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31 de agosto de 1997 - Paparazzis perseguem Diana até o fim

Jornal do Brasil: 1º de setembro de 1997

"A princesa deu uma grande contribuição para aliviar o sofrimento dos pobres doentes e fracos em todo o mundo. Seu firme compromisso com a proibição de minas terrestres não apenas ajudou a colocar esta causa no topo da agenda humanitária, mas conquistou os corações de milhões de pessoas em todo o mundo". Kofi Annan

Com a mesma singeleza que participava de campanhas humanitárias e cintilava em sofisticados eventos da alta sociedade mundo afora, Lady Diana, 36 anos, despediu-se da vida como a rainha dos sonhos de todo o mundo. Vítima de grave acidente envolvendo o carro em que estava com mais três pessoas em Paris, a princesa não resistiu aos ferimentos após ser socorrida no hospital Pitié-Salpêtrière. Dois outros ocupantes do veículo, seu namorado egípcio Dodi A-Fayed e o motorista Henry Paul morreram no local do desastre. Somente o guarda-costas de Dodi, Trevor Rees-Jones, sobreviveu.

Jornal do Brasil: 1º de setembro de 1997
"Eu quero que as pessoas
se lembrem de mim
como alguém
que se importava com elas
".
Princesa Diana

Para acompanhar toda a evolução do episódio, o JB chegou às bancas em 4 edições extras naquele domingo, todas se esgotando rapidamente. As primeiras informações sobre sua morte cogitavam que o motivo da tragédia teria sido uma tentativa mal sucedida do grupo de despistar um paparazzi.



A comoção pela tragédia de Diana atingiu dimensões jamais presenciadas entre os britânicos, tradicionais por seu controle emocional e postura austera. Nos jardins do Palácio de Kensington, residência oficial de Diana desde o fim de seu casamento com o Príncipe Charles, a quantidade de flores depositadas foi tão grande que houve a necessidade de um caminhão para transportá-las. Também mensagens, bichos de pelúcias, velas, demonstraram o carinho e a admiração pela princesa. Mas o povo inglês não sofreu sozinho.

A homenagem e o pesar ecoaram em vários países. E com mesma força, irradiou-se a indignação contra a mídia sensacionalista que, com recursos inescrupulosos de fazer notícia, focou na imagem da princesa um dos seus principais e mais ostensivos alvos.

Uma homenagem especial
Elton John fez para Diana uma versão de Candle in the Wind (composta por ele originalmente por ocasião da morte da atriz Marilyn Monroe) e a interpretou no funeral. O single foi um dos mais vendidos da história, com renda destinada a projetos sociais.

E, mesmo após as polícias francesa e britânica terem concluído que a morte de Lady Di foi um acidente, outras teorias ainda são cogitadas, refletindo a desconfiança da sociedade.

Outras efemérides de 31 de agosto:



1980 - A descoberta do líder Walesa
1994 - O IRA anuncia uma trégua na Irlanda do Norte

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30 de agosto de 1972 - Morre Dalva de Oliveira

A morte de Dalva de Oliveira. Jornal do Brasil: Quinta-feira, 31 de agosto de 1972.

A morte chegou para Dalva de Oliveira, 55 anos, no final da tarde de uma quarta-feira que estava fria e chuvosa, e após diversas hemorragias provocadas por varizes no esôfago. O velório da cantora aconteceu no Teatro João Caetano. Em fila e sem tumulto, mais de 2 mil pessoas aguardaram sua vez de chegar bem perto ao caixão para despedir-se da cantora. Seu corpo enterrado num jazigo perpétuo do Cemitério Jardim da Saudade, homenagem do Retiro dos Artistas.

Villa-Lobos a considerava a melhor cantora popular brasileira. Juscelino Kubitschek certa vez telefonou de Paris diretamente para o Hospotal Miguel Couto, onde ela estava internada após um acidente de trânsito. Uma espécie de Edith Piaf nacional, Dalva retirava da própria vida - marcada pela tragédia, a frustração amorosa e uma incrível capacidade de estar sempre recomeçando - a força da sua arte. Em nenhuma outra cantora brasileira os dizeres das canções guarda tanta intimidade com a história pessoal de sua intérprete.

Vicentina de Paula Oliveira nasceu no dia 5 de maio de 1917, em Rio Claro, interior paulista. Filha do saxofonista Mário de Oliveira, cresceu acompanhando o grupo musical do pai. Com a morte dele, foi para um orfanato, onde aprendeu piano, órgão e canto.
No final dos anos 20, seguiu para São Paulo com a mãe, e começou a trabalhar como faxineira numa escola de canto. Nas horas vagas, improvisava no piano. Descoberta, foi convidada a participar de uma turnê com o grupo de Antonio Zoveti. Em 1933, fez um teste de cantora na Rádio Mineira e adotou o nome de Dalva de Oliveira. Depois foi a vez de conquistar o Rio de Janeiro. Em 1935 já estava na Rádio Mayrink Veiga, em menos de um ano, já era sucesso estrondoroso nas rádios de todo o Brasil.

Num show de teatro ainda nos anos 30, conheceu o compositor Herivelto Martins, seu primeiro marido. Formaram um trio com Nilo Chagas, originalmente intitulado Dalva de Oliveira e a Dupla Petro e Branco. Mais tarde, ouvindo conselhos de um empresário musical, mudaram para Trio de Ouro. Durante os quase 15 anos que permaneceram juntos, mantiveram-se como um dos mais importantes conjuntos vocais da música popular brasileira.



Outras efemérides de 30 de agosto:

1961: Jornal do Brasil não circulou
1993: O massacre em Vigário Geral
1999: Timorenses votam pela independência

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29 de agosto de 1982 - Morre Ingrid Bergman

Jornal do Brasil - Terça-feira, 31 de agosto de 1982 - Caderno B

Ingrid Bergman foi uma mulher que nunca desistiu. Morreu no dia que comemorava 67 anos de vida. Em sua biografia editada no Brasil com o título de A História de uma Vida – referiu-se com nobreza a tudo que fez, nos deixando um admirável exemplo de coragem, perseverança e amor a vida. Enfrentou o câncer por seis anos, trabalhando até o último ano de vida em uma superprodução para a televisão representando o papel do Golda Meir.

Alfred Hitchcock dizia que era capaz de se superar a cada filme pois vivia caminhando para a perfeição. Seu primeiro filme nos EUA em 1939 foi uma nova versão de Intermezzocom Leslie Howard. Conquistou definitivamente a América e todo o mundo com a história de amor Casablanca, hoje um clássico dos anos 40, que a transformou em uma campeã de bilheteria.
Clique na imagem e relembre a cena de As Time Goes By.

Em 1949 estava na Itália para filmar Stromolisob direção de Rosselini quando apaixonou-se por ele; uma união que causou muita polêmica. Ambos eram casados e abandonaram as respectivas famílias para ficarem juntos. Ingrid foi acusada de adúltera e de mau exemplo para as mulheres americanas pelo Senador do Colorado, Edwin C. Johnson, que subiu à tribuna para denunciar que “Ingrid Bergman cometeu uma afronta à instituição do casamento”, segundo ele era uma ‘cultivadora do amor livre’.

Passaram-se 15 anos em que ficou praticamente esquecida. Em 1956 estrelou Anastasia, uma superprodução da Fox que lhe rendeu um segundo Oscar e suas portas foram reabertas. Já estava separada de Rosselini quando seu nome foi levada à tribuna novamente em 1972, agora com o pedido de desculpas. O Senador Charles H. Percy falou: “Sr. Presidente, uma das mulheres mais encantadoras, graciosas e talentosas do mundo foi vítima de um duro ataque nesta casa há 22 anos. Gostaria, hoje, de render um tributo há muito devido a Ingrid Bergman, uma verdadeira estrela em todos os sentidos da palavra.”

Ingrid filmava com freqüência inclusive chegando a ganhar outro Oscar em Assassinato no Orient Express, também se descobriu no teatro e televisão.O câncer a surpreendeu em 1973 tendo um seio amputado em 1974 e outro em 1980.

Quarenta e cinco filmes, oito peças de teatro, quatro especiais para a televisão. Três Oscar, uma autobiografia. E a certeza de que não desistiria nunca.

Outras efemérides de 29 de agosto:

1975 - Morre o incansável De Valera
1975 - Juan Velasco é deposto no Peru

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28 de agosto de 1996 - O adeus a Dulcina de Moraes

Dulcina de Moraes

"Dulcina foi uma pessoa importantíssima para o Teatro Brasileiro. Tinha um sentido de profissionalismo extraordinário". Paulo Autran

Morre Dulcina de Moraes. Jornal do Brasil: Quinta-feira, 29 de agosto de 1996

A atriz e educadora Dulcina de Moraes, 89 anos, morreu numa tarde de quarta-feira, no Hospital Regional da Asa Norte, em Brasília, onde estava internada tratando o pós-operatório de uma cirurgia de diverticulite.

Descendente de espanhóis, filha e neta de atores, Dulcina de Moraes Azevedo, nascida em 3 de fevereiro de 1908 em Valença, RJ, foi uma das mais importantes atrizes da dramaturgia brasileira do século 20.

A carreira artística começou cedo. Ainda era bebê quando fez suas primeiras encenações. Na década de 20, entrou para a companhia do Teatro de Leopoldo Fróes, maior expoente teatral do país na época. Extravagante e com uma inflexão vocal marcante, sempre teve presença cênica de estrela. Nos anos 30 e 40, era um referência de moda: os modelos que usava em cena eram copiados pelo público feminino. Com o marido Odilos Azevedo, formou uma famosa dupla de teatro e criou a Companhia Dulcina-Odilon. Na década de 50, criou a Fundação Brasileira de Teatro.

Um dos maiores sucessos de sua carreira foi quando atuou em Chuva, peça inspirada em uma história de Somerset Maugham em que viveu Sadie Thompson. Dulcina também interpretou Helena de Troia, Cleopatra, Anna Christie e a Marquesa de Santos.

Talento admirável, Dulcina deixou um legado para atores e público: Além de inúmeras peças em que atuou e dirigiu, foi exemplo de respeito, profissionalismo e amor pelo teatro. Uma representativa colaboração à história da dramaturgia brasileira.

Outras efemérides de 28 de agosto:

1963: 200 mil marcham pelos direitos civis nos EUA
1979: Sancionada a lei da anistia
1992: ABI e OAB recebem pedido de Impeachment de Collor

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27 de agosto de 1965 - Morre Le Corbusier, um expoente da arquitetura moderna

Morre Le Corbusier. Jornal do Brasil: Sábado, 28 de agosto de 1965.

"A arquitetura é o jogo sábio, correto e magnífico dos volumes dispostos sob a luz".
Le Corbusier

O arquiteto urbanista Le Corbusier, 79 anos, um dos expoentes da arquitetura moderna, morreu de um ataque cardíaco, quando nadava numa praia de Roquebrune, Cap Martin, na Riviera Francesa. Também poeta, pintor e escritor, recebeu homenagens póstumas em todo o mundo.

Le Corbusier, que nasceu Charles Edouard Jeanneret em 6 de outubro de 1887 na suiça La Chaux-de-Fonds, alcançou a fama trabalhando com o concreto, que lhe permitiu romper a tradição da pedra e do tijolo.

Antes de 1920, já estava preconizando o seu conceito original da casa aberta com terraço, dominada horizontalmente de lado a lado e montada sobre pilotis. Dentro deste conceito, construiu diversas residências por toda a França, antes de ser chamado para construir grandes conjuntos urbanísticos no exterior, como a Cidade Universitária do Rio de Janeiro e o Plano de Urbanização de Bogotá.

O pequeno livro que publicou em 1923, Em direção a uma Arquitetura, espantou muita gente. Era como se a arquitetura existente até então não merecesse o termo. Neste trabalho, definiu as bases do movimento moderno de características funcionalistas. A pesquisa que realizou envolvendo uma nova forma de enxergar a forma arquitetônica baseado nas necessidades humanas revolucionou a cultura arquitetônica mundial. Sua obra, negando características histórico-nacionalistas, abriu caminho para o que se chamaria de international style ou estilo internacional. A sua influência estendeu-se principalmente ao urbanismo.

Leia também:
6 de outubro de 1987 - O Centenário de Le Corbusier

Outras efemérides de 27 de agosto:

1974: O fim do cantor das desilusões de amor
1979: Terroristas matam Lorde Mountbatten
1999: O Brasil perde Dom Hélder Câmara

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26 de agosto de 1978 - Habemus Papam! Cardeal Luciani é o escolhido

Jornal do Brasil: 27 de agosto de 1978

Um breve Papado de surpresas
A primeira surpresa aconteceu em pouco mais de 26 horas, após três apurações, numa das mais rápidas eleições da História da Igreja Católica, até então. Os 111 cardeais do Conclave do Vaticano escolheram como 262º sucessor de São Pedro, o Cardeal Albino Luciani, Patriarca de Veneza, 65 anos, com nome de João Paulo I, numa homenagem a seus dois antecessores. Outra surpresa: ele sequer constava na lista dos papabili.


À rapidez da eleição seguiu-se uma hora de dúvida na Praça de São Pedro, onde os presentes não conseguiam distinguir a cor da fumaça que saía da chaminé da Capela Sistina: de início escura, depois cinzenta e finalmente branca, mas turva.

Jornal do Brasil: 27 de agosto de 1978
A escolha do Conclave recaiu sobre um Cardeal de experiência exclusivamente pastoral, nunca ocupante de nunciaturas ou cargos na Cúria. Moderado, de sólida formação teológica, defensor da tradição e ortodoxia da Igreja, condenava rigorosamente as aberturas no campo do controle de natalidade, do celibato, entre outros princípios que já vinham sendo questionados naquela época.

A última surpresa foi o curto pontificado de João Paulo I. Coroado no dia 3 de setembro de 1978, o Papa foi encontrado morto em seu quarto 25 dias depois. Segundo a versão oficial do Vaticano, vítima de um ataque cardíaco durante o sono. Contudo, até hoje especula-se a respeito das verdadeiras circunstâncias de sua morte naquela madrugada de 28 de setembro.

Outras efemérides de 26 de agosto:


1944 - Restaurada a liberdade na França
1974 - Portugal reconhece a independência de Guiné-Bissau

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25 de agosto de 1961 - A renúncia de Jânio Quadros

A reúncia de Jânio Quadros. Jornal do Brasil: Sábado, 26 de agosto de 1961

"Nesta hora de grave crise e de perigos incontáveis, cabe a todos os brasileiros a tarefa de se empenharem na preservação da unidade nacional e das instituições democráticas. A renúncia do Presidente Jânio Quadros causou profunda inquietação ao povo inteiro, paralisou a administração, obrigou as Forças Armadas a se colocarem de prontidão, fez com que os governos estaduais adotassem medidas de precaução, pôs o Poder nas mãos do Presidente da Câmara e deixou o Brasil numa situação tal que ninguém pode esconder o temor que todos sentimos de que a própria Nação pode perder-se ou descrer de si mesma". Jornal do Brasil

Janio Quadros. Erno Schneider. CPDoc JB

A efêmera presidência de Jânio Quadros foi marcada por polêmicos mandos e desmandos: a tentativa de reaproximação com a URSS e a China, a nomeação de um embaixador negro para a África, a recusa de apoio aos americanos na expulsão de Cuba da OEA, e ainda a proibição de rinhas de galo e de maiôs cavados, causaram perplexidade entre o povo e as elites.


O desfecho dessa gestão não seria menos surpreendente. Jânio renunciou ao cargo quando o vice, João Goulart, se encontrava em visita oficial à China. A ausência de Jango abriu margem para que o presidente da Câmara, Ranieri Mazzili, assumisse provisoriamente o governo. Até hoje se especula sobre os reais motivos da renúncia. O mais lógico é a de que se tratou de uma manobra estratégica. Sem maioria no Congresso, e ciente do desconforto entre Jango e os militares, renunciara na expectativa que o Parlamento lhe oferecesse liberdade governamental, e de que contaria também com o apoio do exército. O Congresso, contudo, aceitou prontamente sua renúncia eclodindo uma crise política que culminaria, anos mais tarde, no Golpe Militar. Ninguém ofereceu lição maior de esperança e desilusão ao povo brasileiro.

Surpreendente e polêmico do início ao fim

Jânio Quadros assumiu a Presidência da República a 31 de janeiro. Contrariando a expectativa geral, em seu discurso de posse foi discreto e gentil, chegando mesmo a tecer elogios ao governo anterior. Na mesma noite porem, surpreendeu a todos. No seu pronunciamento em rede nacional atacou violentamente o governo JK, acusando o ex-presidente de nepotismo e inoperância administrativa, responsabilizando-o pelo descontrole inflacionário e pela galopante dívida externa. Era o primeiro de tantos episódios histriônicos que ensaiaria na sua turbulenta trajetória de 209 dias à frente do poder máximo do país.

Outras efemérides de 25 de agosto:



1984: O escritor Truman Capote é encontrado morto

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24 de agosto de 1981 - Assassino de Lennon é condenado a prisão perpétua

Assassino de John Lennon, Mark Chapman é condenado a prisão perpétua. Jornal do Brasil: Terça-feira, 25 de agosto de 1981.

Mark Chapman, 26 anos, que assassinou a tiros o beatle John Lennon em 8 de dezembro de 1980, foi condenado à prisão perpétua. Antes de pronuciar a sentença, o Juiz Dennis Edwards recomendou a submissão do réu a um tratamento psiquiátrico.

As autoridades concluíram que Chapman viajou de sua casa, em Honolulu, no Hawai, com única intenção de matara Lennon. Foram quatro tiros calibre, disparado quando Lennon entrava no prédio em que morava, na companhia de sua mulher, Yoko Ono.

O promotor o definiu como um assassino frio e sem sentimentos, que premeditou matar outros personagens conhecidos antes de se fixar em Lennon. Para o advogado ve defesa descreveu-o como um jovem de fato muito confuso, que não compreendia o que acontecera, desequilibrado, que já havia passado por internação em um hospício após uma tentativa de suicídio.

Com o rosto pálido, as mãos crispadas num exemplar do livro Apanhador em Campo de Centeio, de J.D. Salinger, Chapman ouviu o veredicto, impassível. Chapman se declarou culpado do assassinato em segundo grau, alegando que Deus lhe ordenara fazer essa admissão de culpa. Depois leu trechos do final do romance, que segundo ele, explica os motivos que o levaram a cometer o crime: a história de um rapaz sensível e perturbado com o mundo dos adultos. Um anti-heroi que lida com temas tipicamente adolescentes como confusão, angústia, alienação, linguagem e rebelião.

Mark Chapman. Reprodução/CPDoc JB
Houve rumores de que ao longo de seu julgamento, Mark usou colete a prova de balas.

Mesmo confessando-se arrependido, Mark Chapman continua mantido numa cela individual, devido às ameaças de morte que recebeu, num presídio de segurança máxima em Nova Yorque. Sua liberdade condicional, tentada desde 2000, foi negada seis vezes.



Outras efemérides de 24 de agosto:

1930: Queda do Governo Leguía no Peru
1954: A madrugada trágica - um tiro no coração
1992: CPI abre caminho para impeachment de Collor

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23 de agosto de 1892 - Morre o Marechal Deodoro da Fonseca, o primeiro presidente do Brasil

A morte do Marechal Deodoro. Jornal do Brasil: Quarta-feira, 24 de agosto de 1892

"Um vasto espaço ocupará em nossa história e na do continente sulamericano o Marechal Deodoro da Fonseca... O futuro investigará se foi a ideia, o ideal republicanos, que fez valente general levantar-se do leito em que jazia enfermo, montar o seu cavalo de guerra, empunhar as armas e destruir um trono em sua passagem triunfal".
Jornal do Brasil

Como já era esperado, o Marechal Deodoro da Fonseca, 65 anos, morreu no ínico da tarde de uma terça-feira, vítima de uma crise aguda de dispénia, doença com a qual conviveu nos últimos anos. Pediu para ser sepultado em trajes civis, no que não foi atendido. Seu enterro teve toda a pompa e honras militares.

Na figura militar de Deodoro o que ressalta à primeira vista é a intrepidez do grande soldado nas guerras externas que alvoroçaram a nacionalidade na segunda metade do século XIX.

Manoel Deodoro da Fonseca nasceu na cidade de Alagoas (AL) em 5 de agosto de 1827. Ainda na adolescência iniciou os estudos no ensino militar. E aos 21 anos, viveu a primeira experiência armada, integrando as tropas que se dirigiram a Pernambuco para combater a Revolução Praieira. Depois vieram outros conflitos durante o Império, como a brigada expedicionária ao rio da Prata, o cerco a Montevidéu e da Guerra do Paraguai.

Ingressou oficialmente na política em 1885, quando governou a província do Rio Grande do Sul. Assumiu a presidência do Clube Militar de 1887 a 1889 e chefiou o setor antiescravista do Exército. Com o título de marechal, Deodoro da Fonseca proclamou a república brasileira no dia 15 de novembro de 1889 e assumiu a chefia do governo provisório.

Eleito pelo Congresso de forma indireta os marechais Deodoro da Fonseca para presidente e Floriano Peixoto para vice-presidente, em 25 de fevereiro de 1891. Mais do que proclamar a República, coube a Deodoro uma missão mais árdua: implantar o regime republicano e presidir a transformação do governo do Brasil monárquico para o Brasil republicano, do unitarismo do Império para o federalismo da República. Na área econômica, marcou os rumos da transição da atividade agrária para a explosão da industrialização, e tentou encaminhar o Brasil da inflação para a estabilidade cambial.

O governo do Marechal deveria terminar em 1894, mas o período registrou sérios problemas de ordem política e econômica, levando à sua renúncia em 23 de novembro de 1891.

No legado de sua contribuição cívica ao país, deixou também o esforço imensurável pela liberdade do negro.


Outras efemérides de 23 de agosto:
1926 - O mundo chora por Valentino
1973 - Adeus ao camarada Pablo Neruda
1988 – Morre Menotti Del Picchia, o “Mulato” modernista
1990 - Aprovada a reunificação da Alemanha

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22 de agosto de 1981 - Morre Glauber Rocha

Morre Glauber Rocha. Jornal do Brasil: 23 de agosto de 1981


Exilado em Portugal desde o início da década de 70, Glauber Rocha, o maior cineasta que o Brasil já teve, voltou a seu país para morrer. Transferido já doente de Lisboa para uma clínica no Rio de Janeiro, com septicemia e choque bacteriano, Glauber resistiu três dias até que a morte o levasse de vez. “Um dos mais extraordinários, lúcidos e honestos intelectuais desse país”, escreveu o médico no atestado de óbito do Homem.

Controvertido, polêmico, considerado dos mais geniais cineastas brasileiros, Glauber foi, em seu funeral, protagonista também de um filme. Ele que procurou fazer da morte de Di Cavalcanti uma obra de arte, que revolucionou o cinema brasileiro, seria desta vez o tema de uma homenagem, registro indispensável decidido por cineastas e representantes da Embrafilme.


Gênio, louco, radical, apocalíptico, caótico, santo guerreiro ou dragão da maldade, Glauber parece ter sido um produto de suas contradições. Foi o mais importante nome da história do nosso cinema e reconhecia isso. Desde que Fritz Lang (Metrópolis, 1927) e Luis Buñuel (O cão Andaluz, 1928) reconheceram em Deus e o Diabo na Terra do Sol (1963) uma obra-prima ao nível das melhores já produzidas no mundo, nunca mais teve dúvidas de sua genialidade. Com Deus e o Diabo ganhou prêmio de melhor diretor em Cannes, no ano seguinte, por unanimidade.

Glauber Rocha na Redação do Jornal do Brasil. Carlos Wrede/CPDoc JB


Em Terra em Transe (1967), no entanto, Glauber recebeu críticas negativas ferrenhas dos intelectuais brasileiros, que acusaram-no de louco, mistificador ou irresponsável. Ali Glauber critica a conjuntura brasileira pré-golpe de 64, incluindo todos os que participaram, de alguma forma deste processo, incluindo camadas da esquerda brasileira.


Os senhores que antes me chamaram de gênio, agora me chamam de burro. Devolvo a genialidade e a burrice. Sou um intelectual subdesenvolvido como os senhores, mas, diante do cinema e da vida, tenho pelo menos coragem de proclamar minha perplexidade”, escreveu ele.

As críticas não contiveram o gênio. Logo depois, lançou Câncer, O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro, Cabeças Cortadas, todas obras-primas, premiadas, discutidas e reverenciadas por críticos e espectadores do mundo inteiro.

Confira também:
12 de maio de 1967 - Terra em Transe de Glauber conquista Cannes
26 de outubro de 1976 - A morte de "Di Cavalcanti di Glauber"
26 de maio de 1977 – Glauber ganha Prêmio Especial em Cannes

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21 de agosto de 1989: Raul Seixas desperta do sonho da vida

Raul Seixas dizia que "ninguém morre, as pessoas despertam do sonho da vida". Jornal do Brasil: 22 de agosto de 1989


Se o diabo é o pai do rock, Raul Seixas foi o ajudante que meteu a colher de pau no caldeirão do demo e ainda tascou-lhe uma mosca na sopa”. Jornal do Brasil

Antes de tornar-se o artista que subverteu a ordem do dia, caminhando na contramão da Tropicália e mesclando o rock de Elvis Presley com o baião de Luiz Gonzaga, Raul Seixas foi apenas Raulzito, o primeiro filho de Dona Maria Eugenia e do engenheiro Raul Varella Seixas. Nasceu às 8h da manhã do dia 28 de junho de 1945, na capital baiana - Salvador, onde, apesar da cultura predominante, apaixonou-se ainda jovem pelo rock n’roll. “Tudo era novo pra mim.Ouvia os discos de Elvis e Little Richard até estragar os sulcros. O rock era como uma chave que abria as minhas portas que viviam fechadas”, escreveria aos 15 anos em seu diário.

Com o amigo Thildo Gama, formou o grupo Os Relâmpagos do Rock, sua primeira banda e o embrião do conjunto Os Panteras, banda com a qual Raulzito gravou o seu primeiro disco, que foi um fracasso de vendas. A projeção nacional veio somente em 1972, com sua participação no Festival Internacional da Canção, da Rede Globo, onde classificou duas canções: Let me sing e Eu Sou Eu Nicuri é o Diabo. Depois, lança o compacto Ouro de Tolo, que alcança grande sucesso, e conhece Paulo Coelho, formando uma parceria que atrairia uma multidão de fãs e renderia músicas que se tornaram clássicas, como Metamorfose Ambulante, Mosca na Sopa, Al Capone, entre outras. Nos anos seguintes sua produção musical é constante, lançando diversos discos sucessos de público, como Novo Aeon (75), Há Dez Mil Anos Atrás (76), O Dia Em Que A Terra Parou (77). A partir de 1978, o consumo de álcool e drogas começa a causar-lhe problemas e o artista perde 1/3 do pâncreas. Em 1987 lança o estrondoso disco Uah bap lu lap béin bum e torna-se parceiro de Marcelo Nova, com quem grava seu último álbum, A Panela do Diabo, no ano de sua morte.

Legado vivo
Há exatos 22 anos, vítima de uma pancreatite aguda provocada pelo excesso de álcool, Raul Seixas foi encontrado morto em seu apartamento. Ao partir, deixou três filhas, milhares de fãs e uma obra que se estende por mais de 20 álbuns, além de seis póstumos, e diversos livros publicados. Sua capacidade de transmitir mensagens de impacto e abordar assuntos profundos de forma irreverente mantém sua obra relevante até hoje. A juventude atual lhe dedica um carinho saudoso, levando suas fotos e frases em camisetas, e lançando incontáveis covers seus em eventos e festas.

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20 de agosto de 2000 - Pimenta Neves mata Sandra Gomide

Jornal do Brasil - Rio de janeiro, 27 de agosto de 2000
O jornalista Antônio Marcos Pimenta Neves, ex-diretor de redação do jornal 'O Estado de S. Paulo', matou com dois tiros a ex-namorada, também jornalista Sandra Gomide, na época com 32 anos. Os dois se conheceram em 1997 e tiveram um relacionamento por cerca de três anos e estavam separados. Réu confesso, o jornalista alegou que Sandra o traía. O crime ocorreu em um haras de Ibiúna (SP), perto da chácara da família Gomide.

Desde então, os pais de Sandra, Leonilde e João Gomide, passaram a apresentar diversos problemas de ordem psicológia. João Gomide adquiriu ainda problemas de insuficiência cardíaca, submetendo-se a quatro intervenções coronárias.

O jornalista ficou sete meses preso. No dia 23 de março de 2001, o Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu liminar permitindo ao assassino confesso aguardar o julgamento em liberdade. Em 26 de junho de 2001, o STF confirmou o habeas corpus que revogou a prisão preventiva do jornalista decretada na época do crime. A defesa de Pimenta Neves tentou demonstrar aos jurados que ele sofria de estresse emocional que o deixou desorientado na época do crime.

Apesar de ter cometido crime hediondo duplamente qualificado - sem dar chance de defesa à vítima e por motivo fútil, Pimenta é visto freqüentemente em festas, na praia de Ubatuba ou fazendo compras nos sofisticados shoppings da região.

Em 2006, ele foi condenado a 19 anos e dois meses de reclusão em regime fechado. No entanto, alegando entendimento anterior do Supremo Tribunal Federal (STF) - de que os condenados podem recorrer em liberdade até que todos os recursos sejam julgados -, o juiz de Ibiúna concedeu ao jornalista o direito de recorrer em liberdade. Ao julgar recurso a favor de Pimenta Neves, o Tribunal de Justiça de São Paulo considerou a confissão espontânea do crime e reduziu a pena para 18 anos. Alegando a mesma atenuante, a defesa conseguiu no STJ a redução para 15 anos. Os advogados do jornalista continuaram recorrendo até que, em 24 de maio de 2011, o STF negou o último recurso e determinou que a pena fosse imediatamente cumprida. Em seguida, policiais cercaram a casa de Pimenta Neves, na capital paulista, e ele se entregou.
Pimenta Neves a caminho da delagacia, após prisão.
No dia seguinte, Pimenta Neves foi transferido para o complexo penitenciário de Tremembé, no interior do Estado de São Paulo, onde cumpre pena da sentença de 15 anos de reclusão em regime inicialmente fechado.

Outras efemérides de 20 de agosto:



1949: Criada a Escola Superior de Guerra
1988: Termina a guerra Irã-Iraque

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19 de agosto de 1936 - Federico Garcia Lorca é assassinado

O assassinato de Federico Garcia Lorca. Reprodução

"Na Espanha, os mortos são mais vivos que os mortos dos outros países do mundo". Federico Garcia Lorca

Após ser preso, vítima de denúncia anônima, o escritor e dramaturgo Federico Garcia Lorca, 37 anos, foi fuzilado, de costas, em alusão a sua homossexualidade, por soldados da tropa franquista, nos primeiros instantes da Guerra Espanhola (1936-1939). Seu corpo foi jogado num canto da Sierra Nevada. Como intelectual de vanguarda e de tendências homossexuais, Lorca era um inimigo natural de um regime autoritário numa Espanha católica. Com seu desaparecimento precoce, encerrava-se um período da cultura hispânica.

Mas ao contrário do que imaginaram seus executores ao silenciá-lo, o crime teve repercussão em todo o mundo. Lorca transformou-se em figura simbólica da opressão, suscitando diversas manifestações contra o regime, principalmente na classe intelectual.


Um dos maiores nomes da poesia e do teatro espanhol do século 20, Federico Garcia Lorca nasceu no dia 5 de junho de 1898 em Fuentes Vaqueros, província espanhola de Granada. Após uma infância marcada por seguidas doenças, estudou direito e literatura e, em Madri, tornou-se amigo íntimo de grandes artistas espanhóis como Salvador Dalí, Luis Buñuel e Rafael Alberti.

Com a publicação de Libro de Poemas (1921) despertou a atenção da crítica, que se rendeu definitivamente ao seu talento com o lançamento das Canciones Gitanas (1927). E com Romance Gitano (1928), considerada sua maior obra, Lorca entrou de vez para a galeria dos grandes nomes da literatura espanhola.

No início dos anos 30 fundou um grupo teatral universitário, que passou a dirigir e com o qual apresentou espetáculos como Bodas de Sangre(1933) e La casa de Bernarda Alba(1936).

Até o dia de sua morte, Lorca produziu uma série de peças para o teatro e deixou uma vasta obra de poesias. Assim como aconteceu com muitos artistas, durante a ditadura de Franco, as obras de Lorca foram consideradas clandestinas na Espanha. E somente com a volta do país à democracia, receberia de seu país as devidas homenagens, tornando-se o mais notável dos poetas surgidos na geração de 27 e o maior autor espanhol desde Miguel de Cervantes.

Outras efemérides de 19 de agosto:

1934: Legitimada toda a Alemanha de Hitler
1949: O centenário de Joaquim Nabuco
1961: Jânio presta homenagem a Che Guevara
1976: Bomba explode na ABI

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18 de agosto de 1942 - Povo pede resposta de Getúlio aos atentados do Eixo

Brasileiros exigem de Getúlio uma resposta aos ataques alemães. Jornal do Brasil: Quarta-feira, 19 de agosto de 1942

"O Brasil viveu horas profundamente sentidas. De começo, a população surpreendida pela brutalidade inominável do atentado eixista, sentiu-se estarrecida. E a violência do golpe, traiçoeiro e tremendo, prostou-a em imensa tristeza e apatia.

Mas a reação não se fez tardia. E poucas horas depois, do Rio Grande ao Amazonas, todos os espíritos se conjugaram em demonstrações vibrantes de protesto. A alma do Brasil reviveu os seus dias aureos de gloriosa exaltação cívica. Homens, mulheres, moços das academias, alunos dos colégios, meninos das escolas, jovens e anciãos, todos sem discrepância de cor, crença ou credo político, se irmanaram em legítima revolta contra a hediondez do ultraje feito à nossa soberania, à injúria atirada à nossa Bandeira. No Rio, cérebro e coração do Brasil, essa revolta alcançou nível inatingido até agora...

... A concorrência excepcionalíssima e o entusiasmo trepidante da multidão transformaram o protesto duma classe na eclosão dos anseios de toda aquela imensa mole humana que, etnre aclamações ao Brasil e ao Chefe do Governo, aplaudia, delirante, os intépretes dos seus pensamentos. E falaram acadêmicos, professores, jornalistas, populares, todos condenando o vandalismo dos inimigos da cultura e da civilização e reafirmando a decisão do Brasil de defender, a qualquer preço, a soberania e a honra nacionais.

E o dia inscreveu-se, assim, na vida brasileira, ao mesmo tempo, como um dia de luto e um dia de glória
". Jornal do Brasil

A revoltante covardia nazi-facista contra vários navios da Marinha Mercante suscitou uma indignação popular até então pouco vista na história do país. De fevereiro a agosto de 1942, dezenove navios brasileiros foram torpedeados, o que causou a morte de 742 pessoas.

A série de manifestações surtiu efeito. Três dias depois, Getúlio reuniria a cúpula do seu ministério no Palácio Guanabara, sede do governo, no Rio de Janeiro, para examinar e definir a posição do Brasil perante o andamento da II Guerra Mundial. O Brasil declarava Guerra à Alemnha e à Itália.

Intitulada Força Expedicionária Brasileira (FEB), as tropas brasileira somente seguiram para as zonas de conflito cerca de dois anos depois da declaração de guerra à Alemanha e à Itália. Em 2 de julho de 1944, o primeiro escalão da FEB saiu do Brasil com destino à Nápoles, e entrou em combate com tropas alemães em meados de setembro do mesmo ano. A Força Expedicionária Brasileira, voltou vitorioso ao país, chegando o primeiro escalão em 18 de julho de 1945.

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17 de agosto de 1987 - CIAO! Morre Carlos Drummond de Andrade

Morre Carlos Drummond de Andrade. Jornal do Brasil: Terça-fira, 18 de agosto de 1987.

E agora José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou”. Carlos Drummond de Andrade

Carlos Drummond de Andrade, 84 anos, o maior poeta brasileiro de seu tempo, morreu de insuficiência respiratória. Sua morte não surpreendeu seus amigos mais íntimos, que o viram muito abatido depois da morte de sua filha, doze dias antes. O câncer ósseo levou Maria Julieta e tirou do poeta a vontade de viver.

Um homem desiludido com o mundo. Injustamente rigoroso no julgamento da obra que produziu. Sentia descrença e desilusão. Lamentava que as novas gerações não tivessem mais os estímulos intelectuais que havia até os anos 40, 50. “Os tempos estão ruins. É um fenômeno universal, uma espécie de deterioração dos conceitos e do sentimento estético. Em qualquer país do mundo é a mesma porcaria. É a massificação dos meios de comunicação, tudo ficou igual no mundo inteiro”.

Carlos Drummond de Andrade nasceu em 31 de outubro de 1902, na mineira cidadezinha de Itabira. Começou a carreira como colaborador do Diário de Minas e, em 1925, fundou A Revista, veículo modernista mineiro. Funcionário público, foi para o Rio em 1934, e tornou-se chefe de gabinete do ministro de Educação Gustavo Capanema. Autor de diversas obras de poesia e prosa, sua obra narra a trajetória de um homem, de uma geração e de um país. Um homem que saiu do interior para a cidade grande. Envolveu-se nos conflitos de seu tempo e se quedou metafísico e retirado diante das coisas do mundo que o aborreceram.

Seus versos transmitem a emoção que sentia no momento em que escrevia, momento que poderia ser um parodoxo do que havia escrito antes. Tratam de temas metafísicos a fatos jornalísticos. Ele foi diametralmente oposto e talvez complementar. O cronista e o poeta. Foi politicamente comprometido, mas nunca aderiu a um partido. Certos poemas são profundamente religiosos, mas não acreditava em Deus. Gostava de ser amado mas abominava a celebridade. Como jornalista, escreveu na Tribuna de Imprensa e durante 15 anos, de 2 de outubro de 1969 até 29 de setembro de 1984, todas as terças, quintas e sábados, foi cronista do Jornal do Brasil. Foram 780 semanas da história do país e do poeta refletidas com agudeza e lirismo em mais de 2 mil e 300 crônicas. Nos deixando entre outras lembranças um poema,rotativo do acontecimento...

"...E é por admitir esta noção de velho, consciente e alegremente, que ele hoje se despede da crônica, sem se despedir do gosto de manejar a palavra escrita, sob outras modalidades, pois escrever é a sua doença vital, já agora sem periodicidade e com suave preguiça. Cede espaço aos mais novos e vai cultiva o seu jardim, pelo menos imaginário. Aos leitores, gratidão, essa palavra-tudo”. (trechos de CIAO, a última publicação no Jornal do Brasil. Para ler na íntegra, clique aqui!)

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16 de agosto de 1992 - País contraria movimento verde-amarelo do Governo Collor e veste-se de preto

Brasil sai as ruas de preto. Jornal do Brasil: Segunda-feira, 17 de agosto de 1992

Pelo menos em dez capitais houve manifestações de rua contra o Governo Collor. Contrariando o apelo presidencial para que as pessoas vestissem as cores da Bandeira Nacional, milhares de manifestantes desfilaram em carro ou a pé, de preto ou de vermelho, em sinal de luto ou de indignação.


Em Brasília, mais de 50 mil pessoas, segundo organizadores, acompanharam uma carreata vestidas de vermelho e preto, com faixas e cartazes pedindo a renúncia de Collor. De acordo com o capitão Renato Fonseca, da PM, responsável pela segurança do evento, a carreata só se comparou ao badernaço de 1986 contra o Plano Cruzado II.


No Rio, a passeata do luto, que foi precedida por uma carreata nas ruas do Centro, Praça da Bandeira, São cristóvão e Aterro do Flamengo, saiu por volta de 10,30h do Leme, com mais de 10 mil pessoas, em direção ao Leblon, onde chegou no fim da tarde. Com a presença de artistas, intelectuais, crianças e idosos, o movimento na orla carioca se caracterizou por paródias, bom humor e palavras de ordem.

Em São Paulo, a Avenida Paulista, a principal da capital, ficou congestionada por manifestantes que usaram, além das roupas, guarda-chuvas e até sapatos pretos, pendurados nos carros.

A maioria da equipe ministerial não ficou em Brasília para engrossar o movimento verde-amarelo. Os ministrosque permaneceram na capital preferirram não sair de casa.

Apesar da extensão dos protestos, o então porta-voz da Presidência da República, Etevaldo Dias, garantiu que "as cores verde-amarelo predominaram nas manifestações" e que o presidente Collor estava satisfeito porque havia recebido muito apoio por telefone.

Oito dias depois, a Comissão Parlamentar de Inquérito do PC concluia, por meio de relatório, que o então Presidente tinha conhecimento das atividades ilegais de PC Farias e fora omisso no “seu dever funcional de zelar pela moralidade pública”. Considerando que Collor recebeu “vantagens econômicas indevidas”.

Em outubro, Collor foi afastado da Presidência, e em 29 de dezembro de 1992, renunciou ao mandato na tentativa de evitar ter seus direitos políticos cassados. A medida, no entanto, não funcionou. O documento da CPI deixou aberto o caminho para que a Procuradoria Geral da República processasse o presidente por corrupção passiva e que a Câmara dos Deputados instaurasse seu processo de impeachment que seria concluído em 16 de dezembro de 1993.






Outras efemérides de 16 de agosto:
1960: O Chipre proclama a sua independência
1977: Adeus a Elvis Presley, o rei do Rock

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15 de agosto de 1969 - 1969: Festival de Woodstock: uma maratona cultural pelo amor e pela paz

Jornal do Brasil: 15 de agosto de 1989

Reprodução

O Festival de Woodstock foi o mais importante festival de rock and roll de sua época. Realizado em uma fazenda em Bethel, Nova Iorque, reuniu num final-de-semana mais de 400 mil pessoas, num espaço originalmente montado para receber 50 mil.

Marco do movimento da contracultura, naquela ocasião, promoveu grande polêmica, pelos propósitos levantados: os ideais paz e amor, defendendo o sexo livre e condenando a Guerra do Vietnã. Um protesto contra uma sociedade americana infestada pelo desejo de controle.

Foi o auge da era hippie.

A abertura do festival foi ao som de "High Flyin' Bird", pelas 12 cordas do violão de Richie Havens, que criou naquele palco "Freedom". Participaram, entre outros, Santana, Janis Joplin, The Who, Joe Cocker e Jimi Hendrix, finalizando com "Hey Joe".

Confira o resumo do Festival, pela cobertura do JB: Hippies encerram festival. e Continuação.

Em 1989, duas décadas após o Festival, uma segunda versão de Woodstock chegou a ser planejada por Joel Rosenman e John Roberts. Contudo, disputas por direitos autorais acabaram inviabilizando o evento. Somente em 1994, para comemorar 25 anos do superevento, 250 mil pessoas se reuniram no Woodstock 94, em Saugerties, a 135 km de Nova York. Pagaram 135 dólares para ouvir quarenta grupos de rock. A terceira edição ocorreu em 1999, registrando altos índices de violência. Foi última tentativa, fracassada, de reviver o mito de "paz e amor" do Woodstock original. Os ideais originais foram vencidos pelo vil metal.

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14 de agosto de 1983 - Morre Alceu de Amoroso Lima, o Tristão de Athayde

Morre Alceu do Amoroso Lima. Jornal do Brasil: Segunda-feira, 15 de agosto de 1983

"Há ânsia de saber por parte das massas, mas se a universidade se abrir sem critério a essa ânsia, diminuiremos a capacidade de fazer cultura".
Alceu de Amoroso Lima

O escritor Alceu de Amoroso Lima morreu aos 90 anos. Alceu foi erudito, professor universitário, critico de idéias, ensaísta e líder social. Sua obra, que abrange um conjunto de 80 livros publicados, girou em torno de problemas religiosos, filosóficos, literários, jurídicos, econômicos, pedagógicos, sociais.

Nasceu no Cosme Velho, no Rio de Janeiro no dia 11 de dezembro de 1893, em plena Revolta da Armada.

Machado de Assis, que era seu vizinho, escreveu versos de ocasião para o seu batizado. Estudou as primeiras letras em casa, com um renovador da pedagogia, João Kopke. Entrou para a Faculdade de Direito pela faculdade do Rio de Janeiro em 1909, e em 1912 dirige a revista Época, à qual dá um cunho mais literário que jurídico. Diplomado em 1913, viaja pela quarta vez à Europa. Estava em Paris quando começou a guerra de 1914, e teve que retornar ao Brasil. Trabalhou então como advogado e como adido ao Itamarati, antes de assumir a direção jurídica de uma fábrica da sua família. Casou-se e do casamento nasceriam sete filhos, ao longo dos vinte anos.

A 17 de junho de 1919 nasceram juntos O Jornal e a crítica literária sob o pseudônimo Tristão de Athayde, o qual foi, ao longo da década de 20, intérprete do modernismo. Através do rodapé de crítica de Tristão de Athayde, várias gerações descobriram o valor da literatura e se orientaram a respeito de livros e autores. Conheceu Jackson de Figueiredo, pensador católico e fundador do Centro Dom Vital. Tornaram-se amigos e corresponderam-se por dez anos, até a morte prematura de Jackson em 1928.

Neste ano converteu-se ao catolicismo e tornou-se um dos mais respeitados paladinos da Igreja Católica no Brasil.

Liberal, critico e grande pensador

No exercício dessa crítica militante, ele nunca se prendeu a grupos ou a modismos.

Participou ativamente dos movimentos políticos e sociais dos anos 30. Foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras em 1935.

Em 1941, participou da fundação da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.
Publicou dezenas de livros sobre os temas mais variados. Presidente do Centro Dom Vital e diretor da revista de cultura A Ordem durante quarenta anos, quis dar ao catolicismo uma dimensão cultural e uma perspectiva de abertura e diálogo.


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13 de agosto de 1961 - A construção do Muro de Berlim

Jornal do Brasil: 15 de agosto de 1961


Jornal do Brasil: 15 de agosto de 1961

Era início da madrugada quando um comboio de tanques e tropas da guarda da República Democrática Alemã atravessou Berlim. Quando o sol raiou, soldados tinham esticado uma longa cerca de arame farpado no meio da cidade, transformando-a numa fronteira que separava o setor comunista do capitalista.

A iniciativa visava coibir a fuga em massa de alemães orientais para o Ocidente, uma vez que o grande índice de refugiados eram de jovens até 25 anos ou de mão-de-obra ativa, motivados pela precária realidade oriental tanto no campo quanto na cidade, reflexo de sucessivas crises econômicas em sua recente história.

Em pouco tempo o arame seria substituído por concreto. A Alemanha estava dividida. Mais do que isso. Construía-se, naquele momento, uma nova divisão do mundo em dois blocos: Ocidente de países capitalistas, liderados pelos Estados Unidos da América; e Oriente de países socialistas, simpatizantes do regime soviético.

Por mais de duas décadas, o Muro de Berlim foi o símbolo por excelência da Guerra Fria, da bipolarização do mundo e da divisão da Alemanha. Apenas em 9 de novembro de 1989, os habitantes de ambas as partes da cidade caíam incrédulos nos braços uns dos outros, festejando o fim da muralha que acabou sendo derrubada pouco a pouco e vendida aos pedaços como suvenir. Menos de um ano depois, o país dividido desde o fim da Segunda Guerra foi unificado, mas a verdadeira integração entre as duas partes é um processo que ainda não terminou.

Muro de Berlim. Reprodução

Muro de Berlim. Reprodução

Muro de Berlim. Reprodução


Muro de Berlim. Reprodução

Muro de Berlim. Reprodução


Homenagens ao mortos durante tentativa de fuga através do Muro.
Muro de Berlim. Reprodução






Outras efemérides de 13 de agosto:
1946: Morre o visionário H.G. Wells
1967: Chega ao Brasil a Rosa de Ouro de Aparecida
1987: Reagan assume culpa pelo Irã-gate

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12 de agosto de 2011 - O centenário do mexicano Cantinflas

Cantinflas. Jornal do Brasil: Quinta-feira, 22 de abril de 1993


"Não faço filmes para confirmar angústias, mas para esquecê-las". A frase é do célebre comediante Mario Moreno, o idealizador do personagem Cantinflas, considerado um dos maiores mitos do cinema mexicano que completaria hoje cem anos.

Cantinflas nasceu num circo e fez Mario enriquecer criando um estilo próprio de comicidade, baseado em personagens da vida real mexicana. Do picadeiro até a fama, o rapaz criado no distrito de Tacumba - o mais antigo e pobre da capital mexicana - percorreu muitos caminhos. De biscate em biscate, passando até pelo boxe, ele desembarcou finalmente no cinema, onde estreou na comédia Não te enganes, Coração (1936).

Mas foi com o filme Aí está o detalhe, que se tornou conhecido com suas calças caídas, o bigodinho fino e o vocabulário muito confuso, em que falava muito para não dizer absolutamente nada - “Cuánto inflas”. Mais tarde fundou a sua companhia cinematográfica, a Posa Filmes, tornando-se uma das figuras mais destacadas no cinema mexicano.

Cantinflas atuou em mais de 40 filmes. Entre os de maior sucesso estão a interpretação de Passepartout em A volta ao mundo em 80 dias (1961) e o papel principal em Pepê (1962), ambos filmados em Hollywood. Artista popular comparado a gênios como Charles Chaplin, que quando o conheceu pessoalmente não conteve sua admiração e respeito, elogiando-o como "O homem mais engraçado do mundo”.


Numa de suas milhares de entrevistas, Mario Moreno contou que aprendeu muito com Cantinflas: "Ele me ensinou que uma das tarefas mais difíceis na vida é comunicar-se com outras pessoas. Falo de uma verdadeira comunicação: conhecer, querer, respeitar". Isso, Mario Moreno conseguiu. E Cantinflas também. ) verbo “cantinflear” foi adotado pela Real Academia Espanhola da Língua, homenageando o saudoso artista.

Mario Moreno morreu aos 81 anos, vítima de câncer de pulmão.



Outras efemérides de 12 de agosto:
1964: O fim de James Bond
1978: China e Japão assinam Tratado de Amizade e Paz
1984: Tancredo é lançado candidato à Presidência
2000: Submarino russo afundou com 118 marinheiros

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11 de agosto de 1966 - Os Beatles invadem a América

Beatles conquistam a América. Jornal do Brasil: Sexta-feira, 12 de agosto de 1966
Uma Terceira Guerra Mundial ou algo muito próximo disso... Era o que poderia se esperar dos milhares de fãs que seguiram ao aeroporto de Boston para recepcionar os Beatles, caso alguma coisa desse errado na chegada dos meninos de Liverpool em sua primeira passagem pelo país.

O avião desceu por volta de meio-dia (horário local) e uma histeria coletiva, orquestrada por minissaias e cartazes com declarações apaixonadas, inflamou no saguão quando o primeiro Beatle, Ringo Starr, apareceu. Em seguida surgiram George, Paul e John.

No mesmo dia, a banda seguiu para Chicago para dar início a uma turnê que percorria mais 13 cidades: Detroit, Cleveland, Washington, Philadelphia, Toronto, Boston, Memphis, Cincinnati, St. Louis, New York, Seattle, Los Angeles e San Francisco.
Bilhete. Reprodução


A turnê aconteceu em meio a uma tempestade de críticas sobre uma declaração de John Lennon ao comparar a popularidade dos Beatles a de Jesus Cristo. Mesmo perseguida por protestos de grupos religiosos e campanhas de incentivo para desmoralizar o grupo, a turnê já tinha instaurado um contágio por inúmeros sucessos do álbum Revolver. Lançado em cinco de agosto, já com um milhão de pedidos antecipados só na Inglaterra, o LP foi um grande sucesso de vendas e ficou sete semanas em primeiro lugar na Grã Bretanha e seis nos Estados Unidos, onde ficou 77 semanas nas paradas e vendeu dois milhões e meio de cópias.

Documentário histórico sobre a turnê americana dos Beatles em 1966


A turnê americana foi a mais lucrativa de todas. Porém, o cansaço das sucessivas apresentações, a grande histeria e os tumultuados acontecimentos daquela turnê, fizeram com que os Beatles, após mais de 450 concertos por dezenove países, desde outubro de 1962, no auge de sua popularidade, parassem de se apresentar ao vivo, apesar das inúmeras propostas que eles continuariam a receber de todo o mundo. No dia 10 de abril de 1970, Paul McCartney anunciou publicamente o fim do grupo.

The Beatles. Reprodução




Outras efemérides de 11 de agosto:
1908: Aberta a Exposição Nacional
1980: Índios do Xingu matam 11 operários
1986: Chega ao fim a Era Fusca

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10 de agosto de 1995 - Adeus ao mestre Florestan Fernandes, o pai da sociologia brasileira

Mestre Florestan Fernandes. Jornal do Brasil: Sexta-feira, 11 de agosto de 1995

"Comecei a trabalhar aos 6 anos e meu passado me deu fibra e identificação com os oprimidos, os trabalhadores, minha classe de origem". Florestan Fernandes

Seis dias depois de se submeter a uma operação de transplante de fígado, o sociólogo Florestan Fernandes, 75 anos, morreu no início da madrugada no Hospital das Clínicas na capital paulista. Seu corpo foi velado no Salão Nobre da Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo, de onde partiu para a cremação no cemitério de Vila Alpina, também em São Paulo.

Mais do que o pai da sociologia brasileira, com 56 livros publicados, o intelectual Florestan Fernandes foi um grande educador, não só pelos 24 anos de exercício prestados à atividade na Universidade de São Paulo (USP), como pela capacidade de hipnotizar platéias nas conferências em que defendia as suas teses. Entre elas, Mestre Florestan foi um defensor intransigente da escola pública. Devotou seu trabalho político - filiado à esquerda socialista - a ressaltar a importância do ensino gratuito, de qualidade, acessível a todos os brasileiros como única forma capaz de promover a democracia. Teve também participação decisiva nos primeiros estudos sobre a questão do negro na sociedade de classes brasileira.

Cassado pela ditadura militar em 1969, ele se exilou por três anos nas universidades de Toronto, no Canadá, e Columbia e Yale, nos EUA.

Mestre Florestan foi um otimista. "Confio no país e acredito no seu desenvolvimento", declarava. Sua vida foi um claro exemplo desta fé. Paulistano, nascido em 22 de julho de 1920, filho de lavadeira, nunca conheceu o pai. Foi engraxate e trabalhou desde os 6 anos para sobreviver. Aos 17 anos matriculou-se num Curso de Madureza, fazendo em três anos o que os mais privilegiados levavam sete. Trilhou caminhos incomuns para desembocar no início dos anos 40, na recém criada Escola de Sociologia e Política da USP. De sua origem, tirou para a vida a inspiração socialista, que não abandonou nem mesmo após a queda do Muro de Berlim (1989). De orientação marxista, montou em seus anos de academia uma invejável biblioteca de mais de 20.000 livros.

Casado com Dona Myrian, teve seis filhos. E para a posteridade, deixou muito mais que livros, um exemplo de coerência e ética, raros nestes tempos de modernidade.




Outras efemérides de 10 de agosto:

1935: É inaugurada a Rádio Jornal do Brasil
1974: Frei Tito, atormentado até a morte
1964: Paulo VI publica sua primeira Encíclica

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9 de agosto de 2011 - Os 80 anos do Velho Lobo Zagallo

Zagallo na Copa de 1958. Zagallo na Copa de 1958. CPDoc JB
Mario Jorge Lobo Zagalo nasceu em 9 de agosto de 1931 em Maceió (AL). Mas foi nos arredores da carioca Praça Afonso Pena, que cresceu, embalado pelos concertos dominicais apresentados no coreto.

Considerando-se menino comum, que fazia molecagens como qualquer outro, teve uma infância feliz. Brincou de bolas de gude, botão, pipa, pingue-pongue, pião. Sonhava ser aviador, mas acabou desistindo por problemas de visão. Daí, não houve outro sonho senão o futebol. Cursou o primário no Instituto de Educação e o ginásio no Externato São José. E frequentava o América.


O casamento de Zagallo com Dona Nina. Reprodução


Foi no embalo das matinês dançantes do bairro no início dos anos 50, com bolero e cuba-libre que começou o namoro com a professora primária Alcina - para Zagallo, simplesmente Nina. E com ela, em poucos anos, chegaria ao altar da Igreja dos Capuchinhos - na Tijuca. A família Zagallo se completaria após o nascimento de seus 4 filhos, num casamento de 56 anos.

Mais tijucano, impossível!



As primeiras experiências no futebol vieram no Clube Dom Bosco, do Externato São José. Era canhoto de pé, então foi meia, depois ponta-esquerda. Mas efetivamente, foi no América (1948-1950) que começou a escrever as primeiras linhas de sua carreira que resgistraria, além de triunfos no futebol brasileiro defendendo as camisas do Flamengo (1951-1958) e Botafogo (1958-1965), quatro títulos mundiais com a Seleção Brasileira, dois como jogador (1958 e 1962), um como treinador (1970) e outro como auxiliar-técnico (1994).

Ao pendurar as chuteiras, Zagallo passou a atuar na comissão técnica, experiência lhe rendeu passagem pelo Vasco, Fluminense, e em clubes e seleções no futebol internacional.

Vocês vão ter que engolir!

De temperamento forte, passional e inflamado ao externar suas emoções, da mesma forma que colecionou títulos no esporte, Zagallo protagonizou polêmicas. Foi alvo de críticas e satirizado por suas declarações. Algumas, deixaram rusgas e desafetos. Mas, sem dúvida, o episódio mais célebre foi o seu desabafo, após a conquista da Copa América de 1997:
"Vocês vão ter que me engolir"!


Coisas do futebol, movido a paixão...

Parabéns, Zagallo! Uma trajetória vitoriosa que se confunde com a história do futebol brasileiro.
Zagallo após a final da Copa de 1962. CPDoc JB

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9 de agosto de 1975 - Morre o compositor russo Dimitri Shostakovitch

Morre o compositor russo Dimitri Shostakovitch. Jornal do Brasil: Segunda-feira, 11 de agosto de 1975.

O compositor soviético Dimitri Shostakovitch, 68 anos, morreu num sábado à noite, em Moscou. A notícia foi divulgada em primeira mão durante uma apresentação da Orquestra Sinfônica de Boston. Num intervalo, o diretor musical da Orquestra Seiji Ozawa, veio ao palco para dizer que o regente convidado Mistilav Rostropovich, acabara de receber um telefonema de Moscou, noiticiando a morte de seu amigo. Após um minuto de silêncio, Rostropovich regeu a execução da V Sinfonia de Shotakovitch e ao terminá-la beijou a partitura retirando-se para os bastidores, de nde não voltou para receber os aplausos do público.

Mais tarde, uma nota oficial da Agência Tass informou que Shostakovitch morreu as 19h de Moscou, no Hospital Kuntsevo, onde se internara 10 dias antes com problemas cardíacos.


Dimitri Dimitrievich Shostakovitch, último sobrevivente da geração de grandes compositores russos surgidos com a Revolução, nasceu em São Petesburgo em 25 de setembro de 1906. Ingressou cedo na arte da música e aos 11 anos escreveu sua primeira composição. Dois anos mais tarde já estudava no Conservatório de Leningrado. A primeira sinfonia compôs aos 19 anos, regendo-a ele próprio no ano seguinte. Essa obra deu-lhe destaque internacional, sendo até hoje incluida no repertório das grandes orquestras.

Pouco depois, recebeu do Governo a encomenda de uma sinfonia para as celebrações da Revolução de Outubro. Era o início de uma carreira de músico oficial, marcada, não obstante, por uma impressionante alternancia de honrarias e críticas por vezes ferozes, principalmente vindas de Stalin.

Homem tímido e retraído, propenso a roer unhas, Shostakovitch continuou a viver recatadamente, apesar de ter-se tornado uma glória nacional. Politicamente, defendia a tese de que, apesar das divergências e dificuldades, "todo artista soviético devia sempre considerar-se um combatente pelo comunismo".

O músico estava doente há muitos anos. Em 1966 sofreu um infarto. Dois anos depois, foi substituído no cargo de diretor da União dos Compositores Soviéticos. Teve que deixar de tocar piano e a partir de 1970 começou a andar apoioado numa bengala, em consequência de uma doença que lhe comprometeu a firmeza as pernas. Mesmo assim, conseguiu estrear com imenso sucesso, em 1972, s sua XV Sinfonia. Com essa obra retomava o trabalho estritamente instrumental, abandonado 18 anos antes.

Além das 15 sinfonias consideradas como a parte essencial de sua obra, Shostakovitch compôs três óperas (uma das quais, O Nariz, inspirada em um famoso conto de Gogol), música para ballet, trilhas sonoras de filmes, vários concertos para piano e outros instrumentos, 24 prelúdios e fugas para piano, duas sonatas para piano, música de camara (destacando-se oito quartetos para cordas) e várias canções.

Em sua formação, SHostakovitch sofreu influências as mais diversas - de Beethoven a Tebaikovsky, de Strauss a Mahler, de Glazunov a Prokofiev - o que, junto com as dificuldades políticas que repetidamente enfrentou, explica de certa forma a desigualdade de sua produção, onde conforme têm observado muitos críticos, encontra-se, às vezes na mesma composição, o que há de melhor e pior na música contemporânea russa.


Outras efemérides de 9 de agosto:
1945: Bomba atômica arrasa Nagasaki
1965: Cingapura se torna independente
1969: Sharon Tate é morta pela Família Manson
1997: Morre Betinho, a voz da cidadania

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8 de agosto de 1963 - O assalto ao Trem Pagador

Assalto ao Trem Pagador. Jornal do Brasil: Sexta-feira: 9 de agosto de 1963
O trem postal foi detido a 64 km de Londres. O comboio Glasgow – Londres pertencia à categoria dos trens fantasmas 54-B, cujos horários eram desconhecidos do público, e que tinham por missão transportar o correio rapidamente através da Grã-Bretanha.

O maquinista Jack Mills, 58 anos, avistou o sinal de perigo no poste de sinalização da estrada de ferro quando se aproximava da passagem de nível, e freou a locomotiva diesel que rebocava nove vagões. O ajudante David Whitby, de 26 anos, saltou do trem a fim de utilizar o telefone de emergência ali instalado, quando se deu conta de que os fios haviam sido cortados, e que o sinal verde do sistema de segurança estava ligado, mas encoberto por uma luva de couro.

Ambos foram dominados pelos assaltantes, sob ameaça de morte. O maquinista e seu ajudante foram então algemado juntos, enquanto eram desconectados da locomotiva todos os vagões exceto o primeiro e o segundo, todo isso no mais completo silêncio.

O maquinista foi obrigado a movimentar a locomotiva com os dois primeiros vagões apenas, até cerca de um quilômetro de distância, onde uma ponte ferroviária passava sobre a rodovia. Ali, com o pessoal do trem e do correio amarrados no primeiro vagão, os assaltantes, mascarados com meias de mulher, lançaram para dentro de dos caminhões todos os volumes que estavam no segundo vagão. A operação foi completada precisamente em 15 minutos.

Os assaltantes desapareceram na escuridão. Quando os guardas dos outros sete vagões, que haviam sido deixados na passagem de nível, chegaram a pé pelo leito da estrada para perguntar o que havia acontecido, encontraram os companheiros ainda amarrados.


Ronald Biggs se refugia no Brasil

Foi o maior roubo ocorrido até então, nos 125 anos do Correio Britânico, e um dos mais audazes da história. Os ladrões levaram o equivalente a sete milhões de dólares.

A Scotland Yard descobriu impressões digitais, o que facilitou a identificação dos assaltantes. Todos foram presos e condenados a longos anos de prisão. Um deles, Ronald Biggs depois de dois anos preso, conseguiu escalar um muro e escapar. Viveu na Austrália por três anos, e em 1970 veio para o Rio de Janeiro. Aqui casou-se e teve um filho. Depois de viver por mais de 30 anos no Brasil, Biggs decidiu se entregar às autoridades britânicas em 2001, e foi levado de volta para a prisão na Inglaterra, onde se encontra até hoje.

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7 de agosto de 1992 - Caetano Veloso aos 50

Caetano faz 50 anos. Jornal do Brasil: Sexta-feira, 7 de agosto de 1992.

"Hoje, 7 de agosto, dia de São Caetano no calendário católico, dona Canô Veloso cumprirá, religiosamente, um ritual de quase meio século. Vai à missa no convento de Nossa Senhora dos Humildes, em Santo Amaro da Purificação. Desta vez, a motivação é especial: a celebração dos 50 anos de seu filho mais ilustre, o cantor, compositor, poeta e cineasta Caetano Veloso. 'Minha maior alegria é ver Caetano chegar a esta idade. Uns a gente não vê nem crescer, mas, hoje, Caetano chega aos 50', diz dona Canô, a mãe que passou para os oito filhos, entre outros carinhos, o prazer de cantar". (Jornal do Brasil)

Uma das figuras mais importantes da música popular brasileira, Caetano Emunuel Viana Teles Veloso, quinto dos oito filhos de José Teles Velloso (Seu Zezinho) e Claudionor Viana Teles Velloso (Dona Canô), nasceu em Santo Amaro da Purificação, Bahia, em 1942. No início da década de 60 sua família se muda para Salvador e, sob a influência da Bossa Nova de João Gilberto, Caetano começa a tocar em bares e boates. Seu primeiro trabalho profissional vem em 1965, quando acompanha a irmã Maria Bethânia, chamada ao Rio de Janeiro para substituir Nara Leão no show Opinião, e lança seu primeiro compacto. Em 1968 produz seu primeiro LP individual, intitulado Caetano Veloso, e que trás as canções Alegria, Alegria, No dia em que vim-me embora, Tropicália, Soy Loco por ti América, algumas das quais se tornaram hinos da juventude do momento. No mesmo ano, com os amigos Gilberto Gil, Gal Costa e Tom Zé, funda o movimento Tropicalista que, através da irreverência e da improvisação, revolucionaria a MPB, fundindo elementos estrangeiros com a música brasileira. Com É Proibido Proibir, participa do 3º Festival Internacional da Canção (Tv Globo), e realiza um discurso histórico contra a platéia e o júri que o vaiam e o desclassificam do festival.

Crítico e politicamente enjagado, Caetano ganhou a inimizade do regime militar e teve diversas de suas músicas censuradas, acabando preso em 1968, junto do amigo Gilberto Gil. No ano seguinte, ambos são soltos e partem para o exílio na Inglaterra. Caetano retorna definitivamente ao Brasil em 1972, participa do álbum Brasil, de João Gilberto, e faz diversos shows em cidades brasileiras. No ano de 1976 forma o grupo Doces Bárbaros com Gil, Gal e Bethânia, grava um LP e parte em turnê pelo país. Nas décadas seguintes, continua a lançar discos incorpando cada vez mais uma obra reverenciada e revisitada por diversos artista.

Aos 69 anos, e mais polêmico do que nunca, Caetano trabalha em Zii & Zie, com um dos maiores talentos da nova geração, Maria Gadu.

Vida longa a Caetano, para que o público continue a Caetanear o que há de bom.

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6 de agosto de 1945 - O sol da morte em Hiroshima e Nagasaki

Bomba atômica destroi Hiroshima e Nagazaki. Jornal do Brasil: Terça-feira, 7 de agosto de 1945.

O ataque a Hiroxima e Nagasaki antecipou o fim da Segunda Guerra Mundial, um conflito marcado pela violência dos ataques lançados contra a população civil e pelo genocídio realizado pela Alemanha. Duas armas radicalmente novas foram usadas. Os foguetes de longo alcance e a bomba atômica.

O Japão decidiu apoderar-se do petróleo e demais recursos do Sudeste Asiático e suas ilhas, mas sabia que essas ações desencadeariam uma guerra contra os Estados Unidos. Em 1941 aeronaves japonesas lançaram um ataque em Pearl Harbor (Havaí) nos Estados Unidos. Os kamikase, (“vento divino”, em japonês) eram pilotos que sacrificavam a vida para afundar navios americanos.

No fatídico dia 06 de Agosto de 1945, movidos por um sentimento de vingança pelo ataque japonês à base militar de Pearl Harbor, o presidente Harry S. Truman permitiu que fossem lançadas duas bombas atômicas: a primeira sobre Hiroxima e a segunda sobre Nagasaki.

Proxima, na época a sétima maior cidade japonesa, com 350 mil habitantes, foi atacada por Little Boy, como era chamada a bomba de 20 mil toneladas. Hiroxima se transformou numa bola de fogo e depois, em nuvens de púrpura e chamas subindo em espiral. Uma coluna de fumaça branca ergueu-se a seis mil metros, como um cogumelo. A cidade de 343 mil habitantes estava coberta por uma poeira misturada com fogo.
Hiroxima foi despedaçada: 69% dos edifícios foram destruídos, o calor carbonizou os postes telefônicos numa distância de 3 quilômetros.
Quando uma bomba atômica explode, a bola de fogo provoca ondas de choque e de calor que destroem as construções próximas à explosão. Ao subir, a bola de fogo aspira os fragmentos e forma uma nuvem em forma de cogumelo. Os que não foram mortos na hora pelo fogo, foram despedaçados pelos estilhaços das vidraças e por um vento que soprava a 800 quilômetros por hora.




Não satisfeitos com tamanha atrocidade e apenas três dias depois do primeiro ataque, atacaram a segunda cidade-alvo no dia 09 de agosto. Nagasaki e seus 175 mil habitantes foram a vítima de Fat Man.

Mais de 300 mil pessoas morreram em Hiroxima e Nagasaki.Bomba nuclear.

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5 de agosto de 1954 - O atentado da Rua Toneleros

Jornal do Brasil: 06 de agosto de 1954
Era madrugada. Carlos Lacerda chegava de carro à sua residência na Rua Toneleros, na companhia do filho Sergio e do major Florentino Vaz, quando foi surpreendido por uma emboscada. Dois homens dispararam contra eles e fugiram num táxi. Lacerda foi atingido no pé, e o major, gravemente ferido nas costas, morreu a caminho do hospital.

Ferrenho opositor do Governo Vargas, o jornalista e político conservador publicaria, na manhã seguinte, em seu editorial: "A visão de Rubens Vaz, na rua, impede-me de analisar a frio, neste momento, a hedionda emboscada desta noite. Mas, perante Deus, acuso um só homem como responsável por esse crime. É o protetor dos ladrões, cuja impunidade lhes dá audácia para atos como os desta noite. Este homem chama-se Getúlio Vargas."

Essa declaração, que prontamente fortaleceu a versão de atentado, agigantou a onda anti-getulista, que já reivindicava a renúncia do presidente Getúlio em diversos setores da sociedade.
Jornal do Brasil: 08 de agosto de 1954

Durante a investigação que se seguiu, demonstrou-se que a bala que atingiu o major era de calibre 45, arma de uso privativo das Forças Armadas. Em poucos dias chegava-se a dois suspeitos: Alcino João Nascimento e Climério Euribes de Almeida, homens da guarda pessoal do presidente, e ao mandante do crime, Gregório Fortunato, chefe da guarda e guarda-costas de Getúlio desde a época do Estado Novo.
Jornal do Brasil: 10 de agosto de 1954

Jornal do Brasil: 17 de agosto de 1954


O triunfo de Lacerda aconteceria 19 dias depois do crime, com a derrocada final do presidente Getúlio: o seu suicídio, em 24 de agosto.
Jornal do Brasil: 25 de agosto de 1954

Alcino foi condenado a 33 anos de prisão, pena depois reduzida. Cumpriu 23 anos e sobreviveu a duas tentativas de assassinato. Gregório foi condenado a 25 anos, vindo a ser assassinado na prisão, assim como Climério, condenado a 33 anos. José Antônio Soares foi condenado a 26 anos. Nelson Raimundo, a 11 anos.

Muitos questionam até hoje o atentado, afirmando tratar-se de uma conspiração das Forças Armadas, justamente com o propósito de derrubar Getúlio. O próprio Alcino sustentou, depois de preso, e ao longo dos anos, a mesma versão para o fato. Já Lacerda, apresentou contradições nas sucessivas vezes em que relembrou o episódio.

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4 de agosto de 1964 - A intervenção americana da Guerra do Vietnã

EUA entra na Guerra do Vietnã. Jornal do Brasil: Quarta-feira, 5 de agosto de 1964

Leia também: Guerra do Vietnã - um outro olhar, por Antônio Callado

Cinco anos pós ser um conflito armado, decorrente de divergências político-ideológicas e inflamado pela Guerra Fria, aparentemente restrito ao Vietnã do Norte, Vietnã do Sul e Camboja, a Guerra do Vietnã ganhou novas dimensões com a intervenção militar norte-americana.

Aliado do capitalista Vietnã do Sul, os EUA se empenharam no envio de milhares de soldados, equipados com armamentos modernos e servidos de tecnologia de última geração. E depararam-se com um adversário que servia-se de táticas de guerrilha, favorecido pelo pleno domínio do campo de batalha, mas visivelmente superados em infraestrutura bélica. Uma realidade com circunstâncias aparentemente tão extremas não refletia o curso pelo qual a guerra se estenderia ao longo dos anos seguintes.

8 de junho de 1972 - Napalm destrói Vietnã
1º de janeiro de 1973 - Bombardeio arrasa Hanói
6 de agosto de 1974 - EUA erra alvo e mata 100 civis no Camboja

No final dos anos 60, já era evidente o fracasso da ação americana, polemizada em sucessivas campanhas de pacificação nos EUA e em diversas partes do mundo. Com mais de um milhão de mortos e dois milhões de feridos, o cessar fogo só aconteceu em 23 de janeiro de 1973 e a retirada das tropas americanas foi concluída dois anos mais tarde, no dia 25 de março de 1975.

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4 de agosto de 1994 - Morre o acadêmico Cyro dos Anjos

Jornal do Brasil, 5 de agosto de 1994.

"Para uso meu, particular, penso que certos sentimentos serão eternos, embora só se alastrem de modo cíclico, por ondas. Não duvido que o amor paixão, que de tão longe vem, acompanhe sempre o homem, mesmo quando a humanidade mude de planeta e carregue a sua trouxa pelo Cosmos". Cyro dos Anjos

O escritor Cyro dos Anjos, 88 anos, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) morreu no fim da madrugada de um xx em sua residência, devido a uma parada cardio-respiratória.Deixou uma curta e consistente obra - três romances, várias crônicas e volumes de memórias. Professor da Oficina de Letras da UFRJ, trabalhou até 1992, quando um derrame o obrigou a interromper suas atividades. No ano anterior, com a morte de sa esposa Lilita, disse ter perdido a razão de viver, confessando que não via a hora de novamente encontrar-se com ela.

Seu corpo foi sepultado no Cemitério São João Batista no mesmo dia, na presença de grande número de acadêmicos, entre eles Josué Montello - então presidente da ABL, Evaristo Moraes, Nélida Piñon, Barbosa Lima Sobrinho e Eduardo Portela. O escritor deixou seis filhos e 14 netos.

Cyro Versiani dos Anjos, mineiro de Rio Claro, nasceu em 5 de outubro de 1906. Foi na adolescência que deixou sua cidade natal e seguiu para Belo Horizonte, onde iniciou o curso de Direito na Universidade Federal de Minas Gerais ainda nos anos 20. Enquanto estudava, viveu a primeira experiência profissional como escriturário. Mas logo foi contagiado pela paixão da imprensa. Desde então, passou a conciliar as duas atividades. Escreveu nos principais títulos da imprensa mineira - Diário da Tarde, Diário do Comércio, Diário da Manhã e Diário de Minas. Nesta época, conheceu Carlos Drummond de Andrade, Emílio Moura e João Alphonsus, a geração literária do Bar da Estrela. Formou-se em 1932, assumindo um cargo no gabinete do Secretario de Finanças de Minas Gerais onde atuou até 1945, quando mudou-se para o Rio, começando uma nova fase em sua vida.

Na então capital, foi nomeado em 1957 sub-chefe da Casa Civil da Presidência da República e em 1960, ministro do tribunal de Contas. Com a transferência da capital para Brasília, para lá também seguiu, sendo um dos fundadores da universidade federal.

Na literatura, sua primeira publicação foi o romance O amanuense Belmiro (1937), com uma calorosa acolhida do público. A obra foi construída das anotações de um diário, o autor se mostra de inteligência aguda e coração lírico. O estilo harmonioso e tranquilo, revela a grande influência machadiana. O segundo romance Abdias (1945) não teve a mesma projeção do primeiro. A retomada veio com o terceiro Montanha (1956), definido por Otto Maria Carpeaux:" Um exemplo de técnica literária inteiramente renovada, revelando as grandes qualidades do escritor.

Eleito para a ABL em 1º de abril de 1969, na cadeira de número 24, deixada por Manuel Bandeira, foi empossado no dia 21 de outubro, sendo recebdio por Aurélio BUarque de Holanda, que fez uma bela análise de sua obra ficcional. Niguém como Cyro descreveu as sutilezas dos grupos que existiam na Belo Horizonte entre os anos 30 e 50.

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2 de agosto de 2011: Morre Ítalo Rossi, uma maneira especial de falar

Morre Ítalo Rossi

"Não me arrependo que fiz. E sim do que não fiz".
Ítalo Rossi (1931-2011)

A dramaturgia brasileira perdeu um de seus maiores talentos, o ator Ítalo Rossi, 80 anos, plena dedicação em mais de seis décadas ao teatro brasileiro. As primeiras notícias vieram por intermédio de seu sobrinho, Humberto Rossi. O ator estava internado há dois dias no Hospital Copa D'Or, no Rio de Janeiro, e morreu por volta das 16h desta terça-feira, dia 2 de agosto de 2011, de complicações respiratórias.

A escola foi o palco, e nele, o botucatuense Ítalo Balbo Di Fratti Coppola Rossi, nascido em 19 de janeiro de 1931, adquiriu a grande experiência da dramaturgia, sempre renovada num novo começar. Foram inúmeros prêmios acumulados, em incessantes anos de trabalho intenso e com a satisfação íntima de estar realizando o que sempre quis. Não se intitulava saudosista, mas sempre recordava boas histórias, atitude natural de quem as colecionou aos montes.

Suas primeiras atuações aconteceram no Teatro das Segundas-Feiras. Vieram depois o Teatro de Vanguarda e o Teatro Brasileiro de Comédia, TBC e a fundação do Teatro dos Sete, um de suas mais célebres experiências, onde também integrou o elenco ao lado de Fernanda Montenegro, Sergio Brito, entre outros. Trabalho ao qual fez a seguinte referência:"Relembrando hoje o que fiz durante oito anos no Teatro dos Sete, concluo que não havia apenas uma excelente comunicação com o público. Havia, antes de tudo, uma boa comunicação entre nós. Com o público a gente se comunicava por inteiro. Tenho saudades, mas não sou nostálgico".

Definitivamente um ator amadurecido, sua interpretação colheu a admiração dos críticos e do público. Soube como poucos usar na dose certa voz e corpo, traçando o perfil da personagem com precisa personalidade. Foi irônico, arrogante, intrigante, franco, inteligente, misterioso, comovente. Foi o que sua atuação precisava ser, impulsionado pela intensidade com que se entregava à dramaturgia e magnetizava o espectador.

É Mara!
Foi num papel cômico que Ítalo Rossi atuou pela última vez na TV. Interpretando Seu Ladir, no sitcom semanal Toma lá, dá cá, da Rede Globo. Caiu no gosto popular com sua interpretação. Mas principalmente por sua infinita capacidade de inovar. "Levo comigo a melhor das lembranças porque Ladir, além de engraçado, é um cara muito humano. E ainda lançou a gíria que todo mundo está usando: ‘mara’. Onde eu vou, alguém usa. Peço sanduíche, e o sanduíche é ‘mara’. Compro um sorvete e vendedor me diz que é ‘mara’


No final de 2010, Ítalo Rossi lançou Isso é tudo, da Coleção Aplauso, comemorando 60 anos de carreira.

Bravo, Italo! Foi Mara!

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3 de setembro de 1980: O encerramento dos Jogos Olímpicos de Moscou

Chega ao fim a 22a. Edição dos Jogos Olímpicos, em Moscou. Jornal do Brasil: Segunda-feira, 4 de agosto de 1980.

Moscou encerrou os 22°Jogos Olímpicos com uma festa tão bonita quanto a de abertura, mas mais emocionante, talvez por ser a festa do adeus, da separação de milhares de atletas numa terra ainda tão desconhecida do mundo ocidental. A cidade ficou vazia e o Estádio Lenin lotado para os desfiles, as danças folclóricas e a queima de fogos.

Uma versão do ursinho Misha em pelúcia, o mascote da Olimpíada, com cerca de 8 metros, apareceu suspensa por bolas de gás e foi solta no centro do gramado, sumindo no espaço. No mesmo instante, uma reprodução gigantesca do mesmo Misha se exibia num painel humano, numa experiência inédita ao grande público, derramando lágrimas. Foi evidentemente o ponto alto da celebração.


Uma outra despedida, aconteceu durante o desfile da delegação brasileira. O jogador da seleção de volei, Moreno, empunhava a bandeira do Brasil, encerrando uma trajetória de 16 anos em competições pelo país.

O último ato simbólico aconteceu quando a bandeira de Los Angeles subiu, anunciando a edição seguinte dos Jogos Olímpicos, diluindo friamente clima emocional até então instaurado.

Nas duas semanas de duração dos Jogos Olímpicos, a União Soviética conquistou 195 medalhas de um total de 629 disputadas. No resultado técnico, os Jogos registraram 81 recordes mundiais e olímpicos, 24 dos quais de autoria dos donos da casa.

Eram fervorosos tempos da Guerra Fria. E o presidente do Comitê Internacional Olímpico, Lord Kilanin, condenou mais uma vez a manipulação do movimento olímpico por questões políticas e diplomáticas. O alvo era o boicote dos EUA e de outros países do ocidente ao evento, o que tornaria a acontecer na edição seguinte, sediada em Los Angeles, quando URSS e outros países da coluna socialistas se ausentariam do evento.


Outras efemérides de 3 de agosto:
1988 - Fim da censura e da tortura no Brasil

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2 de agosto de 1973 - Quem sequestrou o menino Carlinhos?

Jornal do Brasil: Sexta-feira, 3 de agosto de 1973

Era um pouco mais de 20,30h de uma quinta-feira, quando um homem encapuzado, alto, forte e armado com um revólver cortou a luz do prédio 1.700, da Rua Alice, no bairro carioca de Santa Teresa, invadiu o imóvel e sequestrou o menino Carlos Ramires da Costa, 10 anos. Após trancar os seis irmãos e a mãe das crianças no banheiro, o sequestrador fugiu, deixando no local uma carta com pedido de resgate.

"Aviso a você que a criança está em nosso poder e só entregaremos após ser pago o resgate de 100 mil cruzeiros. Esta importância deverá cer (sic) em pequeno volume e metido dentro de uma bolsa e deverá cer (sic) depoistado ensima (sic) de uma caixa de cimento que fica situada na Rua Alice cruzando com a Rua Giliostrio, junto a duas placa (sic) no dia 4/8/73 às 2h, digo duas horas do dia quatro, e lembre-si (sic) que qualquer reação a vítima será liquidada". Neste ponto o bilhete muda de caligrafia que se torna visivelmente mais tremida. "OBS. Depois de ser feito este depósito deverão seguir em direção ao Rio Comprido e esta carta deverá ser devolvida no ato".

Quem sequestrou Carlinhos?
Carlos Ramires era filho de João Melo da Costa, proprietário da Indústria Farmacêutica Unilabor, sediada em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, que chegou em casa poucos instantes após a saída do criminoso, afirmando depois ter visto inclusive um vulto se distanciar pela rua. Imediatamente, João seguiu em busca de socorro. Corpo de Bombeiros e a 9ª Delegacia da Polícia Civil dirigiram-se para o local. As buscas começaram pelas redondezas, em ruas próximas, terrenos baldios e interrogatórios pela vizinhança. Em pouco tempo, a notícia circulava pela cidade e o crime alcançava repercussão nacional.

Ao pai, que passava por sérias dificuldades nos negócios, correndo risco de falência, havia poucas horas para reunir o montante estipulado. Auxiliado por um número de telefone, divulgado amplamente para possível contato do sequestrador e colaboração anônima sobre pistas que ajudassem a elucidar o crime, João recebeu doações para colaborar na arrecadação do dinheiro. No dia do pagamento, o local estipulado foi ocupado por policiais disfarçados e vários repórteres de emissoras diferentes. Ninguém apareceu para receber o resgate.

Desde então, o caso passou a colecionar uma série de hipóteses, especulando-se motivos de ordem distintas, levantando e prendendo diversos suspeitos, reunindo cada vez mais informações controversas.

As maiores evidências até hoje apontam a participação do pai do menino na co-autoria do crime. O empresário teria forjado o seqüestro do filho para se recuperar financeiramente. Para os investigadores, o imóvel da família era muito humilde, o não justificaria a atuação de sequestradores em busca de resgate por ali. A fuga também foi apontada como imcompatível a um caso pre-meditado com intenção de transportar um refém. Da mesma forma, questionou-se a tranquilidade do pai de Carlinhos desde os primeiros instantes que se seguiram ao sequestro.

Declarações da mãe de Carlinhos, Maria da Conceição Ramires, anos mais tarde, fortalecem as suspeitas sobre o envolvimento do pai. Segunda ela, João acompanhou as investigações por pouco tempo, vindo a perder o interesse em esclarecê-lo. Ela confirmou também a existência de uma conta bancária para arrecadar fundos para o pagamento do resgate e posteriormente a condução das investigações, mas que nunca tomou conhecimento do destino dado ao dinheiro. O casal se separou três anos após o sequestro.

A filha mais velha do casal, chegou a apontar em depoimento um funcionário de João, Sílvio Azevedo Pereira, como sequestrador de Carlinhos. Sílvio chegou a ser condenado 13 anos de prisão, mas seus advogados recorreram da sentença e ele foi absolvido. João Melo da Costa nunca foi indiciado.

O caso nunca foi esclarecido. E até hoje uma pergunta permanece sem resposta: "Afinal, quem seqüestrou Carlinhos"?

Os sete irmãos aparecem num poster da família:
Os sete irmãos aparecem num poster da família. Carlinhos é o segundo da esquerda.



Outras efemérides de 2 de agosto:
1945: Termina a Conferência de Potsdam
1958: Explosão em Deodoro
1976: Morre Fritz Lang
1989: O Adeus à Luiz Gonzaga

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1º de agosto de 1976 - Niki Lauda nasce de novo

Jornal do Brasil: Segunda-feira, 2 de agosto de 1976 - página 22
Líder do Campeonato de Fórmula 1, a caminho do bi-campeonato, o piloto austríaco Niki Lauda se acidentou gravemente durante a segunda volta do Grande Prêmio da Alemanha, quando sua Ferrari capotou, e se incendiou, em seguida, na escorregadia pista de Nurburgring.



Socorrido pelo piloto italiano Arturo Merzario, Lauda foi inicialmente conduzido ao Hospital Adenau, nas proximidades do autódromo, onde recebeu os primeiros-socorros. Mas a gravidade de seu estado clínico implicou na sua urgente transferência, de helicóptero, primeiro para o Hospital de Ludwigshafen e depois para Manhein. Lá, os médicos constataram lesões internas nos pulmões e brônqüios, pela ingestão de gases venenosos enquanto da permanência do piloto preso nas ferragens do carro em chamas. Lauda também fraturou a clavícula e sofreu queimaduras de primeiro, segundo e terceiro graus que comprometeram a maior parte de seu corpo, inclusive da face.

Foram 72h apreensivas. Neste período, nem os médicos puderam constatar se Lauda sobreviveria ao trágico acidente. Mas o corredor superou a todas as expectativas. Com uma inexplicável recuperação aliada a uma coragem jamais vista no esporte, Niki Lauda retornou às pistas, no mesmo ano, com todas as marcas da tragédia, e tornou-se símbolo da superação humana. Lauda seria campeão novamente em 1977, e depois em 1984.

A tragédia de Niki Lauda reacendeu a polêmica sobre a segurança primitiva oferecida pelos carros e pelos circuitos aos pilotos nas pistas de alta velocidade. A organização das provas também deixava a desejar nos procedimentos de socorro, salvamento e resgate. As discussões voltaram-se para como manter a emoção das provas de automobilismo, fazendo do esporte ao mesmo tempo cada vez mais veloz, rentável, sem sacrificar seus pilotos.

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