voltou ao Peru para ser julgado pelo massacre de 25 pessoas e pelo sequestro de dois opositores.

Violações aos direitos humanos

Fujimori contou com a colaboração do general Nicolás Hermoza Ríos e de Vladimiro Montesinos, que chefiou a polícia política Colina. Em 1996, o drama dos 490 reféns, que a guerrilha Tupac-Amaru manteve em seu poder por vários meses na embaixada japonesa, desencadeou uma crise política da qual Fujimori saiu fortalecido.

Os guerrilheiros exigiam a libertação dos seus companheiros e protestavam contra as péssimas condições em que a população vivia. Fujimori ordenou a execução de 14 membros da Tupac-Amaru e libertou os reféns.

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5 de abril de 1982 - Pra Frente Brasil tropeça na Censura

Primeira página do Caderno B do Jornal do Brasil, 6 de abril de 1982

"Penso que um país que caminha para a democracia, firmemente conduzido pelo Presidente Figueiredo, que reiterou diversas vezes essa intenção, não deve temer o filme. Pra Frente Brasil não é um incitamento à derrubada da ordem vigente, pelo contrário. É um filme contra a violência, e acredito que todos os brasileiros sejam contra a violência. Somente por essa razão é que se caminha para uma democracia". Roberto Faria

O filme Pra Frente Brasil, de Roberto Faria, vencedor dos prêmios de melhor filme e melhor edição do Festival de Gramado de 1982, foi vetado pela Divisão de Censura, da Polícia Federal, no momento em que se expirava, por lei, o prazo de 20 dias para que o órgão emitisse seu parecer sobre a obra. O anúncio da interdição no Brasil foi feito pelo chefe do gabinete do Ministério da Justiça e presidente do Conselho Superior de Censura, Euclides Mendonça. Os censores, baseados no Decreto 20.496, de 24 de janeiro de 1946, alegaram o poder da obra em provocar incitamento contra o regime, a ordem pública, as autoridades e seu agentes. Era a primeira grande proibição política, depois da abertura.

Pra Frente Brasil foi o primeiro filme nacional a tratar diretamente, sem alegorias, da vida política no país durante os anos 70.

Os extremos na vida de um mesmo país
Reprodução da cena do filme Pra Frente Brasil. Acervo CPDoc JB


No ano de 1970, em meio à euforia do milagre econômico, enquanto o Brasil vibra com a seleção de futebol no México, residências são violadas, famílias se fragmentam, destinos se interrompem. Prisioneiros políticos vivem as mais desumanas experiências de tortura nos porões da ditadura militar. É nesse contexto que Pra Frente Brasil retrata a peregrinação de uma família classe média que, em virtude do desaparecimento de um de seus integrantes (confundido com um ativista político) descobre uma outra realidade nacional na clandestinidade.

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04 de abril de 1991 - Pepê morre em céus japoneses

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4 de abril de 1968 - Martin Luther King é assassinado

Líder da luta pelos direitos civis, Martin Luther King foi assassinado com um tiro no pescoço. Encontrava-se sozinho na varanda do hotel em que se hospedara, em Tennessee, quando foi alvejado. Conduzido imediatamente ao hospital, morreu instantes após ser internado, sem dizer uma só palavra, nem esboçar qualquer gesto.

Assim que a população tomou conhecimento do assassinato ocorreram saques, tiroteios e incêndios. O presidente em exercício, Lindon Johnson, falando pelo rádio e televisão ao País, fez um apelo para que o povo evitasse a violência além de pediu a união de todos os americanos no luto pela morte do líder. Apóstolo da não-violência, Luther King discordava dos líderes mais radicais do Poder Negro, sem fugir ao diálogo com eles. Como uma espécie de ponte entre radicais e conservadores, conseguiu se afirmar na liderança negra de maior prestígio no país e no exterior.

Seguidor de Gandhi, Martin Luther King morreu do mesmo modo que o seu mestre, 20 anos antes: assassinado. Sua devoção pelos da não-violência se manifestou quando o futuro líder pacifista, aos 20 anos de idade, ouviu uma conferência sobre Mahatma Gandhi na Universidade de Harvard. Nasceu em 1929 em Atlanta e era filho e neto de pastores da Igreja Batista. Tornou-se um dos mais importantes líderes do ativismo pelos direitos civis através de campanhas pela não violência e de amor para com o próximo. Luther King conferenciava com Ministros de Estado e várias vezes foi chamado para discutir problemas com Kennedy e Johnson. Em 1964, recebeu das mãos do Rei Olavo, da Noruega, o Prêmio Nobel da Paz, além de ter sido galardoado em seu país mais de 40 prêmios por suas atividades em prol da democracia.

Violência toma as ruas do Rio

No Rio de Janeiro, no instante em que os últimos fiéis deixavam a missa celebrada em memória de Édson Luís, as portas da igreja foram fechadas e um esquadrão de cavalaria, a galope, imprensou o povo contra o templo. Os padres escoltaram os estudantes até a Av. Rio Branco, formando um corredor de mãos dadas. Em frente ao Jornal do Brasil na mesma Rio Branco, a violência começou.

Viu-se então na Avenida e em ruas transversais, grupos de pessoas acuadas pelas bombas de gás e pela Polícia Montada. A Rádio JB foi silenciada por divulgar a agressão. O número de prisões deste dia dia chegou a 680.

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3 de abril de 1948 - Truman assina lei de auxílio

Primeira página do Jornal do Brasil: Domingo, 4 de abril de 1948

"Poucos presidentes tiveram a oportunidade de assinar uma lei de tal importância... É a resposta dos Estados Unidos ao desafio que o mundo livre hoje enfrenta. É uma medida para a reconstrução, a estabilidade e a paz do mundo. Seu objetivo maior é assistir à preservação das condições sob as quais as instituições livres podem sobreviver". Harry Truman

O Presidente Truman assinou a Lei de Auxílio, mais tarde conhecida como a Doutrina Truman, aos países estrangeiros. Entre seus propósitos estava a autorização para a execução do Plano Marshall. A ação de recuperação européia previa uma doação norte-americana na ordem de seis bilhões de dólares em investimentos, além de outros benefícios para superar o mal-estar econômico-financeiro que assolava o mundo no Pós-Guerra. Os maiores favorecidos foram a Inglaterra, a França, a Itália e a Alemanha. O aporte inicial priorizou a compra de alimentos, rações e fertilizantes. Logo depois, investiu-se em matérias-primas, semi-industrializados, combustíveis e máquinas.

Em face da devastação resultante da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o Velho Continente vivenciou contínuas manifestações de contestação aos governos constituídos. As reivindicações mais incidentes refletiam a realidade caótica instaurada no continente: as necessidades sociais gravíssimas estendiam-se a todos os setores da vida européia. Nesse panorama, os Estados Unidos perceberam uma oportunidade de garantir o futuro do capitalismo, estreitar relações com os países europeus e manter o ritmo das exportações conquistado com o fomento do conflito mundial. Tal manobra foi uma resposta à expansão da União Soviética, que conquistava partidários do comunismo em todo o continente.

A supremacia americana na Europa

Durante os quatro anos de ação do Plano Marshall, o governo norte-americano investiu aproximados 17 bilhões de dólares na reconstrução da Europa Ocidental.

A partir da entrada dos recursos, o resultado foi quase que imediato. Com a retomada de fôlego, os países beneficiados reergueram os seus meios de produção e reorganizaram o comércio interno. Por outro lado, o grande favorecido com a estratégia foi o seu próprio idealizador. Os Estados Unidos garantiram a exportação de seus excedentes, autenticaram o seu prestígio, e consolidaram sua hegemonia na Europa Ocidental.

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2 de abril de 1983 - A morte de Clara Nunes

Clara Nunes passou 28 dias em estado de coma profundo depois de submeter-se a uma operação de varizes. No seu último show no Portelão, em Madureira, com a velha guarda da escola do seu coração, ela prometeu voltar no 1º domingo de abril. Voltou com um dia de antecedência, para ser velada por cerca de 50 mil pessoas, num Sábado de Aleluia nublado, na quadra se apresentou. Os fãs enfrentaram sol, chuva, brigas e empurrões, e por duas vezes o caixão balançou, quase caiu.

Os fãs cantavam a Valsa do Adeus quando o caixão foi fechado. O surdo da Bateria da Portela marcou a saída de Clara Nunes pela última vez da quadra da escola. O prefeito em exercício, Jamil Haddad, decretou luto oficial por três dias.

Clara Nunes nasceu na cidadezinha mineira de Paraopeba, em 1943. Mudou-se aos 14 anos, já orfã de pai, o violeiro Mané Serrador - cantador de folias-de-rei, para Belo Horizonte, e foi cantar no coral de uma igreja. Em 1960 Clara saia do anonimato quando conquistou o terceiro lugar na finalíssima nacional do concurso A Voz do Ouro ABC, cantando a Serenata do Adeus de Vinícius de Moraes. O salto para a projeção nacional foi em 1965, já no Rio de Janeiro, quando iniciou a longa parceria de 17 anos com a gravadora Odeon.

Foi uma grande profissional do disco e uma estrela de primeira grandeza do palco. Em 1972, no Teatro Glauce Rocha, dividiu espetáculos com Vinícius e Toquinho, e com Paulo Gracindo. Como testemunho de sua coragem e de sua dedicação à vida artística, em 1977, Clara Nunes inaugurou seu teatro no Shopping da Gávea, Rio de Janeiro com o espetáculo Canto das 3 Raças. Em 1981 levou milhares de pessoas ao Teatro Clara Nunes, para vê-la no show Clara Mestiça.


Uma desbravadora iluminada

Foi a primeira voz feminina a romper a barreira dos 100 mil discos, uma regra imutável dos corredores das gravadoras que dizia que mulher não vendia discos. Lançou para o sucesso de massa nomes idolatrados do mundo do samba. Gravou Candeia, Nelson Cavaquinho, Monarca, Dona Ivone Lara, Elton Medeiros, Paulinho da Viola, João Nogueira entre muitos outros da nata dos autores do gênero. Também passeou por outras veredas da música popular brasileira, sempre com resultados brilhantes. Clara deixa um rastro de luz pelo caminho artístico que soube cavar com energia, coragem e fé.

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1º de abril de 1964 - Jango desiste e sai de cena

Primeira página do Jornal do Brasil: 3 de abril de 1964
"Considera-se o JORNAL DO BRASIL, em condições de absoluta autoridade para pregar a estrita solução legal, depois de reiteradamente e às custas dos maiores riscos, declarar a incompatibilidade do ex-Presidente João Goulart com o regime representativo. Em nenhum momento, por mais longe que houvéssemos caracterizado na ênfase da nossa luta, pretendemos ou sequer insinuamos uma conseqüência fora da lei para remediar o imenso mal causado aos interesses do País e do povo em todo o curso do pesadelo janguista... A Nação está convicta de uma nova era". Jornal do Brasil



Com ou sem renúncia expressa, João Goulart não era mais o presidente do Brasil. Do Rio de Janeiro, deslocou-se para Brasília, e de lá para o Rio Grande do Sul, onde desistiu de organizar uma estratégia de resistência ao golpe instituído contra seu governo. Na capital federal, Auro de Moura Andrade declarou vago o cargo de presidente e seguiu a prática Constitucional, empossando Ranieri Mazzili, que era o presidente da Câmara do Deputados.

O governo norte americano foi o primeiro a reconhecer a nova situação. Consolidava-se a reação conservadora, comandada pelos militares, que eliminavam definitivamente o populismo, abalado há muito tempo por suas próprias contradições internas.

O movimento militar deflagrado na véspera foi uma clara resposta às últimas medidas tomadas pelo Presidente João Goulart, entre elas: o decreto que pretendia dar início à Reforma Agrária, previa a encampação de refinarias particulares de petróleo e o tabelamento dos aluguéis, além de sua recente participação na reunião dos marinheiros e sargentos do Automóvel Clube.

Irritada, a cúpula militar entrou em ação. Nas primeiras horas do dia 31 de março, a guarnição do Exército em Juiz de Fora (MG), sobre o comando dos generais Olímpio Mourão Filho e Carlos Luís Guedes, rebelou-se contra o governo federal, dando início a uma marcha em direção ao Rio de Janeiro. Jango enviou tropas para conter os militares mineiros, porém, ao invés de defender o governo, os soldados aderiram ao levante que chegou com força máxima ao Rio. A essa altura, sem conta com o apoio popular esperado, Jango reconheceria que lutar para manter o governo significaria desencadear uma guerra civil e retira-se de cena, consolidando o desfecho do golpe.

A vida e a morte longe do Brasil
Protagonista de uma gestão conturbada na Presidência da República (1961-1964), sempre em conflito com frentes militares, o gaúcho de São Borja João Goulart, seguiu para o Uruguai em 4 de março de 1964 em busca de asilo político. Dois anos depois tomou parte na Frente Ampla, movimento político que tinha como objetivo lutar pela pacificação política do Brasil com a plena restauração do regime democrático. Com o precoce fim da Frente, teve as atividades políticas suspensas. Em 1973 foi morar na Argentina onde morreu em 1976, sem ter conseguido regressar ao Brasil.

Confira aqui notícias sobre O último discurso de Jango em 13 de março de 1964

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